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Agência Diap, 10
de novembro de 2007
CONTRIBUIÇÃO
SINDICAL
GT do Ministério
do Trabalho se reúne para tratar do financiamento
do movimento sindical
Criado pela Portaria 546, do Ministério do Trabalho e Emprego,
o Grupo de Trabalho que irá debater o financiamento da organização
sindical — sindicatos, federações, confederações
e centrais — realizará sua primeira reunião na próxima
terça-feira, dia 13.
O GT tem o objetivo de estudar e propor novas formas de
financiamento do movimento sindical, hoje custeado, em
grande medida, pela contribuição sindical,
cujos valores correspondem a um dia de trabalho (3,33%
do salário) descontado no contracheque do trabalhador,
no mês de março, de todos os trabalhadores
que fizerem parte de uma determinada categoria econômica
ou profissional.
O Grupo de Trabalho é formado por representantes
do MTE e pelas centrais sindicais constituídas — Central
Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), União
Geral dos Trabalhadores (UGT), Central Única dos
Trabalhadores (CUT), Força Sindical e a Nova Central
Sindical dos Trabalhadores (NCST).
Conheça as fontes de custeio
dos sindicatos
Basicamente três são as fontes de financiamento ou custeio
do sindicato. Conheça cada uma delas — contribuição
sindical, que todos os trabalhadores pagam, sindicalizados ou não;
taxa assistencial, percentual cobrado em função da assinatura
da convenção coletiva de trabalho; e a mensalidade sindical,
cuja contribuição é voluntária.
Contribuição
sindical
A contribuição sindical corresponde a 1/30 (um trinta
avos) do salário de todo o trabalhador, sindicalizado ou não.
Os valores recolhidos não são integralmente repassados
aos sindicatos. Hoje, eles são distribuídos da seguinte
forma:
60% - sindicato da categoria
20% - Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)
15% - federação
5% - confederação
No caso da inexistência de sindicato representando
os trabalhadores, os valores recolhidos serão repassados
integralmente ao MTE.
Taxa assistencial
Trata-se de cobrança de um percentual sobre o salário. É o
trabalhador quem a determina quando da realização da
assembléia geral da categoria, convocada pela diretoria do sindicato,
para trata da convenção coletiva de trabalho.
Mensalidade social
A mensalidade social é paga somente pelos filiados ao sindicato.
Esses contribuem com 1% do salário por mês, num total
de 12% ao ano.
(Marcos Verlaine)
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Agência Diap, 10
de novembro de 2007
BALANÇO DA SEMANA
Semana de intensa mobilização
do movimento sindical; na pauta, interesses dos trabalhadores
A semana que termina foi marcada por intensa mobilização
do movimento sindical, dentro e fora do Congresso Nacional, em prol de
demandas dos assalariados.
Na agenda dos representantes dos trabalhadores, a retomada da proposta
original que reconhece as centrais sindicais; a regulamentação
do dispositivo constitucional que protege os assalariados da demissão
sem motivo e contra a terceirização da mão-de-obra;
e o lançamento da 4º Marcha da Classe Trabalhadora.
Nesta quarta versão da Marcha, que acontecerá no dia 5
de dezembro, em Brasília, a pauta será a redução
da jornada de trabalho sem redução do salário, mais
e melhores empregos, fortalecimento da Seguridade Social e das políticas
públicas.
Como nas três versões anteriores, em que as centrais se
mobilizaram por reajustes do salário mínimo e pela redução
da tabela do imposto de renda da pessoa física, as entidades decidiram
realizar uma mobilização unificada em prol de interesses
universais e unitários dos trabalhadores.
Ainda em relação aos temas de interesse
dos trabalhadores, destaque para a aprovação
na Câmara de mudança na Constituição
para prorrogar, em dois meses, a licença-maternidade,
passando o beneficio de quatro para seis meses.
No Senado, entre os destaques, a aprovação da MP que
regulamenta o trabalho aos domingos e o lançamento, no auditório
Petrônio Portella, da 4ª Marcha em Defesa da Classe Trabalhadora.
Contribuição sindical
Nesta quarta-feira, 07/11, dirigentes sindicais se reuniram com o ministro
do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, para a constituição
de um fórum destinado à discussão da contribuição
sindical, ameaçada no projeto de lei (PLC 88/07), que regulamenta
as centrais em discussão no Senado.
O grupo de trabalho, criado pela Portaria 546, será formado
por representantes do Ministério do Trabalho e das
centrais sindicais e pretende examinar alternativas para
o financiamento das confederações, federações
e sindicatos no País. A primeira reunião
do GT acontecerá na próxima terça-feira,
13/11.
O grupo terá 90 dias para apresentar suas conclusões
com relação à contribuição
sindical, que atualmente corresponde a um dia de trabalho
descontado direto do contracheque do trabalhador.
No Parlamento
No Senado, o PLC 88/07 recebeu 21 emendas. Saiba do que
trata as emendas. Foi adiada a apreciação
do parecer do senador Francisco Dornelles (PTB/RJ) porque,
segundo o parlamentar, o relatório não havia
ficado pronto. Nova reunião do colegiado foi agendada
para a próxima terça-feira, 13/11, quando
o senador pretende apresentar seu parecer.
Questionado sobre o parecer, Dornelles adiantou que "não
concorda com a possibilidade de no mês de novembro
retirar a receita dos sindicatos definida para o mês
de janeiro". Quanto aos demais aspectos do PLC 88,
disse que vai discutir e examinar o texto aprovado pelos
deputados, o do Governo e decidir o formato de seu parecer.
Portanto, uma coisa é certa, o senador vai modificar
o texto da Câmara dos Deputados.
Demissão sem motivo
Outra importante demanda do movimento sindical em defesa dos trabalhadores
nesta semana foi a participação na audiência pública
realizada pela Comissão de Trabalho que debateu a regulamentação
do inciso I do artigo 7º da Constituição para proteger
o trabalhador contra a demissão sem motivo.
No debate ficou claro, infelizmente, que ainda é prematuro
regulamentar este dispositivo da Constituição,
pois as relações de trabalho no País
ainda são bastante injustas. Os patrões resistem
na regulamentação e insistem na retirada
e flexibilização de direitos trabalhistas,
como a terceirização de mão-de-obra.
Terceirização
Outro debate importante realizado pela Comissão de Trabalho
esta semana abordou a terceirização da mão-de-obra.
A audiência pública ocorreu no âmbito da Subcomissão
de Terceirização. O movimento sindical considera esta
modalidade de contratação uma precarização
real das relações de trabalho e grave ameaça a
direitos trabalhistas.
Para avançar neste debate, faz-se necessário
que a Mesa Diretora da Câmara vote a Mensagem Presidencial
que pede o arquivamento do PL 4.302/98, do ex-presidente
FHC, que trata da terceirização da mão-de-obra.
De acordo com o debate, o ponto de partida para a discussão é definir
o que é terceirização e o que vem
a ser a intermediação de mão-de-obra.
No debate, concluiu-se que haverá duas frentes para
regulamentação – uma no setor público,
outra na iniciativa privada.
Piso salarial para educadores
Também destacamos nesta semana que a Comissão
de Trabalho aprovou a proposta que cria o piso salarial
nacional. A votação do projeto de lei (PL)
619/07, relatado pela deputada Andréia Zito (PSDB/RJ),
que emitiu parecer favorável à proposta,
foi acompanhada por unanimidade pelo colegiado.
A relatora acolheu quase que na íntegra o substitutivo
apresentado pelo deputado Severiano Alves (PDT/BA) e que
havia sido aprovado na Comissão de Educação.
O piso aprovado é de R$ 950 para quarenta horas
semanais. O projeto original do Executivo propunha R$ 850.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores
em Educação (CNTE), entidade filiada ao DIAP,
defende que o piso nacional ideal para os professores seria
de R$ 1.050 para professores com nível médio
e de R$ 1.575 para nível superior. Para os dois
casos, a proposta da Confederação é de
30 horas semanais.
Entre as modificações, a relatora acolheu
a sugestão do deputado Tarcísio Zimmermann
(PT/RS), que propôs que os reajustes após
a aprovação do piso sejam também correlacionados
com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor
(INPC), caso o índice de reajuste já proposto
pelo projeto seja menor.
Outra importante modificação acrescentada
na Comissão de Trabalho foi a extensão do
reajuste aos aposentados e pensionistas da categoria.
A matéria passará ainda por votações
na Comissão de Finanças e Tributação
e na Comissão de Constituição e Justiça.
Licença-maternidade
Com o intuito de incluir na Constituição
a garantia de mais dois meses de licença-maternidade,
passando dos atuais quatro meses para seis, a Comissão
de Constituição e Justiça e de Cidadania
(CCJ) da Câmara aprovou nesta quinta-feira, 08/11,
a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) 30/07, da deputada Ângela Portela (PT/RR),
que aumenta a licença-maternidade. O objetivo é conciliar
o tempo de afastamento das mães com o período
mínimo de aleitamento recomendado pelas campanhas
oficiais do Ministério da Saúde.
A autora considera o prazo de quatro meses incoerente. "O
próprio Governo faz campanhas ostensivas de estímulo
ao aleitamento materno mínimo de seis meses",
lembra.
Projeto do Senado
Proposta semelhante com o intuito de ampliar o período
da licença-maternidade está em fase bastante
adiantada de tramitação no Congresso Nacional.
Trata-se do PLS 281/05, de autoria da senadora Patrícia
Saboya (PDT/CE), que aumenta também para seis meses
a licença-maternidade. O projeto já foi protocolado
na Câmara, mas a Secretaria-Geral da Mesa ainda não
o distribuiu às comissões temáticas.
A proposta da senadora não modifica a Constituição,
apenas prevê a adesão opcional na iniciativa
privada, com incentivos fiscais. Além disso, o texto
autoriza a Administração Pública a
criar programa que garanta prorrogação da
licença-maternidade.
Ampliação do salário-maternidade
Também destacamos entre as deliberações
havidas, a aprovação de substitutivo ao Projeto
de Lei 2.291/00 (PLS 152/99), da ex-senadora Luzia Toledo
(PSDB/ES), que amplia a abrangência e o alcance do
salário-maternidade. A proposta altera a Lei 8.213/91,
que trata da concessão do benefício.
Entre as mudanças realizadas no projeto do Senado,
está a que atende às mães que tiveram
bebês prematuros. O texto determina que, quando o
nascimento ocorrer com menos de 37 semanas, o tempo de
duração do salário-maternidade será acrescido
do número de semanas equivalente à diferença
entre o nascimento e a idade gestacional do recém-nascido.
Morte da mãe
Em outra mudança, o projeto garante o benefício ao pai
ou ao responsável legal, no caso de morte da mãe durante
o parto ou no decorrer do período de gozo do salário-maternidade,
desde que a criança sobreviva. A idéia é preservar
o direito da criança, a quem a lei atende preferencialmente,
garantindo ao pai ou responsável legal pela guarda os mesmos
benefícios assegurados à mãe.
Um terceiro ponto do PL 2.291 acresce dispositivo à Lei
dos Benefícios da Previdência (Lei 8.213/91),
e garante que, durante o período de licença-maternidade,
a mulher terá direito ao salário integral.
Na verdade, o projeto insere na lei uma norma que já existe
no artigo 393 da Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT), de forma a harmonizar a legislação
vigente.
Atraso no pagamento
Uma última mudança prevista pelo projeto de lei trata
da situação em que o empregador atrasa o pagamento do
salário-maternidade. Nesse caso, a proposta prevê que
a Previdência Social realizará o pagamento do benefício
e adotará as providências cabíveis para obter o
ressarcimento junto às empresas devedoras.
O texto original do projeto do Senado concede 90 dias
de salário-maternidade à segurada que adotar
criança de até um ano de idade. A extensão
do salário-maternidade a essas mães já está prevista
na Lei 10.710/03. É assegurado o salário-maternidade
por 120 dias para a mulher que adotar criança de
até 1 ano de idade; por 60 dias, se a criança
tiver até 4 anos; e salário-maternidade por
30 dias, se a criança tiver até 8 anos de
idade.
Tramitação
O projeto ainda será analisado pela Comissão de Constituição
e Justiça da Câmara.
4ª Marchas dos trabalhadores
Esta semana, no Senado, as centrais sindicais fizeram
o lançamento oficial da 4ª Marcha da Classe
Trabalhadora. Nesta quarta versão do evento, que
acontecerá no dia 5 de dezembro, em Brasília,
a pauta será a redução da jornada
de trabalho sem redução do salário,
mais e melhores empregos, fortalecimento da Seguridade
Social e das políticas públicas.
Como nas três versões anteriores, em que
as centrais se mobilizaram por reajustes do salário
mínimo e pela redução da tabela do
imposto de renda da pessoa física, as entidades
decidiram realizar uma mobilização unificada
em prol de interesses universais e unitários dos
trabalhadores.
Trabalho aos domingos
No Senado Federal, entre as deliberações ocorridas, destacamos
a aprovação na terça-feira, 06/11, do projeto
de lei de conversão oriundo da medida provisória (MP
388/07), que regulamenta o trabalho no comércio aos domingos
e feriados, desde que autorizado em convenção coletiva
de trabalho.
A MP estipula que os comerciários terão
direito a uma folga no domingo a cada período máximo
de três semanas. A matéria retorna à Câmara
para nova apreciação, já que foi aprovada
emenda dos deputados Paulo Pimenta (PT/RS) e Manuela D'Ávila
(PCdoB/RS).
A emenda dos dois deputados inclui hipermercados e supermercados
entre os estabelecimentos do comércio atingidos
pela medida provisória. Eles justificam que a alteração
se faz necessária para evitar que trabalhadores
desses tipos de estabelecimentos fiquem sujeitos a incertezas.
Segundo o Ministério do Trabalho, a MP favorece
a 8 milhões de trabalhadores em todo o País
e deve aumentar a geração de empregos formais
no setor, já que será necessária a
contratação de mais funcionários para
cumprir as escalas de trabalho aos domingos.
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Nova Central, 10 de novembro
de 2007
Município terá de
indenizar gari por acidente de trabalho
Um gari que caiu do caminhão de lixo em Ouro Preto (MG) deve receber
indenização de R$ 20 mil por danos morais e R$ 10 mil por
danos estéticos. A decisão é da 4ª Câmara
Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Para os julgadores,
o acidente aconteceu por conta do arcaico e perigoso método de
coleta de lixo usado pelos municípios.
Em primeira instância, a sentença foi desfavorável
ao trabalhador. O juiz entendeu que não ficou comprovado
que o acidente foi causado pela falta de segurança
para o desempenho do trabalho.
No Tribunal de Justiça, o relator do processo,
desembargador Moreira Diniz, entendeu que para cumprir
as metas diárias exigidas pelos municípios,
os lixeiros são obrigados a uma interminável
corrida atrás do caminhão, ziguezagueando
entre os veículos, com violação das
leis de segurança de trânsito.
Segundo o relator, ao contrário do que contestou
o município, não houve prevenção
de acidentes quanto ao trabalho desenvolvido pelos coletores
de lixo. Ele ressalta que se o município usasse
meios mais eficazes de coleta o acidente provavelmente
não teria acontecido. Votaram com o relator, os
desembargadores Dárcio Lopardi Mendes e Almeida
Melo.
Processo 1.0461.02.006945-0/001
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Diário Vermelho,
10 de novembro de 2007
Brasileiros ricos ficaram mais
ricos em 2007, diz pesquisa
A vida do brasileiro melhorou neste ano, especialmente dos
mais ricos. A renda média das famílias das classes A
e B, que recebem acima de dez salários mínimos por mês
(R$ 3,8 mil), aumentou 7,3% em 2007 em relação ao ano
passado. O resultado superou a taxa de crescimento da média
da população em geral, que foi de 5% para o período,
e das classes mais pobres C e D/E, que registraram acréscimos
de 4% e 2%, respectivamente.
Os números fazem parte de um estudo do instituto de pesquisa LatinPanel
que visita 8,2 mil domicílios semanalmente em todo o País.
A partir desses dados, foi traçado o perfil do orçamento
dos brasileiros e feitas as projeções de renda e gastos.
" Os ricos ficaram mais ricos este ano", afirma
a diretora do instituto, Margareth Utimura. Houve crescimento
da renda das classes A e B em quase todas as regiões
pesquisadas, exceto na Grande São Paulo, Grande
Rio e no Sul. O maior acréscimo ocorreu no Centro-Oeste
(27,4%), seguido pelo interior de São Paulo (7%).
Margareth aponta dois fatores, além da recuperação
do emprego e da estabilidade de preços, que sustentaram
a alta da renda dos mais ricos. Um deles foi o aumento
médio de 27% das comissões recebidas este
ano, como a remuneração variável paga
pelas empresas. O outro fator foi o rendimento das aplicações
financeiras, que mais que dobrou (216%) para essa camada.
O estudo mostra que as classes A e B ampliaram em 26%
os desembolsos com a compra de veículos à vista
em 2007. Nas despesas gerais, os gastos dos mais ricos
cresceram 5% e superaram a média da população
(4%).
Mais pobres
Os gastos das classes C e D/E cresceram abaixo da média
geral, com variação de 2% e 3% respectivamente.
A novidade é que o desembolso dessas camadas de
renda menor está mais direcionado para produtos
que proporcionam mais qualidade de vida e praticidade.
Nesse rol, aumentaram gastos com iogurte, molhos, materiais
de construção para reforma.
Nesse ritmo, os gastos com habitação cresceram
9% (R$ 2.588) e passaram a representar 13,4% do orçamento
doméstico. A classe C foi a que mais se destacou
nesta evolução, saltando de R$ 2.081 no ano
passado para R$ 2.365 neste ano.
Os gastos com saúde subiram 8% no comparativo entre
este ano e o anterior, a R$ 1.364. O vestuário também
consumiu mais recursos – 11% na média do país,
a R$ 1.170. A pesquisa apontou ainda a evolução
de gastos com alimentação fora do lar (alta
de 8%) e com lazer (expansão de 7%).
Na contramão desta tendência, a alimentação
dentro do lar perdeu força (queda de 11%) no comparativo
com 2006. O gasto foi 17 % menor ao mês com frutas,
verduras e legumes, e 15% menor com aves, carnes, ovos
e peixes.
Da redação, com agências
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Diário Vermelho,
10 de novembro de 2007
Carteiros têm
parecer favorável a adiconal de periculosidade
Representantes da Federação dos Trabalhadores
da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Fentect)
voltaram nesta quarta-feira (7) ao Ministério do Trabalho
e Emprego para agradecer ao ministro Carlos Lupi o parecer
favorável enviado à Casa Civil ao Projeto de
Lei 7.362/06. O projeto está sendo apreciado pela
Presidência da República e prevê a concessão
do adicional de periculosidade a 53 mil carteiros de todo
o país.
A categoria esteve no ministério na última
terça-feira para pedir apoio e teve retorno imediato.
Os trabalhadores receberam das mãos de Lupi a cópia
do parecer enviado à Casa Civil.
"Com este parecer, o ministro realiza um sonho de
53 mil trabalhadores que lutam por isso há mais
de 24 anos", observou o presidente da Fentect, Manoel
Cantuária.
Aprovado pelo Congresso Nacional, o Projeto de Lei 7.362/06,
de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), foi enviado para
sanção presidencial e está sendo apreciado
pela Casa Civil. Ele altera o Art. 193 da Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT), que regulamenta a concessão
do adicional de periculosidade.
De acordo com a CLT, o trabalho em condições
de periculosidade assegura ao empregado um adicional de
30% sobre o salário. Entre as justificativas do
projeto está a possibilidade de acidentes, assaltos,
moléstias cutâneas, doenças ortopédicas
e ataques de animais domésticos contra os carteiros.
Fonte: Assessoria de impresa do MTE
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Congresso em Foco, 10 de
novembro de 2007
Governo quer saber
do povo o que é ética
Pesquisa proposta pela Presidência
da República pretende apurar o nível de confiança
da população na conduta ética dos agentes
públicos, a causa das eventuais desconfianças
e as regras de conduta aceitas pela sociedade.
Eduardo Militão
O governo federal vai fazer uma pesquisa nacional para
saber o que a população brasileira acha que é ética.
O Congresso Nacional aprovou, na última quinta-feira
(8), a dotação orçamentária
suplementar de R$ 153 mil para bancar o trabalho, que deve
começar no início do ano que vem, pelas previsões
da Presidência da República, autora do projeto
de lei para financiar o estudo.
Segundo a secretária-executiva substituta da Comissão
de Ética Pública da Presidência, Maria
Júlia Castro, a intenção é ouvir
a população. “Saber a opinião
da sociedade, como está enxergando essa questão.
Isso vai servir de indicador para trabalhos futuros”,
diz.
Ela afirma que a o governo ainda vai fazer o projeto básico
da pesquisa para fazer licitação do instituto
de pesquisa. Em linhas gerais, o estudo vai abordar qual
a confiança da população na conduta ética
dos agentes públicos, qual a causa de eventuais
desconfianças nesses padrões éticos
e quais os princípios, valores e regras de conduta
aceitos pela sociedade.
O trabalho será quantitativo e aplicado nas maiores
regiões metropolitanas do país, segundo Júlia
Castro. A amostra e outros detalhes serão definidos
em conjunto com a empresa vencedora da licitação. “Isso
vai ajudar o governo a fazer um trabalho melhor”,
conta a secretária-executiva substituta.
Ela nega que o Palácio do Planalto vá usar
os resultados para melhorar a popularidade do governo e
do presidente Lula. “Não vamos entrar nessa área. É um
trabalho institucional que fazemos no decorrer desses sete
anos”, explica Júlia Castro, que trabalha
na Comissão de Ética desde 2000, ainda no
governo Fernando Henrique.
Mas, para o cientista político David Fleischer,
o Planalto deve tirar uma casquinha do estudo. “Com
certeza, mas se os resultados forem favoráveis.
Se forem negativos, nem sei se a imprensa vai ficar sabendo”,
comenta o professor da Universidade de Brasília
(UnB).
Surpresa
Crítico da Comissão de Ética Pública,
classificada por ele como um órgão “inútil” por
não ter poder de punir os servidores públicos,
Fleischer diz que a pesquisa é a melhor coisa que
poderia ser feita desde a criação do colegiado,
em 1999. O cientista político acredita que o governo
vai ter uma surpresa ao ouvir a voz do povo.
“Eu acho que eles vão ficar surpresos, porque
o conceito de ética da população é muito
diferente do conceito dessa comissão e do nosso.
Deve ser muito diferente, mas não digo que seja
um conceito mais ou menos rigoroso”, avalia Fleischer.
O professor da UnB acredita que o estudo só começará depois
do carnaval. “Quando o ânimo do brasileiro
está mais favorável”, avalia.
Mais poder
Fleischer diz que o correto seria usar os resultados da
pesquisa para obrigar os agentes públicos a cumprirem
o código de ética da própria comissão,
sob pena de perderem o cargo. Para isso, afirma, seria
necessária uma lei para dar mais poder ao órgão.
O cientista político acredita que a Comissão
de Ética sequer analisa as declarações
de patrimônio entregues pelos servidores quando assumem
seus cargos. “Se a Polícia Federal e o Ministério
Público conseguem descobrir essas maracutaias, isso
mostra que a comissão não tem utilidade”,
dispara.
O professor cita como emblemático o caso do ministro
do Trabalho, Carlos Lupi, que foi advertido pela comissão
por ocupar um cargo público ao mesmo tempo em que é presidente
do PDT. “Ele fingiu que nem ouviu falar. A comissão
foi criada para tentar botar ordem no galinheiro”,
lembra o professor.
As primeiras discussões sobre a criação
de Comissão de Ética começaram em
1997. Mas o órgão só saiu do papel
em 1999. No início deste ano, o Decreto 6.29 criou
o Sistema de Gestão da Ética no Poder Executivo.
De acordo com Júlia Castro, a realização
da pesquisa nacional sobre ética faz parte dessa
nova política, que prevê a integração
das comissões de ética da Presidência
da República e dos demais órgãos do
governo federal.
Concorrência
Para Fleischer, a pesquisa será importante e ainda
vai despertar a atenção dos outros institutos
que costumam fazer sondagens políticas. A concorrência
deve incrementar em seus questionários as perguntas
sobre ética e corrupção. Nas últimas
pesquisas da Sensus, encomendadas pela Confederação
Nacional do Transporte (CNT), por exemplo, foi avaliada
a percepção das pessoas sobre as relações
entre Lula e seu irmão investigado pela Polícia
Federal num esquema de bingos.
As últimas sondagens do Ibope, encomendadas pela
Confederação Nacional da Indústria
(CNI), mostraram a atenção da população
para notícias sobre o governo Lula. Revelaram, por
exemplo, que a sociedade vincula ao Palácio do Planalto
até as crises do Legislativo, como os processos
contra o presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros
(PMDB-AL).
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Gazeta do Povo, 10 de novembro
de 2007
BRASIL | MINISTÉRIO
Fazenda conclui reforma
tributária até o fim do mês
Salvador – O secretário de Política
Econômica do Ministério da Fazenda, Bernard
Appy, confirmou ontem, em Salvador que o projeto de reforma
tributária do governo está em fase final de
elaboração e será apresentado ao Congresso
até o fim do mês. “É uma reforma
profunda, definitiva, na qual a idéia é criar
um imposto sobre valor agregado (IVA) federal e unificar
a legislação do imposto estadual”, afirmou.
De acordo com Appy, o principal intuito da reforma é eliminar
alguns pontos de entrave na legislação
tributária brasileira. “Por exemplo, a tributação
muito elevada das folhas de pagamento, a tributação
de bens de capital, que ainda permanece, a grande cumulatividade
dentro do sistema tributário como um todo e, principalmente,
as falhas do desenho do ICMS (Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços), que levam à guerra
fiscal.”
Ele afirmou que a preocupação com a eliminação
das brechas que permitem a guerra fiscal entre os governos
de estados é causada pelos efeitos da competição
entre as unidades federativas para a atração
de empresas. “Apesar de ser importante como instrumento
de desenvolvimento para os estados menos desenvolvidos,
a guerra fiscal é extremamente negativa para o
conjunto dos investimentos no país”, disse
acreditar.
De acordo com Appy, ainda não há um consenso
entre o governo federal e os estaduais – em especial
dos estados mais pobres – sobre o fim dessa guerra. “Os
estados do Nordeste, por exemplo, reivindicam uma compensação
para que possam abrir mão dos benefícios
fiscais que oferecem às empresas”, apontou.
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Gazeta do Povo, 10 de novembro
de 2007
ECONOMIA | ÁSIA
China prevê expansão
acima de 11% no ano
São Paulo – O crescimento da economia da China deve superar
a barreira de 11% neste ano, assim como ocorreu em 2006, quando chegou
a 11,3%, segundo previsões do Banco do Povo da China (banco central
chinês) publicadas ontem.
Em seu relatório trimestral de política monetária,
o banco prevê também que a inflação
ficará em 4,5%, contra 1,5% em 2006.
“A pressão inflacionária continua sendo
enorme, e é necessário atender aos riscos que
isto acarreta’’, afirmou a autoridade monetária,
que pretende “acompanhar de perto’’ a tendência,
devido aos aumentos potenciais no preço dos cereais,
que poderiam acelerar mais a alta do IPC (Índice de
Preços ao Consumidor).
O Banco do Povo da China elevou a taxa de juros dos empréstimos
a um ano (7,29%) em cinco ocasiões desde o início
de 2007, e o governo aumentou a porcentagem das reservas
bancárias. Em paralelo, o banco central chinês
emitiu bônus para absorver liquidez, e relaxando controles
sobre os investimentos no exterior.
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Folha de Londrina, 10 de
novembro de 2007
Seu Direito: ACUMULAÇÃO
DE CARGOS
Aposentei-me como servidor público federal. Posso prestar outro
concurso público na área estadual e acumular os vencimentos
do novo cargo com os proventos da aposentadoria?
Por força da Constituição Federal,
a partir de 16 de dezembro de 1998, é vedada, em
regra, a percepção simultânea de aposentadoria
perante o regime próprio dos servidores públicos,
com remuneração de cargo, emprego ou função,
seja perante o serviço público federal,
estadual ou municipal.
No entanto, é permitida acumulação
se o servidor aposentado for exercer cargo eletivo ou
em comissão, e nas hipóteses de acumulação
de cargos previstas pela própria Constituição,
desde que respeitado o limite de remuneração
e subsídio constitucionais.
As hipóteses de acumulação de cargos,
empregos ou funções previstas na Constituição
Federal são as seguintes: dois cargos de professor;
um cargo de professor e outro técnico ou científico;
dois cargos ou empregos privativos de profissionais da
saúde com profissões regulamentadas. Para
tanto, deve haver também compatibilidade de horários
em cada atividade.
Portanto, no presente caso, se for aprovado em concurso
público, o segurado não poderá acumular
proventos de sua aposentadoria com a remuneração
do cargo público estadual, salvo se for trabalhar
em cargo eletivo ou em comissão, e nas hipóteses
de acumulação descritas acima.
Fabio Antonio da Silva Martin,
advogado
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Folha de Londrina, 10 de
novembro de 2007
As relações
de trabalho precisam ser mais flexíveis
Apesar da revolução
da economia brasileira nos últimos anos, alguns gargalos
precisam ser solucionados, entre eles a qualificação
da mão-de-obra
Arquivo FOLHA

Governo investe pouco em qualificação
da mão-de-obra, bem menos do que o necessário
para suprir a demanda das empresas
A economia brasileira tem
passado por uma revolução nos últimos
anos. Em pouco mais de uma década, a inflação
que batia três dígitos foi controlada, o mercado
brasileiro se abriu para o mundo, as empresas estão
se modernizando, produzindo tecnologia. Porém, apesar
dos bons ventos, ainda existem alguns gargalos que precisam
ser solucionados. Um deles e talvez o mais emergencial
seja o da qualificação da mão-de-obra.
Muitas empresas não conseguem contratar por não
encontrar no mercado funcionários com a qualificação
necessária para a atividade. Na outra ponta uma
grande massa de pessoas com pouca ou nenhuma qualificação
segue na fila do desemprego.
''É comum empresários conversarem comigo
dizendo que treinaram um funcionário, ofereceram
cursos de aperfeiçoamento e quando ele estava apto à função,
foi levado por um concorrente que ofereceu um pouco mais
de salário. Está ocorrendo uma disputa por
funcionários qualificados. Pelo lado do empregado
isto é ótimo, pois significa mais e melhores
salários. Mas as empresas que não conseguem
pagar acabam ficando na mão'', diz o presidente
do Sescap-Ldr, José Joaquim Martins Ribeiro.
O governo brasileiro investe muito pouco em qualificação
da mão-de-obra, bem menos do que o necessário
para suprir a demanda das empresas e isto acaba por prejudicar
a produtividade e ajuda a reduzir o desempenho da economia
que poderia ser bem mais favorável. Como isso não
acontece, diz Ribeiro, as empresas precisam continuar e
ampliar os treinamentos e a formação de mão-de-obra
e os funcionários, por sua vez, devem tirar o traseiro
da cadeira e buscar qualificação também.
Outro empecilho, segundo Ribeiro, que afeta a economia é a
falta de flexibilidade da Consolidação das
Leis Trabalhistas, a famosa CLT. A CLT tem mais de 60 anos
e foi criada no governo do presidente Getúlio Vargas.
De lá para cá, houve pequenas mudanças,
mas a base criada em 1943 é a mesma. ''A relação
entre trabalhadores e donos de empresas sempre foi e sempre
será conflitante. Porém, a lei precisa ser
justa com os dois lados.
Para o advogado Caio Marcelo Rebouças de Biasi,
assessor Trabalhista do Sescap-Ldr, é importante
discutir a flexibilização das relações
de trabalho. Segundo ele, já estão havendo
algumas mudanças e as negociações
entre patrões e empregados têm evoluído
apesar de não ser na velocidade que muitos gostariam.
''A discussão é importante, mas é sempre
bom lembrar que não se pode retirar direitos já adquiridos'',
diz Biasi. Entre as sugestões do advogado estão
a ampliação do período de contrato
temporário e a redução dos encargos
no momento da demissão.
Além da flexibilização das leis trabalhistas,
o presidente do Sescap-Ldr, diz que é importante
que o governo faça estudos para desonerar a folha
de pagamento. ''Os encargos trabalhistas representam praticamente
100% sobre o valor dos salários. Para as micro e
pequenas empresas os encargos são um grande impeditivo
no momento da contratação'', afirma Ribeiro.
Fonte: Sindicado das Empresas de Serviços,
Contabilidade, Auditoria e Perícia de Londrina e
Região (Sescap-Ldr)
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O Estado do Paraná,
10 de novembro de 2007
Economia
Trabalhadores querem
criar nova central
Plenária para criação
da Central dos Trabalhadores do Brasil
Fabiano Klostermann
O auditório da Federação dos Trabalhadores em Agricultura
do Estado do Paraná (Fetaep) recebeu ontem, em Curitiba, a plenária
estadual do Movimento Pró-Central Classista e Democrática.
A iniciativa é o embrião para a fundação
da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), surgida a partir da saída
de centenas de organizações da Central Única dos
Trabalhadores (CUT) e de outras federações.
Além de esclarecer possíveis dúvidas
dos dirigentes de base, a plenária também serviu
para a escolha de uma comissão estadual provisória,
que vai representar a CTB no Estado. Outro encontro realizado
na quinta-feira, também na capital paranaense, serviu
para a elaboração do esboço de estatuto
da nova central, que será discutido em Belo Horizonte
(MG) nos dias 12, 13 e 14 de dezembro.
De acordo com o coordenador nacional da Corrente Sindical
Classista (CSC), João Batista Lemos, a CTB vai ser
a união de trabalhadores em busca de uma central sindical “democrática,
plural e classista, que aponta para uma sociedade socialista
e unitária”. Segundo ele, o rompimento com a
CUT ocorreu porque ela teria se tornado partidária,
atendendo apenas aos interesses do Partido dos Trabalhadores
(PT).
Além da luta pela valorização do trabalho,
Lemos ressalta ainda uma das bandeiras a serem levantadas
pela CTB. “Defendemos a organização de
uma Conclat (Conferência Nacional da Classe Trabalhadora)
onde poderemos unir as centrais e construir uma identidade
da classe e de seu protagonismo na definição
dos rumos do País”, afirmou.
Paraná
No Estado, a CTB vai congregar a Fetaep, com 250 sindicatos
na base e 1.200 mil associados e a Federação
dos Trabalhadores na Indústria no Estado do Paraná (Fetiep),
que representa 280 mil trabalhadores. Além das federações,
também estão presentes os sindicatos de setores
como alimentação, vestuário, borracha,
setores dos bancários e fumo, bebidas e chocolates.
O Estado terá 80 representantes no congresso de criação
da central, a ser realizado em Minas Gerais.
Para o presidente da Fetaep, Ademir Mueller, a CTB nasce “não
para ser a maior, mas para ser a melhor central sindical”.
Segundo ele, a intenção não é rivalizar
com as outras entidades e disputar associados. “Nosso
grande mérito é unir campo e cidade na discussão
da questão trabalhista”, afirmou.
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Folha de São Paulo,
10 de novembro de 2007
Brasil pode comprar
energia de Itaipu antes do previsto
Volume anual seria da ordem
de 3 milhões de MWh, segundo o diretor de Itaipu
Presidente paraguaio diz que a princípio é contra
o negócio, mas que a proposta deverá ser
avaliada por sua equipe econômica
JANAINA LAGE
DA SUCURSAL DO RIO
O Brasil estuda comprar energia antecipada do Paraguai.
A proposta, ainda em discussões preliminares no
conselho de administração da usina hidrelétrica
de Itaipu, permitiria a aquisição de um volume
de 3 milhões de MWh por ano, segundo o diretor-geral
da usina binacional, Jorge Samek.
Segundo Samek, a proposta faz parte de uma série de tratativas
de aumento da integração entre os dois países.
A usina de Itaipu, que gera em média 90 milhões de MWh
por ano, foi construída com base em empréstimos.
Uma lei de 1973 definiu que as companhias estaduais de distribuição
de energia deveriam comprar toda a energia de Itaipu que não
fosse consumida pelo Paraguai, como uma maneira de apresentar garantias
para a obtenção de empréstimos. A usina paga os
financiamentos por meio da geração de energia. Com isso,
Itaipu seria paga dentro de 50 anos.
Em 2023, Brasil e Paraguai estariam diante de um empreendimento integralmente
quitado. Hoje, 75% do orçamento de Itaipu, o equivalente a US$
2 bilhões, é destinado ao pagamento de dívidas
e juros. Cada país teria direito a metade desse montante.
O que está em discussão é a hipótese de
o país comprar um montante de 5% a 10% do ano de energia que
pertence ao Paraguai antecipando parte da receita que o Paraguai só obteria
após a quitação do empreendimento. Isso significaria
uma antecipação da ordem de US$ 50 milhões por
ano.
" Seria uma forma de fazer um financiamento, uma alavancagem para o desenvolvimento
do Paraguai", disse o diretor. Samek descartou qualquer relação
com a crise de energia no curto prazo e afirmou que o montante é menos
do que 5% do que a usina gera.
A princípio, a proposta não foi recebida com muito entusiasmo
do lado paraguaio e não avançou. Jornais locais têm
apresentado críticas contra a usina e a proposta. Samek atribui
as queixas ao período de definição dos candidatos
a presidente no país. "É uma questão política.
Os jornais dizem que praticamos política imperialista e pagamos
muito barato a energia do Paraguai, mas a usina não está paga
e isso não costuma ser mencionado", disse.
Outras alternativas de integração entre os dois países
já estão mais próximas da concretização.
Ontem, o presidente Lula e seu colega do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos,
discutiram durante a Cúpula Ibero-Americana o projeto de uma
linha de transmissão de 500 KV de Itaipu até a capital
do Paraguai, Assunção. O investimento é da ordem
de US$ 200 milhões.
Enquanto os projetos de integração não deslancham,
o ONS (Operador Nacional do Sistema) ordenou que Itaipu trabalhasse
em regime de flexibilização, um procedimento adotado
toda vez que se aproxima do fim do período de seca.
Segundo Samek, não houve redução do nível
do reservatório nesse período, embora haja autorização
para isso em casos de problemas. Segundo Samek, com as chuvas que já caíram
em Minas Gerais e em São Paulo, não será necessário
abaixar o nível do reservatório.
Nicanor
O presidente paraguaio, Nicanor Duarte, disse em coletiva de imprensa
na última quarta-feira que foi procurado pelo governo brasileiro
para a compra antecipada de energia da hidrelétrica de Itaipu,
sem, no entanto, dar detalhes de como funcionaria o negócio.
Segundo Duarte, o tema seria discutido ontem com o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva durante a cúpula de presidentes
ibero-americanos que acontece em Santiago do Chile.
O mandatário afirmou na ocasião que a princípio é contrário
ao negócio, mas que a proposta deverá ser avaliada por
uma equipe econômica e pelos órgãos competentes
se "acharmos conveniente o pedido".
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Folha de São Paulo,
10 de novembro de 2007
Petróleo terá novo
modelo de exploração
Governo, que tirou de licitação
41 blocos na região de megacampo da bacia de Santos,
quer participação maior na receita
No modelo atual, vencedor de licitação
paga apenas royalties e impostos sobre o faturamento; setor
privado critica as mudanças
VALDO CRUZ
HUMBERTO MEDINA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
As regras de licitação dos 41 blocos localizados
na bacia de Santos vão mudar para um sistema em
que a vencedora deverá ficar apenas com parte da
receita do petróleo e do gás explorado, com
o restante ficando com a União.
O governo decidiu que nessas áreas não irá mais
prevalecer a situação atual em que o vencedor da licitação
fica com todo o faturamento do produto explorado, pagando apenas impostos
e royalties. A apropriação de parte da receita é a
fórmula que o governo encontrou para ficar com parte da produção
de petróleo nessas áreas, conforme o Painel antecipou
ontem. Falta definir como será a divisão.
A decisão, tomada na reunião de anteontem do Conselho
Nacional de Política Energética, segue modelo adotado
por outros países, como Bolívia e Líbia. No primeiro,
conforme contas do governo brasileiro, 82% do petróleo fica
com o governo. No segundo, 85%.
A decisão de retirar os 41 blocos da 9ª rodada de licitação
da ANP (Agência Nacional do Petróleo) foi adotada porque
o governo avalia que a descoberta da Petrobras de que a região
contém petróleo leve, de excelente qualidade e em grande
quantidade, muda a disputa.
O governo soube que as empresas inscritas no leilão já tinham
informações preliminares do potencial da região,
e a tendência era se configurar uma "disputa feroz e selvagem" pelos
lotes na bacia de Santos, onde fica a área de Tupi -na qual
a estatal acredita haver potencial de exploração de 5
bilhões a 8 bilhões de barris de petróleo.
A justificativa para a mudança de regras é que o modelo
atual segue um padrão de exploração de risco para
a empresa vencedora. Já as áreas da bacia de Santos deixaram
de ser uma zona de risco com a descoberta de seu potencial.
O modelo atual, porém, não será abandonado. Os
280 lotes mantidos na 9ª rodada, por exemplo, continuarão
seguindo as regras atuais por serem consideradas áreas de risco
de exploração. Durante a reunião do conselho,
por sinal, foi aventada a possibilidade de cancelar toda a rodada,
mas a decisão foi pela exclusão apenas dos 41 blocos
da bacia de Santos.
O governo refuta as críticas do setor privado de que poderia
estar mudando as regras durante o jogo. Isso ocorreria, segundo um
ministro, se o governo fizesse o leilão, definisse uma vencedora
e só depois mudasse o modelo, como ocorreu na Bolívia.
A idéia do governo não é "dar" para
a Petrobras a exploração da área, e sim continuar
contando com a participação privada nas licitações.
Mas com mudanças que garantam, segundo o governo, um retorno
adequado para o país. Para o próximo leilão da
ANP, 66 empresas estavam classificadas, entre elas grandes nomes da
indústria do petróleo, como Esso, Shell, Chevron e BG.
No governo, segundo a Folha apurou, há insatisfação
em relação à participação do empresário
Eike Batista. Causou mal-estar o fato de o empresário ter feito
propostas salariais elevadas para gerentes da Petrobras e levado para
sua empresa profissionais com muita informação sobre
as áreas de exploração no Brasil.
A empresa de Eike (OGX), no entanto, estava classificada como "operador
B", ou seja, sem acesso a águas profundas, onde se espera
encontrar o petróleo da chamada "nova fronteira" de
exploração (camada pré-sal, mais profunda). Das
66 empresas, 26 foram classificadas como "operador A", podendo
disputar áreas em águas profundas.
Além da Petrobras e da OGX, de Eike, outras empresas brasileiras
como a Vale do Rio Doce, a Odebrecht e a Queiroz Galvão estão
qualificadas. A Petrobras e a Queiroz Galvão podem disputar áreas
em águas profundas, a Vale e a Odebrecht, não.
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Folha de São Paulo,
10 de novembro de 2007
INDÚSTRIA
Produção
de setembro cai em 11 de 14 regiões, diz IBGE
DA FOLHA ONLINE, NO RIO
A produção industrial de setembro caiu em
11 das 14 áreas pesquisadas pelo IBGE na comparação
com o mês anterior. Espírito Santo foi o Estado
com a maior queda (-9,9%), seguido por Amazonas (-5,3%), Paraná (-3,8%) e
Rio (-3,7%). Já Ceará (2,9%) e São Paulo
(1,6%), parque fabril que responde por aproximadamente 40%
da estrutura nacional, registram taxas acima da média
nacional (-0,5%).
A avaliação do terceiro trimestre, no entanto, indica
que houve crescimento em oito locais pesquisados, no comparativo ao
trimestre imediatamente anterior. Em relação ao terceiro
trimestre de 2006, a produção de julho a setembro cresceu
em 12 das 14 regiões pesquisadas.
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Revista Consultor Jurídico,
10 de novembro de 2007
Loteria da indenização
Falta de lei para dano
moral fragiliza vítima
por Leonardo Castro
Se você, bacharel em Direito, por diversas vezes
questionou sobre a relevância de certo dano moral,
imagine aqueles que jamais freqüentaram a academia.
Neste solo movediço, temos uma miríade de
decisões díspares que confundem até os
juristas mais experientes. Hoje em dia, é impossível
prever o resultado de uma ação de danos morais.
Protocolizamos as peças e aguardamos, fazendo figas,
o resultado dos pedidos em uma verdadeira loteria de indenizações.
A ninguém é prometido o sucesso na lide.
Mesmo em causas exaustivamente debatidas, não há plena
segurança do resultado positivo. Diferente dos demais
ramos do Direito, onde podemos prever o resultado por existência
de lei que o assegure, na responsabilidade civil há apenas
probabilidades. Por isso imputamos o reconhecimento ou
não do pedido exclusivamente ao poder discricionário
do magistrado. Se perdermos, a culpa será do “juiz
que não sabe julgar”.
Diante da ausência de legislação específica,
temos como alicerces do instituto a “tipificação
jurisprudencial”, cabendo aos Tribunais a escolha
dos danos indenizáveis sempre embasada em algumas
cláusulas gerais do Código Civil, verdadeiras
cartas coringas, e outras poucas específicas, como
ocorre no caso do ataque por animais.
Os demais danos, inclusive os de responsabilidade objetiva,
foram esquecidos pelo legislador. Não que um pit-bull
enraivecido seja irrevelante. O que ocorre, todavia, é a
falta de previsão legal para punir lesões
mais comuns em nosso cotidiano judicial.
Foge ao bom senso exigir da população o
entendimento da atual orgia jurisprudencial. Como explicar
ao cliente que o futuro do seu pedido depende da unidade
federativa em que vive? Cada Tribunal dá o seu entendimento
aos danos indenizáveis. Destarte, temos vinte e
sete códigos de responsabilidade civil independentes
em vigência, situação semelhante ao
sistema americano, limitados por uma lei maior estabelecida
pelos Tribunais Superiores. Em alguns casos, o conflito
de entendimentos é inevitável, como sói
acontecer no reconhecimento da indenização
por abandono afetivo.
A falta de legislação específica
engrandece o ofensor e fragiliza a vítima, aumentando
ainda mais a descrença no Poder Judiciário.
A ausência de previsão legal de certos danos
causa medo à população e à comunidade
jurídica, incapazes de distinguir quais os danos
de real relevância social. Temos receio de lutar
por direitos, enquanto o agressor goza do silêncio
legal de forma desafiadora, na certeza da impunidade: “Não
gostou? Procure a Justiça!”.
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