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Gazeta do Povo, 12 de novembro
de 2007
ECONOMIA | SETOR IMOBILIÁRIO
Construtoras baterão recorde
em 2008
Empresas têm dinheiro para lançar
600 mil apartamentos populares
São Paulo – Está dada a largada para uma guerra inédita
no mercado imobiliário. Em 2008, o número de lançamentos
residenciais no país pode chegar a R$ 50 bilhões, segundo previsões
da Cyrela, a maior empresa do mercado.
Isso é 40% a mais que
neste ano, quando as principais cidades do Brasil se transformaram em
canteiro de obras. É dinheiro suficiente para erguer uma cidade
com 2 mil torres de edifícios de classe média ou despejar
600 mil apartamentos populares de uma vez só.
Por enquanto, há pelo
menos duas dezenas de construtoras e incorporadoras com bala na agulha.
Neste ano, 14 empresas do ramo residencial lançaram ações
em bolsa.
Elas se capitalizaram e agora
têm pressa em fazer esse dinheiro girar rápido para dar
retorno ao investidor. Só as empresas de capital aberto prevêem
um volume de vendas de pelo menos R$ 30 bilhões para o próximo
ano. Algumas estão dobrando esse valor (o chamado VGV) de um ano
para o outro.
A Gafisa, uma das maiores do
país, é um bom retrato do apetite desse mercado. A equipe
de novos projetos avalia 100 terrenos para comprar por semana. Em 2004,
o volume de lançamentos não passava de R$ 300 milhões.
No próximo ano, esse número pode ser dez vezes maior.
Ações disparam
Na última quinta-feira,
depois de rever suas expectativas de lançamentos – aumentando
em 50% o valor do VGV para 2008 – o volume de negociações
das ações da Gafisa atingiu, num único dia, quatro
vezes o valor médio do mês de outubro.
“Em 2005, fizemos um plano
estratégico para 2006-2010 que previa um cenário otimista.
Se acontecer, vamos ter que estar preparados”, diz o presidente
da Gafisa, Wilson Amaral.
Para financiar o crescimento,
a companhia paulista, que chegou neste ano ao mercado paranaense, captou
quase R$ 1 bilhão nas bolsas de São Paulo e Nova Iorque.
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O ESTADO DO PARANÁ,
12 de novembro de 2007 | Nacional
Partidos firmam protocolo contra reeleição
de Lula
Redação O Estado
do Paraná
Foto: Chuniti Kawamura

Michel Temer: fora da pauta.
Apesar de setores do PT e amigos de Lula tentarem articular um movimento pelo
terceiro mandato, a possibilidade de o Congresso Nacional aprovar uma emenda
permitindo nova reeleição do presidente de República,
governadores e prefeitos foi descartada no último dia 6 por presidentes
de dez partidos (PT, PMDB, PSDB, DEM, PP, PC do B, PSB, PPS, PTC e PSC) que
assinaram nota contra a proposta.
Em sete linhas, eles tentam enterrar
as especulações de manobras para aprovar a emenda. “Essa
nota é uma pá de cal sobre o assunto terceiro mandato”,
resumiu o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral. “Não está na
pauta de nenhum partido político a discussão do terceiro
mandato”, disse o líder do PMDB, deputado federal Michel
Temer. Mas foi a adesão do PT à campanha para encerrar
as discussões sobre o terceiro mandato que levou tranqüilidade
a Brasília. “O PT nunca estimulou nem em nenhum momento
propôs qualquer alteração na Constituição
para um terceiro mandato”, afirmou o presidente do partido, deputado
federal Ricardo Berzoini.
A nota dos dez partidos políticos
foi divulgada horas depois de o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva ter chamado a atenção do presidente da Câmara,
Arlindo Chinaglia (PT-SP), do próprio Berzoini e do deputado federal
Devanir Ribeiro (PT-SP), autor da proposta de plebiscito sobre uma segunda
reeleição, determinando o fim da polêmica em torno
de um terceiro mandato. Devanir já admitiu desistir da idéia.
Em entrevista na última terça-feira, Lula disse que a discussão
sobre um terceiro mandato seria insensatez e lembrou que foi contra a
reeleição, quando o governo Fernando Henrique Cardoso a
aprovou. “Eu era contra a reeleição de um mandato,
porque seria favorável à reeleição de outro
mandato?”, disse Lula.
No entanto, o líder
do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, acredita que para o terceiro
mandato ser realmente sepultado falta um pronunciamento público
do presidente Lula. Ele disse que ficou satisfeito com a declaração
do presidente do PT, Ricardo Berzoini, mas acrescentou que é preciso
que alguém, acima de Berzoini garanta que 31 de dezembro de
2010 será o seu último dia na Presidência da República.
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O ESTADO DO PARANÁ,
12 de novembro de 2007 | Política
Infidelidade partidária não
vale para novas legendas
Elizabete Castro e Roger Pereira
Partidos que sofreram alterações estatutárias como fusão,
incorporação ou refundação não têm
legitimidade para requerer os cargos dos políticos que deixaram essas
legendas. Esse é o entendimento dos especialistas que interpretaram
a resolução sobre fidelidade partidária do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE).
Como o TSE, na Resolução
22.610 considerou que a mudança de posição ideológica,
incorporação ou fusão e a criação
de novos partidos configuram justa causa para a troca de partidos. Legendas
como o PR, resultado da fusão do PL com o Prona e do PTB, que
incorporou o PAN, estão sendo orientados a não reivindicar
os cargos dos eleitos pelos antigos partidos. “O PR não
poderá tentar retomar os cargos eletivos daqueles parlamentares
eleitos pelos partidos que o antecederam. Não nos cabe questionar
os motivos, já está definido na resolução
do TSE”, afirmou o advogado do PR, Eduardo Ferrão.
O consultor jurídico do
PTB, Itapuã Messias, também tem o mesmo entendimento. Uma
vez que ao incorporar o PAN, o partido teve de fazer novo registro estatutário, “alterando
pontos ideológicos para receber aqueles advindos do partido incorporado”.
Partindo desta interpretação, os senadores Romeu Tuma e
César Borges, que recentemente deixaram o DEM e se filiaram ao
PTB e ao PR, respectivamente, dizem estar tranqüilos por não
estarem enquadrados na infidelidade partidária. “Fui eleito
pelo PFL, que não existe mais, já que o DEM é uma
nova denominação partidária”, alega Tuma.
Polêmica
Uma consulta do DEM deu origem à polêmica
sobre a fidelidade partidária. Ainda no tempo em que se chamava
PFL, o partido consultou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para saber
se poderia ficar com os mandatos dos eleitos nas disputas proporcionais
(vereadores e deputados) se eles trocassem de partido após a eleição.
O TSE respondeu que o partido poderia retomar as vagas, uma vez que,
para a eleição proporcional, os candidatos são eleitos
com base no quociente eleitoral, em cujo cálculo entram os votos
de legenda, que são dados à sigla. Neste cálculo,
também são somados os votos dos demais candidatos.
Essa posição
do TSE gerou mandados de segurança impetrados pelo PSDB, DEM
e PPS que foram buscar na Justiça as vagas dos parlamentares
que se desfiliaram. O Supremo Tribunal Federal manteve o entendimento
do TSE e considerou que podem perder seus mandatos aqueles que deixaram
seus partidos depois de 27 de março. Foi a data em que o TSE
se manifestou pela concepção de que o mandato pertence
ao partido.
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Diário Vermelho, 12
de novembro de 2007
ONU: mundo ainda não entende
esforços do Brasil em bioenergia

O secretário-geral da Organização das Nações
Unidas (ONU), Ban Ki-moon, afirmou neste domingo (11) estar impressionado com
os esforços do governo brasileiro na produção de energia
renovável e que o mundo ainda não entendeu os esforços
do País na produção de bioenergia. "O Brasil, efetivamente, é um
gigante verde discreto que lidera a produção de energia renovável
e é uma das poucas Nações que fazem bioenergia em larga
escala", disse Ki-moon, logo após visitar a Usina Santa Adélia,
em Jaboticabal (SP), no seu primeiro compromisso oficial no Brasil.
A visita faz parte de uma maratona do
secretário-geral da ONU para, segundo ele, aprender sobre os
impactos das mudanças climáticas no mundo, até a
conferência sobre o clima, prevista para ocorrer no início
de dezembro, em Bali, Indonésia. "Em Bali os chefes de
Estado tentarão chegar a uma nova legislação sobre
o clima e a estrada para Bali passa pelo Brasil", disse.
Apesar de elogiar a produção de biocombustíveis no Brasil,
segundo maior produtor de etanol mundial, o secretário-geral da ONU,
cobrou do governo e do setor produtivo a "responsabilidade de fazer um
balanço entre os custos sociais e os benefícios da produção
dos biocombustíveis", numa referência às denúncias
de trabalho forçado, principalmente dos cortadores de cana nas lavouras.
Questões ambientais
Ki-moon disse ainda que há uma preocupação em relação às
questões ambientais, principalmente com o desmatamento e a queima da
cana-de-açúcar, necessária para a colheita manual da cultura
utilizada na produção de álcool. O secretário-geral
da ONU relatou ainda a preocupação com o avanço da cana
sobre áreas de lavouras de grãos, bem como a utilização,
principalmente de milho, para a produção de etanol, no caso dos
Estados Unidos. "É preciso que haja um grande debate para discutir
a questão da segurança alimentar e os biocombustíveis",
afirmou.
Sobre a participação dos Estados Unidos, que não aderiram
ao Protocolo de Kyoto, como signatários de um possível protocolo
mundial climático de Bali, Ki-moon deu a entender que as conversas,
na última Assembléia Geral da ONU, em setembro, podem ter influenciado
na posição dos norte-americanos. "O mundo reconheceu a importância
de todos juntarem os esforços e todos vão aceitar, pois o aquecimento
global não respeita fronteiras e nem países desenvolvidos ou
em desenvolvimento", concluiu.
Conselho de Segurança
Ao ser indagado pelos jornalistas sobre uma possível participação
do Brasil no assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, Ki-moon
adotou a diplomacia e disse que o tema deve ser debatido entre os integrantes
do órgão. Ele afirmou, no entanto, que pode atuar como um mediador
nas conversas.
Na visita de cerca de uma hora e meia na usina do interior paulista, o secretário-geral
da ONU conheceu uma lavoura de cana-de-açúcar, uma colheitadeira
manual e ainda a produção de álcool e açúcar.
Antes de se deslocar entre a lavoura e a destilaria, Ki-moon foi saltar um
buraco, desequilibrou-se e quase caiu.
O presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar
(Unica), Marcos Sawaya Jank, considerou que a visita de Ki-moon serviu para
que o setor produtivo pudesse mostrar os esforços em relação às
questões ambientais e alimentares. "É uma visão muito
mais positiva do que o último relatório da ONU, que fazia várias
críticas em relação às questões alimentares",
afirmou Jank.
Ainda neste domingo, o secretário-geral da ONU segue para Brasília,
onde terá encontro na segunda com o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva. A visita de Ki-moon ao Brasil prevê ainda uma passagem em Belém,
no Pará, e em São Paulo.
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Congresso
em Foco, 12 de novembro de 2007
Congresso decide se aumenta o número
de vereadores
Deputados estão divididos quanto a proposta
que reduz o repasse para as câmaras municipais. Um dos textos prevê a
criação de cerca de 8 mil vagas. O outro diminui em 1,2
mil a quantidade de cadeiras.
PEC dos Vereadores divide
Câmara
Erich Decat
Os líderes dos partidos na Câmara se reúnem no início
desta semana para tentar chegar a um acordo sobre a votação da
proposta de emenda constitucional (PEC 333/04) que altera o número de
vereadores e o valor dos repasses municipais para as câmaras.
Os parlamentares estão divididos em relação a duas alternativas.
Uma delas, encabeçada pelo deputado Mário Heringer (PDT-MG),
prevê a criação de cerca de 8 mil novas vagas de vereadores.
A outra, proposta pelo deputado Vitor Penido (DEM-MG), pode eliminar cerca
de 1,2 mil cadeiras nas câmaras municipais.
Ambas, no entanto, prometem reduzir os gastos das prefeituras com o Legislativo
municipal, alterando os critérios de repasse previstos na Constituição.
Com as mudanças em estudo, sustentam os defensores das mudanças,
a economia para os cofres públicos deve girar de R$ 700 milhões
a mais de R$ 1 bilhão por ano. De acordo com o Instituto Brasileiro
da Administração Municipal (Ibam), o país gasta R$ 5,3
bilhões por ano com os vereadores.
O gasto do Executivo com o Legislativo municipal aumentou em cerca de 7% nos últimos
dois anos apesar de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter eliminado, por
meio de uma resolução, 8.528 vagas das câmaras municipais
em 2004. Naquele ano, o país gastou R$ 4, 9 bilhões com a manutenção
dessas casas legislativas.
Resolução do TSE
Com a aprovação da PEC dos Vereadores, os deputados querem revogar
a norma do TSE que redefiniu as regras para a composição das
câmaras mas não reduziu o repasse das prefeituras para o Legislativo
local.
Na avaliação dos deputados, a resolução do TSE
provocou distorções em diversos municípios brasileiros,
localidades onde o apoio dos vereadores é fundamental para o projeto
de reeleição dos parlamentares, e contrariou a expectativa de
redução de gastos.
A Justiça eleitoral definiu, naquela resolução, 36 faixas
populacionais derivadas das três previstas na Constituição.
A primeira estabelece que os municípios com até um milhão
de habitantes podem ter entre nove e 21 vereadores.
A segunda, que as localidades com até cinco milhões de habitantes
têm direito a ter entre 33 e 41 vagas. Já a terceira faixa determina
que municípios com mais de cinco milhões de habitantes podem
eleger entre 42 e 55 vereadores.
Com essa margem deixada pela Constituição, as próprias
câmaras vinham definindo o número de seus integrantes e adotando,
na maioria das vezes, o limite máximo em cada faixa.
Os deputados reclamam que a resolução do TSE fez com que 89,5%
das câmaras municipais brasileiras ficassem com o mesmo número
de representantes. Isso porque o tribunal estabeleceu, por exemplo, que os
municípios com até 47.619 habitantes não podem ter mais
que nove vereadores.
Na outra ponta, os municípios com população acima de 6.547.612
habitantes – na prática, apenas São Paulo – podem
ter 55 vereadores.
Alternativas
As diferenças entre o texto defendido por Mário Heringer e o
proposto por Vitor Penido estão concentradas basicamente na redefinição
dos critérios para a distribuição dessas vagas.
O primeiro – de autoria do deputado Pompeu de Mattos (PDT-RS) – divide
o número de vagas nas câmaras municipais em 25 faixas. A menor
delas estabelece que um município com cinco mil habitantes pode ter
até sete vereadores. Já os mais populosos, com mais de 10 milhões
de habitantes, teriam direito a 55 cadeiras.
Além do número de vagas, a PEC também estabelece redução
de 0,5% dos repasses municipais para as câmaras. De acordo com a Constituição,
o limite que cada município pode gastar hoje com o Legislativo municipal
varia conforme quatro faixas populacionais.
Atualmente, a Carta Magna prevê um teto de gastos de 8% da receita e
das transferências constitucionais para as cidades com até 100
mil habitantes. De 7% para municípios com população entre
101 mil e 300 mil habitantes; de 6% para municípios com população
entre 301 e 500 mil moradores, e de 5% para municípios com mais de 500
mil pessoas.
Receita
Em relação às mudanças no repasse, a proposta que
tem o maior apoio entre os líderes é a do deputado Vitor Penido.
Diferentemente de hoje, em que os repasses são baseados na proporcionalidade
da população, a emenda de Penido estabelece que as transferências
de recursos sejam realizadas com base nas receitas municipais.
Segundo os cálculos do parlamentar, o total de gastos das câmaras
municipais seria reduzido em cerca de R$ 700 milhões caso sua proposta
seja aceita.
Esse valor se baseia na redução dos repasses, que passariam de
8% para 4,5% nas cidades que arrecadam até R$ 6 milhões por ano,
e de 5% para 1,75% nos municípios com arrecadação superior
a R$ 500 milhões por ano.
A proposta dele também reduz o número de vereadores, dos atuais
51.748, para 50.653.
“ Hoje a Câmara dos Deputados custa para cada brasileiro R$ 16,48
por ano. Ao analisarmos as câmaras de Minas Gerais, o valor pago anualmente
por cada mineiro é de R$ 20. E se olharmos apenas para a câmara
de Belo Horizonte, esse valor chega a R$ 45 para cada belo-horizontino. Isso
mostra o absurdo dos repasses que é feito para as câmaras”,
disse o deputado ao Congresso em Foco.
Já o texto defendido por Mário Heringer amplia o número
de vagas dos atuais 51.748 para 59.791. Em contrapartida, o parlamentar institui
um teto de 4,5% da receita dos municípios com até 100 mil habitantes
e de 1,75% para aquelas com população superior.
Pauta trancada
Embora tenha sido eleita como prioridade pelos deputados, assim que a pauta
do Plenário for liberada, dificilmente a PEC dos Vereadores será votada
ainda esta semana. A pauta está trancada por quatro medidas provisórias
e um projeto de lei com urgência constitucional, que têm preferência
constitucional.
" Essa proposta só vai ser votada na outra semana. Ainda estamos
em fase de negociação", adiantou o líder do PTB na
Câmara, Jovair Arantes (GO).
Os líderes partidários ainda estão divididos em relação
ao assunto. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), declarou “simpatia” pela
proposta de Penido.
Base municipalista
Já a assessoria do líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo
Alves (RN), afirma que a maior bancada da Casa tende a apoiar o texto de Heringer,
por causa da possibilidade de ampliar a participação do partido
nos municípios. A proposta aumenta o número de vereadores para
57.295, próximo das 60.276 cadeiras existentes até a resolução
do TSE.
“ A legenda por ser considerada municipalista sofre bastante pressão
da base, ou seja, dos vereadores e prefeitos", disse o parlamentar, por
meio de sua assessoria.
Mas essa posição não é consenso entre os líderes. “A
tendência é apoiar a proposta do Penido, mas vamos discutir isso
em reunião marcada para terça-feira", disse o líder
do DEM na Câmara, Onyx Lorenzonin (RS). Essa posição é compartilhada
pelo líder do PSDB, Antonio Carlos Pannuzio (SP). "Ainda não
há acordo sobre a PEC. Mas a que mais atrai é a que efetivamente
reduz os repasses e o número de vereadores".
O líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro
(PTB-PE), é outro a endossar a proposta do deputado do DEM. "Não é uma
opinião do governo porque essa proposta é do Congresso, mas gosto
daquela que reduz o número de vereadores e do repasse. Temos que reduzir
a máquina pública", declarou.
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Gazeta do Povo, 12 de novembro
de 2007
BRASIL | MEIO AMBIENTE
Amazônia à venda pela
internet
Site diz que já “salvou” 12
mil hectares. Seria possível adquirir 4 mil metros quadrados
por R$ 127
por JAN ROCHA, do Guardian. Tradução
de Thiago Ferreira.
A venda de pedaços da floresta amazônica pela internet para estrangeiros
no intuito de protegê-la do desmatamento vem causando revolta e irritação
em muitos brasileiros. De acordo com uma empresa, salvar a Amazônia é fácil.
Você precisa de uma quantia em dinheiro e um computador com acesso à internet.
Acesse o site Cool Earth e, com apenas um clique, você adiciona ao seu
carrinho de compras 4 mil metros quadrados da floresta ameaçada por
apenas 35 libras (R$ 127,92). O site alega que vai “aprisionar” 130
toneladas de gás carbônico – “a mesma quantidade que é produzida
anualmente por dez famílias britânicas”, apregoa – e
proteger 400 espécies em perigo.
Até agora, de acordo com
o próprio site, mais de 12 mil hectares de floresta foram salvos.
Um dos maiores apoiadores da idéia da Cool Earth é Johan
Eliasch, empresário de origem sueca escolhido pelo primeiro-ministro
inglês, Gordon Brown, para ser seu conselheiro florestal. A principal
tarefa dele é promover mecanismos que desestimulem o desmatamento.
Além de vender os lotes amazônicos pela internet, Eliasch
diz também estar persuadindo seus amigos milionários para
seguir o exemplo e comprar pedaços ainda maiores da floresta tropical.
Ele declara ter comprado 163 mil hectares, que agora estão sendo
disponibilizados pelo site.
Reação
Os brasileiros, mais especificamente
os militares, sempre tiveram muita cautela ao discutirem a Amazônia
com estrangeiros. A informação de que eles estão
realmente comprando faixas da Amazônia, seja o motivo nobre ou
não, enfureceu os defensores da região. Em Manaus, capital
do Amazonas, o diretor de uma ONG para microdesenvolvimento sustentável
declarou: “Não queremos Johan Eliasch aqui”. O problema
com o “colonialismo ecológico” de Eliasch é que
ele dá a idéia de que os brasileiros não são
capazes de cuidar da própria floresta e acaba ignorando as milhares
de organizações que já atuam arduamente na salvação
da floresta, em especial as que contam com o apoio dos moradores locais.
O líder indígena
ianomâmi Davi Kopenawa, em sua visita ao Reino Unido para levantar
fundos de auxílio para programas ambientais e de saúde,
deixou bem claro que a Amazônia não está a venda. “(A
Floresta) é a nossa vida. Nós sempre a protegemos”.
Ele não está sozinho nesta luta. A Aliança dos Povos
da Floresta, representante dos grupos indígenas e das diversas
comunidades que tiram seu sustento da floresta, declarou que salvar a
floresta representa salvar os povos indígenas e as reservas naturais.
Solução
Dados de satélite mostram
que o desmatamento está avançando nestas áreas.
As reservas indígenas representam, sozinhas, 20% do território
amazônico. Para quase todas as organizações de proteção
ambiental, a única solução para salvar a Amazônia
seria parar completamente o desmatamento. Nove das maiores ONGs, incluindo
o Greenpeace,WWF, Friends of Earth e Nature Conservancy, em conjunto
com outras organizações brasileiras como a ISA, para os
povos indígenas, e o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia,
iniciaram um projeto, com duração prevista de sete anos,
para zerar o desmatamento na região até 2015.
Uma área do tamanho da
França – um quinto da região amazônica brasileira – foi
destruída nos últimos 40 anos. Acabar com este processo
representaria uma enorme redução nas emissões de
gás estufa que fazem do Brasil um dos cinco maiores poluidores
climáticos do mundo. Outro benefício seria o salvamento
da biodiversidade.
As ONGs acreditam que a chave é econômica.
Elas querem generosos incentivos governamentais, normalmente dados para
criação de gado e plantações, para serem
transformados em “serviços ambientais” – um
plano ovacionado por três governadores de estados da região
amazônica. Obviamente, a peça chave, que é ao mesmo
tempo o maior empecilho, é o governo brasileiro, cujos interesses
são conflitantes.
A ministra chefe da Casa Civil,
Dilma Roussef, defende a construção de estradas, represas
e infra-estrutura. Já Marina Silva, do Meio Ambiente, defende
a criação de um verdadeiro mosaico de unidades de conservação
e guarda-costas ambientais antes de se pensar em infra-estrutura.
A ministra também está por
trás de um controverso esquema de “floresta de aluguel”,
que permite madeireiras selecionadas explorarem certas áreas florestais
que antes eram mais controladas. A idéia é de que será mais
fácil controlar a atividade madeireira, mas todos sabem que a
voracidade e a brutalidade das serrarias e madeireiras fazem os críticos
avaliarem essa medida como colocar uma raposa dentro de um galinheiro.
A idéia atribuída
ao ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, de plantar cana-de-açúcar
na área já destruída causou, da mesma forma, furor.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia prometido que o “boom” do
etanol brasileiro não ameaçaria a floresta. Ao que se pode
observar, o lobby dos biocombustíveis parece que vai fomentar
plantações de cana-de-açúcar aonde for possível.
A experiência vista no
Brasil com o “boom” de outras culturas, como a da soja, por
exemplo, demonstra que a situação terá efeito dominó:
os altos preços da cana tornarão o plantio menos lucrativo,
que por sua vez vai migrar para áreas com terras mais baratas.
Para aumentar o problema, temos que ainda adicionar outro fator nesta
equação: a mudança climática. As chuvas para
as colheitas brasileiras estão diretamente relacionadas à floresta
amazônica. A destruição da floresta tropical causaria
secas em outras regiões e isso afetaria as colheitas. Esta relação
vital entre chuvas e florestas foi muito bem tratada – com o discreto,
mas vital, apoio do Reino Unido – no documento chamado de Economia
da Mudança Climática. “Este documento é como
uma versão brasileira do Relatório Stern”, relatou
um informante.
Quase 20% da floresta Amazônica
já foram desmatados e, de acordo com cientistas, mais 40% estão
indo pelo mesmo caminho. Começou a corrida na busca de maneiras
de se parar o processo.
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Gazeta do Povo, 12 de novembro
de 2007
BRASIL | MEIO AMBIENTE
Vídeo que circula na internet
propondo a compra de terras é ação de marketing
Curitiba – No dia 7 deste mês, a Gazeta do Povo mostrou que o governador
do Paraná, Roberto Requião, caiu na “pegadinha” de
um vídeo de uma suposta propaganda de uma multinacional, que estaria
sendo exibida no México, propondo a compra de terras na Amazônia
para internacionalizar a floresta. Neste caso trata-se de um jogo fictício
de uma empresa de refrigerante, enquanto o caso da Cool Earth não tem
nada de ficção.
Na semana passada, durante a
reunião semanal do secretariado estadual, o governador mostrou
o vídeo. Na propaganda fictícia, aparecem imagens da floresta
e um locutor afirma que a única forma de preservar a mata é privatizando-a,
uma vez que ela seria patrimônio de todo o mundo, e não
somente do Brasil. “É muito importante que os brasileiros
tomem conhecimento do que está acontecendo em relação à nossa
Amazônia”, afirmou Requião.
A Arkhos Biotech foi uma obra
de ficção criada pela fabricante do Guaraná Antarctica
para fazer parte de um jogo de entretenimento. Um site inclusive foi
criado para a Arkhos. Na internet, a empresa fictícia se apresenta
como uma grande indústria farmacêutica. A página
na internet é tão bem feita que há até informações
sobra a defesa que a “empresa” faz da “Amazônia
para todos”, divulgadas por uma suposta assessoria de imprensa.
No jogo, os participantes precisavam
investigar o sumiço de um funcionário da Antarctica, que
teria informações sigilosas sobre a fórmula do refrigerante,
cujo fruto guaraná é originário da região
da Amazônia. Esse tipo de ferramenta de marketing é chamado
de “alternate reality games” (args). Na produção,
a Arkhos Biotech é a vilã da brincadeira.
Segundo fontes do governo, Requião
teria recebido um e-mail com o material, acreditou que a história
era verdadeira e mandou apresentar a “propaganda” a toda
a sua equipe governamental, querendo mostrar o absurdo que estava ocorrendo.
Este mesmo vídeo “pegou” o
senador Arthur Virgílio (PSDB), há sete meses. Ele chegou
a usar a tribuna do Senado para denunciar a tentativa de “privatizar
a Amazônia”.
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Gazeta do Povo, 12 de novembro
de 2007
BRASIL | MEIO AMBIENTE
Oficiais falam em conspiração
A teoria sobre uma conspiração dos países desenvolvidos – Estados
Unidos à frente – para a internacionalização da
Amazônia está fortemente impregnada entre os oficiais das Forças
Armadas brasileiras. Esta é uma das conclusões do filósofo
e psicólogo Humberto José Lourenção, em tese de
doutorado abordando o pensamento militar sobre a região – concepções
geopolíticas, estratégicas e de defesa – apresentada no
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade de Campinas,
a Unicamp.
Bastidores
Professor da Academia da Força
Aérea de Pirassununga (SP), uma escola do Comando da Aeronáutica,
Humberto Lourenção é um civil que integra os quadros
do Ministério da Defesa. Nesta condição, teria acesso
aos bastidores para entrevistas que suprissem sua pesquisa.
No entanto, preferiu centrar
as análises em escritos que foram tornados públicos. A
tese Forças Armadas e Amazônia (1985 a 2006), orientada
pelo professor Shiguenoli Miyamoto, baseia-se principalmente em monografias
produzidas por oficiais da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército
(Eceme), da Escola de Guerra Naval (EGN) da Marinha e da Escola de Comando
e Estado-Maior da Aeronáutica (Ecemar). Também serviram
como fontes as publicações oficiais das três forças
e vários sites alimentados por militares da reserva ou aposentados.
Interessante
“As monografias são
importantes porque equivalem ao mestrado da nossa academia. Seus autores
saem com patente de coronel, geralmente para ocupar postos de comando
influentes, atuando inclusive na definição de políticas
de defesa. O interessante é que muitas foram escritas por quem
serviu durante anos na Amazônia”, explica Lourenção.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
12 de novembro de 2007
INSS investiga aposentados por invalidez
que continuam no trabalho
Agência Brasil
O INSS (Instituto Nacional do
Seguro Social) começará nessa segunda-feira (12/11) a notificar
empresas que mantêm aposentados por invalidez como funcionários.
O procedimento faz parte de uma
investigação para cortar o benefício e pedir o ressarcimento
de quem trabalha enquanto está afastado e recebendo dinheiro da
Previdência Social.
Técnicos identificaram
21.077 casos de segurados que são remunerados por alguma empresa
ao mesmo tempo em que recebem benefício da Previdência Social.
As cartas do INSS têm aviso de recebimento e as empresas terão
15 dias para responder.
Se for confirmado o duplo vínculo,
o beneficiário terá dez dias para apresentar defesa na
Agência da Previdência Social. A lei proíbe o aposentado
por invalidez de retornar ao trabalho antes de passar por perícia
médica que comprove a recuperação.
Se o aposentado por invalidez
estiver trabalhando, o INSS vai determinar o fim do benefício
e cobrará de volta o dinheiro recebido indevidamente.
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CONSULTOR JURÍDICO,
12 de novembro de 2007
Direito de escolher
TST começa a discutir princípio
da transcendência
por Maria Fernanda Erdelyi
O Tribunal Superior do Trabalho
começa a discutir na próxima semana um dos tópicos
mais polêmicos da Reforma do Judiciário, o princípio
da transcendência. Com o instrumento em pleno vigor, o Tribunal
poderá escolher o recurso que vai julgar baseado em quatro critérios
de relevância: político, econômico, social e jurídico.
“Estamos diante de uma
revolução do Poder Judiciário, estamos mudando o
paradigma”, afirma o ministro, Ives Gandra da Silva Martins Filho,
um dos grandes defensores do instrumento no TST. Segundo o ministro,
o princípio da transcendência vai proporcionar uma Justiça
mais célere, barata, acessível e segura. A expectativa
na Corte é de redução em até dois terços
do volume de trabalho com a adoção do princípio.
Ives Gandra falou sobre dificuldade
dos tribunais em vencer a quantidade de trabalho – “julgar
mil processos por mês? Isso não existe.” No TST, por
exemplo, para empatar o jogo, o ministro precisa analisar 160 processos
por semana. “Precisamos partir para uma mudança de mentalidade”,
defendeu o ministro em palestra no 10º Congresso Brasiliense de
Direito Constitucional promovido pelo Instituto Brasiliense de Direito
Público (IDP), em Brasília.
O instrumento não agrada
a todos, inclusive dentro do próprio TST. O ministro Simpliciano
Fernandes, por exemplo, já afirmou à Conjur ser contra
a aplicação do princípio. Para ele, não é escolhendo
o que se julga que se resolve o problema do acúmulo de processos.
Fernandes defende a conciliação entre as partes como sendo
a melhor forma de limitar o número de recursos que chegam aos
tribunais superiores.
Uma das principais críticas
de que sofre o princípio da transcendência, é agressão
ao princípio do contraditório, ultrapassando o interesse
e direito das partes de ter o recurso apreciado. Outros criticam a subjetividade
dos critérios para aplicação do instrumento.
O ministro Ives Gandra rebate
as criticas lembrando que a disputa entre as partes ainda terá dois:
primeiro um juiz analisando o processo e, depois, um colegiado analisando
o recurso antes de chegar ao TST. Da forma que as coisas estão é que
não podem ficar. “Com o volume atual de trabalho, quem acaba
julgando os processos?”, questiona o ministro.
“O processo começa
nas mãos de um jovem juiz, recém formado, decidindo sobre
a vida, a liberdade e propriedade do cidadão. E como é que
termina num tribunal superior? Às vezes nas mãos de outro
jovenzinho, um estagiário, que repassa ao assessor, que as vezes
não tem tempo de revisar e passa para o ministro, que também
não tem tempo de analisar. Assim termina a história do
nosso processo. Estou abrindo aqui uma realidade que é vivenciada
por nós, porque alguém tem de dizer que o rei está nu”,
desabafou.
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CONSULTOR JURÍDICO,
12 de novembro de 2007
Meia volta
Fiesp reconhece nulidade de exclusão
de associado
O Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo
(Simpi) ganhou uma batalha na luta para se manter no quadro de associados da
Fiesp. O Tribunal Superior do Trabalho suspendeu a a audiência prévia
para discutir a exclusão do Simpi. Sob o argumento de que não
foi oficialmente informada sobre a decisão do TST, a Fiesp fez a reunião
e começou o processo contra o sindicato. Ao meio-dia desta sexta-feira
(9/11), a Fiesp foi notificada pelo tribunal e reconheceu a nulidade do ato.
“Em virtude do recebimento
de fax do Tribunal Superior do Trabalho às 12h24 de hoje (9/11),
do despacho proferido nos autos do processo, e para seu fiel cumprimento,
informamos que a reunião de audiência prévia ocorrida às
10h, ficou prejudicada, assim como todos os seus efeitos”, diz
o ofício encaminhado à juíza convocada ao TST, Kátia
Magalhães Arruda.
O processo de exclusão
de um associado começa com a audiência prévia. Depois,
a diretoria da Fiesp dá o seu parecer e decide. A defesa deve
acontecer durante a audiência prévia. Para a defesa do Simpi,
o processo iniciado pela Fiesp foi totalmente arbitrário. Por
isso, recorreu novamente ao Tribunal Superior do Trabalho, para pedir
a nulidade da reunião que aconteceu na quinta-feira (8/11).
De acordo com o Simpi, a Fiesp
argumentou não ter sido notificada sobre a decisão que
suspendeu a audiência previamente marcada. Na petição,
o advogado José Francisco Siqueira Neto argumentou que a Fiesp
foi notificada pelo Simpi de duas formas: “informando diretamente
a existência da decisão e narrando detalhadamente o ocorrido
na reunião”.
Mesmo diante da notificação
informal a Fiesp realizou a assembléia, inclusive, solicitando
que o sindicato apresentasse a sua defesa. O Simpi se recusou. Para tanto,
sustentou que aquele ato era irregular.
A liminar
O Tribunal Regional do Trabalho
paulista havia cassado liminar concedida ao Simpi pelo corregedor-geral
da Justiça do Trabalho, ministro João Oreste Dalazen, e
mantida pelo Plenário do TST. A medida impedia a Fiesp de convocar
a reunião. No recurso ao Tribunal Superior do Trabalho, os advogados
do sindicato afirmaram que o TRT paulista “jamais poderia cassar,
nos autos de medida cautelar incidental, uma medida concedida em outro
processo (Reclamação Correicional) e por órgão
superior”.
No recurso julgado na última
quarta-feira (7/11), a juíza Kátia Magalhães Arruda
aceitou os argumentos do sindicato para revogar a decisão do TRT
paulista. Ela verificou a existência de periculum in mora, diante
do fato de a reunião já estar marcada para uma data tão
próxima.
A Fiesp suspendeu o sindicato
de seus quadros em 2006, argumentando desrespeito a acordo fechado em
1996. A defesa do Simpi diz estar tranqüila em relação
a acusação porque o acordo está sendo cumprido.
E ressalta que a sua exclusão da Fiesp representa danos de difícil
reparação.
O sindicato
Representante de 200 mil
empresas, o Simpi é filiado à Fiesp desde 1993. Na época,
sindicato e Federação assinaram acordo reconhecendo a
legitimidade do Simpi para representar micro e pequenas indústrias
com até 50 empregados. Mas, desde o início de 2005, quando
o sindicato recebeu o registro sindical do Ministério do Trabalho
e Emprego, a Fiesp começou a pressioná-lo até a
suspensão dos quadros da entidade. O Simpi reclama na justiça
o descumprimento do acordo pela Fiesp.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
12/11/2007
TST: só 5% dos recursos para o STF
são admitidos
Dos 7.061 recursos extraordinários recebidos de janeiro a outubro deste
ano pelo Tribunal Superior do Trabalho, apenas 380 (o equivalente a 5,38%)
foram admitidos e seguiram para o Supremo Tribunal Federal. Para a admissão
do recurso, é necessária a demonstração de que
a decisão do TST tenha a possibilidade de violação a preceito
constitucional. “Na maioria dos casos, não há, em tese,
a possibilidade dessa constatação”, observa o ministro
Milton de Moura França, vice-presidente do TST, a quem compete, regimentalmente,
decidir pela admissão ou pela rejeição dos recursos extraordinários.
A Emenda Constitucional nº 45/2004
(Reforma do Judiciário) introduziu o critério de repercussão
geral para a admissibilidade do recurso extraordinário. A Lei
nº 11.418/2006, que regulamentou o assunto, considera, para efeito
de repercussão geral, a existência ou não de questões
relevantes do ponto de vista econômico, político, social
ou jurídico que ultrapassem os interesses subjetivos da causa – aqueles
que dizem respeito exclusivamente às partes envolvidas. Cabe à parte
que recorre demonstrar a existência desse requisito.
Diante de uma pilha de processos
que se renova diariamente sobre sua mesa de trabalho, o ministro Milton
de Moura França disse que estuda a possibilidade de promover tentativas
de conciliação nos recursos extraordinários que
tratam de matérias sobre as quais já se tenham posições
definidas, ou que visivelmente não atendam aos pressupostos para
sua admissão. A desistência de levar adiante um processo
cujo desfecho é bastante previsível, embora seja um ato
individual de uma das partes, é também uma medida de repercussão
geral, porque pode reduzir até em alguns anos a solução
do processo. Isso, por si só, significa um enorme benefício
não apenas para a parte credora, mas, sobretudo, para a celeridade
processual e, por extensão, para toda a sociedade.
O ministro Moura França
explica que só encaminha ao STF os processos que contêm
matérias constitucionais de interpretação controvertida
no âmbito dos Tribunais Regionais do Trabalho e do próprio
TST. “A finalidade é obter do STF uma sinalização
quanto à constitucionalidade dessas decisões ainda não
pacificadas”, diz o vice-presidente.
Entre os temas que têm
sido remetidos para a apreciação do STF estão aqueles
ligados à competência da Justiça do Trabalho para
julgar casos relativos a complementação de aposentadoria
e previdência privada, os questionamentos do INSS sobre o recolhimento
de contribuições previdenciárias em sentenças
de reconhecimento de vínculo e em verbas definidas como indenizatórias,
a fixação dos juros de mora sobre débitos da Fazenda
Pública, o prazo prescricional para o trabalhador rural e os regimes
administrativos especiais de entes públicos.
É o caso, por exemplo,
de um dos recursos recentemente remetidos ao STF, interposto pelo INSS.
A Justiça do Trabalho de São Paulo reconheceu a existência
de vínculo de emprego entre um trabalhador e a Transportadora
Turística Benfica Ltda., de São Paulo (SP). No entanto,
após o trânsito em julgado da sentença, as partes
fecharam acordo em que o trabalhador abriu mão do direito às
anotações na carteira de trabalho, afastando o vínculo – e,
conseqüentemente, o recolhimento das contribuições
previdenciárias. Para o INSS, o acordo ofende a coisa julgada. “O
recurso merece subir ao STF”, observa o ministro Moura França. “O
acordo a que chegaram as partes posteriormente assume nitidamente o conteúdo
de uma ação rescisória e, mais do que isso, atenta
aparentemente contra a coisa julgada, o que pode constituir ofensa ao
artigo 5º, inciso XXXVI da Constituição”, concluiu.
Apesar do baixo número
de recursos admitidos, o volume desse tipo de instrumento processual é bastante
elevado: em 2005, foram recebidos 8.165 e, em 2006, 9.589. Contra os
despachos denegando seguimento, cabe ainda o agravo de instrumento para
o STF. Trata-se de um tipo de recurso cuja finalidade é fazer
com que o STF “destranque” o processo e aceite examinar o
mérito. Embora o STF, ao apreciar esses agravos de instrumento,
também dê provimento a um número bastante reduzido
deles (em 2005, apenas 1,22% dos agravos foram providos pelo STF, e,
em 2007, apenas 3%), as partes não hesitam em interpor o agravo:
até outubro, foram autuados 6.003 agravos contra os despachos
do vice-presidente. Isso significa que, mesmo sabendo que a probabilidade
de acolhimento de um agravo e, posteriormente, de provimento do recurso
seja mínima, mais de 85% das decisões são questionadas.

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