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Nova Central, 16 de novembro
de 2007
Desigualdade ainda ameaça América
Latina apesar de queda na pobreza
Um estudo da Cepal (Comissão Econômica para América
Latina e Caribe), divulgado em Santiago, no Chile, elogiou a redução
da pobreza na América Latina, que atingiu o menor número
em 17 anos, mas criticou a concentração de renda, que persiste
na região.
O estudo afirma que a América Latina ainda apresenta "múltiplas
brechas sociais que separam os grupos mais vulneráveis
dos que têm melhores condições de vida",
o que, segundo o documento, "ameaça a coesão
social".
Apesar da ponto negativo, o "Panorama Social da América
Latina 2007" mostra que, pela primeira vez desde 1990,
o número de pobres na região ficou abaixo de
200 milhões 194 milhões eram pobres em 2006.
No ano passado, segundo o estudo, 15 milhões de pessoas
(equivalente à população do Chile) saíram
da pobreza e dez milhões deixaram de ser indigentes
na América Latina.
O documento destaca também o progresso em alguns
países como o Brasil onde, entre 2001 e 2006, seis
milhões de pessoas deixaram de ser indigentes. "Os
programas públicos, especialmente o Bolsa Família,
tiveram influência decisiva nesse desempenho",
diz o documento da Cepal.
Pobreza em queda
A expectativa, segundo o organismo das Nações
Unidas, é de que a pobreza e a indigência voltem
a cair em 2007, registrando, no fim deste ano, 35,1% de pobres
(190 milhões de pessoas) e 12,7% de indigentes (69
milhões de pessoas).
No ano passado, 36,5% da população da região
viviam em situação de pobreza (3,3 pontos percentuais
a menos que em 2005) e a indigência atingia 13,4% (2
pontos percentuais a menos que no ano anterior).
Com isso, os pobres eram 194 milhões e 71 milhões
eram indigentes. "Se se compara 2006 com 1990, existem
20 milhões de indigentes a menos na região",
afirma o documento da Cepal.
Metas
O estudo mostra ainda que Brasil, Chile, Equador e México
já atingiram as metas estabelecidas para redução
da pobreza, entre 1990 e 2015.
"Cabe concluir que a região como um todo se
encontra bem encaminhada no seu compromisso de diminuir a
pobreza extrema", afirma o documento.
O estudo destaca que o "dinamismo do mercado de trabalho" contribuiu
para o melhor resultado no Brasil e em outros países
da região, como Chile.
O estudo da Cepal destaca ainda que a presença das
crianças, do ensino primário, nas escolas "é quase
universal" (97%) na região.
Também aumentou, nos últimos anos, a freqüência
escolar entre jovens. "A maior presença na escola
beneficiou, principalmente, os filhos dos pais com pouco
estudo", destaca.
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Agência Diap, 16
de novembro de 2007
COMUNICAÇÃO SINDICAL
Sindicatos profissionalizam comunicação
para se fortalecer
Por: Carolina Requena*
Fotos grandes de dirigentes sindicais e trabalhadores em protestos,
alertas em letras garrafais aos trabalhadores para todo tipo de
campanha salarial, veto a “palavreado exagerado”. São
as palavras de ordem da mídia sindical. "Frase comprida é coisa
de filósofo alemão ou deputado baiano", resume
o jornalista João Franzin, no ramo da comunicação
sindical há 22 anos. Ele lançou recentemente o manual
Imprensa Sindical — Comunicação que Organiza.
Declaradamente unilateral, a mídia produzida pelo sindicalismo
vem buscando o formato ideal para falar bem com associados e potenciais
associados desde a década de 70. Na época, o então
sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva chamou a atenção
de um grupo de artistas e jornalistas que viriam a fundar mais
tarde a agência Oboré, com o objetivo de suprir a
necessidade de comunicação mais eficaz das entidades
com os trabalhadores.
Sérgio Gomes, um dos fundadores da agência, diz que
o maior problema da produção textual dos sindicalistas
naquela época era a falta de periodicidade. Ele lembra que,
diante de situações que exigiam a circulação
imediata de informação, como uma prévia de
greve ou uma campanha salarial, "o pessoal soltava um catatau
que trazia informação dos últimos seis meses,
tendo de fazer caber todo aquele palavreado num papel só.
Parecia leitura de bula". Os textos "eram ótimos
para quem escrevia e péssimos para quem lia", lembra
Gomes.
Hoje, boa parte da comunicação dos grandes sindicatos é confiada
a jornalistas profissionais, a serviço de escritórios
contratados pelos sindicatos — como o que João Franzin
lidera desde 1991 e que atende, por exemplo, o Sindicato dos Metalúrgicos
de Guarulhos e Região — ou empregados das próprias
entidades, em seus departamentos de comunicação,
caso dos jornalistas do Sindicato dos Bancários de São
Paulo.
Independentemente de seu vínculo de trabalho com as entidades
sindicais, que publicam estimados 10 milhões de exemplares
de jornais e boletins por mês, segundo Gomes, esses profissionais
têm a missão de levar aos trabalhadores a mensagem
do sindicato: são pautados pelos dirigentes e recebem denúncias
de trabalhadores.
As matérias seguem um tipo específico de formato,
reincidente nos grandes veículos sindicais, e catalogado,
inclusive, no livro-manual de Franzin: "A manchete é a
primeira frase do discurso. E ela tem de ser clara, verdadeira
e auto-explicativa".
A recomendação prossegue: "Caso o assunto se
refira a conquista econômica, é indispensável
que sejam destacados os números principais". Conclusão
da receita básica: "Como padrão, incluo uma
frase do presidente do sindicato nesse primeiro texto. Duas, três
linhas, no máximo".
Abaixo o palavreado
No início dos anos 70, quando Sérgio Gomes ainda estudava
na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de
São Paulo (ECA-USP), e a Oboré ainda não existia,
ele e alguns amigos trabalharam como recenseadores.
Quando começaram a sair resultados parciais sobre a vida
do trabalhador na cidade de São Paulo, a turma verificou
que o trabalhador ficava cerca de dez horas na fábrica,
mais uma média de 2 horas e dez minutos no transporte público,
que sua casa era mal iluminada — 70% das casas tinham lâmpadas
com 60 watts ou menos — que as famílias assistiam à TV
por muitas horas, e que havia, em média, na maioria dos
lares paulistanos, mais de duas pessoas dormindo em cada quarto — os
ambientes eram barulhentos.
Sérgio e os amigos entenderam que os trabalhadores não
tinham estrutura para se dispor a ler nessas circunstâncias.
Entenderam que o descompasso entre o texto espremido num ofício
e a disposição dos trabalhadores era um problema
grave. Dessa percepção surgiram os primeiros alicerces
do que Franzin descreve como o nascimento da imprensa sindical
moderna.
A Oboré (boré é o nome de uma flauta indígena
usada para convocar os dispersos) nasceu em 1978, formada por dez
jovens, entre artistas e jornalistas, que passaram a prestar serviço
profissional para entidades que quisessem pôr ordem em sua
comunicação. Até hoje, o escritório
atende grupos populares que necessitam de eficiência na transmissão
de informação. "A gente trabalha pra ser mandado
embora", define Sérgio. A idéia é implantar
os projetos e mostrar o caminho das pedras para os clientes, que
a partir daí assumem, por conta própria, suas rotinas
de comunicação.
Mas não foi simples para o grupo encontrar sua própria
direção frente ao dilema do ruído na comunicação,
há trinta anos. Os trabalhadores precisavam de textos concisos
e diretos, porém tinham de estar por dentro dos cenários
paralelos à situação trabalhista, e isso requeria
informação mais detalhada. Como a equipe era formada
por artistas de primeiro escalão, como Laerte e Henfil,
e os jornalistas eram todos recém-formados e inexperientes,
o fluxo de trabalho texto-arte não funcionava.
Também não vingou a tentativa de criar duplas de
criação, a exemplo do sistema empregado nas agências
de publicidade. A solução veio quando o artista Jaime
Prades sugeriu que a rotina imitasse o trabalho cinematográfico:
roteiro, direção e fotografia — respectivamente,
a presença do dirigente sindical como pauteiro; o jornalista
como executor da pauta; e os artistas com a função
da ilustração das publicações.
"Você já viu algum filme que tem uma história
boba pra caramba, mas que é salvo pela fotografia? Então,
assim a gente garantia que o trabalho saísse bom pelo menos
em alguma das frentes."
Modelo sobreviveu
A tríade persiste até hoje. É o que a agência
de Franzin faz: tratar das pautas com os dirigentes das entidades,
produzir as matérias com sua equipe de jornalistas contratados
e recorrer, invariavelmente, à imagem — hoje, especialmente
a fotografia, processo que está se barateando com as tecnologias
digitais.
Em seu livro, Franzin justifica: "Imprensa sindical é jornalismo
político. Portanto, o que conta, em termos de fotografia, é a
valorização da ação sindical, colocando
a entidade, o dirigente ou a categoria no centro dos acontecimentos".
Não é raro se deparar com o presidente da entidade
em cima do carro de som, com os braços erguidos ou segurando
o microfone, em uma foto que ocupa metade da primeira página
do jornal. E isso pode dar muita dor de cabeça para o jornalista,
já que um ou outro dirigente pode não gostar de ficar
de fora.
"Todo movimento sindical é político e pode
haver facções; como a comunicação é decisiva,
o sujeito começa a querer saber de que lado você está",
explica Franzin. Por isso, também, ele se constituiu como
empresa, para sair do olho do furacão. "Já confundi
minha função com a de dirigente e não cometo
mais esse erro", diz.
É no programa de TV Câmera Aberta Sindical que Franzin
consegue realmente descentralizar a palavra: atende a telefonemas
de trabalhadores ao vivo e convida para a bancada representantes
de diversas frentes sindicalistas.
Entidades dão exemplo
Quem também se esforça para abrir espaço para
a produção de mídia por parte dos próprios
sindicalizados é a Confederação Nacional dos Trabalhadores
na Agricultura (Contag), famosa no meio sindical pelo sucesso do programa
de rádio A Voz da Contag, implantado pela Oboré em 1993
e produzido pela agência Liberdade de Expressão, há quatro
anos. Um dos sócios da agência, Chico Almeida, conta que
o trabalho é efetuado por três repórteres e uma
editora, e a distribuição do Voz é feita por correio.
Depois de finalizada a produção do programa, cerca
de 250 CDs são gravados (uma faixa com a edição
na íntegra e outras com as matérias separadas) e
enviados para as representações regionais que os
encaminham às rádios sindicais e a algumas comerciais.
As edições do A Voz da Contag também ficam
disponíveis para download no site da entidade, mas, segundo
Almeida, "o trabalhador rural ainda não é totalmente
plugado".
Ele afirma que, em algumas localidades, há um encontro
semanal no escritório do sindicato, equipado com computador,
para que os trabalhadores ouçam o programa, que dura 20
minutos. Ainda segundo Almeida, a participação em
outros meios de comunicação da Contag é muito
difundida entre os jovens trabalhadores rurais, que, estes sim,
estão "plugados em tudo".
Alguns associados, não necessariamente dirigentes, são
incentivados a participar das reuniões de pauta dos veículos
e a produzir, sob orientação do escritório,
conteúdo regional. Os encontros, segundo Chico, são
imprescindíveis também para a sua equipe de jornalistas
profissionais, baseada em Brasília: "A maioria nasceu,
cresceu e vive na capital federal".
Ele se refere aos 11 jornalistas que destaca para comandar todos
os meios de comunicação da Contag. "Alguns talvez
nunca tenham visto uma galinha", brinca. "Mas, hoje,
eles podem ir cobrir assuntos relacionados à agricultura
em qualquer veículo de grande porte", afirma.
Outra experiência é o Jornal dos Trabalhadores, um
programa diário de rádio com uma hora de duração
patrocinado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e
veiculado pela rádio católica Nove de Julho, da Arquidiocese
de São Paulo, das 7 às 8 horas (há mais dez
boletins de três minutos de hora em hora).
"Nossa pauta é noticiar o mundo do trabalho, que os
grandes veículos ignoram", diz o jornalista Oswaldo
Luiz Vitta Colibri, 53 anos de idade e 33 de profissão,
que dirige e apresenta o programa. Segundo Colibri, a receita é simples:
linguagem suave e dinâmica ("tem de ser leve, não
pode ser chato") e evitar detalhes da realidade de cada categoria
("há uma diversidade incrível, com desafios às
vezes muito específicos").
Ainda que não seja possível se aprofundar tanto
nos temas, o objetivo — chamar a atenção — é alcançado. "O
rádio tem capacidade de mobilizar, falar com gente do país
inteiro pelo telefone", diz Colibri. Com uma equipe de produção
de dez pessoas, todas contratadas pela CUT, o próximo desafio
do Jornal do Trabalhador é tornar os programas disponíveis
na internet.
Internet e reportagem
A Contag, ainda que se destaque pela programação radiofônica,
tem um site com boa navegabilidade, coisa rara, segundo o jornalista
João Franzin. O Brasil tinha cerca de 11.354 sindicatos de empregados
em 2001, segundo Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE). Franzin destaca meia-dúzia de sites de entidades sindicais
em seu livro.
"Muitos sindicatos têm páginas na internet,
mas a maioria é uma tragédia grega", lamenta. "E
estamos atentos à rede já há dez anos, mas
grande parte dos dirigentes não valoriza esse meio, o que é um
erro", afirma ele.
Geralmente, os sites bem-feitos são usados para hospedar
os diversos veículos (jornal, revista, programa de rádio
e TV) produzidos por um sindicato ou central sindicalista — caso
do portal da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o do
Sindicato dos Bancários de São Paulo.
A equipe de comunicação dos bancários é de
seis jornalistas, uma secretária de redação
e dois diagramadores. Eles produzem, por semana, duas edições
da Folha Bancária (cuja tiragem declarada é de 100
mil cópias), atualizam diariamente o site do sindicato,
cuidam de nove jornais que são distribuídos especificamente
nos bancos, mensalmente, produzem um caderninho-resumo de todas
as edições do mês da Folha e, ainda, são
acionados para fazer boletins, avisos urgentes, informes, cartilhas
etc. Quando vem a época da negociação salarial,
passam a fazer um jornal por dia. É difícil sair
da redação.
O pessoal da Contag também vai pouco a campo — mas
por uma questão de custos, explica Almeida. A ajuda com
a reportagem fica por conta de dirigentes sindicais locais.
Para Sérgio Gomes, da Oboré, a escassez de reportagem
e a dificuldade de circulação dos jornalistas em
chão de fábrica e escritórios ("parece
navio negreiro, em que ninguém pode entrar"), deixa
de contemplar os trabalhadores com matérias a respeito de
questões essenciais para um posicionamento consciente da
classe. Para ele, falta tratar de assuntos como economia doméstica
e internacional, por exemplo. "A função do jornalista é alargar
o olhar das pessoas sobre as coisas", defende.
O risco, no entanto, é que o equilíbrio entre o
texto excessivamente detalhado e a concisão eficiente, tão
perseguido pela Oboré no passado, se perca em decisões
editoriais que privilegiam fotos (especialmente dos dirigentes),
textos que seguem um determinado formato e uma cobertura que tende
mais ao relatório e menos à análise.
No capítulo "Receitas para a comunicação
sindical" de seu livro, Franzin alerta: "A qualidade
da imprensa sindical de hoje, apesar dos avanços tecnológicos,
nem sempre supera a produzida nos anos 70 e 80, quando muito material
era feito por fotocomposição ou com letra-set e máquina
de escrever". (Fonte: Portal da Comunicação)
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Congresso em Foco, 16 de
novembro de 2007
Exclusivo:
Criação de cadastro de
bons pagadores gera polêmica
Entidades de defesa do consumidor criticam
o chamado cadastro positivo. Para representantes do comércio
e do setor financeiro, ele abre caminho para a redução
dos juros.
Cadastro de bons pagadores vira polêmica
Camilla Shinoda
De um lado, entidades de defesa do consumidor; do outro,
representantes do comércio e do sistema financeiro.
No meio, uma proposta com objetivos sedutores: reduzir os
juros e aumentar a concorrência entre os bancos. Como
alvo da discórdia, dois projetos de lei que criam
o chamado cadastro positivo, banco de dados com o nome dos
consumidores que fazem os seus pagamentos em dia.
A novidade se contrapõe aos cadastros negativos existentes,
como o Serasa e o Sistema de Proteção ao Crédito
(SPC), nos quais as entidades que prestam serviços
de proteção ao crédito listam os clientes
que não pagaram pontualmente suas dívidas.
O cadastro positivo já é adotado em vários
países, como os Estados Unidos, o México, a África
do Sul e boa parte da Europa. De acordo com os defensores
da proposta, a grande mudança trazida pelo cadastro
nesses países foi a ampliação da concessão
de créditos e a redução dos juros.
Com as informações de que determinado cidadão
cumpre seus pagamentos na data, as empresas poderiam oferecer
juros diferenciados, mais baixos que o normal. “Assim
o bom pagador não paga juros pelo mau pagador”,
afirma Marcel Domingos Solimeo, economista-chefe da Associação
Comercial de São Paulo (ACSP).
Apesar desse aparente benefício, o cadastro positivo
tem enfrentado resistência nas audiências públicas
realizadas na Câmara. A obrigatoriedade da inclusão
do nome do consumidor na lista, bem como a sua notificação,
a eventual invasão de privacidade e a real eficácia
desse instrumento na redução dos juros são
os principais pontos de questionamento levantados até agora.
Cadastro facultativo
A obrigatoriedade de participar do cadastro positivo é uma
polêmica que já foi aparentemente resolvida
pelo relator do PL 405/07 na Comissão de Defesa do
Consumidor, Walter Ihoshi (DEM-SP).
O argumento do Departamento de Proteção e
Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça,
que tem participado das discussões, de que o consumidor
deve ter a liberdade de escolher se quer ou não participar
do cadastro positivo convenceu Ihoshi. “Irei fazer
esse aperfeiçoamento do projeto, permitindo que o
consumidor faça a opção de entrar no
cadastro”, adianta o relator.
A medida, segundo ele, também resolveria a questão
da privacidade dos dados, já que cada pessoa terá o
direito de escolher se quer ou não fornecer seu histórico
para o cadastro.
Benefício em xeque
Para a coordenadora institucional da Associação
Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), Maria Inês
Dolci, o cadastro positivo não trará grandes
benefícios. “Esse PL (405/07) só vai
oficializar uma prática que já existe”,
declara.
Segundo Maria Inês, as empresas já possuem
esse tipo de informação sobre os consumidores.
E o que é pior: não cumprem as regras do Código
de Defesa do Consumidor (CDC) de avisar quando uma pessoa é inserida
no banco de dados, seja o negativo, seja o positivo. “O
cadastro não pode fugir dessas obrigações
que já existem no CDC”, critica.
Marcos Diegues, vice-presidente e gerente jurídico
do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), concorda
com a coordenadora do Pro Teste. “Segundo o CDC, a
inserção de um nome em qualquer banco de dados
tem que ser avisada, mas isso não acontece. Prova
disso é que vivemos recebendo correspondências
de empresas com as quais nunca tivemos contato”, exemplifica.
O relator admite que a polêmica, nesse caso, ainda
não está resolvida. O projeto original e o
primeiro parecer de Ihoshi dispensavam a necessidade de notificação
do consumidor. Isso, no entanto, vai de encontro ao parágrafo
2 do artigo 43 do Código de Defesa do Consumidor,
que diz que a abertura de cadastro, ficha, registro e dados
pessoais e de consumo deverá ser comunicada por escrito
ao consumidor, quando não solicitada por ele.
A outra proposta que trata do assunto em tramitação
na Câmara, o PL 836/03 – já aprovado pelo
Senado – também torna obrigatória a notificação.
Notificação
Em ambos os casos, a discussão recai sobre de que
forma o consumidor deve ser avisado sobre a entrada de seu
nome no cadastro positivo: se pela correspondência
simples ou se pelo aviso de recebimento, modalidade que exige
a assinatura do notificado.
O relator do projeto defende o uso da correspondência
simples, cujo custo é inferior ao do aviso. “Os
Correios são um sistema seguro e funcionam bem. Segundo
pesquisas, ele é o órgão público
mais confiado pelos brasileiros”, argumenta Ihoshi. “Além
disso, o aviso de recebimento iria onerar em oito vezes o
custo do envio. E quem deve pagar por isso é o consumidor”,
prevê.
As entidades de defesa do consumidor, no entanto, não
abrem mão do aviso de recebimento. “Dispensar
a comprovação do recebimento do consumidor é um
absurdo”, reclama Marcos Diegues, do Idec.
“Assim caímos na lógica do ‘eu
mandei, se ele não recebeu é problema dele’”.
Para Diegues, o aviso de recebimento é uma importante
ferramenta de defesa para o consumidor. “O consumidor
precisa confirmar se recebeu notificação”,
declara.
Diante dos apelos das entidades, Walter Ihoshi diz que vai
pedir uma nova audiência pública para rediscutir
o assunto.
Queda nos juros
O debate sobre a real possibilidade de queda dos juros também
tem dominado as discussões. Para o gerente jurídico
do Idec, essa eventual redução é bem
questionável. “Olhamos isso com muito ceticismo.
Muitas outras políticas que possuíam esse mesmo
objetivo, como a Lei de Falências, não cumpriram
essa promessa”, argumenta Diegues.
O vice-presidente da Associação Nacional de
Executivos de Finanças (Anefac), Miguel de Oliveira,
defende a criação do cadastro positivo e destaca
que as taxas de juros são baseadas no mau consumidor.
“Crédito sempre foi dado sobre o cadastro negativo”,
declara. “O cadastro positivo é uma boa ferramenta
de gestão de crédito, pois é possível
conferir a regularidade e a pontualidade do consumidor com
seus pagamentos”, completa.
Apesar disso, Miguel admite que o efeito da proposta na
redução dos juros pode ficar aquém das
expectativas. “Os juros, tecnicamente, deveriam cair.
Lá fora isso funciona assim, mas não é possível
prever como o mercado vai reagir aqui. Muitas outras políticas
do governo que pretendiam essa queda de juros falharam”,
declara.
Outro entusiasta do cadastro positivo, o economista-chefe
da Associação Comercial de São Paulo
(ACSP) acredita que o consumidor sentirá no bolso
a redução das taxas de juros graças à criação
do banco de dados.
“Com a melhoria na informação, as empresas
poderão oferecer juros diferenciados para os melhores
clientes”, afirma Marcel Solimeo. “O cadastro
positivo é uma evolução essencial que
amplia o crédito e baixa as taxas de juros. Ele já funciona
em vários países em desenvolvimento”,
defende.
Para o vice-presidente do Idec, além de não
reduzir a taxa de juros, o cadastro poderá criar “categorias” de
consumidores. “Como as empresas vão avaliar
quem nunca comprou a crédito anteriormente e não
tem um cadastro? Não sabemos se quem estiver fora
do cadastro vai ser tratado de forma positiva ou negativa”,
avalia Marcos Diegues.
“A pessoa que está com o nome sujo não
tem direito a crédito, mas aquela que tem o nome no
cadastro positivo também não terá crédito
garantido”, admite Miguel Oliveira, da Anefac.
Consumidor imaturo
Outro ponto visto com preocupação pelas entidades
de defesa do consumidor diz respeito a uma suposta imaturidade
do consumidor em lidar com crédito. Na avaliação
dessas entidades, a eventual elevação da oferta
com a criação do cadastro pode levar um número
maior de brasileiros ao endividamento.
Miguel Oliveira admite que esse risco existe. “A estabilidade
econômica do nosso país é muito recente.
Isso facilita uma indução do consumidor ao
erro. Ele é imaturo sim.”
O economista-chefe da Associação Comercial
de São Paulo pensa diferente. “Não podemos
subestimar a capacidade do consumidor brasileiro. Se na África
do Sul, no México, nos Estados Unidos, os consumidores
alcançaram essa maturidade, o brasileiro também
vai conseguir”, defende Solimeo. “O consumidor
brasileiro é muito inteligente e aprende rápido”,
completa.
Tramitação
O Projeto de Lei 405/07, relatado por Walter Ihoshi, está na
Comissão de Defesa do Consumidor. Se aprovado, irá para
a Comissão de Constituição e Justiça,
onde será analisado em caráter conclusivo,
ou seja, sem a necessidade de passar pelo Plenário.
A proposta já foi aprovada no Senado, onde foi apresentada
pelo ex-senador Rodolpho Tourinho (DEM-BA).
Já o PL 836/03, que disciplina tanto o cadastro positivo
quanto o negativo, aguarda posição da Mesa
Diretora sobre recurso apresentado pelo deputado Sílvio
Costa (PMN-PE) contra o caráter conclusivo da proposta
do deputado Bernardo Ariston (PSB-RJ). Sílvio quer
que também o Plenário examine o projeto, já aprovado
pelas comissões permanentes da Casa.
O texto traz regulamentações para banco de
dados e serviços de proteção ao crédito,
sejam eles “negativos” ou “positivos”.
Ele dispõe sobre a notificação de abertura
de cadastro; regula a responsabilidade das empresas que emitem
informações sobre a situação
financeira de clientes, incluindo nisso a correção
de erros nos dados; e veda o fornecimento de informações
que possam atrapalhar novo acesso do cidadão ao crédito.
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Congresso em Foco, 16 de
novembro de 2007
Executivo propôs metade das leis
aprovadas em 2007
Das 144 matérias aprovados
este ano, 72 (50%) são de autoria do Poder Executivo.
Apenas as medidas provisórias corresponderam a 42,36%
das proposições aprovadas em 2007
Os dados são de levantamento feito liderança
do Psol na Câmara, que critica o que considera a "debilidade
do Poder Legislativo". As informações
consideram a produção legislativa do Congresso
desde o início da atual legislatura, em 2 de fevereiro,
até a última quarta-feira (14/11).
Para o líder do partido na Câmara, deputado
Chico Alencar (RJ), o ideal não seria uma divisão
igualitária, mas uma predominância das leis
de autoria do Legislativo, uma vez que a atividade de fazer
as leis é um ato típico deste último
poder.
"A celebração da proclamação
da República tem que ser uma reflexão de como
o Lesgislativo está apequenado e sendo pautado pelo
Executivo", afirma o deputado.
Ele contou que o excesso de medidas provisórias é sempre
tema de discussão nas reuniões de líderes,
mas que, mesmo após uma chuva de reclamações,
a situação continua inalterada.
"As reuniões acabam sendo uma espécie
de catarse. Sempre falamos que iremos fazer sessões
extraordinárias e votar mais projetos do Legislativo,
mas o fato é que a gente está sendo pautado
pelo Executivo", reclamou. (Soraia
Costa)
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Gazeta do Povo, 16 de novembro
de 2007
BRASIL | ORÇAMENTO
De olho na CPMF, Planalto vai propor
reforma tributária
Com a medida Governo espera reabrir
negociações com o PSDB. Tucanos descartam
Brasília – Como uma última tentativa de conseguir
votos no PSDB para aprovar a prorrogação CPMF, o
governo planeja enviar ao Congresso, até o fim de novembro,
o tão esperado projeto de reforma tributária. A medida
seria necessária, de acordo com o senador Valdir Raupp (PMDB-RO),
porque a margem de segurança para a aprovação
da emenda é mínima e as concessões já feitas
sobre o projeto aprovado na Câmara já chegaram ao
limite.
“Ainda acredito que as portas com o PSDB não estão
fechadas. Se a reforma tributária chegar ao Congresso daqui
a 10 ou 15 dias, a possibilidade de discussão com o partido é reaberta”,
disse. O PSDB, porém, afirma que a esperança governista
será frustrada. “Eles estavam tão confiantes
de que aprovariam a CPMF mesmo sem a gente. O próprio Guido
Mantega disse isso. Agora, não existe mais a menor possibilidade,
já estamos fechados”, disse o líder do partido
na Casa, o senador Arthur Virgílio (AM).
Ao conseguir uma primeira vitória na Comissão de
Constituição e Justiça, anteontem, o governo
se deparou com o seguinte cenário: se a votação
em plenário fosse hoje teria seguramente no máximo
48 votos, um a menos do que os 49 necessários para aprovar
a emenda.
O levantamento feito pela base mostra que PSDB e DEM representam
27 votos contrários à CPMF, que, somados aos nomes
de José Nery (PSOL-PA), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Mão
Santa (PMDB-PI), Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), Pedro Simon (PMDB-RS)
e Jefferson Péres (PDT-AM), o total aumenta para 33 - número
suficiente para derrubar a contribuição. Outro problema é que
aliados até então considerados certos, como PR e
PTB, aproveitam o momento de incerteza para reclamar cargos federais
nos estados que foram “tomados” pelo PT.
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Gazeta do Povo, 16 de novembro
de 2007
MUNDO | FRANÇA
Sarkozy negocia fim da greve com sindicalistas
Congestionamentos chegam a 300 km
nas rodovias em torno de Paris
Paris – Pelo segundo dia consecutivo, os trabalhadores
do setor de transportes coletivos mantiveram fechados quase todos
os serviços ferroviários na França ontem,
obrigando passageiros a adiar suas viagens. Para chegar ao trabalho,
os cidadãos tiveram de caminhar, usar bicicletas ou carros
particulares. Houve um gigantesco congestionamento de 300 quilômetros
na manhã de ontem nas rodovias e vias rápidas da
Ile-de-France, a área metropolitana de Paris.
Em comparação a quarta-feira, primeiro dia de greve,
houve um pequeno aumento na circulação de trens.
As autoridades informaram que 150 dos 700 trens rápidos
funcionaram ontem, ante os 90 do dia anterior. Em relação
ao metrô de Paris especificamente, a informação é de
que ontem três linhas ficaram totalmente paralisadas. Nas
demais linhas, o porcentual de trens parados chegou a 80%.
Negociação
Governo e sindicatos negociam o fim da greve. Os sindicatos já optaram,
no entanto, por manter a paralisação hoje. O presidente
Nicolas Sarkozy reiterou que não abrirá mão
de cortar benefícios do sistema de aposentadoria dos ferroviários.
Após seis meses de governo, o impasse é o primeiro
grande desafio nos planos de Sarkozy para modernizar a França.
Na noite de quarta-feira, o presidente deixou claro que quer o
fim da paralisação “o quanto antes”.
Apesar de dizer que “o coração da reforma” é inegociável,
Sarkozy acatou a exigência dos sindicatos de fazer negociações
separadas em cada companhia do setor de transportes, sempre com a participação
de um representante do governo.
O presidente quer que os franceses trabalhem 40 anos para obterem
todos os benefícios da aposentadoria, em vez dos atuais
37,5 anos vigentes em alguns setores de serviços públicos,
em especial o dos transportes.
Em carta enviada na quarta-feira aos líderes sindicais,
o ministro do Trabalho, Xavier Bertrand, disse acreditar que as
negociações devem começar o quanto antes e
terminar em menos de um mês. O governo espera uma resposta
dos seis sindicatos que estão em greve.
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Folha de Londrina, 16 de
novembro de 2007
OIT repreende Venezuela por ‘calar’ sindicatos
Segundo a Organização Internacional
do Trabalho (OIC), o governo Chávez prejudica as liberdades
sindicais e de expressão
AFP/Pedro Rey

Cenas dos últimos dias em Caracas: manifestações
contra mudanças na Constituição que garantem mais
poderes para o atual presidente
Genebra - A Organização Internacional do Trabalho (OIT)
repreendeu duramente o governo venezuelano de Hugo Chavez por prejudicar
as liberdades sindicais e de expressão, informou um comunicado
nesta quinta-feira em Genebra.
A OIT repete uma queixa da Federação de Câmaras
e Associações de Comércio e Produção
(Fedecamaras) e de um sindicato de trabalhadores sanitários
do setor público. Esta não é a primeira representação
contra atos do governo venezuelano contra atividades de sindicatos
de trabalhadores.
''O governo venezuelano precisa se abster de qualquer interferência
na linha editorial dos meios de comunicação independente'',
diz o comunicado aprovado pelo conselho de administração
da organização internacional.
Citando a retirada da licença do canal RCTV e as ameaças
feitas a outros meios de comunicação, a OIT pediu
que as autoridades venezuelanas não ''utilizem sanções
econômicas e jurídicas contras os meios independentes''.
O governo deve ''garantir, através da existência
de meios de expressão independente, o livre intercâmbio
de idéias que é essencial para a vida e o bem-estar
das organizações dos trabalhadores'', assinalou a
OIT.
A respeito das acusações de agressão contra
membros de diversas organizações, a OIT disse que
''os direitos das organizações dos trabalhadores
só podem ser exercidos em um clima desprovido de violência,
pressões ou ameaças de qualquer classe contra os
dirigentes e membros dessas organizações''.
''Cabe ao governo garantir o respeito a este princípio'',
recordou a organização internacional.
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Folha de Londrina, 16 de
novembro de 2007
Seu Direito: ATENDIMENTO AO CLIENTE
Existe lei que regulamente o que um trabalhador deva priorizar em um
atendimento? O funcionário deve atender as pessoas que estão
na loja ou o telefone?
O atendimento ao cliente, seja por telefone ou pessoalmente,
tem como principal fonte legal o Código de Defesa
do Consumidor, podendo ainda ser regulado por outras leis
estaduais e municipais de caráter complementar.
O Código de Defesa do Consumidor prevê que
o atendimento ao consumidor deve ser realizado de forma a
respeitar a sua dignidade, saúde e segurança,
ou seja, deve seguir os padrões adequados de qualidade,
segurança, durabilidade e desempenho.
Referida lei ainda veda que o fornecedor faça oferta
ou mensagem publicitária de produtos, ou ainda serviços
de qualidade ou características diversas daquelas
que serão efetivamente entregues ao consumidor, cabendo,
neste caso, a restituição imediata da quantia
paga, a reexecução dos serviços ou abatimento
proporcional no preço, sem prejuízo de eventual
indenização pelo prejuízo causado.
Todavia, não faz menção específica
com relação à priorização
do atendimento pessoal ou aquele feito por telefone, apenas
dando parâmetros gerais de como deve ser o tratamento
dispensado aos consumidores.
As legislações estaduais e a municipal (Londrina)
também não trazem regras específicas
neste particular, diferentemente do que ocorre com o tempo
máximo de 15 minutos de espera em filas bancárias.
Logo, não existe regulamentação que
determine que um trabalhador deva priorizar o atendimento
de pessoas ou de ligações. Mas a legislação
prevê que o atendimento deve ser de qualidade, respeitando
sempre a dignidade, saúde e segurança do consumidor.
Com o intuito de melhorar seus serviços e prestar
o adequado atendimento aos clientes, muitas empresas têm
estabelecido manuais internos de condutas dos funcionários,
com a especificação de prioridades de atendimento
pessoal e telefônico. Nestes casos, as regras estabelecidas
pela empresa obrigam os funcionários a cumpri-las,
priorizando o atendimento determinado pelo manual.
Diogo B. Menoncin, advogado
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O Estado do Paraná,
16 de novembro de 2007
Nacional
Relatório do IBGE mostra que
o Brasil tem 183,9 milhões de habitantes
O Brasil tem atualmente 183,9 milhões de habitantes, segundo
o relatório final da Contagem da População
do IBGE, feita em 5.435 municípios com até 170 mil
habitantes e entregue na última quarta-feira ao Tribunal
de Contas da União.
Segundo o documento do IBGE, nos últimos sete anos, o Brasil
ganhou mais 14 milhões de habitantes, "o que corresponde
a um Estado do porte da Bahia". Na Contagem, foram visitados
30 milhões de domicílio. O TCU vai utilizar o levantamento
para o cálculo das quotas referentes ao Fundo de Participação
dos Municípios (FPM).
Regiões
Entre as grandes regiões, segundo o IBGE, todas apresentaram
crescimento populacional em relação ao Censo 2000,
mas não houve alterações no ranking dos mais
populosos.
O Sudeste ainda lidera, com 77,8 milhões, seguido do Nordeste
(58,5 milhões); Sul (26,7 milhões); Norte (14,5 milhões);
e Centro-Oeste (13,2 milhões).
Já entre os Estados, o mais populoso continua a ser São
Paulo, com 39,8 milhões de habitantes, seguido de Minas
Gerais (19,2 milhões), Rio de Janeiro (15,4 milhões),
Bahia (14 milhões) e Rio Grande do Sul (10,5 milhões).
O menos populoso é Roraima (395,7 mil habitantes), seguido
do Amapá (587,3 mil) e Acre (655,3 mil). Palmas, no Tocantins,
ainda é a capital menos populosa do Brasil, com 178,3 mil
habitantes.
Cidades
O município de São Paulo continua o mais populoso
do Brasil (10,8 milhões), enquanto o menor ainda é Borá,
no oeste-paulista, que há sete anos tinha 795 habitantes
e hoje, de acordo com a Contagem, tem 804.
Desde o Censo 2000, de acordo com o IBGE, o número de municípios
com mais de um milhão de habitantes cresceu de 13 para 14.
A inclusão mais recente foi Campinas, terceiro município
paulista a figurar na lista. São eles: São Paulo
(10,8 milhões); Rio de Janeiro (6,1 milhões); Salvador
(2,8 milhões); Brasília (2,45 milhões); Fortaleza
(2,43 milhões); Belo Horizonte (2,41 milhões); Curitiba
(1,7 milhão); Manaus (1,6 milhão); Recife (1,5 milhão);
Porto Alegre (1,42 milhão); Belém (1,40 milhão);
Goiânia (1,24 milhão); Guarulhos (1,23 milhão)
e Campinas (1,03 milhão).
Em dezembro, o IBGE divulgará o resultado completo da Contagem
da População, com mais informações,
como sexo, idade e migração.
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Folha de São Paulo,
16 de novembro de 2007
Renan decide deixar presidência
do Senado
Peemedebista quer abdicar do cargo
depois que o processo que pede cassação de seu
mandato seja votado no plenário
O senador vai a julgamento na próxima
quinta-feira; Tião Viana (PT), presidente interino,
terá de convocar eleição em até cinco
dias
JOSIAS DE SOUZA
COLUNISTA DA FOLHA
Renan Calheiros (PMDB-AL) informou a algumas das principais
lideranças do Senado, governistas e oposicionistas,
que vai renunciar à presidência da Casa. Desistiu
da idéia de renovar o pedido de licença de
45 dias, que vence no próximo dia 26 de novembro.
Abdicará ao comando da Casa antes dessa data. Em troca,
espera preservar seu mandato. O senador vai a julgamento
no plenário do Senado, pela segunda vez, na próxima
quinta-feira. Gostaria de renunciar à presidência
no dia seguinte, quando a absolvição já estivesse
resolvida. Foi aconselhado, porém, a sair antes. Sob
pena de acirrar os ânimos da oposição,
receosa de que, livre da cassação, Renan atreva-se
a reocupar o gabinete de presidente.
A iminência do novo julgamento provocou em Renan uma curiosa
metamorfose. Antes, comparava-se ao coco: "Para tirar o coco,
não basta balançar o pé que ele não cai.
Quem quiser, vai ter que subir no pé e retirar o coco com as
próprias mãos". Agora, soa num timbre que revela
humildade inaudita. Nos diálogos que manteve nas últimas
horas, Renan diz coisas assim: "Estou há três anos
cumprindo esse papel [de presidente da Casa]. Chega. Se tiver oportunidade,
no que me resta de mandato, vou tentar me recuperar do que sofri politicamente
com esse episódio".
Alertado acerca das intenções de Renan, o presidente
interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), pôs-se a preparar
a sucessão interna. Em consulta que fez à assessoria
da Casa, foi informado de que, confirmando-se a renúncia, terá de
convocar eleições para a escolha do substituto em cinco
dias.
Ou seja, se Renan renunciar até quarta-feira, véspera
de seu julgamento no plenário, Tião terá de preparar
a eleição para a semana seguinte. Assim, a votação
da emenda da CPMF, prevista para dezembro, já ocorreria sob
nova direção. Algo que fez acender a luz amarela no Palácio
do Planalto. Lula e seus operadores políticos trabalham discretamente
para livrar Renan da cassação.
Imagina-se que, se for cassado, ele pode causar ao governo problemas
adicionais. Não teria dificuldades para arrastar meia dúzia
de votos contra a CPMF. Algo que, numa votação apertada,
pode significar a rejeição à prorrogação
do tributo. O Planalto gostaria de ver José Sarney (PMDB-AP)
no cargo. Sarney quer, mas condiciona o envolvimento na empreitada
a uma unanimidade que parece inexeqüível. Parte do PSDB, à frente
Arthur Virgílio, acena com a hipótese de erguer barricadas
no plenário contra sua eventual candidatura.
Mesmo no PMDB, o nome de Sarney não atravessa toda a bancada.
Muitos peemedebistas consideram-no personalista. Diz-se que, diferentemente
de Renan, prioriza nos contatos com o governo os seus próprios
interesses, em detrimento das reivindicações da bancada.
Afora Sarney, há uma penca de nomes: José Maranhão
(PMDB) é o preferido de Renan. O que leva parte da oposição
a rejeitá-lo. Edison Lobão (PMDB), aliado de Sarney,
tenta erguer-se como espécie de terceira via. Na próxima
semana, PSDB e DEM discutirão a posição a adotar.
Nesse cesto há nomes como o de Pedro Simon (PMDB), para o qual
o Planalto torce o nariz, e Garibaldi Alves (PMDB), mais aceitável.
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Folha de São Paulo,
16 de novembro de 2007
Inflação reduz possibilidade
de novo corte de juros nos EUA
Taxa de outubro fica estável
em 0,3%, mas analistas se preocupam com aumento de tarifas
de energia;
Fed injeta US$ 47 bi nos bancos, maior valor desde 2001
DENYSE GODOY
DE NOVA YORK
Os números sobre a inflação ao consumidor
nos EUA em outubro, divulgados ontem, fizeram a hipótese
de outro corte da taxa básica de juros americana neste
ano parecer mais improvável. O CPI (Índice
de Preços ao Consumidor, na sigla em inglês)
ficou em 0,3%, com núcleo de 0,2% -igual a setembro
e dentro das expectativas.
A preocupação é o salto dos preços de energia,
que subiram 1,4% em outubro, contra alta de 0,3% no mês anterior.
Na avaliação dos analistas, haverá mais aumentos:
o barril de petróleo se encontra firme acima dos US$ 90 e o
hemisfério norte está entrando no inverno, com maior
demanda de combustível para aquecimento.
O Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) deixou claro, nas últimas
comunicações, que acompanha de perto as pressões
inflacionárias. "Mais do que o perigo de elevação
dos preços, no entanto, os sinais de que crise imobiliária
não está contaminando outros setores da economia devem
convencer a autoridade monetária a não mexer nos juros
novamente, pelo menos por enquanto", diz Dana Johnson, economista-chefe
do Comerica Bank.
O Departamento do Trabalho informou ontem que o número de pedidos
de seguro-desemprego subiu 20 mil na semana passada, para 339 mil.
A média móvel de quatro semanas, no entanto, permaneceu
em 330 mil. O ganho semanal do trabalhador caiu 0,2%.
Ontem, o Fed injetou US$ 47,25 bilhões no sistema bancário,
maior montante colocado desde setembro de 2001.
O Barclays Capital avisou que os seus prejuízos com a inadimplência
dos mutuários de hipotecas de alto risco cresceram em US$ 2,7
bilhões e, segundo o "The Wall Street Journal", as
perdas do UBS podem bater em US$ 7,1 bilhões. "As incertezas
[sobre o tamanho do rombo] vão prosseguir. Não acho que
os bancos estejam escondendo alguma coisa a respeito, é que é difícil
mesmo mensurar o problema. Conforme eles aparecem, são divulgados,
então é provável que ainda enfrentemos alguma
turbulência nos próximos meses", afirma Oscar Gonzalez,
economista da administradora de seguros e investimentos John Hancock
Financial Services.
Com os investidores cautelosos diante desses dados, o mercado financeiro
americano teve um dia ruim. A Bolsa de Nova York recuou 0,91% e a Nasdaq
(que negocia ações de empresas de tecnologia) caiu 0,98%.
Devido ao feriado da Proclamação da República,
não houve expediente na Bovespa.
Nos EUA, as atenções ficarão concentradas, daqui
para a frente, no comportamento dos consumidores, cujos gastos respondem
por dois terços do PIB (Produto Interno Bruto). Após
as comemorações de Ação de Graças,
no dia 22, começa a temporada de compras -daí surgirão
pistas consistentes a respeito da possibilidade e do tamanho de uma
desaceleração da maior economia do planeta.
Na opinião de Gonzalez, o Fed tende a esperar a situação
acomodar um pouco, deixando passar o pior do nervosismo, para retomar
os cortes de juros no início de 2008.
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Folha de São Paulo,
16 de novembro de 2007
TRABALHO
Cegonheiros do ABC decidem
continuar greve
DA REPORTAGEM LOCAL
Os caminhoneiros cegonheiros do ABC paulista, que fazem
o transporte de veículos das fábricas para
as concessionárias e para os portos, decidiram ontem
continuar a paralisação iniciada anteontem.
A greve acontece em um momento em que as montadoras batem
recorde de produção e vendas.
Os cegonheiros transportam cerca de três mil carros por dia.
A decisão de continuar em greve foi tomada devido à ausência
de acordo com o sindicato patronal -que representa cerca de 10 transportadoras-
para reduzir a jornada de trabalho dos caminhoneiros. Eles trabalham
até 20 horas por dia, diz o sindicato.
Uma outra demanda dos trabalhadores, a assinatura da convenção
coletiva da categoria, foi aprovada. Os cegonheiros terão aumento
de 10% em seu piso salarial, que era de R$ 780.
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Folha de São Paulo,
16 de novembro de 2007
Conversor para TV digital a R$ 750 é caro,
afirma Lula
Em reunião, presidente diz a
empresários do setor que "não se pode achacar
o povo"
Se custo passar de R$ 250, Lula disse
que o governo tomará medidas; estréia da TV
digital no país está prevista para 2 de dezembro
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em encontro anteontem com empresários que foram levar
o convite para o lançamento da TV digital no país,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com
contrariedade quando lhe disseram que o conversor para captar
o novo sinal custaria para o consumidor aproximadamente R$
750.
Lula disse que era muito caro e afirmou que o governo tomaria medidas,
sem especificar quais, na hipótese de o conversor custar mais
do que R$ 250.
" Não se pode achacar o povo", disse Lula, segundo relato à Folha
de duas pessoas que estavam na reunião que contou com empresários
do ramo de TV e integrantes da Abert (Associação Brasileira de
Emissoras de Rádio e Televisão).
No encontro, o ministro das Comunicações, Hélio
Costa, chegou a dizer que, no mundo, o custo de um conversor desse
tipo gira em torno de US$ 100 -na cotação de hoje, algo
entre R$ 170 e R$ 180. O preço máximo de R$ 250 seria
mais do que suficiente para que os empresários tivessem lucro,
avaliaram Lula e ministros que estiveram na reunião.
Hoje, a grande maioria dos aparelhos de TV no Brasil não está preparada
para receber o sinal digital. A data marcada para o início da
transmissão digital no Brasil é 2 de dezembro -pouco
mais de duas semanas. Para que as TVs em uso recebam o sinal, será preciso
um conversor. Esse aparelho receberá o sinal digital e o transformará em
analógico.
A escolha do padrão japonês de TV digital e o início
dessas operações foram "vendidas" pelo governo
e os empresários como uma evolução tecnológica
que beneficiaria o espectador. A qualidade do sinal é superior.
No entanto Lula ficou preocupado com a estimativa de custo do conversor
que lhe foi apresentada na reunião de anteontem à tarde,
que aconteceu no Palácio do Planalto.
Empresários argumentaram que, no início da produção,
não teriam escala para lucrar e que o custo necessariamente
seria maior, com queda no futuro. O presidente e ministros argumentaram
que, mesmo que no início das vendas houvesse pouco lucro ou
até prejuízo, os empresários ganhariam no médio
e longo prazos porque a TV é, de longe, o meio de comunicação
de massa mais importante do país.
Na visão de Lula, um custo elevado teria impacto político
negativo na população. As vendas de TV cresceram nos últimos
anos -mesmo consumidores de baixa renda têm mais de um aparelho
em casa. Depois do encontro, o presidente chegou a dizer que R$ 750
são suficientes para comprar aparelhos de TV grandes, de 20
ou mais polegadas.
Na reunião, Lula se mostrou disposto a dialogar com os empresários.
Já foram adotados incentivos à produção
de bens para a tecnologia de sinal de TV digital, como redução
de impostos e financiamento.
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Consultor Jurídico,
16 de novembro de 2007
Supermercado deverá pagar R$
10 mil por acusar cliente de furto
O supermercado Irmãos Bretas Filhos e Cia deverá indenizar
em R$ 10 mil por danos morais Natanael Rocha, por ele ter sido acusado
de furto de mercadorias no supermercado. A decisão é da
3ª Câmara Cível do TJ-GO (Tribunal de Justiça
de Goiás), que reformou sentença do juízo de Aparecida
de Goiânia.
Na ocasião, Rocha teve seu carrinho de compras revistado,
na presença de terceiros e conhecidos, o que ocasionou
a ele situação vexatória.
A relatora do caso, juíza Sandra Regina Teodoro Reis,
ressaltou que o fato de o autor da ação ter
sido convidado a retornar ao caixa após ter efetivado
a compra já foi constrangedor. Segundo ela, foi ainda
mais grave que suas sacolas foram rasgadas e as mercadorias
vistoriadas, gerando interpretações negativas,
o que gera dano moral.
A magistrada determinou que o valor da indenização
será de R$ 10 mil, o que para ela é considerado
justo para reparar o abalo sofrido por Rocha.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
16/11/2007
Insegurança em agência bancária
gera indenização por danos morais
A Seção Especializada em Dissídios Individuais
(SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou (não conheceu)
embargos interpostos pelo Banco Santander Meridional, que pretendia
modificar decisão que o condenou ao pagamento de indenização
por danos morais a uma ex-funcionária, em decorrência
de assalto à agência em que trabalhava.
O Banco Santander Meridional S/A, ex Banco Sul Brasileiro S/A, pertencente
ao atual grupo financeiro espanhol Santander, admitiu a empregada em
05/04/1977. Ao ser demitida, sem justa causa, em 28/04/2000, ocupava
a função de “gerente de negócios PP”.
O que motivou a ação trabalhista foi o descumprimento
do banco às normas de segurança, mesmo depois de ter
sido compelido, por meio de ação civil pública,
a instalar equipamentos de segurança como porta giratória
com detector de metais, câmeras, etc. Para a bancária,
ficou claro o desprezo do estabelecimento com a segurança dos
empregados.
O descaso, segundo relatou na inicial, gerou alguns incidentes: em
1998, ocorreram dois assaltos na agência em que ela trabalhava.
No primeiro, num fim de semana, os ladrões entraram por uma
porta lateral que dava acesso ao interior, arrombaram o cofre com um
maçarico e levaram aproximadamente R$ 14 mil.
No segundo, que aconteceu no horário de expediente, por volta
de 12h30, os assaltantes entraram pela porta da frente (que na época
não tinha porta giratória com detector de metais), renderam
o guarda e todos os funcionários e levaram o dinheiro dos caixas.
Durante cinco minutos, todos os empregados tiveram armas apontadas
em sua direção, num clima descrito pela empregada como “de
total tensão, pânico e desespero”. A empregada,
que teve de ir até o cofre para abri-lo, com uma arma apontada
em suas costas, desmaiou e ficou inconsciente por cerca de uma hora,
e foi removida para o pronto-socorro local. Alegou que, como lidava
com numerário, após o assalto, sua vida não foi
a mesma, porque as imagens daquele dia não mais lhe saíam
da cabeça, e a insegurança tomou conta da sua rotina
diária, gerando um grande abalo moral e psíquico que
a acomete até os dias atuais.
Para a Justiça do Trabalho da 12ª Região (SC),
ficou caracterizada a omissão culposa do banco pelo dano moral
sofrido pela empregada, diante da inobservância das regras de
segurança. Descontente, o banco entrou com recurso de revista
para o TST, mas o ministro Barros Levenhagen, relator do processo na
Quarta Turma, manteve o entendimento do Regional e rejeitou o recurso.
O banco opôs os embargos à SDI-1 na tentativa de reverter
o acórdão da Quarta Turma. Entretanto, a Seção
seguiu o voto do relator, ministro Aloysio Corrêa da Veiga. O
ministro observou que os fatos narrados pelo TRT/SC são suficientes
para justificar dano moral. “O TRT, instância soberana
na apreciação da prova, concluiu por demonstrada a existência
de dano moral à empregada, pelo fato de não terem sido
cumpridas as regras de segurança bancária, e, sendo assim,
o assalto ocorrido resultou na perturbação psíquica,
intranqüilidade nos sentimentos e no afeto, valores íntimos
em que repousam a sua personalidade”, afirmou o relator. “Essas
premissas fáticas não podem ser modificadas, nos moldes
da Súmula nº 126 do TST”, concluiu. (RR-515/2000-023-12.6)
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Horas extras: declaração
prevalece a registros de ponto invariáveis
O horário informado na petição inicial por bancária
prevaleceu sobre os registros de entrada e saída inflexíveis
dos cartões de ponto. Em conseqüência, trabalhadora
terá direito a receber, do Banco Itaú S.A., duas horas
extras diárias no período de abril de 2000 a setembro
de 2001.
A decisão da Quinta Turma do Tribunal Superior do Trabalho
restabeleceu a sentença que acolheu a jornada informada pela
trabalhadora, acompanhando voto da juíza convocada Kátia
Magalhães Arruda, relatora do recurso de revista. O Tribunal
Regional do Trabalho da 18ª Região (GO) havia modificado
a sentença e determinado que, no período em que não
havia ponto válido, a apuração das horas extras
devia ser feita pela média dos registros da época em
que os controles foram válidos (de fevereiro de 1999 a março
de 2000).
A relatora considerou haver, na decisão do TRT/GO, que apurava
as horas extras pela média, contrariedade à Súmula
nº 338, item III, do TST. A orientação diz que os
cartões de ponto que demonstram horários de entrada e
saída uniformes são inválidos como meio de prova,
invertendo-se o ônus da prova ao empregador, prevalecendo a jornada
da petição inicial se dele não se desincumbir.
Para a ministra Kátia Magalhães Arruda, a inversão
do ônus da prova aconteceu neste caso, uma vez que, nos cartões
de ponto de um determinado período, simplesmente se repete o
horário contratual da bancária.
Contratada em fevereiro de 1986, para a função de escriturária,
a trabalhadora passou, a partir de julho de 1988, a chefe de divisão.
Em setembro de 2001, desligou-se do banco ao aderir ao Plano de Demissão
Voluntária (PDV). Na ação trabalhista, pediu declaração
de ineficácia do PDV, horas extras e reflexos. Informou que
sua jornada era de 8h a 19h30, com uma hora e meia de intervalo, ou
seja, trabalhava dez horas por dia em média. Segundo ela, teria
direito ao recebimento de duas horas extras diárias.
Pelos cartões de ponto apresentados pelo banco, o juiz da Vara
do Trabalho de Goiânia verificou que, até janeiro de 1999,
os controles de freqüência e jornada sequer registravam
os horários de trabalho da empregada. Neles havia apenas as
assinaturas e, no cabeçalho, o horário contratual previsto
de 8h a 18h. No entanto, este período estava prescrito. Somente
de fevereiro de 1999 a março de 2000 ocorreram variações
em relação ao início e término da jornada.
De abril de 2000 até o desligamento, eram invariáveis
os registros diários.
O juiz entendeu não ser razoável que, durante tão
longo período, a empregada jamais tenha se atrasado cinco ou
dez minutos ou permanecido além da jornada por mais dez ou vinte
minutos. Além do mais, concluiu, a empregada ocupava cargo de
certa relevância na estrutura do banco – chefe de divisão
-, e era improvável que suas atividades diárias comportassem
um controle de jornada tão inflexível. A prova testemunhal
apresentada não convenceu o juiz, que condenou a empresa ao
pagamento de duas horas extras diárias, exceto no período
prescrito e durante os registros de ponto válidos. (RR-1.203/2002-006-18-40.8)
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