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Nova Central, 18 de novembro de 2007
Projeto obriga cartório a
informar claramente sobre serviços gratuitos
A maioria dos cartórios no país não cumpre a Lei
nº 9.534/97, que instituiu a gratuidade do registro civil de nascimento
e de óbito. A constatação levou a deputada Sandra
Rosado (PSB-RN) a apresentar um Projeto de Lei Complementar (PLC 90/06),
que prevê a obrigação de os cartórios colocarem,
em local visível, quadros com informações claras
e de fácil leitura sobre a gratuidade destas certidões.
Da mesma forma, deverão estar em local de fácil leitura
as tabelas atualizadas das custas e emolumentos. As punições
previstas no projeto vão desde a repreensão do oficial
do registro e do notário à perda da delegação
de seus cargos.
O parecer do senador Valdir Raupp (PMDB-RO) sobre o projeto da deputada
foi aprovado pela Comissão de Constituição e
Justiça da Casa e segue para a votação no Plenário
do Senado.
Estabelecimentos comerciais já estão submetidos ao
princípio da clareza das informações, desde
2006, pelo Decreto nº 5.903 que regulamentou o Código
de Defesa do Consumidor. O artigo 2º do Decreto exige que todos
os fornecedores prestem informações, de forma clara
e precisa, sobre os produtos e serviços que oferecem no mercado
de consumo.
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Gazeta do Povo, 18 de novembro de 2007
BRASIL | ENTREVISTA - JORGE HAGE SOBRINHO
Combate à corrupção
avança no país
Para ministro, número de
investigações vem crescendo, mas ainda há barreiras
a serem superadas
por DENISE PARO
Christian Rizzi/Gazeta do Povo
Hage Sobrinho defende
uso de escutas telefônicas
O Brasil tornou-se um paraíso para a prática da corrupção
ou está bancando uma cruzada contra ilegalidade? Para o ministro
de Estado do Controle e Transparência, Jorge Hage Sobrinho, o
que aumentou foi justamente a investigação e a descoberta
das fraudes. “O que fizemos foi rasgar o tumor, abrir o buraco
e deixar que a corrupção aparecesse”, diz. Na visão
do ministro, a Controladoria-Geral da União (CGU), responsável
por auditorias, e a Advogacia-Geral da União (AGU), instância
onde são ajuizadas as ações, estão tendo
papel decisivo na busca da ética no serviço público.
Em entrevista à Gazeta do Povo, durante o VII Encontro Nacional
dos Advogados da União, realizado dos dias 12 a 16 de novembro
em Foz do Iguaçu, Hage Sobrinho falou sobre o avanço
no combate à corrupção e as barreiras judiciárias
para se obter mais transparência no país.
Qual o número de auditorias que a CGU tem feito no
país?
Nos últimos quatro anos nós realizamos cerca de 7 mil
ações de auditoria nos órgãos federais,
outra quantidade em prefeituras, onde trabalhamos não só a
partir de denúncias da população, mas também
com sorteios públicos. Nós sorteamos 60 municípios
no Brasil a cada dois meses, em número proporcional à dimensão
de cada estado, e as nossas equipes visitam essas cidades para verificar
a aplicação de dinheiro federal, seja usado pela prefeitura,
estado, órgãos federais e outras organizações.
Com a divulgação dos gastos públicos
no Portal da Transparência, esse tipo de denúncia
tem aumentado?
Ao mês chegam uma média de 500 denúncias e não
damos conta. Por isso a cada dois meses sorteamos os 60 municípios.
Quando há denúncia grave, ela geralmente vem acompanhada
de uma orientação do Ministério Público
e aí damos prioridade. Nesse caso, independentemente de sorteio,
vamos ao local e fiscalizamos. Do ponto de vista do incremento da transparência
do poder executivo, o Brasil já avançou quilômetros
nos últimos quatro anos. Hoje o Portal da Transparência
da Controladoria é um dos maiores sites de transparência
no mundo.
Apesar dos avanços, ainda existem entraves no judiciário
para a busca da transparência. Quais o senhor considera os
principais?
Há dificuldades grandes ainda, por exemplo, no que se refere
a sigilo bancário e fiscal. Os sigilos bancário e fiscal
foram criados originalmente para proteger a vida privada do cidadão.
Mas hoje, essas ferramentas se transformaram em proteção
de criminosos. Então cada vez que um órgão de
investigação precisa quebrar o sigilo, tem que ir à Justiça.
E muitas vezes aquele órgão de investigação,
por exemplo, a Polícia Federal, que obtém a quebra do
sigilo, não pode repassar e transferir esses dados para outro órgão
de investigação, como seja, a Controladoria ou o Ministério
Público. Então nos batemos muito pelo compartilhamento
do sigilo. Pelo menos depois que um órgão obtiver autorização
judicial, ele possa compartilhar com outros o mesmo dado, para que
não seja necessário cada órgão fazer o
mesmo pedido à Justiça.
De que forma deveria ser esse procedimento em relação às
autoridades públicas ?
Defendemos a relativização, a flexibilização
do sigilo quando se tratar de autoridades públicas. A pessoa
que faz uma opção pela vida pública tem que automaticamente
renunciar um pouco à sua privacidade. A vida dela tem que ser
mais visível para o cidadão. Se ela não quer isso,
que vá cuidar só da atividade privada. Mas se estiver
no poder executivo, legislativo e judiciário, tem que renunciar
a esse excesso de privacidade e se expor mais porque lida com interesses
públicos, com dinheiro público, então não
pode ficar escondida atrás desses biombos.
Existem também ameaças de se impedir as escutas
telefônicas. Como o senhor vê isso?
A possibilidade de escuta telefônica tem ajudado muito as investigações.
Um exemplo é a Operação Carranca que a polícia
realizou no Nordeste, a partir de dados de levantamentos de fiscalizações
da CGU em 2006, em 50 municípios de Alagoas. Isso começou
depois que identificamos um tipo de conluio e de fraude promovida por
empresas em licitações de 12 prefeituras de Alagoas.
A Polícia Federal precisou instaurar a escuta telefônica.
Obteve autorização da Justiça e foi por conta
dessas escutas telefônicas que foram presos mais de 30 empresários
e agentes públicos que estavam comendo dinheiro público.
Se não fosse a escuta telefônica, não se teria
descoberto esse esquema todo. Por isso é fundamental que se
reduzam as resistências a essas autorizações.
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Gazeta do Povo, 18 de novembro de 2007
BRASIL | CONGRESSO
Foro especial não é bom
negócio, dizem deputados
Parlamentares querem acabar com
o que era privilégio
Luiz Alves/Câmara Fedeal

Gustavo Fruet diz que o foro no Supremo não permite recursos: “É a
morte súbita.”
Brasília – Cresce no Congresso um movimento para banir,
ou pelo menos restringir, o foro privilegiado para políticos
e autoridades. Historicamente, o direito de parlamentares serem julgados
pelo Supremo Tribunal Federal (STF) tornou-se sinônimo de impunidade.
Nos últimos meses, no entanto, essa máxima foi posta
em xeque e agora muitos parlamentares não têm tanta certeza
de que o foro especial é vantajoso para o investigado. O Conselho
de Ética da Câmara já prepara uma emenda constitucional
para rever as regras.
Em agosto, o STF abriu ação penal para investigar
mensaleiros, entre eles muitos parlamentares. No mês passado,
o ex-senador e ex-governador Ronaldo da Cunha Lima (PSDB-PB) precisou
renunciar ao mandato de deputado federal para escapar de uma eventual
condenação por tentativa de homicídio, dada
praticamente como certa no Supremo.
A principal preocupação de quem está sujeito
ao foro, por prerrogativa de função, é que não
se pode recorrer de sentenças do STF, a mais alta corte do
país. Se a condenação for imposta pela Justiça
comum, pode-se ir a outras instâncias do Judiciário
na tentativa de revertê-la. “Muitos se deram conta de
que, dito privilegiado, o foro no Supremo não permite recursos,
como na Justiça comum. É a morte súbita”,
analisa o tucano Gustavo Fruet (PR).
A preocupação chegou ao Conselho de Ética da
Câmara. Depois do caso Cunha Lima, o presidente do colegiado,
Ricardo Izar (PTB-SP), anunciou que conselheiros apresentarão
uma proposta de emenda constitucional (PEC) com novas regras para
o foro especial.
O assunto está expresso em outras quatro PECs que tramitam
no Congresso. Uma delas, do deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), acaba
com o foro privilegiado. Outra, do deputado Paulo Rubem Santiago
(PT-PE), reduz o direito de ser julgado em foro especial apenas aos
suspeitos de crimes relacionados ao exercício do mandato,
ocorridos durante o período em que o investigado ocupou o
cargo.
Hoje, quando alguém é eleito para o Congresso, todos
os inquéritos e processos contra a pessoa em qualquer instância
do Judiciário são remetidos ao STF. O benefício
inclui casos de crimes comuns que nada têm a ver com a vida
pública do político. Entre os líderes de partidos
na Câmara, ganha força a idéia de restringir
o foro privilegiado a crimes relativos ao exercício do mandato.
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Gazeta do Povo, 18 de novembro de 2007
ECONOMIA | CORPORATIVO
Big Brother visita o seu trabalho
Softwares controlam conduta de
funcionários nas empresas
por MARCO SANCHOTENE
Caro leitor: amanhã, quando você voltar
ao trabalho, tome cuidado. Alguém poderá estar vigiando
todos os seus movimentos no trabalho. Preocupadas com segurança,
aumento de produtividade e redução de custos, as empresas
apelam para programas de monitoramento de atividades em computadores,
verdadeiros “Big Brothers”. Existe uma oferta enorme
de produtos, mas a finalidade é quase sempre a mesma: registrar
cada tecla pressionada, cada site visitado na internet, cada e-mail
enviado, cada documento impresso e até fazer uma foto da tela
do PC. Geralmente a política é transparente, mostrada
ao funcionário na hora da contratação, com punições
que podem chegar à demissão. Mesmo assim, muita gente
ainda navega em sites sem relação alguma com o trabalho
bem na hora do expediente.
Gustavo Trunci, diretor da curitibana IdealSoft – que desenvolve
programas de computador –, usa o software Radmin para ver o
que seus funcionários estão fazendo. “Podemos
ver a tela do computador de cada um, os sites acessados, os e-mails.
Eles sabem o horário de lazer, quando podem acessar conteúdo
pessoal”, explica. Para Trunci, a medida é necessária
para manter a produtividade e a qualidade do trabalho.
Tão necessária que a IdealSoft incorporou uma ferramenta
de controle no seu produto carro-chefe, o Shop Control, um software
vendido para lojas. Na versão lançada neste ano existe
um comunicador instantâneo, nos moldes do famoso MSN Messenger.
Desta forma, os trabalhadores das lojas que usam o Shop Control não
precisam se conectar a programas de terceiros – quando encontram
amigos, diz o diretor, começam a jogar conversa fora e perdem
o foco.
O engenheiro sênior de sistemas para a América Latina
da multinacional Websense, Fernando Fontão, lembra que as
empresas começaram a sentir problemas do gênero com
a popularização da internet. “No começo
a preocupação era mais com pornografia, jogos, ou seja,
conteúdo distrativo e inadequado”, diz. Depois, à medida
que a rede evoluiu e seu uso tornou-se obrigatório, as necessidades
aumentaram para controle de produtividade e do uso da conexão,
já que a navegação desnecessária significa
custo desnecessário. Também há o risco de complicações
legais, como alguém que acessa um site de pedofilia no trabalho. “Porque
a empresa pode ser responsabilizada pelos atos de um funcionário
na internet, já que cede o computador e a conexão.”
Segurança também ganhou importância. A Websense
vende um programa de controle de acesso à rede, que bloqueia
sites potencialmente perigosos ou não-permitidos e também
agrega serviços de anti-spam e anti-vírus.
O diretor da paulistana EsyWorld, Luis Rogério Moraes, acrescenta
que um programa de monitoramento serve para evitar ainda o vazamento
de informações estratégicas da companhia. “É só fazer
um filtro que procure palavras-chaves. Até anexos de e-mails
e arquivos transferidos em redes peer-to-peer [ponto a ponto, de
programas como Kazaa e eMule] são analisados”, diz.
A EsyWorld vende o software Spector, cuja versão completa
coleta dados de cada funcionário e gera relatórios
de todo o quadro de pessoal. Desta maneira, explica Moraes, é possível
descobrir quem usa mais internet, a lista dos dez sites mais visitados
ou quem é o campeão de documentos impressos.
Para o diretor da também paulistana Micro Frequency, Orácio
Kuradomi, a internet criou um dilema, porque se tornou obrigatória
para o trabalho, mas ao mesmo tempo “vicia mais do que café”,
o que faz o funcionário perder rendimento ou deixar a empresa
vulnerável. “Na internet, tudo está ao alcance
de um clique. Tem gente capaz de ficar as oito horas do expediente
no Orkut”, opina. Uma opção é bloquear
sites e programas considerados desnecessários para o negócio,
mesmo que temporariamente. Sites de bancos ou de comunidades virtuais
podem ser liberados em determinados horários. A Micro Frequency
produz o gerenciador ÚnicoNet, que tem todas as funções
de gerenciamento de internet.
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Gazeta do Povo, 18 de novembro de 2007
ECONOMIA | CONSTRUÇÃO CIVIL
Boom imobiliário provoca falta
de produtos e atrasos na entrega
Sinal amarelo acende para materiais
como cimento, aço e alumínio
por CRISTINA RIOS
Gráfico do número de lançamentos por
ano
O boom da produção imobiliária em todo país
começa a pressionar a cadeia de fornecedores de material de
construção e algumas construtoras do Paraná registram
atrasos na entrega de alguns itens e até mesmo falta de produtos.
Não se trata, pelo menos por enquanto, de um “apagão” no
setor, mas o sinal amarelo já acende em alguns segmentos, como
aço, cimento, alumínio e equipamentos. A grande preocupação
das empresas gira em torno da possibilidade de gargalos de suprimento
para 2008, com o crescimento mais expressivo do setor.
“Produtos que levavam uma semana para serem entregues estão
demorando de três semanas a um mês”, diz o diretor
financeiro da construtora J.A. Baggio, José Américo
Baggio. Segundo ele, esses problemas, concentrados na área
de aço e de concreto, já provocam atrasos no cronograma
de algumas obras. “Estamos tentando driblar a situação
com o aumento do número de fornecedores”, diz. No grupo
Thá, o aço está demorando até 45 dias
para ser entregue, contra um prazo normal de 15 dias, de acordo com
o gerente de marketing, Eduardo Quiza. A pressão também
ocorre no setor de equipamentos. “Levamos até três
meses para conseguir uma máquina para fazer fundação,
já que a maior parte está alugada no mercado.”
“O cenário deve piorar a partir do próximo ano,
quando vários projetos que estão represados, aguardando
a liberação de alvarás, devem começar
a sair do papel”, prevê o diretor de incorporação
do grupo LN, Vinicius Antonietto.
De acordo com ele, aço e cimento são os dois setores
mais afetados por enquanto, mas há preocupação
que outros segmentos, como de revestimentos cerâmicos, também
venham a apresentar problemas na seqüência. “Hoje
a maior parte das obras encontra-se no estágio inicial. A
fase de acabamento deve gerar uma nova demanda.”
Por enquanto, o segmento imobiliário, que representa 25%
da construção civil no país, é que está puxando
o aumento dos negócios. Mas a grande expectativa gira em torno
do Programa de Aceleração da Economia (PAC), cujos
projetos devem começar a sair do papel e alavancar as grandes
obras de infra-estrutura, responsáveis por metade da construção
civil no Brasil.
Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção
Civil (Sinduscon) no Paraná, Hamilton Pinheiro Franck, por
enquanto os casos de atrasos e desabastecimento são isolados. “Houve
o acréscimo da demanda por cimento em algumas regiões
do país, o que provocou alguns inconvenientes na área
de distribuição. Mas a indústria de materiais
de construção ainda tem uma folga de 15% para crescer.”
Apesar desse cenário, alguns produtos registram alta de preços,
como o cimento, que teve aumento de 7,2% em outubro. Segundo a Fundação
Getúlio Vargas (FGV), foi a segunda maior alta desde o início
do Plano Real, em 1994.
Sem risco
Embora reconheça dificuldades em alguns setores, o presidente
da Associação Brasileira da Indústria de Materiais
de Construção (Abramat), Melvyn Fox, descarta o risco
de apagão. O executivo calcula que o setor esteja utilizando
hoje 85% da capacidade instalada e diz que investimentos estão
sendo acelerados para fazer frente ao crescimento. “Sabemos
que não se trata de uma bolha e já há projetos
de ampliações e novas fábricas em curso.” A
indústria de materiais de construção, que faturou
R$ 69,2 bilhões em 2006, prevê um crescimento de 12%
para 2007, o dobro do aumento (6%) verificado no ano passado. Para
2008, a projeção é de um novo crescimento da
ordem de 10% a 12%.
A indústria de revestimentos cerâmicos, com faturamento
previsto de R$ 6 bilhões em 2007, deve encerrar o ano com
o melhor resultado desde 2000. Para o mercado interno, a previsão é de
um crescimento de 11% nas vendas, segundo Antonio Carlos Kieling,
superintendente da Associação Nacional dos Fabricantes
de Cerâmica (Anfacer).
Em razão do aumento da procura, os estoques de produtos nas
indústrias baixaram de 40 para 20 dias, mas o executivo descarta
a possibilidade de redução de oferta no mercado. Hoje
a indústria ocupa 90% da capacidade instalada. Mas com o dólar
fraco, parte da produção que era destinada a exportações
está sendo vendida no mercado interno. Segundo ele, o único
fator que pode comprometer o abastecimento é a escassez do
gás natural, usado para a produção, e que domina
100% da matriz energética do setor. “A falta do gás
natural é uma ameaça permanente.”
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Gazeta do Povo, 18 de novembro de 2007
ECONOMIA | CONSTRUÇÃO CIVIL
Mais uma empresa de São Paulo
fecha parceria no PR na área imobiliária
Associação entre grupos
privados pretende vender R$ 150 milhões em 2008
por CINTHIA SCHEFFER
O grupo paranaense LN fechou parceria com uma das maiores empresas
do segmento imobiliário no país, a PDG Realty, para aumentar
seu volume de lançamentos em 2008. O objetivo é, já nesse
primeiro ano de parceria, chegar a um valor global de vendas de aproximadamente
R$ 150 milhões. Antes da joint venture, o faturamento do grupo
era de cerca de R$ 30 milhões, segundo seu diretor, Luís
Napoleão de Oliveira Filho.
“Nosso objetivo é ganhar em escala. Aumentar a produção,
para melhorar a negociação com fornecedores. Além
disso, poderemos aumentar o investimento em marketing e trocar experiências
com uma grande construtora.”
A LN segue o mesmo caminho já traçado por outras empresas
paranaenses e grandes companhias de abrangência nacional. No
fim de 2006, a paulistana Gafisa fechou parceria com a Casteval para
iniciar suas operações no Paraná. Na mesma época,
Thá e Rossi Residencial também uniram forças.
A iniciativa da parceria, neste caso, partiu da própria PDG.
Mas segundo o diretor, a LN já vinha se preparando há dois
anos para uma parceria, com o objetivo de ampliar seus negócios.
A empresa paulista está em período de silêncio
imposto pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM),
por isso não comenta a parceria.
Empresa de capital aberto, a PDG Realty negocia suas ações
no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa)
desde janeiro deste ano – mesmo caminho que deu força
financeira para os planos de expansão e as parcerias da Gafisa
e da Rossi no Paraná. Segundo a sua própria descrição
na CVM, a companhia atua por meio da aquisição de cotas
de projetos residenciais e compra de participações
de empresas do setor. Criada em 2004, com a criação
de um fundo de investimento em participações, a PDG
já participou do desenvolvimento de 30 empreendimentos, feitos
em parceria com construtoras como Klabin Segall, Cyrela e RJZ.
Obras
Segundo Oliveira Filho, o acordo inicial prevê o desenvolvimento
de cinco empreendimentos, mas pode se estender no futuro. O foco
continuará sendo no mesmo mercado atendido hoje pela LN: Paraná e
Santa Catarina.
O primeiro resultado concreto da parceria deve ser lançado
ainda em dezembro: um complexo de quatro edifícios na Avenida
das Torres, com total de 240 apartamentos – o empreendimento
de maior porte dos cinco previstos. Os outros quatro – um condomínio
fechado de alto padrão, outros dois de apartamentos e um grupo
de casas e apartamentos no segmento econômico – serão
lançados no primeiro semestre de 2008.
A parceria será firmada por sociedade de propósito
específico (SPE), e a participação da LN vai
variar entre 30% e 50%. “Pelo contrário, a LN fica responsável
pela gestão imobiliária e por executar a obra, e a
gestão financeira fica com a PDG”, explica Oliveira
Filho.
Além da construtora e incorporadora LN, fazem parte do grupo
a Bonaparte Hotéis, responsável pela operação
e administração de cinco hotéis Holiday Inn
Express, e a Portofino Engenharia e Empreendimentos, que atua no
segmento de condomínios fechados.
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Folha de Londrina, 18 de novembro de 2007
PEC dos Vereadores deve voltar à pauta
da Câmara
Proposta que mexe no número de vagas
dos legislativos vai a votação nos próximos
dias atrelada, agora, à tentativa de redução
de gastos
A polêmica que em 2004 permeou a revisão do número
de vagas nos legislativos municipais de todo o Brasil tem tudo para
ser reeditada também no pleito de 2008. Nos próximos
dias, a Câmara Federal deve enfim levar a Plenário a
Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 333/2004,
que ajusta o número de vereadores de acordo com a população
de cada município. Nem bem chegou a apreciação,
contudo, e a proposta já tem na fila uma série de alterações
que tentam atrelar à modificação da oferta também
o corte de gastos das casas de leis.
Não é por acaso que PEC 333, de autoria do deputado
Pompeo de Mattos (PDT-RS), se arrasta em Brasília já há mais
de três anos: foi na eleição de 2004 que as câmaras
de vereadores tiveram de aplicar a resolução nº 21.803,
do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A medida ajustava o número
de vagas ao de habitantes com base na estimativa populacional divulgada
no ano anterior pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), e de modo que o mínimo não ficasse abaixo de
nove vereadores, e o máximo, não acima de 55. Pela
resolução do TSE, Londrina, que tinha 21 representantes,
ficou com 18 na atual legislatura. Em todo o Brasil, o número
de edis acabou reduzido pelo TSE de 60.229 para 51.748.
Na proposta original, a PEC previa que o número de vagas
aumetaria 5.159 no País, o que acabou alterado por um substitutivo
que amplia esse número para 7.639 novas cadeiras. Por ele,
Londrina, na faixa abaixo de 500 mil habitantes - 497.833, na última
estimativa do IBGE - , voltaria aos 21 vereadores. Uma vez que ultrapasse
500 mil moradores, porém, seriam 23 novas vagas. No entendimento
da resolução do TSE, em seguimento aos números
do IBGE, seria apenas uma nova cadeira amais.
Contudo, as modificações mais recentes sobre a PEC
caminham para uma proposta que mexe na quantidade de legisladores
municipais, mas também diminui o teto de gastos do poder que
representam. Essa foi, aliás, uma das críticas à ação
do TSE, em 2004, já que várias câmaras Brasil
afora perderam vagas, mas só redistribuíram gastos,
que, no cômputo geral, saíram inalterados.
Nos últimos dias, ganhou força na Câmara a proposta
defendida pelo deputado Mário Heringer (PDT-MG) pelo aumento
em 8.043 no número de total de vereadores - desde que com
a redução dos gastos. Por essa análise, o aumento
de vagas ocorreria em cidades médias, para evitar distorções
de representação se comparadas a cidades pequenas,
e de forma a se manter o número mínimo (nove) e máximo
(55) de vereadores previstos na resolução do TSE. Paralelamente, é discutida
também a emenda do deputado Vítor Penido (DEM-MG),
presidente da Frente Municipalista. Ele defende a redução
de 1.271 vereadores em todo o País.
No entanto, os dois pedetistas convergiram para a necessidade de
a PEC contemplar redução de gastos. Nesse caso, dois
critérios para o corte de despesas estão em debate:
um considera a população do município, e, o
outro, a arrecadação municipal. Heringer pondera que,
a cidades de até 100 mil habitantes, a redução
do teto de recursos para as câmaras devem cair de 8% para 4,5%
da Receita Corrente Líquida (RCL) do Município. Para
as cidades mais populosas, o repasse máximo cairia de 5,15%
para 1,75% da RCL.
A emenda proposta por Penido aposta na redução do
teto de 8% para 4,5% para cidades que arrecadam até R$ 6 milhões
por ano, e de 5,15% para 1,75% para municípios com arrecadação
superior a R$ 500 milhões por ano. Mesmo com as diferenças,
os dois parlamentares estimam uma economia entre R$ 1 bilhão
e R$ 1,5 bilhão com a adoção dessas mudanças.
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O Estado do Paraná, 18 de novembro
de 2007
Economia
Férias coletivas exigem cuidados
Algumas empresas já começaram a programar os recessos
festivos e, conseqüentemente, as férias coletivas. No entanto,
segundo o chefe da Seção de Relações do
Trabalho (Seret) da Delegacia Regional do Trabalho no Paraná (DRT/PR),
Elias Martins, é preciso que o estabelecimento tome algumas
medidas legais para que as leis trabalhistas não sejam infringidas.
De acordo com o Artigo 139 da Consolidação das Leis
do Trabalho (CLT), nenhum período das férias coletivas
poderá ser inferior a 10 dias. Sendo assim, se o recesso alcançar
essa duração, a empresa pode considerar como concessão
de férias coletivas. Para isso, é necessário
que o empregador protocole um comunicado junto à DRT/PR, com
no mínimo 15 dias de antecedência, informando as datas
de início e fim do recesso e quais setores da empresa serão
paralisados.
“O empregador deve comparecer na DRT das 8h às 17h,
não sendo necessário agendar horário para atendimento”,
diz Martins. Além da DRT, o empregador também precisa
informar o sindicato da categoria, anexando cópia da comunicação
feita à DRT. Recomenda-se observar eventuais exigências
de acordo ou convenção coletiva de trabalho, sobre
dias de feriado, o início e fim das férias.
De acordo com o chefe da Seret, o comunicado à DRT e aos
sindicatos é importante para caracterizar o período
de férias coletivas e evitar abusos do empregador. “Não
raro, empresas querem transformar férias individuais em férias
coletivas nas ocasiões recessivas, ou seja, em épocas
de suspensões de pedidos, cancelamentos de contratos ou sazonalidades,
até mesmo decorrentes de problemas estruturais e de mercado
em retração - casos que nada têm a ver com férias
coletivas, e que só poderão ser consideradas como tal
se observadas as formalidades legais”, declara. A empresa que
não avisar a DRT estará cometendo infração
prevista no Artigo 153 da CLT, cuja multa é equivalente a
R$ 170,26 por empregado.
Segundo Martins, as férias podem ser usufruídas por
todos os empregados da empresa ou apenas de determinados setores. “Para
conceder as férias coletivas, não há restrição
quanto ao número de empregados nem quanto ao ramo de atividade
empresarial, mas as regras legais devem ser respeitadas”, informa.
Conforme os Artigos 139, 140 e 141 da CLT, as férias poderão
ser gozadas em dois períodos anuais, desde que a duração
mínima de 10 dias seja respeitada. “Já para os
trabalhadores com menos de 12 meses de trabalho na empresa, as férias
devem ser proporcionais ao período trabalhado”, afirma
Martins. Segundo ele, a empregadora deverá anotar a concessão
das férias coletivas na Carteira de Trabalho e Previdência
Social (CTPS) do empregado. Caso as férias sejam concedidas
a um número de pessoas superior a 300, as anotações
poderão ser feitas mediante carimbo (modelo aprovado pelo
Ministério do Trabalho) na CTPS de cada uma.
Para ele, as férias coletivas geralmente são utilizadas
nos períodos festivos de Natal, Ano Novo e Carnaval, ou para
manutenção de máquinas e equipamentos ou alterações
nas estruturas técnica e física da empresa, principalmente
aquelas que trabalham com produção programada. “Além
disso, realizar a paralisação geral no final do ano
permite aos seus empregados aproveitar as festas, e ainda a empresa
terá o pessoal igualmente descansado”, informa.
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O Estado do Paraná, 18 de novembro
de 2007
Direito e Justiça
A morte do líder do MST e
a ação das milícias armadas
Edésio Passos
As organizações “Terra de Direitos”, MST
e CPT vêm divulgando os fatos relacionados com a morte de um
dos dirigentes do MST, Valmir Mota de Oliveira, o Keno. O jornal “Brasil
de Fato” tem noticiado amplamente os acontecimentos. Por sua
vez, a empresa envolvida Syngenta apresenta seus esclarecimentos
a respeito. Dada a relevância do tema que envolve a luta dos
trabalhadores sem terra e suas organizações na região
oeste do Paraná, apresentamos os principais pontos dos acontecimentos,
com base nos relatos e informações de referidas fontes.
A morte do líder do MST
No dia 21 de outubro, cerca das 13h30, o acampamento da Via Campesina,
no campo de experimentos transgênicos da transnacional suíça
Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste (PR), foi atacado por milícia
armada. O militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
(MST) e membro da Via Campesina, Valmir Mota de Oliveira (conhecido
como Keno), foi executado à queima roupa com dois tiros no
peito. Os trabalhadores Gentil Couto Viera, Jonas Gomes de Queiroz,
Domingos Barretos, Izabel Nascimento de Souza e Hudson Cardin foram
gravemente feridos. Um dos integrantes da milícia foi morto.
Keno tinha 34 anos, três filhos e militava no MST desde os
17 anos de idade. Segundo Roberto Baggio, coordenador da Via Campesina
no Paraná, “Keno era um brigadista do MST, responsável
por tarefas de articulação e formação
do movimento, dedicado em tempo integral para isso”.
O campo de experimento da Syngenta
A reocupação da área da Syngenta havia acontecido
no mesmo dia, por cerca 150 agricultores. O campo de experimento
da Syngenta havia sido ocupado pelos camponeses em março de
2006 para denunciar o cultivo de sementes transgênicas de soja
e milho. Em novembro de 2006, o governador Roberto Requião
desapropriou, por interesse público, área de 127 hectares
da empresa, mas, em fevereiro de 2007, houve decisão judicial
suspendendo a desapropriação e determinando a reintegração
da área. Após 16 meses, no dia 18 de julho deste ano,
as 70 famílias desocuparam a área da Syngenta se deslocando
para um local provisório no assentamento Olga Benário,
também em Santa Tereza do Oeste (PR). Apesar da desocupação,
os camponeses continuaram reivindicando que o local fosse transformado
num Centro de Ensino e Pesquisa em Agroecologia e para que a empresa
pague a multa de R$ 1 milhão, aplicada pelo Instituto Brasileiro
de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por
não possuir licenças ambientais para realizar experimentos
com transgênicos dentro da zona de amortecimento do Parque
Nacional do Iguaçu. Os camponeses também denunciam
que a Syngenta destruiu o bosque, com cerca de 3.000 mil mudas de árvores
nativas, plantada para recuperar a biodiversidade no local.
As milícias armadas
A milícia atacou o acampamento para assassinar lideranças
e recuperar as armas da empresa NF Segurança, que haviam sido
apreendidas pelos trabalhadores, afirmam as entidades. Segundo as
organizações, a Syngenta teria utilizado serviços
de milícia armada, através da empresa de NF Segurança,
em conjunto com a Sociedade Rural da Região Oeste (SRO) e
o Movimento dos Produtores Rurais (MPR), criado em abril de 2007
com a finalidade de financiar milícias privadas e promover
ações de desocupação de áreas
ocupadas pelo MST. A denúncia da atuação de
milícias armadas na região Oeste do Paraná foi
apresentada em audiência pública, a 18 de outubro, para
a coordenação da Comissão de Direitos Humanos
e Minorias da Câmara dos Deputados (CDHM), em Curitiba (PR).
Os dirigentes do MST, inclusive Keno, já vinham sendo ameaçados
há mais de seis meses, pelas milícias que estavam a
serviço do consórcio SRO/MPR/Syngenta. Inquérito
havia sido aberto para apurar as denúncias contra a Syngenta
e a NF Segurança. O MST vem divulgando o texto “Histórico
da violência das milícias privadas na região
oeste do Paraná”, onde relata as denúncias das
organizações de direitos humanos sobre os principais
fatos a partir de novembro de 2006.
Denúncias às autoridades
No dia 22 de outubro, a juíza Jaqueline Alllevi, de Cascavel,
PR, determinou a abertura de inquérito pela Delegacia de Polícia
de Santa Tereza do Oeste, para investigação de porte
ilegal e disparo de arma de fogo, pelo grupo de seguranças
contratado pela transnacional Syngenta Seeds. A abertura do inquérito
foi solicitada pelo Ministério Público durante audiência
para apurar as ameaças feitas pelo grupo armado às
famílias que moram no assentamento Olga Benário, que
faz divisa com a área da empresa. Freqüentemente seguranças
contratados pela multinacional ameaçam as famílias
assentadas no local e, a 20 de julho, invadiram lotes de assentados,
efetuando disparos e ameaçando mulheres e crianças.
As famílias registraram Boletim de Ocorrência na delegacia
do município. Diante das ameaças, a Via Campesina enviou
denúncia à Polícia Federal, Ouvidoria Agrária
Nacional e Estadual, à Secretaria de Segurança Pública
do Paraná, Comissão Nacional de Direitos Humanos da
Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Seccional da OAB do Paraná.
Os camponeses exigem providências para garantir a segurança
das famílias que vivem no assentamento Olga Benário,
e dos demais trabalhadores rurais sem terra da região de Cascavel,
que constantemente vêm sofrendo ameaças da SRO; investigação
para apurar a contratação de milícias privadas
na região; apuração na relação
entre a multinacional Syngenta e a SRO, na contratação
de milícias privadas; investigação das armas
utilizadas pelos pistoleiros para intimidar os trabalhadores rurais
assentados na área ao lado da estação experimental
da empresa; proteção das vidas dos dirigentes Celso
Ribeiro Barbosa e Célia Aparecida Lourenço, e de todos
os trabalhadores da Via Campesina, na região. A organização “Terra
de Direitos”, em setembro de 2007, apresentou denúncia
contra a empresa de segurança NF à Polícia Federal
que, em operação na sede da mesma, prendeu uma das
diretoras, além de apreender as armas e munições
ilegalmente utilizadas, sendo instaurado inquérito policial
383/07.
Investigações
Desde o início das investigações, a Via Campesina
vem colaborando com o trabalho do Centro de Operações
Policiais Especiais (COPE), para que seja esclarecido o ataque da
milícia armada. Os camponeses vítimas do ataque participaram
nas perícias realizadas pela polícia e da reconstituição
docrime feito pelo Cope. No entanto, mesmo intimados oficialmente,
os seguranças da empresa NF se recusaram a participar da reconstituição
do crime, prejudicando o processo criminal. Até o momento
não há nenhum tipo de cooperação por
parte da empresa NF Segurança nas investigações.
A empresa NF também não apresentou as armas usadas.
Nota das organizações sociais e
parlamentares
Nota das entidades do movimento social e sindical e de parlamentares
sobre os acontecimentos, acentua: “O movimento social do Paraná responsabiliza
a multinacional Syngenta, a Sociedade Rural da Região Oeste
(SRO) e o Movimento dos Produtores Rurais (MPR) da região
pela execução Valmir Mota e pelo terror que vem espalhando
na região contra os trabalhadores e trabalhadoras rurais.
Essas organizações têm responsáveis com
nome, sobrenome e endereço. Esperamos, confiamos, e exigimos
que se faça justiça. É chegada a hora de dar
um basta a truculência das oligarquias rurais do Estado do
Paraná que se armam e organizam milícias privadas para
aterrorizar o movimento social”. A nota ainda denuncia: “Três
dias antes do assassinato do militante da Via Campesina, várias
de nossas organizações participaram de uma Audiência
Pública junto a Comissão de Direitos Humanos da Câmara
dos Deputados (CDHM). Na oportunidade se denunciou que o latifúndio
e o agronegócio estavam contratando seguranças e organizando
milícias privadas para promover o despejo dos militantes que
ocupam a áreas improdutivas do Paraná. A morte de Valmir
Mota estava anunciada. O presidente da Sociedade Rural do Oeste,
Alessandro Meneghel, reiteradas vezes declarou à imprensa
e publicamente que os próprios ruralistas iriam retirar os
sem-terra das propriedades. O movimento social paranaense exige a
imediata prisão do presidente da Sociedade Rural por julgar
que o mesmo representa uma ameaça à integridade física
dos trabalhadores e trabalhadoras organizados no MST, na Via Campesina
e em outros movimentos. Registramos ainda que a ocupação
da área de testes da Syngenta - realizada em março
de 2006 - foi motivada por denúncia do Ibama. Constatou-se
na época que os experimentos com plantação de
milho e soja transgênicos não respeitavam a distância
mínima de 10 km da chamada Zona de Amortecimento do Parque
Nacional do Iguaçu - um dos últimos redutos da biodiversidade
na América do Sul. A ocupação tornou os crimes
ambientais da transnacional conhecidos em todo o mundo. Não
bastasse a Syngenta associar o seu nome a crimes ambientais no Estado,
associa agora o seu nome de forma definitiva ao sangue derramado
de um trabalhador rural. Houvesse um mínimo de respeito à sociedade
brasileira, a Syngenta retirar-se-ia do território nacional”.
E a nota conclui: “Os movimentos sociais
do Paraná pedem uma apuração independente, rigorosa
e transparente. Exigimos ainda exemplar punição aos
mandantes -Syngenta, Sociedade Rural da Região Oeste (SRO)
e o Movimento dos Produtores Rurais (MPR) da região - pela
violência injustificável perpetrada contra os trabalhadores
e as trabalhadoras rurais e a proteção dos demais trabalhadores
e trabalhadoras ameaçados pelo latifúndio e o agronegócio
na região. Justiça e o fim da impunidade é o
mínimo que a sociedade paranaense aguarda”.
Nota da CPT
No dia 22 de outubro, a Comissão Pastoral da Terra fez o
seguinte pronunciamento sobre os fatos: “O episódio
da área da Syngenta Seeds explicita o fato de que milícias
privadas são formadas e vêm atuando impunemente no Paraná há muito
tempo, malgrado as denúncias de várias entidades de
defesa dos direitos humanos. Grupos de pistoleiros, não raras
vezes formados por ex-policiais e jagunços, têm espalhado
violência, terror e morte no Paraná nos últimos
anos. Esses grupos são organizados e mantidos pelos fazendeiros
que, publicamente declaram a intenção de organização
de serviços privados de segurança para realizar as
reintegrações de posse e evitar ocupações
de terras no Estado. A omissão do Governo do Paraná e
do poder judiciário faz com que essas milícias paramilitares
ajam impunemente e coloquem o Estado no ranking dos mais violentos
do país, dado o aumento constante do número de famílias
violentadas, ameaçadas e intimidadas pelos grupos armados
a serviço do latifúndio. Em 2006, foram 764 famílias,
um aumento 23,22% se comparado com as 620 famílias em 2005,
e de 48,92% na comparação com 2004. Estes dados fazem
do Paraná o terceiro Estado quanto ao número de famílias
vítimas das ações das milícias armadas.
A CPT, ao tempo em que lamenta mais mortes por conflitos no campo
no Paraná, cobra agilidade do poder judiciário na punição
dos responsáveis e, sobretudo, exige do governo do Estado
uma ação imediata e enérgica com o fim de coibir
a formação e atuação dessas milícias
privadas que há anos vêm espalhando terror e violência
no Paraná. A terra da Syngenta Seeds é patrimônio
do povo do Paraná e não pode ser profanada por cultivos
experimentais que colocam em risco a vida das pessoas e do meio-ambiente
e muito menos pela violência do latifúndio. Que as autoridades
passem do discurso prolixo à prática efetiva e tomem
medidas eficazes de combate à ação organizada
e pública de fazendeiros e jagunços armados que passeiam às
vistas grossas dos três poderes”.
A empresa
A Syngenta ocupa a terceira posição no ranking do
mercado de sementes de alto valor agregado. As vendas de 2006 foram
de aproximadamente 8,1 bilhões e emprega cerca de 21 mil pessoas
em mais de noventa países. A estação de pesquisa
em Santa Teresa do Oeste foi inaugurada em 1986. Em 1996, recebeu
permissão de pesquisas de organismos geneticamente modificado
com milho e soja para a região sul do Brasil. Em 1998, desenvolveu
programa de melhoramento do soja tolerante ao glifosato. Em março
de 2006, durante a reunião preparatória da Convenção
sobre Diversidade Biológica das Nações Unidas,
em Curitiba, ocorreu a ocupação da estação
pela via Campesina. A multa aplicada pelo Ibama por plantio ilegal
de soja e milho em zona de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu
foi suspensa pela Justiça Federal, por existir autorização
para tais atividades pela Comissão Técnica Nacional
de Biossegurança. A matéria relativa a desapropriação
continua sob apreciação da Justiça Federal.
A empresa alega que possui toda a documentação necessária
para as suas atividades naquela estação de experimento.
Quanto aos acontecimentos de 21 de outubro, a Syngenta afirma: “A
Syngenta nega com veemência todas as alegações
de que a companhia solicitou à empresa terceirizada de vigilância
que retomasse a estação ou se envolvesse em confronto
armado. A Syngenta mantém uma cláusula em contrato
com esta empresa que estabelece que os profissionais terceirizados
daquela unidade devem prestar serviços desarmados e que não
devem fazer uso da força ou portar armas na proteção
e vigia da estação de pesquisa. Esta regra está em
concordância com a política global de segurança
da Syngenta”( do site da empresa).
Repercussão internacional
Os acontecimentos repercutiram internacionalmente. No fórum
da Federação dos Amigos da Terra Internacional, realizado
de 6 a 9 de novembro na Swizilandia, foi aprovada nota de solidariedade
ao movimento da Via Campesina e encaminhada nota ás autoridades
brasileiras para a apuração dos fatos. A Via Campesina
da Venezuela realizou ato defronte as embaixadas da Suíça
e do Brasil em Caracas, entregando abaixo assinado dos representantes
das organizações sociais daquele país, na qual
pedem a apuração dos fatos pelas autoridades e a desapropriação
da estação de experimento da Syngenta.
Edésio Passos é advogado
e ex-deputado federal (PT/PR). edesiopassos@terra.com.br
|
Folha de São Paulo, 18 de novembro
de 2007
No Saí, favela atrai trabalhadores
da construção civil
Á rea está "congelada" pela
prefeitura, o que significa que não são permitidas
novas construções de moradias no local
Apesar da proibição de expansão
da favela, novas levas de migrantes chegam a cada mês em busca
de oportunidades de emprego
THIAGO REIS
DA AGÊNCIA FOLHA, EM SÃO SEBASTIÃO
Há uma semana, o ônibus do "seu Dunga" deixou
mais 30 migrantes na Vila Baiana, a maior favela de Barra do Saí,
na costa sul de São Sebastião (214 km de São
Paulo).
Apesar de "congelada" -o que significa que não são
permitidas novas construções no local-, a favela ainda
atrai trabalhadores da área da construção civil,
especialmente do Nordeste do país.
São 1.564 moradores, que fazem da vila um amontoado de casas
e barracos que sobe em direção à serra do Mar,
na maior favela de São Sebastião.
Em Maresias, praia mais conhecida do litoral norte, há 4.000
moradores nos morros, "escondidos" de quem olha a partir
da praia, mas distribuídos em diversos núcleos.
A Vila Baiana, nome que os moradores rejeitam e trocam por Vila Saí, é resultado
da migração de trabalhadores da construção
civil para obras de condomínios luxuosos a partir dos anos 70.
E eles continuam migrando. Os 30 recém-chegados já estão
trabalhando em uma praia próxima à vila. "Seu Dunga",
como é chamado pelos moradores, vai e volta todo mês com
nova leva de mão-de-obra.
" Aqui chega cada vez mais gente. Esses últimos vieram de Irecê (BA).
Mas aqui tem gente também do Maranhão, do Ceará, do Piauí,
da Paraíba", diz o carpinteiro Jorge Silva de Assis, 39. Morador
da "rua Zero", ele está há apenas um ano por ali. Saiu
de Itororó (520 km de Salvador) atrás dos dois primos, moradores
do local.
Com o braço quebrado e engessado, Assis, pela primeira vez,
não acompanha o grupo que viaja pelas praias em busca de emprego.
Diz que a situação está "difícil",
porém, melhor do que a de sua terra natal.
" Lá, a gente ganha no máximo R$ 12 por dia no campo." Quando
o assunto é ocupação irregular, no entanto, ele prefere
desconversar.
Um outro morador intervém e diz que ninguém mais constrói
na Vila Baiana, uma senha de que não se deve desobedecer ao
congelamento determinado pela prefeitura.
Mas depois revela que já ocorreram, sim, demolições.
Natural de Coaraci (453 km de Salvador) e trabalhando na praia da Baleia,
o porteiro -uma das ocupações mais desejadas pelos que
chegam- prefere não revelar o nome, com medo de represálias.
" O problema é incomodar os ricos. Barra do Saí é um
dos "points" daqui. E ninguém quer pobre passeando pela orla."
Com mais 30 familiares na favela, ele reclama que "não
há contestação" em relação às
casas de alto padrão que são erguidas. "A gente
trabalha para o pessoal de lá. Então quem ganha dinheiro
dá emprego para quem é daqui da comunidade, porque vai
aumentando a casa e tem obra. Se não fosse o "congelamento" [das
construções], já tinha casa no alto do morro."
|
Gazeta
do Povo, 18 de novembro de 2007
BRASIL | CONTAS PÚBLICAS
Um em cada quatro municípios é considerado
pobre
Receita per capita de 80% das cidades é deficitária,
diz Ibam
Rio – Quatro em cada cinco municípios brasileiros
não têm receita suficiente para prestar serviços
públicos de qualidade, e quase um em cada quatro pode
ser considerado miserável ou pobre, segundo levantamento
do Instituto Brasileiro de Administração Municipal
(Ibam). O trabalho, baseado nos números apresentados por
4.804 cidades à Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério
da Fazenda em 2006, mostra que apenas 20,5% das prefeituras brasileiras
receberam da arrecadação municipal e em repasses
estaduais e federais, somados, pelo menos R$ 1,5 mil anuais por
habitante. Esse era, para o Ibam, o mínimo necessário
para que as cidades atendessem às necessidades dos cidadãos
a contento, no ano passado.

“ Apuramos a média da receita dos municípios com 2 mil a
5 mil habitantes e a dos com mais de 5 milhões, que são Rio e São
Paulo, e descobrimos que foram muito próximas”, explica o economista
e geógrafo François Bremaeker, do Ibam. “No caso de Rio e
São Paulo foi R$ 1.507.”
Foram somados todos os recursos que cada cidade recebeu e o
total foi dividido pela respectiva população. As
cidades foram distribuídas em sete faixas, de acordo com
o valor per capita obtido: até R$ 499 foram consideradas
miseráveis; de R$ 500 a R$ 749,99, pobres; de R$ 750 a
R$ 999,99, em situação delicada; de R$ 1 mil a
R$ 1.499, razoáveis; de R$ 1,5 mil a R$ 2.499,99, em boa
situação; de R$ 2,5 mil a R$ 4.999,99, em muito
boa situação; e acima de R$ 5 mil, em ótima
situação.
Mais da metade (56,37%) das cidades brasileiras podia ser considerada,
do ponto de vista da receita per capita, em situação
delicada ou razoável, e 23,13%, miserável ou pobre.
Em outro corte, 18,76% dos cidadãos tinham receita considerada
miserável ou pobre; 55,43% estavam na faixa delicada ou
razoável; e 25,81% em situação boa, muito
boa ou ótima.
A cidade com menor receita per capita do país é Paço
do Lumiar, perto de São Luís, no Maranhão,
que em 2006 recebeu o equivalente a R$ 296 por habitante em receitas
federais, estaduais e municipais. A prefeitura em melhor situação
do Brasil é a de Paulínia (SP), cuja receita tributária
por morador foi R$ 9.973.
Nordeste
O Nordeste é a região do Brasil com maior proporção
de municípios considerados, do ponto de vista da receita
per capita, miseráveis ou pobres: 45,46% – praticamente
o dobro da média nacional (23,13%). Na outra ponta, também é em
território nordestino que está a menor proporção
de municípios em situação boa, muito boa
ou ótima: 6,29%, ante os 20,50% nacionais.
A região Sul apresenta quadro inverso. Tem a menor proporção
de cidades em situação miserável ou pobre
(5,95%) e a maior de cidades em situação boa, muito
boa ou ótima (32,73%).
Vitória (ES) é a capital estadual com maior receita
per capita: R$ 2.408. Com R$ 1.556, São Paulo ficou em
segundo. Porto Alegre, cuja receita per capita era R$ 1.511 em
2006, ficou tem terceiro. Só essas três prefeituras
foram consideradas, pelo critério do Ibam, em boa situação.
Mesmo o Rio ficou um pouco abaixo dessa fronteira, em quarto
lugar nacional, com R$ 1.418.
Dez capitais estão em situação considerada
delicada, do ponto de vista de receitas: Porto Velho, com R$
791; Manaus, com R$ 800; Fortaleza, com R$ 811; Teresina, com
R$ 863; Rio Branco, com R$ 876; São Luís, com R$
882; João Pessoa, R$ 896, Natal, R$ 905; Cuiabá,
com R$ 961; e Aracaju, com R$ 996. Macapá, com receita
per capita de apenas R$ 641, tem a pior arrecadação,
situando-se na faixa das cidades consideradas pobres. Outras
três capitais estão no mesmo grupo: Salvador, com
R$ 676; Maceió, com R$ 711; e Belém com R$ 747.
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