 |
Gazeta do Povo, 19 de novembro
de 2007
OPINIÃO | OPINIÃO DO DIA 2
A quem interessa a desestruturação
do sistema sindical?
por NARCISO DORO
O sistema sindical brasileiro, reconstruído a duras penas depois da
ditadura militar, ainda abrindo uma via de participação mais
substancial na nossa democracia, corre riscos de simplesmente desmoronar, se
virar lei a proposta do deputado federal Augusto Carvalho que prevê o
fim da contribuição sindical. Surpreendentemente, já foi
aprovada pela Câmara; está no Senado, provocando discussões
inflamadas.
A questão mexe com os ânimos
nacionais porque a contribuição é vital à subsistência
das organizações que representam a totalidade da massa
dos trabalhadores brasileiros. Sem recursos, muitas entidades simplesmente
deixarão de existir e as que permanecerem ativas perderão
a força.
É desnecessário
lembrar que o Brasil precisa crescer em todos os sentidos, sendo que
o social é o mais importante, subordinando o crescimento econômico
e político. Importa, pois, fortalecer as instituições
democráticas. Se os sindicatos implodirem, quem vai defender os
direitos dos trabalhadores?
Legalizar e regulamentar as centrais
sindicais, como propõe o projeto de lei, é um avanço,
mas acabar com a fonte de financiamento do sistema é um retrocesso. É incompreensível
que uma definição como essa saia de um processo aberto,
como foram as discussões em torno da reforma sindical, envolvendo
trabalhadores e empresários, que deveria prever as mudanças
acordadas, capazes de potencializar a representatividade dos trabalhadores.
Sindicato, do grego “syn” (junto)
e “diké” (ação judicial, justiça,
juízo), é uma organização com papel social
importante, desde suas origens, no século 19. No Brasil, sindicatos
só começaram a ser instalados no século passado,
sendo em seguida derrubados pelas mãos de ferro do regime militar,
mal tinham se erguido. A maioria das nossas entidades é relativamente
jovem, portanto, tendo nascido na fase da redemocratização
ou depois da Constituição de 1988. O Sicontiba é uma
das exceções, dentre os mais antigos do país, criado
em 1923.
É importante dizer que
os sindicatos vêm deixando de ser entidades que se preocupam apenas
com questões corporativas; estão preenchendo lacunas deixadas
pelos governos, principalmente em relação aos serviços
de saúde e educação, e assumindo causas de toda
a sociedade.
A quem, afinal, interessa a desestruturação
do sistema sindical? Aos brasileiros é que não. O momento é de
reestruturação e revigoramento do sistema, cabendo mudanças,
sem dúvida, mas uma reforma capaz de estabelecer uma nova relação
capital–trabalho e dar às entidades maior capacidade de
organização, articulação e mobilização,
mais força para promover avanços sociais.
Narciso Doro é presidente
do Sindicato dos Contabilistas de Curitiba.
narcisodoro@bighost.com.br
|
DEPACOM, 19 de novembro de 2007
FETICOM/SC realiza o 11º Encontro
Esportivo A FETICOM/SC – Federação dos Trabalhadores
nas Indústrias da Construção e do Mobiliário
de Santa Catarina, presidida pelo companheiro Altamiro Perdoná,
realizou nos dias 16 e 17 de novembro de 2007 em Lages/SC, com
apoio do sindicato local, seu 11º Encontro Esportivo, com
a presença de aproximadamente 400 participantes de 14 sindicatos.
O evento contou com a presença de várias lideranças
sindicais da região, além do presidente da FETRACONSPAR
e Vice-Presidente do DEPACOM, Geraldo Ramthun, que também
prestigiou o evento.
|
| |
|
| |
|
| |
|
|
JORNAL
O ESTADO DO PARANÁ,
18 de novembro de 2007
Direito e Justiça
Justiça do Trabalho - Mudança de paradigma - A conciliação
como cultura
Wanda Santi C. da Silva
A Justiça do Trabalho surge como uma
Justiça Especializada,
que, pela natureza alimentar das verbas cuja controvérsia lhe
são postas a solução, sempre teve como marco a
necessidade de rápida resposta. Em face disso, o processo
do trabalho historicamente apresentou peculiaridades, que outrora
o distanciavam
do processo civil.
Os debates e as reformas legislativas recentes apontam
a preocupação
unânime de resguardar uma solução justa em tempo
razoável. Diante desse objetivo, o resgate da cultura da conciliação,
não há dúvida, apresenta-se como um caminho indispensável.
Principalmente
diante do cotidiano de um judiciário, cujos
números assustam: nas 80 Varas hoje instaladas no Paraná tramitam
em torno de 187 mil processos, envolvendo as fases de cognição
(85.340) e execução (101.971). No Tribunal do Trabalho
tramitaram (autuados) até o presente mês (janeiro a setembro/2007)
24.458 processos. Ainda, foram despachados 7.088 Recursos de Revista.
Desse número apenas o percentual de 30,27% teve segmento deferido.
Do remanescente, 82,35% apresentam Agravos de Instrumento. Acresça-se
que, em regra, além de serem individuais as reclamatórias,
algumas são repetitivas em relação à empresa
e à lesão. Difícil, quase impossível, nesse
quadro, viabilizar o princípio da efetividade da jurisdição.
Neste
contexto, o percentual de conciliação nas Varas
do Trabalho não ultrapassa a média de 44% das decisões
proferidas na fase de conhecimento no primeiro grau de jurisdição.
Diante
desse quadro, o Tribunal do Trabalho da 9.ª Região,
por decisão de seu Tribunal Pleno, criou os Juízos Auxiliares
de Conciliação de 1.º e 2.º Graus, com o escopo
de possibilitar às partes um espaço paralelo para a renovação
da tentativa de conciliação.
Esses Juízos Auxiliares de Conciliação, coordenados
em 2.º Grau pela desembargadora Sueli Gil El Rafihi e em 1.º Grau
pelo juiz substituto Marco Vinicius Nenevê, e auxiliados por
servidores especialistas em conciliação, atuarão
sempre que houver solicitação de audiência por
qualquer das partes, inclusive em relação àqueles
processos que se encontram no TST.
No mês de outubro, 100% das audiências conciliatórias
realizadas em segundo grau (que diziam respeito a ações
trabalhistas, em fase de recurso) resultaram em acordo. O que demonstra
a viabilidade da iniciativa.
Esse projeto faz parte de uma ampla proposta
de resgate do espírito
conciliatório, que repercute nacionalmente em um movimento pela
conciliação, tanto assim que o TRT do Paraná promoverá de
3 a 5 de dezembro a “Semana Nacional da Conciliação”.
Representa
uma mudança de cultura, que converge com os anseios
das recentes reformas legais, não dispensando outras tantas
igualmente necessárias, como, por exemplo, o uso dos meios processuais
para a pretensão à tutela coletiva.
O êxito de quaisquer mudanças não prescinde da
adesão dos senhores magistrados e dos senhores advogados, estes,
indispensáveis que são para a administração
da Justiça.
O que se busca é tornar efetivas garantias constitucionais,
resgatando a particularidade da conciliação como marca
desta Justiça Especializada.
Wanda Santi Cardoso da Silva é desembargadora,
presidente do TRT-PR.
|
Folha
de São Paulo,
18 de novembro de 2007
Escritório estimula
fraude, dizem analistas
Consultorias vendem teses de planejamento
tributário que só funcionam
no papel, segundo contadores e fiscais da Receita
| Contabilista afirma que práticas ilícitas para escapar
do IPI têm resultado em concorrência desleal em vários
setores industriais
DA REPORTAGEM LOCAL
Por trás das irregularidades cometidas pelas indústrias
no pagamento do IPI está uma verdadeira "indústria" que
vende teses de planejamento tributário que funcionam somente
no papel, segundo avaliação de contadores, consultores
tributários e fiscais da Receita.
"
Com a sede de pagar menos imposto, escritórios vendem simulações
de operações e apostam na falta de fiscalização
da Receita Federal. Mas, com o passar do tempo, a empresa percebe que
caiu no golpe do bilhete premiado", diz José Maria Chapina
Alcazar, presidente do Sescon-SP (sindicato que reúne empresas
de serviços contábeis e de assessoramento no Estado de
São Paulo).
Em média, essas consultorias cobram de 20% a 30% de honorários
sobre o valor que será economizado com o pagamento do tributo. "A
empresa paga para ser enganada. E, quando encontra uma assessoria que
se recusa a fazer tal planejamento, pensa que ela está sendo
conservadora, é incompetente ou desconhece o assunto."
O presidente do Sescon-SP afirma já ter sido procurado por várias
indústrias que queriam recuperar créditos do IPI -indevidos-
e recusou os clientes. "Não é porque existe uma
discussão jurídica em andamento que significa que a empresa
vai ganhar", afirma.
Chapina Alcazar cita como exemplo o debate em torno do crédito-prêmio
na exportação. "A empresa pode recuperar o crédito.
Mas, lá na frente, o fisco pode estorná-lo e cobrar multas
pesadas. Além disso, pode haver reflexos criminais, principalmente
para as empresas que declaram esse tipo de crédito em mercadorias
que nem sequer estão consignadas para exportação."
A adoção de práticas ilícitas para escapar
do pagamento de IPI tem resultado em concorrência desleal em
vários setores industriais, segundo Sebastião Luiz Gonçalves
dos Santos, presidente do Sindicato dos Contabilistas de São
Paulo.
"
Uma indústria de verniz que paga tudo certo sofre concorrência
de uma que não paga. Às vezes, muita indústria
acaba "entrando no barulho" para não quebrar. Sabendo
da dificuldade que a Receita tem para fiscalizar, a indústria
arrisca. A Receita tem cinco anos para buscar receber o IPI. Após
esse período, não pode mais autuar."
Muitas vezes, diz Santos, a indústria quer "pagar tudo
certinho", mas tem dificuldade para obter informações
na própria Receita. "A lei é tão complexa
que, às vezes, o empresário nem sabe como classificar
o produto e a Receita não tem estrutura para dar informação."
Para o advogado tributarista Douglas Yamashita, é preciso ter
cautela ao dizer que as empresas cometem irregularidades para driblar
o pagamento de impostos, como o IPI.
Ele cita o crédito-prêmio na exportação. "Essa
questão é controversa. O fato de o contribuinte tomar
esse crédito não pode ser considerado má-fé.
A empresa adotou um entendimento jurídico defensável,
e a Receita discorda. A discussão ainda não está encerrada
nos tribunais superiores." (CR e FF)
|
Folha
de São Paulo,
18 de novembro de 2007
Empresa tenta usar crédito
de produto sem IPI
DA REPORTAGEM LOCAL
A delegada Roseli Abe, da Delegacia de Fiscalização
da Receita, diz que outra irregularidade já verificada em fiscalizações é o
uso de créditos oriundos da compra de produtos ou matérias-primas
em que não incide IPI (como energia elétrica) para abater
débitos do tributo.
"
Essa situação é tão absurda que chega a
ser grotesca. A energia nem sequer proporciona crédito do IPI
porque não é um produto industrializado", diz Everardo
Maciel, ex-secretário da Receita.
Entre as 30 empresas que serão alvo amanhã da "Revolução
Industrial" está um "grande grupo econômico
brasileiro" que tenta descontar créditos provenientes da
compra de energia.
Para fugir do pagamento do imposto, as empresas têm também
utilizado créditos adquiridos com a compra de bens que fazem
parte do seu patrimônio -como máquinas e outras mercadorias.
"
Se uma empresa compra uma TV para instalar na sala do presidente, esse
bem faz parte do ativo da empresa. Não é um produto que
será industrializado nem revendido. Portanto não há crédito
do IPI para compensar", afirma a delegada.
O uso do crédito-prêmio na exportação para
descontar débitos do IPI é ainda um artifício
usado pelas empresas, segundo os fiscais. A extinção
ou não desse benefício fiscal virou polêmica e
está em discussão até hoje.
|
Folha
de São Paulo,
18 de novembro de 2007
Trabalho no Bom Retiro
terá fiscalização
Procuradoria vai investigar
se lojistas do bairro paulistano empregam bolivianos em situação
irregular
DA REPORTAGEM LOCAL
Após investigar redes de varejo e confecções
que contratam bolivianos em situação irregular e em condições
degradantes de trabalho, o MPT (Ministério Público do
Trabalho) de São Paulo vai fiscalizar lojas e fabricantes do
Bom Retiro.
Nessa região, existem hoje 1.200 lojistas, dos quais 1.000 são
fabricantes, de acordo com a associação de comerciantes
do bairro.
"
O problema do uso da mão-de-obra irregular caminha para solução
entre os fornecedores de grande redes de varejo, mas ainda está longe
de ser definitivamente resolvido", diz Vera Lúcia Carlos,
procuradora do Trabalho.
"
Recebemos denúncias de que lojistas do Bom Retiro, proprietários
de confecções, estão empregando bolivianos que
estão irregulares no país."
O MPT quer identificar, nessa nova etapa da fiscalização,
se as lojas do Bom Retiro confeccionam seus produtos, se terceirizam
a costura de peças, quem são os parceiros dos lojistas,
se os trabalhadores têm ou não carteira assinada e em
que condições trabalham. "Sabemos que pequenas oficinas
de costura, muitas vezes até clandestinas, são fornecedores
de parte das confecções. Agora vamos investigar os lojistas
porque a exploração parece estar mais concentrada nas
lojas da rua José Paulino. É uma nova frente de trabalho",
diz Vera.
A Câmara de Dirigentes Lojistas do Bom Retiro afirma, em nota,
que "sempre aconselha aos proprietários de lojas e confecções
a contratar oficinas de costuras que respeitam as leis trabalhistas
vigentes no país". Ela afirma que é "terminantemente
contra o trabalho informal" e mensalmente "envia informativos
aos lojistas e empregadores ressaltando a importância do respeito
aos direitos dos trabalhadores".
Compromisso
No início do mês, a C&A assinou um TAC (Termo de Ajustamento
de Conduta) em que se compromete a advertir seus fornecedores e até mesmo
cancelar pedidos de compras de confecções que empreguem,
formal ou informalmente, trabalhadores de nacionalidades diversas que
estejam em situação irregular no país. Se descumprir
o TAC, a rede terá de pagar multa de R$ 10 mil para cada item
descumprido do acordo e o mesmo valor por trabalhador. "O TAC
reforça e oficializa todas as condutas que a C&A já segue
e que constam do código de conduta para fornecimento de mercadorias,
adotado em 1995 para regulamentar o monitoramento dos fornecedores
da empresa", diz a rede em nota oficial.
Uma das maiores redes do varejo do país, a C&A investiu
R$ 5 milhões para inspecionar as condições de
trabalho oferecidas por 700 de seus fornecedores e oficinas subcontratadas
por esses fabricantes, por meio de uma empresa autônoma criada
há cerca de dois anos -a Socam (Organização de
Serviço para Gestão de Auditorias de Conformidade).
A empresa, independente e subordinada à holding que controla
o grupo na América Latina, visitou até setembro 85% dos
fornecedores e subcontratados. "Cerca de 30 Termos de Ajustamento
de Conduta também já foram assinados com confecções
que fornecem para a C&A", diz a procuradora.
A Riachuelo também firmou TAC neste ano com o MPT no qual se
compromete a não trabalhar com empresas que usam mão-de-obra
irregular.
Em setembro, blitz realizada por procuradoras do Trabalho encontrou
bolivianos em situação irregular e submetidos a jornadas
diárias de até 16 horas, em ambientes sem higiene e que
ofereciam risco à segurança em oficinas de costura do
Pari (centro) e da Barra Funda (zona oeste).
Nos últimos dois anos, o MPT abriu 147 investigações
para apurar denúncias. Metade virou TACs (Termos de Ajustamento
de Conduta). (CR)
|
Diário Vermelho, 19
de novembro de 2007
Conferência recomenda aplicação
integral da CPMF na saúde
O debate em torno da aplicação
da Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF) foi levado à 13ª Conferência Nacional
de Saúde, que terminou neste domingo (18) em Brasília.
Na plenária final, os delegados aprovaram a proposta de garantir
que, enquanto estiver em vigor, o tributo tenha a arrecadação
integralmente aplicada na saúde.
Delegados votam durante a 13ª Conferência
De acordo com o presidente do Conselho Nacional de Saúde, Francisco
Batista Júnior, a CPMF é ''absolutamente vital'' para a manutenção
do sistema público de saúde. ''Uma posição que
considero unânime na conferência é a necessidade de resgatarmos
a CPMF para o financiamento da saúde”, afirmou.
O presidente do CNS, no entanto,
explicou que os participantes da conferência não emitiram
uma posição oficial sobre a prorrogação da
CPMF até 2011, atualmente em votação no Senado. “Não
estou dizendo que sejamos a favor da CPMF. Aí é outro debate,
conceitual e político'', declarou.
Apesar de evitar emitir uma posição
em torno das votações no Congresso, Francisco admitiu que
o fim tributo terá impactos sobre o Sistema Único de Saúde
(SUS). ''No atual momento, quando debatemos a regulamentação
da Emenda 29 [que regulamenta a aplicação das verbas da
União, estados e municípios na saúde] e o financiamento
do sistema, estamos convencidos de que a não-renovação
da CPMF trará prejuízos incalculáveis”, explicou.
Segundo Francisco, a defesa é de
que todos os recursos da CPMF sejam aplicados na saúde, conforme
determinava a lei que criou a contribuição em 1996: ''Quero
conversar com as lideranças da base aliada e com a própria área
econômica do governo para ver se a gente consegue evoluir nessa
proposta''.
O presidente do CNS destacou
a insuficiência de recursos para o setor. ''Nosso financiamento é tão
insuficiente que não podemos nos dar ao luxo de abrir mão
de qualquer recurso neste momento”, salientou. “Estou falando
isso claramente porque uma coisa é a necessidade imediata que
nós temos de financiamento. Outra coisa é o debate conceitual
da CPMF.”
O relatório final aprovado
pela 13ª Conferência Nacional de Saúde será encaminhado
a vários setores da administração pública,
entre eles órgãos do governo federal e Congresso Nacional.
Aborto
Os delegados com direito a voto
na 13ª Conferência Nacional de Saúde decidiram excluir
do relatório final do encontro a recomendação da
proposta de descriminalização do aborto.
Por ampla maioria, os 2.627 delegados
presentes à plenária final votaram pela supressão
da proposta de política pública. Quem votou a favor do
texto foi vaiado. Segundo o presidente do Conselho Nacional de Saúde,
Francisco Batista Júnior, pelo menos 70% dos participantes rejeitaram
a proposta.
Coordenador do Pacto Nacional
pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal do Ministério
da Saúde, Adson França disse que a derrubada da proposta
não correspondia às expectativas do ministério. “A
rejeição causou muita estranheza porque a proposta passou
em mais de oito plenárias temáticas, com mais de 300 delegados
cada”, explicou.
Para França, o principal
problema talvez tenha sido a falta de tempo para negociar. “O horário
da votação, no início da sessão, talvez não
tenha sido oportuno”, diz.
O tratamento do aborto como questão
de saúde pública, com a descriminalização
da prática, tinha sido encaminhado por dez estados. Nos dois primeiros
dias da conferência, a questão dividiu os delegados. Das
dez plenárias prévias realizadas até sexta-feira
(16), seis haviam encaminhado a decisão para a plenária
final, três haviam aprovado e uma, rejeitado a proposta.
A decisão da conferência
não tem efeito legal, mas é tida como um importante indicativo
da sociedade para o Congresso Nacional, onde tramitam vários projetos
sobre o aborto, um deles há 16 anos.
''Fundamentalismo''
Integrante da Rede Nacional Feminista de Saúde Pública e uma
das delegadas que participam da plenária final, Ducelina Vasconcelos
Xavier disse que a exclusão da proposta do relatório final da
conferência representa a vitória de setores da sociedade não-abertos
ao diálogo. “Essa foi uma demonstração muito clara
de fundamentalismo que a gente vê crescer”, avalia.
Para Ducelina, o envio ao Congresso
Nacional de um projeto de lei que retira o aborto do Código Penal
ajudaria principalmente as mulheres pobres, que continuarão a
fazer o aborto sem condições mínimas de higiene. “A
maioria das mulheres que morrem dessas práticas é pobres,
negra e indígena”, observa. “Elas não têm
condições de procurar uma clínica para realizar
o aborto de forma segura.”
Ducelina acredita que a
decisão de não incluir o aborto nas políticas
públicas sobrecarregará o Sistema Único de Saúde
(SUS). “A discussão é gravíssima”,
constata. “A questão envolve a internação
de cerca de 240 mil mulheres anualmente que realizam o aborto de forma
insegura e recorrem à rede pública para tratar as seqüelas.”
|
Congresso em Foco, 19 de
novembro de 2007
Votação final dos melhores
parlamentares de 2007
No Senado, Cristovam, Casagrande, Jarbas,
Suplicy e Simon chegam na frente. Na Câmara, Aleluia, Beto,
Gabeira, Dino e Fruet. Veja quantos votos tiveram os 41 congressistas
que mais se destacaram neste ano
Lúcio Lambranho e Sylvio Costa
*
Quais são os deputados e senadores que melhor representam a população
no Congresso? Apurados 241.750 votos até a conclusão da votação, à zero
hora desta segunda-feira (19), os internautas definiram a seguinte ordem de
colocação para os 41 parlamentares que serão premiados
no próximo dia 26:
SENADO
Cristovam Buarque (PDT-DF) – 45.627 votos
Renato Casagrande (PSB-ES) – 12.759
Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) – 6.915
Eduardo Suplicy (PT-SP) – 6.502
Pedro Simon (PMDB-RS) – 5.578
Ideli Salvatti (PT-SC) – 5.486
Paulo Paim (PT-RS) – 4.886
Arthur Virgílio (PSDB-AM) – 3.793
José Agripino (DEM-RN) – 3.470
Marisa Serrano (PSDB-MS) – 3.279
Jefferson Péres (PDT-AM) – 3.154
José Nery (Psol-PA) – 2.444
Aloizio Mercadante (PT-SP) – 2.237
Tião Viana (PT-AC) – 2.041
Delcídio Amaral (PT-MS) – 1.788
Demóstenes Torres (DEM-GO) – 1.779
Total de votos: 111.738
DEPUTADOS
José Carlos Aleluia (DEM-BA) – 42.746
Beto Albuquerque (PSB-RS) – 14.740
Fernando Gabeira (PV-RJ) – 9.728
Flávio Dino (PCdoB-MA) – 7.492
Gustavo Fruet (PSDB-PR) – 5.973
Ciro Gomes (PSB-CE) – 4.878
Luciana Genro (Psol-RS) – 4.006
Chico Alencar (Psol-RJ) – 3.791
Aldo Rebelo (PCdoB-SP) – 3.676
Luiza Erundina (PSB-SP) – 3.638
Arlindo Chinaglia (PT-SP) – 3.023
Ivan Valente (Psol-SP) – 2.617
Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP) – 2.371
José Eduardo Cardozo (PT-SP) – 2.207
Henrique Fontana (PT-RS) – 1.978
Raul Jungmann (PPS-PE) – 1.977
Marco Maia (PT-RS) – 1.903
Carlito Merss (PT-SC) – 1.852
Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA) – 1.786
Fernando Coruja (PPS-SC) – 1.783
Maurício Rands (PT-PE) – 1.692
Maria do Rosário (PT-RS) – 1.649
Onyx Lorenzoni (DEM-RS) – 1.647
Osmar Serraglio (PMDB-PR) – 1.497
Augusto Carvalho (PPS-DF) – 1.362
Total de votos: 130.012
7,5 mil
votos por dia
Apesar do feriadão, que para muitos começou na quarta (14) e
terminou somente nesta segunda-feira (19), o prêmio recebeu um número
muito expressivo de votos nos últimos cinco dias. No dia 14, havia 204.627
votos computados. A votação terminou com 37.123 votos a mais – ou
seja, registrou-se uma média de 7,5 mil votos por dia em pleno feriadão.
Nos últimos momentos, Simon passou Ideli, tornando-se o quinto mais
votado no Senado. Na Câmara, houve mais mudanças de posição.
Chico Alencar superou a votação de Aldo Rebelo, assegurando a
oitava posição. Também melhoraram suas colocações
José Eduardo Cardozo (14º deputado mais votado), Henrique Fontana
(15º), Antonio Carlos Magalhães Neto (19º) e Maria do Rosário
(que terminou com a 22ª maior votação na Câmara).
Entre os dias 10 e 12 de setembro, 188 jornalistas que cobrem as atividades
do Congresso, selecionaram os 41 melhores parlamentares federais durante este
ano, o primeiro da legislatura 2007/2011 (leia mais). Todos os 25 deputados
federais e 16 senadores pré-selecionados receberão o Prêmio
Congresso em Foco 2007, em cerimônia que será realizada em Brasília,
no dia 26, no restaurante Porcão.
A votação pela WEB começou há dois meses, no dia
18 de setembro. Caso raro em prêmios da internet, durante todo o período
de votação, os resultados parciais puderam ser visualizados neste
site.
Novas regras tornaram a votação na internet neste ano bem mais
restritiva do que na primeira versão do prêmio, realizada no final
de 2006, quando a possibilidade de o mesmo usuário votar mais de uma
vez (então admitida) resultou na apuração final de mais
de 5 milhões de votos.
Vencedores comemoram
Senador mais votado neste ano, Cristovam Buarque (PDT-DF) manteve-se na liderança
desde os primeiros dias de votação. Ele atribui a preferência
dos internautas ao seu discurso de “longo prazo”. “Em vez
de ficar preso a CPI ou CPMF, eu proponho que o Brasil faça uma revolução
por meio da educação”, destaca.
Para o senador do PDT, o Prêmio Congresso em Foco é positivo por “levantar
a necessidade de o povo avaliar o Congresso” e por “provocar as
pessoas a pensar”. “Uma entidade vem a público pedir que
as pessoas escolham quais são os melhores parlamentares. A grande mídia
jamais faria isso”, diz.
Cristovam, que esteve recentemente na Venezuela, acredita que o polêmico
presidente Hugo Chávez é fruto da “desmoralização
da classe política na Venezuela”. “O grande responsável
pela Venezuela ficar desta forma foi o Congresso”, avalia. E faz um alerta: “Estamos
caminhando para isso”.
Para o vencedor na Câmara, José Carlos Aleluia (DEM-BA), o prêmio é um
estímulo ao seu trabalho no Parlamento. “Isso também mostra
que o eleitor está atento. Com certeza, esse novo prêmio terá um
espaço na minha prateleira, principalmente em razão da credibilidade
do Congresso em Foco”, afirma Aleluia.
Ele reconhece que conclamou os eleitores, por meio do seu site, a prestigiarem
o seu nome durante a votação. “Eu aposto muito na interatividade
com os eleitores”, explicou. Em geral não admitida pelos candidatos,
a realização de campanhas é facultada pelas regras do
prêmio.
Renato Casagrande (PSB-ES), segundo colocado no Senado, acredita que o Prêmio
Congresso em Foco é “mais um instrumento que a sociedade brasileira
dispõe para avaliar seus parlamentares, principalmente no período
em que o Senado está mais exposto”. O senador capixaba, que foi
um dos relatores do primeiro processo contra o presidente licenciado do Senado,
Renan Calheiros (PMDB-AL), atribui sua “colocação privilegiada” ao “histórico
dos trabalhos realizados” e às “posições adotadas” durante
o ano. E complementa que sua colocação final “dá mais
responsabilidade” para atuar como congressista.
Por que o prêmio
A intenção do prêmio é estimular os cidadãos
a analisarem o desempenho dos seus representantes no Congresso, exercitando-se
na arte de separar o joio do trigo na política brasileira. Seus objetivos
são assim definidos no regulamento:
“ Reconhecer o trabalho dos deputados federais e senadores que se destacarem
no cumprimento de suas obrigações neste primeiro ano da nova legislatura
(a partir de 1ºfev2007);
Valorizar os bons exemplos, incentivando os parlamentares federais a desempenharem
o papel que deles se espera, e, ao mesmo tempo, sinalizar ao eleitorado que
melhorar a qualidade da nossa representação política é possível;
Incentivar a população a analisar o desempenho individual dos
representantes eleitos, propiciando a participação política
dos cidadãos na própria definição dos congressistas
a serem agraciados;
Contribuir para formar eleitores mais conscientes, capazes tanto de ver o Congresso
e a política com maior acuidade quanto de exercer integralmente a cidadania;
Difundir o conceito democrático de que os direitos e deveres dos eleitores
e eleitoras vão além do simples ato de votar, a cada eleição,
e devem necessariamente incluir o acompanhamento ativo, permanente e consciente
da atuação dos representantes eleitos”.
O Prêmio Congresso em Foco 2007 é patrocinado pela Petrobras e
pela Brasil Telecom, e apoiado pela Associação dos Magistrados
Brasileiros (AMB), pelo restaurante Porcão, pela Associação
dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), pelo Clube do Choro, Sindicato
dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal, pela Ordem dos Advogados
do Brasil (OAB) e pelo Caderno Brasília do jornal Hoje em Dia. Para
mais informações ou para conhecer as opiniões de outros
leitores sobre o Prêmio Congresso em Foco 2007.
O prêmio, vale acrescentar,
em nada muda a proposta editorial do Congresso em Foco de cobrir o
Legislativo federal e a política com independência e olhar
crítico.
* Colaboraram Rodolfo Torrez e Erich Decat.
|
Gazeta do Povo, 19 de novembro
de 2007
BRASIL | TRIBUTOS
União quer governadores do PSDB
lutando pela CPMF
Governo acredita que tucanos podem convencer
os senadores
Brasília – O governo trabalhará nesta
semana para que os governadores do PSDB convençam o maior
número possível de senadores do partido a votar a favor
da prorrogação da Contribuição Provisória
sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011.
A bancada da legenda discutiu o assunto e decidiu votar contra, mas,
como não fechou questão, a administração
federal avalia que há margem para negociar votos no meio tucano
com a ajuda dos governadores.
Amanhã, a executiva nacional
da sigla reúne-se para se despedir do presidente nacional, senador
Tasso Jereissati (CE), que deixa o cargo nesta semana.
Não está afastada,
porém, a possibilidade de a prorrogação da CPMF
voltar à discussão. Dos três senadores da agremiação
que representam estados administrados por tucanos, dois – Cícero
de Lucena (PB) e João Tenório (AL) – têm se
manifestado, na bancada, de maneira contundente contra a CPMF. Mas os
interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva esperam
que os governadores da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB)
e de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), ajudem na conquista
dos votos de Lucena e Tenório a favor da CPMF.
Outro senador que tem relação
estreita com o governador é Eduardo Azeredo (PSDB-MG), ligado
a Aécio Neves (PSDB). Ele foi voto vencido na reunião da
bancada ao defender a continuidade das negociações do PSDB
com o Poder Executivo federal.
“Os governadores podem
movimentar-se, mas a bancada já assumiu sua posição”,
disse ontem Azeredo, afirmando que até o momento não recebeu
nenhum apelo de Aécio para favorecer o Executivo federal. O senador
do PSDB de Minas Gerais reconhece que o Palácio do Planalto aperfeiçoou
a proposta ao acertar com os aliados a redução gradual
da alíquota da CPMF. “Mas essa redução ainda
continua tímida, e não vejo nenhuma proposta relevante à vista”,
ressaltou.
Na avaliação de
senadores do PSDB, a prorrogação só beneficia a
gestão Lula e, na eventualidade de os tucanos voltarem ao poder,
em 2011, a arrecadação seria menor por causa da redução
gradativa da alíquota. Conforme a proposta governamental, estaria
em 0,30%. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) não vê também
possibilidade de a bancada voltar atrás. “Deixamos isso
muito consolidado. É uma questão de honra do partido”,
observou. “O presidente Lula pode perder seu tempo que ele não
conseguirá mudar votos na bancada usando os governadores”,
completou. Para Dias, os governadores não têm como impor
a defesa da CPMF, e uma iniciativa nesse sentido seria “desastrosa”.
Ele lembrou também
que a situação do Planalto está delicada e depende,
principalmente, de que a base absolva o presidente licenciado do Congresso,
senador Renan Calheiros (PMDB-AL), para não correr mais riscos. “A
eventual cassação do mandato de Renan aumenta os votos
do PMDB contra a CPMF”, concluiu.
|
Folha de São Paulo,
19 de novembro de 2007
Bancos públicos duelam por folha
salarial
BB e Caixa travam disputa por administração
de contas de governos, e Tesouro, controlador das instituições,
paga a conta | Caixa Econômica cobriu proposta do Banco do
Brasil e pagou R$ 87,4 mi pelo controle da folha da Prefeitura de
Porto Alegre
SHEILA D'AMORIM
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A disputa pela administração
da folha de salários de prefeituras e governos estaduais deixou
de ser exclusivamente entre bancos privados e públicos, virando
problema de governo.
O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal travam uma batalha silenciosa
por esse mercado em que o maior perdedor é o Tesouro, controlador das
duas instituições.
Em outubro, a Caixa pagou R$ 87,4 milhões para obter, por cinco anos,
o controle da folha de pagamento do funcionários da Prefeitura de Porto
Alegre.
Para fechar o contrato, o banco cobriu a proposta do BB. Como as duas instituições
são federais, no fim das contas a União pagou mais para desbancar
ela própria na disputa.
Nenhum dos dois bancos confirma o valor desembolsado a mais. Sabe-se apenas
que a proposta vencedora foi "significativamente" superior à do
BB. Como instituições públicas, BB e Caixa não
entram nas licitações feitas por prefeitos e governadores, processos
que têm mais transparência. Os contratos fechados são negociados
diretamente, o que abre espaço para acertos políticos.
Segundo a Folha apurou, Porto Alegre não é o único caso.
A ameaça de trocar o BB pela Caixa, de acordo com um integrante da equipe
econômica, vem se tornando instrumento de barganha de prefeitos que já têm
contrato fechado com o BB e pleiteiam novos benefícios. O BB tem contrato
com mais de 100 prefeituras e 12 Estados. A Caixa acertou com 154 prefeitos
e dois governadores.
Próprio veneno
Com a disputa, o BB, acusado pelos concorrentes privados de ser favorecido
nas negociações com Estados e municípios, estaria provando
do próprio veneno. A insatisfação do BB com a situação
já chegou ao controlador e gerou debate no governo sobre a situação.
Por ter ações em Bolsa, avalia-se na área econômica
que o BB não pode ser impedido de entrar em disputas com a Caixa, porque
isso seria interpretado como ingerência política prejudicial a
minoritários.
Assim, alegam, caberia à Caixa (controlada 100% pela União) brigar
com o BB para não encarecer o contrato. O problema, segundo a Folha
apurou, é que não há definição clara sobre
o papel da Caixa em mercados competitivos.
A direção atual tem buscado melhorar a eficiência do banco
e, por isso, quer explorar também segmentos lucrativos do mercado, como
o dos servidores públicos. Só com a Prefeitura de Porto Alegre,
a Caixa ganhou 33 mil clientes cativos e com estabilidade de emprego.
" Não vemos o BB como um concorrente. Olhamos as condições
que temos na região e o que podemos oferecer. A Caixa tem instrumentos
de precificação e sabe até quanto pode ir [numa disputa]
preservando o equilíbrio financeiro", diz Deusdina dos Reis Pereira,
superintendente nacional de pessoa jurídica da Caixa.
Para não polemizar com o BB, ela considera essa uma disputa normal de
mercado.
O problema, para os técnicos, é que, apesar da melhora nos indicadores,
a Caixa tem função social importante e depende do controlador
para garantir o desempenho.
Para competir como um banco comercial, a Caixa teria de ajustar a sua estrutura.
O banco tem mais funcionários, custo por agência e gastos com
despesas administrativas maiores que o BB e os concorrentes privados. Além
disso, depende do "monopólio" do FGTS, que representa cerca
de 10% dos ativos totais.
|
Folha de São Paulo,
19 de novembro de 2007
Governo federal privilegia prefeituras
da base aliada
Entre as 100 maiores cidades, 26 das 30 mais
beneficiadas são de partidos da base | PT controla 11 desses
26 municípios; entre as 30 cidades que foram menos favorecidas
por convênio neste ano, só 2 são do PT
RANIER BRAGON
JOHANNA NUBLAT
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A 11 meses das eleições municipais de 2008, o governo Luiz Inácio
Lula da Silva privilegia prefeituras aliadas na liberação de
verbas federais de investimento. Mapa da distribuição das verbas
por meio de convênio com as cem maiores cidades do país mostra
que das 30 mais beneficiadas proporcionalmente pelo governo em 2007 (reais
por habitante), 26 são comandadas por partidos aliados, sendo 11 do
PT.
A cidade "oposicionista" mais bem colocada no ranking é Montes
Claros (MG), governada pelo PPS, que aparece na 19ª posição.
O município recebeu uma média de R$ 40,7 por habitante; a primeira
da lista, Boa Vista, comandada pelo PSB, recebeu, em média, R$ 186,4
por habitante.
No lado oposto da lista, o das 30 cidades que menos recursos receberam, proporcionalmente,
11 são comandadas pela oposição. Apenas duas são
do PT -Londrina (PR), na 86ª posição, e Viamão (RS),
na 78ª.
Feita de outra forma, a conta revela que as prefeituras governistas receberam
73% do R$ 1,5 bilhão destinado pelo governo federal para esses convênios,
apesar de governar 62% da população dessas cidades. Os oposicionistas
receberam 26% dos recursos, embora governem 37% da população.
Na comparação entre partidos, o PT, que comanda 21% da população
das maiores cidades, recebeu destinação de 27% dos recursos.
O aliado PMDB, com 15% dos munícipes, ficou com 18% da destinação.
Os partidos da oposição, que dirigem 25% (DEM) e 12% (PSDB) dos
habitantes, receberam, respectivamente, 19% e 6% dos recursos.
" Eu diria que, na qualidade de petista e de uma pessoa que conhece o Lula,
eu deveria ser mais privilegiado. Estou tentando tirar R$ 18 milhões desde
2002. Até costumo reclamar quando encontro com ele. A cidade é pobre.
Sem esse recurso, não só eu como prefeito nenhum consegue fazer
obras de infra-estrutura", diz o prefeito de Embu (SP), Geraldo Leite da
Cruz (PT), que está em seu segundo mandato.
A prefeitura foi destinatária de R$ 13 milhões de verbas federais
em 2007, o que a coloca como a 11ª mais beneficiada proporcionalmente.
O dinheiro, diz o prefeito, foi usado em saneamento, urbanização
de favela e reconstrução de casas.
Privilégio
Com a experiência de já ter vivido as duas situações
no governo Lula, a de oposicionista e a de aliado (atual cenário), o
prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho (PMDB), reconhece que há privilégio.
" O presidente Lula sempre soube separar isso, essa coisa de partido. Mas
a gente sabe que na parte do staff de baixo isso é algo que é levado
em conta sim", disse Trad, que, além dos R$ 42 milhões já obtidos
neste ano, disse ter conseguido na última semana aval do BNDES para a
liberação de R$ 10 milhões para habitação
e saneamento em Campo Grande.
Outros prefeitos ouvidos pela Folha disseram que, além do bom relacionamento
com o Planalto, pesam também para a liberação a apresentação
de bons projetos, para que não haja entrave na análise técnica,
e o trabalho da bancada de deputados federais e senadores.
Um exemplo é São Vicente (SP), que tem nesta legislatura o ex-prefeito
Márcio França como representante da cidade na Câmara, ocupando
o posto de líder da bancada do PSB.
" Sem dúvida, o salto de uma cidade que não tinha um deputado
representante e hoje tem fica nítido até nos números, pelo
volume de repasses do ano passado para este ano já se percebe um trabalho
forte", diz o prefeito Tércio Garcia (PSB). A cidade é a 7ª mais
beneficiada proporcionalmente.
Também
em 2004
Em 2004, também houve direcionamento das verbas para aliados -das 50
cidades mais beneficiadas, 26 eram administradas pelo PT. O resultado das urnas,
porém, mostrou que o dinheiro pode não ter sido decisivo: os
petistas só elegeram o prefeito ou foram ao segundo turno em 18 dos
50 municípios.
Prefeito de uma cidade que está na parte de baixo da lista, Fuad Gabriel
Chucre (PSDB), diz que Carapicuíba (SP) "a vida inteira foi um
município abandonado". Antes de ser informado sobre as 30 cidades
mais beneficiadas, completou: "Com certeza, foram do PT".
" Tenho a impressão que ser da oposição dificulta um
pouco mais [a liberação das verbas]. O diálogo entre pessoas
do mesmo partido é mais fácil, a pessoa pede mais e se beneficia
mais", disse. Carapicuíba está em 70º na lista, com destinação
de R$ 3 milhões em 2007.
A responsabilidade final pela liberação de verbas federais para
o convênio com as prefeituras não está concentrada em apenas
um ministério, mas diluída entre eles.
"Coincidência"
Líder da bancada governista na Câmara, José Múcio
(PTB-PE), diz que os dados refletem uma coincidência, já que,
segundo ele, a liberação obedece apenas a critérios técnicos.
" Isso é coincidência, não tem absolutamente nada a
ver uma coisa com outra. Os critérios são técnicos. Está se
liberando emenda de oposição. São Paulo, Minas Gerais e
Rio Grande do Sul [comandados por governadores de oposição] têm
sido grandes beneficiários dos programas do governo", afirma.
O ministro Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais),
responsável pela liberação de parte desses recursos (os
que foram inscritos no Orçamento por meio de emendas do parlamentares),
também repete que o atendimento ocorre de forma indiscriminada.
A Folha tentou falar com Romênio Pereira, Secretário Nacional
de Organização do PT, responsável pela coordenação
das candidaturas petistas em 2008, mas assessores informaram que ele estava
em viagem a Fortaleza e havia perdido o telefone celular.
" Isso sempre foi assim, mas no governo Lula tem piorado muito. Os grandes
projetos para a cidade do Rio de Janeiro, para os quais a gente precisa de aval,
de fato o governo tem boicotado. Agora, na relação na ponta, de
alguns ministérios, principalmente o Ministério do Desenvolvimento
Social, a relação tem sido muito correta", diz o presidente
do DEM, Rodrigo Maia, cujo pai, Cesar Maia (DEM), é prefeito do Rio.
Os números da reportagem são baseados em um cruzamento feito
pela Folha com base em dados coletados no Siafi (sistema de acompanhamento
de gastos federais) pela assessoria de Orçamento do DEM no Congresso.
Reúnem empenhos (compromisso de gasto) e valores pagos em 2007, além
de valores de Orçamentos anteriores pagos neste ano.
|
Folha de São Paulo, 19 de novembro de
2007
Município com 18 mil pessoas
ocupa 7º lugar em verbas destinadas
Comandada pelo PP, Nova Xavantina é alvo
de R$ 43 mi das emendas empenhadas, mas nada foi liberado até agora
| Valor dedicado para cidade de MT supera o destinado a 21 capitais;
prefeito diz que é "atuante" e afirma que boa
relação com bancada conta
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Nova Xavantina (MT) e Laranjal do Jari (AP), municípios com 18 mil e
37 mil habitantes, respectivamente, e comandados pelo PP, estão entre
as 22 cidades que mais receberam destinação de recursos do governo
federal neste ano.
Os outros 20 municípios têm cada um, ao menos, 250 mil habitantes
e estão posicionados entre os 100 maiores do país.
As emendas empenhadas (comprometidas no Orçamento) em 2007 para Nova
Xavantina alcançam R$ 43.243.892, classificando o município em
sétimo na lista dos que mais receberam destinação -apesar
de nenhum centavo ter sido liberado até agora.
O valor supera o que foi destinado a 21 capitais, só ficando atrás
de Rio, São Paulo, Salvador, Belo Horizonte e Fortaleza -Brasília,
por não ter prefeitura, não foi listada.
Tamanha atenção para uma cidade tão pequena pode ser explicada
por um esforço político, segundo o prefeito Robson Aparecido
Pazetto (PP).
" Um dos itens pode ser o bom relacionamento com a bancada federal, sou
um prefeito atuante. Já ganhei prêmio de prefeito empreendedor pelo
Sebrae [Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas].
Não digo que outros colegas não fazem a parte deles, mas eu faço,
peço e corro atrás." O dinheiro, diz Pazetto, será empregado
em obras de uma rodovia e na duplicação de uma passagem urbana.
Motivos mais drásticos teriam levado à destinação
de R$ 22.557.900 para Laranjal do Jari (AP). No ano passado, a cidade sofreu
uma enchente que desabrigou 30% da população e um incêndio
que destruiu 215 edificações, segundo a prefeita, Euricélia
Melo Cardoso (PP). Um ano depois da situação de emergência,
ela reclama da demora na entrega da verba.
" O recurso foi liberado, mas o município não está utilizando,
por causa da burocracia. Estamos na iminência de iniciar o projeto de habitação,
em 90 dias." A prefeita disse crer que a liberação das emendas
em ano pré-eleitoral ajuda na reeleição. Apesar de pessoas
ligadas à prefeita apontarem sua candidatura à reeleição,
ela nega.
" Não sou pré-candidata, embora as condições
estejam favoráveis. Talvez eu seja um caso singular, uma prefeitura adimplente
e com obras, mas que não quer se reeleger." (JN E RB)
|
FOLHA DE LONDRINA, 19 de
novembro de 2007 | Política
Movimento lança campanha contra
corrupção em 2008
São Paulo - O Movimento de Combate à Corrupção
Eleitoral lança hoje uma campanha nacional contra a corrupção
nas eleições municipais de 2008. Com o tema ''Voto não
tem Preço, tem Consequências'', o movimento pretende antecipar
o debate e fiscalizar o processo eleitoral, inclusive o cadastramento dos candidatos.
O lançamento da campanha
será na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Brasília,
e simultaneamente em todas as seccionais da Ordem nas 27 capitais do
país.
Além da OAB, participam
do movimento a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),
a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Associação
dos Magistrados Brasileiros (AMB), a Federação Nacional
dos Jornalistas (Fenaj), o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade
Social e Voto Consciente.
O objetivo do evento é rearticular
os comitês estaduais e as entidades que fazem parte do movimento
para que dialoguem sobre as ações conjuntas da campanha
de 2008 e sobre a multiplicação de comitês locais.
No lançamento da campanha
será realizada uma teleconferência entre Brasília
e os comitês estaduais do movimento.
Com o lançamento da campanha,
também terá início o trabalho de formação
política em defesa do livre exercício do voto, por meio
de materiais pedagógicos e de divulgação do movimento.
Folhapress
|
FOLHA DE LONDRINA, 19 de
novembro de 2007 | Economia
Mais de 11 milhões não fizeram a declaração de
isento
Brasília - A Receita Federal do Brasil informou que 11,7 milhões
de pessoas ainda não entregaram a Declaração de Isento
deste ano. Até o momento foram entregues 52,3 milhões de documentos.
A Receita espera receber um total em 64 milhões.
O prazo para entrega da declaração
termina no próximo dia 30 de novembro e podem ser entregue gratuitamente
pela internet. Pagando taxa de R$ 1, o contribuinte pode entregar nas
agências do Banco do Brasil, do Banco Popular do Brasil, da Caixa
Aqui, nas lotéricas e, com R$ 2,40, nos Correios.
Deve declarar quem teve em 2006
rendimentos tributáveis de até R$ 14.992,32.
O contribuinte que não
entregar a declaração de isento do IR por um ano tem o
Cadastro Pessoa Física (CPF) enquadrado na situação
''pendente de regularização''. Caso deixe de declarar por
dois anos, o CPF é suspenso.
Em ambas as situações,
o contribuinte fica impedido de realizar operações como
abrir conta em bancos, solicitar crediário, participar de concurso
público, tirar passaporte, receber benefícios da Previdência,
além de utilizar os serviços dos cartórios.
Folhapress
|
FOLHA DE LONDRINA, 19 de
novembro de 2007 | Opinião
OPINIÃO DA FOLHA
Dedicação ao
trabalho não pode atrapalhar vida pessoal
Especialistas defendem ser possível
conseguir reconhecimento profissional sem abdicar da família
e do lazer; a receita é saber dividir bem as tarefas
Embora sempre haja quem cite de
bate-pronto duas ou três exceções, a principal
regra para o sucesso profissional ainda é transformar esforço
e dedicação em resultados. Nessa, muitos trabalhadores
deixam de lado a vida pessoal, mas especialistas dizem que é possível
atingir o objetivo sem abdicar da família e do lazer.
Para a consultora de Recursos
Humanos da Catho Online, Camila Mariano, a primeira tarefa é definir
claramente objetivos pessoais e profissionais e reservar tempo para ambos.
Camila recomenda que, feito
isso, as divisões sejam respeitadas e, principalmente, aproveitadas.
O tempo dedicado ao trabalho deve ser utilizado para que os esforços
se convertam em resultados para a equipe e para a empresa. Da mesma maneira,
a pessoa deve desfrutar ao máximo os momentos de lazer.
Para quem não acredita
na possibilidade, Camila esclarece que se a pessoa direcionar corretamente
seus esforços no trabalho poderá mostrar ou colaborar para
resultados em seu horário normal de expediente, sem ter de prolongar
a permanência na empresa. Ela lembra que horas extras significam
mais custo para as empresas, o que pode levar a uma avaliação
de deficiência de desempenho.
A consultora reconhece que há momentos
em que o equilíbrio pode ser quebrado, mas também de forma
planejada e por tempo determinado. Caso o empregado almeje promoção,
lembra, terá de mostrar dedicação, o que talvez
tenha de traduzir-se em horas diárias a mais de labuta. O inverso,
diz, também pode acontecer. Uma mulher que esteja grávida
pode diminuir seu ritmo em função do futuro bebê,
sem que seja vista como funcionária de menor capacidade.
Caso o empregado saiba algumas
de suas tarefas de antemão deve planejar a execução
de forma a aproveitar melhor o tempo, recomenda Camila. ‘‘As
empresas preferem quem traga resultados no período normal de trabalho.’’
Controle – Para
o psicólogo José Roberto Leite, especialista em medicina
comportamental, para a pessoa ter êxito, ela deve gerenciar diversos
aspectos da própria vida. O profissional é apenas um entre
tantos outros.
Leite informa que também
são fundamentais os cuidados com o organismo e com o lado psicológico,
com controle sobre as reações, principalmente aquelas que
levam ao estresse.
Ele observa que a dedicação à vida
profissional deve andar acompanhada de momentos voltados ao convívio
pessoal. ‘‘Se uma delas for tratada com mais importância
a outra vai perder’’, garante.
Na opinião dele, os objetivos
profissionais devem estar claros. Ele acredita que todos podem sonhar,
mas sem exageros e que progresso é importante, desde que não
traga problemas.
Marcos Burghi
Agência Estado
|
FOLHA DE LONDRINA, 19 de
novembro de 2007 | Opinião
Segredo do sucesso é reconhecer
a dose certa
A consultora de carreiras Carmelina Nickel, de 52 anos, atribui ao fato de
amar sua profissão a disposição com que exerce seu trabalho
e consegue, também, ter vida pessoal completa, no papel de mãe,
amiga e cidadã, como ela mesma diz. O trabalho é tenso, admite,
já que trata do futuro das pessoas, mas garante que sabe dosar as energias
sem esquecer os resultados.
Com expediente regular das 8h às
18h30, de segunda a sexta-feira, ela faz hora extra se necessário
mas de forma alguma é adepta a jornadas longas de trabalho diárias. ‘‘Quem
não consegue resolver suas pendências no período
normal, dificilmente conseguirá solucioná-los em extras’’,
acredita.
Carmelina diz que os períodos
de lazer aos quais se dá o direito ajudam no seu papel de consultora. ‘‘Sinto-me
melhor, por isso tenho desempenho de maior qualidade’’, afirma.
Entre os programas que definiu, reserva três dias da semana para
almoço com amigos ou ex-clientes.
Tarefas - Ela conta que, se
recebe a incumbência de preparar um material para apresentação às
pressas sobre um assunto que não domina, não tem problemas
em argumentar quando um colega pode estar em melhores condições
de fazê-lo. Carmelina justifica que se tiver um desgaste, por exemplo,
de varar a madrugada, no dia seguinte certamente não cumprirá bem
a tarefa.
A consultora afirma que muitas
pessoas, por serem egoístas, não se respeitam, ou simplesmente
por medo, se tornam submissas e, por conta do trabalho, perdem a capacidade
de exercer seus demais papéis sociais. Cada profissional precisa
ter clareza sobre suas competências, sobre como agrega valor ao
mercado e, claro, a melhor forma de comunicar as próprias qualidades.
A receita, porém, não é tão
simples de executar. Ela admite a necessidade de maturidade profissional,
que só vem com o tempo.
Para relaxar, Carmelina conta
que faz academia três vezes por semana, acaba de concluir um curso
de ceramista e traz no currículo, inclusive, um curso de palhaço.
Mãe de dois filhos de 26 e 28 anos, ela diz que eles herdaram
suas práticas. ‘‘Acho que é genético’’,
brinca. (M.B./A.E)
|
FOLHA DE LONDRINA, 19 de
novembro de 2007 | Opinião
Governo confirma 3.498 novas vagas
A partir de dezembro, editais
para concursos federais começam a ser publicados, para preenchimento
de vagas em 2008. Controladoria Geral da União (CGU), Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS) e agências reguladoras já têm
autorização para realização das seleções.
Para a CGU serão 400
vagas, sendo 220 para analista de finanças e de controle, que
pedem ensino superior completo, com salário de R$ 8.484,53, e
180 para técnico de finanças e de controle, que exigem
ensino médio e pagam R$ 3.907,79. O prazo para a publicação
de edital é de seis meses e as informações devem
ser divulgadas no site www.cgu.gov.br.
A Agência Nacional de
Petróleo (ANP) e a Agência Nacional de Transportes Terrestres
(ANTT) também receberam autorização para realizar
concursos. Foram liberadas 325 vagas para a ANP e 355 para a ANTT. Serão
contratados técnicos administrativos. Os candidatos precisam ter,
no mínimo, ensino médio completo. O salário inicial é de
R$ 1.399,10.
Na ANTT, quem tem ensino médio
pode concorrer às vagas de técnico em regulação
de serviços de transportes terrestres, com salário de R$
1.976,61. Para os candidatos com ensino superior completo, há vagas
para especialista em regulação de petróleo e derivados,
com salário de R$ 4.191,52.
Em julho, 148 vagas para a Aeronáutica
foram autorizadas pelo Ministério do Planejamento, com cargos
para quem possui ensino técnico e superior completo. O edital
deve sair até 11 de janeiro de 2008. Mais duas mil vagas foram
autorizadas no dia 6 de novembro, no Diário Oficial da União,
para contratação de servidores para o INSS.
São 1,4 mil vagas para
assistente técnico, de nível médio, e 600 para analista
do seguro social, de nível superior, em qualquer área,
com salários de R$ 1.989,87 e R$ 2.243,78, respectivamente.
Agência
Graffo
|
CONSULTOR JURÍDICO,
19 de novembro de 2007
Deusa da corte
O juiz é superior a qualquer
ser material, diz juíza
por Aline Pinheiro
Advogados costumam dizer que
há juízes que pensam que são deuses e juízes
que têm certeza. É o caso da juíza Adriana Sette
da Rocha Raposo, titular da Vara do Trabalho de Santa Rita, na Paraíba.
Nas palavras da juíza: “A
liberdade de decisão e a consciência interior situam o juiz
dentro do mundo, em um lugar especial que o converte em um ser absoluto
e incomparavelmente superior a qualquer outro ser material”.
A consideração
sobre a “superioridade” natural dos membros da magistratura
faz parte de uma das decisões da juíza. Ela negou pedido
de um trabalhador rural por considerar que seus direitos trabalhistas
já estavam prescritos. O trabalhador largou o emprego em 1982
e só foi reclamar seus direito em agosto de 2007.
Adriana aproveitou a ocasião
de decidir tão magna questão para ressaltar, em poucas
palavras, toda a magnificência da profissão dos juízes.
O trabalhador, além de perder a causa, teve de ouvir coisas como
esta: “Ele [o juiz] é alguém em frente aos demais
e em frente à natureza; é, portanto, um sujeito capaz,
por si mesmo, de perceber, julgar e resolver acerca de si em relação
com tudo o que o rodeia”.
A juíza de Santa Rita é uma
atuante servidora da Justiça do Trabalho na Paraíba. Na
próxima quinta-feira (22/11) ela promove em sua cidade, o projeto
Conciliar e Arrematar. Pela manhã, haverá audiências
de conciliação dos processos cujas partes já foram
notificadas. À tarde, os processos que não foram resolvidos
através de conciliação terão os bens ofertados
em leilão.
É a primeira vez que uma
experiência como essa é feita na área do Tribunal
Regional do Trabalho da 13ª Região (Paraíba). Segundo
Adriana o objetivo da mudança é agilizar a finalização
do processo. “A idéia é solucionar os processos,
seja pela conciliação, seja pela arrematação
dos bens para o pagamento das dívidas trabalhistas”.
Qualidades e defeitos
A Consultor Jurídico tentou
ouvir a opinião da Associação Nacional dos Magistrados
da Justiça do Trabalho, mas seu presidente, Cláudio José Montesso,
não quis comentar a decisão.
Marcos Salles, presidente da
Associação dos Magistrados da Paraíba, que representa
os juízes da Justiça estadual paraibana, afirmou não
ter lido a decisão de Adriana. Mas ouviu comentários sobre
ela entre seus colegas. “Não conheço o contexto da
afirmação, mas não concordo. O juiz é um
ser como qualquer outro, com qualidades e defeitos.”
Segundo ele, seus colegas comentaram
que Adriana mostrou acreditar que o juiz é um profissional melhor
do que os outros. “Não acho isso. Estamos em uma república.
Igualdade é a primeira regra que devemos seguir.”
O presidente da OAB, Cezar Britto,
também comentou as palavras de Adriana. “A grandeza da magistratura é poder
julgar homens sendo absolutamente um homem. É a idéia da
Justiça se auto-julgando”, disse Britto. “O juiz não é melhor
nem pior do que qualquer ser humano. Pensar diferente é não
compreender a função da Justiça”.
A sentença de Adriana
foi parar no site do Centro Acadêmico de Direito da Universidade
Estadual da Paraíba, junto com o seguinte comentário: “Causou
estranheza a sentença proferida pela Juíza da Vara do Trabalho
de Santa Rita-PB. No bojo de sua decisão, juíza afirmou
que a liberdade do juiz o fazia um ser superior aos outros e que gozava
ele de uma dignidade especialíssima. A soberba e arrogância
dos argumentos fica visível quando a mesma afirma que o juiz é um
ser absoluto e incomparavelmente superior aos demais.
As palavras da juíza
Adriana, no entanto, não espantaram um representante de classe
da magistratura, que preferiu não se identificar. Ele apenas
comentou que considera o que a juíza disse “normal”.
|
ÚLTIMA INSTÂNCIA,
19 de novembro de 2007
Justiça proíbe Volkswagen
de terceirizar mão-de-obra
Por decisão judicial, a unidade da Volkswagen do Brasil em Resende (RJ)
não poderá contratar empresas para fornecer mão-de-obra
para a realização de serviços ligados à atividade-fim
da empresa sob pena de multa diária de R$ 5 mil por trabalhador encontrado
em situação irregular.
A Avape (Associação
para Valorização e Promoção de Excepcionais)
também está proibida de fornecer mão-de-obra de
trabalhadores para a empresa automobilística.
O juiz Leandro Nascimento Soares,
da Vara do Trabalho de Resende, concedeu antecipação de
tutela na ação civil pública proposta pelo procurador
Sandro Henrique Figueiredo Carvalho de Araújo, do Ministério
Público do Trabalho (MPT) em Volta Redonda.
A denúncia de que a empresa
estaria contratando mão-de-obra de forma irregular chegou ao MPT
por intermédio do Ministério do Trabalho e Emprego, que
apontou, em relatório, o fornecimento ilícito de trabalhadores
por parte da Avape. A Volkswagen do Brasil já havia sido autuada
por admitir ou manter empregados sem o respectivo registro em livro,
ficha ou sistema eletrônico competente.
O documento apresentado pelo
ministério demonstrou a subordinação dos empregados
da Avape à empresa automobilística. No procedimento instaurado
pelo MPT, a terceirização ilícita de mão-de-obra
foi comprovada com base em depoimentos e documentos colhidos.
Segundo Araújo, as funções
exercidas pelos empregados da Avape são semelhantes, e até idênticas, às
dos funcionários da própria empresa. Eles trabalham em
atividades ligadas aos departamentos de manutenção, faturamento,
qualidade, finanças, entre outros considerados essenciais à dinâmica
empresarial da Volkswagen.
Ele disse que, a despeito da
expansão do setor automotivo no país, a Volkswagen não
aumentou o seu quantitativo de empregados porque se valeu dos ’serviços
prestados’ pela Avape, na condição de mera intermediadora
de mão-de-obra, em manifesta ofensa aos ditames contidos na legislação
vigente.
Segundo o procurador, a empresa
aumentou a sua produção, mas manteve inalterado o número
de empregados registrados.
Outro ponto apontado pelo procurador
Sandro Henrique Figueiredo Carvalho de Araújo trata da natureza
jurídica da associação que, tem caráter beneficente,
sem fins lucrativos e composta por pessoas portadoras ou não de
deficiência.
"O papel desempenhado pela
Avape viola frontalmente as prescrições contidas em seu
estatuto social, tratando-se de entidade ’assistencial’ nitidamente à serviço
da Volkswagen na condição de mera intermediadora de mão-de-obra",
afirmou o procurador.
Na decisão judicial que
concede a antecipação da tutela ao pleito do MPT, o juiz
do Trabalho ressaltou que "não se mostra possível,
portanto, conceber-se que indústrias automobilísticas e
instituições tidas como filantrópicas se beneficiem
de um cenário social calamitoso, utilizando-se de necessidades
vitais da pessoa humana, para impor a precarização das
relações de trabalho".
Segundo o magistrado, a mera
intermediação de mão-de-obra contribui diretamente
para tal precarização, o que pode ser constatado com o
enfraquecimento da categoria profissional, a partir do enquadramento
sindical realizado de acordo com a atividade preponderante da entidade
intermediadora, "com notórios efeitos maléficos quanto à conquista
de melhores condições de trabalho pela via da negociação
coletiva".
Outro lado
Em nota, a Avape esclarece que a terceirização é legal
no país e que sua missão é promover as competências
das pessoas com deficiência, atendendo mais de 100 mil pessoas por ano.
Segundo a informação, a instituição é mantida
por recursos que obtém por meio dos serviços que administra.
A Avape é auditada pela internacional KPMG Auditoria, prestando contas
regularmente a todos os órgãos governamentais pertinentes.

|