 |
Agência Diap, 21 de
novembro de 2007
Ministério define quem participará do
GT sobre contribuição sindical
Foi publicada a portaria que
define quais as entidades que podem participar do grupo de trabalho que
funcionará no Ministério do Trabalho por 90 dias com o
objetivo de apresentar uma nova proposta de sustentação
financeira do movimento sindical brasileiro.
Além do ministro do Trabalho
e Emprego Carlos Lupi, do secretário de Relações
do Trabalho, Luiz Antônio Medeiros, participam representando a
pasta, o secretário-adjunto da SRT, André Bucar e mais
sete técnicos da Secretaria.
As centrais sindicais serão representadas por Luiz Carlos Motta e João
Carlos Gonçalves Juruna, da Força Sindical; por Antonio Neto
e Carlos Alberto Pereira, da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB),
e por Ricardo Patah e José Moacir Pereira, da União Geral dos
Trabalhadores (UGT).
A Nova Central Sindical
de Trabalhadores (NCST) será representada por José Calixto
Ramos e Moacir Roberto; pela Central Única dos Trabalhadores
(CUT), estarão nas reuniões Arthur Henrique da Silva
Santos e Rosane Silva. (André Santos)
|
Revista Consultor Jurídico, 21 de novembro
de 2007
Congresso propõe tomar do
TSE controle de urnas eleitorais
O poder de controlar as urnas eletrônicas nas eleições
deveria ser transferido do Tribunal Superior Eleitoral para o Congresso. A
proposta, como revela em seu blog o colunista da Folha de S. Paulo Josias de
Souza, consta de relatório de uma subcomissão da Câmara
dos Deputados que há sete meses estuda o assunto e que deve ser apresentado
nos próximos dias.
Os autores da proposta põem em dúvida a inviolabilidade das urnas
eletrônicas. Sustentam que falta transparência ao processo eleitoral
brasileiro e que a culpa é do excesso de poderes conferidos ao TSE.
O tribunal acumularia atribuições que, além de excessivas,
seriam incompatíveis entre si: baixa as normas que regem as eleições,
administra o processo eleitoral e dá a palavra final nos processos que
têm origem nos pleitos.
Para dar fim a tantos problemas, os deputados sugerem que as regras do processo
eleitoral eletrônico passem a ser definidas pelos próprios deputados
e senadores, reunidos numa Comissão Eleitoral. A solução
propostas encerra problema ainda maior, já que os congressistas são
partes interessadas no resultado das urnas. “É como atribuir à raposa
a gerência do galinheiro”, lembra o colunista.
Em fevereiro de 2007, o deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL) propôs
que fosse feita audiência pública na Comissão de Constituição
e Justiça da Câmara para discutir a segurança das urnas
eletrônicas. Na audiência, que ocorreu no mês seguinte, a
estrela foi Clóvis Torres Fernandes, professor da Divisão de
Ciência da Computação do ITA (Instituto Tecnológico
de Aeronáutica).
Em 2006, por encomenda do usineiro João Lyra, Torres promoveu estudo
sobre a votação eletrônica em Alagoas. Candidato ao governo
do Estado, Lyra estava inconformado com o resultado das urnas. Favorito nas
pesquisas eleitorais, perdeu nas urnas eletrônicas. Na audiência,
Clóvis Torres disse que constatara vulnerabilidades em pelo menos 44%
delas. Estava convencido da fragilidade das urnas eletrônicas, mas disse
que os dados que coletara não permitem dizer que houve fraude.
Em abril, o deputado Geraldo Magela (PT-DF) propôs a instalação
de uma subcomissão, no âmbito da CCJ, para estudar a segurança
da votação eletrônica. Nomeado relator, Vital do Rego (PMDB-PB)
divulga seu relatório nos próximos dias. Sua principal proposta é esvaziar
o TSE e transferir para o Congresso o controle das urnas eletrônicas.
Para Severiano Alves (PDT-BA), autor de projeto de lei com o mesmo propósito
, a automação trouxe “o risco inerente provocado pela falta
de domínio pela sociedade dos detalhes e peculiaridades das tecnologias
de segurança envolvidas”. A pretexto de “aumentar a eficiência
do sistema, especialmente quanto à fiscalização do processo
informatizado do voto”, propõe que o Congresso, e não o
TSE, passe a ter “a competência exclusiva e prioritária” na
regulamentação e fiscalização da matéria.
Idéia esdrúxula
Apesar das suspeitas que surgem a cada ciclo eleitoral, jamais se comprovou
fraude ou mesmo erro técnico no processo de votação eletrônica
que pudessem comprometer o resultado de qualquer eleição.
Para o advogado Renato Ventura, especialista em Direito Eleitoral, a proposta
dos deputados é contraditória e não deve prosperar. Afirmou
que a urna é uma das coisas mais fiscalizadas que tem. “O TSE,
antes de promover as eleições, permite que o Ministério
Público, a Ordem dos advogados do Brasil e os partidos políticos,
fiscalizem os programas, inclusive, com técnicos especializados”.
Ressaltou que a Justiça Eleitoral tem demonstrando credibilidade e não
merece essa suspeita. Segundo ele, não faz sentido tirar a autonomia
do Judiciário para colocar numa esfera externa, já que se ocorrer
algum problema o caso voltará novamente ao Judiciário. “É uma
tentativa de mexer numa coisa que está funcionando. A idéia é um
tanto quando esdrúxula”, disse.
|
Folha
de São Paulo, 21 de novembro de 2007
Indústrias terão juro
menor do BNDES
Benefício será dado aos setores
eleitos como prioritários pela nova política industrial,
entre eles, fármacos e automóveis | Idéia é reestruturar
a rede de laboratórios oficiais para a produção
de remédios e financiar novos protótipos e veículos,
incluindo o design
Paulo Fridman - 25.set.07/Bloomberg News
Linha de montagem de montadora em São Caetano do Sul
(SP); setor automobilístico terá prioridade na
nova política industrial
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
O BNDES (Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social) terá papel
central na nova política industrial em gestação
no governo: será o principal agente financeiro e, com o
objetivo de facilitar o acesso ao crédito, vai reduzir suas
taxas de juros e aumentar a participação no financiamento
de projetos privados.
Ou seja, o banco reduzirá a exigência de contrapartida do capital
privado, ampliando o percentual a ser financiado. Em alguns casos, o BNDES
já empresta até 90% do valor total dos projetos.
No caso dos juros cobrados nos empréstimos, a idéia é reduzir
ainda mais as taxas para os setores eleitos como prioritários. O banco
já trabalha atualmente com taxas diferenciadas para setores tidos como
estratégicos -energia elétrica e software, por exemplo.
Para delinear a participação do banco na nova política
industrial do governo e levar as sugestões da instituição,
o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, tem se reunido freqüentemente
com integrantes da Casa Civil e dos ministérios da Ciência e Tecnologia,
do Desenvolvimento, Indústria Comércio Exterior, da Fazenda e
do Planejamento.
Já se definiu que uma das linhas centrais da proposta será o
fomento à inovação tecnológica, com destaque para
dois setores: fármacos e automóveis. No primeiro caso, o banco
estuda financiar especialmente laboratórios públicos que produzem
medicamentos para o SUS (Sistema Único de Saúde).
A idéia é reestruturar a rede de laboratórios oficiais
e orientar cada um deles para a produção de determinados medicamentos,
sempre levando em conta a necessidade de suprimento ao sistema hospitalar público.
O projeto em estudo é feito em parceria com o Ministério da Saúde.
Por causa das restrições de empréstimos ao setor público,
que esbarra no limite de endividamento imposto pela Lei de Responsabilidade
Fiscal, o banco cogita até mesmo lançar mão da modalidade
de crédito não-reembolsável (a fundo perdido) para apoiar
os laboratórios estatais.
Foco
na inovação
No caso da indústria automobilística, o objetivo é o mesmo:
focar o apoio do banco estatal em inovação. Para tal, o BNDES
estuda financiar a criação de protótipos e modelos de
veículos totalmente desenvolvidos no país, incluindo toda a parte
de design.
Outros setores também devem ser beneficiados por condições
especiais de financiamento, mas sempre também com o foco voltado para
a inovação tecnológica.
Anteontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o governo
apresentará, nas próximas semanas, novas ações
no campo da política industrial. Disse ainda que o governo investirá R$
28 bilhões nos próximos três anos em ciência e tecnologia.
A Folha apurou que o Ministério da Ciência e Tecnologia terá papel
importante na nova política industrial, especialmente por meio dos financiamentos
concedidos pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos).
Além da nova fase da política industrial e dos investimentos
em ciência e tecnologia, o presidente Lula prometeu enviar ao Congresso
Nacional, até o dia 30 deste mês, um projeto "factível
e possível" de reforma tributária.
|
FOLHA DE LONDRINA, 21 de
novembro de 2007 | Economia
Arrecadação cresce
12% e é recorde
Brasília - A arrecadação
de impostos e contribuições federais totalizou R$ 54,779
bilhões em outubro, segundo divulgou ontem a Secretaria da
Receita Federal. A arrecadação é recorde para
os meses de outubro. O valor representa um crescimento real (pelo
IPCA) de 12,66% em relação a setembro e 12% na comparação
com outubro de 2006. No acumulado do ano, a arrecadação
totaliza R$ 484,747 bilhões, o que significa um crescimento
real de 10,17% em relação a janeiro a outubro de 2006.
A arrecadação superou
o teto das estimativas. A expectativa dos analistas para a arrecadação
era de R$ 50,9 bilhões a R$ 54,5 bilhões em outubro, segundo
pesquisa feita pelo AE projeções junto a um grupo de sete
instituições financeiras. A mediana destas projeções
fechou em R$ 52,4 bilhões.
Do total arrecadado em outubro,
R$ 12,920 bilhões são receitas previdenciárias,
que registraram uma expansão real de 3,63%, em relação
a setembro, e 11,23%, na comparação com outubro de 2006.
Renata Veríssimo e
Adriana Fernandes
Agência Estado
|
Gazeta do Povo, 21 de novembro
de 2007
BRASIL | TRIBUTOS
Chinaglia diz que reforma tributária
será discutida mesmo sem consenso
Brasília – O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP),
disse ontem que não vai aguardar o “consenso” entre os partidos
para colocar em discussão a proposta de reforma tributária que
o governo deverá enviar na próxima semana. Chinaglia conversou
ontem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o assunto com
o objetivo de preparar a Câmara para a votação.
“A intenção é acabar
com a guerra fiscal e simplificar os tributos. E, evidentemente, permitir
que se faça melhor justiça fiscal no país”,
disse Chinaglia, lembrando que há várias propostas relativas à reforma
tributária em tramitação na Câmara, o que
obriga a buscar alternativas no regimento interno.
Chinaglia afirmou que tão
logo seja enviado o texto da reforma tributária, a proposta será encaminhada
aos líderes para depois partir para os debates.
“Se for esperar consenso,
não se vota nunca. Há o famoso conflito de interesses.
Governadores do mesmo partido divergem, dado que são disputas
regionais. Mas há um único consenso: a guerra fiscal não
ajuda”, disse o petista.
Em busca de acordo para as futuras
votações, Chinaglia marcou para a próxima terça-feira
uma reunião com os líderes e vice-líderes dos partidos
aliados e também com os de oposição. A idéia é reunir
as propostas que são prioridades para cada legenda para definir
as pautas até o fim deste ano. Segundo ele, o objetivo é também
definir as pautas para o início de 2008.
O petista lembrou ainda
que há itens da reforma política à espera de votação
na Casa. Para setores do governo, é fundamental votar o restante
da reforma política. Até agora a Câmara aprovou
apenas a lista de candidatos e o financiamento público de campanha
de candidatos proporcionais (vereadores e deputados estaduais, distritais
e federais).
|
Gazeta do Povo, 21 de novembro
de 2007
IMÓVEIS | CONSTRUÇÃO
Mercado de materiais deve crescer 8,5%
em 2007
De janeiro a setembro deste ano, o setor de vendas material de construção
apresentou um crescimento acumulado de 7% na comparação com o
mesmo período de 2006, segundo a Associação Nacional dos
Comerciantes de Material de Construção (Anamaco) – entidade
que representa as 138 mil lojas de material de construção do
país. Na comparação mês a mês, o desempenho
em setembro foi 4,7% superior a setembro de 2006 e, em agosto, 2,5% superior
a agosto de 2006. Os materiais básicos tiveram crescimento de 12,5%
nas vendas do período e os materiais elétricos e hidráulicos
cresceram, respectivamente, 8% e 6,6%. Os materiais de acabamentos tiveram
desempenho 9,5% superior ao mesmo período de 2006, com destaque para
pisos e tintas que cresceram 12,5% no acumulado do ano.
Segundo o presidente da
Anamaco, Cláudio Conz, os índices refletem a retomada
de obras, desde os primeiros anúncios de incentivos ao setor
por parte do Governo Federal. “O momento é favorável
a esse movimento de retomada de obras, principalmente porque os juros
estão em queda e tivemos o aumento das linhas de financiamento,
sendo que muitas delas, inclusive, melhoraram suas condições”,
diz. Ainda segundo Cláudio Conz, as vendas devem aumentar nos
próximos 15 dias, devido à aproximação
das festas de fim de ano. A previsão é de que o setor
feche o ano com 8,5% de crescimento em relação ao ano
passado.
|
Folha de São Paulo, 21 de novembro de
2007
Senado estende caso Renan e aumenta
risco para CPMF
Votação é adiada para
dezembro porque não foi escolhido sucessor do peemedebista
| Processo deve ir a plenário na primeira semana de dezembro;
o primeiro turno da CPMF ficaria para dia 14, e o segundo seria
no dia 20
SILVIO NAVARRO
VALDO CRUZ
ANDREZA MATAIS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Após uma manobra da oposição para tentar atrapalhar o
calendário de votação da CPMF, o presidente interino da
Casa, Tião Viana (PT-AC), adiou para a primeira semana de dezembro o
desfecho do processo de cassação contra o senador Renan Calheiros
(PMDB-AL).
Segundo senadores da base governista, o Planalto orientou os líderes
aliados a concordar com a oposição e não pressionar para
encurtar os prazos porque ainda não tem um nome definido para suceder
o peemedebista à frente da Casa.
Mas há também o fato de que o governo foi surpreendido pela manobra
dos tucanos -o Planalto contava resolver a questão Renan de forma rápida
para encaminhar a da CPMF.
O processo contra Renan que vai a plenário trata de denúncias
de que ele usou "laranjas" para comprar rádios. O relatório
que recomenda a perda do mandato foi aprovado no Conselho de Ética por
11 a 3.
Antes de ir ao plenário, o processo precisa ter o aval na CCJ (Comissão
de Constituição e Justiça). O relator do processo na CCJ,
Arthur Virgílio (PSDB-AM), decidiu não apresentar o relatório
nesta semana, o que levou Viana a desistir de votar o caso em plenário
na quinta.
Agora, a votação na CCJ será no dia 28. Deverá haver
pedido de vista, e o processo iria a plenário em 4 ou 5 de dezembro.
O primeiro turno da CPMF ficaria para a semana seguinte, no dia 14, e o segundo,
no dia 20 -sem convocação extraordinária, o Legislativo
pára no dia 21.
Apesar de os dois casos ficarem "embolados", a avaliação
dos governistas na Casa é que a oposição ajudou o Planalto,
que passou a temer um racha no PMDB diante de uma disputa pelo comando do Senado.
Para eles, uma eventual renúncia de Renan da presidência nesta
semana levaria a uma eleição já na seguinte. Aí,
uma divisão peemedebista poderia fazer o Planalto perder mais votos
pró-CPMF entre os aliados. "A base não tem que ter angústia
nem agonia para votar", disse o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR).
Licenciado da presidência desde 11 de outubro, Renan comunicou à bancada
do PMDB que não reassumirá. Como sua licença expira no
domingo, ele tem de decidir até sexta se estende a licença ou
renuncia ao cargo. Até ser informado da virada no calendário,
havia dito a aliados de que renunciaria ao cargo se fosse absolvido.
Ontem, ele mudou de idéia. Para a bancada do PMDB, avisou que tirará nova
licença, de 30 dias. À oposição, disse que cogita
reassumir a presidência, pois o acordo no qual trocaria a cadeira pelo
mandato fora descumprido. Mas é só uma ameaça, que não
será cumprida.
O alagoano não gostou do adiamento. Avalia que ele até beneficia
o governo, mas não é de seu interesse. Preferia que houvesse
votação na quinta.
Com uma renúncia de Renan, Viana tem cinco dias úteis para convocar
nova eleição, o que embolaria com a tramitação
da CPMF.
A oposição aposta nesse cenário. A avaliação
dos governistas é que é mais segura a permanência de Viana
no cargo, ao menos até que tenham votos para aprovar a CPMF, que o risco
de deflagrar um processo sucessório que poderia dividir a bancada do
PMDB -a maior da Casa (20).
|
O GLOBO, 21 de novembro de
2007
Mordomia nos três poderes
Legislativo de R$ 6 bi: Câmara
e Senado gastam R$ 16,4 milhões por dia
José Casado, Adriana Vasconcelos,
Maria Lima e Isabel Braga
Os 594 parlamentares federais têm, cada um, 45 funcionários a
seu dispor. Nos últimos dez anos, foram criadas 8.500 vagas no Congresso,
elevando para 27,2 mil o corpo de servidores, apesar de o número de
senadores (81) e de deputados federais (513) ser o mesmo. A série de
reportagens sobre mordomias, que O Globo publica desde domingo, mostra que
o Legislativo terá custado R$ 6 bilhões ao final deste ano -
R$ 16,4 milhões por dia ou R$ 190 (meio salário mínimo)
por segundo.
As despesas tendem a crescer,
com a construção de anexos do Senado e da Câmara,
previstos para 2008 ao custo de cerca de R$ 130 milhões. No Senado,
que pouco divulga seus gastos, uma TV de plasma instalada na entrada
de um corredor que dá acesso a apenas três gabinetes é o
sinal mais claro de desperdício. Na Câmara, foram comprados
446 laptops para os deputados, que já têm cinco computadores
em seus gabinetes.
A despesa legislativa no Brasil
ultrapassa, proporcionalmente, a da Alemanha, Argentina, Canadá,
Chile, Espanha, França, Grã-Bretanha, Itália, México
e Portugal - de acordo com pesquisa do site Transparência.
O Senado se destaca como a grande
caixa-preta do Legislativo, com pouca nitidez sobre suas despesas. Os
editais de compras oferecem vagas pistas, como um gasto de R$ 175 mil,
no dia 25 de maio, com material de copa e cozinha, para entrega ao longo
de 12 meses. Mais recentemente, em outubro, renovou-se o estoque de produtos
para o lanche diário dos senadores. Foram R$ 56 mil em achocolatados,
diferentes tipos de chá, biscoitos, queijo, presunto, pão
de forma, adoçantes e sucos variados.
Na Câmara, há mais
transparência, mas a lógica das despesas é semelhante.
Mesmo sem pedido de deputados, foram comprados 446 novos laptops, para
substituir um dos cinco computadores de mesa existentes nos gabinetes.
Já o
Judiciário se transformou num dinâmico segmento do mercado
imobiliário. No ano passado, a Justiça federal pagou
R$ 239,8 milhões por obras, instalações e projetos.
Há mais R$ 1,2 bilhão previsto para gastos nos próximos
cinco anos , somente com a construção de novas e monumentais
sedes de tribunais superiores em Brasília.
|
Diário Vermelho, 21
de novembro de 2007
Cresce expectativa de recessão
entre economistas dos EUA
O número de economistas
que prevêem que os EUA entrarão em recessão quase
dobrou nos últimos dois meses, segundo uma pesquisa feita pela
National Association Business Economics (Nabe, na sigla em inglês),
a principal associação de economistas do país.
De 50 especialistas consultados,
nove disseram apostar que as chances de contração nos próximos
12 meses são de 50% ou mais, segundo sondagem feita entre 22 de
outubro e 6 de novembro. Na pesquisa anterior, de setembro, apenas 5
de 46 especialistas consultados faziam essa projeção.
Mais de dois terços dos
consultados disseram que as chances de recessão são de
pelo menos 25%.
Os reflexos provocados pelo maior
recuo no mercado de residências nos EUA dos últimos 16 anos,
as oscilações nos mercados financeiros e a elevação
dos preços de energia levarão a uma desaceleração
do crescimento anual da economia neste trimestre, que deve ficar em 1,5%.
O resultado, se confirmado, será menor do que o previsto pelos
economistas na sondagem anterior.
Confiança cai
Nesta segunda-feira (19), a divulgação
de outros dois dados reforçaram o desânimo em relação à economia
americana. O primeiro diz respeito à confiança das empresas
de construção de casas em novembro. O índice da
Associação Nacional de Construtores de Casas ficou 19 pontos
(o mesmo de outubro), a menor marca desde o início da apuração
em 1985. O segundo é a previsão de que o varejo dos EUA
terão a pior temporada de fim de ano desde 2002, segundo cálculos
da FedEx, Starbucks e J.C. Penney.
Os efeitos provocados pelo relatório
da Nabe se espalharam pelos mercados nesta segunda. As bolsas da Europa
e da Ásia caíram influenciadas pelas preocupações
com um cenário de recessão americana. Na Rússia,
o índice Micex recuou 1,5%, a maior queda em quatro semanas também
por causa das preocupações com problemas na economia americana
e uma eventual redução na demanda por commodities.
"Embora a economia dos EUA
enfrente um risco maior de recessão por causa dos mercado de crédito
e imobiliário e dos preços da energia, os membros da Nabe
ainda não consideram a recessão como o cenário mais
provável", disse, por meio de nota, Ellen Hughes-Cromwick,
presidente do grupo e economista-chefe da Ford Motor.
A economia crescerá 2,6%
de agora até o quarto trimestre de 2008, segundo a pesquisa. Ainda
que esse valor seja menor que a previsão de setembro, supera a
projeção de 2,4% para 2007.
De acordo com a mediana da pesquisa
da Nabe, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) manterá a
taxa de juros de empréstimos interbancários em 4,5% até o
fim do próximo anos. Em outubro, o Fed baixou pelo segundo mês
a taxa de referência entre bancos e disse que as reduções
compensam os riscos de aumento da inflação e de desaceleração
no crescimento.
Os economistas consultados pela
Nabe prevêem que a economia ganhe força ao longo do próximo
ano, puxada por um crescimento estimado de 3% no último trimestre
de 2008, segundo mediana calculada a partir das respostas.
"Nosso grupo de projeções
considera que haverá um crescimento gradual a partir do fraco
ritmo projetado para este trimestre, mesmo que que não haja mais
flexibilizações por parte do Fed", disse Hughes-Cromwick.
Crise
imobiliária
Mas em relação ao ritmo de construção de casas,
os economistas mostram-se mais pessimistas. Segundo a sondagem, número
de obras iniciadas cairá no ano que vem para 1,2 milhão de unidades,
ante os 1,36 milhão projetados para este ano. Desde o primeiro trimestre
de 2006, a crise no mercado residencial tem comprometido o crescimento da economia.
Os entrevistados pela pesquisa
também reduziram estimativas sobre emprego e lucros. Segundo eles,
o índice de desemprego ficará em média em 4,9% em
2008 e os lucro após pagamentos de impostos crescerão 4,7%.
Em setembro, as previsões eram de 4,8% e de 5,6% respectivamente.
Fonte: Valor Econômico
|
Agência Câmara,
21 de novembro de 2007
Sindicatos rurais são acusados
de pressionar devedores
Laycer Tomaz

Manoel dos Santos (E) disse que responsáveis por abusos devem ser punidos.
O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura
(Contag), Manoel José dos Santos, afirmou nesta terça-feira que
42 mil produtores rurais estão sendo processados pela Confederação
da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) no Rio Grande do Sul, por
causa de dívidas de R$ 200 a R$ 9 mil com contribuições
sindicais. Segundo ele, muitos agricultores estão vendendo suas terras
para quitar os débitos. O assunto foi abordado em audiência pública
na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento
Rural.
Em Santa Catarina, as denúncias
são em sentido contrário, ou seja, contra a própria
Contag: o deputado Adão Pretto (PT-RS) apresentou boletim de ocorrência
policial registrando abusos por parte da Contag contra os produtores
rurais em dívida com o imposto sindical. Segundo o documento,
representantes dos sindicatos têm ameaçado trabalhadores
inadimplentes inclusive de hipoteca das propriedades, caso não
quitem seus débitos.
As acusações sobre
abusos nas cobranças foram rebatidas tanto pela Contag quanto
pela CNA. De acordo com o presidente da CNA, Rodolfo Tavares, o maior
valor pago à entidade é de R$ 8.890 mil, relativo a propriedades
avaliadas em mais de R$ 9 milhões. Manoel dos Santos, da Contag,
alegou desconhecer as reclamações e disse que, caso os
problemas estejam realmente ocorrendo, trata-se da ação
de "gangues" e os responsáveis devem ser punidos.
Novos
critérios
A discussão ocorreu durante audiência proposta pelo deputado Celso
Maldaner (PMDB-SC) para debater o Projeto de Lei 751/03, do deputado Assis
do Couto (PT-PR), que muda os critérios de definição de
proprietários e trabalhadores rurais para efeitos de contribuição
sindical. Atualmente, quem possui propriedade de até dois módulos
fiscais é considerado como trabalhador e paga o imposto sindical para
a Contag. Os produtores rurais que possuem terras acima desses dois módulos
contribuem para a CNA.
A proposta de Assis do Couto
redefine como trabalhadores todos aqueles que tenham propriedades de
até quatro módulos fiscais e não possuam empregados.
Na nova categoria, vão vincular-se também à Contag,
e não mais à CNA como ocorre atualmente. O projeto enquadra
como empregadores os proprietários de mais de quadro módulos
ou que possuam empregados, ainda que sua propriedade constitua-se de
apenas um módulo.
De acordo com Assis do Couto,
a lei atual provoca contradição no ordenamento jurídico
e causa problemas para os agricultores familiares. "O problema é que,
para fins de política agrícola, o governo federal define
como trabalhador rural aquele que explora imóvel de até quatro
módulos", afirma. A mesma definição, segundo
ele, consta da Lei Agrária, que caracteriza como pequena propriedade
o imóvel rural com área entre um e quatro módulos
fiscais.
Crédito
rural
Pelo projeto, o proprietário que, em virtude de redução
da produtividade, não conseguir pagar suas contribuições
sindicais como empregador poderá fazê-lo na condição
de trabalhador. Com isso, não terá seu nome inscrito em cadastros
de inadimplentes e continuará apto a receber crédito rural.
Segundo o deputado Anselmo de
Jesus (PT-RO), atualmente mais de 100 mil pequenos agricultores não
conseguem se beneficiar do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura
Familiar (Pronaf) pelo fato de serem considerados como devedores.
Produtividade
Na opinião de Rodolfo Tavares, a proposta de Assis do Couto é uma "temeridade",
pois, dependendo da localização da terra e do tipo de atividade
econômica, a medida permitirá que proprietários de até 480
hectares fiquem isentos de contribuição.
Manoel dos Santos, porém,
disse que não se pode considerar apenas o tamanho da propriedade.
No Nordeste, conforme exemplificou, quem tem entre 200 e 300 hectares
não consegue garantir a sua subsistência. "O tamanho
do módulo fiscal depende da produtividade da região",
explicou.
|
Congresso em Foco, 21 de
novembro de 2007
Câmara aprova MP que dá mais folgas a trabalhadores
Foi aprovada agora há pouco
no plenário da Câmara a Medida Provisória 388/07,
que disciplina o funcionamento da atividade comercial aos domingos e
feriados. A matéria, que teve origem na Casa e era resultado de
acordo firmado entre sindicatos patronais e empregados, havia sido apreciada
no plenário do Senado, onde recebeu alterações.
Senadores decidiram que o trabalho do comércio aos domingos deveria
ser regulamentado por convenções coletivas de trabalho. Tal item
foi rejeitado pelos deputados na votação de hoje (20), fazendo
com que prevalecesse a redação originária da Câmara.
Hoje, a exigência de deliberação em convenções é aplicada
apenas para trabalho aos feriados. O placar da rejeição foi 234
votos a 197, com cinco abstenções.
O texto original aprovado na Câmara antes de seguir ao Senado determina
que, a cada três domingos de trabalho, os empregados têm direito
a pelo menos uma folga. Atualmente a folga é concedida a cada quatro
domingos trabalhados. O que, para deputados como Luiz Couto (PT-PB), chega
a ser desumano.
O resultado da votação, cujas discussões foram atentamente
acompanhadas por comerciários e trabalhadores do setor, foi veementemente
repudiado após seu anúncio. A platéia instalada nas galerias
do plenário vaiava e proferia palavras de ordem aos deputados. Os mais
exaltados uniam gestos obscenos aos gritos de “mercenários” e "picaretas".
Eles reclamavam da perda de prerrogativa de discutir as folgas em convenções
trabalhistas.
“ Foi mais um projeto que o Lula mandou para a Câmara, dividindo
a base governista. As emendas do Senado acabaram causando a divisão”,
afirmou ao Congresso em Foco o deputado Silvio Torres (PSDB-SP). Para ele, as
centrais sindicais não vão gostar muito da eliminação
da exigência de convenção coletiva para determinar as regras
para o trabalho aos domingos, como queriam os senadores. “Para as centrais,
quanto mais as decisões passarem por elas, melhor.”
Já o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) vê com outros olhos a aprovação
da MP. “O resultado indica uma tendência que se nota aqui na Câmara,
que deve se expressar nas reformas sindical e trabalhista”, disse à reportagem
o parlamentar fluminense, denunciando nas entrelinhas a influência do
governo na aprovação de matérias de seu interesse. “O
fato em si [a aprovação da MP como saiu da Câmara para
o Senado] talvez não tenha tanta importância, não seja
tão expressivo como quando vierem as reformas”, concluiu.
A matéria segue agora para a promulgação do Congresso,
não sendo necessária a sanção presidencial. (Fábio
Góis)
|
ÂMBITO JURÍDICO,
21 de novembro de 2007
Recurso que não ataca fundamentos
da sentença não é conhecido
De acordo com o artigo 514, inciso II, do Código de Processo Civil,
o recurso deverá conter os nomes e qualificação das partes,
os fundamentos de fato e de direito, além do pedido de nova decisão.
Com base nessa regra processual, a 5ª Turma do TRT-MG, acompanhando voto
do juiz convocado Eduardo Aurélio Pereira Ferri, não conheceu
do recurso interposto por empresa por falta de fundamentação
coerente. “Pelo princípio processual da dialeticidade, a fundamentação,
cujo atendimento pressupõe necessariamente a argumentação
lógica destinada a evidenciar o equívoco da decisão impugnada, é pressuposto
extrínseco de admissibilidade de qualquer recurso”- pontua o juiz.
No caso, a recorrente não
atacou os fundamentos da decisão de 1ª Instância, que
concedeu à reclamante a equiparação salarial com
o paradigma e diferenças salariais decorrentes. A insurgência
era apenas contra o deferimento de diferenças salariais e reflexos
oriundos de desvio de função, mas esta questão não
foi discutida na sentença, que se limitou ao deferimento da equiparação
salarial. Para o juiz, a ausência de ataque direto aos fundamentos
da decisão recorrida impossibilita a delimitação
da matéria a ser julgada pela Turma. Daí o não conhecimento
do recurso por não-observância ao princípio da dialeticidade
previsto no artigo 514, II, do CPC.
( RO nº 00856-2007-013-03-00-0
)
Fonte: TRT3
|
ÂMBITO JURÍDICO,
21 de novembro de 2007
Intervalo intrajornada inferior ao
pré-assinalado gera direito a horas extras
Decisão da 1ª Turma do TRT-MG, acompanhando voto da desembargadora
Deoclécia Amorelli Dias, reconheceu ao reclamante, no período
em que atuou como caixa de um Banco, o direito de receber como extra a hora
diária concedida para alimentação e descanso. Isto porque,
pela confissão do preposto, enquanto ele desempenhou a função
de caixa, usufruía de intervalo inferior ao assinalado nos cartões
de ponto.
O entendimento da Turma é de
que, embora permitida a pré-assinalação do intervalo
intrajornada (art. 74, parágrafo 2º, da CLT), o tempo registrado
deve corresponder exatamente ao usufruído pelo empregado.
Como não foi observado
o intervalo mínimo determinado pela lei (art. 71, § 1º,
da CLT) e estando provado no processo a extrapolação sistemática
da jornada de 6 horas no período em que o reclamante atuou como
caixa, o intervalo a ser considerado é de uma hora. A decisão
segue jurisprudência do TST, a qual traz o entendimento de que
o intervalo está vinculado à jornada cumprida e não àquela
contratado. “O TST tem se posicionado neste sentido, porque a supressão
dessa pausa importa afronta a norma que trata de segurança e saúde
do trabalhador” – frisa a desembargadora.
Assim, tendo o reclamante usufruído
de intervalo inferior ao previsto na lei, a exigência da prestação
de serviços durante uma parte desse descanso, gera direito ao
pagamento da hora integral como extra.
( RO nº 01703-2006-104-03-00-6
)
Fonte: TRT3
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
21/11/2007
Cópia de decisão sem assinatura
de juiz invalida recurso
Anexar cópia de decisão
em recurso requer o cuidado de verificar se o documento está devidamente
assinado pelo juiz, sob pena de declaração de irregularidade
processual. Em decisão recente neste sentido, a Primeira Turma
do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou recurso em que o Estado do
Ceará apelou na tentativa de conseguir o conhecimento de agravo
de instrumento que havia sido rejeitado por esse motivo.
Ao apelar ao TST, o Estado anexou
cópia da decisão que havia negado seguimento ao recurso
de revista, porém sem a assinatura da juíza prolatora e,
por esse motivo, o agravo de instrumento foi rejeitado, por despacho.
O Estado do Ceará insistiu, mediante outro agravo. Alegou ter
juntado todas as peças obrigatórias e indispensáveis
ao esclarecimento da controvérsia e declarou a autenticidade dos
documentos, nos termos do parágrafo 1º, artigo 544, do Código
de Processo Civil.
O relator, ministro Lélio
Bentes Corrêa, manifestou-se contra a impugnação
da decisão. Após analisar os dispositivos legais que regem
a matéria, ele destacou que a Instrução Normativa
nº 16/99 do TST estabelece que o agravo não será conhecido
se o instrumento não contiver as peças necessárias
para o julgamento do recurso denegado, incluindo a cópia do respectivo
arrazoado e da comprovação de satisfação
de todos os pressupostos extrínsecos do recurso principal.
Nesse contexto, assinalou,
não há o que censurar na decisão que denegou seguimento
ao agravo de instrumento. Em seu entendimento, a falta de assinatura
da juíza na cópia do recurso de revista caracteriza ato
inexistente, invalidando a peça para o fim a que se destina,
e resulta em obstáculo à análise dos fundamentos
da decisão, uma vez que não se atendeu à formação
regular do processo. (A-AIRR 483/1996-017-07-40.9)
|
21/11/2007
Jornada discutirá novos temas do
Direito do Trabalho
A 1ª Jornada de Direito
Material e Processual na Justiça do Trabalho, que se realiza de
amanhã (21) a sexta-feira (23) no Tribunal Superior do Trabalho,
reunirá a comunidade jurídica trabalhista brasileira para
debater temas relevantes do Direito do Trabalho e propor enunciados que
servirão de subsídio para a jurisprudência trabalhista.
A organização do evento é da Associação
Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra), em parceria com o Tribunal
Superior do Trabalho e a Escola Nacional de formação e
Aperfeiçoamento de Magistrados (Enamat), e apoio do Conselho Nacional
das Escolas de Magistratura do Trabalho (Conematra)
O evento é pioneiro no
Judiciário Trabalhista. “A idéia é provocar
o debate” afirma o ministro do TST Carlos Alberto Reis de Paula,
diretor da Enamat. “O Direito do Trabalho é uma área
em efervescência. Com a modificação da competência
da Justiça do Trabalho, obviamente surgiram novas questões
que deram um sopro de vida intenso à Justiça do Trabalho
e ao próprio Direito do Trabalho”, observa.
O ministro destaca que não
há qualquer vinculação entre os temas discutidos
e os órgãos julgadores do Judiciário Trabalhista,
ou seja, os enunciados que serão discutidos não são
enunciados jurisprudenciais. “É um foro acadêmico,
e o debate certamente nos servirá de objeto de reflexão,
porque são temas para o qual os operadores do Direito se voltam
fortemente”, define.
Foram inscritas mais de 300 propostas
de enunciados, submetidas à comissão científica,
que selecionou aquelas que serão debatidas nas sete comissões
temáticas que se reunirão ao longo de todo o dia 22, quinta-feira.
Acidente de trabalho e doença ocupacional foi o tema mais concorrido,
com 79 propostas. Aspectos ligados ao processo na Justiça do Trabalho,
com 73, e aos direitos fundamentais e as relações de trabalho,
com 72, vieram em seguida. A comissão temática de lides
sindicais e direito coletivo discutirá 45 propostas. “Percebe-se
a busca por uma grande reflexão em torno desses assuntos, sobre
o novo papel da Justiça do Trabalho, sobre o papel dos sindicatos”,
avalia o diretor da Enamat.
Para a diretora de ensino e cultura
da Anamatra, juíza Fátima Stern, “a resposta do mundo
jurídico trabalhista ao convite para participação
na Jornada demonstra o interesse da magistratura e outros segmentos em
discutir o avanço do Direito do Trabalho”. Faz coro com
ela o juiz Leonardo Ely, da comissão científica da Jornada. “A
existência de várias propostas de enunciados no mesmo sentido,
sobre o mesmo tema, possibilita a aglomeração de fundamentos
jurídicos que, aliada à existência de propostas em
sentido contrário, nos dá a garantia de que as discussões
serão travadas com profundidade nas comissões temáticas",
afirma o magistrado.
Após as discussões
na quinta-feira, as comissões Temáticas levarão à votação
na Plenária, que começa na manhã de sexta-feira
(23), as propostas selecionadas. As propostas deliberadas na Plenária
serão divulgadas nos sites da Anamatra, do TST e da Enamat.
Luciano de Castilho fará a
abertura
A palestra de abertura da 1ª Jornada
de Direito Material e Processual na Justiça do Trabalho – hoje
(21), às 19h, na Sala de Sessões Plenárias do TST – caberá ao
ministro aposentado José Luciano de Castilho Pereira (foto), que
falará sobre o Direito do Trabalho e a realidade brasileira. "Nós
conhecemos tudo, menos a realidade brasileira. Não é uma
questão da Justiça do Trabalho, mas de toda a sociedade
brasileira. Nós temos um complexo de inferioridade cultural que
precisa ser rompido. Nosso orgulho nacional é muito reduzido e
preso às realidades do futebol e do samba", diz o ministro,
que integrará também a comissão temática
de direitos fundamentais e relações de trabalho.
Conhecido por sua formação
humanista, o ministro Luciano está à vontade na comissão. "É fundamental
humanizar as relações de trabalho e foi para isto que
surgiu o Direito do Trabalho”, afirma. “Quando democratizarmos
as relações de trabalho, passaremos a ter um número
menor de ações trabalhistas. É preciso sempre
lembrar que, na nossa experiência histórica, o que temos
são as verticais relações do trabalho escravo,
quem não acabaram completamente no Brasil até hoje",
acredita.
|
21/11/2007
Seguro-desemprego não é devido
a empregado que adere a PDV
Empregados que aderem a programa
de demissão voluntária proposto pelo empregador não
têm direito a seguro-desemprego, uma vez que a dispensa não é caracterizada
como demissão involuntária. Com esse entendimento, a Sétima
Turma do Tribunal Superior do Trabalho reformou decisão do Tribunal
Regional do Trabalho da 15ª Região que determinara à Volkswagen
do Brasil Ltda. entregar a quatro ex-funcionários da empresa as
guias para o recebimento do referido seguro.
Os trabalhadores haviam ajuizado
reclamação trabalhista na 2ª Vara do Trabalho de Taubaté (SP),
em dezembro de 2005, pleiteando, entre outros, a indenização
do seguro-desemprego. A empresa contestou e informou que os empregados
foram dispensados mediante a celebração de um acordo, devidamente
assistidos pela Comissão de Fábrica e o sindicato da categoria.
A primeira instância negou,
mas o Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas/SP)
entendeu ser direito dos empregados o recebimento do benefício,
ao entendimento de que o seguro-desemprego se destina àqueles
que se vêem desempregados, como no caso dos reclamantes. O Regional
decidiu no sentido de ser obrigação empregador entregar
as guias, sob pena de incorrer em óbice a um direito do trabalhador.
A decisão do TRT foi questionada
pela Volkswagen no TST, sob a alegação de que a adesão
ao programa de demissão voluntária não pode ser
entendida como dispensa involuntária, mas um distrato, uma vez
que o ato foi resultado de comum acordo entre ela e os empregados.
Diferentemente do Regional, o
relator do processo na Sétima Turma, ministro Ives Gandra Martins
Filho, concordou com a empresa e esclareceu que a jurisprudência
do TST entende que o seguro-desemprego não é devido a empregado
que adere a programa de desligamento voluntário. Tal entendimento,
explicou, decorre do próprio artigo 6º da Resolução
252 do Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador),
que estabelece os requisitos para a concessão do seguro-desemprego.
A resolução diz que “a adesão a Plano de Demissão
Voluntária ou similares não dará direito ao benefício,
por não caracterizar demissão involuntária”.
(RR-1951-2005-102-15-00.8)

|