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Folha de São Paulo, 25 de novembro
de 2007
2010 leva PT e PSDB a jogo de "gato
e rato"
Os dois partidos já se definem
como pólos da sucessão presidencial, mesmo
que nomes dos candidatos sejam incertos
Para tucanos, o nome que Lula apoiar será viável;
petistas acham que Aécio seria um candidato mais perigoso
que José Serra
MALU DELGADO
EDITORA-ASSISTENTE DE BRASIL
Petistas e tucanos, que reestruturam a partir de agora suas direções
partidárias com a escolha de presidentes e novas comissões
executivas nacionais, só têm, até o momento,
uma certeza: ambos terão candidatos próprios em 2010.
O PSDB elegeu na última sexta-feira a direção
partidária e o PT passará pelo mesmo processo no próximo
final de semana. As duas siglas trabalham com o cenário de
disputa polarizada entre essas duas forças políticas,
mesmo com a candidatura de Ciro Gomes (PSB-CE).
Nenhum dos dois pólos aposta numa candidatura do incógnito
e volúvel PMDB, apesar de verem os nomes do governador Sérgio
Cabral (RJ) e do ministro Nelson Jobim (Defesa) entre as possibilidades,
mas não para cabeça de chapa. Nas palavras de um dirigente
do PSDB, o PMDB acostumou-se a ser um partido só de federações,
sem pretensões nacionais.
A nova direção do PSDB não acha improvável
atrair parte dos peemedebistas. Comemorou a presença, no 3º Congresso
da sigla, dos senadores Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Mão Santa
(PMDB-PI). Vêem, em ambos, importantes pólos de apoio
no Nordeste, região onde o PSDB têm desempenhos eleitorais
frustrantes.
Essas realidades já impostas no campo da política a mais
de três anos do pleito presidencial são fundamentais para
as novas direções das legendas traçarem suas estratégias
eleitorais, ainda que os nomes dos protagonistas permaneçam
nebulosos.
No PSDB, os novos dirigentes resumem a disputa entre os presidenciáveis
José Serra (SP) e Aécio Neves (MG): o primeiro se articula
vorazmente para ter o controle interno de praticamente todo o partido
- exceto em Minas Gerais - e o segundo só se viabiliza se fizer
uma costura política "por fora", atraindo apoios e
alianças fortes para uma chapa com o PSDB.
As chances do mineiro aumentariam na medida em que apresente um resultado
administrativo inovador no Estado. Ele elegeu duas áreas de
destaque no segundo mandato: educação e segurança
pública.
A fuga de Aécio Neves para uma outra legenda não é,
na avaliação atual da cúpula tucana, uma realidade
a ser considerada. "Possibilidade zero", "impossível" e "esqueça
isso" são palavras e frases automáticas de dirigentes
tucanos quando questionados sobre o tema.
O raciocínio é simples: o PSDB precisa dele e a recíproca é verdadeira.
Aécio não teria sustentabilidade no fragmentado PMDB
e não há espaço para ele no PSB de Ciro Gomes.
Já para José Serra, o grande teste será a condução
política da disputa pela prefeitura de São Paulo. Será obrigado
a definir o apoio ao ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) ou ao prefeito
Gilberto Kassab (DEM), ou convencer um dos dois a desistir da disputa.
Predador x herbívoro
Um rival que nutre relações amistosas com Serra faz uma
analogia da disputa entre os dois pré-candidatos tucanos que
talvez ajude a entender como as coisas se dão no mundo da política: "É a
disputa entre um predador e um herbívoro".
Com Serra ou Aécio, os tucanos se fiam em outra certeza: ainda
que Luiz Inácio Lula da Silva esteja fora da disputa eleitoral
pela primeira vez desde 1989 e esse fato torne o quadro bastante imprevisível,
o candidato que o petista apoiar passa a ser viável. Na definição
dos dirigentes tucanos, o candidato forte do PT é o candidato
que Lula apoiar, "ainda que seja um poste".
Dilma e Patrus
Debates da nova direção tucana revelam um temor ainda
discreto com as candidaturas dos ministros Patrus Ananias (Desenvolvimento
Social) e Dilma Rousseff (Casa Civil). Em debates recentes, a cúpula
tucana deu como certo que Dilma é a favorita de Lula e é o
nome no qual ele aposta.
Para o PT, Dilma não é um nome identificado com a "personalidade
petista", mas é articulada, politicamente capaz e bastante
disponível às demandas partidárias.
Mas o discretíssimo Patrus é quem mais preocupa parte
do PSDB. Os petistas associam a imagem do mineiro à de um "santo
não canonizado". Ou seja, é um espécime raro
na política contra o qual, dizem, não se acha nenhum "rabo
preso".
" Pegue os sete pecados capitais. Todos. Patrus nunca cometeu nenhum. Nem
o da gula", brinca um parlamentar petista que pede o anonimato.
O homem que o PT considera não ter pecados apresentaria outras
duas qualidades, na visão tucana: é o ministro que gerencia
o Bolsa Família, ponto forte do governo Lula e, além
disso, teria chances de boa votação em Minas Gerais -
um território que vira campo minado para José Serra caso
ele saia candidato sem o apoio explícito e engajado de Aécio.
Nas projeções petistas, a viabilidade maior é mesmo
a candidatura de Serra. Porém, arrepiam só de pensar
numa mudança de cenário com Aécio Neves na cabeça
da chapa tucana. Acham que, ao contrário de Serra, ele tem forte
carisma e teria uma penetração muito forte no Nordeste.
Isso sem contar o absoluto controle eleitoral de Aécio sobre
o segundo maior colégio eleitoral do país, a adesão
maciça de prefeitos, com uma imprensa simpática à sua
gestão no Estado. Em contrapartida, o mineiro poderia ter dificuldades
de voto em São Paulo se também não contasse com
José Serra como cabo eleitoral.
E Ciro Gomes? Para os aliados do ex-ministro, enquanto PSDB e PT minimizam
sua candidatura, ele se viabiliza. E pode - "por que não?" -
compor até com o PMDB.
Mas a julgar pelos primeiros passos da sucessão presidencial
de 2010 nos gabinetes de Brasília, PT e PSDB farão de
tudo para polarizar, de novo, a próxima eleição.
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Folha de São Paulo, 25 de novembro
de 2007
FHC cria polêmica
gramatical e ira política
Ao atacar Lula de forma velada,
com frase que fere a norma culta da língua, tucano
vira alvo de críticas
DA REPORTAGEM LOCAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A frase do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que escorregou
no português formal ao criticar indiretamente o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, foi considerada "politicamente
incorreta" pela professora de português Thaís Nicoleti.
No 3º Congresso do PSDB, anteontem em Brasília, o ex-presidente
disse que quer "brasileiros melhor educados, e não brasileiros
liderados por gente que despreza a educação, a começar
pela própria".
Pela norma culta, o correto seria "mais bem educados". "Rigorosamente,
deve-se usar "mais bem" antes de particípio. Porém,
essa construção ["melhor educado'] é considerada
aceitável, ela está no limite entre a norma padrão
e o desvio dela", afirma Nicoleti.
Para a professora, o mais grave, no entanto, é o significado
da frase do ex-presidente.
" Todos sabem falar a sua própria língua. Não se pode
usar a fragilidade da educação formal de uma pessoa para atacá-la.
Como professora de português, nunca desmereço o discurso de alguém
por sua forma de falar. Isso é politicamente incorreto ou no mínimo
mesquinho."
Nicoleti diz que, como a língua é dinâmica, o que
foi considerado errado no passado pode ser aceito no presente. "Quem
sabe, no futuro, as pessoas deixem de usar o "s" [para designação
do plural]. Possivelmente, quando Fernando Henrique freqüentou
a escola ele aprendeu que o correto era apenas "mais bem" educado."
Por trás da discussão, a professora aponta haver certa
condescendência com erros gramaticais de classes sociais mais
altas. "Há registros típicos de classe mais baixa,
como a falta de concordância nominal ou verbal. Nas classes mais
altas, também há, como a colocação pronominal
ou o uso de "melhor" no lugar de "mais bem". Essas,
no entanto, são consideradas mais palatáveis."
Política
O deputado Maurício Rands (PT-PE), que deve assumir a liderança
da sigla na Câmara, diz que FHC "cobra perfeição
gramatical dos outros e a sua própria frase revela um equívoco". "Ele
ressuscitou o preconceito e revelou excesso de vaidade porque não
consegue disfarçar o ciúme do presidente Lula."
" Foi uma frase infeliz, preconceituosa e errada no tema. Ele tem uma dificuldade
enorme em ser ex-presidente", diz Henrique Fontana (PT-RS), indicado à liderança
do governo.
O ex-ministro José Dirceu, em seu blog, diz que o PSDB perdeu
a compostura. "Deram-se ao luxo da baixaria e do desrespeito pelos
adversários e partiram para a ignorância."
Para o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), FHC reagiu ao preconceito
de que o PSDB é elitizado. "Mas o presidente Lula tem uma
capacidade incrível de se fazer de vítima". Sobre
o aspecto gramatical da frase, disse que "discurso de palanque,
com muito barulho, tem sempre o risco [de sair algo errado]".
Segundo Arthur Virgílio (PSDB-AM), líder no Senado, "grave é falar
em terceiro mandato".
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Folha de São Paulo, 25 de novembro
de 2007
Artigo
"Faça o que
eu digo, mas não faça..."
PASQUALE CIPRO NETO
COLUNISTA DA FOLHA
No Congresso do PSDB, FHC disse que Lula não domina a língua.
FHC quis dizer que Lula não domina a variedade padrão.
Até aí, nenhuma novidade. O próprio Lula sabe
disso e não nega essa "deficiência". Nesta
semana, diante de empresários alemães, Lula disse "os
empresários espanhol". Que os falsos defensores dos fracos
e oprimidos não venham dizer que Lula apenas empregou a variedade
de língua dominante no Brasil. Pura balela, já que
a maioria dos brasileiros diria "os empresário espanhol".
A língua coloquial dispensa o plural redundante (no caso,
a flexão da totalidade dos elementos que se referem ao substantivo).
E o tucanato? É sempre primoroso no uso do padrão formal?
A julgar pelo "melhor educados" de FHC... A coisa não é tão
simples. Na língua literária, não faltam registros
de "melhor" como modificador de particípio. O "Aurélio" arrola
exemplos de clássicos da literatura. O "Houaiss" diz
que, "diante de um particípio, é vernáculo
empregar mais bem".
Quando o particípio tem duas sílabas, não se ouve
nem se lê algo como "O jogador melhor pago". Quando
tem mais de duas sílabas, a oscilação é patente:
ora se ouve/lê "A equipe mais bem treinada", ora se
ouve/lê "A equipe melhor treinada". A língua
formal moderna parece preferir a primeira construção,
em que se entende o "mais" como modificador de todo o bloco "bem
+ particípio" ("O atleta mais bem remunerado").
FHC teria feito melhor se tivesse optado por "mais bem educados".
Talvez fosse o caso de perguntar se cabe um hífen em "bem
educados". Depende. Com hífen, tem-se um sinônimo
de "que tem bons modos" etc. Sem hífen, julga-se o
modo como as pessoas são educadas. "Mais bem educados" significa "educados
de modo mais eficiente"; "mais bem-educados" significa "mais
gentis". Que terá querido dizer FHC? Talvez nem ele nem
Lula saibam responder... É isso.
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Folha de São Paulo, 25 de novembro
de 2007
Caro, cheque especial avança
no crédito
Modalidade representa 13% dos
empréstimos e gera mais de 53% do total da receita
de crédito dos bancos, segundo BC
Apesar da existência de linhas com taxas
de juros menores, concessão do cheque especial avança
19% no ano
RAQUEL ABRANTES
DA SUCURSAL DO RIO
A concessão de cheque especial a pessoas físicas e
jurídicas (conta garantida) representa 13% dos empréstimos,
gera mais de 53% do total da receita bruta de crédito das
instituições financeiras e se transformou em uma das
principais fontes da rentabilidade dos bancos.
Apesar da existência de linhas com juros bem menores, a concessão
do cheque especial às pessoas físicas cresceu 19% no
ano e 9,4% em 12 meses, respondendo por 6,1% do total emprestado (R$
13,99 bilhões), segundo os últimos dados divulgados pelo
Banco Central, referentes a setembro.
A trajetória de queda da taxa Selic, que está em 11,25%
ao ano, estimulou o consumo e ampliou a oferta de todas as linhas de
crédito, mas também reduziu o ganho das instituições
financeiras com tesouraria -rendimento menor dos títulos públicos
e da taxa cobrada em empréstimos a outros bancos, o CDI (Certificado
de Depósito Interfinanceiro).
Para equilibrar a receita, as instituições aumentaram
a concessão do cheque especial, o dinheiro mais caro do mercado,
e os juros cobrados na operação, além de lançar
outros produtos de empréstimo pré-aprovado em conta corrente.
" Desde 2005, os bancos se voltaram ao crédito como forma de compensar
a perda da receita com tesouraria, dada a queda da Selic, e o cheque especial é o
carro-chefe", diz Miguel José Oliveira, vice-presidente da Anefac
(Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração
e Contabilidade). As pessoas físicas estão devendo quase R$ 230
bilhões em operações de crédito ao sistema financeiro,
de acordo com o Banco Central. A modalidade que concentra a maior parte desse
montante é o crédito pessoal -que inclui o dinheiro mais barato
do mercado, o empréstimo consignado (desconto em folha de pagamento)-,
com 42,1% ou R$ 96,6 bilhões em aberto.
Enquanto a média das taxas para pessoas físicas recuou
de 46,6% para 46,3% ao ano e a inadimplência caiu de 4,7% para
4,6% em setembro, os juros do crédito pré-aprovado foram
de 139,5% para 140% ao ano.
" As taxas do cheque especial subiram porque não há controle
sobre as atividades financeiras. Os bancos não seguem nenhum parâmetro;
ficam negociando com o governo a modalidade de crédito que ficará mais
barata e a que ficará mais cara", criticou o presidente da Andif
(Associação Nacional de Defesa dos Consumidores do Sistema Financeiro),
Aparecido Donizete Piton.
O economista Roberto Luis Troster, ex-Febraban (Federação
Brasileira de Bancos), lembra que as novas concessões de cheque
especial a pessoas físicas e jurídicas (conta garantida)
representam 13% dos empréstimos e geram mais de 53% do total
da receita bruta de crédito das instituições financeiras,
segundo dados do BC de agosto. "É razoável que operações
menores e com mais risco paguem mais, mas não na proporção
observada no Brasil."
O relatório da Febraban "Evolução do crédito
no sistema financeiro", de 25 de outubro, atribui a alta nos juros
do cheque especial em setembro a uma tentativa de "inibir maior
endividamento dos indivíduos numa modalidade tida como emergencial
e indicada para contratação apenas em situações
de descasamento de fluxo de renda no curtíssimo prazo".
Economista-chefe da Febraban, Nicola Tingas explicou que houve aumento
da demanda pela modalidade, "tanto pela aceleração
da economia, que incentivou o consumo, quanto pelo uso do cheque especial
para a cobertura de despesas mensais". Com relação
aos juros maiores em setembro, ele disse que a linha de crédito
tem a particularidade da oscilação diária, por
ser dinheiro de curtíssimo prazo e que exige período
mais longo para a definição de uma tendência.
" Quando alguém abre uma conta corrente, a primeira coisa que o banco
concede é o cheque especial. Além disso, as instituições
não orientam os clientes a utilizar a linha apenas para emergências.
A informação é dada apenas se o correntista procurar o gerente",
declara Oliveira. Levantamento do BC mostra que o prazo médio de utilização
da modalidade é de 20 dias, ou seja, o crédito disponível
em conta corrente já está incorporado à renda mensal do
brasileiro.
Quando o cheque especial for indesejado e o correntista verificar a
concessão de limite no extrato bancário, o Procon-SP
orienta a solicitação do cancelamento do crédito.
Caso a linha continue disponível, a recomendação é procurar
um órgão de defesa do consumidor e formalizar a reclamação.
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Folha de São Paulo, 25 de novembro
de 2007
Analista propõe
concentrar todas as dívidas
DA SUCURSAL DO RIO
Professor de estratégia financeira do Ibmec, Hélio
França disse que a primeira atitude para se livrar do cheque
especial deve ser equalizar todas as dívidas em uma só fonte,
o que pode ser feito no próprio banco.
"É preciso levantar quanto está se devendo no cheque especial,
no cartão de crédito e escolher uma linha de empréstimo
de juros baixos para pagar tudo", explicou.
França lembra que o crédito consignado (com desconto
em folha de pagamento) é a modalidade mais barata do mercado.
Mas, para quem não tem acesso à linha, a melhor alternativa é o
crédito pessoal. "Se o objetivo é regularizar a
situação financeira, deve-se usar a capacidade de crédito
para refinanciar as dívidas com taxas favoráveis e chegar
a uma dívida só."
O economista acrescenta que o cliente também deve solicitar à instituição
o cancelamento do limite do cheque especial e do cartão de crédito.
Técnica do Procon-SP, Renata Reis disse que os bancos liberam
o cheque especial sem o pedido dos clientes com base em uma cláusula
do contrato de abertura de conta corrente, que reserva à instituição
o direito de oferecer linhas de crédito.
" Consideramos a cláusula abusiva, por ferir o artigo 39, inciso
III do CDC (Código de Defesa do Consumidor), que condena o envio de qualquer
produto ou serviço sem a solicitação prévia do cliente",
afirmou.
Quando o cheque especial for indesejado e o correntista verificar a
concessão de um limite no extrato bancário, o Procon-SP
orienta a solicitação do cancelamento do crédito
na agência. Caso a linha continue disponível, a recomendação é procurar
um órgão de defesa do consumidor e formalizar a reclamação.
Renata acrescentou que a manobra dos bancos para ampliar a concessão
de crédito também contraria o artigo 51, inciso XIII,
do CDC, que diz ser "abusiva qualquer cláusula que autorize
o fornecedor a modificar unilateralmente o contrato após a assinatura".
Outro problema que a liberação indiscriminada do cheque
especial causa ao consumidor é o saque de valores superiores
ao saldo disponível em conta, por não ter conhecimento
da concessão do crédito.
" Isso acontece muito com idosos, que não conseguem visualizar o
saldo disponível e o limite do cheque especial no extrato, considerado
de difícil leitura", afirmou a técnica do Procon-SP.
O artigo 39, inciso IX, do CDC considera prática abusiva quando
o fornecedor se utiliza da ignorância do consumidor, por força
da idade, saúde, conhecimento ou condição social. "Se
a falta de informação levar o cliente a erro, ele também
pode pedir o estorno dos encargos com os juros do período",
disse Renata. (RA)
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Folha de São Paulo, 25 de novembro
de 2007
MELHORES ESTÁGIOS
Projeto prevê férias
e jornada menor
Proposta de lei aprovada
pelo Senado também quer garantir auxílio
financeiro ao estudante
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Como os estudantes, as regras dos programas de estágio também
passam por um período em que mudanças estão
prestes a acontecer.
No início do mês, o Senado aprovou um substitutivo ao
projeto de lei que regulamenta o estágio e traz novas normas.
Ele ainda será avaliado na Câmara dos Deputados, e a intenção
do governo é que o texto seja submetido à aprovação
do presidente Lula até dezembro.
Entre outros pontos, o projeto determina jornada diária de seis
horas e férias de 30 dias após um ano. As mudanças
causam polêmica no meio empresarial. "Essa lei é uma
grande bobagem. Você coloca tantas regras que as empresas diminuem
a oferta de vagas de estágio", afirma José Tolovi
Jr., presidente da Great Place to Work. "O governo deveria dar
incentivo às empresas exemplares."
" A redução da carga horária é um avanço.
Vamos evitar problemas com a fiscalização do trabalho e, com isso,
os empresários vão se sentir mais seguros para contratar",
rebate Carlos Henrique Mencaci, presidente da Abres (Associação
Brasileira de Estágios).
Ele comemora também o recesso de 30 dias previsto na lei. "Depois
de um período de estresse, o rendimento estudantil ou profissional
fica comprometido. É importante descansar."
Mencaci faz uma ressalva ao trecho que limita o número de estagiários
de ensino médio a 20% do quadro de funcionários nas empresas
que tenham mais de 25 empregados. "Isso pode gerar uma perda de
cerca de 100 mil postos de estágio." Nesse caso, agravaria
o quadro pintado com números da Abres. Segundo a associação,
a demanda por vagas de estágio é quatro vezes maior do
que a oferta no Brasil.
Hoje há 650 mil jovens estagiando em nível superior (para
4,5 milhões de estudantes) e 350 mil nos ensinos médio
e técnico (contra 9 milhões nos bancos escolares).
Mudança na escola
A professora Tania Casado, coordenadora acadêmica de estágios
da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade
da Universidade de São Paulo), acredita que, se aprovada, a
lei estenderá a outras escolas benefícios que têm
alunos de USP, FGV e Ibmec São Paulo, que criaram regras para
os estágios deles.
O substitutivo do projeto de lei prevê igualdade de condições
entre estágios obrigatórios e optativos, o que deverá impor,
segundo Mencaci, uma dificuldade a várias escolas.
" Será exigido que todo estágio tenha projeto pedagógico,
seja ele obrigatório ou não. Será uma correria para as instituições
se adaptarem", avalia.
Para as empresas que têm bons programas de estágio não
haverá dramas. "Estamos superajustados [com o projeto]",
afirma Raphaela Machado, analista de RH da Promon, onde o plano de
estágio é traçado entre o estudante e um supervisor. "Parece
muito interessante. Vai dificultar o uso de mão-de-obra barata." (RGV)
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Congresso em Foco, 25 de novembro de 2007
Múcio admite que governo tem
maioria apertada na CPMF
O novo ministro das Relações Institucionais, José Múcio,
acredita que o governo tem a maioria do plenário do Senado para
aprovar a renovação da CPMF. Mas é uma maioria
apertada. “Os dois lados se sentem vencedores”, explicou
ele, na tarde de ontem (24), ao Congresso em Foco. “Um erro qualquer
pode mudar isso.”
Múcio diz que a arma para convencer a base e até a oposição
a aprovarem a continuidade da CPMF será a conversa, muita conversa. “Vamos
conversar com todos. Nem todos vão aprovar a CPMF, mas vamos
estabelecer um clima”, disse o novo ministro. Ele lembrou que
a prorrogação do tributo é apenas “uma batalha” dentre
as muitas que terá de enfrentar no Senado, onde o governo não
tem maioria folgada, como na Câmara.
Ele minimizou os problemas do PTB e PR, partidos da base com senadores
que ameaçam rejeitar a CPMF se não forem atendidos seus
pleitos regionais. “É um problema natural de partidos
políticos”, avaliou Múcio.
O ministro está em Recife (PE) e volta hoje (25) a Brasília
para retomar o trabalho. Durante a semana, é possível
que a oposição pare de desobstruir a pauta e ponha a
CPMF em votação, na esperança de ter os votos
para rejeitá-la.
Avaliação
“ Acho que temos os votos”, calculou hoje o líder do DEM,
José Agripino (RN). “Na terça-feira, vamos fazer uma avaliação
bem feita disso”, informou. O líder da oposição disse
que sua amizade com Múcio, a quem chama de “cavalheiro”, vai
permitir a negociação com o governo. Mas isso não muda a
disposição de seu partido de votar contra a CPMF.
Além do PR e do PTB, o governo vai ter que negociar com o PDT.
O líder da legenda, Jéfferson Péres (AM), quer
mais disposição do governo em limitar os gastos correntes
do Executivo. “Se o governo se comprometesse formalmente, com
um memorando, dizendo que realiza estudos para fazer um projeto de
lei para reduzir os gastos, eu me daria por satisfeito”, disse
Péres ao Congresso em Foco neste sábado.
“ Votaria pela CPMF. Eu enfrentaria a impopularidade”, revelou. Segundo
Péres, ele e Osmar Dias (PDT-PR) não se satisfizerem com a limitação
de gastos com funcionários, proposta pelo Planalto. Exigem a limitação
de outros gastos, como as diárias, passagens, contas de consumo e demais
despesas de custeio da máquina.
O líder do PDT lembrou que outros senadores da bancada ainda
querem mais. Cristóvam Buarque (DF) pede que os recursos da
educação não estejam dentro da renovação
da DRU (a Desvinculação das Receitas da União).
Na prática, isso significaria mais dinheiro obrigatoriamente
gasto no setor de ensino. (Eduardo Militão)
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Gazeta do Povo, 25 de novembro de 2007
BRASIL | POLÍTICA
Sete ministros do governo petista
já foram abatidos por escândalos
Denúncias e crises derrubaram
aliados importantes do presidente Lula
São Paulo – Em situações similares à rápida
queda de Walfrido Mares Guia, escândalos e crises anteriores
do governo Lula já fulminaram três ministros e levaram à demissão
de outros três – que até resistiram por um tempo,
mas também acabaram caindo. Todos rechaçam as acusações.
O caso mais notório é o de José Dirceu (PT-SP),
que se demitiu do Ministério da Casa Civil em 16 de junho
de 2006, dois dias após o então deputado Roberto Jefferson
(PTB-RJ), autor da denúncia do mensalão, cobrar na
tevê a sua saída. Em tom de ameaça Jefferson,
esbravejando, sugeria que o caso poderia respingar no presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, caso Dirceu não se rendesse.
Ex-presidente do PT, Dirceu havia sido o fiador das alianças
que conduziram Lula ao Palácio do Planalto e era – antes
de ser acusado de chefiar o mensalão – o mais poderoso
nome da equipe presidencial, considerado quase “primeiro-ministro”.
Afastado da Casa Civil, o petista reassumiu o mandato na Câmara,
mas acabou sendo cassado, assim como o próprio Jefferson graças
ao desmembramento do escândalo dos pagamentos a parlamentares
da base aliada para garantir votações favoráveis
ao Planalto.
Não foi apenas o homem forte da política que tombou.
O então ministro da Fazenda, Antônio Palocci, elogiado
até pela oposição por sua rigidez no comando
da economia, entregou o posto em 27 de março do ano passado.
Saiu três semanas após o jornal O Estado de S.Paulo
publicar um relato do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo,
sobre festas e partilha de dinheiro em uma mansão no Lago
Sul de Brasília, com participação de Palocci
e da “República de Ribeirão”. Nos dias
seguintes, Nildo teve o sigilo bancário violado, operação
que derrubou não só Palocci como o comando da Caixa.
Outro abalo foi no Ministério de Minas e Energia. Três
dias após ter sido apontado pela Polícia Federal como
suspeito de ter recebido R$ 100 mil da Construtora Gautama – acusada
de fraudes e desvios –, foi a vez de Silas Rondeau entregar
o cargo em 22 de maio deste ano.
Na carta entregue a Lula, o apadrinhado do senador José Sarney
(PMDB-PA) – aconselhado pelo próprio ex-presidente – justificou
a demissão como a melhor saída para se defender das
suspeitas levantadas pela Operação Navalha. Como a
investigação sobre Rondeau não avançou,
o PMDB cobra até hoje a sua recondução ao cargo.
Fritura
Outros três ex-ministros – Anderson Adauto (Transportes),
Luiz Gushiken (Secom) e Benedita da Silva (Assistência e Promoção
Social) – foram alvo de denúncias e resistiram por um
tempo, mas terminaram vencidos pelo desgaste político.
Benedita foi demitida em 21 de janeiro de 2004. Magoada, ela criticou
a falta de respaldo de Lula e do PT fluminense. O seu prestígio,
no entanto, estava abalado desde setembro de 2003 quando se hospedou
no Alvear – um dos mais luxuosos hotéis de Buenos Aires,
com diária de US$ 400 –, à custa da União,
para um café da manhã com evangélicos. A petista
alegou ter aproveitado a viagem para um encontro oficial. Relatos
de inoperância do ministério, porém, selaram
a sua saída.
Um mês depois, em 13 de março, veio a demissão
de Adauto. Ele perdia apoio desde a denúncia de ligação
com esquema de corrupção na prefeitura de Iturama (MG).
Negou tudo e saiu para se candidatar a prefeito.
Gushiken entregou o posto em 13 de novembro de 2006, alvo de investigação
no Tribunal de Contas da União (TCU) e isolado no Núcleo
de Assuntos Estratégicos. Havia sido rebaixado da Secretaria
de Comunicação do Governo em 2005, após o escândalo
do mensalão e suspeitas suscitadas pela CPI dos Correios sobre
irregularidades na propaganda oficial e interferência em fundos
de pensão.
Os eliminados
• Walfrido Mares Guia – Turismo
• José Dirceu – Casa Civil
• Antônio Palocci – Fazenda
• Silas Rondeau – Minas e Energia
• Anderson Adauto – Transportes
• Luiz Gushiken – Secom
• Benedita da Silva – Assistência e Promoção
Social
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Gazeta do Povo, 25 de novembro de 2007
ECONOMIA | PROFISSÃO E TRABALHO
1,5 mil vagas de estágio
Mais vagas durante as férias
por DA REDAÇÃO
Dezembro não é somente o mês de provas finais na
faculdade. O IEL Estágio está ofertando 1,5 mil vagas
para estudantes de administração, engenharia, arquitetura,
secretariado executivo, ciências contábeis, economia,
direito, entre outros. No período de férias, o número
de estagiários diminui mas a oferta de vagas aumenta.
O IEL Estágio ampliou a oferta e a colocação
de estudantes no mercado de trabalho em 2007. De janeiro a outubro
deste ano, foram abertas 7,1 mil vagas para estágio em todo
o Paraná – 62% a mais que no mesmo período do
ano passado, quando 4,4 mil vagas foram ofertadas. Hoje, cerca de
três mil empresas de todos os setores contam com os serviços
de recrutamento e seleção de estudantes do IEL e mais
de 160 instituições de ensino superior estão
conveniadas.
Existem seis unidades do IEL Estágio no estado: em Curitiba
e região metropolitana, Ponta Grossa, Londrina, Cascavel,
Maringá e Toledo. Interessados devem fazer o cadastro no IEL
através do site www.ielpr.org.br.
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Folha de Londrina, 25 de novembro de 2007
Operários são orientados
sobre câncer de próstata
Dezenas de operários da construção
civil receberam ontem orientação sobre os riscos
e a prevenção contra aids e câncer de próstata.
A palestra com profissionais da saúde foi realizada num
canteiro de obras no Vale dos Tucanos, na Zona Sul de Londrina.
Este foi o primeiro passo de uma campanha promovida pelo Sindicato
dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
e do Mobiliário de Londrina (Sintracom). A meta é atingir
cerca de 2 mil trabalhadores do setor. A campanha de prevenção
e conscientização contra as doenças é feita
em parceria com órgãos como a Universidade Estadual
de Londrina (EL) e o Serviço Social da Indústria (Sesi).
O presidente do sindicato, Denilson Pestana, explicou que
a entidade tomou a iniciativa porque o objetivo de reduzir os acidentes
de trabalho foi atingido nos últimos anos. Segundo ele,
em três anos no final da década de 1980, 97 trabalhadores
do ramo morreram em Londrina no exercício de suas atividades.
E neste ano, por exemplo, não foi registrado nenhum acidente
fatal. ''Por isso nos demos ao 'luxo' de trabalhar outras temáticas
importantes como a prevenção contra a aids e o câncer
de próstata'', afirmou.
A campanha se estende até 6 de dezembro, quando é comemorado
o Dia Estadual de Combate ao Câncer de Próstata. Antes,
em 1º de dezembro, é celebrado o Dia Mundial de Combate
a Aids. As palestras serão assistidas por operários
de 20 empresas. O programa prevê ainda a disponibilização
dos exames de toque e PSA, usados para diagnosticar câncer
de próstata, para os trabalhadores interessados, através
de parceria com o Sesi e o Hospital de Clínicas da UEL.
A enfermeira Cíntia Novaes comentou que ''o preconceito só existe
por falta de conhecimento.'' ''Estes temas têm de ser desmitificados
e tratados como assuntos de saúde pública'', destacou.
Ela declarou ainda que o público do sindicato, formado essencialmente
por homens de baixa escolaridade, ainda é um pouco resistente.
O operário Alberto Felisberto Rodrigues, 60 anos, disse que
o conteúdo da palestra seria bastante útil. ''Não
sei bem o que é a doença. Nunca fiz esses exames porque
dizem que é meio esquisito'', declarou.
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O Estado do Paraná, 25 de novembro
de 2007
Criada nova central de trabalhadores
Fabiano Klostermann
Foto: Aliocha Maurício
Rossi: representatividade de mais de 600 mil trabalhadores.
Representantes sindicais de mais de 100 entidades participaram ontem,
em Curitiba, do congresso de fundação da União
Geral dos Trabalhadores (UGT) no Paraná. O evento foi realizado
no Centro Integrado dos Empresários e Trabalhadores das Indústrias
do Estado.
De acordo com o presidente estadual da nova central e também
presidente do Sindicato dos Empregados em Empresas de Prestação
de Serviços a Terceiros (Sineepres), Paulo Rossi, a entidade
foi formada a partir da fusão entre a Confederação
Geral dos Trabalhadores (CGT), Social Democracia Sindical (SDS) e
Central Autônoma dos Trabalhadores (CAT). “No Estado
representamos mais de 100 sindicatos que congregam mais de 600 mil
trabalhadores”, afirmou. Os principais setores representados
são comerciários, bancários, industriários,
trabalhadores em cooperativas, telefônicos, professores, profissionais
liberais, prestadores de serviços, servidores públicos
entre outros.
No País, a central já está instalada em dez
estados e, segundo ele, vai chegar a todos até fevereiro de
2008. A meta nacional é atingir, até o final do ano,
mil sindicatos filiados, representando oito milhões de trabalhadores.
Segundo Rossi, a UGT nasce com a proposta de realização
de reformas estruturais. “Defendemos a reforma tributária,
política e sindical. Somente com isso o Brasil poderá voltar
a crescer”, explicou. Outra característica, disse ele,
será a independência de qualquer governo e a busca por
parcerias. “Não vamos admitir governos com práticas
chavistas e totalitárias como as de alguns governantes do
nosso Estado”, afirmou.
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O Estado do Paraná, 25 de novembro
de 2007
Direito e Justiça
Em boas, firmes e experientes
mãos, o Tribunal do Trabalho
Edésio Passos
As instituições principais da democracia brasileira
renovam regularmente suas direções, quer pelo processo
da escolha universal de todos os eleitores, quer por escolhas representativas
através de um número menor e qualificado. No Judiciário,
as escolhas ainda não se abriram para a plena participação
de todos os seus segmentos em conjunto, como, por exemplo, nas Universidades
Públicas, onde a eleição do Reitor é submetida
ao voto proporcional dos estudantes, servidores e professores. Há propostas
no Judiciário que os organismos diretivos sejam escolhidos
pelo voto direto de todos os magistrados integrantes do Tribunal.
Tema complexo, que comporta aprofundamento do debate. Mas é sempre
um ato de real importância para a consolidação
do processo democrático os momentos em que essas escolhas
se processam. No Tribunal do Trabalho de nosso Estado, novamente
foram eleitos os três principais dirigentes, em 5 de novembro,
para a gestão 2007-2009: a presidente, desembargadora Rosalie
Michaele Bacila Batista, o vice-presidente e o corregedor regional,
respectivamente, os desembargadores Luiz Eduardo Gunther e Ney José de
Freitas. A posse dos novos dirigentes será a 6 de dezembro,
quinta-feira, às 17h, no Plenário do TRT-PR, ao mesmo
tempo ato solene e festivo. Na presidência, assume a dra. Rosalie,
figura de primeira grandeza como magistrada e mulher, na igual linha
da dra. Wanda, exemplos de dedicação e simplicidade.
Quanto aos drs. Gunther e Ney, também são magistrados
excepcionais. Todos os desembargadores eleitos gozam da alta estima
dos juízes, advogados, servidores, estudantes, sindicalistas,
empresários e das todas as pessoas que participaram com os
mesmos em suas inúmeras e profícuas atividades. Assim,
em boas, e firmes e experientes, mãos, o Tribunal do Trabalho.
O TRT
Relembre-se: a 9.ª Região foi criada pela Lei 6.241,
de 22/9/1975, desmembrada da 2.ª Região-SP, instalada
em 17/9/1976, integrada pelos organismos judiciários do Paraná e
Santa Catarina (desmembrada da 4.ª Região-RS), com 8
juizes do TRT, 8 JCJs-PR e 9 JCJs-SC e a Procuradoria Regional do
Trabalho. O TRT foi integrado pelos juízes Alcides Nunes Guimarães
(seu primeiro presidente, oriundo da Procuradoria do Trabalho, de
saudosa memória), Luiz José Guimarães Falcão
(vice-presidente, originário da 4.ª Região-JCJ
de Porto Alegre, posteriormente ministro-presidente do TST), Wagner
Drdla Giglio (da 2.ª Região), Pedro Ribeiro Tavares (da
1.ª JCJ de Curitiba), Carmen Amin Ganem (da 4.ª Região-JCJ
de Joinville), Tobias de Macedo Filho (pela representação
da OAB.PR), José Lacerda Junior (classista dos empregadores-PR)
e Alberto Manenti (classista dos empregados-SC). A sessão
de instalação foi presidida pelo Ministro do TST Rezende
Puech, em solenidade na primeira sede do TRT à rua 24 de maio.
Além da sessão solene, realizou-se jantar de confraternização
e, ainda, efetivou-se o II Encontro dos Magistrados e Gestores da
Justiça do Trabalho. No hall de acesso à biblioteca
do TRT poderão ser vistos a mostra fotográfica e o
acervo histórico. Significativo marco, também, a Revista
do TRT, agora editada pela Escola de Administração
Judiciária. Como organismos integrantes da história
da Justiça do Trabalho devem ser destacados a Associação
dos Magistrados Trabalhistas do Paraná, a Associação
dos Advogados Trabalhistas do Paraná e o Sindicato dos Servidores
da Justiça do Trabalho. Em 1981, foi criada a 12.ª Região
em Santa Catarina. O TRT-PR, gradativamente, foi ampliado para os
atuais 28 magistrados, com a exclusão da representação
classista. No ato de instalação, o então Ministro
Presidente do TST Luiz Roberto de Rezende Puech afirmou que a lei
6.241/75 seria “a lei áurea da Justiça do Trabalho
no Paraná”. O presidente do TRT, juiz Alcides Nunes
Guimarães, considerava que o Tribunal adotaria “estilos
modernos de procedimento, métodos avançados de processualística,
criando nossas próprias praxes e lançando os primeiros
fundamentos de nossas tradições”. Solenidade
em homenagem ao Ministro do TST Mozart Victor Russomano, ex-presidente
do TST responsável pelo encaminhamento ao Congresso Nacional
da lei que criou o TRT-PR, foi realizada em 7 de dezembro de 1976.
Naquela oportunidade, Russomano considerava que o Tribunal tinha
sido “uma obra coletiva, uma conquista do Brasil”.
Os dirigentes
A desembargadora Rosalie Michaele Bacila Batista formou-se em Direito
pela Universidade Federal do Paraná, advogada por quatro anos,
aprovada, como primeira colocada, em concurso público de servidores
do TRT,1980. Dois anos depois, novamente como primeira classificada,
ingressou na magistratura do trabalho, juíza substituta, em
seguida presidindo as JCJs de Foz do Iguaçu, Paranaguá,
6.ª, 11.ª e 18.ª de Curitiba. Ao TRT foi promovida
por merecimento em 17 de junho de 1994, e em 2005 foi eleita para
a Vice-Presidência do Tribunal, acumulada com a função
de Ouvidora-Geral. O desembargador Luiz Eduardo Gunther, graduado
em Direito e História pela UFPR em 1977, com títulos
de mestre (2000) e doutor (2003) em Direito do Estado. Dez anos na
advocacia, ingressou na magistratura em 1987, após ser aprovado
em primeiro lugar no concurso de títulos e provas. Presidiu
as JCJs de Londrina, Paranaguá e Curitiba. Nomeado ao Tribunal,
em 1988, em 2005 foi eleito corregedor regional. O desembargador
Ney José de Freitas bacharelou-se em Direito pela PUC-PR em
1980, mestre em 2000 e doutor em 2003. Professor desde 1981, cadeira
de Direito Administrativo na PUCPR. Exerceu a advocacia até ingressar
na magistratura do trabalho em 1988, tendo sido classificado em 1.º lugar
no concurso público. Presidiu as JCJs de Pato Branco, União
da Vitória, 4.ª e 17.ª de Curitiba. Em 1996, por
merecimento, foi promovido ao Tribunal. Diretor da Escola de Administração
Judiciária do TRT-PR, professor nos cursos de especialização
em Direito das Faculdades Curitiba, Unibrasil, Mater Dei de Pato
Branco e Universidade Estadual de Ponta Grossa e do curso de preparação à magistratura
da Ematra-PR.
Des. Wanda Santi Cardoso da Silva
Deixa a presidência a desembargadora Wanda Santi Cardoso da
Silva que, na sessão solene de comemoração dos
trinta anos do Tribunal, declarou em sua oração: “Uma
vez que a cada desfecho de história reabre-se um começo,
comemoramos esses trinta anos, projetando para o futuro um novo e
amadurecido trilhar, sempre com a responsabilidade de que somos,
em parte, os modeladores da história que se constrói
e se renova, como o renovar das estações”. Nada
mais apropriado relembrar aquelas palavras para a assinalar a nova
etapa na vida diretiva do TRT. A des. Wanda sempre se notabilizou
pelo equilíbrio de suas ações, pela coragem
no enfrentamento dos desafios colocados, pela humildade e simplicidade
no trato com as pessoas, projetando suas qualidades na eficiente
e profícua gestão à frente do TRT.
A Justiça do Trabalho
A Constituição de 1988 consolidou a Justiça
do Trabalho em todo o país e a Emenda Constitucional 45/2004
ampliou sua competência, firmou sua estrutura principal e avançou
em sua modernização, embora limitasse seu poder normativo.
Embora dentro da crise de crescimento, sua importância institucional
histórica se projeta como fator essencial para nossa Democracia.
Em excelente análise, a juíza do trabalho Magda Barros
Biavaschi detalha o período histórico a partir de 1930
na evolução do Direito do Trabalho e do surgimento
da Justiça do Trabalho: “Da locação de
serviços ao status de sujeito de direitos contemplados em
estatuto próprio, o movimento foi de avanços e recuos.
Ainda que algumas das leis fossem dirigidas ao trabalho, é mesmo
a partir de 1930 que ao trabalhador brasileiro vai ser assegurada
a condição de sujeito de direitos trabalhistas, com
regras que, não sem tensões, são institucionalizadas
para, em 1943, serem consolidadas; mais tarde, contempladas pela
Constituição de 1988 como direitos sociais fundamentais.
Assim, foi nascendo um Direito que, informado por princípios
que lhe dão fisionomia, rompia com o primado da autonomia
das vontades, buscando compensar a desigualdade econômica do
trabalhador decorrente do processo de acumulação capitalista.
Para dar efetividade a tais direitos e garantir a regulação
pública do trabalho, foi, no arcabouço institucional
criado pela “Era Vargas”, instituída a Justiça
do Trabalho” (in “Fundamentos do Direito do Trabalho:Nosso
Tempo”, in As Transformações no Mundo do Trabalho
e os Direitos dos Trabalhadores organizado por José Dari Krei
e outros, pág.49, Editora LTr, 2006).
Esse crescimento do Direito e da Justiça do Trabalho reflete
o avanço do capitalismo no país, em especial diante
dos desafios provocados pelo neoliberalismo, trazendo para o plano
jurídico teses novas provocadas pela globalização,
terceirização, flexibilização e outros
fenômenos. Esse novo patamar reforça o papel histórico
da Justiça do Trabalho em nosso país, sempre fundamental
nos principais momentos relacionados com a justiça social.
Por evidente, que o número de ações passou a
aumentar de modo a superlotar os organismos judiciários. Como
todo crescimento traz dentro de sí problemas também
de configuração macroscópica, a Justiça
do Trabalho tem que se posicionar diante do que ela mesmo admite
ser sua crise mais angustiante. Adalberto Cardoso e Telma Lage assinalam,
com propriedade: “A intensa judicialização das
relações de trabalho no Brasil conferiu à Justiça
do Trabalho, nos anos recentes, papel central do processo global
de regulação do mercado de trabalho. Como mencionado
antes, num modelo legislado como o brasileiro, é de se esperar
que o conflito entre capital e trabalho se dê, em grande medida,
em torno dos mecanismos legislativos e judiciários, responsáveis
pela normatização e aplicação da norma
legal” (in “As normas e os fatos”, pág.99,
FGV Editora, 2007).
Deriva desta situação a responsabilidade, em especial,
dos dirigentes da Justiça do Trabalho. Por isso, a missão
a que se atribui aos magistrados que exercem o papel jurídico-administrativo é,
diante dessa realidade, buscar caminhos que permitam a resolução
de questões derivadas da complexidade, extensão e profundidade
das relações de trabalho no mundo capitalista. Por
certo que se trata de um esforço conjunto, de todo o segmento
social envolvido, com capacidade de enfrentamento nas diversas frentes
existentes. De nossa parte, que sempre estivemos participando dos
desafios colocados, temos a certeza de que serão alcançados
resultados altamente favoráveis ao nosso povo e ao nosso país.
Notas
4.ª Marcha: As centrais sindicais,
confederações, federações e diversos
sindicatos de trabalhadores lançaram a 4.ª Marcha da
Classe Trabalhadora, que será realizada no dia 5 de dezembro,
em Brasília, reivindicando a redução da jornada
de trabalho sem redução do salário, mais e melhores
empregos, fortalecimento da Seguridade Social e das políticas
públicas. No ato de lançamento da Marcha, no Senado
Federal, foi apresentada a agenda do evento e a reafirmada a mobilização
para pressionar o Judiciário, o Executivo e o Legislativo
em favor das demandas dos assalariados e servidores públicos
do país.
Contribuição sindical: Dirigentes
sindicais, em reunião com o ministro do Trabalho e Emprego,
Carlos Lupi, constituíram fórum destinado à discussão
da contribuição sindical, ameaçada no projeto
de lei (PLC 88/07) que regulamenta as Centrais, em discussão
no Senado.O grupo de trabalho, criado pela Portaria 546, será formado
por representantes do Ministério do Trabalho e das centrais
sindicais e examinará alternativas para o financiamento das
confederações, federações e sindicatos
no País. O grupo terá 90 dias para apresentar suas
conclusões com relação à contribuição
sindical.
Terceirização: Debate na Comissão
de Trabalho da Câmara dos Deputados abordou a terceirização
da mão-de-obra. O movimento sindical dos trabalhadores considera
esta modalidade de contratação uma precarização
real das relações de trabalho e grave ameaça
a direitos trabalhistas. Os participantes ressaltaram a necessidade
que a Mesa Diretora da Câmara vote a Mensagem Presidencial
que pede o arquivamento do PL 4.302/98, do ex-presidente FHC, que
trata da terceirização da mão-de-obra.De acordo
com o debate, o ponto de partida para a discussão é definir
o que é terceirização e o que vem a ser a intermediação
de mão-de-obra. No debate, concluiu-se que haverá duas
frentes para regulamentação uma no setor público,
outra na iniciativa privada.
Piso salarial para educadores: Ainda a Comissão
de Trabalho aprovou a proposta que cria o piso salarial nacional
dos professores. A votação do PL 619/07, relatado pela
deputada Andréia Zito (PSDB/RJ), com parecer favorável,
foi acompanhada por unanimidade pelo colegiado. A relatora acolheu
quase que na íntegra o substitutivo do deputado Severiano
Alves (PDT/BA), aprovado na Comissão de Educação.
O piso aprovado é de R$ 950 para 40 horas semanais. O projeto
original do Executivo propunha R$ 850. A Confederação
Nacional dos Trabalhadores em Educação defende valor
de R$ 1.050 para professores com nível médio e de R$
1.575 para nível superior. Para os dois casos, a proposta
da Confederação é de 30 horas semanais. Entre
as modificações, a relatora acolheu a sugestão
do deputado Tarcísio Zimmermann (PT/RS), que propôs
que os reajustes após a aprovação do piso sejam
também correlacionados com o INPC, caso o índice de
reajuste já proposto pelo projeto seja menor. Outra decisão
foi a extensão do reajuste aos aposentados e pensionistas
da categoria. A matéria passará ainda por votações
na Comissão de Finanças e Tributação
e na Comissão de Constituição e Justiça.
Licença-maternidade: Com o intuito de incluir
na Constituição a garantia de mais dois meses de licença-maternidade,
passando dos atuais quatro meses para seis, a Comissão de
Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara
dos Deputados aprovou a admissibilidade da PEC que aumenta a licença-maternidade.
O objetivo é conciliar o tempo de afastamento das mães
com o período mínimo de aleitamento recomendado pelas
campanhas oficiais do Ministério da Saúde. A autora
considera o prazo de quatro meses incoerente. “O próprio
Governo faz campanhas ostensivas de estímulo ao aleitamento
materno mínimo de seis meses”, lembra. Proposta semelhante
com o intuito de ampliar o período da licença-maternidade
está em fase bastante adiantada de tramitação
no Congresso Nacional. Trata-se do , que aumenta também para
seis meses a licença-maternidade. A proposta da senadora não
modifica a Constituição, apenas prevê a adesão
opcional na iniciativa privada, com incentivos fiscais. Além
disso, o texto autoriza a Administração Pública
a criar programa que garanta prorrogação da licença-maternidade.
“1808. Como uma rainha louca, um príncipe medroso e
uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história
de Portugal e do Brasil” - trata da fuga da família
real de Lisboa para o Rio de Janeiro é o excelente livro de
Laurentino Gomes, paranaense de Maringá, jornalista graduado
pela UFPR, mestre pela USP, cursos nas Universidades de Cambridge
(Inglaterra) e Vanderbilt (EUA), atualmente na Editora Abril. Leitura
obrigatória (Edição da Planeta, 2007).
Edésio Passos é advogado
e ex-deputado federal (PT/PR). E.mail:edesiopassos@terra.com.br
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