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Gazeta do Povo, 26 de novembro
de 2007
ECONOMIA | FINANÇAS PÚBLICAS
Prefeituras ganharam mais de R$ 1 bilhão
com venda de folhas
Curitiba, Rio e São Paulo negociaram
contas de pagamento de servidores
Brasília – A venda da administração das folhas salariais
dos servidores públicos municipais aos bancos se tornou a mina das receitas
nas prefeituras do país. Embora a prática ainda não tenha
regras definidas, nos últimos dois anos, para obter o direito de gerenciar
as contas de pagamentos dos funcionários municipais, os bancos têm
promovido intensa disputa entre si e oferecido fortunas às prefeituras
por esse serviço. Só as três maiores vendas individuais
feitas nesse período renderam às prefeituras de São Paulo,
Rio de Janeiro e Curitiba receita total de cerca de R$ 1,02 bilhão.
Entre as grandes cidades, São Paulo e Rio, justamente as duas maiores
do Brasil, foram as primeiras a fechar a vantajosa operação,
ainda em 2005. Quando era administrada por José Serra (PSDB), São
Paulo negociou sua folha de pagamentos com o Banco Itaú por R$ 510 milhões
pelo prazo de cinco anos.
A Prefeitura do Rio de Janeiro
fechou acordo com o Santander por R$ 370 milhões, também
por cinco anos, obtendo recursos extras para obras dos Jogos Pan-Americanos. “Lucram
a prefeitura e a instituição financeira”, avalia
o prefeito do Rio, Cesar Maia (DEM).
Curitiba fechou acordo também
com o Santander, em julho passado, recebendo R$ 140,5 milhões
pelo período de cinco anos. A disputa pela conta, que envolvia
uma carteira com cerca de 39 mil servidores ativos e inativos, com volume
de quase R$ 800 milhões foi tão acirrada que reuniu na
licitação quatro bancos privados No caso da capital paranaense,
os bancos chegaram a fazer ofertas bem superiores ao lance mínimo
exigido, que era de R$ 80 milhões. Na primeira rodada da licitação,
o Santander ofereceu R$ 121 milhões, o Bradesco, R$ 110 milhões,
o Real, R$ 105 milhões e o Itaú, R$ 93 milhões.
Para decidir quem ficaria com
a conta de Curitiba foi feito um leilão entre os bancos que apresentaram
as três maiores ofertas e chegou-se ao lance final de R$ 140,5
milhões do Santander. Por conta desse tipo de negociação,
a transação acabou superando, proporcionalmente, a rentabilidade
do acordo feito por São Paulo dois anos antes, já que teve
um rendimento per capita (divisão do valor da operação
pelo número de funcionários) de R$ 3,6 mil contra R$ 2,4
mil conseguido pela prefeitura paulistana.
Salvador e Porto Alegre acertaram
nas últimas semanas transações envolvendo suas folhas.
Por R$ 100 milhões, o Bradesco ficou com a conta da capital baiana.
Já a Caixa Econômica Federal desembolsou R$ 87,3 milhões
para administrar com exclusividade os salários da capital gaúcha.
A Prefeitura de Fortaleza deve ser a próxima a fechar negócio
semelhante, devendo optar por um dos bancos do governo federal (Caixa
ou Banco do Brasil), abrindo as conversas com um valor mínimo
de R$ 60 milhões.
Interior
Nos últimos meses, a corrida
dos bancos pelas contas municipais não se restringe mais às
capitais. Depois de perder a fatia que administrava nas contas de Porto
Alegre (tinha 50% do total) e de várias cidades importantes do
Rio Grande do Sul, o Banrisul fez um movimento ousado para se posicionar
nesse mercado.
Na semana passada, o banco fechou
um pacote para administrar as folhas salariais de mais de 400 prefeituras
do estado, em troca do pagamento de R$ 230 milhões, divididos
proporcionalmente entre as cidades conforme seu tamanho, além
da liberação de mais R$ 500 milhões para financiamento
habitacional de funcionários públicos. Com o acordo, o
banco garantiu a administração das contas de quase 130
mil funcionários públicos gaúchos.
Sem privilégios - Negociação traz vantagens para municípios
A receita obtida com a venda das folhas salariais ajudou a reforçar
o caixa das prefeituras. O presidente da Confederação Nacional
dos Municípios, Paulo Ziulkoski, cita o gasto com saúde – no
qual municípios comprometem cerca de 25% do orçamento – como
exemplo da dificuldade que as cidades têm para pagar suas despesas. Para
ele, a venda é legal e não há porque manter o que chama
de “privilégios” dos bancos governamentais, que administravam
contas sem pagar. “O Banco do Brasil, por exemplo, cuida obrigatoriamente
dos recursos do Fundo de Participação dos Municípios,
que dá cerca de R$ 40 bilhões para que eles administrem. Negociar
com os bancos privados oferece vantagem às prefeituras.”
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A NOTÍCIA, 21 de novembro
de 2007 | Geral | Pág. A8
Construção Civil
Uso de amianto continua liberado
O projeto de lei 366/07, que
proíbe o uso do amianto em Santa Catarina, foi rejeitado ontem
de manhã por maioria na Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) da Assembléia Legislativa. Os parlamentares
acataram o parecer do ex-deputado estadual e relator da matéria,
João Henrique Blasi.
O relator considerou o projeto
inconstitucional, atribuindo ao governo federal o poder de legislar sobre
o assunto.
A matéria foi apresentada
pelos deputados Jailson Lima da Silva (PT) e Alna Paula Lima (PT). “Alguns
países e Estados, como Pernambuco, já aprovaram o banimento
do amianto”, disse Jailson Lima.
O amianto é uma fibra
mineral natural retirada de rochas, que, por sua abundância na
natureza, baixo custo e propriedades físico-químicas – como
a resistência mecânica às altas temperaturas, flexibilidade
e resistência aos ataques ácidos – é utilizado
na indústria, principalmente na produção de telhas.
A grande exposição ao produto por trabalhadores envolvidos
com a extração e beneficiamento da matéria-prima,
pode causar doenças como a asbestose – fibrose pulmonar
progressiva – câncer de pulmão, câncer da laringe,
entre outras.
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REVISTA
NUEVA EPOCA, 26 de novembro de 2007 | ANO 4 - Nº 188
ARGENTINA
Na construção, a incidência
de casos fatais aumentou 16,3%
Avanço nos acidentes de trabalho
En la construcción, la incidencia de casos fatales aumentó 16,3%
Avance de la accidentabilidad laboral.

Foto: SRT. La inspección de trabajo resulta fundamental para
promover la cultura de la prevención.
Durante el año 2006, se notificaron 635.874 accidentes de trabajo
y enfermedades profesionales en la Argentina, de los cuales 538.630 casos
registraron baja laboral, que implicaron más de 14,7 millones
de jornadas de trabajo pérdidas. Además se registraron
995 fallecidos, de los cuales 605 casos ocurrieron en los lugares de
trabajo y el resto fueron ocasionados en traslado (in itinere), así informó el
Ministerio de Trabajo, Empleo y Seguridad Social de la República
Argentina.
Para el período señalado el Sistema de Riesgos
del Trabajo contabiliza en promedio 6.674.654 trabajadores cubiertos,
representando un aumento de 11,2% respecto al año 2005. Mientras
que los casos notificados por accidentes de trabajo y enfermedades profesionales,
en términos globales, registra un crecimiento simétrico
del orden del 11,4%.
Este avance de la accidentabilidad laboral 2006,
recoge datos preliminares del Anuario Estadístico que presentará la
SRT antes de fin de año, en donde el cruce de diferentes variables
arrojará nuevos resultados que orientarán políticas
para los actores sociales involucrados.
Esta mirada de la realidad da
cuenta del largo camino que aún debe recorrerse en materia de
prevención. "Si bien presenciamos año tras año
el aumento de trabajadores con empleos genuinos, esta buena noticia no
debería ser acompañada por el aumento de ciudadanos mutilados,
enfermos o fallecidos", destacó Héctor Verón,
Titular de la Superintendencia de Riesgos del Trabajo (SRT), del mencionado
ministerio.
Al comparar la evolución de los indicadores de accidentabilidad
entre los años 2002 al 2006, se observa que mientras la cobertura
creció un 49,25%, los casos notificados para el total del sistema
fueron del 84,8%, y si se toman en cuenta sólo los accidentes
de trabajo y enfermedades profesionales (AT/EP) con baja laboral, el
alza es de 96,3%. Ante esta perspectiva, los casos fatales totales y
los fallecidos excluidos los in itinere acompañaron el desarrollo
vegetativo del sistema, creciendo 46,3% y 44,7%, respectivamente.
Por
otra parte, al considerar los índices de incidencia de accidentabilidad
por sectores de actividad comparando los años 2005 y 2006, se
registra que siguen creciendo el agro (1,9%) y la construcción
(1%). En tanto, que en índice de incidencia de fallecidos, la
actividad de la construcción se disparó con un 16,3%. "Estos índices
de la construcción condicen con la falta de inspección
que hay en el país. Si observamos los operativos que recientemente
llevamos a cabo con el Ministerio de Trabajo en la Capital Federal y
que estamos haciendo en el conurbano bonaerense (provincia de Buenos
Aires), no nos asombra tener que decir que suspendimos el 90% de las
obras porque corrían un peligro inminente los trabajadores",
manifestó Verón.
La mayoría de los casos notificados
fueron con días con baja laboral: sólo 15,3% de la totalidad
de los casos notificados fueron sin días con baja laboral. A su
vez, se registró una duración media de las bajas de 27,4
días, contra 24,6 días en el 2005. En algunos sectores
económicos las bajas laborales superaron dicho promedio, tal como
en agricultura, caza, silvicultura y pesca (30,5 días), Explotación
de minas y canteras (28,4 días), Electricidad, gas y agua (30,7
días), Transporte, almacenamiento y comunicaciones (30,3 días),
y Servicios comunales, sociales y personales (32,7 días).
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Gazeta do Povo, 26 de novembro de 2007
ECONOMIA | FINANÇAS
Transação ainda provoca
polêmica
Sem regulamentação específica, a negociação
de folhas salariais ainda desperta polêmicas. Em vários casos
tem havido contestação judicial sobre esse processo mas nada
que ameace a continuidade das vendas. Uma das principais discussões
envolve a participação ou não de bancos privados na compra
das contas. Na interpretação de integrantes do Ministério
Público e de Tribunais de Contas, a administração das
folhas somente poderia ser feita por bancos oficiais. “Mas qual é a
definição de banco oficial?”, questiona o presidente da
Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski,
defensor da livre e ampla negociação. “Bancos com atividades
normais são oficiais, independentemente de serem ligados ou não
a algum governo.” Para o procurador-geral do Tribunal de Contas da União,
Lucas Furtado, a questão precisa ser acompanhada com atenção. “A
licitação da folha é um assunto importante. Envolve quantias
elevadíssimas e não possui qualquer regulamentação,
o que cria dificuldades para controlar a arrecadação e gasto
desses recursos.”
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Agência Diap, 26 de
novembro de 2007
Conjuntura positiva
Por: João Guilherme Vargas Netto*
Tenho dito e repetido que
a situação está favorável às lutas
dos trabalhadores. Isso não quer dizer que todos os problemas
foram resolvidos e que não existem problemas, mas que as condições
para enfrentá-los e resolve-los de maneira positiva, estão
melhores.
O aumento do emprego com carteira assinada e os ganhos reais de salários
negociados pelos sindicatos fazem com que haja mais dinheiro em circulação; é o
que vemos em todos os feriados na rua 25 de março. Sempre cheia de compradores,
que são famílias de trabalhadores ou revendedores para famílias
de trabalhadores. O movimento sindical tem um papel grande neste processo.
Embora não seja visto, ele está nas fotos cheias de gente das “25
de Março” em todo o Brasil.
Ontem mesmo, dia 20, que foi feriado em muitas cidades brasileiras para comemorar
o Dia da Consciência Negra, mas que não foi feriado em Brasília,
os deputados aprovaram de maneira definitiva uma lei de trabalho aos domingos,
que avança os direitos dos comerciários (a cada dois domingos
trabalhados, um domingo de folga) e os deveres sindicais (que tem que negociar
em convenção as jornadas dos dias feriados) esta lei havia sido
negociada exaustivamente entre as centrais sindicais e o patronato do comércio,
originando a medida provisória que o governo enviou ao Congresso e que
agora foi aprovada na íntegra. Mais um exemplo do papel de representação
dos interesses dos trabalhadores e de negociação em seu nome
desempenhado pelo movimento sindical.
Uma coisa é certa: nesta conjuntura positiva os dirigentes sindicais
e os ativistas devem garantir cada vez mais unidade de ação,
mobilização e qualificação para reforçar
seu papel na luta dos trabalhadores por melhor qualidade de vida.
(*) João Guilherme Vargas Netto é membro do corpo técnico
do DIAP e é, também, consultor sindical de diversas entidades
de trabalhadores em São Paulo
(**) Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a
opinião do site.
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Gazeta do Povo, 26 de novembro
de 2007
BRASIL | POLÍTICA
Mantega tenta dobrar resistência à CPMF
Ministro da Fazenda intensifica negociações
e diálogo com estados
Brasília – Sem que o governo tenha garantidos os 49 votos para
aprovar a prorrogação da Contribuição Provisória
sobre Movimentação Financeira (CPMF), o ministro da Fazenda,
Guido Mantega, tenta dobrar as resistências com afagos individuais aos
senadores e governadores.
Além de mudar na última hora a proposta de reforma tributária
para ampliar a partilha dos tributos federais, o ministro acelerou as negociações
para resolver pendências represadas dos Estados e intensificou o diálogo
com governadores que podem ajudar a fazer a diferença na votação.
Com os cofres cheios nesse fim de ano, a equipe econômica também
tem como munição a liberação de emendas dos parlamentares.
Apesar de o novo presidente do
PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), ter declarado que o partido
não dará nenhum voto favorável à CPMF, o
ministro conta com o cacife de governadores para influenciar os senadores
da legenda. Os contatos telefônicos, principalmente, com o governador
de São Paulo, José Serra, têm sido permanentes e
a expectativa é de que Serra, de olho nas eleições
presidenciais, terá poder de influência sobre senadores
de Estados menos influentes – o partido não tem senador
por São Paulo.
Mesmo tendo feito um discurso
crítico no Congresso do PSDB, o governador de Minas Gerais, Aécio
Neves, é apontado também como um aliado na votação
da emenda. Não está descartado nem mesmo o voto do senador
Eduardo Azeredo (MG), denunciado pelo Ministério Público
na semana passada. O governador da Paraíba, Cássio Cunha
Lima, e o de Alagoas, Teotônio Vilela, também são
uma aposta para virar votos de senadores como Cícero Lucena (PB)
e João Tenório (AL).
O aval de Mantega, no dia da
abertura do Congresso do PSDB, à liberação emergencial
de R$ 200 milhões à governadora tucana Yeda Crusius, do
Rio Grande do Sul, pagar parte do 13.º salário do funcionalismo
e contratar empréstimo de US$ 1 bilhão com o Banco Mundial
foi a senha da boa vontade do governo.
Para enfrentar as resistências
dos senadores do Norte e Nordeste o governo também fechou o texto
da medida provisória que será enviada ao Congresso, nos
próximos dias, que regulamenta a instalação das
empresas em Zonas de Processamento de Exportações (ZPEs).
A MP preencherá as lacunas deixadas na Lei 11.508, vetada em vários
artigos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que desagradou
a vários senadores das duas regiões.
Um dos trunfos das negociações
será o Fundo de Desenvolvimento Regional (FDR), cujo objetivo é promover
investimentos nas regiões mais pobres que se utilizam de incentivos
fiscais para atrair empresas.
Longo caminho
O que o governo precisa fazer para aprovar a prorrogação
1. Limpar a pauta do Senado,
hoje obstruída por duas medidas provisórias, para que a
PEC da CPMF inicie sua tramitação.
2. Só então começa
a discussão no plenário. Abre-se um prazo de cinco sessões
para apresentação de emendas. Em seguida, volta à CCJ.
3. Apresentadas as emendas, o
senador Romero Jucá tem prazo de até 30 dias para analisá-las
e “devolver” a matéria ao plenário. Na prática,
as emendas serão rejeitadas, porque se houver alteração
no texto tem que voltar a ser discutida pela Câmara.
4. Analisadas as emendas, é aberto
prazo de cinco sessões destinadas à discussão.
5. PEC pode ser votada em primeiro
turno. Para ser aprovada, precisa dos votos de ao menos 49 dos 81 senadores.
6. Entre a votação
do primeiro e do segundo turno há um intervalo regimental de cinco
sessões e mais três sessões para apresentação
de emenda de redação.
7. O governo tem até o
dia 24 de dezembro para aprovar ou terá que haver convocação
extraordinária do Congresso.
8. Se a PEC for aprovada
em dois turnos até o final do ano, a cobrança da CPMF
será prorrogada até 2011. Se não for aprovada,
discussão recomeça no ano que vem de onde parou.
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Gazeta do Povo, 26 de novembro
de 2007
BRASIL | REFORMA POLÍTICA
Para Tião Viana, Congresso se
omite
Brasília – Diante do fracasso na votação da reforma
política na Câmara, que foi abandonada, o presidente interino
do Senado, Tião Viana (PT-AC), afirma que a iniciativa de atualizar
normas de procedimento para partidos e eleições será mesmo
do governo. Segundo ele, como forma de suprir a “omissão” do
Congresso.
O senador reclama que, também
desta vez, o Congresso volte a abrir mão de suas prerrogativas,
a exemplo do que ocorreu quando o Supremo Tribunal Federal (STF) legislou
sobre fidelidade partidária. “Acho que o governo vai ganhar
com a sociedade e nós vamos perder como Parlamento, e isso é uma
pena.”
Para ele, dificilmente Câmara
e Senado conseguirão se articular para retomar a votação
da reforma. A única saída, na opinião dele, seria
haver “uma decisão colegiada muito rápida e muito
consolidada”. “E eu não vejo unidade política
para isto”, alega. “A desarticulação e o modus
operandi entre governo e oposição, que é o da denúncia
e da defesa, são fatores que não permitirão que
façamos este movimento, então vamos ficar a reboque do
governo, infelizmente”.
Viana cita dois pontos
que considera prioritários na reforma: fidelidade partidária
e financiamento público de campanha. Ele diz ter conversado
há cerca de dez dias com o presidente da Câmara, o deputado
Arlindo Chinaglia (PT-SP), mas admite que a solução seria
mais ampla, com a participação dos líderes e compromissos
que, hoje, lhe parecem distantes.
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FOLHA DE LONDRINA, 26 de
novembro de 2007 | Geral
Doenças mentais são as
que mais afastam do trabalho
As doenças mentais são
responsáveis por cinco das dez principais causas de afastamento
do trabalho no País - sendo a primeira delas a depressão
-, o que representa um gasto de R$ 2,2 bilhões por ano, o
equivalente a 19% dos custos com salário-doença pagos
pela Previdência Social a um universo de 1,5 milhão
de pessoas. Os números aparecem num levantamento sobre a infra-estrutura
dos serviços de saúde mental no Brasil feito pela Universidade
Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com o Ministério
da Saúde e a Organização Mundial da Saúde
(OMS).
O estudo foi divulgado durante
o seminário Ação Global para o Aprimoramento Mundial
da Saúde Mental, parte de uma iniciativa da publicação
científica inglesa The Lancet, que neste mês compilou uma
série de artigos sobre saúde mental e seus impactos em
vários países, entre eles o Brasil.
''As doenças mentais são
as que mais incapacitam as pessoas e os gastos com a assistência
representam apenas 2% do orçamento do Ministério da Saúde.
Observamos um grande descompasso entre o impacto das doenças e
o investimento no cuidado com elas'', afirma o psiquiatra Jair Mari,
professor da Unifesp e responsável pela pesquisa. Ele enumera
os problemas: depressão, esquizofrenia, transtorno bipolar, abuso
de álcool e episódios de violência, que podem estar
relacionados com várias patologias.
Sem diagnóstico precoce,
sem acompanhamento adequado, essas pessoas aparecem na rede quando já estão
totalmente incapacitadas e as doenças atingiram um estágio
crônico. ''Para lidarmos com tudo isso, o relatório aponta
para a necessidade de essa fatia do orçamento aumentar para cerca
de 5%, para conseguirmos melhorar a rede de atendimento, principalmente
a atenção primária, que pode ser feita em parceira
com as equipes do Programa Saúde da Família, que precisam
ser treinadas'', completa.
Esse é justamente um dos
principais desafios apontados pelo estudo: apesar de a rede estar aumentando,
ainda não há locais suficientes para assistência
a portadores de transtornos mentais. A oferta cresceu depois do início
da reforma psiquiátrica, que prevê a desativação
dos antigos manicômios por centros de atendimento psicossocial,
chamados Caps, e por leitos de internação em hospitais
gerais.
''A gente tem os dados do sistema,
mas muita gente nem chegou a entrar nas estatísticas, fica trancada
em casa, incapacitada. Há um estigma muito forte, as famílias
ainda não sabem o que fazer e os profissionais do Saúde
da Família conseguem chegar aonde a rede de atendimento não
chega, eles vêem essas pessoas, mas não estão preparados
para diagnosticá-las e tratá-las'', conta Ana Maria Pitta,
do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia
(Ufba).
''Na minha família existem
pelo menos 30 bipolares. Eu tenho a doença, minha filha também
tem. Os serviços psiquiátricos públicos são
terríveis. Ninguém em surto pode ficar meses esperando'',
conta a filósofa Cássia Janeiro, de 44 anos, que acredita
que falta conscientização e uma maior seriedade dos próprios
profissionais da saúde para lidarem com os pacientes.
''Dentro de casa o tratamento é inadequado,
as pessoas comuns não sabem o que fazer com um doente mental.
Há um preconceito muito grande com a doença psiquiátrica.
O sujeito que bebe e chega alcoolizado ao hospital não é simplesmente
um bêbado vagabundo'', diz ela, que está escrevendo um livro
sobre o convívio com a doença.
Simone Iwasso
Agência Estado
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FOLHA DE LONDRINA, 26 de
novembro de 2007 | Opinião
Procuram-se trabalhadores qualificados
Profissionais especializados estão
em falta, afirma a presidente da ABRH, Kátia Gomes; 90 mil
vagas não serão preenchidas neste ano
Celso Pacheco

Em Londrina há um déficit de candidatos com formação
na área industrial, afirma Kátia
Mais de 90 mil vagas de emprego não serão ocupadas este ano no
Brasil, segundo levantamento divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea). A principal conclusão do estudo é que faltam
profissionais qualificados para ocupar estes postos de trabalho.
Para a consultora organizacional
e presidente da regional norte do Paraná da Associação
Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Kátia Marcos Gomes, governo,
universidades e empresariado devem se unir para identificar esta demanda
de vagas não preenchidas.
Do lado do empregado, a dica
da consultora é trabalhar não só as competências
técnicas, mas também o comportamento, que faz toda diferença
nos processos de seleção. Confira a entrevista que ela
concedeu à FOLHA:
Sobram vagas e faltam
profissionais qualificados no mercado. Onde está a raiz do problema?
Falta mão-de-obra dependendo da tendência de determinada
região e a oferta de cursos. Londrina, por exemplo, vem de uma
vocação agroindustrial e tem pouca formação
para isso. Indústrias vêm para a região e nós
não temos formação dentro da área industrial.
A carência maior está nesta área. Nós temos
várias universidades com cursos muito parecidos, dentro da área
de prestação de serviços, e poucos voltados para
a área industrial.
Faltou planejamento?
O alinhamento entre um plano diretor de desenvolvimento, com
o governo conversando com as universidades, seria imprescindível
para diminuir esta distância entre formação e mercado.
Talvez, esta seja uma boa sugestão para os políticos, incentivar
a conversa com as universidades, o empresariado, que precisa também
se posicionar e expor suas necessidades de mão-de-obra.
Como se preparar para
o que o mercado procura?
Formação superior não é suficiente
para trabalhar em uma empresa. É item básico. O mercado
requer especialização, formação técnica
e desenvolvimento de atitudes, da parte da comportamental, que não
se adquire somente fazendo o curso de graduação. Nos processos
seletivos de hoje, a qualificação técnica é buscada,
mas o foco está nas atitudes. Competências comportamentais
como relacionamento interpessoal, criatividade, liderança, espírito
de equipe, iniciativa não são muito trabalhadas pelas pessoas.
E como elas podem ser
trabalhadas?
O começo de tudo é a busca pelo autoconhecimento.
Comece a pensar em você e a descobrir suas vocações,
desejos e necessidades, o que o motiva. Junto com o autoconhecimento
vem a questão de experimentar, buscar orientação,
ter mentores na carreira. Os alunos exploram muito pouco o conhecimento
do professor. Foi até publicado em uma das reportagens do caderno
de empregos da FOLHA que não custa nada conversar com profissionais
que já estão na área que você vai atuar. Aprender
a participar de grupos também é imprescindível para
trabalhar em uma grande empresa. A tendência é de organizações
cada vez mais enxutas, com menos níveis hierárquicos. As
pessoas precisam mostrar possibilidade de argumentação,
decisão e negociação.
Tem como buscar um meio
termo entre o que o profissional quer e o que o mercado precisa?
Uma das características muito buscadas em um profissional é a
visão sistêmica, estratégica de negócios.
E para isso é preciso estar muito antenado. Leitura é imprescindível
para ter uma visão macro de ambiente, além de participar
de grupos de outras áreas e não trabalhar com preconceito.
Ter uma abertura mesmo.
Qualificação
nunca é demais?
Para alguns pesquisadores, um profissional de sucesso tem como
característica a capacidade de fazer de todos os momentos um aprendizado.
Nós nunca estamos prontos, até porque o mundo no qual a
gente vive nunca é igual. Esta volatilidade do mercado exige um
profissional extremamente flexível, e a flexibilidade está ligada
ao nível de abertura que você tem para coisas novas. Quem
não estiver aberto para outros conhecimentos, fica de lado no
mercado.
Mudar de profissão
no meio do caminho também não é um pecado...
De jeito nenhum. Muitas pessoas estão frustradas no
emprego. Da parte ativa do nosso dia, boa parte é no trabalho.
Se eu ainda estou fazendo algo que não gosto, vai refletir em
algum aspecto da minha vida. Talvez isso explique o alto nível
de depressão e doenças psicossomáticas que tem por
aí. Não é nenhum pecado fazer uma alteração
de curso, desde que você tenha bem desenhado para onde quer ir.
Marco Feltrin
Reportagem Local
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Gazeta do Povo, 26 de novembro de 2007
PARANÁ | TRABALHO
Depressão lidera afastamentos
As doenças mentais respondem por cinco dos dez principais motivos de
afastamento do trabalho no Brasil. A depressão é a mais freqüente.
A conclusão é de um levantamento sobre a infra-estrutura dos
serviços de saúde mental no Brasil feito pela Universidade Federal
de São Paulo (Unifesp) em parceria com o Ministério da Saúde
e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar de serem
responsáveis pela maior parte das licenças, os gastos com doenças
mentais representam apenas 2% do orçamento do Ministério da Saúde.
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FOLHA DE LONDRINA, 26 de
novembro de 2007 | Mundo
Nova Constituição da
Bolívia é aprovada
Sob protestos e confrontos de rua, assembleístas
fiéis a Evo Morales aprovaram a Carta Magna em primeira instância
France Presse

Violência e três mortos nas ruas de Sucre, onde foi aprovada a
Constituição
La Paz - Em meio a violentos confrontos de rua, que deixaram ao menos três
mortos e dezenas de feridos, assembleístas fiéis ao presidente
da Bolívia, Evo Morales, aprovaram sábado à noite, em
primeira instância, a nova Constituição do país,
sem a presença dos partidos oposicionistas. O texto foi aprovado em
plenária por 136 dos 139 presentes em sessão dentro de um quartel
militar, em Sucre. Segundo a agência oficial de notícias ABI,
o texto da Carta nem sequer foi lido por causa da tensão pelos confrontos.
Uma das propostas mais polêmicas
defendidas pelos governistas era a introdução da reeleição
indefinida para presidente. Hoje, o mandato na Bolívia é de
cinco anos e sem reeleição contínua. A reação
das forças oposicionistas foi imediata. O poderoso Comitê Cívico
Pró-Santa Cruz, que reúne a elite econômica do leste
do país, afirmou em nota que ''a democracia está em luto''.
A partir de agora a Constituição
deverá ser aprovada artigo por artigo. O presidente Evo Morales
participou ontem de uma cerimônia pública em La Paz, mas
não fez nenhum comentário sobre a situação
na cidade de Sucre. Morales deseja uma nova Constituição
para impulsionar sua política de mudanças, que inclui a
recuperação de recursos naturais em favor do Estado.
Os fortes choques ocorridos em
Sucre (sudeste do país) e nas proximidades de um colégio
militar, onde a Constituinte era deliberada, deixaram três mortos
- um no sábado e dois ontem -, incluindo um advogado e um policial,
e centenas de feridos, um deles em coma profundo, segundo um comunicado
médico.
Os manifestantes, especialmente
estudantes, destruíram parte do quartel de bombeiros de Sucre,
onde foram queimados 10 veículos, segundo a rádio Loyola.
Também foram queimadas e saqueadas sedes da polícia de
trânsito e outras unidades policiais.
A violência, que já era
grande no sábado, aumentou ainda mais ontem, após ser divulgada
a morte, a tiros, do advogado Gonzalo Durán, que teve seu corpo
velado por alguns minutos durante a madrugada na Praça de Armas
de Sucre.
O caos aumentou após a
terceira morte registrada, (a segunda vítima não foi identificada),
o que levou o comandante da polícia da Bolívia, general
Miguel Vásquez, a retirar os oficiais da cidade. Vásquez
afirmou que o policial Jimmy Quispe ''foi sequestrado e executado'' por
populares. ''Não existindo as garantias, o alto comando policial
e o Estado-Maior geral decidiram a retirada de todos os oficiais até que
se apresentem as garantias correspondentes'', afirmou em uma entrevista
coletiva.
O ex-presidente boliviano Jorge
Quiroga, líder do partido de direita 'Podemos', a principal força
de oposição, condenou a aprovação de ''uma
Constituição no quartel, escrita com fuzis e baionetas,
e manchada com sangue de Sucre''.
A Constituinte permanecia paralisada
desde o dia 15 e agosto, devido a divergências internas e pela
pressão exercida por organizações civis de Sucre,
que exigiam a aprovação da mudança dos poderes Executivos
e Legislativos para esta cidade.
Diante da impossibilidade de
se realizar sessões, a Assembléia se mudou na sexta-feira
para um colégio militar, uma medida que não foi aceita
pela oposição, que boicotou as deliberações.
Foi neste contexto, e aproveitando que apenas com seus membros havia
quorum, que a maioria governista aprovou sábado o ''texto geral''
da nova Constituição.
Das Agências
Folhapress
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
26/11/2007
Auxílio-doença não
interrompe prazo de prescrição
Não há no ordenamento
jurídico dispositivo que autorize concluir que o prazo de prescrição
se interrompe pelo fato de o empregado receber auxílio-doença.
Com base nesta posição, adotada pela Seção
Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior
do Trabalho, a Quinta Turma do Tribunal Superior do Trabalho manteve
decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região
(PA/AP), ao negar provimento ao recurso de um empregado do Banco Itaú em
Belém que pretendia ver suspenso o prazo prescricional de sua
ação trabalhista, sob a alegação de que o
seu contrato de trabalho fora suspenso por força do gozo de benefício
previdenciário.
Admitido em 12 de fevereiro de
1990, o empregado, segundo o acórdão do Tribunal Regional,
licenciou-se em 21 de junho de 1996, especificamente por LER/DORT, e
permaneceu em gozo de auxílio-doença até 3 de abril
de 2001, quando o benefício foi convertido em aposentadoria por
invalidez. Em 30 de abril de 2003, o bancário entrou com a reclamação
trabalhista. O TRT/PA-AP informou que inexistia alegação
de que a doença o impedira de exercitar o direito de ação
na Justiça do Trabalho. Manteve a prescrição qüinqüenal
sentenciada anteriormente e extinguiu o processo com julgamento do mérito.
A relatora do recurso na
Quinta Turma, juíza convocada Kátia Magalhães
Arruda, reconheceu o recurso por divergência jurisprudencial
e negou-lhe provimento. Anunciou que, por disciplina, decidiu de acordo
com o entendimento majoritário da SDI-1, no sentido de que não
há interrupção do prazo de prescrição
pelo fato de o empregado receber auxílio-doença. Uma
vez que não existe previsão legal neste sentido, “permitir
que eventual incapacidade de trabalho seja prestigiada pela suspensão
do prazo prescricional implicaria comprometer o princípio da
segurança jurídica, já que a qualquer tempo o
empregado poderia exigir pretensos direitos decorrentes da relação
de emprego”, concluiu. O voto da relatora foi acompanhado por
unanimidade pelos ministros da Quinta Turma. (RR-668-2003-008-08-00.5)
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26/11/2007
Sem provar que gerente era gestor, banco
pagará horas extras
Mesmo sendo gerente, bancário
tem direito a horas extras além da oitava, se o banco não
comprovar que ele tinha cargo de gestão na agência. Condenados
a pagar o trabalho extraordinário nesses casos, os bancos têm
recorrido com freqüência ao Tribunal Superior do Trabalho
para reverter a situação. As empresas querem que qualquer
gerente bancário seja considerado como gestor ou gerente geral
de agência e, assim, ficar o empregador livre do pagamento. No
entanto, a jurisprudência do TST é no sentido de concessão
das horas extras ao trabalhador.
O Banco de Crédito Nacional
S.A entrou com recurso de revista no TST insistindo que, na qualidade
de gerente de agência bancária, um ex-funcionário
se enquadrava na previsão do artigo 62, inciso II, da CLT. Este
artigo da CLT abre uma exceção quanto ao pagamento de horas
extras ao estabelecer que não têm direito à remuneração
de outras horas além das normais, nem a adicional por trabalho
extraordinário, os gerentes que tenham cargo de gestão,
aos quais se equiparam diretores e chefes de departamento ou filial.
A Primeira Turma, ao julgar o
recurso do banco, aplicou a Súmula nº 287 e não conheceu
da revista. O ministro Vieira de Mello Filho, relator, avaliou que, já sendo
incontroverso que o trabalhador exercia o cargo de gerente de agência,
mas não de gerente geral, a decisão do Tribunal Regional
do Trabalho da 17ª Região (ES) está em consonância
com a orientação jurisprudencial do TST e não há nada
a modificar.
O TRT/ES esclareceu que a Súmula
nº 287 dispõe que o gerente bancário somente não
fará jus às horas extras suplementares às oito diárias
quando, investido de mandato, em forma legal, tenha encargos de gestão
e usufrua de padrão salarial que o distinga dos demais empregados.
Para o Regional, tais requisitos não foram demonstrados. O banco
não se desincumbiu do dever de provar que a função
do bancário era de gestão e nem comparou o salário
do gerente ao dos demais empregados. (RR-713998/2000.9)

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