Informativo Eletrônico n.º 686   -   Ano 04   -   Curitiba (PR), 26 de novembro de 2007.




Gazeta do Povo, 26 de novembro de 2007

ECONOMIA | FINANÇAS PÚBLICAS
Prefeituras ganharam mais de R$ 1 bilhão com venda de folhas
Curitiba, Rio e São Paulo negociaram contas de pagamento de servidores

Brasília – A venda da administração das folhas salariais dos servidores públicos municipais aos bancos se tornou a mina das receitas nas prefeituras do país. Embora a prática ainda não tenha regras definidas, nos últimos dois anos, para obter o direito de gerenciar as contas de pagamentos dos funcionários municipais, os bancos têm promovido intensa disputa entre si e oferecido fortunas às prefeituras por esse serviço. Só as três maiores vendas individuais feitas nesse período renderam às prefeituras de São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba receita total de cerca de R$ 1,02 bilhão.

Entre as grandes cidades, São Paulo e Rio, justamente as duas maiores do Brasil, foram as primeiras a fechar a vantajosa operação, ainda em 2005. Quando era administrada por José Serra (PSDB), São Paulo negociou sua folha de pagamentos com o Banco Itaú por R$ 510 milhões pelo prazo de cinco anos.

A Prefeitura do Rio de Janeiro fechou acordo com o Santander por R$ 370 milhões, também por cinco anos, obtendo recursos extras para obras dos Jogos Pan-Americanos. “Lucram a prefeitura e a instituição financeira”, avalia o prefeito do Rio, Cesar Maia (DEM).

Curitiba fechou acordo também com o Santander, em julho passado, recebendo R$ 140,5 milhões pelo período de cinco anos. A disputa pela conta, que envolvia uma carteira com cerca de 39 mil servidores ativos e inativos, com volume de quase R$ 800 milhões foi tão acirrada que reuniu na licitação quatro bancos privados No caso da capital paranaense, os bancos chegaram a fazer ofertas bem superiores ao lance mínimo exigido, que era de R$ 80 milhões. Na primeira rodada da licitação, o Santander ofereceu R$ 121 milhões, o Bradesco, R$ 110 milhões, o Real, R$ 105 milhões e o Itaú, R$ 93 milhões.

Para decidir quem ficaria com a conta de Curitiba foi feito um leilão entre os bancos que apresentaram as três maiores ofertas e chegou-se ao lance final de R$ 140,5 milhões do Santander. Por conta desse tipo de negociação, a transação acabou superando, proporcionalmente, a rentabilidade do acordo feito por São Paulo dois anos antes, já que teve um rendimento per capita (divisão do valor da operação pelo número de funcionários) de R$ 3,6 mil contra R$ 2,4 mil conseguido pela prefeitura paulistana.

Salvador e Porto Alegre acertaram nas últimas semanas transações envolvendo suas folhas. Por R$ 100 milhões, o Bradesco ficou com a conta da capital baiana. Já a Caixa Econômica Federal desembolsou R$ 87,3 milhões para administrar com exclusividade os salários da capital gaúcha. A Prefeitura de Fortaleza deve ser a próxima a fechar negócio semelhante, devendo optar por um dos bancos do governo federal (Caixa ou Banco do Brasil), abrindo as conversas com um valor mínimo de R$ 60 milhões.

Interior

Nos últimos meses, a corrida dos bancos pelas contas municipais não se restringe mais às capitais. Depois de perder a fatia que administrava nas contas de Porto Alegre (tinha 50% do total) e de várias cidades importantes do Rio Grande do Sul, o Banrisul fez um movimento ousado para se posicionar nesse mercado.

Na semana passada, o banco fechou um pacote para administrar as folhas salariais de mais de 400 prefeituras do estado, em troca do pagamento de R$ 230 milhões, divididos proporcionalmente entre as cidades conforme seu tamanho, além da liberação de mais R$ 500 milhões para financiamento habitacional de funcionários públicos. Com o acordo, o banco garantiu a administração das contas de quase 130 mil funcionários públicos gaúchos.

Sem privilégios - Negociação traz vantagens para municípios


A receita obtida com a venda das folhas salariais ajudou a reforçar o caixa das prefeituras. O presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski, cita o gasto com saúde – no qual municípios comprometem cerca de 25% do orçamento – como exemplo da dificuldade que as cidades têm para pagar suas despesas. Para ele, a venda é legal e não há porque manter o que chama de “privilégios” dos bancos governamentais, que administravam contas sem pagar. “O Banco do Brasil, por exemplo, cuida obrigatoriamente dos recursos do Fundo de Participação dos Municípios, que dá cerca de R$ 40 bilhões para que eles administrem. Negociar com os bancos privados oferece vantagem às prefeituras.”

 

A NOTÍCIA, 21 de novembro de 2007 | Geral | Pág. A8
Construção Civil
Uso de amianto continua liberado

O projeto de lei 366/07, que proíbe o uso do amianto em Santa Catarina, foi rejeitado ontem de manhã por maioria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembléia Legislativa. Os parlamentares acataram o parecer do ex-deputado estadual e relator da matéria, João Henrique Blasi.

O relator considerou o projeto inconstitucional, atribuindo ao governo federal o poder de legislar sobre o assunto.

A matéria foi apresentada pelos deputados Jailson Lima da Silva (PT) e Alna Paula Lima (PT). “Alguns países e Estados, como Pernambuco, já aprovaram o banimento do amianto”, disse Jailson Lima.

O amianto é uma fibra mineral natural retirada de rochas, que, por sua abundância na natureza, baixo custo e propriedades físico-químicas – como a resistência mecânica às altas temperaturas, flexibilidade e resistência aos ataques ácidos – é utilizado na indústria, principalmente na produção de telhas. A grande exposição ao produto por trabalhadores envolvidos com a extração e beneficiamento da matéria-prima, pode causar doenças como a asbestose – fibrose pulmonar progressiva – câncer de pulmão, câncer da laringe, entre outras.

 

REVISTA NUEVA EPOCA, 26 de novembro de 2007 | ANO 4 - Nº 188
ARGENTINA
Na construção, a incidência de casos fatais aumentou 16,3%
Avanço nos acidentes de trabalho

En la construcción, la incidencia de casos fatales aumentó 16,3%
Avance de la accidentabilidad laboral.



Foto: SRT. La inspección de trabajo resulta fundamental para promover la cultura de la prevención.


Durante el año 2006, se notificaron 635.874 accidentes de trabajo y enfermedades profesionales en la Argentina, de los cuales 538.630 casos registraron baja laboral, que implicaron más de 14,7 millones de jornadas de trabajo pérdidas. Además se registraron 995 fallecidos, de los cuales 605 casos ocurrieron en los lugares de trabajo y el resto fueron ocasionados en traslado (in itinere), así informó el Ministerio de Trabajo, Empleo y Seguridad Social de la República Argentina.

Para el período señalado el Sistema de Riesgos del Trabajo contabiliza en promedio 6.674.654 trabajadores cubiertos, representando un aumento de 11,2% respecto al año 2005. Mientras que los casos notificados por accidentes de trabajo y enfermedades profesionales, en términos globales, registra un crecimiento simétrico del orden del 11,4%.

Este avance de la accidentabilidad laboral 2006, recoge datos preliminares del Anuario Estadístico que presentará la SRT antes de fin de año, en donde el cruce de diferentes variables arrojará nuevos resultados que orientarán políticas para los actores sociales involucrados.

Esta mirada de la realidad da cuenta del largo camino que aún debe recorrerse en materia de prevención. "Si bien presenciamos año tras año el aumento de trabajadores con empleos genuinos, esta buena noticia no debería ser acompañada por el aumento de ciudadanos mutilados, enfermos o fallecidos", destacó Héctor Verón, Titular de la Superintendencia de Riesgos del Trabajo (SRT), del mencionado ministerio.

Al comparar la evolución de los indicadores de accidentabilidad entre los años 2002 al 2006, se observa que mientras la cobertura creció un 49,25%, los casos notificados para el total del sistema fueron del 84,8%, y si se toman en cuenta sólo los accidentes de trabajo y enfermedades profesionales (AT/EP) con baja laboral, el alza es de 96,3%. Ante esta perspectiva, los casos fatales totales y los fallecidos excluidos los in itinere acompañaron el desarrollo vegetativo del sistema, creciendo 46,3% y 44,7%, respectivamente.

Por otra parte, al considerar los índices de incidencia de accidentabilidad por sectores de actividad comparando los años 2005 y 2006, se registra que siguen creciendo el agro (1,9%) y la construcción (1%). En tanto, que en índice de incidencia de fallecidos, la actividad de la construcción se disparó con un 16,3%. "Estos índices de la construcción condicen con la falta de inspección que hay en el país. Si observamos los operativos que recientemente llevamos a cabo con el Ministerio de Trabajo en la Capital Federal y que estamos haciendo en el conurbano bonaerense (provincia de Buenos Aires), no nos asombra tener que decir que suspendimos el 90% de las obras porque corrían un peligro inminente los trabajadores", manifestó Verón.

La mayoría de los casos notificados fueron con días con baja laboral: sólo 15,3% de la totalidad de los casos notificados fueron sin días con baja laboral. A su vez, se registró una duración media de las bajas de 27,4 días, contra 24,6 días en el 2005. En algunos sectores económicos las bajas laborales superaron dicho promedio, tal como en agricultura, caza, silvicultura y pesca (30,5 días), Explotación de minas y canteras (28,4 días), Electricidad, gas y agua (30,7 días), Transporte, almacenamiento y comunicaciones (30,3 días), y Servicios comunales, sociales y personales (32,7 días).

 

Gazeta do Povo, 26 de novembro de 2007
ECONOMIA | FINANÇAS
Transação ainda provoca polêmica

Sem regulamentação específica, a negociação de folhas salariais ainda desperta polêmicas. Em vários casos tem havido contestação judicial sobre esse processo mas nada que ameace a continuidade das vendas. Uma das principais discussões envolve a participação ou não de bancos privados na compra das contas. Na interpretação de integrantes do Ministério Público e de Tribunais de Contas, a administração das folhas somente poderia ser feita por bancos oficiais. “Mas qual é a definição de banco oficial?”, questiona o presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski, defensor da livre e ampla negociação. “Bancos com atividades normais são oficiais, independentemente de serem ligados ou não a algum governo.” Para o procurador-geral do Tribunal de Contas da União, Lucas Furtado, a questão precisa ser acompanhada com atenção. “A licitação da folha é um assunto importante. Envolve quantias elevadíssimas e não possui qualquer regulamentação, o que cria dificuldades para controlar a arrecadação e gasto desses recursos.”


Agência Diap, 26 de novembro de 2007
Conjuntura positiva
Por: João Guilherme Vargas Netto*

Tenho dito e repetido que a situação está favorável às lutas dos trabalhadores. Isso não quer dizer que todos os problemas foram resolvidos e que não existem problemas, mas que as condições para enfrentá-los e resolve-los de maneira positiva, estão melhores.

O aumento do emprego com carteira assinada e os ganhos reais de salários negociados pelos sindicatos fazem com que haja mais dinheiro em circulação; é o que vemos em todos os feriados na rua 25 de março. Sempre cheia de compradores, que são famílias de trabalhadores ou revendedores para famílias de trabalhadores. O movimento sindical tem um papel grande neste processo. Embora não seja visto, ele está nas fotos cheias de gente das “25 de Março” em todo o Brasil.

Ontem mesmo, dia 20, que foi feriado em muitas cidades brasileiras para comemorar o Dia da Consciência Negra, mas que não foi feriado em Brasília, os deputados aprovaram de maneira definitiva uma lei de trabalho aos domingos, que avança os direitos dos comerciários (a cada dois domingos trabalhados, um domingo de folga) e os deveres sindicais (que tem que negociar em convenção as jornadas dos dias feriados) esta lei havia sido negociada exaustivamente entre as centrais sindicais e o patronato do comércio, originando a medida provisória que o governo enviou ao Congresso e que agora foi aprovada na íntegra. Mais um exemplo do papel de representação dos interesses dos trabalhadores e de negociação em seu nome desempenhado pelo movimento sindical.

Uma coisa é certa: nesta conjuntura positiva os dirigentes sindicais e os ativistas devem garantir cada vez mais unidade de ação, mobilização e qualificação para reforçar seu papel na luta dos trabalhadores por melhor qualidade de vida.

(*) João Guilherme Vargas Netto é membro do corpo técnico do DIAP e é, também, consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores em São Paulo


(**) Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.


Gazeta do Povo, 26 de novembro de 2007
BRASIL | POLÍTICA
Mantega tenta dobrar resistência à CPMF
Ministro da Fazenda intensifica negociações e diálogo com estados

Brasília – Sem que o governo tenha garantidos os 49 votos para aprovar a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tenta dobrar as resistências com afagos individuais aos senadores e governadores.

Além de mudar na última hora a proposta de reforma tributária para ampliar a partilha dos tributos federais, o ministro acelerou as negociações para resolver pendências represadas dos Estados e intensificou o diálogo com governadores que podem ajudar a fazer a diferença na votação. Com os cofres cheios nesse fim de ano, a equipe econômica também tem como munição a liberação de emendas dos parlamentares.

Apesar de o novo presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), ter declarado que o partido não dará nenhum voto favorável à CPMF, o ministro conta com o cacife de governadores para influenciar os senadores da legenda. Os contatos telefônicos, principalmente, com o governador de São Paulo, José Serra, têm sido permanentes e a expectativa é de que Serra, de olho nas eleições presidenciais, terá poder de influência sobre senadores de Estados menos influentes – o partido não tem senador por São Paulo.

Mesmo tendo feito um discurso crítico no Congresso do PSDB, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, é apontado também como um aliado na votação da emenda. Não está descartado nem mesmo o voto do senador Eduardo Azeredo (MG), denunciado pelo Ministério Público na semana passada. O governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima, e o de Alagoas, Teotônio Vilela, também são uma aposta para virar votos de senadores como Cícero Lucena (PB) e João Tenório (AL).

O aval de Mantega, no dia da abertura do Congresso do PSDB, à liberação emergencial de R$ 200 milhões à governadora tucana Yeda Crusius, do Rio Grande do Sul, pagar parte do 13.º salário do funcionalismo e contratar empréstimo de US$ 1 bilhão com o Banco Mundial foi a senha da boa vontade do governo.

Para enfrentar as resistências dos senadores do Norte e Nordeste o governo também fechou o texto da medida provisória que será enviada ao Congresso, nos próximos dias, que regulamenta a instalação das empresas em Zonas de Processamento de Exportações (ZPEs). A MP preencherá as lacunas deixadas na Lei 11.508, vetada em vários artigos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que desagradou a vários senadores das duas regiões.

Um dos trunfos das negociações será o Fundo de Desenvolvimento Regional (FDR), cujo objetivo é promover investimentos nas regiões mais pobres que se utilizam de incentivos fiscais para atrair empresas.

Longo caminho



O que o governo precisa fazer para aprovar a prorrogação

1. Limpar a pauta do Senado, hoje obstruída por duas medidas provisórias, para que a PEC da CPMF inicie sua tramitação.

2. Só então começa a discussão no plenário. Abre-se um prazo de cinco sessões para apresentação de emendas. Em seguida, volta à CCJ.

3. Apresentadas as emendas, o senador Romero Jucá tem prazo de até 30 dias para analisá-las e “devolver” a matéria ao plenário. Na prática, as emendas serão rejeitadas, porque se houver alteração no texto tem que voltar a ser discutida pela Câmara.

4. Analisadas as emendas, é aberto prazo de cinco sessões destinadas à discussão.

5. PEC pode ser votada em primeiro turno. Para ser aprovada, precisa dos votos de ao menos 49 dos 81 senadores.

6. Entre a votação do primeiro e do segundo turno há um intervalo regimental de cinco sessões e mais três sessões para apresentação de emenda de redação.

7. O governo tem até o dia 24 de dezembro para aprovar ou terá que haver convocação extraordinária do Congresso.

8. Se a PEC for aprovada em dois turnos até o final do ano, a cobrança da CPMF será prorrogada até 2011. Se não for aprovada, discussão recomeça no ano que vem de onde parou.


Gazeta do Povo, 26 de novembro de 2007
BRASIL | REFORMA POLÍTICA
Para Tião Viana, Congresso se omite

Brasília – Diante do fracasso na votação da reforma política na Câmara, que foi abandonada, o presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), afirma que a iniciativa de atualizar normas de procedimento para partidos e eleições será mesmo do governo. Segundo ele, como forma de suprir a “omissão” do Congresso.

O senador reclama que, também desta vez, o Congresso volte a abrir mão de suas prerrogativas, a exemplo do que ocorreu quando o Supremo Tribunal Federal (STF) legislou sobre fidelidade partidária. “Acho que o governo vai ganhar com a sociedade e nós vamos perder como Parlamento, e isso é uma pena.”

Para ele, dificilmente Câmara e Senado conseguirão se articular para retomar a votação da reforma. A única saída, na opinião dele, seria haver “uma decisão colegiada muito rápida e muito consolidada”. “E eu não vejo unidade política para isto”, alega. “A desarticulação e o modus operandi entre governo e oposição, que é o da denúncia e da defesa, são fatores que não permitirão que façamos este movimento, então vamos ficar a reboque do governo, infelizmente”.

Viana cita dois pontos que considera prioritários na reforma: fidelidade partidária e financiamento público de campanha. Ele diz ter conversado há cerca de dez dias com o presidente da Câmara, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), mas admite que a solução seria mais ampla, com a participação dos líderes e compromissos que, hoje, lhe parecem distantes.


FOLHA DE LONDRINA, 26 de novembro de 2007 | Geral
Doenças mentais são as que mais afastam do trabalho

As doenças mentais são responsáveis por cinco das dez principais causas de afastamento do trabalho no País - sendo a primeira delas a depressão -, o que representa um gasto de R$ 2,2 bilhões por ano, o equivalente a 19% dos custos com salário-doença pagos pela Previdência Social a um universo de 1,5 milhão de pessoas. Os números aparecem num levantamento sobre a infra-estrutura dos serviços de saúde mental no Brasil feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O estudo foi divulgado durante o seminário Ação Global para o Aprimoramento Mundial da Saúde Mental, parte de uma iniciativa da publicação científica inglesa The Lancet, que neste mês compilou uma série de artigos sobre saúde mental e seus impactos em vários países, entre eles o Brasil.

''As doenças mentais são as que mais incapacitam as pessoas e os gastos com a assistência representam apenas 2% do orçamento do Ministério da Saúde. Observamos um grande descompasso entre o impacto das doenças e o investimento no cuidado com elas'', afirma o psiquiatra Jair Mari, professor da Unifesp e responsável pela pesquisa. Ele enumera os problemas: depressão, esquizofrenia, transtorno bipolar, abuso de álcool e episódios de violência, que podem estar relacionados com várias patologias.

Sem diagnóstico precoce, sem acompanhamento adequado, essas pessoas aparecem na rede quando já estão totalmente incapacitadas e as doenças atingiram um estágio crônico. ''Para lidarmos com tudo isso, o relatório aponta para a necessidade de essa fatia do orçamento aumentar para cerca de 5%, para conseguirmos melhorar a rede de atendimento, principalmente a atenção primária, que pode ser feita em parceira com as equipes do Programa Saúde da Família, que precisam ser treinadas'', completa.

Esse é justamente um dos principais desafios apontados pelo estudo: apesar de a rede estar aumentando, ainda não há locais suficientes para assistência a portadores de transtornos mentais. A oferta cresceu depois do início da reforma psiquiátrica, que prevê a desativação dos antigos manicômios por centros de atendimento psicossocial, chamados Caps, e por leitos de internação em hospitais gerais.

''A gente tem os dados do sistema, mas muita gente nem chegou a entrar nas estatísticas, fica trancada em casa, incapacitada. Há um estigma muito forte, as famílias ainda não sabem o que fazer e os profissionais do Saúde da Família conseguem chegar aonde a rede de atendimento não chega, eles vêem essas pessoas, mas não estão preparados para diagnosticá-las e tratá-las'', conta Ana Maria Pitta, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

''Na minha família existem pelo menos 30 bipolares. Eu tenho a doença, minha filha também tem. Os serviços psiquiátricos públicos são terríveis. Ninguém em surto pode ficar meses esperando'', conta a filósofa Cássia Janeiro, de 44 anos, que acredita que falta conscientização e uma maior seriedade dos próprios profissionais da saúde para lidarem com os pacientes.

''Dentro de casa o tratamento é inadequado, as pessoas comuns não sabem o que fazer com um doente mental. Há um preconceito muito grande com a doença psiquiátrica. O sujeito que bebe e chega alcoolizado ao hospital não é simplesmente um bêbado vagabundo'', diz ela, que está escrevendo um livro sobre o convívio com a doença.

Simone Iwasso
Agência Estado

 

FOLHA DE LONDRINA, 26 de novembro de 2007 | Opinião
Procuram-se trabalhadores qualificados
Profissionais especializados estão em falta, afirma a presidente da ABRH, Kátia Gomes; 90 mil vagas não serão preenchidas neste ano

Celso Pacheco

Em Londrina há um déficit de candidatos com formação na área industrial, afirma Kátia

Mais de 90 mil vagas de emprego não serão ocupadas este ano no Brasil, segundo levantamento divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A principal conclusão do estudo é que faltam profissionais qualificados para ocupar estes postos de trabalho.

Para a consultora organizacional e presidente da regional norte do Paraná da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Kátia Marcos Gomes, governo, universidades e empresariado devem se unir para identificar esta demanda de vagas não preenchidas.

Do lado do empregado, a dica da consultora é trabalhar não só as competências técnicas, mas também o comportamento, que faz toda diferença nos processos de seleção. Confira a entrevista que ela concedeu à FOLHA:

Sobram vagas e faltam profissionais qualificados no mercado. Onde está a raiz do problema?
Falta mão-de-obra dependendo da tendência de determinada região e a oferta de cursos. Londrina, por exemplo, vem de uma vocação agroindustrial e tem pouca formação para isso. Indústrias vêm para a região e nós não temos formação dentro da área industrial. A carência maior está nesta área. Nós temos várias universidades com cursos muito parecidos, dentro da área de prestação de serviços, e poucos voltados para a área industrial.

Faltou planejamento?
O alinhamento entre um plano diretor de desenvolvimento, com o governo conversando com as universidades, seria imprescindível para diminuir esta distância entre formação e mercado. Talvez, esta seja uma boa sugestão para os políticos, incentivar a conversa com as universidades, o empresariado, que precisa também se posicionar e expor suas necessidades de mão-de-obra.

Como se preparar para o que o mercado procura?
Formação superior não é suficiente para trabalhar em uma empresa. É item básico. O mercado requer especialização, formação técnica e desenvolvimento de atitudes, da parte da comportamental, que não se adquire somente fazendo o curso de graduação. Nos processos seletivos de hoje, a qualificação técnica é buscada, mas o foco está nas atitudes. Competências comportamentais como relacionamento interpessoal, criatividade, liderança, espírito de equipe, iniciativa não são muito trabalhadas pelas pessoas.

E como elas podem ser trabalhadas?
O começo de tudo é a busca pelo autoconhecimento. Comece a pensar em você e a descobrir suas vocações, desejos e necessidades, o que o motiva. Junto com o autoconhecimento vem a questão de experimentar, buscar orientação, ter mentores na carreira. Os alunos exploram muito pouco o conhecimento do professor. Foi até publicado em uma das reportagens do caderno de empregos da FOLHA que não custa nada conversar com profissionais que já estão na área que você vai atuar. Aprender a participar de grupos também é imprescindível para trabalhar em uma grande empresa. A tendência é de organizações cada vez mais enxutas, com menos níveis hierárquicos. As pessoas precisam mostrar possibilidade de argumentação, decisão e negociação.

Tem como buscar um meio termo entre o que o profissional quer e o que o mercado precisa?
Uma das características muito buscadas em um profissional é a visão sistêmica, estratégica de negócios. E para isso é preciso estar muito antenado. Leitura é imprescindível para ter uma visão macro de ambiente, além de participar de grupos de outras áreas e não trabalhar com preconceito. Ter uma abertura mesmo.

Qualificação nunca é demais?
Para alguns pesquisadores, um profissional de sucesso tem como característica a capacidade de fazer de todos os momentos um aprendizado. Nós nunca estamos prontos, até porque o mundo no qual a gente vive nunca é igual. Esta volatilidade do mercado exige um profissional extremamente flexível, e a flexibilidade está ligada ao nível de abertura que você tem para coisas novas. Quem não estiver aberto para outros conhecimentos, fica de lado no mercado.

Mudar de profissão no meio do caminho também não é um pecado...
De jeito nenhum. Muitas pessoas estão frustradas no emprego. Da parte ativa do nosso dia, boa parte é no trabalho. Se eu ainda estou fazendo algo que não gosto, vai refletir em algum aspecto da minha vida. Talvez isso explique o alto nível de depressão e doenças psicossomáticas que tem por aí. Não é nenhum pecado fazer uma alteração de curso, desde que você tenha bem desenhado para onde quer ir.

Marco Feltrin
Reportagem Local


Gazeta do Povo, 26 de novembro de 2007
PARANÁ | TRABALHO
Depressão lidera afastamentos

As doenças mentais respondem por cinco dos dez principais motivos de afastamento do trabalho no Brasil. A depressão é a mais freqüente. A conclusão é de um levantamento sobre a infra-estrutura dos serviços de saúde mental no Brasil feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar de serem responsáveis pela maior parte das licenças, os gastos com doenças mentais representam apenas 2% do orçamento do Ministério da Saúde.


FOLHA DE LONDRINA, 26 de novembro de 2007 | Mundo
Nova Constituição da Bolívia é aprovada
Sob protestos e confrontos de rua, assembleístas fiéis a Evo Morales aprovaram a Carta Magna em primeira instância

France Presse

Violência e três mortos nas ruas de Sucre, onde foi aprovada a Constituição


La Paz - Em meio a violentos confrontos de rua, que deixaram ao menos três mortos e dezenas de feridos, assembleístas fiéis ao presidente da Bolívia, Evo Morales, aprovaram sábado à noite, em primeira instância, a nova Constituição do país, sem a presença dos partidos oposicionistas. O texto foi aprovado em plenária por 136 dos 139 presentes em sessão dentro de um quartel militar, em Sucre. Segundo a agência oficial de notícias ABI, o texto da Carta nem sequer foi lido por causa da tensão pelos confrontos.

Uma das propostas mais polêmicas defendidas pelos governistas era a introdução da reeleição indefinida para presidente. Hoje, o mandato na Bolívia é de cinco anos e sem reeleição contínua. A reação das forças oposicionistas foi imediata. O poderoso Comitê Cívico Pró-Santa Cruz, que reúne a elite econômica do leste do país, afirmou em nota que ''a democracia está em luto''.

A partir de agora a Constituição deverá ser aprovada artigo por artigo. O presidente Evo Morales participou ontem de uma cerimônia pública em La Paz, mas não fez nenhum comentário sobre a situação na cidade de Sucre. Morales deseja uma nova Constituição para impulsionar sua política de mudanças, que inclui a recuperação de recursos naturais em favor do Estado.

Os fortes choques ocorridos em Sucre (sudeste do país) e nas proximidades de um colégio militar, onde a Constituinte era deliberada, deixaram três mortos - um no sábado e dois ontem -, incluindo um advogado e um policial, e centenas de feridos, um deles em coma profundo, segundo um comunicado médico.

Os manifestantes, especialmente estudantes, destruíram parte do quartel de bombeiros de Sucre, onde foram queimados 10 veículos, segundo a rádio Loyola. Também foram queimadas e saqueadas sedes da polícia de trânsito e outras unidades policiais.

A violência, que já era grande no sábado, aumentou ainda mais ontem, após ser divulgada a morte, a tiros, do advogado Gonzalo Durán, que teve seu corpo velado por alguns minutos durante a madrugada na Praça de Armas de Sucre.

O caos aumentou após a terceira morte registrada, (a segunda vítima não foi identificada), o que levou o comandante da polícia da Bolívia, general Miguel Vásquez, a retirar os oficiais da cidade. Vásquez afirmou que o policial Jimmy Quispe ''foi sequestrado e executado'' por populares. ''Não existindo as garantias, o alto comando policial e o Estado-Maior geral decidiram a retirada de todos os oficiais até que se apresentem as garantias correspondentes'', afirmou em uma entrevista coletiva.

O ex-presidente boliviano Jorge Quiroga, líder do partido de direita 'Podemos', a principal força de oposição, condenou a aprovação de ''uma Constituição no quartel, escrita com fuzis e baionetas, e manchada com sangue de Sucre''.

A Constituinte permanecia paralisada desde o dia 15 e agosto, devido a divergências internas e pela pressão exercida por organizações civis de Sucre, que exigiam a aprovação da mudança dos poderes Executivos e Legislativos para esta cidade.

Diante da impossibilidade de se realizar sessões, a Assembléia se mudou na sexta-feira para um colégio militar, uma medida que não foi aceita pela oposição, que boicotou as deliberações. Foi neste contexto, e aproveitando que apenas com seus membros havia quorum, que a maioria governista aprovou sábado o ''texto geral'' da nova Constituição.

Das Agências
Folhapress


Notícias do Tribunal Superior do Trabalho

26/11/2007
Auxílio-doença não interrompe prazo de prescrição

Não há no ordenamento jurídico dispositivo que autorize concluir que o prazo de prescrição se interrompe pelo fato de o empregado receber auxílio-doença. Com base nesta posição, adotada pela Seção Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho, a Quinta Turma do Tribunal Superior do Trabalho manteve decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (PA/AP), ao negar provimento ao recurso de um empregado do Banco Itaú em Belém que pretendia ver suspenso o prazo prescricional de sua ação trabalhista, sob a alegação de que o seu contrato de trabalho fora suspenso por força do gozo de benefício previdenciário.

Admitido em 12 de fevereiro de 1990, o empregado, segundo o acórdão do Tribunal Regional, licenciou-se em 21 de junho de 1996, especificamente por LER/DORT, e permaneceu em gozo de auxílio-doença até 3 de abril de 2001, quando o benefício foi convertido em aposentadoria por invalidez. Em 30 de abril de 2003, o bancário entrou com a reclamação trabalhista. O TRT/PA-AP informou que inexistia alegação de que a doença o impedira de exercitar o direito de ação na Justiça do Trabalho. Manteve a prescrição qüinqüenal sentenciada anteriormente e extinguiu o processo com julgamento do mérito.

A relatora do recurso na Quinta Turma, juíza convocada Kátia Magalhães Arruda, reconheceu o recurso por divergência jurisprudencial e negou-lhe provimento. Anunciou que, por disciplina, decidiu de acordo com o entendimento majoritário da SDI-1, no sentido de que não há interrupção do prazo de prescrição pelo fato de o empregado receber auxílio-doença. Uma vez que não existe previsão legal neste sentido, “permitir que eventual incapacidade de trabalho seja prestigiada pela suspensão do prazo prescricional implicaria comprometer o princípio da segurança jurídica, já que a qualquer tempo o empregado poderia exigir pretensos direitos decorrentes da relação de emprego”, concluiu. O voto da relatora foi acompanhado por unanimidade pelos ministros da Quinta Turma. (RR-668-2003-008-08-00.5)


26/11/2007
Sem provar que gerente era gestor, banco pagará horas extras

Mesmo sendo gerente, bancário tem direito a horas extras além da oitava, se o banco não comprovar que ele tinha cargo de gestão na agência. Condenados a pagar o trabalho extraordinário nesses casos, os bancos têm recorrido com freqüência ao Tribunal Superior do Trabalho para reverter a situação. As empresas querem que qualquer gerente bancário seja considerado como gestor ou gerente geral de agência e, assim, ficar o empregador livre do pagamento. No entanto, a jurisprudência do TST é no sentido de concessão das horas extras ao trabalhador.

O Banco de Crédito Nacional S.A entrou com recurso de revista no TST insistindo que, na qualidade de gerente de agência bancária, um ex-funcionário se enquadrava na previsão do artigo 62, inciso II, da CLT. Este artigo da CLT abre uma exceção quanto ao pagamento de horas extras ao estabelecer que não têm direito à remuneração de outras horas além das normais, nem a adicional por trabalho extraordinário, os gerentes que tenham cargo de gestão, aos quais se equiparam diretores e chefes de departamento ou filial.

A Primeira Turma, ao julgar o recurso do banco, aplicou a Súmula nº 287 e não conheceu da revista. O ministro Vieira de Mello Filho, relator, avaliou que, já sendo incontroverso que o trabalhador exercia o cargo de gerente de agência, mas não de gerente geral, a decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (ES) está em consonância com a orientação jurisprudencial do TST e não há nada a modificar.

O TRT/ES esclareceu que a Súmula nº 287 dispõe que o gerente bancário somente não fará jus às horas extras suplementares às oito diárias quando, investido de mandato, em forma legal, tenha encargos de gestão e usufrua de padrão salarial que o distinga dos demais empregados. Para o Regional, tais requisitos não foram demonstrados. O banco não se desincumbiu do dever de provar que a função do bancário era de gestão e nem comparou o salário do gerente ao dos demais empregados. (RR-713998/2000.9)