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Agência Diap, 5 de
dezembro de 2007
MOVIMENTO SINDICAL
Lupi se reúne com presidente
do Senado e relatores para ratificar acordo da contribuição
sindical
O presidente interino do Senado,
Tião Viana (PT/AC), recebeu na manhã desta terça-feira,
04/12, o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, e dirigentes sindicais
interessados na discussão do projeto que tratará da contribuição
negocial que o Governo enviará ao Congresso Nacional para substituir
a contribuição sindical hoje paga pelos trabalhadores.
Os três relatores do projeto
que preservou a contribuição sindical, aprovado no último
dia 29, pelo plenário da Casa, Lúcia Vânia (PSDB/GO),
Francisco Dornelles(PP/RJ) e Paulo Paim (PT/RS), também estiveram
presentes ao encontro. Na ocasião, Tião Viana disse que
ninguém se opõe a uma reforma que venha modernizar as normas
legislativas, desde que isso tenha densidade.
Ao deixar a reunião, o
ministro do Trabalho se disse responsável pelo acordo exaustivamente
discutido com as centrais sindicais, os senadores e o Governo, que propiciou
a aprovação da matéria pelo Senado. Lupi anunciou
que, até fevereiro 2008 será enviado ao Congresso, em regime
de urgência, projeto com uma nova regulamentação
para a contribuição sindical.
Carlos Lupi informou que a intenção
do Governo é fixar essa contribuição em não
mais que 1% do que o trabalhador ganha por ano, o que significará que,
se o profissional receber R$ 12 mil em um ano, pagará R$ 120 como
contribuição negocial, decidida em assembléia convocada
para este fim.
Entrevista à imprensa,
o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT/SP), que também é presidente
da Força Sindical, disse que esse valor é muito baixo
e ficará bem aquém da contribuição de um
dia de salário por ano, atualmente paga pelos trabalhadores
sindicalizados. (André Santos, com informações
da Agência Senado)
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Folha de São Paulo, 5 de dezembro de
2007
IMPOSTO SINDICAL
Nova proposta prevê teto
de 1% do salário
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O ministro Carlos Lupi (Trabalho) disse ontem, após se reunir com o
presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), que em fevereiro
encaminhará para o Congresso proposta sobre a cobrança da contribuição
sindical.
Na semana passada, o Senado aprovou projeto que regulamenta as sindicais e
derrubou emenda da Câmara que extinguia a obrigatoriedade da contribuição
sindical. O projeto está agora na Câmara.
Lupi adiantou que a idéia é definir uma "contribuição
negocial sindical" pela qual a cobrança continue obrigatória,
mas que o valor seja definido em assembléia. O teto seria de 1% do salário
anual do trabalhador e representaria um acréscimo de 270% em relação
ao atual (0,27%).
Para fechar um acordo no Senado após dias de negociações,
Lupi garantiu que em 90 dias enviaria ao Congresso a proposta da "contribuição
negocial", que substituirá o do imposto sindical vigente.
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FOLHA DE LONDRINA, 05 de
novembro de 2007 | Economia
Construção civil pode
crescer 7,7% por ano
Arquivo FOLHA

Na composição do PIB do setor estão o desempenho
das empresas, a autoconstrução e a construção
informal
São Paulo - O setor de construção civil terá crescimento
médio anual de 7,7% entre 2008 e 2010, segundo o Sindicato das Indústrias
de Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP).
Para 2008, é esperado crescimento de 10,2%; para 2009, de 9%; e para
2010, de 4%. O presidente do Sinduscon-SP, João Claudio Robusti, afirmou
ontem que o crescimento do setor em 2007 deve alcançar a estimativa
de 7,9% feita logo após o lançamento do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC). Com a expansão esperada, o Produto Interno Bruto
(PIB) do setor será de R$ 123 bilhões, segundo a FGV Projetos.
''Temos absoluta convicção
de que estamos pavimentando um caminho sustentável, baseado na
estabilidade econômica, em taxas de juros menores que as do passado
e na credibilidade internacional. Não estamos vivendo um boom
nem uma bolha imobiliária'', disse Robusti.
Na composição do
PIB do setor estão o desempenho das empresas, a autoconstrução
e a construção informal. Como explica a consultora da FGV
Projetos, Ana Maria Castelo, o PIB abrange construção residencial
e comercial, além de obras de infra-estrutura.
De acordo com o Sinduscon-SP,
o crescimento médio anual do setor de 2008 a 2010 poderá chegar
a 10%, se os recursos para a construção superarem as estimativas.
Isso pode ocorrer, por exemplo, se em 2008 os desembolsos do PAC ultrapassarem
os R$ 18 bilhões previstos e o crédito imobiliário
dos bancos que operam o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo
(SBPE) superar R$ 21 bilhões. Conforme essa projeção
mais otimista, o setor crescerá 14% em 2008, 10,4% em 2009 e 5,9%
em 2010.
Pesquisa - Embora haja expectativa
de crescimento médio anual positiva, os empresários de
construção civil estão pessimistas em relação às
perspectivas dos custos de construção, segundo a 33 Sondagem
Nacional da Construção, realizada em novembro pelo Sinduscon-SP
em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV),
com 244 empresários do setor.
A pesquisa indicou otimismo do
setor em todos os demais itens avaliados - sucesso na condução
da política econômica, inflação reduzida,
crescimento econômico, crédito imobiliário, mercado
de capitais como fonte de recursos e securitização de recebíveis.
No item custos da construção, o resultado foi de 41,3 pontos,
ante 53 pontos um ano atrás, numa escala de 0 a 100.
Chiara Quintão
Agência Estado
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Folha de São Paulo,
5 de dezembro de 2007
Trabalhadores do setor pedem reajuste
de 10%
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
O pagamento de baixos salários é o
maior entrave para que o setor da construção civil consiga
encontrar mão-de-obra qualificada para repor as vagas abertas
principalmente nas construtoras paulistas. A avaliação é do
Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São
Paulo, entidade que representa 250 mil na capital.
" Com os salários que estão sendo pagos, os empregadores terão
dificuldade para encontrar pintores, carpinteiros, eletricistas e ajudantes.
O crescimento do setor nunca chega ao contracheque", diz Antonio Sousa Ramalho,
presidente do sindicato. Por essa razão, diz, os trabalhadores entregaram
um novo pedido de reajuste há cerca de um mês e meio ao Sinduscon-SP
(reúne as construtoras), em que pedem aumento de 10%. "O setor vai
bem e espera crescer 10,2% em 2008. Pode pagar."
Nas negociações salariais deste ano (a data-base é maio),
os operários receberam reajuste de 5,5%. Descontada a inflação,
o aumento real chegou a 1,98%. "É pouco. Um pedreiro ganha R$ 785,20
mensais por uma jornada de 44 horas. Se quiser ganhar mais, tem de "se
matar" e trabalhar o dobro de horas em regime de tarefa."
Além dos salários baixos, o sindicalista diz que os benefícios
saem "na marra". "Para conseguir que as construtoras nos dessem
uma fruta e um pãozinho com queijo no café da manhã, tivemos
de ir à greve no início do ano."
João Claudio Robusti, presidente do Sinduscon-SP, diz que, de fato,
o setor vive momento de expansão, mas ela está concentrada. "A
expansão é pontual e ocorre na capital paulista, principalmente
no segmento imobiliário. Não é possível, de forma
generalizada, o setor arcar com aumento de custos fixos."
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Agência
Diap, 5 de dezembro de 2007
JORNADA DE TRABALHO
Dieese calcula impacto da redução
de jornada para 40 horas semanais
Medida é uma das principais
reivindicações da 4ª Marcha da Classe Trabalhadora,
que acontece nesta quarta-feira, dia 5, em Brasília
Nesta quarta-feira, 05/12,
as centrais sindicais e demais representações dos trabalhadores
vão realizar, nas ruas de Brasília, a 4ª Marcha
da Classe Trabalhadora. A mobilização terá início às
7h com concentração das delegações no
estacionamento do estádio Mané Garrincha. Às
10h, começa a marcha rumo à Esplanada dos Ministérios
e ao Congresso Nacional. Durante todo o trajeto haverá atos
políticos.
Uma das principais reivindicações
da Marcha, a redução da jornada de trabalho para 40
horas semanais, aponta para a necessidade de criação
de mais empregos de qualidade para os trabalhadores e trabalhadoras.
Impacto
da redução da jornada de trabalho
segundo estudo preparado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estudos
Socioeconômicos), a redução da jornada de trabalho para
40 horas semanais tem potencial para criar, numa primeira etapa, 2.252.600
novos postos.
O Dieese também
conclui, com base em dados da CNI (Confederação Nacional
da Indústria), que o aumento do custo total para as empresas
será de 1,99%. Este aumento seria absorvido por condições
objetivas como o aumento da competitividade, já observado
no país, e pela expansão da base consumidora causada
pelo aumento dos empregos.
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Agência Diap, 5 de dezembro de 2007
CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS
CLT: prazo para fazer sugestões
está encerrado, Anamatra entrega ao deputado Cândido
Vaccarezza considerações ao PL 1.987
Entidade defende direitos trabalhistas
como valores fundamentais e alerta para a necessidade de debate
da matéria com ampla participação dos operadores
do Direito
O prazo para fazer sugestões ao PL 1.987/07, do deputado Cândido
Vaccarezza (PT/SP), que consolida a legislação trabalhista, se
encerrou no último dia 30 de novembro. Foram apresentadas 62 propostas,
que agora serão analisadas pelo relator, deputado Arnaldo Jardim (PPS/SP).
Depois, o texto, com as propostas, será analisado pela Comissão
de Constituição e Justiça.
Dentre as várias sugestões, a assessoria parlamentar do DIAP,
recomenda leitura atenta à proposta apresentada pela Anamatra (Associação
Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho), entidade filiada ao
Departamento, por se tratar de associação de magistrado, que
tem amplo domínio sobre a matéria.
Estudo
A entrega do estudo ao deputado Cândido Vaccarezza foi feita pelo presidente
da Anamatra, Cláudio José Montesso, no último dia 28.
O projeto "consolida os dispositivos referentes ao Direito Material Trabalhista
e revoga as leis extravagantes que específica e os artigos 1º ao
642 da CLT". Vacarezza é o atual coordenador do Grupo de Trabalho
da Câmara que estuda a consolidação das leis brasileiras,
que existe dede 1997.
No documento, a Anamatra traça observações gerais à sistemática
e metodologia do projeto, dirigindo-se ao conjunto de medidas pretendidas e à sistematização
da consolidação; e apresenta observações pontuais
sobre aspectos mais sensíveis da proposta. "Esperamos contribuir
com o debate político acerca do tema e manter a bandeira da defesa dos
direitos trabalhistas e de sua permanência como valores fundamentais
e centrais de nosso Estado", afirma o texto.
Diploma único
A Anamatra afirma ainda entender que é favorável ao cidadão
que as normas trabalhistas estejam reunidas, de forma clara, em um único
diploma, como ocorria com a CLT em sua origem. "Contudo, um trabalho dessa
magnitude deve ser extremamente cuidadoso”.
E acrescenta: “É uma discussão extremamente complexa -
e, por muitas vezes, apaixonada e ideológica - saber que artigos da
CLT foram ou não recepcionados. Não se trata de mera sistematização,
mas de discussões jurídicas de fôlego, que permitem ao
intérprete, hoje, afastar a aplicação dos dispositivos
consolidados quando os considera contrários à Constituição",
alerta o documento apresentado pela entidade.
Para a entidade, o projeto somente deve ser aprovado após audiência
pública ou evento com ampla participação dos operadores
de Direito. "Queremos atuar politicamente como críticos, apontando
imperfeições ao PL e o risco aos trabalhadores de que um longo
legado de proteção social seja posto em risco pela aprovação
apressada do projeto", alerta a Anamatra.
"Ser contra a codificação sem argumentos sólidos é um
discurso frágil, que facilmente é desconstruído ao apontar-se
a quantidade extravagante de leis sobrepostas que temos no Brasil", afirma
o texto. (Marcos Verlaine, com informações da Anamatra)
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Gazeta do Povo, 5 de dezembro
de 2007
BRASIL | SENADO
Renan Calheiros escapa de novo
Alagoano renunciou à presidência
da Casa e mantém mandato
por ANDRÉ GONÇALVES, correspondente
Brasília – A certeza de absolvição era tanta que
o acusado nem precisou votar. Com um placar de 48 votos contra, 29 a favor
e três abstenções, o plenário do Senado negou o
pedido de cassação de Renan Calheiros (PMDB-AL). O alagoano agiu
exatamente como previsto, renunciou à presidência da Casa pouco
antes da votação e escapou da perda de mandato pela segunda vez
em menos de três meses.
A queda deve ser o ponto final
de uma enxurrada de processos contra Renan, mas não significa
a recuperação do prestígio do Senado. “Me
sinto com a alma lavada. Nunca tive dúvida da minha convicção
de inocência”, disse, após a divulgação
do resultado. Desde maio, ele foi alvo de cinco representações
por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética.
A primeira delas, na qual teria
contas pessoais pagas por um lobista, também foi à apreciação
do plenário, dia 12 de setembro. Na época, foram 40 votos
contra a cassação, 35 a favor e seis abstenções.
Ontem, ele se defendia da acusação de usar “laranjas” para
a compra de uma rádio e um jornal em Alagoas.
O relatório do senador
Jefferson Péres (PDT) apontava sete indícios que deveriam
provocar a cassação de Renan. Além de angariar aliados
com a renúncia, o alagoano do Senado fez um discurso de defesa
habilidoso, limitando as denúncias a uma briga “paroquial” com
o usineiro João Lyra, e que arrancou elogios até de adversários. “Ele
foi impecável, rebateu tudo ponto a ponto”, disse o paranaense
Osmar Dias (PDT), que disse ter votado pela cassação.”
Péres lamentou a decisão
dos colegas e insistiu que o caso deixa uma mancha na reputação
dos senadores. “É uma grande derrota para a instituição.
Já estamos mal há algum tempo, pioramos agora.”
A absolvição
de Renan deve facilitar a aprovação da prorrogação
da CPMF, já que pacifica setores do PMDB, principal partido
da base aliada no Senado. O alagoano, entretanto, preferiu não
ligar um assunto ao outro. Mesmo sem o poder da cadeira de presidente,
ele é tido como o principal cabo eleitoral pró-tributo.
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Gazeta do Povo, 5 de dezembro
de 2007
BRASIL | SENADO
Renúncia abre disputa pela presidência
PMDB tem a prerrogativa de indicar o novo ocupante,
e 4 senadores já lançaram candidatura
por ANDRÉ GONÇALVES, correspondente
Brasília – A renúncia de Renan Calheiros à presidência
do Senado abriu imediatamente a disputa pela sucessão. Quatro peemedebistas
são candidatos: Garibaldi Alves (RN), Neuto de Conto (SC), Gérson
Camata (ES) e Válter Pereira (MS). A escolha deve ser realizada na próxima
quarta-feira e o PMDB, que possui o maior número de cadeiras na Casa
(19), tem a prerrogativa de escolher o substituto do alagoano.
Alves é o favorito. Falante, abriu o jogo no meio da tarde. “Se
eu já era candidato antes da renúncia, imagina agora”,
brincou. No começo da noite, foi ainda mais confiante. “Acredito
que serei o novo presidente. Se tivesse certeza absoluta, já teria sentado
até na cadeira e comandaria a sessão.”
Ele é o único que
tem o apoio da maioria da oposição. O líder do PSDB,
Arthur Virgilio (AM), disse que aprova o potiguar, mas espera pela indicação
oficial do PMDB para tomar alguma atitude. O tucano não descarta
um bate-chapa.
Ele explicou que o PSDB e o DEM
têm nome para “diversas raias” de competição.
Um deles pode ser o paranaense Alvaro Dias, atual segundo vice-presidente.
Renan sofreu com acusações
de falta de decoro parlamentar por seis meses, mas precisou de apenas
três minutos para renunciar. Da sua cadeira na primeira fila do
plenário, leu rapidamente uma carta com pouco mais de uma lauda, às
15h57. Agitado, concedeu quatro entrevistas antes de subir à mesa
e defender-se, às 19h35.
Em todas, o alagoano disse que
não renunciou antes porque queria provar sua inocência.
Ele demonstrava confiança na absolvição. “Minha
renúncia foi um gesto para que não fosse julgado aqui o
presidente do Senado, mas o senador Renan Calheiros. A cadeira de presidente é o
que realmente moveu todas as denúncias que enfrentei.”
Ele não quis opinar sobre
o substituto. “Não sou um especialista em sucessão.
Quem entende desse assunto é o José Agripino”, disse,
ironizando o rival, que lidera o DEM.
De acordo com o regimento interno
do Senado, eram necessários cinco dias após a renúncia
para a convocação de novas eleições. A tendência é que
o PMDB decida por um nome entre hoje e amanhã. A reunião
decisiva, porém, será na próxima terça-feira,
quando o candidato escolhido será debatido em reunião do
colégio de líderes.
Até o fim da semana, tanto
a eleição quanto a renúncia devem se misturar com
a votação da prorrogação da CPMF. A tendência é que
a oposição utilize os dois temas para jogar a opinião
pública contra o imposto. O goiano Demóstenes Torres (DEM)
saiu da votação defendendo a existência de um “acordão”. “Foi
divulgado que no Palácio do Planalto foi feito um acordo para
que o PT votasse maciçamente a favor da absolvição
de Renan e em troca o PMDB daria os votos em favor da CPMF. E isso caso
Renan renunciasse antes da decisão.”
Íntegra
da carta
“Agradeço aos ilustres membros desta Casa, que, com sua amizade,
seu apoio e, sobretudo, sua confiança, distinguiram-me para ocupar, por
quase três anos, em duas eleições consecutivas, um dos postos
mais honrosos da República, a presidência do Senado Federal.
Agradeço, também
sensibilizado, aos servidores desta Casa, do mais graduado ao mais humilde,
pela dedicação e empenho que tiveram.
Não medi esforços
para estar à altura do prestígio do cargo. No seu exercício,
mantive excelentes relações e perfeita harmonia com os
demais poderes da República, com todos os senadores e senadoras,
com os governadores e prefeitos, sempre em nome do equilíbrio
da Federação.
Compreendo que presidir esta
Casa é resultado das circunstâncias políticas. Entendo,
também, que quando tais circunstâncias perdem densidade,
ameaçando o bom desempenho das atividades legislativas, é aconselhável
deixar o cargo.
Assim renuncio ao mandato de
presidente do Senado Federal, sem mágoas ou ressentimentos, de
cabeça erguida, demonstrando, mais uma vez, que não usei
das prerrogativas do cargo para me defender.
Não adotei este gesto
antes pois poderia sugerir, naquele momento, uma aceitação
das infâmias e inverdades. Desculpem-me se essa interpretação
não pareceu a mais conveniente, mas agi de acordo com a minha
consciência, convicto de que era a conduta mais correta.
Meu pensamento, nesta hora difícil
de minha vida, volta-se para o povo de Alagoas, que, com sua confiança
e soberania, me investiu do mandato de Senador da República, de
que tanto me orgulho.”
Senador Renan Calheiros
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Folha de São Paulo, 5 de dezembro de
2007
Para aprovar CPMF, Lula faz acordo
com Serra e Aécio
Governadores tucanos se reuniram com senadores
Sérgio Guerra e Arthur Virgílio | Planalto se compromete
a fazer concessões a Estados em troca do apoio; Mantega
volta a fazer ameaças, caso tributo não seja aprovado
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fechou acordo com os governadores
tucanos José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) para tentar obter
pelo menos três ou quatro votos favoráveis à prorrogação
da CPMF entre os 13 senadores do PSDB.
Para concretizar o acerto, o Planalto se comprometeu a apresentar até amanhã uma
nova proposta de concessões aos Estados em troca do apoio tucano à emenda
que prorroga o tributo até 2011. A Folha apurou que Lula ligou para
Aécio. O governador mineiro acertou uma reunião sigilosa anteontem à noite
em Belo Horizonte com Serra e os senadores Sérgio Guerra (PE) e Arthur
Virgílio (AM).
Durante a reunião, Serra disse que seria um absurdo o PSDB não
apoiar algo que defendeu no passado. Aécio e Serra argumentaram que,
na hipótese do fim da CPMF, haveria uma retaliação do
Planalto contra os Estados -São Paulo e Minas à frente. Aécio
disse que o PSDB não poderia agir como o PT agiu no passado -os petistas
fizeram oposição radical ao governo Fernando Henrique Cardoso
(1995-2002). Os dois governadores vêm trabalhando para que o partido
apóie a proposta do governo. Porém, reclamaram que o Planalto
não articulava com competência.
Nos últimos dias, Lula e o ministro Guido Mantega (Fazenda) intensificaram
os contatos com os governadores. Ontem, publicamente, Mantega lançou
novas ameaças caso a CPMF não seja aprovada. Desta vez disse
que, sem a receita de R$ 40 bilhões por ano, o governo vai pressionar
os Estados para reduzir os gastos e fazerem mais superávit primário,
ou seja, mais economia para pagar os juros da dívida. Em busca de votos,
o Planalto chamou ontem o governador de Rondônia, Ivo Cassol, para uma
audiência com Lula. Cassol é aliado do senador Expedito Júnior
(PR-RO), um dos votos tidos como incertos pelo Planalto em relação à CPMF.
Lula pediu a Cassol apoio para a aprovação do tributo. Recebeu
o governador munido de números sobre o peso da CPMF no Estado e o impacto
de programas financiados pelo governo com verba do tributo. No encontro, Cassol
reiterou dois pleitos antigos, sendo que o principal foi o de revisão
de uma dívida de Rondônia com a União referente ao extinto
banco do Estado. Segundo a reportagem apurou, o governador ouviu de Lula que
os pleitos precisam ser resolvidos.
Segundo a Folha apurou, os tucanos esperam uma proposta que contemple pelo
menos quatro pontos para tentar mudar a posição dos senadores:
antecipar o cronograma de gastos na saúde; limite nos gastos públicos,
não só de pessoal mas também de custeio da máquina
pública; aumento no repasse de recursos da Cide (para manutenção
de rodovias) aos Estados e corte de impostos nos investimentos de saneamento.
Ontem, Arthur Virgílio e Guerra disseram que a reunião com Serra
e Aécio não foi suficiente para mudar a posição
sobre a CPMF. A pedido dos senadores, os governadores não estarão
no lançamento hoje, em Brasília, do PAC da saúde. Em São
Paulo, Serra disse que nem ele nem Aécio vão interferir na decisão
dos senadores. "Não tentamos convencer a bancada. Nossas conversas
são para só para atualizar as informações sobre
o assunto." (VALDO CRUZ E KENNEDY ALENCAR)
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Folha de São Paulo, 5 de dezembro de
2007
ÉTICA 1
Lupi prefere presidência do
PDT a Ministério do Trabalho
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O ministro Carlos Lupi (Trabalho) disse ontem que não pretende deixar
o governo nem a presidência do PDT por causa da interpretação
da Comissão de Ética Pública de que ele não pode
acumular as duas funções.
Lupi sinalizou que, se tiver de optar, irá escolher pela presidência
do partido porque foi eleito e o ministério foi indicação
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
" Sou presidente eleito do PDT, dessa função não abro
mão", afirmou.
O ministro não quis comentar o fato de o presidente da comissão,
Marcílio Marques Moreira, ser membro do conselho da American BankNote,
que recebe R$ 5 milhões para fazer as carteiras de trabalho. Lupi quer
trocá-las por cartões magnéticos. "Não seria ético
falar sobre isso", disse.
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Agência
Câmara, 5 de dezembro de 2007
Salário de funcionário
poderá ser divulgado na internet
J. Batista

Bel Mesquita diz que a publicidade de atos da administração
experimentou sensível aperfeiçoamento com a página
do TCU.
A Câmara examina a proposta de divulgação dos salários
dos funcionários públicos na página do Tribunal de Contas
da União (TCU) na internet. A medida é tema do Projeto de Lei 1077/07,
de autoria da deputada Bel Mesquita (PMDB-PA).
De acordo com o projeto, a página
do TCU incluirá os demonstrativos da remuneração
e do subsídio dos ocupantes de cargos, funções
e empregos públicos da administração direta,
autárquica e fundacional. Os agentes políticos de quaisquer
dos poderes da União, dos estados, do Distrito Federal e dos
municípios também terão seus salários
publicados na internet.
Dados anuais
O projeto determina que os dados fiquem disponíveis na rede até 31
de dezembro do ano seguinte a que se referirem. As informações
deverão permitir a individualização dos dados por cargos
e categorias, além de destacar situações especiais em
relação ao padrão remuneratório do órgão.
Será proibida, contudo, a identificação
de pessoas físicas, ou seja, não será permitida
a publicação dos nomes dos funcionários ou quaisquer
informações que os identifiquem. "A publicidade
dos atos essenciais da administração experimentou sensível
aperfeiçoamento com a instituição da página
administrada pelo TCU", avalia Bel Mesquita. "É importante
que elas [as páginas da internet] também passem a informar
os gastos com a remuneração dos servidores em geral
e demais agentes como, por exemplo, os titulares do Poder Executivo,
ministros, parlamentares e magistrados."
Tramitação
A proposta, que tramita em caráter conclusivo, será analisada
pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço
Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
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Agência Diap, 5 de
dezembro de 2007
LIBERDADE SINDICAL
Em três anos 23 dirigentes
sindicais dos jornalistas foram demitidos no País
Nos últimos três
anos, 23 dirigentes sindicais dos jornalistas foram demitidos no Brasil.
Os campeões da violência que agride a estabilidade prevista
na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e a Constituição
brasileira foram empresários do Amazonas. Os dados, apurados pelo
Departamento de Mobilização, Negociação Salarial
e Direito Autoral da Fenaj, entidade filiada ao DIAP, foram denunciados à Federação
dos Jornalistas da América Latina e do Caribe (Fepalc), em reunião
da entidade realizada na semana passada, em Lima (Peru).
No levantamento, realizado junto aos sindicatos, foram registradas, nos últimos
três anos, duas demissões de dirigentes sindicais dos jornalistas
em Minas Gerais, duas no Rio Grande do Sul, duas em Londrina, uma na Bahia,
uma no Amapá, três no Piauí, uma no Acre, uma no Ceará,
uma em Dourados e nove no Amazonas.
José Carlos Torves, diretor do Departamento de Mobilização,
Negociação Salarial e Direito Autoral da Fenaj, conta que o levantamento
denunciado à Fepalc incluiu outras violações aos direitos
dos jornalistas praticados no Brasil. “A maioria das empresas jornalísticas
brasileiras impede o acesso de dirigentes sindicais às redações
para manter contato com os jornalistas e exercem pressão sobre os jornalistas
para que não se sindicalizem ou mantenham uma relação
mais próxima com o sindicato da categoria”, revela.
Descumprimento da legislação
Segundo o estudo, praticamente todas as empresas de comunicação
não cumprem a legislação que regulamenta a profissão;
os jornalistas cumprem o dobro da carga horária legal de 5 horas diárias,
muitas vezes sem receber horas extras, e mesmo o Banco de Horas é aplicado
ilegalmente. Pisos salariais a rigor são cumpridos somente nas capitais
e há, ainda, a contratação de jornalistas em funções
de radialistas, cujo piso é menor, e outras formas de precarização
da profissão para burlar a lei.
Para Prudente Melo, assessor jurídico do Sindicato dos Jornalistas de
Santa Catarina e conselheiro do Comitê de Anistia do Ministério
da Justiça, a atitude dos empresários de comunicação
fere os direitos humanos fundamentais.
“ O direito à organização e à livre representação,
além de recepcionados pela legislação brasileira, estão
inscritos nas Convenções 87 e 98 da Organização Internacional
do Trabalho. O impedimento à representação legítima
dos trabalhadores é uma violência condenada internacionalmente”,
diz.
O advogado trabalhista diz, ainda, que o desprezo dos empresários pela
negociação coletiva, as fraudes e flexibilizações
das relações trabalhistas são outros atentados aos jornalistas.
“ O Contrato Coletivo Nacional, ou Contratos Nacionais por empresas seriam
alternativas jurídicas cabíveis, mas a grande resposta para superar
tais agressões e a exploração de seu trabalho os jornalistas
têm que dar no plano da ação coletiva, fortalecendo suas
entidades representativas”, defende Prudente.
Estabilidade do dirigente
Para conter essa prática dos patrões, o senador Paulo Paim (PT/RS),
apresentou ao Senado, projeto de lei (PLS 177/07) que amplia o direito à estabilidade
no emprego dos dirigentes sindicais para incluir os candidatos a membro do
conselho fiscal de entidade sindical ou associação profissional
desde o registro da candidatura até um ano após o final de seu
mandato caso seja eleito, inclusive como suplente.
O projeto já foi aprovado pelas comissões temáticas do
Senado e será votado no plenário da Casa, pois um grupo de nove
senadores apresentou recurso contra a decisão conclusiva da Comissão
de Assuntos Sociais. Pela decisão da CAS, caso não houvesse o
recurso, o projeto seria remetido a análise da Câmara dos Deputados – Casa
revisora – sem a necessidade de passar pelo plenário do Senado.
Esta foi uma medida protelatória, que tem o aval do patronato de modo
geral. (Marcos Verlaine, com informações da Fenaj)
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ÂMBITO JURÍDICO,
05 de dezembro de 2007
TRT/Campinas faz 478 audiências
com a mesma empresa
Na Semana Nacional da Conciliação, a Vice-Presidência Judicial
do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas) está fazendo
478 audiências em Piracicaba, relativas a processos das três Varas
do Trabalho da cidade. São reclamações em que figura como
reclamada a Companhia Industrial e Agrícola Boyes. As audiências
terminam na sexta-feira (7), e estão sendo feitas em regime de expediente
integral.
As próprias partes entraram
em contato com o vice-presidente judicial do TRT, juiz Renato Buratto,
em razão de um agravo de petição (recurso que cabe
na fase de execução do processo) ainda não distribuído – daí a
competência da Vice-Presidência Judicial. Interposto na ação
trabalhista n° 00706-1996-051-15-85-6, que tramita na 2ª Vara
do Trabalho de Piracicaba, o agravo diz respeito à arrematação
do (único) imóvel no qual funcionava a empresa. As partes
manifestaram ao juiz Buratto a intenção de celebrar acordos
em todos os processos já ajuizados contra a Boyes, independentemente
da fase em que se encontram.
Localizado na Praça Antonio
Correa Barbosa, em Piracicaba, o prédio foi arrematado em 31 de
maio deste ano por R$ 5,8 milhões, aproximadamente R$ 6 milhões
em valor atualizado. A quantia será usada no pagamento das verbas
trabalhistas devidas a todos os ex-empregados da Boyes que têm
processo em andamento na primeira instância. A quitação
será feita através da liberação do dinheiro
arrecadado na arrematação, mediante alvará. Serão
expedidos alvarás individuais - um para cada trabalhador.
A juíza do trabalho Solange
Denise Belchior Santaella, que decidiu os embargos à arrematação
interpostos pela Boyes no processo em que o prédio foi leiloado,
determinou a manutenção do resultado do leilão,
independentemente do pagamento da dívida existente naquela ação, "em
razão da existência de inúmeras outras execuções
em face da autora [dos embargos]". Conforme entendimento da juíza,
amparado no artigo 28 da Lei de Execuções Fiscais, trata-se
de execução única, o que permite a conclusão
de que o produto da arrematação levada a efeito no processo
da 2ª VT de Piracicaba deve garantir todos os créditos dos
ex-empregados da empresa, mediante rateio.
A fábrica da Boyes paralisou
suas atividades em junho de 2007, o que, segundo a empresa, a impede
de honrar seus compromissos trabalhistas.
(Luiz Manoel Guimarães – TRT/Campinas)
Fonte: TRT15
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ÂMBITO JURÍDICO,
05 de dezembro de 2007
TRT condena distribuidora de gás
a indenizar trabalhador com lesão na coluna
O Tribunal Regional do Trabalho de Mato
Grosso condenou uma distribuidora de gás a indenizar em 30
mil reais, por danos morais, além de valor mensal por danos
materiais, a um ex-empregado que ficou parcialmente incapacitado
para o trabalho.
O trabalhador teve um acidente
de trabalho em maio de 1997, quando sofreu lesão na coluna vertebral
ao carregar botijões de gás em um caminhão. Após
cirurgia conseguiu voltar ao trabalho mas, por causa das seqüelas,
teve que exercer outra atividade na empresa e em fevereiro de 2001 foi
demitido.
A ação foi proposta
em 2004 na justiça estadual e até o julgamento pelo TRT/MT
teve um sinuoso trâmite. Em janeiro de 2005 o juiz da 15ª Vara
Cível extinguiu o processo sem julgar o mérito, considerando
que a competência já não era daquela justiça.
O trabalhador recorreu alegando ser da justiça comum a competência,
mas em maio de 2005 o juiz manteve a decisão e mandou remeter
ao Tribunal de Justiça. Porém, em 19 de agosto, antes da
subida ao Tribunal, o juiz tomou nova decisão e determinou a remessa
dos autos às varas do trabalho.
Distribuído à 8ª Vara
do Trabalho de Cuiabá, o juiz Lamartino França de Oliveira
entendeu que, como havia um recurso de apelação ainda não
apreciado, fez subir ao TRT para apreciação. O Tribunal
apreciou o apelo como recurso ordinário e julgou que a competência
era, efetivamente, da justiça do trabalho.
De volta à vara de origem,
a juíza Karina Suemi Kashima julgou improcedente o pedido do trabalhador,
que recorreu ao Tribunal, pedindo a reforma da sentença. Como
o processo tinha tramitado no Tribunal antes da criação
das Turmas, seu julgamento permaneceu na competência do Pleno.
O relator, desembargador Tarcísio
Valente, entendeu que a atividade do trabalhador, que carregava em média
2000 botijões de gás por dia, abaixando-se e erguendo-os
para empilhá-los, tem grande probabilidade de produzir lesão
na coluna vertebral. Para ele, a recomendação n. 97 da
Organização Internacional do Trabalho diz que cabe ao empregador
adotar medidas para proteger a integridade física dos trabalhadores.
Concluiu então o relator
que, como a empresa não fez o exame admissional, não se
pode comprovar a origem da enfermidade, mas o trabalho realizado, se
não deu origem, certamente agravou as lesões. Desta forma,
avaliou como evidente a ligação entre o trabalho e o dano,
o chamado nexo causal, aqui com a variante nominada "concausa",
pela possibilidade de o empregado ter contraído a enfermidade
antes. A culpa ou o dolo do empregador caracteriza-se pela falta de providências
para evitar o risco de dano.
Estando clara a necessidade de
indenização, o relator considerou a situação
econômica da empresa, as particularidades do caso e seguindo a
doutrina de Caio Mário da Silva Pereira, que a indenização "nem
deve ser tão grande que se converta em fonte de enriquecimento,
nem tão pequena que se torne insignificante", fixou o valor
para o dano moral em 30 mil reais.
Sobre os danos materiais, em
razão da perda de capacidade de trabalho, condenou a empresa a
pagar tanto por lucros cessantes como pensionamento o valor de R$ 251,77
(50% do salário à época da rescisão) devido
até o fim da vida do trabalhador. A decisão, tomada de
forma unânime pelo Pleno do TRT, é passível de recurso
ao Tribunal Superior do Trabalho.
(Processo 01054.2005.008.23.00-0)
Fonte: TRT23
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
05/12/2007
Trabalhador rural tem direito a intervalo intrajornada de uma hora
Se a Constituição Federal equipara os trabalhadores
urbanos e rurais, então pode-se estender ao trabalhador rural
a previsão do intervalo mínimo de uma hora em trabalho
contínuo acima de seis horas. A Terceira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho só precisou do “caput” do artigo 7º da
Constituição Federal para aplicar ao rurícola
a norma da concessão do intervalo intrajornada da CLT.
A evolução da jurisprudência na área trabalhista
chegou ao tema. O próprio relator do recurso de revista, ministro
Alberto Bresciani, reviu seu posicionamento anterior e concluiu estar
correta a decisão do Tribunal Regional da 15ª Região,
que concedia a indenização pelo descanso não usufruído.
No mesmo sentido, aplicando o art. 71, parágrafo 4º, da
CLT ao rurícola, houve outros julgados recentes no TST, da Segunda,
da Quinta e da Sexta Turmas.
O ministro Alberto Bresciani esclareceu
que a Consolidação
das Leis do Trabalho, à época de sua aprovação,
em 1943, restringia, expressamente, ao trabalhador rural, a sua esfera
normativa. Somente alguns poucos dispositivos da CLT se estendiam àquela
classe de trabalhadores - como os referentes ao salário mínimo,
férias, aviso prévio e remuneração.
A abrangência da legislação trabalhista, no que
diz respeito aos rurícolas, aproximando seus direitos aos do
trabalhador urbano, veio com a edição da Lei nº 4.214/63
- Estatuto do Trabalhador Rural -, revogada pela Lei nº 5.889/73,
sendo este, atualmente, o que está em vigência. Com a
promulgação da Constituição da República
de 1988, os trabalhadores urbanos e rurais foram equiparados, por força
do “caput” do art. 7º, permanecendo, contudo, as disposições
específicas das leis ordinárias, inclusive o artigo 71,
parágrafo 4º, da CLT.
O processo
O trabalhador foi contratado em maio
de 1991 e dispensado em outubro de 2000 em Novo Horizonte, no Estado
de São Paulo. Informou
que trabalhava, na safra, de segunda a sexta-feira, das 7h às
17h, com 15 minutos de intervalo, e aos sábados, das 7h às
14h, sem intervalo. Na entressafra, das 7h às 18h, com uma hora
para almoço. Isso até o final de 1995. De 1996 a 2000,
trabalhou como bituqueiro (catador de cana), das 6h às 16h,
com uma hora para refeição. Em 2000, passou a ser guarda
na fazenda do empregador, no horário das 22h às 6h e
das 14h às 22h, sem intervalo para descanso.
O juiz da Vara do Trabalho de Itápolis (SP) concedeu horas
extras e in itinere (de percurso), entre outras parcelas, mas não
entendeu ser aplicável ao rurícola o disposto no parágrafo
4º do artigo 71 da CLT. Quando recorreu ao TRT, o trabalhador
conseguiu a remuneração do intervalo suprimido durante
as safras, com caráter indenizatório, e, portanto, sem
direito à integração ao salário e reflexos
em outras verbas.
O empregador recorreu ao TST, mas o ministro
Alberto Bresciani considerou os precedentes e a evolução jurisprudencial para manter
a decisão do TRT de São Paulo, que beneficiava o trabalhador.
(RR-912/2001-049-15-00.5)
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05/12/2007
Faxina doméstica não é equiparada
a lixo urbano
Serviço de limpeza e recolhimento
de lixo em banheiros de escritório e de área de produção
de fábrica não é atividade insalubre, mesmo que
atestada por laudo pericial. Foi o que afirmou a Segunda Turma do Tribunal
Superior do Trabalho ao mudar decisão do Tribunal Regional da
4ª Região (RS) que havia concedido a uma empregada da Embalagem
Carton Parck Ltda., do Rio Grande do Sul, o adicional de insalubridade.
No mesmo acórdão, a Turma limitou o pagamento como extras
dos minutos anteriores e posteriores à jornada de trabalho ao
período posterior à Lei nº 10.243/2001.
Admitida em julho de 1999 para
atividades de serviços gerais de limpeza, a empregada foi dispensada,
sem justa causa, em dezembro de 2002. Em fevereiro de 2004, ajuizou reclamação
trabalhista na 1ª Vara do Trabalho de Sapiranga (RG). A empresa
foi condenada a pagar à empregada o adicional de insalubridade
em grau máximo, de 40% sobre o salário mínimo da
região, nos termos da NR 15 da Portaria 3.214/78 do Ministério
do Trabalho. O TRT/RS entendeu que o laudo pericial havia demonstrado
que a faxineira, ao fazer a limpeza de 13 banheiros do escritório
e da fábrica, manuseava agentes biológicos nocivos à saúde,
resíduos equiparáveis ao lixo urbano.
A empresa recorreu ao TST. O
relator do processo na Segunda Turma, ministro José Simpliciano
Fernandes, deu-lhe razão. Esclareceu que, “em se tratando
de mera limpeza e recolhimento de lixo doméstico em banheiros
do escritório e da área de produção da empresa,
o acórdão regional, ao confirmar o deferimento do adicional
de insalubridade em grau máximo, contrariou o item II da Orientação
Jurisprudencial 4 da SBDI-1”, e o excluiu da condenação.
Quanto à concessão
das horas extras, o relator informou que a empresa alegava a existência
de normas coletivas de trabalho segundo as quais não seriam computadas
como horas extras as variações de horário no registro
de ponto não excedentes de 10 minutos, observado o limite diário
de 20 minutos. Tais normas, no entendimento da empresa, deveriam ser
reconhecidas durante o contrato de trabalho, inclusive após a
edição da Lei nº 10.243/2001. Esta lei introduziu
no artigo 58 da CLT o parágrafo primeiro, que estabelece que não
serão descontadas nem computadas como jornada extraordinária
as variações de horário no registro de ponto não
excedentes de cinco minutos, observado o limite máximo de dez
minutos diários..
O relator observou que,
no período anterior àquela lei, a matéria vinha
sendo objeto de construção jurisprudencial, pois não
havia ainda previsão legal a respeito do limite de tolerância
possível para fins de cômputo de horas extras. Somente
a partir da vigência da Lei 10.243, o direito da empregada foi
assegurado, e estipulado o limite de cinco minutos que antecedem e
cinco que sucedem a jornada de trabalho, ou seja, 10 minutos a cada
jornada. Acrescentou o relator que “essa limitação
passou a constituir patamar civilizatório mínimo assegurado
em norma heterônoma”. (RR-266-2004-371-04-00.4)

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