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Agência Câmara,
15 de dezembro de 2007
Projeto
Seguro-desemprego poderá servir
também para pagar escolas
Diógenes Santos
Carvalho: "O que importa é assegurar
ao brasileiro o acesso ao ensino, seja público ou privado."
O Projeto de Lei 1262/07, do deputado Vinícius Carvalho (PTdoB-RJ),
inclui como finalidade do seguro-desemprego, além das já existentes,
a assistência financeira ao trabalhador desempregado para pagar
mensalidades escolares firmadas com instituições privadas
de ensino.
A proposta altera a Lei do Seguro-Desemprego (Lei 7.998/90),
que hoje define como finalidades do benefício prover
assistência financeira temporária ao trabalhador
desempregado em virtude de dispensa sem justa causa - inclusive
a indireta, ou seja, reconhecida pela Justiça. A regra
atual também destina o seguro-desemprego ao trabalhador
comprovadamente resgatado de regime de trabalho forçado
ou da condição análoga à de escravo;
e a auxiliar os trabalhadores na busca de emprego, promovendo,
para tanto, ações integradas de orientação,
recolocação e qualificação profissional.
Matrícula
De acordo com o texto do projeto, para ter acesso ao seguro-desemprego
com essa finalidade, o trabalhador deverá comprovar a matrícula
pessoal, ou de seus dependentes, em instituição de ensino
privado, por um período mínimo de 1/3 da vigência
do contrato de prestação de serviços; o pagamento
das mensalidades nesse período; e não ser beneficiário
de bolsa integral de estudo.
Com a finalidade de pagamento escolar, o benefício
do seguro-desemprego será concedido ao trabalhador
desempregado, por um período nunca superior a 2/3
do prazo de vigência do contrato assinado pelo trabalhador,
nos termos da Lei das Anuidades Escolares (Lei 9.870/99),
de forma contínua ou alternada.
O benefício só poderá ser utilizado
para o pagamento das mensalidades vencidas e os valores serão
sempre iguais às parcelas mensais previstas no contrato,
creditados diretamente à instituição
de ensino. Além disso, o benefício não
poderá ser concedido por período superior a
oito meses, no caso de escolas de ensino fundamental e de
ensino médio, e quatro meses, no caso de curso superior.
Garantia social
O autor da proposta destaca que a educação de qualidade é um
direito constitucional e garantia social. "O que importa é assegurar
ao brasileiro o acesso ao ensino, seja público ou privado",
argumenta.
No seu entender, as escolas públicas há muito
são preteridas pela sociedade em função
da baixa qualidade do ensino. Já as escolas privadas,
acrescenta, carecem de recursos para sustento e investimento
em face do grande índice de inadimplência ocasionada,
muitas vezes, pelo desemprego de pais e estudantes. "O
seguro-desemprego representa um grande avanço e uma
conquista social indiscutível. Acreditamos que os
recursos provenientes do FAT, além de assegurar o
sustento provisório do trabalhador desempregado, poderão
contribuir com a formação acadêmica,
seja do trabalhador, seja de seus dependentes, até que
este encontre nova ocupação profissional".
Tramitação
O projeto será analisado, em caráter conclusivo, pelas
comissões de Educação e Cultura; de Seguridade
Social e Família; de Finanças e Tributação;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
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Agência Senado, 15
de dezembro de 2007
ESPECIAL
Heráclito aceita CPMF
por mais um ano desde que atrelada a uma reforma tributária

A cobrança da Contribuição Provisória sobre
Movimentação Financeira (CPMF) por mais um ano desde que
atrelada a um compromisso do governo de enviar ao Congresso a reforma
tributária a fim de ser discutida nos primeiros três meses
de 2008 foi idéia defendida pelo senador Heráclito Fortes
(DEM-PI) nesta sexta-feira (14). Em entrevista à imprensa, o parlamentar
pelo Piauí afirmou que a proposta não é nova e é copiada
do próprio PT quando este ainda era partido de oposição.
- É a luta pela diminuição da carga
tributária. Tomamos a bandeira do PT quando era oposição.
Copiar o que é bom não faz mal a ninguém.
A reforma tributária perfeita é a que pese
menos no bolso do povo e atente mais para as questões
sociais - explicou o parlamentar.
Segundo Heráclito, o erro do governo e que culminou
na rejeição, pelo Senado, da parte da proposta
de emenda à Constituição (PEC) que se
referia à prorrogação da CPMF até 2011
foi tentar desmoralizar a oposição, não
negociando diretamente com ela.
- O mal do governo foi não querer a discussão
institucional por meio das lideranças partidárias.
Ele quis criar conflitos, procurando diretamente os governadores
e apresentando um pacote fechado - destacou Heráclito,
que defende uma reforma tributária "que seja
boa para todos".
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Agência Diap, 15
de dezembro de 2007
RECEITA FISCAL
Com menos 40 bilhões
nos cofres, orçamento para 2008 sairá com atraso
O Orçamento 2008 será votado na segunda semana de fevereiro.
O acordo foi feito em reunião entre os presidentes do Senado,
Garibaldi Alves Filho (PMDB/RN), da Câmara dos Deputados, Arlindo
Chinaglia (PT/SP), da Comissão Mista de Planos, Orçamentos
Públicos e Fiscalização (CMO), senador José Maranhão
(PMDB/PB), e do relator da proposta orçamentária, deputado
José Pimentel (PT/CE).
De acordo com o presidente da Câmara, não
há tempo hábil para se votar o orçamento
ainda este ano, devido aos ajustes que precisam ser feitos
na proposta com o corte de R$ 40 bilhões referentes
aos recursos que viriam da arrecadação da
Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF).
A matéria foi derrubada no Plenário do Senado
na sessão deliberativa de quarta para quinta-feira
13/12.
De acordo com o relator do orçamento, os ajustes
precisarão ser feitos em conjunto com os Três
Poderes e o Ministério Público. Ele explicou
que 91% dos recursos do orçamento se referem a verbas
vinculadas, e que o corte de R$ 40 bilhões terá que
sair dos R$ 129 bilhões de receita discricionária,
ou seja, de livre utilização.
“Isso exige um prazo, porque todos concordam com
o corte, desde que seja na casa do outro. Uma proposta
dessa magnitude envolve muito dinheiro, e esse sacrifício
vai exigir muita paciência” comenta Pimentel.
Ajustes
Maranhão também frisou que o governo não
irá retirar o Orçamento 2008 da pauta do
Congresso para adequá-lo à nova realidade
de ausência dos recursos da CPMF, ao contrário
do que chegou a ser noticiado nesta quinta-feira. Os ajustes
serão feitos com todos os envolvidos na CMO, inclusive
com o Governo.
A intenção de retirar o orçamento
do Congresso para ajustar as despesas ao corte dos recursos
chegou a ser anunciado pelo ministro da Fazenda, Guido
Mantega. O Democratas ameaçou entrar com uma ação
na Justiça caso o Planalto procedesse dessa forma.
Na avaliação do partido, a medida é inconstitucional.
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Revista Consultor Jurídico,
15 de dezembro de 2007
Quebra de contrato por motivo
de força maior não gera indenização
A falta de cumprimento do contrato por motivo de força maior não
gera o dever de indenizar. O entendimento foi reafirmado pela 7ª Turma
Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região.
Os desembargadores negaram à União pedido de indenização
de uma apólice de seguro no valor histórico de 1,2 milhão
de cruzeiros, efetuada pela extinta Madepinho Seguradora, sucedida pela
Bâloise Atlântica Companhia Brasileira de Seguros.
De acordo os desembargadores, o devedor não deve
responder pelos prejuízos resultantes de caso fortuito,
ou força maior, se expressamente não houver
se responsabilizado por eles.
A apólice foi dada como garantia em contrato assinado
com a empresa Arca — Construções do Amazonas
em dezembro de 1977 para a construção de um
colégio agrícola no Acre. A obra deixou de
ser executada por motivo de “força maior”,
devido às precárias condições
de acesso ao canteiro de obras, agravadas pelas chuvas torrenciais
que afligiram a região por ocasião do início
da construção do colégio, e à falta
de água para viabilizar a obra.
De acordo com o processo, competia ao governo do Acre, por
convênio celebrado com o Premem (Programa de Expansão
e Melhoria do Ensino — antigo órgão do
Ministério da Educação e Cultura), construir
estrada que tornasse o acesso à obra transitável,
além de garantir as condições básicas
materiais para a execução da obra contratada,
como a localização de água para a obra,
o que não ocorreu.
Para o relator no TRF-2, juiz federal convocado Theophilo
Miguel, são irrefutáveis as alegações
da construtora relativas à impossibilidade ou, ao
menos, grandes dificuldades de acesso ao local da obra, em
razão das chuvas torrenciais que castigaram a região
no ano de 1978. “Como se pode constatar das fotografias
e dos documentos trazidos aos autos, o atraso na execução
do contrato decorreu de fatos reveladores da ocorrência
de ‘força maior’, afigurando-se, pois
como fator de exclusão da responsabilidade contratual.”
Processo 91.02.00545-0
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Revista Consultor Jurídico,
15 de dezembro de 2007
Suspensão com salário
pago é férias, diz TJ do Rio
De um lado, a Constituição e o princípio da dignidade
humana. De outro, a necessidade de punição e cumprimento
das leis. O Órgão Especial do Tribunal de Justiça
do Rio de Janeiro teve que colocar essas questões na balança
na última segunda-feira (10/12). O tribunal teve de escolher entre
suspender o servidor e privá-lo de receber os meios para se sustentar
ou suspende-lo e continuar pagando-o. Prevaleceu o entendimento de que
suspender um servidor e manter o pagamento de seu salário é sinônimo
de férias.
O Mandado de Segurança foi apresentado por um funcionário
do TJ fluminense, suspenso em um processo administrativo
por 90 dias. Ele teria sido punido por não trabalhar.
Por 12 votos a sete, foi negada a segurança e mantida
a punição.
O relator da liminar, desembargador Sérgio Verani,
votou por conceder a liminar. Para ele, o tribunal deveria
pagar, no mínimo, 30% do salário para garantir
a sua sobrevivência.
Puxando a divergência, o desembargador Marcus Faver
considerou grave a infração cometida pelo servidor.
Declarou que ser afastado e continuar recebendo salário
normalmente é o mesmo que estar de férias.
Já o desembargador Sylvio Capanema constatou que
o Estatuto do Servidor Público, que prevê a
punição, é anterior à Constituição
de 1988 e não foi recepcionado por ela. Segundo ele,
o castigo alcança a família do funcionário,
já que o salário tem natureza alimentar. Ele
ressaltou que 70% do salário não seriam pagos.
Para Faver, não há critério para estabelecer
o percentual de quanto do salário terá o pagamento
suspenso. Como não há critério, o Tribunal
estaria legislando ao determinar essa quantia, algo que não
cabe ao Judiciário estipular. “Depende de lei”,
afirmou Faver. Segundo o desembargador, a ambição
de fazer Justiça faz com que o tribunal queira legislar.
Mandado de Segurança 2006.004.443
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Congresso em Foco, 15 de
dezembro de 2007
O papo não é CPMF, é fora
Lula
Demonologia no embaço
Márcia Denser*
Com a manchete “Fim da CPMF é choque de democracia”,
eternizando frase, foto e vídeo do demo José Agripino
(RN), líder do DEM no Senado, o UOL de 13/12 último saudou
os respectivos assinantes, festejando a derrota da proposta governista.
A impressão seria do mais puro dadaísmo, não fosse
apenas nossa dose diária de humorismo jornalístico matinal.
Porque nada mais é sério, nada mais corresponde à verdade – nem
se acredita que os tais 40 bilhões arrecadados fossem realmente
para a saúde, segundo o governo, tampouco (e muito menos) que
a CPMF seria datada, segundo seu próprio criador himself, FHC.
A CPMF acabou porque agora para a oposição vale tudo:
desprivatizar, aprovar a reforma agrária, triplicar o salário
mínimo, instaurar o pleno emprego por decreto, enfim, tudo,
qualquer coisa mesmo, humorismos à parte.
Desde que Lula caia fora. Quer dizer, o Lula símbolo, o bem-amado
do povo, diga o que disser, faça o que fizer, um Lula do qual
o presidente já não é nem sombra. Porque (sorry,
neo-nominalistas-liberais-de-plantão) símbolos/ideais/idéias
não morrem, prova irrefutável que os “universais” mais
do que nunca estão vivos.
Mas voltando à votação, retorna em nossa mente
a pergunta que não quer calar: quem ganha politicamente com
tudo isso? Creio que Flávio Aguiar, editor da Carta Maior, dá algumas
dicas interessantes. Ele diz: “Comenta-se que o DEM mais a ala
dura do PSDB saíram ganhando. Saiu ganhando o ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso, cujos cordéis desde os bastidores
sempre dirigiram os gestos e as falas do senador Artur Virgílio.
O ex-presidente voltou a colocar-se como uma espécie de fiel
da balança do seu partido, em detrimento de Serra, de Aécio,
do próprio Alckmin e de Sérgio Guerra, que viu seu poder
interno abalado. Este tinha a seu favor a maioria dos senadores do
PSDB, pressionados pelos governadores. Apesar disso, em nome da unidade
do partido, teve de ceder diante da dureza de Virgílio, que
preferiu apunhalar de leve o próprio partido, acaudilhando-o
aos Democratas”.
Além da derrota em plenário imposta ao governo, outra
foi dada aos seus programas sociais. Os ex-tudo na política
conservadora brasileira, agora autoproclamados “Democratas”,
sabem que essas políticas sociais roubaram-lhes seus grandes
apriscos eleitorais, sobretudo no Nordeste, visto como a fonte do “atraso” nacional,
vide no início “o choque democrático” do
senador José Agripino, não por acaso advindo do Rio Grande
do Norte, o que ilustra e esclarece sobremaneira o artigo do Flávio.
Este observa que o DEM precisa destruir essas políticas sociais
para reconduzir seu eleitorado potencial – antes que ele se atomize
irremediavelmente – ao miserê das antigas políticas
de favor dos potentados locais. Mas isso é uma tarefa a longo
prazo e de retorno duvidoso porque passa pelas eleições
municipais de 2008 e ninguém sabe se essas tentativas darão
certo num país cuja economia cresce, o poder aquisitivo da população
mais pobre idem, os empresários investem mais, a popularidade
do presidente continua nos píncaros, enfim, tudo o que a direita
não pode nem ouvir falar.
No curto prazo, esses políticos sem povo, ou “democratas” sem “demo” (no
sentido grego, claro) então são obrigados a conquistar
tais votos no aprisco ao lado, ou seja, dos seus aliados/concorrentes
do PSDB, passando o punhal pelo menos numa grossa fatia do seu eleitorado
preferencial, o da parte conservadora das classes médias, ilustradas
ou não. A fatia mais à esquerda, que vota no PT, no Psol
ou tem outras preferências, não vai aderir ao DEM nem
que todas as vacas morram tuberculosas. Sigo com o Flávio:
“ De quebra, os Democratas sinalizam que irão sangrar as grandes
empresas (as maiores beneficiadas com o fim do imposto). Como o DEM é um
partido senatorial, uma vez que sua representação na Câmara
não tem a importância nem a visibilidade da das velhas raposas da
Câmara alta, e sua presença nos Executivos estaduais se esvaziou,
a manutenção desse cacife depende da eleição de 2010,
quando estarão em jogo duas cadeiras por estado. E eleger um senador é muito,
muito caro. Ainda mais para quem viu, em 2002 e em 2006, sobretudo, um crescente
esvaziamento de seu eleitorado tradicional.
“ Não tem jeito: além de afrontar o governo, o PT e outros
partidos à esquerda, o DEM, se quiser sobreviver, terá de comer
pelas bordas ou pelo núcleo, o “povo”, ou seja, os eleitores
dos seus aliados. E começou a fazê-lo na votação de
ontem.”
Terá sido isso o que o senador José Agripino do Rio Grande
do Norte realmente quis dizer – e dizendo-o de forma tão
inaugural – com “mudança de eixo político”?
Ato falho à parte, referia-se apenas a Lula?
* A escritora paulistana Márcia
Denser publicou, entre outros, Tango Fantasma (1977), O Animal
dos Motéis (1981), Exercícios para o pecado
(1984), Diana caçadora (1986), Toda Prosa (2002) e
Caim (2006). Participou de várias antologias importantes
no Brasil e no exterior. Organizou três delas - uma
das quais, Contos eróticos femininos, editada na Alemanha.
Mestre em Comunicação e Semiótica pela
PUC-SP, é pesquisadora de literatura brasileira contemporânea,
jornalista e publicitária.
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Gazeta do Povo, 15 de dezembro
de 2007
BRASIL | FINANÇAS
Reforma tributária deve
recriar CPMF em 2008
Governo fala em cobrança
com arrecadação exclusiva para saúde
Brasília – O governo deve aproveitar a reforma
tributária para recriar a Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira
(CPMF). Apesar de o governo não pretender reapresentar
o imposto do cheque em sua forma atual, a idéia é manter
a contribuição com arrecadação
exclusiva para a saúde, com alíquota inferior
aos 0,38% que serão cobrados até 31 de dezembro.
A área econômica também defende a volta
do imposto sob o argumento de que a CPMF é uma das
maneiras mais eficazes para fiscalizar sonegação
fiscal.
Segundo a líder do PT no Senado, Ideli Salvati
(SC), a Receita Federal conseguiu recolher cerca de R$
40 bilhões, nos últimos quatro anos, fruto
do cruzamento das informações do imposto
de renda com a movimentação da contribuição.
Para o senador Francisco Dornelles (PP-RJ), ex-secretário
da Receita Federal e ex-ministro do Trabalho, o poder de
fiscalização da CPMF é importante,
mas a volta do tributo é essencial para compensar
a perda de R$ 40 bilhões com a derrubada do imposto
do cheque no Senado. Ele lembrou que todas as reformas
tributárias que o governo enviou até hoje
ao Congresso previam a contribuição.
“O governo vai ter de fazer cortes em todas as despesas
no primeiro semestre. A CPMF estava em todas as propostas
de reforma tributária do governo”, observou
Dornelles. Em sua avaliação, o governo não
tem como fazer uma reforma tributária nos primeiros
meses de 2008 que acabe por compensar as perdas com o fim
do imposto do cheque. “Se o governo quiser esperar
a reforma tributária, fica sem CPMF”, disse
o ex-ministro. “A CPMF tem o encanto da fácil
arrecadação”, argumentou.
Segundo Dornelles, não há como os estados
recuperarem as perdas que terão com o fim da contribuição,
sem a volta do imposto do cheque. “Os estados reaverem
o que perderam com a CPMF é sonhar com Papai Noel
no meio do ano. Podem minorar as perdas com a aprovação
da contribuição, se ela começar a
ser cobrada em julho do ano que vem”, disse.
Para suprir a falta da arrecadação com o
fim do imposto do cheque, Dornelles argumentou que só existem
três caminhos: o corte de despesas de natureza social,
o corte nos investimento e o aumento do endividamento. “Só espero
que o governo não recorra à idéia
de aumentar impostos”, disse Dornelles. Ele alertou
que eventuais aumentos de impostos poderão levar à sociedade
a ficar contra o governo. “Cada incidência
de imposto atrapalha um nicho da sociedade. Aumento genérico
de impostos é ter toda a sociedade contra o governo”,
afirmou o ex-ministro.
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Gazeta do Povo, 15 de
dezembro de 2007
ECONOMIA | SETOR MADEIREIRO
Chilena dobra de tamanho no
Paraná
Arauco investe em base florestal
e em novas linhas para aumentar participação
no mercado
por CRISTINA RIOS
A Arauco, que faz parte de um dos maiores grupos empresariais do Chile,
com faturamento de US$ 2,85 bilhões em 2006, está ampliando
seus negócios na indústria florestal do Brasil. A empresa
começou a produzir no país em 2005, a partir da compra
da Placas do Paraná, e dobrou de tamanho nesse ano. Agora está investindo
em novas linhas de produção e não descarta, no
futuro, a construção de uma fábrica de celulose
no Brasil.
Confira o perfil da Arauco no Brasil:
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A
celulose, usada para o papel kraft, respondeu,
no ano passado, por 49% das receitas do grupo. “Atualmente
não é possível pensar em novos
projetos de plantas de celulose no Chile, já que
não há disponibilidade suficiente
de florestas. Nesse sentido, a empresa vê possibilidade
de crescer em países vizinhos, como Brasil,
Argentina e Uruguai”, disse Pablo Mainardi,
diretor-presidente da Arauco do Brasil. “Mas
ainda teremos que ampliar a base florestal no país
para viabilizar um projeto de fábrica aqui.
Antes disso, vamos consolidar a estrutura que possuímos
hoje”, completou.
No momento, a Arauco
está reforçando seus investimentos
na área de painéis de madeira,
setor que marcou sua entrada no mercado nacional.
A empresa iniciou operações no
Brasil em 2002 com a importação
de painéis a partir de um escritório
em Curitiba. Em 2005 ampliou sua atuação
com a compra da Placas do Paraná do grupo
francês Louis Dreyfus. Com a operação,
assumiu duas fábricas – localizadas
em Curitiba e Jaguariaíva, na região
dos Campos Gerais –, que juntas possuem
capacidade para 600 mil metros cúbicos
de painéis de madeira.
Com investimentos de US$ 7 milhões, a Arauco acaba de
colocar em funcionamento uma linha de melamina, usada para revestir
painéis de madeira de MDF (Medium Density Fiberboard),
com capacidade para 200 mil metros cúbicos por ano na
fábrica de Jaguariaíva.
A unidade de Curitiba,
que faz aglomerado, recebeu R$ 20 milhões
para melhorias tecnológicas e de segurança,
de acordo com o executivo. A fábrica,
inaugurada nos anos 60, tem capacidade para 300
mil metros cúbicos por ano. A produção
de MDF e de aglomercado da empresa é voltada
principalmente para a indústria de móveis.
As fábricas,
segundo Mainardi, funcionam próximas da
capacidade máxima, embaladas pelo bom
momento do mercado, mas o executivo é cauteloso
ao responder sobre planos de construção
de novas fábricas. A maior parte das concorrentes
da Arauco no mercado de painéis, como
Satipel, Masisa, Duratex e Berneck, já anunciaram
novos projetos industriais. “Vamos avaliar
as possibilidades”, diz ele, que afirma
que aquisições de empresas também
não são descartadas.
No final de outubro,
a Arauco dobrou seus ativos no Brasil com uma
parceria com a sueco-finlandesa Stora Enso, maior
fabricante de papel da Europa. O negócio,
de US$ 208 milhões, envolveu o complexo
de Arapoti, na região dos Campos Gerais,
pertencentes à Stora Enso, formado por
uma fábrica de papel, uma serraria e uma área
florestal de 25 mil hectares de pinus e 5 mil
hectares de eucalipto.
A fábrica
de papel revestido de baixa gramatura (LWC),
usado em revistas e folhetos comerciais, é a
maior da América Latina e tem capacidade
para produzir 205 mil toneladas por ano. Com
a joint venture, a empresa européia que
detinha 100% da fábrica ficou com 80%.
A chilena passou a deter os 20% restantes. Na área
florestal, a proporção foi invertida:
Arauco com 80% e Stora Enso, 20%. A serraria,
terceiro ativo que congrega o complexo, passou
a ser 100% controlada pela empresa chilena.
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A serraria produz 150 mil metros cúbicos
por ano e tinha parte da produção destinada
a exportações. “O nosso desafio será tornar
viável essa operação com o câmbio
desfavorável e com a crise imobiliária
nos Estados Unidos”, diz Mainardi.
A partir do negócio com a Stora Enso, a Arauco
incorporou, pela primeira vez, a produção
de papel nos seus negócios. Mas ainda não
está definido se esse será um foco de ação
para novos projetos. Mainardi diz que a intenção é primeiro
avaliar como é a operação para depois
definir os próximos passos nesse setor.
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Gazeta do Povo, 15 de dezembro
de 2007
ECONOMIA | SETOR MADEIREIRO
Brasil responde por 7% das
operações
Com sede em Curitiba, a Arauco do Brasil faturou R$
622 milhões em 2006, o que representou 7% dos negócios
do grupo chileno. Com quatro fábricas no país – todas
no Paraná – a empresa emprega 1030 pessoas.
Segundo Pablo Mainardi, diretor-presidente da subsidiária
brasileira, a intenção é ampliar os
ativos florestais no país para fazer frente ao crescimento
do grupo nos próximos anos. A empresa, que em 2005
tinha 22,5 mil hectares de plantações florestais,
hoje controla 63 mil hectares.
A companhia começou a produzir no Brasil em 2005,
quando adquiriu do grupo francês Louis Dreyfus
a Arauco Forest Brasil S.A., a Placas do Paraná S.A.
e 50% das ações da Dynea Brasil S.A., fabricante
de resinas, papéis melanímicos e outros
produtos químicos para a indústria de painéis
de madeira. A compra, no valor aproximado de US$ 300
milhões, segundo divulgado na época, incluiu
ainda a aquisição da Faplac, fábrica
de painéis do Dreyfus na Argentina.
A Celulosa Arauco y Constitucion S.A. é controlada
pela família Angelini. Seu fundador, Anacleto
Angelini, que morreu em agosto desse ano, aos 93 anos,
era considerado o homem mais rico do Chile, com fortuna
estimada em US$ 3,7 bilhões, segundo a revista
americana “Forbes”.
Nascido na Itália em 1914, Anacleto Angelini
chegou ao Chile em 1948 onde começou a montar
seu império industrial. Em 1994, naturalizou-se
chileno.
A empresa possui fábricas de celulose no Chile
e na Argentina. No Chile, a empresa sofreu, nos últimos
anos, forte resistência por conta de problemas
ambientais em fábricas de celulose. A Arauco também é proprietária
de 17 serrarias e oito fábricas de painéis,
no Brasil, no Chile e na Argentina. Suas florestas, espalhadas
pelo Brasil, Chile, Argentina e Uruguai, somam 1,4 milhão
de hectares. (CR)
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Gazeta do Povo, 15 de dezembro
de 2007
POLÍTICA | FISCALIZAÇÃO
Site monitora políticos
eleitos
por ROSANA FÉLIX
Os paranaenses ganharam uma importante ferramenta para
acompanhar o desempenho dos políticos eleitos no
ano passado. A Rede de Participação Política
do Empresariado, iniciativa da Federação
das Indústria do Estado do Paraná (Fiep)
e da Federação das Associações
Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap), lançou
esta semana o Sistema de Monitoramento e Avaliação
dos Eleitos, um projeto disponível pela internet.
O sistema foi desenvolvido por professores e pesquisadores
do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal
do Paraná (UFPR). Pelo portal é possível
saber como cada um dos deputados federais do estado votou
em relação à prorrogação
da CPMF, por exemplo. Além dos 30 deputados federais,
o sistema traz informações sobre os 54 deputados
estaduais, o governador do estado, Roberto Requião
(PMDB) e o presidente da República, Luiz Inácio
Lula da Silva. “O sistema permite o acompanhamento
das notícias, a manifestação dos integrantes
da rede e a oportunidade para os eleitos esclarecerem os
pontos abordados”, disse o presidente da Fiep, Rodrigo
da Rocha Loures.
Em uma primeira fase, o site será abastecido com
informações de jornais do estado. Quem acessar
o endereço eletrônico poderá saber
o que o político eleito tem feito e enviar comentários
e sugestões. Os eleitos também poderão
se manifestar. De acordo com o professor de Ciência
Política da UFPR Sérgio Braga, o projeto
permite uma grande interação entre cidadãos
e os representantes eleitos. Há dez itens de monitoramento,
como o envolvimento do político em notícias
de corrupção, a presença nas sessões
legislativas (no caso dos deputados) e o uso da verba pública.
Outro ponto importante do projeto é a busca pela
transparência. “O Legislativo e a política
em geral no Brasil são uma caixa-preta. Os políticos
ainda não estão acostumados a fornecer informações
para a sociedade, a não ser quando são interpelados
pela mídia ou pelo Judiciário”, diz
Braga.
O presidente da Faciap, Ardisson Akel, disse que não
são as entidades que farão o monitoramento
dos políticos, mas sim a população
em geral. “É muito comum ouvir muitas críticas
aos eleitos, mas não se pode simplesmente criticar
se você não se dispõe a participar”,
disse.
* * * * *
Serviço: o sistema
de monitoramento pode ser acessado pelo site http://www.redeempresarial.org.br/monitora/
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Folha de São Paulo,
15 de dezembro de 2007
Governo vai cortar R$ 12 bilhões
de emendas coletivas
Paulo Bernardo afirma que investimentos
públicos não incluídos no PAC terão
corte que podem chegar a R$ 6 bi
No Ministério da Fazenda, técnicos
estudam quais tributos terão aumento; pacote será apresentado
a Lula na próxima semana
VALDO CRUZ, SHEILA D'AMORIM
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Entre as medidas para compensar o fim da CPMF, o Ministério
do Planejamento vai cortar investimentos públicos
fora do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)
e recursos destinados às emendas coletivas apresentadas
por parlamentares ao Orçamento da União do
próximo ano.
" Vamos preservar os R$ 18 bilhões de investimentos do PAC, é determinação
do presidente, mas com o fim do imposto do cheque teremos de fazer um corte nos
outros investimentos", disse o ministro Paulo Bernardo (Planejamento). Fora
do PAC, o Orçamento prevê R$ 12 bilhões em investimentos
públicos, sendo R$ 4 bilhões só para a Defesa. O corte em
estudo no Planejamento, segundo a Folha apurou, pode chegar a R$ 6 bilhões.
No caso das emendas coletivas, há outros R$ 12 bilhões
programados. Essas emendas, apresentadas por bancadas estaduais ou
comissões temáticas do Congresso, destinam verbas geralmente
para grandes obras, de interesse de governadores e prefeitos de capital.
Bernardo disse que propôs aos membros da Comissão de Orçamento
zerar essas emendas, mantendo apenas as individuais, que totalizam
R$ 4,7 bilhões. A reação no Congresso, porém, é contrária
ao corte.
Essas medidas farão parte do pacote que a equipe econômica
irá apresentar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva
na próxima semana, provavelmente na quarta-feira. O Planejamento
ficou encarregado de fazer as propostas de cortes no Orçamento,
que, segundo negociação do governo com os presidentes
da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e do Senado, Garibaldi
Alves (PMDB-RN), será votado em fevereiro. Não deve ser
feita convocação extraordinária do Congresso em
janeiro.
Já a Fazenda analisa quais impostos pode aumentar para compensar
parte dos R$ 40 bilhões que o chamado imposto do cheque renderia
em 2008. A Receita Federal deve propor aumentos nas alíquotas
de CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido),
especialmente para bancos, IOF (Imposto sobre Operações
Financeiras) e PIS/Cofins.
Apesar da avaliação de que representantes da indústria
jogaram contra o próprio setor ao trabalharem pelo fim da CPMF,
há uma preocupação em evitar que opções
para cobrir o rombo nas contas públicas sobrecarreguem o setor
produtivo. Isso porque o governo não quer adicionar riscos ao
aumento dos investimentos. Para técnicos do governo ouvidos
pela Folha, o setor produtivo deixará de ganhar porque, com
o fim da CPMF, as desonerações em estudo, sobretudo sobre
a folha de salários, ficaram comprometidas.
Já os bancos estão na mira do governo por viverem uma
era de recordes de lucro. Sabe-se, porém, que um aumento na
tributação do setor pode levar a aumento nos juros, com
elevação do custo dos empréstimos. Por isso a
preocupação na Fazenda é identificar as fontes
alternativas de arrecadação.
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Folha de São Paulo,
15 de dezembro de 2007
Pressão madeireira
alavanca desmate em área protegida
Apesar de vir sofrendo queda na Amazônia,
desmatamento cresce em unidades de conservação
no sudoeste do Pará
Pesquisadores dizem que a situação é uma "afronta" dos
desmatadores, mas acreditam que ausência do Estado
facilita invasões
GIOVANA GIRARDI
ENVIADA ESPECIAL A ITAITUBA (PA)
O padre Arno Longo costuma dizer que não é um
ambientalista, mas um "homem da agricultura familiar".
Ainda assim, não perde a chance de, no sermão
dominical, pregar contra o desmatamento: "Quando lhe
entregou o Éden, Deus falou para o homem, dominai
e conservai. Não é pra dominar e destruir como
temos feito".
É um discurso que precisa de insistência. Entre seus fiéis
estão algumas dezenas de assentados que sofrem diariamente com a pressão
de madeireiros para que lhes entreguem as árvores comerciais de suas terras
distribuídas em pequenos lotes na floresta amazônica. Diante da
promessa da renda segura -porém a longo prazo- do cultivo agrícola,
e do lucro imediato da motosserra, é fácil sucumbir ao segundo.
Essa é a realidade de pelo menos sete cidades (como Itaituba,
Novo Progresso e Castelo dos Sonhos) do sudoeste do Pará, localizadas
na área de influência da BR-163, que liga Cuiabá a
Santarém. Na região, que tem um mosaico de reservas de
8 milhões de hectares, está sendo registrado um aumento
do desmate justamente nas unidades que foram criadas para coibi-lo.
Apesar de vir em queda há três anos em toda a Amazônia,
lá o desmatamento só faz crescer, como demonstra levantamento
do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia).
Na Floresta Nacional estabelecida no município de Trairão,
por exemplo, existe uma fazenda, de acordo com pesquisadores da região
que não quiseram se identificar. No Parque Nacional da Amazônia,
em Itaituba, vivem pelo menos 11 comunidades. Segundo o Imazon, entre
agosto de 2006 a julho de 2007, 21% do corte raso observado no Pará ocorreu
em unidades de conservação.
"Quem manda sou eu"
A "afronta" ao governo, como define o ecólogo Adalberto
Veríssimo, do Imazon, é propiciada por um conjunto de
situações: colonos que já viviam nesses locais
antes de eles serem transformados em área de proteção,
ausência de fiscalização, falta de planos de manejo
florestal e pressão de madeireiros.
" Neste ano não saiu quase nenhum plano de manejo, mas a madeira
continuou sendo retirada de dentro das reservas", conta Longo, que vê os
caminhões com toras passando pela Transamazônica, em frente sua
casa, todos os dias. Em um dia "fraco", como o presenciado pela Folha,
foram pelo menos dez. "Bastou uma unidade de conservação ser
criada para o pessoal correr lá e limpar as árvores nobres antes
de o terreno ser demarcado", afirma.
Segundo Veríssimo, esta é uma atitude para mostrar poder. "O
invasor vai lá pra dizer: "Quem manda aqui sou eu".
Vira fato consumado. Se já foi desmatado, o pessoal acha que
as pessoas não poderão mais ser retiradas de lá de
dentro. É a forma de mostrar que são contra a criação
das unidades."
Para ele, o estabelecimento de terras protegidas no entorno da BR-163
no início de 2006 foi um ato de coragem do governo, visto que
se trata de uma região bastante conturbada. " Mas com o
passar do tempo o governo não conseguiu botar o pé na área.
Em geral essas unidades ficaram no papel", explica Veríssimo. "Os
infratores permaneceram lá e acharam que as unidades não
eram pra valer", complementa.
Este aumento apontado pelo Imazon reflete, no entanto, só o
corte raso da floresta. A ação pontual de madeireiros
ilegais fica fora das estatísticas. No entanto, de acordo com
o pesquisador, é exatamente aí onde começa o problema. "A
estatística subestima a real agressão que a floresta
sofre."
Assédio madeireiro
Como explica o padre Longo, a situação mais delicada
desse processo é o assédio aos colonos que vivem em assentamentos
localizados à margem da floresta. "Um atravessador de madeireiro
entra na terra, derruba a árvore e o colono acaba sendo forçado
a "vendê-la" com um discurso sutil: "Se você me
entregar pro Ibama amanhece morto". O colono vende."
Um ipê, por exemplo, nessas condições, acaba saindo
por R$ 40 o metro cúbico. É revendido depois por R$ 800.
Longo conta que em um assentamento de Itaituba há uma serraria
dentro. "É proibido, mas está lá. Em vez
de praticar agricultura familiar, o colono vira peão de serraria,
se torna assalariado, ganha a cada 15 dias. Fica muito difícil
nessa situação convencê-lo de que manter a floresta
em pé é um negócio melhor para ele."
Para Veríssimo e Longo, tudo isso só tem ocorrido, no
entanto, pela falta do governo na região. Procurado pela Folha,
o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente,
João Paulo Capobianco, disse que o governo tem tentado resolver
a questão. "Estamos fazendo ações para resolver
essa ausência do Estado que você viu lá."
Para ele, desmatamento em UC é novidade. "Fazem isso com
a expectativa de que, desmatando, ganharão o título da
terra, mas isso não existe." Ainda assim, diz ele, a situação
está melhor do que antes da criação das unidades.
Segundo Capobianco, a perda de floresta crescia 500% ao ano na região
desde 2001. "Com as UCs caiu mais de 98% no primeiro ano." O
problema, lembra Veríssimo, é que voltou a crescer depois.
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Folha de São Paulo,
15 de dezembro de 2007
"Madeireiro vai salvar
a Amazônia", defende presidente do sindicato da área
DA ENVIADA ESPECIAL A ITAITUBA
Se boa parte da culpa do desmatamento é creditada à ação
de madeireiros ilegais, os que agem na legalidade dizem que
a culpa é do Estado. Ou melhor, da falta de ação
dele. Para Luiz Carlos Tremonte, presidente do Sindicato
da Indústria Madeireira do Sudoeste do Pará,
o governo tem prejudicado a atividade florestal ao não
liberar planos de manejo.
Isso não ocorreu neste ano porque se previa que a área
de influência da BR-163 seria a primeira a ter florestas de aluguel
no país -áreas concedidas para exploração
de madeira em reservas públicas da Amazônia. Mas os estudos
para o plano de gestão não foram concluídos a
tempo, e o Meio Ambiente liberou a primeira área em Rondônia.
O secretário-executivo do MMA, João Carlos Capobianco,
afirmou à Folha que o Pará só deve ser atendido
em 2008.
Tremonte reconhece que mesmo sem as autorizações de manejo
a madeira continuou sendo cortada. "Isso jogou os madeireiros
na ilegalidade", diz. "A gente quer trabalhar dentro da lei,
mas madeireiro tem família, tem de comer", afirma. Ele
insistiu, no entanto, em dizer que de um modo geral todo mundo age
na legalidade. "Tivemos de sair da região para poder trabalhar."
Tremonte atendeu a reportagem buscando se mostrar defensor da mata. "Todo
mundo culpa a gente, mas madeireiro não destrói a floresta.
Só derrubamos árvores frondosas, já velhas, que
não jogam mais oxigênio no ar." E agiu na defensiva
quando questionado sobre ameaças aos colonos. "A bandidagem
no setor existe, mas é minoria. Assim como não se pode
dizer que todo promotor é bandido só porque lá em
São Paulo um matou a mulher, não se pode generalizar
e dizer que madeireiro é bandido."
Segundo ele, o mundo ainda vai reconhecer que o melhor para a mata é ter
madeireiro agindo na legalidade. "Escreve aí o que eu estou
falando: o madeireiro vai salvar a Amazônia." (GG)
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Folha de São Paulo,
15 de dezembro de 2007
Sem CPMF, salário até R$
1.140 pagará mais à Previdência
Desconto para compensar tributo
do cheque deixa de valer a partir de janeiro; aumento máximo é de
R$ 51,87 por ano
Alíquota de 7,65% volta a 8%,
e a de 8,65%, para 9%; benefícios até dez
mínimos deixarão de ter "acréscimo" correspondente à CPMF
MARCOS CÉZARI
DA REPORTAGEM LOCAL
Com o fim da CPMF (o tributo do cheque) a partir de 1º de
janeiro, os trabalhadores assalariados (com registro em
carteira) que recebem entre R$ 380 e R$ 1.140 por mês
(um a três salários mínimos) terão
de pagar mais à Previdência Social -o desconto
será feito nos salários pagos em fevereiro.
Os acréscimos variam conforme o salário do trabalhador,
mas são pequenos -de R$ 1,33 a R$ 3,99 por mês, ou R$
17,29 a R$ 51,87 por ano, incluindo a contribuição sobre
o 13º salário. O desconto a mais vale para todos os trabalhadores
com registro em carteira, inclusive empregados domésticos e
trabalhadores avulsos.
Como a legislação garante isenção da CPMF
para quem ganha até três salários mínimos
por mês, a Previdência Social foi obrigada a reduzir a
contribuição previdenciária paga por esses trabalhadores.
Era uma forma de "compensação".
Assim, com a CPMF atual de 0,38%, a alíquota de 8% foi reduzida
para 7,65%. A de 9% foi reduzida para 8,65% até a faixa correspondente
a três mínimos, ou R$ 1.140. Com o fim da CPMF, esses
salários voltarão a pagar 8% e 9%, respectivamente, como
antes da criação do tributo.
Para os salários maiores do que R$ 1.140 não houve redução,
uma vez que eles não têm isenção da CPMF.
Assim, para quem ganha de R$ 1.140,01 a R$ 1.447,14 a contribuição
continuará sendo de 9%. Para ganhos de R$ 1.447,15 ou mais,
o desconto permanece em 11% até o teto do salário-de-contribuição
(R$ 2.894,28).
Até o final do ano o Ministério da Previdência
Social divulgará portaria com os novos percentuais. Como são
três alíquotas de contribuição, a nova tabela
voltará a ter apenas três faixas, como antes da criação
da CPMF (hoje são quatro faixas e quatro alíquotas).
Aposentadorias
Os segurados da Previdência Social que recebem até dez
salários mínimos -R$ 3.800 por mês, em valores
atuais-, deixarão de ter o acréscimo da CPMF em seus
benefícios (pagos em conta corrente, cartão magnético,
pagamento alternativo de benefício, ordem bancária ou
cupom liqüidável por instituição) a partir
de janeiro.
Isso ocorrerá porque, com o fim da CPMF, não haverá mais
o desconto da contribuição quando houver o saque no banco.
O fim do acréscimo não acarretará prejuízo
aos segurados, uma vez que ele é feito -em valor correspondente à CPMF-
exatamente para que ocorra a "compensação" no
momento do saque. Os segurados que recebem mais do que dez mínimos
não gozam da isenção da CPMF.
Como a folha de pagamento do INSS deste mês já está pronta,
os benefícios até dez mínimos ainda serão
pagos com o acréscimo da CPMF. Mas o INSS provavelmente fará a "compensação" para
uma parte deles em fevereiro, quando estiverem sendo pagos os benefícios
de janeiro próximo.
Há uma explicação para que a "compensação" não
alcance todos os benefícios. É que os aposentados e pensionistas
que ganham até um salário mínimo (R$ 380), cujos
benefícios tenham finais 1 a 5, receberão seus benefícios
deste mês já a partir da próxima quinta-feira,
dia 20. Nesse caso, como o pagamento está sendo feito ainda
na vigência da CPMF, o "acréscimo" correspondente
será descontado normalmente na hora do saque do dinheiro.
Quem receber os benefícios entre 2 e 8 de janeiro (todos os
demais, à exceção dos de finais 1 a 5, de até R$
380) terá o "acréscimo" correspondente à CPMF
mas não terá de pagá-la, uma vez que o dinheiro
será sacado quando o tributo não mais existirá.
Assim, tudo indica que em fevereiro, quando pagar os benefícios
de janeiro, o INSS descontará o valor da CPMF que acrescentou
em janeiro mas que não foi descontado pelos bancos.
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Folha de Londrina, 15 de
dezembro de 2007
Carteira de Trabalho será substituída
por cartão

A tão conhecida, importante, necessária e símbolo
de orgulho Carteira de Trabalho vai estar de cara nova em 2008. O documento
em formato de caderneta de papel deve ser substituído por um
cartão magnético. A novidade pode começar a valer
em 1º de maio do próximo ano.
A transição está sendo estudada por
uma Comissão do Ministério do Trabalho. A
intenção é que antes da implantação
oficial sejam feitos testes em pelos menos cinco cidades
do Brasil, localizadas nas diferentes regiões. Ainda
não se sabe como serão feitos os registros
e as informações no cartão magnético.
De qualquer forma, a substituição das carteiras
tradicionais deve ser feita de forma gradual. Segundo o
Ministério do Trabalho e Emprego, pelo menos cinco
milhões de carteiras são emitidas por ano
no país. O cartão tem vantagens sobre o documento
atual com relação a fraudes e falsificações.
Além disso, acredita-se que através dele,
o trabalhador possa consultar o saldo do Fundo de Garantia
por Tempo de Serviço (FGTS) e do PIS.
Instituída em 1932, a carteira é um documento
obrigatório para todos os trabalhadores formais.
Só através dela é possível
ter direito aos principais benefícios previstos
em lei como seguro-desemprego, Previdência e o FGTS.
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Folha de Londrina, 15 de
dezembro de 2007
Lula critica auxílio-doença
sem necessidade
São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou
ontem os trabalhadores que ficam insatisfeitos quando recebem alta médica
em avaliações na Previdência Social e deixam de receber
auxílio-doença. Segundo Lula, o benefício só deve
ser pago a quem realmente tem necessidade como forma de garantir que
o sistema continue.
‘‘É uma coisa fantástica. Tudo o que a
gente quer é ficar bom. Mas no caso de determinados benefícios
a pessoa não quer [ficar boa]’’, comentou o presidente,
durante a inauguração da primeira agência da Previdência
Social especializada em benefícios por incapacidade, em São
Paulo.
Lula disse que compreende a insatisfação das pessoas
que não ‘‘vislumbram’’ a possibilidade
de emprego quando estão aptos ao trabalho e preferem continuar
recebendo o benefício. Segundo ele, isso ocorre porque o país
ficou sem crescer durante 26 anos.
Durante seu discurso, o presidente recordou da época em que
trabalhava no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e atendia as
pessoas no departamento responsável pela previdência,
onde soube de diversos casos de pessoas que simulavam doenças
para receber benefícios.
‘‘Eu conheci um companheiro que chegou a se internar
num hospital psiquiátrico para receber o benefício’’,
afirmou. Na avaliação do presidente, essa realidade precisa
ser mudada, o que só será possível com a conscientização
da sociedade brasileira.
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