 |
Diário Vermelho,
17 de dezembro de 2007
Datafolha: 20 milhões saem da
faixa de pobreza
A pesquisa Datafolha publicada neste domingo (16) revela que
a pobreza continua em declínio no país. Em artigo assinado
por Fernando Canzian, destaca-se que, se antes eram os programas
sociais que estavam elevando a condição social das
pessoas, hoje o movimento se dá pelo crescimento da economia.
Minimiza-se uma das causas apontadas pela violência.
O setor produtivo cresce, os salários aumentam,
as riquezas se distribuem melhor. Leia abaixo a íntegra
do artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo deste
domingo.
Crescimento tira milhões das
classes D e E.
Cerca de 20 milhões entram na classe C em 5 anos,
aponta Datafolha; movimento intensifica-se nos últimos
17 meses. Movimento sugere que, num primeiro momento,
programas sociais elevavam padrão de vida; hoje,
impulso vem da expansão econômica.
Nos últimos cinco anos e com forte aceleração
a partir de meados de 2006, cerca de 20 milhões
de brasileiros com mais de 16 anos migraram para a classe
C. Eles vieram, em sua grande maioria, da classe D/E.
Nos três primeiros anos e seis meses de governo
Lula (janeiro de 2003 a junho de 2006), apenas 6 milhões
de pessoas fizeram essa transição. Já nos últimos
17 meses (julho de 2006 a novembro passado), que coincidem
com um período de recuperação mais
robusta da economia, a travessia da classe D/E para a
C envolveu cerca de 14 milhões de brasileiros.
Os números são resultado de pesquisas
Datafolha realizadas em três momentos: outubro
de 2002 (pouco antes da posse de Lula), junho de 2006
e no final de novembro passado.
Nos últimos cinco anos, a classe D/E encolheu
de 46% do total da população para 26%.
Já a C cresceu de 32% para 49%, reunindo hoje
quase a metade dos eleitores do país -125 milhões
de pessoas com mais de 16 anos. A classe A/B manteve-se
praticamente estável. Seu tamanho oscilou de 20%
para 23% do total da população.
Para o economista-chefe da MB Associados, Sérgio
Vale, "o movimento de ascensão da classe
D/E deve continuar, muito apoiado na ampliação
da oferta de crédito no comércio e no crescimento
econômico".
A classificação econômica usando
as classes A/B, C e D/E é comum no mercado publicitário
e entre as empresas. Ela visa segmentar o mercado levando
em conta o poder aquisitivo. É obtida a partir
da verificação de itens de consumo e seu
número no domicílio dos entrevistados.
Apura ainda o grau de instrução do chefe
de família e se há empregado doméstico
na residência.
Esse tipo de classificação não
reflete, necessariamente, uma melhora estrutural nas
condições de vida do entrevistado. A aceleração
da transição de membros da classe D/E para
a C sugere que, se em um primeiro momento foram os programas
sociais e previdenciários os responsáveis
pela melhora de vida dos mais pobres, agora é o
crescimento econômico que empurra os brasileiros
para uma situação mais confortável
.
O PIB (Produto Interno Bruto) do país poderá crescer
acima de 5% em 2007, sustentado por aumentos sucessivos
no consumo, na produção, nos investimentos
e na renda e com queda no desemprego .
O maior número de pessoas que passaram a ter
melhora econômica e mais acesso a bens e produtos
pertence a famílias com renda de até dois
salários mínimos (R$ 760). Nessa faixa
de renda, os indicadores que classificam a classe D/E
encolheram, nos últimos cinco anos, de 80% do
total para 49%. Já a classe C cresceu de 16% para
45%.
"Há um novo mercado interno sendo criado
pela melhora na situação dos mais pobres.
E a desigualdade cai visivelmente com o crescimento mais
robusto da economia", afirma o economista Antonio
Delfim Netto . Em termos regionais, a passagem da classe
D/E para a C foi mais acentuada no interior do que nas
regiões metropolitanas e maior no Nordeste, no
Norte e no Centro-Oeste.
Nessas regiões, os impactos do crescimento tendem
a ser mais fortes, dado o número de pobres que
concentram. No Sul, onde os programas sociais têm
menor penetração, foi pequena a migração
das classes D/E para a C nos três anos e seis meses
iniciais de governo Lula. Mas, nos 17 meses seguintes,
ela veio com força (a classe D/E encolheu de 30%
para 18%), coincidindo com a recuperação
do predominante setor agrícola na região.
Nos Estados mais ricos do Sudeste, o encolhimento da
classe D/E foi de 35% para 17%. Hoje, mais da metade
(51%) da população da região pertence à classe
C. Outros 31% estão na classe A/B.
|
Folha de São Paulo,
17 de dezembro de 2007
Lula desautoriza Mantega sobre
nova CPMF e cortes
Presidente diz que ministro terá que
convencê-lo sobre necessidade de criar tributo
Sobre anúncio de revisão
do PAC e de gastos sociais, Lula afirma: "Não
vamos parar nenhuma obra do PAC [e] nenhuma política
social"
LORENNA RODRIGUES, DA FOLHA ONLINE,
EM BRASÍLIA
FELIPE SELIGMAN, DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou ontem
o ministro Guido Mantega se acalmar e pediu mais "reflexão
do que reação" de sua equipe. Ele repreendeu
Mantega por lançar a idéia de um novo imposto
para a saúde, aparentemente sem consultar o Planalto,
e por cogitar cortes em verbas do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento) e de programas sociais. "Não
existe razão para ninguém ficar nervoso,
nenhuma razão para que ninguém faça
uma loucura de aumentar a carga tributária."
Lula disse que terá que ser convencido da necessidade de novos
tributos e que o fim da CPMF não vai frear obras do PAC nem
os programas sociais. "Avalio que ele [Mantega] vai ter que me
convencer da necessidade disso. Falou para vocês [imprensa],
agora vai ter que colocar na minha mesa e eu vou decidir se vamos ou
não vamos", disse, após votar no segundo turno da
eleição interna do PT, em Brasília.
Lula advertiu a equipe econômica. "O governo precisa entender
que o momento é mais de reflexão do que de reação." Em
entrevista à Folha, Mantega disse que "o PAC, os programas
sociais e os investimentos em geral serão reexaminados".
Em outra entrevista, publicada anteontem pelo jornal "O Estado
de S. Paulo", Mantega havia sugerido a criação de
um novo imposto. Depois, disse que foi mal-interpretado e que a cobrança
poderia ser discutida em uma reforma tributária.
Ontem, Mantega declarou em nota que "a saúde não
sobrevive sem recursos adicionais" e que é "preciso
pensar em outra medida para suprir o que faltou". Mantega negou
ter dito que criaria o novo tributo por medida provisória. A
nota não trata das declarações de ontem do presidente.
Mantega ligou à tarde para o presidente e tentou se explicar.
Lula afirmou ontem ainda: "Vamos ter que ver como encontrar uma
saída porque não vamos parar nenhuma obra do PAC, não
vamos parar nenhuma política social que estamos fazendo e sabemos
que temos que investir na saúde". Para compensar o fim
da CPMF, o presidente disse trabalhar com expectativa de maior crescimento
da economia no ano que vem e conseqüente maior arrecadação.
Lula tem encontro na quarta com a equipe econômica para definir
as medidas para contornar a perda de R$ 40 bilhões no Orçamento
de 2008. Tais medidas já devem ser discutidas hoje, em Montevidéu,
onde ele e Mantega estarão juntos em encontro do Mercosul.
O pacote trará cortes de despesas, que podem ficar na casa dos
R$ 18 bilhões, mais aumento de tributos que podem ser feitos
sem passar pelo Congresso -entre eles, elevação de alíquotas
da CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido)
e PIS/Cofins, que poderiam render até R$ 10 bilhões a
mais. O restante viria de aumento da arrecadação.
Ao comentar a derrota no Senado, Lula afirmou: "Foi um gesto impensado
e se foi pensado foi de má-fé, de algumas pessoas que
votaram contra sabendo que causaram um prejuízo de R$ 24 bilhões
na saúde em quatro anos". Declarou que tais senadores não
querem que o governo dê certo e acreditam no "quanto pior,
melhor" e disse que a relação entre governo e Senado
ficará "a mesma", de "independência e harmonia".
Lula acrescentou que a proposta de uma política industrial só será enviada
ao Congresso no ano que vem.
|
Folha de São Paulo,
17 de dezembro de 2007
Presidência turbina gastos
no setor em ano de eleição
DA REPORTAGEM LOCAL
A Presidência gastou mais com publicidade em anos
eleitorais do que em anos sem disputa nas urnas. Levantamento
feito pela Folha revelou que os anos de 2004 e 2006 foram
os que a administração petista mais desembolsou.
Em 2005 e 2007, as despesas caíram.
Em valores absolutos, o ano de 2006, em que o presidente Lula foi reeleito,
foi o recordista em gastos, com R$ 156,1 milhões. Em seguida
aparece 2004, ano de eleições municipais, com R$ 137
milhões.
Em 2005, o valor foi de R$ 102,7 milhões. De janeiro a setembro
deste ano, a Presidência gastou R$ 43,6 milhões com propaganda.
A média mensal de gastos com propaganda foi de R$ 11,4 milhões
em 2004 e de R$ 13 milhões em 2006. Em 2005, a média
mensal foi de R$ 8,5 milhões. Em 2007, até setembro,
foi de R$ 4,8 milhões.
Entre 2004 e 2007, a agência de publicidade Lew Lara Propaganda
recebeu R$ 158,8 milhões da Presidência, e 77% do total
(R$ 106 milhões) foram pagos em anos eleitorais. A outra contratada,
a Matisse, recebeu um pouco mais, R$ 160 milhões, e 78% dessa
quantia foi paga nos anos de 2004 e de 2006. A empresa do publicitário
Duda Mendonça, que não trabalha mais com o governo, recebeu
R$ 93,4 milhões nos anos de 2004 e 2005.
Os valores apresentados foram corrigidos pelo IPCA (Índice de
Preços ao Consumidor Ampliado), do IBGE.
A secretaria de Comunicação da Presidência não
reconheceu as conclusões obtidas a partir da leitura dos dados
públicos disponíveis para consulta no Portal Transparência.
Segundo a secretaria, o governo tem menos despesas em anos eleitorais
do que em outros anos devido à Lei Eleitoral (9.504/97), que
impede que os gastos com publicidade seja superior à média
dos três últimos anos.
De acordo com a secretaria, os gastos na área de publicidade
têm caído anualmente, saindo de R$ 145,7 milhões
em 2004 para R$ 141 milhões em 2005 e R$ 100 milhões
em 2006. (AFONSO BENITES e RUBENS VALENTE)
|
Folha de São Paulo,
17 de dezembro de 2007
Natal em São Paulo cria
40 mil postos de trabalho
Para responder ao crescimento das
vendas, lojistas ainda oferecem vagas
Estimativas do Sindicato dos Empregados
no Comércio de São Paulo indicam que 30%
dos funcionários serão efetivados no próximo
ano
JULIO WIZIACK
DA REPORTAGEM LOCAL
Ainda falta uma semana para o Natal, mas os comerciários
de São Paulo já bateram um recorde. Entre
o início de setembro e a primeira quinzena de dezembro,
40 mil funcionários foram contratados, número
42,9% superior ao registrado no mesmo período do
ano passado.
" Ainda existem anúncios de empregos para os shoppings da cidade",
afirma Ricardo Patah, presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio
de São Paulo. "As vendas estão num ritmo tão forte
que muitos deverão continuar trabalhando no próximo ano."
Segundo Patah, esse total representa cerca de 10% de todos os comerciários
de São Paulo, e estima-se que 30% desses trabalhadores temporários
serão efetivados em 2008. Em média, eles têm mais
de 25 anos de idade, e 60% são mulheres.
Vendas em alta
Ainda não há dados consolidados sobre as vendas do comércio
nacional até o momento. Apenas os shopping centers devem faturar
R$ 70 bilhões no período do Natal, total 12% maior que
o do ano passado.
É o que afirma Nabil Sayhoun, presidente da Alshop (Associação
de Lojistas de Shopping Centers). Segundo ele, a Grande São Paulo responderá por
18% das vendas. "Acreditamos que esse será o melhor Natal dos últimos
seis anos", diz.
Dados do Provar (Programa de Varejo da USP) mostram que, no Natal,
as vendas costumam crescer 220%. Seria como vender em um mês
o equivalente a um trimestre sem datas comemorativas.
Mas as previsões indicam que o Natal deste ano terá números
ainda maiores. Isso porque a renda do brasileiro aumentou e há maior
oferta de crédito na praça.
Para Patah, a facilidade de pagamento é o grande motor das vendas
de fim de ano. "O crédito virou moeda", afirma. "E
dinamizou o comércio."
Segundo ele, o crédito farto já é realidade tanto
entre os lojistas -que tomam recursos em financeiras para parcelar
suas vendas pelo sistema de crediário- quanto entre os consumidores,
que dispõem de cartões de crédito. "Muitas
redes chegam a fidelizar os clientes com cartões próprios."
" As possibilidades de pagamento são mais numerosas que nos anos
anteriores e isso está incentivando o consumo", afirma Sayhoun, da
Alshop. "Boa parte dos cartões está parcelando as compras
em até dez vezes sem juros."
Esse ritmo também se repete nas vendas pela internet. Cálculos
da consultoria e-Bit, que monitora o varejo eletrônico, apontam
para um faturamento de R$ 1 bilhão apenas entre a primeira quinzena
de novembro e a véspera do Natal. Esse montante é 45,5%
maior que o do mesmo período de 2006. "Também na
internet teremos o melhor Natal dos últimos anos", afirma
Pedro Guasti, diretor-geral do e-Bit.
|
Folha de Londrina, 17 de
dezembro de 2007
Londrina registra recorde de
7.035 empregos
Número é o maior da
história do Caged em 11 meses e supera a meta do Sine
para o ano; no Paraná foram criados 153.579 no período
 |
Faltando
ainda o mês de dezembro para fechar a estatística
anual, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego,
confirmou hoje (dia 14), que a cidade de Londrina
registrou um recorde de novos empregos com carteira
assinada. Em 11 meses, 2007 gerou 7.035 novos empregos.
Apenas no mês de novembro, foram gerados
1.122 novos postos de trabalho. O gerente do Sistema
Nacional de Emprego (Sine), em Londrina, Roberto
Gonçalves, afirmou que este é o melhor
resultado obtido desde a criação
do Caged, nos anos 1990. Os números de 2007
ultrapassaram a meta estipulada para o ano, que
era de 7.000 novos empregos.
O setor de construção
civil foi o que registrou o maior crescimento
em relação ao ano passado, com
um índice de 12,6%; seguido pela indústria
com 7,25% de crescimento; o comércio com
6,45% e o setor de serviços com 5,56%.
Nos números globais deste ano o campeão
foi o setor de serviços, que registrou
2.840 novos empregos. O comércio registrou
1.871 novos postos de trabalho; a indústria
1.746, e o setor de construção
civil, 513 novos empregos.
Segundo o gerente do Sine, desde janeiro de 2001 a cidade de
Londrina registrou a criação de 34.125 novos empregos
com carteira assinada, o que confirma o crescimento econômico
do município nos últimos anos. ôCom certeza
esse resultado é fruto da política de atração
de novos investimentos para a cidade, determinada pelo prefeito
Nedson Micheleti desde o início da primeira gestão",
disse Gonçalves.
O prefeito Nedson Micheleti comemorou o resultado, afirmando
que Londrina vive um excelente momento, com a execução
de obras importantes de infra-estrutura urbana, de habitação
e de saneamento, e a consolidação da cidade como
pólo tecnológico. ôEsses fatores chamam a
atenção de grandes grupos, que têm buscado
a cidade para fazer investimentos. Além disso, os incentivos
que temos dado ao empresariado local, facilitam a expansão
desses negócios", disse o prefeito.
|
Paraná
O Paraná gerou 8.983 novos empregos com carteira
assinada em novembro deste ano, número quase três
vezes maior do que o total de postos de trabalho abertos
no mesmo mês do ano passado, quando foram gerados
no Estado 2.980 empregos formais. Com isso, aumentou em
42% o número de empregos gerados dos primeiros 11
meses de 2007 em relação ao mesmo período
do ano passado. Nesta comparação, a oferta
subiu de 108.231 empregos para 153.579.
Os dados são do Caged e os números também
apontam que o Paraná se mantém, pelo nono
mês consecutivo, entre os três Estados que
mais geraram postos de trabalho em 2007, juntamente com
São Paulo e Minas Gerais. Na comparação
com o total de empregos gerados pelos três estados
do Sul, o Paraná assume a liderança: responde
por 43,3% do total de vagas abertas em 2007.
No Brasil, o Caged aponta que foram criados 124.554 empregos
durante o mês de novembro deste ano e 1.936.806 durante
os 11 meses de 2007 registrados pelo cadastro.
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
17/12/2007
Vendedor da Itautec ganha comissão
por licitação ganha no INSS
A Quinta Turma do Tribunal Superior do Trabalho manteve decisão
que garantiu a um representante de vendas da Itautec Philco S.A. o
recebimento de comissões por venda efetuada em procedimento
licitatório no INSS em que atuou como representante da empresa.
Embora em licitações públicas a venda não
seja decidida pela capacidade de convencimento do vendedor, e sim pela
vitória da melhor proposta apresentada, após análise
da comissão de licitação do órgão,
o contrato de trabalho do vendedor garantia o direito às comissões
mesmo nas vendas feitas diretamente pela empresa. O relator do processo
foi o ministro Emmanoel Pereira.
Na inicial, o trabalhador informou ter sido contratado em 1988 com salário
fixo mais comissões, com área determinada de trabalho.
Caso um vendedor efetuasse alguma venda ou locação de equipamentos
em sua base territorial, mas para instalação em alguma
filial na base de outro representante, a comissão era dividida
entre os dois. Em 1992, foi enviado pela empresa ao Rio de Janeiro para
representá-la numa licitação pública no INSS
porque, segundo informou, a representante de vendas naquele território
não tinha qualificação técnica e conhecimentos
específicos sobre vendas para a área pública. A
Itautec venceu a licitação para fornecimento de 135 máquinas
copiadoras, mas o vendedor não recebeu comissão pela venda.
A Itautec, na contestação, alegou que o vendedor não
foi responsável pela negociação com o INSS, e participou
apenas da entrega da proposta.
De acordo com os depoimentos das testemunhas, o vendedor estava de
férias à época da licitação, e foi
chamado de volta ao trabalho para que participasse dela, uma vez que
tinha experiência no assunto. A sentença da 15ª Vara
do Trabalho de São Paulo deferiu, então, o pedido de
50% das comissões relativas aos equipamentos locados ao INSS
e seus reflexos nas demais verbas trabalhistas. A decisão foi
mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região
(SP) no julgamento do recurso ordinário.
Ao recorrer ao TST, a Itautec insistiu na tese de que a participação
do vendedor numa licitação pública é “irrelevante” para
a conclusão do contrato administrativo, porque a vitória
depende apenas da avaliação da proposta apresentada.
O relator, ministro Emmanoel Pereira, observou que, embora esta argumentação
fosse válida – as licitações públicas
são decididas por uma comissão do órgão
licitador -, no caso específico havia uma particularidade prevista
no contrato de trabalho. O acórdão do TRT/SP esclarece
que o vendedor tinha “garantia da percepção de
comissões de vendas, inclusive sobre as diretas, ou sejas, aquelas
efetuadas pela própria empresa”.
“Deixemos de lado as formalidades conferidas ao procedimento
licitatório e nos prendamos à primazia dos fatos”,
propôs o relator. No caso, o processo informou que o vendedor
interrompeu suas férias para participar da licitação,
embora este não fosse o objeto corriqueiro de seu trabalho,
porque esperava, com base no contrato, receber comissões pela
venda. “A empresa não pode distanciar-se do ajuste inicial
se durante a execução do contrato de trabalho fez o empregado
assumir outras formas de venda”, observou o ministro Emmanoel
Pereira. “Portanto, mesmo considerando que a venda fora feita
pela própria empresa, porque a presença do vendedor não
interfere diretamente na licitação, a comissão é devida,
para se evitarem falsas promessas previstas no contrato de trabalho”,
concluiu. (RR 553522/1999.9)
|
Obrigar empregado a fazer
campanha política caracteriza assédio moral
Impor candidato político aos empregados constitui assédio
moral. Como conseqüência, o assediado tem direito a receber,
do empregador, indenização por dano moral. Assim julgou
a Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho em ação
de trabalhador safrista contra a Cooperativa Agropecuária dos
Cafeicultores de Porecatu Ltda. – Cofercatu. A decisão
do TST manteve o valor da indenização, definido pela
Vara do Trabalho de Porecatu, no Paraná, em R$10 mil.
Desde março de 1989, todos os anos o trabalhador executava
serviços para a Cofercatu, em períodos de safra. Suas
funções foram de ajudante geral, trabalhador rural e
operador de vácuo, em diversas propriedades da empregadora e
de seus cooperados, nos estados do Paraná e São Paulo,
em colheita de algodão e indústria. Seu último
período contratado foi de maio de 2004 a janeiro de 2005.
Foi nessa época que a Cofercatu impôs a seus empregados,
dentre eles o autor, que votassem em um candidato específico
a prefeito de Florestópolis, no Paraná, filho do diretor
da empresa. Os empregados tinham que usar brindes de campanha, como
camisetas, bonés e adesivos, e colocar cartaz com o número
17, o “macaquinho”, na própria casa. Não
sendo recontratado e com todo o constrangimento sofrido, o trabalhador
decidiu ajuizar ação em março de 2005. Pleiteou
adicional noturno e horas extras, com reflexos, horas no transporte,
pagamento de feriados trabalhados e indenização por danos
morais - esta no valor de R$50 mil.
A Vara do Trabalho de Porecatu condenou a Cofercatu à indenização
de R$10 mil por danos morais. A cooperativa vem recorrendo da sentença,
alegando que o empregador pode dispensar seus empregados sem que tal
ato seja considerado lesivo sob o aspecto moral. Ao analisar o recurso
ordinário, o Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região
(PR) frisou em sua decisão que a condenação por
dano moral decorreu da comprovação do assédio
moral sofrido, e não da mera despedida.
Para o TRT/PR, a prova oral de testemunhas demonstrou, sem sombra
de dúvida, que a empresa impôs a seus empregados, dentre
eles o autor, que votassem em um candidato específico,o filho
do diretor da empresa. O assédio moral decorre da tentativa
da empregadora de suprimir do empregado o direito a escolher seu candidato à eleição,
impedir que se manifeste a favor do candidato adversário e,
mais grave, ameaçar de não voltar a recontratar o trabalhador
na próxima safra.
Segundo constatou o Tribunal Regional, a cooperativa fazia reuniões
com os empregados que eram verdadeiros comícios políticos,
ocasiões em que era obrigatório o uso do material de
campanha do candidato do filho do diretor e, obviamente, proibida a
utilização de propaganda referente ao candidato adversário.
Eram feitas ameaças de que o não-atendimento das exigências
patronais implicaria a não-contratação na safra
seguinte.
De fato, eventuais empregados que optaram por apoiar o candidato adversário
não foram recontratados. Na campanha eleitoral de 2004, os fiscais
da Cofercatu sondavam se o trabalhador-autor estava nos comícios
realizados pelo candidato da oposição. Dias após
o resultado da eleição, com a perda do candidato “apoiado” pela
empresa, os empregados na ativa não conversavam com os demitidos,
tudo para não perder o emprego ou a confiança do empregador.
Na tentativa de alterar a decisão do Regional, a empresa recorreu
ao TST. Para o relator do agravo de instrumento, ministro Ives Gandra
Martins Filho, o trabalhador passou pelo constrangimento de fazer campanha
e votar em candidato político escolhido pela empresa, ato suficiente
para caracterizar a violação dos direitos da personalidade
constitucionalmente protegidos. Assim, não há decisão
a modificar, pois o entendimento adotado pelo TRT, que manteve a sentença
na parte em que condenou a Cofercatu ao pagamento de indenização
por dano moral, não viola o art. 5º, V e X, da Constituição
Federal, mas resulta justamente da sua observância. (AIRR-2.534/2005-562-09-40.6)
|
TST garante reajuste para
aposentados da Petrobras
Em decisão da Sétima Turma, o Tribunal Superior do
Trabalho assegurou aos aposentados e pensionistas da Petrobras no Estado
da Bahia o mesmo reajuste salarial concedido aos empregados da ativa,
em voto do ministro Guilherme Caputo Bastos.
A questão vem sendo objeto de discussão desde que a
Petrobras firmou acordo coletivo de trabalho com o sindicato da categoria
na Bahia, referente ao período 2004/2005. Em uma das cláusulas,
a empresa concedeu aumento a todos os empregados da ativa, indistintamente,
sob a forma de avanço de um nível ao final de cada faixa
da tabela salarial.
Diversos grupos de aposentados e pensionistas, considerando-se prejudicados
pela exclusão, ajuizaram ações contra a Petrobras
e a Fundação Petrobras de Seguridade Social, Petros.
Em síntese, além de outros pedidos, os autores reividicaram
sua inclusão no mecanismo que possibilitou o avanço de
nível, defendendo a tese de que se trata de um reajuste disfarçado.
O pedido foi negado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região
(BA), que, ao interpretar a cláusula do acordo, concluiu que,
ao contrário do que sustentavam as ações, o ajuste
ali previsto seria decorrente de promoção concedida aos
trabalhadores em atividade – e não de “reajustamento
salarial” da categoria, o que excluiria sua extensão aos
aposentados e pensionistas. O Regional também analisou o regulamento
do plano de benefícios da Petros e concluiu que o artigo 41,
invocado como fundamento ao pedido, não asseguraria aos aposentados
e pensionistas reajustes em percentuais idênticos aos concedidos
ao pessoal da ativa, mas apenas o direito de reajuste dos proventos
e pensões nas mesmas épocas em que forem feitos os realinhamentos
dos salários dos empregados da Petrobras.
A questão seguiu para o TST por meio de recursos de revista
em que os trabalhadores aposentados insistem na tese que defendem desde
o início das ações. Pela controvérsia do
tema, os processos geraram intensos debates, prevalecendo, ao final,
o entendimento do ministro Guilherme Caputo Bastos, que passou à condição
de relator designado, na Sétima Turma.
Especificamente em relação ao reajuste concedido sob
a forma de avanço de nível, Caputo Bastos entendeu que,
de fato, a questão comporta ilação inversa à que
teve o Regional. Ele considera que a norma coletiva, ao contemplar
apenas os empregados em atividade, evidencia vício que enseja
repercussão no cálculo dos proventos e pensões,
frustrando a burla engendrada, por força da norma regulamentar.
Ou seja: da forma como foi redigido, o mecanismo que concede um nível
salarial atropela o princípio da boa-fé que se pressupõe
estar presente nas negociações coletivas. “Promoções
sem critérios e desprovidas de justificação constituem
vantagem algo anômala, evidenciando nítida finalidade
de ‘majoração salarial’, em detrimento da
franca ‘ascensão na carreira profissional’, acentua
o relator.
O ministro assegura que mesmo a participação da entidade
sindical na negociação coletiva não faz presumir
legítima, neste caso, a exclusão dos aposentados e pensionistas
da vantagem salarial. Após afirmar que não se ignora
nem a heterogeneidade dos interesses dos empregados ativos e inativos
da Petrobrás, ambos representados pela mesma entidade sindical,
nem a supremacia numérica do quadro de pessoal ativo, ele acrescenta
que, formulada proposta que satisfaça, por via transversa, os
interesses da maioria, sua aprovação não é nenhuma
surpresa. E conclui que a norma regulamentar salvaguarda o interesse
da minoria, reservando-lhe a repercussão do reajuste em seus
proventos e pensões.
O ministro ressalva que a negociação coletiva – instituto
que defende não apenas em respeito à norma constitucional,
mas por formação ideológica – não é absolutamente
imune ao crivo do Poder Judiciário, pois a Constituição
Federal, ao reconhecê-la como fonte formal do Direito do Trabalho,
não lhe atribui o condão de subtrair à jurisdição
o conteúdo material das cláusulas que a integrem. Após
examinar o teor do regulamento do plano de benefícios da Petros,
nesse aspecto, o ministro conclui que, “embora não esteja
assegurada a ‘identidade’ de índices de reajuste
salarial, evidente é a repercussão do percentual concedido
aos empregados ativos sobre os proventos e pensões percebidos
pelas reclamantes”. (RR 1525/2005-015-05.7;
RR 307/2006-027-05-00.6; RR 2502/2005-203-01-00.8; RR 741/2005-017-05-00.5;
RR 1415/2005-015-05-00.5)
|