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Agência Câmara,
18 de dezembro de 2007
Consolidada
Orçamento: relator rejeita corte
linear para Três Poderes
Luiz Alves
Pimentel considera o corte linear injusto e inconstitucional.
Os cortes nos recursos orçamentários de 2008 dos Três
Poderes, em busca de uma adaptação à perda de R$
40 bilhões da CPMF, não deverão ser feitos de forma
linear, mas sim proporcional. Foi o que disseram nesta segunda-feira
o presidente da Comissão Mista de Orçamento, senador José Maranhão
(PMDB-PB), e o relator-geral, deputado José Pimentel (PT-CE).
O relator ainda prometeu entregar o parecer final do Orçamento
no dia 11 de fevereiro.
Maranhão e Pimentel consideram o corte linear injusto
e inconstitucional. O relator não descartou aumento
de impostos, mas insistiu que o Orçamento precisa
ser "ajustado". O presidente da comissão
ressaltou que a proporção dos cortes ainda
não está definida.
Negociação
O senador e o deputado se encontraram hoje com o ministro do Planejamento,
Paulo Bernardo; a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra
Ellen Gracie; e o presidente do Superior Tribunal de Justiça
(STJ), Raphael de Barros Monteiro Filho. O objetivo das reuniões
foi colher sugestões de ajuste. "Evidente que nada nos
obriga a aceitar de forma absoluta os cortes", ponderou Maranhão. "Essas
reuniões foram para deixar claro que haverá cortes em
todos os Poderes", reforçou Pimentel
A ministra Ellen Gracie pediu um corte proporcional aos
recursos de cada Poder. Ela também prometeu entregar
as sugestões de cortes nas rubricas do Judiciário.
Superávit primário
Depois das reuniões, Pimentel disse que vai levar em conta três
princípios: crescimento econômico com inclusão
social; estabilidade econômica e redução da taxa
básica de juros, que deve chegar a 10,1% no final do ano que
vem. Com isso, Pimentel descartou a redução do superávit
primário, previsto em 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB).
O valor nominal do Orçamento em 2008 já é menor
do que o de 2007 - uma redução de R$ 1,560
trilhão para R$ 1,414 trilhão. Para o relator,
a diferença é fruto do pagamento de menos juros
e da diminuição da dívida pública
externa e interna. "Isso só foi possível
por conta do superávit primário. Exatamente
por isso, em 2008, se permite um investimento maior do que
tivemos."
A arrecadação prevista para 2008 era de R$
705 bilhões. Com a perda dos R$ 40 bilhões
da CPMF, ficaram R$ 665 bilhões. Do total das despesas,
6% são do Judiciário e 2,5% do Legislativo,
que inclui Senado, Câmara e Tribunal de Contas da União
(TCU). As emendas individuais somam R$ 4,8 bilhões
e as coletivas, R$ 13 bilhões.
Agenda
O relator-geral, a Mesa Diretora da Comissão Mista de Orçamento
e os consultores da Câmara e do Senado trabalharão nos
cortes do Orçamento a partir de 7 de janeiro. A comissão
ainda se reunirá nesta semana para concluir a votação
dos relatórios setoriais.
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Agência Senado, 18
de dezembro de 2007
COMISSÕES / Assuntos Sociais
CAS deve votar projeto que
permite ao empregado escolher banco para receber salário
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) deve votar nesta quarta-feira
(19) substitutivo a projetos de lei que garantem ao empregado o direito
de escolher o banco e a agência em que prefere receber sua remuneração.
As proposições, de autoria dos senadores Aloizio Mercadante
(PT-SP) - PLS 340/04 - e Romeu Tuma (PTB-SP) - PLS 176/04 -, tramitam
em conjunto e receberão decisão terminativa da CAS.
O relator, senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), ressalta
que, pela legislação em vigor, o empregador
determina o banco e a agência em que o empregado receberá seu
salário. Tuma e Mercadante argumentam que essa determinação
configura uma restrição à liberdade
individual.
Além disso, essa situação confere poder
de mercado excessivo às instituições
financeiras, que dele se valem para exorbitar na cobrança
de tarifas bancárias e taxas de juros, alegam os autores
dos projetos. Os senadores lembram ainda que nos países
mais desenvolvidos cabe aos empregados escolher o banco e
a agência de sua preferência.
Outro argumento em defesa da medida, desta vez do relator, é que
as tecnologias de comunicação e informação
atuais têm facilitado as transferências bancárias,promovendo
altas velocidades e expressiva redução dos
custos.
O substitutivo do senador Inácio Arruda determina
que, na hipótese de o empregador efetuar o pagamento
da remuneração de seus empregados por meio
de cheque, a conta bancária da qual será descontado
deve ser de agência mais próxima ao local de
trabalho.
Na mesma reunião, a CAS também deverá analisar,
em turno suplementar, o substitutivo ao projeto de autoria
do senador Paulo Paim (PT-RS) que proíbe a utilização
de métodos de recrutamento de pessoal que possam causar
dano à honra e à dignidade do trabalhador (PLS
262/03). O projeto também tramita em decisão
terminativa na comissão e teve substitutivo aprovado
na quarta-feira (5), tendo como relator ad hoc o senador
Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC). No total, a pauta
da CAS é composta de 9 itens.
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Agência Diap, 18
de dezembro de 2007
MOVIMENTO SINDICAL
Membro do corpo técnico
do DIAP produz parecer sobre ação do PPS contra
contribuição sindical
O DIAP instou um dos seus mais produtivos membros do corpo técnico
a eleborar um parecer técnico-jurídico sobre a argüição
do PPS contra a contribuição Sindical. Esta tarefa recaiu
sobre o advogado Hélio Stefani Gherardi.
No parecer, Gherardi argumenta que “a contribuição
sindical; descontada em janeiro para os empregadores e
em março para os trabalhadores; é o alicerce
financeiro da pirâmide sindical estatuída
exatamente no artigo 8°, “caput”, incisos
e parágrafos da Carta Magna”. E segue: “É umbilicalmente
ligada às prerrogativas e deveres das entidades
sindicais estatuídos nos artigos 513 e 514 do Diploma
Legal Consolidado”.
E arremata: “Fixada pelos artigos 578 e seguintes
da Consolidação das Leis do Trabalho, a Contribuição
Sindical, inclusive, não vai, na sua totalidade
para o sindicato, uma vez que ao mesmo só é encaminhado
o percentual de 60 %, indo 15 % para a Federação,
5 % para a Confederação e 20 % para o Governo.
A ‘Contribuição Sindical’ é compulsória
e, como tal, não pode ser recusado o seu desconto
e o seu recolhimento, inexistindo a possibilidade de oposição”.
(Marcos Verlaine)
Clique aqui e
leia a íntegra do parecer.
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Agência Diap, 18
de dezembro de 2007
SALÁRIO MÍNIMO
CAS poderá votar projeto
de valorização e recuperação
permanente do piso nacional
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado se reúne
nesta quarta-feira, dia 19, para examinar sua agenda ordinária
de proposições. A assessoria parlamentar do DIAP chama
a atenção para três projetos.
O primeiro projeto é o que trata de uma política
permanente de atualização e recuperação
do salário mínimo. Trata-se do PLC 42/07
(na Câmara, PL 1/07), do Executivo, que dispõe
sobre o valor do salário mínimo a partir
de 2007 e estabelece diretrizes para sua política
de valorização de 2008 a 2023.
O projeto faz parte do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC), lançado pelo Governo em 22
de janeiro.
O relator da matéria, senador Valdir Raupp (PMDB/RO),
apresentou parecer favorável ao texto e não
acatou nenhuma emenda apresentada. A Comissão de
Assuntos Econômicos aprovou o projeto no dia 03 de
julho.
Métodos de recrutamento
O segundo (PLS 262/03), do senador Paulo Paim (PT/RS),
dispõe sobre a proibição do uso de
métodos de recrutamento de pessoal que possam causar
dano a honra e a dignidade do trabalhador.
O projeto recebeu parecer favorável da relatora,
senadora Kátia Abreu (DEM/TO), e pela aprovação
parcial da emenda da Senadora Lúcia Vânia
(PSDB/GO), na forma do substitutivo que apresenta. Em 14/12/05,
a Comissão de Direitos Humanos e Legislação
Participativa aprovou parecer favorável ao projeto.
Conta salário
O terceiro projeto, do senador Aloizio Mercadante (PT/SP), é o
PLS 340/04, que altera o artigo 464, da Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT) para conferir aos empregados
o direito de escolher a instituição financeira
e a agência em que os empregadores depositarão
sua remuneração.
O projeto tramita em conjunto com PLS 176/04, do senador
Romeu Tuma (PTB/SP), cujo relator é o senador Inácio
Arruda (PCdoB/CE), que rejeitou este e aprovou aquele,
em forma de substitutivo.
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Congresso em Foco, 18 de
dezembro de 2007
Após CPMF, oposição
quer derrubar MP da TV Pública
Dando como certa a aprovação
na Câmara, oposicionistas se armam no Senado para tentar
rejeitar a medida provisória que criou a TV Brasil.
Relator propõe mudanças no sistema de financiamento
e na composição de Conselho Curador e aperta
o cerco contra a publicidade.
Camilla Shinoda e Edson Sardinha
Após impor ao governo Lula a sua mais onerosa derrota
com a rejeição da proposta que prorrogava a
cobrança da CPMF, a oposição já se
articula no Senado para derrubar uma medida provisória
(MP) que só deve ser votada pela Câmara no início
de 2008.
Trata-se da MP 398/07, que cria a Empresa Brasil de Comunicação
(EBC), à qual está subordinada a TV Brasil, rede pública
criada a partir da fusão da Radiobrás e da Associação
de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp).
Os oposicionistas alegam que a MP é inconstitucional, porque
não atenderia aos princípios da relevância e da
urgência exigidos pela Constituição para a edição
de medidas provisórias, e só admitem negociar com o governo
se a proposta for reapresentada na forma de projeto de lei. Em outra
frente, eles também aguardam o julgamento de um recurso protocolado
pelo DEM no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a proposição.
" O governo não deve ficar testando a oposição a todo
minuto nem colocar o Congresso contra a parede. Essa MP chegará ao Senado
trancando a pauta, impedindo que o próprio governo esclareça sua
proposta", reclama o líder da minoria, senador Demóstenes
Torres (DEM-GO). "Qualquer alternativa pode ser discutida, mas não
por meio de MP. Não é hora de o governo criar uma TV pública",
critica o vice-líder do PSDB Alvaro Dias (PR).
" Passando na Câmara, no Senado a discussão vai ser mais difícil. É só ver
o caso da CPMF", adverte o deputado Paulo Bornhausen (SC), vice-líder
do DEM e um dos coordenadores da campanha "Xô, CPMF".
Aprofundando o debate
A presidente da EBC, Tereza Cruvinel, acredita que a medida
será aprovada na Câmara sem grandes dificuldades,
apesar de o DEM ter fechado questão contra a proposta.
Mas admite que, mesmo com espaço para negociações,
o clima ainda é de animosidade no Senado. “Há resistências
na oposição, mas nem o PSDB nem o DEM fecharam
questão contra a MP. Acredito que, quando a MP chegar à Casa,
vamos aprofundar o debate”, explica.
A presidente do sistema público de comunicação
defende o uso de uma medida provisória para a criação
da EBC. “Estamos unificando duas entidades com culturas
e estatutos jurídicos distintos, a TVE-RJ e a Radiobrás.
Tal processo gera insegurança e incerteza que podem
ser danosas ao funcionamento das duas instituições.
Nos prazos conhecidos para a aprovação de um
projeto de lei, essa insegurança se prolongaria por
tempo demais, e os custos poderiam ser ainda maiores”,
argumenta.
Embora a oposição dê praticamente como certa a
aprovação da medida provisória na Câmara,
onde o governo dispõe de maioria folgada, o relator da MP, o
deputado petista Walter Pinheiro (BA), admite que o texto enviado pelo
presidente Lula é falho e, por isso, será modificado
pelos parlamentares.
Mudanças no Congresso
Entre as alterações propostas por Pinheiro, está a
definição de fontes alternativas de financiamento, de
regras mais rígidas para a publicidade e de novos critérios
para a composição do Conselho de Curadores, colegiado
criado para fiscalizar a linha editorial e a programação
da TV Brasil.
" Quem dá a grana dá o tom", observa o petista, ao admitir
que a vinculação dos recursos somente ao orçamento federal
representa um risco para a autonomia da emissora pública. Para evitar
esse tipo de dependência, Pinheiro vai propor em seu relatório que
parte dos recursos da nova TV saia do Fundo de Fiscalização das
Telecomunicações (Fistel), hoje estimado em R$ 3 bilhões.
Fundo de telecomunicações
O Fistel é alimentado por taxas cobradas das operadoras de telecomunicações
para, teoricamente, ser usado pela Agência Nacional de Telecomunicações
(Anatel) na fiscalização das empresas. "Sabemos
que o governo não pode ceder todo o dinheiro do fundo, mas uma
parte pode ir para a TV, sim", disse o deputado ao Congresso em
Foco.
O relator estuda vincular entre 12% e 15% da arrecadação
anual do fundo para custear a nova rede pública. Com isso, além
dos R$ 350 milhões previstos no Orçamento da União
para 2008, a TV Brasil poderia receber uma injeção extra
de R$ 360 milhões a R$ 450 milhões por ano.
O presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação
e Informática, deputado Júlio Semeghini (PSDB-SP), concorda
com a alternativa apresentada por Walter Pinheiro. "Pelo menos
uma parte dos recursos da TV Brasil não deve vir do orçamento,
para acabar com a chance de contingenciamento do dinheiro por parte
do governo", defende o tucano. "Esse dinheiro liberado mês
a mês pelo Executivo é uma grande fonte de pressão",
completa.
Tereza Cruvinel também apóia a sugestão
do relator. Na avaliação dela, a alternativa
pode garantir a independência da TV pública
em relação ao governo. “Tudo o que o
Congresso fizer para aperfeiçoar a MP será bem-vindo,
principalmente no que diz respeito ao financiamento. A fórmula
apresentada pelo deputado Walter Pinheiro, nesse aspecto, é muito
satisfatória, porque garante a sobrevivência
da TV pública mesmo que haja, no futuro, governos
contrários ao projeto”, declara.
Já o presidente da Associação Brasileira das Emissoras
Públicas Educativas e Culturais (Abepec), Antonio Achilis, acredita
que a forma de financiamento proposta pelo governo não trará prejuízos
para a programação. "Temos de adotar outra cultura
no Brasil. O fato de o governo pagar não quer dizer que ele
vai mandar", afirma.
Criatividade
Para o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas
(Fenaj), Sérgio Murillo, o governo precisa ser mais criativo
ao buscar novas fontes de financiamento para o sistema público
de comunicação. "É louvável definir
um valor para a EBC no orçamento, mas isso é contingenciável.
Vai depender do governo de plantão", declara.
Como alternativa, o presidente da Fenaj defende a criação
de um fundo alimentado pelas redes privadas de comunicação. "São
empresas que se beneficiam de uma concessão pública.
Elas poderiam pagar uma taxa para ajudar no sustento da EBC",
considera. Murillo não descarta, ainda, a criação
de uma taxa a ser bancada pelo contribuinte.
" Por que não discutir uma taxa paga pelo cidadão? Por que
isso é um tabu no Brasil?", questiona. "Queremos que o cidadão
participe da gestão da TV pública. Por que ele não pode
ajudar também na manutenção da emissora?", sugere.
Representante do Coletivo Brasil de Comunicação Social
(Intervozes), entidade não-governamental que tem participado
ativamente das discussões sobre a MP no Congresso, Jonas Valente
também vê com preocupação a possibilidade
de o governo ser a única fonte de financiamento da nova TV. "É preciso
que haja mecanismos vinculados e estáveis de financiamento",
afirma.
A MP 398 é a quarta das seis medidas provisórias que
trancam a pauta da Câmara. Como os governistas querem evitar
o trancamento da pauta no Senado, que ainda precisa votar, em segundo
turno, a proposta de Desvinculação das Receitas da União
(DRU), a expectativa é de que a MP só seja votada pelos
deputados em fevereiro, após o recesso parlamentar.
No ar
Apesar de proposição ainda estar na pauta do plenário,
a TV Brasil já está em funcionamento desde o início
do mês. Isso acontece porque uma medida provisória tem
poder de lei desde a data da sua publicação. Um decreto
publicado em 25 de outubro oficializou a idéia já apresentada
na MP, aprovando o Estatuto da TV pública e a nomeação
da jornalista Tereza Cruvinel como presidente da Empresa Brasil de
Comunicação.
Caso a medida provisória não seja aprovada na Câmara,
a TV Brasil "deixa de existir juridicamente", como explica
o deputado Flávio Dino (PCdoB-MA). "A marca deixa de existir,
mas alguém deve assumir o órfão. A situação
anterior deve ser retomada", declara Dino. A situação
anterior lembrada pelo parlamentar é a volta da Radiobrás
e da Associação de Comunicação Educativa
Roquette Pinto (Acerp), instituições que deram origem à EBC.
Flávio Dino ainda lembra que o decreto pode ser modificado,
caso a MP 398 sofra alterações em suas passagens pela
Câmara e pelo Senado.
Atualmente, a TV pública funciona a partir da unificação
das programações da TVE do Rio de Janeiro,
TVE do Maranhão e da TV Nacional de Brasília.
Mas, a apresentação de uma programação
própria, no entanto, está prevista apenas para
março de 2008.
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Folha de São Paulo,
18 de dezembro de 2007
Procuradoria aciona C&A
por trabalho irregular
Ministério Público
vê uso indevido de cooperativa
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
O Ministério Público do Trabalho em Bauru
entrou com ação pública contra a C&A,
uma das maiores redes de varejo do país, e três
empresas -Lorsa, CWR Indústria e Confecção
e CWR Lavanderia e Tinturaria- por supostamente usarem
mão-de-obra de falsa cooperativa -a Cooperbrim.
Na ação, os procuradores pedem indenização
de R$ 1,2 milhão (R$ 300 mil para cada empresa). Segundo os
procuradores, a Lorsa, fornecedora da C&A, subcontratava os serviços
da CWR, que, por sua vez, repassava o serviço para a cooperativa
Cooperbrim. As duas últimas localizadas em Avaré.
"É uma cooperativa fraudulenta de trabalho. Pela lei do cooperativismo,
os cooperados são todos parceiros e dividem lucros e prejuízos.
Na cooperativa, os trabalhadores recebiam salário, estavam subordinados
a um chefe e batiam cartão. Ou seja, o vínculo de trabalho está claro",
diz Marcus Vinícius Gonçalves, um dos procuradores autores da ação.
Segundo ele, documentos com especificação de como as
peças de marcas da C&A deveriam ser produzidas foram encontrados
na Lorsa e na CWR.
Além da indenização, o MPT pede que os trabalhadores
sejam contratados pela CWR e que a C&A não contrate mais
esse tipo de serviço por meio de cooperativas, "mesmo que
por meio de empresas interpostas".
Outro lado
A Lorsa informou que não sabia que a cooperativa trabalhava
de forma irregular e que vai estudar as medidas que serão tomadas
em razão da ação.
Segundo a C&A, todos os seus fornecedores são obrigados
a fornecer a lista completa de empresas subcontratadas por eles. "A
Socam [empresa autônoma que faz auditoria nos fornecedores] visitou
a Lorsa Jeans, seu fornecedor, que informou ter a CWR como uma subcontratada.
Por sua vez, a CWR não informou ter relacionamentos comerciais
com a Cooperbrim. Sendo assim, a C&A não teve conhecimento
da atuação da cooperativa na cadeia de fornecimento." A
Folha não localizou os responsáveis pela Cooperbrim e
CWR.
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Folha de São Paulo,
18 de dezembro de 2007
PNEUS
BS Colway anuncia demissão
de 700 funcionários no Paraná
DIMITRI DO VALLE
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CURITIBA
A direção da BS Colway, maior produtora
de pneus remoldados do país, anunciou ontem a demissão
dos 700 funcionários da unidade em Piraquara (região
metropolitana de Curitiba).
O dono da empresa, Francisco Simeão, disse que a fábrica
foi fechada pela decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que
proibiu, em ação do governo federal, a importação
de pneus usados da Europa, matéria-prima da BS Colway.
Com as últimas demissões, subiu para 1.200 o número
de pessoas que perderam o emprego na fábrica este ano. A empresa
demitiu 500 funcionários em agosto por causa das primeiras restrições à importação.
O prejuízo com o encerramento das atividades, segundo Simeão, é de
US$ 200 milhões.
Ontem à tarde, empregados da BS Colway fizeram passeata em Piraquara
em protesto. Em seguida, bloquearam a rodovia Contorno Leste, que liga
a região metropolitana de Curitiba ao porto de Paranaguá.
Para Simeão, a decisão do STF na semana passada atendeu
a interesses de "ambientalistas radicais e aos reclamos de multinacionais
fabricantes de pneus novos, que lutam por reserva de mercado no Brasil".
A BS Colway é acusada de poluir o ambiente após finalizar
o processo de remoldagem, mas Simeão nega, baseado em laudos
do Instituto Ambiental do Paraná.
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Última Instância,
18 de dezembro de 2007
Cemig é condenada por
terceirização irregular de mão-de-obra
A 1ª Turma do TRT-MG (Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais)
manteve condenação da Cemig (Companhia Energética
de Minas Gerais) ao pagamento de indenização por danos
morais coletivos pela pratica de terceirização ilícita.
Segundo o TRT-MG, a utilização de mão-de-obra fornecida
por empresas prestadoras de serviço e empreiteiras era feita sem
a observância dos requisitos legais.
A condenação envolveu ainda a contratação
irregular de estagiários, que trabalhavam como empregados
comuns, em franca contrariedade aos objetivos do estágio.
Preliminarmente, o TRT-MG afastou as alegações
de incompetência da Justiça do Trabalho para
julgar a causa e de ilegitimidade do MPT (Ministério
Público do Trabalho) para propor a ação
civil pública que gerou a condenação.
Para o relator, desembargador Manuel Cândido Rodrigues,
considerando a ilegalidade das contratações,
prejudiciais aos trabalhadores que prestavam serviço
através de outras empresas, e, por outro lado, levando-se
em conta a ausência de realização de
concurso público, não restaram dúvidas
sobre a competência da Justiça trabalhista que,
não só pode declarar nulos os contratos de
terceirização de mão-de-obra, como também
tem a missão de fazer cumprir a legislação
trabalhista, inclusive no tocante à segurança
e saúde do trabalhador. Já o MPT está autorizado
a atuar em "defesa de interesses coletivos, quando desrespeitados
os direitos constitucionalmente garantidos".
O desembargador esclareceu que a sentença encontra-se
respaldada por farta documentação (são
cerca de 20 volumes, contendo documentos juntados pelo Ministério
Público), sendo clara a ilegalidade da terceirização.
Por isso, rejeitou a argumentação da Cemig
de que a contratação por concurso público
comprometeria a segurança e a qualidade dos serviços
de fornecimento de energia elétrica.
A tese da ré era de que os empregados terceirizados
prestavam serviços por meio de empresas que detêm
grande especialização técnica, sendo
muito experientes, ao passo que os contratados por concurso
público teriam de ser submetidos a longos treinamentos, “com
inevitável perda da qualidade do serviço”.
A Cemig contestou também o prazo de nove meses para
o cumprimento da ordem de realização de concurso,
considerando-o muito pequeno, e defendeu a legalidade da
terceirização.
“O discurso da ré é bonito, mas a realidade
fática é outra, e fala mais alto, através
da farta prova trazida aos autos”, disse o relator,
chamando a atenção para o fato de que a reclamada
já perdeu cinco meses, a contar da sentença,
para a realização do concurso.
Pelo conjunto de provas, o desembargador concluiu que, nos
diversos contratos de prestação de serviços
firmados com as empresas prestadoras, os trabalhadores realizaram
sempre tarefas ligadas à atividade-fim da Cemig: obras
de construção, extensão e modificação
de rede, manutenção de iluminação
pública, instalação e substituição
de ramal de serviço aéreo e medidores, desligamento
e religação de unidades consumidoras, entre
outros.
Ele explica que, embora essas tarefas não estejam
incluídas no objeto social da ré, sem a realização
desses serviços, a Cemig não poderia jamais
vender energia elétrica, nem cobrá-la de quem
a consome. “Acrescente-se, ainda, que os documentos
acostados aos autos dão notícia de que muitos
empregados das empresas prestadoras de serviços desempenham
a mesma função dos empregados contratados diretamente
pela ré; porém, recebem salário de valor
inferior”.
Um fato, em especial, no entender do relator, deixa evidente
a irregularidade da terceirização: é que
empregados das prestadoras de serviços são
subordinados aos empregados da ré (superiores hierárquicos),
de quem recebem ordens.
Segundo ele, por ser sociedade de economia mista, a Cemig
só pode contratar pessoal por meio de concurso público,
sendo a terceirização de serviços reservada
a casos especiais (de trabalho temporário ou não
ligados à sua atividade-fim). No procedimento adotado
pela ré, as contratações eram transitórias
em relação a cada empregado, nas permanentes
quanto aos postos de trabalho, que se mantinham, sendo preenchidos
por listas rotativas de trabalhadores.
O relator entendeu serem também bastante problemáticos
os contratos de estágio em andamento, com os quais,
segundo afirmou, “a ré pretendia, tão-somente,
ter nos seus quadros, não estagiários, mas
empregados de custo barato, à semelhança dos
terceirizados, já que realizavam tarefas jungidas à sua
atividade-fim”.
Ele chamou a atenção para o fato de que o
número de estagiários era quatro vezes superior
ao de empregados: “Curioso que na Central de Atendimento
ao Consumidor trabalhavam 299 estagiários e somente
63 empregados da ré”.
Ao final, o TRT-MG manteve a sentença que condenou
a ré a adotar medidas de proteção à saúde
e à segurança de seus empregados, além
da indenização por danos morais coletivos,
cujo valor deverá ser revertido em favor do FAT (Fundo
de Amparo ao Trabalhador).
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Última Instância,
18 de dezembro de 2007
Trabalhador com lesão
na coluna por carregar botijões de gás será indenizado
O Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso condenou uma distribuidora
de gás a indenizar em R$ 30 mil, por danos morais, além
de valor mensal por danos materiais, um ex-empregado que ficou parcialmente
incapacitado para o trabalho.
O trabalhador teve um acidente de trabalho em maio de 1997,
quando sofreu lesão na coluna vertebral ao carregar
botijões de gás em um caminhão. Após
cirurgia, conseguiu voltar ao trabalho mas, por causa das
seqüelas, teve que exercer outra atividade na empresa
e, em fevereiro de 2001, foi demitido.
Na 8ª Vara do Trabalho de Cuiabá, a juíza
Karina Suemi Kashima julgou improcedente o pedido do trabalhador,
que recorreu pedindo a reforma da sentença.
O relator, desembargador Tarcísio Valente, entendeu
que a atividade do trabalhador, que carregava em média
2.000 botijões de gás por dia, abaixando-se
e erguendo-os para empilhá-los, tem grande probabilidade
de produzir lesão na coluna vertebral.
Segundo ele, a Recomendação 97 da Organização
Internacional do Trabalho diz que cabe ao empregador adotar
medidas para proteger a integridade física dos trabalhadores.
O relator concluiu que, como a empresa não fez o
exame admissional, não se pode comprovar a origem
da enfermidade, mas o trabalho realizado, se não deu
origem, certamente agravou as lesões.
Desta forma, avaliou como evidente a ligação
entre o trabalho e o dano. Nesse caso, a culpa ou o dolo
do empregador caracteriza-se pela falta de providências
para evitar o risco de dano.
Para fixar a indenização por danos morais
em R$ 30 mil, o relator considerou a situação
econômica da empresa, as particularidades do caso e
doutrina de Caio Mário da Silva Pereira, de que a
indenização “nem deve ser tão
grande que se converta em fonte de enriquecimento, nem tão
pequena que se torne insignificante”.
Sobre os danos materiais, em razão da perda de capacidade
de trabalho, condenou a empresa a pagar tanto por lucros
cessantes como pensionamento o valor de R$ 251,77 (50% do
salário à época da rescisão),
devido até o fim da vida do trabalhador.
A decisão, tomada de forma unânime pelo pleno
do TRT, é passível de recurso ao Tribunal Superior
do Trabalho.
Processo 01054.2005.008.23.00-0
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O Estado do Paraná,
18 de dezembro de 2007
Economia
Mulher conquista mais espaços
no mercado de trabalho
Cintia Végas
Arquivo

Mulher cada vez mais presente
no mercado de trabalho.
As mulheres que vivem na Região Metropolitana de Curitiba estão
cada vez mais presentes no mercado de trabalho e, em sua maioria, recebem
salários semelhantes aos dos homens. A constatação é resultado
de uma pesquisa realizada pelo economista e coordenador do Painel de
Conjuntura Isae (Instituto Superior de Administração e
Economia), Róbson Gonçalves, com base na última
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística).
Segundo o estudo, no período entre os anos 2000
e 2006, a diferença salarial entre homens e mulheres
diminuiu oito pontos percentuais na capital paranaense.
Em 2000, as mulheres de Curitiba e região ganhavam
cerca de 38% menos que os homens. Já no ano passado,
a diferença de renda entre os gêneros foi
igual à média nacional: 30%. Em todo Paraná,
há sete anos, as representantes do sexo feminino
ganhavam cerca de 36% menos que os representantes do sexo
masculino, sendo que no ano passado a diferença
salarial foi de 35%.
“A redução da diferença salarial
entre os sexos é uma tendência mundial. À medida
que o mercado de trabalho vai se tornando mais competitivo,
as mulheres com mais potencial vão sendo selecionadas
e remuneradas”, afirma Róbson. “Especificamente
em relação a Curitiba, também contribui
com a redução o alto crescimento da região
metropolitana. Esta, nos últimos dez anos, tem crescido
cerca de 3% ao ano, acima da média de crescimento
nacional, que é de cerca de 1,2% a cada ano.”
De acordo com Róbson, a maior prova da conquista
masculina acontece quando a pesquisa é refinada.
Ainda na região metropolitana da capital, na faixa
de dez a vinte salários mínimos de renda
mensal, o diferencial de renda entre homens e mulheres é de
apenas 6%. Já na última faixa de renda considerada
pelo IBGE, que é a das pessoas que recebem mais
de vinte salários mínimos, as mulheres superam
os homens em 15%. “Os dados revelam que as mulheres
estão cada vez menos sendo donas de casa e estão
tendo cada vez mais oportunidade de estudar e obter formação.”
Em relação à taxa de atividade feminina
(percentual de mulheres com dez anos de idade ou mais que
estão trabalhando ou à procura de emprego,
analisado de acordo com critérios internacionais),
ela aumentou para cerca de 57% em Curitiba e região
em 2006. Em 2000, era de 42%, contra 65% para os homens.
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