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Agência Diap, 19
de dezembro de 2007
FUNDO DE GARANTIA
Campanha publicitária vai esclarecer
FGTS para população
Além de ajudar trabalhador demitido
sem justa causa, recurso tem impulsionado desenvolvimento econômico
e social do País
A partir de 2008, a população brasileira será alvo
de uma campanha de esclarecimento sobre o Fundo de Garantia do
Tempo de Serviço (FGTS), conforme resolução
549, do Conselho Curador do findo, publicada na edição
desta terça-feira, 18, do Diário Oficial da União.
O autor da proposta é o ministro do Trabalho e Emprego,
Carlos Lupi, que a defendeu na última reunião do
Conselho, em 11 de dezembro, que "a população
tem o direito de saber em detalhes como é gasto esse recurso.
Há muito tempo precisamos de uma ação institucional",
disse.
Serão investidos na campanha R$ 10 milhões, já previstos
no Orçamento do FGTS para 2008, que é de R$ 11,7
bilhões, segundo a resolução 543, de 30 de
outubro, do Conselho Curador.
Proteção
O FGTS foi criado em 1967 pelo Governo Federal para proteger o trabalhador
demitido sem justa causa, mediante a abertura de uma conta vinculada
ao contrato de trabalho. Ele é constituído pelo total
desses depósitos mensais, e seus valores pertencem exclusivamente
aos empregados que, em situações específicas,
podem dispor do total depositado.
Com o FGTS, o trabalhador tem a chance de formar um patrimônio,
além de poder adquirir a casa própria utilizando
os recursos de sua conta vinculada. Além disso, o Fundo
também financia programas de habitação popular,
saneamento básico e infra-estrutura urbana.
Somente no Governo Luiz Inácio Lula da silva, o FGTS investiu
um total de 31,2 bilhões em mais de 1,1 milhão de
operações de financiamento, gerando 3,2 milhões
de empregos e beneficiando 52 milhões de brasileiros.
O direito ao FGTS é concedido a todos os trabalhadores
regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT),
a partir de 5 de outubro de 1988 - antes desta data, o direito
era opcional. Também estão incluídos os trabalhadores
rurais, os temporários, os avulsos, os safristas e os atletas
profissionais (jogadores de futebol).
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Agência Diap, 19
de dezembro de 2007
MOVIMENTO SINDICAL
Confederações
se reúnem para analisar ação do PPS
contra a contribuição sindical
Entidades que compõem o Fórum Sindical dos Trabalhadores
(FST) reuniu, nesta manhã, advogados e assessores jurídicos
das confederações para analisar e debater a ADPF 126, ajuizada
pelo PPS perante o STF, contra o desconto em folha da contribuição
sindical.
O fórum decidiu criar uma comissão composta
pela CNTM, CNTI, CNPL, deputado Paulo Pereira da Silva
(PDT/SP) e o membro do corpo técnico do DIAP, advogado
Hélio S. Gherardi, para agendarem uma audiência
com o ministro Carlos de Mello, relator do processo no
Supremo.
Foi aprovado, também, que haverá pedido
de ingresso no processo, das confederações
de trabalhadores, de forma individual, na qualidade de "Amicus
Curiae".
Oriundo do direito estadunidense, o "Amicus Curiae" (amigo
da corte) é um instituto de matriz democrática,
uma vez que permite que terceiros passem a integrar a demanda,
para discutir objetivamente teses jurídicas que
irão afetar a sociedade como um todo, incluindo-se,
dessa forma, quando admitidos, nos limites subjetivos da
coisa julgada.
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Nova Central, 19 de dezembro
de 2007
Senado pode votar hoje a Desvinculação
das Receitas da União
A votação em segundo turno da Desvinculação
das Receitas da União (DRU) poderá ocorrer hoje (19), no
Senado Federal, dependendo das negociações que estão
sendo feitas entre lideranças do governo e da oposição.
Para tanto, será necessária a quebra de intertício
(prazo) entre o primeiro e o segundo turnos de votação.
O regimento interno da Casa determina que, no caso de votações
de propostas de emendas à Constituição (PECs), entre
o primeiro e o segundo turno são necessários cinco dias úteis
e mais três sessões plenárias.
Como a DRU foi votada em primeiro turno na madrugada da última
quinta-feira (13), amanhã encerra-se o prazo dos cinco
dias úteis.
De acordo com o líder do governo no Senado, Romero
Jucá (PMDB-RR), havendo entendimento, as três
sessões poderão ser realizadas amanhã mesmo
para em seguida votar a matéria.
"O governo respeita o resultado da votação
da CPMF [Contribuição Provisória sobre
Movimentação Financeira] e está analisando
o cenário e as alternativas. Como líder, eu
defendo que quaisquer medidas ou ajustes sejam negociados
com a base e com a oposição".
Ainda segundo ele, o governo vai trabalhar com corte de
gastos, mas ainda não há nada "em gestação".
Jucá lembrou que só poderá dar uma
resposta à oposição amanhã, já que
só hoje a noite conversará com o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, durante jantar do Conselho
Político, no Palácio da Alvorada.
"A oposição não quer ser pega
por uma nova CPMF, nos mesmos moldes [do imposto rejeitado
pelo Senado]. Mas isso [criar um novo tributo] não
está nos planos do governo".
O líder do Democratas, José Agripino Maia
(DEM-RN), a oposição não admite, "em
hipótese alguma", um pacote tributário, "interrompendo
o diálogo que pretendemos ter com o governo".
"É preciso fazer uma avaliação
moderna sobre excesso de arrecadação, corte
de gastos supérfluos e, em função do
déficit, se existir, será feita uma discussão
madura, à luz do interesse nacional, que tem que ser
atendido", disse. "Mas que não nos venham
com ameaça de pacote tributário, nem reedição
de CPMF. Se isso acontecer, a DRU não setá votada".
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Congresso em Foco, 19 de
dezembro de 2007
Frei Luiz precisa viver
A transposição do São
Francisco serve ao agronegócio, e não ao sertanejo
pobre, diz César Benjamin. Para ele, eventual morte
do bispo que faz greve de fome representará a morte
política de Lula.
César Benjamin*
Procuro um livro na estante de casa. Na folha de rosto,
a dedicatória: “Para o César, que também
caminha nas mesmas margens do mesmo rio. Gentio do Ouro,
outubro de 2001”. De dentro do livro cai um cartão
que já estava esquecido: “César, grato
por sua inesperada suavidade, por sua lúcida e firme
presença. Grato por você existir. Te abraço.
Adriano”. Não consigo conter a emoção.
Entre de 1992 e 1993, durante um ano, Adriano e mais três
pessoas realizaram uma caminhada de 2.700 quilômetros,
das nascentes à foz do rio São Francisco. O
livro que ganhei de presente quando os visitei no sertão – Da
foz à nascente, o recado do rio, de Nancy Mangabeira
Unger – narra poeticamente a empreitada desse grupo
de heróis, cujas vidas se confundem com a luta pela
vida do rio e das populações sertanejas que
dele dependem.
O líder dos peregrinos era um frei franciscano, o
mais franciscano de todos os franciscanos que conheci, Luiz
Cappio. Não lembro em que localidade o encontrei – acho
que foi em Pintada –, mas nunca o esqueci. É um
homem raro. Vive visceralmente o cristianismo, a sua missão.
Hoje, é bispo da Diocese da Barra. Continuou o mesmo
simples peregrino, um irmão da humanidade, um pobre
vivendo entre os pobres. Está em greve de fome há mais
de vinte dias e pode morrer.
Aboletado em Brasília, o presidente Lula acusa frei
Luiz e seus companheiros, contrários à transposição
das águas do rio São Francisco, de não
se importarem com a sede dos nordestinos. Para quem conhece
os dois personagens, é patético. Um abismo
moral os separa. Desse abismo nascem as suas diferentes propostas.
O semi-árido brasileiro é imenso: 912 mil
km². É populoso: 22 milhões de pessoas
no meio rural. É o mais chuvoso do planeta: 750 mm/ano,
em média, o que corresponde a 760 bilhões de
metros cúbicos de chuvas por ano. Não é verdade,
pois, que falte água ali. A natureza a fornece, mas
ela é desperdiçada: as águas evaporam
rapidamente, sob o sol forte, ou vão logo embora,
escorrendo ligeiras sobre o solo cristalino impermeável.
Há décadas o Estado investe em obras grandes
e caras, que concentram água e, com ela, concentram
poder. O presidente Lula quer fazer mais do mesmo. No mundo
das promessas e do espetáculo, onde vive, a transposição
matará a sede do sertanejo. No mundo real, apenas
4% da água transposta serão destinados ao consumo
humano, em uma área equivalente a 6% da região
semi-árida.
“É a última grande obra da indústria
da seca e a primeira grande obra do hidronegócio.
Uma falsa solução para um falso problema”,
diz Roberto Malvezzi, da Comissão Pastoral da Terra.
Graças a gente como Cappio, Adriano e Malvezzi, o
semi-árido nordestino experimenta uma lenta revolução
cultural. Centenas de organizações sociais,
apoiadas pela Igreja Católica e por outras igrejas,
adotaram o conceito de convivência com a natureza e
desenvolveram in loco cerca de 40 técnicas inteligentes,
baratas e eficientes para armazenar a água da chuva.
Ela é suficiente – corresponde a quase 800
vezes o volume d’água da transposição –,
mas cai concentrada em um curto período do ano. Eles
lutam por duas metas principais: “um milhão
de cisternas” e “uma terra e duas águas”.
Combinados, os dois projetos visam a proporcionar a cada
família do semi-árido uma área de terra
suficiente para viver com dignidade, uma fonte permanente
de água para abastecimento humano e uma segunda fonte
para a produção agropecuária, conforme
a vocação de cada microrregião. As experiências
já realizadas deram resultados magníficos.
Para oferecer isso à população sertaneja, é preciso
realizar a reforma agrária e construir uma malha de
aproximadamente 6,6 milhões de pequenas obras: duas
cisternas no pé das casas, para consumo humano, uma
usual e outra de segurança; mais 2,2 milhões
de recipientes para reter água de uso agropecuário.
No conjunto, é uma obra gigantesca, mas desconcentrada.
A captação de água realizada assim,
no pé da casa e na roça, já é também
a distribuição dessa mesma água, o que
desmonta uma das bases mais importantes do poder das oligarquias
locais.
Armazenada em locais fechados, ela não evapora. Esse
poderia ser um projeto mobilizador das energias da sociedade,
emancipador das populações sertanejas, se tivesse
um apoio decidido do governo federal.
A proposta tem respaldo técnico da Agência
Nacional de Águas (ANA), que realizou um minucioso
diagnóstico hídrico de 1.356 municípios
nordestinos, um brilhante trabalho. O foco é a região
semi-árida, mas o diagnóstico inclui grandes
centros urbanos, como Salvador, Recife e Fortaleza, abrangendo
um universo de 44 milhões de pessoas. As obras propostas
pela ANA, as igrejas e as entidades da sociedade civil resolvem
a questão da segurança hídrica das populações.
Estão orçadas em R$ 3,6 bilhões, a metade
do custo inicial da transposição do São
Francisco.
Isso não interessa ao agronegócio, um devorador
de grandes volumes de água em monoculturas irrigadas,
produtoras de frutas para exportação e de cana
para fabricar etanol. É para ele e para alguns grupos
industriais – grandes financiadores de campanhas eleitorais – que
a transposição se destina, pois esses precisam
de água concentrada. Ao sertanejo, cada vez mais,
restará a opção de migrar ou se tornar
bóia-fria.
Para deter a marcha da insensatez, frei Luiz entrega a vida,
o único bem que possui. Não lhe restou outra
opção, pois o governo se esquivou do debate
que prometeu. Preferiu apostar na política do fato
consumado. Agora, a farsa só poderá prosseguir
sobre o cadáver do bispo. O presidente Lula deixou
claro que considera essa alternativa aceitável. Porém,
antes desse desenlace terrível, o presidente deve
meditar sobre as palavras de Paulo Maldos, do Conselho Indigenista
Missionário, seu tradicional aliado:
“Ao redor do gesto radical do bispo está se
formando uma corrente de solidariedade, de apoios, de alianças,
de identificação ética, política,
social, ideológica, cujos contornos são facilmente
identificáveis: trata-se dos movimentos sociais, políticos,
pelos direitos humanos, pastorais sociais, personalidades
da Igreja Católica, da política, da cultura,
que, desde os anos 80, constituíram Lula como liderança
de massa em nosso país. (...) Se dom Cappio vier a
falecer, será o final dessa história. Não
será dom Cappio apenas que morrerá. Morrerá a
referência política de Lula e do Partido dos
Trabalhadores na história dos movimentos sociais do
Brasil. (...) A história da liderança popular
de Lula será a história de um fracasso. A morte
física de dom Cappio sinalizará a morte política
de Lula.”
Suplico que o presidente abra o diálogo com rapidez,
por generosidade ou por cálculo: frei Luiz precisa
viver.
* César Benjamin, 53 anos, é jornalista,
cientista político e ex-preso político. Editor
da Contraponto Editora, é autor de E o sertão
se impropriou à vida: um estudo sobre a seca no nordeste,
Bom combate, A opção brasileira e Diálogo
sobre ecologia, ciência e política. Em 2006,
concorreu ao cargo de vice-presidente da República
na chapa da senadora Heloísa Helena (Psol). Alguns
artigos seus estão publicados na página www.contrapontoeditora.com.br.
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Gazeta do Povo, 19 de dezembro
de 2007
BRASIL | POBREZA
Estudo do Pnud mostra que o
Bolsa Família diminui desigualdade de renda
São Paulo – O Bolsa Família tem
conseguido diminuir a desigualdade de renda. É o que
constatou estudo realizado pelo Centro Internacional de Pobreza,
instituição de pesquisa do Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), em parceria com o Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O levantamento
compara o Bolsa Família aos programas de transferência
de renda do México (Oportunidades) e do Chile (Chile
Solidário).
De acordo com os autores do estudo intitulado “Avaliando
o impacto do Bolsa Família: uma comparação
com programas de transferência condicionada de
renda de outros países”, os três programas
apresentam “um excelente desempenho” na seleção
dos beneficiários, pois, em geral, atingem de
fato os pobres.
O estudo revelou que o Bolsa Família ajudou a
diminuir em 21% o Índice de Gini (que mede o grau
de desigualdade existente na distribuição
de indivíduos segundo a renda domiciliar per capita)
brasileiro entre 1995 e 2004. Segundo os autores da pesquisa,
esse resultado é considerado “simplesmente
impressionante”, pois a transferência de
recursos representa “apenas 0,5% da renda agregada
das famílias”. O mesmo porcentual foi verificado
no programa de transferência de renda do México,
entre 1996 e 2004. No Chile, o resultado da redução
da desigualdade também foi o mesmo, mas outros
fatores fizeram com que a concentração
de renda daquele país variasse pouco entre 1996
e 2003.
Apesar deste bom resultado, os autores afirmaram que
os três programas não têm grande impacto
na redução da proporção de
pobres. Segundo eles, todos deixam os pobres menos pobres,
pois a quantia transferida aos domicílios é pequena.
O estudo revelou ainda que o Bolsa Família tem
pouco impacto na desnutrição e na vacinação
de crianças de 1 a 3 anos. Segundo os autores
da pesquisa, não foram encontradas evidências
de que as famílias beneficiadas pela transferência
de renda estejam cumprindo o calendário de vacinação. “Uma
proporção substantiva das crianças
pobres, de 23% a 25%, ou não visitaram as unidades
de saúde ou, ao fazê-la, não receberam
a caderneta de vacinação”, destacou
o estudo. Outra situação ressaltada pelo
levantamento é a de que mesmo com a caderneta,
as crianças beneficiadas não apresentaram
uma probabilidade maior de estarem vacinadas em dia ou
com a caderneta atualizada. “Isso reforça
a provável existência de gargalos na oferta
de serviços de saúde.”
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Gazeta do Povo, 19 de dezembro
de 2007
ECONOMIA | DESENVOLVIMENTO
Brasil sobe para 6.º lugar
na economia mundial
Ranking considera o poder
de compra da população
O Brasil ganhou uma posição e agora ocupa
o sexto lugar na economia mundial, segundo ranking do Banco
Mundial, que divulgou ontem os dados do Programa de Comparação
Internacional (PCI), que analisa as economias de 146 países.
De acordo com o Banco Mundial, levando-se em conta a
paridade do poder de compra, o Brasil responde por metade
da economia da América do Sul. Com o equivalente
a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial nesta medição,
o Brasil divide o sexto lugar ao lado do Reino Unido, França,
Rússia e Itália.
Segundo explicação do Banco Mundial, o Brasil
subiu de lugar por conta de uma nova avaliação.
A paridade do poder de compra, expressa por meio dos valores
das moedas locais e do que é possível comprar,
tomou o lugar da chamada medida cambial, que apenas converte
o PIB do país em dólares.
Na medida convencional (cambial), o Brasil seria a sétima
economia, ao lado da Índia, Rússia e México,
que como o Brasil, também respondem por 2% do PIB
mundial cada.
“Os números passaram a refletir o valor real
de cada economia, com as diferenças corrigidas em
níveis de preços, sem a influência
de movimentos transitórios de taxas cambiais”,
explica o Banco Mundial.
Apesar de o Banco Mundial colocar o Brasil em sexto, empatado
com Reino Unido, França, Rússia e Itália,
ao se verificar os números absolutos de participação
no PIB mundial, sem arredondamento para 3%, o Brasil ficaria
apenas em décimo. De acordo com o relatório,
enquanto o Brasil respondeu por 2,88% do PIB, o Reino Unido
teve 3,46%; a França, 3,39%; a Rússia, 3,09%;
e a Itália, 2,96%.
EUA na ponta
Como já era esperado, a maior economia do mundo
ainda é a dos Estados Unidos – ela, porém,
está menor que no passado. Em seguida aparece a
China, que pelas novas pesquisas subiu de quarto para segundo
lugar.
De acordo com os dados, pelo sistema cambial os EUA têm
28% do PIB mundial, mas pela regra da paridade, apontada
como mais realista pelo Bird, o país tem 23%. Na
China, levando-se em conta o método do poder de
compra, a participação é de 10%; pelo
cambial, fica em 5%.
Ao todo, a economia mundial produziu US$ 55 trilhões
em mercadorias e serviços em 2005. Deste total,
cerca de 40% vieram de países em desenvolvimento – China, Índia,
Rússia, Brasil (Brics) e México responderam
sozinhos por quase 20%.
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Gazeta do Povo, 19 de dezembro
de 2007
ECONOMIA | INDÚSTRIA
CNI espera avanço de
5,8% em 2008
Desafio do país é manter
ritmo de crescimento
Brasília – A Confederação
Nacional da Indústria (CNI) projeta um crescimento
do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro da ordem de 5%
no ano que vem. A expectativa da entidade é que
a indústria da transformação lidere
a expansão do setor em 2008, que deve avançar
5,8%. Para a confederação, o maior desafio
a partir do ano que vem é assegurar o atual ritmo
de crescimento da economia – para este ano, a projeção é de
uma expansão de 5,3%.
“O crescimento acelerado do PIB em 2007 não
significa a consolidação de um novo patamar
de crescimento econômico. Para tanto, o desafio é aprimorar
o ambiente de negócios de modo a incentivar o investimento
privado’’, informa o boletim “Economia
Brasileira – Desempenho e Perspectivas’’,
divulgado ontem.
A CNI aponta três fatores que ameaçam a continuidade
do crescimento: valorização do real frente
ao dólar; o aumento dos gastos públicos;
e a necessidade de investimentos em infra-estrutura.
Mesmo com esses desafios à frente, a CNI espera
que o PIB da indústria tenha um crescimento de 5%
em 2008 e o consumo das famílias, de 6,2%. Essas
projeções estão próximas do
esperado para este ano, que são, respectivamente,
de 5,3% e 6%.
O boletim dá ainda como perspectiva para o aumento
de investimentos (formação bruta de capital
fixo) uma expansão de 14%, contra 12,8% esperados
para 2007.
Balança comercial
No que se refere ao setor externo, a CNI espera que as
importações alcancem US$ 150 bilhões
em 2008 e as exportações, US$ 175 bilhões.
Com isso, o saldo comercial chegará a US$ 25 bilhões – US$
15 bilhões a menos que o esperado para este ano.
Apesar do superávit comercial, a confederação
diz que o saldo em conta corrente do país (conta
que representa as principais transações do
Brasil com o exterior) ficará negativa em US$ 6
bilhões, contra projeção de superávit
de US$ 4,5 bilhões para este ano.
Para a taxa de câmbio, a previsão é de
que o dólar encerre 2008 cotado a R$ 1,76. Para
este ano, a previsão é de R$ 1,78.
Superávit
A CNI também espera que o governo federal faça
em 2008 um superávit primário (receitas menos
despesas, excluindo gastos com juros) de 3,2% do PIB – ou
seja, abaixo da meta fixada, de 3,8%.
Desde a semana passada, quando o Senado derrotou o governo
ao não prorrogar a cobrança da Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira
(CPMF), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem
afirmado que não irá mexer na meta do superávit
para compensar os R$ 40 bilhões a menos na arrecadação.
Para a CNI, “ainda existe muita incerteza quanto às
medidas compensatórias a serem adotadas. Entretanto,
dificilmente a receita líquida prevista se concretizará e
as despesas precisarão ser reduzidas’’.
Embora espere um superávit primário menor
em 2008, a CNI vê espaço para a redução
da relação entre a dívida líquida
do setor público e o PIB, que passaria dos 42,9%
previstos em 2007 para 41,3% em 2008.
Em relação à taxa de juros, a previsão é que
a Selic termine 2008 em 10,5%.
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Folha de São Paulo,
19 de dezembro de 2007
Lula adia pacote e descarta
mais impostos
Em jantar no Alvorada, presidente
diz a aliados que governo não vai anunciar neste ano
medidas para suprir fim de CPMF
Ao retornar de Montevidéu, Lula
orientou seus ministros a priorizar estudos de cortes de
despesas no Orçamento antes de elevar alíquotas
FELIPE SELIGMAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Durante jantar ontem com líderes da base no Congresso,
além dos presidentes dos partidos aliados, no Palácio
do Alvorada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
anunciou que não haverá pacote nem aumento
de tributos para compensar a perda de receita com o fim
da CPMF, o chamado imposto do cheque. O ministro de Relações
Institucionais, José Múcio Monteiro (PTB-PE),
disse que "o presidente garantiu que nada acontecerá" neste
ano.
" Não vamos fazer aumento de impostos. Vamos ver onde serão
os cortes no Orçamento do ano que vem, que só deve ser votado em
meados de fevereiro", afirmou Múcio, ao final do encontro, que terminou
por volta das 22h30. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR),
disse: "Não haverá pacote. Não haverá aumento
de impostos.
Não há nenhum sobressalto nem para o mercado, nem para
a oposição e nem para a economia". Jucá acrescentou
que "a economia e as empresas podem dormir tranqüilos".
José Múcio afirmou ainda que não motivos para
que haja sanções por meio do corte de emenda dos parlamentares
ao Orçamento. "Passamos por um processo de terapia [na
votação da CPMF]. Só aprendemos a vencer com algumas
derrotas", disse o ministro.
Apesar de afirmar que não haverá pacote, Múcio
disse que o presidente terá hoje pela manhã uma reunião
com a equipe econômica e lideranças governistas no Congresso
para fazer um balanço do ano e definir a estratégia para
o começo do próximo ano em relação aos
cortes.
Estava prevista para hoje uma reunião do presidente Lula com
os ministros Guido Mantega (Fazenda), Paulo Bernardo (Planejamento)
e José Múcio, para que o governo definisse as linhas
gerais do pacote emergencial que compensará gastos com CPMF.
Discurso afinado
As afirmações desencontradas de Lula e dos ministros
sobre como o governo compensará a perda de R$ 38 bilhões
com o fim da CPMF preocupavam o governo. A avaliação
no Planalto era de que o governo precisava encontrar um discurso unificado
para evitar ruídos no mercado financeiro.
Apesar de não terem fechado os detalhes de todos os números,
os técnicos dos ministérios da Fazenda e do Planejamento
já sabem que há espaço para acomodar o buraco
deixado pela CPMF no Orçamento e também que não
haverá como fugir da fórmula tradicional de aumento de
alguns impostos e corte de despesas, ainda que o presidente negue a
possibilidade de maior tributação. Ontem, ao retornar
de Montevidéu, Luiz Inácio Lula da Silva orientou seus
ministros a priorizar os estudos de cortes de gastos no Orçamento
antes de passar para a fase de aumento de alíquotas de impostos.
Segundo a Folha apurou, a avaliação era que o governo
não pode passar a impressão de que Fazenda e Planejamento
estão em lados opostos. O governo acredita que foi bem-sucedido
inicialmente na comunicação, ao reafirmar o compromisso
com o equilíbrio das contas públicas e a manutenção
do superávit primário. Com isso, evitou maiores estragos
no mercado financeiro.
No entanto, é preciso entregar o que prometeu: um pacote consistente
para mostrar que haverá sustentação fiscal. Isso é fundamental
para conseguir o selo de grau de investimento das agências de
classificação de risco e assegurar o ingresso de investimento
externo. Por isso parte da equipe quis adiar as medidas para janeiro.
As primeiras previsões do governo apontavam ganho de receita
de R$ 12 bilhões com o aumento da alíquota de tributos
- como IOF, CSLL e IPI -e cortes da ordem de R$ 18 bilhões a
R$ 20 bilhões. Em Montevidéu, o ministro Paulo Bernardo
afirmou que uma opção para reverter o "rombo" deixado
pelo fim da CPMF e cumprir o desejo do presidente de não reduzir
os gastos com o PAC é cortar investimentos que não fazem
parte do programa, principalmente aqueles oriundos de emendas parlamentares.
Admitiu, porém, que a idéia deve enfrentar resistências
no Congresso.
Ao sair do encontro do Mercosul, Lula apenas disse aos jornalistas
que Mantega o representa. O ministro, apressado para não perder
o vôo, disse que a reposição da CPMF "vai
ser analisada com calma".
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Folha de São Paulo,
19 de dezembro de 2007
Oposicionistas impõem
nova derrota ao governo no Senado
Senadores suspendem pagamento de
dívida do Banco de Rondônia com a União
Valdir Raupp, líder do PMDB que
votou contra o governo, disse que "a situação é muito
difícil, a oposição está conseguindo
dominar a Casa"
ANDREZA MATAIS, ADRIANO CEOLIN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo sofreu ontem nova derrota no plenário
do Senado. Após perder R$ 38 bilhões da CPMF,
os senadores suspenderam pagamento da dívida do
Banco do Estado de Rondônia com a União no
valor de R$ 12 milhões mensais, o que pode gerar
um efeito cascata. A dívida total é de R$
2,9 bilhões.
O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR),
que relatou o projeto na Comissão de Assuntos Econômicos,
orientou a base aliada a votar contra, mas foi derrotado com os votos
de governistas que aprovaram parecer do senador Expedito Júnior
(PR-RO).
A matéria segue para promulgação. É a segunda
derrota de Jucá em duas semanas. Foi ele quem conduziu a votação
da CPMF. "O governo não tem 49 votos firmes aqui no Senado,
então a vitória ou a derrota não é minha, é do
país", justificou.
O governo facilitou a votação porque espera reverter
o prejuízo na Justiça e temia retaliações
na votação do segundo turno da DRU (Desvinculação
de Receitas da União), marcada para hoje. "Você não
pode, através de resolução do Senado suspender
um contrato em vigência, que é plenamente legal. É um
assunto que vai terminar na Justiça", afirmou Jucá.
Na comissão, só senadores do PT votaram com Jucá. "A
situação no Senado é muito difícil, a oposição
está conseguindo dominar a Casa", disse o líder
do PMDB, Valdir Raupp (RO), que votou com a oposição.
A Folha apurou que a votação de ontem foi o pagamento
de fatura da oposição com Expedito Júnior. Ele
votou contra a CPMF em troca dos votos da oposição nesse
projeto.
Em 1998, o Banco Central interveio no Banco de Rondônia. Após
três anos devolveu-o ao Estado sem liquidar a dívida e
com débito de R$ 600 milhões. O valor foi renegociado
e ao governo estadual coube pagar em 30 anos R$ 12 milhões ao
mês. Como a negociação não passou pelo Senado,
eles entendem que a dívida pode ser questionada. O projeto aprovado
ontem prevê a suspensão do pagamento até a renegociação.
Não há prazo para que isso ocorra.
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Folha de São Paulo,
19 de dezembro de 2007
TRABALHO: LIMITADA JORNADA
DE CAMINHONEIRO
A Justiça do Trabalho de Mato Grosso concedeu liminar que obriga
empresas de transporte do país a controlar a jornada de trabalho
dos motoristas. A decisão, de caráter provisório,
diz que o trabalho na estrada não pode superar oito horas diárias
e 44 semanais. O pedido é de uma ação do Ministério
Público do Trabalho. A decisão da Vara do Trabalho de Rondonópolis
(220 km de Cuiabá) estabelece como prazo para o cumprimento até o
dia 10, sob pena de multa diária de R$ 1.000 por motorista.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
19/12/2007
Questão suscitada por empresa tem
de ser analisada pelo Regional
Ao analisar um recurso de revista da empresa paulista Brasil Beton
S/A, o relator do processo no Tribunal Superior do Trabalho, ministro
Vantuil Abdala, reconheceu que o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região
(RJ) não apreciou uma das questões invocadas pela empresa
em recurso ordinário e renovada em embargos de declaração,
e devolveu o processo ao TRT para que se pronuncie a respeito. Trata-se
do pagamento de diferenças de comissões, decorrente de
alteração contratual, reclamado pelo empregado.
Admitido em setembro de 1987 como supervisor de vendas e promovido
em janeiro de 1993 a gerente comercial, o empregado ajuizou reclamação
trabalhista em que pedia o pagamento de horas extras, alegando que
jamais recebeu gratificação especial para o exercício
dos cargos. Pleiteou ainda o pagamento de comissões integrais
de 4%, a partir de agosto de 1993 até a data da dispensa, uma
vez que a empresa diminuiu o percentual da sua comissão para
2% ao mês, e a partir de setembro de 1994, substituiu esse percentual
por um valor simbólico, com o objetivo de burlar a legislação.
A empresa contestou e afirmou que o direito do empregado de reclamar
o pagamento das comissões estava prescrito, uma vez que a alteração
contratual ocorreu em agosto de 1993 e a ação foi proposta
depois de dois anos da alteração contratual. Sustentou
ser indevido o pagamento de diferenças de comissões,
ao argumento de que não houve redução, substituição
ou supressão de comissões, mas alteração
de forma e critério da remuneração da parcela
variável, em razão da implantação de novo
cálculo, com a concordância do empregado e sem prejuízo
para a sua remuneração. Sustentou ainda que as horas
extras eram indevidas porque, como supervisor de vendas, o empregado
exercia atividades externas incompatíveis com o controle de
horário.
A sentença de primeiro grau declarou a prescrição
qüinqüenal de eventuais direitos anteriores a setembro de
1992. Julgou improcedente o pedido de horas extras, por entender que
o empregado ocupava cargo de confiança. Quanto às comissões,
rejeitou a argüição de prescrição
total, ao fundamento de que o direito envolve lesões periódicas
e repetidas, e, no mérito, julgou improcedente o pedido, tendo
em vista que a prova pericial não comprovou prejuízos
ao empregado.
Inconformado com a decisão, o empregado recorreu ao TRT/RJ,
que julgou parcialmente procedentes os pedidos de horas extras e o
pagamento de comissões, conforme pleiteado na reclamação
inicial.
A Brasil Beton embargou a decisão, argumentando que esta omitiu,
entre outros, aspectos relativos à prescrição.
O Regional rejeitou os embargos, levando a empresa a suscitar preliminar
de nulidade por negativa de prestação jurisdicional ao
interpor recurso de revista para o TST.
O relator da revista, ministro Vantuil Abdala, observou em seu voto,
no tocante à alegação de que a alteração
contratual, processada em agosto de 1993, estaria prescrita, diante
do ajuizamento da ação em setembro de 1997, que o Tribunal
Regional realmente não emitiu pronunciamento a respeito, quando
julgou o recurso ordinário, nem em atendimento aos embargos
declaratórios interpostos pelo empregador. O ministro destacou
que o recurso ordinário leva ao Tribunal Regional todas as questões
levantadas e discutidas no processo, mesmo que a sentença não
as tenha julgado totalmente, “sendo certo que deve o colegiado
apreciar os fundamentos contidos na defesa, ainda que não acolhidos
pelo juiz.
Também tem razão a empresa ao afirmar que o Regional
não apreciou o fato invocado desde a contestação,
de que o vendedor, por realizar atividades externas, não teria
direito a horas extras. O Regional julgou improcedente a questão,
sob o enfoque de que o empregado estaria inserido na hipótese
prevista no artigo 62 da CLT, que se refere ao cargo de gerente, e
não consignou nada sobre o fundamento invocado pela empresa,
de que o funcionário exercia atividade externa incompatível
com horário fixo.
Afirmou o ministro que “a nulidade tanto mais se justifica quando
se considera a necessidade de pronunciamento do Regional, quanto ao
questionamento da empresa, a fim de estabelecerem-se as premissas fáticas
da demanda, uma vez que essas premissas não podem ser analisadas
em sede recurso de revista, nos termos da Súmula nº 162
do TST”. Assinalou também que cabia ao Regional prestar
os esclarecimentos requeridos pela empresa nos embargos declaratórios.
Conhecido o apelo da empresa por violação de preceito
de lei e da Constituição (artigos 832 da CLT e 93, IX,
da Constituição), o ministro Vantuil anulou a decisão
anterior e determinou o retorno do processo ao TRT, para que seja novamente
analisado. Os ministros da Segunda Turma do TST votaram unanimemente
com a decisão do relator. (RR-1756-1997-032-01-00.7)
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Trabalhador deve ajuizar
ação onde foi contratado ou prestou serviços
Engenheiro contratado nos Estados Unidos da América e, posteriormente,
transferido para o Brasil, decidiu em outubro de 2004, após
sua demissão, ajuizar ação trabalhista em Fortaleza,
no Ceará, onde tinha domicílio, apesar de seu último
local de trabalho na empresa ter sido a cidade de Macaé, no
Rio de Janeiro. Tempo perdido.
O artigo 651 da CLT prevê que a competência em razão
do lugar para o ajuizamento de reclamação trabalhista é a
do local da prestação dos serviços. Na ação
do engenheiro, a Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho confirmou
que a competência para julgar é de uma das Varas do Trabalho
de Macaé, e não de Fortaleza.
Segundo o ministro Horácio de Senna Pires, relator do recurso
no TST, não há permissão expressa, no artigo 651
da CLT, para que se firme a competência com base no domicílio
do trabalhador. A exceção consta do parágrafo
1º, que trata de agente ou viajante comercial, o que não é o
caso deste processo. O relator considerou ainda, na formulação
de seu voto, que as provas, testemunhais, periciais ou outras que se
fizerem necessárias, encontram maiores facilidades de serem
produzidas no local da prestação dos serviços.
O engenheiro foi admitido em 1997 na Noble Drilling Services Inc.,
nos EUA, e transferido para o Rio de Janeiro em 1999 para atuar na
Plataforma Noble Paul Wolff, na Bacia de Campos. Passava a totalidade
do tempo embarcado em regime de revezamento de 30 por 30 dias. Nessa época,
o trabalhador passou a receber ordens e instruções, em
terra, da Noble do Brasil S/C Ltda. Esta empresa, pertencente ao mesmo
grupo empresarial estrangeiro que o contratou, tinha contrato de perfuração
e exploração de petróleo em alto-mar com a Petrobras.
Em março de 2000, o engenheiro foi transferido para Macaé,
com a principal função de elaborar um sistema de gerenciamento
de segurança do trabalho, visando à certificação
ISM, obrigatória para navios e plataformas. Realizava auditorias
periódicas, que implicavam seu embarque semanal nas plataformas
petrolíferas. Recebia remuneração de cerca de
US$ 8 mil, em abril de 2003, quando foi demitido.
Ao ajuizar ação trabalhista em outubro de 2004, pleiteou
o recebimento de aviso prévio, décimo terceiro salário,
férias em dobro e proporcionais mais um terço, adicional
de periculosidade e FGTS, tudo que tem direito pela lei trabalhista
brasileira. A 10ª Vara do Trabalho de Fortaleza decidiu que o
foro competente para julgar a ação seria uma das Varas
do Trabalho de Macaé, no estado do Rio de Janeiro, para onde
encaminharia o processo. O engenheiro recorreu, alegando que se encontra
radicado em Fortaleza e não tem condições financeiras
de se deslocar até o Rio de Janeiro para acompanhar a ação.
O Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (CE) acolheu
o pedido e declarou a Vara de Fortaleza competente para apreciar a
ação. Para o Regional, não teria sentido impor
ao trabalhador elevadas despesas de transporte, hospedagem e alimentação
na distante cidade de Macaé/RJ, até mesmo impedindo-o,
talvez, de prosseguir na busca dos direitos que julga possuir, algo
equivalente a denegar-lhe a jurisdição. O TRT/CE levou
em conta que o hipossuficiente na relação é o
reclamante, já que a acionada é empresa de grande porte
e possui mais condições financeiras de deslocar seus
prepostos para acompanhar as audiências que o autor.
A Noble do Brasil apelou para o TST e a Sexta Turma, por maioria,
julgou ter havido violação do caput do artigo 651 da
CLT, na decisão do Regional. O voto vencido, do ministro Maurício
José Godinho Delgado, mantinha a decisão do TRT. (RR-2.445/2004-010-07-00.5)
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