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Agência Senado, 20
de dezembro de 2007
Plenário aprova prorrogação
da DRU até 2011
O Plenário do Senado aprovou em segundo turno, às 20h45
desta quarta-feira (19), por 65 votos a 6, a prorrogação
da Desvinculação de Receitas da União ( DRU) até 2011.
A proposta de emenda à Constituição (PEC) será promulgada
em sessão solene do Congresso Nacional marcada para as 10h30 desta
quinta-feira (20).
A DRU é um mecanismo que permite ao governo federal
gastar ou investir como quiser 20% das verbas do Orçamento
vinculadas, por força da Constituição, à Educação, à Saúde
e à Previdência Social. Criada em 1994 sob a
denominação de Fundo Social de Emergência,
a DRU tem caráter provisório. Nos últimos
dias estimou-se que a receita manejada pode variar entre
R$ 80 bilhões a R$ 90 bilhões.
A prorrogação até 2011 foi proposta
junto com a extensão da vigência da Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira
( CPMF ) por meio da PEC 89/07. Os líderes partidários,
porém, concordaram em votar os dois itens separadamente,
de modo que, na madrugada do dia 13, a prorrogação
da CPMF foi rejeitada, mas a DRU acabou aprovada em primeiro
turno por 60 votos contra 18.
A votação da proposta de emenda à Constituição
(PEC) que prorroga a Desvinculação de Receitas
da União (DRU) foi acelerada nesta quarta-feira (19)
por acordo de líderes. Eles entraram em entendimento
para suprimir os chamados interstícios, intervalos
exigidos entre uma sessão e outra de discussão
da matéria. O presidente do Senado, Garibaldi Alves
(PMDB-RN) realizou duas sessões-relâmpago pouco
antes das 19h, e abriu em seguida a terceira sessão
de discussão.
Entretanto, o temor do líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR),
de esvaziamento da sessão, levou o Garibaldi a encerrar
formalmente a discussão, passando aos encaminhamentos,
com abertura do painel de votações. Encaminharam
o voto pela aprovação da DRU, além do
líder do governo, os líderes do PRB, Marcelo
Crivella (RJ); do PP, Francisco Dornelles (RJ); do PT, Ideli
Salvatti (SC); do PTB, Epitácio Cafeteira (MA); do
PDT, Jefferson Péres (AM); e do PSDB, Arthur Virgílio
(AM). O líder do DEM, José Agripino (RN), deixou
a questão em aberto.
A partir dos encaminhamentos e da abertura do painel, os
senadores passaram a se pronunciar sobre a DRU, e a extinção
da CPMF. O líder do PSDB considerou positivo que o
governo, para obter a aprovação final da DRU,
tenha se comprometido a não criar um novo imposto
para substituir a CPMF nem fazer alterações
no sistema tributário sem negociar com a oposição.
Já o líder do DEM disse entender como um avanço
político o fato de o governo ter aberto mão
das conversas individuais com os parlamentares e ter negociado
com os partidos "em bases transparentes sobre pontos
que interessam à sociedade". Líder do
PSB, partido que integra a base do governo, o senador Renato
Casagrande (ES) considerou positivo o diálogo entre
o governo a oposição.
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Agência Senado, 20
de dezembro de 2007
CAS aprova proposta destinada
a evitar constrangimentos ao trabalhador
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou nesta quarta-feira
(19), em turno suplementar, substitutivo do senador Geraldo Mesquita
Júnior (PMDB-AC) ao projeto de lei de autoria do senador Paulo
Paim (PT-RS) que proíbe o uso de métodos de recrutamento
de pessoal que possam causar dano à honra e à dignidade
do trabalhador. A proposta recebeu decisão terminativa na comissão.
Pelo projeto (PLS 262/03), fica proibida a utilização de
técnicas de caráter discriminatório, que exijam
o pagamento de taxas e despesas sem justificação ou que
violem o sigilo de dados do trabalhador.
O substitutivo, que incorporou emenda da senadora Lúcia
Vânia (PSDB-GO), foi aprovado pela CAS no último
dia 5 em primeiro turno. A proposta da senadora por Goiás
atribui à Justiça do Trabalho a competência
de julgar as violações de que trata o projeto
e amplia o valor máximo da indenização
a ser arbitrado pelo juiz - de dez salários mínimos
passa para dez vezes o salário do emprego pretendido
pelo candidato.
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Diário Vermelho,
20 de dezembro de 2007
Dilma Rousseff diz que FHC ''destruiu
o planejamento no país"
Potencial candidata à sucessão do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma
Rousseff, abandonou nesta terça (18) a postura eminentemente
técnica para bater duro no governo de Fernando Henrique Cardoso. “O
governo anterior ao nosso destruiu o planejamento no país”,
afirmou, durante audiência pública na Câmara dos
Deputados. Na sua avaliação, o prejuízo ocorreu
principalmente no setor elétrico, que, no passado, “foi
dos melhores” em termos de planejamento.
Dilma na sessão da Câmara Ela explicou aos
deputados que não é possível licitar
a construção de uma usina hidrelétrica
sem que o potencial de geração de energia
dos rios tenha sido antes inventariado. “Recebemos
3.000 megawatts para licitar, vamos deixar 30.000”,
disse, agregando: “Planejar é ter compromisso
com o sucessor.”
O planejamento no setor elétrico foi retomado,
segundo a ministra, com a criação, no primeiro
mandato de Lula, da Empresa de Pesquisa Energética.
Os investimentos em infra-estrutura demoraram a decolar,
segundo a ministra, porque a equipe do governo Lula precisou
antes reorganizar as finanças do país.
“Recebemos o País quebrado, ou não?
Tínhamos fragilidade fiscal, monetária e
externa.” Dilma comentou que “não foi
trivial” reequilibrar as contas públicas,
controlar a inflação e retomar a capacidade
de crescer.
No debate, Dilma comentou, que a construção
do gasoduto Brasil-Bolívia foi uma decisão
acertada do governo FHC. O deputado Paulo Renato Souza
(PSDB-SP) aproveitou a deixa para registrar que a ministra,
afinal, admitia que algo de bom no campo energético
havia sido feito pelo governo anterior. Ela respondeu,
então, que considerava legados importantes o Plano
Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal, mas insistiu na
ausência de planejamento em energia.
Críticas ao PSDB
Ela também criticou o fato de o PSDB haver derrubado
a prorrogação da Contribuição
Provisória sobre a Movimentação Financeira
(CPMF), embora a medida fosse de interesse de setores do
partido.
“Eu escrevi artigos contra e votei contra a CPMF,
mas não me considero oposição irresponsável”,
defendeu-se o deputado. “O senhor tem direito a ter
sua opinião, mas não acho oposição
responsável abrir mão de R$ 40 bilhões”,
rebateu Dilma.
Apesar de haver atacado o ex-presidente Fernando Henrique,
afirmando ainda que o apagão de 2001 foi “uma
barbeiragem”, Dilma pregou uma aproximação
entre governo e oposição em questões
que possam ser de interesse comum – como poderia
ter sido o caso da CPMF.
“Desse processo, saímos com maior maturidade
institucional”, comentou. “Segmentos da oposição
tiveram a sensibilidade para esse fato e queriam a aprovação
(da prorrogação da CPMF).” Entre integrantes
do governo, FHC é apontado como um dos principais
responsáveis pelo fracasso da aproximação
entre o governo e o PSDB.
Petrobras
A ministra também citou que a Petrobras pode ampliar
a produção dos poços já existentes
e apoiar a criação de novos pontos de extração
de gás. Sem definir prazos, Dilma Rousseff disse
que os novos investimentos da estatal irão demorar
a ter impacto na oferta ao consumidor.
Ela estimou, por exemplo, que em 2012 a oferta de gás natural
alcance 134 milhões de metros cúbicos. Nessa estimativa,
o governo manteve a mesma projeção de oferta do gás
boliviano (30 milhões de metros cúbicos). O restante
do volume ofertado no país viria da produção nacional
(73 milhões de metros cúbicos) e GNL (31 milhões
de metros cúbicos).
A ministra também citou que a Petrobras tem em
seus planos a construção de uma terceira
unidade produtora de GNL (gás natural liquefeito).
Dilma, porém, não deu detalhes sobre a capacidade
de produção e localização da
planta. Esses detalhes, segundo ela, serão anunciados
brevemente pela Petrobras.
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Gazeta do Povo, 20 de dezembro
de 2007
ECONOMIA | IBGE
Apenas 5 cidades concentraram
25% da riqueza gerada no Brasil em 2005
PIB dos Municípios,
divulgado ontem, mostra que a economia brasileira segue marcada
pela concentração da riqueza nos grandes centros,
e mudança de metodologia favorece ainda mais as capitais
Rio de Janeiro – A grande concentração é uma
das marcas do PIB dos Municípios em 2005, divulgado
ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE). Além de 25% do Produto Interno Bruto (PIB)
estar concentrado em cinco cidades (São Paulo, Rio
de Janeiro, Brasília, Curitiba e Belo Horizonte),
se forem somados mais 46 municípios, será alcançada
a metade da geração de riqueza brasileira.
O número de habitantes destas 51 cidades corresponde
a 30,5% da população nacional.
Confira
dados do IBGE sobre o PIB dos municípios brasileiros:
Em 2002, a metade da renda nacional estava concentrada em 48 cidades.
Ao todo, o IBGE fez o levantamento em 5.564 municípios.
Ao mesmo tempo, 1.371 paupérrimos municípios
responderam por apenas 1% do PIB de 2005. Três anos
antes, a soma de 1% era feita por 1.338 cidades.
A pesquisa aponta ainda que 10% dos municípios
com maior PIB em 2005 geraram 24,6 vezes mais riqueza que
os 50% dos municípios com menor PIB. Na mesma relação,
a dispersão na região Sudeste chegou a 38,1.
As capitais mantiveram a concentração da
maior parte do PIB do país em 2005, com a mudança
de metodologia instituída pelo IBGE. Mesmo assim,
foi identificada uma tendência de perda de participação
destas cidades, já que muitos municípios
de médio porte continuaram apresentando crescimento
significativo.
O novo cálculo do órgão leva em conta
as pesquisas anuais feitas nos diversos setores da economia,
e não é mais baseada no Censo Econômico
de 1985. Com isso, o setor de serviços, que tinha
um peso de 55,7% até o cálculo do PIB de
2004, passa a representar 66,3% na nova metodologia. Por
outro lado, agropecuária e indústria perderam
peso.
"Com o maior peso dos serviços, as capitais
ganham participação. Ainda assim, as cidades
menores estão tendo mais espaço. O resultado
confirma a lógica de que os municípios de
médio porte estão crescendo. Temos que observar
daqui para frente como será essa evolução'',
afirma a coordenadora da pesquisa, Sheila Zani.
Assim, no ranking das dez cidades com maior PIB do país
em 2005, oito delas são capitais. No levantamento
anterior, de 2004, eram seis capitais entre as dez cidades
mais ricas. Em relação à pesquisa
de 2004, que utilizava a outra metodologia, as três
primeiras posições permaneceram inalteradas.
Curitiba subiu da sétima para a quarta posição,
trocando de posição com Manaus, que caiu
na mesma proporção.
Distorção
Para a Confederação Nacional dos Municípios
(CNM), os dados divulgados sobre o PIB per capita dos municípios
não refletem a realidade econômica das cidades.
O presidente da entidade, Paulo Ziulkoski, afirmou que
a pesquisa incorpora distorções causadas
por grandes empreendimentos – como montadoras, refinarias
e hidrelétricas –, cuja riqueza não
circula nas cidades que os abrigam. "O estudo cria
a imagem de que as cidades que lideram o ranking são
ricas, o que não é verdade. O dinheiro gerado
não é do município ou produzido pela
população local, mas de uma empresa, uma
hidrelétrica. O cálculo não reflete
a qualidade de vida nem o poder de compra dos habitantes."
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Gazeta do Povo, 20 de dezembro
de 2007
ECONOMIA | IBGE
Com investimentos da indústria
local, Curitiba é a quarta cidade mais rica
por FELIPE LAUFER
Os investimentos no setor industrial feitos na década
de 90 na região metropolitana de Curitiba começaram
a mostrar resultados há alguns anos. Em 2005, pela
terceira vez consecutiva, a capital paranaense apareceu
como a quarta colocada no ranking dos municípios
com mais peso no Produto Interno Bruto (PIB, a geração
de riquezas de um país) brasileiro – 1,39%
do PIB de todo o país. Em 2002, a cidade aparecia
no quinto lugar e a melhora se deve aos setores da indústria
de transformação e ao comércio, segundo
o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), que divulgou ontem o PIB dos municípios. "Foi
a partir de 2003 que houve uma 'colheita' mais significativa
dos investimentos feitos na década de 90",
acredita o coordenador do curso de Ciências Econômicas
da Unifae, Gilmar Mendes Lourenço.
Mas a concentração de riqueza em poucas
cidades preocupa. Os números do IBGE mostram que
cinco municípios paranaenses concentram 43,2% da
riqueza do estado, e três deles estão na região
metropolitana (Curitiba, São José dos Pinhais
e Araucária). As outras cidades são Londrina,
no Norte, e Foz do Iguaçu, no Oeste. Somados os
cinco municípios seguintes (Maringá, Ponta
Grossa, Paranaguá, Guarapuava e Cascavel), constata-se
que eles respondem por 57% do PIB paranaense.
O problema é que a concentração de
muitas empresas num só local pode sufocar a infra-estrutura
daquela região, que se torna mais cara para as empresas
e também para o poder público. "Como
os incentivos em infra-estrutura no Paraná e, principalmente,
na região metropolitana de Curitiba não acompanham
os investimentos industriais, a gente corre o risco de
atingir um ponto de saturação", avalia
Lourenço.
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Gazeta do Povo, 20 de dezembro
de 2007
ECONOMIA | PARTICIPAÇÃO
Setor de serviços responde
por 63% da riqueza gerada
O setor de serviços, que respondeu em 2005
por 66% do peso do PIB brasileiro, gerou um valor adicionado
ao PIB curitibano de R$ 18,8 bilhões – 63% dos
R$ 29,8 bilhões de riqueza produzida em Curitiba naquele
ano.
O valor adicionado pelo setor de serviços representa
1,57% do PIB deste setor em todo o país, e coloca
a capital em 6.º lugar na geração
de riqueza a partir da prestação de serviços.
Já a indústria respondeu por um valor adicionado
ao PIB de R$ 5,6 bilhões, o que lhe rendeu a 11.ª colocação
no ranking das cidades que mais geraram riqueza neste
setor.
Per capita
O PIB per capita de Curitiba atingiu R$ 16.964 no ano
de 2005, um crescimento de 7,3% na comparação
com o ano anterior. A capital paranaense registra ainda
PIB per capita acima da média brasileira, que
foi de R$ 11.658, e ocupa o 6.º lugar na comparação
com outras capitais. (FL)
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Folha de São Paulo,
20 de dezembro de 2007
ELEIÇÕES 2008
Marta empata com Alckmin
na disputa em São Paulo, diz Ibope
DA REPORTAGEM LOCAL
O instituto Ibope divulgou ontem pesquisa segundo a qual
a ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT), e o ex-governador
Geraldo Alckmin (PSDB) lideram, empatados, a disputa pela
Prefeitura de São Paulo. Segundo a pesquisa, divulgada
pela TV Globo ontem, Marta conta com 27% das intenções
de voto. Alckmin, com 24%.
Como a margem de erro é de quatro pontos percentuais, para mais
ou para menos, os dois estão tecnicamente empatados. Nesse cenário,
o prefeito Gilberto Kassab (DEM) aparece com 12% da preferência,
seguido pelo ex-prefeito Paulo Maluf (PP): 11%. A ex-prefeita Luiza
Erundina tem 6%.
O Ibope ouviu 602 eleitores entre os dias 15 e 18. Apesar da vantagem,
Marta perderia de Alckmin num eventual segundo turno. Alckmin teria
50% contra 38% de Marta. Em outro cenário, a petista derrotaria
Kassab por 46% a 35%. Alckmin venceria Kassab por 56% a 22%.
O Ibope apresentou cinco simulações. Sem Marta, Alckmin
lidera a disputa com 30%. Maluf, Kassab e Erundina ficam empatados:
o ex-prefeito tem 14%. Kassab e Erundina, 13%. Arlindo Chinaglia tem
menos de 1%. Alckmin (32%) e Marta (28%) empatam no cenário
em que Kassab é excluído. Marta (30%) derrota Kassab
(19%) na simulação sem Alckmin. E Kassab (21%), Erundina
(19%) e Maluf (17%) empatam quando Marta e Alckmin estão fora
da disputa.
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Folha de São Paulo,
20 de dezembro de 2007
Crédito imobiliário
dobra neste ano e setor pede mudança
Além da poupança, setor
terá de desenvolver mecanismos sofisticados de captação,
como as operações de recebíveis
Bancos prevêem taxa de crescimento
de 25% ao ano no crédito imobiliário até 2010
para suprir demanda por imóveis novos e usados
TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL
Maior responsável pelo bom momento da construção
civil, o financiamento imobiliário com recursos
da poupança deve dobrar em 2007 e crescer em um
ritmo de pelo menos 25% ao ano até 2010, segundo
a Abecip (associação das entidades de crédito
imobiliário).
De acordo com a associação, o crédito imobiliário
somou R$ 16,44 bilhões até novembro, devendo fechar o
ano na casa de R$ 18,6 bilhões. Se confirmada a previsão,
o volume emprestado em 2007 será o dobro dos R$ 9,3 bilhões
concedidos no ano passado como um todo.
Para 2008, a expectativa "conservadora" do setor é que
o crédito imobiliário some mais R$ 23,3 bilhões
e que os bancos abram 247 mil novos empréstimos, maior número
de financiamentos desde 1981, quando o setor bateu em 267 mil novos
contratos de crédito imobiliário. Neste ano, deverão
ser abertos 198 mil financiamentos, 73,8% mais que em 2006.
" A necessidade de financiamento [imobiliário] hoje e no futuro será enorme.
Temos um déficit de 8 milhões de residências. O Brasil tem
menos de 2,5% do PIB em crédito imobiliário, enquanto o vizinho
a poucas horas de vôo daqui [o Chile] tem mais de 15%. Há muito
o que crescer", disse o presidente da Abecip, Luiz Antonio Nogueira de França,
do banco Itaú.
Segundo José Pereira Gonçalves, superintendente técnico
da Abecip, o crescimento do financiamento imobiliário neste
ano se deve ao aumento do emprego e da renda, somada à estabilidade
econômica, que trouxe mais previsibilidade de investimento tanto
para as empresas como para as famílias. Ele afirma que a previsibilidade
permitiu a redução do juro e o alongamento dos prazos
de financiamento da casa própria.
" Conseguimos disponibilizar crédito para um número muito
maior de pessoas. Em 2002, uma carta de R$ 80 mil tinha juros de 12% ao ano,
120 meses e era dada para quem tinha renda de 12 salários mínimos.
Hoje, são 300 meses, juros entre 9% e 10% e exigência de sete salários",
disse Pereira.
" Quando alguém entra no banco [para pedir financiamento] discute
se a prestação cabe no bolso e o quanto rápido vai sair
o dinheiro. Além de taxa e prazo, o crédito imobiliário
depende de velocidade. O ideal seria repetir o que aconteceu com o financiamento
de veículos, em que o consumidor sai da loja com o carro novo e o crédito
aberto", disse França.
A associação afirma ainda que o setor imobiliário
colhe hoje os frutos da consolidação do marco regulatório,
com a disseminação de instrumentos como a alienação
fiduciária, em que o imóvel financiado permanece alienado
ao credor, e do patrimônio de afetação, instrumento
que permite a separação contábil entre a construtora
e o empreendimento.
Segundo o SindusCon-SP (sindicato das construtoras), o PIB da construção
deve fechar o ano com crescimento de até 9,3%, o maior desde
1986, época do Plano Cruzado. Para 2008, a expectativa é de
alta de até 14%, repetindo o desempenho visto nos anos 70, época
do "milagre econômico".
O crescimento do crédito imobiliário é tão
grande que o setor já demanda novas fontes de financiamento
além da poupança e do FGTS. Hoje, pelo menos 65% dos
recursos captados na poupança devem ser direcionados para o
financiamento imobiliário com juros de até 12% mais TR.
Em 2007, a poupança teve captação de R$ 18,35
bilhões até novembro.
Para levar o financiamento de imóveis a patamares internacionais,
a indústria vislumbra o desenvolvimento de um mercado de títulos
lastreados em recebíveis de prestações de imóveis,
em que o investidor assume o risco imobiliário e os recursos
são revertidos para o setor como um todo, a exemplo do que aconteceu
no Chile e no México na última década.
" Vamos ter de ter mecanismos mais sofisticados para captação
[para o crédito imobiliário], como as operações de
securitização [transformação de prestações
da casa própria em títulos]. O mercado hoje já tem isso,
só que concentrado em imóveis comerciais", disse.
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Folha de São Paulo,
20 de dezembro de 2007
Governo quer mais R$ 5 bi para
FGTS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo quer um reforço de, pelo menos, R$ 5 bilhões
no orçamento do FGTS para aplicar em projetos de habitação,
saneamento e transporte em 2008. A proposta será avaliada
hoje em reunião do Conselho Curador do FGTS, no Rio de Janeiro.
Segundo o ministro Márcio Fortes (Cidades), o aumento dos recursos
se deve, sobretudo, ao maior interesse dos bancos privados por dinheiro
do fundo para financiamentos da casa própria. Ele disse que,
até então, os bancos faziam apenas estimativas de quanto
poderiam pegar, mas dificilmente essa sondagem se tornava um pedido
oficial de recursos ao fundo."Desta vez, há proposta firme
de recursos."
Para ele, o cenário de queda das taxas de juros e dos rendimentos
das aplicações financeiras torna vantajoso também
para o FGTS mudar sua carteira de investimento, direcionando mais recursos
para habitação no lugar de aplicações financeiras.
Dos R$ 5 bilhões, R$ 3 bilhões serão destinados
para habitação, R$ 1,750 bilhão, para o setor
de saneamento, e R$ 250 milhões, para área de transportes.
No último caso, a idéia, diz Fortes, é utilizar
os recursos adicionais para lançar o PAC da Mobilidade, uma
versão setorial do programa de obras lançado pelo governo
federal para acelerar o crescimento.
O projeto, ainda em estudo no ministério, quer financiar a construção
de corredores expressos de transportes, passarelas, ciclovias e a adaptação
de vias urbanas para portadores de deficiência.
Apesar do baque sofrido no orçamento do governo federal com
a decisão do Congresso de acabar com a vigência da CPMF
em 2008, Fortes diz acreditar que seu ministério será poupado
nos cortes de despesas que estão sendo preparados pela equipe
econômica para compensar a perda de R$ 38 bilhões em receitas
no ano que vem.
" As declarações do presidente [Luiz Inácio Lula da
Silva] nos exclui da degola porque o PAC [Programa de Aceleração
do Crescimento] será prioridade e não deverá sofrer cortes." De
acordo com o ministro, a maior parte dos gastos do ministério está incluída
no PAC.
São R$ 32,3 bilhões para serem gastos até 2010.
Do total, R$ 12,3 bilhões virão do Orçamento Geral
da União, R$ 13,5 bilhões são financiamentos com
dinheiro do FGTS e R$ 6,5 bilhões correspondem aos desembolsos
que Estados e municípios têm que fazer para garantir os
investimentos federais.
Na reunião de hoje do Conselho Curador do FGTS deverá ser
aprovado também o regulamento do Fundo de infra-estrutura que
financiará obras do PAC.
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Folha de São Paulo,
20 de dezembro de 2007
FGTS tem saques recordes e
saldo cairá em relação a 2006
Retiradas atingiram o maior valor da
história, totalizando R$ 36,6 bi em 2007
Fatores que pressionaram as retiradas
foram saques por aposentados, resgates para a compra da casa
própria e demissões sem justa causa
Danilo Verpa - 10.out.07/Folha
Imagem

Prédio em construção
em SP; compra de imóveis eleva saques
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Os trabalhadores promoveram saques recordes no FGTS (Fundo
de Garantia do Tempo de Serviço) neste ano. Dados
preliminares obtidos pela Folha mostram que, em 2007, as
retiradas atingiram o maior valor da história, totalizando
R$ 36,6 bilhões. Com isso, pela primeira vez nos últimos
anos, o saldo entre arrecadação e saques apresentará queda.
Os registros da Caixa Econômica Federal apontam para arrecadação
líquida de R$ 4,86 bilhões entre janeiro e dezembro deste
ano. Em 2006, o FGTS fechou o ano com saldo positivo de R$ 6,82 bilhões.
Ou seja, haverá redução de 35% no valor da receita
na comparação entre 2007 e o ano passado.
A queda ocorre mesmo com a expansão recorde do mercado formal
de trabalho. Com o aumento do emprego com carteira assinada, as empresas
recolhem mais ao fundo. O superintendente nacional do FGTS, Joaquim
Lima, explica que, embora a arrecadação das empresas
tenha aumentado e também registrado valor recorde, alguns fatores
pressionaram as retiradas do fundo: os saques por parte de aposentados,
os resgates para compra da casa própria e as demissões
sem justa causa.
" Isso é natural em um ambiente de grande movimentação
econômica. É melhor sacar para comprar a casa própria do
que por estar desempregado", afirma o vice-presidente de fundos e loterias
da Caixa, Wellington Moreira Franco.
Saque de aposentados
Em abril, o STF (Supremo Tribunal Federal) tomou uma decisão
que permitiu aos aposentados que permanecem no mercado de trabalho
sacar o FGTS e, mensalmente, retirar os valores depositados pelas empresas.
Todo mês, as empresas recolhem ao fundo o equivalente a 8% do
salário do trabalhador.
Com a decisão do tribunal, o FGTS contabilizou, até novembro,
saques no valor de R$ 6,3 bilhões por parte de aposentados.
Em 2006, esse valor somou R$ 2,485 bilhões no ano inteiro. No
caso dos saques para moradia, Lima afirma que há uma ebulição
no mercado imobiliário brasileiro e o FGTS tem sido responsável
por metade dos recursos disponíveis para habitação. "Quem
está "carregando o piano" é o FGTS, dando conforto
e garantia aos bancos", declarou o superintendente.
Neste ano, os trabalhadores sacaram do fundo, até novembro,
R$ 4,5 bilhões para comprar a casa própria. Em todo o
ano de 2006, o valor ficou em R$ 4,3 bilhões.
Um estudo elaborado pela Caixa mostra que, somando os saques para compra
de unidades habitacionais aos financiamentos imobiliários com
recursos do FGTS, o fundo abrange 49,9% do volume de recursos em circulação
no mercado imobiliário no primeiro semestre deste ano. O trabalho
leva em conta os contratos assinados dentro das regras do Sistema Financeiro
de Habitação.
Demissões
Os saques do FGTS também foram motivados pelas demissões
sem justa causa de trabalhadores. Até outubro, as retiradas
por essa razão atingiram R$ 19,4 bilhões. O número
do mesmo período de 2006 era de R$ 16,626 bilhões.
O aumento também pode ser explicado pelo aquecimento do mercado
de trabalho. No Brasil, a ampliação no número
de trabalhadores empregados significa aumento na rotatividade. O Ministério
do Trabalho estima que anualmente cerca de 30% da mão-de-obra
empregada seja substituída.
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Folha de Londrina, 20 de
dezembro de 2007
PIB do Paraná chega
a R$ 126,6 bilhões
Média da renda per capita
paranaense é de R$ 12,3 mil; em Curitiba chega a R$
16,9 mil e em Londrina a R$ 12,7 mil
Curitiba - O crescimento do setor de serviços no
Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro fez com que os municípios
com pouca industrialização, mas com foco
em serviços crescessem no ano de 2005. O Paraná fechou
com um PIB a preços correntes de R$ 126,6 bilhões,
uma média per capita de R$ 12,3 mil. Na composição
do PIB brasileiro, o Paraná aparece com 9,76% de
participação no setor agropecuário
(quarto do Brasil), 6,51% na indústria (quinto)
e 5,52% em serviços (quarto).
Na média per capita, os pequenos municípios
paranaenses tiveram destaque. São os casos de Boa
Esperança (R$ 21,2 mil per capita), Carambeí (R$
33,4 mil), Japira (R$ 38,7 mil), Lobato (R$ 20,4 mil),
Mangueirinha (R$ 31,7 mil), Palotina (R$ 20,2 mil), Paranaguá (R$
27,4 mil) e São José dos Pinhais (R$ 26,9
mil). Os maiores municípios ficaram com uma média
menor: Londrina (R$ 12,7 mil), Maringá (R$ 14,4
mil), Foz do Iguaçu (R$ 16,1 mil) e Curitiba (R$
16,9 mil). Aliás, dos municípios brasileiros,
Curitiba é a quarta com o maior PIB brasileiro (em
2002, era a sexta colocada).
O PIB dos Municípios foi divulgado ontem pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As
capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília,
Curitiba e Belo Horizonte representavam juntas 25% do PIB
brasileiro. Em 2005, apenas 51 municípios alcançava-se
a metade do PIB e 30,5% da população nacional.
No extremo oposto, 1.371 municípios respondiam por
1% do PIB e concentravam 3,5% dos brasileiros. Se for feito
o corte por setor, quatro municípios paranaenses
aparecem entre os que tiveram participação
superior a 0,5% do PIB nacional em 2005. São eles:
Curitiba (1%), São José dos Pinhais (0,6%),
Araucária (0,6%) e Foz do Iguaçu (0,6%).
A pesquisa mostrou que os municípios que apresentaram
as maiores perdas de participação percentual
no PIB foram as capitais, principalmente Rio de Janeiro
(RJ), São Paulo (SP), São José dos
Campos (SP), Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MG), Salvador
(BA), Recife (PE), Goiânia (GO) e Fortaleza (CE).
Entre os municípios que tiveram os maiores aumentos
de participação no PIB brasileiro aparecem
Confins (MG), Centro Novo do Maranhão (MA), Catas
Altas (MG), Campo do Tenente (PR) e Sátiro Dias
(BA).
O diagnóstico do IBGE mostrou ainda que dos 5.564
municípios brasileiros, 31,3% tinham mais do que
um terço da economia dependente da administração
pública. As maiores distorções ocorrem
nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, além
do Norte de Minas Gerais.
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Revista Consultor Jurídico,
20 de dezembro de 2007
Em outra moeda
Juiz do Trabalho substitui
multa por serviços à comunidade
A Justiça Trabalhista do Rio de Janeiro substituiu uma condenação
de R$ 150 mil por visitas a escolas municipais e pela compra de 100 kits
para um projeto social. A decisão foi tomada pelo juiz Glener
Pimenta Stroppa da 1ª Vara do Trabalho de Três Rios.
A Cooperativa Comunitária Mista de Monte Castelo
e o seu sócio-fundador, Milton Antônio Lopes,
foram multados em R$ 150 mil por danos morais coletivos e
proibidos de intermediar mão-de-obra. Porém,
a procuradora do Trabalho Guadalupe Louro Turos Couto constatou
que tanto a cooperativa quanto seu fundador não tinham
recursos para pagar a indenização nem patrimônio
a ser penhorado.
"A proposta de conversão da indenização
foi feita porque percebemos que, ao longo do processo, os
valores não seriam pagos pelos réus. A própria
cooperativa já mudou de endereço e o seu diretor
atual não é mais o mesmo. É uma forma
de não deixar impune os condenados por fraudes à legislação
trabalhista", explicou a procuradora.
De acordo com a decisão, os réus deverão
visitar uma vez por mês, durante um ano, escolas municipais
da região sul do estado do Rio, juntamente com juízes
e procuradores que coordenam o trabalho. Os kits devem ser
oferecidos ao projeto Trabalho, Cidadania e Justiça,
pelo qual são ministradas palestras para alunos do
ensino fundamental e médio sobre fraudes trabalhistas.
Consta da decisão que juízes e procuradores
vão citar o caso concreto em questão como exemplo
aos estudantes.
O caso
Em 2004, o MPT ajuizou ação civil pública
contra a Cooperativa Comunitária Mista de Monte Carlo
e seu sócio-fundador, Milton Antônio Lopes,
por intermediar mão-de-obra para os municípios
fluminenses Três Rios, Castelo, Areal e Levy Gasparian
em diversas atividades, tais como limpeza urbana, serviços
gerais, magistério, mecânica, contabilidade,
entre outros. Segundo a ação, depoimentos comprovaram
que a prestação de serviço previa relação
trabalhista.
Os réus foram proibidos de contratar e gerenciar
cooperativa de mão-de-obra para empresas ou órgão
públicos, além de condenados a pagar multa
de R$ 150 mil por danos morais coletivos.
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Revista Consultor Jurídico,
20 de dezembro de 2007
Indústria da indenização
Dinheiro não deve ser única
forma de reparar dano moral
por Leonardo Castro e Isabel Elaine
A chamada “indústria do dano moral” tem
tirado o sono da comunidade jurídica. A preocupação é justificada.
A escalada progressiva do número de pedidos de indenização
tem exposto a incapacidade de vazão à enxurrada
de demandas, pondo em risco a certeza de tutela a direitos
já consolidados. Contudo devemos, primeiramente,
isolar a raiz do problema para discuti-lo.
Em diversas teses, faz-se referência à crescente
proposição de causas frívolas como
núcleo da crise no instituto. Sem dúvida,
há importância, mas não é o
elemento principal gerador do problema. Para Schreiber
1, “há, por certo, casos pontuais de reconhecimento
de danos, por assim dizer, imaginários, ou de atribuição
de indenizações exageradamente elevadas,
mas nem estas duas hipóteses se combinam com freqüência,
nem o percentual destes julgados em relação à grande
massa das condenações pode ser considerado
alarmante”.
Entendo o termo indústria como algo em série,
continuamente produzido. Um ou outro caso de indenização,
surgidos desordenadamente, não justificam a analogia.
A frivolidade litigiosa preocupa, mas não oferta
risco, por si só, à manutenção
do instituto. É equivocado imputar à população
e aos seus anseios por reparação a culpa
pelo desenvolvimento da bolha indenizatória.
A solução não pode surgir da implantação
de barricadas entre o ofendido e a Justiça2, mas
sim da reforma da natureza extremamente patrimonialista
da responsabilidade civil. A pecúnia como remédio
universal estimula sentimentos mercenários, criando
o entendimento de que a todos é autorizada a lesão
a outrem, desde que esteja disposto a pagar o preço
correspondente.
Como exemplo, há um número exorbitante de
ações indenizatórias contra as companhias
telefônicas em razão de inclusão indevida
em serviço de proteção ao crédito.
Para esses casos, há o abominável tabelamento
de valores a serem pagos aos ofendidos. A indenização,
que deveria ser uma medida extrema, passa a funcionar como
reles taxa operacional. É o preço a ser pago
pela atividade mal desenvolvida, em desrespeito ao consumidor,
demonstrando ser vantajosa a posterior reparação
em detrimento da precaução. O ciclo vicioso
da lesão e ulterior compensação ineficaz
merece o estigma de produção em escala industrial.
Destarte, parece ser impossível a solução
da polêmica dentro dos limites pecuniários
impostos pelo temor do enriquecimento indevido. Também é indiscutível
a dificuldade em torno da quantificação e
a incapacidade do valor monetário como meio de pacificação
de conflitos extrapatrimoniais. Discute-se, então,
a despatrimonialização da reparação
do dano moral, como já ocorre no instrumento da
retratação pública prevista na Lei
de Imprensa. No âmbito da responsabilidade civil,
essa medida serviria como freio para ofensores não
desestimulados pela condenação de caráter
exclusivamente financeiro.
No caso concreto das operadoras de telefonia, o prejuízo
pode ir muito além dos valores ínfimos pagos
aos lesados. Em retratação pública,
a companhia assumiria a baixa qualidade dos seus serviços,
pondo em perigo a fortuna investida em publicidade, deixando-a
sem saída: respeite o consumidor ou abandone o mercado.
Dessa forma, não acredito que a ofensa constante à sociedade
persistisse.
Entretanto, algumas cortes alegam a impossibilidade de
aplicar tal reparação não patrimonial
por inexistência de autorização legal,
exceto nos casos amparados pela Lei de Imprensa (5.250/67).
Todavia, alguns tribunais têm rompido essa barreira,
como fez o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro
ao impor o dever de retratação pública
para solucionar litígio referente à injusta
revista da bolsa de certa cliente na saída de um
estabelecimento comercial3.
Tendo em vista a proteção ao instituto da
responsabilidade civil e seus preceitos, é absolutamente
necessária a reforma na forma de reparação
por dano moral. Deve o legislador atentar para as angústias
sofridas pela população e o desprestígio
que isso vem causando à Justiça. A indenização
unicamente monetária tem como conseqüência
ações mercenárias, sentenças
sem valor social e insatisfação aos anseios
da vítima.
Notas de rodapé
1-SCHREIBER, Anderson (2007). Novos
Paradigmas da Responsabilidade Civil. Editora Atlas.
2- Como ressalta Kennedy Lafaiete Fernandes
Diógenes em seu artigo sobre os planos de saúde, “Refém
da Saúde”, a ida do consumidor à Justiça é indispensável
na contenção de abusos. Disponível
em http://conjur.estadao.com.br/static/text/61733,1.
3- TJ-RJ, Apelação Cível
2004.001.08323.
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Última Instância,
20 de dezembro de 2007
Sindicato pode ajuizar ação
defendendo filiados sem depender de autorização
A 5ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) reconheceu
a legitimidade ativa do Sinprf-MT (Sindicato dos Policiais Rodoviários
Federais no Mato Grosso) em ação ordinária ajuizada
contra a União. O entendimento foi que os sindicatos e associações,
na qualidade de substitutos processuais, estão legitimados para
ajuizar ações na defesa dos direitos de seus filiados independentemente
de autorização de cada um deles.
Segundo informações do tribunal, o TRF-1 (Tribunal
Regional Federal da 1ª Região) havia julgado
extinto, sem julgamento de mérito, o processo ajuizado
pelo Sindicato para o reajuste de vencimentos em 28,86%,
em virtude da ausência de comprovação
do vínculo funcional dos filiados com a União.
O Sindicato recorreu ao STJ alegando violação
de diversos dispositivos de lei federal e a desnecessidade
de comprovação do vínculo de seus filiados
com a União para o ajuizamento de ação
ordinária.
O relator do recurso especial, ministro Arnaldo Esteves
Lima, destacou em seu voto que, segundo a jurisprudência
do STJ, o artigo 3º da Lei nº 8.073/90, em consonância
com o artigo 5º, XXI e LXX, da Constituição
Federal, autoriza os sindicatos a representar seus filiados
em juízo na defesa dos direitos da categoria, quer
nas ações ordinárias quer nas seguranças
coletivas, ocorrendo a chamada substituição
processual, razão por que se torna desnecessária
a autorização expressa ou a relação
dos substituídos.
Seguindo o voto do relator, a Turma reconheceu a legitimidade
do sindicato e determinou o retorno dos autos à origem
para a apreciação do mérito do recurso
de apelação.
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