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Diário Vermelho,
25 de dezembro de 2007
PIB do Brasil deve fechar com
5,12% em 2007
Analistas do mercado financeiro voltaram a aumentar a projeção
para o crescimento da economia neste e no próximo ano. Segundo
o Boletim Focus, divulgado toda segunda-feira pelo Banco Central, o
Produto Interno Bruto (PIB), soma de todas as riquezas produzidas no
país, deve fechar 2007 em 5,12%, contra a expectativa anterior
de 5,06%. Em 2008, a perspectiva também é de crescimento
da economia, agora em 4,50% e não mais em 4,40% como na projeção
anterior.
No boletim, com a expectativa de cem instituições
financeiras para os principais indicadores da economia,
a estimativa de relação entre dívida
líquida do setor público e PIB caiu de 43,40%
para 43,30% para 2007, e permaneceu em 42%, para o ano
que vem. Isso significa que mais de 40% de tudo que o Brasil
produz estará comprometido com o pagamento da dívida.
A produção industrial deve crescer 5,85%
neste ano, 0,05 ponto percentual a mais do que a estimativa
anterior. Para 2008, foi mantida a projeção
de 4,50%. A perspectiva para o investimento estrangeiro
direto também subiu, passando de US$ 33 bilhões
para US$ 34,90, neste ano, e de US$ 27 bilhões em
2008, ante a projeção anteior de US$ 25 bilhões.
Quanto ao saldo da balança comercial (exportações
menos importações), a estimativa é de
US$ 40 bilhões neste ano, contra US$ 40,15 bilhões
da projeção anterior, e de US$ 32 bilhões
em 2008, ante a expectativa anterior de US$ 33,65 bilhões.
Para os especialistas consultados na pesquisa, o dólar
deve manter o valor de R$ 1,77 ao final do ano e de R$
1,80 em 2008.
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Agência Brasil, 25
de dezembro de 2007
Para analistas, aumentará a
projeção dos juros em 2008
Os analistas do mercado financeira aumentaram a projeção
para a taxa básica de juros, a Selic, ao final de 2008. De acordo
com Boletim Focus, divulgado hoje (24) pelo Banco Central, a Selic
deve fechar 2008 em 10,75% ao ano e não mais em 10,50%. O boletim
reúne estimativas de instituições financeiras
para os principais indicadores da economia, pesquisadas todas as sextas-feiras.
Neste ano, a taxa básica de juros ficou em 11,25% ao ano.
A projeção para a inflação
também foi revista para cima. De acordo com Boletim
Focus a inflação medida pelo Índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve
chegar a 4,32% em 12 meses, contra 4,10% da previsão
anterior. Para 2007 a projeção do índice,
que serve de parâmetro para as correções
oficiais, é de 4,35%, ante 4,21% da estimativa anterior.
A previsão do IPCA para dezembro é de 0,64%,
e para janeiro, de 0,48%.
A expectativa para a o Índice Geral de Preços
- Disponibilidade Interna (IGP-DI) da Fundação
Getúlio Vargas (FGV) para este ano é de 7,76%,
contra projeção anterior de 7,25%. Para o
período de 12 meses, a estimativa subiu de 4,49%
para 4,64%. Os analistas esperam que em dezembro esse índice
chegue a 1,34% e em janeiro, a 0,60%.
Para o Índice Geral de Preços - Mercado
(IGP-M), medido pela FGV, a previsão para 12 meses
ficou em 4,67% (contra 4,69% da pesquisa anterior) e para
o final do ano, em 7,29% (contra a última estimativa
de 7,16%). Para dezembro deste ano, a projeção
também é de alta, com 1,32%, e em janeiro
de 2008 em 0,60%.
A inflação no mercado paulista, medida pelo Índice
de Preços ao Consumidor da Fundação
Instituto de Pesquisa Econômica (IPC-Fipe), referente
a 2007, ficou em 4,24%, acima da perspectiva anterior (3,98%).
A projeção para 12 meses ficou em 3,89%,
contra 3,91% da estimativa anterior. Para dezembro, a projeção
ficou em 0,65% e para janeiro, em 0,44%.
Para os preços administrados (combustíveis,
energia elétrica, telefonia, medicamentos, educação
e outros), o prognóstico ficou em 2% para 2007 e
em 3,70% para 2008.
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Congresso em Foco, 25 de
dezembro de 2007
Eleições paralisaram
mais o Senado do que a crise Renan
Votações diminuíram
um terço este ano em comparação com
2005. Mas aumentaram em relação a 2006, quando
os senadores votaram apenas metade do número das propostas
analisadas nos 12 meses anteriores.
Edson Sardinha
O vendaval de denúncias contra o agora ex-presidente
do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) deixou no ar parte da
agenda legislativa da Casa em 2007, mas não derrubou
mais as votações do que a disputa eleitoral
do ano passado.
Levantamento feito pelo Congresso em Foco revela que os
senadores examinaram um terço a menos de proposições
este ano em comparação com 2005. Em 2006, quando
46 dos 81 senadores disputaram as eleições,
as deliberações caíram à metade
em relação ao ano anterior.
“Não podemos analisar a produção
legislativa apenas do ponto de vista quantitativo. Mas não
deixa de ser um dado. O mais importante, no entanto, é que
perdemos este ano, por causa da crise Renan, a oportunidade
de dialogar com a sociedade e aprovar matérias de
interesse nacional”, pondera o líder do PSB,
Renato Casagrande (ES).
Entre os últimos meses de fevereiro e dezembro, os
senadores apreciaram 1.192 proposições (das
quais, 1.112 foram aprovadas), como projetos de lei e de
resolução, propostas de emenda à Constituição,
entre outras iniciativas.
Por causa da convocação extraordinária,
o ano legislativo de 2005 se estendeu até fevereiro
do ano passado. Durante todo o período, 1.881 itens
foram apreciados. Ou seja, entre os dois anos, houve uma
queda de 36,36% nas deliberações.
Apesar disso, em 2006, a paralisia legislativa foi maior.
De fevereiro a dezembro, os senadores analisaram 972 propostas,
isto é, 48,33% a menos do que no ano anterior. “Na
eleição, o senador fica praticamente afastado.
Vota-se a cada 15 dias apenas para justificar que o Senado
continua operando”, observa o líder da minoria,
Demóstenes Torres (DEM-GO), ele próprio candidato
derrotado ao governo de Goiás nas últimas eleições.
Renan X eleições
Os índices não se diferenciam muito mesmo
quando o período analisado compreende apenas os meses
que vão de maio a novembro, intervalo que coincide
tanto com a crise envolvendo Renan, em 2007, quanto com a
campanha eleitoral, em 2006.
Enquanto o então presidente do Senado era bombardeado
por denúncias e processos no Conselho de Ética,
os senadores votaram 939 matérias. Um aumento de 31,33%
em relação ao mesmo período do ano passado, época
em que a Casa analisou 715 proposições.
Em 2006, quando 27 das 81 cadeiras do Senado estavam jogo,
46 senadores disputaram as eleições: 22 se
candidataram a governador, 13 tentaram a reeleição,
dois se candidataram à Presidência da República,
dois a vice-presidente, três a vice-governador, dois
concorreram à vaga de deputado estadual e outros dois à de
federal.
Como as eleições do próximo ano são
municipais, os senadores acreditam que não há motivo
para que a paralisia se repita nos próximos 12 meses. "Não
há há razão para que isso ocorra",
diz Demóstenes. "A eleição municipal é muito
curta e poucos senadores serão candidatos", completa
o líder do PMDB, Valdir Raupp (RO).
Quando a comparação sobre a produção
legislativa diz respeito apenas aos anos não eleitorais,
os números denunciam o desgaste provocado pela crise.
Entre maio e novembro de 2005, os senadores examinaram 1.209
propostas, 22,33% a mais do que no mesmo período em
2007 (veja
o quadro).
Compensação
“Este ano foi um momento péssimo para o Senado.
A culpa não é só de Renan. Os senadores
contribuíram para isso, absolvendo-o por corporativismo.
Mas, até para compensar esse lado oculto, a Casa acabou
trabalhando”, avalia Demóstenes, um dos principais
defensores da cassação do alagoano.
Para Casagrande, a crise desencadeada pelas sucessivas denúncias
contra Renan encobriu toda a produção legislativa
dos senadores e impediu a votação de matérias
importantes.
“Deveríamos ter votado, por exemplo, a liberação
de mais recursos para a saúde, a emenda constitucional
que altera a ordem de pagamento dos precatórios, o
fim do voto secreto e a reforma política”, considera.
Crise e CPMF
Um dos principais aliados de Renan durante toda a crise,
o líder do PMDB acredita que o desgaste para a instituição
com as denúncias contra o ex-presidente da Casa não
foi tão grande assim. “As crises com parlamentares
são passageiras; a instituição é duradoura”,
afirma Valdir Raupp.
Na avaliação de Raupp, o Senado soube trabalhar
em meio à crise e só não deliberou mais
por culpa dos desentendimentos entre governo e oposição
em torno da prorrogação da CPMF.
“Não chegou a haver paralisia durante a crise.
Houve maturidade. O que dificultou não foi Renan,
mas a CPMF, que emperrou as votações inclusive
na Câmara”, destaca o líder peemedebista.
Durante quatro semanas, os deputados da base governista
se recusaram a votar as medidas que obstruíam a pauta
da Casa para evitar que elas atrapalhassem a análise
da proposta que prorrogava a cobrança da contribuição.
Pauta eterna
Valdir Raupp diz ter a receita para que o Senado recupere
sua imagem logo na retomada dos trabalhos legislativos, em
fevereiro: a aprovação imediata das reformas
tributária e política. “Não há mais
como convivermos com essa carga tributária elevada.
Precisamos dar uma resposta imediata à sociedade”,
acredita.
Disposição por parte da oposição
para reagir à crise não faltará, garante
Demóstenes. “Temos de retomar a agenda positiva,
votando projetos importantes da área da segurança
pública, discutir a reforma tributária e aprovar
nem que seja um arremedo de reforma política, estabelecendo,
por exemplo, o fim dos suplentes no Senado”, defende.
Apesar de considerar que a Casa passou da depressão,
com a crise Renan, à euforia, por causa da derrubada
da CPMF, o líder oposicionista avalia que 2007 será lembrado
como um dos anos mais tristes da história do Senado
brasileiro. “A crise mostrou que o acobertamento de
atos delituosos de senadores só piorou a imagem já degradada
da instituição”, afirma.
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Gazeta do Povo, 25 de dezembro
de 2007
BRASIL | LEGISLATIVO
Deputado novato é o
campeão de projetos no Congresso
Maranhense apresentou 132
propostas, 108 criando aposentadorias especiais
Brasília – O deputado Cléber Verde
(PRB-MA) pode ser desconhecido do público e até mesmo
de vários de seus colegas no Congresso, mas, se
depender do número de projetos apresentados, o parlamentar
de primeiro mandato é símbolo de trabalho
e de empenho no Legislativo. Foram 132 propostas no ano,
mais que o triplo do segundo e terceiro colocados, Carlos
Bezerra (PMDB-MT) e Sandes Júnior (PP-GO), com 42
e 41 projetos, respectivamente.
Entre as propostas de Verde destacam-se 108 projetos muito
semelhantes, que criam aposentadoria especial para quem
trabalha em situação de risco. As principais
diferenças são as categorias de profissionais
contemplados, como funcionários de fábricas
de pilhas, motos e adubos. Se fossem unificados, certamente
facilitariam a tramitação no Congresso, mas
a produção do deputado cairia significativamente.
Outro projeto de Cléber Verde prevê a inclusão
de legendas em filmes e peças de teatro nacionais.
“Entendo que estou contribuindo, fazendo minha parte.
Eu acho que algumas leis ainda precisam ser apresentadas
e nisso estamos trabalhando”, promete Verde, revelando
que aproveitou no Congresso vários projetos de quando
foi vereador em São Luís.
Para o diretor do Departamento Intersindical de Assessoria
Parlamentar (Diap), Antônio Augusto Queiroz, a apresentação
de projetos em excesso é natural para parlamentares
estreantes, “que trazem uma porção
de idéias na cabeça”. Queiroz observa,
porém, que a maior parte desses projetos não
dará em nada porque falta bagagem e peso político
ao autor para negociá-lo com os colegas e também
porque, diante do volume de propostas, o parlamentar não
tem condições de dar andamento satisfatório
a elas durante a legislatura.
“Isso demonstra a ansiedade de aparecer, na medida
em que nenhum parlamentar consegue tocar seriamente tantos
projetos”, afirma.
Apesar da liderança de um novato, o “ranking” de “campeões” de
projetos mostra que seis dos dez maiores propositores são
veteranos, como Mendes Thame (PSDB-SP) e Valdir Colatto
(PMDB-SC). No geral, há poucos deputados influentes
entre os “campeões”.
“Aqueles que mesmo sem ser estreantes continuam
com muitos projetos normalmente não têm o
devido espaço na imprensa para falar ao eleitor.
Então, tentam ser percebidos pela divulgação
desses projetos na Voz do Brasil, por exemplo. É uma
forma de dar satisfações, mesmo que os projetos
não passem, já que isso depende da negociação,
que é feita pelos mais influentes”, analisa
Queiroz.
O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) que, apesar de estar
sempre sob os holofotes só apresentou um projeto
no ano, afirma que o predomínio das propostas do
Poder Executivo, como medidas provisórias, desestimula
os parlamentares mais experientes e que conhecem o funcionamento
da Casa.
“Quando o deputado entra talvez tenha uma ilusão,
uma expectativa. Mas quando percebe que 80%, 90% dos projetos
aprovados são do Executivo, ele reflui, baixa a
guarda. Se você conseguir aprovar um projeto em quatro
anos, é um milagre”, brinca.
Jungmann confirma que alguns deputados – em busca
de volume de projetos e sem muita criatividade – pedem
para que a consultoria da Câmara, formada por servidores
especializados, arrume propostas.
“Tem exatamente isso. Sobretudo entre o parlamentar
de baixo clero, que está ligado ao grotão
do interior ou à periferia das grandes cidades.
Há a visão de que conta dizer ao eleitorado
que ele fez projeto para isso, para aquilo”, explica.
O vice-campeão de projetos Sandes Júnior
parece não se preocupar com as críticas.
O deputado – que propôs a isenção
de IPI de automóveis para corretores de imóveis – conta
com orgulho que foi um dos que mais teve projetos sancionados
na última legislatura.
“Eu teria até mais projetos para apresentar
este ano, mas deixei para o ano que vem. A intenção é continuar
apresentando”, diz.
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O Estado do Paraná,
25 de dezembro de 2007
Congresso Nacional só volta
a funcionar depois do Carnaval
Brasília - Os deputados e senadores só voltam ao Congresso
Nacional após o Carnaval de 2008. A sessão solene de reabertura
dos trabalhos legislativos está marcada para o dia 6 de fevereiro,
na Quarta-feira de Cinzas, às 16 horas.
Ao retomar os trabalhos, deputados e senadores terão
uma pauta repleta de matérias que ficaram pendentes
de deliberação este ano, principalmente em
função da votação da proposta
de emenda à Constituição que prorrogava
a cobrança da Contribuição Provisória
sobre Movimentação Financeira (CPMF).
Os deputados começam a semana de 11 a 15 de fevereiro
com a pauta de votações trancada por seis
medidas provisórias e três projetos de lei
com pedido de urgência constitucional vencidos.
A primeira MP na pauta de votações é a
395, que abre crédito extraordinário em favor
de diversos órgãos do Poder Executivo, no
valor de R$ 3,2 bilhões. Essa MP começou
a trancar a pauta de votações da Câmara
em 12 de novembro e não foi votada para evitar o
trancamento da pauta de votações do Senado,
o que dificultaria a votação da CPMF.
A última votação de matéria
legislativa na Câmara foi no dia 20 de novembro,
quando os deputados rejeitaram emendas aprovadas pelo Senado à MP
388, que dispõe sobre o funcionamento do comércio
aos domingos e feriados.
A partir de 21 de novembro, a base aliada do governo passou
a obstruir as votações de plenário
para impedir que MPs fossem votadas e passassem automaticamente
a trancar a pauta de votações do Senado e
prejudicasse a votação da CPMF.
Todo esforço feito na Câmara para impedir
as votações tinha o objetivo de facilitar
a aprovação da CPMF.
Com a rejeição da CPMF pelos senadores,
nem o Orçamento-Geral da União para o ano
que vem pode ser votado. A votação da proposta
orçamentária estava marcada para o dia 20
de dezembro. Mas o orçamento terá que ser
refeito, para se adequar à perda de cerca de R$
40 bilhões da arrecadação da CPMF.
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Folha de São Paulo,
25 de dezembro de 2007
Exportador tem menor ganho
desde 1985
Apesar do avanço em dólar
nas vendas externas, receita em reais cai em razão
do câmbio; embarque de industrializados já é afetado
Estudo da Fiesp indica que um terço
dos exportadores enfrenta redução de rentabilidade
em reais; entidade pede desoneração
CLÁUDIA TREVISAN
DA REPORTAGEM LOCAL
A valorização do real em relação
ao dólar diminuiu a rentabilidade dos exportadores
ao menor patamar em duas décadas e já começa
a afetar os embarques de produtos industrializados, como
celulares, automóveis e motores de carros.
Apesar de as exportações terem batido recorde em outubro,
com US$ 15,76 bilhões, a receita obtida pelos exportadores em
reais foi inferior à registrada em junho de 2004, quando os
embarques foram de apenas US$ 9,4 bilhões, mostra estudo da
Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo) obtido pela Folha.
Nesse período de 41 meses, a cotação do dólar
saiu de R$ 3,11 para R$ 1,80, o que encolheu a quantidade de reais
para cada dólar que termina no caixa das empresas. Em outubro,
os exportadores conseguiram receita de R$ 28,38 bilhões, menos
que os R$ 29,24 bilhões obtidos em meados de 2004.
" No acumulado de janeiro de 2003 até novembro de 2007, o real ganhou
cerca de 47% em relação ao dólar, anulando os benefícios
da alta dos preços internacionais para o exportador", diz o estudo
da Fiesp.
O índice de rentabilidade das exportações calculado
pela Funcex (Fundação Centro de Estudos do Comércio
Exterior) atingiu em novembro 78,07, o menor patamar desde janeiro
de 1985, quando o indicador começou a ser calculado. Um ano
antes, o índice estava em 85,35. Em junho de 2004, com o dólar
a R$ 3,11, foi de 107,42.
" Alguns exportadores de manufaturados têm registrado perdas, porque
não conseguem compensar a valorização do real com aumento
de preços", observa Fernando Ribeiro, economista-chefe da Funcex.
O estudo da Fiesp indica que um terço dos exportadores enfrenta queda
de sua rentabilidade em reais.
O principal efeito desse movimento é a desaceleração
do ritmo de expansão das exportações. Roberto
Giannetti da Fonseca, diretor do Departamento de Relações
Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, acredita que as
vendas podem registrar queda dentro de 18 meses. Ele ressalta que a
alta nas exportações é sustentada pelo aumento
de preços. As quantidades exportadas têm crescido em ritmo
inferior ao do comércio mundial e, em alguns setores, estão
em queda.
José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação
de Comércio Exterior do Brasil, observa que o número
de carros embarcados até outubro caiu 6,9% ante igual período
de 2006. A receita subiu 0,3% em razão do aumento dos preços.
Para 2008, Castro prevê forte desaceleração nas
exportações, com expansão de apenas 5%. O ano
de 2007 deve fechar em alta de 16%, patamar semelhante ao de 2006.
" Se o dólar estivesse em R$ 2,50, o crescimento das exportações
neste ano seria de 22%", diz Pedro Pedrossian Neto, supervisor de Análise
Econômica do Comércio Exterior da Fiesp.
A lista de produtos que mais perderam receita nas exportações é liderada
pelos celulares. Pedrossian afirma que foram R$ 2 bilhões a
menos no período de novembro de 2006 a outubro de 2007 em relação
aos 12 meses anteriores. Em seguida aparecem óleo e gasolina
(R$ 1,1 bilhão a menos) e veículos (R$ 969 milhões
a menos).
Para compensar a perda de competitividade provocada pela alta do real,
a Fiesp propõe a desoneração tributária
de investimentos em logística, o que envolve portos e ferrovias.
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Folha de São Paulo,
25 de dezembro de 2007
Câmbio afeta bens de
alta e baixa tecnologia
DA REPORTAGEM LOCAL
O estudo da Fiesp (Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo) indica que a valorização
do real em relação ao dólar afetou
as exportações dos dois extremos da indústria
e reduziu a rentabilidade das vendas de produtos de baixa
e de alta tecnologia. Os setores de intensidade tecnológica
mediana foram menos afetados.
No período de novembro de 2006 a outubro de 2007, as exportações
de bens de alta tecnologia, como celulares e produtos de informática,
tiveram alta de 3,84% em dólares em relação aos
12 meses anteriores. Quando medidas em reais, as vendas registraram
queda de 5,09% no mesmo período.
Os bens de baixa tecnologia enfrentaram diminuição de
0,98% de sua receita em reais, enquanto o valor das vendas em dólares
aumentou 8,17%. Nesse segmento, estão incluídos têxteis,
calçados e processados de madeira.
No caso do setor de média-baixa intensidade tecnológica,
houve elevação dos valores recebidos em dólares
e em reais, ainda que em patamares distintos. A renda dos exportadores
em dólar subiu 23,48% no período de novembro de 2006
a outubro de 2007 em relação aos 12 meses anteriores.
Em reais, o aumento foi de 12,49%. (CT)
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Folha de São Paulo,
25 de dezembro de 2007
Brasil lidera em gasto com
Previdência
Estudo põe país em
1º lugar empatado com outros cuja estrutura etária é mais
velha, o que justificaria despesa mais elevada
Pesquisador do Ipea leva em conta fatores
como gasto em relação ao PIB, idade mínima
para se aposentar e percentual de idosos
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
O Brasil encabeça a lista de países que
mais gastam com a Previdência no mundo, ao lado de
nações como Áustria, Polônia,
Suíça e Uruguai, cuja estrutura etária
da população é mais envelhecida -o
que, em tese, justificaria uma despesa maior.
A conclusão é de estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada), que considera novos fatores além
do tradicional "gasto como proporção do PIB".
O novo critério leva em conta também fatores como idade
mínima para aposentadoria, alíquotas de contribuição,
percentual de idosos em relação à população
em idade ativa e a proporção de contribuintes na força
de trabalho.
" O Brasil é um ponto fora da curva. Tem um gasto muito alto para
as suas características. Se um país tem muitos idosos, é aceitável
que tenha uma despesa maior, mas não é o caso do Brasil",
diz o pesquisador do Ipea Marcelo Caetano, autor do estudo, realizado em parceria
com Rogério Miranda, também pesquisador do instituto.
O total de idosos com mais de 65 anos corresponde, no Brasil, a 9,1%
da força de trabalho do país (pessoas de 15 anos a 65
anos). Na Áustria, a proporção chega a 24,2%.
No vizinho Uruguai, a 21,2%. Ou seja, são países mais "envelhecidos",
onde a despesa da Previdência tende, naturalmente, a ser mais
alta.
Pela medida mais usual e também considerada no estudo, o gasto
previdenciário do Brasil corresponde a 11,7% do PIB. É o
14º mais elevado do mundo segundo esse conceito, atrás
de países como Itália (17,6%), Ucrânia (15,4%)
e Uruguai (15%). Mas, na Itália, por exemplo, os idosos com
mais de 65 anos representam 29,7% das pessoas em idade ativa.
Caetano diz que o objetivo do estudo foi quantificar o gasto da Previdência
de acordo com outras variáveis que justificam ou permitem despesas
maiores. "Se um país tem um número proporcionalmente
maior de contribuintes e alíquota mais elevada de contribuição,
pode gastar mais", pondera. O estudo do Ipea contabilizou como
gasto previdenciário as aposentadorias (inclusive as rurais,
em sua maioria subsidiadas, pois não há a contrapartida
da contribuição), pensões e auxílios-doença.
Benefícios assistenciais, como o concedido a idosos carentes
que não contribuíram e deficientes, não foram
computados. Segundo o Ministério da Previdência, os gastos
desses benefícios chegaram a R$ 12 bilhões de janeiro
a outubro deste ano -alta de 12,8% ante igual período de 2006.
No acumulado deste ano até outubro, o déficit da Previdência
(exclui setor público) atingiu R$ 39 bilhões -0,5% menos
do que no mesmo período de 2006.
Segundo Caetano, o estudo mostra que o Brasil "possui um sistema
muito oneroso e muito generoso ao mesmo tempo".
"Insustentável"
Caetano justifica sua posição com vários argumentos:
o tempo de contribuição no país é muito
curto diante do período que o segurado recebe o benefício,
o valor das aposentadorias é alto em comparação
com a renda média e há um carga elevada de subsídios
-pessoas que recebem sem ter contribuído.
" No Brasil, há quem contribua por 30 anos e receba o benefício
por mais 30 anos. Isso é insustentável."
Por isso, Caetano defende uma idade mínima para a aposentadoria,
como em outros países. A medida, diz, aumentaria o tempo de
contribuição. Sugere ainda um redutor para as pensões
por morte, a exemplo do que ocorre em outros regimes -hoje, elas são
integrais.
" O problema é que o Brasil tem um sistema previdenciário
muito carregado de subsídios. Mistura assistência social com Previdência,
o que não acontece nos outros países", diz o economista Raul
Velloso, especialista em contas públicas.
Caetano aponta como problema a vinculação dos benefícios à correção
do salário mínimo. "O ganho real expressivo do mínimo
nos últimos anos gera uma pressão adicional."
Velloso vê o mesmo obstáculo e diz que uma das soluções
para reduzir o déficit é congelar os reajustes reais
do mínimo. Ele defende o aumento do tempo de contribuição
e a redução dos benefícios mais altos.
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Folha de São Paulo,
25 de dezembro de 2007
Nova tabela do INSS já valerá para
janeiro
MARCOS CÉZARI
DA REPORTAGEM LOCAL
A nova tabela de contribuições ao INSS (Instituto
Nacional do Seguro Social) já valerá para os
recolhimentos referentes a dezembro que forem feitos a partir
de 1º de janeiro. A tabela será usada para o
recolhimento das contribuições previdenciárias
dos trabalhadores assalariados, inclusive os domésticos.
Segundo a assessoria de imprensa da Previdência Social, a nova
tabela deverá ser divulgada nesta semana. Ela terá três
faixas, em vez das quatro atuais. As alíquotas de 7,65% e 8,65%
serão elevadas para 8% e 9%, respectivamente, devido ao fim
da CPMF (o tributo do cheque) a partir de 1º de janeiro.
Assim, a nova tabela será esta: salário-de-contribuição
até R$ 868,29 terá alíquota de 8%; de R$ 868,30
até R$ 1.447,14, a alíquota será de 9%; e de R$
1.447,15 até R$ 2.894,28 será de 11%.
O aumento das alíquotas é necessário para compensar
o fim da CPMF -durante a vigência do tributo, as alíquotas
para rendimentos até R$ 1.140, ou três salários
mínimos, tiveram de ser reduzidas para que não houvesse
pagamento a mais (é que sobre o pagamento das contribuições
era cobrado o tributo do cheque). Para salários acima de R$
1.140, nada muda, uma vez que eles não tinham isenção
da CPMF.
A partir de janeiro, sem a CPMF, as alíquotas voltam a aumentar.
Os acréscimos variam conforme o salário do trabalhador,
mas são pequenos -de R$ 1,33 a R$ 3,99 por mês, ou R$
17,29 a R$ 51,87 por ano, incluindo a contribuição do
13º salário.
Tabela atual
A alteração das alíquotas a partir de 1º de
janeiro provoca uma situação atípica no caso de
empresas e de empregadores domésticos que quiserem recolher
as contribuições deste mês de seus empregados entre
amanhã e sexta-feira -último dia para pagamento neste
ano (no dia 31, os bancos não abrem).
É que, nesse caso, a CPMF ainda estará em vigor. Assim, o pagamento
terá de ser feito pela tabela atual (ver a seção "Indicadores
Econômicos", neste caderno), com alíquotas de 7,65% e 8,65%,
devido à cobrança da CPMF.
Para os contribuintes individuais (facultativos, empresários/empregadores
e autônomos), nada muda, uma vez que, para eles, não houve
redução de alíquotas durante a vigência
da CPMF.
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Última Instância,
25 de dezembro de 2007
Construtor devolverá dinheiro
a cliente que teve prejuízo com obra inacabada
Um construtor terá que restituir cerca de R$ 17.200 a um cliente
que teve vários prejuízos devido à obra inacabada
de sua casa. Por decisão do juiz da 2ª Vara Cível
de Brasília, Manoel de Jesus Santana também foi condenado
a pagar ao autor R$ 9.600 referentes à multa contratual, mais
R$ 10 mil a título de dano moral.
Segundo o processo, Ubirajara Gusmão Sobrinho Júnior
celebrou contrato de construção de imóvel
residencial com o construtor, com fornecimento de mão-de-obra
no valor de R$ 48 mil, que seria paga em oito cheques pós-datados.
Diante da insatisfação com o trabalho, o autor
resolveu suspender, em outubro de 2006, o pagamento ao empreiteiro,
que ficou mais lento em função dessa atitude,
apesar de já ter recebido a quantia de R$ 35.520. Por
conta da lentidão com que andava a obra, teve de arcar
com os prejuízos da construção.
O juiz, ao decidir a causa, afirmou que por se tratar de direitos
disponíveis, entende serem verdadeiras as alegações
do autor quanto à matéria de fato, já que
não houve resposta no prazo legal, motivo pelo qual
decretou a revelia, nos termos do artigo 319 do Código
de Processo Civil.
Ainda de acordo com o magistrado, o pedido merece prosperar
já que a documentação do processo, mais
o alegado na petição inicial comprovam o descumprimento
contratual e o recebimento das quantias pelo réu, somados
aos sérios aborrecimentos suportados pelo autor. Ainda
cabe recurso da decisão.
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