 |
Agência Diap, 26
de dezembro de 2007
BALANÇO ECONÔMICO
Retrospectiva 2007 da economia do Brasil
Por: Guilherme Delegado*
As editorias, refletindo a natural curiosidade do leitor, estão ávidas
neste final de ano por um balanço retrospectivo da economia brasileira,
de preferência descomplicado e sem muito “economês”.
As perguntas implícitas seriam mais ou menos estas: como estamos
(quem?) indo na economia e como se explica a situação presente.
A perspectiva para um futuro próximo (2008) ficaria para um outro
artigo, embora algo já se possa deduzir da análise da conjuntura
atual.
Com relação à primeira pergunta
pode-se dizer que caminhamos melhor no rumo do crescimento
da produção e do emprego em 2007, agora
que metas de Produto Interno Bruto (PIB) são perseguidas
pelo Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC) - enquanto que no primeiro Governo Lula somente
havia a meta de estabilização monetária
do Banco Central (meta de inflação), como
uma espécie de “samba de uma nota só” da
política macroeconômica. Mas aqui é preciso
fazer um pequeno esclarecimento: o emprego formal vem
crescendo fortemente desde 2001, com taxas de incremento
substancialmente mais altas que as do PIB.
Há um processo de formalização
da força de trabalho (que já dura sete
anos), em geral de baixos salários e precárias
condições de trabalho (até 3 salários
mínimos), que este ano incrementará mais
de 2 milhões de novos segurados ao INSS. Mas este é um
resultado até certo ponto inesperado do PAC, que
também não contempla metas de emprego,
seja formal, seja informal. Este assunto (metas de emprego)
também não entrou na agenda do Fórum
Nacional da Previdência, encerrado em outubro de
2007. Provavelmente o crescimento econômico continuado
sustentará este movimento, como o fez em 2007
(o PIB deverá crescer a 5% ao ano e o emprego
formal a taxa ligeiramente superior).
Ciclo virtuoso
Tudo indica que há outras causalidades, que não cabem
aqui tratar, que de certa forma explicam este ciclo virtuoso de recuperação
do emprego formal. O lado não tão virtuoso desse ciclo
são as condições de trabalho dos novos segurados,
que ao que tudo indica padecem de processos de super-exploração,
medidas pelas condições de morbidade que se observam
nas perícias do INSS.
Um outro lado importante da análise retrospectiva é o
chamado setor externo da economia, cuja síntese
se expressa pela chamada “conta corrente” com
o exterior. Aqui, os resultados de 2007 significam clara
sinalização de luz amarela. Deve cair o
superávit comercial em 3 bilhões de dólares
a menos daquilo que foi no ano passado (em números
redondos, US$ 38 bilhões em 2007 contra US$ 41
bilhões em 2006), enquanto que as remessas para
o exterior de juros, lucros, dividendos, assistência
técnica, “outros serviços”,
etc, devem se elevar. Isto pode significar que em muito
pouco tempo a nossa conta corrente com o exterior passaria à situação
deficitária. Esta situação foi revertida
em 2003, depois do país acumular pesadíssimos
passivos externos durante os governos FHC, principalmente
no primeiro governo, quando o regime cambial favorecia
o déficit externo.
O Brasil reverteu a situação externa,
mas o fez sustentado basicamente pela expansão
das exportações de bens primários.
Deixou de depender de dívida externa para fechar
seu balanço de pagamentos e hoje se jacta de financiar
a dívida externa norte-americana, aplicando suas
caras reservas (financiadas por títulos a juros
da dívida interna) em títulos baratos do
Tesouro norte-americano, que apresentaram juros reais
negativos em 2007 se considerarmos que a desvalorização
do dólar face as demais moedas-fortes superou
em muito a taxa básica de juros norte americana
(ao redor de 4% ao ano).
Receitas provisórias
x despesas permanentes
Outro campo em que os “equilíbrios precários” se
alteraram é na economia fiscal e desta para sua relação
com a dívida interna. A Emenda Constitucional do Fundo Social
de Emergência, que data de 1994 (quando o presidente era Itamar
Franco e o seu ministro da Economia era FHC), sendo sucessivamente
prorrogada com outros nomes (primeiro Fundos de Estabilização
Fiscal e por último, Desvinculação de Receitas
da União - DRU) promovia e ainda promove a retirada de 20% de
todos os tributos vinculados a alguma aplicação pré-estabelecida,
devolvendo-os ao caixa geral do Tesouro para “livre” aplicação
(leia-se recursos para gerar superávit-primário, que
pagam juros da dívida interna).
Posteriormente, por pressão das circunstâncias
e ação concertada pelo então ministro
da Saúde Adib Jatene, cria-se o IPMF (Imposto
Provisório Sobre a Movimentação
Financeira), posteriormente convertido em Contribuição – a
CPMF - e prorrogada sucessivamente até 31 de dezembro
de 2007, sendo destinada originalmente à área
da Seguridade Social.
Este rememorar dos arranjos tributários recentes é para
lembrar o leitor de que neles havia um certo equilíbrio
precário. Para usar uma expressão antiga,
completamente apropriada, era um acordo provisório
de economia política. De um lado a DRU, extraindo
recursos da área social para o superávit
primário. De outro, a CPMF, devolvendo parte desses
recursos (pois ela própria também é taxada
pela DRU) para o Orçamento da Seguridade Social.
Superávit intocável
O mentor desse equilíbrio precário - o ex-presidente
Fernando Henrique - resolveu liderar um processo do tipo “puxar
a escada”: derrotou a CPMF no Senado. Agora, o Governo procura
no escuro os recursos da Seguridade Social para 2008 e, de tesoura
em punho, prenuncia cortes de recursos em todas as áreas, exceto
uma. Os recursos do superávit primário dependem da aprovação
da Emenda da DRU, que também vence no último dia de 2007.
Parecem ser os únicos sagrados, para os a quais não há divergência
governo-oposição e praticamente nenhuma análise
isenta da grande mídia.
Finalmente, os recursos para investimento em energia,
que em quase nada dependem do orçamento fiscal
e da Seguridade, devem continuar bancados pela Petrobras,
BNDES, empresas do setor elétrico e parcerias
público-privadas recém vitoriosas no leilão
das hidroelétricas do Rio Madeira.
Em síntese, o ano de 2007 mostra um crescimento
do PIB e do emprego formal (no entorno dos 5% ao ano),
mas revela sinais preocupantes de precarização
das condições de trabalho. Mostra ainda
um setor externo com sinal amarelo, que poderá ir
a vermelho se houver recessão nos Estados Unidos.
No setor doméstico, a manobra da extinção
da CPMF e a manutenção da DRU sinalizam
um péssimo estilo da nossa elite para resolver
os seus dilemas: privatizam-se benefícios e socializam-se
perdas.
(*) Guilherme Costa Delgado é doutor
em economia pela Unicamp e consultor da Comissão
Brasileira de Justiça e Paz. Este texto foi capturado
do sítio Correio da Cidadania. Os intertítulos
são do DIAP.
|
Agência Brasil, 26
de dezembro de 2007
Lupi diz que cabe à comissão
decidir sobre incompatibilidade
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse nesta
terça (25), que cabe à Comissão de Ética
Pública e à Advocacia-Geral da União
(AGU), ambas ligadas à Presidência da República,
resolverem se existe incompatibilidade dele ocupar o comando
do ministério e a presidência do Partido Democrático
Trabalhista (PDT), ao mesmo tempo.
Segundo Lupi, a AGU sugeriu há cerca de 15 dias a suspensão
do processo na comissão, que já havia recomendado que deixasse
o ministério ou a presidência do partido. Os integrantes
da comissão argumentam que o acúmulo dos cargos contraria
princípios éticos e gera conflito de interesses. Porém
o presidente da comissão, Marcílio Marques Moreira, informou,
no dia 21, que o órgão vai sugerir ao presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, após o Natal, a demissão de Lupi.
Lupi disse que se a comissão decidiu dar continuidade
ao processo, mesmo após a suspensão solicitada
pela AGU, cabe ao órgão falar sobre o assunto. “Já disse
o que tinha que ser dito. Ela [comissão] é que
tem de responder”, afirmou o ministro.
Depois de receber a recomendação da comissão,
o ministro anunciou que não abrirá mão
da presidência do PDT e nem do ministério.
Só deixará a pasta se o presidente Lula assim
o determinar.
Segundo a comissão, a não-observância à uma
recomendação “configura falta grave”,
o que permite sugerir demissão à autoridade
hierarquicamente superior.
No dia 21, a assessoria da AGU informou também
que um parecer sobre o caso deve ficar pronto em janeiro.
O documento foi solicitado por Lupi. Ainda conforme a AGU,
existe entendimento, a princípio, de que não
haveria problema no acúmulo dos cargos, mas o advogado-geral
da União, José Antonio Dias Toffoli, afirmou
que é necessário estudo aprofundado.
Lupi disse que não conversou sobre o assunto com
o presidente Lula.
|
Agência Brasil, 26
de dezembro de 2007
TSE estima que eleições
de 2008 custarão R$ 600 milhões
As eleições municipais de 2008 custarão
R$ 600 milhões. A previsão é do presidente do
Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio Mello.
Apesar da estimativa, os custos finais das eleições podem
ser menores. Isso porque, segundo Marco Aurélio, o orçamento
das eleições é calculado com recursos adicionais,
para que as votações não dependam de verbas suplementares.
“ Ao longo do ano, vamos buscar diminuir esse valor”,
afirma Marco Aurélio. “Mas isso vai ser feito
sem prejudicar a realização das eleições.” As
eleições do próximo ano, para prefeito,
vice-prefeito e vereador, contarão com uma novidade.
Será testado um sistema piloto de identificação
do eleitor pela impressão digital e pela fotografia.
“Em vez de o eleitor simplesmente apresentar o título,
que não tem foto, ele se identificará pela
palma da mão, pelas impressões digitais e
também por uma fotografia que ficará junto
da folha de eleitores da sessão,” explica
o presidente do TSE.
O TSE já tem 20 mil urnas com o sistema de identificação
por impressão digital, que serão utilizadas
de maneira experimental nos municípios de São
João Batista (SC), Fátima do Sul (MS) e Colorado
do Oeste (RO).Em 2008 deverão também ser
julgados os cerca de 2 mil processos de cassação
de mandato de senadores e deputados estaduais e federais
por infidelidade partidária. Para o presidente do
TSE, será difícil para os parlamentares que
trocaram de partido manter o mandato.
“Não tenho a menor dúvida de que dificilmente
teremos uma justificativa socialmente aceitável
para o troca-troca após os períodos fixados
pelo TSE”, avalia.
|
Congresso em Foco, 26 de
dezembro de 2007
Câmara: 75 parlamentares
faltaram a mais de 25% das sessões
Nada menos que 75 deputados federais faltaram neste ano a mais de 25%
das sessões deliberativas realizadas pela Câmara dos Deputados.
Ao todo, os 540 deputados que exerceram mandato em 2007 registraram 8.943
ausências, ou seja, uma média de faltas de 13,88%. De fevereiro
até a semana passada, eles marcaram presença 55.496 vezes.
Percentualmente, o número de deputados que faltaram
a mais de um quarto das sessões reservadas para
votação de matérias ficou bastante
próximo ao de senadores – cerca de 13% (no
Senado, 11 dos 86 parlamentares que exerceram mandato
no período tiveram mais de 25% de faltas). Mas
o Senado registrou um índice médio de assiduidade
mais baixo que o da Câmara. Os senadores faltaram
em média, neste ano, a 16% das sessões.
Em número absoluto de faltas, os deputados mais
ausentes em 2007 foram: Alberto Silva (PMDB-PI), Mussa
Demes (DEM-PI), Mário Negromonte (PP-BA), Jader
Barbalho (PMDB-PA), Clodovil Hernandes (PR-SP) e Carlos
Wilson (PT-PE) e Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Entre
os mais faltosos, portanto, há dois líderes
de bancada: Mário Negromonte e Henrique Eduardo
Alves.
Os dados foram agregados pelo Congresso em Foco com
base nos registros que a Secretaria Geral da Mesa da
Câmara publica na internet. Os dados foram recolhidos
entre os dias 17 e 18 de dezembro e se referem a 126
sessões deliberativas realizadas desde fevereiro.
Os campeões de faltas
Quando o assunto é faltar, os deputados Ciro
Gomes (PSB-CE) e Enio Bacci (PDT-RS) também se
destacam. Juntamente com Jader e Alberto Silva, eles
aparecem – tanto em termos percentuais quanto em
números absolutos – entre os 20 mais faltosos
quando se adotam dois critérios diferentes: o
total de faltas e o número de faltas não
justificadas. Explica-se: podem ser justificadas as ausências
motivadas por problemas de saúde ou por cumprimento
de missão oficial.
Ciro e Jader têm em comum ainda o fato de não terem apresentado
neste ano nenhum projeto de lei. Jader foi além. Ele nem sequer
subiu à tribuna em 2007 para discursar. Só apresentou
dois pareceres a projetos que renovavam concessões de rádio
e televisão. De sua parte, Ciro apenas solicitou informações
ao Ministério da Justiça e foi relator em proposições
na Câmara. Porém, fez 18 discursos.
Quando se observam os deputados que mais faltaram sem apresentar justificativa,
o campeão é Sandro Mabel (PR-GO), com 25 ausências,
seguido de Wladimir Costa (PMDB-PA), com 24. Ciro e Odílio Balbinotti
(PMDB-PR) empatam na terceira posição, com 21 faltas.
Jader tem 19 ausências, e Alberto Silva, 18.
A assessoria de Mabel atribuiu a baixa assiduidade do deputado às
suas funções de presidente do PR em Goiás. “O
deputado Sandro Mabel esteve atuando diretamente no estado, articulando
o quadro político para as próximas eleições,
dando apoio aos prefeitos do partido e participando de reuniões
e seminários regionais”, informaram seus auxiliares. “Além
da assiduidade no Parlamento, participou efetivamente das principais
discussões em plenário e na comissão do trabalho
como membro titular”.
Os mais assíduos
Dezoito parlamentares despontam entre os mais assíduos. Sete
estiveram presentes a todas as 126 sessões da Câmara.
O “time dos 100%” é composto por Angela Amin (PP-SC),
Jofran Frejat (PR-DF), José Genoino (PT-SP), Jutahy Júnior
(PSDB-BA), Carlos Manato (PDT-ES), Pedro Fernandes (PTB-MA) e Sérgio
Barradas Carneiro (PT-BA).
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) faltou apenas
uma única vez, mas por força constitucional. Segundo
na linha sucessória, ele assumiu a presidência da República
em 30 de outubro, por causa de uma viagem internacional do presidente
Lula e do afastamento do vice, José Alencar, que se recuperava
de uma cirurgia.
Outros dez deputados faltaram apenas uma vez e também se justificaram.
São eles: Antônio Bulhões (PMDB-SP), Ariosto Holanda
(PSB-CE), Emanuel Fernandes (PSDB-SP), Fernando Coruja (PPS-SC), Flávio
Bezerra (PMDB-CE), Guilherme Menezes (PT-BA), Lincoln Portela (PR-MG),
Mauro Nazif (PSB-RO), Pedro Chaves (PMDB-GO) e Roberto Santiago (PV-SP).
Emanuel Fernandes lamenta sua única falta. Ele diz que, em 2
de abril, estava numa visita da Comissão Especial de Estudos
Climáticos da Casa ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
(Inpe). “Um avião teve problema no aeroporto de São
José dos Campos e o local ficou interditado”, conta o
deputado tucano. Fernandes diz valorizar a presença na Câmara. “É importante
para acompanhar as discussões. Sou vice-líder do PSDB
e gosto de estar em plenário, onde eu ajudo o líder,
encaminho as votações”, comenta.
Problemas de saúde
No total de ausências (justificadas ou não), o ex-governador
piauiense Alberto Silva é quem mais se destaca. O mais idoso
parlamentar do Congresso, com 89 anos, é o líder em faltas – tem
83. Segundo sua assessoria, isso ocorreu por razões de saúde.
" O ofício 070 da 3ª secretaria da Câmara licencia o deputado
no período de 28 de novembro até 15 de dezembro e depois de 15
de dezembro ao dia 22 do mesmo mês", explica a assessoria. Antes,
Alberto Silva já tinha tirado outra licença de 120 dias. Por isso
mesmo, a assessoria se irrita com o fato de Câmara ter computado como faltas
as ausências durante o período em que o deputado se encontrava de
licença médica. De acordo com a Secretaria Geral da Mesa, 65 ausências
do deputado foram justificadas.
O gabinete de Alberto Silva culpa a Câmara, ainda, por um dos
problemas de saúde do parlamentar. Segundo seus auxiliares,
ele adquiriu pneumonia no plenário da Casa, devido ao fumódromo
instituído pelo presidente da Casa, Arlindo Chinaglia. “Só que
esqueceram de avisar à fumaça que ela não pode
se espalhar”, ironizou Ricardo Nogueira, assessor de imprensa
do parlamentar.
Logo atrás de Silva, vem Mussa Demes (DEM-PI), com 71 faltas.
O gabinete do parlamentar diz que o deputado sofreu uma cirurgia no
olho devido a um derrame. Apesar disso, quase todas as suas faltas
foram justificadas.
Cassação
Os deputados que faltam a mais de um terço das
sessões estão sujeitos à perda dos
mandatos, segundo o artigo 55 da Constituição.
Em 1989, os peemedebistas Felipe Cheidde (SP) e Mário
Bouchardet (MG) foram cassados por esse motivo. Mas as
regras atuais da Câmara permitem que os deputados
justifiquem suas faltas até o último dia
dos mandatos – ou seja, 31 de janeiro de 2011.
Não estar presente às sessões deliberativas dói
no bolso. Se não participarem de todas as votações
em cada sessão, há desconto proporcional na remuneração
dos deputados, atualmente de R$ 16.512,09. Os deputados que justificarem
posteriormente suas ausências, no entanto, têm direito
a reembolsar o valor descontado.
Confira a lista completa:
http://congressoemfoco.ig.com.br/Noticia.aspx?id=20462
|
Congresso em Foco, 26 de
dezembro de 2007
Apenas duas sessões do
Senado contaram com seus 81 senadores
Apenas duas sessões deliberativas realizadas em 2007 conseguiram
reunir todos os 81 senadores. Trata-se das sessões que envolveram
o ex-presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). É o que
revela levantamento sobre a assiduidade no Senado Federal feito pelo
Congresso em Foco a partir da análise das listas de presença
publicadas pelo Diário do Senado, que é o órgão
oficial da Casa.
Entre 6 de fevereiro e 12 de dezembro deste ano, os senadores
registraram 1.545 faltas nas 119 sessões reservadas
para votações nesse período. Com isso,
a média de ausências do conjunto dos senadores
ficou em 16,05%. Nesse mesmo período, eles anotaram
presença 8.081 vezes.
Depois da dupla absolvição de Renan, as
duas sessões de 12 de dezembro, quando o Senado
elegeu o seu novo presidente, Garibaldi Alves (PMDB-RN),
e em seguida derrubou a proposta que prorrogava a CPMF,
foram as mais disputadas. Somente um senador estava ausente.
Mais ausentes
O senador mais ausente neste ano foi o ex-presidente Fernando
Collor (PTB-AL), que compareceu a apenas 44 sessões
deliberativas. Considerando o total de sessões realizadas
durante o tempo em que ele estava no exercício do
mandato (76), o índice de faltas de Collor foi de
42,11%. O suplente do ex-presidente, o seu primo Euclydes
Mello (PRB-AL), que o substituiu quando Collor se licenciou
do Senado, também não se saiu bem no quesito
assiduidade: teve um índice de faltas de 34,88%
Outros quatro senadores também tiveram percentuais
de ausência acima de 33,33%: Efraim Morais (DEM-PB),
Sérgio Guerra (PSDB-PE), Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR)
e Rosalba Ciarlini (DEM-RN). Em tese, todos eles estão
sujeitos ao disposto no inciso III do artigo 55 da Constituição
Federal. Ele prevê a perda de mandato de todo deputado
ou senador “que deixar de comparecer, em cada sessão
legislativa, à terça parte das sessões
ordinárias da Casa a que pertencer”.
Em tese, porque o mesmo dispositivo estabelece que não
são computadas as faltas, para efeito de aplicação
da pena de cassação, quando o parlamentar
se encontrar em licença médica ou em missão
oficial. O Senado não divulga informações
relativas às licenças ou missões dos
senadores, mas tem por tradição agir com
extrema liberalidade na aceitação de justificativas
para faltas.
Somente dois senadores titulares (ou seja, não
eleitos como suplentes) tiveram um número de presenças
menor que o de Collor: Alfredo Nascimento (PR-AM), que
se licenciou do mandato em março de 2007 para assumir
o cargo de ministro dos Transportes; e Antonio Carlos Magalhães
(DEM-BA), que faleceu em julho.
Os mais assíduos
O senador mais assíduo neste ano foi Marco Maciel
(DEM-PE), que compareceu a 113 das 119 sessões deliberativas
realizadas até o último dia 12. Ele foi seguido
por Flexa Ribeiro (PSDB-PA), que participou de 112 sessões;
e por Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), Valter Pereira
(PMDB-MS) e Leomar Quintanilha (PMDB-TO), que participaram
de 111 sessões destinadas a votação
de matérias.
Os senadores Edison Lobão (PMDB-MA) e Romero Jucá (PMDB-RR),
líder do governo no Senado, vieram logo atrás,
cada um com 110 presenças.
Em termos proporcionais, o mais assíduo foi Gim
Argello (PTB-DF), que participou de 54 das 56 sessões
realizadas durante o período em que exerceu o mandato.
Primeiro suplente do ex-senador Joaquim Roriz (PMDB-DF),
que renunciou ao cargo após ser acusado de corrupção,
Gim teve somente 3,57% de faltas.
O segundo mais assíduo, proporcionalmente, foi
o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que participou
de 70 das 73 sessões realizadas durante o período
em que esteve no exercício do mandato. Seu índice
de ausências foi de 4,11% (menor, inclusive, que
os 5,04% obtidos por Marco Maciel).
Irritação não
falta
Campeão em ausências, Collor reagiu com irritação
ao resultado do levantamento. “Não tenho que
justificar nada das minhas presenças e ausências”,
respondeu. Ao ser questionado sobre a importância
de estar presente no Senado, o ex-presidente manteve a
rispidez. “Não é questão de
ser mais ou menos importante. Se você quiser saber
esses números, procure um assessor parlamentar”,
disse ele à repórter.
Mozarildo Cavalcanti afirmou que não possui faltas
e sim “ausências”. Segundo sua assessoria,
o parlamentar estava a trabalho em seu estado, a serviço
do próprio Senado. Como integrante de uma comissão
externa da Comissão de Relações Exteriores,
explica o gabinete, o petebista fez várias viagens à reserva
indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, área
de conflito entre agricultores e índios.
Assessores do parlamentar informaram que o senador já está com
o relatório pronto e que deverá apresentá-lo
em breve na comissão. A assessoria de Mozarildo
pediu para que não fosse usado o termo “falta” para
o senador e reclamou que o Diário do Senado não
faz distinção entre as ausências justificadas
e aquelas que não têm justificativa, ao contrário
do que ocorre na Câmara, que divulga esses dados
na internet.
Transparência
Em entrevista, o novo presidente da instituição,
Garibaldi Alves (PMDB-RN), reconheceu que o Senado precisa
ser mais transparente em suas ações. “A
Câmara já avançou nesse processo mais
que o Senado”, disse Garibaldi, sinalizando que pretende
instituir um sistema de prestação de contas
dos senadores na internet, com informações
sobre freqüência e gastos de verba de gabinete,
entre outros dados cruzados.
Para obter os dados sobre a assiduidade dos senadores, a reportagem
teve de consultar todas as edições do Diário do
Senado, fonte de informação indicada pela Secretaria
Geral da Mesa. O período pesquisado foi de 6 de fevereiro a
4 de dezembro, quando havia edições disponíveis
para consulta na página da Casa. Além desses, a reportagem
inseriu a sessão de 12 de dezembro, quando houve a eleição
de Garibaldi e a votação da CPMF.
Como o Diário Oficial não traz a lista dos ausentes,
mas apenas a dos presentes, foi necessário cruzar a relação
entre os senadores no exercício do mandato para encontrar os
faltosos. Enquanto isso, na página da Câmara na internet, é possível
saber o número de faltas acumuladas por cada deputado e quantas
delas foram justificadas.
Credibilidade
Um dos senadores mais assíduos, Alvaro Dias (PSDB-PR)
critica o que ele chama de falta de transparência
do Senado. “O PSDB enviou uma carta ao novo presidente
do Senado, o Garibaldi Alves, em que faz uma série
de condições para apoiá-lo. Uma delas é a
transparência”, declara.
“ A transparência é uma das formas de buscarmos a credibilidade
da Casa que foi perdida. E nesse caso da assiduidade, é importante mostrar
para que a população possa distinguir o trabalho de cada senador”,
acrescenta.
Para o senador Valter Pereira (PMDB-MS), outro com um dos maiores índices
de presença, revelar os dados sobre a assiduidade de cada parlamentar é “o
mínimo que o Senado deve fazer”. “Informar sobre
as faltas é necessário para manter o eleitor sempre a
par do trabalho dos senadores”, completa Pereira.
Joio do trigo
A senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), que aparece
entre os que mais faltaram no Senado, também defende
que a Casa seja mais aberta e facilite a liberação
de dados que podem ser importantes para o eleitor avaliar
o mandato de seus eleitos. “Qualquer cidadão
deve ter acesso aos dados do seu parlamentar. Até para
que não se confunda quem está ausente por
falta de interesse ou por motivos justificados, como foi
o meu caso”, explica a senadora.
Patrícia, que faltou a 31,09% das sessões
deliberativas, atribui o seu alto índice de ausências à paralisação
do Senado, desencadeada pela crise e pelo excesso de medidas
provisórias. “Com a paralisação
das atividades na Casa, me envolvi muito em questões
no Ceará”, justifica.
A senadora também informou que deixou de comparecer
a algumas sessões para acompanhar um dos filhos,
que ainda se recupera de um acidente. “Faz três
meses que estou acompanhando meu filho. Esse período
deve coincidir com a maior parte das faltas”, explica.
Segundo ela, todas as suas faltas foram justificadas.
Confira o levantamento completo:
http://congressoemfoco.ig.com.br/Noticia.aspx?id=20446
|
Diário Vermelho,
26 de dezembro de 2007
Pesquisa revela o mercado imobiliário
informal das favelas
A comercialização e o aluguel de imóveis
ocorrem de forma intensa nas favelas, formando um mercado
informal com normas próprias. É o que revela
pesquisa realizada por oito universidades brasileiras, lideradas
pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional
(Ippur), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O estudo traçou um retrato do mercado imobiliário
nas favelas de oito capitais. O projeto "Mercados
Informais de Solo Urbano nas Cidades Brasileiras e Acesso
dos Pobres ao Solo" analisou a comercialização
de imóveis (compra e venda) e a locação
(aluguel) em favelas do Rio de Janeiro, São Paulo,
Florianópolis, Porto Alegre, Recife, Belém,
Salvador e Brasília.
Uma das conclusões do estudo é a existência
de um mercado informal regular do solo nas cidades estudadas,
com alta rotatividade na ocupação dos imóveis
em algumas comunidades. Os mais altos níveis de
rotatividade foram encontrados nas favelas do Acari (14,66%),
do Grotão (13,36%) e Tijuquinha (10,12%), enquanto
o mais baixo (0,36%) foi identificado no morro do Pavão-Pavãozinho.
Todas essas comunidades ficam no Rio de Janeiro.
Para a coordenadora executiva da pesquisa, Andréa
Pulici, do Ippur/UFRJ, os números mostram que a
troca de imóveis é mais intensa nas favelas
do que no mercado formal.
"Esse mercado é muito mais líquido
e tem maior rotatividade do que o mercado formal",
destaca. A pesquisadora ressalta que a compra e o aluguel
de imóveis em comunidades carentes seguem normas
próprias, apesar de estarem dentro da informalidade.
Pulici ressalta ainda a importância de entidades
locais para coordenar o mercado imobiliário nas
favelas. "No Rio de Janeiro, por exemplo, as associações
de moradores têm papel fundamental", salienta.
Banco de dados inédito
O estudo atesta que o mercado imobiliário informal é uma
das portas de entrada das famílias pobres nas grandes
cidades não apenas do Brasil, mas da América
Latina. Segundo o levantamento, há uma oferta de
moradias informais voltada aos mais pobres, especialmente
em Belém, Brasília e São Paulo.
O projeto teve apoio financeiro do Programa de Tecnologia
da Habitação (Habitare), da Financiadora
de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da
Ciência e Tecnologia. A Finep investiu R$ 457,9 mil
no estudo. A pesquisa resultou na construção
de um banco de dados com informações inéditas
sobre o mercado imobiliário em comunidades carentes
consolidadas.
O trabalho foi desenvolvido por uma rede de instituições.
Participam a Universidade Federal do Rio Grande do Sul,
a Universidade Federal do Pará, a Universidade Federal
da Bahia, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade
de São Paulo (USP), o Núcleo de Estudos Urbanos
e Regionais do Departamento de Geografia da Universidade
de Brasília (UnB), o Programa de Pós-Graduação
em Desenvolvimento Urbano da Universidade Federal de Pernambuco
e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), além
do Ippur/UFRJ.
|
Agência Brasil, 26 de dezembro de
2007
Em favela do Rio, casas
chegam a ser vendidas por R$ 60 mil
Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - Apesar da informalidade, o mercado imobiliário
nas favelas e comunidades carentes pode alcançar preços
que não deixam a dever aos das moradias formais.No Complexo
do Turano, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, uma casa é vendida
atualmente por até R$ 60 mil.
“Aqui há proprietários que pedem R$ 50 mil e
R$ 60 mil por uma casa na comunidade”, salienta o presidente
da Associação de Moradores do Turano, Gilson Rodrigues.
Para ele, o valor dos imóveis não está fora
do mercado. “São casas grandes, bem construídas
e mantidas”, justifica.
Segundo Rodrigues, o Complexo do Turano, que abriga 40 mil pessoas,
tem hoje cerca de 15 mil imóveis. Ele, no entanto, alega que
as propriedades não costumam ficar nas mãos da mesma
família. “As pessoas crescem, formam ou fazem concursos
públicos e saem para morar em outros endereços, fora
da comunidade”, alega.
Na comunidade, o sistema de compra e venda de imóveis, diz
Rodrigues, concentra a maior parte do mercado. Nessa comercialização,
porém, o predomínio não está na mão
dos cariocas, mas sim, de nordestinos. “Nossa cidade hoje não é mais
uma cidade carioca. É uma cidade nordestina”, avalia.
Segundo Rodrigues, a compra de imóveis prevalece sobre os
aluguéis porque os profissionais, a maioria funcionários
de condomínios da região, dormem nos locais de trabalho
e poupam dinheiro para a aquisição de casas ou barracos
nas comunidades mais próximas. “Eles vão ao morro
e compram uma casa. Eles têm facilidade para esse tipo de compra
porque não gastam muito”, explica.
O mercado imobiliário varia conforme a comunidade. Na Vila
do João, em Manguinhos, zona norte do Rio de Janeiro, os aluguéis
predominam. Segundo o presidente da Associação de Moradores,
Marco Antonio Gomes, a maioria dos imóveis destinados à locação é de
tamanho pequeno. “São muitas quitinetes”, afirma;
De acordo com Gomes, os aluguéis na Vila do João,
oscilam entre R$ 100 e R$ 300. O conjunto habitacional foi erguido
pelo Projeto Rio, do governo federal, na década de 80, com
2,6 mil domicílios para abrigar os moradores de antigas palafitas
da Baixa do Sapateiro.
Atualmente, a comunidade, que integra o Complexo do Alemão,
conta com cerca de 60 mil habitantes. O nome Vila do João
foi uma homenagem ao então presidente da República,
general João Baptista Figueiredo.
A Vila do João é exemplo da ascensão dos aluguéis
no mercado imobiliário informal do Rio de Janeiro. Segundo
pesquisa de oito universidades brasileiras coordenadas pelo Instituto
de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (Ippur), da Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 2003, o mercado de aluguéis
nas favelas cariocas atingia 15% do total. Em 2006, esse percentual
subiu para 27%, mas prevaleciam a compra e venda de imóveis.
|
Gazeta do Povo, 26 de dezembro
de 2007
BRASIL | TROCA DE PARTIDO
"Infiel" terá dificuldade
para manter mandato, diz presidente do TSE
"Dificilmente teremos
uma justificativa socialmente aceitável para o troca-troca",
disse Mello. Justiça colocou limites às trocas
de partido e fixou datas para fidelidade partidária
por G1/GLOBO.COM
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio
Mello, disse que políticos que trocaram de partido após
as datas fixadas pela Justiça terão dificuldades para
manter o mandato, segundo informações da Agência
Brasil. No próximo ano, deverão ser julgados cerca de
2 mil processos de partidos que querem reaver os mandatos dos “infiéis”.
“Não tenho a menor dúvida de que dificilmente
teremos uma justificativa socialmente aceitável
para o troca-troca após os períodos fixados
pelo TSE”, afirmou à agência o presidente
do TSE.
Em 2007, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) decidiram que os mandatos de deputados,
vereadores, prefeitos, governadores, senadores e do presidente
da República pertencem aos partidos pelos quais
eles foram eleitos.
Datas
No caso de eleitos pelo sistema proporcional, ou seja,
deputados e vereadores, a data fixada para que a fidelidade
partidária entrasse em vigor foi 27 de março.
Para prefeitos, governadores, senadores e presidente da
República, a fidelidade passou a valer a partir
de 16 de outubro.
Políticos que trocaram de partido após essas
datas estão sujeitos à perda de mandato.
Nesse caso, o partido pôde entrar com processo para
reaver o mandato. Até o final de novembro, a Justiça
Eleitoral já havia recebido 1.773 pedidos.
Uma resolução do TSE estabeleceu as hipóteses
em que os políticos poderão trocar de legenda
sem risco de punição: incorporação
ou fusão de partido, criação de um
novo partido, grave discriminação e mudança
na ideologia do partido.
Eleições
Segundo a Agência Brasil, o presidente do TSE estimou
em R$ 600 milhões o custo das eleições
municipais de 2008, para prefeito, vice-prefeito e vereador.
Nas eleições, será feito o teste
de um sistema piloto de identificação do
eleitor pela impressão digital e pela fotografia.
“Em vez de o eleitor simplesmente apresentar o título,
que não tem foto, ele se identificará pela
palma da mão, pelas impressões digitais e
também por uma fotografia que ficará junto
da folha de eleitores da sessão,” explica
o presidente do TSE.
O TSE já tem 20 mil urnas com o sistema de identificação
por impressão digital, que serão utilizadas
de maneira experimental nos municípios de São
João Batista (SC), Fátima do Sul (MS) e Colorado
do Oeste (RO).
|
Gazeta do Povo, 26 de dezembro
de 2007
ECONOMIA | PREÇOS
BC divulga relatório
trimestral de inflação na quinta-feira
por O GLOBO ONLINE
A semana do Natal vai ser recheada de relatórios
do Banco Central sobre dados econômicos. Nesta quarta-feira
(26), a autoridade monetária divulga o relatório
de juros e spreads do mês de novembro, trazendo o
comportamento das taxas de juros dos empréstimos
e crédito.
Na quinta-feira, o BC divulga o relatório trimestral
de inflação, com dados sobre o comportamento
dos preços e das estimativas de crescimento do Produto
Interno Bruto (PIB). Este documento é particularmente
importante porque trará a revisão das contas
do BC sobre o crescimento econômico deste ano, que
deve ficar acima de 5%. Por enquanto, a autoridade monetária
fala em 4,7%. Além disso, o BC divulgará suas
contas sobre o PIB de 2008. O mercado, em média,
aposta numa expansão de 4,5%. E, na sexta-feira,
o BC divulga o relatório de política fiscal
de novembro, com o desempenho das contas públicas.
|
Folha de São Paulo,
26 de dezembro de 2007
Todos os conselheiros do TCE
paulista empregam parentes
Para os sete titulares, contratação
de familiares sem concurso público não é ilegal
O vice Eduardo Bittencourt nomeou seus
5 filhos para trabalhar no gabinete; um deles ganha R$
12 mil para ler cabeçalhos de cartas
LILIAN CHRISTOFOLETTI
DA REPORTAGEM LOCAL
Os sete conselheiros do Tribunal de Contas do Estado de
São Paulo (TCE-SP), órgão criado para
fiscalizar os gastos do Executivo, empregam filhos, irmãos
e noras em cargos de confiança. A maioria dos parentes,
mesmo sem concurso público, recebe por mês
cerca de R$ 12 mil líquidos.
Os conselheiros, que têm cargos vitalícios e ganham pelo
menos R$ 21 mil líquidos por mês, entendem que a prática
não é ilegal. O campeão na contratação
de parentes é o vice-presidente do TCE, Eduardo Bittencourt
Carvalho, indicado ao cargo há quase 17 anos, durante o governo
paulista de Luis Antonio Fleury Filho (PMDB).
Bittencourt nomeou os cinco filhos para o gabinete dele. Segundo a
reportagem apurou, no entanto, nenhum deles comparece ao tribunal. É o
caso de Carolina Bittencourt Roman, 33, bacharel em direito (sem a
carteira da OAB). Nomeada há nove anos como assessora técnica
de gabinete, com um salário mensal de R$ 12 mil líquidos,
ela seria a responsável pela leitura de cabeçalhos de
correspondências e documentos enviados ao pai.
Funcionários do TCE afirmam desconhecer Carolina e os irmãos.
No mês passado, o próprio chefe-de-gabinete do conselheiro,
Marcos Renato Böttcher, disse à Folha não saber
se os cinco efetivamente trabalham no tribunal. A Promotoria da Cidadania
do Estado de São Paulo instaurou uma investigação
para apurar eventual improbidade administrativa (má gestão
pública) praticada por Bittencourt nas nomeações.
Nepotismo
Os demais conselheiros dizem ser contrários ao nepotismo, no
sentido de favorecer ilegalmente um familiar. Para justificar a situação,
dão respostas parecidas: suas nomeações são
exceções e os beneficiados, trabalhadores e competentes.
O conselheiro Fúlvio Julião Biazzi nomeou dois filhos,
Fábio, 37, e Cláudio, 34, que se "formaram advogados
com excelência". Com salário mensal de R$ 12 mil
líquidos cada um, eles trabalham no tribunal.
Cláudio Ferraz de Alvarenga e Renato Martins Costa contrataram
as respectivas noras advogadas, Helga Araruna Ferraz de Alvarenga e
Andrea Martins Costa. "Elas são extremamente competentes
e indispensáveis", afirmam os conselheiros. A nora de Costa, "infelizmente",
recebeu uma proposta de trabalho e pediu demissão. A exoneração
de Andrea foi publicada no "Diário Oficial" no final
do mês de novembro.
O conselheiro Robson Riedel Marinho levou a irmã psicóloga,
Ione Eneida Marinho, para ajudar na creche do tribunal, após
solicitação feita pelas próprias mães,
afirma ele. Edgard Camargo Rodrigues contratou o filho, Lucas, 29,
que já havia trabalhado em escritórios de advocacia.
O presidente do órgão, Antonio Roque Citadini, é o único
que tem um parente que passou por concurso público. O irmão
de Citadini foi aprovado como investigador da Polícia Civil
e, posteriormente, transferido para o gabinete dele no TCE. O conselheiro é indicado
para o cargo pelo governador em exercício ou pelos deputados
da Assembléia Legislativa.
|
Folha de São Paulo,
26 de dezembro de 2007
Receita inicia devassa no uso
de cartões corporativos
Fisco investiga empresas de São
Paulo, Rio e Distrito Federal e multinacionais
Elas são suspeitas de usarem cartões
para remunerar seus executivos, escapando de tributos devidos,
como IR e contribuição previdenciária
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em uma ofensiva à sonegação envolvendo
benefícios indiretos pagos por corporações
(os chamados "fringe benefits"), a Receita Federal
iniciou uma devassa em grandes empresas de São Paulo,
Rio de Janeiro e Distrito Federal para investigar o uso indevido
de cartões corporativos.
No Estado de São Paulo, 38 estabelecimentos -inclusive multinacionais-
já estão sob ação fiscal. No Distrito Federal,
mais de 150 empresas estão sendo investigadas.
O uso do cartão corporativo para pagamento de salário
indireto vem se disseminando entre os empregadores porque permite a
redução de encargos e sonegação de impostos.
A Receita não informa os setores e os nomes das empresas, sob
o argumento de que estão protegidos pelo sigilo fiscal.
Embora a fiscalização recaia sobre as empresas, os funcionários
beneficiados com a remuneração indireta via cartão
corporativo também serão alvo da Receita. Em entrevista à Folha,
o secretário-adjunto da Receita Paulo Ricardo de Souza Cardoso
disse que essas pessoas físicas serão obrigadas a recolher
os impostos devidos, multa e juros sobre essa renda. Ou seja, Imposto
de Renda e contribuição previdenciária.
Na maioria dos casos, os beneficiados são altos executivos ou
funcionários mais graduados. "Não queremos acabar
com o cartão corporativo. Agora, aquelas situações
que caracterizam perfeitamente um benefício, um salário
indireto, isso a pessoa tem de receber e declarar como se fosse um
salário", disse. "E aí temos de cobrar Imposto
de Renda e contribuição previdenciária, que incidem
sobre esses valores."
Os contribuintes que se anteciparem e apresentarem declaração
retificadora de IR, com os rendimentos omitidos, pagam multas menores.
Se esperar a autuação da Receita, a multa pode chegar
a 225%. Já a empresa será multada, pois deveria ter feito
a retenção dos tributos.
Cardoso informou que há casos de multinacionais envolvidas nesse
tipo de irregularidade. "Algumas, inclusive, não têm
sede no Brasil, ou seja, o faturamento está lá fora.
Mas há funcionários aqui, e parte do salário dessas
pessoas é paga com esses cartões", afirma.
Para chegar às empresas com irregularidades, a Receita usa as
informações encaminhadas pelas operadoras de cartão
de crédito ao fisco. A lei complementar 105, de 2001, abriu
a possibilidade de a Receita ter acesso a essas informações,
além de outros dados bancários dos contribuintes.
As declarações fornecidas pelas operadoras de cartão
de crédito são cruzadas com os dados de contabilidade
das empresas. De acordo com a Receita Federal, não é comum
que empresas paguem despesas correntes e operacionais com cartões
de crédito. "Na análise da contabilidade das empresas, é possível
identificar a irregularidade porque os gastos desses cartões
são registrados lá", afirma Cardoso.
O rastreamento dos beneficiados é simples porque todos os cartões
têm a identificação do usuário, não
podendo ser usado por terceiros, detalha o fisco. "A empresa dá o
cartão para fulano. Então só fulano pode usar,
e, na nossa percepção, esses benefícios caracterizam
remuneração indireta", conclui o secretário-adjunto.
|
Folha de São Paulo,
26 de dezembro de 2007
saiba mais
Só com IR e
INSS, perda do fisco é de 47%
DA REPORTAGEM LOCAL
A perda de arrecadação da Receita Federal é expressiva
quando as empresas pagam benefícios indiretos a
seus executivos. Somente com dois tributos federais -o
Imposto de Renda e a contribuição previdenciária-
a perda do fisco chega a 47,5%. Para o leitor entender
essa conta, imagine um executivo que gaste R$ 10 mil por
mês no cartão corporativo. Por ser um executivo,
seu salário tributável -aquele que a empresa
declara oficialmente que paga, quando presta contas à Receita
Federal- estará na alíquota de 27,5% do Imposto
de Renda (para isso, basta que o salário declarado
seja de R$ 2.625,12 ou mais).
Assim, qualquer valor a mais que fosse "somado"" ao
salário seria tributado pelos mesmos 27,5%, ou R$ 2.750 no exemplo
do gasto de R$ 10 mil por mês. Portanto, aqui a Receita já perdeu
27,5%.
No caso da contribuição previdenciária, a perda
ocorre na parte paga pela empresa. É que ela provavelmente declara
que o salário oficial desse executivo é de, no mínimo,
R$ 2.894,28 -o teto da contribuição do empregado, para
fins previdenciários. Assim, a Receita Federal não perde
nada quanto à contribuição paga por ele, executivo,
que é de R$ 11% sobre o teto (R$ 318,37 por mês, em valores
atuais).
A perda vem da parte patronal, que é de 20% sobre a folha de
pagamento, sem limite. Se a empresa "somasse" os R$ 10 mil
gastos no cartão ao salário, teria de pagar mais R$ 2.000
ao INSS. No total, os 47,5% que a Receita Federal perde com supostos
pagamentos via cartão corporativo.
|
Folha de Londrina, 26 de
dezembro de 2007
SEU DIREITO
PROPAGANDA ENGANOSA
O preço de determinado produto foi veiculado
em um comercial de TV. Chegando ao supermercado, descobri
que a mercadoria em oferta tratava-se de uma similar à divulgada.
Conversei com o gerente da loja e consegui levar o produto
anunciado pelo preço em oferta. Porém, outras
pessoas podem ter sido enganadas. O que fazer neste caso?
A divulgação do preço de um produto
em comercial de TV obriga o fornecedor que a fizer veicular
ou dela se utilizar. Assim, o fornecedor que informa determinado
preço para atrair os consumidores à sua loja,
e em seguida, alega que a oferta dizia respeito a um produto
similar, em verdade, faz propaganda enganosa.
Caso o gerente da loja se recusasse a cumprir a oferta
veiculada na TV, o leitor poderia promover uma ação
própria, em que poderia exigir que o fornecedor
cumprisse a oferta ou devolvesse o que foi pago no produto
indevidamente adquirido.
A propaganda veiculada na TV atinge um número indefinido
de pessoas, e todas elas podem ser enganadas. Quando não é possível
apurar com exatidão quem são as pessoas prejudicadas,
está-se diante de um interesse ou direito difuso,
que para efeitos do Código de Defesa do Consumidor
são direitos transindividuais, de natureza indivisível,
de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas
por circunstâncias de fato.
Para evitar que estas pessoas sejam enganadas, o Ministério
Público, a União, os Estados, os municípios
e o Distrito Federal; as entidades e órgãos
da administração pública direta ou
indireta destinadas à proteção dos
direitos do consumidor e associações legalmente
constituídas há pelo menos um ano e que incluam
entre seus objetivos institucionais a defesa dos interesses
e direitos do consumidor podem propor ação
judicial para proteger os interesses difusos.
Assim, o leitor pode denunciar a prática abusiva
a qualquer destas entidades, para que qualquer uma delas
proponha a ação judicial cabível.
Todas as espécies de ação são
admissíveis para propiciar a adequada e efetiva
tutela dos direitos do consumidor, que, no caso, consiste
em obrigar o fornecedor no exato cumprimento da oferta
anunciada, fazer cessar a propaganda enganosa, impor multa
diária, determinar uma indenização
que será executada por cada consumidor lesado, dentre
outras.
Karla Saory Moriya Nidahara,
advogada
|