Agência Diap, 28
de dezembro de 2007
BALANÇO DO ANO
"O Brasil não aceita
mais ser um país de poucos", disse Lula em pronunciamento à Nação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira
(27), em cadeia nacional de rádio e TV, que a derrubada da CPMF
truncou o PAC da Saúde, em que ''todas as crianças das
escolas públicas passariam a ter consultas médicas regulares,
inclusive com dentistas e oculista''.
Ele disse, porém, que respeita a decisão
do Senado. Lula destacou os avanços do ano, a começar
pelo PIB, o emprego e o salário, mas proclamou ser
''ao mesmo tempo, o mais satisfeito e o mais insatisfeito
dos brasileiros. Satisfeito porque fizemos muito, e, insatisfeito,
porque ainda é pouco diante do tamanho da nossa
dívida social”.
Leia a íntegra do pronunciamento à Nação.
''Minhas amigas e meus amigos,
Nesta noite, quero fazer com vocês um balanço
de 2007, deste excelente momento do Brasil.
Quero começar agradecendo a todos que, com seu
trabalho, esforço e determinação,
tornaram esse momento possível.
Quero agradecer ao Congresso Nacional e ao Poder Judiciário.
Quero agradecer tanto aos que apoiaram como aos que criticaram
o governo, ao longo desses anos. Sem a participação
de todos seria impossível unir o país e encontrar
os melhores caminhos para o futuro.
A todos vocês, meu muito obrigado.
Já podemos dizer, com certeza, que nossa economia
cresceu mais de 5% em 2007. E 2008 será também
muito bom, pois estamos iniciando o ano com um ritmo bem
vigoroso.
O desemprego está em queda. De janeiro a novembro,
criamos 1 milhão 936 mil empregos com carteira assinada,
um recorde histórico. Segundo o IBGE, o índice
de desemprego no mês passado foi de 8,2%. O mais
baixo de toda a história dessa pesquisa.
Não só aumenta o emprego. O salário
também melhora. Em 97% dos acordos, o trabalhador
teve reajuste maior ou igual à inflação.
A massa salarial cresceu 7% este ano.
Nos últimos 5 anos, 20 milhões de pessoas
deixaram as classes D e E, de baixo consumo, e migraram
para a classe C. Apenas nos últimos 17 meses, 14
milhões de brasileiros ingressaram nesta nova classe
média, cada vez mais ativa e numerosa.
Ou seja, finalmente, estamos criando um amplo mercado
de massas.
Inclusão social
Um amplo mercado de massas não só melhora a vida de milhões
de famílias. Também gera um círculo virtuoso:
como há mais gente entrando no mercado consumidor, crescem as
vendas, a indústria e o campo produzem mais, os empresários
investem com mais força e as empresas abrem mais vagas.
Por tudo isso, este ano, a ONU incluiu o Brasil, pela
primeira vez, no grupo dos países com alto índice
de desenvolvimento humano. É sinal de que nossa
luta contra a pobreza, através de programas como
o Bolsa Família, está dando certo. Isso mostra
que inclusão social não é apenas uma
expressão bonita e desejada e, sim, uma realidade.
Uma realidade que vai se ampliar ainda mais, porque o Brasil
descobriu como fazer crescimento econômico com inclusão
social.
Esta talvez seja a nossa maior conquista nos últimos
anos: o Brasil não aceita mais ser um país
de poucos. Está se tornando um país de muitos.
E não descansará enquanto não for
de todos.
Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC)
Em 2007, lançamos e consolidamos o PAC. Em 2008,
o Brasil será um canteiro de obras. Nos próximos
anos, 504 bilhões de reais vão se transformar
em rodovias, ferrovias, hidrovias, energia, portos e aeroportos,
habitação, água potável e saneamento
básico.
O PAC significa, antes de tudo, crescimento e emprego.
As décadas perdidas, pela falta de confiança
no país e pela falta de planejamento e de ação
do Estado, ficaram para trás.
Não só estamos fazendo mais, como estamos
fazendo muito mais barato. Nas licitações
para exploração de rodovias, o preço
dos pedágios caiu fortemente. No leilão da
usina de Santo Antonio, no rio Madeira, o custo do megawatt/hora
voltou aos patamares do início da década
de 90. São ótimas notícias para o
país.
Meio ambiente
Se o Brasil descobriu como crescer com inclusão social, também
está descobrindo como crescer sem destruir a natureza. Temos
conseguido reduzir o desmatamento de forma constante e sustentada.
Estamos ampliando nossa liderança mundial no uso e na produção
de biocombustíveis. E, a partir do dia 1o de janeiro, daremos
um novo passo, adicionando 2% de biodiesel a todo o óleo diesel
consumido no país. Nossa matriz energética é e
continuará sendo uma das mais limpas do mundo.
Todo esse esforço nos dá autoridade para
exigir dos países ricos, os que mais poluem o planeta,
medidas efetivas para reduzir o aquecimento global.
Avançar mais
A casa está arrumada e os resultados começam a aparecer.
Mas é necessário avançar ainda mais, sobretudo
em segurança, educação e saúde.
Na segurança, queremos estreitar ainda mais a colaboração
com os estados. Reforçamos a inteligência
policial, organizamos a Força Nacional de Segurança
e fortalecemos a Polícia Federal. E lançamos
neste ano o Pronasci, programa que investirá até 2010
mais de R$ 6 bilhões no combate ao crime, além
de apoiar os jovens ameaçados de cair na delinqüência.
Na educação, além do Fundeb, criamos
o Plano de Desenvolvimento da Educação, o
PDE, que fará uma revolução na qualidade
do ensino no país. Até 2010, serão
aplicados 12 bilhões de reais a mais nos ensinos
médio e fundamental, reforçando os salários
dos professores e equipando as escolas. E estamos abrindo
10 novas universidades públicas, 48 extensões
universitárias no interior e 214 escolas técnicas
em todo o país. Também estamos ampliando
o Prouni, que já ofereceu 400 mil bolsas de estudos
em faculdades particulares, e lançando o Reuni que,
em 4 anos, vai criar cerca de 400 mil novas vagas nas universidades
federais. Assim, tornaremos mais democrático o acesso
ao ensino superior.
Na saúde, no começo de dezembro, lançamos
o PAC, que destinaria até 2010 mais R$ 24 bilhões
para o setor. Entre outras coisas, todas as crianças
das escolas públicas passariam a ter consultas médicas
regulares, inclusive com dentistas e oculistas. Infelizmente,
esse processo foi truncado com a derrubada da CPMF, responsável
em boa medida pelos investimentos na saúde. Como
democrata, respeito a decisão tomada pelo Congresso.
E estou convencido de que o governo, o Congresso e a sociedade,
juntos, encontrarão uma solução para
o problema.
Confiança no Brasil
As boas notícias na economia e em outros setores criaram um
novo clima no país. Hoje, há mais brasileiros olhando
para o futuro com esperança.
Nada disso está ocorrendo por acaso. É fruto
do trabalho e das escolhas feitas pelo povo e pelo governo. É fruto
da participação social e do funcionamento
da democracia. Estamos colhendo o que plantamos.
Volto a repetir que sou, ao mesmo tempo, o mais satisfeito
e o mais insatisfeito dos brasileiros. Satisfeito porque
fizemos muito, e insatisfeito porque ainda é pouco
diante do tamanho da nossa dívida social.
Da minha parte, tenho fé que somos um povo capaz
de enfrentar as maiores dificuldades e resolver qualquer
problema. Fizemos isso em momentos muito mais difíceis.
Certamente poderemos fazer muito mais agora, quando o Brasil
encontrou seu rumo e está no caminho certo.
Um feliz ano novo. Que 2008 seja ainda melhor que 2007.
Boa noite”.
(Fonte: Presidência da
República)