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Agência Diap, 30
de dezembro de 2007
ECONOMIA
Futuro: inflação é o
grande temor, controlá-la é a solução
Depois de ter adotado uma política mais ortodoxa no primeiro mandato
para segurar a inflação, o Governo Luiz Inácio Lula
da Silva agora parte para uma receita de mais crescimento econômico.
Mas, diante dos gargalos de infra-estrutura e logística e de uma
expansão do crédito, o segredo agora é evitar que
este crescimento se traduza em inflação, preocupação
deste fim de 2007.
A alta de preços deve ficar abaixo do aumento de
5% previsto para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.
Em busca da calibragem ideal entre o ritmo de atividade
econômica e o aumento do custo de vida, o Banco Central
(BC) estará no centro das atenções
no primeiro semestre de 2008. Taxa de crescimento de 5%
ou mais, alertam analistas, só será viável
se for acompanhada de investimentos vultosos, que dêem
fôlego para que a economia apresente saltos maiores
do PIB sem pressionar os preços.
Para o economista do ABN Amro Cristiano Souza, o ideal
em 2008 será crescer em torno de 4%. Essa taxa impediria
a aceleração dos índices de preços,
embora estejamos crescendo acima disso: 5,2% em 2007, afirma
Souza. Ele destaca que a economia continuará aquecida
em 2008. E lembrou que, ainda no primeiro semestre, os
efeitos da trajetória de queda de juros - interrompida
em outubro deste ano, quando o BC manteve a Selic em 11,25%
ao ano - continuarão se refletindo nos mercados.
No primeiro trimestre do ano que vem, as discussões
sobre a possibilidade de o BC aumentar os juros vão
esquentar, prevê o economista.
Newton Marques, professor de economia da Universidade
de Brasília (UnB), afirma que qualquer crescimento
acima de 5% é perigoso. Para isso, são necessários
investimentos de pelo menos 22% do PIB, enquanto hoje a
média é de 18%. Um crescimento desse porte
requer mais energia elétrica, condições
de transporte, mão-de-obra qualificada, insumos
e ampliação da capacidade produtiva, diz
o acadêmico.
O economista-sênior do Unibanco Asset Management,
Luciano Costa, prevê uma taxa entre 4,3% e 4,5%,
que ele considera confortável. A situação
preocupa, pois a folga está no limite, alerta Costa.
O consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento
Industrial (Iedi) Júlio Gomes de Almeida acredita
que a causa das causas do aumento da inflação
no país é a acentuada elevação
dos preços dos alimentos e do petróleo no
mundo.
Sobre a hipótese de o Banco Central aumentar os
juros, Almeida adverte: Eu não mexeria em nada a
curto prazo, embora a situação inspire cuidados.
Uma alta nas taxas de juros faria com que os empresários
revissem suas projeções de crescimento.
A despeito dessas pressões inflacionárias,
especialmente dos alimentos, o Ministério da Fazenda
não vê motivo de preocupação.
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Agência Diap, 30
de dezembro de 2007
FUNDO DE GARANTIA
Proposta permite aplicação
financeira de 20% do FGTS
Está em análise na Câmara o Projeto de Lei 606/07,
que permite ao titular de conta vinculada do Fundo de Garantia do Tempo
de Serviço (FGTS) aplicar até 20% de seu saldo em cotas
de fundos de investimentos e em outros ativos financeiros de sua escolha.
O autor da proposta, deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB/SP),
argumenta que o patrimônio do FGTS, estimado em cerca de R$ 190
bilhões, é "mais do que suficiente para honrar os
compromissos de todas as contas vinculadas, cujos saldos somados não
ultrapassam R$ 140 bilhões".
Mendes Thame também explica que seu projeto é uma
alternativa à medida do Governo de usar o patrimônio
líquido do FGTS para viabilizar parte dos investimentos
em infra-estrutura de energia, saneamento e transportes
do Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC), por meio de Fundo de Investimento-FGTS (FI-FGTS) — Lei
11.491/07. Segundo os dados oficiais, esse patrimônio
líquido estava em R$ 21 bilhões em dezembro
de 2006.
O deputado questiona a medida do Governo. Ele alega que
não há garantia de rentabilidade mínima
para as cotas do FI-FGTS, e os titulares das contas vinculadas
não têm garantida a portabilidade dos ativos,
nem o acesso imediato aos eventuais rendimentos. Já objetivo
de seu projeto, diz o deputado, é "dinamizar
o mercado de capitais e ao mesmo tempo elevar a rentabilidade
do patrimônio dos trabalhadores, de maneira mais
segura e democrática".
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado
pelas comissões de Trabalho, de Administração
e Serviço Público; de Finanças e Tributação;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania. (Informações
da Agência Câmara)
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Diário Vermelho,
30 de dezembro de 2007
Governo do Equador eleva salário
mínimo em 18% no dia 1º
O governo Rafael Correa elevou o salário mínimo
da iniciativa privada do Equador em 17,6% a partir de 1º de janeiro,
de US$ 170 para US$ 200. A decisão ocorreu depois que trabalhadores
e patrões não conseguiram chegar a um acordo. Este será o
maior aumento salarial desde que o país teve sua economia dolarizada,
em 2000.
O anúncio foi feito nesta sexta-feira (28) pelo
ministro do Trabalho, Antonio Gagliardo. Ele noticiou também
que a remuneração mínima -- paga a
empregados domésticos, artesãos e ''colaboradores
em microempresas'' -- passou de US$ 120 para US$ 170, um
aumento de 41,67%.
O governo progressista que tomou posse no início do ano apresentou
o aumento como primeiro passo de um plano de recuperação
progressiva do salário mínimo, até equipará-lo
ao custo da cesta básica no país, que é de US$
469,57. A proposta é garantir aumentos anuais de US$ 30, de
modo que em 2011 este valor seja alcançado.
Mesías Tatamuez, presidente da central sindical
Cedocut (Confederação Equatoriana de Organizações
Classistas), destacou que este foi o maior aumento pós-dolarização.
''O aumento máximo que alcançamos antes foi
de US$ 21, em 2002. Mas é preciso levar em conta
que o custo de vida subiu desde então e os US$ 30
de incremento apenas compensam esses custos'', argumentou.
Os negociadores patronais condenaram o aumento. Pablo
Dávila, representante dos empregadores na negociação,
disse que as empresas ''perderão competitividade'',
sobretudo as pequenas e médias. María Gloria
Alarcón, presidente da Câmara de Comércio
de Guayaquil, ameaçou com demissões: ''As
empresas reduzirão seu pessoal para cobrir os custos'',
previu.
Os representantes patronais ameaçaram também
com um recurso perante o Tribunal Constitucional, alegando
a suposta ilegalidade do aumento. Porém o ministro
do Trabalho foi enfático ao dizer que as empresas
que não obedecerem ao aumento serão multadas,
em US$ 200 por cada trabalhador não aumentado.
Da redação, com
agências
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Gazeta do Povo, 30 de dezembro
de 2007
BRASIL | EXECUTIVO
Lula editou 303 MPs em 5 anos
Brasília – O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva já editou 303 MPs em cinco anos de mandato:
240 nos primeiros quatro anos e 63 em 2007. Já o ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso editou 102 MPs na nova regra. Na
antiga, foram 103 MPs, além das 2.586 reedições.
Por causa das MPs, a Câmara ficou parada desde
21 de novembro, completando mais de 30 dias de paralisação.
O governo mesmo obstruiu as votações
para impedir que as MPs, se votadas, fossem para o
Senado, trancando a pauta e impedindo a votação
da CPMF, que acabou sendo derrubada, e da DRU, que
foi aprovada pelo Senado.
O líder do PSB no Senado, Renato Casagrande
(ES), defende que se crie um limite para a edição
de MPs pelo presidente da República. Lula, que
fechou o ano com 63, se mantiver a média, praticamente
igualará o número de 240 MPs do primeiro
mandato.
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Gazeta do Povo, 30 de dezembro
de 2007
PARANÁ | PROJEÇÃO
PR será o mais populoso
do Sul em 2013
Curitiba cresce mais rápido
do que Belo Horizonte e Fortaleza e, em 50 anos, será a
4.ª maior cidade do país
por MAURI KÖNIG
O Paraná deve ultrapassar o Rio Grande do Sul dentro de seis
anos e se tornar o quinto estado mais populoso do país, com
11 milhões de habitantes. Mantidas as atuais taxas de crescimento
demográfico, a vantagem será de 32 mil pessoas em 2013,
o ano da virada. O desafio paranaense, no entanto, será melhorar
os indicadores sociais, ligeiramente abaixo dos outros dois estados
da Região Sul, embora bem posicionado no ranking nacional. Santa
Catarina, por exemplo, tem o segundo melhor Índice de Desenvolvimento
Humano (IDH) do Brasil, seguido do Rio Grande do Sul em quarto e do
Paraná em sexto.
Saiba mais sobre o assunto:

A demografia paranaense se mantém estável nos últimos
15 anos. O estado já não apresenta fluxo migratório
significativo igual à chegada dos gaúchos na Região
Sudoeste a partir dos anos 40 e nem algo parecido com a evasão
rumo ao Centro-Oeste brasileiro para fugir da crise na agricultura
na década de 70. Apesar de no quadro nacional ter apenas a 18.ª taxa
média geométrica de incremento anual da população
(1,10%), o Paraná passará o Rio Grande do Sul porque
este tem o menor índice do país (0,57%). Santa Catarina
cresce a uma taxa de 1,37% ao ano, mas tem uma população
bem menor. As maiores taxas estão nas regiões Norte e
Centro-Oeste, onde ficam as novas frentes agrícolas do país.
A Contagem da População, recém divulgada
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), permite concluir que na Copa do Mundo de 2014 o
Brasil terá chegado aos 200 milhões de torcedores,
exatamente quatro vezes mais do que na Copa de 1950. Curitiba,
a sexta cidade do país com 1.797.408 habitantes,
tomará a quinta posição de Belo Horizonte
em 2046 e o quarto lugar de Fortaleza em 2057. Na primeira
hipótese, Curitiba terá prováveis
3,7 milhões de moradores e na segunda, 4,6 milhões.
Isso se forem mantidas as atuais taxas anuais de crescimento,
de 1,88% da capital paranaense, 1,26% da cearense e 1,11%
da mineira. À frente, continuarão São
Paulo, Rio e Salvador.
Curitiba é a cidade paranaense que mais cresceu
em números absolutos, mas não em porcentual.
A vizinha São José dos Pinhais teve acréscimo
populacional de 29% nos últimos cinco anos, chegando
aos atuais 263 mil habitantes. Outras cidades da região
metropolitana também tiveram desempenho surpreendente.
Colombo tem hoje 233 mil pessoas (alta de 27,6%), Araucária
tem 109 mil (16,5%) e Campo Largo, 105 mil (13,6%). O interior
também cresceu. Foz do Iguaçu passou a ser
a quarta cidade do estado, com 311 mil moradores (aumento
de 20,4%), atrás de Curitiba, de Londrina, com 497
mil (11,3%), e de Maringá, com 325 mil (13%).
Tomando por base o Programa Nacional por Amostra de Domicílio
(Pnad), do IBGE, de maneira geral o desempenho acima da
média destas cidades se deu mais pela taxa de natalidade
do que pelo processo migratório. Com base no Pnad,
o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)
conclui que o Paraná perdeu cerca de 12 mil habitantes
em 2006. Recebeu 262.629 pessoas e perdeu 274.548. Em compensação,
um ano antes houve 164.588 nascimentos e 58.526 óbitos
no Paraná, saldo de 106.062 pessoas, enquanto no
Rio Grande do Sul nasceram 153.177 pessoas e morreram 70.601,
diferença de 82.576.

Onofre, Franciane e o filho Lucas
Eduardo
Prestes a assumir a liderança populacional na Região
Sul, o Paraná ainda precisa avançar nas metas sociais
para atender aos atuais e aos futuros habitantes. Na média coletiva,
os três estados sulistas têm os melhores índices
do país em qualquer medição sobre qualidade de
vida. Entre eles, porém, o Paraná está quase sempre
em terceiro. A começar pelo PIB per capita, que é o resultado
da divisão do Produto Interno Bruto pela população.
Entre os paranaenses, era de R$ 10.724 em 2004 (pelos dados mais atuais
do IBGE), valor que sobe para R$ 12.158 entre os catarinenses e para
R$ 13.320 entre os gaúchos.
O Paraná também fica atrás nos três
itens usados para medir o IDH: renda, longevidade e educação.
De acordo com o Pnad, em 2005 o estado mantinha na escola
97,5% da sua população com idade entre 7
e 14 anos de idade, ao passo que o porcentual chegava a
97,8% no Rio Grande do Sul e a 98,7% em Santa Catarina.
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Gazeta do Povo, 30 de
dezembro de 2007
PARANÁ | PROJEÇÃO
Reforço populacional
As idas e vindas do pedreiro Onofre Alves Batista,
de 47 anos, explicam a dinâmica demográfica
vivida pelo Paraná nas últimas três décadas.
Ainda menino, ele se mudou com os pais e quatro dos 16 irmãos
para Rio Branco, no Acre, passando antes por Ariquemes e
Porto Velho, em Rondônia. Era 1973 e o pai acabara
de vender o sítio em Lindoeste para fugir da seca
que castigava o Sudoeste paranaense. Homem feito, com mulher
e filho no Acre, Onofre voltou sozinho ao Paraná e
teve um filho com a catadora de papel Franciane da Silva,
de 22 anos.
Onofre fez a chamada migração de retorno,
quando a pessoa volta ao lugar de origem depois de viver
um tempo em outro estado ou país. O pedreiro,
antes responsável pela evasão populacional
do Paraná, desta vez contribuiu para a expansão
demográfica não só pelo seu retorno,
mas também por incrementar a taxa de natalidade.
O caçula de Onofre, Lucas Eduardo, nascido há 9
meses em Curitiba, é o terceiro filho de Franciane,
todos de pais diferentes. Os pais do menino moram na
mesma favela, a Vila Audi, mas não na mesma casa.
O pedreiro fez o caminho de volta assim como parte da
população que fugiu da crise na agricultura
na década de 70 e hoje retorna em busca de emprego
na indústria e na construção civil.
Os longos anos no garimpo de ouro nos rios da Amazônia
não significam qualificação profissional
e hoje Onofre vive do subemprego. (MK)
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O Estado do Paraná,
30 de dezembro de 2007
“É dentro de você que
o Ano Novo cochila e espera desde sempre”
Edésio Passos
Novamente no Natal e na passagem de ano, um pouco antes do Carnaval,
todos fazem retrospectiva das suas condições de vida e
de trabalho. A elas, neste espaço de debates, anexamos a análise
das condições políticas e sócio-econômicas,
com seus reflexos nas relações de trabalho face o ano que
se finda e o que se aproxima. Neste momento, já se iniciou o processo
que alia a reflexão do que passou no ano, com nossa situação
no presente, para nos projetarmos para o que poderá ser o futuro.
Por certo, este exercício individual não é suficiente.
Também se verifica coletivamente nas instituições
públicas, nas empresas, nos sindicatos, nos partidos políticos,
nas igrejas, nas escolas, nas organizações da sociedade
civil, na busca da interação do desenvolvimento pessoal-familiar
com o crescimento de toda a sociedade.
E os problemas?
Na pesquisa da Datafolha (26 a 29/11/07) estão
tabulados nossos problemas: principalmente, na saúde
(21%), na segurança/violência (21%), no desemprego
(18%). Mas nossas preocupações centrais em
31/3 - 1.º/4/2003 (início do primeiro governo
Lula) estavam focadas na fome e na miséria (22%),
hoje elas se situam para apenas 5% da população,
pois, ao mesmo tempo, a pesquisa assinalada que o segundo
governo Lula tem seu melhor desempenho justamente no combate à fome
e à miséria (13%).O inverso sucedeu com os
problemas relacionados com a saúde, pois em 2003
o percentual estava em 6% para crescer aos 21% atuais.
Com a segurança e a violência, em 2003 o índice
era 18% e agora 21%, ou seja, permaneceu na mesma posição.
E, finalmente, a questão do desemprego que preocupava
31% em 2003, baixou para 18% em decorrência do êxito
da política de criação de novos empregos,
com o aquecimento da economia.
A inflação & Cia.
O fator relevante para nossa retrospectiva está situado
na inflação. O ano de 2002 fechou com índice
inflacionário de 14,74% (INPC/IBGE), balisador de
reajustes salariais nas negociações coletivas,
atingindo 16,33% entre 2/2 a 1.º/3. De 12/2 a 11/3
o índice ficou em 12,76% (INPC). Era o principal
obstáculo a ser ultrapassado. Registrou 5,72% no
período de 12/3 a 11/4, conseguindo-se a estabilização
na correlação entre preços dos produtos
e reajustes salariais, equilibrando o mercado de trabalho,
pois agora a inflação está em 4,78%.
Na macroeconomia, a taxa de juros que era 18% em 9/2, avançou
até 26,5% no início de 2002 e progressivamente
foi reduzida para retornar ao patamar anterior, hoje em
11%. O valor do real perante o dólar, então
em R$ 3,63 e hoje em R$ 1,70, o risco-Brasil que atingia
a 1.600 pontos em 2002 e agora está por volta de
230 pontos (a Argentina está em 407), o saldo comercial
de 11 bilhões de dólares (2002), atingindo
o dobro em 11/2003, ou seja, 22 bilhões de dólares,
passando para 33 bilhões de dólares em 2004,
para 45 em 2005, chegando a 47 em 2006. Este saldo positivo
na balança comercial está ligado ao crescimento
do nível de emprego, em decorrência do avanço
significativo das exportações, no maior resultado
já verificado em nosso país. E as reservas
internacionais cresceram de 49 bilhões de dólares
para os atuais 168. Mantida a política de controle
inflacionário, a contenção dos preços,
o reequilíbrio nas contas externas, o superávit
nas exportações e novos investimentos externos,
foi possível superar o quadro recessivo que se afigurava
em 2003.
Negociações salariais
Em 2002, pouco mais da metade das categorias profissionais
conseguiu fixar o reajuste salarial respeitado o INPC anual.
Já o resultado de 2003 foi de 53% das categorias
com reajustes abaixo do INPC, embora no 2.º semestre
algumas delas (bancários, petroleiros, químicos,
metalúrgicos, por exemplo) tivessem conseguido reajustes
acima dos índices de inflação. De
2004 a 2006, ocorreu avanço na quase totalidade
dos acordos, convenções coletivas e acordos
sobre a participação nos lucros e resultados,
pois a grande maioria registrou percentuais iguais ou superiores
ao INPC do período. Já no primeiro semestre
de 2004, os índices de reajustamento e de aumento
salarial foram os melhores desde 1996, quando cerca de
80% das categorias profissionais obtiveram ganhos iguais
ou superiores a inflação. Em 2007, manteve-se
o reajuste por 100% do INPC e ganho real em quase todos
as convenções e acordos coletivos. Agora,
a disputa sindical sempre foca os aumentos superiores ao
INPC, que já estão atingindo 3%, como o acordo
coletivo na Vale do Rio Doce de 14% (INPC + aumento real),
sendo 7% em cada ano.
Desemprego
No início de 2003, o desemprego era a principal
questão da herança recebida do neoliberalismo
no país, com a existência de 12 milhões
de desempregados, sendo 19% na região metropolitana
de São Paulo e 7,3% o índice médio
nacional. No final de 2003, segundo a CUT, “os maiores
problemas no Brasil são a desigual distribuição
de renda e o desemprego. Há um agravamento da crise
social, manifestada nos índices de desemprego (20,4%
na Região Metropolitana de São Paulo, conforme
o Dieese) e pela pior renda média dos trabalhadores
nos últimos anos, efeitos da política neoliberal
implementada pelo governo FHC”. Portanto, naquele
momento, persistia o desemprego “como fator desagregador
do equilíbrio social e ainda a principal preocupação
dos brasileiros”. Entretanto, 2004 mostrou a reversão
inicial desse panorama, com o crescimento dos empregos
formais, em cerca de dois milhões (+7%), basicamente
nos setores industriais e do comércio. Atualmente,
houve queda na taxa de desemprego nas seis principais regiões
metropolitanas. Por isso, explica-se que na pesquisa da
Datafolha tenha ocorrido redução de 31% para
18% a preocupação do brasileiro diante de
seus problemas.
Massa salarial
“Neste fim de 2007, há um volume extra de
aproximadamente R$ 3,8 bilhões circulando mensalmente
nas mãos dos assalariados do setor formal da economia
brasileira. Esse volume de recursos se juntou aos R$ 7,3
bilhões gerados nos anos de 2005 e 2006 (segundo
a Relação Anual de Informações
Sociais-Rais) e fez a massa salarial do país crescer
30% em termos reais nos últimos três anos”. “No
Sul, o aumento da massa salarial total mais significativo
foi registrado em Santa Catarina, de 14,2%, seguido pelo
Paraná, com 11,6%. O crescimento da massa de celetistas
foi de 12% e 8,4%, respectivamente. O segundo pior resultado
do País foi o do Rio Grande do Sul, que teve aumento
de 9,4% na massa salarial, com melhora de 5,4% no salário
médio, que foi para R$ 1.198,23, e de 3,8% no número
de postos de trabalho” (Valor Econômico, 10/12/2007).
Poupança e empréstimos
“Os depósitos superaram os saques nas cadernetas
de poupança pela 15.ª vez consecutiva em novembro.
Conforme dados do Banco Central BC), o mês terminou
com captação líquida de R$ 2,717 bilhões,
melhor resultado para novembro desde 1994. Com isso, a
mais tradicional das aplicações financeiras
acumula R$ 24,244 bilhões em novas aplicações
em 2007. Mesmo sem dezembro, já é o maior
valor anual desde o Plano Real” (O Estado de S.Paulo,
8/12/07). “Até outubro, o saldo de financiamentos
a vencer acima de 1.088 dias (ou três anos) somou
R$ 52,2 bilhões. O acréscimo foi de 46,5%
no período..., 14% do volume total do saldo de crédito.
A maior fatia dos financiamentos, 36%, ainda é de
empréstimos quitados em até 180 dias (seis
meses), que cresceram 24,6% no período” (O
Estado de S. Paulo, 9/12/07).
Crescimento da economia
“O forte desempenho da economia no mês de
outubro e a possibilidade de um quarto trimestre ainda
mais aquecido fez economistas elevarem as projeções
para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB). As estimativas
variam de 1,1% a 1,6% para o terceiro trimestre em relação
ao segundo, e de 4,5% a 5% para o ano. Os principais fatores
apontados para a mudança são a elevação
dos investimentos e da produção industrial
e a expansão do consumo doméstico”. “Em
resumo, em 2004 crescemos 5,7% após um crescimento
acumulado de 5,2% nos três anos anteriores. Em 2007,
o PIB vai ficar perto de 5%, mas ele vem depois de um aumento
acumulado de 12,8% também considerado três
anos. Ainda é pouco para o que o país precisa.
Mesmo assim, diante das carências de infra-estrutura
e do ainda baixo ritmo de investimento ficamos com essa
sensação de “ritmo muito acelerado” (Valor
Econômico, 10/12//07).
Perspectivas
(a) Escrevíamos no início
de março de 2003 que “o desafio, pois, será encontrar,
nesse quadro de dificuldades locais, herdado de uma política
econômica neoliberal por oito anos, e nas turbulências
da política internacional norte-americana, as fórmulas
eficientes para superar a crise, gerar empregos e renda
e estabelecer um ponto de equilíbrio nas relações
entre capital e trabalho, que são as indicadoras
da harmonia social Eis algumas das difíceis tarefas
que se colocam para todos nós, depois do carnaval”.
(b) No final de 2003, assinalávamos
que “hoje, durante as festividades do Natal temos
a certeza que a política macroeconômica foi
controlada, o processo inflacionário está sendo
reduzido a quase zero ao mês, o real readquire sua
capacidade de compra, o risco país foi drasticamente
rebaixado, a balança comercial é favorável,
a credibilidade internacional brasileira está em
alta. As condições para o combate ao desemprego
estão colocadas. Ainda na avaliação
da CUT, “para 2004, as perspectivas de crescimento
são positivas. A partir da redução
da taxa de juros, haverá uma queda da dívida
pública e aumento da oferta de crédito, estimulando
o consumo e os investimentos produtivos. A retomada do
desenvolvimento do nosso país passa pelos investimentos
em produção de bens de capital, com fortalecimento
da indústria nacional. Para isso é preciso
reduzir o superávit primário para gerar emprego
e renda e desenvolver uma política social integrada
e audaz”.
(c) Embora, alguns desses fatores tivessem
sido confirmados, ainda persistiram grandes dificuldades
no ano de 2005, como as mesmas questões cruciais
do final de 2003 a serem enfrentadas, “entre elas
a da dívida pública, interna e externa, a
dependência do país em face ao capital internacional,
a especulação financeira e a necessidade
de controle desse capital especulativo e a questão
relacionada com a queda do dólar em relação
ao real, podendo gerar problemas nas exportações”.
Entretanto, em 2006 e 2007 foram mantidas as taxas de crescimento,
em conseqüência, de maior volume de investimentos,
mais geração de empregos. As entidades sindicais
dos trabalhadores assinalam que o aumento significativo
do salário mínimo e correção
da tabela do imposto de renda, conjugado com a ampla política
social do governo Lula, foram fatores fundamentais para
o atual equilíbrio na economia.
(d) A pesquisa da Datafolha de 26 a 29/11/07
, com 11.741 entrevistados, constatou que “54% dos
brasileiros acreditam que sua situação econômica
vai melhorar daqui para frente.Entre os moradores do Norte/Centro-Oeste,
o percentual salta a 61%; no Nordeste é de 59%.
Nas regiões Sul e Sudeste, os números ficam
abaixo da média nacional: 42% e 52%, respectivamente”.
Esperança
Que as confraternizações do Natal e do Ano
Novo nos unam e revigorem e que, passadas as férias
e as festas, já estejamos dispostos a enfrentar
velhos e novos desafios que se nos colocam neste pais tão
maravilhoso pela sua gente e natureza, mas tão desigual
e injusto para milhões de excluídos.
****
Trabalho no comércio: Em vigor
desde 6/12/07 a Lei 11.603 que autoriza o trabalho no comércio
em geral nos domingos, observada a legislação
municipal, com direito ao descanso dos comerciários
a cada dois domingos, assim como permite o trabalho nos
feriados desde que firmada esta condição
em convenção coletiva de trabalho e observada
a legislação municipal.
Curso de Especialização: Abertas
as inscrições para o curso de especialização
em Direito do Terceiro Setor, no Pós-Graduação
da Unicenp, sob coordenação do professor
Tarso Cabral Violin. O curso possibilita uma análise
crítica do terceiro setor da economia e os problemas
sociais do país. O curso é aberto a advogados,
membros do Ministério Público, Tribunal de
Contas, Poder Judiciário, servidores públicos
que lidam com ONGs e membros de ONGs (fone 41 3317-3111
e e-mail: posgraduacao@unicenp.edu.br).
Livros (1) “A Morte da Justiça
A truculência do Estado contra o Cidadão”,
de autoria do sindicalista Hilmar Adams, excelente obra
que inclui a questão dos precatórios judiciais “que
se constitui numa chaga aberta sangrando no seio da sociedade
brasileira” (www.editoraalcance.com.br) *** (2) “A
Prescrição nas Relações de
Trabalho”, coordenada pelo ministro do TST José Luciano
de Castilho Pereira e pelo advogado e ex-presidente da
Abrat Nilton Correia, obra lançada pela Associação
Luso-Brasileira de Juristas do Trabalho, em edição
da LTr (www.jutra.org) (3) “Estado
de Bem-Estar Social no Século XXI”, obra coordenada
por Maurício Godinho Delgado e Lorena Vasconcelos
Porto, trata da atualidade dos regimes de bem-estar social
na sociedade capitalista, em análises de juristas
brasileiros e europeus. Edição da LTr (4) “A
Perda da Razão Social do Trabalho Terceirização
e Precarização”, organizada pelas sociólogas
e professoras da UFBa e Unicamp Graça Druck e Tânia
Franco, analisando a erosão dos direitos dos trabalhadores
e as repercussões das políticas de flexibilização
sobre as condições de trabalho (Editora Boitempo).
“Para ganhar um Ano Novo que mereça este
nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem
de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente. É dentro de
você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre” (Carlos
Drummond de Andrade 1902/1987)
E-mail: edesiopassos@terra.com.br
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Folha de São Paulo,
30 de dezembro de 2007
País deve abrir 2,5
milhões de vagas em 2008
Para economistas, geração
de empregos formais e informais deve ficar abaixo do registrado
em 2007, mas com ritmo ainda forte
Previsão leva em conta um desempenho
da economia semelhante ao deste ano; renda não se
recuperou totalmente, diz especialista
FÁTIMA FERNANDES
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Se a economia brasileira começar 2008 com desempenho
no mínimo igual ao deste ano, é razoável
estimar a criação de até 2,5 milhões
de empregos formais e informais no país no ano que
vem, segundo economistas consultados pela Folha. O número é inferior
ao que especialistas estimam para este ano: a criação
de 2,7 milhões de empregos formais e informais,
mesmo nível de 2004. Mas, ainda assim, consideram
esse número surpreendente.
" A criação de cerca de 2,5 milhões de empregos em
2008 é compatível com o crescimento da economia previsto para o
ano que vem, entre 5% e 5,5%", afirma Marcio Pochmann, presidente do Ipea
(Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). " A criação
de empregos deve bater recorde em 2007. Se o país criar mais 2,5 milhões
de empregos em 2008, o que seria manter a média dos últimos quatro
anos, seria surpreendente", diz Marcelo Neri, economista-chefe do Centro
de Políticas Sociais da FGV (Fundação Getulio Vargas).
Os milhões de empregos possíveis de serem criados estão
baseados principalmente nos investimentos previstos em infra-estrutura
(saneamento), construção civil pesada e habitacional,
estradas, hidrelétricas e em indústrias para aumentar
capacidade de produção.
" Haverá eleições municipais em 2008. É bem
provável que as prefeituras aumentem os investimentos em obras públicas
e em mão-de-obra", diz Clemente Ganz Lúcio, diretor do Dieese
em São Paulo. "Deve ser um ano com crescimento de emprego em todos
os setores."
De 1997 a 2005, o mercado de trabalho no Brasil registrou um dos seus
piores momentos, com redução real de salários.
Desde 2004 o emprego e também a renda do trabalhador vêm
se recuperando. "O emprego já se recuperou, e a renda,
ainda não", afirma Neri.
Em 2004, foram criados 2,7 milhões de empregos formais e informais
no país. Em 2005, 2,5 milhões. Em 2006, 2,1 milhões.
Em 2007, esse número deve chegar a 2,7 milhões, com base
em dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios),
do IBGE. Para Neri, da FGV, a qualidade do emprego melhorou porque
parte significativa das vagas criadas, especialmente neste ano, é formal
-com carteira assinada.
" Faz muito tempo que não vemos no país um crescimento de
emprego tão seqüenciado como esse que vemos desde 2004. E o interessante é que
esse movimento atinge todos os setores da economia. É muito importante
chamar a atenção para a necessidade de requalificação
da mão-de-obra, porque as oportunidades de trabalho estão se multiplicando",
afirma Fábio Silveira, sócio-diretor da RC Consultores.
Economistas e especialistas em mercado de trabalho vêem para
2008 aumento no emprego especializado em todas as áreas, já que
as fábricas estão aprimorando cada vez mais seus meios
de produção. Operar uma máquina numa indústria
automobilística ou produzir um televisor exige hoje muito mais
conhecimento do empregado do que há dois ou três anos,
de acordo com os economistas consultados.
" Esses investimentos feitos pelas indústrias em modernização
vão levar à reorganização do sistema de emprego,
que terá de ser cada vez mais qualificado no país", diz Pochmann.
" O mercado de trabalho atravessa hoje uma situação favorável
e a expectativa é que isso venha a se perpetuar em 2008. O percentual
de trabalhadores com carteira assinada, que hoje é de 42% sobre a população
ocupada [21,3 milhões de pessoas], deve continuar subindo", afirma
Cimar Azeredo Pereira, gerente da integração da Pesquisa Mensal
de Emprego (PME) e da Pnad, do IBGE.
Na estimativa de Fábio Romão, da LCA Consultores, o total
de empregos formais criados no país -considerando os dados do
Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério
do Trabalho- deve chegar neste ano a 1,689 milhão. Para o próximo
ano, a previsão é que chegue a 1,568 milhão de
vagas.
" O resultado deve ser um pouco inferior ao previsto para este ano porque
se estima que o país vá crescer menos em 2008. Para este ano, o
PIB deve ficar em torno de 5,2%. Em 2008, deve ser de 4,5%. A projeção
de aumento da produção física industrial também é inferior
para 2008. Neste ano estima-se que tenha crescido cerca de 6% e para o ano que
vem a projeção é de 5%", diz Romão.
Um dos setores que devem ter forte expansão no emprego em 2008,
a exemplo do que ocorreu neste ano, é o da construção
civil. Em 2006 foram abertas 85,8 mil vagas nesse setor. Em 2007, mais
191,4 mil empregos deverão ser criados. " Tradicionalmente,
a construção civil responde com defasagem de seis meses
a um ano nos investimentos feitos no setor. A expansão do emprego
agora é resultado dos investimentos feitos desde o fim de 2006",
diz Romão. Para 2008, a estimativa é que sejam criadas
204,1 mil vagas no setor.
Na indústria, o destaque na geração de vagas deve
ficar com dois segmentos: o de açúcar e álcool,
impulsionado principalmente pela venda de veículos do modelo
flex, e o de alimentos e bebidas. "O emprego deve aumentar nesse
setor porque a produção de alimentos também cresce
com a melhoria na renda e no consumo das famílias", afirma
o economista da LCA Consultores.
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Folha de São Paulo,
30 de dezembro de 2007
Rendimento deve subir de 3%
a 5%
DA REPORTAGEM LOCAL
A massa real de rendimento dos trabalhadores deve subir
entre 3% e 5%, de acordo com estimativa de dez economistas
e especialistas em mercado de trabalho consultados pela
Folha. " O aumento da formalização tem
impacto direto na melhoria da renda. O trabalhador que
está na informalidade recebe salário menor
do que o que tem registro em carteira. Como a tendência é que
o movimento de formalização do emprego se
mantenha, as perspectivas são de melhoria no rendimento
também para 2008", diz Fábio Romão,
economista da LCA Consultores.
O rendimento real do trabalhador (descontada a inflação)
deve ter incremento de 2,63% neste ano considerando dados da Pnad (Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios) de 2006, do IBGE, segundo
estimativa de Romão. Para 2008, a projeção é aumento
de 2,42%.
Renda perde para 2002
Apesar de estar em recuperação, a renda do trabalhador
ainda não atingiu patamar de 2002, de acordo com Cimar Azeredo
Pereira, gerente da integração da Pesquisa Mensal de
Emprego (PME) e da Pnad, do IBGE. Em março de 2002, o rendimento
médio da população ocupada era de R$ 1.183,15,
enquanto em março deste ano estava em R$ 1.132,50.
Pereira faz outra comparação: na média de março
a outubro de 2002, o rendimento médio chegou a R$ 1.198,93.
Na média dos mesmos meses deste ano, foi de R$ 1.126,90. " O
rendimento real do trabalhador ainda tem de subir 6% para recuperar
o que já foi no passado, mas está claramente em recuperação",
afirma Pereira.
De janeiro a novembro deste ano, o rendimento acumulado do trabalhador
se expandiu em 11% na indústria na comparação
com o acumulado de janeiro a novembro de 2003. No comércio,
o aumento nesse mesmo período foi de 7%, na construção
civil, de 5,7%, nos serviços, de 4%, e, nos serviços
domésticos, de 15%.
O nível de ocupação sobre a Pia (População
em Idade Ativa) já supera em 2007 o registrado em 2002 . De
março a outubro de 2002, a proporção média
de pessoas ocupadas sobre a Pia foi de 48,7%. De março a outubro
deste ano, foi de 51,5%. A proporção de pessoas com carteira
assinada sobre o total de ocupados subiu de 40,5% para 42,4%, em média,
no período. (FF e CR)
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Folha de São Paulo,
30 de dezembro de 2007
VINICIUS TORRES FREIRE
A luta de classes em
2007
Retrospectiva casual da elite
branca má, da classe média morena, de sindicalistas,
financistas tucanos e cansei
EM 2003 , o sociólogo Francisco de Oliveira descobria uma "nova
classe", a dos sindicalistas financeiros, petistas que controlam
fundos sociais e de pensão, enfim, ex-sindicalistas que geram
reservas de capital para investimento privado. Em 2007, sindicalistas
e líderes sociais ora no governo revelaram mais da natureza de
sua "classe". Passaram a reclamar um terceiro mandato para
Lula e a renovação da boquinha no poder.
Oliveira citava como casos exemplares e individuais dessa "nova
classe" gente como Luiz Gushiken ou Ricardo Berzoini. Mas a gente
poderia citar ainda Luiz Marinho, ex-líder da CUT, depois ministro
do Trabalho, agora na Previdência. Em 2006, o filósofo Mangabeira
Unger descobria também uma "nova classe". Unger, ex-professor
de direito de Harvard, cuida de planos para o futuro do governo Lula.
A "nova classe média", que "veio de baixo", "morena", é dada à "cultura
de auto-ajuda e de iniciativa", estuda de noite, abre pequenos negócios, "participa
de novas igrejas e associações", descrê da vida
pública e admira sinais de sucesso.
Unger parece retratar integrantes de igrejas universais e pentecostais
e seus vizinhos, adeptos laicos ou até católicos dessa ética
protestante brasileirinha. Seriam os pobres remediados e que moram longe,
no Rio ou em São Paulo -mas o ministro Marinho e colegas sindicalistas
bem poderiam ser a outra face dessa "classe" de Unger: os seus
representantes que ascendem por meio de carreiras no Estado, digamos.
Em 2007, a Record, a maior TV da "classe média morena",
passou a copiar sistematicamente os métodos da Globo a fim de
crescer "à japonesa" (copiar para depois inovar e liderar).
A rede negocia parcerias globais. Fica mais e mais próxima do
governo Lula. Cresce e aparece.
Para Unger, sua "nova classe média" seria a portadora
da mudança política num país que, de FHC a Lula,
vem sendo "conciliado" de maneira perversa por meio de agrados
aos financistas e esmolas para os miseráveis. Para Oliveira, o
sindicalismo financeiro e sua expressão política, o PT,
seriam apenas a outra face do partido dos professores-intelectuais banqueiros,
o PSDB -por isso a coincidência, na prática, dos programas
e atos de Lula e FHC.
A "elite branca" má, "classe" denunciada pelo
ex-governador e sociólogo acidental Cláudio Lembo, é 0,3%
da população. Em 2007, tentou convocar seus primos mais
pobres da "classe alta baixa" (uns 3% do país) para
o fiasco do "Cansei".
Na noite de quinta, Lula comemorou, em seu discurso de autocongratulação,
a passagem de milhões de pessoas das classes D e E para a classe
C, "classe média", promovida por seu governo, meio cascata.
A política está mais "parda", cor de papel de
embrulho, nome do IBGE para moreno. Não adiantou muito. O país
segue devagar e sempre.
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Folha
de São Paulo, 30 de dezembro de 2007
Juros não caem porque Lula
teme o mercado, diz Alencar
Vice-presidente acrescenta, porém,
que petista "é um sujeito ultra-responsável'
Ele diz que Lula sabe da sua posição
sobre juros ("Claro que sabe, eu falo isso sem parar, né'),
mas nunca lhe pediu para ficar em silêncio
VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Crítico recorrente dos juros altos, o vice-presidente
José Alencar Gomes da Silva disse à Folha que eles
não caem mais porque o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva tem "medo" das ameaças feitas por economistas
de mercado de que isso causaria uma "inflação
violenta" no país.
A alfinetada no colega, contudo, é logo seguida de elogios pelo
comportamento "ajuizado" do petista. "O Lula é um
sujeito ultra-responsável, ele tem preocupação que
[uma queda forte dos juros] pudesse trazer uma inflação
brutal." Ao final da entrevista, feita na véspera de Natal,
já com o gravador desligado, José Alencar faz questão
de destacar que gosta muito do presidente Lula, tem um grande reconhecimento
do valor dele e que sempre será seu amigo.
Isso, segundo ele, não o impede de fazer suas críticas
aos juros altos. "Ele não pode me demitir, então falo
com absoluta isenção e independência." Diz,
porém, que pára de falar de juros no dia que o presidente
fizer tal pedido. "Eu não falaria mais, mas nunca me pediu." Leia
a seguir os principais trechos da entrevista concedida pelo vice-presidente
em Belo Horizonte, no escritório de sua empresa, a Coteminas:
FOLHA - O sr. sempre foi um crítico dos juros
altos. Nos últimos tempos, parou de criticar. O que
aconteceu?
JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA - Eu não
mudei nada. Eu nunca deixei de condenar. A inflação
não era de demanda, não exigia taxas de juros daquele
patamar [a taxa Selic chegou a 26,5% ao ano no início
do primeiro mandato] para combatê-la.
FOLHA - Por que o sr. acha que o governo não
resolveu essa questão dos juros altos?
ALENCAR - Porque há uma ameaça
de articulistas, que são economistas ligados ao sistema
financeiro, que é muito organizado, e que colocam quase
que como alternativa: ou nós mantemos esses juros ou mais
uma vez vamos ter uma inflação violenta no país.
FOLHA - Estão surgindo pressões
inflacionárias por causa da forte demanda. Se o Copom
(Conselho de Política Monetária) subir os juros,
o sr. ficará frustrado?
ALENCAR - Eu nunca critiquei o Copom diretamente,
ele não tem responsabilidade nenhuma perante à nação.
FOLHA - Quem tem?
ALENCAR - Quem tem é o governo, o presidente
da República, é ele quem tem de dar a determinação
para que as taxas de juros sejam essas. Agora, se ele não
quer fazer diretamente, porque tem medo desses que o ameaçam
com inflação, então que ele fortaleça,
enriqueça o Conselho Monetário Nacional [que
define a meta de inflação anual a ser perseguida
pelo Banco Central].
FOLHA - Por que o sr. acha que ele não
faz isso?
ALENCAR - Por que o Lula é um sujeito
ultra-responsável, tem preocupação que
pudesse trazer uma inflação brutal.
FOLHA - Não estou entendendo. O sr.
diz que ele é responsável, preocupado com a inflação,
mas diz que é o responsável pelos juros altos...
ALENCAR - Veja bem, cada um de nós tem
sua característica, o presidente da República não
tem o dever de ser familiarizado com todas as questões.
Por exemplo, não acredito que haja nenhum cientista político
que conheça mais política do que o Lula. No campo
social, não existe nenhum presidente mais responsável
e sensível do que ele. É um craque.
FOLHA - O sr. diz que o Lula é um craque
na área política e social, mas na econômica...
ALENCAR - Na área econômica ele
tem a preocupação com a inflação.
E como eles batem, batem, batem, ele acredita então que
graças a essa política monetária, de taxa
de juros elevadas, é que nós temos a inflação
baixa no Brasil. Ele acha isso.
FOLHA - O sr. concorda?
ALENCAR - Não, eu discordo frontalmente.
Por quê? Porque isso é graças ao equilíbrio
orçamentário, e não à política
monetária.
FOLHA - O sr. conversa sobre isso com o presidente?
ALENCAR - Eu e o Lula nos entendemos muito
bem, ele sabe dessa minha encrenca com relação
aos juros. Claro que sabe, eu falo isso sem parar, né,
então ele sabe. Ele nunca me pediu que não falasse.
E digo para você, se ele tivesse pedido, eu não
falaria mais, mas nunca me pediu.
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