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Diário Vermelho,
31 de dezembro de 2007
Brasil gerou 10 milhões
de empregos de 2004 a 2007
Em texto publicado este domingo (30) pelo jornal
paulistano Folha de S.Paulo, economistas especulam que, diante
das atuais perspectivas, serão criados cerca de 2,5
milhões de empregos formais e informais no ano de
2008. Os dados revelados pelo jornal indicam que o país
gerou 10 milhões de empregos de 2004 a 2007.
Ressaltando que a previsão é menor que
o número verificado este ano — quando foram
abertas 2,7 milhões de vagas — ainda assim,
os economistas consultados pelo jornal consideram esse
número surpreendente.
" A criação de cerca de 2,5 milhões
de empregos em 2008 é compatível com o
crescimento da economia previsto para o ano que vem,
entre 5% e 5,5%", afirma Marcio Pochmann, presidente
do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
" A criação de empregos deve bater
recorde em 2007. Se o país criar mais 2,5 milhões
de empregos em 2008, o que seria manter a média
dos últimos quatro anos, seria surpreendente",
diz Marcelo Neri, economista-chefe do Centro de Políticas
Sociais da FGV (Fundação Getulio Vargas).
Os milhões de empregos possíveis de serem
criados estão baseados principalmente nos investimentos
previstos em infra-estrutura (saneamento), construção
civil pesada e habitacional, estradas, hidrelétricas
e em indústrias para aumentar capacidade de produção.
" Haverá eleições municipais
em 2008. É bem provável que as prefeituras
aumentem os investimentos em obras públicas e
em mão-de-obra", diz Clemente Ganz Lúcio,
diretor do Dieese em São Paulo. "Deve ser
um ano com crescimento de emprego em todos os setores."
Durante os anos do mandato de Fernando Henrique Cardoso
e no primeiro ano do governo do presidente Lula, "o
mercado de trabalho no Brasil registrou um dos seus piores
momentos, com redução real de salários",
diz a Folha. Desde 2004 o emprego e também a renda
do trabalhador vêm se recuperando. "O emprego
já se recuperou, e a renda, ainda não",
afirma Neri.
Em 2004, foram criados 2,7 milhões de empregos
formais e informais no país. Em 2005, 2,5 milhões.
Em 2006, 2,1 milhões. Em 2007, esse número
deve chegar a 2,7 milhões, com base em dados da
Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios),
do IBGE, conformando um total de 10 milhões de
novos empregos desde 1994.
Para Neri, da FGV, a qualidade do emprego melhorou porque
parte significativa das vagas criadas, especialmente
neste ano, é formal -com carteira assinada.
" Faz muito tempo que não vemos no país
um crescimento de emprego tão seqüenciado
como esse que vemos desde 2004. E o interessante é que
esse movimento atinge todos os setores da economia. É muito
importante chamar a atenção para a necessidade
de requalificação da mão-de-obra,
porque as oportunidades de trabalho estão se multiplicando",
afirma Fábio Silveira, sócio-diretor da
RC Consultores.
Economistas e especialistas em mercado de trabalho vêem
para 2008 aumento no emprego especializado em todas as áreas,
já que as fábricas estão aprimorando
cada vez mais seus meios de produção. Operar
uma máquina numa indústria automobilística
ou produzir um televisor exige hoje muito mais conhecimento
do empregado do que há dois ou três anos,
de acordo com os economistas consultados.
" Esses investimentos feitos pelas indústrias
em modernização vão levar à reorganização
do sistema de emprego, que terá de ser cada vez
mais qualificado no país", diz Pochmann.
" O mercado de trabalho atravessa hoje uma situação
favorável e a expectativa é que isso venha
a se perpetuar em 2008. O percentual de trabalhadores
com carteira assinada, que hoje é de 42% sobre
a população ocupada [21,3 milhões
de pessoas], deve continuar subindo", afirma Cimar
Azeredo Pereira, gerente da integração
da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) e da Pnad, do IBGE.
Na estimativa de Fábio Romão, da LCA Consultores,
o total de empregos formais criados no país — considerando
os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados),
do Ministério do Trabalho — deve chegar
neste ano a 1,689 milhão. Para o próximo
ano, a previsão é que chegue a 1,568 milhão
de vagas.
" O resultado deve ser um pouco inferior ao previsto
para este ano porque se estima que o país vá crescer
menos em 2008. Para este ano, o PIB deve ficar em torno
de 5,2%. Em 2008, deve ser de 4,5%. A projeção
de aumento da produção física industrial
também é inferior para 2008. Neste ano
estima-se que tenha crescido cerca de 6% e para o ano
que vem a projeção é de 5%",
diz Romão.
Um dos setores que devem ter forte expansão no
emprego em 2008, a exemplo do que ocorreu neste ano, é o
da construção civil. Em 2006 foram abertas
85,8 mil vagas nesse setor. Em 2007, mais 191,4 mil empregos
deverão ser criados.
" Tradicionalmente, a construção
civil responde com defasagem de seis meses a um ano nos
investimentos feitos no setor. A expansão do emprego
agora é resultado dos investimentos feitos desde
o fim de 2006", diz Romão. Para 2008, a estimativa é que
sejam criadas 204,1 mil vagas no setor.
Na indústria, o destaque na geração
de vagas deve ficar com dois segmentos: o de açúcar
e álcool, impulsionado principalmente pela venda
de veículos do modelo flex, e o de alimentos e
bebidas.
" O emprego deve aumentar nesse setor porque a
produção de alimentos também cresce
com a melhoria na renda e no consumo das famílias",
afirma o economista da LCA Consultores.
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Gazeta do Povo, 31 de dezembro
de 2007
BRASIL | IMPOSTO
Governo pretende rever conceito
de carro popular
GM defende unificação
de IPI para todos os automóveis
FiatPress

O Uno Mille, da Fiat, está na categoria dos carros populares,
que recolhem hoje 7% de IPI
São Paulo – O governo pretende rever o conceito de carro
popular, num momento em que as vendas de veículos no país
estão “bombando”, conforme define o próprio
presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não se trata de
acabar com esse segmento, que responde por metade das vendas de automóveis,
mas de estabelecer um limite para modelos que terão imposto
menor. Hoje basta o carro ter motor 1.0 para entrar na categoria dos
chamados populares, mesmo que venha recheado de equipamentos e custe
mais de R$ 50 mil.
A discussão voltou à mesa em recente reunião
de representantes do governo e das montadoras para avaliar
as medidas da política industrial que deve ser lançada
em janeiro. “Nosso próximo tema será o
conceito de carro popular”, avisou um importante
membro do Ministério da Fazenda. Não foi
estabelecido prazo, mas a Associação Nacional
dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea)
deverá designar um comitê para tratar do assunto.
Desde a posse de Lula para o primeiro mandato o tema aparece
na agenda do governo, mas acaba sendo deixado de lado,
algumas vezes atropelado por assuntos mais urgentes, outras
por falta de consenso entre as próprias montadoras.
Todos os carros com motor 1.0 recolhem 7% de Imposto sobre
Produtos Industrializados (IPI) – do Mille, que custa
R$ 22,9 mil ao Fox Plus 4 portas, oferecido a R$ 54,4 mil
na versão top. Veículos com motor acima de
1.0 até 2.0 recolhem de 11% a 13% e os mais potentes
de 18% a 25%.
Executivos das montadoras não querem falar abertamente,
mas confirmam que o assunto voltou à tona para ser
tratado depois do lançamento da política
industrial, que não deve ter medidas radicais para
o setor automobilístico, que vive seu melhor momento
no país, com produção e vendas recordes.
A única a colocar sua posição foi
a General Motors, que aproveitou para ressuscitar o pleito
da unificação do IPI para todos os automóveis,
defendido há seis anos. A marca tem significativa
fatia das vendas no segmento de modelos não populares
e sugere alíquota única de 12% sem levar
em conta o tipo de motor.
“Quem tem de escolher o carro é o consumidor,
independente de qualquer benefício fiscal”,
diz o vice-presidente da GM, José Carlos Pinheiro
Neto. Em 2001, então presidente da Anfavea, ele
provocou alvoroço na entidade ao defender essa posição,
que significaria o fim do carro popular, sem o aval das
demais associadas. Naquele ano, os populares respondiam
por 74,6% das vendas de automóveis no país,
participação que hoje está em 54,3%. “Constatamos
uma migração do consumidor para modelos com
motor 1.4”, afirma o executivo.
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Gazeta do Povo, 31 de dezembro
de 2007
ECONOMIA | TRIBUTO
O Adeus à CPMF
Hoje é o último
dia do imposto do cheque, mas impacto de sua extinção
sobre o consumo é incerto
por ROSANA FÉLIX
Após 14 anos de convivência, os brasileiros
podem dar hoje adeus à Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira
(CPMF). A partir de amanhã, qualquer transação
estará livre da cobrança da alíquota
de 0,38%. É verdade que o imposto poderá ser
debitado das contas correntes até a próxima
sexta-feira, dia 4, como informou a Federação
Brasileira dos Bancos (Febraban), mas, mesmo nesse caso,
a alíquota será referente apenas à movimentação
financeira feita até o último dia de 2007
(leia matéria ao lado).
Confira a evolução da arrecadação
da CPMF nos últimos anos:
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Em
outras duas ocasiões o imposto já deixou
de ser cobrado, mas parece que, desta vez, a extinção é para
valer. Se por um lado o governo federal lamenta
a queda na arrecadação, equivalente
a R$ 40 bilhões em 2008, empresas e pessoas
físicas comemoram a redução
dos gastos. Para alguns analistas, os preços
de produtos e serviços vão cair,
mas não há previsão de qual
será o impacto disso para o consumidor e
quando isso vai acontecer.
De acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento
Tributário (IBPT), o peso da CPMF no preço dos
produtos é, em média, de 1,7%. “A CPMF era
embutida nos preços. A pessoa jurídica pagava o
tributo, mas transferia para o consumidor. Por isso a redução
nos preços pode ocorrer”, avalia o advogado Leonardo
De Paola, sócio do escritório Rivera & De Paola.
Segundo ele, é muito difícil estimar de quanto
poderia ser essa redução, já que as empresas
usam metodologias diversas para a contabilidade da CPMF.
Para
o presidente da Federação das Associações
Comerciais, Industriais e Agropecuárias
do Paraná (Faciap), Ardisson Naim Akel,
o ponto positivo do fim da CPMF é justamente
esse. “Acho que todos devemos considerar
o repasse da redução dos custos.” A
entidade pretende dar o exemplo.
Na semana passada, foi encaminhado a todos os membros da Faciap
uma sugestão para revisão dos preços de
serviços e produtos ofertados pelas associações. “Fazemos
a revisão dos custos anualmente. Agora sugerimos que as
tabelas feitas em janeiro contemplem a redução
dos custos operacionais com a economia da CPMF”, diz Akel.
A
Associação Paranaense dos Supermercados
(Apras), por sua vez, afirma que não deve
ocorrer nenhuma mudança nos preços
em função da CPMF pelos próximos
dois meses. “Ainda não sabemos qual
o reflexo do fim do imposto para o comércio.
Precisamos conversar com empresários para
ter uma dimensão da situação”,
declara o diretor da Apras, Walde Prochmann.
Segundo ele, apenas alguns mercados enviam dados
para a associação nacional dos
supermercados, então não é possível
estimar os custos que as empresas deixarão
de ter a partir de amanhã.
Se
o consumidor precisa de paciência para
sentir no bolso os efeitos da cobrança
da CPMF, as grandes empresas já sabem
quanto poderão economizar. O Grupo Pão
de Açúcar divulgou que deixará de
pagar cerca de R$ 60 milhões em 2008 por
conta do fim da CPMF. A Perdigão postergou,
para o início do ano, o pagamento de cerca
de R$ 600 milhões pela compra do controle
da Eleva Alimentos, feita no final de outubro.
Com a transferência, a companhia economizará cerca
de R$ 2,3 milhões.
O
presidente do Conselho Regional de Economia de
São Paulo (Corecon-SP), Wilson Villas
Boas, disse que não acredita no repasse
da redução de custos para o consumidor. “Em
tese, teria que haver impacto, mas eu não
acredito que alguém vá alterar
preços por conta disso. O que pode ocorrer é uma
estabilidade dos preços por um período
mais longo, em vez de eles sofrerem reajuste.”
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Gazeta do Povo, 31 de dezembro
de 2007
ECONOMIA | TRIBUTO
Retorno da cobrança é improvável
por ROSANA FÉLIX
A CPMF não retornará, pelo menos no modelo
que vigorou até hoje. De acordo com o ministro do
Planejamento, Paulo Bernardo, não há intenção
de apresentar nova proposta sobre o tema no ano que vem. “Talvez
num projeto de reforma tributária, num âmbito
maior, poderemos rediscutir o assunto. Mas a nossa visão é acabar
com a CPMF.” Apesar da resignação,
o governo federal ainda não sabe como tapar o buraco
do Orçamento, já que a arrecadação
com esse imposto renderia cerca de R$ 40 bilhões
anuais até 2011. “Era um tributo importante,
que arrecadava bem e ajudava no combate à sonegação.”
O presidente da Faciap, Ardisson Naim Akel, não
demonstra tanta certeza quanto ao fim do imposto. “É difícil
saber o que virá, mas sabemos que é muito
fácil para o governo aumentar as receitas e muito
difícil reduzir as despesas. A extinção
da CPMF poderia ser gradativa, até para evitar impactos
muito fortes na arrecadação”, diz.
Mas ele diz que considera o episódio todo muito
positivo, e que a votação no Senado que decretou
o fim da CPMF é reflexo do empenho de toda a sociedade. “Mandamos
um recado para o governo federal, de que não aceitaremos
mais a carga tributária que está em vigor
no país”.
Na avaliação do presidente do Corecon-SP,
Wilson Villas Boas, a CPMF acabou para valer. “Acho
que é adeus mesmo, e não apenas até logo. É um
tributo injusto e acho que nem com esse apelo, de pegar
sonegador, que é falacioso, vai vingar.” O
advogado Leonardo De Paola diz que, mantendo-se o cenário
político atual, dificilmente a CPMF volta.
A comunidade empresarial sabe dos investimentos importantes
que o governo pretende fazer, principalmente os previstos
no Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC), mas não aceita pagar mais impostos por isso,
diz Akel. “A carga tributária tira a competitividade
das empresas. Apesar do episódio da CPMF, estamos
muito otimistas com a consolidação do crescimento
econômico brasileiro em 2008.”
Para compensar a redução na arrecadação,
Villas Boas defende o aumento do Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF). “Hoje esse imposto representa
apenas um quarto do que é arrecadado com a CPMF. É muito
pouco, principalmente em relação aos lucros
recordes das instituições financeiras”,
observa. Segundo ele, o governo federal poderia diminuir
a sonegação ao fazer dos contribuintes “fiscais” do
sistema. Uma das sugestões é incentivar a
exigência da nota fiscal, cujos valores poderiam
ser abatidos do Imposto de Renda.
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Gazeta do Povo, 31 de dezembro
de 2007
ECONOMIA | TRIBUTO
Bancos e INSS ainda vão
trabalhar com resquícios do tributo
por ROSANA FÉLIX
A CPMF acaba, mas os bancos farão o débito
da CPMF nas contas de seus clientes até o dia 4.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban)
informou que, como algumas instituições fazem
a retenção da CPMF apenas uma vez por semana, é preciso
esperar até a primeira sexta-feira do mês
para que todos os débitos sejam contabilizados.
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) também
alerta para ajustes no pagamento do benefício de
cerca de 25 milhões de segurados que recebem até dez
salários mínimos. Desde que começou
a vigorar a CPMF, o INSS acrescenta ao valor de cada benefício
a quantia a ser paga de CPMF, de forma a assegurar a isenção
aos beneficiários. Quem recebe no início
do mês será contemplado com o acréscimo
equivalente à CPMF, mas o valor pago a mais será descontado
no pagamento seguinte.
As contribuições também sofrerão
alterações, já que, até hoje,
o trabalhador contribui com um valor menor à Previdência
Social para compensar o que paga de CPMF. Com o restabelecimento
da tabela original, o contribuinte com renda mensal de
R$ 868,29, por exemplo, vai pagar a mais R$ 3,03 ao INSS,
por mês.
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Folha de São Paulo,
31 de dezembro de 2007
Lula ajuda a eleger no NE,
mas repele votos no Sul e Sudeste
Petista é bom cabo eleitoral
para candidatos a prefeito no Nordeste, diz pesquisa
Levantamento do Datafolha em nove capitais
mostra que o quadro se inverte no Sul e Sudeste -o presidente
tira mais votos do que traz
LEANDRO BEGUOCI
DA REPORTAGEM LOCAL
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um
bom cabo eleitoral para os candidatos a prefeito do Nordeste.
No Sul e no Sudeste, tira mais votos do que traz. O governador
Aécio Neves (PSDB) tem boas chances de colocar seu
candidato no segundo turno. Luiz Henrique da Silveira (PMDB),
de Santa Catarina, pode até tirar.
Pesquisa Datafolha realizada entre 26 e 29 de novembro em nove capitais
mostra que em Recife, Fortaleza e Salvador, respectivamente, 38%, 29%
e 26% dos eleitores dizem que o apoio do presidente a um candidato à prefeitura
poderia levá-los a optar pelo nome. Apenas 10% em Recife, 15%
em Fortaleza e 13% em Salvador declaram não votar em alguém
que tenha Lula a seu lado.
O quadro se inverte no Sul e no Sudeste. Em Florianópolis, 34%
rejeitam candidatos ligados ao presidente; o número é de
25% em Curitiba, 24% em São Paulo, 23% no Rio de Janeiro e em
Belo Horizonte e 22% em Porto Alegre. Em Curitiba, Florianópolis
e Porto Alegre, 14% dos eleitores dizem que poderiam votar em candidatos
apoiados por Lula. O índice sobe para 15%, em São Paulo
e Belo Horizonte, e para 21%, no Rio de Janeiro.
A margem de erro é de cinco pontos percentuais, para mais ou
para menos, com exceção das cidades de São Paulo
e Rio de Janeiro-onde a margem de erro é, cada qual, de três
pontos e quatro pontos percentuais.
Portanto, no Rio de Janeiro há empate técnico entre os
que se dizem dispostos a votar em um candidato apoiado por Lula e os
que reprovam postulantes ligados ao presidente. Em Belo Horizonte e
Porto Alegre também há empate técnico, mas a probabilidade
maior é que, em 2008, o voto anti-Lula seja maior do que o pró-Lula.
O resultado atual lembra a eleição de 2006, quando o
presidente foi derrotado por Geraldo Alckmin (PSDB) no Sul e bateu
o tucano no Nordeste.
Governadores
A pesquisa Datafolha mostra os três governadores que mais transferem
votos no país: Aécio Neves (PSDB-MG), Eduardo Campos
(PSB-PE) e Cid Gomes (PSB-CE). Também traduz em números
um recado: as capitais da região Sul estão dispostas
a votar em nomes da oposição tanto ao presidente quanto
a seus governadores.
Em Minas, 42% das pessoas dizem que poderiam escolher o candidato apoiado
por Aécio; 14% rejeitam o nome ligado ao atual governador. Dentre
os nomes pesquisados pelo Datafolha, ele é o maior "transferidor" de
votos. Campos também aparece bem: 32% de simpatia por seu candidato
e 12% de rejeição. Cid Gomes tem 30% e 21%, respectivamente.
Em São Paulo, o candidato apoiado por Serra tem mais chances
de reverter apoio em voto do que o postulante de Lula: 23% dos eleitores
se dizem propensos a escolher alguém que conte com o governador
a seu lado, contra 15% que afirmam o mesmo para o presidente. O quadro
se repete no Rio de Janeiro: enquanto 27% dos pesquisados afirmam que
poderiam votar no candidato de Sérgio Cabral (PMDB), 21% votariam
no escolhido por Lula.
A liderança do ranking negativo da influência cabe ao
governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB), de Santa Catarina: mais
de um terço do eleitorado (38%) se recusa a votar em alguém
ligado a ele.
Roberto Requião (PMDB-PR) e Yeda Crusius (PSDB-RS) vêm
logo em seguida, com 30% de rejeição a seu candidato,
cada um. Poderiam votar em postulantes apoiados por Silveira 15% dos
eleitores. O índice vai a 17% para Requião e cai para
10% com Yeda Crusius.
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Folha de São Paulo,
31 de dezembro de 2007
Brasileiro nunca pagou tanto
em tributos
Recorde, carga tributária
deve superar 36% do PIB; contribuinte precisou trabalhar
146 dias no ano só para pagar impostos
Carga fiscal sobre o ganho bruto da
classe média, com renda mensal entre R$ 3.000 e
R$ 10 mil, chega a 42,7%, aponta estimativa do IBPT
MARCOS CÉZARI
DA REPORTAGEM LOCAL
Nunca antes na história deste país -para
usar o bordão preferido do presidente Lula- os brasileiros
pagaram tanto em tributos como em 2007. Mais uma vez a
carga tributária baterá novo recorde, superando
36% do PIB (Produto Interno Bruto). De cada R$ 100 em riquezas
que o país gerou neste ano, R$ 36 foram para os
cofres dos governos federal, estaduais e municipais.
O governo diz que a carga fiscal aumentou porque a economia cresceu,
o que é verdade (leia texto nesta página). Exatamente
devido a esse crescimento, se esperava redução mais acentuada
da carga tributária em 2007 -além da correção
de 4,5% na tabela do Imposto de Renda das pessoas físicas, o
governo concedeu desonerações tributárias pontuais
a vários setores. As bondades pouco efeito tiveram sobre o conjunto
da arrecadação.
Segundo estimativa do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário),
a carga tributária em 2007 crescerá para 36,02% do PIB
-mais 0,81 ponto percentual em relação aos 35,21% de
2006. Os contribuintes brasileiros deixaram mais de R$ 928 bilhões
nos cofres dos fiscos dos três níveis de governo -R$ 2,54
bilhões/dia.
Essa voracidade fiscal fez com que os brasileiros tivessem de trabalhar
146 dias -até 26 de maio- apenas para cumprir suas obrigações
tributárias com os três níveis de governo, segundo
estudo do IBPT -é o mesmo que entregar aos governos R$ 40 de
cada R$ 100 recebidos. Como comparação, esse tempo é o
dobro do que se trabalhava na década de 70 para o pagamento
de tributos.
Segundo o IBPT, apenas os suecos (185 dias) e os franceses (149 dias)
trabalham mais que os brasileiros para cumprir tais compromissos. Os
norte-americanos dedicam 102 dias de trabalho ao fisco; os argentinos,
97 dias; e os chilenos, 92 dias. Se o cálculo tomar por base
os contribuintes da classe média -renda mensal entre R$ 3.000
e R$ 10 mil-, o número de dias trabalhados sobe para 156, ou
seja, até 5 de junho. Nesse caso, a carga fiscal sobre a renda
bruta sobe para 42,7%.
Para Gilberto Luiz do Amaral, presidente do IBPT, embora não
tenha havido aumento de alíquotas neste ano, a carga tributária
cresceu mais uma vez (em proporção do PIB) devido ao "efeito
residual de aumentos no passado recente". A lista desses aumentos é grande.
Entre eles, estão a criação do PIS e da Cofins
sobre as importações, a partir de maio de 2004; o aumento
de 3% para 4% da Cofins das instituições financeiras,
a partir de agosto de 2003; o aumento da base de cálculo da
CSLL, de 12% para 32% (mais 166,7%) das empresas prestadoras de serviços
tributadas pelo lucro presumido, a partir de agosto de 2003; a alíquota
de 27,5% do IR da pessoa física tornou-se permanente (deveria
cair para 25% a partir de 2004); a CPMF foi prorrogada até o
dia de hoje e com alíquota de 0,38% (deveria cair para 0,08%
a partir de 2004).
Amaral lembra que o governo Lula ainda tentou elevar a carga tributária
por meio da medida provisória nº 232, de 2004 -a intenção
era aumentar, de 32% para 40%, a base de cálculo da CSLL e do
IR das empresas prestadoras de serviços. Mobilizada, a sociedade
conseguiu fazer com que o Congresso rejeitasse o aumento. Estimativas
indicam que a Receita obteria mais R$ 5 bilhões por ano a partir
de 2006.
Depois de anos seguidos de alta, Amaral prevê que a carga tributária
finalmente poderá baixar em 2008 -desde que o governo não
eleve alíquotas de outros tributos que não dependem de
aprovação do Congresso (como IOF, IPI e CSLL) para compensar
o fim da CPMF.
Se houver algum aumento de tributo, a carga fiscal não cai,
segundo Amaral. Sem os R$ 38 bilhões da CPMF, a carga em proporção
do PIB teria de baixar 1,4 ponto percentual. Como cerca de R$ 14 bilhões
a R$ 15 bilhões voltarão na forma de outros tributos,
via maior consumo, ele estima aumento de 0,5 ponto percentual. Isso
levará à queda de 0,91 ponto percentual da carga em 2008.
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Folha de São Paulo,
31 de dezembro de 2007
Natal de 2008 guarda "presente'
de R$ 1 trilhão para arrecadação
DA REPORTAGEM LOCAL
Muito provavelmente na semana do Natal de 2008 os contribuintes
brasileiros darão um belo presente aos governos federal,
estaduais e municipais: o pagamento do primeiro trilhão
de reais em tributos, em um mesmo ano, ou seja, entre janeiro
e dezembro.
Com base nas previsões do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento
Tributário), o Impostômetro da Associação
Comercial de São Paulo marcará, entre os dias 20 e 31
de dezembro de 2008, R$ 1,017 trilhão em tributos pagos aos
três níveis de governo (o Impostômetro marca em
tempo real quanto os brasileiros pagam em tributos). Esse valor tem
por base a média do crescimento da arrecadação
no país nos últimos dois anos.
A previsão está sendo feita sem a CPMF e sem um eventual
aumento de tributos para compensá-la. Se o governo decidir elevar
as alíquotas de algum tributo para compensar a perda de R$ 38
bilhões da CPMF, o presente de R$ 1 trilhão poderá vir
antes do Natal.
Segundo o advogado Gilberto Luiz do Amaral, presidente do IBPT, o simples
aumento do PIB (Produto Interno Bruto) e a maior formalização
do emprego já elevarão o total de tributos pagos durante
o ano em pelo menos 6%. Isso porque a estimativa é de que o
PIB cresça pelo menos 5% em 2008. Se o crescimento superar 5%,
ou se o governo elevar a alíquota de algum tributo, a previsão
de R$ 1,017 trilhão será superada.
Na estimativa de Amaral, a arrecadação de tributos pelos
três níveis de governo crescerá 9,6% em 2008, passando
de R$ 928,15 bilhões neste ano para o R$ 1,017 trilhão.
Já a carga fiscal em porcentagem do PIB recuará devido à perda
de R$ 38 bilhões com o fim da CPMF.
Amaral prevê que ao final de 2008 a carga fiscal ficará em
35,11% do PIB, ou 0,91 ponto percentual menor do que o recorde de 36,02%
também estimado por ele para este ano. (MC)
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Revista Consultor Jurídico,
31 de dezembro de 2007
Reincidência laboral
Advogada demitida faz concurso
e é recusada de novo
por Marina Ito
Não se pode concluir que uma candidata é inapta
só porque já foi demitida da empresa. Essa é uma
das conclusões a que chegou o desembargador José Figueiredo,
da 11ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça
do Rio de Janeiro. Em seu voto, o desembargador deu provimento
ao recurso de uma advogada, que já trabalhou na
Petrobras e que tenta ser empossada novamente pela empresa.
O julgamento foi suspenso devido a pedido de vista da desembargadora
Marilene Alves.
A advogada já havia pertencido aos quadros de funcionários
da Petrobras. Prestou concurso e foi aprovada para trabalhar
em Brasília. Posteriormente foi demitida. Ao mesmo
tempo em que discute na Justiça do Trabalho sua
demissão, a advogada prestou novo concurso para
a Petrobras. Foi aprovada em todas as fases até ser
barrada e impedida de tomar posse.
Para o desembargador Figueiredo, a candidata precisa saber
por que foi reprovada, coisa que a Petrobras não
explicou. O desembargador também levou em consideração
as circunstâncias da demissão da advogada
pela empresa anteriormente. A advogada foi demitida por
insubordinação. Com base em informações
de uma sindicância, o desembargador constatou grande
volume de ações e ambiente tenso no departamento
jurídico da empresa em Brasília, onde atuava
a advogada.
O voto de Figueiredo foi acompanhado pelo revisor, desembargador
Otávio Rodrigues. “Não houve obstáculo
para que a candidata se inscrevesse nem fizesse as provas”,
completou. Os desembargadores também julgaram procedente
o pedido de indenização por danos morais,
fixada em R$ 15 mil. Entenderam que a candidata foi submetida
a humilhação, já que compareceu no
dia da posse, mas não pôde assinar o contrato.
A desembargadora Marilene Alves pediu vista para analisar
melhor a situação. Para ela, o julgamento
levantou questões sérias. “A empresa
precisa ter confiança no advogado. Até onde
podemos forçá-la a admitir o funcionário?”,
perguntou.
Processo 2007.001.46.786
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Revista Consultor Jurídico,
31 de dezembro de 2007
Olho no futuro
Não se pode renunciar
um direito por puro comodismo
por João Baptista Herkenhoff
A cidadania há de ser conquistada através
da luta individual e através da luta coletiva. Há situações
concretas onde o cidadão tem de travar uma luta
individual para conquistar seus direitos. Esta luta individual,
solitária, que o cotidiano da vida às vezes
exige, é sempre dura e difícil. Esta luta é mais
penosa, mais longa, com possibilidade de êxito menor.
Porém, se uma situação concreta reclama
a luta individual, não devemos recuar diante dos
obstáculos.
Podemos renunciar a um direito por generosidade, jamais
por comodismo ou apatia. Dou o exemplo: posso rasgar um
documento de crédito, de que sou titular, se o devedor
encontra-se numa situação aflitiva, porque
o homem não pode ser lobo de outro homem. Neste
ponto discordamos de Rudolf von Ihering que, na sua obra
clássica A luta pelo Direito, não admite
a renúncia a direitos.
Sempre que for possível, devemos recorrer à luta
coletiva. Imaginemos uma situação na qual
várias pessoas têm um mesmo interesse a defender
perante a Justiça. Ora, será muito mais prático
que se juntem para uma ação em comum do que
cada um lutar separadamente.
Pela Constituição de 1988, os sindicatos,
as entidades de classe, as associações, os
partidos políticos podem ingressar coletivamente
em Juízo em favor de centenas ou milhares de pessoas.
Para a luta coletiva, em seus diversos níveis,
a sociedade tem de aprender a organizar-se. Os pleitos
que se formulam de maneira atabalhoada não são
vitoriosos. O planejamento, a discussão, a partilha
dos problemas, a montagem de uma estratégia de luta – este
me parece ser o caminho para o bom encaminhamento das causas
que envolvem muitos.
Se a organização autônoma da sociedade é indispensável
aos avanços sociais e às pugnas em prol da
Cidadania, nem por isso o Poder Público está dispensado
de fazer sua parte.
Numa sociedade democrática, os Poderes Públicos
estimulam, encorajam e apóiam todo o esforço
que se desenvolva no sentido da consolidação
da Cidadania. Daí a importância da criação
de Conselhos de Cidadania e Direitos Humanos, por iniciativa
governamental, no âmbito federal, estadual ou municipal.
Também quando se trata de uma luta extrajudicial
(isto é, uma luta fora da Justiça), será sempre
mais eficaz a luta coletiva. Um provérbio popular
resume tudo isto que estamos dizendo: “Uma andorinha
só não faz verão”. As classes
dominantes desencorajam as lutas coletivas. Com freqüência,
os líderes das lutas coletivas são perseguidos,
presos e até mesmo assassinados.
O povo tem de aprender a vencer seus desafios, com suas
próprias forças. Mesmo que o ambiente envolvente
seja adverso, mesmo que a luta coletiva não seja
valorizada e enaltecida, é a união que faz
a força.
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