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Agência Diap, 19 de
Agosto de 2008
CAMPANHA SALARIAL
Dieese divulga nota técnica
sobre as variações da inflação
De acordo com algumas instituições,
a inflação vem perdendo força, como divulgado amplamente
na imprensa. Porém, o assunto continua em pauta, pois ainda há focos
de pressão, como nos grupos alimentos e habitação.
Para analisar o cenário,
subsidiar o ciclo de debates que vem sendo realizado junto com as centrais
e, especialmente, orientar os sindicatos em suas campanhas salariais,
o Dieese Nacional divulgou nesta segunda (18) a nota técnica Inflação
e as Campanhas Salariais.
Clique aqui e
veja a íntegra do documento
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Vermelho, 19 de Agosto de
2008
Inflação em queda reforça
luta pela redução dos juros
O comportamento da inflação
nas últimas semanas sugere que o Comitê de Política
Econômica do Banco Central (Copom) foi no mínimo precipitado
ao aumentar as taxas de juros usando o pretexto de uma alta descontrolada
dos preços. Diversas entidades dos movimentos sociais realizaram
manifestações nas três últimas reuniões
do Copom contra o aumento dos juros, destacando já naquele período
que a inflação não era um argumento possível
para o aumento dos juros.
Diferentes índices de
inflação indicam uma clara tendência à sua
desaceleração, seja no varejo ou no atacado. A evolução
mais favorável dos preços é duplamente vantajosa
para a classe trabalhadora e a nação. Em primeiro lugar,
porque reduz a corrosão do poder de compra ou do valor real dos
salários.
Não menos importante é o fato de que a inflação
em baixa fortalece a convicção das centrais sindicais e das forças
interessadas no desenvolvimento nacional de que a hora é propícia
para reduzir as taxas de juros, em vez de elevá-las, conforme pretende
o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles.
Graças à política do BC, o Brasil cobra as mais altas
reais de juros de todo o mundo, o que impede um crescimento mais robusto e
sustentado da economia, do nível de emprego e dos salários.
Convém aqui lembrar que, segundo declarações do próprio
presidente do BC (que, de resto, coincide com a opinião de muitos especialistas
no tema), as altas dos juros promovidas nas três últimas reuniões
do Copom ainda não surtiram efeito, por isto seria equivocado atribuir
a queda no ritmo de aceleração dos preços à política
monetária restritiva, cujo resultado líquido virá em futuro
próximo na forma da redução da taxa de crescimento.
IPC-S
O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) verificou expansão
de 0,34% na segunda prévia de agosto. Com isso, ficou 0,10% abaixo da
taxa apurada na abertura do mês, de 0,44%, marcando o menor resultado
desde a terceira semana de março deste ano (0,23%).
Alimentação verificou a quinta desaceleração seguida,
destacou a Fundação Getulio Vargas (FGV) em nota - o grupo caiu
0,06%, uma inversão da direção vista no início
do mês, de acréscimo de 0,40%. Os preços das hortaliças
e legumes caíram mais.
O ramo Vestuário também ficou no território negativo,
com declínio de 0,23%. No começo de agosto, contudo, a queda
tinha sido de 0,33%. Subiram menos educação, leitura e recreação
(0,21% para 0,09%) e saúde e cuidados pessoais (0,61% para 0,52%).
Habitação, por sua vez, apareceu entre as classes de despesa
com avanço no ritmo de alta entre o levantamento inicial de agosto e
esta prévia - 0,70% para 0,81%. Tiveram o mesmo comportamento Despesas
Diversas (0,41% para 0,71%) e Transportes (0,21% para 0,23%).
IPC-10
O Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) reduziu o ritmo de alta
e registrou 0,38% em agosto. No mês anterior, a elevação
do indicador havia sido de 2%, informou a Fundação Getúlio
Vargas (FGV). Esse comportamento foi associado a um avanço mais modesto
do índice de preços no atacado. No acumulado do ano, o IGP-10
aumentou 9,06%. Em 12 meses, a alta foi de 14,42%.
O Índice de Preços por Atacado (IPA), que subiu 2,54% em julho,
verificou agora acréscimo de 0,25%. Os produtos agropecuários
saíram de uma elevação de 4,66% para deflação
de 1,98%. Os produtos industriais foram de 1,71% para 1,13%.
Deflação
Dos três componentes do IPA, as Matérias-Primas Brutas acabaram
no território negativo, registrando deflação de 1,87%,
uma inversão da direção vista em julho, de aumento de
4,54%. Bens Intermediários cresceram 1,61% este mês e Bens Finais
anotaram expansão de 0,44% após os respectivos 2,60% e 0,66%
de julho.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) abandonou uma alta de
0,65% no mês passado para 0,36% nesta pesquisa. O destaque coube ao grupo
Alimentação, que avançou 0,13% contra 1,56% de julho.
Vestuário verificou recuo, de 0,51%, seguindo acréscimo de 0,15%
um mês antes.
A variação do Índice Nacional de Custo da Construção
(INCC) sofreu pequena mudança, indo de 1,50% para 1,43% entre um mês
e outro. O indicador que capta os custos da mão-de-obra teve alta de
0,77%, sucedendo elevação de 1,40%. Materiais e serviços
tiveram elevação mais expressiva, de 2,01%, depois do 1,59% em
julho.
O IGP-10 é calculado com base nos preços coletados entre os dias
11 do mês anterior e 10 do mês de referência.
Da redação, com agências
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Gazeta do Povo, 19 de Agosto
de 2008
Preços
Inflação perde força,
mas juro continuará subindo
Índices mostram que a alta dos preços
desacelerou bastante. Mesmo assim, analistas acreditam que o BC continuará elevando
a taxa Selic até o fim do ano
Dois indicadores da Fundação
Getulio Vargas (FGV) divulgados ontem reforçaram a tendência
de desaceleração da inflação no atacado
e no varejo, que já vinha sendo apontada por uma série
de índices publicados nas últimas semanas. No entanto,
isso não deve ser suficiente para mudar a atitude do Banco
Central em relação à taxa básica de juros
(Selic). Na opinião da maioria dos analistas, o Comitê de
Política Monetária (Copom) vai elevar o juro básico,
atualmente de 13% ao ano, em 1,75 ponto porcentual até dezembro,
na tentativa de frear o avanço do consumo. A estimativa consta
do relatório Focus, também divulgado ontem, elaborado
pelo BC a partir da opinião de quase uma centena de bancos
e consultorias.
De acordo com a FGV, o Índice de Preços ao Consumidor-Semanal
(IPC-S), que acompanha as variações no varejo, caiu ao menor
nível desde a terceira semana de março, fechando em 0,34% na
segunda prévia de agosto, abaixo dos 0,44% apurados na primeira parcial
do mês. O outro indicador divulgado ontem pela FGV sofreu um recuo ainda
mais forte: o Índice Geral de Preços-10 (IGP-10), que compila
resultados do atacado, varejo e construção civil, baixou para
0,38% em agosto, frente aos 2% verificados em julho. Com preços coletados
entre 11 de julho e 10 de agosto, o índice atingiu o menor patamar desde
julho de 2007.
Como as variações do atacado respondem por 60% do IGP-10, o índice é muito
influenciado pela oscilação dos preços de commodities.
Exatamente por isso, o indicador subiu com força há alguns meses
e caiu agora, acompanhando as cotações de produtos negociados
no mercado internacional – várias despencaram mais de 20% desde
o pico atingido em junho e julho. Dos cinco produtos com maior contribuição
para a desaceleração do indicador em agosto, três (soja,
milho e trigo) são commodities agrícolas.
“ Não vejo essas taxas tão altas ocorrendo novamente, no
curto prazo”, disse o coordenador de análises econômicas da
FGV, Salomão Quadros, referindo-se às altas de 1,96% e 2% registradas
pelo IGP-10 em junho e julho, respectivamente. Segundo ele, o índice deve
continuar em trajetória de desaceleração nos próximos
meses, reduzindo ainda mais a taxa acumulada em 12 meses, que até agosto
ficou em 14,42%. Por isso, o economista vê espaço para que o BC
diminua o ritmo das altas da Selic. “Na época em que eles elevaram
[a Selic] em 0,75 ponto porcentual [em julho], eu não vi motivo para uma
elevação tão alta. É claro que eles devem continuar
subindo, e há motivos para isso. Mas não há razão
para outra rodada de aumento forte.”
Mas, apesar da opinião do economista e dos seguidos sinais de desaceleração
da inflação, bancos e consultorias continuam acreditando que
a Selic subirá 0,75 ponto na próxima reunião do Copom,
nos dias 9 e 10 de setembro. O curioso é que, segundo o relatório
Focus, essas mesmas instituições revisaram para baixo sua expectativa
para a inflação neste ano. A projeção para o IPCA
(indicador oficial do governo) recuou pela segunda semana seguida e agora é de
6,44%.
Retração natural
Para o economista Fábio Araújo, da Brain Consultoria, a inflação
está recuando por dois motivos: o alívio dos preços das
commodities e a “retração natural” do consumo provocada
pelo próprio aumento dos preços. “A inflação
subiu nos últimos meses, corroendo o poder de compra do consumidor.
Que passou a consumir menos e, com isso, a pressionar menos a inflação”,
disse Araújo. “O que podemos garantir é que as quedas não
têm a ver com os recentes aumentos da Selic. Até porque o Banco
Central não tem como agir sobre a inflação das commodities,
que é importada.”
O diretor-presidente da Fundação Instituto de Administração
da Universidade de São Paulo (FIA/USP), Cláudio Felisoni, defende
que o BC aguarde antes de promover novas altas da taxa de juros. “Atuando
de forma isolada, o Banco Central terá pouco resultado sobre a inflação,
já que ela está sendo influenciada principalmente pela dinâmica
internacional. O problema é que, além de fazer pouco para controlar
a inflação doméstica, as altas da Selic prejudicam a atividade
do varejo, que tende a desacelerar”, diz Felisoni.

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FOLHA DE LONDRINA, 19 de agosto de 2008 | Política
Lula veta redução
de despesas dos 3 Poderes
Brasília - Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário não
terão mais que reduzir em 10% as despesas com publicidade, diárias,
passagens e locomoção no orçamento do próximo ano.
O item, que fazia parte da Lei de Diretrizes Orçamentárias de
2009, foi vetado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na justificativa
para o veto, a Casa Civil alega que ações emergenciais poderiam
ser comprometidas com a determinação.
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O ESTADO DO PARANÁ,
19 de agosto de 2008 | Política
Ministros apresentam a Lula proposta
de reforma política
Agência Estado
Os ministros da Justiça, Tarso Genro, e das Relações Institucionais,
José Múcio, apresentaram nesta segunda-feira (18), durante a
reunião de coordenação política coordenada pelo
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma proposta de reforma política.
O teor da proposta não foi divulgado mas, conforme o Palácio
do Planalto, a sugestão foi considerada boa pelos integrantes do grupo
de coordenação política e deve ser discutida em outros
encontros.
Além de José Múcio
e Tarso Genro, integram o grupo de coordenação política
o vice-presidente, José Alencar, e os ministros da Casa Civil,
Dilma Rousseff, da Fazenda, Guido Mantega, do Planejamento, Paulo Bernardo,
e da Secretaria Geral, Luiz Dulci.
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FOLHA DE LONDRINA, 19 de
agosto de 2008 | Política
MP se manifesta contra aposentadoria
parlamentar
Curitiba - O promotor de Justiça Mateus Eduardo Bertoncini, do Ministério
Público (MP) do Paraná, se manifestou contrário à lei
complementar número 120/07, que criou um plano de aposentadoria especial
para os deputados estaduais. A manifestação consta no parecer
assinado pelo promotor relativo ao agravo de instrumento do vereador de Colombo
Joel Cordeiro, autor de uma ação popular em trâmite na
4 Vara da Fazenda Pública, Falências e Concordatas, que tenta
derrubar a aposentadoria. Cordeiro já havia obtido uma liminar suspendendo
os efeitos da lei complementar, mas a decisão foi cassada a pedido da
Assembléia Legislativa.
''Da simples leitura da Lei percebe-se
que fatalmente o prejudicado será o erário, e consequentemente
o interesse público, pois não há fonte de custeio,
na medida em que não houve pagamento de contribuições.
(...) O passivo do inconstitucional plano de previdência, em 30
de abril de 2007, era de R$ 36.271.489,56, dos quais 50% já foram
liberados pelo artigo 11 da Lei Complementar 120/2007'', escreveu Bertoncini,
em referência ao aporte inicial que deverá ser feito pela
Assembléia para dar início ao plano de previdência.
Catarina Scortecci
Equipe da Folha
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FOLHA DE LONDRINA, 19 de
agosto de 2008 | Opinião
A baixa escolaridade de candidatos
A propaganda política no rádio
e na TV começa, é enfadonha mas faz parte do processo
e é a melhor maneira de o eleitorado escolher
É pertinente à realidade brasileira o fato de 53% dos 380 mil candidatos à eleição
de outubro não haverem terminado o ensino fundamental e 45% não
terem curso médio. Desse universo é que sairão os prefeitos
e vereadores que irão governar os 5.563 municípios a partir de
janeiro de 2009. Não se imagina qual será o grau dos eleitos, mas
o quadro não deve se alterar muito, porque esta é a oferta que
o Brasil disponibiliza. Costuma-se dizer que contra fatos não há argumentos,
porque esta é a realidade que se desenha, não se podendo esperar
milagres de futuros políticos com esse preparo.
Com um tal nível, muitos
irão demorar para entender os regimentos e saber quais serão
as suas atribuições quando tomarem as rédeas do
poder. A decisão da escolha será dos eleitores, mas estes
situam-se na mesma proporção educacional dos candidatos,
porque as duas camadas são predominantes na sociedade brasileira.
Os números publicados mostram também que nesse contingente
de disputantes existem muitas pessoas simplórias, algumas mais
parecendo aventureiros que buscam ganhar na sorte, eventualmente por
voto de protesto.
Não entra na avaliação
se esses simples venham ou não exercer com honestidade o mandato,
se eleitos, mas é indiscutível que seria necessário
que os partidos políticos fizessem uma melhor seleção
prévia. Tem-se afirmado que todo candidato representa certa faceta
do meio, mas assim mesmo incumbe a cada partido escolher os mais preparados
e com mais indicativos de competência e seriedade, sem apelar para
figuras mais populares que podem aglutinar votos mas não mostram
capacidade de exercer função pública eletiva. Recorde-se
que, no Brasil, o deboche do eleitorado já elegeu um hipopótamo
do zoológico de São Paulo como vereador - o Cacareco. Cresceu
bastante o número de eleitores - que saltou de 15 milhões
no início dos anos 60 para os 126,9 milhões atuais, mas
o índice da baixa escolaridade foi sempre proporcional, porque,
com todos os avanços, os governos não acompanharam o aumento
populacional e não supriram em capacitação escolar
as necessidades nacionais.
Hoje começa a propaganda
eleitoral gratuita no rádio e na televisão, alterando
a programação desses veículos e também
os hábitos dos ouvintes e telespectadores. As pessoas consideram
este o pior momento - porque é fato que a maioria não
suporta a enfadonha fala dos candidatos - mas assim é o processo
democrático e a melhor forma de o eleitor escolher.
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Agência Senado, 19 de Agosto de 2008
Paulo Paim quer taxar grandes fortunas
Está na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE)
aguardando relator o projeto de lei (PLS 128/08) de autoria do senador Paulo
Paim (PT-RS) que cria o Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF). O novo tributo
teria alíquota de 1% sobre o patrimônio dos contribuintes cujo
valor ultrapassasse o equivalente a R$ 10 milhões no dia 31 de dezembro
de cada ano civil.
Conforme o senador, o objetivo do seu projeto é corrigir distorções
do sistema tributário que levam a uma taxação proporcionalmente
maior dos brasileiros de baixa renda. "Os indivíduos de baixa renda
consomem proporcionalmente mais - e por isso contribuem proporcionalmente mais
com incidências indiretas. Ao contrário, os indivíduos
de renda alta consomem e contribuem proporcionalmente menos. Por isso se diz
que os impostos indiretos, que incidem sobre o consumo, são injustos
e regressivos", afirma Paim na justificação do seu projeto.
De acordo com o parlamentar do PT, o Brasil está entre os países
que apresentam os maiores índices de concentração de renda
e de pobreza, a despeito de "pequenas e lentas modificações
nesse quadro". Levantamento estatístico mencionado pelo senador
dá conta de que 1% da população detém, hoje, 13%
da riqueza nacional. Os 10% mais ricos ficam com 32%.
No outro extremo, os 50% mais pobres conseguem nada mais que 14% da renda.
Ainda segundo o levantamento, 51% das famílias brasileiras vivem com
menos de cinco salários mínimos, enquanto 5% delas auferem acima
de trinta salários mínimos.
" Nesse contexto, o Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF) tem papel destacado
a cumprir. Vários países importantes o utilizam, e não se
compreende a resistência encontrada para sua instituição
no Brasil. Essa resistência é, regra geral, escudada em supostos
entraves de caráter técnico, que mal conseguem disfarçar
o viés político", assinala Paim, ainda na defesa de sua proposição.
Do ponto de vista técnico, as objeções a um imposto sobre
grandes fortunas foram eliminadas, no entender do senador, pela definição
do patrimônio tributável e pelas respectivas exclusões
contidas no parágrafo primeiro do artigo 2º da lei proposta. Não
seriam tributáveis, por exemplo, o imóvel de residência
do contribuinte, os bens de pequeno valor, de uso doméstico, e os bens
de produção e instalações utilizados para obtenção
de rendimentos de trabalho autônomo.
Os bens objeto de tombamento ou de declaração de utilidade pública
pelo Poder Público, assim como os gravados por reserva legal ou voluntária
para fins de utilização social ou de preservação
ambiental, também estariam excluídos da tributação.
Ficam ainda de fora do patrimônio tributável os bens dados em
usufruto a entidades culturais, educacionais, filantrópicas, religiosas
e sindicais, ou reconhecidas como de utilidade pública.
A base de cálculo também foi contemplada com exclusões
previstas no artigo 5º - dívidas e obrigações pecuniárias
do contribuinte. Já o artigo 7º permite deduzir do valor do imposto
as importâncias efetivamente pagas, no exercício anterior, a título
de Imposto Territorial Rural (ITR); Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial
Urbana (IPTU); Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA);
Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis Inter Vivos (ITBI);
e Imposto sobre a Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD).
Nelson Oliveira / Agência Senado
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O ESTADO DO PARANÁ,
19 de agosto de 2008 | Economia
Fiscalização recupera
R$ 6 milhões de FGTS
Redação
De janeiro a julho deste ano, a Superintendência Regional do Trabalho
e Emprego no Paraná (SRTE/PR) fiscalizou 5.376 empresas para verificar
a regularidade no recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS). Durante a fiscalização, 484 empresas foram notificadas
e mais R$ 6 milhões recolhidos. O valor total das notificações
foi superior a R$ 15 milhões.
De acordo com a Lei 8036/90,
todo empregador é responsável por fazer, mensalmente, o
depósito do FGTS do empregado e o valor do recolhimento é de
8% do salário mensal.
No caso de contrato de trabalho
com prazo determinado o percentual é de 2% do que é recebido
pelo empregado. Os valores recolhidos são depositados em conta
vinculada da Caixa Econômica Federal.
Segundo a chefe do Setor do Fundo
de Garantia por Tempo de Serviço, Jardete Sato, o empregado pode
conferir o status do seu recolhimento através do extrato bancário
do Cartão Cidadão, CEF. “Se o depósito não
estiver sendo feito regularmente, o empregado deve procurar a SRTE/PR
para fazer a denúncia e pedir a regularização”,
afirma.
Para isso, basta apresentar
a carteira de trabalho, o extrato bancário e os principais dados
da empresa, como o CNPJ e o endereço correto. O auditor fiscal
do Trabalho (AFT), depois de confirmar a irregularidade, agendará a
fiscalização.
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O ESTADO DO PARANÁ,
19 de agosto de 2008 | Economia
Seis meses de licença-maternidade
divide opiniões
Rosângela Oliveira
O projeto que aumenta a licença-maternidade de quatro para seis meses
deverá ter reflexos negativos para o mercado de trabalho feminino. Pelo
menos é o que estão prevendo os especialistas.
O projeto, já aprovado
na Câmara dos Deputados e aguardando sanção presidencial,
oferece incentivos fiscais às empresas que aderirem à proposta.
Mas isso não foi visto como forte argumento para a sua aplicação.
A empresa poderá abater
o valor bruto do salário da funcionária nos dois meses
extras do Imposto de Renda a pagar. Para a presidente do Instituto Brasileiro
de Direito Previdenciário, Melissa Folmann é preciso que
esclarecer melhor essa proposta, pois hoje as empresas pagam os quatro
meses de licença e pedem restituição ao Instituto
Nacional de Seguridade Social (INSS).
Pela proposta, os dois meses
poderiam ser abatidos de outros tributos. “Acho isso difícil
de acontecer”, avaliou Melissa, acrescendo que até mesmo
a contratação de temporários para substituir a mulher
terá outras implicações, como a geração
de vínculo empregatício.
Para a especialista, o primeiro
impacto do projeto será a redução na contração
ou até demissão de mulheres que pretendem engravidar. Além
disso, mesmo se tornando lei, muitas mulheres continuarão abrindo
mão do direito em detrimento do trabalho.
“Irá gerar mais
um problema social e trabalhista”, ponderou. A advogada trabalhista,
Crislaine Simões entende que o projeto tem um objetivo louvável,
mas poderá causar impactos negativos em relação à vida
profissional da mulher, pois em algumas funções e cargos
não há como a profissional se afastar por seis meses, “e
a mulher corre o risco de perder espaço e ficar de fora do mercado
de trabalho”.
Já o assessor jurídico
da Federação do Comércio do Paraná, João
Carlos Requião não acredita que haverá redução
na contratação de mulheres, pois em alguns setores a mão-de-obra
feminina é quase exclusiva. Ele entende que toda a mudança
gera resistência, mas hoje os empresários já absorveram
os impactos da licença de quatro meses, e não terão
dificuldades de estender isso.
No entanto, a Federação
do Comércio de São Paulo, apesar de achar o projeto bem
intencionado, acredita que existem lacunas a serem esclarecidas sobre
a redução do imposto de renda, principalmente as enquadradas
no Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições
das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples). Hoje as empresas
pagam o salário-maternidade à vista e só tem os
valores compensados em recolhimentos futuros.
Mulheres apóiam a medida, mas
temem fechamento do mercado
Nas ruas o assunto ainda divide
a opinião das pessoas. O promotor de justiça aposentado
Rogério João Baggio acredita que o projeto de extensão
da licença maternidade irá prejudicar a mulher no mercado
de trabalho, além de ser fora da realidade.
“A mulher que tem um filho
por ano, tira seis meses de licença, um mês de férias
e vai trabalhar quando?”, questionou. Ele avalia que a licença
de quatro meses já é suficiente e que o “governo
petista já estendeu tudo o que era possível no protecionismo”.
A médica obstetra Stellamaris
Renuzza acha que o projeto é muito válido, apesar de todo
o preconceito que ele está gerando. Segundo ela, com seis meses
de amamentação a criança amplia sua imunidade, “ficando
menos doente e fazendo com que a mãe falte menos ao trabalho”.
A médica veterinária
Maíra Guebert acha que a medida será muito válida
para o desenvolvimento da criança, mas a mulher será penalizada
no mercado de trabalho.
“É injusto,
mas isso vai acontecer”, falou. Para o cabeleireiro Deivi de
Souza as empresas irão preferir os homens na hora de contratar.
Além disso, “as mulheres já encontram dificuldades
para voltar ao trabalho depois dos quatro meses, e isso deverá aumentar”.
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Agência Senado, 19 de Agosto de 2008
Goellner quer dar incentivo a patrão
que construir habitação para empregado
O empregador que se dispuser a ajudar seus empregados na construção
ou compra da casa própria poderá ter incentivo fiscal na forma
de dedução do Imposto de Renda. Os recursos correspondentes a
essa dedução devem ser aplicados por meio de doação,
patrocínio ou investimento na compra ou na construção
das moradias. Essa é a proposta (PLS 77/08) do senador Gilberto Goellner
(DEM-MT), que já obteve parecer favorável da Comissão
de Assuntos Sociais (CAS) e agora tramita na Comissão de Assuntos Econômicos
(CAE), onde aguarda designação de relator.
De acordo com o projeto, não seria considerado salário útil
qualquer valor concedido pelo empregador ao empregado a título de incentivo
para a construção de moradia. O Poder Executivo ficaria responsável
por estimar o montante da renúncia de receita fiscal. Goellner explica
que a sua proposta busca atender um dos direitos básicos do ser humano,
que é o direito de possuir uma moradia, onde possa criar e abrigar sua
família, sem ser molestado nem humilhado.
Giberto Goellner lembra que a Lei Rouanet estabeleceu incentivos fiscais ao
empresariado que comprometesse parte de seus ganhos em favor de investimento
na cultura. Ele acrescenta que, apesar da definição constitucional
da habitação como responsabilidade comum à União,
aos estados e aos municípios, "os instrumentos que concretizariam
essa co-responsabilidade são insuficientes e, na prática, dividem
mais as responsabilidades do que o poder das realizações".
Por essa razão, entende o senador, "milhares de brasileiros continuam
excluídos desse direito". Assim, argumenta, "nada mais justo
que também sejam concedidos incentivos fiscais ao empresário
que comprometer parte de sua renda na construção de casas doadas
aos seus funcionários".
Ricardo Icassatti / Agência Senado
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
19/08/2008
Empregada remanejada para não receber
auxílio-doença consegue estabilidade
Manobras tidas como fraudulentas
para impedir a obtenção de auxílio-doença
acidentário em virtude de doença profissional não
impediram, porém, o reconhecimento do direito à estabilidade
de ex-empregada da Swedish Match do Brasil S/A, que desenvolveu problemas
auditivos no ambiente de trabalho. A Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho
manteve a condenação ao julgar embargos contra decisão
da Segunda Turma que, por sua vez, havia rejeitado recurso da empresa
contra acórdão do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região
(PR). A relatora, ministra Maria de Assis Calsing, observou em seu voto
que “a lei e a jurisprudência não podem aprovar expedientes
impeditivos à estabilidade prevista em lei”.
Contratada como auxiliar de produção
em agosto de 1989, a trabalhadora constatou perda de audição
em virtude do excessivo barulho produzido pelas máquinas no setor
em que trabalhava. Devido a esse problema, e de acordo com declaração
médica, não pôde mais freqüentar locais com
alto nível de ruído. A empresa inicialmente a transferiu
setor e, dois meses depois, a demitiu.
Na ação trabalhista,
a auxiliar requereu adicional de insalubridade em grau máximo,
pelo dano irreversível (perda de audição) e ressarcimento
de despesas com aparelho auditivo, entre outras verbas. A 15ª Vara
do Trabalho de Curitiba condenou a Swedish a pagar o adicional de insalubridade
e seus reflexos, corrigidos.
A empresa recorreu ao TRT/PR,
mas o Regional reconheceu que a empregada tinha direito à estabilidade,
mas não recebera o auxílio-doença acidentário
porque a empresa, ao readaptá-la em outra função,
em local sem ruídos, impediu-a de se dirigir à Previdência
Social para ser afastada do trabalho por doença. Para o TRT, o
direito à estabilidade nasceu da constatação do
problema, evidenciado com a readaptação promovida internamente
pela Swedish, e o gozo do auxílio acidentário não
era condição para o direito. O acórdão regional
reconheceu a garantia de emprego desde abril de 1995, ocasião
da alteração de função. A Segunda Turma do
TST manteve este entendimento ao rejeitar recurso de revista da empresa,
que interpôs então embargos à SDI-1.
Nas razões de embargos,
a Swedish insistiu na alegação de que a percepção
do auxílio-doença acidentário é pressuposto
para o reconhecimento da estabilidade, nos termos da Orientação
Jurisprudencial nº 230 da SDI-1 (inserida, mais tarde, na Súmula
nº 378 do TST). Mas a relatora assinalou que não se poderia
sequer aplicar a OJ 230 “porque essa orientação
não contempla a hipótese de fraude patronal para a percepção
do benefício previdenciário”. (RR-540294/1999.5)
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19/08/2008
Telemar questiona reintegração
com direito a passagens aéreas
Empregado tem direito a ser reintegrado na mesma
função anteriormente ocupada e nas mesmas condições
de trabalho existentes antes da dissolução do contrato
de trabalho, especialmente quanto a receber passagens aéreas e
pagamento do adicional de transferência enquanto trabalhe em Belém.
Para a Seção Especializada em Dissídios Individuais
(SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho, não houve ilegalidade
neste despacho da 5ª Vara do Trabalho de Fortaleza (CE), mantido
quando a SDI-2 negou provimento a recurso ordinário em mandado
de segurança da Telemar Norte Leste S.A.
A história vem se estendendo desde que
o ato da 5ª Vara foi proferido, em junho de 2006, em execução
provisória. A Telemar impetrou, então, mandado de segurança,
com pedido de liminar, que foi deferida. O Tribunal Regional do Trabalho
da 7ª Região (CE), no entanto, rejeitou o mandado de segurança
por entender que, se o trabalhador teve reconhecido, em decisão
antecipatória de tutela, o direito à reintegração,
em razão de a sentença reconhecer a estabilidade contratual,
a decisão que determinou o restabelecimento das condições
de trabalho havidas antes da dissolução do contrato não
ofendeu nenhum direito líquido e certo da empresa.
Para a Telemar, as supostas vantagens - adicional
de transferência e passagens aéreas - não integram
o contrato de trabalho, e não há nenhum instrumento legal
ou normativo que a obrigue ao pagamento desses benefícios. Com
relação ao adicional de transferência, o regulamento
da empresa prevê sua concessão pelo período de 12
meses, e, segundo a Telemar, o trabalhador já recebeu a vantagem
durante esse período, não fazendo mais jus a ela. Quanto às
passagens aéreas, o seu fornecimento, segundo a empresa, é mera
liberalidade transitória, não se constituindo em direito
adquirido do empregado. Assim, a empregadora argumentou que a decisão
feriu o artigo 5º, inciso II, da Constituição Federal
e o regulamento empresarial ao qual estão submetidos todos os
funcionários.
No entanto, o relator do recurso contra o mandado
de segurança, ministro Ives Gandra Martins Filho, verificou que,
ao contrário do afirmado pela empresa, o artigo 469, parágrafo
3º, da CLT, obriga ao pagamento do adicional de transferência
enquanto durar a situação, que persiste em virtude de o
trabalhador ter sido notificado a se apresentar na filial do Pará,
fazendo jus, inclusive, às passagens aéreas que recebia
antes da dispensa.
O relator concluiu que o despacho da Vara do
Trabalho seguiu o entendimento do TST. Inconformada com a decisão
da SDI-2, a empresa já apresentou recurso extraordinário
ao Supremo Tribunal Federal, alegando sua inconstitucionalidade. (RE-ROMS-4584/2006-000-07-00.8)
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