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Agência Diap, 23
de agosto de 2008
TAXA DE DESOCUPAÇÃO
Maior procura por vagas aumenta índice
de desempregados
Um descompasso entre as taxas de crescimento do emprego e da população
economicamente ativa (PEA) pode explicar o leve avanço da taxa
de desocupação, que atingiu 8,1% em julho após haver
registrado 7,8% no mês anterior, segundo dados do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE). Enquanto a taxa de ocupação
passou de 4,5% para 4% entre o sexto e o sétimo mês do ano,
a taxa de crescimento em 12 meses da PEA ficou em 2,5% até julho,
ante 2,4% nos 12 meses até junho.
Para o gerente da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, Cimar Azeredo,
o resultado de julho representa estabilidade, uma vez que a enquete baseia-se
em amostragens, o que pode causar variações estatísticas. "Não
sabemos se movimentações como inflação e
aumento de juros já estão afetando o mercado de trabalho.
Precisamos de mais alguns meses para confirmar isso", disse.
"
Se em agosto o quadro continuar, aí poderemos colocar
a pulga atrás da orelha", acrescentou. Ele frisou
que os indicadores de julho são em grande parte os
melhores da série histórica para o sétimo
mês do ano. A taxa de desocupação, por
exemplo, superou o recorde de baixa anterior, de 9,4% em
julho de 2005.
O técnico do IBGE ressaltou ainda que o nível de formalização
cresceu significativamente na média dos sete primeiros meses do
ano. Segundo Azeredo, a média dos trabalhadores formais como fatia
da população ocupada entre janeiro e julho pulou de 52,7%
no ano passado para 54,5% este ano. Como formais estão incluídos
os empregados com carteira no setor privado e todos os funcionários
públicos, inclusive militares e os não-estatutários.
Em julho, o nível de formalização
atingiu 54,3% da população ocupada, contra
54,4% em junho e abaixo do pico de 54,9% de abril. O rendimento
médio real ficou em R$ 1.224,40 em julho, 3% acima
dos R$ 1.188,20 de julho do ano passado, mas 6,2% abaixo
dos R$ 1.305,70 observados em julho de 2002.
Azeredo revelou ainda que a população ocupada
média entre janeiro e julho subiu 15,9% entre 2003
e 2008, passando de 18,4 milhões para 21,4 milhões,
enquanto a população em idade ativa avançou
10,75% em igual período, pulando de 37,1 milhões
para 41,1 milhões entre janeiro e julho deste ano.
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Agência Diap, 23
de agosto de 2008
RESUMO DA SEMANA
Nepotismo: Congresso não
decide, Supremo decide
A notícia da semana é a resolução do Supremo
Tribunal Federal que acaba com o nepotismo (emprego de parentes) nas
três esferas de poder no País. Com a decisão do Supremo,
nesta quarta-feira (20), e a edição da súmula vinculante,
que ratifica a decisão da Corte Suprema, a questão está resolvida.
Agora, o emprego de parentes sem concurso público está proibido.
Mais uma vez, o Judiciário ocupa uma seara, que
originalmente não é a sua – produzir
leis contra deformações institucionais. Outros
exemplos ilustram o papel legiferante do Supremo: fim das
verticalizações nas eleições;
fim da cláusula de barreira; aplicação
ao setor público da lei de greve dos servidores.
O Congresso esperneia, mas o fato é que o Supremo
tem preenchido as omissões dos poderes na regulamentação
dos preceitos constitucionais.
Tramita no Congresso desde 1996 uma proposta de emenda à Constituição
(PEC) 334, do ex-deputado Aldo Arantes (PCdoB/GO), que
trata da extinção do nepotismo no Brasil.
Mas o fato é que o Legislativo Federal não
consegue superar suas contradições e votar
matérias polêmicas sem acordos ou conciliações
que lhe permita manter a ordem estabelecida. Desse modo,
não enfrenta as polêmicas e acaba atropelado
pelo Judiciário.
Merece destaque ainda a questão da contribuição
negocial como fonte de financiamento da estrutura sindical,
as votações na Câmara e Senado neste
período de eleições municipais, a
reforma política, o movimento das confederações
de trabalhadores contra a Portaria 186, a MP do aumento
dos servidores, a retração da inflação
e a sanção da LDO.
Contribuição negocial
As centrais sindicais se reuniram, nesta quinta-feira (21), com o ministro
do Trabalho, Carlos Lupi, para definir as bases do projeto de lei que
irá extinguir a contribuição sindical e instituir
a negocial. A matéria é controversa e pode, em alguma
medida, colocar em risco a unidade política entre as centrais. Leia
mais
A CUT defende que seja de 1% da remuneração
anual do trabalhador, mas caberá o Congresso fixar
o percentual em face das divergências entre as centrais.
O projeto será formatado e enviado ao Congresso,
provavelmente, no próximo mês.
Congresso
Esta semana a Câmara finalizou o esforço
concentrado de agosto e votou mais nove matérias
da agenda de vinte. Ao todo foram votadas 19 matérias.
São proposições consensuais pactuadas
com a oposição. A Câmara fará mais
um esforço concentrado em setembro para concluir
essas votações. Depois, só voltará a
se reunir depois das eleições de 5 de outubro.
O senado, embora tenha decidido não entrar em “recesso
branco” no período eleitoral pouco tem votado.
De qualquer sorte, a Casa não votará matérias
polêmicas neste período em que os municípios
enfrentam a batalha eleitoral.
Reforma política
Novamente o debate acerca da reforma política ressurge no cenário
político. Dessa vez, o Governo pretende entrar no debate, e
para isso foi destacado o ministro da Justiça, Tarso Genro.
Mas, para evitar reveses que comprometam mais uma vez a discussão
e – se for o caso – a votação, a idéia é enviar
propostas separadas tratando dos temas centrais do debate – cláusula
de barreira, financiamento público exclusivo de campanha, fim
das coligações nas eleições proporcionais
e voto em lista fechada. Leia
mais
Portarias 186 e 194
As confederações de trabalhadores ingressaram nesta semana
no Supremo pedindo a suspensão da Portaria 186 do MTE, que trata
do registro sindical. Outra ação, da Central Sindical
de Profissionais Liberais, questiona a Portaria 194, que trata da distribuição
dos recursos arrecadados com a contribuição sindical. Leia
mais
O DIAP, por meio do advogado e membro do corpo técnico
do Departamento, Hélio Gherardi, elaborou parecer
sobre a minuta do anteprojeto apresentado no início
do mês de agosto às centrais sindicais. Leia
o parecer
Nova MP dos servidores
Depois de duas semanas mandando recados indiretos, Executivo e Legislativo
acertaram os ponteiros. Em um encontro ocorrido nesta quinta-feira
(21), o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT/SP), e Lula
discutiram as prioridades de cada Poder, mas concordaram que o impasse
em torno do aumento de salários do funcionalismo precisa ser
superado. Chinaglia disse a Lula que a Câmara não criará obstáculos
para as medidas provisórias que vão beneficiar cerca
de 300 mil servidores federais. Lula gostou da conversa e sinalizou
que a solução virá nos próximos dias. Leia
mais
Inflação
A inflação recuou, é o que constata a Fundação
Getúlio Vargas. O Índice Geral de Preços – 10
(IGP-10) apurado pela FGV teve forte recuo em agosto. A taxa ficou
em 0,38%, depois dos 2,00% em julho. De acordo com os dados divulgados
nesta segunda-feira (18) pela FGV, foi a menor desde julho do ano passado.
A maior contribuição para a desaceleração
veio do recuo nos preços por atacado. O Índice
de Preços por Atacado (IPA), que tem o maior peso
(60%) na composição do IGP-10, ficou em 0,25%
em agosto, enquanto em julho havia sido de 2,54%. Os produtos
agropecuários tiveram deflação de
1,98% em agosto, contra alta de 4,66% em julho; e os industriais
registraram alta de 1,13% em agosto, ante a taxa de 1,71%
de julho. Leia
mais
Orçamento
Lula sancionou a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2009,
aprovada pelo Congresso Nacional. A medida foi publicada no Diário-Extra
da última sexta-feira (15). Do total, 15 vetos foram propostos
pelo Ministério do Planejamento, dois pelo Ministério
da Fazenda e um pela Controladoria-Gerial da União (CGU) por
ferir aspectos constitucionais ou por não atender ao interesse
público.
A LDO 2009 tem como principal função estabelecer
as diretrizes, as prioridades de gastos e as normas e parâmetros
que devem orientar a elaboração do Projeto
de Lei Orçamentária Anual que o Poder Executivo
encaminha ao Congresso até 31 de agosto.
O destaque da LDO para 2009 é a possibilidade de
o salário mínimo ser arredondado para R$
460. O valor definido no orçamento é de R$
453,67. Leia
mais
O artigo 84 da nova lei proíbe o reajuste de servidores
em 2009 se até 31 de agosto de 2008 não houver
proposição em tramitação sobre
o tema em tramitação no Congresso. Isso contribuiu
para acelerar a conferências das MPs que dão
reajuste ao funcionalismo, que deverão ser publicadas
na próxima semana.
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Agência Diap, 23
de agosto de 2008
MATÉRIAS DISTINTAS
Sindicatos pedem tramitação
separada de PEC sobre dissídio
Dirigentes de centrais sindicais ligadas ao Forum Unitário dos
Trabalhadores no Comércio pediram, nesta quinta-feira (21), ao
presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT/SP), tramitação
independente para a proposta da emenda à Constituição
(PEC 426/05), que acaba com a obrigatoriedade de concordância dos
empresários no ajuizamento de dissídios coletivos. A PEC
atualmente tramita anexada à reforma sindical (PEC 369/05).
O presidente da Federação dos Trabalhadores
no Comércio de Santa Catarina, Francisco Alano,
que participou da reunião, explica que a atual norma
constitucional tem prejudicado os trabalhadores, já que,
no processo de negociação, os empresários
se recusam a concordar com a proposta dos trabalhadores
e, na maioria dos casos, não oferecem uma alternativa. "Em
muitos estados, os tribunais têm arquivado os dissídios,
e os trabalhadores ficam sem nenhuma norma ou direito garantido",
disse.
Alano afirmou que Chinaglia vai pedir um estudo para verificar
a possibilidade regimental de desvincular a PEC da reforma
sindical. O sindicalista acredita que a falta de acordo
em torno da reforma sindical tem atrasado a aprovação
de outras propostas que tramitam conjuntamente.
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Gazeta do Povo, 23 de agosto
de 2008
Ensino médio
Enem tem 4 milhões
de inscritos
São Paulo - O Exame Nacional do Ensino Médio
(Enem) registrou, neste ano, número recorde de inscrições:
4.004 715 estudantes farão a prova, marcada para
o dia 31 deste mês, às 13 horas. No ano passado,
3,5 milhões se inscreveram. O exame é realizado
desde 1998.
Dados preliminares do Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) indicam
que a região Sudeste teve o maior número
de inscritos, com 1.887.779 candidatos.
A prova é um dos requisitos para o estudante concorrer
a uma bolsa no Programa Universidade para Todos (ProUni),
do governo federal. Além disso, mais de 500 instituições
usam o resultado do Enem como critério de seleção
para o ingresso no ensino superior.
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Gazeta do Povo, 23 de agosto
de 2008
Continuidade nas capitais
Em alta, prefeitos devem ser
reeleitos
Nove dos 20 atuais administradores
municipais que tentam ficar no cargo por mais quatro anos
podem vencer disputa nas urnas já no primeiro turno
Dezessete dos 20 atuais prefeitos das capitais brasileiras
que são candidatos à reeleição
têm boas chances de continuarem em seus cargos nos
próximos quatro anos. Nove desses largaram com grande
vantagem na corrida eleitoral de 2008 e podem vencer a
eleição já no primeiro turno. Segundo
pesquisas divulgadas nas últimas semanas, os mandatários
de Curitiba, Maceió, Vitória, Goiânia,
Campo Grande, João Pessoa, Teresina, Porto Velho
e Rio Branco apresentam mais de 50% das intenções
de voto do eleitorado.
Além disso, embora com uma vantagem menor, mais
cinco candidatos à reeleição lideram
as pesquisas em seus municípios. Esse é o
caso de Wilson Santos (PSDB) em Cuiabá, de Duciomar
Costa (PTB) em Belém, Edvaldo Nogueira (PCdoB) em
Aracaju, José Fogaça (PMDB) em Porto Alegre
e Iradilson Sampaio (PSB) em Boa Vista. Esses correm o
risco de ter que disputar o cargo numa segunda votação.
Também estão no grupo dos candidatos há reeleição
que devem ir para o segundo turno a prefeita de Fortaleza,
Luzianne Lins (PT); o prefeito de Palmas, Raul Filho; e
o de Florianópolis, Dário Berger. Nas pesquisas
divulgadas até agora, eles ocupam o segundo lugar
na intenção de voto do eleitorado, mas com
uma diferença muito pequena em relação
ao primeiro colocado.
Fatores
O sociólogo e cientista político Carlos
Alberto Moreira – autor do livro A Cabeça
do Eleitor – explica que o fato de um prefeito ser
reeleito tem relação direta com dois fatores:
os índices de aprovação do candidato – seria
o elemento principal – e os quatro anos que ele teve
de exposição, o que lhe garante ser bem conhecido
pelo eleitor. “Não existe mistério
nisso. O candidato que tem mais de 50% de bom ou ótimo
na avaliação de sua gestão provavelmente
será reeleito. O eleitor segue uma lógica.
Ele não vai votar em outro se tem um candidato que
já conhece e avalia bem”, diz.
A avaliação do trabalho do candidato também
serve para explicar a situação contrária. “Se
ele não alcança um alto índice de ótimo
ou bom de avaliação do seu trabalho, não
será reeleito”, sentencia Moreira.
Em baixa na disputa
Em São Paulo, mesmo tendo a máquina pública
por trás, Gilberto Kassab (DEM), apareceu na quarta
posição da pesquisa de intenção
de votos divulgada pelo Ibope na semana passada. Ficou
atrás até mesmo do ex-prefeito e hoje deputado
federal Paulo Maluf (PP), que já esteve envolvido
em uma série de escândalos na capital paulista.
Além de Kassab, os prefeitos de Manaus e Salvador
também apresentaram baixos índices nas pesquisas.
Na capital do Amazonas, o atual prefeito possui apenas
8% das intenções de votos. Já João
Henrique Carneiro, de Salvador, ficou em terceiro lugar,
com 15% das intenções de votos do eleitorado.
Moreira chama atenção para o fato de estar
atrás nas pesquisas não significar que a
eleição está perdida. O sociólogo
garante que os prefeitos que estão atrás
nas pesquisas, mas que tem um bom índice de aprovação
de seus governos, devem acabar se reelegendo.
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Folha de S.Paulo, 23 de
agosto de 2008
Congresso tem "mercado
de votos", diz projeto do governo
Proposta de reforma política
do Planalto atribui fato à falta de coesão
dos partidos
O maior escândalo da era Lula
foi a descoberta do mensalão, um esquema do PT para
pagar mesadas a integrantes da base aliada
ANDRÉA MICHAEL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A proposta de reforma política encaminhada ao presidente
Lula pelos ministros Tarso Genro (Justiça) e José Múcio
(Relações Institucionais) admite que existe
um "mercado de votos" no qual o apoio ao governo
custa a liberação de recursos e nomeação
para cargos públicos e que, por conta das normas
em vigor para as eleições proporcionais,
o Congresso de hoje não reflete a vontade do eleitor.
O projeto de reforma política é coordenado pela Justiça
e será negociado com o Congresso pelo ministro Múcio.
Obtido com exclusividade pela Folha, o documento registra, em sua página
quatro que, com as normas vigentes, existe um "incentivo ao "mercado
partidário" para manutenção das bases de
coalizão e, considerando-se a falta de coesão interna
dos partidos, desvirtuamento para um verdadeiro "mercado de votos" no
Parlamento -fidelidade ao governo baseada, em muitos casos, em um modelo
de trocas calcado no binômio liberação/não-liberação
de recursos para emendas parlamentares ou nomeação/não-nomeação
de indicados do parlamentar (ou de seu partido) para determinados cargos
da administração".
O maior escândalo do governo Lula foi o mensalão, em 2005:
era a engenharia montada pelo PT para o pagamento de mesadas a integrantes
da base aliada em troca de apoio ao governo no Congresso. A liberação
de emendas parlamentares é outra moeda de troca que o governo
costuma utilizar para garantir os números necessários
antes de votações importantes, apesar de o Planalto sempre
negar que a liberação esteja relacionada com as votações.
Praticamente não há votação importante
em que o recurso não seja utilizado.
A proposta, que tem 28 páginas, também destaca que as
coligações proporcionais induzem o eleitor a erro porque
seus votos acabam sendo transferidos para a legenda do partido e, portanto,
para outros candidatos. Disso resulta que "há eleição
de representantes praticamente sem votos, a maioria dos votos do país
não elege os representantes efetivamente diplomados".
Ao defender o fim do personalismo e o voto em propostas, e não
em pessoas, o documento aponta como resultado da prática consagrada
no país o "enfraquecimento dos partidos e de seu aspecto
programático-ideológico, com óbvio favorecimento
a candidatos de mídia, fortemente financiados".
O texto faz projeções
e, para o cenário desejável, propõe:
1) Lista fechada e divulgada para as candidaturas;
2) Financiamento puramente público
de campanhas;
3) Mandato do partido em vez de restrito
ao candidato, conforme decisão do Tribunal Superior
Eleitoral, mas estabelecendo um prazo limite para mudança
de partido;
4) Vedação de coligações
em eleições proporcionais;
5) Horário político limitado ao tempo disponível
para o partido que dispuser de maior espaço para propaganda.
Entre os itens que apontam o que seria inaceitável estão
o voto distrital misto, o financiamento de campanhas por pessoas jurídicas
(só admitem doações de pessoas físicas),
liberdade total para mudança de partido (encaram como personificação
do voto), manutenção das coligações proporcionais,
além do sistema atual de soma dos horários eleitorais
dos partidos que se coligam na disputa eleitoral.
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Folha de S.Paulo, 23 de
agosto de 2008
saiba mais
Projeto prevê 6
alterações polêmicas
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A proposta de reforma política que o governo encaminhará ao
Congresso prevê alterações em seis
pontos da atual legislação, todos polêmicos
e sem consenso no Parlamento.
Um deles é o que trata da chamada cláusula de barreira.
A idéia em discussão no Planalto tornaria mais rígidas
as regras para os "nanicos" ao prever que partidos que não
conquistarem dez vagas de deputados federais perderiam os recursos
do fundo partidário, o tempo de TV na propaganda política
e o direito de indicar lideranças e cargos para comissões
no Congresso. Se esta regra for aprovada, partidos como o PSOL, por
exemplo, praticamente deixariam de existir.
Outra proposta prevê regras mais duras para os candidatos com "ficha
suja". A idéia contraria decisão do STF neste sentido.
Para facilitar a discussão e a aprovação dos temas
no Congresso, o governo encaminhará as propostas separadamente,
como sugestões. Os outros tópicos em debate no governo
tratam de: financiamento público de campanhas, voto em lista
fechada, fidelidade partidária e fim da coligação
proporcional.
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Folha de S.Paulo, 23 de
agosto de 2008
Centrais vão pressionar
o Congresso
Entidades farão ofensiva para
convencer deputados a aprovar nova contribuição
CUT, Força Sindical e parte da
UGT, principais centrais, defendem que cobrança
anual seja de até 1% do salário do trabalhador
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
A partir da próxima semana, as centrais sindicais
iniciam uma "batalha" no Congresso Nacional para
conseguir convencer os parlamentares a aprovar uma nova
forma de financiamento para os sindicatos: a contribuição
negocial.
Essa taxa vai substituir o imposto sindical, que equivale a um dia
de salário (ou 3,3% da remuneração mensal) e é descontado
de forma compulsória de todos trabalhadores registrados em carteira
no país, desde que foi criado, no governo de Getúlio
Vargas.
O governo Lula vai enviar um projeto de lei para acabar com o imposto
sindical de forma gradual e substituí-lo pela contribuição
negocial. Mas já decidiu que não definirá um limite
para essa nova taxa. Ela deverá incidir sobre a remuneração
anual do trabalhador.
CUT, Força Sindical e parte de sindicalistas ligados à UGT
defendem que a contribuição negocial tenha teto de 1%
da renda anual do trabalhador (que corresponde a 13% de um salário
mensal). Esse limite é defendido pelas centrais desde o Fórum
Nacional do Trabalho, criado no governo petista para discutir a reforma
sindical.
" Seja qual for esse percentual, ele terá de ser aprovado em assembléia
pelos trabalhadores de cada categoria. Não será imposto. A contribuição
negocial é mais democrática também, porque mesmo aqueles
que hoje não são filiados aos sindicatos podem participar da assembléia,
votar e ajudar a definir seu valor", diz Denise Motta Dau, secretária
de Organização Sindical da CUT.
As centrais sindicais contestam a informação de que a
contribuição negocial pesará mais no bolso do
trabalhador. "Só se fala que a nova taxa negocial será maior
que o imposto sindical. Mas o fato é que existem outras taxas
cobradas hoje pelos sindicatos, como a assistencial e a confederativa,
ambas previstas na CLT [Consolidação das Leis do Trabalho].
Somadas essas taxas e o imposto sindical, o desconto chega em alguns
casos até a 30% do salário de um mês", diz
Ricardo Patah, presidente da UGT.
Na média, a cobrança de taxas sobre o salário
do trabalhador era de 18% a 20%, segundo estudo realizado pelo Fórum
Nacional do Trabalho.
" Ao criar a contribuição negocial, o projeto de lei do governo
deve extinguir as demais taxas. Isso não está sendo dito",
afirma João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral
da Força Sindical. A extinção do imposto sindical -e sua
substituição pela contribuição negocial- não é unanimidade
entre as centrais.
A CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), formada
por sindicatos que deixaram a CUT, é contra a nova taxa. "O
projeto de lei acaba com o imposto sindical compulsório, instituindo
em seu lugar uma obscura e controversa contribuição negocial",
diz Wagner Gomes, presidente da CTB. Para a central, há risco
de que a contribuição negocial seja recolhida somente
dos trabalhadores associados ao sindicato.
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Folha de S.Paulo, 23 de
agosto de 2008
Ministério Público
ajuíza 55 ações contra entidades do
Sistema S
Para procuradores do Trabalho, contratação
de pessoal tem de ser transparente
CLAUDIA ROLLI
FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
O Ministério Público do Trabalho ajuizou 55
ações civis públicas em 12 Estados contra
várias entidades que integram o Sistema S por contratação
irregular de funcionários. Os procuradores do Trabalho
entendem que o processo de seleção de pessoal
nessas entidades deve ser objetivo e transparente.
As ações propostas são contra entidades do Sesi
e do Senai (ligadas à indústria), do Sesc e do Senac
(comércio), do Sest e Senat (transporte), do Sescoop (cooperativa),
do Sebrae (micro e pequenas empresas) e do Senar (agricultura).
Até o fim da próxima semana, o número de ações
coletivas propostas deve dobrar, segundo estima Viviann Rodriguez Mattos,
procuradora responsável pela Conap (Coordenadoria Nacional de
Combate às Irregularidades Trabalhistas na Administração
Pública) do Ministério Público do Trabalho.
As ações foram ajuizadas, segundo a procuradora, porque
não houve acordo com representantes dessas entidades, quando
eles foram chamados para assinar um termo de ajustamento de conduta
em julho para regularizar a contratação de seus funcionários.
" Como essas entidades recolhem recursos de forma compulsória sobre
a folha de pagamento das empresas, essas verbas são consideradas dinheiro
público. E não se pode fazer o que se quer com dinheiro público.
Há critérios para usar essas verbas, inclusive na contratação",
diz a procuradora.
Critérios
" As entidades do Sistema S são pessoas jurídicas de direito
privado. Mas o que determina a forma de contratação, que deve obedecer
aos critérios do artigo 37 da Constituição [impessoalidade,
moralidade, publicidade], é o uso de recursos públicos", diz
Mattos.
Estudo nacional da coordenadoria de combate à fraudes avaliou
que as contratações têm ocorrido a partir de critérios
subjetivos -como avaliação de currículo e entrevistas
eliminatórias, que levam em conta a pessoalidade dos candidatos-
e, em alguns casos, sem a devida publicidade exigida pela legislação.
As investigações começaram a ser feitas pelos
procuradores do Trabalho no ano passado em São Paulo, Minas
Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia, Pará, Santa Catarina, Paraíba,
Rondônia, Espírito Santo, Sergipe, Piauí e Mato
Grosso do Sul.
" Os processos de seleção dessas entidades são feitos
hoje como em uma empresa privada, com análise de currículo e entrevista.
O TCU [Tribunal de Contas da União] já havia considerado que eram
necessários critérios objetivos e não aprovou a prestação
de contas de uma série de entidades do sistema S", diz a procuradora.
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Folha de Londrina, 23 de
agosto de 2008
SEU DIREITO
CRÉDITO EDUCATIVO
O que pode acontecer com
a pessoa que durante a faculdade foi contemplada com o crédito
educativo, e que depois de formada não conseguiu pagar
pelo benefício?
O crédito educativo nada mais é do que uma
espécie de financiamento especial destinado ao aluno
que, tendo idoneidade e razoável desempenho escolar,
precisa dar continuidade aos estudos e não tem condições
de arcar com os custos de uma instituição
privada de ensino.
A vantagem do crédito educativo está nas
condições de pagamento. Em se tratando de
um benefício social, que tem como objetivo aumentar
o acesso dos cidadãos à educação,
as normas que regulam a matéria trazem previsão,
além de outros benefícios, de juros baixos
(não ultrapassam 9% ao ano) e prazos especiais de
carência para o início do pagamento das parcelas.
Em contrapartida a este financiamento especial, o aluno
se obriga a efetuar o pagamento das parcelas nas condições
estabelecidas em seu contrato (prazos para pagamento, entre
outras). Tal pagamento é de extrema relevância,
em especial para que ocorra a recomposição
do fundo necessária ao financiamento de outros estudantes.
O aluno que não pagar as parcelas do financiamento
estará sujeito às medidas judiciais para
a cobrança dos respectivos valores em atraso.
Logo, se inadimplente, com base no contrato que assinou,
o aluno (bem como o fiador, se houver) poderá ser
executado, momento em que se buscarão bens de sua
propriedade para a satisfação das parcelas
não pagas (penhora e venda judicial).
Tal execução, indiretamente, acaba por gerar
outros problemas ao aluno inadimplente, que não
mais consegue certidão negativa da comarca em que
reside, o que pode prejudicar outros financiamentos/contratos,
bem como o acesso a cargo público.
Diogo B. Menoncin, advogado
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O Estado do Paraná,
23 de agosto de 2008
FGTS deve "engordar" o
caixa do BNDES
Agência Estado
O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS)
deve aprovar, em reunião na próxima terça-feira
(26), uma medida que pode proporcionar um reforço de R$ 6 bilhões
ao orçamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
Social (BNDES). A proposta do Ministério do Trabalho é vender
ao banco R$ 6 bilhões em títulos, que estão no patrimônio
do FGTS, com garantia do Tesouro Nacional. Posteriormente, o BNDES se
entenderia com o Tesouro para se capitalizar com base na posse desses
papéis.
Esses títulos têm lastro em resíduos
de financiamentos habitacionais que até a década
de 80 eram cobertos pelo antigo Fundo de Compensação
de Variações Salariais (FCVS). Desde 2005,
o Tesouro está pagando os juros que remuneram os papéis,
que variam de 3,12% a 6,17% ao ano mais a Taxa Referencial
(TR). A partir de 2009, começará a amortizar
o principal da dívida cujo prazo limite é 2027.
O Conselho deverá aprovar uma fórmula para
que o fundo venda esses papéis a instituições
financeiras, como o BNDES, pelo valor nominal, ou seja, sem
o desconto que incide sobre os títulos quando são
negociados no mercado financeiro. A lei impede o FGTS de
aceitar esse deságio. Por isso, o BNDES pagará pelos
título ao FGTS no longo prazo. "Para o FGTS,
isso é interessante porque os títulos são
como dinheiro parado que, indo para o BNDES, podem ser colocados
na produção, financiar projetos e até ajudar
a gerar mais empregos", comentou um interlocutor do
conselho. As informações são do jornal
O Estado de S. Paulo.
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Última Instância,
23 de agosto de 2008
STJ declara ilegalidade de
venda casada de imóvel e seguro para mutuários
O mutuário do SFH (Sistema Financeiro de Habitação)
não é obrigado a adquirir o seguro obrigatório por
lei da mesma entidade que financia o imóvel ou da seguradora por
ela indicada. Esse foi o entendimento da 3ª Turma do STJ (Superior
Tribunal de Justiça), que acompanhou o voto da relatora, ministra
Nancy Andrighi.
A relatora manteve decisão do TRF-1 (Tribunal Regional
Federal da 1ª Região), segundo a qual obrigar a
aquisição do seguro no mesmo agente que financia
o imóvel caracterizaria “venda casada” – condicionamento
ilegal de venda de bem ou serviço à compra de
outros itens.
No caso julgado, conforme informa o STJ, dois mutuários
de Minas Gerais entraram com recurso contra a Caixa Econômica
Federal para a revisão de contrato de mútuo.
Eles pediam a substituição do reajuste da TR
(Taxa Referencial) pelo INPC (Índice Nacional de Preços
ao Consumidor), a aplicação correta dos valores
do seguro habitacional e o direito de escolher o seguro habitacional
que melhor lhes conviesse. O TRF-1 concedeu apenas o direito
de buscar o contrato de seguro no mercado.
Ambas as partes recorreram, mas o TRF manteve sua decisão.
Considerou-se que a TR seria um índice válido
para a correção de valores do contrato de mútuo
e que a Resolução 1.278 de 1998 do Banco Central
determina que o abatimento do valor da prestação
deve ocorrer depois de atualizado o saldo devedor.
A Caixa recorreu ao STJ e alegou haver decisões judiciais
divergentes sobre o tema. Alegou ainda que a vinculação
do seguro habitacional seria uma maneira de manter o sistema
habitacional estável.
Os mutuários, por sua vez, afirmaram que haveria violação
dos artigos 2º, 3º, 47 e 51 do Código de Defesa
do Consumidor, que definem o mutuário como consumidor
e determinam a interpretação das cláusulas
e possibilitam a qualificação de cláusulas
abusivas.
Em seu voto, a ministra Nancy Andrighi considerou que o seguro
habitacional é vital para a manutenção
do SFH. O artigo 14 da Lei 4.380, de 1964, e o 20 do Decreto-Lei
73 de 1966, inclusive, tornaram-no obrigatório. "Entretanto,
a lei não determina que o segurado deva adquirir o seguro
do fornecedor do imóvel", destacou.
A ministra considerou que esse fato seria uma "venda
casada", prática vedada pelo artigo 39, inciso
I, do Código do Consumidor. A relatora considerou, ainda,
que deixar à escolha do mutuário a empresa seguradora
não causa riscos para o SFH, desde que ele cumpra a
legislação existente.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
23/08/2008
SDI-1 reconhece adicional noturno em jornada
mista de 12hx36h
A Seção Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1)
do Tribunal Superior do Trabalho deferiu a uma funcionária do
Hospital Nossa Senhora da Conceição, de Porto Alegre (RS),
que trabalhava das 22h às 7h a extensão do adicional noturno às
horas posteriores às 5h da manhã. Por maioria, a SDI-1
adotou o voto do ministro Milton de Moura França no sentido de
que a jurisprudência do TST (Súmula nº 60, item II) “não
deixa a mínima dúvida de que o direito ao adicional noturno
deve incidir sobre as horas prorrogadas”, ainda que se trate de
regime de compensação de 12h x 36h.
A funcionária informou que trabalhava das 19h às 7h
da manhã do dia seguinte. Na reclamação trabalhista
que ajuizou contra o hospital, obteve no Tribunal Regional do Trabalho
da 4ª Região (RS) o reconhecimento ao direito de receber
com o adicional noturno as duas horas posteriores ao fim do horário
noturno. Quando a decisão foi reformada pela Terceira Turma
do TST, a trabalhadora interpôs embargos à SDI-1 questionando
a fundamentação adotada pela Turma – a de que a
jornada não era cumprida integralmente no período noturno,
condição prevista na Súmula nº 60 do TST.
Afirmou que trabalhava em todas as horas consideradas noturnas pela
legislação (das 22h às 5h) e defendeu ainda que
a Súmula nº 60 do TST utiliza a palavra “integralmente”,
e não “exclusivamente”, em relação às
horas noturnas, o que demonstraria o propósito de conceder o
adicional também sobre a prorrogação das horas
trabalhadas, mesmo nos casos como o seu, em que a jornada começa
no período diurno.
O ministro Moura França acolheu a tese e destacou que o fato
de a funcionária trabalhar em regime de 12h x 36h (extrapolando,
portanto, a duração prevista para a concessão
do adicional noturno) “jamais poderia ser obstáculo” à rejeição
dos embargos. “Cumprida integralmente a jornada noturna e prorrogada
a prestação de serviços além desse período
de trabalho, a hipótese atrai a aplicação da Súmula
nº 60”, concluiu, deferindo o adicional. (E-ED-RR-70403/2002-900-04-00.8)
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