 |
Agência Diap, 27 de
agosto de 2008
Guia prático da imprensa sindical
Por: Altamiro Borges*
Diante dos constantes ataques
da mídia hegemônica às lutas e aos direitos dos trabalhadores,
o sindicalismo parece acordar para a urgência de fortalecer seus
veículos próprios de comunicação com a base
e a sociedade.
Diversas entidades, como a Federação
dos Trabalhadores na Indústria do Paraná, realizaram recentemente
seminários e palestras para discutir este desafio. Para os que
desejam investir nesta frente estratégica o livro “Imprensa
sindical, comunicação que organiza”, do jornalista
João Franzin, é uma obra indispensável. É quase
um guia prático para os sindicatos.
Franzin é bastante conhecido
nos meios sindicais. Formado em 1977, ele já trabalhou em jornais,
rádio, televisão e assessoria de imprensa; desde 1985,
ele presta serviços aos sindicatos, somando trabalhos em mais
de 100 entidades. Militante engajado, fundou e coordena a Agência
Sindical, uma empresa de comunicação e consultoria para
o sindicalismo.
Ele também é apresentador
do programa Câmera Aberta Sindical, na TV Aberta de São
Paulo, uma iniciativa plural que reúne convidados de distintas
concepções para abordarem temas de interesse dos trabalhadores.
“Boa
comunicação deve gerar ação”
No livro, escrito em linguagem simples e direta, o autor dá várias
dicas práticas para aperfeiçoar os diversos veículos dos
sindicatos – como os boletins, jornais, livretos, revistas, rádio,
televisão e internet. Cada um tem suas particularidades, o que “requer
técnica, zelo e compromisso”. Não podem ser encarados de
forma amadorística.
Franzin também dá “receitas” para
a comunicação sindical, demonstrando que forma e conteúdo
precisam caminhar juntos. “O texto sindical deve evitar adjetivos,
o tom excessivamente discursivo, as abstrações. Melhor
realçar fatos, dados, números e informações
que possam gerar atitude. Afinal, boa comunicação deve
gerar ação”.
Partindo da premissa de que os
brasileiros lêem pouco, ele sugere textos curtos e diretos. “A
vida do trabalhador é jogo duro: acorda cedo, utiliza transporte
precário, trabalha muito, ganha pouco, volta para uma casa quase
sempre sem conforto. Sua vida doméstica é rotineira. A
social é muito restrita...
Que comunicação
serve a essa pessoa? A comunicação objetiva, que leve informações
práticas, que oriente, sem firulas, sem ironias”. Para ele, “a
imprensa sindical ainda é prolixa. Parte dos jornais das entidades
ficaria bem melhor se cortasse pelo menos 20% dos seus textos”.
Mais de 10 milhões de exemplares
Ele também propõe maior cuidado com a estética. “O
material do sindicato deve, sempre, primar pela qualidade: do texto, da informação,
da apresentação. A imprensa sindical tem compromisso com a dignidade
humana, com a elevação cultural, a superação social
e com o avanço político da sociedade”.
Ele ainda aponta que o dirigente
sindical deve ser “jornalista e jornaleiro”, ajudando nos
conteúdos e mantendo permanente contato com a base, e defende “o
leitor como sujeito e parceiro da informação”. No
final, ele propõe que o profissional contratado tenha compromissos
com a classe e indica que o sindicato “é uma escola de comunicação
e de política”.
Para Franzin, muitos sindicalistas
ainda subestimam a força e o potencial desta comunicação. “A
imprensa sindical brasileira publica mais de 10 milhões de exemplares
por mês, basicamente de boletins e jornais, distribuídos
no local de trabalho, entregues de mão em mão, no contato
direto entre sindicalistas e trabalhadores da base”.
“Esses materiais divulgam
os sindicatos, informam a categoria, convocam assembléias, enfim,
difundem um ponto de vista sindical, que forma cultura e estabelece parâmetros...
Ao divulgar direitos, combater abusos e ajudar na organização,
ela melhora a vida do trabalhador do Brasil”. Seu livro ajuda a
enfrentar esta crônica subestimação.
(*) Jornalista, editor da revista
Debate Sindical e autor do livro "As encruzilhadas do sindicalismo" (Editora
Anita Garibaldi, 2ª edição).
|
Folha
de S.Paulo, 27 de agosto de 2008
FGTS amplia verba para financiar imóveis
Conselho Curador aprova aumento de R$ 2,05 bi
no orçamento; desses, R$ 500 mi devem ir para famílias
de baixa renda | Um dos motivos para a ampliação do valor é o
aumento da arrecadação gerado por mais empregos com registro
em carteira
NEY HAYASHI DA CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Conselho Curador do FGTS (Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço) aprovou ontem o aumento de R$ 2,05 bilhões
no seu orçamento destinado para financiamentos habitacionais.
Desse valor, R$ 500 milhões devem ir para um programa específico
para famílias de baixa renda, e o restante, para as linhas de
crédito que já contam com dinheiro do fundo.
Com a decisão, sobe para R$ 10,45 bilhões o orçamento
do FGTS para a habitação em 2008. Os financiamentos à casa
própria propriamente ditos ficarão com R$ 8,45 bilhões.
Outros R$ 2 bilhões irão para o Pró-Moradia, nome dado
a empréstimos concedidos pela Caixa Econômica Federal a Estados
e a municípios que tenham projetos na área habitacional destinado à população
de baixa renda.
Um dos motivos para essa elevação no volume de recursos destinado
ao setor imobiliário foi o aumento, acima do esperado, na arrecadação
do FGTS.
Ontem, o Conselho Curador -formado por representantes do governo, de empresas
e de sindicatos de trabalhadores- elevou de R$ 2,7 bilhões para R$ 6,7
bilhões sua projeção para a arrecadação
líquida -já descontados os saques- do fundo neste ano.
Segundo o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, essa elevação reflete
o aumento na geração de empregos com carteira assinada no país,
o que significa crescimento também no número de pessoas contribuindo
para o fundo. "Nada mostra com tanta força a criação
de empregos do que isso [o aumento na arrecadação do FGTS]",
afirmou Lupi.
BNDES
Além disso, foi aprovada ontem a liberação de R$ 6 bilhões
para reforçar o caixa do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social). Essa injeção de recursos será feita por meio
de uma operação envolvendo títulos públicos que
o FGTS tem em sua carteira e que serão repassados ao banco estatal.
Os papéis, conhecidos como CVS, foram emitidos pelo Tesouro Nacional
para cobrir o rombo deixado por financiamentos concedidos por meio do antigo
SFH (Sistema Financeiro da Habitação). Esses títulos têm
prazo de 30 anos e pagam juros de até 6,17% ao ano.
Após a aprovação dada pelo Conselho Curador, os CVS serão
transferidos ao BNDES, que irá procurar o Tesouro Nacional para acertar
o resgate antecipado desses papéis.
Diante do ritmo de crescimento da economia, a procura por empréstimos
do banco estatal deve ultrapassar os R$ 80 bilhões fixados como teto
para este ano, o que o tem levado a buscar fontes alternativas de recursos.
O valor anunciado ontem ficou um pouco abaixo do que vinha sendo negociado.
A estimativa inicial do governo era repassar entre R$ 8 bilhões e R$
10 bilhões para o BNDES. Para evitar perdas para os trabalhadores, o
banco pagará ao FGTS a mesma remuneração recebida atualmente
do Tesouro.
|
Agência Diap, 27 de
agosto de 2008
FUNDO DE GARANTIA
FGTS pode aprovar repasse de R$ 6
bi ao BNDES
Os integrantes do Conselho Curador
do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) podem aprovar,
na reunião de hoje, uma ajuda de aproximadamente R$ 6 bilhões
ao BNDES. A hipótese mais provável é a de repassar
títulos (CVS) emitidos pelo Tesouro para honrar os compromissos
do Fundo de Compensação de Variações Salariais
(FCVS). Outra medida, indireta, que poderá dar mais fôlego
financeiro à carteira de projetos do banco é a aprovação
de pedidos do fundo de investimento em infra-estrutura (FI-FGTS).
Segundo um dos assessores técnicos
do conselho, o estoque de CVS é de cerca de R$ 6 bilhões
e esses papéis seriam vendidos ao BNDES, o que, na interpretação
dele, não muda praticamente nada no risco do FGTS. Atualmente
o CVS é garantido pelo Tesouro, Na carteira do BNDES também
teriam, no limite, essa garantia. A remuneração do CVS é definida
pela variação da TR mais juros de 3,12% ou 6,17% ao ano,
dependendo da natureza do crédito.
Outra medida que pode ajudar
o BNDES a atender pedidos de financiamento é o conselho aprovar
projetos de investimento em infra-estrutura vinculados ao FI-FGTS. As
normas legais proíbem que o FGTS repasse dinheiro ao banco, mas
os conselheiros serão rigorosos na análise das condições
oferecidas pelo BNDES. Nesses casos, o contato é realizado entre
a Caixa Econômica Federal (agente financeiro do FI-FGTS) e o empreendedor.
O FI-FGTS pode usar até 80%
do patrimônio líquido do FGTS, avaliado em aproximadamente
R$ 17 bilhões em dezembro de 2007. Também será permitido
que os trabalhadores invistam até 10% do saldo de suas contas
nesses fundos de investimento em projetos "maduros". Dessa
maneira, o potencial de R$ 17 bilhões poderá ser elevado
a cerca de R$ 30 bilhões.
O BNDES tem como principais missões
financiar a expansão industrial, projetos privados de infra-estrutura
do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e os empreendimentos
internacionais das empresas brasileiras. O dilema é onde encontrar
recursos suficientes para essa demanda.
No governo, discute-se
uma complementação de R$ 15 bilhões no orçamento
do banco para este ano e alternativas para o futuro. O Tesouro já emprestou
R$ 12,5 bilhões no início de 2008. Para os próximos
anos, a alternativa mais visível é usar parte dos recursos
do Fundo Soberano do Brasil (FSB), cujo projeto tramita no Congresso,
para prover o BNDES. (Fonte: Valor Econômico)
|
FOLHA DE LONDRINA, 27 de
agosto de 2008 | Londrina
Limite da linha de pobreza na América
Latina é de US$ 2
Genebra - Para países de renda média, como o Brasil, o Banco
Mundial recomenda um valor mais alto para definir a linha da pobreza. Nestas
regiões, todos aqueles que ganham menos de US$ 2,00 por dia devem ser
considerados pobres. A entidade ainda alerta que o número absoluto da
pobreza na América Latina aumenta nos últimos 25 anos.
Pelo novo cálculo do Banco
Mundial, que considera a renda diária abaixo de US$ 1,25 como
extrema pobreza, 45,1 milhões de latino-americanos se encaixavam
no perfil, em 2005. Em 1981, o número era de 44,9 milhões.
Mas se for considerado o corte recomendado a países em desenvolvimento,
de US$ 2,00 de renda diária, os números da pobreza mais
do que dobram.
Nesse caso, 98 milhões
de latino-americanos estariam entre os que ganham menos de US$ 2,00 ao
dia, 17,9% da população da região em 2005. Há 25
anos, um quarto da população do continente ganhava menos
de US$ 2,00 por dia. Na América Latina, o consumo diário
de uma pessoa com renda menor que US$ 2,00 por dia é de US$ 1,26.
Para a entidade, este valor oferece
uma avaliação mais correta de quem de fato é pobre
em países de renda média porque, diante dos custos de vida,
um mesmo salário na África não seria suficiente
para que um brasileiro fosse considerado fora da linha da pobreza. Antes
da revisão, o número de pobres latino-americanos com renda
de US$ 1,00 por dia, o número de pobres era de 27 milhões.
O Banco Mundial, no entanto, reconhece que, em termos porcentuais, a
América Latina reduziu o tamanho da camada mais miserável
em comparação ao restante da população. Mas
a redução ainda não foi suficiente para que o número
absoluto de pobres diminuísse.
No cálculo anterior de
pobreza, em que a linha considerada era abaixo de US$ 1,00 de renda por
dia, o Banco estimava que 7,4% dos latino-americanos eram miseráveis
em 1981. Em 1984, a taxa subia para 9,1%. Mas, em 2005, havia caído
para 5% da população. Pelo novo cálculo de pobreza,
12,3% dos latino-americanos eram pobres em 1981, ganhando menos de US$
1,25 por dia.
Jamil Chade, correspondente
Agência Estado
|
Agência Brasil, 27
de agosto de 2008
Déficit da Previdência
tem queda recorde no mês de julho
O Regime Geral de Previdência
Social registrou em julho déficit de R$ 2,177 bilhões,
com queda de 37% na comparação com julho do ano passado
e de 24% em relação a junho. A arrecadação
líquida ficou em R$ 13,230 bilhões, dos quais R$ 12,804
do setor urbano e R$ 425,6 milhões do setor rural.
Segundo o secretário de Políticas de Previdência Social,
Helmut Schwarzer, o desempenho da arrecadação foi “excelente”,
bateu recorde para o período e foi o melhor resultado da série
histórica Ele atribuiu o resultado ao “mercado de trabalho muito
positivo”, que também trará reflexos na arrecadação
de agosto. As renúncias previdenciárias somaram R$ 1,270 bilhão
no período.
São consideradas renúncias
previdenciárias o Simples, entidades filantrópicas e exportação
da produção rural. As despesas com benefícios previdenciários
ficaram em R$ 15,407 bilhões – R$ 12,343 na área
urbana e R$ 3,406 bilhões na rural.
No ano, o déficit ficou
em R$ 20,827 bilhões, com queda de 20,1% em comparação
ao período de janeiro julho de 2007. A arrecadação
líquida no período foi de R$ 88,589 bilhões, dos
quais R$ 85,716 bilhões na área urbana e R$ 2,872 bilhões
na rural.
O déficit do INSS deve
fechar 2008 muito abaixo dos R$ 46 bilhões estimados no Orçamento.
A projeção é do ministro da Previdência Social,
José Pimentel. Segundo ele, o resultado negativo deve ficar em
R$ 38 bilhões ou abaixo desse valor. “Quero registrar que
em 2008, nós erramos. E [cometemos] um daqueles erros que nós
gostamos de comemorar”, disse Pimentel bem-humorado.
O ministro revelou que na proposta
de orçamentária que será encaminhada até o
final do mês ao Congresso Nacional, a estimativa de déficit
para 2009 de R$ 43 bilhões será revista, pois foi elaborada
em março passado. “Agora, a peça orçamentária
que está sendo encaminhada até o dia 31 de agosto e será votada
em dezembro, nos permitirá ter um número mais realista
para 2009 e a tendência é que esse subsídio [os recursos
que saem do Tesouro para complementar as despesas da Previdência]
também seja reduzido, a exemplo do que está acontecendo
em 2008”. José Pimentel, no entanto, não quis antecipar
sua expectativa.
Em relação ao Produto
Interno Bruto (PIB), Pimentel disse que espera boas notícias para
a Previdência Social. A relação entre o PIB e o déficit,
que estava projetada em 1,55%, deve cair para 1,5%. O crescimento econômico,
a geração de emprego e a recuperação da massa
salarial, devem permitir uma redução ainda maior, segundo
ele, nos subsídios do governo para a Previdência nos próximos
anos.
Pimentel acrescentou que a boa
gestão da Previdência, com o combate às fraudes também
contribuiu para o resultado. Outro bom sinal, segundo ele, é que
mesmo com o subsídio do governo de R$ 2,639 bilhões, em
julho, para a previdência rural, a previdência urbana apresentou
superávit de R$ 461 milhões de reais. “É bom
registrar que a Previdência urbana foi superavitária, voltando
para o azul. O subsídio do mês de julho é exclusivamente
rural, que por decisão constituinte de 1988, a Previdência
rural será sempre subsidiada”, afirmou.
Fonte: Agência Brasil
|
O ESTADO DO PARANÁ,
27 de agosto de 2008 | Economia
Déficit de US$ 840 milhões
na balança comercial é inédito
Agência Estado
O déficit de US$ 840 milhões registrado na balança comercial
brasileira na quarta semana de agosto é inédito, na série
histórica do Ministério do Desenvolvimento, Indústria
e Comercio Exterior (MDIC) sobre o desempenho semanal. O maior déficit
semanal até então era de US$ 468 milhões, registrado na
segunda semana de novembro de 1998. Foi naquele ano que o MDIC começou
a divulgar semanalmente os dados do comércio exterior.
Divulgado nesta segunda-feira (25), o déficit da quarta semana de agosto
foi resultado de US$ 3,731 bilhões em exportações (média
diária de US$ 746,2 milhões) e US$ 4,571 bilhões em importações
(média diária de US$ 914,2 milhões). Com isso, o superávit
acumulado no mês caiu para US$ 1,279 bilhão e, no ano, para US$
15,932 bilhões.
|
Gazeta do Povo, 27 de agosto de 2008
Petróleo
Para Lula, pré-sal traz “nova
independência”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que as novas reservas
da camada de pré-sal representam para o país um novo momento
de independência. Num discurso inflamado no 18º Congresso Brasileiro
de Contabilidade, o presidente assegurou que o Brasil não vai exportar óleo
cru retirado da camada do pré-sal, mas produtos com valor agregado. “Queremos
produzir com valor agregado. Vamos ter refinarias para produzir gasolina premium
para exportar para a Europa e para os Estados Unidos”, afirmou o presidente.
Lula procurou transmitir uma mensagem de que as descobertas da camada do pré-sal
serão usadas para desenvolver a economia brasileira. “Queremos
aproveitar esse petróleo para recuperar a indústria naval brasileira”,
disse. O presidente disse que será preciso produzir sondas para exploração
do petróleo, plataformas e 200 navios. Ele citou que uma única
sonda de perfuração custa US$ 700 milhões e que “o
Brasil vai ter que produzir 38 delas”.
Otimista, o presidente afirmou que a camada do pré-sal vai proporcionar
algo fantástico para o país: “gerar mais garantias à estabilidade
econômica do Brasil”.
Para os gaúchos, ele prometeu que a Petrobras vai “colocar alguma
coisa no lugar” da plataforma P-53, que deixará o estado.
|
CONTAS ABERTAS, 27 de agosto
de 2008
Propaganda eleitoral gratuita custa
R$ 242 milhões aos cofres públicos
A Receita Federal deve deixar de arrecadar este ano R$ 242,3 milhões
por conta do horário eleitoral gratuito. Isso porque as emissoras de
rádio e televisão recebem isenção fiscal para transmitirem
a propaganda partidária – que não é paga pelos candidatos
e partidos políticos. Para compensar as eventuais perdas das empresas
de comunicação, que deixam de receber dos anunciantes nos 30
minutos diários da propaganda, os cofres públicos arcam com o
custo e proporcionam aos veículos o benefício da renúncia
fiscal.
Nos últimos sete anos,
a perda de arrecadação chegou a quase R$ 2,1 bilhões,
em valores atualizados, desconsiderados os efeitos da inflação
(veja
tabela). Quando não há eleições, a isenção
tributária para o horário eleitoral continua em vigor,
pois mesmo em anos não eleitorais há propagandas institucionais
de partidos políticos. Apesar de não ser ano de eleições,
a perda de arrecadação de R$ 513,7 milhões no ano
passado foi a maior desde 2002. A modalidade de gasto tributário “horário
eleitoral” esteve, em 2007, na 14ª posição no
ranking de perdas de arrecadação, atrás do Super
Simples e do setor automobilístico, por exemplo.
A estimativa da Receita para
a perda de arrecadação no ano é feita com base na
Declaração de Informações Econômico-fiscais
da Pessoa Jurídica (DIPJ) do ano anterior. O cálculo deste
ano foi feito em 2007, e o mesmo acontece com as estimativas de anos
anteriores. A estatística sobre a renúncia fiscal, segundo
a Receita, é a mais próxima a que se pode chegar, tendo
em vista que se trata de um método de inferência, ou seja,
impossível saber o número exato. Dados primorosos são
somente aqueles de arrecadação, quando os impostos realmente
foram recolhidos.
Contudo, nem todas as empresas
de comunicação são contempladas com o benefício
fiscal. De acordo com o assessor jurídico da Associação
Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Rodolfo
Machado Moura, o número de empresas que faz jus à compensação
fiscal está entre 20% e 25%. “As demais não podem
usufruir o mecanismo por não darem lucro ou estarem submetidas
ao regime tributário especial, como o Super Simples”, explica.
A título de comparação,
os mesmos R$ 242,3 milhões deduzidos do imposto de renda este
ano poderiam ser usados para pagar um mês de trabalho a 583,7 mil
pessoas com o atual salário mínimo de R$ 415,00. O mesmo
valor seria suficiente para alimentar mais de um milhão de famílias
por um mês, tomando por base a cesta básica do Dieese (Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos)
no montante de R$ 236,69 – preço do mês de julho em
Brasília. A cesta do Dieese, que mede o gasto mensal com a compra
de alimentos essenciais, abriga 11 itens, entre eles, carne, leite, arroz,
feijão, pão e manteiga.
A compensação fiscal
das emissoras de rádio e televisão para que estas veiculem
o horário eleitoral obrigatório é garantida pela
legislação eleitoral prevista na Lei 9.504 de 1997, mais
precisamente, no artigo 99. Mas a regulamentação do espaço
cedido ao horário eleitoral tem por base o decreto 3.786 de 2001.
Outro amparo legal é a Lei 9.430 de 1996, que trata das especificações
para o imposto de renda da pessoa jurídica.
A campanha eleitoral dos candidatos
que concorrem as 5.563 vagas a prefeituras e vice-prefeituras vai ao
ar todas as segundas, quartas e sextas. Já para aqueles que pleiteiam
as 52.137 cadeiras de vereadores nas câmaras municipais, as inserções
acontecem as terças, quintas e aos sábados. Os programas
vão ser veiculados até o dia dois de outubro, três
dias antes do primeiro turno.
Quanto pagam os contribuintes
Indiretamente, o brasileiro deve
pagar este ano cerca de R$ 1,32 para receber informações
sobre os candidatos e os partidos políticos, uma vez que no Brasil
há cerca de 184 milhões de habitantes, segundo estimativas
do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O cálculo é possível
partindo do princípio de que a Receita Federal, assim como outros órgãos
públicos que utilizam a arrecadação para se manterem, “compra” o
horário das emissoras, permitindo que estas deduzam do imposto
de renda 80% do que receberiam caso vendessem o período para a
publicidade comercial.
Nas negociações
publicitárias, é hábito a comissão de 20%
para as agências de publicidade. Mas como na publicidade em questão
(propaganda partidária) não há nenhuma agência
intermediando, é possível a redução do processo
para 80% – descontado os honorários das agências.
Nas últimas eleições, em 2006, a Receita Federal
deixou de arrecadar R$ 218,9 milhões, em valores atualizados,
o que representou algo em torno de R$ 1,19 por habitante.
O advogado Luiz Maranhão
Filho, doutor em Ciências da Comunicação e professor
da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), acredita que o custo para
veiculação do horário eleitoral é alto demais.
O advogado critica o lucro das empresas de comunicação
sobre a concessão que recebem para funcionamento. “Como
não pagam para realizar as suas programações, é como
se as empresas lucrassem com uma espécie de reembolso”,
explica. “Além do mais, elas ganham com ibope e publicidade
quando realizam debates entre os candidatos”, completa.
Os anúncios no rádio
e na televisão renderam somente neste ano R$ 6 bilhões
as empresas. Logo, a isenção fiscal pelo horário
eleitoral corresponde a 4% desse faturamento. Os rendimentos das empresas
fazem parte do estudo Intermeios, divulgado pela “Meio e Mensagem”,
publicação especializada no setor de mídia. No ano
passado, em valores atualizados, as emissoras de televisão e rádio
receberam juntas quase R$ 13,1 bilhões somente com publicidade.
O professor da Faculdade de Comunicação
da Universidade de Brasília (UnB) Paulo José Cunha acredita
que as empresas midiáticas convertem de forma suntuosamente desigual
o valor faturado em prol da cidadania. “Essas empresas faturam
um volume formidável todos os anos, e o retorno na forma de publicidade
gratuita com propagandas de campanhas educativas, por exemplo, é bem
pequeno”, argumenta.
Idéias encobertas
Para Paulo José Cunha,
o eleitor tem todo o direito de conhecer os candidatos aos cargos eletivos,
o que caracteriza o exercício da democracia. No entanto, defende
o aperfeiçoamento da propaganda partidária. “Uma
normatização que contemplasse mais o efeito de idéias
e menos de visual seria o ideal”, opina o docente. “Na campanha
por meio da propaganda, as idéias ficam encobertas porque o conteúdo é voltado
para a emoção e, além disso, serve muito mais para
mostrar quem está no páreo – com jingles e apelos
emocionais – do que para efetivamente destacar projetos, planos
e plataformas de governo”, observa.
O professor defende a tese de
que os órgãos da Justiça Eleitoral deveriam patrocinar
debates. “Se as empresas promovem [debates], por que a Justiça
Eleitoral não?”, questiona. “Propaganda é uma
amostra, mas é no debate que se conhece o candidato”, argumenta.
Paulo José questiona ainda o peso da propaganda partidária
na decisão do voto. “Em condições normais,
dificilmente há uma virada por conta da propaganda eleitoral”,
atesta.
Em propagandas partidárias,
há falhas na transmissão de mensagens tanto no tempo destinado
aos candidatos a prefeituras, quanto às câmaras municipais,
na opinião de Paulo José. “Ocorre o efeito liquidificador
na propaganda proporcional [vereadores]; todas as mensagens são
misturadas e não há tempo para a sedimentação
das mensagens. Já as majoritárias [prefeituras] são
muito mais voltadas para animar os pleitos”, explica.
O advogado Luiz Maranhão
partilha a idéia de incongruências na transmissão
da propaganda partidária e desmerece a sua eficácia como
meio de informar a população sobre os candidatos e propostas
de campanha em temas cruciais como saúde, segurança e educação. “Ninguém
assiste a propaganda eleitoral. A população, quando assiste,
ainda ridiculariza os candidatos, contando piadas no dia seguinte. Agora,
nos programas jornalísticos sim, a informação chega
ao cidadão de forma eficiente. Os candidatos mais conhecidos,
os majoritários, ainda se destacam porque já têm
grande espaço na mídia”, argumenta.
Amanda Costa
Do Contas Abertas
|
FOLHA DE LONDRINA, 27 de
agosto de 2008 | Cidades
Eleições - Lei não
garante cumprimento de promessas
Na falta de um meio legal de se
impedir um candidato de fazer promessas de campanha, especialista
defende referendo revogatório
A cada eleição, a mesma história: os candidatos a prefeito
e vereador prometem inúmeras mudanças, mais escolas, creches,
hospitais. Ou generalizam, garantindo investir em saúde, educação,
segurança, moradia. Candidato a vereador diz que vai construir creche,
pleiteante a prefeito promete acabar com impostos. Mas quais as reais atribuições
e poderes do Executivo e do Legislativo municipal? É possível
afirmar que esta ou aquela promessa é impossível de ser cumprida?
Infelizmente, não há um
meio legal de se impedir um candidato de prometer nada em sua campanha,
já que ele tem o direito à livre expressão de suas
intenções. Agora, se essas intenções são
verdadeiras ou não, e, principalmente, se serão cumpridas,
não há como garantir nem punir o prefeito ou vereador por
isso. Mas a população pode cobrá-los.
Também não há uma
especificação exata do que um prefeito ou vereador pode
ou não fazer. O professor de Direito Constitucional da UEL e da
PUC e presidente executivo do Instituto de Direito Constitucional e Cidadania
(IDCC), Zulmar Fachin, explica que o prefeito tem que agir dentro do
que a Constituição determina, e concretizar também
o que está nas leis municipais e na lei orgânica do município.
Já à Câmara
de Vereadores, segundo Fachin, cabe legislar, fiscalizar atos administrativos
e de natureza executiva do próprio legislativo, investigar atos
da administração pública através de comissões
especiais de inquéritos (CEIs), e sua atuação ''deve
expressar preocupação com os direitos fundamentais das
pessoas''.
Assim, se o candidato a vereador
promete construir uma escola, por exemplo, é claro que isso não é atribuição
sua, mas ele pode legislar e voltar sua atuação política
para viabilizar essa construção no exercício de
seu mandato. Por outro lado, o professor ressalta que o candidato também
pode ter consciência de que não vai conseguir cumprir a
promessa e mesmo assim o fazer, na ânsia de cooptar mais votos.
Uma forma de penalizar um agente
público por uma promessa não cumprida, segundo Fachin,
seria criar uma lei determinando um referendo revogatório. ''O
prefeito desviando-se de sua campanha, seria motivo para um referendo
revogatório, determinando a retirada ou perda do mandato a quem
não cumpriu com o que havia prometido durante a campanha'', sugere.
Mas o professor admite que a aprovação de uma lei como
essa seria bastante difícil. ''Precisaria de uma reforma política,
mas essa reforma não nasceria de dentro para fora. Os parlamentares
não vão criar leis para tornar a sua vida mais difícil'',
lamenta.
''O eleitor precisa entender
que está escolhendo pessoas que vão administrar o dinheiro
público por pelo menos quatro anos. Quem escolhe o candidato pensando
apenas na solução imediata dos próprios problemas
está pedindo para ser enganado'', alerta.
Adriana Ito
Reportagem Local
|
Folha
de S.Paulo, 27 de agosto de 2008
Requião dribla STF e mantém
irmão e mulher no governo
Eles são agora secretários; sobre
irmão, governador diz querer manter desempenho de portos | No
Rio, a irmã de Cesar Maia passou de subsecretária para
secretária especial de Eventos; prefeito afirma que "pré-cumpriu" a
súmula
DIMITRI DO VALLE
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CURITIBA
ITALO NOGUEIRA
DA SUCURSAL DO RIO
O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), e o prefeito
do Rio, Cesar Maia (DEM), mudaram o status de parentes para driblar a súmula
do STF (Supremo Tribunal Federal) que impede a contratação de
parentes até terceiro grau nos três Poderes.
Requião mudou a função de sua mulher, Maristela, e do
irmão Eduardo, que têm cargos no governo, e transformou-os em
secretários especiais. Já Maia trocou a estrutura de seu secretariado
para manter a irmã Ana Maria Maia como funcionária da prefeitura.
A decisão do STF não impede que parentes sejam secretários.
Maristela, cujo nome da nova pasta não foi definido, foi nomeada por
decreto na quarta-feira passada para permanecer no comando do museu Oscar Niemeyer,
em Curitiba. Eduardo foi nomeado ontem para a função de secretário
especial para Assuntos Portuários, para assim permanecer à frente
do porto de Paranaguá.
Em nota, ao falar apenas do caso do irmão, Requião disse que "a
medida visa garantir a continuidade do excelente desempenho que os portos de
Paranaguá e Antonina vêm mantendo desde 2003".
No cargo de secretário, Eduardo passará a prestar assessoria
ao irmão para "o fomento" dos portos do Paraná.
Requião não falou ontem em público sobre as decisões.
Sempre que falou sobre o tema, o governador declarou ser "um nepotista
esclarecido" para defender a nomeação de familiares. À Folha,
em janeiro, Requião declarou que "você não pode cercear
uma pessoa pelo fato de ser seu parente". "O nepotismo é uma
coisa mais ampla: é nomear [pessoa] inadequada por um protecionismo
de qualquer sentido em um lugar importante onde ela prejudica a administração."
A assessoria da Secretaria da Casa Civil, que está se manifestando sobre
o caso, diz que a situação dos outros parentes de Requião
no governo está sendo estudada juridicamente.
Rio
A irmã de Cesar Maia, Ana Maria, passou de subsecretária para
secretária especial de Eventos, segundo ato publicado anteontem no "Diário
Oficial" do Município.
Ele mantém mais quatro parentes em cargos comissionados: Carmem Adela
Ibarra Pizzarro (cunhada), Carlos André Xavier Bonel Jr. (sobrinho),
Anita Carolina Levy Ibarra (sobrinha da mulher do prefeito, Mariângeles)
e Sebastian Ibarra (sobrinho de Mariângeles).
O prefeito afirmou por e-mail que se antecipou ao STF ao promover a irmã.
|
FOLHA DE LONDRINA, 27 de
agosto de 2008 | Cidades
Mãos femininas na obra
Doze mulheres iniciaram ontem um curso de
pedreiro-azulejista; oportunidade para ingressar no mercado da construção
civil
Fotos: Fábio Ciquini

Para instrutores, mulher leva vantagem por ser habilidosa e detalhista; serviço
exige mais técnica do que força

Adriana Lopes já tem familiaridade com o setor: ‘‘Ajudei
meu pai a construir a casa dele’’
Presentes em obras da construção civil apenas para realizar a
chamada limpeza de fim de obra, as mulheres começam a ter novas oportunidades
de trabalho no setor. Com o objetivo de suprir a falta de trabalhadores qualificados
ocasionada pelo aquecimento do mercado imobiliário, uma construtora
iniciou ontem o primeiro curso de pedreiro-azulejista para mulheres, em Londrina.
A primeira turma - formada por
12 alunas - é composta principalmente por trabalhadoras da área
de limpeza. ''Duas delas são funcionárias da construtora,
outras trabalham na fase de limpeza de fim de obra e algumas vieram por
conta própria'', explica Suzimeire Shawarski de Mello, analista
de treinamento e desenvolvimento da empresa A. Yoshii.
O curso, com 12 horas teóricas
e 16 práticas, terá duração de quatro semanas.
Ontem, sob o olhar desconfiado dos muitos trabalhadores do sexo masculino
que estavam no local, a primeira turma feminina visitou a obra de um
residencial na Gleba Palhano (Zona Sul).
A zeladora Adriana Lopes, 33, é uma
das moças interessadas em dividir com os homens o trabalho de
acabamento das obras. ''Quero aprender essa profissão porque a área
tem mais oportunidades e o salário é melhor'', disse ela,
que é filha de um pedreiro e tem bastante familiaridade com o
setor de construção. ''Ajudei meu pai a construir a casa
dele'', conta.
Outra aluna é Adriana
Valéria de Oliveira Simões, 32 anos, que afirma ter contato
com a fase de acabamento das obras por trabalhar na limpeza dos prédios
recém-construídos. ''Meu objetivo é fazer esse curso
e conseguir um emprego com registro em carteira'', planeja.
O engenheiro civil Luis Carlos
Pisicchio, instrutor do curso junto com o também engenheiro Luiz
Rogério Venturini, acredita que as mulheres levarão vantagem
no serviço por serem habilidosas e mais detalhistas. ''A percepção
de acabamento delas é melhor'', acredita.
Ele explica que o serviço
exige mais técnica do que força, sendo ideal para a mão-de-obra
feminina. ''Além disso, as mulheres têm uma natureza mais
cuidadosa e, por isso, devem envolver-se em menos acidentes de trabalho.''
A presença das moças
em obras de construção civil é novidade em Londrina
mas, de acordo com Pisicchio, muito comum em outros estados. ''No Mato
Grosso do Sul há azulejistas há 15 anos'', conta. Segundo
o engenheiro, o mercado está tão escasso de pedreiros que,
caso já estivessem formadas, as 12 alunas poderiam ser absorvidas
pela demanda da construtora.
Carolina Avansini
Reportagem Local
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
27/08/2008
Insalubridade: SDI-2 suspende julgamento
até decisão do STF sobre Súmula 228
A Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho
decidiu hoje (26) retirar de pauta um recurso ordinário em ação
rescisória que trata da base de cálculo do adicional de
insalubridade. A Seção, por maioria de votos, seguiu proposta
do ministro Milton de Moura França de suspender o julgamento até que
o Pleno do Supremo Tribunal Federal julgue o mérito da reclamação
constitucional apresentada pela Confederação Nacional da
Indústria contra a Súmula nº 228 do TST, cuja nova
redação adota o salário básico do trabalhador
como base de cálculo para o adicional. O relator do recurso, ministro
Renato de Lacerda Paiva, votou favoravelmente à suspensão.
A SDI-2 segue, assim, o que já vem
sendo feito pela SDI-1 e pela maioria das Turmas do TST: enquanto não
houver definição a respeito da matéria, os processos
que tratam do adicional de insalubridade têm sido retirados de
pauta. O ministro Milton de Moura França, que, na condição
de vice-presidente do TST, tem sob sua responsabilidade o exame dos recursos
extraordinários para o STF, disse na sessão que tem agido
da mesma forma, sobrestando os casos que envolvem a Súmula 228. “Em
verdade, não há definição alguma sobre o
tema. Parece-me que seria de boa cautela aguardar. Não temos nenhum
parâmetro para dizer como ficará a situação”,
assinalou o ministro ao propor a retirada do processo.
A proposta surgiu quando o ministro
Ives Gandra Filho, que havia pedido vista regimental, abriu divergência
e propôs a manutenção do salário mínimo
(nos termos da redação original da Súmula nº 228)
até que seja fixado novo parâmetro. O ministro informou
que a Sétima Turma, da qual é presidente, tem julgado neste
sentido as questões relativas ao adicional de insalubridade, por
considerar a possibilidade de o STF ainda demorar bastante para levar
ao Pleno o questionamento da Súmula nº 228.
STF havia determinado fixação
de novo parâmetro
O processo retirado de pauta é um
caso peculiar. A reclamação trabalhista – ajuizada
por um ex-funcionário da Companhia Siderúrgica de Tubarão
(CST) – transitou em julgado em 2001. Na ação original,
a decisão final foi pela aplicação do texto então
vigente da Súmula nº 228, que adotava como base de cálculo
o salário mínimo. Logo após o trânsito em
julgado, o trabalhador entrou com ação rescisória
com o objetivo de desconstituir a ação original, sob a
alegação de que a adoção do salário
mínimo no cálculo do adicional era contrária à Constituição
Federal, que proíbe essa forma de indexação.
Em 2004, a SDI-2 julgou improcedente
a rescisória, mais uma vez com base no entendimento jurisprudencial
vigente à época. O trabalhador interpôs então
recurso extraordinário para o STF. Por despacho, o ministro Carlos
Ayres Brito afastou a indexação do adicional pelo salário
mínimo e determinou o retorno do processo ao TST para que fosse
estabelecido outro parâmetro. Entre o retorno do processo e seu
julgamento hoje pela SDI-2, porém, o quadro se alterou de forma
significativa.
Em abril deste ano, o STF editou
a Súmula Vinculante nº 4, vedando a utilização
do salário mínimo como indexador de base de cálculo
de vantagem de servidor público ou de empregado e, ainda, sua
substituição por decisão judicial. Com isso, o TST
decidiu, em junho, alterar a redação da Súmula nº 228:
em lugar do salário-mínimo, a base de cálculo seria
o salário básico do trabalhador. Foi a vez, então,
da CNI ajuizar a Reclamação Constitucional nº 6266,
sustentando que, uma vez que a Súmula Vinculante nº 4 do
STF veda a substituição do salário mínimo
por decisão judicial, o TST não poderia adotar o salário
básico no cálculo da insalubridade. Em julho, o presidente
do STF, ministro Gilmar Mendes, concedeu liminar suspendendo a aplicação
da Súmula nº 228 até que o Pleno do STF julgue o mérito
da reclamação da CNI.
O relator, ministro Renato de
Lacerda Paiva, defendeu a retirada de pauta do processo. “Como
relator, não me sinto à vontade para contrariar a decisão
do STF nesses autos [o despacho do ministro Ayres Brito] invocando a
aplicação de uma Súmula que está evidentemente
em discussão, baseado meramente numa liminar que suspendeu os
efeitos da nova redação da Súmula nº 228”,
afirmou. “Entendo, como já entendi anteriormente, que não é oportuno
prosseguir no julgamento dessa matéria.” Todos os demais
integrantes da SDI-2 votaram no mesmo sentido.
Julgar ou suspender os julgamentos
A discussão, proposta
pelo ministro Moura França, sobre a conveniência de suspender
ou não os julgamentos de matérias que versam sobre a questão
da base de cálculo para insalubridade, como já havia sido
decido pela SDI-1, suscitou polêmica na SDI-2.
O ministro Ives Gandra Martins
Filho , ao abrir divergência e defender que essas ações
continuem sendo votadas no TST, acentuou que, em sua percepção, “a
perspectiva de reverter o quadro da liminar é muito pouco plausível,
já que a interpretação da súmula foi dada
pelo próprio Supremo”.
Já o ministro Barros Levenhagen
manifestou-se a favor de suspender a votação de todas as
matérias sobre o assunto. Conforme já havia declarado na
sessão do Pleno do TST que deliberou sobre a alteração
da Súmula nº 228, ele declarou-se surpreso com o seu teor,
tendo em vista que, ao mesmo tempo em que determina não se poder
utilizar o salário mínimo como indexador para qualquer
vantagem de servidor e de empregado, o dispositivo proíbe o Judiciário
de substituir a base de cálculo por outro título. “Isso
fere a norma pétrea de que nenhuma lesão pode ser privada
da intervenção do Judiciário, e realmente me causou
estranheza”, afirmou o ministro. “A meu ver, é prudente
suspendermos o julgamento, até mesmo porque se trata, por enquanto
de uma liminar, cujo mérito deverá ser julgado pelo Pleno
do STF”, concluiu.
O ministro Emmanoel Pereira votou
no mesmo sentido, manifestando o posicionamento de que, por prudência,
o TST deve aguardar um pronunciamento mais claro do STF. Para o ministro
Alberto Bresciani, que também votou favoravelmente à suspensão,
a decisão do Supremo, com a liminar concedida, nega aos ministros
do TST “qualquer processo de integração de norma
jurídica no momento”.
O ministro Pedro Paulo
Manus manifestou-se favorável à tese de que o Tribunal
deve prosseguir com os julgamentos. Ele acrescentou que teve informações
de que, ontem (25), a Procuradoria Geral da República juntou
seu parecer ao processo que originou a liminar do STF, pela improcedência
da movida pela Confederação Nacional da Indústria.
E observou que o artigo 103-a, da Constituição Federal,
estabelece que a Súmula Vinculante tem o objetivo de cessar
as controvérsias, mas, pelo que se constata, “quanto mais
se fala deste assunto, mais controvertido fica”.
|
27/08/2008
Município de Gravataí pagará horas
extras por alterar jornada reduzida
Por ter alterado o contrato de
trabalho de empregado, de forma unilateral, o Município de Gravataí (RS)
foi condenado a pagar-lhe horas extras. A Sexta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho assim concluiu, ao verificar contrariado o artigo 468 da
CLT, que estabelece a validade da alteração contratual
mediante dois requisitos: a mudança não pode resultar em
prejuízo ao empregado e deve existir o mútuo consentimento,
sob pena de nulidade.
Admitido em maio de 1982, o empregado
ainda trabalha para o Município. Na ação trabalhista,
ele afirma que, no início de 1983, houve redução
de sua jornada de trabalho, que passou de 240 horas mensais para 180.
Essa situação perdurou até abril de 1995, quando
o município alterou novamente sua carga horária, elevando-a
para 220 horas.
Para o empregado, essa situação
feria seu direito adquirido, uma vez que, por doze anos, cumprira a jornada
de 180 horas mensais e, sobretudo, porque o Município fez a alteração
de forma unilateral, sem, no entanto, aumentar o salário ou pagar
horas extras. Requereu, na Justiça do Trabalho, o retorno à carga
horária de 180 horas e o pagamento de duas horas extras diárias,
com as integrações legais, de abril de 1995 até a
data em que voltar a cumprir a jornada de 180 horas.
A Quarta Vara do Trabalho de
Gravataí declarou a ilicitude da alteração contratual,
por entendê-la lesiva ao empregado, e condenou o município
ao pagamento das duas horas por dia trabalhado, desde a mudança
até o restabelecimento da jornada anterior. O município
recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS),
que o absolveu da condenação sob o fundamento de haver
indícios de que a concessão de vantagens sem amparo legal,
como a redução da jornada, não podem gerar efeitos
para a administração pública. O TRT rejeitou a tese
do direito adquirido em relação a situação
que, segundo o acórdão, “se revela ilícita
e imoral - receber salário para trabalhar determinado número
de horas e fazê-lo apenas em parte”.
Ao analisar o recurso do empregado
para o TST, o ministro Aloysio Corrêa da Veiga votou no sentido
de restabelecer a sentença de primeiro grau. “A alteração
unilateral, sob o prisma de prestigiar o princípio da legalidade – porque
a jornada praticada era inferior à contratada – não
legitima a alteração realizada”, observou, acrescentando
que a jornada reduzida, praticada por 12 anos, agregou-se ao contrato
de trabalho e não pode ser alterada. “A alteração
apenas seria possível se ele concordasse e, mesmo assim, não
lhe adviesse qualquer prejuízo”, concluiu. (RR-81.625/2003-900-04-00.7)
|