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Folha de S.Paulo, 28 de Agosto de 2008
Com reajuste de 12%, salário mínimo
deve chegar a R$ 465 no próximo ano
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O salário mínimo subirá para R$ 464,72 em fevereiro do
próximo ano, conforme o Orçamento de 2009. Desde o governo FHC,
porém, os valores efetivamente fixados para o mínimo têm
superado as diretrizes orçamentárias.
Segundo a regra adotada pela administração petista, os trabalhadores
e os aposentados que recebem o piso nacional serão beneficiados com
um aumento de 11,98%. O ganho, de 5,42% acima da inflação esperada
no período, corresponde ao crescimento do Produto Interno Bruto em 2007.
O reajuste será maior se o INPC superar as expectativas -ou se houver
uma decisão política de Lula.
Neste ano, por exemplo, o salário mínimo subiria para R$ 407,33;
com a alta da inflação, passou a R$ 413,70; a área econômica
sugeriu um arredondamento para R$ 414; o presidente preferiu R$ 415.
A política de reajustar o mínimo conforme a variação
do PIB de dois anos antes foi proposta no ano passado no lançamento
do PAC. O objetivo era conter a expansão da principal despesa federal,
os benefícios da Previdência, além de gastos como o seguro-desemprego
e benefícios assistenciais.
No próximo ano, está previsto novo aumento dos gastos previdenciários,
que chegarão a R$ 228,6 bilhões. O déficit do INSS cai
de 1,32% para 1,28% do PIB graças ao aumento da arrecadação
esperada.
Confirmando a tendência deste ano, o pagamento de seguro-desemprego e
abono salarial assume a condição de segundo maior programa social
do governo, com R$ 24,3 bilhões orçados em 2009. Em seguida,
vêm os benefícios de prestação continuada a idosos
e deficientes (R$18,6 bilhões).
O Bolsa Família, maior programa de transferência de renda de caráter
não obrigatório, terá R$ 11,4 bilhões.
A Saúde, com R$ 58,3 bilhões, mantém o segundo maior volume
de verbas entre os ministérios, graças à emenda constitucional
que vincula os recursos à variação do PIB. A Defesa tem
R$ 50,2 bilhões, mas contando com um aumento de verbas já prometido
no Orçamento deste ano e depois bloqueado.
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Gazeta do Povo, 28 de Agosto de 2008
Consumo
Habitante do Sul tem a 2.ª melhor
renda do Brasil
Para mapear o comportamento da economia e dos consumidores de todo o Brasil,
a Latin Panel divulga hoje um estudo com as cinco regiões do país
para identificar os diferentes perfis de consumo em 2007. O Sul é um
dos destaques da pesquisa, com a segunda maior média de renda familiar
do Brasil, com R$ 1.610, atrás apenas da região Centro-Oeste,
com R$ 1.630. Além disso, o gasto mensal no Sul, que hoje é de
R$. 1.534, é 5% menor do que o ganho, o que mantém equilíbrio
no consumo da região. “Isso mostra que o sulista não está se
endividando. Ele é mais consciente e tem um maior equilíbrio
com os gastos”, diz a gerente de marketing da Latin Panel, Patrícia
Menezes.
A região foi a que apresentou o maior crescimento de consumo no Brasil
em 2007, 10% no volume de vendas e 15% no valor gasto. Para 2008, essas taxas
devem apresentar desaceleração frente a 2007. “Com a inflação,
ele teve de economizar e trocar marcas para conseguir readequar o orçamento”,
analisa Patrícia.
No Sul, a alimentação dentro do lar, a habitação,
os serviços públicos e o transporte respondem por 54% do total
dos gastos da família. No setor de transportes, os sulistas gastam 22%
a mais do que o restante do país. O alto valor pode estar ligado, de
acordo com a gerente, com a melhoria de renda das famílias. “No
levantamento, entra tanto o transporte coletivo como o particular, e esse gasto
mais elevado se dá pelas melhores condições de vida para
compra de veículo próprio”, explica. O lazer também é um
dos pontos fortes na região Sul e representa 4,4% do desembolso das
pessoas, ou 13% acima da média dos gastos nacionais com este item.
Segundo Patrícia, características climáticas também
influenciam os costumes de consumo no Sul. O frio é um dos principais
responsáveis pelo índice 14% acima da média nacional de
compras de vestuário. O tíquete médio com alimentação é o
mais alto do país, R$ 16,50 por compra, e o produto com maior penetração
nos lares desta região é o refrigerante, que está presente
em 98,4% das residências.
Brasil
A renda média do brasileiro apurada em 2007 foi de R$ 1.463. Segundo
o estudo, as classes D e E representam 43% do total da população
do país. A alimentação continua sendo o que mais pesa
no bolso do brasileiro, respondendo por 48% do total de gastos e o valor médio
do tíquete de compra é de R$ 10,83. (IR)
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FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 28 de agosto de 2008 | Dinheiro
Emprego industrial cresce mais em cidades
pequenas, mas informalidade preocupa, diz Ipea
KAREN CAMACHO
Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online
Levantamento realizado pelo Ipea
(Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) aponta que o emprego
industrial cresceu mais nas cidades pequenas, mas a informalidade e o
desrespeito a questões trabalhistas, fiscais e ambientais ainda
dependem de esforço conjunto de governos, empresas e agentes de
desenvolvimento.
De acordo com dados obtidos pela
Folha Online, 58% dos empregos industriais criados entre 2000 e 2005
ocorreram nas cidades pequenas, com menos de 100 mil habitantes. Os dados,
consolidados pelo Ipea, são do Ministério do Trabalho
Segundo o Ipea, esses municípios
podem ser divididos em três tipos: 1) pequenos, próximos
a capitais, ou médios; 2) pequenos, cujos investimentos vêm
principalmente de grandes empresas atraídas por incentivos fiscais
oferecidos pelos Estados; e 3) pequenos, onde há fortes indústrias
locais constituídas de pequenas e médias empresas.
O estudo aponta, no entanto,
um fator preocupante: a maioria das pequenas e médias empresas
destes municípios são informais. Assim, o Ipea buscou exemplos
de cidades que evoluíram no cumprimento às leis e aumentaram
a formalidade, como é o caso de Toritama (PE), na área
ambiental, Nova Serrana (MG), trabalhista, e Jaraguá (GO), tributária.
As três cidades estão
entre os 417 municípios brasileiros em que o emprego industrial
com carteira aumentou em pelo menos mil trabalhadores no período.
"Esses municípios
são exemplos do dinamismo econômico encontrado em pequenas
localidades no Brasil, onde se constata um crescimento, na última
década, do emprego formal, do número de empresas formais,
da arrecadação tributária, e do PIB", segundo
o levantamento.
Formalidade
Segundo o estudo, o Brasil apontou
a criação de 7 milhões de empregos formais entre
2000 e 2005. O número é superior ao registrado nos 15 anos
imediatamente anteriores, de 5,7 milhões.
A taxa média de crescimento
do PIB (Produto Interno Bruto), no entanto, foi de 2,6% (de 2000 a 2005),
próxima ao registrado em anos anteiores --de 2,3% de 1991 a 1999.
Portanto, na análise do
Ipea, o rápido aumento do emprego formal no Brasil após
1999 não pode ser explicado por níveis mais altos de crescimento
econômico.
Entre as razões possíveis
estão a desvalorização da moeda brasileira em 1999
e o aumento das exportações estimulado pelo crescimento
econômico mundial.
O Ipea ressalta que esses fatores
não explicam, por exemplo, por que o emprego aumentou nos setores
intensivos em mão-de-obra (calçados, têxteis e roupas),
que estavam sob intensa concorrência de países onde os salários
são mais baixos, ou por que a maior parcela do crescimento do
emprego no setor de manufaturados se deu no interior do país.
Fases
Segundo o Ipea, a dinâmica
do mercado de trabalho recente pode ser identificada em duas fases: a
primeira, entre 1990 e 1999, é marcada por uma taxa de desemprego
crescente, e a segunda, a partir de 2000, é caracterizada pelo
crescimento do emprego formal.
Na primeira fase, de acordo com
a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), e o IBGE
(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa de desemprego
praticamente dobrou, aumentando de menos de 5% no começo da década
de 1990 para quase 10% em 1999.
O número de desempregados
passou de 9 milhões, que é considerado alto comparado ao
que se observou nas duas décadas anteriores (1970 e 1980), nas
quais esse número em nenhum momento excedeu 2 milhões de
trabalhadores.
O estudo ressalta que foi, durante
a década de 1990, que acadêmicos, políticos e empresários
pressionaram por reformas na legislação trabalhista, a
CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), que é considerada
por parte dos setores antiquada e uma barreira ao crescimento do emprego
formal.
"A natureza dessa crítica
mudou depois de 1999, quando o emprego formal começou a aumentar
rapidamente e a CLT não podia mais ser responsabilizada por retardar
esse crescimento", afirma o levantamento.
Com esse crescimento, a
informalidade passou a ser o principal problema resultante da CLT.
A informalidade no Brasil chegou a 53% da força de trabalho
em 2005.
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Agência Diap, 28 de
Agosto de 2008
FUNDO DE GARANTIA
FGTS amplia verba para financiar
imóveis; R$ 500 mi irão para pobres
Conselho Curador aprova aumento
de R$ 2,05 bi no orçamento; desses, R$ 500 mi devem ir para famílias
de baixa renda. Um dos motivos para a ampliação do valor é o
aumento da arrecadação gerado por mais empregos com registro
em carteira
O Conselho Curador do FGTS (Fundo
de Garantia do Tempo de Serviço) aprovou, na última segunda-feira
(25), o aumento de R$ 2,05 bilhões no seu orçamento destinado
para financiamentos habitacionais. Desse valor, R$ 500 milhões
devem ir para um programa específico para famílias de baixa
renda, e o restante, para as linhas de crédito que já contam
com dinheiro do fundo.
Com a decisão, sobe para
R$ 10,45 bilhões o orçamento do FGTS para a habitação
em 2008. Os financiamentos à casa própria propriamente
ditos ficarão com R$ 8,45 bilhões. Outros R$ 2 bilhões
irão para o Pró-Moradia, nome dado a empréstimos
concedidos pela Caixa Econômica Federal a Estados e a municípios
que tenham projetos na área habitacional destinado à população
de baixa renda.
Um dos motivos para essa elevação
no volume de recursos destinado ao setor imobiliário foi o aumento,
acima do esperado, na arrecadação do FGTS.
Na última segunda-feira
(25), o Conselho Curador - formado por representantes do Governo, de
empresas e de sindicatos de trabalhadores - elevou de R$ 2,7 bilhões
para R$ 6,7 bilhões sua projeção para a arrecadação
líquida - já descontados os saques - do fundo neste ano.
Segundo o ministro do Trabalho,
Carlos Lupi, essa elevação reflete o aumento na geração
de empregos com carteira assinada no país, o que significa crescimento
também no número de pessoas contribuindo para o fundo. "Nada
mostra com tanta força a criação de empregos do
que isso [o aumento na arrecadação do FGTS]", afirmou
Lupi.
BNDES
Além disso, foi aprovada ontem a liberação de R$ 6 bilhões
para reforçar o caixa do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social). Essa injeção de recursos será feita por meio
de uma operação envolvendo títulos públicos que
o FGTS tem em sua carteira e que serão repassados ao banco estatal.
Os papéis, conhecidos
como CVS, foram emitidos pelo Tesouro Nacional para cobrir o rombo deixado
por financiamentos concedidos por meio do antigo SFH (Sistema Financeiro
da Habitação). Esses títulos têm prazo de
30 anos e pagam juros de até 6,17% ao ano.
Após a aprovação
dada pelo Conselho Curador, os CVS serão transferidos ao BNDES,
que irá procurar o Tesouro Nacional para acertar o resgate antecipado
desses papéis.
Diante do ritmo de crescimento
da economia, a procura por empréstimos do banco estatal deve ultrapassar
os R$ 80 bilhões fixados como teto para este ano, o que o tem
levado a buscar fontes alternativas de recursos.
O valor anunciado ontem
ficou um pouco abaixo do que vinha sendo negociado. A estimativa inicial
do governo era repassar entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões
para o BNDES. Para evitar perdas para os trabalhadores, o banco pagará ao
FGTS a mesma remuneração recebida atualmente do Tesouro.
(Fonte: Folha de S.Paulo)
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TV
JORNAL, 28 de agosto de 2008
Construção
CBIC apresenta a Lula plano para zerar
déficit habitacional
O setor da construção civil
apresentou, na noite desta quarta-feira (27), ao presidente Luiz Inácio
Lula da Silva um plano estimado em R$ 300 bilhões para acabar
com o déficit habitacional na classe mais pobre da população.
A proposta da Câmara Brasileira da Indústria da Construção
(CBIC) é construir oito milhões de casas num prazo de
15 anos. O governo entraria com metade dos recursos, por meio de redução
de impostos e subsídios.
Em entrevista após audiência
com Lula, o presidente da CBIC, Paulo Safady Simão, também
relatou ter apresentado ao governo um plano de reforma da Esplanada
dos Ministérios, em Brasília, orçado em R$ 300
milhões. Por meio de Parecerias Público-Privadas (PPP),
empresas do setor construiriam sete novos anexos e fariam mudanças
na estrutura dos prédios. Em troca, o governo cederia projeções
e lotes na capital para empreendimentos imobiliários.
Simão ainda relatou que, na audiência,
os empresários reclamaram das dificuldades em obter licença
ambiental para projetos previstos no Plano de Aceleração
do Crescimento (PAC). "Há muito radicalismo na área
de licenciamento ambiental", avaliou o empresário. O
Palácio do Planalto não se manifestou sobre a audiência
de Lula com os empresários.
Fonte: Agência Estado
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O ESTADO DO PARANÁ,
28 de agosto de 2008 | Economia
Orçamento de 2009 prevê PIB
de 4,5%
Agência Estado
A proposta de Lei Orçamentária para 2009 que será encaminhada
ao Congresso Nacional prevê como parâmetros um crescimento do PIB
de 4,5% ante 5% previsto para este ano. O ministério do Planejamento
também estimou em 4,5% a inflação medida pelo IPCA em
2009. A taxa de câmbio média estimada é de R$ 1,71 e a
taxa de juro Selic está projetada em 13,5% ao ano em dezembro de 2009.
O ministério do Planejamento
manteve a meta de superávit primário do setor público
em 3,8% do PIB em 2009. O Governo Central, formado pelo Tesouro, Previdência
Social e Banco Central, contribuirá com superávit de 2,2%
do PIB, enquanto que as empresas estatais federais terão que economizar
o equivalente a 0,65% do PIB. Os governos municipais e estaduais devem
fazer um superávit primário de 0,95% do PIB.
A proposta de Lei Orçamentária
para 2009 prevê um total de receita líquida de transferências
no valor de R$ 662,3 bilhões e despesas obrigatórias no
valor de R$ 455,9 bilhões. As receitas totais somarão R$
808,9 bilhões, de forma que as transferências a Estados
e municípios somarão R$ 146,5 bilhões.
Segundo o Ministério do
Planejamento, os gastos com pessoal e encargos sociais somarão
R$ 155,3 bilhões, e com benefícios previdenciários
e assistenciais, R$ 271,5 bilhões. O governo destinará R$
3,9 bilhões para fazer a compensação das desonerações
das exportações previstas na Lei Kandir. Ainda segundo
a proposta orçamentária de 2009, o salário mínimo
subirá de R$ 415,00 para R$ 464,72.
Investimentos
A proposta prevê investimentos
no valor de R$ 119,1 bilhões, dos quais R$ 79,7 bilhões
serão de empresas estatais. Pelo projeto de lei, a Petrobras no
Brasil deve responder pela maior parte desses investimentos, somando
R$ 53,73 bilhões. No exterior, ainda estão previstos investimentos
do grupo Petrobras de R$ 12 408 bilhões.
O grupo Eletrobrás deve
fazer investimentos de R$ 7,243 bilhões. O setor financeiro federal,
que engloba instituições como o Banco do Brasil e a Caixa
Econômica Federal, será responsável por investimentos
da ordem de R$ 3,2 bilhões.
PAC
Segundo o Ministério
do Planejamento, o Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC) receberá em recursos da União R$ 21,244 bilhões
em 2009. Deste montante, R$ 10,418 bilhões serão investidos
em infra-estrutura e logística e R$ 10,780 bilhões em
infra-estrutura social e urbana (saneamento, habitação,
irrigação) e o setor energético receberá R$
46 milhões em 2009. Ainda dentro do PAC, as empresas estatais
(Petrobras, Eletrobrás Infraero, Hemobrás e Companhias
Docas) investirão R$ 50,1 bilhões.
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Folha
de S.Paulo, 28 de Agosto de 2008
Recuo no preço dos alimentos gera
deflação
IGP-M fecha agosto em -0,32% com queda nos preços
agropecuários, mas no acumulado de 12 meses a alta é de
13,6% | Apesar de queda no atacado, analistas duvidam que preço
ao consumidor caia com mesma velocidade e intensidade da alta
TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL
O IGP-M, que assustou no início
do ano com forte alta puxada pela inflação mundial dos
alimentos, registrou em agosto deflação de 0,32%. O motivo
foi a queda no preço dos produtos agropecuários, especialmente
no atacado, que recuaram 4,81% no mês após subirem 3,69%
em julho, o que havia levado o índice a subir 1,76%.
Foi a primeira baixa registrada no IGP-M desde abril de 2006 (-0,42%). No ano,
o índice acumula alta expressiva de 8,35%. Nos últimos 12 meses,
chega a 13,63%. Conhecido por reajustar os preços de aluguéis
e serviços públicos, a expectativa do mercado é que o
IGP-M feche 2008 com alta de 10,91%.
A maior queda vista em agosto foi nos preços do atacado, que recuaram
0,74%, depois de subirem 2,20% em julho. Segundo Salomão Quadros, coordenador
da pesquisa do IGP-M da FGV, 80% dessa contração dos preços
dos produtores foi conseqüência do recuo no preço dos alimentos
(-4,81%) e matérias-primas brutas (-4,71%), movimento vivido em todo
o mundo por conta do aumento da produção e da expectativa de
desaceleração no consumo.
A pesquisa mostra também que a queda dos preços no atacado já chegou
ao consumidor. No varejo, a alta de preços foi de 0,23% em agosto -contra
0,65% de julho. Só os alimentos tiveram baixa de 0,46% nos preços,
após uma alta de 1,41% no mês anterior.
Para Quadros, há dúvidas se o varejo vai repassar com a mesma
intensidade e velocidade a baixa nos preços do atacado, como aconteceu
na alta.
" Até o momento, as quedas de preço no varejo estão
a metade [da alta]. Pode ser que ainda aconteça nos próximos meses,
mas também pode ser a hora de as empresas recomporem as margens [de lucro],
que perderam nos últimos meses."
O feijão tipo carioquinha, por exemplo, já caiu 7,55% em agosto
no atacado e só 2,92% no varejo. O arroz branco beneficiado recuou 1,9%
no atacado em agosto e 2,24% em julho, mas só caiu 0,8% no varejo neste
mês (em julho subiu 1,89%).
Outro caso de atraso no repasse da queda de custos foi visto no trigo e derivados.
Enquanto o preço do trigo no atacado derreteu 14,48% em agosto, a baixa
da farinha de trigo no varejo foi de 2,75%. No caso do pão francês,
a baixa no varejo foi de apenas 0,25%.
A única exceção foi o da carne bovina, que recuou no atacado
7,39% em julho e 0,6% e agosto -no varejo, a baixa foi de 6,29% e de 0,3% em
julho e agosto.
Para a FGV, a maior preocupação é com o aumento nos preços
dos serviços. São os que menos sofrem com a pressão de
preços internacionais. Em 12 meses, os serviços não administrados
- pessoais, médicos, de transportes etc.- subiram 5,94%; até julho,
a alta era de 4,23%. Já os serviços administrados, que têm
seus preços controlados, subiram em 12 meses de 2,45% para 2,69%. "A
renda é tudo [para o setor de serviços], não tem tanto
impacto do crédito", disse Quadros.
Para o economista Elson Teles, da corretora Concórdia, a deflação
do IGP-M em agosto "não deixa de ser uma boa notícia",
mas não muda o "plano de vôo" do Banco Central, que
deverá manter aumento de 0,75 ponto percentual nos juros em setembro.
" Há uma série de dúvidas quanto à demanda e
ao crescimento do crédito. Também é cedo para dizer que
a alta dos preços dos alimentos está encerrada. [O resultado] garante
dois meses sem pressão nos alimentos. Mas, se o preço das commodities
cair muito, aí terá impacto no câmbio. Para o IGP-M ficar
abaixo de 10%, precisa uma nova queda nos preços agropecuários",
disse.
O economista Juan Jensen, do Ibmec-SP, também afirma que a deflação
não resolve o problema da alta dos alimentos, que apenas devolveu uma
pequena parte da valorização que teve nos últimos meses.
Jensen acredita que, quanto mais competitivo for o setor, maior será o
repasse da queda nos custos do atacado.
Mantega
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, comemorou ontem a deflação
dos preços medidos pelo IGP-M, divulgado ontem. Ele afirmou que o resultado
mostra que a "inflação está sob controle no Brasil" e
vai ficar dentro da meta neste ano.
" Estou muito satisfeito com o IGP-M. Significa que a inflação
no mundo está se desacelerando e no Brasil também. Podemos dizer
que a inflação está sob controle e vai ficar dentro da meta",
afirmou o ministro da Fazenda. "Eu diria que [a queda da inflação]
mostra que o Ministério da Fazenda está certo. E o Banco Central
também está certo. Os dois estão certos", concluiu.
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Vermelho, 28 de Agosto de
2008
País volta a registrar deflação
e expõe tolices do Copom
Após um primeiro semestre
em que diversos analistas, economistas e jornalistas "especializados" chegaram
a falar em "inflação descontrolada", eis que
o país volta a registrar no mês de agosto índices
de deflação, condição que expõe, mais
uma vez, o descompasso entre a realidade sócio-econômica
do Brasil e as decisões que vem sendo tomadas pelo Banco Central
a respeito da taxa de juros.
Segundo o noticiário
desta quarta-feira (27), o Índice Geral de Preços do Mercado
(IGP-M) apresentou em agosto queda de 0,32%, uma inversão da direção
verificada em julho, quando subiu 1,76%. Todos os componentes do indicador
influenciaram no resultado, especialmente o índice de preços
por atacado, que registrou deflação. Ainda de acordo com
os cadernos de economia, foi a primeira deflação mensal
apresentada pelo índice desde abril de 2006, quando o IGP-M caiu
0,42%.
Em abril, o Comitê de Política
Monetária do Banco Central apontou a inflação como
justificativa para elevar em 0,5% a taxa básica de juros do país,
ocasião em que até mesmo os banqueiros esperavam um aumento
de 0,25%. Na ata daquela reunião, o órgão dizia
entender que a elevação da taxa de 11,25% para 11,75% seria
suficiente para conter o aumentos dos preços. Não foi.
Maio chegou com novas elevações
de preços – uma inflação importada, fruto
da alta do petróleo e de outras commodities, sobre a qual a política
econômica do governo federal exercia pouca influência, para
o bem ou para o mal. No começo de junho, diante do cenário
ainda delicado, o Copom repetiu a dose e jogou mais 0,5% no colo dos
brasileiros. O Brasil voltava a assumir com folga o posto de país
com a maior taxa de juros real do planeta, para deleite das instituições
financeiras.
Junho passou e, com a chegada
de julho, já era possível sentir que os efeitos da inflação
aos poucos iam se dispersando – até mesmo a sensação
de terror criada pela imprensa já não ganhava o mesmo destaque
na TV e nas capas dos jornais. Apesar disso, o Copom insistiu em sua
sabedoria e, a uma semana de agosto, voltou a surpreender inclusive os
mais conservadores: elevou a taxa básica de juros em 0,75%, arredondando-a
em 13%.
A próxima reunião
do Copom está marcada para 10 de setembro. A desculpa de que o
aumento dos juros é algo necessário para "não
permitir que o país volte a ter índices absurdos de inflação" felizmente
caiu por terra. Os sábios do Banco Central têm pouco tempo – menos
de 15 dias – para descolar uma nova justificativa para sua política
conservadora. Imaginar que Henrique Meirelles & cia. admitirão
algum erro de análise nos últimos meses é tão
certo quanto confiar em sua boa-fé para o desenvolvimento do país.
Da redação,
Fernando Damasceno
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Gazeta do Povo, 28 de Agosto de 2008
Petróleo
Mesmo com pré-sal, Brasil
fica estável em ranking
Apesar da descoberta do pré-sal, as incertezas regulatórias mantiveram
o Brasil na 10ª posição entre os países mais atrativos
para a indústria do petróleo, segundo pesquisa anual publicada
pela consultoria britânica Robertson Research. O país chegou a
liderar o ranking em 1999, ano do primeiro leilão da Agência Nacional
do Petróleo (ANP), mas não passa do 10º desde 2005, ano
em que o leilão foi suspenso por decisão judicial.
Após o anúncio das descobertas do pré-sal, o mercado esperava
uma reação do Brasil no ranking, que é resultado de entrevistas
com 85 petroleiras com atuação global. As notícias sobre
mudança no modelo regulatório e aumento da presença estatal,
porém, impediram o avanço, na opinião de especialistas
do setor. O topo da lista deste ano é ocupado pelo Egito, que subiu
uma posição em relação a 2007.
Risco Político
Com relação à América do Sul, os clientes da Robertson
Research dizem que “o risco político está se sobrepondo
ao potencial exploratório e alguns países vêm falhando
na criação de expectativas positivas”. Países da
região que realizaram mudanças recentes na legislação
do setor, Bolívia, Equador e Venezuela sequer aparecem entre os 45 países
mais atrativos. À frente do Brasil, há hoje 15 países,
contra 12 no ano passado. No ranking de 2008, o país perdeu posições
para Tailândia, Omã, Malásia, Angola e Vietnã.
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Folha
de S.Paulo, 28 de Agosto de 2008
Paulinho pede apoio a sindicatos para Marta
vencer já no 1º turno
Investigado pela PF, deputado participou de evento
que reuniu sindicalistas ao lado da candidata petista e do vice Aldo
Rebelo | Apoio do pedetista é visto com receio porque Paulinho é alvo
de investigação sobre pagamento de propina para viabilizar
créditos no BNDES
RANIER BRAGON
EM SÃO PAULO
Em evento na noite de ontem
que contou com a presença de cerca de mil sindicalistas e trabalhadores,
o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva
(PDT), disse que Marta Suplicy (PT) pode ganhar definitivamente a disputa
no dia 5 de outubro e conclamou os sindicalistas a "não
permitir" que haja segundo turno em São Paulo.
Foi a primeira vez desde o início oficial da campanha que Paulinho,
como é conhecido, apareceu ao lado de Marta.
O seu apoio é tratado pelos petistas, nos bastidores, como bastante
delicado. Apesar de ter assegurado a Marta o PDT e uma central que diz contar
com 3,6 milhões de trabalhadores filiados em São Paulo, Paulinho é alvo
de investigação que o acusa de receber propina para facilitar
empréstimo no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social).
" Nós temos condições de ganhar no primeiro turno,
mas é preciso que cada um arregace as mangas e peça voto. Nós
não podemos permitir que se vá para o segundo turno. Taí,
tá pertinho, faltam só dois ou três pontos", discursou
Paulinho.
Na mesa do evento, ele estava sentado à esquerda de Marta, que tinha à sua
direita o candidato a vice, Aldo Rebelo (PC do B). Na pré-campanha,
Paulinho participou de pelo menos dois eventos ao lado de Marta.
O deputado é investigado pela Polícia Federal e pelo Conselho
de Ética da Câmara. Em depoimento à Câmara no dia
13, o delegado da PF Rodrigo Levin disse ter provas contra Paulinho que o incriminariam
por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e crime contra
o sistema financeiro. O deputado nega todas as acusações.
Marta tem dito que não trabalha com hipótese de vitória
no primeiro turno. No discurso de ontem, ela disse que participava de um momento "inédito". "É a
primeira vez que um candidato tem o apoio unido da classe operária do
país."
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FOLHA DE LONDRINA, 28 de
agosto de 2008 | Opinião
Votar pela intuição e
pela consciência
É lícito ao eleitor fazer prejulgamento
do suspeito, e sua decisão é a instância superior
e irrecorrível
Enquanto a sociedade contiver em si mesma resíduos de irresponsabilidades
- um nefasto atributo das condições humanas - também os
candidatos e os governantes apresentarão idênticos sintomas. E
nas campanhas eleitorais afloram mais facilmente virtudes e defeitos desses
postulantes, que se expõem nas vitrinas para conquistar o voto popular.
A verdade é que bens e males são latentes em políticos
e cidadãos, mas nos períodos que antecedem eleições
os adversários procuram mais intensamente nos baús tudo o que
possa denegrir os adversários.
Levantar a ficha suja (ou ao
menos com essa aparência) dos disputantes deveria ser função
do eleitorado, mas quem o faz são os que estão na liça,
porque defendem aí não a moralidade e sim o voto que pode
ser surrupiado do outro. Ao menos o processo eleitoral possibilita o
revolvimento das águas turvas e coloca muitas coisas à mostra.
O ideal seria que tal não fosse necessário e que as eleições
fossem limpas, com candidatos do mesmo padrão de pureza. Mas para
isso seria preciso operar-se o milagre de o meio social inteiro purificar-se.
Resta, portanto, à denominada
parte mais consciente da sociedade apta a votar que faça a melhor
escolha. Embora isso não seja garantia de pleno sucesso - porque
mesmo os aparentemente bons podem mudar pelo embevecimento do poder - é um
primeiro caminho. A continuidade deve ser o policiamento ao eleito, em
todos os dias de seu mandato. A sociedade politicamente organizada deveria
fazer isso por via dos partidos políticos, filiando-se a eles,
e assim moralizá-los pelo poder do volume de seus membros, para
que não sejam apenas redutos de uns poucos e potenciais aspirantes
de mandatos eletivos ou cargos públicos. Mas se isto ainda não
ocorre, é possível agir por outros meios. Porque - repita-se
sempre - ninguém segura um povo reivindicante cheio de razão.
Se a decisão de alta corte da Justiça permitiu a candidatura
de nomes suspeitos, por denúncias de envolvimento com corrupção,
resta a instância superior a todas que é a decisão
do povo nas urnas.
A lei é o ditame
frio da letra, e se estabelece que ninguém pode ser condenado
sem provas e nem punido antes que um processo transite em julgado,
sabem os cidadãos que provar é sempre difícil,
porque quem comete um delito não passa recibo. Por via das dúvidas, é lícito
ao eleitor fazer o prejulgamento e decidir segundo a sua intuição
e a sua consciência. Estes são pareceres infalíveis
e irrecorríveis.
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FOLHA DE LONDRINA, 28 de
agosto de 2008 | Curitiba
O peso da idade nas eleições
Idosos com mais de 70 anos não são
obrigados a votar, mas costumam comparecer assiduamente às
urnas
Com os avanços da medicina e das políticas sociais, que ajudam
a prolongar a expectativa de vida dos brasileiros, já é certo
que um dos segmentos sociais que mais irá crescer nos próximos
anos é o grupo dos idosos. De acordo com os dados da Pesquisa Nacional
por Amostra de Domicílio (PNAD), as pessoas com mais de 70 anos somam
hoje 8.532.000 em todo Brasil, 440.000 no Paraná e 130.000 em Curitiba.
De acordo com legislação
eleitoral, esse público não é obrigado a votar,
mesmo assim costuma ter presença assídua nas urnas. Em
2006, os eleitores com mais de 70 anos somaram 77.093 votos em Curitiba,
de um total de 1.216.125 eleitores. Do outro lado, os jovens de 16 e
17 anos, que também não são obrigados a votar, foram
responsáveis por 11.409 votos.
Apesar do voto dos idosos ser
mais numeroso do que o dos jovens, são poucas as propostas de
campanha específicas para esse público. Em contrapartida,
quase todos os candidatos à prefeitura tem algum programa voltado
a jovens e adolescentes e muitos deles escolhem formas específicas
para dialogar com esse público, usando para isso músicas
como o hip-hop e outras formas de expressão.
Na opinião da professora
de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR),
Luciana Veiga, essa tendência se deve ao fato de os jovens representarem
o futuro.
‘‘O jovem, de alguma
maneira é uma ameaça, existe uma preocupação
de que se ele não der certo poderá trazer problemas para
a sociedade’’, avalia. Segundo Luciana, mesmo que o número
de eleitores idosos não seja tão significativo no total
de votos, ele é extremamente interessante do ponto de vista eleitoral,
pois as políticas direcionadas para eles repercutem em toda a
família. Além disso, trata-se de um público em potencial,
que deverá crescer ainda mais nos próximos anos.
Do ponto de vista das estratégias
de campanha, o público mais velho se mostra mais receptivo às
propostas dos candidatos. ‘‘Dá muito mais trabalho
convencer um jovem do que um idoso’’, considera Veiga.
Pela experiência de vida,
esse segmento poderia ser considerado formador de opinião, mas
essa tendência não se confirma na prática. ‘‘O
Brasil não tem essa cultura, como tem a japonesa, de valorizar
a sabedoria do idoso’’, afirma.
André Amorim
Equipe da Folha
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Agência Senado, 28 de Agosto de 2008
Aprovado projeto que autoriza
saque no FGTS para compra de lote popular
O Senado federal aprovou na madrugada desta quinta-feira (28) o projeto de
lei da Câmara que permite o uso dos recursos depositados no Fundo de
Garantia por tempo de Serviço (FGTS) para pagamento de parte do preço
de aquisição de lote popular para uso residencial, com área
de até 250 metros quadrados. O PLC 18/02 foi aprovado na forma do substitutivo
apresentado pelo senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que relatou a matéria
nas Comissões de Assuntos Sociais (CAS) e de Educação,
Cultura e Esporte (CE).
O substitutivo apresentado por Azeredo englobou sugestões de alguns
dos vários projetos de lei do Senado que tratavam de assuntos correlatos.
Entre as modificações aceitas, está a inclusão,
entre as hipóteses para saque na conta individual do FGTS, do uso de
até 30% dos recursos depositados nesse fundo para amortizar parcelas
de empréstimos concedidos ao trabalhador ou a seus dependentes pelo
Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies).
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Folha de S.Paulo, 28 de Agosto
de 2008
TETO SALARIAL
Câmara quer votar aumento
de salário para os ministros do STF
MARIA CLARA CABRAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Enquanto o STF (Supremo Tribunal
Federal) toma decisões que caberiam ao Congresso, como, por exemplo,
sobre uso de algemas e nepotismo, o presidente da Câmara, Arlindo
Chinaglia (PT-SP), quer votar em breve, com o apoio de grande parte dos
líderes partidários, o projeto que aumenta o salário
dos ministros da corte.
A proposta é elevar o vencimento dos atuais R$ 24,5 mil para R$ 25,7
mil. Como os salários de todos os membros do Poder Judiciário
seguem o teto do Supremo, juízes e desembargadores também seriam
reajustados. Segundo os cálculos feitos no projeto, de autoria do próprio
STF, o impacto anual seria de R$ 105,42 milhões -somando-se também
as gratificações. O aumento seria retroativo a 2007.
Chinaglia defendeu a votação do aumento pela terceira vez seguida.
Apesar de a maioria dos líderes concordar com o reajuste, não
há consenso sobre todos os detalhes do texto, que deve ser votado só após
as eleições.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
28/08/2008
Contratação por meio de cooperativa:
quando há indícios de fraude
O Tribunal Superior do Trabalho,
em decisão da Seção Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-1), determinou a devolução de um processo
para que o Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (CE)
indique os fundamentos pelos quais reformou sentença que havia
reconhecido a existência de fraude em contratação
por um hospital por meio de cooperativa.
O caso refere-se a um processo
movido pelo Ministério Público do Trabalho contra a Coopertec – Cooperativa
e Terceirização Ltda. e o Hospital Antônio Prudente
Ltda. Segundo apurou a fiscalização da Delegacia Regional
do Trabalho, havia apenas a intermediação ilegal de mão-de-obra
para o hospital, sob a forma de cooperativa. O estabelecimento beneficiava-se,
assim, da redução de encargos, o que configura fraude à legislação
trabalhista. Com base nesses fatos, o juiz de primeiro grau reconheceu
o vínculo direto dos trabalhadores com o hospital.
A sentença, no entanto,
foi reformada pelo TRT/CE, que julgou improcedente a ação
movida pelo Ministério Público. A decisão baseou-se
em dois fundamentos: o primeiro reconheceu a legalidade da contratação
porque a cooperativa supria carência de trabalho e renda; o outro
fundamento reporta-se à sobrecarga tributária incidente
sobre o contrato de trabalho e, nessa linha, o TRT ressalta que “a
maioria dos empregadores encontra impossibilidade de admitir regularmente
um empregado, visto que os custos sociais altíssimos são,
muitas vezes, superiores ao valor da remuneração a ser
paga ao trabalhador”.
O Ministério Público
do Trabalho entrou com embargos de declaração, insistindo
no exame da matéria à luz da prova constante nos autos,
indicando que a Delegacia Regional do Trabalho concluiu haver mera intermediação
ilegal de mão-de-obra, por meio da cooperativa. O TRT considerou
inviável a reapreciação das provas, e afirmou que
o julgador não está obrigado a responder a todas as alegações
da parte.
O Ministério Público
do Trabalho então apelou ao TST defendendo a nulidade dessa decisão,
sob o fundamento de negativa de prestação jurisdicional.
Ou seja: o TRT, ao reformar a sentença de primeiro grau, não
teria apreciado a questão sob o prisma das provas produzidas nos
autos. A Terceira Turma do TST rejeitou integralmente o recurso de revista,
por entender que, ao contrário do que sustentara o MPT, o Regional
fundamentou a sua conclusão pela legalidade da cooperativa e,
assim, afastou a ocorrência de fraude. O MPT entrou então
com embargos de declaração, rejeitados pela Turma, o que
levou à interposição de novos embargos, desta vez
para a SDI-1.
O relator da matéria na
Seção Especializada, ministro Aloysio Correa da Veiga,
entendeu estar caracterizada a ocorrência de vício no julgamento, “pois
não houve qualquer tese sobre o tema de fundo, qual seja, os requisitos
relativos ao vínculo de emprego e demais provas que demonstraram
a ilicitude na contratação de cooperativa, em face da fraude
constatada pela Delegacia Regional do Trabalho, a pedido do Ministério
Público”.
Para ele, a decisão do
TRT/CE não analisou o tema de forma plena e, ao contrário
do que entendera a Terceira Turma, essa análise se deu em face
da situação do “combalido’” Estado do
Ceará, e não da questão específica dos autos.
Por esse motivo, o ministro concluiu ser necessário que o Regional
se manifeste “sobre a forma de contratação da cooperativa
e indique os fundamentos pelos quais entende que, no caso em exame, se
trata de serviço cooperativado e não de intermediação
de mão-de-obra com o fim de fraudar a relação de
emprego, como denunciado na ação civil pública, à luz
da prova.”
Como conseqüência,
a SDI-1, em votação unânime, reconheceu a nulidade
da decisão do TRT, por negativa de prestação jurisdicional,
e determinou o retorno dos autos para que o Tribunal Regional aprecie
os embargos de declaração do Ministério Público
do Trabalho. ( E-ED-RR 784.947/2001.7 )
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28/08/2008
Motorista ganha periculosidade por abastecer
tanque suplementar em caminhão
A existência de um tanque
de combustível suplementar, adaptado dentro do baú do caminhão
para armazenar até 300 litros de combustível, garantiu
a um motorista o direito ao adicional de periculosidade no valor de 30%.
A decisão, da Justiça do Trabalho da 3ª Região
(MG) foi mantida pela Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho, que
rejeitou agravo de instrumento interposto pela Arcom Comércio,
Importação e Exportação Ltda. O motorista,
além de dirigir, efetuava também o abastecimento do veículo
e transferia combustível do tanque suplementar para o principal.
Esta atividade foi considerada como de risco, gerando o direito ao adicional.
O trabalhador foi admitido como
motorista entregador em 1993. O modelo de caminhão utilizado por
ele tinha capacidade para transportar mais de oito toneladas de mercadorias.
A fim de aumentar a autonomia do veículo, a Arcom providenciou
a instalação do tanque suplementar dentro do baú,
clandestinamente, para que o motorista efetuasse o menor número
possível de paradas.
O empregado tinha contato direto
com o combustível do tanque suplementar todas as vezes que transferia
o combustível de um tanque para o outro, utilizando uma mangueira
de plástico, sem segurança, expondo-se ao perigo. Exerceu
essa atividade durante três anos – em 1996, a Arcom deixou
de utilizar tanques suplementares porque os caminhões passaram
a ser fabricados com esse tanque instalado do lado de fora, em obediência às
normas de segurança.
Ao interpor o agravo ao TST,
a empresa alegou que a condenação desconsiderou as normas
regulamentares do Ministério do Trabalho sobre o transporte de
combustível, e, conseqüentemente, violou a CLT, que define
que as atividades perigosas são apenas aquelas definidas pelo
Ministério do Trabalho. O relator, ministro Horácio Senna
Pires, observou em seu voto, porém, que não houve contrariedade
a nenhum dos dispositivos citados: a capacidade do tanque suplementar
era superior à permitida pelo Ministério do Trabalho, e
o motorista ainda efetuava abastecimento e transferência de combustível.
Por unanimidade, a Turma negou provimento ao agravo. ( AIRR 36/1999-104-03-00.4
)
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