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Folha de S.Paulo, 1 de setembro
de 2008
Ritmo da construção preocupa
indústria
Demanda forte por material de construção
acende luz amarela no setor, cujo uso da capacidade de produção é de
85% | Faturamento no ano deve crescer 18%, para inéditos R$
92 bilhões; indústrias de aço e cimento são
as mais pressionadas pelo boom
AGNALDO BRITO
DA REPORTAGEM LOCAL
A festejada retomada da construção
civil -a mais forte e duradoura dos últimos 25 anos- começa
a dar lugar a uma preocupação na indústria de material
de construção. A demanda pode ocupar rapidamente a capacidade
ainda disponível e seguir mais veloz do que o tempo necessário
para expansões. A associação dos fabricantes de
material de construção estima em 85% a ocupação
atual, alta, segundo sua própria avaliação.
A indústria do cimento é obrigada hoje a operar num ritmo 14%
superior em relação ao mesmo período do ano passado e
torce para que não passe disso. A indústria do aço prevê expansão
de 12,5% do mercado interno, mas projeta aumento de só 7,5% na produção
em 2008. Já o conjunto da indústria de material de construção,
que reúne do básico ao acabamento, revisou de 12% para 18% o
crescimento do faturamento em 2008, o que projeta receita inédita de
R$ 92,4 bilhões no ano.
" Diria que é um crescimento ainda com viés de alta, pode
ser maior do que isso. O ritmo, de fato, já nos preocupa", afirma
Melvyn Fox, presidente da Abramat (Associação Brasileira da Indústria
de Materiais de Construção).
Símbolo da construção, a demanda por cimento fechou o
mês de julho com compras de 4,88 milhões de toneladas em todo
o país, volume que projeta demanda de 58,56 milhões de toneladas
em 12 meses.
O forte crescimento no último ano elevou a ocupação das
65 fábricas espalhadas pelo território nacional a um preocupante
nível, a apenas 4,5 milhões de toneladas do limite final da indústria,
ou seja, um espaço de 7%. De acordo com José Otávio Carvalho,
secretário-executivo do SNIC (Sindicado Nacional da Indústria
do Cimento), entre o pico e a baixa demanda, a indústria sempre tem
uma folga de 15%.
Desde o ano passado, quando a demanda pegou o setor despreparado -e houve problema
no abastecimento na região Centro-Oeste do país-, unidades e
fornos parados foram reativados, e um ambicioso pacote de investimentos foi
anunciado pela indústria. Até 2012, a capacidade pode ser incrementada
em mais 30 milhões de toneladas, o que ampliará o limite de produção
para 93 milhões de toneladas por ano. A questão é que
uma fábrica de cimento, entre a decisão de construir e a primeira
produção, pode durar no mínimo três anos.
O setor prefere a palavra esforço do que garantias de que não
faltará produto nos próximos anos. "Não há como
dar garantia de que não vai faltar. O que dissemos é que a indústria
está tomando providência", diz Carvalho. O ritmo do crescimento
pode surpreender ainda mais e suplantar a velocidade de entrada de novas unidades
produtoras, como no aço.
Nas siderúrgicas, o problema, segundo o IBS (Instituto Brasileiro de
Siderurgia), é a demanda não prevista. "O que falta é previsibilidade.
A produção de aço requer previsões antecipadas,
e isso deve ser observado pelas construtoras. É preciso planejamento",
diz Marco Polo de Mello Lopes, vice-presidente do IBS.
Ao contrário da indústria de cimento, o setor deu garantias ao
governo de que não haverá falta de aço. Segundo Lopes,
a demanda interna atinge hoje 60% da capacidade da siderurgia, o restante é exportado.
O recente crescimento da demanda interna levou a indústria a reduzir
as exportações e colocar no mercado local os volumes vendidos
no exterior.
Além disso, a siderurgia anunciou a ampliação da capacidade,
dos atuais 41 milhões de toneladas para 66,7 milhões de toneladas.
Parte disso vai abastecer o mercado da construção civil, que
cresce hoje a ritmo chinês, 12%.
A nova capacidade foi anunciada por siderúrgicas já instaladas
e por novas. Nesse número, não estão contabilizados empreendimentos
em fase de estudo para depois de 2010, que podem agregar mais 16,5 milhões
de toneladas e elevar o parque siderúrgico nacional a 83,2 milhões
de toneladas, o dobro do tamanho atual.
Satisfeita com o maior ciclo de expansão do mercado da construção
civil das últimas duas décadas, a indústria fabricante
de material lançou um alerta: "Estamos no limite. Se crescermos
mais, vamos ter problemas".
A Abramat espera a redução do ritmo de encomendas a partir deste
mês, para o fechamento do ano com crescimento de 18%. De janeiro a julho
deste ano, a receita do setor cresceu ao ritmo de 30,9% em relação
a igual período de 2007. "A partir de agora, a tendência é de
redução desse patamar. Isso porque a base de comparação
já é muito maior do que foi até agora", explica Fox,
da Abramat.
Segundo ele, os investimentos industriais já anunciados asseguram o
atendimento do mercado brasileiro ante o crescimento de 18%. Nesse caso, a
indústria fechará o ano com uma taxa de ocupação
de 85%. Para 2009, a previsão é de crescimento de 12%. "Qualquer
coisa fora dessas expansões pode afetar o abastecimento do mercado",
pondera.
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O ESTADO DO PARANÁ,
01 de setembro de 2008 | Economia
Emprego formal cresce mais que a população
Lyrian Saiki
Átila Alberti
O emprego com carteira assinada cresceu 6,83%
nos últimos 12 meses em Curitiba, com 38.110 vagas; já a população
aumentou 1,7% neste mesmo período, passando de 1,797 milhão para
1,828 milhão - incremento de 31 mil pessoas -, conforme estimativa divulgada
ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
“Em Curitiba, o emprego
está crescendo mais do que a população. É sinal
de que a economia está de fato aquecida, estamos vivendo um momento
muito bom”, destacou o economista Cid Cordeiro, do Dieese-PR (Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos,
regional Paraná).
Só em julho, foram criados
3.184 empregos em Curitiba - o melhor saldo no mês desde 1999 -,
representando crescimento de 0,55%. A maior parte das oportunidades surgiu
no setor de serviços, com 1.189 vagas, seguida por construção
civil (680), comércio (680) e indústria de transformação
(554).
“O que mais nos surpreendeu
foi a manutenção do crescimento do emprego no segundo semestre”,
apontou o secretário municipal do Trabalho e Emprego, Raul D’Araujo.
Com a elevação da taxa básica de juros (Selic) pelo
Banco Central, a expectativa era que o crescimento do nível de
emprego diminuísse em julho, o que não ocorreu.
Segundo Cid Cordeiro, em algum
momento, porém, a alta da taxa de juros vai impactar nas contratações. “O
emprego deve continuar crescendo, mas não com recordes como estava
até então”, comentou.
Entre os fatores que vêm
contribuindo com o aumento do emprego formal estão a expansão
do crédito e da renda e investimentos por parte das empresas. “O
empresariado está mais confiante no País”, acredita
o secretário.
Na comparação com
outras capitais, Curitiba ficou na quinta posição com relação
ao saldo de empregos em julho (3.184) e na sexta posição
quanto à variação (0,55%).
No acumulado do ano (janeiro
a julho), o nível de emprego cresceu 4,68% em Curitiba, com a
criação de 25.836 postos de trabalho. Em relação
ao saldo de empregos, o setor de serviços foi o que mais contratou
(12.522 pessoas), seguido pelo comércio (5.155) e pela construção
(4.647).
Porém, quanto à variação,
a construção civil foi a que apresentou o maior crescimento
este ano: expansão de 19,57%, bem acima do segundo colocado, o
setor de serviços, com índice de 4,46%. Em Curitiba, o
estoque de trabalhadores com carteira assinada é estimado em 577.351.
Mapa de oportunidades
Conforme o Mapa de Oportunidades
traçado pelo Observatório do Trabalho de Curitiba - formado
pelo Dieese-PR e pela secretaria municipal do Trabalho e Emprego -, as
atividades que mais contrataram este ano em Curitiba foram como servente
de obras - com 2.829 empregos e salário médio de admissão
de R$ 558,47 -, auxiliar de escritório -1.718 vagas e salário
inicial de R$ 595,26 -, assistente administrativo - 1.321 vagas e salário
inicial de R$ 921,02 -, operador de telemarketing ativo - 1.312 vagas
e salário inicial de R$ 390,54 -, vigilante - 877 vagas e salário
de R$ 802,75 - e faxineiro, com 763 vagas e salário inicial médio
de R$ 438,17.
Três setores concentram os melhores
salários
Com base no Mapa de Oportunidades,
os melhores salários pagos em Curitiba estão concentrados
em três setores: informática, engenharia e mercado financeiro. “São
os que oferecem as melhores oportunidades salariais”, destacou
o secretário municipal Raul D’Avila.
No topo do ranking está o
cargo de diretor de serviços de informática, com salário
médio inicial de R$ 19,3 mil. Em seguida, aparece a função
de diretor de operações de obras públicas e civis,
com salário inicial médio de R$ 15.066,50; gerente de operações
de correios e telecomunicações (R$ 15.055,00), supervisor
de ensino (R$ 13.772,19), pesquisador em ciências da computação
e informática (R$ 12 mil), diretor comercial (R$ 11,9 mil), diretor
de mercado de capitais (R$ 11 mil), pesquisador de engenharia civil (R$
11 mil), diretor administrativo e financeiro (R$ 9.845,92), diretor financeiro
(R$ 9.529,89), especialista em calibrações metrológicas
(R$ 9.187,00), diretor de redação (R$ 8.654,83). Na 19.ª posição,
o atleta profissional de futebol tem salário médio inicial
de R$ 6.476,85.
“É a primeira
vez que esse dado aparece. Significa a formalização do
vínculo de trabalho”, apontou Cid Cordeiro, do Dieese-PR,
referindo-se aos jogadores de futebol.
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CONTAS ABERTAS, 01 de setembro
de 2008
Portal dos Convênios promete
reduzir corrupção
A partir de hoje está disponível na Internet um instrumento que
promete moralizar os acordos que disciplinam a transferência de recursos
financeiros voluntários repassados pelo governo federal para estados,
municípios e entidades sem fins lucrativos. Trata-se do Portal dos Convênios,
sistema de dados que oferecerá ao público informações
sobre a transferência de recursos da União mediante convênios
e contratos de repasse, incluindo todos os atos de celebração,
alteração, liberação de recursos, prestação
de contas e até o acompanhamento da execução de obras
por meio de fotos. Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), cerca
de 80 % dos processos administrativos gerados a partir da investigação
da malversação de recursos federais envolvem a execução
de convênios.
No primeiro semestre de 2008,
o TCU analisou 220 processos de Tomadas de Contas Especiais (TCE), instrumento
de que dispõe a administração pública para
ressarcir-se de eventuais prejuízos causados por irregularidade
em convênios, fraudes no pagamento de pessoal e danos ao patrimônio.
Somados, esses processos envolvem um retorno potencial de R$ 88,6 milhões
aos cofres públicos. Em 2007, o tribunal julgou 1.019 processos,
número que representaria o retorno de R$ 515,4 milhões,
em valores corrigidos até 31 de dezembro do ano passado.
De acordo com o secretário
de controle externo do TCU, Rosendo Severo, estima-se que 80% das TCEs
tratem exclusivamente de irregularidades em convênios. Segundo
o secretário, as principais faltas analisadas pelo tribunal envolvem
a omissão na prestação de contas dos órgãos
repassadores, os desfalques ou desvios de recursos, fraudes em licitações
e a não aplicação da contrapartida (parte dos gastos
sob responsabilidade do município e estados) – que contribuem
entre 5 % e 10% do valor total do serviço.
Para Severo, o portal, permitirá à população
fiscalizar os fornecedores, os procedimentos e o andamento dos convênios. “O
portal ainda vai inibir as irregularidades, porque o responsável
só vai poder executar o convênio prestando contas ao mesmo
tempo”, diz o secretário. “Vai ser obrigatório,
por exemplo, o aporte da contrapartida, sob pena de não poder
gastar”, garante ele. “Podem até surgir outras maneiras
de burlar os convênios, mas as chances diminuirão. É uma
corrida do gato do gato contra o rato”, afirma Severo.
Em 2007, segundo relatório
de atividades do TCU, no que se refere à atual fiscalização
da execução dos convênios, “é praticamente
inexistente, quer seja por carência de pessoal em número
e qualificação técnica, quer seja pelo fato de o
resultado não ser confiável, devido à falta de parâmetros
técnicos e financeiros adequados”. No relatório,
o tribunal admite que a falta de registro no Sistema Integrado de Administração
Financeira do governo federal (Siafi) permite que muitos entes da federação
e organizações não-governamentais (ONGs) continuem
a receber recursos públicos sem que tenham prestado contas ou
que estas tenham sido aprovadas.
O relatório chama a atenção,
ainda, para o que denomina “expressivo” número de
convênios e instrumentos similares aprovados pelos órgãos
repassadores, nos quais auditorias realizadas pelo TCU encontraram graves
irregularidades. “A ocorrência de desvios de recursos públicos é estimulada
pela certeza da impunidade, em virtude da ausência de acompanhamento
e da ineficiência dos órgãos transferidores de recursos
para detectá-los”, aponta o relatório.
Para José Matias Pereira,
professor de Finanças Públicas da Universidade de Brasília,
a transparência que o Portal dos Convênios pretende oferecer
contribuirá, em parte, para diminuir as irregularidades que se
verificam atualmente. Mas o professor alerta para a necessidade de participação
dos cidadãos. “É importante ressaltar que todas as
medidas orientadas para elevar a transparência na aplicação
dos recursos públicos devem ser apoiadas pela sociedade”,
afirma Matias Pereira.
Segundo o professor, é preciso
ainda reforçar o sistema de controle e fiscalização
na aplicação dos recursos para sanar os problemas relacionados
aos convênios. “Isso irá exigir um melhor aparelhamento
da administração pública, assim como o envolvimento
efetivo da comunidade na fiscalização onde os recursos
estão sendo aplicados”, insiste.
Atualmente, o controle de acompanhamento
sobre as prestações de contas do que é repassado
voluntariamente pela União deve ser feito pelo órgão
contratante. Cada órgão tem uma estrutura específica
para analisar as suas respectivas contas. No entanto, muitos departamentos
não têm estrutura suficiente para examinar o retorno de
todos os repasses. Caso se esgotem as medidas administrativas para reparação
do dano na esfera administrativa, na hipótese de verificação
de irregularidades, o órgão responsável pelo repasse
encaminha a documentação ao TCU que, por sua vez, instaura
a Tomada de Contas Especial.
O portal é regulamentado
pelo artigo 13º do decreto 6.170/07, que trata das normas de transferência
de recursos mediante convênios e contratos. As novas regras foram
detalhadas pela portaria 127, publicada no dia 30 de maio de 2008. Conforme
o decreto, o Ministério do Planejamento é o órgão
central do banco de dados do portal, o chamado Sistema de Gestão
de Convênios e Contratos de Repasse (Siconv).
Terão acesso ao sistema
o Poder Legislativo, por meio das mesas da Câmara dos Deputados
e do Senado Federal, o Ministério Público, a Controladoria-Geral
da União (CGU) e o TCU. Outros órgãos que demonstrem
necessidade, a critério do órgão central do sistema,
também terão acesso aos dados.
Para acompanhar a execução
dos convênios, basta acessar:
https://www.convenios.gov.br/portal/.
Fiscalização nos municípios
Em abril de 2003, a CGU, órgão
responsável por avaliar o desempenho de todos os ministérios
e órgãos repassadores, criou um programa de fiscalização
(de contas municipais) por meio de Sorteios Públicos. O programa
permitiu inspecionar cerca de 60 municípios a cada sorteio. Ao
todo, desde o início do programa até julho de 2008, o órgão
fiscalizou 1.401 dos mais de 5.560 municípios existentes no país.
Do total de municípios
sorteados e fiscalizados, já foram divulgados os relatórios
de fiscalização de 1.341 municípios. Os demais resultados
ainda estão em fase de finalização dos relatórios.
Os recursos totais fiscalizados, até o momento, são da
ordem de R$ 8,5 bilhões. Entre os problemas mais comuns constatados
nos municípios estão as obras inacabadas ou paralisadas
(apesar de pagas), uso de notas fiscais frias e documentos falsos, fraudes
em processos de licitação, superfaturamento de preços
e a não comprovação da aplicação de
recursos.
A apuração constatou
que em cerca de 75% dos municípios existem falhas consideradas
médias, em 20% constatam-se irregularidades graves e nos 5% restantes
apenas falhas formais. Apesar dessa média ser relativamente constante,
segundo informa a CGU, isso não indica que em todos esses municípios
haja corrupção, pois em muitos casos o problema é causado
por desinformação e despreparo do gestor público,
e não por má-fé ou dolo.
Entre 2001 e junho de 2008, a
Secretaria Federal de Controle Interno da CGU realizou auditorias em
12.025 processos de TCEs. Desse montante, foram analisados nove mil processos,
com contas consideradas irregulares, os quais foram encaminhados ao TCU
para julgamento. A Controladoria estima que os processos analisados desde
2001 envolvam um retorno potencial aos cofres do Tesouro Nacional da
ordem de R$ 3,3 bilhões. Só no primeiro semestre de 2008,
o potencial de retorno aos cofres públicos chegou a pouco mais
de R$ 250 milhões, em 353 processos encaminhados ao TCU.
Os 2.651 processos restantes
foram devolvidos, em diligência, aos órgãos e entidades
instauradores para revisão ou complementação de
dados. Invariavelmente, desde 2001, os principais motivadores da instauração
de processos de TCE são a omissão no dever de prestar contas
e irregularidades na aplicação dos recursos. De janeiro
a junho de 2008, a omissão na apresentação de contas
representou 47% dos das TCEs analisadas (veja tabela de Tomada de Contas
Especial da CGU).
Capacitação
Até o último dia
22, o Ministério do Planejamento treinou mais de 1.650 servidores
federais que atuam na área de convênios e outros 500 devem
ser treinados em setembro. O ministério estima também que
cerca de 600 servidores municipais e estaduais receberão a capacitação
ainda em setembro. Para os internautas, a Secretaria de Logística
e Tecnologia da Informação do ministério disponibilizou
módulos de educação à distância (tutorial
interativo e manual), desenvolvidos em parceria com a Escola Nacional
de Administração Pública (Enap) e o Serviço
Federal de Processamento de Dados (Serpro).
Penalidades
O instrumento legal que estipula
os valores das multas a serem aplicadas em caso de irregularidades em
convênios é a Lei Orgânica do TCU (8.443/92). Quando
não há débito, a multa máxima pode chegar
a pouco mais de R$ 32 mil. Já em caso de condenação
que resultem débitos, a penalidade pode ser de até 100%
sobre o valor do débito. As multas, atualizadas anualmente, podem
ser cumulativas e recaem sobre o responsável constatado pela irregularidade.
Milton Júnior
Do Contas Abertas
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BEM PARANÁ, 01 de
setembro de 2008 | Economia
Cartões preferidos
35% dos brasileiros possuem mais
de 2 cartões de crédito
Cartões de crédito bancários
receberam nota 8,19
Redação Bem Paraná,
com Bonde
Um levantamento do Instituto Medida Certa, intitulado Cartões Preferidos,
mostrou que grande parte dos brasileiros, cerca de 35%, possui mais de dois
cartões de crédito. A pesquisa, que ouviu 2.127 pessoas das classes
A, B e C, em dez regiões metropolitanas do País (São Paulo,
Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Recife, Fortaleza,
Manaus, Curitiba e Porto Alegre), constatou também que 33% dos entrevistados
tinham dois cartões de crédito no bolso e 32%, um plástico.
Dentre os 4.449 cartões
avaliados, 59% haviam sido emitidos por bancos e 41%, por lojas. "Nós
encontramos mais cartões de crédito emitidos por bancos
porque, muitas vezes, o consumidor aceita um private label para se aproveitar
de uma promoção e depois não volta a usá-lo,
ficando assim fora da pesquisa (não foram avaliados os cartões
sem uso há mais de três meses)", explica o diretor-presidente
do Medida Certa, Ivan Daibert.
Os consumidores avaliaram seus
cartões de crédito em relação a 12 itens,
como rede de estabelecimentos que aceitam a forma de pagamento, taxas
de juros, condições de parcelamento, facilidade para obtenção
e valor de anuidade, segundo Daibert.
De acordo com o Portal Bonde,
após essa avaliação, os cartões receberam
notas, pelas quais se tirou uma média geral de satisfação
de 8,19 para os cartões de crédito bancários e de
7,67 para os cartões de crédito private labels.
Entre os cartões bancários
preferidos por quem tem mais de um, no conjunto das regiões metropolitanas,
estão os do Banco do Brasil (71%), Real (62,8%) e Itaú (60,3%).
Em relação aos private labels, os destaques ficaram para
Wal Mart (21%), C&A (8,5%) e Renner (8,1%).
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BEM PARANÁ, 01 de
setembro de 2008 | Economia
Doméstica
PEC poderá equiparar direitos
da categoria
O governo federal prepara uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que vai
beneficiar os trabalhadores domésticos, a maior categoria profissional
do Brasil.
O governo federal prepara uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que vai
beneficiar os trabalhadores domésticos, a maior categoria profissional
do Brasil. A proposta permitirá a equiparação dos direitos
de 6,8 milhões de empregados domésticos que existem no país
com os dos demais trabalhadores.
Cinco ministérios — Trabalho,
Previdência Social, Casa Civil, Fazenda e Planejamento — trabalham
na mudança na legislação, que está em estudo
no governo Lula e deve chegar ao Congresso até o final do ano.
Se a alteração
na Constituição for aprovada, o doméstico terá direito
a jornada de trabalho estabelecida em lei, hora extra, adicional noturno,
salário-família e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) obrigatório — desde 2000, esse benefício é opcional.
Com a mudança, o encargos
sociais dos empregados domésticos deve aumentar. Quem paga um
salário mínimo a sua empregada (R$ 415), por exemplo, terá de
desembolsar ao mês mais 8% de FGTS (R$ 33,20), além de hora
extra, quando a jornada exceder as 44 horas semanais permitidas pela
Constituição. “Se trabalhar à noite, tem adicional.
Fora a multa de 40% sobre o total do saldo depositado no fundo, se o
empregado for demitido sem justa causa”, diz o consultor Mario
Avelino, fundador do site Doméstica Legal. Se a doméstica
não for registrada, o empregador terá de incluir no cálculo
12% de contribuição previdenciária (nesse caso,
mais R$ 49,80 mensais considerando o salário mínimo).
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
01 de setembro de 2008
STJ aumenta indenização
de demitida por ser portadora do vírus HIV
A 3ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) elevou para R$
50 mil o valor da indenização por dano moral que deve ser paga
a uma portadora do vírus HIV que, pouco depois de descobrir que contraíra
a doença, foi demitida de seu emprego.
A relatora do processo, ministra
Nancy Andrighi, considerou que o valor fixado pelo TJ-SP (Tribunal de
Justiça de São Paulo), de 10 vezes a remuneração
da autora do pedido, que recebia R$ 350 mensais, era irrisório.
Segundo informa o STJ, a autora
afirma que foi contratada por autarquia pública para exercer a
função de visitadora sanitária. No ano seguinte,
grávida, promoveu exame de rotina e constatou ser portadora do
vírus HIV, assim como seu marido e seu filho, que veio a nascer.
Ela argumentou que sua condição
de portadora do vírus lhe autorizava o levantamento do FGTS, porém,
ao promovê-lo, verificou a existência de diferenças
no depósito de valores, o que gerou a necessidade de notificação
da empregadora. Nesse momento, o órgão tomou conhecimento
da doença e demitiu-a sem justa causa, em janeiro de 1997.
Procurando impedir o rompimento
do contrato de trabalho, ela entrou em contato com o Sindicato dos Trabalhadores
Públicos da Saúde do Estado e uma reclamação
trabalhista foi proposta, porém a autarquia readmitiu-a em seu
quadro de funcionários. A reclamação trabalhista,
assim, foi extinta.
A autora propôs, então,
ação de indenização visando obter reparação
por dano material (perda de oportunidade de compra de imóvel surgida
justamente no período em que estava afastada da empresa) e dano
moral.
Decisão de primeira instância
julgou parcialmente procedente o pedido, reconhecendo que a demissão,
declarada sem justa causa, na verdade teria sido motivada pelo fato de
ela ter contraído HIV. O juízo rejeitou o pedido de indenização
por danos materiais e os danos morais foram fixados no valor do último
salário da autora antes da dispensa.
Ambas as partes recorreram e
o acórdão do TJ-SP deu parcial provimento ao recurso da
autora, elevando o valor da reparação por dano moral a
10 vezes seu último salário. Ela ainda apelou ao STJ com
o objetivo de aumentar o valor da indenização.
Para a relatora, ministra Nancy
Andrighi, como se não bastassem todas as dificuldades que a descoberta
da doença traria a qualquer pessoa, a autora da ação
ainda teve que suportar agonia maior, pois estava em risco o seu próprio
filho, ainda por nascer. Na sua opinião, é muito difícil
imaginar situação de maior agonia para um ser humano. Porém,
ela ainda foi demitida.
A ministra entendeu que o fato
da autora ter sido readmitida poucos meses após sua demissão
não elimina o dano moral causado. Os meses pelos quais perdurou
a sua situação de desespero foram os meses em que cuidava
de seu filho, ainda bebê. Decidiu, então, que o pedido de
elevação de indenização procede e que dez
vezes sua remuneração, R$ 350, para reparar tamanha lesão é valor
irrisório.
Por essa razão,
a ministra deu provimento ao recurso especial, elevando a indenização
para R$50 mil, sendo acompanhada pelos demais ministros da 3ª Turma.
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Folha
de S.Paulo, 1 de setembro de 2008
Reajuste de preços e prazo de
entrega são maiores problemas
DA REPORTAGEM LOCAL
O principal indicador de custo da construção
alcançou em julho variação em 12 meses de
9,7%. O valor do CUB (Custo Unitário Básico) fechou
o mês de julho a R$ 793,98 o metro quadrado de construção.
Segundo o SindusCon-SP (Sindicato das Indústrias da Construção
Civil do Estado de São Paulo), os reajustes nos preços
do aço, do cimento e dos agregados (área e brita)
inflacionaram os custos.
Além dos custos, os prazos de entrega estão aumentando. "Os
preços subiram muito, e os prazos de atendimento dos pedidos se alongaram",
diz Sergio Watanabe, presidente do SindusCon-SP. Segundo ele, os custos de
produtos de acabamento, como revestimento cerâmico e metais, também
aumentaram bastante.
A alta dos preços de material de construção fez o IGP-M
cair menos do que poderia. A deflação de 0,32% no índice
em agosto poderia ter sido maior se os preços dos materiais de construção
-parte do INCC, índice que compõe o IGP-M- não tivessem
se acelerado.
Para Watanabe, a alta dos juros e a elevação da inflação
podem esfriar o ritmo da construção nos próximos meses,
embora analistas ainda prevejam um cenário de forte expansão.
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Folha de S.Paulo, 1 de setembro de 2008
Crédito habitacional em alta
deve sustentar o crescimento
DA REPORTAGEM LOCAL
O crédito habitacional poderá alcançar 2% do PIB brasileiro
em 2008, ou R$ 35 bilhões, recursos oriundos do FGTS (Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço) e do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança
e Empréstimo). Segundo Cláudio Elias Conz, membro do Conselho
Curador do FGTS e presidente da Anamaco (Associação Nacional
dos Comerciantes de Material de Construção), o setor habitacional
continuará a impulsionar a indústria da construção
civil. "Não se trata de uma bolha", sustenta Conz.
Para sustentar a afirmação, Conz usa dados de uma área
que conhece bem, o FGTS. O saldo líquido estimado para 2008 era de R$
2,7 bilhões. Até agora já alcançou R$ 3,5 bilhões,
e a nova projeção é de R$ 7 bilhões. O saldo é a
diferença entre os recursos sacados por demissões e depositados
por contratados. "Isso significa que há contratação,
que há geração de emprego com carteira assinada",
explica Conz.
A geração de emprego impulsiona a disposição dos
trabalhadores por mais crédito habitacional. Dados do SindusCon-SP indicam
que a construção habitacional no país será de 270
mil unidades neste ano, repetindo o auge do BNH no início dos anos 1980.
(AB)
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Brasil
de Fato, 1 de setembro de 2008
Multas se tornam armas para criminalizar
movimentos sociais
Dentre as diversas táticas
que as forças conservadoras adotam para criminalizar movimentos
sociais no Brasil, submeter sindicatos e outras organizações
ao pagamento de altas multas é uma delas. Três militantes
do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), por exemplo,
foram condenados, em julho, pela Justiça Federal de Marabá (PA),
a pagar R$ 5,2 milhões.
Por Michelle Amaral da Silva, no Brasil
de Fato
O motivo foi a ocupação
e interdição de uma ferrovia na região de Carajás,
em abril, em um protesto que marcou os 12 anos do massacre de Eldorado
do Carajás (PA), quando 19 sem-terra foram mortos por policiais
militares. A ferrovia é usada no transporte do minério
de ferro do Pará até o porto de Itaqui, no Maranhão.
Além dos prejuízos, a Justiça avaliou que houve
descumprimento de um interdito proibitório, que impedia ocupações
na Vale.
José Batista Afonso, advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT),
que defende judicialmente os militantes, acredita que a decisão “é uma
questão absurda ética e moralmente, sem falar no aspecto jurídico.
As multas estabelecidas eram individuais para todos os ocupantes que desobedeceram à ordem
da justiça. Os advogados da Vale calcularam que cerca de 700 pessoas
ocuparam a ferrovia. Baseado nos valores calculados pelos advogados da Vale,
o juiz decidiu imputar a multa somente aos três dirigentes. A avaliação
que a gente faz é que o sentido desse tipo de ato é criminalizar
os movimentos sociais”, analisa.
O juiz Carlos Henrique Borlido Haddad, em sua sentença, afirma que os
militantes Luis Salomé de França, Eurival Carvalho Martins e
Raimundo Benigno Moreira "lideraram diversas pessoas na invasão
da estrada de ferro e, por essa razão, devem responder pela totalidade
dos danos causados, como também arcar com a multa imposta".
O valor foi estabelecido sem que fosse apurado o montante do prejuízo
patrimonial da Vale, afirma a sentença. Dois trabalhadores rurais — inicialmente
indiciados — conseguiram reverter a ação, uma vez que não
haviam provas de que estavam no protesto. A Vale terá de pagar os honorários
dos advogados que os defenderam.
Sindicatos
Agremiações sindicais também são alvos de multas
judiciais. Em São Paulo, o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial
do Estado de São Paulo (Apeoesp) e os Metroviários são
exemplos de entidades que, seguidamente, vêm sendo punidas financeiramente
por greves.
César Pimentel, advogado da Apeoesp, conta que o sindicato pagou, em
agosto, uma multa de R$ 156 mil relativa a uma greve de 1999. “Inicialmente,
era de R$ 300 mil; perdemos a ação, mas conseguimos abaixar o
valor”, revela. O advogado ainda informa que há outra ação
em andamento contra o sindicato que exige o pagamento de R$ 350 mil em danos
materiais e outros R$ 3,5 milhões em danos morais.
“ Essas são relativas às greves de 2005 e ainda estão
tramitando”, diz. Pimentel acredita que, nessas ações, o
Judiciário utiliza de todas as pequenas brechas da lei para punir e reprimir
os movimentos sociais, “e procurar manter o status quo dessa sociedade”.
Flávio Godoy, da diretoria Sindicato dos Metroviários de SP e
da direção estadual da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras
do Brasil (CTB), compartilha dessa opinião. “Sem dúvida, é uma
forma de amedrontar e inibir o trabalhador de se organizar, protestar e fazer
greve, o que para nós é um direito quando nos vemos ameaçados”,
opina.
O sindicato, hoje, responde a uma ação relativa a uma greve de
agosto de 2007, na qual exige-se o pagamento de R$ 2 milhões. Há diversas
outras em valores menores também em andamento na Justiça, todas
relativas a paralisações ou greves. “Claro que com isso
eles buscam inviabilizar a entidade financeiramente”, avalia.
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Congresso
em Foco, 1 de setembro de 2008
Legislação favorece servidores
candidatos
Além de receber nos três meses em
que está licenciado fazendo campanha, funcionário público
pode acumular salário caso seja eleito vereador
Eduardo Militão
Pouca gente sabe. Mas a legislação eleitoral dá uma colher
de chá para os 36 mil servidores públicos que disputam uma vaga
nas eleições municipais deste ano. Segundo a Lei Complementar
64/90 e a Lei 8.112/90, eles têm direito a três meses de licença
remunerada para concorrerem. Quem não se afasta do cargo fica inelegível.
Caso os servidores sejam eleitos vereadores, o artigo 38 da Constituição
ainda lhes garante acumular o salário recebido na repartição
e no Legislativo.
Na opinião da doutora em direito Constitucional Mônica Caggiano,
o objetivo inicial da legislação era incentivar o exercício
da cidadania entre os funcionários públicos, mas hoje isso está desvirtuado.
Ela estima que apenas 1% dos servidores se elege. A grande maioria, observa,
acaba trabalhando na campanha de outros candidatos. “Estão fazendo
a campanha de outros às custas do Estado, do contribuinte”, avalia
a professora da Universidade de São Paulo (USP).
Um projeto de lei de iniciativa popular que tramita desde 2005 na Câmara
quer acabar com o pagamento de salários dos funcionários que
resolverem sair candidatos. O PL 5850, da Associação Comunitária
de Chonin de Cima, de Governador Valadares (MG), diz que será cassada
a candidatura de quem receber remuneração durante a licença
para a disputa eleitoral.
A proposta está nas gavetas do Congresso. Desde 15 de outubro do ano
passado, ela aguarda ser designado um relator na Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) da Câmara.
Mesmo com as facilidades legais, a campanha deste ano só empolgou 0,5%
dos servidores efetivos do Congresso Nacional (leia mais). O entusiasmo é maior
nas outras esferas do funcionalismo. Afinal, 9,5% dos concorrentes no Brasil
inteiro são funcionários públicos.
Sem desequilíbrio
A professora Mônica Caggiano não acredita que as facilidades para
os servidores públicos desequilibrem a concorrência com os candidatos
vindos da iniciativa privada. Para ela, a legislação incentiva
a participação no processo cívico, o que é positivo.
O problema, argumenta, é a deformação generalizada do
sistema. Mônica afirma ser necessário fazer um levantamento, mas,
nos anos em que observou e estudou a dinâmica eleitoral, só um
em cada 100 servidores candidatos acabou se elegendo. Motivo? Grande parte
aproveita as benesses da legislação para angariar votos para
campanhas alheias.
Isso porque a lei proíbe que eles façam isso. Como “jeitinho”,
eles se candidatam a uma vaga e tornam-se cabos eleitorais pagos pelo contribuinte. “Estão
fazendo campanha de outros, do prefeito que concorre à reeleição,
do deputado... Estão usando a máquina pública com o respaldo
da lei”, avalia Mônica.
Uso do cargo
Para o advogado especialista em direito eleitoral Igor Tamasauskas, a atual
legislação é boa e não traz deformidade nenhuma.
Ele entende que o servidor precisa se licenciar do cargo até para não
usá-lo em seu favor na campanha. Para isso, é importante que
o funcionário público seja remunerado.
“ A licença pode ser imaginada como benefício ao servidor?
Pode, mas garante que ele não vai usar o cargo em seu benefício
da campanha”, analisa Tamasaukas. Ele cita o exemplo de um advogado da
União que pode dar um parecer contra os interesses do Estado, mas que
beneficie seus potenciais eleitores.
Essa não é a opinião do procurador regional eleitoral
do Distrito Federal, Osnir Belice. Ele lembra que alguns funcionários
públicos simulam campanhas só para “passear” ou,
pior, trabalhar em outros empregos. Em 1998, ele conseguiu comprovar que um
servidor do Ministério da Educação se candidatou às
eleições, mas foi trabalhar numa faculdade. O funcionário
teve que devolver os salários.
Para Belice, não é coerente obrigar os funcionários de
baixo escalão a se licenciarem e permitir que os prefeitos que concorrem à reeleição
continuem no comando da máquina. “Não vejo necessidade
de se afastar do cargo. O faxineiro tem que se afastar e o prefeito não?
A influência do Barnabé é muito pouca para fazer uso do
cargo”, compara o procurador.
Vereador voluntário
Com as benesses da legislação atual, um agente da Polícia
Federal de Caruaru (PE) resolveu radicalizar e, de quebra, conquistar a simpatia
dos eleitores. O candidato a vereador Severino Ramos Melo (PPS) registrou em
cartório o compromisso de devolver os R$ 5 mil de salário que
receberá caso seja eleito.
Ele afirma que pode viver apenas com a remuneração de policial.
O restante Severino promete doar a entidades filantrópicas, numa sessão
mensal da Câmara Municipal, com a entrega de um cheque e da prestação
de contas.
“ Eu já tenho meu salário e pago minhas contas com ele. Entendo
que a vereança é para servir e não quero usar a remuneração
para fazer clientelismo”, diz ele, que tenta se eleger desde 1996. Há oito
anos, ele firma o compromisso em cartório.
Severino também é contra a licença remunerada que é obrigado
a cumprir para se candidatar. “Eu deveria dar expediente e fazer campanha à noite,
como todo mundo”, prega. “Acho que deveríamos concorrer
em pé de igualdade.”
A reportagem não conseguiu localizar a Associação Comunitária
de Chonin de Cima nem a deputada Fátima Bezerra (PT-RN), presidente
da Comissão de Legislação Participativa à época
da criação da proposta de acabar com a licença remunerada
dos servidores candidatos.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
01/09/2008
Contrato de gestão isenta empresa
de responsabilidade subsidiária
A responsabilidade subsidiária
não se aplica ao contrato de gestão firmado entre a Companhia
Industrial Santa Matilde, de Conselheiro Lafaiete, em Minas Gerais, e
a Trans – Sistemas de Transportes S.A. A Sexta Turma do Tribunal
Superior do Trabalho concluiu que a situação não é de
terceirização de serviços, e, assim, a Trans não
pode ser condenada solidariamente por dívida trabalhista de um
montador dispensado em maio de 2001.
O trabalhador foi admitido na
Santa Matilde em agosto de 1997 e lá permaneceu até 2001.
Após a demissão, ajuizou ação reclamatória
e pleiteou o pagamento de seis meses de salários atrasados, recolhimento
do FGTS, horas extras e verbas rescisórias. Na inicial, incluiu
a Trans como responsável pelos créditos a que teria direito,
porque, de acordo com o montador, a empresa também foi beneficiada
por seus serviços.
Segundo a Vara do Trabalho de
Conselheiro Lafaiete, a Trans fez um contrato de gestão para gerenciar,
supervisionar e fiscalizar a produção de vagões
pela Companhia Santa Matilde, utilizando a mão-de-obra dos empregados
da companhia, com o objetivo de garantir a qualidade dos produtos destinados à venda,
da qual possuía uma participação direta. Para o
juiz de primeira instância, se as vantagens econômicas provenientes
do contrato firmado entre as empresas foram alcançadas, a Trans
não poderia isentar-se de obrigações trabalhistas
descumpridas pela Santa Matilde, tentando transferir todos os ônus à empregadora.
Assim, responsabilizou-a subsidiariamente a pagar os débitos trabalhistas
do empregado até a data de março de 2001, quando houve
o término do contrato entre as empresas.
A Trans recorreu da sentença,
alegando que o ajuste entre as empresas visou à aplicação
de tecnologia de ponta à Companhia Industrial Santa Matilde, e
que teve estrita observância judicial para isso. Afirmou, ainda,
que o contrato afastava expressamente a responsabilidade da Trans por
débitos trabalhistas e que a sua participação, como
contratada, limitava-se à colocação dos produtos
da Santa Matilde no mercado.
O Tribunal Regional do Trabalho
da 3ª Região (MG), ao avaliar a situação e
o contrato que vigorou entre julho de 1998 e março de 2001, concluiu
que não houve vínculo de emprego entre o trabalhador e
a Trans, que se limitou a “auferir ganhos para conduzir, temporariamente,
o empreendimento da Santa Matilde, situação que não
se confunde com a terceirização de serviços”.
A empresa foi então absolvida da condenação subsidiária.
De acordo com o TRT/MG, a Trans
atuou no negócio como “mera gerente”, sendo a Santa
Matilde “a real empregadora e única destinatária
dos serviços prestados pelo seu corpo de empregados”. No
agravo de instrumento ao TST, o trabalhador alega que a Trans sabia da
situação falimentar da Companhia Industrial e aceitou o
pacto de gestão judicial de negócios, e que, por essa razão,
haveria a responsabilização subsidiária, de acordo
com a Súmula nº 331, IV, do TST.
No entanto, a Sexta Turma
considerou inaplicável aquela súmula, porque trata de
questão diversa, ou seja, a jurisprudência reconhece a
responsabilidade subsidiária do tomador de serviços em
decorrência da contratação de prestação
de mão-de-obra, e não da celebração de
contrato de gestão. Assim, acabou por negar provimento ao agravo
do empregado, mantendo o entendimento do Tribunal Regional. ( AIRR-428/2002-055-03-00.4
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01/09/2008
Bancária ganha verbas extras por
desvio de função
Uma ex-empregada do Banco Rural
que por longo período desenvolveu atividades fora das funções
para as quais fora contratada ganhou na Justiça o direito de receber
as verbas relativas ao desvio de função. A Terceira Turma
do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou recurso do banco contra a condenação
e manteve a decisão adotada pelo Tribunal Regional do Trabalho
da 1ª Região (RJ) que modificou a decisão do julgamento
da primeira instância.
Admitida em janeiro de 1990 e
demitida sem justa causa em março de 1997, a bancária informou
na reclamação trabalhista que, apesar de ter trabalhado
habitualmente além do horário, nunca pôde registrar
corretamente sua carga horária. Afirmou ainda que, desde setembro
de 1993 até sua demissão, embora seu cargo fosse o de assistente
de gerente, atuou efetivamente como gerente, em substituição
ao seu chefe, assumindo todas as responsabilidades inerentes ao cargo,
mas sem desfrutar das suas vantagens e benefícios.
A sentença de primeiro
grau foi parcialmente favorável à bancária. O TRT/RJ,
ao julgar recurso ordinário de ambas as partes, registrou que “o
desvio de função pode ocorrer mesmo quando não exista
na empresa pessoal organizado em quadro de carreiras”. No caso,
a perícia comprovou que a assistente passou a exercer o cargo
de gerente. “Com efeito, há que se fazer distinção
entre ‘dar assistência aos gerentes’, função
dos assistentes de gerência, e gerenciar um grupo de contas de
clientes, função dos gerentes I, II e III”, afirma
o acórdão regional. “Da prova dos autos, restou evidenciado
que a trabalhadora não era simples assistente e que efetivamente
exercia funções de complexidade e responsabilidade superiores àquelas
atribuídas ao seu cargo formal”.
Ao recorrer ao TST, o banco
sustentou que o TRT/RJ não teria se manifestado sobre várias
questões expostas em seu recurso ordinário. Mas o relator
do processo na Terceira Turma do TST, ministro Carlos Alberto Reis
de Paula, examinou todas as omissões alegadas e concluiu que,
em todas elas, o TRT/RJ adotou “tese explícita e fundamentada”.
Por unanimidade, a Turma não conheceu do recurso. ( RR-1903-1997-015-01-00.3
)
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