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Agência Senado,
6 de setembro de 2008
Famílias de baixa renda
poderão ter assistência técnica gratuita
para construção de moradia

Famílias com renda mensal de até três salários
mínimos, residentes em áreas urbanas ou rurais, poderão
ter direito à assistência técnica pública
e gratuita para o projeto e a construção de habitação
de interesse social - conhecida como casa popular - destinada a sua própria
moradia. A concessão do benefício é objeto de projeto
de lei da Câmara (PLC 13/08), de autoria do deputado Zezéu
Ribeiro (PT-BA), que deverá ser apreciado na reunião da
Comissão de Assuntos Sociais (CAS) marcada para a próxima
quarta-feira (10), às 11h.
Na justificação da matéria, Zezéu Ribeiro
destaca a importância da criação e manutenção
de sistemas de arquitetura e engenharia públicas diante do elevado
déficit habitacional e da urbanização desordenada
que ocorrem em todas as regiões do país.
"Entende-se que o dever de oferecer à população
de baixa renda uma habitação digna e construída
de forma cuidadosa, com respeito às condições
de salubridade, estabilidade e convivência social, é decorrência
direta do estatuído pelo artigo 6 de nossa Carta Política," diz
o deputado.
Alimentos mineralizados
A comissão deverá analisar também, em decisão
terminativa, projeto de lei do Senado (PLS 203/06) de autoria do senador
Pedro Simon (PMDB-RS) que determina a incorporação de
micronutrientes aos adubos utilizados nos cultivos agrícolas,
com a finalidade de melhorar o valor nutricional dos alimentos produzidos
no país.
Santa Casa de Belém
Durante a reunião os senadores deverão debater ainda
o relatório da visita de membros da Subcomissão de Promoção,
Acompanhamento e Defesa da Saúde - que funciona no âmbito
da CAS -, a qual verificou in loco a situação da Santa
Casa de Misericórdia de Belém, no Pará, onde mais
de 200 recém-nascidos morreram este ano.
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Agência Senado,
6 de setembro de 2008
Rádio Senado debate
as conseqüências do reajuste do salário
mínimo previsto para 2009
A próxima edição do programa Conexão Senado,
da Rádio Senado, trata do valor proposto pelo projeto da Lei Orçamentária
Anual (LOA) de 2009 para o salário mínimo. Cotado em R$
464,72, o valor é maior do que o previsto por deputados e senadores
na votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias
(LDO), em julho passado. Se aprovado, o valor deve causar impacto nas
contas da Previdência, no orçamento das prefeituras e na
vida dos trabalhadores. O assunto será o tema do quadro Entrevista
Especial, que contará com a opinião de parlamentares e
especialistas sobre o tema. O programa vai ao ar na segunda-feira (8),
ao meio-dia.
Como parte da programação da Semana do Idoso, que o
Senado comemora neste início de setembro, o programa O Senado é mais
Brasil recebe o gerontólogo social João Batista de Medeiros.
No quadro Fique por dentro da lei, o médico é entrevistado
sobre a aplicação das leis de proteção à terceira
idade e os cinco anos do Estatuto do Idoso, completados no dia 1° de
outubro - data em que foi sancionada a lei. A entrevista vai ao ar
na terça-feira (9), às 8h30.
O cantor, compositor, escritor e ator Jorge Mautner é o convidado
do programa Escala Brasileira, que vai ao ar no sábado (6) às
20h, e na quinta-feira (11), às 23h. O artista comenta os trabalhos
realizados ao longo da carreira, marcada pela convivência com
grandes nomes do rádio brasileiro e pela militância política.
O programa Reportagem Especial reprisa no sábado (6), às
10h, e no domingo (7), às 17h, o debate sobre como deve ser
usado o dinheiro que o Brasil pode ganhar com o petróleo do
pré-sal e sobre a possibilidade de criação de
uma nova estatal para cuidar dessa riqueza.
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Agência Diap,
6 de setembro de 2008
RESMO DA SEMANA
Negociações
de 2008 foram inferiores às de 2007, divulga Dieese
Pesquisa do Dieese sobre as campanhas salariais do 1º semestre
de 2008, divulgada nesta quinta-feira (4), revela que, em geral, o
resultado obtido pelas categorias foi inferior ao de 2007, embora a
maioria tenha conquistado reajuste igual ou ligeiramente superior ao
INPC (Índice Nacional de Preços do Consumidor) do IBGE. Leia
mais
No Congresso, mas especificamente na Câmara, foi aprovado na
Comissão de Constituição e Justiça o PLP
92/07, que cria a fundações públicas ou privadas
(leia
mais). Foram votadas ainda em plenário duas medidas provisórias,
mas quatro travavam a pauta. Desse modo, quando se encerrar o “recesso
branco”, os deputados retornarão ao trabalho com a agenda
de votações bloqueada por MPs.
É relevante destacar também a distribuição
da mensagem presidencial, agora em forma de projeto de decreto legislativo,
que ratifica da Convenção 151 da OIT. O projeto será relatado
pelos deputados Daniel Almeida (PCdoB/BA), na Comissão de Trabalho;
e José Genoino (PT/SP), na CCJ. Leia
mais
DIAP divulga lista dos “Cabeças” do Congresso Nacional;
Fipe registra deflação no preço dos alimentos;
STJ tem novo comando; Marquezelli apresenta projeto para sustar Portaria
186 e patrões ingressam no Supremo contra portaria do registro
sindical; déficit da Previdência diminui; e Dieese divulga
mínimo ideal.
Os “Cabeças” do Congresso
O DIAP lança a 15ª edição (2008) da série
Os “Cabeças” do Congresso, que mapeia as principais
lideranças do Parlamento Federal e indica os nomes que estão
em ascensão nas duas Casas do Congresso. Entre os 100 “Cabeças” do
Congresso há 71 deputados e 29 senadores. Os dois partidos com
maior número de parlamentares na elite são o PT, com
27 nomes, e o PMDB, com 17. Na terceira posição em número
de parlamentares está o PSDB, com 14 nomes. A relação
completa com a representação dos partidos na elite do
Parlamento poderá ser consultada na publicação. Leia
mais
Deflação
Com a queda nos preços dos alimentos, que tiveram deflação
de 0,49% em agosto, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor)
medido pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas)
registrou alta de 0,38%, contra 0,45% no mês anterior. A maior
elevação foi do item habitação (1,03%),
variação que só não supera a de agosto
de 2004 (1,78%).
O maior impacto veio do reajuste da conta de energia elétrica,
com aumento de 5,05%. Os preços do aluguel (0,39%) também
contribuíram para a elevação. A maioria dos contratos é reajustada
pelo IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado), que, após
beirar os 2%, em agosto teve deflação de 0,32% - a primeira
baixa desde abril de 2006 (-0,42%). Leia
mais
Superior Tribunal de Justiça
O novo presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro
Cesar Asfor Rocha, tomou posse nesta quarta-feira (3), e manifestou
preocupação com as expectativas dos brasileiros em relação à Justiça.
Ele ressaltou que a Constituição Federal de 1988 ampliou
o acesso ao Judiciário, mas afirmou que a conclusão dos
processos e a efetividade das decisões são uma incógnita. “Ampliamos
o acesso à justiça, mas pouco fizemos para alargar sua
saída. Sabemos que a demanda começa, mas não sabemos
quando o processo termina”, disse.
Portaria 186
O deputado Nelson Marquezelli (PTB/SP) apresentou, na última
terça-feira (2), à Câmara projeto de decreto legislativo
(PDC) 857/08, que susta a Portaria 186 do Ministério do Trabalho
e Emprego, aprovado por despacho do Ministro do Trabalho e Emprego,
de 10 de abril de 2008, publicada no Diário Oficial da União
de 14 de abril de 2008. Leia
mais
Confederações patronais da Indústria (CNI) e
da Agricultura (CNA) ajuizaram Ação Direta de Inconstitucionalidade
(ADI 4126) contra a Portaria 186 do Ministério do Trabalho e
Emprego (MTE), que normatiza o registro sindical e as alterações
estatutárias dos sindicatos.
Segundo as duas entidades, a Portaria alterou a estrutura jurídica
da organização sindical brasileira infringindo cinco
artigos da Constituição Federal. Entre os princípios
feridos estariam: da organização sindical, da unicidade
sindical, do sistema confederativo de representação sindical
e por categoria, da legalidade e da separação dos poderes. Leia
mais
Previdência Social
O déficit do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) caiu
37% entre julho de 2007 a agosto de 2008, chegando a R$ 2,17 bilhões.
Em relação ao mês anterior a queda foi de 24,4%.
A arrecadação líquida foi recorde, chegando a
R$ 13,2 bilhões – 9,9% maior do que os R$ 12 bilhões
recolhidos no mesmo mês do ano passado. E a despesa com benefícios
ficou em R$ 15,4 bilhões, 0,6% menor em relação
a julho de 2007. Leia
mais
Salário mínimo
Com base no preço da cesta básica mais cara do País
em agosto, a de Porto Alegre (R$ 241,16), os técnicos do Departamento
Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos
(Dieese) fizeram contas e chegaram à conclusão de que
o salário mínimo ideal para o mês passado seria
de R$ 2.025,99. Leia
mais
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Agência Diap,
6 de setembro de 2008
DIÁRIO OFICIAL
Leia resumo das principais
decisões dos três poderes da República
Entre as principais decisões publicadas no Diário Oficial
da União, o destaque é para a Portaria 277, de 4 de setembro,
que estabelecer que para o mês de agosto de 2008, o valor médio
da renda mensal do total de benefícios pagos pelo Instituto Nacional
do Seguro Social - INSS é de R$ 580,27.
Resumo do DOU – 1º a 05/09: Seção
I
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Agência Diap,
6 de setembro de 2008
FUNDO DE INVESTIMENTOS
Fundo com recursos do FGTS
faz 1º investimento
O fundo de investimento em projetos de infra-estrutura
promete retorno superior ao das aplicações
do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A
carteira teórica desse fundo projeta remuneração
equivalente à taxa referencial (TR) mais um percentual
entre 8% e 9% ao ano, segundo o vice-presidente de ativos
de terceiros da Caixa Econômica Federal, Bolivar Tarragó. É um
retorno mais alto do que o pago pelo FGTS aos trabalhadores,
que equivale à TR mais 3% ao ano.
O fundo de investimento, conhecido como FI-FGTS, é uma das
medidas anunciadas dentro do Programa de Aceleração do
Investimento (PAC) para alavancar os investimentos em infra-estrutura,
como energia, transportes e saneamento básico. Ontem, foi feito
o primeiro desembolso de recursos do fundo, no valor de R$ 500 milhões,
para investimentos em transporte ferroviário.
Tarragó não diz o nome da empresa que recebeu o aporte
de recursos porque as regras do FI-FGTS exigem que ele mantenha sigilo
sobre as aplicações. Na operação, o fundo
fez aporte de recursos por meio da compra de debêntures de uma
empresa. O FI-FGTS prevê que, numa primeira fase, sejam investidos
apenas os recursos do patrimônio do FGTS. Mas, no futuro, a idéia é permitir
que os trabalhadores também façam investimentos, aplicando
até o limite de 10% de seus saldos no FGTS.
Para estender o fundo de investimento para os cotistas do FGTS, porém,
terá que ser resolvido primeiro o problema de falta de liquidez.
Os investimentos em infra-estrutura têm retorno no longo prazo,
enquanto os cotistas do FGTS exigem os recursos no curto prazo, quando,
por exemplo, são demitidos do trabalho ou compram a casa própria.
Já foram aprovados neste ano R$ 5,2 bilhões em investimentos,
de um orçamento total de R$ 17 bilhões que o fundo pretende
aplicar nos próximos anos. "O fundo está andando
melhor do que esperávamos", afirma Bolivar, que espera
cumprir o orçamento em meados de 2010. "No início,
o fundo não era muito conhecido, por isso não era contemplado
pelas empresas nas suas estruturas de financiamento. Nas últimas
semanas, aumentaram muito as demandas por recursos do fundo”.
Dos R$ 5,2 bilhões aprovados, 70% são para energia,
12% para setor ferroviário e 9% em portos. A expectativa é que,
até o fim do ano, o fundo faça desembolso de R$ 1,5 bilhão.
A próxima operação é na área de
portos, no valor de R$ 800 milhões.
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Diário Vermelho,
6 de setembro de 2008
Queda acentuada da inflação
revela erro do Banco Central
A política de elevação sistemática da taxa
de juros pelo Banco Central (BC) mais uma vez revelou-se destemperada.
Com a intenção de combater a alta inflacionária
causada pelo aumento nos preços dos alimentos, a instituição
elevou a taxa no segundo trimestre de 11% para os atuais 13%, podendo
chegar na próxima semana a 13,75%. Ocorre que, segundo divulgou
nesta sexta (5) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), entre julho e agosto, houve uma queda de quase 50% na inflação
do país, mais relacionada a especulação dos preços
das commodities internacionais do que os ajustes feitos pelo BC.
Segundo o economista Lécio Moraes, assessor técnico
da liderança do PCdoB na Câmara, o índice da inflação
em agosto explica que o chamado choque era um choque externo decorrente
basicamente das pressões especulativas sobre as commodities. “Quando
a bolha furou logo se refletiu nos preços internos. Isso demonstra
que as medidas draconianas do BC era absolutamente desproporcionais
com a situação”, disse.
Para o economista, isso significa que os preços irão
se estabilizar e naturalmente serão convergidos para a retomada
da meta inflacionária de 4,5%. “Agora as conseqüências
na elevação da taxa de juros continuarão a pressionar
a demanda e o investimento nacional e, o reflexo dela, vai ser uma
queda provável na taxa de crescimento econômico no começo
do próximo ano”, avaliou.
A queda da inflação foi metida pelo IBGE com base nos
dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo
(IPCA) que no mês de agosto apresentou uma variação
de 0,28%, 0,25 ponto percentual abaixo da taxa de julho (0,53%). O
grupo Alimentação e Bebidas foi o principal responsável
pela redução do ritmo de crescimento do IPCA. Foram destaques
a queda nos preços do tomate, batata inglesa e feijão
mulatinho.
Mais uma ameaça inflacionária
A saída dos recursos estrangeiros do Brasil, motivado pela
crise na economia norte-americana e a decisão do Banco Central
Europeu de manter os juros, é a bola da vez para uma possível
onda inflacionária. “Basicamente o que nós poderemos
ter é uma desvalorização acentuada da moeda, criando
outra vez impactos inflacionários”, disse Lécio
Moraes.
Caso o remédio continue sendo a elevação da taxa
de juros, o economista explica que novamente a expectativa futura de
crescimento do país será “fortemente prejudicada”.
Segundo ele, ao contrário do que se acredita, o país
continua vulnerável a movimentação do capital
especulativo internacional.
“Basicamente deveria se tomar algumas decisões para neutralizar
a capacidade da movimentação desses capitais influenciar
o mínimo a atividade econômica do país”,
diz Moraes, prevendo a retomada do debate sobre o controle de capitais.
De Brasília,
Iram Alfaia
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Diário Vermelho,
6 de setembro de 2008
Mês de agosto apresenta
deflação para população mais
pobre
Os preços para a população de
baixa renda registraram deflação (inflação
negativa) em agosto, segundo números do IPC-C1 (Índice
de Preçosao Consumidor - Classe 1) divulgados nesta
quinta-feira (4) pela Fundãção Getúlio
Vargas.
O IPC-C1 é calculado com base nas despesas de consumo dasfamílias
com renda entre 1 e 2,5 salários mínimos mensais. A queda
nos preçosfoi de 0,32%, menor resultado dos últimos dois
anos.
A maior contribuição para o recuo veio do grupo Alimentação:a
taxa em 12 meses desta classe de despesa passou de 18,85% para 15,85%.
Os itens que mais contribuíram para este movimento foram arroz
e feijão (80,21% para 68,12%), hortaliças e legumes (26,92%
para 12,71%), laticínios (-2,29% para -9,91%) e carnes bovinas
(45,01% para 40,36%).
Os grupos Vestuário (5,25% para 4,69%) e Saúde e Cuidados
Pessoais (4,77% para 4,61%) também apresentaram recuos em suas
taxas acumulassem 12 meses, com destaque para roupas (4,69% para 4,22%)
e artigos de higiene e cuidado pessoal (5,02% para 4,36%).
Já os grupos Habitação (3,34% para 3,69%), Educação,
Leitura e Recreação (4,36% para 4,85%), Transportes (2,53%
para 2,56%) e Despesas Diversas (4,36% para 5,55%) tiveram alta, com
destaque para tarifa de telefone fixo residencial (2,16% para 3,50%),
curso de educação infantil (7,80% para 9,49%), tarifa
de ônibus interurbano (3,63% para 4,55%) e cigarros (5,33% para
6,29%).
Tendência de queda
A inflação no Brasil passou de 0,53% em julho para
0,28% em agosto, divulgou nesta sexta-feira (5) o IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística). Foi a menor taxa desde setembro
do ano passado e o terceiro mês seguido de redução.
Em agosto de 2007, a variação foi de 0,47%.
Os dados se referem ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor
Amplo), mais importante indicador de preços do país,
adotado pelo governo para estabelecer suas metas anuais de inflação
(a de 2008 é de 4,5%, com tolerância de dois pontos percentuais
para mais ou para menos).
Da redação, com agências
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Congresso em Foco,
6 de setembro de 2008
Voto facultativo em pauta
Senadores transformam em PEC sugestão
feita por associação de moradores e reacendem
debate sobre o fim da obrigatoriedade do voto no Brasil
Fábio Góis
Em época de eleições, a pergunta é recorrente:
o voto deve ser obrigatório ou facultativo? Muito é discutido,
mas pouco muda no sistema eleitoral brasileiro. Pois a discussão
volta com força às vésperas do pleito municipal
de outubro. Em junho deste ano, a Comissão de Direitos Humanos
e Participação Legislativa (CDH) do Senado converteu
em proposta de emenda constitucional uma sugestão feita por
uma associação
comunitária em favor do voto facultativo.
A proposição mantém a obrigatoriedade de o cidadão
tirar e guardar o título de eleitor (apenas para efeito estatístico
e de cadastro), mas o livra da obrigatoriedade de votar a cada dois
ou quatro anos (no caso do DF), como ocorre hoje.
Com parecer favorável do relator, Eduardo Suplicy (PT-SP),
a matéria foi encaminhada para a apreciação da
Comissão de Constituição e Justiça (CCJ)
da Casa, onde aguarda designação de relator.
“Eu vejo que, no processo de aperfeiçoamento da democracia,
podemos considerar como didático que tenha havido o voto obrigatório
desde a [promulgação] da Constituição de
1988”, disse Suplicy ao Congresso em Foco. Mas, para o senador
paulista, a população brasileira já assimilou
a importância do voto. “Acho que podemos passar para o
estágio do voto facultativo. Portanto, acolhi essa sugestão
popular.”
Mudança positiva
Para Suplicy, a não obrigatoriedade do voto pode provocar uma
positiva mudança de comportamento por parte dos eleitores. “Será importante
passarmos para a fase em que as pessoas votem não por obrigação,
mas por vontade.”
O petista disse não ter idéia do tratamento que os senadores
darão à matéria em plenário, mas que ela
foi bem recebida pelos membros da CDH. “Passou sem objeção.
Só na hora do debate vamos verificar o que vai acontecer, não
posso adiantar. Há senadores contra e a favor da proposta.”
Convertida na Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) 28/08 no dia 20 de junho na CDH (leia
mais), a sugestão apresentada pela Associação
Comunitária de Chonin de Cima (Acocci), de Governador Valadares
(MG), visa a alterar o artigo 14 da Constituição Federal,
que torna obrigatório o voto no processo eleitoral do país.
País despreparado
A idéia do voto facultativo não é bem vista pelo
cientista político Cristiano Noronha, da empresa de consultoria
Arko Advice. Noronha discorda de Eduardo Suplicy e crê que a
população ainda não está preparada para
lidar com o voto facultativo no Brasil.
“Eu sou contra. O Brasil ainda precisa chegar a um estágio
de funcionamento institucional e educacional mais elevado para instituir
o voto facultativo. As pessoas têm de se conscientizar mais sobre
a importância do voto”, declarou Noronha, para quem o país
ainda está “institucional e socialmente despreparado” para
o voto não obrigatório.
Para o cientista político, o efeito da instituição
do voto facultativo no processo eleitoral brasileiro seria negativo. “Teríamos
um índice de abstenção, votos brancos ou nulos
muito alto, veríamos isso aumentar consideravelmente. Aliás,
votos brancos e nulos se transformariam em ausência. O efeito
natural disso vai ser o não comparecimento“, argumentou
Noronha.
“Do ponto de vista constitucional, não há por
que rejeitar [a proposta]. Não se está ferindo nenhuma
cláusula pétrea. Mas isso não quer dizer muita
coisa”, ressalvou, acrescentando que “temas muito mais
urgentes e importantes” que a questão do voto obrigatório
devem ser discutidos pela sociedade.
Totalitarismo
Não é o que pensa o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), para
quem o assunto é uma boa oportunidade para a “discussão
de uma reforma política que não sai do chão” no
Parlamento. Segundo o vice-líder tucano, a pertinência
do tema é mais uma razão para levá-lo ao debate
no Congresso.
“Se o eleitor acha que não tem motivos para dar seu voto,
por que ser obrigado a votar? Cabe aos políticos ter mais competência
para convencê-los”, completou Alvaro, autor de uma proposição
semelhante em trâmite na CCJ do Senado, a PEC 14/2003.
“O voto obrigatório tem sido a marca registrada dos estados
totalitários, onde o governante necessita desse subterfúgio
para compelir o comparecimento aos pleitos e dar uma aparência
de legalidade a um regime de força”, diz trecho da justificativa
da proposta de Alvaro Dias.
Obrigatoriedade em xeque
Pesquisa encomendada pela Associação dos Magistrados
Brasileiros (AMB) ao Instituto Vox Populi revelou que, se o voto fosse
facultativo, 38% dos eleitores não iriam às urnas registrar
sua preferência. Entre esses, 30% disseram que “com certeza
não iriam votar” e 8% que “provavelmente não
iriam votar”.
A pesquisa, realizada entre 27 de junho e 6 de julho com o objetivo
de traçar um perfil do eleitor brasileiro, revelou ainda que
51% dos entrevistados disseram que votariam mesmo sem a obrigatoriedade,
enquanto outros 11% “provavelmente votariam”. Das 1.502
pessoas consultadas em todas as regiões do país, apenas
1% disseram não saber o que responder.
“A possibilidade de a pessoa votar em benefício próprio
existe tanto no voto facultativo quanto no voto obrigatório”,
disse Suplicy. “Não creio que as pessoas, por causa do
voto facultativo, venham se sujeitar a vender seu voto. No [voto] voluntário,
no entanto, fica mais difícil fazer [a indução
ilegal].”
Desserviço ao país
A posição do senador paulista não é compartilhada
pelo presidente da Comissão de Acompanhamento Legislativo da
Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcos Vinicius Furtado Coelho,
para quem o voto facultativo seria “um desserviço ao combate à corrupção
eleitoral”.
“Com o voto facultativo, haveria a compra da ausência,
isso poderia ser controlada pelo corruptor”, disse o advogado,
especialista em direito eleitoral. Na avaliação dele,
principalmente em cidades pequenas, políticos corruptos poderiam
dar dinheiro para grupos de eleitores não comparecerem às
urnas e votar nos adversários.
Marcos Vinicius disse ainda que, na prática, o voto facultativo
diminuiria a participação popular no processo eleitoral,
bem como “a representatividade dos que forem eleitos”.
“Do ponto de vista do fundamento, o voto é um direito
e um dever do cidadão, que deve participar da vida política
do seu país. [O cidadão] só é obrigado
a comparecer, e não a definir seu voto. São obrigações
da vida civil” completou o advogado, enfatizando que essa é uma
opinião pessoal, e não um posicionamento oficial do Conselho
Federal da OAB, do qual é membro.
Caminho longo
Como se trata de alteração na Carta Magna, a PEC 28/08
precisa, caso seja chancelada também na CCJ, da aprovação
em plenário de pelo menos 49 senadores, em dois turnos, para
depois ser remetida à Comissão de Constituição
e Justiça da Câmara.
Analisada pelo colegiado, a proposição teria de ser
examinada por uma comissão especial antes de ser submetida aos
deputados em plenário, em dois turnos de votação.
São necessários pelo menos 308 votos (3/5 dos 513 deputados).
Caso seja alterada na Câmara, a matéria terá de
voltar ao Senado.
Leia ainda:
Comissão
encurta caminho para projetos de iniciativa popular
Associação
mineira tem linha direta com Brasília
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Folha de S.Paulo,
6 de setembro de 2008
Desemprego nos EUA é o
maior em 5 anos
Taxa chegou a 6,1% em agosto; avanço
em 4 meses é o maior desde 1981, época de uma
das piores recessões americanas
Apesar de exportações terem puxado
expansão do 2º tri, indústria foi o o setor que
mais cortou vagas em agosto, seguido por serviços
DA REDAÇÃO
O desemprego nos EUA voltou a subir e está agora no seu nível
mais alto em cinco anos, aumentando os temores de recessão da
principal economia mundial. Além de enfrentarem problemas no
mercado de trabalho, os consumidores, principal motor da economia americana,
têm ainda que lidar com a inflação, em seu nível
mais alto em quase 20 anos, e a crise financeira, que derrubou o preço
de seus imóveis.
A taxa de desemprego subiu para 6,1% no mês passado -0,4 ponto
percentual superior à de julho- e está no seu maior nível
desde julho de 2003. Desde abril, a taxa já se expandiu em 1,1
ponto percentual, fato que não aconteceu nem em 2001, na última
recessão dos EUA. A última vez em que o índice de
desemprego avançou ao menos 1,1 ponto percentual em quatro meses
foi em 1981, quando teve início uma das piores recessões
da história dos Estados Unidos.
No mês passado, 84 mil postos de trabalho deixaram de existir,
afetando diversas áreas, como indústria, serviços
e construção. Além disso, o governo aumentou a estimativa
de cortes de julho e junho. Nesse caso, a previsão quase dobrou,
de 51 mil para 100 mil. Em julho, houve redução de 60 mil
vagas, 9.000 mais do que foi previsto no mês passado.
Foi o oitavo mês consecutivo de cortes, algo que não acontecia
desde 2001 (naquela época, porém, as demissões eram
mais expressivas), e já são 605 mil postos de trabalho
que deixaram de existir, uma média mensal de quase 76 mil reduções.
Os EUA precisam gerar 100 mil postos por mês s[o para atender à população
que entra no mercado de trabalho.
A indústria foi o setor que mais eliminou vagas no mês passado,
com o corte de 61 mil postos de trabalho, apesar de as exportações
terem sido o principal motivo para o crescimento surpreendente dos EUA
no segundo trimestre, de 3,3%.
" Seja lá o que está fazendo a economia crescer, isso não
está aparecendo de nenhuma forma no mercado de trabalho", disse Jared
Bernstein, do Economics Policy Institute. O setor automobilístico, que
enfrenta grave crise, cortou 39 mil vagas em agosto e foi o mais afetado.
Além da indústria, foram afetados fortemente o setor de
serviços (-53 mil postos) e o comércio varejista (-19,9
mil vagas). A construção, considerado o epicentro da crise
atual, continuou a eliminar postos de trabalho (8.000 em agosto), mas
em um ritmo menos intenso que nos meses anteriores. Desde agosto de 2007,
porém, ele já cortou 437 mil vagas.
Outro fator preocupante foi que a média do salário por
hora cresceu 3,6% em relação a agosto de 2007, não
acompanhando o ritmo da inflação ao consumidor, que subiu
5,6% em julho (o dado de agosto ainda não foi divulgado). Esse
dado eleva a preocupação que o gasto dos consumidores -que
representa 70% do PIB dos EUA- possa vir a sucumbir nos próximos
meses.
Economistas ontem viram até um "momento Papa-Léguas",
em uma referência ao personagem do desenho animado: a economia
americana teria chegado ao topo do penhasco e continuado a caminhar por
um momento, até olhar para baixo e despencar.
Analistas dizem ainda que o Fed (o BC dos EUA) deverá manter os
juros em 2% por um longo período para reanimar a economia."A
economia está claramente se deteriorando", afirmou Gary Thayer,
do Wachovia Securities. "Estamos vendo fraqueza em todo o mundo,
então há menos motivo para o Fed focar a inflação,
e mais razão para fazer com que a economia retome suas forças."
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Com Reuters e "The New York Times"
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Folha de S.Paulo,
6 de setembro de 2008
AVALIAÇÃO
BRASIL É FOCO
DE ESTABILIDADE, DIZ BIRD
No Fórum do BNDES, John Briscoe, diretor do Banco Mundial, disse
que o país poderá exercer papel de destaque entre os Brics
(Brasil, Índia, Rússia e China), mas criticou a burocracia
brasileira.
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Folha de S.Paulo,
6 de setembro de 2008
Paraguai aceita compensação
por Itaipu
Revisão dos preços
de tarifas da usina binacional deixa de ser exigência
indiscutível do país vizinho, afirma chanceler
O presidente paraguaio, Fernando Lugo, vem ao Brasil
no dia 17, em sua primeira visita oficial, para tratar do assunto com
Lula
Alan Marques/Folha Imagem

Os ministros das Relações Exteriores
Celso Amorim (Brasil, à esquerda) e Alejandro Hamed (Paraguai)
se reúnem em Brasília
IURI DANTAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Principal bandeira política do presidente paraguaio, Fernando
Lugo, a revisão dos preços de tarifas da usina binacional
de Itaipu não é mais uma exigência indiscutível
do país vizinho, que aceita conversar com o Brasil sobre outras
formas de compensação. A mudança de tom foi relatada à Folha
pelo chanceler paraguaio, Alejandro Hamed Franco.
" Não, não. Estamos falando de conversar. É o ponto
de partida fundamental e podem seguir se abrindo opções, que vamos
ver se são convenientes. Pode haver um montão de coisas que podem
surgir nas negociações", respondeu Hamed ao ser indagado especificamente
sobre o aumento de tarifas.
As compensações brasileiras ao Paraguai serão debatidas
pelos presidente Lugo e Luiz Inácio Lula da Silva no dia 17, quando
o paraguaio fará sua primeira visita ao Brasil. Depois do encontro,
os temas serão discutidos por equipes técnicas dos dois
países. " Esse pleito será feito na visita oficial
do presidente Lugo ao Brasil. De alguma maneira esse e outros temas bilaterais
que temos que atacar serão colocados sobre a mesa e os especialistas
vão trabalhar sobre isso", afirmou o ministro Hamed.
Ontem, o chanceler do Paraguai almoçou com o ministro brasileiro
das Relações Exteriores, Celso Amorim, e ouviu dele uma
lista de opções para o Brasil compensar o Paraguai pelos
valores pagos por Itaipu ao país vizinho. Lugo considera os valores
muito baixos e insistia numa revisão do tratado da usina, hipótese
que nunca foi bem recebida por Brasília.
Diante das reclamações públicas de Lugo, o Brasil
elaborou um plano de cooperação ao Paraguai, prevendo financiamentos
do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)
para projetos de infra-estrutura e energia, além de investimentos
da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).
Constam, ainda, o financiamento da construção de uma segunda
linha de transmissão de energia de Itaipu para Assunção
e auxílio da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento
Industrial) às empresas instaladas em solo paraguaio, para elevar
a competitividade de seus produtos.
Questionado sobre o rol de opções, o chanceler paraguaio
evitou concentrar os esforços apenas nesses projetos, ressaltando
que durante as negociações podem surgir outras opções
de ajuda brasileira.
" Está tudo dentro das negociações que se podem realizar.
Não são essas as únicas opções. Deve haver
mais opções que podem surgir no trâmite das conversações
-digo conversações, mas quero dizer discussões- entre as
duas partes."
Com a Petrobras
Uma alternativa já estudada pelo governo brasileiro é uma
parceria para a Petrobras pesquisar petróleo na região
do Chaco paraguaio e a construção de um gasoduto, financiado
pelo BNDES, entre os dois países.
Após se reunir com Amorim, o ministro paraguaio saiu satisfeito
com a posição do governo brasileiro. "O importante
que posso perceber é a muito boa vontade do governo brasileiro
de buscar soluções aos problemas que estão pendentes,
que inclui uma evolução ou conversação sobre
o tema específico de Itaipu", disse.
A idéia brasileira de um pacote de ajuda ao país vizinho
frustra a bandeira de campanha de Lugo, mas interessa ao governo paraguaio
por algumas razões. O ex-bispo Fernando Lugo chegou ao poder após
61 anos de comando do Partido Colorado no país vizinho, o que
gerou grandes expectativas e demandas de diferentes setores da sociedade.
O pacote de Brasília, conhecido nos bastidores como um "Plano
Marshall brasileiro", atenderia essa demanda por gerar empregos
e impulsionaria a economia paraguaia.
Do outro lado, o governo brasileiro pressiona Assunção
a resolver a questão dos brasiguaios. O assunto foi encaminhado
com a aprovação do Acordo de Residência do Mercosul
pelo Congresso brasileiro, mas depende de detalhes administrativos que
Franco promete equacionar em breve.
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Folha de S.Paulo,
6 de setembro de 2008
Central apóia proposta
para trabalhadores estrangeiros
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
As centrais sindicais apóiam a proposta do governo de ratificar
a Convenção 143 da OIT (Organização Internacional
do Trabalho) -que trata de igualdade de direitos para trabalhadores
migrantes- para reduzir a "discriminação" que
brasileiros enfrentam nos mercados de trabalho de outros países.
Conforme a Folha antecipou ontem, o governo enviará ao Congresso
um projeto para aderir à regra internacional, se comprometendo
a criar uma política nacional para assegurar igualdade de oportunidades
e tratamento para trabalhadores estrangeiros legalizados.
Com a ratificação, o país passará a cobrar
o princípio da reciprocidade com outras economias, melhorando
as condições para os brasileiros que exercem atividades
lá fora.
" A ratificação dará ao governo brasileiro legitimidade
para cobrar dos países igualdade de condições", disse
o secretário-geral da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Quintino
Severo.
Segundo ele, os trabalhadores de outras nacionalidades sofrem discriminação
principalmente no mercado de trabalho europeu. Na opinião de Severo,
a adesão à regra internacional também trará ganhos
para o trabalhador brasileiro que atua em território nacional.
Sem nivelamento
" Acaba a precarização para os estrangeiros e isso evita que
os empresários possam nivelar o trabalhador nacional nesse aspecto",
disse. Ele destaca que, historicamente, a CUT tem defendido a melhoria de condições
para trabalhadores estrangeiros no Brasil, principalmente, nos debates que envolvem
migrantes de países que integram o Cone Sul.
De acordo com o secretário-geral da Força Sindical, João
Carlos Gonçalves, a ampliação de direitos para trabalhadores
estrangeiros não deverá afetar negativamente o mercado
de trabalho brasileiro, com redução de vagas para quem
nasceu no país, por exemplo. Isso porque, afirma o sindicalista,
o atual aquecimento da economia brasileira comporta a incorporação
desses profissionais à realidade do mercado de trabalho nacional,
que se encontra em expansão.
" Regular é melhor que usar instrumentos de repressão. Se
o capital da Ford e da GM [General Motors] pode circular pelo mundo, os trabalhadores
também podem", afirma Gonçalves. Na avaliação
do sindicalista, a medida deverá trazer também benefícios
para os sindicatos.
"É importante porque poderemos representar essas pessoas, que hoje
acabam procurando ONGs para poder resolver sua situação",
diz Gonçalves, da Força Sindical.
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Agência Brasil,
6 de setembro de 2008
Banco do Brasil planeja aumentar
participação no financiamento habitacional
Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - O Banco do Brasil espera fechar o ano com cerca
de R$ 1 bilhão destinados ao financiamento imobiliário,
só com recursos da poupança, segundo informou à Agência
Brasil o diretor de Novos Negócios do banco, Paulo Rogério
Caffarelli.
Considerando o valor médio de financiamento de R$ 80 mil por
mutuário, a perspectiva é firmar sete mil contratos este
ano para pessoa física.
A meta é chegar até 2012 entre os três grandes
financiadores da área imobiliária. O mercado, atualmente, é liderado
pela Caixa Econômica Federal, banco Itaú e Bradesco.
Para 2009, ainda não foram fechadas as projeções
na área imobiliária. O BB atua, desde dezembro do ano
passado, no sistema de crédito imobiliário com recursos
próprios, por meio do Sistema de Financiamento Imobiliário
(SFI). E a partir de junho passou a operar no mercado de crédito
imobiliário com recursos da caderneta de poupança, pelo
Sistema Financeiro da Habitação (SFH).
Balanço parcial do banco mostra que o volume de contratos imobiliários
pelo SFH ainda é pequeno, mas o crédito aprovado, ainda
não contratado, já supera os R$ 500 milhões.
“O Banco do Brasil passa a ser mais um banco grande de varejo
a oferecer esse produto, como forma de ajudar na resolução
do déficit habitacional”, observa Caffarelli. O país
tem, hoje, segundo o Ministério das Cidades, um déficit
de oito milhões de moradias.
Outro produto para aquisição da casa própria é o
consórcio de imóveis, por meio do qual o mutuário
pode optar por pagar a metade das cotas mensais e quitar o restante
quando já estiver morando no imóvel. É uma modalide
de 200 meses de financiamento.
O objetivo, segundo Caffarelli, é poupar o mutuário
da despesa dupla, já que quem entra em consórcio para
financiar a compra da casa própria, em geral, paga aluguel.
“Geralmente, [o consórcio] é para aquelas pessoas
que ainda não têm seu imóvel próprio. E
também, não querem, ou não podem naquele momento,
adquirir aquele imóvel. Então, começam a pagar
o consórcio”, disse.
As cartas de crédito para aquisição de imóveis
pelo BB Consórcio de Imóveis têm valor mínimo
de R$ 30 mil e máximo de R$ 300 mil.
Na área de crédito imobiliário, segundo o diretor
de Novos Negócios, o BB tem foco nas faixas de cinco a dez salários
mínimos e acima de dez salários.
Ele destacou que, embora seja a Caixa Econômica a instituição
do sistema financeiro com perfil mais voltado para camadas de baixa
renda, “nada impede que, no futuro, o Banco do Brasil passe também
a ser mais um agente nessas faixas de renda mais baixa”.
Caffarelli lembrou ainda que o banco busca prestar um atendimento
de acordo com o perfil do cliente. Por isso, opera no mercado imobiliário
com clientes pessoas físicas e jurídicas, sendo que este último
segmento engloba as construtoras e incorporadoras. “A nossa idéia é,
justamente, ter um produto adequado e aderente a essa realidade dos
nossos clientes.”
O BB financia até 80% do valor do imóvel. O financiamento
para pessoa física vai de R$ 20 mil a R$ 1,5 milhão.
E para pessoa jurídica de R$ 1 milhão até R$ 100
milhões.
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