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AGÊNCIA DIAP, 10 de
setembro de 2008
CARTEIRA ASSINADA
Emprego formal melhora, mas lentamente,
aponta OIT
Estudo divulgado pela Organização
Internacional do Trabalho (OIT) e pela Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) mostrou que, se por um lado
o crescimento do PIB brasileiro permitiu a criação
de mais empregos, por outro o país ainda sofre com a desigualdade
e com elevado índice de trabalho precário. "O
nível de desemprego e a precariedade do emprego são
preocupantes. A informalidade ainda é alta e há discriminação
de sexo, raça e outros atributos. Os problemas afetam, particularmente,
mulheres, negros e jovens", diz o estudo.
Apesar das dificuldades, a ONU
destaca que o país registra avanços, como "o aumento
do nível de ocupação e da geração
de postos formais, o incremento da escolaridade da força de trabalho,
a retomada do vigor das negociações coletivas e o fortalecimento
do combate ao trabalho escravo e infantil".
Na década atual, o país
reduziu a informalidade. A proporção dos assalariados com
carteira assinada subiu de 30,7% em 1999 para 35,2% em 2006. Do ponto
de vista educacional, os números melhoraram, mas de forma ainda
tímida.
Em 2006, pela primeira
vez a taxa de analfabetismo entre brasileiros de dez anos ou mais de
idade ficou abaixo de 10% (9,6%). Se o estudo mostra que, quanto maior
o nível de instrução, maior a participação
no mercado de trabalho, confirma que menos da metade dos brasileiros
de 15 a 17 anos está no nível de ensino adequado à idade
(Médio). (Fonte: Valor Econômico)
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AGÊNCIA DIAP, 10 de
setembro de 2008
RELAÇÕES DE TRABALHO
Estudo vê falta de "trabalho
decente" no País
Brasil ainda registra forte discriminação
contra mulheres e negros, constata trabalho divulgado por Cepal,
OIT e Pnud. Apesar dos avanços conquistados em anos recentes,
mercado de trabalho do país ainda tem expressivas desigualdades
Apesar dos avanços conquistados
nos últimos anos, o mercado de trabalho brasileiro registra um
elevado déficit de trabalho decente, com expressivo grau de desigualdade
de gênero e raça, altas taxas de desemprego e informalidade,
além de precariedade nas condições de trabalho.
O diagnóstico sombrio
foi apontado no estudo "Emprego, Desenvolvimento Humano e Trabalho
Decente: A Experiência Brasileira Recente", divulgado ontem
em conjunto pela Cepal (Comissão Econômica para a América
Latina e o Caribe), OIT (Organização Internacional do Trabalho)
e Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).
O trabalho analisa informações
sobre o mercado de trabalho brasileiro de 1992 a 2006. Um dos principais
extratos do documento é a constatação de que o crescimento
econômico e a geração de postos de trabalho contribuem
para elevar o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), mas não
são suficientes. O bem-estar social depende do trabalho decente.
"A experiência brasileira
mostra um mercado de trabalho em que, nos anos recentes, o crescimento
do PIB tem impacto cada vez maior na criação de empregos.
Permanecem, porém, um grau expressivo de desigualdade e um elevado
déficit de trabalho decente", afirma o estudo. "O nível
de desemprego e a precariedade do emprego são preocupantes. A
informalidade ainda é alta, e há discriminação
de sexo, raça e outros atributos."
Reduzir desigualdades
Para chegar à definição
de trabalho decente, o estudo analisou 28 indicadores referentes ao mercado
de trabalho, levando em conta quatro aspectos: emprego, proteção
social, direitos no trabalho e diálogo social.
"Não podemos ficar
contentes [com o diagnóstico brasileiro], mas é importante
reconhecer os avanços", afirma a diretora da OIT no Brasil,
Laís Abramo. Segundo ela, é impossível eliminar
o déficit de trabalho decente no Brasil sem avançar na
redução das desigualdades de raça e gênero.
Isso porque 70% da mão-de-obra no mercado brasileiro é composta
de mulheres e negros – os principais alvos de discriminação.
Entre os avanços do mercado
brasileiro apontados no trabalho, estão o aumento das taxas de
participação e ocupação das mulheres no mercado
e a diminuição da desigualdade nos rendimentos em relação
aos homens. Também houve aumento real no valor do salário
mínimo e elevação generalizada da escolaridade do
trabalhador brasileiro, especialmente dos jovens.
Embora o trabalho infantil
tenha apresentado redução no período, a presidente
da OIT destaca que há um "núcleo duro" da atividade. "Está concentrado
no trabalho familiar não-remunerado. Preocupa-nos que a redução
vem ocorrendo em um ritmo mais lento nos últimos anos",
afirma, lembrando que ainda existem 2,4 milhões de crianças
trabalhando no Brasil. (Fonte: Folha de S.Paulo)
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O ESTADO DO PARANÁ,
10 de setembro de 2008 | Economia
PIB registra expansão de 6%
no 1º semestre
Agência Estado
A economia brasileira cresceu 6,1% no segundo trimestre do ano, em comparação
ao mesmo período do ano passado. Em relação ao primeiro
trimestre deste ano, o crescimento foi de 1,6%. No primeiro semestre de 2008,
a expansão da economia foi de 6% sobre igual semestre de 2007, mesma
variação apresentada no acumulado dos últimos 12 meses.
Esses são os números do Produto Interno Bruto (PIB), divulgados
nesta quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
O PIB é a soma das
riquezas produzidas pelo País. Segundo o IBGE em valor, o PIB
do segundo trimestre somou R$ 716,9 bilhões.
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UOL, 10 de setembro de 2008
| Empregos
De cada cem trabalhadoras no Brasil,
16 são empregadas domésticas
Da Redação
Em São Paulo
Em 2006, do total de mulheres
ocupadas no país, 16,5% eram empregadas domésticas. Em
relação aos homens, esse percentual era de 0,9%. Os dados
são do estudo Retrato das desigualdades de gênero e raça,
divulgado nesta terça (9) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada).
Em relação a 1996,
o número se manteve na força de trabalho masculina e caiu
um ponto percentual no caso feminino. Apesar da queda, o Ipea diz que
o padrão se manteve. "O trabalho doméstico remunerado é,
ainda, persistente e majoritariamente feminino no Brasil", diz o
relatório.
Além disso, as trabalhodoras
domésticas brasileiras são, em sua maioria, negras. O percentual
de mulheres brancas ocupadas em trabalho doméstico remunerado
caiu de 13,4% em 1996 para 12,6% em 2006; entre as mulheres negras, os índices
caíram também, mas de 23% em 1993 para 21,7% em 2006.
Segundo o estudo, esse quadro "da
situação do trabalho doméstico remunerado no Brasil
revela muito dos padrões vigentes das desigualdades de gênero
e raça, legados do modelo patriarcal e racista".
Um dado positivo é que
pode-se identificar uma crescente diminuição do número
de meninas e jovens ocupadas com o trabalho doméstico remunerado.
Porém as negras ainda são maioria nessa categoria. Em 1996,
havia 14,2% de trabalhadoras domésticas com idade entre 10 e 17
anos; já em 2006 a porcentagem diminuiu para 6,1% -- 12,8% em
1996 e 4,9 % em 2006 para brancas na mesma faixa etária; e 15,3%
em 1996 e 6,9% em 2006 para negras.
Em relação ao número
de trabalhadoras domésticas com carteira de trabalho assinada,
houve relativo aumento na porcentagem ao longo da década: em 1996,
o índice era de 18,7% para as negras e 23,6% para as brancas;
já em 2006 os números passaram a 23,9% e 30,2%, respectivamente.
"Mesmo com o aumento positivo
observado em ambos os universos, a disparidade entre eles permanece reforçando
o aspecto da discriminação racial", diz o estudo.
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FOLHA DE LONDRINA, 10 de
setembro de 2008 | Geral
Ipea confirma distância entre
brancos e negros
Estudo mostra que desigualdade está presente
também no serviço de saúde, que por definição é universal
Brasília - Os números apresentados pelo 3º Retrato das Desigualdades
de Gênero e Raça, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea) e divulgado ontem mostram que existe uma grande distância
entre brancos e negros. A pobreza e a indigência são três
vezes maiores entre a população negra. Domicílios chefiados
por negros têm menos acesso a rede de esgoto, abastecimento de água
ou coleta de lixo.
A desigualdade também
está presente no serviço de saúde, que por definição é universal.
Dados mostram que 46,3% das mulheres negras com mais de 25 anos nunca
fizeram exame clínico de mama, teste indispensável para
detecção precoce de câncer. ''As mulheres são
menos tocadas, menos examinadas'', disse a pesquisadora Maria Inês
Barbosa.
O número torna-se ainda
mais preocupante quando se avaliam as estatísticas populacionais.
Dados mostram que a população negra passou de 42% em 1996
para 47% em 2006. Esse número não reflete mudança
demográfica mas, sim, cultural, afirmam especialistas. ''Fruto
do movimento negro, boa parte da população passou a se
reconhecer como tal. E a tendência é de esse número
aumentar ainda mais'', afirmou Maria Inês.
O formato da família brasileira
está se diversificando, com mais espaço para casais com
filhos chefiados por mulheres e núcleos familiares formados só por
pai e filhos. Já fora de casa, principalmente nas relações
de trabalho, há uma repetição de padrões
de iniquidade, seja de gênero ou de raça. É o quadro
mostrado no estudo do Ipea, divulgado ontem.
Apesar de o modelo de pai provedor,
mãe e filhos ainda prevalecer, houve aumento, em dez anos, das
outras formas de organização familiar. ''O nível
de desigualdade se reduziu, mas em um ritmo muito menor do que seria
considerado adequado'', disse o diretor do Ipea, Jorge Abraão.
Já o número de
famílias formadas pelo casal com filhos chefiadas por mulheres
aumentou dez vezes em 13 anos. Em 2006, eram 2,25 milhões de famílias
lideradas pelas mulheres, o que corresponde a 14,2% do total. Em 1993,
somente 3,4% das famílias tinham esse formato. ''É um resultado
extremamente significativo'', avaliou Natália.
As mulheres passaram a ter rendimentos
maiores, mas ainda bem abaixo do obtido pelos homens. Em 2006, por exemplo,
a renda média das mulheres era de R$ 577. Uma média superior
da que havia sido alcançada em 1993 (R$ 561), mas ainda bem abaixo
do que foi apresentado pelos homens no mesmo ano: R$ 885,56.
Além de receberem menos,
mulheres ainda são as campeãs em média de horas
semanais dedicadas a afazeres domésticos.
Lígia Formenti
Agência Estado
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FOLHA
DE SÃO PAULO, 10 de setembro de 2008 | Dinheiro
Ministro do Trabalho vai comandar Codefat,
diz Lupi
Rodízio na presidência do órgão
deve acabar
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Responsável pela gestão
de um patrimônio superior a R$ 150 bilhões, o Codefat
(Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo do Trabalhador) passará a
ser comandado pelo Ministério do Trabalho.
O ministro Carlos Lupi (Trabalho) entregou ao presidente Lula proposta de mudanças
no conselho, e a previsão é que um decreto seja editado nos próximos
dias para acabar com a presidência rotativa do órgão.
Com a mudança, o ministro do Trabalho passará a ter mais poderes,
pois será o presidente exclusivo do conselho. Pelas regras atuais, as
bancadas que integram o Codefat revezam-se no comando do órgão,
que é um colegiado tripartite e paritário (trabalhadores, empresários
e governo). A cada dois anos, os conselheiros elegem um integrante do grupo
da vez para ocupar o cargo.
" No conselho do FGTS [Fundo de Garantia do Tempo de Serviço], já é assim.
Está correto porque o Trabalho é o ordenador de despesa e tem de
estar no comando da decisão também. O presidente concordou, e as
mudanças sairão em breve", disse Lupi à Folha.
Hoje, a presidência do conselho está nas mãos da bancada
dos trabalhadores. O representante da Força Sindical no Codefat, Luiz
Fernando Emediato, é o atual presidente, que tem mandato para o cargo
até agosto do ano que vem. Na ocasião, seria escolhido um novo
conselheiro. Pela ordem de revezamento, seria um integrante da bancada dos
empresários.
A rotatividade, segundo Lupi, passará a ser exercida na vice-presidência
do Codefat. Outra mudança será a garantia de voto para a Secretaria
Executiva do conselho. Isso garantirá mais votos para o governo em votações
apertadas no órgão colegiado.
As mudanças implicarão a cassação dos atuais mandatos
de imediato. Com isso, Lupi assumirá de pronto o comando do conselho,
e as bancadas indicarão novos conselheiros para as vagas em aberto.
Ampliação
A proposta de decreto ainda ampliará o número de assentos no
Codefat. Atualmente, são 12 conselheiros titulares e 12 suplentes. Com
a recente legalização de seis centrais sindicais no país,
todas as bancadas passarão a contar com seis conselheiros, elevando
para 18 o número de vagas no colegiado.
Na avaliação do representante da CNC (Confederação
Nacional do Comércio) no conselho, Roberto Nogueira Ferreira, a mudança é lamentável. "Estou
falando como conselheiro, a CNC ainda está avaliando a proposta",
comentou. "A pergunta é: por que mudar um modelo democrático
que está dando certo?"
O atual presidente do Codefat disse que exerce uma função delegada
pelas centrais, especialmente a Força Sindical, e se submeterá à vontade
das entidades. "Atenderei a decisão das centrais", disse Emediato.
O presidente da Força, deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), é colega
de partido de Lupi e decidiu dar carta-branca ao ministro do Trabalho.
Procurado pela Folha, o representante da CUT no Codefat, Carlos Alberto Grana,
disse ontem que não comentaria o assunto.
O presidente da UGT, Ricardo Patah, afirmou ser favorável à mudança,
mas disse que as centrais continuarão "vigilantes". "Sendo
o Ministério do Trabalho, acaba a questão política. Sentimos
isso na pele agora", afirmou. Segundo o sindicalista, um acordo que previa
a passagem da presidência do conselho para a UGT no mês passado
não foi respeitado. "Não vejo muita transparência
nessa rotatividade."
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FOLHA DE SÃO PAULO,
10 de setembro de 2008 | Dinheiro
Saiba mais
Recursos do FAT têm
sido alvo de disputa
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Os recursos do FAT (Fundo de
Amparo do Trabalhador) têm sido cada vez mais alvo de conflitos
políticos, disputas de poder e denúncias de desvio. Cobiçado
dentro e fora do governo, o dinheiro do FAT é aplicado em programas
de desenvolvimento, ações de intermediação
e qualificação de mão-de-obra e pagamento de benefícios
ao trabalhador.
O TCU (Tribunal de Contas da União) já constatou irregularidades
nos convênios assinados entre o Ministério do Trabalho e entidades
civis para a qualificação de trabalhadores. Em 2003, apontou
indícios de fraudes em convênios com Força Sindical, CUT,
Fiesp e Associação Nacional de Sindicatos Social-Democratas e
do Instituto Cultural do Trabalho.
Isso levou ao fim do repasse de recursos do FAT diretamente às centrais
sindicais. Na liberação a Estados, prefeituras e organizações
não-governamentais também são freqüentes as acusações
de favorecimento político.
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FOLHA DE LONDRINA, 10 de
setembro de 2008 | Geral
Horário de verão será sempre
no 3º domingo de outubro
São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fixou o início
do horário de verão à zero hora do terceiro domingo de
outubro para todos os anos. De acordo com decreto publicado no ''Diário
Oficial da União'', o encerramento será feito sempre à zero
hora do terceiro domingo de fevereiro.
O Ministério de Minas
e Energia informou que esta é a primeira vez que o governo institui
datas fixas para o início e o término do horário
de verão. Até agora, todos os anos era publicado um decreto
definindo a mudança para aquele período.
O decreto publicado ontem faz
uma ressalva: caso o terceiro domingo de fevereiro seja o de Carnaval,
o encerramento do horário de verão fica para o próximo
domingo. A mudança de horário será feita sempre
nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São
Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás,
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal.
Neste ano, o horário de
verão começará no dia 19 de outubro nas regiões
Sul e terminará no dia 15 de fevereiro. À zero hora do
dia 19 de outubro, os relógios terão que ser adiantados
em uma hora. A expectativa é de uma redução de 4%
a 5% no horário de pico, o que equivale a uma economia de 2.000
MW.
Agência Brasil
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GAZETA
DO POVO, 10 de setembro de 2008
Formação
Lei vai limitar jornada e garantir férias
a estagiários
Projeto, que regulamenta estágio até para
estudantes do ensino fundamental, aguarda a sanção do presidente
Lula
A nova lei que regulamenta
o estágio no Brasil, à espera da sanção do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estabelece uma série
de garantias aos estagiários – como jornada máxima
de seis horas diárias e trinta semanais, férias remuneradas
de trinta dias ao ano, seguro contra acidentes pessoais e a possibilidade
de contribuição com a Previdência Social. Além
disso, ao contrário da regulamentação atual, de
1977, a nova lei dispõe sobre a contratação de estudantes
do ensino superior, médio, médio técnico e dos anos
finais do fundamental, e garante vagas para portadores de deficiências.
E, mais importante, impõe barreiras contra a utilização
de estagiários como mão-de-obra barata.
O Projeto de Lei 2.419/ 2007 foi
aprovado no dia 13 de agosto, e deve ser sancionado ainda neste mês
pelo presidente Lula. Embora estabeleça cotas máximas para
contratação de estagiários pelas empresas, o texto
permitirá que profissionais liberais também empreguem estudantes,
o que fará com que o número de vagas aumente.
Para Rozania de Lima Costa, advogada
e consultora trabalhista e previdenciária do Centro de Orientação
Fiscal (Cenofisco), a lei vai garantir que o objetivo principal dos programas
de estágio seja cumprido. “Não podemos esquecer que
o estagiário é um estudante que está se preparando
para o mercado de trabalho e não pode ser utilizado como mão-de-obra
barata”, afirma.
De acordo com ela, isso ocorre
porque as empresas não são obrigadas a recolher encargos
trabalhistas. A nova lei, assim que sancionada, também vai facilitar
a fiscalização, pois os contratantes terão de elaborar
e encaminhar um relatório anual sobre os programas às Delegacias
Regionais do Trabalho. Hoje, a fiscalização é feita
apenas por meio de visitas aos locais que contratam estagiários.
Ainda assim, no Paraná,
a exploração do trabalho dos estagiários não
seria mais problema, de acordo com a coordenadora de estágio do
Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Lucimara do Nascimento. “As práticas
que agora serão garantidas em lei já eram praticadas pela
maioria das empresas paranaenses.” Para ela, a mudança é que
agora a lei garante que o estágio seja realmente educativo no ambiente
de trabalho. “Garante agora a formação cidadã do
aluno, além da formação escolar.”
Como a lei vai regulamentar a contratação
de estudantes de ensino fundamental e médio, fora de cursos profissionalizantes,
foi necessário estabelecer cotas máximas de contratação,
para evitar abusos por parte dos contratantes.
Profissionais liberais
Com a entrada em vigor da nova
legislação, profissionais liberais com registros em conselhos
de classe também vão poder empregar estudantes em regime
de estágio, mesmo sem uma empresa formalmente constituída.
Depois de ter estagiado durante os últimos anos de sua graduação,
a advogada Mariana Strona Wiebe decidiu que era hora de retribuir. Por
trabalhar sozinha, ela percebeu a importância da ajuda de estagiários. “É uma
parceria”, afirma ela, ressaltando a importância do estágio
na formação dos estudantes. “Sempre procurei fazer
orientação aos estagiários. Coloco novos desafios
e converso com eles para esclarecer dúvidas.”
Quem trabalha com Mariana
no momento é a estudante Ana Carolina de Toni, do quarto período
de Direito. Ela considera uma vantagem o fato de ser a única contratada,
pois acaba tendo toda a atenção no momento em que as orientações
são passadas. Ela considera muito importante o benefício
das férias. “É muito complicado trabalhar o dia inteiro
e estudar à noite e depois ter só uma semana de descanso
no final”, afirma.
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FOLHA
DE SÃO PAULO, 10 de setembro de 2008 | Dinheiro
Lula restringe alcance da nova licença-maternidade
Com veto, só funcionárias de empresas
de grande porte podem ter benefício ampliado | Empresas tributadas
pelo lucro presumido e optantes do Simples não poderão conceder
mais dois meses de licença a trabalhadoras
JULIANNA SOFIA
LETÍCIA SANDER
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou
dispositivos da proposta aprovada pelo Congresso que amplia a licença-maternidade
de quatro para seis meses, o que restringirá, no caso do setor privado,
o alcance das mudanças a funcionárias de empresas de grande
porte.
Mais de 90% das empresas brasileiras deverão ficar de fora da nova lei,
reduzindo o impacto fiscal da medida para o governo. Mas essas empresas, exatamente
por serem maiores, empregam a maioria dos trabalhadores do setor privado.
No veto, o Palácio do Planalto eliminou o trecho do projeto que permitiria
a empresas que pagam imposto no regime de lucro presumido ou que são
optantes do Simples (programa simplificado de recolhimento de impostos) aderir
ao programa "Empresa Cidadã".
Com o veto, a adesão ficou limitada a estabelecimentos tributados no
lucro real, ou seja, as grandes empresas.
No mês passado, o Congresso concluiu a votação do projeto
que amplia de quatro para seis meses a licença-maternidade. O benefício
adicional, que é opcional, só vale para funcionárias de
empresas que optarem pelo programa "Empresa Cidadã". Isso
porque os dois meses extras de salário-maternidade serão pagos
pelos empregadores e deduzidos do Imposto de Renda a ser pago pela empresa.
No caso das funcionárias públicas, a ampliação
da licença-maternidade poderá ser feita a partir da publicação
da lei no "Diário Oficial" da União, o que deve acontecer
hoje.
Atualmente, 93 municípios e 11 Estados têm licença-maternidade
de seis meses, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria.
Lula vetou ainda o artigo que garantia isenção da contribuição
previdenciária sobre os dois meses extras da licença-maternidade.
Essa renúncia teria impacto sobre as contas da Previdência, que
neste ano deverá registrar déficit próximo de R$ 40 bilhões.
Só em 2010
Ontem, o Palácio do Planalto reforçou que a licença-maternidade
ampliada só entrará em vigor em 2010. O projeto já previa
essa possibilidade, pois não haveria tempo de incluir a renúncia
fiscal já no Orçamento do ano que vem, em tramitação
no Congresso Nacional.
O presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Dioclécio Campos
Júnior, disse que o engajamento da sociedade brasileira em torno da
licença ampliada permitirá reverter os vetos do presidente.
"Não podemos ter uma situação em que algumas mulheres
terão o direito e outras, não. Algumas crianças serão
beneficiadas e outras, não", afirmou Campos Júnior.
Segundo ele, a senadora Patrícia Sabóia (PDT-CE), que apresentou
o projeto ampliando o prazo da licença-maternidade, já tem pronta
uma emenda ao projeto de Orçamento de 2009, em tramitação
no Congresso, para garantir a aplicação da lei já no próximo
ano. Se tiverem sucesso e não houver veto presidencial, a ampliação
nas empresas privadas poderia vigorar no próximo ano.
A nova lei estabelece que têm direito ao benefício de seis meses
as funcionárias de empresas. Trabalhadoras autônomas e empregadas
domésticas não terão direito aos dois meses adicionais.
Hoje, a licença de quatro meses é custeada pela Previdência
Social, que gasta anualmente R$ 2,1 bilhões com o pagamento do benefício.
O salário-maternidade é pago diretamente pela empresa à trabalhadora,
mas depois é deduzido das contribuições previdenciárias
devidas pelo estabelecimento ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
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AGÊNCIA DIAP, 10 de
setembro de 2008
MOVIMENTO SINDICAL
Marcha nacional unificada contra
o PLP 92/07 e em defesa da paridade entre ativos aposentados e
pensionistas
O Projeto de Lei Complementar
(PLP) 92/07, do Executivo, que autoriza criação das
fundações estatais na Administração
Pública, foi aprovado pela Comissão de Constituição
e Justiça da Câmara no terceiro esforço concentrado
dos deputados antes das eleições.
Veja abaixo o programa da marcha:
Dia 10/09 - Marcha Nacional Unificada
08h30 – Concentração
das caravanas no Circo na Esplanada dos Ministérios
09h – Entrega do abaixo-assinado
no MEC
10h – Saída da Marcha
Nacional Unificada Contra o PLP 92 em Defesa da Paridade entre Ativos,
Aposentados e Pensionistas.
11h – Concentração
e falas das entidades em frente o Congresso Nacional contra o PLP 92/07.
Entrega dos abaixo assinados ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia
(PT/SP) pela comissão das entidades.
12h às 13h30 – Continuidade
da Marcha até o Palácio do Planalto com as falas das entidades
em defesa da Paridade entre Ativos, Aposentados e Pensionistas.
Entrega dos abaixo assinados
pela Comissão da Marcha ao Ministro Chefe da Casa Civil - Luiz
Dulci.
13h30 – Encerramento
das atividades
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AGÊNCIA DIAP, 10 de
setembro de 2008
FUNDO DE GARANTIA
Trabalho veta uso do FGTS para pagar
previdência privada
A Comissão de Trabalho
rejeitou, na última quarta-feira (3), o Projeto de Lei 2.695/07,
do deputado Barbosa Neto (PDT/PR), que permite o uso de recursos
do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para o pagamento
de planos de previdência privada.
O relator, deputado Paulo Rocha,
argumentou que a intenção da proposta é boa - aumentar
o rendimento do FGTS, hoje aquém de todos os investimentos. Mas,
segundo ele, o fundo tem outras funções, e tornou-se a única
fonte de financiamento dos estados e municípios para investimentos
em infra-estrutura, saneamento básico e moradia popular.
Ele lembrou ainda que os trabalhadores
com saldos mais elevados (apenas 14% das contas do FGTS têm valores
acima de 10 salários mínimos) já podem optar por
uma aplicação com melhores rendimentos, feita por meio
da conta Fundo de Investimento do FGTS, criada pela Lei 11.491/07. Esse
fundo especial tem limite de 10% do saldo do FGTS. "Os trabalhadores
com altos salários já possuem condições financeiras
para adquirir previdência privada, e podem optar pelo FI-FGTS sem,
contudo, inviabilizar o FGTS", disse.
Já o autor do projeto
afirma que a previdência pública deixou de ser atraente
para os trabalhadores com melhores salários. Barbosa Neto defende,
por isso, a adoção de incentivos para o uso de previdência
privada, que serve para complementar os rendimentos daqueles que recebem
a aposentadoria normal. Segundo o projeto, caberá ao Conselho
Curador do FGTS regulamentar as condições para uso do fundo
no pagamento de previdência privada.
Audiência
Paulo Rocha também foi
relator, na Comissão de Trabalho, do PL 913/91 - que, juntamente,
com outros 102 projetos anexados, trata de mudanças nas regras
do FGTS.
O projeto aguarda análise
na Comissão de Constituição e Justiça e de
Cidadania (CCJ), onde Rocha deverá propor uma audiência
para debater o tema.
Tramitação
O PL 2.695/07, que tramita
em caráter conclusivo, ainda será analisado pelas comissões
de Finanças e Tributação; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
09/09/2008
Direitos Humanos: reflexões marcam
primeiro dia do seminário no TST
O Tribunal Superior do Trabalho
abriu hoje (09) à tarde o Seminário sobre os 60 Anos da
Declaração Universal dos Direitos Humanos. Até sexta-feira,
especialistas se revezarão na apresentação de palestras
e painéis que tratam da necessidade de se buscar a efetiva aplicação
dos princípios ali previstos no dia-a-dia das instituições
e da sociedade em todos os níveis.
Na solenidade de abertura, o
presidente do TST, ministro Rider Nogueira de Brito, lembrou que a Declaração, “hoje
sexagenária”, ainda carece de efetividade em boa parte do
mundo, pontualmente ou em sua totalidade. “A democracia, sabemos
todos, é o caldo de cultura necessário para que floresça
a dignidade humana”, afirmou o ministro. “Mas o que aflora,
com preocupante regularidade, são as situações de
desrespeito: diariamente, a humanidade é testemunha de que, em
algum canto do mundo – muitas vezes mais perto do que podemos supor
-, pessoas são tratadas com menos respeito do que animais”.
Liberdade e igualdade, o grande desafio
Na primeira palestra da programação,
a procuradora do Estado de São Paulo Flávia Piovesan abordou
as contradições e os desafios que o mundo de hoje enfrenta
em relação aos direitos humanos – e lembrou que o
Brasil é um exemplo típico das tensões que cercam
a efetividade desses direitos, pois o país convive com uma agenda
pré-republicana (trabalho escravo, analfabetismo, pessoas sem
registro civil e, portanto, sem acesso aos direitos da cidadania) e com
a agenda da pós-modernidade (as discussões sobre a biotecnologia,
por exemplo). Flávia ressaltou que, na Declaração
Universal dos Direitos Humanos, os direitos civis e políticos
têm paridade com os direitos econômicos e sociais. “Tão
importante quanto a liberdade de expressão é o acesso à saúde, à educação
e ao trabalho. Tão grave quanto morrer sob tortura é morrer
de fome”, exemplificou. “Não só estão
em pé de igualdade como são interdependentes: não
há verdadeira liberdade sem igualdade, ao passo que não
há verdadeira igualdade sem liberdade.”
A paridade e a interdependência
entre igualdade e liberdade são o eixo sobre o qual se apresentam
os sete maiores desafios das perspectivas atuais dos direitos humanos,
na visão da procuradora: a tensão entre o universalismo
e o relativismo cultural, ou multiculturalismo; entre a laicidade do
estado e os fundamentalismos religiosos; entre o direito ao desenvolvimento
e as assimetrias globais; entre o respeito à diversidade e a intolerância;
entre o combate ao terrorismo e a preservação das liberdades
públicas; e entre o unilateralismo e o multilateralismo. “Acredito
na implementação dos direitos humanos como a nossa racionalidade
e resistência, como a única plataforma emancipatória
do nosso tempo”, defendeu Flávia Piovesan. “As violações,
exclusões, injustiças, discriminações, intolerâncias
são um construído histórico a ser urgentemente desconstruído:
que possamos assumir o risco de romper com essa cultura de naturalização,
banalização e trivialização das desigualdades
e exclusões, que não compõem de forma inexorável
o destino da nossa humanidade”, concluiu.
Dignidade da pessoa humana: princípio
e eficácia
A palestra seguinte coube à ministra
Cristina Peduzzi, do TST, que abordou o tema “Princípio
da Dignidade da Pessoa Humana e sua Eficácia Concreta”.
A ministra citou exemplos em que esse princípio deixou de ser
abstrato e assumiu um caráter concreto, normativo, e explicou
a distinção entre “argumentos de princípio” e “argumentos
de valor”, ressaltando que só os primeiros – orientados
pelo sistema dos direitos, e não por aspectos particulares, subjetivos,
como os valores – são capazes de manter a ligação
entre o caso particular e a ordem jurídica como um todo.
Cristina Peduzzi citou diversos
casos concretos nos quais o Judiciário baseou suas decisões
no princípio da dignidade da pessoa humana. O TST, por exemplo,
reconheceu várias vezes o direito à reintegração
de trabalhadores portadores do vírus HIV, embora a legislação
ordinária não contemple essa possibilidade. Nos casos que
vem julgando, o TST tem entendido que a empresa que demite o empregado
ciente da sua condição comete discriminação,
sobretudo por saber que, desempregado, o trabalhador terá dificuldades
em custear os tratamentos de saúde necessários. Outro exemplo é o
reconhecimento do direito ao recebimento de FGTS por parte de trabalhadores
contratados por órgãos públicos sem concurso público.
Embora o contrato seja considerado nulo, garante-se o pagamento do salário
e do FGTS.
“A preocupação é com
a possibilidade de o uso indiscriminado de princípios fundamentais
de forma valorativa – para reforçar convicções
de ordem religiosa ou política - possa retirar sua importância”,
assinalou. A ministra lembrou, ainda, que há casos em que posições
contrárias buscam sustentação no mesmo princípio.
Foi o caso da discussão em torno da utilização de
células-tronco embrionárias pelo STF. A constitucionalidade
do artigo da Lei de Biossegurança que trata do tema foi questionada
pelo então procurador-geral da República com base no princípio
da dignidade da pessoa humana – no caso, o embrião. Por
maioria, o STF rejeitou a ADIN e, entre os fundamentos dos votos apresentados,
estava o de que as pesquisas serviam para dignificar a pessoa humana – os
portadores de lesões e doenças que poderão se beneficiar
das pesquisas. Situação semelhante tem se verificado na
atual discussão sobre a antecipação de parto por
anencefalia do feto.
(Carmem
Feijó)
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