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FOLHA DE LONDRINA, 11 de
setembro de 2008 | Economia
Massa salarial permite mais gastos
das famílias
IBGE aponta que continuidade na alta do
consumo responde a uma aceleração no aumento do salário
real
Rio de Janeiro - - O consumo das famílias registrou, no segundo trimestre
deste ano, aumento de 6,7%, o 19º aumento trimestral consecutivo, segundo
destacou a gerente de contas trimestrais do IBGE, Rebeca Palis. No primeiro
trimestre de 2008, o consumo das famílias havia crescido 6,6% ante igual
trimestre do ano passado, ou seja, o patamar de expansão manteve-se
estável de um trimestre para o outro. O consumo das famílias
passou de R$ 412 bilhões no primeiro trimestre deste ano para cerca
de R$ 430 bilhões no segundo trimestre. No primeiro semestre, a alta
foi de 6,7% e, em 12 meses, de 4,1%.
Segundo Rebeca, a continuidade
no aumento do consumo responde a uma aceleração no aumento
da massa salarial real (8,1% no segundo trimestre ante igual período
do ano passado, sendo que no primeiro trimestre o aumento da massa havia
sido de 6,5%) e a um crescimento nominal de 32,9% do saldo de operações
de crédito do sistema financeiro com recursos livres para pessoas
físicas no segundo trimestre, ante igual período de 2007.
Rebeca lembra que o aumento do
saldo de operações de crédito ''desacelerou um pouco''
em relação ao primeiro trimestre, quando havia crescido
33,7% em termos nominais, mas prossegue ''muito expressivo''.
O ministro da Fazenda, Guido
Mantega, avaliou ser ''muito bom'' a acomodação do consumo
das famílias. ''A desaceleração está dentro
do previsto'', afirmou. Apesar da menor demanda interna, Mantega disse
que o final do ano será bom para os brasileiros. ''Teremos um
excelente Natal para as famílias'', previu.
Juros
Rebeca avaliou falta de efeito
da elevação dos juros sobre o consumo das famílias
no segundo trimestre, e observou que ''os juros começaram a subir
em abril e demora um tempo para que isso tenha efeito sobre a economia.
Além disso, houve outros fatores que influenciaram o consumo,
como a aceleração no aumento da massa salarial''.
Rebeca também foi questionada
sobre possíveis efeitos das turbulências internacionais
sobre o desempenho da economia brasileira no primeiro semestre. Ela respondeu
que ''a gente não sabe quanto (a economia) poderia estar crescendo
sem as turbulências, mas de qualquer forma tivemos um crescimento
bom e sustentado pelos investimentos, que tiveram aumento recorde no
segundo trimestre''.
Segundo ela, o aumento dos investimentos
''é muito importante, porque aumenta a capacidade produtiva do
País''.
Governo
O consumo do governo também
continuou subindo, com aumento de 5,3% no período de abril a junho
em relação aos mesmos meses de 2007 e de 0,3% na comparação
com janeiro a março. No acumulado do primeiro semestre, a elevação
foi de 5,6% e em 12 meses de 4,1%. Em anos eleitorais, como o atual,
há tendência de aumento de gastos públicos.
Por outro lado, também é comum
a antecipação de gastos governamentais para o primeiro
semestre, devido à legislação eleitoral, que impede
certos tipos de gastos três meses antes das eleições,
que serão realizadas em outubro. No primeiro trimestre, o consumo
do governo aumentou 5,8% ante o primeiro trimestre do ano passado e 4,5%
na margem.
Agência Estado
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FOLHA DE SÃO PAULO,
11 de setembro de 2008 | Dinheiro
Empresas privadas puxam alta de 10%
do PIB da construção civil no 2º tri
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Impulsionada pelos investimentos
feitos no país pelo setor privado, a indústria da construção
civil cresceu 9,9% na comparação do segundo trimestre com
igual período de 2007. Após o IBGE divulgar ontem o resultado
do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), o setor pode rever para
cima sua projeção de expansão neste ano -estimada
em 10,2%.
O desempenho do segundo trimestre deste ano é resultado principalmente
das decisões de investimentos realizadas entre 6 e 18 meses atrás,
avalia o SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção
Civil do Estado de São Paulo).
" A expansão do crédito para a habitação e os
investimentos executados pela indústria, principalmente no segmento petrolífero,
e pelo comércio explicam o resultado tão positivo do crescimento
da construção civil no segundo trimestre deste ano e no primeiro
semestre de 2008", afirma Eduardo Zaidan, diretor de economia do SindusCon-SP.
Na comparação dos primeiros seis meses deste ano com igual período
de 2007, a expansão do setor foi de 9,4%. "O PAC contribui em parte
para esse resultado, mas não foi o responsável em sustentar esse
crescimento", diz. No ano passado, a construção civil cresceu
5%, segundo o IBGE. "Mas, como houve mudança na metodologia, nossa
avaliação é que o setor cresceu 7,9%."
As contratações também devem continuar em alta neste ano,
seguindo o ritmo da construção civil. De janeiro a julho deste
ano, foram contratados no país 271.441 trabalhadores com carteira assinada
- alta de 103% no número de novas vagas em relação ao
mesmo período de 2007, quando 133.757 pessoas foram admitidas.
Para 2009, o setor já espera uma expansão menor. "As decisões
de investimento devem levar em conta o impacto da inflação, com
a pressão de custos na produção, na matéria-prima,
além de haver mais dificuldades para o crédito, uma vez que os
juros aumentaram. Esses fatores devem afetar o fôlego do setor",
afirma Zaidan.
Para João Crestana, presidente do Secovi-SP (sindicato da habitação),
o mercado imobiliário deve crescer entre 20% e 25% neste ano. "As
condições de financiamento, com prazos mais longos e juros mais
acessíveis, favoreceram principalmente os imóveis para a classe
média, com valores de R$ 50 mil a R$ 200 mil. Esse é o grande
mercado que tem sustentado o crescimento do setor", diz.
Crestana ressalta que os investimentos públicos ainda estão longe
das cifras necessárias para diminuir o déficit habitacional do
país -8 milhões de moradias. "Os recursos da poupança
para a habitação devem chegar a R$ 26 bilhões. Os do FGTS,
a R$ 10 bilhões. Mas os investimentos públicos, necessários
para atender as classes menos favorecidas e mais necessitadas, devem chegar
no máximo a R$ 3 bilhões."
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FOLHA DE SÃO PAULO,
11 de setembro de 2008 | Dinheiro
Para indústria, demanda interna
justifica mais recursos
AGNALDO BRITO
DA REPORTAGEM LOCAL
O setor industrial promete manter
o investimento nos próximos meses. A indústria avalia que
a forte demanda interna justifica a alocação de recursos
para a construção civil e a compra de máquinas e
equipamentos para melhorar a performance industrial.
A participação do investimento no PIB no 2º trimestre foi
de 18,7%, a maior fatia em igual trimestre desde 1995. Na ocasião, a
participação da Formação Bruta de Capital Fixo
no Produto Interno Bruto foi de 19,8%. Para os integrantes do Conselho Superior
da Fiesp, reunidos ontem em São Paulo, o desempenho do PIB e do investimento
deve ser mantido.
" Muito bom", reagiu Roger Agnelli, presidente da Vale, ao saber do
resultado do segundo trimestre. A Vale administra um plano de investimento de
US$ 11 bilhões só para 2008. "Crescimento impressionante",
comentou Marcelo Odebrecht, presidente do Grupo Odebrecht. De acordo com ele,
o investimento industrial "está forte e vai continuar".
Jorge Gerdau, presidente do Conselho de Administração da Gerdau,
não acredita que a instabilidade do mercado de capitais possa influenciar
a disposição de investimento na economia real. "Há uma
efeito psicológico apenas. Os investimentos continuam", disse.
O avanço dos investimentos industriais é apontado como fundamental
para o afrouxamento da política monetária do Banco Central. "Há três
efeitos importantes no surpreendente ritmo de investimento. Há aumento
do parque industrial, há melhoria da produtividade e há, sobretudo,
uma expansão do PIB potencial", diz Carlos Frederico Rocha, pesquisador
do Grupo de Indústria e Competitividade da UFRJ.
Segundo ele, o BC tem apontado que o PIB potencial brasileira é de 3,5%. "Qualquer
crescimento acima disso gera inflação. O que temos visto é que
o país tem crescido mais e a inflação está controlada.
Isso significa que o PIB potencial cresceu", disse. Com isso, o Copom
já tem condições de reduzir a carga de juros como mecanismo
de controle da inflação.
" Os resultados significam que há garantia por parte da oferta [de
bens] de que a demanda será atendida", afirma Rogério Cesar
Souza, economista do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial).
A manutenção do investimento está garantida, de acordo com
ele, em razão do ritmo da demanda das famílias, que cresceu 6,7%
no 2º trimestre deste ano em relação ao mesmo período
de 2007. "O consumo das famílias continua a ser o alimento para a
decisão de investimentos", explica.
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FOLHA
DE SÃO PAULO, 11 de setembro de 2008 | Dinheiro
Brascan compra Company por R$ 200 mi
Aquisição marca movimento acelerado
de consolidação do setor imobiliário e cria uma
das maiores empresas da área | Company tinha dificuldades de crédito
e viu ações caírem mais de 40% no ano; papéis
valerão menos, mas, para analista, acionista ganha
CRISTIANE BARBIERI
DA REPORTAGEM LOCAL
O grupo Brascan anunciou ontem
a compra da construtora Company e a conseqüente formação
de uma das três maiores empresas imobiliárias no país.
O setor está passando por um processo de consolidação,
acelerado nas últimas semanas em razão da queda no valor das
ações das companhias da área.
" Há mais de 20 empresas do segmento imobiliário listadas
na Bovespa [Bolsa de Valores de São Paulo], enquanto que, nos países
desenvolvidos, o número não passa de 6 a 8", afirma Fabiana
Fakhoury, diretora da consultoria Alvarez & Marsal. "O processo de consolidação
será forte e rápido."
A compra da Company envolveu um complexo esquema de troca de ações
entre as empresas, com a criação, inclusive, de uma subsidiária
da Brascan que será reincorporada imediatamente ao grupo. Pelo acordo,
a Brascan pagará R$ 200 milhões aos acionistas da Company, sendo
que cada ação Company valerá R$ 2,775 mais 1,0690 ação
da Brascan.
Pelas contas da Alvarez & Marsal, o acionista da Company, cuja ação
valia R$ 10,07 na quarta-feira, receberia R$ 9,1915 por ação.
Com a queda de 11,61% no valor dos papéis da empresa ontem, as perdas
seriam ainda maiores.
Mesmo assim, diz Fakhoury, o acionista deve ser beneficiado com a aquisição.
Isso porque as ações da Company caíram mais de 40% desde
janeiro, e a construtora enfrentava problemas.
Sem crédito
"A Company estava com dificuldades há algum tempo para obter crédito",
diz Fakhoury. "A velocidade de vendas não foi tão alta quanto
tinham projetado e prometido ao mercado, que puniu a empresa [com a queda no
valor dos papéis]."
A situação é comum a diversas construtoras que abriram
capital, usaram o dinheiro para comprar terrenos e contavam com o mercado acionário
para fazer novas emissões de papéis e financiar também
a construção. Com a crise nas Bolsas, as empresas ficaram sem
dinheiro para tocar as obras.
A criação de uma das maiores companhias do setor deverá reverter
o quadro de dificuldades, na expectativa dos controladores. "O mercado
vai perceber que a empresa combinada vale muito mais por ser maior, melhor,
estar num dos maiores mercados brasileiros [São Paulo] e ter capacidade
de crescimento", afirma Nicholas Reade, presidente da Brascan.
Apesar de a Brascan ser maior em lançamentos, vendas, receita e, principalmente,
lucro operacional e líquido do que a Company, os papéis do grupo
valiam quase metade dos da construtora. "A ação da Brascan
vai ser mais atrativa, o que se refletirá em seu valor econômico",
diz Reade. "Teremos outro tipo de liquidez, e o desconto de 30% a 40%
que o mercado dá aos papéis hoje não será aplicado."
Além disso, de acordo com Reade, a empresa ganhará sinergia na
negociação com fornecedores, e o banco de terrenos das duas empresas
combinado, de R$ 17 bilhões, permitirá melhor gestão de
risco e de alavancagem da capacidade de construção.
Combinados os números, a nova empresa teria feito lançamentos
no valor de R$ 1,9 bilhão e teria vendas contratadas de R$ 1,3 bilhão
em 2007. A margem de lucro operacional medido pelo Ebtida (lucro antes de impostos
juros e depreciação) seria de 30% e, a de lucro líquido,
de 25%. A empresa discute se a marca Company será mantida. Após
a conclusão da transação, as ações da Company
deixarão de ser listadas.
Após a aquisição, que deve ser concluída no fim
de outubro, a empresa terá caixa de quase R$ 500 milhões e recebíveis
de R$ 600 milhões, até o fim de 2009. Segundo os executivos,
ela tem financiamentos contratados para todas as obras lançadas e acordos
similares previstos para os lançamentos.
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AGÊNCIA DIAP, 11 de setembro de 2008
OPINIÃO
Artigo analisa veto à Lei 11.770,
que amplia o benefício para seis meses
Agora é oficial. Com a
sanção da Lei 11.770, a licença-maternidade pode
ser prorrogada para seis meses mediante concessão de incentivo
fiscal às empresas que aderirem ao Programa Empresa Cidadã.
O avanço da lei, entretanto, foi parcial. Veto do presidente da
República restringe a abrangência do programa porque exclui
as micro e pequenas empresas. Leia artigo da
socióloga e colaboradora do DIAP, Maria Lúcia de Santana
Braga, sobre o significado desta importante conquista para a agenda dos
direitos humanos, apesar do veto presidencial.
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GAZETA DO POVO, 11 de setembro
de 2008 | Economia
Benefício
Trabalhador nascido em outubro já pode
sacar abono do PIS
Começa nesta quarta-feira
(10) o pagamento do abono salarial do PIS-Pasep para os trabalhadores
nascidos em outubro. De acordo com a Caixa Econômica Federal, o
benefício deve ser pago a 537 mil trabalhadores pertencentes a
este grupo.
Os saques de R$ 415 do abono
salarial podem ser feitos em qualquer agência da Caixa ou nas casas
lotéricas, desde que o trabalhador tenha o Cartão Cidadão
com senha cadastrada. O calendário de pagamento prossegue até 18
de novembro, conforme o mês de nascimento do trabalhador.
Quem tem direito
Para receber o abono salarial,
que é o pagamento de um salário-mínimo anual a partir
da data do primeiro pagamento, o trabalhador ou servidor deve estar cadastrado
no PIS-Pasep há pelo menos cinco anos (desde 2003), ter trabalhado
com carteira assinada durante pelo menos 30 dias (consecutivos ou não)
no ano-base (2007) e ter recebido em média até dois salários-mínimos
mensais no período.
O dinheiro não sacado
pelos trabalhadores retorna ao FAT. Os beneficiários são
identificados pela Relação Anual de Informações
Sociais (Rais), declarada todos os anos pelas empresas ao Ministério
do Trabalho; por isso, é fundamental que o trabalhador tenha tido
seus dados corretamente informados por sua empresa na Rais para receber
o abono.
Mais beneficiários
De acordo com o ministro do Trabalho,
Carlos Lupi, o número de trabalhadores beneficiados é quase
10% maior do que no ano-base anterior. Os recursos para pagamento do
abono são do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que deve injetar
R$ 6,4 bilhões na economia brasileira.
Para os trabalhadores com
carteira assinada (PIS), os pagamentos acontecem na Caixa Econômica
Federal. Os servidores públicos (Pasep) recebem pelo Banco do
Brasil.

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FOLHA DE SÃO PAULO,
11 de setembro de 2008 | Brasil
DIREITOS HUMANOS
Ministro quer militância para
acabar com trabalho escravo
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O ministro Paulo Vannuchi (Direitos
Humanos) se prepara para fazer corpo-a-corpo no Congresso em defesa da
aprovação de proposta que destina à reforma agrária
terras onde é flagrado trabalho escravo. Parado há quatro
anos na Câmara, o projeto, aprovado pelo Senado em 2001, depende
apenas da votação em segundo turno dos deputados.
" O corpo-a-corpo tem que ser feito não só por mim. É preciso
fazer visita a todos os deputados para criar um ambiente de convencimento",
defendeu ontem Vannuchi, durante o lançamento do 2º Plano Nacional
para Erradicação do Trabalho Escravo.
O ministro quer também "o comprometimento pessoal do presidente
da República", Luiz Inácio Lula da Silva, para aprovar a
PEC e "garantir o acesso" das pessoas resgatadas do trabalho escravo
ao Bolsa Família.
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O ESTADO DO PARANÁ,
11 de setembro de 2008 | Economia
Campanha salarial fecha agência
bancária
Helio Miguel
A agência do Banco do Brasil na Rua Sete de Setembro, no bairro Seminário,
em Curitiba, ficou fechada durante todo o dia de ontem. O motivo foi uma manifestação
dos funcionários daquela unidade, que pediam uma melhora nas condições
de trabalho.
De acordo com uma nota divulgada
pelo Sindicato dos Bancários de Curitiba, que apoiou a paralisação,
o espaço físico é “inadequado” e a agência
- chamada na nota de “portal para o inferno” - é “velha
conhecida” por causa de denúncias de assédio moral.
“Já há uma
insatisfação generalizada no Banco, devido às condições
de trabalho. Mas aquela agência é pior que as demais. É uma
situação de emergência”, diz o presidente do
sindicato, Otávio Dias.
Segundo ele, até mesmo
os clientes reclamam das instalações da unidade e é necessária,
além da melhoria do espaço físico, a contratação
imediata de novos funcionários. “Há dezenas de aprovados
em concursos esperando para serem contratados”, informa.
A assessoria de imprensa do Banco
do Brasil informou que o gerente de Administração da Superintendência
Regional da instituição, José Antônio Kaspreski,
foi até a agência pela manhã, para negociar com os
trabalhadores, e que algumas reivindiações deverão
ser atendidas.
Outras, como as referentes ao
reajuste salarial - ainda segundo a assessoria do Banco -, fogem da alçada
da Regional e devem ser discutidas entre a Federação Brasileira
de Bancos (Febraban) e o sindicato nacional dos funcionários.
A agência deve abrir normalmente hoje.
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CONSULTOR JURÍDICO,
11 de setembro de 2008
Regra trabalhista
Chega ao STF ação contra
norma sobre registro sindical
Chegou ao Supremo Tribunal Federal mais uma Ação Direta de Inconstitucionalidade
contra a Portaria 186/08, do Ministério do Trabalho, que normatiza o
registro sindical e as alterações estatutárias dos sindicatos.
Dessa vez, a norma é contestada pela Confederação Nacional
dos Transportes e pela Confederação Nacional do Sistema Financeiro.
De acordo com a ação,
compete ao Ministério do Trabalho tratar do registro sindical,
mas segundo as confederações, a portaria questionada inovou
o ordenamento jurídico trabalhista e, desrespeitando o entendimento
do próprio Supremo, autorizou a pluricidade sindical.
Dessa forma, por violação
ao artigo 8º, I, e II, da Constituição Federal, entre
outros dispositivos da Carta Magna, as confederações pedem
a declaração da inconstitucionalidade da norma.
Já tramitam no Supremo
outras três ADIs contra a Portaria 186 do Ministério do
Trabalho: as ADIs 4.120, 4.126 e 4.128, todas sob relatoria do ministro
Menezes Direito.
ADI 4.139
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CONSULTOR JURÍDICO,
11 de setembro de 2008
Sistema híbrido
Ministro sugere edição
de súmula sobre aposentadoria
O Plenário do Supremo Tribunal Federal negou, por maioria, pedido de
Reni Nunes Machado para que o INSS calculasse sua aposentadoria com base em
um sistema híbrido, usando os 36 últimos salários de contribuição – conforme
previa o artigo 202 da Constituição Federal antes da Emenda Constitucional
20/98, mas acrescendo ao benefício o tempo de serviço prestado
após a edição da emenda.
O ministro Ricardo Lewandowski
afirmou que é pacífico no STF o entendimento de que não é possível,
aos segurados do INSS, beneficiar-se desse sistema misto, utilizando-se
do mais favorável de cada regime. Lewandowski sugeriu que, diante
de tantos precedentes, o Plenário poderia aprovar uma Súmula
Vinculante sobre o tema. Ele distribuiu entre os ministros presentes à sessão
uma proposta de texto para essa súmula, que deve ser analisada
em outro momento pelo Plenário.
Segundo Lewandowski, o segurado
queria se beneficiar de um sistema híbrido, tentando tirar proveito
do melhor de cada um dos regimes jurídicos. Citando jurisprudência
da Corte, o ministro afirmou, ainda, que não se pode falar em
direito adquirido quando se faz referência a regime jurídico.
RE 575.089
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
11/09/2008
TST e STF buscam meios de reduzir e agilizar
recursos extraordinários
O vice-presidente do Tribunal
Superior do Trabalho, ministro Milton de Moura França, reuniu-se
com assessores do Supremo Tribunal Federal e do TST para discutir formas
de aprimorar o exame dos recursos extraordinários e desafogar
os tribunais superiores. Entre os principais temas discutidos estavam
a aplicação da repercussão geral na admissibilidade
dos recursos e a necessidade de definição de matérias
das quais dependem milhares de processos tanto no TST, como recursos
de revista, quanto no STF, como recursos extraordinários.
O TST recebeu, em 2007, 9.311
recursos extraordinários. Até agosto de 2008, foram mais
7.948. São processos em que as partes, insatisfeitas com a decisão
do TST, tentam levá-la até o Supremo Tribunal Federal,
em busca de uma solução favorável, quando se trata
de matéria constitucional. Para que seja admitido e remetido ao
STF, porém, o recurso precisa preencher uma série de pressupostos – e
poucos são os que atendem aos requisitos de admissibilidade. Em
2007, apenas 5% dos recursos foram remetidos ao STF. Em 2008, até agosto,
menos de 4%. Existe, porém, outro aspecto: dos despachos que negam
seguimento ao recurso extraordinário, cabe agravo de instrumento
ao STF. E a média de recorribilidade fica em torno de 70%. Isso
significa que, ainda que o TST restrinja a subida de recursos para o
STF, boa parte dos processos acaba chegando lá como agravo de
instrumento. O que os dois Tribunais buscam, portanto, é o aprimoramento
de mecanismos que cortem essa situação de retroalimentação
que sobrecarrega a ambos. Isso inclui a edição de novas
súmulas vinculantes pelo STF, que, ao vincular as decisões
de primeiro grau, eliminariam as possibilidades de recurso já na
origem.
O exame da admissibilidade dos
recursos extraordinários cabe, de acordo com o Regimento Interno
do TST, ao ministro vice-presidente, Milton de Moura França. Entre
os vários pressupostos examinados está a exigência
de repercussão geral da questão constitucional levantada.
A repercussão geral foi introduzida pela Emenda Constitucional
nº 45/04 (Reforma do Judiciário), e sua finalidade foi a
de delimitar a competência do STF às matérias constitucionais
que tenham relevância social, política ou jurídica
que transcendam os interesses particulares da causa – e evitar,
assim, a necessidade de julgamento de um enorme número de processos
sobre o mesmo tema.
Entre os assuntos já definidos
pelo STF como de repercussão geral na área de Direito Processual
Civil e do Trabalho estão a substituição processual
e a competência da Justiça do Trabalho para recolher contribuições
previdenciárias e para apreciar ações de trabalhadores
temporários da administração pública. Há,
porém, muitas outras questões pendentes de definição. É o
caso, por exemplo, do adicional de insalubridade e da aplicação
da Súmula nº 228, suspensa liminarmente pelo STF, e da condenação
ao recolhimento de FGTS nos casos em que o contrato de trabalho é considerado
nulo. Ao todo, 1.172 processos foram sobrestados pelo vice-presidente
do TST até que a matéria seja analisada pelo STF.
(Carmem Feijó)
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10/09/2008
Trabalho escravo, infantil e indígena
desafiam direitos humanos
No segundo dia do Seminário
sobre os 60 Anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos,
promovido pelo Tribunal Superior do Trabalho, três painéis
mostraram a distância que separa uma declaração de
princípios de sua efetividade concreta: a existência do
trabalho escravo, forçado ou em condições degradantes,
o trabalho infantil e a situação do indígena ainda
exigem profunda reflexão e, sobretudo, ação política
concreta para que os princípios contidos na Declaração
Universal cheguem efetivamente a seus destinatários. Os temas
foram tratados pelo subprocurador-geral do Trabalho Luís Antônio
Camargo de Melo, pela procuradora regional do Trabalho Eliane Araque
dos Santos e pelo especialista da OIT Christian Ramos Veloz. A coordenação
foi do ministro Lelio Bentes Corrêa, do TST – que, quando
procurador do Trabalho, foi coordenador nacional de Combate à Exploração
do Trabalho da Criança e do Adolescente.
Trabalho escravo: avanços e
resistências
Luís Antônio Camargo
de Melo abriu sua exposição com um documentário
sobre a realidade de trabalhadores em condições análogas às
de escravo e, em seguida, buscou delinear o quadro que se costuma chamar
de “trabalho escravo” sob a ótica contemporânea.
Tecnicamente, a expressão correta é “trabalho forçado”,
definido pela Convenção nº 29 da OIT como “todo
trabalho exigido de um indivíduo sob ameaça de qualquer
penalidade”, para o qual ele não tenha se oferecido espontaneamente
ou no qual tenha sido vítima de fraude ou promessas enganosas.
De acordo com o artigo 149 do
Código Civil, reduzir alguém a condição análoga à de
escravo é submetê-lo a trabalho forçado, a jornada
exaustiva, a condição degradante ou restringir sua locomoção
em razão de dívida contraída com o empregador. “Todas
elas identificam o ilícito penal, em conjunto ou separadas”,
observa o subprocurador. No trabalho forçado, o trabalhador é levado,
mediante falsas promessas, para lugares distantes de sua residência – geralmente
municípios sem perspectivas de emprego. “Aí começa
o calvário, porque começa também a dívida,
que vai se tornar impagável”. Contraída a dívida,
o trabalhador é mantido no local por coação – moral
ou psicológica – ou por meio de violência física. “Há casos
de surra de facão e surra com corrente de motosserra”, afirma
o Luís Antônio.
No trabalho em condição
degradante, o trabalhador é abandonado à própria
sorte. “São situações de grande afronta à dignidade
da pessoa humana: no meio do mato, sem alojamento a não ser quatro
pedaços de pau cobertos com uma lona preta, sem água potável
(muitas vezes dividida com o gado), sem equipamentos de proteção.
Para o subprocurador, a jornada exaustiva também pode se enquadrar
na condição degradante. “Nem sempre ela é medida
em quantidade de horas trabalhadas, mas pela atividade que leva o trabalhador à exaustão”,
explica, citando como exemplo o grande número de mortes entre
os cortadores de cana do Estado de São Paulo, que vem sendo investigado
pelo Ministério Público do Trabalho e pelo Governo do Estado. “Hoje,
exige-se do trabalhador que corte no mínimo dez toneladas de cana
por dia, para ganhar em média R$ 700 no fim do mês”,
assinala. “Há trabalhadores que, para receber um pouco mais,
chegam a cortar 16, 18 toneladas num dia. Houve um caso em que o trabalhador
cortou 18 toneladas num dia da semana, em outro cortou 26 toneladas – e
no mês seguinte morreu, por exaustão”.
Apesar de essas situações
estarem identificadas no Código Penal e fazerem parte de diversos
instrumentos internacionais dos quais o Brasil é signatário,
o subprocurador considera que há uma resistência muito grande
no reconhecimento, sobretudo, das condições degradantes
(nos casos de trabalho forçado, a aplicação da lei é mais
comum). “Não sei por que, mas há uma falta de sensibilidade
em relação às condições degradantes,
como se isso estivesse ali por acaso”, questiona. “É como
se observássemos a situação apenas pelo o viés
da liberdade de ir e vir para fazer a analogia com a escravidão. É importante
estarmos atentos também para a liberdade de contratar, de o trabalhador
desistir do contrato de trabalho, de se desligar quando quiser de uma
situação degradante”, concluiu.
Os paradoxos do trabalho infantil
O trabalho de crianças
e adolescentes, por sua vez, é cercado de ambigüidades e
também, de acordo com a procuradora Eliane Araque, de falácias.
A primeira delas considera que é razoável que se comece
muito cedo a trabalhar, sob o argumento de que crianças e adolescentes “desocupados” ficam
sujeitos à marginalidade, a serem arregimentados pelo tráfico
ou a se voltarem para atividades ilícitas. Para essa linha de
raciocínio, o trabalho infantil seria uma solução,
e não um problema. “Mas essa solução só se
aplica a crianças e adolescentes carentes, pobres”, provocou
a procuradora. “Nossos filhos são preservados: não
cogitamos colocá-los para trabalhar aos 12 ou 14 anos porque queremos
dar-lhes educação para que adentrem na vida adulta com
boas oportunidades.”
Coordenadora nacional de Combate à Exploração
do Trabalho da Criança e do Adolescente do Ministério Público
do Trabalho, Eliane rechaça veementemente as tentativas de justificação
do trabalho precoce. “Não é o ‘estar à toa’ que
leva o jovem à ilicitude: é a falta de perspectivas de
vida, é não vislumbrar que oportunidades se abram à sua
frente. É não ter escolhas”, defende. Sem escolhas,
os pequenos trabalhadores dão continuidade ao círculo vicioso
no qual sua família se insere há várias gerações – a
perpetuação do ciclo da pobreza que alimenta, inclusive,
o trabalho escravo.
Nas Constituições
Brasileiras, a idade mínima para ingresso no mercado de trabalho
tradicionalmente se fixou nos 14 anos, desde a primeira Constituição
da República. A exceção – “num momento
de exceção”, ressalta Eliane – foi a de 1967,
que a reduziu para 12 anos, idade mantida pela emenda constitucional
de 1969. A Constituição de 1988 retomou o patamar histórico
dos 14 anos, mas a Emenda Constitucional nº 20, de 1990, elevou-o
para 16 anos. Tanto ela quanto o Estatuto da Criança e do Adolescente
(ECA) têm sido alvo de críticas: há quem considere
a legislação “avançada demais”, e há projetos
de emendas constitucionais para que se retorne aos 14 anos. Eliane rejeita
também essas críticas. “O ECA espelha efetivamente
o que está na Constituição Federal e nos diversos
tratados internacionais que o Brasil assina”, defende. “Para
que possamos caminhar para uma sociedade justa e solidária, e
que efetivamente se garanta a dignidade da pessoa humana, é preciso
garantir os direitos das crianças e adolescentes. Não seremos
cidadãos somente porque exercemos e sabemos dos nossos direitos.
Seremos cidadãos se buscarmos a realização e garantia
dos direitos dos nossos parceiros na sociedade“, concluiu.
Indígenas: maioria no mundo
vive abaixo da linha da pobreza
Christian Ramos Veloz, da OIT,
tratou não apenas do trabalho indígena, mas do quadro geral
de discriminação e genocídio que marcaram e marcam
a história da humanidade em relação a esses povos. “Os
genocídios ainda acontecem em várias regiões do
mundo - Austrália, EUA, Índia, Nepal, Rússia. A
discriminação contra povos indígenas não é privilégio
de nenhum país”, afirma, lembrando que até em países
escandinavos, cuja legislação social é bastante
avançada, há leis contra o povo sami (ou lapões),
grupo indígena europeu com cerca de 70 mil pessoas.
Na América Latina, entre 8 e 10% dos habitantes são indígenas,
divididos em 671 povos reconhecidos pelos estados. “São os excluídos
dos excluídos”, afirma Christian. “Mesmo se existe pobreza
endêmica em países em que a população indígena é elevada,
como a Guatemala, ela é maior entre os indígenas.” A Bolívia,
por exemplo, tem 65% da população indígena. Destes, 80%
estão abaixo da linha da pobreza. No Brasil, o censo do IBGE aponta
para o percentual de 0,4% da população. “Mas é o
Brasil tem, também, o maior número de povos indígenas
isolados. Ainda ocorrem grandes matanças que não são notícias,
porque ocorrem sem que ninguém veja”, diz o especialista. “Há relatos
de assassinatos de tribos inteiras envenenadas, para ocupação
de terras.”
A questão indígena
passou por três fases históricas de maior destaque. “Na
primeira, os índios eram considerados seres sem alma, objetos”,
explica. Na segunda, buscou-se uma suposta igualdade, por meio da aculturação.
O terceiro marco histórico foi a Convenção 169 da
OIT, de 1989, sobre povos indígenas e tribais em países
independentes, que veda o uso de qualquer tipo de força ou coerção
que viole os direitos humanos e as liberdades fundamentais desses povos
e garante a proteção de seus valores e práticas
culturais, sociais, religiosas e espirituais. “O indígena
tem uma cosmovisão diferente do mundo do trabalho, de sua relação
com a terra”, assinala Christian. “É uma relação
coletiva, e isso precisa ser respeitado mesmo no mundo capitalista, que
se baseia na propriedade privada.”
(Carmem Feijó)
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