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Agência
Diap, 13 de setembro de 2008
O grande ausente
Por: Alon Feuerwerker*
Toda a verborragia a respeito do nosso papel de líderes
soará inútil e vazia de conteúdo, se o
atributo da liderança não for utilizado em ocasiões
como esta na Bolívia
Foi sintomático que a nota do Itamaraty sobre a crise
na Bolívia, na última quarta-feira, não
tenha feito menção à defesa intransigente
da integridade territorial daquele país, tampouco tenha
condenado o separatismo das províncias da meia-lua.
Pior: o texto é um primor de meias-palavras e meneios,
como se tratasse de um tema espinhoso para o governo brasileiro.
Quem tiver curiosidade e tempo, a posição oficial
do Ministério das Relações Exteriores
pode ser lida na seção de Notas à Imprensa
do site www.mre.gov.br.
A timidez brasileira parece ainda mais incompreensível
quando se sabe o apetite da administração Luiz
Inácio Lula da Silva por protagonismo no plano internacional.
O lance mais recente da obsessão pelos holofotes planetários
arrastou-nos à aventura de Genebra, onde da noite para
o dia rompemos com os emergentes a alinhamo-nos ao Primeiro
Mundo, apenas para ver se arrumávamos na Rodada Doha
da Organização Mundial do Comércio (OMC)
mais algum mercado para nosso encalhado etanol. Deu no que
deu.
A leitura fria dos atos e palavras da nossa diplomacia no
caso boliviano revela uma única coisa: distanciamento.
O Palácio do Planalto parece agir na linha clássica
de esperar o desdobramento do conflito para depois ajeitar-se
no cenário dos vitoriosos. E por que o espanto diante
dessa atitude? Por algumas razões. A primeira é que
na Bolívia assiste-se a mais uma clássica tentativa
de derrubar pela força um governo constitucional, livremente
eleito e confirmado em referendo nacional. Só por isso
a reação brasileira já deveria ter sido
rápida e duríssima.
A segunda é que, teoricamente, esperar-se-ia de uma
administração do PT solidariedade incondicional
a um governo também comandado por forças de esquerda,
e que se coloca como expressão da emergência política
de populações historicamente exploradas e oprimidas.
A terceira é que o separatismo boliviano pode levar
a uma guerra civil em nossa fronteira ocidental, conflito que
facilmente será utilizado para justificar a transformação
da meia-lua em uma nova Colômbia, mais uma plataforma
para a intervenção externa, a divisão
e a desestabilização do continente.
Talvez o Brasil imaginasse que um Evo Morales enfraquecido
seria mais dócil nos contenciosos do fornecimento de
gás. Ou talvez acreditasse que a anemia política
de La Paz retiraria algumas fichas do cacife de Hugo Chávez,
reforçando a liderança regional brasileira. Ou
talvez subestimasse a gravidade de uma potencial ruptura das
instituições democráticas bolivianas.
Independente das explicações, a verdade é que
Lula tomou para si o papel de grande ausente na crise boliviana.
Mas há uma quarta variável, essa sim mais complicada. É possível
que o Planalto estivesse preocupado em não se distanciar
demais da política dos Estados Unidos para o conflito.
Sabe-se que, por trás das declarações
formais de respeito a uma Bolívia unida, Washington
estimula a divisão do país, no melhor estilo
balcânico. Foi por isso que La Paz declarou o embaixador
americano persona non grata.
A Bolívia é um bom exemplo das contradições
da política estadunidense no pós 11 de setembro,
relembrado ontem. Quando as liberdades políticas abrem
espaço para governos que se opõem a Washington,
o discurso da Casa Branca muda de tom. Na Bolívia, em
resumo, o governo Bush trabalha francamente para desmembrar
um país com cujo governo não está de acordo,
ainda que esse governo seja fruto da livre escolha dos cidadãos.
Mas este texto não é sobre Bush, é sobre
Lula. Que poderá agora, se quiser, mobilizar em peso
o Mercosul para ajudar La Paz a esmagar o movimento das províncias
rebeladas. Aliás, para que mesmo serve o Mercosul, se
não consegue ao menos dar resposta firme a ameaças
antidemocráticas no seu quintal?
Isso seria exercitar protagonismo regional, na prática
e não apenas em palavras. Toda a verborragia a respeito
do nosso papel de líderes e da nossa ascensão
ao patamar de potência regional soará inútil
e vazia de conteúdo se o atributo da liderança
não for utilizado em ocasiões como esta.
Uma América do Sul democrática, pacífica,
livre de armas de destruição em massa e de terrorismo é,
como se sabe, o melhor cenário para a consolidação
da influência do Brasil entre os vizinhos. Nem que fosse
apenas por isso, seria hora de Lula adotar uma nova e mais
firme atitude de apoio ao governo da Bolívia em sua
luta contra os focos fascistas que trabalham para implodir
o país.
(*) Editor de Política no Correio
Braziliense. Artigo publicado na coluna (Nas entrelinhas) e
também no Blog do Alon.
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Agência Diap, 13
de setembro de 2008
ENCONTRO REGIONAL
Forum Sindical dos Trabalhadores
organiza encontro em São Paulo
O Forum Sindical dos Trabalhadores (FST), composto por
centrais sindicais, confederações e federações,
irá realizar na próxima segunda-feira (15),
um encontro em São Paulo para debater alguns temas
candentes do sindicalismo nacional, com destaque para a
unicidade e a contribuição sindical compulsória.
O encontro também debaterá a estrutura sindical
(o que é melhor para o trabalhador); os direitos
trabalhistas e sociais; as campanhas pela redução
da jornada para 40 horas; e em Defesa do Trabalhador pelo
fim da Terceirização e do Banco de Horas;
e estratégias de comunicação do movimento
intersindical.
O encontro começará às 9h, no Centro
Trasmontano de São Paulo, na rua Tabatinguera, 294
- Centro - São Paulo (SP).
Mais informações no Sinsesp, com Madu ou
Isabel: E-mai: madu@sinsesp.com.br ou sinsesp@sinsesp.com.br
ou ainda pelo telefone: (11) 3293-1515
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Agência
Diap, 13 de setembro de 2008
HISTÓRIA
Oboré faz 30 anos: ali nasceu
a moderna imprensa sindical
João Franzin*
Todos nós, que conhecemos Sérgio Gomes (Serjão),
teríamos mil histórias pra contar sobre a Oboré,
na fase sindicaleira, e a Oboré mais recente, ligada às
rádios comunitárias, à qualificação
de jovens jornalistas, a ações pela democratização
da comunicação, pela saúde do trabalhador
e por tantas iniciativas em prol dos direitos humanos.
Serjão, por sua presença sempre ostensiva, é a
face mais visível dessa história. Mas a Oboré inclui
gente como Laerte, Paulo Markun, Henfil e tanta gente boa.
A socióloga Marise Egger foi também, durante
muitos anos, quadro importante. O metalúrgico Amaro,
o médico sanitarista Davi Capistrano, muitos médicos
do trabalho, artistas gráficos, toda essa gente, uma
plêiade, se encontrou direta ou indiretamente nas ações
da Oboré.
Entre esse povo todo, vale destacar a figura de João
Guilherme Vargas Netto, um dos sócios da Oboré,
a quem cabia elaborar seu pensamento político. O Vargas
Netto palestrante de hoje e consultor sindical, de impressionante
conhecimento, e que começou lá atrás no
PCB, afinou seu instrumento nas históricas batalhas
sindicais dos anos 70 e 80 e, ainda hoje, é quem mais
sabe sobre sindicalismo neste País.
Vale a pena destacar também, permita-nos Franzin, que
a Oboré, com o Diap, foram responsáveis pela
edição do livro que marcou o período pós-constituinte,
com a publicação do Quem foi Quem na Constituinte,
sob a coordenação do jornalista Antônio
Augusto de Queiroz, que hoje comanda o Departamento nas batalhas
em favor dos trabalhadores no Congresso Nacional. Falar na
Oboré e seus protagonistas e não citar as parcerias
com Diap deixaria uma profunda lacuna nesta história
que marca os últimos 25 anos do movimento sindical brasileiro.
Conheci a Oboré em 1985, convidado a participar de
seu projeto de comunicação em Americana - primeiro
no Sindicato dos Borracheiros, depois nos Têxteis. Interessante é que
nunca trabalhei na e sim com a Oboré, de quem fiquei
perto até sua desarticulação nos anos
90. De lá, Sérgio Gomes seguiu outros caminhos,
não mais dentro da imprensa sindical.
Eu não seria o jornalista sindical de hoje se não
tivesse vivido e convivido com a Oboré. E a Agência
Sindical, guardadas as diferenças de forma e de tempo,
também não seria o que é sem a experiência
levada a cabo pela Oboré, anos atrás.
Digo isso tudo para informar que domingo, dia 14, a partir
das 14 horas, a Oboré comemora seus 30 anos. O local é a
Cinemateca Brasileira. A primeira atração é o
filme “ABC da greve”, de Leon Hirzsman.
Das 15 às 17 horas, mesa-redonda reúne João
Guilherme Vargas Netto, Maria Rita Khel, Carlos Calil e Célia,
diretora do Centro de Documentação e Memória
da Unesp, no painel: "Brasil de 78 para cá".
A tarde segue com diversas atividades. Às 19h30, tem
o concerto "Tributo a Pasolini", com Coral e Orquestra
regidos pelo maestro Martinho Lutero. Em seguida, e até as
23 horas, haverá roda de Choro, moda de viola e outras
surpresas.
Mais informações na Oboré, telefones
(11) 3214.3766 e 3214.3863.
Endereço: a Cinemateca Brasileira fica no Largo Senador
Raul Cardoso, 207, Vila Mariana (próximo ao Metrô Vila
Mariana).
(*) Jornalista e assessor sindical, é coordenador
da Agência Sindical
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Agência Diap, 13
de setembro de 2008
RESUMO DA SEMANA
Pesquisa mostra que Lula é o
eleitor número um hoje
Dentre os fatos mais relevantes desta semana destaca-se
a pesquisa divulgada pelo Datafolha, em que o presidente
Lula é avaliado positivamente, pela primeira vez,
em todos os estratos sociais.
Com a Câmara em “recesso branco”, o
Senado, que decidiu não paralisar os trabalhos no
período eleitoral votou projeto de lei que regula
os consórcios (PLS 533/03), mantendo assim a forma
original da proposta, aprovada em decisão terminativa
pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE)
em março de 2006.
De autoria do ex-senador Aelton Freitas, o projeto será encaminhado à sanção.
Uma das principais inovações do projeto é permitir
que o consorciado utilize o saldo do Fundo de Garantia
de Tempo de Serviço (FGTS) inclusive para dar lances.
Destaca-se ainda a edição da nova instrução
normativa do Ministério da Previdência, que
definiu novas regras para notificação de
doenças do trabalho; o aumento da taxa dos juros
básicos e do PIB; a movimentação das
entidades dos servidores contra o PLP 92/07, que cria as
fundações públicas de direito privado;
a sanção da lei que amplia a licença-maternidade;
e as milhares de emendas apresentadas às medidas
provisórias das carreiras de Estado.
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Agência
Brasil, 13 de setembro de 2008
Caixa prevê financiar 180
mil casas até fim do ano
Stênio Ribeiro
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A Caixa Econômica Federal contratou
R$ 5,9 bilhões este ano, com recursos da poupança,
em financiamentos habitacionais, e dispõe de mais R$
4 bilhões do Sistema Brasileiro de Poupança e
Empréstimo (SBPE) para imóveis destinados às
classes média e alta.
A informação é do vice-presidente de
Governo da Caixa, Jorge Hereda. Segundo ele, “não
faltarão recursos para apoiar o setor de habitação”.
Hereda disse que o interessado pode financiar até 80%
do valor de avaliação do imóvel, e mesmo
que já possua outra casa ou apartamento no município
escolhido para a contratação, terá como
usufruir da linha de crédito.
A expectativa da Caixa é financiar pelo menos 180 mil
moradias até o final do ano. No ano passado, foram financiadas
81 mil casas e, em 2006, 51 mil.
Esse salto, conforme explicou Hereda, tornou-se possível
porque a instituição obteve este ano a maior
captação de poupança da sua história.
Só em agosto, a captação líquida
chegou a R$ 1,2 bilhão, de sorte que a Caixa é,
no momento, responsável por 51% de todos os imóveis
financiados com dinheiro da poupança no país.
Quem optar por financiar 80% do valor de avaliação
pode parcelar o pagamento em até 240 meses. Para contratos
de 360 meses, a entrada deve ser de pelo menos 30% do valor
de avaliação do imóvel.
No caso de moradias com valor de avaliação até R$
350 mil, e se o interessado tiver saldo no FGTS e não
tenha outro imóvel na mesma cidade ou em município
limítrofe, o dinheiro do fundo poderá ser utilizado
na entrada e, posteriormente, para abater o saldo devedor ou
as prestações.
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Gazeta do Povo, 13 de setembro
de 2008
Justiça
Governo e Congresso querem “conter” o
STF
Movimento, que teria apoio do MP,
pretende restringir a edição de súmulas
vinculantes pelo Supremo
Criado para zelar pela Constituição, o Supremo
Tribunal Federal (STF) passou a ser acusado de descumpri-la
com a edição de súmulas vinculantes
que não seguiriam à risca as exigências
legais. Integrantes do governo, do Ministério Público
e parlamentares do governo e da oposição
começam a mostrar preocupação com
a edição de súmulas vinculantes pelo
STF e iniciam um movimento para conter o tribunal. O procurador-geral
da República, Antonio Fernando de Souza, revelou
a parlamentares preocupação com o procedimento
adotado pelo tribunal e estuda uma maneira de levar o STF
a restringir a edição de súmulas vinculantes.
Desde que o ministro Gilmar Mendes assumiu a presidência
do Supremo, dez súmulas vinculantes foram editadas.
Até então, apenas três tinham sido
julgadas. O problema, porém, não estaria
na proliferação de súmulas. No entendimento
dos parlamentares, o Supremo estaria extrapolando seus
poderes e invadindo a competência do Congresso.
“É preciso que a Corte use desse instrumento
democrático, a súmula vinculante, sem tentações
autoritárias. Se houver tentações
autoritárias, o Supremo vai suprimir o Legislativo”,
afirma o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). “O
Supremo não pode legislar, isso é exclusivo
do Congresso Nacional”, acrescenta Aloizio Mercadante
(PT-SP).
Agora, as reclamações, que antes eram feitas
reservadamente pelo governo, foram reverberadas pelo secretário
Nacional de Justiça do Ministério da Justiça,
Romeu Tuma Júnior: “A súmula vinculante
virou a medida provisória do Supremo”. Com
um agravante: uma MP pode ser derrubada pelo Congresso;
a súmula só pode ser revista pelo próprio
STF.
Todo o movimento contra as súmulas começou
com a edição da que limitou o uso das algemas
e aumentou com a vedação ao nepotismo. Criada
em 2004, a súmula vinculante visa conter a multiplicação
de ações judiciais sobre um tema que já tenha
sido julgado repetidas vezes pelo Supremo. A Constituição
define ainda que o texto da súmula deve interpretar
normas constitucionais específicas e sanar dúvidas
sobre sua aplicação. E, para que seja editada, é preciso
que haja “reiteradas decisões” do Supremo
sobre o assunto.
No caso recente das algemas, os críticos levantam
uma série de possíveis problemas. A começar
pela suposta falta de uma norma específica que trate
do uso das algemas. “Não há sequer
uma lei específica sobre o uso das algemas”,
argumentou Demóstenes. Além disso, não
haveria reiteradas decisões sobre o assunto no STF.
No caso do nepotismo, as críticas são semelhantes.
Além disso, o principal problema seriam as dúvidas
geradas pela decisão do Supremo.
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Gazeta
do Povo, 13 de setembro de 2008
Avaliação
Lula compara momento atual do
país com a era JK
Um dia depois de bater o próprio recorde de avaliação
positiva, segundo pesquisa do instituto Datafolha divulgada
quinta-feira, e embalado por bons resultados na economia e
por grande exposição na campanha eleitoral, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou o momento
atual do Brasil com os anos dourados da era JK, durante discurso
de abertura da exposição Um certo navio brasileiro,
comemorativo aos 106 anos de nascimento do ex-presidente Juscelino
Kubitschek (1956-1961).
Segundo Lula, ocorre no momento uma interligação
entre a rota traçada por JK e o processo de retomada
de desenvolvimento do Brasil. “Trata-se de um Brasil à moda
de Juscelino, em que foi retomado o otimismo da juventude”,
afirmou.
Lula está bem na foto
Indústria naval
Ele lembrou que o plano de metas de JK previa, como 28º item,
o estabelecimento de uma indústria naval condizente
com a costa brasileira. Segundo ele, nos anos 70, a indústria
naval chegou a ter 40 mil empregados, contingente reduzido
a apenas 1.600 em 2003, quando assumiu a Presidência. “Hoje,
graças a Deus, já temos novamente 40 mil trabalhadores
na indústria naval brasileira e, com a descoberta do
pré-sal, teremos muito mais trabalhadores. A Petrobras
deverá encomendar mais de 200 navios, 38 sondas e algumas
dezenas de plataformas”, afirmou.
“A descoberta do pré-sal é a nova locomotiva
que dá ainda mais força a um comboio em marcha
de forma consistente. Erraram de novo os que minimizaram a
relevância e o efeito multiplicador da nova fronteira
de riqueza soberana presente na reserva do pré-sal”,
destacou o presidente.
O seu discurso, no Memorial JK, foi para uma platéia
acanhada. Ele deixou o local sem querer comentar a pesquisa
de opinião pública sobre avaliação
do seu governo, que bateu recorde histórico de aprovação.
Também não quis comentar a crise na Bolívia.
Pesquisa
De acordo com o Datafolha, 64% da população
consideram o governo de Lula ótimo ou bom. O recorde
anterior já o colocava na frente de todos os presidentes
eleitos após a redemocratização.
Pela primeira vez, Lula tem o apoio da maioria no Sudeste
(57%), nas regiões metropolitanas (57%), entre os que
têm curso superior (55%) e entre os que vivem em famílias
com renda familiar mensal superior a dez salários mínimos
(57%).
Os resultados da pesquisa coincidem com a divulgação
de um crescimento do PIB de 6% no primeiro semestre e com o
momento em que a inflação começa a ceder.
O Datafolha ouviu 2.981 pessoas maiores de 16 anos em 212
municípios do país entre os dias 8 e 11 de setembro.
A margem de erro é de dois pontos, para mais ou menos.
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Folha de São Paulo,
13 de setembro de 2008
Economia japonesa tem retração
maior que a esperada no segundo trimestre
DA REDAÇÃO
A contração do PIB japonês no segundo
trimestre deste ano foi maior do que a inicialmente estimada
pelo governo do país, com vários setores
apresentando resultados ruins e aumentando as preocupações
sobre a segunda maior economia mundial. O PIB do país
asiático teve retração de 3% de abril
a junho na taxa anualizada, 0,6 ponto percentual mais do
que foi previsto no mês passado.
O resultado divulgado ontem mostra uma economia afetada pela queda
no consumo das famílias (que no caso japonês representa
mais da metade do PIB) e nas exportações e pelo aumento
nos preços das matérias-primas. Sinaliza também
que ela está caminhando para uma recessão, após
seu maior período de crescimento desde a Segunda Guerra.
A retração no segundo trimestre foi a primeira em um
ano e a maior desde 2001. Na comparação com os primeiros
três meses deste ano, a contração foi de 0,7% -a
previsão inicial apontava recuo de 0,6%. Já em relação
ao segundo trimestre de 2007, a economia japonesa cresceu 0,7%, 0,3
ponto percentual menos do que fora estimado no mês passado.
O ministro da Economia, Kaoru Yosano, pediu ontem que as empresas locais
aumentem os salários dos trabalhadores. O apelo é uma
tentativa de expandir o consumo interno no momento em que a economia
global se desacelera e reduz a demanda por produtos japoneses -as exportações
são tradicionalmente o motor da economia do país asiático.
"É desejável que a renda dos trabalhadores aumente",
afirmou o ministro. Ele é um dos candidatos para assumir o posto de primeiro-ministro
no lugar de Yasuo Fukuda, que renunciou ao cargo no início do mês,
em meio a indicadores econômicos ruins e ao imobilismo do governo.
Fukuda deixou o cargo de premiê dias depois de seu governo lançar
um pacote de US$ 106 bilhões para tentar impedir que a economia
japonesa entre em recessão.
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Com agências internacionais
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O
Estado do Paraná, 13 de setembro de 2008
MTE confirma portaria que normaliza
sindicatos
Rosângela Oliveira
Chuniti Kawamura

Medeiros: medida é polêmica porque
provoca concorrência entre entidades.
Representantes do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) rebateram
ontem em Curitiba as críticas sobre a portaria 186, publicada em
abril deste ano, e que normatiza o registro sindical e as alterações
estatutárias dos sindicatos.
Mesmo em vigor, a portaria tem sido questionada por representantes
de categorias, tanto de trabalhadores como patronais. O Supremo
Tribunal Federal (STF) já recebeu três ações
diretas de inconstitucionalidade, e mais de dez ações
tramitam em outras esferas judiciais.
Entre as principais reclamações das entidades
sindicais contrárias à portaria estão
o controle dos sindicatos, e a fragmentação ainda
maior da base de representação dos trabalhadores
no País.
O secretário de Relações do Trabalho
do MTE, Luiz Antônio de Medeiros afirmou que o assunto
está gerando polêmica porque traz concorrência,
o que não agrada muitas entidades que estão acomodadas.
“Acho isso natural, mas é preciso saber que o
mundo mudou e o sindicalismo também. O decreto traz
mais representatividade para as categorias”, falou Medeiros.
Segundo o secretário, pela Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT), para se fundar uma federação é preciso
no mínimo cinco sindicatos, e para uma confederação,
três federações.
“Quando houver conflito, vamos sentar juntos na mesma
mesa para compor a melhor solução”, disse
Medeiros. A coordenadora-geral do Registro Sindical do MTE,
Zilmara de Alencar negou que a portaria acaba com a unicidade
sindical. “Isso não ocorre, pois cabe ao próprio
sindicato indicar a federação. Isso é liberdade,
pois hoje os próprios sindicatos é que indicam
a federação”, falou. Segundo ela, a portaria
não traz inovação, pois apenas regulamenta
o que diz a CLT e a Constituição Federal, e o
MTE entra como mediador do processo.
Sistema Mediador
Os representantes do MTE estiveram em Curitiba para apresentar
o Sistema Mediador, que é um programa que facilita e
agiliza a transmissão de acordos coletivos de trabalho.
A partir de janeiro todas as categorias que fecharem acordos
serão obrigadas a depositar o documento no site do ministério,
que ficará disponível para consulta de qualquer
pesssoa.
De acordo com Medeiros, isso irá possibilitar que todas
as categorias profissionais tenham informações
da negociações fechadas em cada unidade da federação,
e possam melhorar seus acordos.
Os dados também servirão como base de informações
sobre o mercado de trabalho no País. Todos os anos cerca
de 30 mil acordo coletivos de trabalho são firmados
no Brasil, sendo que hoje perto de oito mil já estão
disponíveis no site do ministério.
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Revista
Consultor Jurídico, 13 de setembro de 2008
Pausa no serviço
Jogar baralho no trabalho não é motivo
para justa causa
O trabalhador surpreendido no serviço jogando uma descontraída
partida de baralho com os colegas não pode ser demitido por justa
causa. A tese é da 5ª Câmara do Tribunal Regional do
Trabalho da 15ª Região (Campinas).
Para a juíza Ana Paula Pellegrina Lockmann, relatora do
caso, “a justa causa, por se tratar de punição
severa, a qual deixa seqüelas indeléveis na vida funcional
do trabalhador, deve, obrigatoriamente, guardar proporcionalidade
com os atos faltosos por ele cometidos, e somente deve ser aplicada
se, efetivamente, comprovada a prática reiterada de procedimento
incompatível”.
A empresa, que produz suco de laranja, demitiu um inspetor de
pragas porque o encontrou julgado um carteado à sombra de
uma laranjeira. Mas, a 2ª Vara do Trabalho de Araraquara negou
a justa causa fazendo a empresa pagar as despesas pela demissão.
No recurso, a empresa afirmou que, pela função do
trabalhador, a punição aplicada era proporcional à infração
cometida. O trabalho do empregado era verificar todas plantas para
impedir a proliferação de pragas. Ao ficar jogando
cartas, o trabalhador, segundo a empresa, demonstrou “total
displicência na prestação dos serviços”,
quebrando a confiança.
Ana Paula Pellegrina Lockmann levou em consideração
o fato de o trabalhador não ter tido outras faltas antes.
Para ela, a indisciplina do empregado não era suficiente
para dar razão a uma dispensa por justa causa. A juíza
diz que a empresa deveria ter observado o princípio da gradação
das penas, “adotando medidas punitivas em escala crescente”.
Ana Paula ponderou que pela conduta o trabalhador deveria receber
apenas uma advertência. Em caso de reincidência, caberia
uma suspensão e, somente se a indisciplina persistisse após
isso, seria adequada a justa causa. A empresa negou ao inspetor
qualquer oportunidade para se corrigir, avaliou a relatora.
Processo 0965-2003-079-15-00-0 RO
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