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O
ESTADO DO PARANÁ, 18 de setembro de 2008 | Economia
Aumento de empregos formais foi impusionado
pela construção civil
Redação
Segundo leitores do Paraná-Online
o fator que mais impulsionou o aumento de ofertas de empregos no
Brasil foi o crescimento do setor de construção civil.
Ao todo 269 leitores responderam a pergunta "A que se deve o
aumento de empregos formais no país?" A maioria, ou seja
132 votantes, escolheram a opção, "Cresimento
do setor de construção civil". Em segundo lugar
ficou a opção "Maior investimento das multinacionais
no Brasil", com 75 votos. Por último, a alternativa "Crescimento
do setor de serviços no interior", com 62 votos.
De janeiro a julho desse ano, 14.236 pessoas foram contratadas pelo setor no
Paraná, um crescimento de 101% na comparação com o mesmo
período do ano passado. Em todo o País, são 232 mil pessoas
a mais nos canteiros de obras. Um crescimento de 99% na comparação
com os sete primeiros meses do ano passado. O emprego na indústria da
construção civil superou a marca de 2 milhões de trabalhadores
com carteira assinada em maio no País, chegando a 2,02 milhões,
segundo levantamento do Sindicato da Indústria da Construção
Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) e da FGV Projetos.
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AGÊNCIA ESTADO, 18 de setembro de 2008
Reformas trabalhista e sindical podem
revogar parte da CLT
Enviada por Geraldo Serathiuk
As reformas trabalhista e sindical em gestação no governo podem
revogar parte da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), criando
normas que facilitem a entrada dos informais no mercado de trabalho. Deverão
promover, também, uma desoneração radical da folha de
salários, exigindo, em contrapartida, a ampliação progressiva
da participação dos trabalhadores no lucro das empresas.
Encarregado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de preparar o
anteprojeto das duas reformas, o ministro de Assuntos Estratégicos,
Mangabeira Unger, apresentou suas idéias nesta quarta-feira (17) aos
ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Mangabeira, que um dia classificou
o governo Lula de o mais corrupto da história, saiu do TST aplaudido
pelos ministros, que louvaram sua iniciativa e disseram que ela deverá aprimorar
as relações entre capital e trabalho. Desde o início do
ano Mangabeira tem feito debates sobre o tema com as centrais sindicais e entidades
patronais.
Mangabeira não apresentou uma solução para a Previdência,
que com as mudanças sofreria um baque e poderia quebrar. Disse trabalhar
com algumas hipóteses - como o novo Imposto sobre Valor Agregado (que
depende da reforma tributária), tributo sobre transações
financeiras, ou até fazer a cobrança sobre o faturamento das
empresas.
De concreto a respeito da desoneração da folha das empresas está o
fim da cobrança das contribuições ao Sistema S (Sesi,
Senai, Sebrae, Senac e Sesc, entre outros) e do salário-educação.
De acordo com Mangabeira, no ciclo de debates que promoveu, houve consenso
de que esses acessórios devem ser financiados - quando o financiamento
se justificar - pelos impostos gerais. "Devem, portanto, desde já deixar
de incidir sobre a folha", afirmou. "Estamos buscando encontrar pontos
de convergência para formular propostas e enviá-las ao Congresso
até o fim do ano."
Como a CLT disciplina o trabalho por prazo determinado, tanto sindicalistas
quanto empresários disseram a Mangabeira que é preciso resolver
esse problema. "O primeiro objetivo é combater o trabalho temporário
ou terceirizado quando ele serve apenas como instrumento para escapar das obrigações
trabalhistas", disse. Portanto, o trabalhador temporário ou terceirizado
terá direito a sindicalização na reforma sindical.
Há cerca de meio século cai a participação dos
salários na renda nacional, lembrou Mangabeira. Para ele, essa não é uma
tendência mundial, mas brasileira. Com isso, criam-se desigualdades tão
poderosas que não podem ser combatidas com simples medidas de compensação
de políticas sociais. Ele citou como exemplo o salário mínimo,
que, apesar de crescer sempre acima da inflação, não resolve
as distorções na renda do brasileiro. "A reforma tem de
servir à maioria excluída e desorganizada, e não à minoria
incluída e organizada, que já está nos sindicatos",
disse Mangabeira. "Não há como fugir. Hoje metade dos adultos
está na informalidade."
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique,
disse que defende mudança radical na estrutura sindical, com a criação
de organizações por local de trabalho, e não por categoria. "É preciso
espalhar esses sindicatos pelo País, para que tenham funcionamento 24
horas." Antes dessas medidas, segundo ele, não dá para tratar
de nenhuma mudança na CLT, porque os trabalhadores não teriam
força política para evitar a retirada de direitos hoje garantidos
pela lei.
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AGÊNCIA DIAP, 18 de
setembro de 2008
SUSTENTABILIDADE
Entre emergentes, economia do Brasil é a
4ª menos vulnerável
Estudo do Instituto de Pesquisa
Aplicada (Ipea) divulgado nesta semana aponta que a economia brasileira é a
quarta menos vulnerável entre 23 países emergentes.
Em 1998, no mesmo ranking, o Brasil figurava no grupo dos países
emergentes 25% mais vulneráveis. Em 2007, a economia brasileira
figura entre as 25% menos vulneráveis, que coloca o País
atrás apenas da Polônia, Turquia e Hungria.
O trabalho enfatiza as políticas
com potencial de reduzir a vulnerabilidade econômica de emergentes
frente a conjunturas externas desfavoráveis. "Dentre as recomendações
de políticas públicas, concluímos que a vulnerabilidade
econômica do país é potencialmente reduzida na medida
em que aumentam o grau de desenvolvimento do mercado financeiro doméstico,
a liberalização financeira, o superávit primário,
os indicadores de governança e diminuem a instabilidade econômica,
o endividamento e o estoque de dívida indexada à moeda
estrangeira", diz o estudo.
Os resultados se sustentam em
políticas de maior liberalização financeira, gerenciamento
da dívida pública com diminuição da dívida
bruta e do estoque indexado à moeda estrangeira, sustentabilidade
da política fiscal, desenvolvimento do mercado financeiro doméstico,
crescimento consistente, além de melhorias nos indicadores de
governança — sobretudo indicadores de risco jurisdicional
(aparato legal) e qualidade da regulação.
Legislação
O estudo destaca algumas ações implementadas pelo Brasil, principalmente
a partir do biênio 2005/2006, que tornaram o país menos vulnerável
a choques externos. Em junho de 2006, por exemplo, entrou em vigor a Lei 11.312,
que garantiu ao investidor estrangeiro a desoneração fiscal em
aplicações de títulos públicos federais e instrumentos
de capital de risco (venture capital).
Essa medida incentiva a participação
de investidores não-residentes nas aplicações em
títulos públicos, podendo contribuir para a melhora do
perfil da dívida pública (redução dos juros,
alongamento da maturidade, aumento e formação de uma base
de investidores de longo prazo) e gerar externalidades positivas para
diversas áreas, incluindo o setor produtivo.
Já a Lei 11.371, de novembro
de 2006, estabeleceu a nova regulamentação cambial para
o Brasil, reduzindo custos de transação, eliminando assimetrias,
flexibilizando a cobertura cambial para exportação e finalmente
permitindo o processo de simplificação no mercado cambial
com maior segurança jurídica.
A alteração e modernização
das normas contábeis das sociedades anônimas brasileiras — por
meio da Lei 11.638, de dezembro de 2007 — também foi outro
fator que influenciou a melhoria do Brasil no ranking da vulnerabilidade
econômica.
Grau
de investimento
Outra medida adotada pelo Brasil foi o planejamento e gerenciamento da dívida
pública federal (DPF) pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), por
meio de melhoras no perfil da dívida pública, alongando o prazo
médio, aumentando a liquidez, consolidando a composição
via títulos prefixados e referenciados a índice de preços
e alavancando a participação de investidores institucionais.
Todas essas medidas culminaram
com a obtenção do grau de investimento por duas agências
internacionais de classificação de risco no primeiro
semestre de 2008. (Fonte: Agência Informes)
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AGÊNCIA DIAP, 18 de
setembro de 2008
TAXA DE EMPREGO
Região Sudeste gera 42% dos
empregos com carteira assinada em agosto
Sozinhos, estados da Região
Sudeste foram responsáveis pela criação de
mais de 124 mil postos no mês, de acordo com o Cadastro Geral
de Empregados e Desempregados (Caged), do MTE
"A economia brasileira
está crescendo em todas as regiões do País,
em todos os setores da economia", disse o ministro do Trabalho
e Emprego, Carlos Lupi, nesta última segunda-feira (15),
em coletiva de divulgação dos dados de agosto do
Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Destacaram-se
as regiões Sudeste, em números absolutos, e o Nordeste,
na variação relativa.
Em todo país, foram gerados
239.123 (+0,78%) empregos com carteira assinada no mês de agosto,
o maior saldo da série histórica do Caged. Sudeste foi
o grande responsável pelo crescimento com 124.447 vagas com carteira
assinada, alta de +0,73% em relação ao estoque do mês
anterior. O desempenho da região foi responsável por mais
de 42% do resultado de todo o Brasil.
Nordeste vem logo em seguida,
com 54.311 novos empregos e apresenta a maior taxa de crescimento do
mês dentre as grandes regiões: 1,27%. A Região Sul
registrou 31.660 postos (+0,56%) e o Centro-Oeste +15.761 (+ 0,72%).
O Norte ficou em quarto lugar na criação de empregos com
12.944 postos e sua variação relativa foi a segunda do
país (+1,03%).
"Esse resultado se deve,
primeiro, à força da economia brasileira, que está crescendo
em todas as regiões do país, em todos os setores da economia.
Isso é uma demonstração inequívoca de que
o crescimento do Brasil veio pra ficar", afirmou o ministro Lupi.
De janeiro a agosto deste
ano, o país gerou 1.803.729 (+6,23%) empregos formais. No ranking
por regiões do acumulado dos oito primeiros meses, o Sudeste
continua em primeiro com 1.151.660 empregos gerados (+ 7,14%); seguido
do Sul 304.827 (+ 5,67%); Centro-oeste 168.284 (8,32%), apresentando
a maior variação relativa do período; Nordeste
122.134 (+2,89%) e Norte 56.824 (+4,7%). (Fonte: MTE)
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AGÊNCIA DIAP, 18 de
setembro de 2008
TRABALHO TEMPORÁRIO
Começa a temporada de empregos
por tempo determinado
A pouco mais de três
meses do Natal, muitas empresas já abrem inscrições
para estágios e empregos temporários para dar conta
da demanda de produção e consumo do final de ano
Em todo o Brasil, são
muitas as vagas abertas nos setores do comércio. Essa é uma época
em que muitas companhias procuram candidatos para trabalhar pelo período
médio de 3 meses. As contratações temporárias
oferecem vantagens tanto para as empresas, quanto para os estagiários
que almejam uma vaga.
Para lojas e outros segmentos
beneficiados com o grande aumento da demanda de oferta no Natal, essa é uma
boa oportunidade de capacitar os funcionários e selecionar aqueles
que mais se destacam e que possuem os requisitos necessários para
ocupar o cargo de maneira definitiva. Visando uma possibilidade de efetivação,
esses contratados podem se sobressair em relação aos demais.
“Já para os estagiários,
esta é uma oportunidade ímpar para obtenção
de uma oportunidade de estágio, pois cerca de 60% dessas contratações
são efetivadas após o período de serviço
temporário”, destaca Giuliano Bortoluci, diretor de comunicação
da Estagiários.com, empresa especializada no recrutamento e seleção
de candidatos. Bortoluci afirma que a retenção de talentos é grande
e tende a aumentar ainda mais por conta da expectativa das empresas em
selecionar pessoas capacitadas e comprometidas com os cargos oferecidos.
Segundo dados divulgados pela
Associação Brasileira de Empresas e Serviços Terceirizáveis
e do Trabalho Temporário (Assertem), estão previstas 50
mil vagas para serem preenchidas até o final deste ano e, hoje,
40% delas ainda estão em aberto.
Treinar funcionários para
trabalhar por um curto período pode ser considerado, para muitas
empresas, desperdício de tempo e dinheiro. Por esse motivo, a
tendência do mercado é investir em seus colaboradores para
que estes permaneçam trabalhando por tempo indeterminado, gerando
mais assertividade e lucratividade para a organização.
Para conseguir entrar em um desses
programas, Giuliano aconselha preparar-se bem antes de se inscrever para
o processo seletivo. “O primeiro passo é a elaboração
de um bom currículo, pois ele é o primeiro contato entre
o empregador e o estagiário”, e acrescenta “nessa
descrição profissional, a experiência e as qualidades
pessoais devem ser destacadas”. O currículo deve ser conciso
e objetivo.
'Nunca ultrapasse duas páginas
e coloque somente o essencial. Caso contrário, o recrutador nem
dará atenção, por conta dos muitos outros currículos
que estarão em sua mesa', aconselha Giuliano.
Para os interessados em
prolongar sua carreira a partir do período de estágio
trabalho temporário é necessário dedicar-se para
haver destaque na empresa. As atitudes e habilidades no atendimento
ao cliente ou na execução do trabalho são analisadas
pelos contratantes o tempo todo, por isso, esse é o momento
de aproveitar a oportunidade dada com a visão voltada para a
ascensão profissional.
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AGÊNCIA DIAP, 18 de
setembro de 2008
ESTUDANTES
Com lei do estágio, instituto
diz que empresa pode reduzir vagas
O projeto que regulamenta o
estágio a partir dos 16 anos, aprovado ontem em definitivo
pelo Congresso, pode resultar inicialmente na diminuição
do número de vagas para os estudantes. Segundo o IEL (Instituto
Euvaldo Lodi), ligado à CNI (Confederação
Nacional da Indústria), a garantia de direito a férias
para os estagiários irá onerar as empresas, que podem
reagir fechando vagas.
Apesar disso, o gerente nacional
de estágio do instituto, Ricardo Romeiro, disse que o projeto é um
avanço porque irá substituir uma lei antiga, de 1977, e
que, com o passar do tempo, os empresários irão se adaptar às
novas regras.
"Com certeza, num primeiro
momento devemos ter redução no número de vagas para
estudantes. [A medida] vai onerar, sim. Num primeiro momento o impacto
será negativo, mas é preciso uma mudança cultural
sobre o que é o estágio, e a lei ajuda nisso. Quando as
empresas assimilarem essa mudança cultural, pode haver recuperação,
mas nada disso vai acontecer a curto prazo", avaliou.
O texto, que seguiu para sanção
de Lula, prevê férias remuneradas de 30 dias para estágio
com duração igual ou superior a um ano, a serem gozadas "preferencialmente
durante as férias escolares". No caso de estágio inferior
a um ano, as férias são proporcionais. As empresas também
terão de contratar, em favor do estagiário, seguro contra
acidentes pessoais, cuja apólice seja compatível com valores
de mercado.
O estágio não-obrigatório
passa a ser remunerado. Essa medida, no entanto, não preocupa
o IEL, uma vez que pesquisas indicam que o país tem 700 mil estagiários
e, segundo o instituto, são poucos os que não recebem remuneração.
Segundo Romeiro, o valor pago varia de R$ 300 a R$ 2.000.
De autoria do senador Osmar Dias
(PDT/PR), o projeto tramitou por cinco anos no Congresso antes de ser
aprovado pela Câmara, na última quarta-feira (13). Entre
as mudanças, estão regras que as empresas devem cumprir
para não caracterizar o vínculo empregatício do
estagiário.
É sempre assim,
toda vez que se aprova uma lei que dá mais garantias e consolida
direitos aos trabalhadores, os empresários imediatamente iniciam
campanha contra a medida, com alegações de que as empresas
não têm condições de assimilar as mudanças.
(Com Folha de S.Paulo)
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FOLHA DE SÃO PAULO,
18 de setembro de 2008 | Dinheiro
Governo diz que poderá ajudar
empresas com crédito do BNDES
SIMONE IGLESIAS
JULIANA ROCHA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva afirmou ontem que o governo poderá ajudar empresários
brasileiros que tiverem dificuldades para obter empréstimos no
exterior por causa da crise econômica nos Estados Unidos. Segundo
ele, esse auxílio se dará, se necessário, por meio
do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
" Se rarear o crédito internacional e os empresários brasileiros
tiverem dificuldades para tomar dinheiro emprestado, vamos ter de tomar uma decisão
de arrumar mais dinheiro para que o BNDES possa emprestar", disse em entrevista
exibida à noite pela TV Brasil.
Lula ressaltou que já aumentou o capital do banco para que possa fazer
empréstimos e que não descarta alterar normas que possibilitem
ao BNDES elevar o volume de financiamento a uma só empresa.
Ele utilizou como exemplo a Petrobras e a Vale. "Estamos cuidando de garantir
que as coisas aconteçam e sabemos que empresas grandes como a Petrobras,
a Vale do Rio Doce, precisam de financiamento externo, mas na hora em que ele
rarear vamos ter inclusive que mudar as normas do BNDES, que não pode
emprestar uma determinada quantidade de dinheiro só para uma empresa,
para que ele possa aumentar o volume de dinheiro emprestado", ressaltou.
Pela manhã, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o governo
federal poderá socorrer as empresas brasileiras que tiverem dificuldades
de obter crédito no exterior para investir ou para exportar.
Ele afirmou que há escassez de crédito no mercado internacional
e, por isso, o governo está disposto a supri-lo para estimular investimentos,
exportações e a agricultura.
Na noite de terça-feira, em entrevista à TV Globo, Mantega já havia
dito que os bancos públicos poderão ajudar em caso de falta de
crédito internacional. Ontem, ele esquivou-se de confirmar essa informação.
Indagado, Mantega não disse que tipo de socorro o governo pode oferecer
aos empresários.
" Neste momento, as empresas brasileiras que captavam recursos no exterior
não estão conseguindo captar ou estão pagando um preço
muito alto para isso. Esse é um problema, que pode ser passageiro e pode
ser resolvido. Então, se faltar crédito para investimento, para
agricultura, para exportação, o governo tomará as medidas
no sentido de supri-lo", afirmou Mantega.
Quase esgotado
Uma das saídas para suprir a escassez de crédito internacional
seria o BNDES financiar mais empresas que não conseguirem financiamento
internacional. O problema é que o banco de fomento já está com
o orçamento deste ano quase esgotado e não conseguirá suprir
sequer a demanda atual.
O BNDES já recebeu, desde janeiro, um reforço de caixa de R$
33,5 bilhões do Tesouro e do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). O
orçamento inicial do banco era de R$ 80 bilhões. Nos 12 meses
encerrados em junho, o banco já tinha aprovado R$ 108 bilhões
em novos investimentos.
Apesar de admitir problemas entre as empresas brasileiras para conseguir crédito
no exterior, Mantega afirmou ontem que o risco de contaminação
da crise internacional no Brasil "é muito pequeno".
Segundo ele, o sistema financeiro do país "está sólido" e
o único risco à vista é a escassez de crédito internacional.
Ele esclareceu que não há problemas de crédito para o
consumo interno.
Ele elogiou a intervenção de US$ 85 bilhões do Fed (Federal
Reserve, o banco central dos Estados Unidos) na maior seguradora do mundo,
a AIG.
Mantega afirmou que o governo americano e o Fed não devem ajudar indiscriminadamente
todos os bancos com risco de quebrar, mas devem evitar "problemas que
afetem todo o sistema financeiro.
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AGÊNCIA DIAP, 18 de
setembro de 2008
CONSULTA PÚBLICA
Câmara lança portal para
internautas opinarem sobre projetos
A Câmara dos Deputados
lançou, nesta quarta-feira (17), portal do Grupo de Trabalho
sobre Consolidação das Leis (www.camara.gov.br/consolidacao).
No site, os internautas poderão encaminhar contribuições
ou perguntas sobre os projetos que reúnem diferentes leis
atuais em 21 áreas temáticas.
“A participação
dos cidadãos no aprimoramento dos projetos e o debate qualificado
de cada dispositivo gerarão uma peça normativa de inegável
valor”, espera o coordenador do grupo de trabalho, deputado Cândido
Vaccarezza (PT/SP). Ele destaca que a consolidação das
leis deve tornar mais acessível aos cidadãos a compreensão
de seus direitos e deveres.
Atualmente, estão sob
consulta pública três projetos de lei – sobre crédito
rural (PL 3.692/08), do deputado Nelson Marquezelli (PTB/SP); sobre assistência
social (PL 3.800/08), da deputada Rita Camata (PMDB/ES); e telecomunicações
e radiodifusão (PL 3.516/08), do deputado Bruno Rodrigues (PSDB/PE).
As sugestões serão recebidas até 11 de outubro,
no caso da primeira proposta, e 16 de outubro, para as demais.
Além de encaminhar as
sugestões, dúvidas e opiniões, o cidadão
poderá acessar a íntegra dos projetos de lei de consolidação
e acompanhar sua tramitação.
Energia
elétrica
Das 21 áreas temáticas, nove já estão com projetos
de lei prontos. Na próxima segunda-feira (22), às 15 horas, o
deputado Arnaldo Jardim (PPS/SP) vai apresentar o projeto de lei que consolida
as leis sobre energia elétrica, em reunião no plenário
11. Depois de apresentada, a proposta será incluída no site para
que receba sugestões dos cidadãos.
Os outros seis projetos passaram
da etapa de consulta pública. O grupo de trabalho já aprovou
dois deles – a proposta sobre legislação previdenciária
(PL 7.078/02) e ambiental (PL 679/07). Ambos serão analisados
pela Comissão de Constituição e Justiça e
de Cidadania (CCJ), antes da votação do Plenário.
O grupo de trabalho ainda deve votar as propostas que consolidam a legislação
trabalhista (PL 1.987/07); educacional (PL 678/07); de saúde (PL
3.343/08); e para estrangeiros (PL 4.489/01).
De todos os projetos, o que mais
recebeu sugestões até o momento foi o que consolida a legislação
trabalhista. Foram encaminhadas 67 manifestações, desde
comentários de cidadãos comuns até de sindicatos
e conselhos profissionais.
As outras áreas temáticas
do grupo de trabalho tratam da consolidação da legislação
administrativa; cível; comercial; do direito internacional público
e privado; de finanças públicas e orçamento; militar
e de defesa nacional; penal; processual penal; do sistema financeiro
e fiscalização; do sistema tributário; e de trânsito.
Textos
contraditórios
A consolidação das leis consiste em evitar a confusão
de textos contraditórios, eliminar os preceitos ultrapassados, revisar
e organizar as normas existentes sobre um mesmo assunto, e condensá-las
em uma só lei, evitando que se sustente a morosidade da Justiça,
a aplicação inadequada de penas e a impunidade.
A consolidação
das leis federais é feita mediante a reunião em códigos
e consolidações integradas por volumes contendo matérias
conexas ou afins, constituindo em seu todo a Consolidação
da Legislação Federal. Consistirá na integração
de todas as leis pertinentes a determinada matéria num único
diploma legal, revogando-se formalmente as leis incorporadas à consolidação,
sem modificação de seu alcance nem interrupção
da força normativa dos dispositivos consolidados.
O Grupo de Trabalho de
Consolidação das Leis analisa os projetos de consolidação
apresentados à Mesa, restringindo-se aos aspectos formais, não
adentrando no mérito da matéria. (Fonte: Agência
Câmara)
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FOLHA
DE SÃO PAULO, 18 de setembro de 2008 | Dinheiro
Decreto proíbe menor de 18 anos
como doméstica
Antes, era possível contratar maior de
16 e menor de 18 para trabalhar em casa de família | Empregador
que burlar lei terá de pagar todos os direitos trabalhistas do
adolescente e multa que pode chegar a R$ 2.012
PABLO SOLANO
BRENO COSTA
DA AGÊNCIA FOLHA
O trabalho doméstico
está proibido no Brasil para menores de 18 anos. A proibição
vale desde o dia 12 deste mês, quando entrou em vigor o decreto
nº 6.481, assinado em 12 de junho pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, que lista as piores formas do trabalho infantil.
Antes do decreto, era legal a contratação -desde que registrada
em carteira- de maiores de 16 anos e menores de 18 para exercer serviços
domésticos.
Em todo o país, existem cerca de 410 mil crianças e adolescentes
que trabalham como domésticas -ou 8% do trabalho infantil no Brasil,
segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Números do instituto apontam que o decreto exige a retirada do mercado
de 245 mil pessoas com idade entre 16 e 17 anos -os menores de 16 já estavam
proibidos de trabalhar até pela antiga legislação.
O texto assinado por Lula, que lista 93 diferentes atividades, regulamenta
a convenção 182 da OIT (Organização Internacional
do Trabalho), de 1999. Todas as atividades proibidas pelas autoridades brasileiras
foram incluídas em virtude dos riscos que oferecem para a saúde
e o desenvolvimento das crianças e dos adolescentes.
O decreto, por exemplo, coloca o trabalho doméstico na mesma categoria
da extração de madeira, a produção de carvão
vegetal, a fabricação de fogos de artifício, a construção
civil e a produção de sal.
Entre os riscos ocupacionais citados no decreto para jovens que realizam trabalhos
domésticos estão "esforços físicos intensos,
isolamento, abuso físico, psicológico e sexual, longas jornadas
de trabalho, sobrecarga muscular", entre outros.
Qualquer pessoa que for encontrada com uma empregada doméstica adolescente
poderá ser autuada pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego),
segundo o diretor do Departamento de Fiscalização do órgão,
Leonardo Soares.
Dois advogados trabalhistas ouvidos pela reportagem disseram que, a partir
de agora, os patrões estão sujeitos a duas sanções,
no caso de serem flagrados empregando menores.
Além do pagamento obrigatório de todos os direitos trabalhistas
do adolescente, o empregador ainda terá de pagar uma multa que pode
chegar a R$ 2.012, segundo o advogado José Guilherme Mauger.
O patrão ainda pode ter problemas na esfera criminal, caso o Ministério
Público do Trabalho ajuíze ação por crime contra
a organização do trabalho.
O governo ainda não definiu como a fiscalização acontecerá.
A principal dificuldade, afirma Soares, é a garantia constitucional
da inviolabilidade do lar. Qualquer fiscalização in loco depende
de ordem judicial.
O governo ainda não definiu se existirá algum projeto específico
para atender as jovens que devem abandonar o serviço doméstico.
Hoje, toda criança encontrada trabalhando irregularmente é amparada
pela rede de proteção social do Estado, inclusive com o pagamento
de bolsas do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
18 de setembro de 2008 | Dinheiro
Outro lado
"Veto jogará jovem
na rua", diz sindicato
DA AGÊNCIA FOLHA
Presidente do Sindicato dos Empregadores
Domésticos do Estado de São Paulo, a advogada Margareth
Galvão Carbinato, diz que "o governo está brincando
com coisa séria" ao vetar o trabalho doméstico a menores
de idade.
" Tudo isso é balela, é coisa de gente que não sai
para a rua, que fica só sentadinha atrás da mesa falando besteira."
Segundo ela, a medida vai aumentar a criminalidade nas ruas, além de
prejudicar as famílias. "Tínhamos uma legislação
há alguns anos em que o jovem podia trabalhar, produzir, podia ser útil
a sua família. Hoje, ele é tolhido por uma lei absurda, que diz
estar protegendo-o, quando, na realidade, está tirando dele a responsabilidade
como futuro cidadão e jogando-o na marginalidade." (BC)
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FOLHA DE SÃO PAULO, 18 de setembro de
2008 | Dinheiro
TRABALHO
Office-boys não poderão
levar dinheiro
O decreto assinado pelo presidente Lula também proíbe o transporte
de dinheiro e de outros valores por adolescentes que trabalham como mensageiros,
office-boys ou contínuos. O motivo é o risco de eles sofrerem
acidentes e assaltos.
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FOLHA
DE SÃO PAULO, 18 de setembro de 2008 | Dinheiro
Profissionais liberais vão pagar
Cofins, decide STF
Supremo determina também que cobrança
vai ser retroativa aos últimos cinco anos | Mesmo quem tinha decisão
favorável terá de pagar; com a decisão, União
poderá receber até R$ 5 bilhões, segundo cálculos
do IBPT
FELIPE SELIGMAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O STF decidiu ontem,
por 8 votos a 2, que a Cofins também deve ser cobrada de profissionais
liberais que prestam serviços por meio de empresas próprias.
O valor será cobrado retroativamente, respeitando o prazo
de prescrição de cinco anos, inclusive daqueles que
haviam obtido decisões judiciais para não pagar a contribuição.
Serão atingidos pela medida, por exemplo, escritórios de advocacia,
clínicas médicas e pequenas empresas jornalísticas. Cálculos
do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário indicam que a União
poderá receber cerca de R$ 5 bilhões com a cobrança atrasada.
Ainda não se sabe, no entanto, qual será o crescimento de arrecadação
que o governo poderá obter com a decisão.
Entre os atingidos, está a OAB-DF, que representa 28,1 mil advogados
brasileiros. Desde 2004, a instituição havia conseguido na Justiça
o direito de não pagar a contribuição. Tal decisão
já havia até sido transitada em julgado. Mesmo assim, os advogados
da OAB do Distrito Federal terão de pagar o que não pagaram nos últimos
anos, com juros e multa.
A discussão sobre o tema começou em 1991, quando a lei complementar
nº 70, que instituiu a cobrança da Cofins, definiu que tais profissionais
ficariam isentos de pagar a contribuição. Em 1996, porém,
uma lei ordinária (nº 9.430) definiu que as chamadas sociedades
civis de prestação de serviços regulamentados também
teriam de pagar o tributo.
Já naquele ano, começaram a chegar à Justiça os
primeiros recursos, sob o argumento de que uma legislação ordinária
não poderia contrariar uma lei complementar. Desde então, muitos
contribuintes haviam conseguido manter-se isentos da cobrança da Cofins.
Em 2003, o Superior Tribunal de Justiça reafirmou tal entendimento e
resolveu editar a súmula 276, tratando a questão como "pacificada". "As
sociedades civis de prestação de serviços profissionais
são isentas da Cofins, irrelevante o regime tributário adotado",
dizia o texto da súmula do STJ.
Mas ontem o STF, ao analisar um recurso extraordinário sobre o tema,
decidiu que o assunto inicialmente tratado em legislação complementar
poderia ter sido modificado por lei ordinária, ficando, portanto, sujeito à atualização
sem a necessidade de uma nova lei complementar.
Os ministros ainda resolveram reconhecer a chamada repercussão geral
do recurso. Ou seja, a partir de agora, os demais recursos que existem em todas
as instâncias do Judiciário brasileiro deverão seguir a
orientação firmada ontem.
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CUT, 18 de setembro de 2008
Atrasados da Previdência terão
correção maior
Por: Agora
Valores requisitados na justiça terão
correção desde pedido inicial. Revisão presa
na auditoria do INSS deverá ser atalizada pela inflação
A AGU (Advocacia Geral da União)
decidiu que os segurados do INSS com direito a pagamento de parcelas
atrasadas têm direito a correção da grana pela inflação
desde a data em que entraram com o pedido, mesmo que tenham entrado na
Justiça para conseguir a grana. Além disso, quem teve a
revisão do benefício concedida na Justiça, mas teve
o valor dos atrasados bloqueado até a conclusão de uma
auditoria administrativa da Previdência, também terá direito
a correção pelo INPC (Índice Nacional de Preços
ao Consumidor).
Essa orientação
da AGU está na súmula 38, de 16 de setembro, publicada
ontem no "Diário Oficial" da União. A súmula
38 substitui a súmula 28, do dia 9 de junho -que também
determinava a correção monetária, mas não
citava as ações judiciais. Normalmente, a correção
devida da data do pedido até a decisão judicial já era
calculada na sentença.
A grande novidade é que,
após a decisão judicial, o valor determinado pelo juiz
terá de ser corrigido até a data do pagamento, o que até agora
não era regra e na maioria das vezes não acontecia. Em
muitos casos, o INSS faz uma auditoria dos valores determinados antes
de pagar o segurado. "O problema é que essa auditoria às
vezes demora, e o segurado acaba recebendo o valor sem nenhuma correção.
Em alguns casos, o pagamento por meio do PAB [Pagamento Alternativo de
Benefício] demora até dois anos", afirmou Marta Gueller,
advogada previdenciária.
Essa auditoria pode ser realizada
em qualquer ação, mas é mais comum quando os valores
são altos. Segundo a súmula 38 da AGU, o INSS não
poderá mais pagar sem a devida correção. "O
segurado não vai mais perder dinheiro enquanto o INSS faz a conferência
dos valores. Caso não seja feita a correção, o segurado
poderá entrar com uma ação na Justiça pedindo
a parte que falta", disse Marta.
Desde o pedido
O objetivo das súmulas é reduzir o volume de ações,
adequando os procedimentos administrativos do governo às decisões
judiciais recorrentes. Na súmula 38, a AGU manteve a orientação,
que já estava na súmula 28, que assegura o direito a correção
monetária de todas as parcelas atrasadas devidas ao segurado. A única
limitação é que deve ser respeitado um limite de no máximo
cinco anos anteriores ao pagamento para a correção dos valores.
O INSS não comentou a súmula nem informou os prazos para a realização
da auditoria.
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BEM PARANÁ, 18 de
setembro de 2008 | Economia
Irregularidade
Fiscais resgatam 100 trabalhadores
Cem trabalhadores sem o registro em carteira de trabalho foram localizados
trabalhando em 30 olarias da região de Prudentópolis (Centro-Sul
do Paraná) entre os dias 8 e 12 de setembro. A ação fiscal,
que envolveu quatro auditores fiscais do Trabalho, também localizou
três menores de idade em atividades insalubres — atuando na colocação
e retirada de tijolos dos fornos. Todos estavam sem os Equipamentos de Proteção
Individual (EPI).
Vinte e oito autos de infração
foram lavrados e, segundo o chefe da fiscalização da Gerência
Regional do Trabalho de Ponta Grossa, Márcio Mores, este número
pode aumentar substancialmente caso as empresas não se regularizem.
De acordo com ele, este comando fiscal serviu para mapear a região e,
consequentemente, facilitar outras futuras ações que deverão
acontecer em breve.
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Correio Braziliense, 18 de
setembro de 2008
Lula admite fim do fator previdenciário
Enviado por CFP/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou ontem que pode não
vetar as mudanças previstas no projeto de lei que extingue o fator previdenciário
e altera a forma de correção dos benefícios previdenciários.
Se aprovado e sancionado, o projeto de lei irá ampliar o déficit
da Previdência Social ao tornar obrigatória a vinculação
de aumentos no valor de aposentadorias e pensões ao reajuste anual do
salário mínimo.
A sinalização foi
feita pelo presidente durante entrevista à TV Brasil, órgão
do governo federal. “Se for aprovado no Congresso o acordo entre
os líderes, certamente que eu não vetarei”, afirmou.
Por outro lado, ele fez ponderações de que uma eventual
aprovação da matéria terá efeito negativo
nas contas pública porque deverá aprofundar o desequilíbrio
nas contas da Previdência. Lula disse que o Ministério da
Fazenda está discutindo os efeitos do projeto na Câmara
dos Deputados, na tentativa de evitar a aprovação das mudanças.
“O governo não quer
dar mais ou menos, o governo quer fazer aquilo que é possível
fazer. Se temos uma arrecadação para a Previdência
e você aprova uma coisa que significa aumentar o custo, você tem
que se perguntar sempre de onde vai sair o dinheiro para pagar. Essa é uma
pergunta que todo mundo tem que fazer, os deputados, os senadores”,
acrescentou. Ao responder à questão, o presidente expôs
a dificuldade em dizer não e barrar uma medida que irá beneficiar
aposentados e pensionistas, mas que irá dificultar a gestão
do orçamento. Neste ano, o déficit da Previdência é estimado
em R$ 43 bilhões.
Fonte: Correio Braziliense
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
18/09/2008
Valor do acordo trabalhista prevalece sobre
sentença para cálculo do INSS
Em processo trabalhista, havendo
acordo entre as partes após a liquidação da sentença,
independente do reconhecimento do vínculo de emprego, o recolhimento
do INSS terá como base o valor resultante da conciliação.
Este é o teor da decisão da Sétima Turma do Tribunal
Superior do Trabalho, em voto do ministro Guilherme Caputo Bastos, que
deferiu recurso do Banco Santander Banespa S/A.
O banco havia recorrido ao Tribunal
Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas), mediante recurso
ordinário e embargos de declaração, na tentativa
de rever a base de cálculo para determinar o valor da contribuição
previdenciária que teria de recolher. O TRT negou o pedido, por
entender que a conciliação das partes após a sentença
de liquidação implica a incidência das contribuições
previdenciárias sobre todas as verbas salariais liquidadas, de
forma integral.
Contra essa decisão, o
banco apelou ao TST, por meio de recurso de revista. O relator, ao contrário
do posicionamento adotado pelo Regional, considerou que é lícito às
partes – seja em dissídio individual ou coletivo – celebrar
acordo para pôr fim ao processo, ainda que em fase posterior à de
conciliação. “O crédito resultante de conciliação
na fase da execução formará o novo título
executivo, substituindo integralmente a sentença. Assim, esta
deixa de existir não só para as partes, mas também
para a Previdência”, conclui Caputo Bastos. ( RR 648/2003-055-15-00.3)
(Ribamar Teixeira)
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18/09/2008
Interrogatório de gestante em sindicância
no SESC-PR acaba em indenização
Membro da Cipa e no último
mês de gravidez, uma nutricionista do Serviço Social do
Comércio (SESC) do Paraná foi submetida a constrangimento
durante sindicância para apurar aquisições de carne
em quantidade superior ao consumo no restaurante da instituição,
em 1997. Ela tem conseguido na Justiça do Trabalho decisões
favoráveis ao recebimento de indenização por dano
moral. As últimas foram da Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho,
em recurso de embargos e embargos declaratórios interpostos
pelo SESC.
Durante o ano de 1997, a nutricionista
foi responsável pelo restaurante apenas por um mês. Ela
foi chamada para interrogatório em janeiro de 1998. Mas o funcionário
que a substituiu nos outros onze meses não foi convocado para
prestar informações. A trabalhadora conta na ação
que não se insurge contra a sindicância, mas contra a
forma como foi tratada. No oitavo mês de gestação,
teve de permanecer prestando informações das 9h30 às
13h30, sem alimentação ou uso de toalete.
O que a nutricionista mais
destaca é que os responsáveis pela apuração
procuravam induzi-la a assumir a culpa ou responsabilizar alguém
do setor, chegando mesmo a acrescentar palavras, na transcrição
de seu depoimento, que ela não tinha dito, o que a obrigava
a exigir constantes retificações. Isso provocou-lhe cólicas,
cefaléias e outras alterações psicofísicas
na tarde e na noite seguintes, obrigando-a a ser atendida por um obstetra.
Além disso, houve a
repercussão do interrogatório, de conhecimento de todos
os empregados. Os colegas de outros setores fizeram piadinhas com a
situação, perguntando quando haveria o churrasco ou quando
seria inaugurado o açougue, o que a deixou constrangida. Durante
o período da licença, recebia telefonemas de colegas
informando que muitos estavam sendo dispensados, o que lhe causou mais
estresse.
O processo
Contratada em 1994 como auxiliar
de escritório, a trabalhadora foi promovida a nutricionista
em janeiro de 1994, quando foi transferida de Londrina para Curitiba.
Em fevereiro de 1997, saiu de férias e, ao voltar, em março,
foi transferida para outro setor – Educação para
a saúde. Em outubro de 1997, foi eleita representante dos empregados
da Cipa, tomando posse em novembro de 1997, com estabilidade até outubro
de 1999. Em agosto de 1998, foi dispensada, dois meses após
ter voltado da licença-maternidade.
A 10ª Vara do Trabalho
de Curitiba concluiu que o SESC causou abalo psicológico à trabalhadora,
ao submetê-la à comissão de sindicância,
sem ter adotado o mesmo procedimento para a pessoa que trabalhou a
maior parte do ano no cargo. Condenou, então, a instituição
a pagar dez remunerações corrigidas, desde a data do
fato provocador do dano moral. Deferiu também outros pedidos,
como indenização, que substituiu a reintegração,
devido à estabilidade de cipeira.
O SESC recorreu ao Tribunal
Regional do Trabalho da 9ª Região (PR) e à Quarta
Turma do TST, e ambos mantiveram a condenação. Ao julgar
mais um recurso do SESC, agora de embargos, a SDI-1 considerou, além
do estado da trabalhadora, cujo parto aconteceu em seguida, o registro
feito pelo Tribunal Regional de que a sindicância foi direcionada
para justificar a sua dispensa após o retorno da licença-maternidade.
Para o relator, ministro Aloysio
Corrêa da Veiga, todos os fatos e provas condutores da decisão
regional foram no sentido de que a instituição, na realidade,
não buscava esclarecer fatos irregulares, mas apenas justificar
a dispensa da empregada. A SDI-1, por maioria, vencido o ministro Brito
Pereira, rejeitou os embargos, mantendo, assim, o entendimento que
vem sendo adotado desde a Vara de Curitiba. Posteriormente, o SESC
interpôs embargos declaratórios, igualmente rejeitados,
e recurso extraordinário ao Supremo Tribunal Federal, em 25
de agosto de 2008. ( RE-ED-E-RR - 5038/2002-900-09-00.3)
(Lourdes Tavares)
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