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FOLHA
DE SÃO PAULO, 19 de setembro de 2008 | Cotidiano
RETRATO DO BRASIL
Trabalho com carteira assinada
cresce 6,1%
Em 2007, número de pessoas com
emprego formal no país chegou a 32 milhões; na indústria,
total de vagas subiu 4,6% | Nordeste puxou alta, com aumento de 8,5%
no total de trabalhadores com carteira; há 8,1 milhões
de pessoas desempregadas
DA SUCURSAL DO RIO
O número de trabalhadores
com carteira assinada cresceu 6,1% em 2007 e chegou a 32 milhões
de pessoas, segundo dados da Pnad. O percentual de trabalhadores
com emprego formal chegou a 35,7% no ano passado, o maior desde o
início da série histórica, em 1992.
Entre as regiões, o destaque foi o Nordeste, com alta de 8,5% no total
de trabalhadores com carteira. Os empregados sem carteira tiveram queda de
0,7% em 2007, mas ainda permanecem em número elevado: 20,6 milhões
de pessoas.
Para Sonia Rocha, economista do Iets (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade),
o resultado mostra uma mudança estrutural do comportamento das pessoas
e do mercado de trabalho. "Muitas vezes o trabalhador abre mão
de um rendimento maior em busca da carteira assinada. O Ministério do
Trabalho atribui essa melhora ao aumento da fiscalização, mas
creio que o efeito ainda é marginal", disse.
A taxa de desemprego recuou de 8,4% para 8,2% no ano passado. Apesar da redução,
a taxa ainda é superior à verificada em 1997, de 7,8%. Entre
as regiões, houve aumento no Norte de 7,1% em 2006 para 7,8%. No Sudeste
a taxa de desemprego passou de 9,6% para 9,0% no período. O número
de desempregados caiu 1,8% e ficou em 8,1 milhões de pessoas.
No ano passado, houve um aumento de 4,6% no contingente de trabalhadores ocupados
na indústria. Na prática, houve um aumento de cerca de 610 mil
vagas.
Para Lauro Ramos, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada),
o resultado marca uma nova fase após um ciclo de perda de expressão
do setor industrial.
A construção civil também registrou expansão de
4,6%. O setor representa 6,7% da mão-de-obra ocupada no país.
Segundo o IBGE, é resultado do processo de mecanização
no campo. O total de trabalhadores na agricultura passou de 17,2 milhões
para 16,6 milhões.
A pesquisa ainda mostra o aumento da escolarização no mercado
de trabalho. A população ocupada com 11 anos ou mais de estudo
registrou aumento de 5,9%. Esses trabalhadores representam 39,6% da mão-de-obra
ocupada.
Segundo Cimar Pereira, do IBGE, o processo de formalização no
mercado de trabalho foi um dos indutores do aumento do consumo registrado no
ano passado, especialmente da chamada classe C.
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FOLHA
DE SÃO PAULO, 19 de setembro de 2008 | Cotidiano
RETRATO DO BRASIL
Em ascensão, renda feminina é menor
do que a masculina
Ganho da mulher no ano passado representava
66,1% do rendimento do homem | Salário dos trabalhadores domésticos
homens em 2007, de acordo com o IBGE, era de R$ 447 e o das mulheres,
de R$ 324
DA SUCURSAL DO RIO
Os resultados da Pnad mostram
aumento da inserção feminina no mercado de trabalho,
mas ainda sem equiparação da renda. Em 2007, o rendimento
feminino representava 66,1% do rendimento masculino. Em 2004, esse
percentual era de 63,5%. Segundo o IBGE, a maior diferença percentual
foi registrada entre os trabalhadores por conta própria.
A diferença de rendimento aparece entre as diversas formas de ocupação.
A remuneração dos trabalhadores domésticos do sexo masculino
em 2007 era de R$ 447 e a das mulheres, de R$ 324. Entre os trabalhadores por
conta própria, as mulheres recebiam R$ 585 e os homens, R$ 886. Mesmo
entre os empregadores, os homens obtêm rendimentos maiores: R$ 3.038
contra R$ 2.356 entre as mulheres.
Relativização
Para Lena Lavinas, da UFRJ, o resultado precisa ser relativizado, porque as
mulheres trabalham em média menos horas do que os homens.
"É preciso corrigir a proporção pelo número
de horas trabalhadas. A atividade que mais ocupa as mulheres é o trabalho
doméstico, e há uma parcela grande de mulheres que trabalham menos
horas do que os homens", disse.
Em 2007, 18,3% dos homens ocupados trabalhavam menos de 39 horas semanais.
Entre as mulheres empregadas, esse percentual sobe para 40,6%. A proporção
de mulheres que trabalham mais de 40 horas semanais é de 59,4% e a dos
homens, de 81,7%.
Estudo
Se por um lado, em média, as mulheres trabalham menos horas, a pesquisa
mostra que elas têm cada vez mais um número maior de anos de estudo.
" A escolaridade parece ser fator decisivo para a entrada da mulher no mercado
de trabalho", afirma a pesquisa. Na população ocupada, as
mulheres tinham em média 8,3 anos de estudo e os homens, 7,3 anos. No
total de mulheres avaliadas na pesquisa, 32% possuíam 11 anos ou mais
de estudo. Entre as mulheres que estão empregadas, esse percentual sobe
para 45,7%.
" O que explica a aproximação do rendimento é que a
qualificação das mulheres é cada vez maior. Esse patamar
mais próximo de rendimento mostra que o componente de discriminação,
mesmo que de forma ainda leve, tem diminuído. As mulheres estão
conquistando seu espaço no mercado de trabalho", afirma Lauro Ramos,
do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
Crescimento
A análise do aumento do nível de ocupação (proporção
de pessoas ocupadas na população de dez anos ou mais) confirma
o crescimento da presença feminina no mercado de trabalho. Em 1997,
o nível de ocupação das mulheres era de 42,5%. No ano
passado, chegou a 46,7%. No mesmo período, o nível de ocupação
masculina caiu de 69,2% para 67,8%.
A pesquisa mostra ainda que as mulheres têm percentual de freqüência à escola
maior do que o dos homens. A diferença é percebida em todas as
faixas etárias, mas é maior no grupo de 18 a 24 anos, em que
30% dos homens estudam contra um percentual de 31,8% entre as mulheres.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
19 de setembro de 2008 | Cotidiano
Cai o número de trabalhadores
sindicalizados
DA SUCURSAL DO RIO
O número de trabalhadores
sindicalizados caiu 3,3% em 2007 comparados os números absolutos,
de acordo com os dados da Pnad. É a primeira queda no indicador
desde 1998.
O resultado surpreendeu especialistas ouvidos pela Folha porque ocorre em um
momento de expansão do emprego com carteira de trabalho assinada e melhoria
da renda, o que se refletiu inclusive no aumento do número de contribuintes
para a Previdência.
Em 2007, o total de descontados pelo INSS chegou a 46,1 milhões. Pela
primeira vez desde o início da década de 90, o percentual ultrapassou
a metade do total de trabalhadores.
Neste cenário, a queda entre os sindicalizados é representativa
porque ocorre no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que
tem história ligada ao movimento sindical.
Em 2007, o país tinha cerca de 16 milhões de trabalhadores sindicalizados,
que representavam 17,7% da população ocupada. Em 2006, eram 18,6%.
Na indústria de transformação (que pega matérias-primas
e as torna produtos comerciais), o percentual de trabalhadores associados a
sindicatos era de 20,3% no ano passado, a menor desde 2002.
Para Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores),
os resultados da pesquisa refletem a necessidade de renovar os sindicatos.
" O movimento sindical já não encanta mais os trabalhadores
como na década de 1970. Durante muito tempo lutamos por aumentos, salário
mínimo, mas esquecemos de olhar as demais necessidades dos trabalhadores,
como serviços de qualidade, educação e saúde."
O presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Artur Henrique,
atribuiu a queda ao aumento da rotatividade de trabalhadores. Ele destaca ainda
que a penetração dos sindicatos nas pequenas e médias
empresas ainda é baixa.
" Ainda há um grande número de empresas no Brasil com visão
pouco democrática da atuação sindical. Os setores onde a
CUT tem forte representação, como bancários e administração
pública, continuam com percentual elevado de participação",
afirma.
A análise dos dados em dez anos ainda mostra um saldo positivo. Em 1997,
o país tinha proporção de sindicalizados de 16,2% na população
ocupada.
Há diferenças também entre as regiões. A região
Sul tem a maior participação de trabalhadores ligados a sindicatos:
21,2% do total de ocupados. O Sudeste ficou com 16,5%. A menor taxa foi verificada
no Norte do país, com o índice de 13,3% no ano passado.
Não são só as diferenças regionais que mudam o
perfil da sindicalização. Atividades com muitos trabalhadores
informais têm percentual baixo de sindicalizados. Nos serviços
domésticos, a participação é de 1,9% e na construção
civil, de 7,3%. Já em educação, saúde e serviços
sociais, essa proporção sobe e chega a 28,6%.
Segundo Clemente Ganz Lucio, diretor técnico do Dieese, uma das hipóteses é de
um efeito estatístico em razão do aumento maior do número
de trabalhadores ocupados. "O ingresso no mercado de trabalho é maior
do que a capacidade dos sindicatos de arregimentar novos associados",
disse.
Além disso, a própria melhora no mercado de trabalho contribui
para o aumento da rotatividade, o que reduz o interesse pela sindicalização.
Na prática, com mercado mais aquecido, o próprio trabalhador
pode optar por trocar de emprego com oferta de vagas melhores.
Previdência
Se de um lado a pesquisa apontou menor disposição dos trabalhadores
para se sindicalizarem, a Pnad revela que a proporção de contribuintes
para a Previdência chegou a 51,1% em 2007. Em 1997, eram 42,6%.
O aumento do percentual de contribuintes ocorreu em todas as regiões.
O Sudeste conta com a maior proporção, de 61,6%, e a mais baixa
foi registrada no Nordeste, com 32,1%. Entre as atividades, a administração
pública teve o maior percentual, com 85,8%, e o menor foi o de atividade
agrícola, com apenas 15,4%.
Apesar de contar com o menor percentual em 1997, o percentual de contribuintes
entre os trabalhadores da agricultura era de 9,7%.
"A maior contribuição para a Previdência não
minimiza o problema referente ao envelhecimento da população. Esse
processo [de envelhecimento que está ocorrendo agora] terá impactos
para o sistema previdenciário daqui a 20, 30 anos", afirma o presidente
do IBGE, Eduardo Pereira Nunes.
A pesquisa mostra que, de 2006 para 2007, o contingente da população
de 40 anos ou mais cresceu 4,2%, enquanto o grupo mais jovem, de até 14
anos, teve redução de 0,7%.
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AGÊNCIA DIAP, 19 de
setembro de 2008
PESQUISA
Trabalho infantil cai, mas ainda
afeta 10,5% de crianças e jovens

O trabalho infantil caiu no Brasil
em 2007, mas ainda ocupa patamares preocupantes, revelou a Pnad 2007
(Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgada nesta quinta-feira
(18). Cerca de 10,5% da população entre 5 e 17 anos trabalhava
no ano passado, segundo a pesquisa.
O contingente – cerca de
4,8 milhões de pessoas – contudo, foi menor que o de 2006,
quando o índice chegou a 11,5%. Mas ainda não é possível
afirmar se isso é uma tendência, segundo o IBGE.
Em 2005, o número de crianças
trabalhando havia crescido em relação a 2004, alcançando
12,2% da população entre 5 e 17 anos. Nos 16,6 milhões
da camada mais nova deste grupo, entre 5 e 9 anos, 157 mil trabalhavam
em 2007. Destes, 116 mil exerciam atividades agrícolas.
A Pnad atribui a queda do trabalho
infantil à redução na ocupação das
atividades agrícolas, setor que, segundo a pesquisa, concentra
a maior parte da mão-de-obra infantil. Lá estão
cerca de 75% das crianças entre 5 e 9 anos que trabalhavam em
2007.
Na faixa que vai dos 5 aos 13
anos, 60,7% das crianças e jovens ocupados também trabalhavam
no setor agrícola. Já entre os mais velhos, a incidência
maior é de trabalho em centros urbanos. Em jovens de 14 e 15 anos,
58,9% trabalhavam, em 2007, em áreas não agrícolas.
Na camada de 16 e 17 anos, esse percentual alcançou 72,9% ano
passado.
A Pnad, que faz levantamentos
socioeconômicos anuais da população brasileira, coletou
em 2007 dados em 147.851 domicílios de 851 municípios do
Brasil. Estatísticas indicam que mais de 5 milhões de crianças
e adolescentes entre 5 e 17 anos trabalham de forma irregular e até forçada
no Brasil.
Muitas crianças pequenas
são obrigadas a realizar trabalhos de adultos, como estas crianças
que passam o dia quebrando pedras com uma marreta. Segundo pesquisa da
Unicamp, apenas em 2022 está prevista a erradicação
total do trabalho infantil em nosso País. Mas, e até lá?
(Com Folha de S.Paulo)
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FOLHA DE SÃO PAULO,
19 de setembro de 2008 | Cotidiano
Renda dos mais pobres cresce, afirma
FGV
DA SUCURSAL DO RIO
O grande destaque da Pnad de
2007 foi a queda da desigualdade de renda, segundo o pesquisador Marcelo
Neri, do Centro de Pesquisas Sociais da Fundação Getulio
Vargas. Segundo levantamento da FGV realizado com base nos dados do IBGE,
a renda dos 50% mais pobres cresceu 4,3% em 2007, enquanto a dos 10%
mais ricos teve ligeira queda (0,13%).
Já os 40% da população que estão na faixa intermediária
tiveram aumento de renda de 3,98%. A metodologia é diferente da usada
pelo IBGE -entre outros critérios, inclui quem não teve rendimento
em 2007.
Na série histórica iniciada pela FGV em 2001, os 50% mais pobres
da população, que detinham 12,5% da renda nacional naquele ano,
passaram a deter 14,8% em 2007 (alta de 0,3 ponto percentual em relação
a 2006).
Já os 10% mais ricos, que em 2001 tinham 47,2% da renda nacional, ficaram
com 43,6% em 2007 (queda de 0,9 ponto percentual em relação a
2006).
Pelos cálculos da FGV, o percentual de pessoas vivendo na miséria
caiu de 19,18% da população brasileira para 18,11% (o critério
utilizado é o de indivíduos com renda inferior a R$ 135 por mês).
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CONGRESSO EM FOCO, 19 de
setembro de 2008
De educação, emprego
e trabalho
Paulo Nathanael Pereira de Souza*
Quando se pensa em mercado de
trabalho, há que dividi-lo, segundo a sua verdadeira estrutura:
de um lado, os empregos formais, que entre nós se regem pela CLT,
e de outro, as demais relações de trabalho, que envolvem
formas as mais variadas, como: profissionais liberais, comércio
de esquina, indústria caseira, empreendedores diversos, etc, etc.
Até porque, em termos quantitativos, o mercado brasileiro hoje
se reparte meio a meio, entre celetistas e trabalhadores informais, com
forte tendência de ultrapassagem daqueles por estes.
Apesar disso, quando se fala
em reforma trabalhista – uma exigência inadiável destes
tempos de modernidade e mundialização –, arma-se
por toda parte uma verdadeira tempestade em copo d’água,
dado o fato de que quem pensa em trabalho parece pensar só em
emprego. Ademais, não se pode ignorar que uma série de
gigantescas instituições, como os sindicatos patronais
e trabalhistas, os órgãos da Justiça e do Ministério
do Trabalho, e Emprego, formam uma floresta, cujas raízes se aprofundam
no solo fértil da CLT. Se mexerem nessa lei sagrada, outorgada à nação
pelo santo dos trabalhadores brasileiros, que já não é São
José, e sim, São Getúlio Vargas, essa floresta corre
o risco de desabar.
Acontece que, ao se falar em
reforma das leis do trabalho, o que se quer na verdade é promover
a inclusão, nas proteções possíveis de uma
nova legislação, de todo o leque das profissões
praticadas ao desabrigo da CLT, sem extinguir o que os cruzados do formalismo
empregatício chamam de “sagradas conquistas do trabalhador”,
as quais, na verdade, são os bem-aventurados privilégios
da empregabilidade formal. Trata-se, pois, de incluir nessa ou em uma
nova proteção legal os informais, sem necessariamente mexer
com os formais. Estes podem e devem continuar, bem como as estruturas
institucionais e sindicais, que cresceram à sua sombra. O importante
mesmo é reconhecer como úteis, necessárias e indispensáveis à nova
economia as muitas formas emergentes de trabalho, que se foram desenvolvendo
ultimamente à margem do formalismo, e cujos agentes permanecem à espera
de uma lei, que os ampare, defenda e promova, em nome da isonomia com
os demais trabalhadores e da prática de uma Justiça Social,
que vá além do atual conceito de empregabilidade.
Os equívocos que, no Brasil,
misturam emprego com trabalho também afloram – e com destaque – nas
discussões sobre desemprego. E quando o mercado contrata lotes
de milhões de novos empregados, como aconteceu no decorrer de
2007, uma certa imprensa, não se sabe, se por ignorância
ou por viés ideológico, festeja o feito, como se fora milagre,
embora omitindo duas informações igualmente importantes:
uma, a de que são em geral empregos de baixa qualificação,
outra, a de que geram salários pífios, de quase nenhum
poder aquisitivo.
Ainda que precários, esses
empregos servem, todavia, para aliviar o negativismo das estatísticas
e dar uma certa euforia à pobreza nacional (pelo menos àquela
que ainda crê no trabalho e se nega a pedir demissão do
emprego, para tornar-se beneficiária de políticas filantrópicas
do tipo bolsa – disso e daquilo).
Mas, o pior problema não
está aí, e sim naqueles setores que exigem qualificações
maiores do trabalhador para a conquista de um posto de trabalho. São
as funções técnicas intermediárias, que permanecem
sem titulares por muito tempo, porque não há gente capacitada
para ser contratada. Sabe-se que à medida que se reciclam tecnologicamente
as empresas, mormente as que lidam com as atividades dos setores sucroalcooleiro,
petrolífero, de construção civil, financeiro, hard
e software, entre tantos outros, vão elas se tornando mais exigentes
para com os candidatos a emprego. Nesses casos, o principal culpado pela
insuficiência de trabalhadores com preparo mínimo para o
exercício profissional é a educação básica
de péssima qualidade, praticada hoje no Brasil.
Ademais da incapacidade da escola
para entregar à sociedade jovens minimamente qualificados para
a inclusão social e o trabalho, ainda ocorre que a escolaridade
média do brasileiro não passa de cinco anos, o que, nos
países mais desenvolvidos se mede por dez ou doze. Sobram empregos
e escasseiam candidatos com credenciais para ocupá-los. No CIEE,
vive-se esse drama praticamente todos os dias, apesar de seu banco de
dados apresentar mais de milhão de jovens inscritos.
A empresa pede um estagiário
dotado de certo nível de conhecimentos. Enviam-se três ou
quatro dentre os melhores desse banco. Não raro, são todos
devolvidos, por não conseguirem aprovação nas entrevistas,
que tiveram com o RH da empresa. Há quem queira culpar o CIEE
por isso. Ocorre que os alunos não são do CIEE, e sim da
rede formal de ensino, onde se encontram as escolas públicas e
privadas. O CIEE não ensina por não ser escola, apenas
intermedeia o produto acabado, que vem do sistema de ensino, e o encaminha
para as organizações ofertantes de estágio.
Para se ter idéia da gravidade
dessa situação, em tudo e por tudo paradoxal, recentemente,
em Santo André, onde havia 49.000 desempregados, deu-se a oferta
de 25.000 postos de trabalho (50% do total de desempregados). Sabem quantos
puderam ser aproveitados? Apenas 9.200! Daí poder-se dizer que
mais grave do que o desemprego no Brasil é a deseducação
do jovem, que vê o emprego, mas não o captura por falta
de competência intelectual. Quanto vai, ainda, demorar para que
as autoridades do ensino deste país consigam enxergar o apocalipse
que, de há muito, nos rodeia?
*Paulo Nathanael Pereira de Souza é doutor
em educação, presidente do Conselho Diretor do Centro de
Integração Empresa-Escola (CIEE) Nacional e do presidente
do Conselho de Administração do CIEE.
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AGÊNCIA DIAP, 19 de setembro de 2008
RELAÇÕES DE TRABALHO
Posições de Unger sobre
reformas sindical e trabalhista causam controvérsias
Em matéria publicada pelo
jornal O Estado de S. Paulo, reproduzida pela Agência Estado e
veiculada pelo DIAP, o ministro de Assuntos Estratégicos Mangabeira
Unger, trata das reformas sindical e trabalhista na perspectiva de criar
mecanismos, a fim criar normas que facilitem a entrada dos informais
no mercado de trabalho.
Por se tratar de tema controverso
ainda em discussão pelas centrais sindicais, a UGT (União
Geral dos Trabalhadores), em nota oficial questiona as posições
do ministro.
Leia a íntegra da nota:
“UGT desautoriza ministro
Mangabeira Unger
Em texto publicado hoje (18)
na página A12, do jornal O Estado de São Paulo, o ministro
Mangabeira Unger, de Assuntos Estratégicos, se autonomeia o gestor
das reformas trabalhista e sindical, em nome do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva.
A UGT desautoriza o ministro
Mangabeira Unger a apresentar quaisquer propostas que alterem “parte” da
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), mesmo com a ótima
intenção (que a UGT defende) de facilitar a entrada dos
informais no mercado de trabalho.
O movimento sindical e, especialmente
a UGT, repudia as atitudes do ministro Mangabeira Unger por considerá-las
uma tentativa de manipular a opinião pública e de acelerar
decisões do Executivo sem ouvir, nos fóruns adequados,
os trabalhadores.
A UGT, a terceira maior
central brasileira, mantém no seu um ano de vida, seu apoio às
práticas democráticas que exigem exaustivas discussões
dos interessados em quaisquer mudanças na Consolidação
das Leis do Trabalho, ou seja, trabalhadores, patrões e Governo.”
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CONGRESSO EM FOCO, 19 de
setembro de 2008
Os melhores parlamentares, segundo
os jornalistas
Cristovam, no Senado, e Fruet, na Câmara,
encabeçam a lista dos melhores, de acordo com profissionais
que cobrem o Congresso
Edson Sardinha e Fábio Góis*
Na avaliação dos
jornalistas que cobrem as atividades do Congresso, os senadores Cristovam
Buarque (PDT-DF), Eduardo Suplicy (PT-SP), Pedro Simon (PMDB-RS),
Marina Silva (PT-AC) e Demóstenes Torres (DEM-GO) são,
em ordem decrescente, os que mais bem representam os interesses da
população no Senado (confira
a lista completa).
Já na Câmara dos
Deputados (veja
a relação), segundo os 204 jornalistas consultados,
os que exercem o mandato de forma mais representativa são, também
em ordem decrescente, Gustavo Fruet (PSDB-PR), Chico Alencar (Psol-RJ),
Maurício Rands (PT-PE), Fernando Gabeira (PV-RJ), e Maria do Rosário
(PT-RS).
Esses dez e outros 32 parlamentares
classificados serão agraciados, em cerimônia que será realizada
em Brasília, no dia 1º de dezembro, com o Prêmio Congresso
em Foco 2008. Cristovam e Fruet receberão ainda um prêmio
especial por terem sido os mais votados pelos jornalistas.
Estão entre os finalistas
que serão submetidos à avaliação do internauta,
entre os dias 22 de setembro e 20 de novembro, os 26 deputados e os 16
senadores que receberam maior número de voto entre os profissionais
de imprensa. O número é maior que os 40 previstos inicialmente,
já que houve empate na 25ª e na 15ª colocação
das respectivas casas legislativas. Caberá agora ao leitor do
Congresso em Foco, já a partir da próxima segunda-feira,
definir a classificação final.
Os 42 parlamentares receberão
certificados atestando a boa atuação que têm ou tiveram
no exercício do mandato, conforme o julgamento daqueles que por
obrigação profissional devem acompanhar com profundidade
e independência as atividades do Legislativo federal.
O internauta decidirá quem
vai receber os troféus reservados aos três primeiros lugares,
na Câmara e no Senado, e as placas de homenagem que serão
entregues aos parlamentares que ficarem entre a quarta e a décima
colocação em cada Casa.
A consulta foi feita entre jornalistas
de 53 veículos de comunicação do país, entre
jornais, emissoras de TV e rádio, agências de notícia,
portais de internet. Repórteres, editores, produtores de TV, colunistas,
chefes de redação, jornalistas de rádio, comentaristas – dos
grandes jornais e revistas do país, da internet, da mídia
regional e de órgãos de comunicação públicos – fizeram
questão de depositar o voto na urna itinerante que, de terça-feira
(16) até ontem (18), percorreu as dependências do Congresso
e as principais redações da capital federal (leia
mais).
Todo o processo de votação
e apuração foi acompanhado pelo Sindicato dos Jornalistas
Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), que apóia a iniciativa,
assim como a Ordem dos Advogados do Brasil. O Prêmio Congresso
em Foco 2008 tem o patrocínio da Petrobras e da Brasil Telecom.
Representatividade
Entre os 42 finalistas, há oito
mulheres, um aumento relativamente significativo em comparação
com as cinco classificadas no ano passado. As deputadas Maria do Rosário
(PT-RS), Luciana Genro (Psol-RS), Luiza Erundina (PSB-SP), Rita Camata
(PMDB-ES) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), e as senadoras Marina Silva
(PT-AC), Patrícia Saboya (PDT-CE) e Ideli Salvatti (PT-SC) compõem
a bancada feminina.
Já entre os partidos,
o do presidente Lula é o que reúne o maior número
de representantes, entre deputados e senadores. São 14 petistas.
Os demais selecionados se dividem da seguinte forma: PMDB (6); PSB (4);
PDT (4); Psol (3); PCdoB (3); PSDB (3); PPS (2); DEM (2); e PV (1).
Das 27 unidades da Federação,
15 têm ao menos um deputado ou senador na lista. Dono da maior
bancada no Congresso, São Paulo tem também o maior número
de finalistas: sete, ao todo. Rio Grande do Sul (6); Paraná (4);
Rio de Janeiro (4); Amazonas (3); Pernambuco (3); Acre (2); Bahia (2);
Ceará (2); Distrito Federal (2); Espírito Santo (2); Santa
Catarina (2); Goiás (1); Maranhão (1); e Rio Grande do
Norte (1) aparecem na seqüência.
Ao todo, 49
senadores e 177
deputados foram mencionados nas cédulas. O senador Jefferson
Péres (PDT-AM), morto em maio deste ano, foi lembrado 45 vezes
pelos jornalistas e aparece como o oitavo mais bem votado no Senado.
Ao final da apuração,
ontem à noite, o Congresso em Foco procurou os cinco parlamentares
que encabeçaram a consulta à imprensa em cada casa legislativa.
Nem todos foram localizados. Ao receberem a notícia sobre o resultado
da votação, o senador Pedro Simon e os deputados Gustavo
Fruet, Chico Alencar, Maurício Rands e Fernando Gabeira ressaltaram
a importância da premiação para que o Parlamento
reconquiste sua credibilidade.
Veja o que eles disseram:
Pedro Simon
“Em primeiro lugar eu agradeço.
Sou um grande admirador do Congresso em Foco. É uma grande publicação,
que valoriza o Congresso e a política. A votação
dos jornalistas é feita com independência. E chama a atenção,
num momento em que vemos mais críticas, que também é importante
destacar o lado positivo da política.”
Gustavo Fruet
“Fico muito feliz [por
estar entre os finalistas]. O que eu sempre achei é que isso tem
um tom crítico muito importante: o jornalista que cobre o Congresso
com uma visão crítica da vida política. O jornalista é,
por vezes, acético em relação a mudanças, é um
público muito exigente. Não tem uma relação
de natureza partidária, por isso essa indicação é da
maior importância. O Prêmio Congresso em Foco é também
uma forma de abrir a participação para pessoas que acompanham
de certa forma a política, um canal muito importante. E isso acontece
em um momento de muita descrença em relação à política.
O Prêmio é um incentivo e uma cobrança.”
Chico Alencar
“É uma honra e um
desafio. Ao passo que é um presente, me chama à realidade, à responsabilidade.
Acho que isso é um prêmio, uma homenagem a algo inerente à condição
de um detentor de mandato. Atribuo esse resultado à presença,
a assiduidade, ao interesse e à combinação da atuação
legislativa em comissões e no plenário. Também cito
meu combate ao chamado cretinismo parlamentar: não fico fazendo
cena, representando. Mas eu não ganho esse prêmio sozinho:
divido com toda a equipe que faz o mandato. A opinião do jornalista é muito
qualificada, e meu diálogo com a imprensa é muito bom – ao
contrário do de alguns colegas, que olham a imprensa com desconfiança.
Mas também não quero que fiquem só falando bem de
mim, têm de me criticar, quando for o caso. Valorizo muito o papel
da imprensa no sentido de fiscalizar os desmandos, coibir os esquemas
espúrios, denunciar a corrupção.”
Maurício Rands
“Recebo isso com a maior
honra do mundo. É um estímulo para mim e para toda a minha
equipe continuarmos trabalhando em prol da democracia. Acho que o Congresso
em Foco dá uma grande contribuição para valorizar
a atividade política e estimular a renovação.”
Fernando Gabeira
“É a terceira vez
que eu fico entre os finalistas, fico muito feliz. Espero continuar,
com toda a humildade, caso volte ao Congresso [Gabeira é candidato à prefeitura
do Rio], o trabalho que venho fazendo. A possibilidade [de estar entre
os vencedores também na votação via internet] sempre
existe. Nesse caso específico não devia haver campanha.
Eu não faço campanha. As pessoas devem ficar bem à vontade
para escolher, da forma mais aberta e tranqüila possível.
A campanha é a prática do transcorrer do ano. O trabalho
do ano é o grande ponto de avaliação.”
Combate à corrupção
Em sua terceira edição,
o Prêmio Congresso em Foco pretende reconhecer o trabalho dos deputados
federais e senadores que se destacam no cumprimento de suas obrigações
ao longo do ano de 2008, valorizar os bons exemplos, estimular a população
a analisar o desempenho individual dos representantes eleitos e contribuir
para formar eleitores mais conscientes (confira
a íntegra do regulamento).
Na consulta que resultou na classificação
dos 42 parlamentares que serão submetidos ao crivo do internauta,
o Congresso em Foco também perguntou aos jornalistas quem era,
na avaliação deles, o deputado ou senador que mais se destaca
na defesa da Justiça e no combate à corrupção.
Os cinco mais votados na categoria
também disputarão a preferência do eleitor a partir
de segunda-feira. Não perca amanhã (20), aqui neste site,
a divulgação do resultado dessa nova categoria, incluída
na edição deste ano do prêmio. O vencedor, de acordo
com a votação eletrônica, receberá uma placa
em reconhecimento à sua contribuição para a melhoria
do país.
*Colaborou Rodolfo Torres
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AGÊNCIA DIAP, 19 de
setembro de 2008
IMPUGNAÇÃO
Eleições 2008: TSE nega
candidatura a filho do presidente Lula
O Tribunal Superior Eleitoral
(TSE) negou, na noite desta quinta-feira (18), o recurso em que Marcos
Cláudio Lula da Silva, filho do presidente da República,
Luiz Inácio Lula da Silva, pedia para concorrer ao cargo de
vereador em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.
Cinco ministros votaram pela
rejeição da candidatura e dois, a favor da concessão.
Marcos recorreu ao TSE após ter o registro negado tanto pelo juiz
eleitoral quanto pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo
(TER/SP), por ser filho do presidente. A Constituição Federal
prevê que são inelegíveis os parentes até o
segundo grau no território de jurisdição do titular.
Tal impedimento está previsto
no parágrafo 7º do artigo 14 da Constituição,
que torna inelegível, no território de jurisdição
do titular, o cônjuge e os parentes consangüíneos ou
afins, até o segundo grau ou por adoção, do presidente
da República, de governador de estado ou território, do
Distrito Federal, de prefeito.
Na avaliação do
TRE, como Lula é presidente do Brasil, a sua jurisdição
seria todo o território nacional, o que impediria a candidatura
de seu filho em qualquer ponto do País, enquanto o pai estiver
no cargo.
No último dia 8 de setembro,
a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) manifestou-se favorável ao
recurso apresentado pelo filho do presidente Lula, contrariando decisão
do TRE-SP.
Entendeu a PGE que a Corte Regional
deu uma interpretação muito extensa do texto constitucional,
ao considerar que “para efeito de inelegibilidade nas eleições
municipais, que o município está na circunscrição
do país é um passo demasiadamente largo”, afirmou
o vice-procurador geral, Francisco Xavier, em seu parecer.
Divergência
Divergiram os ministros Joaquim
Barbosa e Ricardo Lewandowski. Ao abrir divergência em relação
ao voto do relator, o ministro Joaquim Barbosa questionou que tipo de
influência poderia o presidente da República exercer em
uma eleição municipal.
Na avaliação do
ministro, dar “uma interpretação quanto aos critérios
de inelegibilidade tão elástica ao texto constitucional
fere o princípio da razoabilidade”, previsto na própria
Constituição.
Esse entendimento do ministro
Joaquim Barbosa foi compartilhado com o ministro Ricardo Lewandowski,
que também afirmou não ser razoável “impedir
que o filho do presidente da República, tenha ele o nome que for,
exerça um direito fundamental que é o de se candidatar
em sua localidade”.
Na avaliação de
ambos, em se tratando de um direito fundamental como é o direito
político, a interpretação do texto da constituição
deve ser o mais ampla. (Com agências)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
19/09/2008
JT é competente para julgar dano
causado por informações erradas ao INSS
O pedido de reparação
de perdas e danos causados pelo cálculo incorreto do benefício
previdenciário por omissão ou equívoco do empregador é uma
demanda que compete à Justiça do Trabalho julgar. Assim
decidiu a Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho, que determinou
o retorno de um processo à primeira instância, em Porto
Alegre, para que aprecie o pedido do trabalhador em ação
contra a Mundial S.A. - Produtos de Consumo. Segundo o relator do recurso
de revista, ministro Horácio Senna Pires, “a pretensão é de
natureza trabalhista, decorrente da relação de trabalho,
por ato ilícito - ação ou omissão - imputável
ao empregador”.
O trabalhador alega que sua aposentadoria
foi calculada pela instituição previdenciária com
base em informações fornecidas pela empresa, por meio do
AAS (Atestado de Afastamento e Salários). Se a Mundial não
pagou corretamente os valores devidos, ela deveria ser responsabilizada
pelos prejuízos causados, pois a instituição previdenciária
somente incorporará à aposentadoria do autor os valores
decorrentes da ação judicial, a partir do requerimento
junto ao INSS.
Contratado como servente em novembro
de 1975, o trabalhador se aposentou por tempo de serviço em novembro
de 1997, mas continuou a trabalhar para a Mundial até junho de
2000, quando foi despedido sem justa causa. Segundo conta na inicial,
transitava, no exercício de suas funções, junto
a depósitos de inflamáveis, trabalhando em condições
altamente perigosas e insalubres. No entanto, recebia apenas o adicional
de insalubridade em grau médio (20%). Na ação, pleiteou
o pagamento do adicional em grau máximo (40%). A diferença
desses valores altera o valor de sua aposentadoria.
A 7ª Vara do Trabalho de
Porto Alegre condenou a empresa a pagar o adicional conforme pedido,
mas declarou-se, de ofício, incompetente para apreciar e julgar
o pedido de complementação do valor da aposentadoria do
trabalhador pela integração das parcelas postuladas na
ação, ainda que a título de perdas e danos, e extinguiu
este pedido sem o julgamento do mérito. O Tribunal Regional do
Trabalho da 4ª Região (RS) manteve a sentença quanto à incompetência
por entender que, no âmbito previdenciário, a Justiça
do Trabalho restringe-se à execução das contribuições
sociais, o que não era o caso. E concluiu que o pagamento de indenização
por parte do empregador, em razão do cálculo incorreto
do benefício previdenciário, fugia aos limites da sua competência.
A Sexta Turma do TST, ao julgar
o recurso de revista, mudou o entendimento regional. De acordo com o
ministro Horácio Senna Pires, a pretensão do trabalhador é direcionada
ao empregador, devido à própria relação de
emprego. Para o relator, embora a questão envolva o INSS, não é dele
que se pretende indenização.
A conclusão do ministro
Horácio é de que “se da ação trabalhista
resultarem possíveis diferenças que influirão no
cálculo do salário de contribuição, por incúria
do empregador, este poderá responder pelo dano patrimonial. A
imputação do ilícito é ao empregador, responsável
pelas informações ao órgão da Previdência
Social’. A Turma, então, acolheu o voto do relator e, reconhecendo
a competência da Justiça do Trabalho para apreciar a matéria,
determinou o retorno do processo à Vara de Porto Alegre. ( RR
- 1204/2001-007-04-00.0)
(Lourdes Tavares)
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19/09/2008
BB é condenado a pagar 250 mil por
acusar bancário de roubo
O Banco do Brasil terá que
pagar indenização de R$ 250 mil a um ex-bancário,
por tê-lo acusado (sem provas) de desviar dinheiro de uma agência
em Alagoas. A condenação foi mantida pela Sétima
Turma do Tribunal Superior do Trabalho, ao apreciar recurso em que o
banco tenta livrar-se do pagamento da indenização.
O bancário foi demitido
sem justa causa em 1988, após 23 anos de contrato com o BB. Ocorre
que alguns anos antes de sua demissão, ele foi acusado, em três
ocasiões diferentes, de ser o responsável pelo desvio de
dinheiro da agência na qual trabalhava, totalizando cerca de R$
15 mil. Desde a primeira suspeita, formalizada por meio de carta, o gerente
do banco determinou o seu afastamento: durante a apuração
dos fatos, segundo a ordem recebida, ele deveria manter-se no local de
trabalho apenas o tempo suficiente para assinar o ponto.
No entanto, as investigações
foram concluídas sem que se comprovassem as acusações
contra o bancário, que, mesmo tendo prestado os esclarecimentos
que lhe foram solicitados, foi demitido sob o pretexto de “excesso
de funcionários”. Posteriormente, o BB realizou concurso
para preencher vagas – inclusive na agência da qual ele fora
afastado.
Outro fator que o motivou a acionar o banco foi o fato de que, apesar de ter
sido inocentado nas investigações, o bancário não
conseguiu afastar a fama de suspeito. Entre outros problemas enfrentados, o
autor da ação foi obrigado a deixar de freqüentar o clube
ao qual era associado (a AABB), devido aos comentários gerados pelas
informações disseminadas pelo banco sobre a sua suposta conduta.
Na ação trabalhista,
o ex-bancário reclamou diferenças salariais decorrentes
de horas extras e pediu indenização por danos morais no
valor de R$ 1,8 milhão. A sentença do juiz da Vara do Trabalho
de Santana de Ipanema deferiu o pedido e estipulou o valor da indenização
em R$ 512 mil. O Tribunal Regional do Trabalho da 19ª Região
(AL), ao julgar recurso do Banco do Brasil, reduziu o valor para R$ 250
mil.
O banco insistiu na reforma da
decisão e, neste sentido, apelou ao TST mediante recurso de revista,
cujo seguimento foi negado pelo TRT. Inconformado, o BB tentou “destrancar” o
recurso, por meio do agravo de instrumento. Sustentou, entre outros argumentos,
a incompetência material da Justiça do Trabalho para apreciar
pedido de indenização por danos morais.
Essa tese foi prontamente refutada pelo relator do processo, ministro Pedro
Paulo Manus. Para ele, ao contrário do que sustentara o BB, o acórdão
regional não violou o artigo 114 da Constituição Federal,
mas, sim, o aplicou corretamente. Pedro Manus destaca que a competência
da Justiça do Trabalho nessa questão – danos morais relacionados
ao contrato de trabalho – está expressa na Emenda Constitucional
nº 45.
Quanto ao mérito, o banco
alegou não haver ilicitude ou irregularidade no inquérito
administrativo instaurado antes da dispensa do bancário. Além
disso, contestou o valor arbitrado na condenação, por considerá-lo
excessivo.
Após reproduzir trechos da decisão, que se fundamenta especialmente
no relato de testemunhas sobre o constrangimento imposto ao trabalhador, o
ministro Pedro Paulo Manus observa que “o Regional, soberano na análise
do conjunto probatório, deliberou que os depoimentos confirmaram que
a dispensa do autor ensejou comentários, em seu local de trabalho, no
sentido de que a ruptura contratual, após 23 anos de trabalho, teve
como causa o desaparecimento de numerário sob sua responsabilidade,
embora o fato não tivesse sido comprovado”. E conclui que esse
quadro fático evidencia o ato ilícito do BB, “pois, apesar
de a empresa ter o direito de apurar irregularidades internas, tem também
o dever de fazê-lo com discrição e responsabilidade, evitando
o vazamento de informações e suposições que possam
causar constrangimento ao trabalhador”. ( AIRR 717/2000-005-19-00.8)
(Ribamar Teixeira)
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