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Agência Diap, 21 de
setembro de 2008
NOTA DE FALECIMENTO
Metalúrgicos
do Brasil de luto

É com imenso pesar que as Diretorias da CNTM - Confederação
Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos e do Sindicato dos Metalúrgicos
de São Paulo, entidades filiadas à Força Sindical e ao DIAP,
comunicam o falecimento do companheiro Eleno Bezerra, presidente da CNTM e do
Sindicato, na tarde deste sábado (20).
O velório será realizado no Palácio do Trabalhador,
rua Galvão Bueno, 782, Bairro Liberdade, em São Paulo.
Lamentamos o ocorrido e oferecemos aos familiares nossas condolências,
bem como nossos mais estimados préstimos. (Fonte: Sindicato
dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes)
Biografia
Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo
e Mogi das Cruzes, e da CNTM (Confederação nacional dos
Trabalhadores Metalúrgicos), Eleno José Bezerra nasceu
em 17 de julho de 1956 em Caetés, agreste de Pernambuco, na época
município de Garanhuns. É casado pela segunda vez e tem
um casal de filhos. Filho de trabalhadores rurais, concluiu o curso
primário em Caetés. Junto com três irmãos
trabalhou com os pais nas lavouras de feijão e milho e com pecuária.
Aos 18 anos veio para São Paulo em busca de capacitação
profissional e para continuar os estudos.
Primeiro emprego: Metalúrgica Deca, em 1975, de onde foi demitido
em 1979 por participar de greve da categoria. Iniciou sua militância
sindical e política em 1978, quando ainda estava na empresa.
Já trabalhando na Metalúrgica Rio, nos anos seguintes,
participa, como ativista do Sindicato, das lutas políticas pela
redemocratização do Brasil, dos movimentos por melhores
condições de vida, e começa a se destacar por
sua capacidade de liderança nas lutas dos metalúrgicos.
Combativo na defesa de suas idéias, aberto ao diálogo
e considerado um bom negociador, é eleito pela primeira vez
para a Diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São
Paulo em 1987, na chapa de Luiz Antonio de Medeiros. Aliado a Paulinho,
ajuda a formular e a implementar a política conhecida como Sindicalismo
de Resultados e mudanças provocadas pela globalização,
que dá grandes vitórias e projeção nacional
ao Sindicato. Participou de várias greves pelos direitos trabalhistas,
inclusive na ação dos 147% para os aposentados.
Destacou-se como um dos representantes mais ativos do Sindicato, motivo
pelo qual é um dos sindicalistas mais procurados para participar
de debates sobre temas como Previdência Social, redução
da jornada de trabalho, legislação trabalhista, PLR (Participação
nos Lucros ou Resultados), mudanças no sindicalismo, geração
de empregos, entre outros temas. Em fevereiro de 1996, assumiu a Secretaria-Geral
do Sindicato. Conhecendo a fundo a estrutura social, e com sua experiência
de lutas nas fábricas, Eleno dá continuidade à política
formulada por Paulinho, presidente da Força Sindical, de luta
e negociação, firmeza de princípios e diálogo
responsável com os empresários e com o governo, no caminho
permanente que possibilite a conquista de melhores condições
de vida, trabalho, dignidade e bem-estar dos trabalhadores e suas famílias.
Em 1998, foi coordenador da campanha eleitoral que elegeu o diretor
do Sindicato Cícero de Freitas a deputado estadual, e Luiz Antonio
de Medeiros, então presidente da Força Sindical, a deputado
federal. Em 2000, foi um dos coordenadores da vitoriosa campanha eleitoral
dos vereadores Raul Cortez e Toninho Campanha. Em 2002, participou
da campanha que reelegeu Medeiros a deputado federal e também
foi um dos coordenadores da Campanha Salarial que resultou em um dos
melhores acordos salariais em relação a outras categorias.
Em 2003, Eleno assumiu a Presidência do Sindicato com o afastamento
de Paulinho, que passou a se dedicar mais exclusivamente à atividade
política e à Força Sindical. Promoveu a Campanha
Salarial Emergencial, deu início aos Ciclos de Debates voltados
aos trabalhadores da categoria, Cursos de Formação Delegados
Sindicais e o 10º Congresso dos Metalúrgicos, entre outras
ações, visando uma maior aproximação com
a base e o fortalecimento do Sindicato.
Em 2004, foi coordenador da Campanha Salarial que garantiu a reposição
integral da inflação aos salários e um aumento
real de 4% para os trabalhadores, bem como da eleição
do diretor do Sindicato, Cláudio Prado, a vereador de São
Paulo. Em dezembro do mesmo ano, nas eleições sindicais,
foi eleito presidente do Sindicato, com 96,2% dos votos.
Em 2005, coordenou novamente a campanha salarial que levou à conquista
de mais aumento real de salário para a categoria. Nos dois anos
de mandato como presidente do Sindicato, as duas campanhas salariais
que conduziu conquistou um aumento real global (acima da inflação)
de 7%.
Por sua militância e ações políticas, em
27 de outubro de 2005, Eleno foi eleito, por unanimidade, presidente
da CNTM, confederação filiada à Força Sindical
que reúne 150 sindicatos e federações de metalúrgicos,
que representam 1,2 milhão de trabalhadores no País. À frente
da entidade, vinha promovendo diversas ações, entre elas,
seminários, encontros, cursos de formação de dirigentes
visando a unificação da categoria metalúrgica
em âmbito nacional e o fortalecimento das entidades.
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Valor Econômico, 21
de setembro de 2008
Pesquisa da FGV aponta
2007 como o "ano da classe média"
A classe média brasileira atingiu 47,06% da população
do país no ano passado, um crescimento de 4,4% frente a 2006,
de acordo com dados da pesquisa "Miséria e a nova classe
média na década da igualdade", divulgada nesta sexta-feira
(19) pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação
Getulio Vargas (CPS/FGV).
"O ano de 2007 foi o ano da classe média, que conseguiu
conquistas importantes, como o aumento do emprego com carteira assinada",
ressalta o coordenador do CPS/FGV, Marcelo Neri, lembrando que o estudo
considera que a classe média brasileira é aquela com
renda mensal domiciliar total - de todas as fontes - entre R$ 1.064
e R$ 4.591.
Neri acrescenta que a renda média também teve crescimento
maior entre o estrato considerado de classe média. Enquanto
a renda média dos 10% mais pobres caiu 5,22% no ano passado
na comparação com 2006, a renda média dos grupos
considerados de classe média cresceu a percentuais que variaram
entre 2,52% e 5,96%. O resultado também foi melhor que o dos
10% mais ricos, cuja renda caiu 0,13% entre 2006 e 2007.
Outro efeito observado em 2007 foi a queda da fatia de miseráveis
na população brasileira. Segundo o estudo, a participação
no ano passado foi de 18,11%, contra 19,18% em 2006. A queda, de 5,9%,
fica abaixo da média de 6,7% observada desde 2001, enquanto
a desigualdade da renda domiciliar per capita a uma velocidade 10%
acima do observado na média entre 2001 e 2006.
Neri pondera que os efeitos sobre a miséria não foram
tão profundos em 2007 quanto em outros anos da década
atual, e acrescenta que o crescimento da renda foi de 2,26% no ano
passado, contra média de 2,5% desde 2001.
"Mesmo assim, o ano de 2007 não foi ruim, embora não
tenha sido o espetáculo do crescimento de 2006. Mas se houver
dez anos seguidos como 2007, vamos ter ao fim do período um
Brasil completamente diferente, e para melhor, do atual", afirma.
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Agência Diap, 21 de
setembro de 2008
Tributos
Carga de impostos chegará ao
1.º trilhão em 2008
As quedas históricas sofridas pelas bolsas de valores não
foram o único recorde negativo da economia na semana passada.
Aqui no Brasil, foi divulgado um indicador igualmente pavoroso, mas
que, embora tenha influência das mais relevantes sobre a vida
dos cidadãos, passou despercebido em meio ao pânico dos
mercados financeiros.
Um estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário
(IBPT) publicado na segunda-feira mostrou que o volume de impostos
cobrados por estados, municípios e governo federal atingiu o
equivalente a 37,3% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro semestre.
Ou seja, de cada R$ 100 em riquezas geradas pela economia nacional,
o Estado levou quase R$ 40.
A carga tributária nunca havia atingido nível tão
alto. Segundo o IBPT, a arrecadação de tributos tende
a superar os R$ 924 bilhões de 2007 e atingir, neste ano, a
marca de R$ 1 trilhão pela primeira vez na história.
Chama a atenção o fato de que o recorde deverá ser
batido mesmo após o fim da CPMF, extinta no ano passado, contra
a vontade do governo.
Para variar, a arrecadação tem crescido em ritmo superior
ao do avanço da economia. De janeiro a junho, o recolhimento
de impostos subiu 8,5% em termos reais, frente aos 6% de expansão
do PIB. Com poucas exceções, tem sido assim desde a Constituição
de 1988, que ampliou o tamanho do Estado brasileiro e complicou consideravelmente
o modelo tributário, colaborando para que a carga saltasse de
20% para mais de 37% do PIB em apenas 20 anos.
O recém-lançado A Escalada da Carga Tributária,
livro do jornalista Gustavo Patu, ajuda a compreender como essa vigorosa
expansão foi possível. Coordenador de economia da “Folha
de S.Paulo” em Brasília, Patu comenta que, apenas na última
década, em plena hegemonia do pensamento liberal, a carga cresceu
dez pontos porcentuais – rapidez testemunhada por pouquíssimos
países democráticos do Ocidente em tempos de paz. É quase
um recorde de velocidade, superado por poucos e dramáticos exemplos – como
o de Portugal a partir de 1974, quando houve a Revolução
dos Cravos; da Espanha a partir do ano seguinte, após a morte
do ditador Francisco Franco; ou o da Turquia dos anos 90, quando o
país atravessou uma seqüência de terremotos e turbulências
políticas, econômicas e religiosas.
Embora assuste, a quase incompreensível sopa de letrinhas – que
junta no mesmo prato IR, IPI, ICMS, ISS, PIS, Cofins, CSLL, IOF e mais
meia centena de siglas menos conhecidas – não é o
maior problema do sistema tributário brasileiro. Sua característica
mais perversa está no fato de punir justamente as classes mais
baixas. Isso ocorre porque metade dos tributos do país está embutida
em produtos e serviços e, portanto, ricos e pobres recolhem
exatamente o mesmo valor ao consumi-los.
“Os pobres brasileiros arcam com um custo desproporcionalmente
alto para o financiamento do Estado e dos programas sociais que, ao
menos em tese, deveriam beneficiá-los em primeiro lugar”,
escreve o jornalista, acrescentando que um estudo do próprio
Ministério da Fazenda concluiu que os 10% mais pobres do país
comprometem 30% de sua renda com tributos, ao passo que os 10% mais
ricos não destinam nem 25% do que ganham ao Fisco.
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Serviço:
A Escalada da Carga Tributária, de Gustavo Patu (Publifolha),
72 páginas, R$ 12,90.
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Folha de Londrina, 21 de
setembro de 2008
Maior renda familiar
cria nova classe social
São Paulo - A redução da desigualdade social vem
beneficiando diretamente uma nova classe social, a nova classe média.
A avaliação é do economista Marcelo Neri, da Fundação
Getulio Vargas (FGV). O levantamento tem por base estudo conduzido pela
instituição: ''Miséria e a Nova Classe Média
na Década da Igualdade''. Esta nova hierarquia, ou classe C, é a
que tem renda familiar total variando de R$ 1.064 a R$ 4.591.
''Essa é a década da redução da desigualdade,
já por sete anos consecutivos. É uma marca expressiva.
Ela acaba engendrando desde a redução da miséria
até o aumento de seguimentos médios da população,
como a chamada nova classe média'', declarou o chefe do Centro
de Políticas Sociais do Instituto Brasileiro de Economia da
FGV, ao comentar a pesquisa ''
O estudo aponta que em 2007 a classe média cresceu 4.4%, em
grande parte por causa do aumento significativo no número de
empregos formais. Os dados da pesquisa registram que hoje existem cerca
de 1,8 milhão de empregos com carteiras assinadas.
A pobreza, ainda segundo a pesquisa, caiu 6% em 2007 - de 19% da população
em 2006 para 18,11% em 2007 - e 1, 5 milhão de pessoas saíram
da linha de pobreza. De acordo com a FGV, existem hoje no Brasil cerca
de 33,6 milhões miseráveis, o equivalente a 18% da população.
Os dados também mostram que em 2007 os 10% mais pobres da população
- com renda per capita inferior a R$ 135 por mês - perderam 5,5%
da renda mensal, cerca de R$ 2.
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Folha de S.Paulo, 21 de setembro
de 2008
ELEIÇÕES 2008
/ SÃO PAULO
Marinho, no ABC, terá a
campanha mais cara do PT
Candidato em São Bernardo
do Campo, cidade onde Lula vota e onde o PT não vence
há 20 anos, pretende gastar R$ 29,95 por voto
Ex-ministro do Trabalho diz ter arrecadado R$ 2,4
mi; valor só fica abaixo do que foi recebido na sigla por Marta
e Gleisi Hoffmann, em Curitiba
EM SÃO BERNARDO DO CAMPO (SP)
O candidato do PT à Prefeitura de São Bernardo do Campo
(SP), Luiz Marinho, pretende gastar R$ 29,95 por voto. É a campanha
petista mais cara do país entre os municípios com mais
de 500 mil habitantes.
" Nós nos preparamos. Não podemos dar vexame e fazer o presidente
passar vergonha aqui", disse Marinho, referindo-se ao fato de Lula ter residência
e votar na cidade.
Apesar de não revelar seus doadores, a campanha de Marinho confirma
que a maioria deles é de fora da cidade. Grande parte foi conquistada
com a ajuda do Diretório Nacional do PT. "Eu e o [Ricardo]
Berzoini levamos o Marinho para algumas reuniões", contou
Paulo Ferreira, secretário de Finanças do PT. "Além
disso, muita gente tem preferido fazer doações via Diretório
Nacional."
Até agora, Marinho diz ter arrecadado R$ 2,4 milhões. Entre
as campanhas petistas, ele só foi superado por Marta Suplicy,
com R$ 4,6 milhões, e Gleisi Hoffmann, candidata em Curitiba,
com R$ 3,2 milhões.
A decisão de investir pesado em São Bernardo deu-se porque
o PT só venceu uma vez em São Bernardo. Isso foi há 20
anos. De lá para cá, os petistas nem sequer chegaram ao
segundo turno. Além disso, o atual prefeito, William Dib (PSB),
apóia o tucano Orlando Morando, cuja campanha de rua é similar à de
Marinho. Ele pretende gastar R$ 6 milhões.
Para o coordenador-geral da campanha de Marinho, Tarcísio Secoli,
o dinheiro é importante, mas não decisivo. "Com muito
dinheiro e pouca organização não se ganha eleição. É preciso
aliar as duas coisas."
Ele contou que a campanha de Marinho começou a ser construída
em 2006, em uma conversa com Lula na Granja do Torto. "Ele disse
para o Marinho criar as condições, que não era para
se desgastar numa aventura", disse Secoli. Tais condições
começaram a ser construídas no ano passado, quando Marinho
deu início à formação do seu arco de alianças.
Ele começou com nanicos, como PSL, PHS e PTN.
O candidato a vice veio do PTB. Os petistas bancaram uma pesquisa em
que o cantor de forró e deputado federal Frank Aguiar (SP) acabou
como o melhor colocado.
Ação federal
Ministro do Trabalho e presidente nacional licenciado do PDT, Carlos
Lupi convenceu o diretório municipal do partido -que tinha dois
vereadores e um secretário na base do prefeito Dib- a migrar para
a candidatura de Marinho.
A operação também contou com a ajuda do presidente
do Conselho Nacional do Sesi, Jair Meneguelli, que viabilizou um convênio
com entidade ligada ao PDT. Procurado, ele não foi encontrado
pela Folha.
Além de comandar o PDT em São Bernardo, João Costa
Assis é presidente da seção regional da Associação
Paulista dos Cirurgiões Dentistas. Em agosto de 2007, ONG (organização
não-governamental) ligada à entidade fechou convênio,
no valor de R$ 250 mil por ano, para prestar atendimento à população. "A
prefeitura nunca quis tocar o projeto", afirmou Costa Assis.
O coordenador-geral da campanha de Marinho confirmou como se deu o entendimento. "O
João perguntou se tinha condições de ajudar",
disse ele. "Então o Marinho conversou com o Meneguelli, que
entendeu que o convênio estava dentro das atribuições
do Sesi", concluiu.
Tele-Lula
Outro investimento na campanha ocorreu no fim de agosto, quando a campanha
do PT de São Bernardo bancou um serviço de telemarketing,
com a voz do presidente Lula pedindo votos para Marinho. Por ligação
atendida, pagou-se R$ 0,13. Foram feitas cerca de 80 mil ligações,
segundo a coordenação de campanha. (ADRIANO
CEOLIN)
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Folha de S.Paulo, 21 de setembro
de 2008
ELEIÇÕES 2008
/ SÃO PAULO
PSDB está na
frente em 6 das 12 maiores cidades do interior
Resultados das pesquisas refletem boas administrações
no Estado, afirmam tucanos
PT diz que candidatos ainda vão crescer até o
primeiro turno e que há influência do governador José Serra
no eleitorado dos municípios
DA AGÊNCIA FOLHA DA REPORTAGEM LOCAL
Partido do governador José Serra, o PSDB está na frente
em metade das 12 cidades do interior e do litoral -excluindo-se a capital
e o ABC- do Estado de São Paulo com mais de 200 mil eleitores,
segundo as pesquisas de opinião. Nesses municípios, há possibilidade
de segundo turno nas eleições de outubro.
Os levantamentos foram feitos pelo Ibope em 11 cidades e pelo instituto
Ipeso em Jundiaí, desde agosto. O PT diz que os candidatos do
partido devem crescer nas pesquisas até o primeiro turno, em 5
de outubro, e que há influência do governador Serra sobre
o eleitorado dos municípios. Para o PSDB, os resultados refletem
boas administrações tucanas nas cidades.
Em 9 dos 12 maiores municípios, os atuais prefeitos tentam a reeleição.
Neles, apenas o prefeito de Ribeirão Preto, Welson Gasparini (PSDB),
não lidera a disputa, segundo as pesquisas. Mas a liderança
está com Dárcy Vera (DEM), aliada de Serra.
Em Franca, Sorocaba, Piracicaba e São José dos Campos,
os tucanos buscam a reeleição e estão em primeiro,
ainda que o PT tenha boas chances nesta última.
O PSDB também está na frente em Bauru e Jundiaí.
Em Campinas, maior cidade do interior, o Ibope aponta vitória
já no primeiro turno do prefeito Hélio de Oliveira Santos,
o Dr. Hélio (PDT), que tem o PT em sua coligação,
sem os tucanos.
Para o presidente estadual do PSDB, Antonio Carlos Mendes Thame, a liderança é reflexo
de administrações sem "incidências de escândalos
como o mensalão". "Nessas cidades, a população
já conheceu a forma do PSDB de governar, que tem características
básicas comuns. São sempre muito corretas."
O PT aparece em segundo lugar nas pesquisas em 5 dos 12 municípios
paulistas. A direção partidária nega um enfraquecimento
no Estado, apesar dos resultados até agora nas 12 cidades. O presidente
do diretório estadual, Edinho Silva, prefeito de Araraquara, projeta
um crescimento de 30% no número de cidades paulistas governadas
pelo PT. Também diz que o partido é mais forte na Grande
São Paulo e em municípios menores.
" Nós viemos de um período de crise nos últimos anos,
devido a todo o desgaste por que o partido passou. Mas não tenho dúvida
de que o grande vitorioso no Estado será o PT."
Padrinhos
Silva também afirma que José Serra tem mais facilidade
de atuar na campanha pelo Estado do que o presidente Lula. Mas diz que
a contribuição dos dois nas disputas não será decisiva
em São Paulo.
Mendes Thame concorda e diz que, pelo interior, os candidatos "disputam
avidamente uma palavrinha" de Serra. "É inegável
que Serra e Lula têm peso em São Paulo, e é natural
que PSDB e PT queiram colar as imagens neles. Mas as forças, de
certa forma, acabam por se neutralizar", afirma.
Serra tem se concentrado em gravar depoimentos de televisão para
seus candidatos no interior. Mas, segundo a Folha apurou, o tucano quer
evitar participar diretamente de campanhas em que há disputa direta
entre aliados, especificamente entre DEM e PSDB, como no caso de Ribeirão
Preto.
Tanto para os tucanos quanto para os petistas, São Paulo é considerado
um ponto estratégico para a disputa pela Presidência em
2010, especialmente se Serra for o candidato tucano.
Uma das estratégias do PT é tentar levar o presidente Lula,
na reta final das campanhas, a cidades onde o partido tenha chances reais
de vitória.
Em Santos, no litoral, o prefeito João Paulo Papa (PMDB) caminha
para ser reeleito no primeiro turno, com os tucanos ocupando o posto
de vice da chapa. (FELIPE BÄCHTOLD, THIAGO
REIS, CÍNTIA ACAYABA E JOSÉ ALBERTO BOMBIG)
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Folha de S.Paulo, 21 de setembro
de 2008
Lula quer reabrir compra
de ações da Petrobras com FGTS para exploração
do pré-sal
Presidente deverá permitir
que os trabalhadores usem dinheiro do FGTS para uma nova
rodada de investimento na estatal
Para permitir capitalização, será preciso
mudar a lei; mesmo quem já tem ações compradas
com o fundo poderá aplicar na empresa
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Pessoas com conta no FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço)
poderão usar esses recursos numa nova rodada de investimentos
na Petrobras.
A Folha apurou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu
permitir o uso do FGTS na capitalização que fará na
Petrobras para explorar o petróleo da camada pré-sal.
Quem já tem ações da estatal compradas por meio
do FGTS também poderá voltar a aplicar na empresa. Em 2000,
houve uma única rodada na qual o governo permitiu o uso do FGTS
para a compra de ações da Petrobras.
Foi um excelente negócio: de 2000 até a última quarta-feira,
o investimento rendeu 766,8% -o ganho foi 742,5% superior ao de quem
ficou com o dinheiro "parado" no FGTS, segundo cálculos
do consultor Mario Avelino, presidente do Instituto FGTS Fácil.
Como revelou a Folha, Lula já decidiu que a União fará uma
capitalização da Petrobras a fim de elevar sua participação
nos lucros da empresa, que tendem a aumentar bastante com a exploração
do pré-sal.
Será preciso mudar a lei para permitir uma nova rodada do FGTS
para investimentos na estatal. O Palácio do Planalto acredita
que a medida amenizará a crítica de prejuízo aos
acionistas minoritários com a capitalização que
a União fará na Petrobras.
Estatal "enxuta"
O governo acha que será grande a procura por ações
da Petrobras quando for apresentada, no mês que vem, a proposta
de novo marco regulatório para o setor de petróleo.
Lula vai criar uma estatal "enxuta", segundo suas palavras,
para administrar as reservas do pré-sal que ainda não foram
leiloadas. Mas a Petrobras, diz o governo, continuará a ser a
grande empresa exploradora porque ela tem a tecnologia mais desenvolvida
para esse tipo de serviço.
Lula também avalia que permitir o uso do FGTS será uma
medida popular, atraindo a classe média e trabalhadores da tradicional
base sindical do petismo para participar dos lucros futuros da Petrobras
com o pré-sal. Ou seja, haveria adesão a um programa de
longo prazo do governo, que, assim, reforçaria o apoio político
a sua proposta de mudança da Lei do Petróleo.
Com a participação de mais pessoas, o governo ganha também
um argumento para evitar que as novas regras definidas por Lula sejam
alteradas depois por outra administração.
A Petrobras é uma estatal de capital misto, público e privado.
Pela lei, quando há capitalização de uma empresa,
abre-se obrigatoriamente a possibilidade de os acionistas minoritários
aumentarem sua participação.
Como a União pretende usar os recursos das áreas do pré-sal
já leiloadas, terá um cacife muito maior do que os demais
acionistas. O uso do FGTS, diz um auxiliar do presidente, "vai dar
bala" para que acionistas minoritários e privados capitalizem
a empresa.
Capitalização anterior
Em 2000, no governo do tucano Fernando Henrique Cardoso, mais de 312
mil trabalhadores usaram recursos do FGTS para comprar ações
da Petrobras por meio de fundos de investimento -os chamados Fundos Mútuos
de Privatização (FMP-FGTS).
Com isso, ajudaram a financiar os investimentos feitos pela empresa em
pesquisa e exploração, o que inclui a descoberta do petróleo
da região do pré-sal.
No total, esses investidores aplicaram R$ 1,6 bilhão em valores
da época. Atualizado pela inflação (IPCA), isso
vale hoje R$ 2,8 bilhões.
Atualmente, há 45 fundos FMP-FGTS registrados na CVM (Comissão
de Valores Mobiliários) com 103.016 cotistas e patrimônio
líquido total de R$ 8,432 bilhões.
Mas esse dinheiro não está aplicado totalmente em ações
da Petrobras -parte é composta, por exemplo, por títulos
públicos, sem contar recursos que estão no caixa para pagamento
de despesas administrativas.
A regra tem de ser mudada porque, pela legislação atual,
os trabalhadores não podem colocar mais recursos, já que
a adesão aos FMP-FGTS foi feita por meio de oferta única.
Hoje, esses acionistas detêm 2,2% do capital social da Petrobras,
que é de R$ 78,967 bilhões, segundo dados publicados pela
empresa. Já a participação da União é de
32,2%, e a da BNDESPar, de 7,6%. Há ainda outros acionistas minoritários
e estrangeiros.
A BNDESPar é uma empresa de participação em investimentos
privados do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social).
Trocando em miúdos: o governo hoje controla o capital votante
da Petrobras e, portanto, manda na gestão da empresa. Lula indica
o presidente da estatal. No entanto, cerca de 60% do capital total da
Petrobras está em mãos de investidores privados.
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Folha de S.Paulo, 21 de setembro
de 2008
Fundo rendeu sete vezes
mais que a poupança
DA REPORTAGEM LOCAL
Em agosto de 2000, quando foi criado o fundo que aplica recursos do
FGTS em ações da Petrobras, o trabalhador podia colocar
até 50% do saldo da sua conta no investimento, sendo o valor
mínimo de R$ 300.
O cotista que pôs R$ 1.000 no fundo FGTS Petrobras hoje tem R$
8.668. Aplicado na poupança, o montante seria de R$ 1.963.
Além desse, existe um outro fundo mútuo de privatização,
o qual investe em ações da Vale. Criado em março
de 2002, teve captação líquida de R$ 976,302 milhões,
segundo a Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento).
Hoje, os 39 fundos da categoria possuem patrimônio líquido
de R$ 5,483 bilhões.
A rentabilidade acumulada pelo fundo FGTS Vale ficou perto de 800%. Assim,
quem colocou R$ 1.000 agora está com R$ 9.000, enquanto na poupança
esse dinheiro teria virado R$ 1.727.
As condições para saque dos fundos são as mesmas
da conta do FGTS comum: aposentadoria, por exemplo.
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