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AGÊNCIA
DIAP, 22 de setembro de 2008
TEMPORADA DE VAGAS
Mercado de trabalho começa a
contratar extra para final de ano
Maior parte dos postos é oferecida
por shoppings e as funções mais solicitadas são
estoquistas empacotadores, atendentes, etiquetadores, operadores de
telemarketing e analistas de crédito
Está aberta a temporada
dos empregos temporários, especialmente no comércio.
Por isso, quem está à procura de trabalho pode arregaçar
as mangas e cuidar do currículo. O Sindicato do Comércio
Varejista do DF (Sindivarejista) estima que sejam abertos cinco mil
novos postos de trabalho a partir deste mês. No País todo,
o número pode chegar a 112.400, segundo levantamento da Associação
Brasileira de Lojistas de Shoppings, um aumento de 15,8% comparado à temporada
de Natal do ano passado.
“A contratação começa
em outubro, mas já começamos um trabalho de preparação.
Estamos em um momento de muita incerteza e essa crise externa pode
refletir nos empregos temporários. Ainda assim, acredito que
poderemos manter o mesmo número do ano passado”, explica
o presidente do Sindivarejista, Antônio Augusto Carvalho de
Moraes.
Segundo a gestora da Gelre Brasília,
empresa especializada em recursos humanos, Maria José Ribeiro,
as vagas temporárias que estão prestes a surgir podem
ser um opção para quem nunca trabalhou. “O diferencial
não é mais ter experiência. Desenvoltura e iniciativa
são características que o comércio procura.
Estamos em busca de pessoas que façam diferença, precisamos
de gente comprometida e de bem com a vida”, diz Maria José,
que ainda ressalta que a conclusão do ensino médio é importante. “Ninguém
abre mão”, explica.
Apesar da experiência não pesar
tanto no momento da seleção dos candidatos, conhecimentos
básicos podem ser determinantes para garantir o trabalho. “Tem
muita gente despreparada. Estou, por exemplo, com 40 vagas que não
exigem experiência, mas tem uns testes de português e
matemática que as pessoas não passam, inclusive gente
com nível superior. E as empresas não querem abrir
mão desses testes”, afirma a gestora da Gelre. A dica
da consultora para os candidatos é aprender o básico
de matemática financeira e gramática.
Elas têm preferência
Segundo o Sindvarejista, a seleção
começa ainda neste mês. Os contratos duram em média
90 dias e devem ser encerrados até janeiro. A boa notícia é que
o percentual de efetivados após os contratos temporários
nos últimos anos ficou entre 20% e 25%, a expectativa para
2008 é que o quadro se repita.
Levantamento feito por representações
de empresas do setor Serviços em todos os estados indica que
os segmentos que abrirão mais vagas serão lojas de
departamento (10,7%), seguidas do varejo de rua (8,8%), supermercados
(7,6%) e shoppings (4,9%).
As funções mais solicitadas
serão: fiscais de loja, empacotadores, atendentes, estoquistas,
etiquetadores, operadores de telemarketing, auxiliares de crédito
e analistas de crédito. Ainda segundo a pesquisa, a remuneração
média nacional será de R$ 665.
Entre as exigências, em metade
das vagas serão requisitadas pessoas que possuem ensino
médio completo e, na outra metade, nível fundamental.
As mulheres representarão 55% dos empregados temporários.
(Fonte: Correio Braziliense)
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ABRAT, 22 de setembro de
2008
Nova Diretoria
Luiz Salvador reeleito Presidente da
ABRAT

Foto: Luiz Salvador
Luiz Salvador por decisão
assemblear ocorrida no XXX CONAT – Congresso Nacional dos Advogados
Trabalhistas - realizado em Goiânia de 10 a 12 de setembro de 2008 é reeleito
Presidente da ABRAT para o período de 2008 a 2010, reafirmando
o compromisso de continuidade dos trabalhos que vem empreendendo a entidade
em conjunto e articulado com as entidades parceiras na busca de incessantes
caminhos, possibilidades e mecanismos à efetividade dos direitos
fundamentais da pessoa humana, direitos humanos, sociais, laborais e
previdenciários da classe trabalhadora, propugando pela adoção
de um modelo econômico de desenvolvimento sustável e de
inclusão que atenda à primazia do social, servindo o capital
de parceiro do Estado para que este consiga cumprir seu principal objetivo
que é o da promoção do bem comum a todos, não
se permitindo o retrocesso social.
Veja a nova composição
da diretoria Colegiada da ABRAT eleita para o biênio 2008/2010:
Presidente: Luiz Salvador (Pr)
Vice-Presidente Nacional: Nilton da Silva Correia (DF)
Secretário Geral: Sílvia Burmeister (RS)
Tesoureiro: Marthius Sávio Cavalcante Lobato (DF)
Coordenador do Colégio de Presidentes: Geraldo Frazão (AM)
Vice-Presidente Região Norte: Sílvia Mourão (PA)
Vice-Presidente Região Nordeste: Jéfferson Calaça (PE)
Vice-Presidente Região Centro Oeste: Arlete Mesquita (GO)
Vice-Presidente Região Sudeste: Joel Rezende JR (MG)
Vice-Presidente Região Sul: Oswaldo Miqueluzzi (SC)
Vice-Presidente Distrito Federal: Eymard Loguércio (DF)
Diretor de Imprensa e Divulgação: Cristiano de Lima Barreto Dias
(RJ)
Diretor de Assuntos Legislativos: Magda Biavaschi
Coordenador da Escola da Advocacia Trabalhista da ABRAT: Antonio Fabrício
de Matos Gonçalves (MG)
Diretor de Assuntos Jurídicos: Clóvis Teixeira Lopes (TO)
Diretora Social: Sandra Mara de Lima Rigor (MS)
Diretor de Informática: Rubens Leite – Rubão (SP)
Diretor de Especialização: Raimundo Cezar Britto Aragão
(SE)
Diretor de Temas Estratégicos: Bernardino Grecco (PA)
Diretora de Eventos: Sílvia Márcia Nogueira (PE)
Diretor de Relações Institucionais: Benizete Ramos de Medeiros
(RJ)
Diretor de Relações entre ABRAT e a JUTRA: Luiz Gomes (RGN)
Diretor de Relações entre ABRAT e ALAL: José Augusto de
Oliveira Amorim (RGN)
Diretor de Relações com a Venezuela e Caribe: Clair da Flora
Martins (PR)
Diretor de Relações com os países Sul-americanos: Aldacy
R. Coutinho (PR)
Diretor de Convênios: Osvaldo Sirota Rotband (RJ)
Diretor da Revista da Abrat: Benizete Ramos (RJ)
Diretor de Relações entre Associações: Araçari
Baptista de Santana (RJ)
Diretor de Direitos Coletivos: Cláudio Santos (DF)
Diretor do Jornal Virtual da Abrat: Mirela Barreto (BA)
Diretor de Assuntos Doutrinários: José Afonso Dallegrave Neto
(PR)
Diretor de Assuntos Jurisprudenciais: Rodrigo Waughan de Lemos (AM)
Diretoria de E-Recursos: Robinson Neves Filho (DF) e Luís Carlos Moro
(SP)
Escola da Advocacia Trabalhista:
Aldacy Rachid Coutinho (PR), Antonio Fabrício de Matos Gonçalves
(MG), Antônio Pereira (PA), Ari Possidônio Beltran (SP),
Benizete Ramos de Medeiros (RJ), Ophir Cavalcanti Jr (PA), José Affonso
Dallegrave Neto (PR), Luís Carlos Moro (SP), Magda Barros Biavaschi
(RS), Marthius Sávio Cavalcante Lobato (DF), Osvaldo Miquelluzi
(SC), Roberto Parahyba de Arruda Pinto (SP), Sidnei Machado (PR), Valena
Jacob (PA);
DEPARTAMENTOS:
SAÚDE DO TRABALHADOR:
Luiz Salvador (PR), Benizete Ramos de Medeiros (RJ), Luiz Gomes (RN),
Jose Augusto de Oliveira Amorim (RN), Marina da Silva Gaya (SP), Gustavo
Linhares (MG), Sílvia Mourão (PA), Nilton Correia, Luís
Carlos Moro (SP), João Pedro Ferraz dos Passos (DF), Daniel Mota
(SP), Luciana Cury Calia (SP); Sidnei Machado (PR), José Affonso
Dallegrave Neto (PR), Sílvia Burmeister (RS), Arlete Mesquita
(GO), Olimpio Paulo Filho (PR), Antonio Fabrício de Matos Gonçalves
(MG);
DIREITO DE TRABALHO DESPORTIVO: Eliomar Pires (GO)
DIREITO BANCÁRIO: Antonio Dílson Picolo Filho
Luiz Salvador, Presidente da
ABRAT (www.abrat.adv.br), Vice-Presidente da ALAL (www.alal.info), Representante
Brasileiro no Depto. De Saúde do Trabalhador da JUTRA (www.jutra.org),
assessor jurídico da AEPETRO e da ATIVA, membro integrante do
corpo técnico do Diap e atual Presidente Interino da CNDS do Conselho
Federal da OAB, e-mail: luizsalv@terra.com.br, site: www.defesadotrabalhador.com.br
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AGÊNCIA CUTU, 22 de
setembro de 2008
Desigualdade cai e renda do trabalhador
tem crescimento real de 15% em 3 anos
A renda do brasileiro aumentou, a desigualdade voltou a cair, o analfabetismo
diminuiu, a população segue e tendência de envelhecimento
e, graças à formalização do emprego, mais de 50%
dos trabalhadores brasileiros já contibribuem para a Previdência
Social.
Esses e outros dados foram divulgados,
nesta quinta-feira (18), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad),
estudo que reúne diferentes indicadores sobre aspectos socioeconômicos
do País. Os dados, referentes a 2007, mostram um panorama recente
do Brasil.
Veja abaixo os principais
resultados da Pnad:
Renda
O rendimento médio real mensal de trabalho (das pessoas de 10 anos ou
mais de idade ocupadas e com rendimento de trabalho) mostrou crescimento pelo
terceiro ano consecutivo. Entre 2006 e 2007 houve aumento real de 3,2%, número
inferior aos registrados de 2005 para 2006 (7,2%) e de 2004 para 2005 (4,5%).
O crescimento acumulado desde
2004 foi de 15,6%, sendo que o rendimento médio real dos trabalhadores,
em 2004, era de R$ 827,00; em 2005, de R$ 864,00; e, em 2006, de R$ 926,00,
tendo alcançado, em 2007, R$ 956,00. Em 2007, o menor rendimento
médio real mensal de trabalho das pessoas ocupadas foi observado
no Nordeste (R$ 606,00) e o menor no Centro-Oeste (R$ 1139,00).
A Pnad também registrou
a evolução dos índices de Gini, que medem o grau
de desigualdade existente na distribuição de indivíduos
segundo a renda domiciliar per capita. Seu valor vai de zero (quando
não há desigualdade) a 1 (desigualdade máxima).
Em 2007, o índice ficou em 0,528. As reduções vêm
sendo sucessivas, pois o Gini ficou em 0,547 em 2004; 0,543 em 2005;
e 0,540 em 2006.
Apesar da evolução
desse índice, a Pnad mostrou que a desigualdade social ainda é realidade
no Brasil: 10% da população ocupada que têm os mais
baixos rendimentos detiveram 1,1% do total dos rendimentos de trabalho
em 2007, enquanto aos 10% com os maiores rendimentos corresponderam 43,2%
do total de remunerações.
Analfabetismo
A Pnad define uma pessoa alfabetizada como aquela que responde que sabe ler
e escrever pelo menos um bilhete simples no idioma que conhece. Em 2007,
havia cerca de 14,1 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais no
Brasil. Para esse grupo de pessoas, a taxa de analfabetismo foi de 10%, índice
menor que o registrado em 2006, de 10,4%.
A taxa de analfabetismo assume
diferenças de acordo com fatores como grupo de idade, região
e sexo. Em relação à faixa etária, o menor índice
fica entre pessoas com 15 e 17 anos (1,7%) e o maior entre os que têm
25 anos ou mais (12,5%).
As regiões Norte e Nordeste
registram os índices mais altos de analfabetismo entre pessoas
de 15 anos ou mais (10,8% e 19,9%, respectivamente), em contraste com
números muito menores das regiões Sul (5,4%) e Sudeste
(5,7%). Ainda entre as pessoas com 15 anos ou mais, a taxa de analfabetismo
entre os homens é de 10,2%, porcentagem superior à registrada
pelas mulheres (10,1%). Em 2006, os números eram, respectivamente,
de 10,6% e 10,1%.
Educação
A Pnad mostra que, em 2007, as pessoas com 4 anos ou mais totalizavam 179 milhões
de brasileiros. Destes, 56,3 milhões eram estudantes. O número
caiu 0,5% em relação a 2006, sobretudo na região Centro-Oeste
(2,2%). O grupo etário com maior frequência escolar (97,6%) é o
de pessoas com idade entre 7 e 14 anos. O percentual ficou estável em
relação ao de 2006.
Entre esse total de 56,3 milhões
de estudantes de 4 anos ou mais, 7,9% estavam cursando o ensino pré-escolar,
63% o ensino fundamental e alfabetização; 16,6% o ensino
médio e 10,9% o ensino superior. Neste último grau de ensino,
o número de estudantes cresceu 4,3%. Quanto à cobertura
segundo a rede de ensino, a rede pública predominou em todas as
regiões, registrando percentual de 79,2% de atendimento aos que
freqüentavam a escola.
Habitação
e bens duráveis
Em 2007, o índice de domicílios atendidos por rede geral de abastecimento
de água cresceu 0,1 ponto percentual em relação a 2006,
chegando a 83,3%. Além disso, 51,3% dos domicílios brasileiros
estão ligados à rede coletora de esgoto (crescimento de 2,8 pontos
percentuais) e 87,5% têm coleta de lixo (crescimento de 0,9 ponto percentual).
Já o fornecimento de energia elétrica alcançava 98,2%
dos domicílios brasileiros.
Em relação à posse
de bens duráveis, no ano passado 77% dos domicílios possuíam
algum tipo de telefone, 98,1% possuíam fogão, 51,1% possuíam
filtro de água, 16,3% possuíam freezer e 88,1% possuíam
rádio. Além disso, 26,6% dos domicílios estavam
equipados com computador, sendo 20,2% com acesso à internet.
Idade
O Brasil manteve a tendência de envelhecimento populacional. Na comparação
com 2006, o grupo de pessoas com 40 anos ou mais cresceu 4,2%, enquanto a faixa
etária mais jovem, de 0 a 14 anos, demonstrou redução
de 0,7%.
A região Norte tem a estrutura
etária mais jovem do País: 23,7% da população
residente tem 40 anos ou mais, e o contingente de pessoas com idade entre
0 a 4 anos (1,6 milhão) supera o de pessoas de 60 anos ou mais
(1 milhão).
Migração
Em 2007, 39,8% da população
brasileira não era natural do município em que morava,
e 15,8% não eram naturais da Unidade de Federação
em que moravam. A região Centro-Oeste foi a única que registrou
maior número de residentes não-naturais (53,1%) do município
de moradia do que de residentes naturais. O número supera os registrados
pelas regiões Sul (44,4%), Norte (43%), Sudeste (40,5%) e Nordeste
(32%).
Previdência
e sindicalização
A pesquisa apontou que mais de 50% dos trabalhadores brasileiros contribuem
para a Previdência Social. O percentual (50,7%) foi atingido pela primeira
vez, desde os anos 90, devido ao aumento do número de trabalhadores
com carteira assinada: em 2007 eles eram 32,0 milhões, ou 6,1 % a mais
que no ano anterior, e atingiram a maior participação na população
ocupada (35,3%) desde início da série da PNAD.
A população ocupada
chegou a 90,8 milhões e cresceu 1,6% em relação
a 2006. Já o número de desocupados caiu 1,8% no período,
e a taxa de desocupação recuou de 8,4% para 8,2%.A região
Sudeste foi a que apresentou o maior percentual (61,6%) e a Nordeste,
a menor (32,1%).
A pesquisa também mostrou
que, no Brasil, 16 milhões são associados a sindicatos,
número 3,3% menor que o de 2006. A região Sul foi a que
mostrou o maior percentual de trabalhadores sindicalizados entre as pessoas
ocupadas (21,2%).
Raça
A pesquisa do IBGE notou que, em 2007, um maior número de pessoas se
declarou “preta” do que em 2006. O aumento foi de 0,5 ponto percentual,
de modo que, no último levantamento, a composição da população
ficou dividida da seguinte maneira: 49,4% de brancos; 42,3% de pardos; 7,4%
de pretos e 0,8% de outras raças.
O aumento da participação
da população negra foi verificado em todas as regiões,
menos na Região Norte, onde caiu 0,7 ponto percentual. Nas demais
localidades, o crescimento da população negra foi acompanhado
de diminuição da população branca.
Sexo
A comparação entre
os dados de 2006 e 2007 revelam que não houve mudança significativa
na distribuição da população por sexo. Em
2007, as mulheres correspondiam a 51,2% dos brasileiros (97,2 milhões
de pessoas) e os homens a 48,8% (92,6 bilhões). Em 2006, as mulheres
eram 51,3% da população e os homens 48,7%.
Trabalho
A Pnad considera todo indivíduo com 10 anos ou mais uma pessoa em idade
ativa. Assim, em 2007 havia 159 milhões de pessoas em idade ativa no
País, contingente 2% maior que o de 2006. Entre esse grupo, 62% estavam
inseridas no mercado de trabalho, sendo 57% na condição de ocupadas
e 5,1% na de desocupadas. Os números mostram ligeira redução
em relação a 2006, quando os percentuais eram, respectivamente,
de 62,4%, 57,2% e 5,3%.
A população não-economicamente
ativa (pessoas que não trabalharam nem procuraram por trabalho
na última semana do mês de referência da pesquisa,
setembro) cresceu 3,0%, passando de 58,8 para 60,5 milhões de
pessoas. Em 2007, 19,7% das pessoas ocupadas trabalhavam 49 horas semanais
ou mais. Apenas 6,5% da população ocupada trabalhavam até 14
horas semanais. De 2006 a 2007, o número de empregados sem carteira
de trabalho assinada caiu 0,7%, mas o contingente permaneceu elevado:
20,6 milhões de brasileiros, ou 22,7% do total de pessoas ocupadas.
Trabalho infantil
No Brasil existem 44,7 milhões de crianças e adolescentes com
idade entre 5 e 17 anos de idade. Em 2007, 4,8 milhões deles estavam
trabalhando. O número é menor que o de 2006, quando existiam
5,1 milhões de trabalhadores nesta faixa etária. As crianças
e adolescentes do sexo masculino (65,7%) e as de cor preta ou parda (59,5%)
eram maioria no contingente de ocupados.
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O ESTADO DO PARANÁ,
22 de setembro de 2008 | Economia
Renda dos mais pobres cresceu 49%
em seis anos
Agência Estado
A desigualdade na renda dos brasileiros apresentou uma grande redução
de ritmo de 2001 a 2007. A renda acumulada dos 10% mais pobres da população
brasileira cresceu 49,25% no País no período patamar mais de
sete vezes superior ao aumento da renda acumulada no período entre os
10% mais ricos da população (6 70%). A análise é do
pesquisador Marcelo Neri, do Centro de Pesquisas Sociais da Fundação
Getúlio Vargas (CPS/FGV), que divulgou nesta sexta-feira (19) o levantamento "Miséria
e a Nova Classe Média na Década da Igualdade".
A pesquisa foi feita com base
nos dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (PNAD)
anunciada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE). "Esse período trouxe muitas notícias boas
no campo da renda, como aumento do emprego com carteira assinada, por
exemplo", comentou o pesquisador. Entretanto, ele observou que,
especificamente no ano de 2007, os 10% mais pobres da população
sentiram um recuo de 5,22% em sua renda média, em comparação
com os ganhos de 2006. A ausência de expansão em programas
assistenciais no ano passado, como o Bolsa Família, pode ter contribuído
para isso.s
O pesquisador comentou que a desigualdade de renda, que ficou estagnada entre
1970 e 2000, sofreu sucessivas quedas anuais de 2001 a 2007. "Não
há, na história documentada brasileira, que vem desde 1960, nada
similar à redução de desigualdade observada desde 2001",
afirmou. "Somente de 2006 para 2007, 1,5 milhão de pessoas cruzaram
a linha da miséria (abaixo dos R$ 135 mensais por pessoa)", afirmou.
Ele lembrou que, de acordo com
o levantamento, em 2007 a classe dos miseráveis abrange 18,11%
do total da população brasileira, sendo que em 2006 essa
fatia era maior, de 19,18%.
"No ano de 2007, quem mais
ganhou foi a camada 'do meio' da população, a chamada classe
média", assinalou Neri, explicando que isso é mais
um sinal do recuo da desigualdade do País. De 2006 para 2007,
a classe média saltou de 45,08% para 47,06% do total da população
brasileira. "De 2001 até 2007, muitos miseráveis saíram
da classe E e nem passaram pela classe D: foram direto para a classe
C, que nós consideramos classe média" afirmou.
O CPS/FGV considera como classe
E famílias com renda mensal entre zero até R$ 768. Por
sua vez, as famílias de classe D seriam com rendimento entre R$
768 até R$ 1.064. Já a classe média abarcaria renda
mensal entre R$ 1.064 até R$ 4.591.
Para Neri, o ano de 2007
se apresenta como uma síntese do que ocorreu entre os principais
indicadores sociais ao longo da década. Ele explicou que a renda
per capita no ano passado cresceu 2,26%, porcentual próximo
ao registrado na média dos últimos sete anos até 2007
(2,5% ao ano). "Além disso, o ritmo de redução
da miséria em 2007 está duas vezes mais rápida
do que o requerido para atender às metas de redução
de extrema pobreza das metas do milênio da ONU (que é de
queda de 2,73% ao ano)", disse. "Se tivermos os próximos
10 anos iguais aos de 2007, o Brasil mudará bastante e para
melhor", disse.
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CONGRESSO EM FOCO, 22 de setembro de 2008
Tributação vergonhosa
Osiris Lopes Filho*
O sistema tributário brasileiro,
infelizmente, baseia-se em impostos indiretos. Essa classificação
decorre da transferência ou da repercussão da carga tributária.
O tributo que é pago, por excelência, na etapa empresarial – importação,
industrialização, prestação de serviços,
produção rural, comercialização – pelos
titulares desses estabelecimentos, é incorporado como custo da
atividade e termina repassado para o consumidor final, escondido no preço
praticado na venda da mercadoria ou serviço.
Trata-se de transferência
ou repasse da carga tributária. Quem majoritariamente padece dessa
carga tributária é o povão, classe média,
classe trabalhadora e desempregados. É um fenômeno dependente
do funcionamento do mercado. Reflete tendência. A tendência
mais freqüente e preponderante. Não é fato inexorável,
embora todo contribuinte que tenha condições favoráveis
tente repassar tal ônus adiante. E na maioria dos casos o faz,
total ou parcialmente.
Todos os tributos são
suscetíveis dessa transferência. Alguns com maior ou menor
intensidade. Os impostos e contribuições que incidem sobre
vendas e faturamento são mais tendentes a admitir essa transferência.
Os que incidem sobre a propriedade e a renda são menos suscetíveis à ocorrência
desse fenômeno. Mas há exceções. Por exemplo,
o proprietário que aluga o seu imóvel a terceiros e faz
constar do contrato de locação que o IPTU é encargo
do locatário está transferindo a carga tributária.
Determinadas empresas monopolistas ou oligopolistas, que têm domínio
do mercado, conseguem nos preços praticados transferir, pelo menos
parcialmente, o ônus do imposto de renda que pagam.
A conseqüência dessa
tributação indireta é a de que produz efeitos regressivos
em quem efetivamente suporta a carga tributária. O povão
consumidor. Os milhões de consumidores finais, das mercadorias
e serviços adquiridos no país, trabalhadores, desempregados
e classe média. A regressividade é aferida em relação à renda
da pessoa. Será tanto maior a carga tributária, quanto
menor a renda disponível. Ou, em outros termos, tanto menor a
carga tributária, quanto maior a renda. É a negação
do princípio da capacidade contributiva, básico para instituição
e calibragem dos tributos, como consagrado na Constituição.
Absurdo é que a proposta
de reforma constitucional tributária, apresentada no início
do ano pelo governo Lula, não atenua a tributação
indireta. Pelo contrário, a eleva. E utiliza a dissimulação.
O novo tributo a ser criado, o Imposto sobre o Valor Agregado Federal
(IVA Federal), integrará a sua base de cálculo. Incidirá sobre
si mesmo. E ficará camuflado no preço da mercadoria ou
serviço. Será escondido do povo consumidor. Calculado “por
dentro”. Espoliação envergonhada decorrente da tributação
galinácea. A que de grão em grão vai enchendo o
papo, no caso, os cofres do Erário, às custas dos milhões
de consumidores do país, que terminam padecendo elevada carga
tributária existente no território nacional.
* Osiris de Azevedo Lopes Filho,
advogado e professor de Direito na Universidade de Brasília
(UnB), foi secretário da Receita Federal.
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GAZETA DO POVO, 22 de setembro
de 2008 | Economia
Crise global
Financiamento imobiliário deve
encarecer, avisam bancos
Os juros do crédito imobiliário no Brasil devem subir por influência
da crise global, admitem representantes do setor. Mas a turbulência não
deve comprometer as operações, já que as principais fontes
do recurso são internas: o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) e a poupança.
Os bancos confirmam. "O
aumento dos juros é algo que pode ocorrer com a crise", diz
Luís Antonio França, presidente da Associação
Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança
(Abecip). Além disso, a fonte pode secar rápido. Segundo
previsões entidade, os recursos da poupança devem se esgotar
em dois anos. "Temos uma fonte finita, mas ela vai suprir as necessidades
do mercado por enquanto", afirma França. O assunto já foi
motivo de discussão do setor com o governo federal.
Para João Crestana,
presidente do Sindicato das Empresas de Compra e Venda de Imóveis
(Secovi), o aumento dos juros é esperado, mas deve ser evitado. "Temos
argumentado frente aos bancos que o aumento é descabido, dado
o fato que o custo da captação da poupança continua
de 6% e, do FGTS, de 3% mais TR."
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AGÊNCIA DIAP, 22 de
setembro de 2008
ELEIÇÕES 2008
Maiores colégios eleitorais
do País devem ter 2º turno
Faltam apenas duas semanas para as
eleições municipais, mas nos maiores colégios
eleitorais do País, poucas cidades conhecerão seu prefeito
no primeiro turno.
Na reta final da campanha, crescem
não só as especulações sobre possíveis
apoios na segunda rodada da disputa eleitoral, como também
a troca de duras críticas entre prováveis aliados no
futuro próximo.
Atualmente, PT e PMDB são os partidos que mais emplacariam candidatos
em dez das principais cidades do País. Municípios como Curitiba
e Goiânia, onde as eleições caminham para um desfecho já no
primeiro turno, são exceções entre as grandes cidades
brasileiras.
Na capital paranaense, nem mesmo
todo o apoio do ministro do Planejamento Paulo Bernardo a sua esposa
e candidata do PT, Gleisi Hoffmann, ameaça a reeleição
do atual prefeito, Beto Richa (PSDB).
De acordo com o último
levantamento do Ibope, Richa soma 74% da preferência do eleitorado.
Em Goiânia, o também candidato à reeleição,
Iris Resende (PMDB), lidera com percentuais semelhantes e não
aparenta dar muitas chances ao segundo colocado Sandes Júnior
(PP).
"Em um cenário de
quadro partidário fragmentado como o nosso, é preciso analisar
caso a caso as eleições que serão resolvidas no
primeiro turno", observa o cientista político da Universidade
de Brasília (UnB), Leonardo Barreto. "Geralmente, é necessário
a combinação de uma série de fatores, como candidatos
partindo para reeleição, avaliações positivas
elevadas por parte da população e o apoio dá máquina
pública. Quando as eleições têm mais atores
novos, fica mais difícil."
Atrás dos apoios
A perspectiva de que os pleitos
municipais não se resolvam no primeiro turno colocou muita gente
em busca de aliados para a segunda rodada das eleições.
Em Belo Horizonte, após a ascensão meteórica do
candidato apoiado pelo prefeito Fernando Pimentel (PT) e pelo governador
Aécio Neves (PSDB), Márcio Lacerda (PSB), seus principais
adversários, Jô Moraes (PCdoB) e Leonardo Quintão
(PMDB), fizeram um pacto de apoio mútuo em caso de segundo turno.
"Estamos com esse entendimento
há uns 15 dias", admite Jô Moraes. "Nos debates
estamos sempre chamando a atenção para a importância
de um segundo turno, dada a necessidade de que Belo Horizonte enfrente
um processo democrático efetivo."
O rival Márcio Lacerda,
que ao que todas as pesquisas indicam angariou todos os apoios que precisava
para ser eleito já no primeiro turno, disfarça. "Estamos
nos empenhando para um bom desempenho nas urnas no dia 5 de outubro e
temos certeza que os eleitores farão uma escolha consciente e
livre que irá beneficiar toda a população de nossa
cidade", diz.
"Os eleitores é que
decidirão se haverá ou não segundo turno e nós
vamos continuar trabalhando sem nos preocupar, no momento, com esta questão."
Crivella polemiza
No Rio de Janeiro, o candidato
Marcelo Crivella (PRB) causou polêmica recentemente ao declarar
que havia realizado acordo semelhante ao da capital mineira com Jandira
Feghali (PCdoB), o que foi negado pela candidata.
Dada a proximidade de Crivella
com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o cenário
mais provável é que a parceria se concretize com o acréscimo
ainda do PT, representado por Alessandro Molon. O grupo enfrentaria
o atual líder nas pesquisas de intenção de voto,
Eduardo Paes (PMDB), caso Jandira não alcance o segundo turno.
(Fonte: JB Online)
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FOLHA
DE SÃO PAULO, 22 de setembro de 2008 | Brasil
ELEIÇÕES 2008 / CAPITAIS
Mais tempo de TV alavanca candidatos
nas pesquisas
Em 18 capitais brasileiras, líderes
possuem o maior espaço no horário eleitoral | Em duas capitais,
São Paulo e Salvador, os candidatos com maior tempo na TV não
chegaram ao 1º lugar, mas disputam vaga no 2º turno
THIAGO REIS
DA AGÊNCIA FOLHA
Em apenas um mês de horário
eleitoral, a TV já pode ser apontada como fundamental para a
mudança do cenário político nas capitais do país.
Em 18 das 26 cidades, o líder nas pesquisas às prefeituras é o
que possui o maior tempo nos meios de comunicação.
Levantamento nas 20 cidades onde foi possível comparar a mais recente
pesquisa de intenção de voto (Ibope ou Datafolha) com aquela
feita dias antes do início do horário eleitoral revela ainda
mais o poder de exposição dos candidatos.
Em dez cidades, aqueles com tempo de TV maior ou igual aos adversários
se mantiveram na frente, boa parte alargando a vantagem. Em outros cinco municípios,
onde os candidatos com maior tempo de TV estavam atrás, eles viraram
o jogo e agora são líderes.
Em duas capitais, candidatos com maior tempo de TV não chegaram a primeiro,
mas subiram: Gilberto Kassab (DEM), em São Paulo, e João Henrique
(PMDB), em Salvador, diminuíram a distância para os líderes.
Amparado por uma coligação que inclui o PMDB, Kassab é dono
do maior tempo de TV e rádio em São Paulo (39% do total destinado
aos quatro principais candidatos). Sua propaganda também recebe boa
avaliação. Segundo pesquisa Datafolha da semana passada, o prefeito
democrata tem o segundo programa mais bem avaliado entre os que acompanham
o horário eleitoral -32%, contra 35% de Marta Suplicy (PT).
Em Manaus, Omar Aziz (PMN), com maior exposição que Amazonino
Mendes (PTB), conseguiu diminuir a diferença entre os dois, de 42 pontos
para 27. Em Vitória, João Coser (PT), com um minuto a menos de
TV, manteve a distância de Luciano Resende (PPS), e o cenário
ficou inalterado.
A única exceção à regra ocorreu em Macapá,
onde Camilo Capiberibe (PSB) conseguiu passar à frente de Roberto Góes
(PDT), que tem tempo de TV maior e apoio do primo do governador, Waldez Góes
(PDT).
Para o cientista político Vitor Ferraz, da PUC-SP, a campanha na televisão é fundamental
na escolha do eleitor e o impacto é sentido nas sondagens. "O candidato
que tem mais tempo passa a sensação de que tem mais força
política, ainda que o eleitor não saiba como é composta
essa divisão."
O professor do Instituto de Ciência Política da UnB Luis Felipe
Miguel concorda. Ele diz que, se o candidato tem um tempo bom de TV, significa
que está sendo apoiado por partidos grandes. "E o início
do horário eleitoral coincide com a mobilização desses
partidos nas ruas, colocando suas estruturas para funcionar."
De acordo com Miguel, com um tempo maior, o candidato pode expor as propostas,
fazer críticas aos adversários e apresentar as lideranças
que o apóiam. "Com menos tempo, o adversário é obrigado
a abrir mão de uma ou mais linhas discursivas, o que o prejudica."
Os dois dizem, no entanto, que só a TV não é decisiva
em uma campanha. "O papel do marqueteiro, de criar uma imagem, de tentar
superar uma margem de rejeição, também é crucial.
Por isso, a TV influencia dependendo da maneira como é usada e do que
se tem para mostrar. No caso de Belo Horizonte, o apoio expresso dado a Marcio
Lacerda [PSB] foi fundamental", afirma Ferraz.
Lacerda tem como padrinhos o governador Aécio Neves (PSDB) e o prefeito
Fernando Pimentel (PT). Na primeira quinzena de agosto, antes do rádio
e da TV, ele tinha 9%, segundo o Ibope. Agora, tem 42%.
Dinheiro
Além do maior tempo de TV, Lacerda e os outros quatro candidatos que
ultrapassaram os oponentes também arrecadaram mais que eles. O candidato
do PSB já recebeu quatro vezes o valor doado a Leonardo Quintão
(PMDB). No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB) diz ter arrecadado R$ 2,6 milhões
a mais que Marcelo Crivella (PRB), que ficou para trás nas pesquisas.
Para os cientistas políticos, isso mostra o quanto o dinheiro é importante
em uma eleição numa capital. "Conseguir dinheiro mostra
a capacidade de um candidato se articular politicamente e isso pode refletir
em votos", diz Ferraz.
Miguel diz que o candidato com poucos recursos não se torna competitivo,
pois o eleitorado, em grande medida, é desinteressado. "É importante
se fazer presente. Para isso, é preciso material de campanha, estar
nas ruas." Para ele, na década de 80, havia mais diferenças
entre as campanhas eleitorais, dada a criatividade dos publicitários
mesmo com tempos de TV e rádio mais restritos.
" Hoje, as campanhas dos partidos que disputam de verdade uma eleição
são parecidas, com o mesmo profissionalismo, marqueteiros experientes
e usando as mesmas formas de pesquisa. Ter mais dinheiro e mais tempo para passar
uma mensagem tem muito mais peso", diz Miguel.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
22 de setembro de 2008 | Brasil
Maioria dos prefeitos lidera nas
capitais
DA AGÊNCIA FOLHA
Só quatro prefeitos que
concorrem à reeleição não lideram as disputas
nas capitais, revelam as últimas pesquisas Datafolha e Ibope.
Os outros 16 prefeitos estão na frente. Em comum a Gilberto Kassab
(DEM-São Paulo), Serafim Corrêa (PSB-Manaus), João
Henrique (PMDB-Salvador) e Duciomar Costa (PTB-Belém), está o
fato de todos terem uma avaliação de "ótimo/bom" abaixo
dos 50%.
" Há uma tradição de que governante bem avaliado raramente
perde eleição. Mas há situações atípicas",
diz o cientista político Vitor Ferraz, da PUC-SP. "No caso do Kassab,
a aprovação dele está perto de 50%, mas o problema é identificar
quem é o governo. Na cabeça do eleitor, o voto favorável
ao governo pode ser do Kassab ou do [Geraldo] Alckmin [PSDB]."
Para o professor Luis Felipe Miguel, da UnB, candidatos à reeleição
com boa avaliação estão na dianteira porque existe o chamado "voto
retrospectivo". "O eleitor julga a atuação do governante
no mandato anterior. Uma boa avaliação tende a refletir boa intenção
de voto." Segundo ele, é por isso que a disputa em São Paulo
está acirrada, pois tanto Marta Suplicy (PT) quanto Alckmin já governaram
a cidade ou o Estado e também são analisados por suas gestões.
Ferraz diz ainda que uma boa avaliação faz com que os adversários
tendam a ser mais comedidos nas críticas. "Se um governo é muito
bem aprovado, a oposição não pode fazer campanha contrariando
todas as ações do governo", afirma ele. (TR)
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GAZETA DO POVO, 22 de setembro
de 2008 | Vida Pública
Religião e eleições
Edir Macedo revela plano político
em livro
Líder da Igreja Universal incita
os evangélicos a tomar o poder. Objetivo seria construir
o projeto de nação que Deus teria sonhado para os
hebreus
Deus tem um plano político
para os fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus e para os evangélicos
que sejam seus aliados: governar o Brasil, segundo as palavras do bispo
Edir Macedo, fundador e chefe da Igreja Universal, no livro Plano de
Poder, lançado a duas semanas das eleições.
A partir de uma leitura política
do Antigo Testamento, Macedo incita os evangélicos à mobilização
partidária, seguindo o “projeto de nação” que
Deus teria sonhado para os hebreus, que ele chama de cristãos.
O livro tem co-autoria de Carlos Oliveira, diretor-presidente do jornal
Hoje em Dia, de Minas Gerais.
“ Tudo é uma questão de engajamento, consenso e mobilização
dos evangélicos. Nunca, em nenhum tempo da História do evangelho
no Brasil, foi tão oportuno como agora chamá-los de forma incisiva
a participar da política nacional”, escreve Macedo, estimando em
40 milhões a comunidade de evangélicos no país. “A
potencialidade numérica dos evangélicos como eleitores pode decidir
qualquer pleito eletivo, tanto no Legislativo, quanto no Executivo, em qualquer
que seja o escalão, municipal, estadual ou federal”, afima ele,
no livro.
É para essa comunidade – que
Macedo chama de cristãos com exclusividade (ele exclui os cristãos
católicos) – que Deus teria feito os planos de governo.
No texto – repleto de expressões de linguagem de marketing
e administração –, Macedo lança as bases para
uma militância evangélica político-partidária.
Diz que no Brasil a comunidade é como um “gigante adormecido”,
que se mantém alheia ao processo eleitoral.
Para o cientista político
Roberto Romano, professor de ética na Unicamp, Macedo envia uma
mensagem aos fiéis para que deixem de lado o pudor de lidar com
a política. “Macedo diz: ‘Vocês já foram
conquistados para Jesus, sabem como isso os consola. Mas para que o plano
de Deus se realize, temos de deixar de ter o pudor de mexer com a política’”,
afirma Romano.
O professor diz que a época
escolhida por Macedo para lançar o livro, às vésperas
da eleições, foi bem escolhida. Romano afirma não
estranhar o avanço da Igreja Universal sobre a política.
O partido PRB, do vice-presidente José Alencar e de Marcelo Crivella,
segundo colocado nas pesquisas eleitorais para a prefeitura do Rio de
Janeiro, por exemplo, é fortemente ligado à igreja.
“É próprio
do Edir Macedo usar essa terminologia de administração
e marketing; ele usa isso na igreja dele, assim como a teologia sincrética.
Essa teologia da prosperidade. Não me surpreende que esteja transformando
essa bem-sucedida empresa em partido, em base política.”
A professora de Teologia
da PUC-Campinas Silvana Suaiden vê fundamentalismo por parte
de Macedo. “O bispo Macedo faz uma leitura fundamentalista da
Bíblia. O que ele entende por povo cristão? Para ele, é,
sobretudo, o povo da Igreja Universal. Utilizar a Bíblia para
amparar essa tese, principalmente nas eleições, quando
existe esse projeto de sustentação da base de políticos
evangélicos? É uma jogada.” A especialista explica: “A
Bíblia tem de ser lida no contexto em que foi escrita. Ler o
Antigo Testamento e dizer que ali está escrito que Deus tem
um plano para os cristãos, quando não há uma referência
aos cristãos? Isso não tem sustentação
teológica”. A reportagem tentou entrevistar Edir Macedo.
Mas, segundo sua assessoria, ele não daria entrevistas por estar
fora do Brasil.
Crivella diz que é vítima
de preconceito
O candidato do PRB à prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella,
participou ontem da Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, em Copacabana,
e reclamou de discriminação. “Minha rejeição
como político vem da intolerância de pessoas que não aceitam
que eu seja evangélico’’, disse ele, ex-bispo da Igreja
Universal. O candidato Fernando Gabeira (PV)disse que a presença do
concorrente foi positiva. “Mas é importante que a religião
que ele professa pare de demonizar as outras’’, afirmou Gabeira,
em referência à umbanda e candomblé.
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AGÊNCIA DIAP, 22 de
setembro de 2008
FATOR PREVIDENCIÁRIO
Lula admite mudança em regras
para aposentadoria
Presidente diz que, se o Congresso
acabar com o fator previdenciário, ele não vetará.
Mas Lula ponderou que será preciso ver o custo que isso trará à Previdência;
Governo trabalhará para que projeto não vá adiante
na Câmara
O presidente Luiz Inácio
lula da Silva afirmou em entrevista à TV Brasil que, se a mudança
do fator previdenciário for aprovada no Congresso por um acordo
entre os líderes partidários, ele não vetará a
proposta. "Se for aprovado no Congresso um acordo entre os líderes,
certamente que não vetarei", disse Lula na entrevista, exibida
na última quarta-feira (17) à noite.
Logo depois, entretanto, Lula
fez algumas ponderações. Disse que o Ministério
da Fazenda está discutindo o projeto com a Câmara dos Deputados "para
mostrar o que isso implica no custo da Previdência".
"O Governo não quer
dar mais ou não quer dar menos, o governo quer fazer aquilo que é possível
fazer. Se temos uma arrecadação para a Previdência
Social e você aprova uma coisa que significa aumentar o custo da
Previdência Social, você tem de se perguntar sempre de onde
se vai tirar o dinheiro para pagar. Essa é uma pergunta que todo
mundo tem que fazer, os deputados, os senadores. Não tenho que
fazer a pergunta, tenho que dizer ‘posso’ ou ‘não
posso’. Se tiver dinheiro em caixa, você pode. Se não
tiver, você não pode", argumentou.
Em abril, Lula reclamou de seus
aliados no Senado por terem aprovado projetos que prevêem aumento
de gastos na Previdência sem que sejam apontadas as fontes para
cobrir tais despesas. Um deles era exatamente sobre o fator previdenciário,
mudando a forma de cálculo dos benefícios da Previdência.
O outro estende a aposentados e pensionistas a política de valorização
do mínimo.
Embora Lula tenha acenado com
a possibilidade de sancionar o projeto, o governo trabalha para tentar
impedir que o texto seja aprovado na Câmara. Isso evitaria qualquer
desgaste ao presidente. Segundo um ministro ouvido pela Folha, a posição
do governo, contrária à extinção do fator
previdenciário, não foi alterada.
Criado no Governo FHC, o fator
leva em conta o tempo de contribuição, a idade no momento
do pedido de aposentadoria e a expectativa de vida da pessoa. Na aposentadoria
por tempo de contribuição (30 anos para mulheres e 35 para
os homens), o fator funciona como um redutor do benefício.
Situação na Câmara
Na Câmara, o projeto deve
ser aprovado na Comissão de Seguridade Social e Família
assim que o Congresso voltar a trabalhar, após a eleição.
O relatório do deputado
Germano Bonow (DEM/RS), favorável ao texto já aprovado
no Senado, entrou na pauta da última reunião, no começo
deste mês. Só não foi votado porque o deputado
Chico D'Angelo (PT/RS) pediu vista, ou seja, mais tempo para analisar
o projeto. (Com Folha de S.Paulo)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
22/09/2008
Ex-estatutária obtém na Justiça
Trabalhista reconhecimento de vínculo pela CLT
Uma professora de Lagoa Vermelha,
no Rio Grande do Sul, que teve sua nomeação como estatutária
anulada pela Justiça Comum, obteve na Justiça do Trabalho
o reconhecimento de vínculo pelo regime celetista. A sentença,
que obriga o município a pagar verbas rescisórias referentes
a 26 anos de contrato, foi mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho
da 4ª Região (RS) e, posteriormente, pela Sétima Turma
do Tribunal Superior do Trabalho, em voto do ministro Pedro Paulo Manus,
que rejeitou recurso do município com o objetivo de reverter a
decisão.
Contratada em 1975 pela CLT,
a educadora passou ao regime estatutário em 1991, após
ser aprovada em concurso. Dez anos depois, em 2001, foi exonerada, por
decisão do Tribunal de Justiça do Estado, sob o fundamento
de que o concurso a que se submeteu não respeitou a ordem de nomeação.
Imediatamente, ela entrou com ação na Justiça comum.
Requereu a manutenção do contrato de trabalho ou, alternativamente,
que fosse assegurada a contagem do tempo serviço e de contribuição
pelo regime estatutário, bem como o pagamento de indenização.
Não obtendo êxito nesse processo, que transitou em julgado,
entrou com reclamação na Justiça do Trabalho.
O juiz da Vara do Trabalho de
Vacaria reconheceu o vínculo pelo regime da CLT desde o início
do contrato até sua rescisão, determinou a anotação
em carteira de trabalho e o pagamento de verbas rescisórias referentes
a aviso prévio, férias, 13º salário, FGTS,
horas extras e reflexos, acrescidos de juros e correção
monetária.
O município recorreu sucessivamente, visando à reforma da sentença
de primeiro grau. Alegou a incompetência da Justiça do Trabalho
sob o fundamento de que a autora da ação esteve sob regime estatutário
até a data de sua demissão. Afirmou que o Tribunal de Justiça
não decidira pela mudança de regime, mas sim pela anulação
da nomeação, considerada irregular. Também sustentou a
tese de ocorrência de coisa julgada, na medida em que a ação
trata do mesmo pedido e causa de pedir da anterior, envolvendo as mesmas partes.
Acrescentou que a controvérsia já teria sido dirimida pela Justiça
Comum e, por esse motivo, não seria permitida a manifestação
da Justiça do Trabalho no caso. Também levantou a tese da prescrição
dos direitos, inclusive no tocante ao FGTS, sob o fundamento de que a ação
foi ajuizada em 2002, oito anos depois da mudança do regime de celetista
para estatutário. Insurgiu-se, finalmente, contra o reconhecimento das
verbas rescisórias, incluindo salários, aviso prévio,
férias, décimo terceiro e FGTS.
Esgotados, sem sucesso, os apelos
no âmbito regional, o município entrou com recurso de revista,
mas a presidente do TRT negou-lhe seguimento, o que provocou a interposição
de agravo de instrumento ao TST, em que reiterou os fundamentos utilizados
para contestar a sentença. O ministro Pedro Paulo Manus, após
análise de cada um dos argumentos apresentados pelo município,
negou provimento a todos. Esclareceu, inicialmente, ser clara a conclusão
do TRT no sentido de que a controvérsia é decorrente da
relação de emprego entre as partes, sendo, portanto, inquestionável
a competência da Justiça do Trabalho no caso.
Quanto à alegação de coisa julgada, o ministro a considerou “inócua”.
Em seu voto, ele asseverou que, assim como entendera o TRT, os pedidos formulados
nas duas ações são distintos: na Justiça comum,
a autora pediu a manutenção do contrato de trabalho ou a contagem
de tempo de serviço e de contribuição, acrescida de indenização
e regularização da situação perante o INSS; na
Justiça do Trabalho, pleiteou o reconhecimento de sua condição
de celetista e o conseqüente pagamento de verbas rescisórias.
A tese de prescrição
também foi refutada, nos mesmos termos da decisão do TRT,
que, diante da nulidade de sua nomeação como estatutária
pela Justiça comum, concluiu que o contrato de trabalho foi regido
pela CLT desde o início até o seu término, em 2001.
Só então começou a contagem do prazo prescricional
(a ação foi ajuizada em 2002). Da mesma maneira, o relator
refutou as alegações de que o município não
poderia ser obrigado a pagar nenhuma parcela salarial, pois a professora
já teria recebido as verbas quando trabalhava sob o regime estatutário.
Nesse aspecto, o ministro destacou que, em sua decisão, o TRT
considerou estar configurado o reconhecimento do regime celetista durante
todo o contrato, “o que dá direito à autora de ver
concedidas, além do salário, todas as verbas trabalhistas
a que faz jus”.
O ministro Ives Gandra Martins
Filho, presidente da Sétima Turma, destacou o processo, por considerá-lo
peculiar. Em sua avaliação, a tese de coisa julgada, nos
termos em que foi formulada, configura um precedente importante e, por
esse motivo, recomendou o envio do processo à Comissão
de Jurisprudência do Tribunal. ( AIRR 80215/2002-461-04-40.1)
(Ribamar Teixeira)
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22/09/2008
Empresa é inocentada da acusação
de não contratar deficientes físicos
A firma brasiliense Capital – Empresa
de Serviços Gerais foi inocentada da acusação de
ter descumprido o artigo 93 da Lei nº 8.213/91, que disciplina a
obrigatoriedade de contração de portadores de deficiência
física e mental. A decisão foi confirmada pela Segunda
Turma do Tribunal Superior do Trabalho ao rejeitar recurso do Ministério
Público do Trabalho contra acórdão do Tribunal Regional
da 10ª Região que considerou improcedente a ação
civil pública contra a empresa.
A intenção inicial
do Ministério Público era de que, pela relevância
do assunto, seu recurso de revista fosse aceito pelo requisito prévio
da transcendência, mesmo sabendo que esse instituto legal ainda
não foi regulamentado pelo TST. Mas o relator do processo na Segunda
Turma, ministro Renato de Lacerda Paiva, afirmou que, devido à falta
de regulamentação “não há como dar
o enfoque pretendido”, de forma que a matéria foi analisada
nos termos do artigo 896 da CLT.
A empresa tem mais de 1500 funcionários
e, de acordo com a lei, deveria ter em seu quadro ao menos cinco por
cento de “beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras
de deficiência, habilitadas”. O Tribunal Regional esclareceu
que o INSS não verificou qualquer irregularidade praticada pela
empresa com relação ao artigo 93 da Lei 8.213 quanto à “existência
de vaga capaz de ser provida por pessoa reabilitada ou deficiente reabilitado”,
como havia denunciado o Ministério Público.
Ao contrário, constatou-se
que a empresa emprega trabalhadores em tais situações,
embora em número menor que o exigido por lei, “mas sem indicativo
de que novas vagas houvessem deixado de ser providas por pessoas reabilitadas
ou deficientes habilitados”, informou o relator, que não
viu afronta ao artigo 896 da CLT “capazes de justificar o cabimento
do recurso de revista. Foi seguido unanimemente pelos ministros da Segunda
Turma. ( RR-746-2000-007-10-85.4)
(Mário Correia)
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