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Agência
Diap, 28 de setembro de 2008
CARTA MAGNA
Constituição faz 20
anos e ainda precisa regulamentar 26% dos artigos
Vinte anos depois da promulgação da Constituição
de 1988, 66 dos 250 artigos da Carta ainda precisam de algum tipo de regulamentação,
de acordo com levantamento realizado pela Câmara dos Deputados.
A Constituição é a diretriz das normas jurídicas
do país e nenhuma lei pode contrariá-la. Ela foi promulgada
no dia 5 de outubro de 1988. A uma semana de completar 20 anos, a data
será importante também porque será o dia do primeiro
turno das eleições municipais.
A Carta de 88 marcou a volta da democracia ao país após
o fim da ditadura militar. Ela foi chamada de "Constituição
Cidadã" pelo então presidente da Assembléia
Constituinte, Ulysses Guimarães.
Ao todo, são 126 dispositivos - entre artigos inteiros,
parágrafos ou incisos - que precisam de leis complementares
para serem validados. Um dos artigos que ainda precisam ser regulamentados é o
18, no parágrafo quarto, que trata da criação
de municípios. A lei definiu que os estados só podem
criar municípios baseados em uma lei complementar federal,
que ainda não foi votada pelo Congresso Nacional. Por
conta disso, 28 municípios brasileiros, com prefeitura
e orçamento próprios, podem voltar a ser distritos.
Em maio do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) deu
prazo de 18 meses, que termina em novembro deste ano, para a
regulamentação da lei sob pena de extinguir oficialmente
as cidades. Outro exemplo é o artigo 37, no inciso 5º.
A lei prevê que parte do preenchimento de cargos de confiança
seja feita com servidores de carreira e que as normas estejam
previstas em lei complementar, que ainda não existe.
O direito de greve também segue sem regulamentação.
Também no artigo 37, o inciso 7º exige uma legislação
específica sobre o assunto ainda não votada. O
presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia,
afirmou em maio último que criaria uma comissão
para analisar todos os artigos, incisos e parágrafos não
regulamentados, segundo a Agência Câmara, mas a medida
ainda não saiu do papel.
Debate
O advogado constitucionalista Antonio Carlos Mendes, professor
da Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo (PUC-SP), que considera a Carta um “avanço,
avalia que a falta de regulamentação é o “aspecto
negativo”. “Os aspectos negativos decorrem da falta
de legislação complementar adequada à nova
Constituição. (...) O Legislativo é muito
moroso.”
Já o professor Paulo Blair, professor de direito da Universidade
de Brasília (UnB), considera que ainda que nem tudo o
que é citado como “carente de regulamentação” precisa
realmente de uma lei complementar. “Muito do que se diz
que carece de regulamentação carece mesmo de vontade
política de aplicação”. Ele citou
como exemplo a recente decisão do Supremo Tribunal Federal
sobre proibição do nepotismo e que começa
a ser aplicada pelo País.
Blair disse ainda que nos casos onde a regulamentação é necessária, é preciso
empenho popular. “Só há uma instância
capaz de forçar o parlamento a fazer as regulamentações
necessárias: pessoas na rua mobilizadas, imprensa, sociedade
civil organizada.”
Especializada em direito digital, a advogada Patrícia
Peck afirma que são necessárias regulamentações
em artigos relacionados à tecnologia. Citou como exemplos
a questão de interceptações telefônicas;
uso dos dados do cidadão por provedores; convergência
de mídias; direitos autorais; e democracia digital.
“Nossa Constituição é jovem, foi
muito bem elaborada em vários itens, mas ainda precisa
de regulamentação em muitos pontos. (...) A realidade
mudou, e a lei precisa ser atualizada.”
Parlamentares constituintes
A Assembléia Constituinte, que votou e aprovou a Constituição,
funcionou entre 1987 a 1988 e contou com a participação
de então parlamentares como o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT), o governador Aécio Neves (PSDB), e
o presidente do PMDB, Michel Temer, ainda hoje deputado federal.
O senador Marco Maciel (DEM/PE), constituinte e atual presidente
da Comissão de Constituição, Justiça
e Cidadania (CCJ) do Senado, destaca que os dispositivos não
regulamentados são um “desafio” para o Congresso. “Algumas
matérias são complexas e exigem reflexão
para que a lei seja a melhor possível.”
Maciel destacou que os itens pendentes de regulamentação
mais importantes são os relacionados à reforma
política, como a redefinição do sistema
eleitoral e as regras de fidelidade partidária. O senador
disse ainda considerar necessário que se modifique o rito
das medidas provisórias, para que a “capacidade
do Congresso não seja reduzida”.
Outro constituinte, o deputado federal José Genoino (PT/SP)
avalia que o período de dois anos para discutir a Constituição
foi “o necessário”. "Foi um exercício
de confronto e negociação. Foi o tempo necessário.
Por outro lado, não se podia demorar porque o País
tinha situação delicada."
Genoino integrou a bancada do PT, que votou contra o texto final
da Constituição, mas acabou assinando a Carta.
Ele defende a convocação de um “Congresso
revisor”, que, para ele, poderia ser eleito em 2010 e,
a partir de 2011, discutiria as mudanças ainda necessárias
na Constituição.
Destaques
Especialistas e parlamentares apontam a garantia aos direitos
fundamentais como o ponto principal da Constituição. “Deixou
de ter como preocupação o Estado e passou a ser
os direitos fundamentais”, destacou Antonio Carlos Mendes,
da PUC.
“Deu o direito de as pessoas serem diferentes”,
afirma Blair, da UnB. O senador Marco Maciel avalia que a Carta é fruto
do “maior pacto político da nossa história
republicana”. “Graças a ele é que foi
possível convocar uma Constituinte e dar ao país
uma Constituição nova, moderna, que vinha ao encontro
das expectativas da população.”
Para ele, a Constituição foi responsável
pela criação de “um quarto poder”. “O
Ministério Público passou a constituir um quarto
poder. Foi muito positivo para garantir que se cumpram os objetivos
de transparência.”
Emendas
A Constituição só pode ser alterada por
meio de Propostas de Emenda à Constituição
(PECs), que precisam ser aprovadas em dois turnos na Câmara
e no Senado. Os 250 artigos da Carta de 1988 já receberam
56 emendas.
Paulo Blair, da UnB, considera a quantidade de emendas no texto
um "sinal de sucesso". "Uma Constituição
precisa estar aberta para o futuro, não pode significar
prever tudo o que vai acontecer. Tem que estar aberta para a
possibilidade de emenda. Como um documento que continua aberto
para o futuro”. (Com G1)
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Agência
Diap, 28 de setembro de 2008
MELHOR IDADE 1
Idosos: sindicato pede valorização
e combate ao preconceito
O secretário-geral do Sindicato Nacional dos Idosos,
Arnaldo Gonçalves, indica alguns desafios ao governo para
a Política Nacional do Idoso. O principal deles seria
o de ensinar os outros a tratar de forma diferenciada as pessoas
da terceira idade.
Ele aproveita as comemorações do Dia Nacional
do Idoso, lembrado neste sábado (27) em algumas cidades,
para afirmar que falta no Brasil uma cultura de valorização
dos mais velhos.
Há dois anos, o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva transferiu oficialmente a data para 1º de outubro,
quando se comemora o Dia Internacional da Pessoa Idosa.
“Quando a pessoa fica velha, a tendência da sociedade é deixá-la
de lado. O preconceito contra o idoso é algo que precisa
ser encarado. O idoso não pode ser visto como uma pessoa
que atrapalha, mas sim como alguém que pode ajudar com
experiência e vivência. As escolas precisam educar
as crianças e jovens para mudar este quadro de desvalorização”,
defende. “As pessoas precisam ter consciência de
que um dia também ficarão velhas”, completa.
Mas de um modo geral, na juventude, ninguém pensa nisso.
O aposentado José Vasconcelos, de 66 anos, nem imaginava
o futuro quando era jovem. Ele trabalha atualmente como vendedor
ambulante pelas ruas de Brasília, para complementar a
renda.
“O salário mínimo não dá para
pagar todas as contas. Por isso, agora, tenho que correr atrás
de dinheiro. Se eu pudesse voltar no tempo, teria me planejado
melhor, teria estudado. Eu tive muitas oportunidades, mas não
aproveitei nenhuma delas. Quando a gente é novo, a gente
não pensa nas coisas, agora é tarde”, lamenta.
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Agência
Diap, 28 de setembro de 2008
GANGUESTERISMO
RJ: após 26h de tortura,
sindicalista seqüestrado é solto
O presidente da NCST/RJ (Nova Central Sindical dos Trabalhadores
do Rio de Janeiro) e diretor jurídico do Sindicato dos
Rodoviários, Sebastião José da Silva,
seqüestrado no último dia 24, reapareceu no começo
da noite do dia 25. Sebastião foi torturado por quase
26 horas.
Quando saía da sede do sindicato, na capital fluminense,
Sebastião foi abordado por um homem que se identificou
como policial e disse que o levaria para a delegacia. No carro,
mais três homens o puxaram para dentro, quando foi encapuzado
e amarrado.
Segundo informações apuradas, Sebastião
acredita ter ficado em um galpão, onde apanhou dos quatro
homens. O sindicalista ficou com diversas marcas pelo corpo
e na cabeça. Uma corda foi usada para enforcá-lo.
No pulso também há marcas da corda que o amarrava.
Assim que a notícia do seqüestro correu, membros
da oposição sindical dos rodoviários começaram
a denunciar o caso. No dia 25, cerca de 200 rodoviários
estiveram em frente ao Tribunal Regional de Trabalho (TRT)
do Rio para denunciar o golpe eleitoral e o seqüestro
do líder da oposição rodoviária.
Segundo Sebastião, outro grupo foi buscá-lo
dizendo que iria matá-lo. No caminho, na subida do viaduto
de Coelho Neto, os bandidos retiraram o saco de sua cabeça
e reduziram a velocidade. Foi quando ele pulou do carro em
movimento. Ainda com as mãos amarradas, ele pegou um
táxi e foi para casa. “Acho que eles facilitaram
por causa da pressão”, disse Sebastião
ao chegar na 6ª DP (Cidade Nova), onde prestou depoimento.
O sindicalista ainda estava muito tonto pela falta de remédios
para o coração - ele usa um marca-passo cardíaco.
Dirigentes sindicais pediram rigor nas investigações
ao secretário de Segurança, José Mariano
Beltrame.
Sebastião integra a chapa de oposição
ao Sindicato dos Rodoviários. A última eleição
foi suspensa pela Justiça, em razão de fraudes.
Agora, tanto o Ministério do Trabalho quanto do Ministério
Público acompanham o processo. A nova data será marcada
pela Justiça.
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Agência
Diap, 28 de setembro de 2008
GRATIFICAÇÃO NATALINA
CAS: antecipação da
1ª parcela do 13º está pronta para votação
A antecipação de parte da gratificação
natalina, mais conhecida como décimo terceiro salário,
poderá passar a ser paga anualmente entre os meses de
janeiro a junho. Projeto de lei nesse sentido (PLS 246/06), do
senador Antonio Carlos Magalhães, que faleceu em julho
de 2007, está pronto para ser votado pela Comissão
de Assuntos Sociais (CAS), em decisão terminativa. Ou
seja, se for aprovado na Comissão e não houve recurso
contra a decisão, o projeto segue direto para exame da
Câmara.
Pela lei que institui a gratificação de Natal
(Lei 4.090/62), o abono é pago em duas etapas: a primeira
até 30 de novembro e a segunda até 20 de dezembro.
O projeto propõe que o empregador antecipe o pagamento
da primeira parcela para o período entre janeiro e junho,
pagando de uma só vez metade do salário recebido
pelo empregado no mês anterior.
Essa antecipação não precisará ser
feita a todos os empregados no mesmo mês. Já a segunda
parcela do 13º salário continuará obedecendo
ao prazo estabelecido pela lei - até 20 de dezembro.
Na justificação do projeto, o autor lembrou que
o adiantamento natalino, hoje, é considerado de "extrema
relevância" para o trabalhador, pois são recursos
destinados a pagamento de débitos diversos.
"Tanto é assim que o sistema bancário, de
uma maneira geral, já dispõe de linhas de crédito
que adiantam o pagamento do décimo terceiro salário
para seus clientes, mediante a cobrança de tarifas que
variam de banco a banco", justificou o então senador.
O adiantamento da gratificação natalina entre
os meses de janeiro a junho, ainda conforme a justificação
do projeto poderá evitar que muitos trabalhadores precisem
recorrer ao sistema financeiro em busca de empréstimos.
O relator da matéria na CAS é o senador Pedro
Simon (PMDB/RS), que apresentou voto favorável à proposição.
(Com Agência Senado)
Clique aqui e
veja o projeto; e aqui para
conhecer a íntegra do parecer do relator.
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Reuters,
28 de setembro de 2008
Lula diz que pacote dos EUA é injusto
com pobres
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva culpou os
Estados Unidos pela crise financeira global e disse que o plano
de resgate de 700 bilhões de dólares para socorrer
Wall Street é injusto com as pessoas pobres de outros
países do mundo.
O Congresso norte-americano acertou, na madrugada de domingo,
as bases para o acordo de resgate destinado ao setor financeiro.
A crise iniciada em Wall Street se espalhou para os mercados
de todo o mundo.
" Eles querem ajudar os bancos e não querem ajudar
os pobres", disse Lula, na noite de sábado, durante
comício do PT na cidade de Garulhos, na Grande São
Paulo.
" Porque quando eles ganham é só deles,
mas o prejuízo eles querem repartir com todos os países
do mundo e com os mais pobres. Se eles brincaram com a economia
deles, eles que resolvam e não deixem a crise chegar
aqui", acrescentou o presidente, de acordo com reportagem
da Agência Brasil.
Lula disse ainda que os Estados Unidos têm a responsabilidade
de resolver a crise de repercussão internacional que
eles mesmos causaram.
" Se eles brincaram com a economia deles, eles que resolvam
e não deixem a crise chegar aqui", afirmou o presidente,
acrescentando que o Brasil está em melhores condições
para enfrentar a crise do que no passado por não depender
tanto dos EUA.
" Antes, os Estados Unidos eram responsáveis
por 30 por cento das nossas exportações, agora
são 15 por cento. Começamos a vender para a América
do Sul, Ásia, Europa, Oriente Médio, África",
disse.
A economia brasileira está crescendo mais de 5 por
cento ao ano, mas deve diminuir para um crescimento por volta
de 4 por cento no próximo ano. Empresas exportadoras
brasileiras anunciaram na semana passada grandes perdas de
derivativos devido à flutuação cambial
causada pela crise financeira global.
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Agência
Brasil, 28 de setembro de 2008
Lula critica EUA e diz que país
quer dividir a crise, mas não os lucros
Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil
São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da
Silva afirmou nesse sábado (27), ao participar de um
comício em Guarulhos (SP), que cobrou do governo americano,
durante visita aos Estados Unidos na última semana,
que a crise econômica pela qual o país passa seja
resolvida o mais rápido possível. “Porque
quando eles ganham é só deles, mas o prejuízo
eles querem repartir com todos os países do mundo e
com os mais pobres. Se eles brincaram com a economia deles,
eles que resolvam e não deixem a crise chegar aqui”.
Durante outro comício, em Osasco (SP), Lula disse que
a crise internacional ainda não atingiu o Brasil porque
além de o país ter uma reserva financeira de
US$ 207 bilhões, suficiente para enfrentar essa ou qualquer
outra crise, o governo vem estendendo as relações
comerciais com outros parceiros a fim de não depender
tanto dos EUA. “Antes, os Estados Unidos eram responsáveis
por 30% das nossas exportações, agora são
15%. Começamos a vender para a América do Sul, Ásia,
Europa, Oriente Médio, África”.
Em São José dos Campos (SP), o presidente afirmou
que apesar de a crise não ter atingido ainda o Brasil,
não quer dizer que tudo esteja tranqüilo. Acrecentou
que conversa todos os dias com o ministro da Fazenda, Guido
Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles,
pedindo que eles “olhem o mundo com uma lupa. Se os EUA
entrarem em crise, a recessão vai bater em todo o mundo,
da China ao Brasil”, disse.
Hoje (28), Lula participa de comício em São Bernardo do
Campo.
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Gazeta
do Povo, 28 de setembro de 2008
Popularidade
Avaliação de Lula
em Curitiba sobe; Requião cai
Publicado em 28/09/2008 | André Gonçalves, correspondente
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Brasília - A avaliação positiva do presidente
Lula cresceu 10% entre os curitibanos desde o começo
da campanha municipal. De acordo com pesquisa Ibope, divulgada
no dia 11 de agosto, 48% dos eleitores da cidade consideravam
a gestão do petista ótima ou boa. A porcentagem
saltou para 58% na sondagem da última quinta-feira.
Já o governador Roberto Requião (PMDB) passou
por processo inverso. Em agosto, ele tinha 46% de avaliação
positiva, índice que caiu para 43% na semana passada.
Apesar do crescimento de Lula em Curitiba, o avanço
ainda é tímido em comparação com
o restante do país. Segundo levantamento CNT/Sensus
divulgado há seis dias, a gestão Lula é considerada ótima
ou boa por 68,8% dos brasileiros.
Especialista em pesquisas eleitorais e autor do livro “A
cabeça do eleitor”, que fala sobre os fatores
que influenciam o voto do brasileiro, Alberto Carlos Almeida
garante que Lula não consegue transferir tantos votos
quanto se imagina. “A eleição municipal
não tem nada a ver com o presidente. No interior de
Pernambuco, Lula é ‘deus’ e ainda assim
o PSDB vai ganhar de lavada em Petrolina e Jaboatão.”
O presidente da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo Lopes
de Oliveira, concorda que o apoio de Lula não é suficiente
para um bom rendimento nas urnas. “O fato é que
a vida das pessoas melhorou nos últimos anos. Isso torna
o eleitor mais reticente a mudanças, o que não
significa que haja transferência de votos.” Oliveira
também destaca o perfil moderado do presidente no trato
com os prefeitos. “Ele criou uma expressão mágica: ‘Brasil,
um país de todos’ e conseguiu aplicá-la
na relação com os prefeitos. É diferente
do Requião, que tem uma postura de mais conflito.”
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Gazeta
do Povo, 28 de setembro de 2008
Relações de trabalho
Problemas de família, dentro
da empresa
Relações entre membros de
empresas familiares podem prejudicar o andamento dos negócios.
Especialistas recomendam a ajuda de um psicólogo
Pai, mãe e filhos acordam, tomam café reunidos
e depois seguem todos o mesmo rumo: a empresa da família.
Talvez essa rotina não se repita literalmente, mas faz
parte das relações das famílias que trabalham
juntas. Como o período de convívio das pessoas
torna-se longo, a tendência é que a relação
pessoal acabe se confundindo com a profissional. Nesse caso,
os interesses podem prejudicar o bom andamento dos negócios.
As metas da empresa começam a correr riscos quando as
pessoas responsáveis pela gerência não conseguem
separar as questões emotivas das objetivas, explica o
sócio-diretor da consultoria GO4!, Carlos Esteves. “Uma
disputa entre familiares pode ser transportada para dentro da
organização”, diz. E, para quem está diretamente
envolvido na situação, fica complicado percebê-la.
Práticas comuns, como utilizar empregados da organização
em atividades particulares, demonstram que o limite entre as
duas esferas não é nada claro para os familiares
envolvidos. “O que parece óbvio para nós
não é para os envolvidos”, explica Esteves.
Outras vezes, o respeito que o filho tem pelo pai impede alguma
contestação que poderia ser positiva para a empresa. “É muito
difícil para o pai admitir que o filho o supera, e para
o filho acreditar que sabe mais que o pai”, afirma o consultor.
A relação com os funcionários também é afetada,
pois o filho do dono consegue se tornar mais influente, nem sempre
por sua capacidade administrativa.
Antes que uma decisão precipitada pudesse ser tomada
pelos herdeiros que compartilham o comando da empresa, Jorge
Kuser, diretor da Metalgráfica Trivisan, resolveu apelar
para ajuda externa. “Grande parte das empresas familiares
estão entrando agora em sua segunda geração. É preciso
cuidar para que as relações pessoais não
inibam decisões mais firmes”, afirma Kuser.
Ele conta que o trabalho de um psicólogo foi capaz de
preservar o ambiente e ajudou os sócios a entrarem em
acordo levando em consideração os interesses da
empresa. “Geralmente, os sócios não conversam
sobre seus desejos para o futuro da empresa. A terapia permitiu
essa discussão e buscou os interesses em comum para a
continuidade do negócio”, disse Kuser. Ele recomenda
não deixar que uma crise se instale na empresa para só depois
procurar ajuda. O trabalho deve ser preventivo.
O médico psiquiatra e terapeuta familiar Sérgio
Augusto Rocca explica a dinâmica da terapia. Nela, cria-se
um ambiente em que as pessoas podem conversar tanto sobre as
questões domésticas quanto sobre as da empresa,
e ainda permite desvencilhar uma da outra. “Quando contamos
nossas histórias familiares ou profissionais, elegemos
para quais partes damos mais ou menos destaque. As famílias
que têm, além do vínculo sanguíneo,
o vínculo empresarial, vivem muitas dificuldades intensificadas
pela proximidade entre essas duas relações”,
afirma Rocca.
E não só as relações pessoais comprometem
o rendimento da empresa, mas o contrário também
pode ocorrer. Franciely Zen trabalha na administração
da Viação Colombo, empresa de seu pai – que
não está mais tão ligado aos negócios
da família. Ela e a irmã dividem funções
que, muitas vezes, são discutidas em casa. Em algumas
ocasiões, já chegaram a deixar de se falar por
desavenças na empresa. “A gente é geniosa,
mas tenta levar da melhor forma. Alguma sempre tem que ceder”,
brinca Franciely.
A mãe delas também está envolvida nos negócios. “Na
hora do almoço, quando todo mundo está reunido, é que
decisões pontuais são tomadas”, conta ela.
Conversa de trabalho, só no trabalho
“ Não existe família perfeita, nem empresa”, diz o
médico Sérgio Rocca. Segundo ele, independentemente do tamanho
da empresa, é fundamental aprender a olhar para uma crise como uma oportunidade
de fortalecimento e crescimento.
Uma boa dica para aquelas que não podem contratar ajuda profissional
para melhorar o relacionamento é conversar sobre cada tema em momentos
distintos. “Tratar as dificuldades de casa em casa e as do empreendimento
no ambiente de trabalho”, diz Rocca. De acordo com ele, clareza na
comunicação, a expressão de afeto e o lazer na vida
em família facilitam indiretamente o trabalho em conjunto.
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O
Estado do Paraná, 28 de setembro de 2008
As eleições municipais
Edésio Passos
No dia 5 de outubro serão eleitos os prefeitos, vice-prefeitos e
vereadores em todo o território nacional. Pleito essencial para
a afirmação de nossa democracia e de políticas destinadas
ao bem-estar da população, protagonista principal, reafirmando
a conduta participativa desde as eleições de 1989, no ciclo
instaurado após a Constituição de 1988.
Trata-se do momento onde se analisam desde as questões
da ética e corrupção, passando pelos debates
sobre meio-ambiente e a preservação dos recursos
naturais, até os problemas dos grandes centros urbanos relacionados
com a violência, saúde, educação, transporte/trânsito,
aplicação dos recursos públicos na área
social. As campanhas não apenas apresentam soluções
para nossos principais problemas, mas também se aprofundam
disputas pessoais, grupais e partidárias.
De qualquer modo, o cidadão -mesmo rejeitando a política
de face conspurcada - tem a oportunidade de decidir sobre rumos
de nosso país, nossas instituições e de nosso
povo. Tema fundamental que marca o campo das discussões
eleitorais está vinculado às propostas sobre a geração
de empregos e o combate às políticas que possam ocasionar
a desocupação forçada ou a informalidade excludente
dos direitos trabalhistas básicos. Junto com a questão
da segurança publica, uma das matérias prioritárias
que alimentam o debate está vinculada com o atual crescimento
da economia.
A estes dois temas, os pontos sobre a desregulamentação
e flexibilização dos direitos trabalhadores estarão
também na ordem do dia, mesmo que eles sejam especificações
no âmbito da lei federal. A violência que atinge a
sociedade marca as linhas divisórias de propostas que possam
combatê-la mas, ao mesmo tempo, dar-lhe soluções
de cunho social.Por isso, e cada vez mais, as políticas
de base social é que definem as candidaturas que serão
sustentadas pelo voto popular.
STF: sindical e previdenciário
O Supremo Tribunal Federal (1) decidiu, por maioria, que a Justiça
do Trabalho é competente para julgar interdito proibitório
(art. 932, CPC) que envolva o exercício do direito de greve,
ao analisar medida proposta por estabelecimento bancário
contra piquetes formados por sindicato de bancários (RE
579648) (2) recebeu mais uma, a terceira, Ação Direta
de Inconstitucionalidade (ADI 4139) contra a portaria 186/08, do
Ministério do Trabalho e Emprego, sobre registro sindical,
ajuizada pela Confederação Nacional dos Transportes
e pela Confederação Nacional do Sistema Financeiro
(3) também foi protocolada Argüição de
Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 152), ajuizada pela
Federação Nacional dos Propagandistas, Propagandistas-Vendedores
e Vendedores de Produtos Farmacêuticos (Fenaprofar) em face
da Súmula 365 do TST que afirma não ter o membro
do Conselho Fiscal do Sindicato a estabilidade no emprego fixada
pela Constituição Federal (art. 8.º), sendo
relator o ministro Cezar Peluso (4) vai editar súmula vinculante
determinando que não cabe à Justiça do Trabalho
estabelecer, de ofício, débito de contribuição
social para com o INSS com base em decisão que apenas declare
a existência de vínculo empregatício, possibilitando
a cobrança somente sobre o valor pecuniário decorrente
de condenação ou acordo em ação trabalhista
relativos a verbas salariais.
RS: Tá na hora de reformar a CLT?
O XXVII Congresso Estadual dos Advogados Trabalhistas do Rio Grande
do Sul terá como tema central responder à indagação "Tá na
hora de reformar a CLT?". De 25 a 27 de setembro os advogados
gaúchos estarão reunidos em Canela/RS, sendo a conferência
de abertura pronunciada pelo Ministro da Justiça Tarso Genro.
As duas mesas de debate também responderão às
perguntas "O que mudar no Direito Material Individual/Direito
Processual e Coletivo?" e, ainda, no debate final o tema será "A
Justiça do Trabalho nos Tempos Atuais". A conferência
magna estará a cargo do presidente nacional da OAB Cezar
Britto. Destaque para a presença do Ministro do TST Maurício
Coutinho Delgado (informações agetra@gwmarketing.com.br
/ (51) 3388-4944).
Cooperativismo de crédito
"Cooperativismo de Crédito no Brasil" é a
obra de autoria do dr. Edson Galdino Vilela de Souza, mestre em
Direito Cooperativo e Cidadania pela UFPR, participa, na Espanha,
do Programa de Doctorado en Administración de Empresas y
Comercio Internacional da Universidad de Extremadura. Em seu livro,
editado pela Juruá, enfrenta as questões relacionadas
com a globalização, Estado e Cidadania, examinando,
detalhadamente, as origens, desenvolvimento e atual estágio
das cooperativas de crédito no Brasil. Afirma:" Daí decorre,
no contexto atual, a oportunidade de repensar sobre esta seara
formada pela globalização econômica, que envolve
e atrofia o Estado-nação e a cidadania, para enfim
compreender a relevância política e social representada
pelo cooperativismo de crédito como uma construção
teoricamente possível (inserido em um processo produtivo
mais amplo e complexo), de fortalecimento da cidadania e do desenvolvimento
sócio-econômico como uma ágora ou uma espécie
de ponte institucional entre o público e o privado mesmo
tendo-se presente uma persistente sensação de que
tudo deveria ser feito em prol da dignidade da pessoa humana e
da cidadania, no Brasil, vem sendo indefinidamente preterido por
razões bem mais amplas do que as que se apresentam nesta
obra".
Lá...
Em 2007 as remessas dos imigrantes brasileiros, especialmente
para os parentes que ficaram no Brasil, somaram sete bilhões
de dólares (pesquisa do Fundo Multilateral de Investimentos
do Banco Interamericano de Desenvolvimento): metade vem dos brasileiros
que estão nos EUA, o restante dos que estão nos países
europeus e outros. Os receptores desses recursos no Brasil estão
principalmente nas regiões sudeste (58%) e sul (39%). Para
tratar da emigração, que envolve cerca de quatro
milhões de brasileiros que moram fora do país, foi
criada a Subsecretaria-Geral das Comunidades Brasileiras no Exterior
do Ministério das Relações Exteriores, que
recentemente realizou evento com representantes desses imigrantes
visando verificar a dimensão, diversidade, demandas e necessidades
da comunidade no exterior. E formular uma política mais
bem estruturada para o setor.
...e cá
Aqui estão cerca de 800 mil trabalhadores migrantes em
situação legal e cerca de 200 mil irregulares (dados
do Conselho Nacional de Imigração do Ministério
do Trabalho e Emprego). Entre os primeiros, predominam os portugueses
e entre os segundos, os bolivianos (cerca de 100 mil, somente em
São Paulo). O governo federal estuda o envio ao Congresso
Nacional da Convenção 143 da Organização
Internacional do Trabalho (OIT), possibilitando a igualdade no
emprego, registro profissional, seguridade social, direitos sindicais
e culturais, liberdades individuais.
Indenização: desaparecido político
A Sexta Turma do Egrégio Tribunal Regional Federal da Primeira
Região, pelo voto do juiz convocado David Wilson de Abreu
Pardo, condenou a União em 500 mil reais a título
de indenização pelo desaparecimento de estudante
em 1970, então com 14 anos, que foi vítima da ação
repressiva da ditadura militar. Durante 25 anos, a mãe do
estudante procurou pelo filho e, em 1995, foi reconhecida a condição
de desaparecido político, tendo a família sido indenizada
pelos danos materiais. Não localizados os restos mortais
do filho desaparecido, a mãe ingressou com ação
por danos morais, resultando na condenação da União,
além da obrigação de informar o paradeiro
do estudante (AC 2000.35.00.020142, informativo da OAB/RS).
Da empresa ao sindicato dos trabalhadores
"Assim, reitero que, embora sejam razoáveis algumas
das considerações feitas pelo impetrante acerca da
necessidade de evitar que, ao receber contribuições
das empresas, o sindicato profissional deixe de contar com independência
suficiente para lutar pelos direitos da categoria, o fato é que
suas alegações não demonstram a existência
de direito líquido e certo a merecer a proteção
do mandado de segurança. Na verdade, grande parte de seus
argumentos não guardam pertinência com o objeto da
ação, que é a denegação da tutela
antecipada e a suposta violação a direito por ato
abusivo ou ilegal praticado pela autoridade judicial.
Exemplo desse aspecto são justamente as alegações
de que o fortalecimento das organizações sindicais
tem por objetivo fazer com que esses entes exprimam a verdadeira
vontade coletiva do segmento social que representam. Reitero de
que se trata de preocupação justificável,
mas que não empresta ao direito que possa vir a ser reconhecido
na ação civil pública, contornos de liquidez
e certeza aptos a ensejar a segurança, nos termos pretendidos.
O pedido de antecipação de tutela, que, a princípio,
fora parcialmente deferido, foi revisto e, então, rejeitado
depois da realização da audiência em que o
réu apresentou defesa, o que bem demonstra que, aos olhos
da julgadora, não havia verossimilhança nas alegações
da parte autora. Com efeito, se, num primeiro momento, a julgadora
entendeu correto deferir a tutela, porém, ao conhecer os
termos da defesa, houve por bem retroceder, pelos fundamentos que
expôs, cuidadosamente, na decisão de fl. 681, ela
nada mais fez do que se valer da prerrogativa conferida pelo próprio
art.273, parág. 4.º, do CPC: a tutela antecipada poderá ser
revogada ou modificada a qualquer tempo, em decisão fundamentada.
Assim, considero que foi de prudência a atitude da julgadora,
ao deferir, inicialmente a tutela, porém não vislumbro
abuso ou ilegalidade no fato de que, em face dos argumentos da
defesa, tenha reconsiderado a decisão.
Pondero que alguns dos aspectos alegados pelo sindicato réu, na
defesa e no pedido de reconsideração da tutela, são
de extrema relevância, como o de que a falta das contribuições
poderia acarretar prejuízo irreparável a programas sociais
prestados aos trabalhadores e suas famílias. Manter a proibição
da cobrança, inclusive com a cominação da multa,
poderia impor danos irreversíveis à categoria danos de
amplitude talvez maior que aqueles que o parquet pretende evitar, com
o ajuizamento da ação civil pública.
Nesse sentido, inclusive, foram as considerações
tecidas pela autoridade apontada como coatora, quando asseverou
que, embora, inicialmente, a instituição de contribuição
custeada pelo empregador ou pelo Sindicato patronal pudesse gerar
a presunção de ingerência indevida da classe
empregadora no sindicato obreiro, mostrou-se "inviável
a manutenção da liminar sem o encerramento da instrução
processual, considerando que a medida poderia acarretar prejuízos
irreparáveis à classe trabalhadora abrangida pelo
réu, gerando, na prática, efeitos reflexos conflitantes à tutela
do hipossuficiente perseguida pelo autor (fl.790)" (do acórdão
da lavra da desembargadora federal Marlene T.Fuverki Suguimatsu,
relatora, MS TRT PR 00465 2008 909 09 00 8).
Edésio Passos é advogado e ex-deputado
federal (PT/PR). edesiopassos@terra.com.br.
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Folha
de S.Paulo, 28 de setembro de 2008
ELEIÇÕES 2008 / MAPA NACIONAL
PT lidera com folga disputa
nas capitais e grandes cidades
Petistas estão no páreo
em 33 das 79 cidades mais importantes; o PMDB está bem
posicionado em 22 cidades, e o PSDB, em 20
Desde 1986, época do auge do Plano
Cruzado, nunca um partido esteve tão perto de dominar
tantas prefeituras importantes como o PT hoje
FERNANDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A uma semana da eleição para prefeitos, o PT
aparece descolado das outras legendas e surge como o favorito
no maior número de capitais e cidades grandes, de acordo
com as pesquisas de opinião disponíveis.
Uma compilação de levantamentos de intenção
de voto aponta candidatos petistas no páreo em 33 das 79 mais
importantes cidades do país. O PMDB e o PSDB estão bem
posicionados em 22 e 20 cidades, respectivamente. O DEM é competitivo
em 12, seguido de perto por PDT (9), PP (7) e PSB (6).
Essas 79 cidades incluem as 26 capitais e os 53 municípios com
mais de 200 mil eleitores (onde pode haver segundo turno caso nenhum
candidato obtenha pelo menos 50% mais um dos votos). Já batizado
entre políticos de G-79, esse grupo tem relevância política
porque abriga 46,8 milhões de eleitores, o equivalente a 36,4%
dos habilitados a votar para prefeito domingo que vem. Haverá eleição
em 5.563 cidades.
Hoje o PT governa diretamente 17 cidades do G-79 (9,4 milhões
de eleitores). Se tiver sucesso nas 33 nas quais seus candidatos estão
em primeiro lugar ou em condições de ir ao segundo turno,
os petistas governarão 24,9 milhões de eleitores no G-79
a partir de 2009.
Desde 1986, época do auge do Plano Cruzado e da hegemonia máxima
do PMDB, nunca um partido esteve tão próximo de dominar
tantas administrações municipais em grandes centros como
o PT nesta eleição.
Em 2004, o G-79 era apenas G-72 (menos cidades tinham mais de 200 mil
eleitores). Às vésperas daquele pleito, havia uma estatística
para esse conjunto de municípios mostrando 23 petistas em primeiro
lugar ou em segundo empatados com os primeiros na margem de erro. Os
petistas acabaram elegendo 18.
Se se considera esse núcleo de candidatos mais competitivos hoje,
o PT está bem posicionado em 27 cidades grandes ou capitais -em
primeiro lugar isolado ou empatado com os primeiros colocados. Também
por esse critério o partido do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva está à frente dos demais: o PMDB tem 19 candidatos
nessa situação, seguido pelo PSDB (16) e pelo DEM (7).
PSDB e o DEM, partidos cujos candidatos mais se mostram contrários às
políticas do PT, não estão em situação
muito diferente de outras eleições em grandes centros.
Desde 1996, o DEM (ex-PFL) nunca esteve em mais do que oito dos municípios
do G-79.
Hoje, governa quatro e está no páreo em 12. O PSDB tem
prefeitos em 15 cidades do G-79.
No auge do Plano Real, em 1996, ganhou a eleição em 18
dessas localidades -um recorde tucano. Os 20 candidatos no páreo
agora estão dentro da média da sigla.
As pesquisas consideradas nesta reportagem estão todas registradas
na Justiça Eleitoral e atendem formalmente aos requisitos legais.
Há casos em que os levantamentos foram pagos por partidos políticos.
Na tabela publicada nesta página é possível identificar
a origem de todos os levantamentos.
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Folha
de S.Paulo, 28 de setembro de 2008
PMDB volta a crescer sob o governo
Lula
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O PMDB dá sinais de que voltará a ser uma sigla
de maior presença em capitais e municípios de grande
porte: há candidatos peemedebistas no páreo em
22 das 79 cidades mais relevantes.
Afogado em disputas internas desde sua decadência no final da década
de 80, o PMDB apoiou o PSDB e o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
Nesse período, nunca elegeu mais do que 11 prefeitos em capitais
ou cidades do G-79.
Depois de sua adesão ao governo Lula, após a reeleição
do petista, o PMDB começou a inchar: seus nove prefeitos eleitos
em 2004 em cidades grandes já são 14. Os 1.057 prefeitos
conquistados há quatro anos no país somam hoje cerca de
1.300 nas contas da direção partidária.
Mas o mais relevante parece ser a reinserção do PMDB no
G-79. Há 22 peemedebistas no páreo: 19 estão em
primeiro lugar isolados ou empatados na margem de erro.
A ascensão do PT mudou a política municipal. Em 1996, o
grupo formado por PT, PSDB, PMDB e DEM elegeu 45 dos prefeitos no G-79,
enquanto PDT, PP, PSB e PTB elegeram 32. Não havia diferença
gritante entre os dois blocos. Agora o grupo de cima se distanciará:
PT, PSDB, PMDB e DEM têm juntos 87 candidatos no páreo no
G-79; já PDT, PP, PSB e PTB, só 24. (FR)
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Folha
de S.Paulo, 28 de setembro de 2008
ELEIÇÕES 2008 / RUMO A
2010
Planalto quer dinamitar
líderes da oposição
Idéia do governo é aproveitar
eleições do próximo domingo para manter sob
controle aliados com expressão nacional
Entre os objetivos principais estão
reduzir o domínio de Serra em São Paulo e no PSDB
e tratorar o DEM nos redutos de seus caciques
LETÍCIA SANDER
ALAN GRIPP
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
De olho na disputa presidencial de 2010, o Palácio do
Planalto busca nas eleições do próximo domingo
dinamitar a força de líderes de oposição
e manter sob o seu controle as aspirações de aliados
com expressão nacional.
Figuram como objetivos principais enfraquecer o domínio do governador
José Serra em São Paulo e no PSDB, tratorar o DEM nos redutos
de seus caciques, asfixiar senadores de oposição incômodos
e inviabilizar o crescimento da ex-senadora Heloísa Helena (PSOL).
Ao governo também interessa o fracasso da configuração
do "bloquinho" de esquerda (PSB, PDT, PC do B, PMN e PRB) como
força significativa independente -no caso, encabeçada por
um aliado, o ex-ministro Ciro Gomes (PSB).
Estas metas foram traçadas por colaboradores do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva que acompanham o andamento da campanha municipal.
Na metade dos 26 Estados, a estratégia é tentar vencer
nas urnas pelo menos 16 figuras de peso que disputam a eleição
ou emprestam seu prestígio a nomes locais da oposição.
No Nordeste, as movimentações significativas ocorrem na
Bahia, no Ceará, em Pernambuco e no Rio Grande do Norte. Neste último,
o foco recai sobre o senador José Agripino (DEM-RN), líder
do principal partido de oposição no Senado. O governo tenta,
a partir destas eleições, consolidar um pólo reunindo
PT, PSB e PMDB contra o senador no Estado.
Lula se envolveu pessoalmente na disputa em Natal -fez comício
tentando diluir a dianteira de Micarla de Souza (PV), a candidata de
Agripino, que concorre contra a petista Fátima Bezerra. Micarla,
até agora, é líder nas pesquisas.
"É um retrato da política praticada com arrogância.
Lula foi líder de oposição a vida inteira e foi respeitado
como tal. Agora, do alto da popularidade dada pelos bons ventos da economia,
quer eliminar do mapa aqueles que fazem contraponto ao governo", critica
Agripino.
No Ceará, o alvo é o senador Tasso Jereissati (PSDB). Para
enfraquecê-lo, os governistas apostam na reeleição
da prefeita Luizianne Lins em Fortaleza com o apoio do governador Cid
Gomes (PSB). Luizianne, segundo as pesquisas, pode vencer no primeiro
turno, deixando para trás Moroni Torgan, do DEM, e a senadora
Patrícia Saboya (PDT), coligada com PSDB e PTB, e que tem o apoio
informal do ex-marido, Ciro.
Estrela do "bloquinho", o aliado Ciro é uma espécie
de alvo indireto do Planalto nestas eleições. O governo
e sobretudo o PT temia que se estas agremiações de esquerda
se consolidassem com força nas urnas, Ciro sairia fortalecido
como alternativa a PT e PMDB para disputar as eleições
de 2010. Mas o bloquinho não vingou.
Na Bahia, o governo tenta impor ao DEM a principal derrota até hoje,
abrindo caminho para o PT do governador Jaques Wagner e o PMDB do ministro
Geddel Vieira Lima (Integração Nacional). Em Salvador,
o deputado federal ACM Neto (DEM) deve ir para o segundo turno contra
Walter Pinheiro, do PT, ou João Henrique, do PMDB.
O cenário na segunda maior cidade do Estado, Feira de Santana, é de
revés a governistas, com o DEM na frente.
Em Pernambuco, os alvos são os senadores Jarbas Vasconcelos (PMDB),
Marco Maciel (DEM) e Sérgio Guerra (PSDB). Em Santa Catarina,
o sucesso da estratégia governista contra o ex-presidente do DEM
Jorge Bornhausen depende do resultado em Florianópolis e Joinville
-o cenário até agora é incerto.
Outros três senadores com atuação incômoda
para o governo em Brasília estão na mira: Arthur Virgílio
(PSDB-AM), Kátia Abreu (DEM-TO) e Marconi Perillo (PSDB-GO).
Virgílio vem de um resultado ruim em 2006, quando obteve menos
de 6% dos votos na candidatura a governador, ficando em terceiro. Hoje,
o PSDB não encabeça chapa em Manaus - está na coligação
de Serafim Corrêa, do PSB, que aparece em terceiro lugar nas pesquisas.
No Rio, o objetivo é consolidar a aproximação com
o PMDB do governador Sérgio Cabral (PMDB) e derrotar o prefeito
Cesar Maia (DEM), que não emplacará sua candidata, Solange
Amaral, no segundo turno. Em Niterói, onde o PT governa, Jorge
Roberto Silveira (PDT) deve ganhar no primeiro turno.
Empenho
Em São Paulo, além de tentar eleger Marta Suplicy, Lula
se empenha na tentativa de assegurar vantagem ao PT na Grande São
Paulo. Ontem, foi a comício em Guarulhos, onde o candidato do
PT é Sebastião Almeida. O presidente afirmou ao público
que nenhum prefeito ou governador do Brasil pode reclamar dele. "Porque
repassei dinheiro independentemente de partido", disse. "Pergunte
ao Serra [governador de São Paulo] se o Fernando Henrique deu
mais dinheiro para o Mario Covas do que eu."
Em Minas, ao mesmo tempo em que interessa ao governo fortalecer Aécio
Neves como pólo de disputa no PSDB, o Planalto busca a vitória
de aliados em municípios da região metropolitana como Contagem
e Betim, e em cidades relevantes como Juiz de Fora. Candidata a vereadora
em Maceió, a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL) é outro
alvo do Planalto. Em 2006, ela ficou em terceiro lugar na disputa presidencial.
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Folha
de S.Paulo, 28 de setembro de 2008
Governo fala em PIB abaixo de 4%
em 2009
Cenário mais pessimista é admitido
no caso de a crise americana se agravar, mas ordem é manter
declarações otimistas
Obras mais adiantadas do PAC terão
prioridade, e governo pode cortar gastos de custeio para manter
investimentos em alta
VALDO CRUZ
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Apesar do otimismo do ministro Guido Mantega (Fazenda), que
ainda acredita num crescimento econômico de 4,5% no próximo
ano, já há dentro do próprio governo uma
avaliação de que essa taxa pode ficar na casa dos
4% ou menos depois do agravamento da crise financeira mundial.
Num cenário mais pessimista, traçado por auxiliares próximos
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o crescimento do PIB
em 2009 pode até ficar em 3,5% caso a secura no mercado de crédito
externo se mantenha por um período mais longo.
A confirmação desses cenários dependerá do
sucesso ou fracasso do pacote de US$ 700 bilhões dos EUA. Se for
muito bem-sucedido, a aposta é que o Brasil tenha condições
de crescer pelo menos 4%, com a volta mais rápida da normalidade
no mercado de crédito externo, responsável por parte significativa
dos financiamentos de investimentos no Brasil.
Por enquanto, essa fonte praticamente secou, levando as empresas a reavaliarem
seus investimentos, um dos principais motores da expansão brasileira.
A média das previsões do mercado, coletadas pelo boletim
Focus do Banco Central, aponta crescimento de 3,6% em 2009, contra previsão
de 5,17% para este ano.
Além do aperto do crédito externo, o aperto nos juros iniciados
pelo BC em abril também contribui para reduzir o ritmo de crescimento.
Segundo a Folha apurou, a equipe de Lula enxerga um segundo ingrediente
de incerteza no cenário internacional. Depois da aprovação
do pacote, virá um ajuste na economia americana promovido pelo
próximo presidente.
Auxiliares de Lula avaliam que o democrata Barack Obama terá mais
cacife político para adotar as medidas para a recuperação
da economia do que o republicano John McCain. Lula já foi avisado
de que o país crescerá menos em 2009. Preocupado com essa
queda no ritmo da economia, ele tem insistido para sua equipe adotar
um discurso oficial otimista.
Ontem, porém, o presidente disse que uma eventual recessão
da economia dos Estados Unidos "vai bater em todo mundo, da China
ao Brasil". Lula quer manter "expectativa positiva" no
empresariado. Para isso, considera essencial garantir a execução
das principais obras do PAC (Programa de Aceleração do
Crescimento). Tanto que, na semana passada, realizou reunião no
Planalto e mandou checar obra por obra do setor de transportes -cujos
projetos estão em estágio mais avançado.
Lula determinou que seja feito um remanejamento dos recursos do PAC,
direcionando mais dinheiro aos projetos já em ritmo mais acelerado
e retirando verba dos que apresentam problemas de execução.
O Planalto não descarta a inclusão de novas obras num acerto
com governadores e corte de despesas de custeio para direcionar essa
economia a investimentos -medida que vem sendo defendida pelos conselheiros
informais de Lula.
Além do impacto na economia americana do pacote de resgate do
sistema financeiro, a equipe econômica teme um contágio
maior da crise nos bancos europeus, o que agravaria ainda mais as restrições
ao crédito externo -na semana passada, os bancos americanos estavam
fechados para captações, mas alguns da Europa ainda ofereciam
financiamentos a empresas brasileiras.
Internamente, o temor são os efeitos na economia da secura no
mercado de crédito e da alta do dólar, que pode pressionar
a inflação num momento em que todos esperavam queda nos índices
de preços, levando ao afrouxamento da política monetária
do BC.
Para aliviar o cenário econômico brasileiro, o Planalto
e o Ministério da Fazenda avaliam que o BC poderia reduzir o ritmo
da alta dos juros, contribuindo para evitar queda maior no crescimento.
Na opinião de assessores de Lula, o BC poderia, no máximo,
elevar os juros em 0,25 ponto percentual em outubro e manter a taxa inalterada
na última reunião do ano, em dezembro.
Argumentam que, apesar dos efeitos negativos da alta do dólar
sobre os preços, a desaceleração econômica
global tende a facilitar o combate à inflação.
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Revista
Consultor Jurídico, 28 de setembro de 2008
Ordem constitucional
Súmulas Vinculantes devem
ser usadas com parcimônia
por Ricardo Augusto Reali
Até o momento, o Supremo Tribunal Federal,
a mais alta corte do país e guardião da Constituição,
já aprovou 13 súmulas vinculantes
Súmula, como se sabe, é um mecanismo de uniformização
da jurisprudência que os tribunais pátrios editam
quando há repetição de uma determinada matéria.
Tradicionalmente, servem de orientação aos juízes
que lhes são subordinados, mas não vinculam, não
obrigam o magistrado a seguir essa ou aquela orientação.
No entanto, a partir de uma emenda constitucional recente (45/2004),
previu-se que aquela Corte Suprema possa publicar súmula
com efeito vinculante, sem possibilidade de questionamento pelo
aplicador jurídico.
Tal instituto veio para contornar o pior dos males do judiciário
brasileiro, que é a lentidão na condução
dos processos, que tem como uma de suas causas a repetição
de matérias idênticas que chegam aos milhares nos
tribunais. Nesse ponto, a iniciativa de pacificar a jurisprudência
e evitar proliferação de demandas que tratam do
mesmo tema é elogiável.
Porém, param por aí os benefícios desse
instrumento. Explica-se. Nem tanto pelo fato de restringir a
independência e criatividade dos juízes, como tanto
se alardeou. Não é isso. É certo que as
decisões do Supremo devem ser observadas e são
rica fonte de formação e revelação
jurídica. Destarte, parece que a problemática não
se situa no fato de juízes de instâncias inferiores
serem obrigados a cumprir determinado posicionamento firmado
pela Corte Maior. Isso evita uma série de recursos e medidas
protelatórias pelas partes do processo, e vem ao encontro
do princípio da economia e celeridade processual, trazendo
rapidez na solução de muitos conflitos que somente
discutem questões "em tese".
O grande problema da súmula vinculante está começando
a aparecer, e diz respeito ao cumprimento dos requisitos exigidos
pela Constituição para sua aprovação.
Trata-se, em última análise, de uma questão
de segurança jurídica. No caso, emblemática
foi a edição da súmula que restringe o uso
de algemas pelos policiais (só em caso de receio de fuga
ou de perigo...). Não se trata de discutir o mérito
da questão (se a polícia tem ou não discricionariedade
para algemar o preso, e se compete ao juiz controlar essa tarefa,
mesmo não havendo tais indícios), e sim o cumprimento
da Constituição para elaboração de
um instrumento que deve ser usado com cautela. A Constituição
elenca, como um dos requisitos para que se edite uma súmula
vinculante, a existência de "reiteradas decisões" sobre
a matéria que se quer sumular. Não parece o caso
das algemas. Mais aparenta ter a ver com o momento político
que vive o país (prisões de empresários
e políticos oriundas de investigações, sobretudo
da Polícia Federal).
Outro requisito não cumprido quando da aprovação
daquela súmula é a existência de "grave
insegurança jurídica e relevante multiplicação
de processos sobre idêntica questão". Pelo
que se conhece, a questão das algemas (embora carente
de regulamentação por lei) não era prioridade
no debate jurídico nacional, não aparentava causar
grave insegurança jurídica e nem haviam reiteradas
decisões que viessem a indicar o sentido consignado naquela
súmula. Passou a ser discutida não enquanto bandidos
desprovidos de recursos financeiros eram presos e algemados aos
montes, mas sim a partir do momento da prisão de um banqueiro
por ordem de um juiz federal.
Portanto, a par do louvável ativismo judicial que vem
se operando no Supremo Tribunal Federal - como a proibição
do nepotismo em todos os órgãos da administração
pública - com o preenchimento do vácuo deixado
pelo Legislativo e Executivo (que tanto se omitem em regulamentar
e aplicar preceitos constitucionais), é de se repensar
acerca dos limites e condições exigidos pelo texto
constitucional ao editar uma súmula que aparente ser mais
forte que a lei, esta emanada de órgãos legislativos
dotados de representatividade popular. Porque a lei que afronta
a Constituição pode ser controlada e debatida de
várias maneiras, mas a súmula que também
o faz somente pode ser revista ou cancelada pelo próprio
Supremo, embora o questionamento possa advir dos mesmos órgãos
e autoridades que têm legitimidade para propor uma ação
de inconstitucionalidade.
O Supremo, embora tenha a missão de interpretar e fazer
cumprir o ordenamento jurídico, não pode atropelar
a Constituição, sob pena de produzir efeito contrário
ao que se quer prestigiar: causar graves prejuízos institucionais,
desequilibrando o sistema de controle balanceado de um poder
sobre o outro, regra democrática e republicana cuja ausência
tão cara nos custou em tempos pretéritos.
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Última
Instância, 28 de setembro de 2008
Nova lei de licença-maternidade
traz alterações tributárias, mas só em
2010
Priscila Cury
A nova lei de licença-maternidade amplia o benefício
de quatro para seis meses de forma facultativa e traz algumas
alterações tributárias para as empresas
que pretenderem aderir à legislação. A norma
foi publicada em 10 de setembro de 2008, mas só passa
a vigorar a partir de 2010.
Uma das principais alterações trazidas com a nova
lei será na questão dos tributos. De acordo com
o texto legal, as empresas que aderirem à licença-maternidade
adicional terão desconto fiscal sobre a remuneração
paga à empregada pelos 60 dias a mais. “A licença
que existe hoje, de quatro meses, é recolhida pela empresa
como contribuição previdenciária, sobre
a folha de pagamento. Com essa prorrogação, a dedução
do tempo adicional passa a ser do imposto de renda da pessoa
jurídica”, afirmou a consultora Rosânea de
Lima Costa, do Cenofisco (Centro de Orientação
Fiscal).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou o parágrafo
que previa isenção fiscal às empresas enquadradas
no Simples Nacional que adotassem o dispositivo. Essas empresas
podem até fazer a adesão, mas não vão
poder restituir esse valor do imposto de renda.
A consultora destaca, contudo, que “a empresa que opta
pelo Simples Nacional já tem benefício fiscal e
a sua própria lei veda qualquer outra vantagem neste sentido”. “Elas
estão fora porque a tributação é diferente
das demais. O governo quis beneficiar aquela empresa que não
tinha nenhum incentivo fiscal.”
O segundo veto do presidente Lula foi ao artigo que isentava
patrões e empregadas do pagamento da contribuição
previdenciária nos tempo adicional da licença.
De acordo com a Presidência da República, os vetos
foram pedidos pelos Ministérios da Fazenda e da Previdência
Social.
Faculdade
A não obrigatoriedade da extensão do benefício pode
causar dúvida quanto à sua real aplicabilidade. “O
fato de ser facultativo é salutar pois permite que cada empresa
e mulher analise suas realidades e escolha aderir ou não. A opção
não gerará uma lei necessariamente inócua, mas aplicável
por quem tiver condições de o fazer sem prejudicar a admissão
de mulheres”, diz a advogada Maria Lucia Benhame Puglisi.
As empresas deverão estudar, ao escolher a possível
adesão à nova lei, não somente a questão
do imposto de renda, mas o custo do trabalhador temporário
que substituirá a mulher afastada.
“A empresa tem de considerar o custo da licença,
somado ao salário do temporário, que será o
mesmo da funcionária regular, além de outros encargos
desta contratação. Além disso, se a mulher
optar pelos 180 dias e ainda tiver um período de férias,
por exemplo, um temporário só não poderá cobrir
todo o período, e essa operacionalização
deve ser verificada pela empresa com cuidado”, afirma a
advogada.
O fato da nova lei caracterizar o benefício como facultativo é analisado
por Rosânea como determinante para que tal dispositivo
não resulte em impedimentos para a mulher no mercado de
trabalho. Segundo a consultora, a promulgação desta
lei não atrapalha a participação competitiva
das empregadas nas empresas, porque é uma prerrogativa,
não há imposição.
“O que pode acontecer é uma pressão da sociedade,
principalmente dos sindicatos, da sociedade de classe, de querer
colocar essa prorrogação em documento coletivo.
Com isso, inicia-se um processo de restringir o mercado. No momento
em que se impõe isso para empresas que não têm
como fazer essa adesão, os estabelecimentos podem deixar
de contratar as mulheres”, afirma Rosânea.
Prazo
Apesar da sanção, a lei só começará a
valer, na prática, em 2010. O governo deve fazer uma estimativa
da renúncia fiscal que será provocada pela nova norma e
que só será incluída na proposta orçamentária
de 2010, já que a de 2009 já foi aprovada, de acordo com
a Casa Civil.
O coordenador editorial da IOB (Instituto de Estudos Tributários)
Edino Garcia aborda a possibilidade deste benefício não
entrar em vigor. “Se não for aprovada a renúncia
fiscal pelo Congresso, a lei nem entra em vigor. Depende-se de
aprovação porque é preciso renunciar fiscalmente
a esse valor no orçamento. Apenas quando houver a renúncia,
será possível, no exercício seguinte, ser
aprovada a aplicabilidade desse benefício”, diz
Garcia.
Além disso, o prazo até 2010 pode ser usado para
regulamentar a legislação. Rosânea diz que
a questão das mães adotivas é um exemplo
de falta de regulamentação. Ela acredita que as
mulheres que adotarem filhos terão esse benefício
de forma proporcional, de acordo com a idade da criança
que ela estiver adotando.
“Nada disso ainda não está definido. Esse
tempo vai ser útil para que se desenvolva um levantamento
do custo do benefício para a receita e da despesa que
isso vai trazer para a empresa. Definidas essas regras, a empresa
pode ter mais convicção pela adesão ou não”,
afirma a consultora.
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