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FOLHA DE SÃO PAULO, 29 de setembro de
2008 | Opinião
Editoriais
Lupa no desemprego
A TAXA DE desemprego voltou a cair, em agosto. De acordo com a Pesquisa Mensal
de Emprego, divulgada pelo IBGE, nas seis principais regiões metropolitanas
do país apenas 7,6% das pessoas dispostas a trabalhar não encontravam
uma ocupação -meio ponto percentual a menos do que em julho.
Desde que essa pesquisa adotou a atual metodologia, em 2002, foi a segunda
menor proporção já apurada -a mais baixa, em dezembro
de 2007, ocorreu num período em que o desemprego costuma diminuir bastante.
Na prática, a taxa de agosto foi a mais baixa dos últimos seis
anos e meio.
Vista isoladamente, a informação pode sugerir que o mercado de
trabalho não cessa de se aquecer -o que poderia agravar as preocupações
quanto a eventual impacto inflacionário. Porém, outras informações
traçam um quadro um pouco diferente.
O forte e inesperado recuo da taxa de desemprego, de julho para agosto, não
se deveu a uma aceleração na criação de empregos.
A proporção de desempregados encolheu porque houve uma redução
abrupta do ritmo de expansão da População Economicamente
Ativa -o contingente de pessoas com mais de 10 anos de idade que estão
trabalhando ou procurando uma ocupação.
O ritmo de aumento da ocupação vinha se acelerando até maio.
Em junho, julho e agosto, no entanto, as taxas de crescimento, sobre os mesmos
meses de 2007, diminuíram. Isso sugere que o mercado de trabalho começa,
com a habitual defasagem, a refletir o menor ritmo de crescimento da atividade
econômica.
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NCST, 29 de setembro de 2008
Trabalho temporário pode ser
entrada para mercado
A baixa exigência por qualificação e por experiência
para preencher vagas temporárias são condições
que atraem os jovens que ainda não encontraram seu primeiro emprego.
As exceções são,
segundo José Roberto Machado, gerente do Grupo Gente, que faz
recrutamento, os operadores de caixa e os analistas de crédito,
ocupações que pedem que o candidato tenha conhecimentos
prévios.
"Alguns clientes que atendemos
preferem candidatos sem experiência, pois são profissionais
que não trazem vícios", aponta Machado.
No Grupo Gente, por exemplo,
15% das vagas temporárias estão reservadas para quem nunca
trabalhou.
O primeiro emprego de Vanessa
Goya, 20, foi no final de 2007. Como auxiliar temporária na loja
Riachuelo do Shopping Taboão, ela tinha de organizar a loja, ajudar
os clientes no provador e trazer roupas do estoque.
Hoje, na mesma loja, Goya trabalha
como funcionária efetivada. "Fui escolhida porque me destaquei",
conta.
Sobressair, porém, não
foi fácil, principalmente diante de tantos processos a aprender
em pouco tempo. "Foi puxado porque, no final do ano, a demanda é muito
grande", diz. "Mas vale muito a pena, principalmente para jovens."
Oportunidade
Para Gerusa Mengada, gerente
de recrutamento da Gelre, o temporário deverá fazer um
bom trabalho enquanto estiver na função se quiser garantir
que será efetivado após o período do contrato.
"O empregado precisa agregar
valor a si e deve comportar-se como um funcionário efetivado. É essencial
cumprir horários, ser ágil e dedicar-se", exemplifica. "O
trabalho temporário deve ser encarado como uma grande chance,
e não como um bico de final de ano", completa.
"Percebi que era uma oportunidade
e resolvi agarrá-la com todas as forças", conta José Marcel
Paganelli, 20, referindo-se à vaga temporária que ocupou
no final de 2007 na loja de roupas Crawford do Shopping Pátio
Paulista.
"Eu precisava muito do emprego,
então me dediquei. O meu chefe notou minha força de vontade",
diz.
Paganelli passou, no último
ano, da função de estoquista temporário à de
vendedor e, hoje, é efetivado. "Trabalhar no estoque foi
uma escola para mim, e agora tenho experiência na área",
ressalta.
Fonte: Agência Folha
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AGÊNCIA DIAP, 29 de setembro de 2008
FINANCIAMENTO
Ministro do Trabalho defende repasse
da contribuição sindical
O ministro do Trabalho, Carlos
Lupi, defendeu o pagamento do imposto sindical. Conforme ele, o pagamento
do imposto é a forma do sindicato se sustentar. “E o sindicato é o único
instrumento do trabalhador para garantir seus direitos”, salientou
Lupi, que participou, na última sexta-feira (26), do Congresso
Extraordinário da Força Sindical, em Campo Grande.
De acordo com parecer do procurador-geral
da República, Antonio Fernando Souza, a lei que estabelece o repasse
de 10% da contribuição sindical às centrais sindicais é inconstitucional.
O procurador recomendou ao STF (Supremo Tribunal Federal) a procedência
parcial da Adin (ação direta de inconstitucionalidade)
proposta pelo DEM contra a legislação, que deve garantir
a transferência de pelo menos R$ 100 milhões aos sindicatos
em 2008.
Ao lado do presidente nacional
da Força Sindical, deputado federal “Paulinho da Força”,
o ministro assegurou que vai cumprir a meta de criar 10 milhões
de empregos até o fim do mandato de Lula, que termina em 2010. “Estamos
próximos desse número”, afirma. Entretanto, Lupi
não soube precisar quantas vagas já foram geradas até o
momento.
Adolescentes
Durante sua passagem por Campo
Grande, o ministro do Trabalho reforçou a importância dos
programas de qualificação para os adolescentes e jovens.
Segundo ele, o ministério realiza um projeto que capacita os jovens
dos 14 aos 18 anos.
“Com isso, queremos
proteger os nossos jovens”, disse o ministro, refutando a possibilidade
de o programa incentivar o trabalho infantil. O adolescente só pode
entrar no mercado do trabalho aos 16 anos, sob a condição
de aprendiz. (Fonte: Campo Grande News).
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AGÊNCIA DIAP, 29 de setembro de 2008
CUSTO DO CRÉDITO
Juro bancário médio
chega a 40,1% anuais e do cheque especial bate em 166,4%
A alta da Selic, que iniciou
em abriu, continua a pesar no bolso dos clientes de bancos. A taxa média
de juros bancários avançou 0,7 ponto percentual, indo de
39,4% em julho para 40,1% em agosto. O crédito de maior peso é o
do cheque especial. As instituições financeiras ampliaram
em 3,7 pontos percentuais a taxa média da operação
em agosto para 166,4%, ante os 162,7% ao ano registrados em julho.
Em 12 meses, o avanço
equivaleu a 26,9 pontos percentuais. Nos oito primeiros meses de 2008,
a elevação correspondeu a 28,3 pontos. O spread (ganho
com a diferença entre o custo de aplicação e o custo
de captação) cobrado pelos bancos nessa operação
subiu 3,1 pontos, para 154,1%.
O juro do crédito pessoal
verificou expansão de 0,9 ponto, indo de 53,6% em julho para 54,5%
um mês depois. Em 12 meses, foi registrada alta de 4,6 pontos.
No acumulado do ano, o acréscimo chegou a 8,7 pontos.
Crédito continua a crescer
Mesmo assim, o volume global
de crédito do sistema financeiro atingiu em agosto 38% do Produto
Interno Bruto (PIB), ou R$ 1,11 trilhão. A projeção
do Banco Central para 2008 é alcançar 40% do PIB. Na opinião
do BC, a crise externa não deve afetar a trajetória de
expansão do crédito no Brasil em direção
aos 40% do ainda este ano. Por isso a previsão é mantida
pela autoridade monetária, mesmo com certa desaceleração
no ritmo de crescimento dos empréstimos verificada nos últimos
dois meses. De acordo com o banco, o apetite das empresas por crédito
continua forte, evoluindo cerca de 40% a taxas anualizadas.
O estoque de empréstimos
aumentou 2,3% em relação a julho e 31,8% nos 12 meses findos
em agosto. No ano, a elevação foi de 18,6%.
A parcela de empréstimos
com recursos livres, que representa 71,9% do total, ficou em R$ 797,8
bilhões, com expansão de 2,5% no comparativo mensal e de
35% em 12 meses. A parcela de crédito com recursos direcionados,
como financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES), créditos habitacional e rural, situou-se em
R$ 312,5 bilhões em agosto, com alta mensal de 1,6% e de 24,3%
em 12 meses.
Inadimplência estável
Apesar da alta do juros e da
expansão do crédito, a taxa de inadimplência em atrasos
superiores a 90 dias permaneceu estável na passagem de julho para
agosto, em 4,2% do total da carteira de crédito referencial, ou
seja, o volume tomado pelo Banco Central (BC) para apurar as taxas de
juros médias do sistema. A média de atrasos de operações
contratadas por pessoas físicas foi de 7,3% para 7,5% entre um
mês e outro. A taxa para pessoas jurídicas ficou estável
em 1,7%.
De acordo com a autoridade monetária,
o prazo médio das operações está em 373 dias
corridos, sendo 473 dias para pessoas físicas e 296 dias para
pessoas jurídicas.
Desconto em folha não sobe
Uma das operações
que não teve grande alta de juros, foi o crédito com desconto
em folha. A taxa média aumentou 0,1 ponto, saindo de 28,4% em
julho para 28,5% em agosto. Em 12 meses, esse juro teve queda, de 2,4
pontos percentuais. No ano, o acréscimo foi da ordem de 0,4 ponto.
As taxas médias das operações
tradicionais de crédito pessoal ficaram em 70,6% em agosto, com
expansão de 3 pontos frente aos 67,6% (número revisto)
de julho e aumentaram 6,4 pontos em 12 meses. No ano, viu-se aumento
de 11,5 pontos.
Nas outras modalidades de crédito à pessoa
física, o custo médio do empréstimo para aquisição
de veículos diminuiu 0,2 ponto, para 33,3% em agosto. Em 12 meses,
essa taxa cresceu 4,6 pontos. No ano, o avanço foi de 4,5 pontos.
As taxas de empréstimos
cobradas para aquisição de bens variados - como eletroeletrônicos,
por exemplo - subiram 1,3 ponto, para 59,2% ao ano. Esse juro médio
registrou alta de 4 pontos nos 12 meses findos em agosto. No ano, a
expansão ficou em 2,7 pontos. (Fonte: O Globo)
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FOLHA
DE SÃO PAULO, 29 de setembro de 2008 | Brasil
ELEIÇÕES 2008 / PRESTAÇÃO
DE CONTAS
Menor capital do país tem
voto mais caro
Palmas lidera ranking, com custo de R$ 11,29
por eleitor; campanha em Rio Branco é a mais barata, com R$ 0,39
por voto | Gastos de candidatos das cidades líderes supera meta
de R$ 7 em proposta da reforma política; razão seria custo
de propaganda na TV
FELIPE BÄCHTOLD
MATHEUS PICHONELLI
DA AGÊNCIA FOLHA
A menor capital do país é também
aquela onde o voto custa mais caro nas eleições de
2008. Em Palmas, os cinco candidatos a prefeito arrecadaram até agora
o equivalente a R$ 11,29 por eleitor, conforme a segunda parcial
da prestação de contas divulgada pelo TSE (Tribunal
Superior Eleitoral).
Na capital do Tocantins e em Vitória (R$ 7,19), a projeção
de gastos por eleitor já ultrapassa a meta de R$ 7 por voto da proposta
de financiamento público de campanhas que integra o projeto de reforma
política em tramitação no Congresso.
O alto custo de programas de TV é citado para explicar os gastos em
capitais de tamanho médio. O levantamento considera apenas a arrecadação
parcial dos candidatos divulgada pelo tribunal. Os partidos também podem
fazer gastos por meio dos comitês financeiros.
A prestação de contas de 19 candidatos de capitais ainda não
foi informada no site do TSE. Dois deles, Gilberto Kassab (DEM, São
Paulo) e Roberto Sobrinho (PT, Porto Velho), comunicaram à reportagem
suas arrecadações parciais.
O candidato que proporcionalmente lidera a arrecadação nas capitais
também é de Palmas. Marcelo Lélis (PV), que está em
segundo lugar na pesquisa Ibope, já arrecadou R$ 5,59 por eleitor. A
reportagem não conseguiu falar com ele durante a semana.
Por ter menos de 200 mil eleitores, Palmas não terá segundo turno,
o que faz com que a arrecadação dos candidatos se concentre até a
data do primeiro turno. O mesmo fato ocorre em Boa Vista, quinta colocada no
ranking.
O segundo lugar na lista de candidatos é de João Coser (PT),
que tenta se reeleger em Vitória. Ele afirma que, com mais de dez minutos
na TV, tenta fazer programas com a mesma qualidade dos grandes centros e diz
que a proibição de showmícios elevou os gastos com materiais
gráficos.
O menor valor proporcional entre as capitais, no momento, é o de Rio
Branco, com R$ 0,39 por voto. Para um dos candidatos à prefeitura, Sérgio
Petecão (PMN), a "falta de estrutura" torna a campanha mais
barata. Ele diz ter obtido R$ 16,6 mil em doações.
Favorito, o atual prefeito, Raimundo Angelim (PT), informou ter arrecadado
R$ 62 mil na segunda parcial. Segundo a coordenação da campanha,
porém, os gastos previstos são de R$ 2 milhões.
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UOL ELEIÇÕES
2008, 29 de setembro de 2008
Candidatos usam profissão braçal
para garantir emprego de vereador
Rodrigo Bertolotto
Do UOL Notícias
Em São Paulo
Em um país com um presidente que foi metalúrgico, vários
iniciantes na política escolheram identificar suas candidaturas com
profissões, em geral, braçais. Seja atrás do apoio de
seus similares, da simpatia do público ou porque são conhecidos
pela atividade que exercem, vários postulantes a vereador pelo Brasil
fizeram como os paulistanos Alice Costureira (PRB), Ivan Vigilante (PTB) e
Cícero Perueiro (PSB).
Exemplos não faltam. Em Guarulhos, há candidatos como Cobrador
Zoinho (PSDB), Gilson Cabeleireiro (PRP) e Bambu Eletricista (DEM). Em Diadema,
o destaque é Carteiro Chiquinho (PSB).
Waldir Serralheiro (PV) afirma
ser o pioneiro na estratégia, nas eleições municipais
de 1996. "O José Serra era candidato a prefeito e me deu
uma força na idéia. Até coloquei as duas primeiras
sílabas de serralheiro em outra cor para associar com o sobrenome
dele", explica o político com base na Zona Leste.
O curioso é que nesse
mesmo ano ele fechou sua serralheria para investir no trabalho comunitário
e nos bastidores políticos na subprefeitura da Penha. Os aparelhos
para forjar metais ainda estão no fundo do comitê político. "Larguei
a profissão, e meus filhos não continuaram, então,
está tudo abandonado", conta posando ao lado do maquinário
empoeirado e amontoado.
Já Antônio Vigilante é dos
que está atuante em sua atividade, panfletando seus santinhos
durante o expediente de rondas pelo Brás e depois do trabalho
no bairro em que mora, São Miguel Paulista. E não esconde
que seu foco é na categoria: entre seus projetos está criar
uma cooperativa de vigilantes, classe que vigia informalmente as ruas,
a maioria apitando noite adentro.
"Sou muito conhecido, e
meus clientes têm muita confiança, afinal, cuido do patrimônio
deles. Sabem que sou batalhador e corajoso", teoriza o candidato.
Outro profissional que quer a
vereança para defender sua corporação é Geraldinho
Passarinheiro (PTN). "Tenho um compromisso com minha categoria:
lutar contra essa burocracia estúpida e imensa para criar pássaros",
afirma Geraldinho.
Segundo ele, há candidatos
passarinheiros em outras cidades diferentes, para defender os 10 milhões
de fanáticos por aves engaioladas e suas penugens. "É preciso
força política para fazer frente às restrições
e proibições do Ibama, sem bater de frente", opina,
no meio de uma discussão sobre canto de curió com colegas.
Se alguns consideram a mendicância
uma atividade remunerada, também há um representante no
pleito, mesmo que seja só no nome. Mendigo (PMN) declarou para
as autoridades eleitorais apenas um bem: a sociedade em uma empresa que
tem valor total de R$ 1. Mas Mendigo, na verdade, é o mecânico
Antônio José do Nascimento. "Tenho esse apelido porque
estou sempre sujo feito um mendigo", explica o candidato. "Já que
não tenho dinheiro para gastar, escolhi um nome para chamar a
atenção e mostrar minha campanha modesta", completa.
Há também entre
os postulantes os sósias, mas não vivem monetariamente
de sua semelhança com famosos. Querem, porém, o emprego
de vereador aproveitando disso. É o caso de Tim Maia (PT), Pellé (PR),
Lacraia (PTB) e Seu Madruga (PRP)
Este último foi apelidado
pela própria filha após os fracassos nas primeiras eleições,
com 82 e 180 votos. Depois de associado com a personagem do seriado mexicano,
Jonas Fontoura Santana fez mais sucesso, chegando a 2.798 votos na última
eleição. "Tem o pessoal que vota em mim pelo trabalho
social que faço no meu bairro. E o outro que vota pelo folclore.
Assim eu vou acabar eleito", afirma em sua sétima campanha
eleitoral, na qual utiliza um carro caindo aos pedaços, com seu
nome e número escritos na lataria.
Por seu lado, o candidato Lacraia
(PTB) jura que trabalhou com MC Serginho antes de ser substituído
por outro dançarino. "Se eu for eleito, a chapa vai esquentar
na Prefeitura, vou fazer um fuá por lá". Ele usa como
jingle um funk e já participou de passeata com Geraldo Alckmin,
em que o ex-governador passou por uma saia justa. "O locutor perguntou
quem seria o prefeito de São Paulo, e rolou um coro de `lacraia,
lacraia´. Tenho muito carisma com o povo", se entusiasma.
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AGÊNCIA DIAP, 29 de setembro de 2008
Cuidado com seu voto!
Por: Vilson Antonio Romero*
Bertolt Brecht, dramaturgo e
poeta alemão, falecido em 1956, dizia que “o pior analfabeto é o
analfabeto político”. Nos dias que antecedem o pleito eleitoral
de 5 de outubro, cabem reflexões.
O Ibope entrevistou 805 pessoas
em Porto Alegre e 65% dos entrevistados afirmaram não saber o
nome de seu candidato sufragado há quatro anos. Como fiscalizar
a atuação, se não lembram de quem cobrar? Como ver
se o político honrou o mandato, se não lembram quem mereceu
o seu voto? Será desinteresse, alienação ou analfabetismo
político?
Em pesquisas anteriores, 57%
dos entrevistados já reiteraram não se interessar ou se
interessar muito pouco por política. Diz Brecht: “Ele não
sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe,
da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões
políticas”.
Serão 52.137 políticos
eleitos em todo o Brasil, entre prefeitos, vice-prefeitos e vereadores,
escolhidos entre mais de 370 mil candidaturas espalhadas pelos 5.563
municípios. Todos disputando os mais de 128 milhões de
votos, onde a maioria (51,8%) é do sexo feminino. Como separar,
nesta eleição paroquial, o joio do trigo e transformar
pretendentes em administradores públicos e legisladores de escol?
Só com conhecimento e
informação. “Não sabe o imbecil que da sua
ignorância política nascem a prostituta, o menor abandonado,
o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político
vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”,
segue Brecht.
Se a amnésia eleitoral
se configura elevada na capital dos gaúchos, tidos e havidos como
de elevada formação política, o que dizer do restante
do Brasil, nos bretes e currais eleitorais espalhados por todos os mais
recônditos recantos.
Talvez seja por isto que surjam
seguidamente tantos ladravazes da coisa pública. Com certeza, é por
isso que campeia a corrupção em palácios e edifícios
públicos. São necessárias atitudes mais concretas
para aculturarmos nosso povo e aproximá-lo da vivência política,
apesar de, na maior parte das vezes, a luta diária pelo prato
de comida impedir voltar os olhos para outras questões.
Os próprios atores da
cena política têm de ser os primeiros a catalisar a população
para a sua honestidade, transparência e credibilidade, impedindo
prosperar a figura criada pelo dramaturgo alemão: “O analfabeto
político é tão burro que se orgulha e estufa o peito
dizendo que odeia a política...”
São só quatro anos
de mandato, mas pode ser muito tempo, como diz a publicidade, para quem
terá o poder de decidir e resolver sobre questões que afetam
a nossa cidade, nosso bairro, nossa vida, enfim. Portanto, não
troque seu voto por camiseta, churrasco, asfalto, promessa de iluminação
de sua rua ou “boquinha’ na nova administração.
Não permute sua dignidade por um projeto imediatista e inconseqüente!
Cuidado com seu voto! Cuide bem
de seu título eleitoral! Ele é a principal arma contra
o desmando, a corrupção e o desgoverno.
(*) Jornalista, auditor, diretor
da Associação Gaúcha dos Auditores Fiscais da Receita
Federal do Brasil e da Associação Riograndense de Imprensa.
E-mail: vilsonromero@yahoo.com.br
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AGÊNCIA DIAP, 29 de setembro de 2008
PADRONIZAÇÃO
Lula assina decreto sobre acordo ortográfico
da língua portuguesa
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva assina, hoje (29), o decreto estabelecendo o cronograma
de implantação do Acordo Ortográfico da Língua
Portuguesa no País. O decreto prevê a padronização
ortográfica entre os países da língua portuguesa
na sede da ABL (Academia Brasileira de Letras), no Rio. A escolha da
data acontece em homenagem ao escritor Machado de Assis. A morte do escritor
completa 100 anos hoje.
A reforma ortográfica
vem sendo discutida desde 1990 pelos países que integram a CPLP
(Comunidade de Países de Língua Portuguesa): Brasil, Portugal,
Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique,
Guiné-Bissau e Timor-Leste.
O Brasil será o primeiro
país a implementar as regras oficialmente. As mudanças
serão feitas de forma paulatina a partir de 1º de janeiro
de 2009, com um prazo de conclusão até o início
de 2013. O decreto determina que nos quatro anos de transição
sejam aceitas as duas formas.
As mudanças devem atingir
aproximadamente 0,5% das palavras adotadas no Brasil. Nos demais países
as alterações podem alcançar 1,6%. As mudanças
mais significativas estão relacionadas à acentuação
de palavras, incluindo a extinção do trema. A assinatura
do decreto contará com a participação dos embaixadores
de Portugal, Moçambique e Angola. Também participam da
solenidade os ministros Fernando Haddad (Educação), Juca
Ferreira (Cultura) e o governador do Rio, Sérgio Cabral.
Novas regras
O acordo incorpora tanto características
da ortografia utilizada por Portugal quanto a brasileira. O trema, que
já foi suprimido na escrita dos portugueses, desaparece de vez
também no Brasil. Palavras como 'lingüiça' e 'tranqüilo'
passarão a ser grafadas sem o sinal gráfico sobre a letra
'u'. A exceção são nomes estrangeiros e seus derivados,
como 'Müller' e 'Hübner'.
Seguindo o exemplo de Portugal,
paroxítonas com ditongos abertos 'ei' e 'oi' --como 'idéia',
'heróico' e 'assembléia'-- deixam de levar o acento agudo.
O mesmo ocorre com o 'i' e o 'u' precedidos de ditongos abertos, como
em 'feiúra'. Também deixa de existir o acento circunflexo
em paroxítonas com duplos 'e' ou 'o', em formas verbais como 'vôo',
'dêem' e 'vêem'.
Os portugueses não tiveram
mudanças na forma como acentuam as palavras, mas na forma que
escrevem algumas delas. As chamadas consoantes mudas, que não
são pronunciadas na fala, serão abolidas da escrita. É o
exemplo de palavras como 'objecto' e 'adopção', nas quais
as letras 'c' e 'p' não são pronunciadas.
Com o acordo, o alfabeto passa
a ter 26 letras, com a inclusão de 'k', 'y' e 'w'. A utilização
dessas letras permanece restrita a palavras de origem estrangeira e seus
derivados, como 'kafka' e 'kafkiano'.
Dupla grafia
A unificação na
ortografia não será total. Como privilegiou mais critérios
fonéticos (pronúncia) em lugar de etimológicos (origem),
para algumas palavras será permitida a dupla grafia.
Isso ocorre principalmente em
paroxítonas cuja entonação entre brasileiros e portugueses é diferente,
com inflexão mais aberta ou fechada. Enquanto no Brasil as palavras
são acentuadas com o acento circunflexo, em Portugal utiliza-se
o acento agudo. Ambas as grafias serão aceitas, como em 'fenômeno'
ou 'fenómeno', 'tênis' e 'ténis'. A regra valerá ainda
para algumas oxítonas. Palavras como 'caratê' e 'crochê'
também poderão ser escritas 'caraté' e 'croché'.
Hífen
As regras de utilização
do hífen também ganharam nova sistematização.
O objetivo das mudanças é simplificar a utilização
do sinal gráfico, cujas regras estão entre as mais complexas
da norma ortográfica. O sinal será abolido em palavras
compostas em que o prefixo termina em vogal e o segundo elemento também
começa com outra vogal, como em aeroespacial (aero + espacial)
e extraescolar (extra + escolar).
Já quando o primeiro elemento
finalizar com uma vogal igual à do segundo elemento, o hífen
deverá ser utilizado, como nas palavras 'micro-ondas' e 'anti-inflamatório'.
Essa regra acaba modificando a grafia dessas palavras no Brasil, onde
essas palavras eram escritas unidas, pois a regra de utilização
do hífen era determinada pelo prefixo.
A partir da reforma, nos
casos em que a primeira palavra terminar em vogal e a segunda começar
por 'r' ou 's', essas letras deverão ser duplicadas, como na
conjunção 'anti' + 'semita': 'antissemita'. A exceção é quando
o primeiro elemento terminar e 'r' e o segundo elemento começar
com a mesma letra. Nesse caso, a palavra deverá ser grafada
com hífen, como em 'hiper-requintado' e 'inter-racial'. (Fonte:
agências noticiosas)
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CONGRESSO EM FOCO, 29 de setembro de 2008
Acordo quer manter sigilo de dados
do INSS
Um acordo entre o Ministério
Público Federal (MPF) e o Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS) tenta acabar com a possibilidade de se violar os dados previdenciários
dos aposentados.
Por meio do próprio sítio
da Previdência Social, é possível ter acesso ao extrato
de benefícios das pessoas, conhecendo-se valores recebidos e o endereço
da agência bancária onde o dinheiro é creditado.
Quem mostrou isso foi o procurador da República em Caixas do Sul (RS)
Fabiano de Moraes, numa ação civil pública (primeira
parte – anexo
I – anexo
II) em que pede que o INSS e a Empresa de Tecnologia da Previdência
(Dataprev), em 60 dias, mudem o sistema de informática de modo a proteger
o sigilo dos cidadãos. Para exemplificar a falha, ele chegou a acessar
dados previdenciários do presidente Lula.
Na quarta-feira passada (24), Moraes e o diretor de Benefícios do
INSS, Benedito Brunca, se reuniram para discutir o assunto e chegar a um
acordo. Eles fecharam uma minuta do Termo de Ajuste de Conduta a ser assinado
entre a Previdência e o MPF.
Mudanças
O documento prevê que, em 48 horas, o INSS pare de exibir na internet
a data de nascimento dos beneficiários quando é feito um pedidos
de cópia de processo. A minuta diz que, em 30 dias, a mesma informação
deve parar de aparecer na outras solicitações de serviços.
Até junho de 2009, um novo sistema de informática deve pedir
senha para se acessar o extrato de benefícios na internet.
Essas mudanças impediriam o que acontece hoje. Após abrir o sítio
do INSS, clica-se em “Censo Previdenciário”. Lá é possível “pescar” um
número de benefício nos editais de convocação
do censo.
Com o número acessado, basta solicitar cópia de algum processo
e obter a data de nascimento da pessoa.
Pronto. Com o número do benefício e a data de nascimento, é possível
acessar o extrato de benefícios do aposentado.
Assédio
Na ação civil pública, proposta na semana passada, o
procurador Moraes diz que uma entidade vale-se deste método para assediar
clientes beneficiários do INSS, a Associação Nacional
dos Aposentados e Pensionistas da Previdência Social (Anaprevis).
“ Os representantes da Anaprevis realizavam visitas nas residências
dos beneficiários sem que esses tivessem anteriormente informado seu endereço
ou procurado pelos serviços”, afirma o procurador.
De acordo com ele, servidores do INSS não vazavam os dados. As informações
estavam na internet.
Demora
A assessoria do Ministério da Previdência informou que o diretor
de Benefícios Benedito Brunca “chegou a um acordo” com
o procurador sobre o tema. Entretanto, é necessário estudar
melhor o caso. A assessoria do MPF informou que Brunca vai levar a minuta à presidência
do INSS, para avalizar o acordo.
Segundo o governo, as mudanças estão em negociação
com o procurador Moraes desde fevereiro, antes de ele recorrer ao Judiciário.
As melhoras na segurança do sistema serão feitas, garantiram
os servidores do ministério.
“O INSS está desenvolvendo aplicativos para aumentar a segurança.
Mas isso é feito com o tempo”, disse a assessoria. O ministério
destacou que, mesmo assim, não há nada que permita que uma pessoa
se apodere do pagamento do aposentado pela internet. (Eduardo Militão)
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AGÊNBCIA CÂMARA,
29 de setembro de 2008
Especial
Plano contra o trabalho escravo prioriza
votação de PEC
Salu Parente
O 2º Plano para Erradicação do Trabalho Escravo, lançado
no último dia 10 pelo governo federal, inclui entre suas metas a aprovação
de algumas propostas que tramitam no Legislativo. A principal delas é a
Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 438/01, do Senado,
que determina a expropriação de imóveis (rurais ou urbanos)
onde for constatada exploração de trabalhadores em condições
análogas à de escravidão.
A PEC já foi aprovada
em primeiro turno pela Câmara e está pronta para ser votada
pelo Plenário em segundo turno. O acordo para colocar o assunto
em pauta, no entanto, ainda não foi construído, uma vez
que a bancada ruralista é "totalmente contrária ao
seu texto atual", como definiu o deputado Valdir Colatto (PMDB-SC),
que é presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária.
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, costuma citar a PEC
entre as propostas que podem ser votadas ainda neste ano.
Segundo Colatto, a expropriação
não é justa, porque afeta toda a família, enquanto
apenas o proprietário do imóvel deveria sofrer as sanções
por manter o trabalhador em situação degradante. "Quem
pratica o crime deve ser preso, mas tomar a propriedade afeta outras
pessoas, como a família do proprietário", argumenta.
O deputado cobra ainda uma definição
mais precisa do que seja "trabalho análogo à escravidão" para
evitar que a avaliação do fiscal móvel do Ministério
do Trabalho, atual responsável pela investigação,
seja determinante no processo.
Para Colatto, é preciso
levar em conta que o trabalho agrícola é "mais rústico" e
não pode ser comparado àquele desenvolvido nas fábricas. "Não
pode ser classificado como escravidão, por exemplo, o fato de
o trabalhador não ter um banheiro com azulejos, no meio da lavoura." O
deputado afirma que, para haver punição, a situação
deve ser parecida com a do tempo da escravidão.
Código
Penal
O artigo 149 do Código Penal (Decreto-Lei 2.848/40) estabelece pena
de dois a oito anos de reclusão, além de multa, a quem submeter
alguém a situações análogas à de escravo, "quer
submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o
a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer
meio, sua locomoção em razão de dívida contraída
com o empregador ou preposto".
O código aplica a mesma
penalidade a quem cercear o uso de qualquer meio de transporte por parte
do trabalhador, para retê-lo no local de trabalho; e a quem mantiver
vigilância ostensiva ou se apoderar de documentos ou objetos pessoais
do trabalhador, para retê-lo no local de trabalho. A pena é aumentada
em 50% se o crime for cometido contra criança ou adolescente ou
por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião
ou origem.
Punição
mais severa
O presidente da Subcomissão Temporária de Combate ao Trabalho
Escravo, Degradante e Infantil, deputado Paulo Rocha (PT-PA), considera fundamental
a manutenção do confisco da propriedade no texto da PEC, porque
só uma legislação "mais dura" seria capaz de
coibir o trabalho escravo no País.
Segundo ele, o endurecimento
da legislação também vai inibir a prática
dos proprietários de transferir a administração
de suas fazendas a representantes que não se preocupam com a qualidade
do trabalho. "Com essas intermediações, a fiscalização
tem dificuldades de encontrar o responsável pelas irregularidades.
Se for aprovada a expropriação do imóvel, o dono
passa a atuar diretamente e ficará mais atento às contratações
e condições de trabalho dos funcionários."
A deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA),
que também integra a subcomissão, defende a aprovação
da PEC, mas avalia ser "complicado" manter o texto referente à expropriação
sem levar em conta as peculiaridades regionais. "Na Região
Norte, por exemplo, o produtor tem que correr contra o tempo para adequar
sua produção ao clima, e não dá para ter
vínculo empregatício com pessoas que só vão
trabalhar durante o período da safra, por isso a terceirização
da mão-de-obra é importante", afirma.
Em relação aos
imóveis urbanos, que também são passíveis
de expropriação segundo a PEC, a deputada destaca os casos
das empregadas domésticas que vivem em "cubículos" nos
apartamentos e dos estrangeiros contratados especialmente para a indústria
têxtil. "Há uma falta de respeito muito grande com
esses profissionais, mas as pessoas só acham que existe trabalho
escravo no campo", diz a deputada.
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CONSULTOR JURÍDICO,
29 de setembro de 2008
Custos previdenciários
Justiça do Trabalho não
tem de compactuar com o INSS
por Alexandre Fragoso Silvestre
As empresas que se vêem às
voltas com a Justiça do Trabalho receberam uma boa notícia:
o Supremo Tribunal Federal decidiu que a Justiça do Trabalho
não é competente para cobrar (executar) as contribuições
sociais incidentes sobre os valores pagos durante o contrato de trabalho
reconhecido em juízo — natureza declaratória da
sentença.
Caso prático: se a Justiça
do Trabalho reconhece o vínculo empregatício de, por
exemplo, um prestador de serviço que trabalhou para uma empresa
como autônomo, esta mesma Justiça não poderá executar
as contribuições sociais que incidiriam sobre a remuneração
recebida por este prestador de serviços durante a relação
entre as partes. Sobre a natureza declaratória, reconhecimento
de vínculo, da sentença, não serão executados
os encargos previdenciários na Justiça do Trabalho.
Isso, sem dúvida alguma,
resulta, num primeiro momento, em economia significativa e em uma maior
facilidade para a realização de acordo no âmbito
da Justiça do Trabalho, inclusive, em caso de execução,
de valores substancialmente menores porque não será objeto
de discussão esta significativa parcela que compõe o
montante eventualmente devido.
Convém registrar que
nos próximos dias ficará disponível o inteiro
teor do acórdão, no qual estarão todos os fundamentos
da decisão. É de se registrar que este tema deverá ser
objeto de uma nova Súmula Vinculante.
Pondere-se, ainda, que a Justiça
do Trabalho continuará a executar as contribuições
previdenciárias que incidam sobre o conteúdo condenatório
das sentenças ou acórdãos que proferir. Vale dizer,
por exemplo, se houver condenação que determine que a
empresa pague ao trabalhador horas extras, adicional de periculosidade,
insalubridade, enfim, verbas que são base de cálculo
de encargos previdenciários, sobre estes haverá cobrança
de encargos previdenciários e a Justiça do Trabalho continua
com competência para executá-los.
A Justiça do Trabalho
já disciplinava o tema na Súmula 368, I.
O ministro relator no Supremo
Tribunal Federal, Menezes Direito, e acompanhado pelos demais, votou
pelo indeferimento do Recurso Extraordinário interposto pelo
INSS.
E, por fim, isso não
quer dizer que as empresas estão isentas de arcar com este alto
custo, mas que, pelo menos, não sofrerá a execução
na Justiça do Trabalho, a qual é, sabidamente mais rápida
que Justiça Federal Comum, sendo esta a competente para cobrar
estes valores.
Já há quem
está lamentando esta decisão, mas uma coisa é certa,
a Justiça do Trabalho não tem como fim precípuo
compactuar com a ânsia arrecadatória da autarquia Previdenciária,
além do que a celeridade da Justiça do Trabalho não
deve se prestar à recuperação desses créditos
pretendidos pelo INSS.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
29/09/2008
BB é condenado a reintegrar empregada
discriminada por sofrer de depressão
Funcionária do Banco
do Brasil, demitida em virtude de debilitado estado de saúde,
obtém na Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho a manutenção
da decisão que manda reintegrá-la ao emprego, porque
sua dispensa foi julgada ato discriminatório. Após trabalhar
por 14 anos para a empresa, recebendo as melhores avaliações,
a bancária começou a sofrer de depressão no ano
anterior a sua demissão, período em que se submeteu a
tratamento e esteve algum tempo afastada do trabalho por recomendação
médica.
O preposto do banco afirmou
que a trabalhadora foi dispensada porque o seu desempenho funcional
era inferior ao estabelecido pelos padrões da administração,
mas, na avaliação do Tribunal Regional do Trabalho da
12ª Região (SC), que determinou a reintegração,
a redução da produtividade ocorreu devido à doença.
Pelo que registrou o Regional, a funcionária passou a sofrer
de depressão, caracterizada por distúrbios psicológicos
sérios, a partir de julho de 2000. Desde então, seus
superiores hierárquicos começaram a persegui-la, desqualificando-a,
com o intento de demiti-la. Isso caracterizou o ato discriminatório,
nos termos do artigo 4º, inciso I, da Lei nº 9.029/1995,
que proíbe práticas discriminatórias no trabalho.
A 2ª Vara do Trabalho
de Blumenau, onde foi ajuizada a ação, havia indeferido
o pedido de reintegração, mas o TRT reformou a sentença,
por dois motivos: ato discriminatório e ausência de motivo
para o ato da despedida, condição necessária por
se tratar de sociedade de economia mista. O Banco do Brasil recorreu
da decisão ao TST, que rejeitou o recurso e manteve a reintegração.
Para o ministro Aloysio Corrêa
da Veiga, relator, a argumentação do banco de que não
há provas de que a trabalhadora foi demitida em razão
da doença não procede, pois, de acordo com o acórdão
regional, os documentos juntados pela autora – exames, atestados
e receitas médicas – revelam que suas condições
de saúde não eram boas. As provas apresentadas foram
contrárias ao que mostrava o atestado de saúde ocupacional
de abril de 2001, emitido para a dispensa, o qual assegurava que a
bancária estava em perfeitas condições para o
trabalho. ( RR - 1570/2001-018-12-00.9)
(Lourdes Tavares)
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