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O ESTADO DO PARANÁ,
01 de outubro de 2008 | Economia
Postos de trabalho subiram 2,1% entre
2006/2007
Agência Estado
Estudo divulgado nesta terça-feira (30) pelo Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea) mostrou que o número de postos de trabalho no País
cresceu 2,1% entre 2006 e 2007, passando de 79,7 milhões para 81,4 milhões.
O documento, preparado com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílios (Pnad) 2007, apresentado na semana passada, afirma ainda
que a renda média dos trabalhadores ocupados subiu 3,2% no mesmo período,
chegando ao maior nível desde 1996.
De acordo com o Ipea, o grau
de informalidade caiu significativamente entre 2006 e 2007, passando
de 55,1% das pessoas ocupadas para 54,1%. O aumento no grau de formalidade
ajudou também a fazer crescer o número de contribuintes
para a previdência, que chegou em 2007 a 51,2% da população.
No entanto mesmo com esse avanço, o número de contribuintes
ainda não alcançou o mesmo nível de 1987, quando
era de 51,8% da população. Nas metrópoles a diferença é ainda
maior. Em 2007 alcançou 57,6%, mas em 1987 era de 69,7%.
Escolaridade
O estudo do Ipea ainda mostra
uma alteração na formação dos trabalhadores
brasileiros ocupados. Em 1992, a maioria deles, 35%, eram analfabetos
ou tinham até 3 anos de estudo e apenas 19% tinham mais do que
11 anos de estudo. Hoje, o espectro mudou. Atualmente, 41% dos brasileiros
ocupados têm 11 anos ou mais de estudo e apenas 16% tem até 3
anos de escolaridade.
O Ipea também analisou
o trabalho infantil no País, que tem regredido, mas muito lentamente.
No ano passado, 2,5 milhões de crianças entre 5 e 15
anos estavam trabalhando, 300 mil a menos que em 2004. Atualmente,
89,7% das crianças brasileiras nessa faixa etária apenas
estudam. No entanto, ainda 7% estuda e trabalha e, ainda mais preocupante,
0,8% apenas trabalham. Outros 2,5% não estudam nem trabalham.
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O ESTADO DO PARANÁ,
01 de outubro de 2008 | Economia
Crise deve afetar o emprego em 2009
Lyrian Saiki
A sucessão de recordes de emprego tanto no Paraná como em nível
nacional pode estar com os dias contados. Os motivos são a elevação
da taxa básica de juros (Selic), desde abril, e a crise financeira dos
Estados Unidos -que se agravou esta semana e está respingando mundo
afora.
A opinião é do
economista Cid Cordeiro, do Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos, regional Paraná (Dieese-PR). “A
crise financeira ainda não afetou o mercado de trabalho, mas vai
afetar a partir do início de 2009”, prevê o economista.
Segundo ele, a elevação
da taxa de juros iria, sozinha, desacelerar a atividade econômica
brasileira a partir do ano que vem. “A crise financeira vai acentuar
essa desaceleração”, disse, acrescentando que a instabilidade
no mercado financeiro provoca incertezas, e as decisões de investimento
são adiadas.
Para o economista, mesmo que
o pacote de ajuda financeira seja aprovado esta semana nos Estados Unidos,
as conseqüências não poderão ser evitadas. “A
crise está dada e os efeitos estarão presentes na economia
em 2009”, sentenciou.
Entre os setores que devem registrar
desaceleração nas contratações em 2009 estão
os de bens duráveis e semiduráveis, como veículos
e eletrodomésticos. É que com menos crédito no mercado,
a compra desses bens pode ficar mais difícil.
Ranking
O Paraná mantém
oito cidades entre as 100 que mais geraram empregos formais no Brasil,
entre janeiro e agosto deste ano, segundo o Ministério do Trabalho.
O destaque foi Cascavel (região oeste), que já havia saltado
da 102.ª para 87.ª posição na listagem que analisava
os postos de trabalho criados nos primeiros sete meses do ano. Agora,
o município ocupa o 83.º lugar, com 3.306 pessoas contratadas
em oito meses.
A cidade paranaense mais bem
colocada foi Curitiba, que ocupou a quarta posição no ranking
nacional, com 29.510 vagas. Maringá, no noroeste, repetiu o bom
desempenho e continuou em 25.º lugar no ranking, com 8.646 pessoas
contratadas. Londrina (8.392 novos empregos com carteira assinada), subiu
três posições e ficou em 29.º lugar.
São José dos Pinhais,
na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), ocupa a 50.º colocação,
com 5.550 postos de trabalho abertos. Araucária, também
na RMC, surge em 80.º lugar e saldo de 3.365 contratações
no período.
Os pequenos municípios
de Paraíso do Norte (noroeste) e Bandeirantes (norte), ambos
com menos de 40 mil habitantes, fecham a lista na 93.ª e 99.ª posições,
com 3.110 e 2.956 empregos, respectivamente. Entre janeiro e agosto,
137,5 mil pessoas foram contratadas no Paraná com carteira assinada.
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Gazeta do Povo, 1º de
outubro de 2008
Carteira assinada
Emprego formal e Previdência
atenuam a desigualdade
Distribuição de renda tira
20 milhões de pessoas da pobreza e outros 17 milhões
da indigência
O aumento do número de pessoas no mercado de trabalho formal e o aumento
da contribuição para a Previdência resultaram em maior
distribuição de renda no Brasil, tirando 20 milhões de
pessoas da pobreza e 17 milhões da indigência. Esta é a
síntese do segundo volume da série Pnad 2007: Primeiras Análises,
baseado nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad),
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A análise
foi divulgada ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea).
De acordo com o estudo, o crescimento no número de postos de trabalho
foi de 2,1%, chegando a 81, 4 milhões no ano passado.
Em comparação com a Pnad de 2001, o mercado de trabalho informal
caiu de 57% para 49% em 2007. Outro resultado importante é a mudança
do grau de escolaridade. Em 1992, trabalhadores com 11 anos ou mais de estudo
representavam 19% da força de trabalho ocupada. Hoje, eles são
41%. Além disso, a análise mostra que o rendimento real médio
cresceu 3,2% em comparação com 2006. É o maior patamar
desde 1996.
A Previdência também apresentou melhora significativa nos índices.
Em 2007 havia 71% dos empregados contribuindo, contra 63% em 1987. Apesar disso,
o porcentual da população economicamente ativa que contribui
ainda é semelhante ao de 20 anos atrás: 51,2%. Em países
desenvolvidos este número beira os 100%. Cerca de 35% dos trabalhadores
brasileiros ainda estão desprotegidos, sendo um a cada três correndo
o risco de ficar sem aposentadoria no futuro.
O pesquisador Milko Matijascic, do Ipea, afirma que os dados são melhores
que nas décadas anteriores. “Nunca tantos empregados contribuíram
com a Previdência”, garante. “É claro que ainda não é o
ideal, pois não deveria existir nenhum trabalhador sem amparo.” Ele
diz que a melhora foi ainda mais significativa nas regiões metropolitanas.
Por outro lado, Matijascic aponta que o Brasil tem o melhor índice dos
países em desenvolvimento quando o assunto é cobertura previdenciária
da população idosa. “Quase 90% dos domicílios com
pessoas idosas estão cobertos”, diz. Outro avanço foi uma
maior distribuição de renda, com melhora no índice de
Gini, que mede a desigualdade social.
O economista Carlos Alberto Ramos, professor da Universidade de Brasília,
afirma que a melhora do mercado formal é resultado do bom desempenho
econômico do Brasil. “Com o crescimento há o aumento de
demanda e crescente formalização do trabalho, sem falar na disponibilidade
de crédito”, avalia. O economista Demian Castro, da Universidade
Federal do Paraná (UFPR), concorda. “Há maior estabilidade,
que gera maior faturamento e mais impostos”, aponta. Ele afirma que nos
anos 90 houve uma precarização do trabalho e que as políticas
sociais inclusivas vêm ajudando a reverter essa situação.
Para Ramos, o aumento da participação de trabalhadores com maior
grau de instrução reflete uma tendência mundial. “As
pessoas com escolaridade menor são levadas ao emprego informal e de
baixa qualidade”, lembra. “É preciso criar políticas
públicas para incluí-las.” Apesar do otimismo, Demian Castro
diz que é preciso ser cauteloso, pois as crises mundiais podem afetar
esses resultados. “Pode haver uma desaceleração na economia”,
alerta. “O país deve se blindar e não continuar navegando
como se nada tivesse acontecido.”
A zeladora Alaíde Teresinha Tuchinski, de 53 anos, é uma beneficiária
dos bons indicadores do mercado de trabalho. Ela trabalhava como empregada
doméstica e estudou até a primeira série. Para sair da
informalidade, Alaíde voltou a estudar e terminou o ensino fundamental.
Com o diploma em mãos, ela conseguiu emprego com carteira assinada e
hoje é zeladora de um órgão publico. A oportunidade veio
em boa hora para ajudar nas despesas da casa e também para garantir
a aposentadoria. “Achava que não iria mais conseguir nada em função
da minha idade”, lembra. “Estou muito contente.”

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Gazeta do Povo, 1º de outubro de 2008
Trabalho infantil
2,5 milhões de crianças
ainda trabalham no país
Apesar dos bons índices, quando o assunto é trabalho infantil,
os números ainda mostram uma triste realidade brasileira. De acordo
com dados da Pnad, ainda existem 2,5 milhões de crianças de 5
a 15 anos trabalhando. De 2006 para 2007, a redução foi de apenas
217 mil. O estudo do Ipea aponta que a dificuldade se deve à contribuição
que os meninos e meninas dão para a renda familiar.
Quem está fora da escola chega a trabalhar 35 horas por semana, com
rendimento mensal de R$ 226. Além disso, há problemas com a fiscalização
e punição dos empregadores e também a falta de atividades
de jornada ampliada.
Omissão
De acordo com o advogado André Viana Custódio, do Núcleo
de Estudos Jurídico-Sociais da Criança e Adolescente da Universidade
Federal de Santa Catarina (UFSC), a dificuldade em erradicar o trabalho infantil é resultado
da desarticulação das políticas públicas e da rede
de proteção à infância. “Quando uma criança
sofre um acidente de trabalho, vai ao posto de saúde e os médicos
não denunciam”, acusa. “É a mesma situação
da escola.”
Ele afirma que o Brasil é um dos campeões em trabalho infantil
na América Latina, ficando atrás apenas de países como
Haiti e Paraguai. Para o advogado, o que impede o fim da exploração
da mão-de-obra infantil não é a remuneração,
já que muitas crianças não recebem nada, e sim o fator
cultural. Nos estados do Sul, por exemplo, a maior parte dos trabalhadores-mirins
está na agricultura familiar. “A cultura é muito forte”,
lamenta. “São questões históricas que remetem à escravidão.”
O pesquisador Sergei Soares, do Ipea, afirma que estes dados ainda são
elevados, mas em comparação com as décadas anteriores é um
bom resultado. “Também temos que considerar que a maior parte
destas crianças não está trabalhando em carvoarias ou
canaviais, por exemplo”, pondera. Ele diz que o próximo passo
para erradicar a exploração da mão-de-obra infantil é investir
nestes casos mais graves que ainda ocorrem.
Uma iniciativa da Organização Internacional do Trabalho (OIT)
tem mostrado resultados na redução desse índice em Colombo,
região metropolitana de Curitiba. O programa Catavento, promovido em
parceira com a ong Ciranda, atende cerca de 65 crianças em duas comunidades
de baixa renda. Elas são retiradas do trabalho infantil e encaminhadas
para atividades socioeducativas, como aulas de artes e dança.
Porém, mesmo com o esforço dos educadores, algumas crianças
acabam voltando a trabalhar em função da remuneração. “Há casos
que meninas que bordavam e voltaram para ajudar a família”, explica
Lídia Leondina de Ramos, coordenadora do programa na Vila Liberdade. “Também
existem casos de meninos e meninas que estão aqui e ainda trabalham
como catadores de material reciclável. É muito difícil
conscientizar as famílias.”
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O ESTADO DO PARANÁ,
01 de outubro de 2008 | Economia
Confiança da indústria é a
menor em 4 meses
Agência Estado
O Índice de Confiança da Indústria (ICI), indicador-síntese
da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação,
caiu 2,2% em setembro ante agosto, passando de 123 pontos no mês passado
para 120,3 pontos este mês, informou nesta terça-feira (30) a
Fundação Getúlio Vargas (FGV). O ICI é um indicador
que utiliza para cálculo uma escala que vai de 0 a 200 pontos, sendo
que o resultado do índice é de queda ou de elevação,
se a pontuação total das respostas fica abaixo ou acima de 100
pontos, respectivamente.
Em comunicado, a FGV informou
que "embora mantenha-se em patamar historicamente elevado, este é o
menor índice dos últimos quatro meses, sinalizando uma
diminuição do ritmo de atividade industrial em setembro".
A fundação também
revisou o ICI referente ao mês passado. Em agosto, a FGV anunciou
alta de 1,1% para o índice - mas no comunicado anunciado hoje,
a instituição informou que houve alta de 0,9% para o desempenho
do mês passado. Na comparação com setembro do ano
passado, o ICI registrou queda de 1,9%.
O ICI é composto por dois
indicadores. O primeiro é o Índice da Situação
Atual (ISA), que caiu 0,9% em setembro, ante estabilidade (0%) em agosto.
O segundo componente do ICI é o Índice de Expectativas,
que apresentou queda de 3,5% em setembro ante alta de 2,3% em agosto.
Na comparação com setembro do ano passado, houve queda
de 2,5% para o índice de Situação Atual e taxa negativa
de 1,1% para o indicador de Expectativas.
Para a FGV, a avaliação
de nível de estoques excessivos e maior cautela em contratações
influenciou a queda do ICI em setembro. Em comunicado, a fundação
esclarece que, dos quesitos integrantes do índice de confiança
que retratam o momento atual, destaca-se a tendência ao aumento
dos níveis de estoques industriais em setembro. "A proporção
de empresas que consideram o nível atual de estoques como insuficiente
foi de apenas 2%, enquanto a parcela das que o avaliam como excessivo
ficou em 5%. A diferença negativa de três pontos porcentuais
na freqüência relativa destas opções extremas
de resposta é a menor desde fevereiro de 2007", informou
a fundação, em comunicado.
O levantamento para cálculo
do índice foi entre os dias 1º e 25 desse mês, em uma
amostra de 1.042 empresas informantes.
Nuci
O Nível de Utilização
de Capacidade Instalada (Nuci) da indústria, sem ajuste sazonal,
atingiu o nível de 86,4% em setembro, o menor desde julho desse
ano, quando atingiu 86,1%, segundo a FGV.
A entidade atualizou resultados
recentes de nível de capacidade instalada. Em comunicado, a fundação
esclarece que, no mês passado, o Nuci, sem ajuste, registrou resultado
de 86,6% - embora tenha anunciado em agosto resultado de 86,5% para o
Nuci daquele mês.
Emprego
Ainda de acordo com a FGV, em
relação ao emprego industrial, as empresas prevêem
continuar contratando, mas se mostram mais cautelosas.
No total de 1.042 empresas
consultadas, 32% estimam aumento do contingente de mão-de-obra
nos próximos três meses e 6%, aguardam redução
no nível de contratações. Em setembro de 2007,
os porcentuais para essas respostas haviam sido, respectivamente de
37% e 7%.
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Agência Diap, 1º de
outubro de 2008
CRÉDITO
Empréstimos: endividamento das
famílias dobra em seis anos
O grau de endividamento dos brasileiros
mais do que duplicou desde o primeiro ano do governo Lula. Segundo o
Banco Central, o nível de endividamento das famílias, isto é,
a relação entre crédito e massa salarial, saltou
de 12,2% no primeiro trimestre de 2003 para 26,5% no segundo trimestre
deste ano. O crédito tem sido, diz o BC, "determinante" para
a sustentação do consumo.
Utilizando nesse cálculo
o conceito de massa salarial apurado pelo IBGE por meio da Pesquisa Mensal
de Emprego em seis capitais, o BC concluiu também que o comprometimento
de renda com o pagamento de dívidas apresentou, no mesmo período,
salto de 22,9% para 31,3%. Já o serviço da dívida
chegou a 30,4%.
Embora a massa salarial esteja
crescendo de forma significativa - 9,6% em agosto, face ao mesmo mês
de 2007 -, o crédito tem crescido em ritmo ainda mais forte, o
que sugere elevação do endividamento. A boa notícia é que,
segundo o BC, o nível de inadimplência está "contido" -
no segmento pessoas físicas, atingiu, conforme o Relatório
de Inflação, 7,3% em julho, com alta de 0,2 ponto percentual
no trimestre e em 12 meses.
O que explica isso, segundo o
BC, é o crescimento dos empréstimos que oferecem garantias
ao credor, como os consignados em folha de pagamento e os financiamentos
para aquisição de bens duráveis, especialmente,
automóveis. A combinação de juros mais baixos e
alongamento dos prazos médios das operações também
tem ajudado a manter a inadimplência em níveis toleráveis.
"O crescimento (do
endividamento das famílias) não compromete a estabilidade
financeira, tendo em vista a concentração em operações
de baixo risco de inadimplência", sustenta o Relatório
de Inflação. (Fonte: Valor Econômico)
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Agência Diap, 1º de
outubro de 2008
Agora, risco maior é de depressão
global
Por: Luiz Gonzaga Belluzzo*
O Congresso norte-americano rejeitou
o pacote de estabilização dos mercados que havia sido proposto
pelo Tesouro dos Estados Unidos. Essa decisão – que, espero,
seja reconsiderada – atesta a supremacia do preconceito e da baboseira
ideológica sobre a crítica realista e bem informada.
A peculiaridade das economias
contemporâneas – onde a finança direta e securitizada é predominante – é a
alta sensibilidade dos preços dos ativos às flutuações
da liquidez. Os mecanismos de transmissão são rápidos,
variados e muito poderosos.
Em primeiro lugar, a desregulamentação
e a liberalização facilitaram o surgimento de bancos-sombra
na formação de posições longas nos mercados
de capitais, financiadas com recursos capturados nos mercados monetários.
Isso permitiu os atuais níveis de alavancagem dos "dealers" e "brokers",
bem como dos fundos de hedge e outros intermediários.
Quando os agentes foram surpreendidos
por movimentos adversos dos preços e suas perdas os obrigaram
a liquidar posições para cobertura de margem, tanto o risco
de mercado como o risco de liquidez se ampliaram rapidamente.
A queda muito abrupta e profunda
dos preços afugenta os financiadores desses ativos, inviabilizando
seus mercados. Na ausência de um socorro tempestivo do emprestador
de última instância, a propagação do pânico
pode levar à ruptura do sistema de pagamentos e à corrida
bancária.
O "Financial Times" informa
que o republicano Gresham Barret, da Carolina do Sul, disse: "Meu
temor é o governo mudar para sempre a América do livre
mercado. Votarei contra o pacote [proposto pelo Tesouro] porque acredito
intensamente nos princípios do livre mercado e na liberdade".
Barret não sabe, mas suas
crenças ajudaram a conduzir a economia norte-americana (e seus
desdobramentos globais) em direção à crise financeira
que ora a aflige e ao resto do mundo.
Os praticantes das formidáveis
inovações destrutivas – "os gatos gordos de
Wall Street" – não teriam prosperado em suas ousadias
se à retaguarda não estivessem de prontidão os fanáticos
do livre mercado. O fervor livre-mercadista, ademais, encontrou alento
nas teorias dos sacerdotes dos mercados eficientes, os economistas acadêmicos
(e outros nem tanto) incumbidos de dar respeitabilidade científica
a hipóteses improváveis.
Em minha modesta opinião,
a aprovação do pacote de socorro – pela proposta
do Tesouro, US$ 700 bilhões seriam usados para a compra de títulos
de má qualidade de instituições financeiras norte-americanas –,
tal como havia sido acertado no final de semana entre as lideranças
dos dois principais partidos políticos, não teria força
para reverter a curto prazo a quase paralisia dos mercados monetários.
Os "spreads" entre
as taxas cobradas no interbancário e os títulos do Tesouro
alcançam níveis assustadores. Nessas condições,
a aprovação do pacote de socorro tampouco seria eficaz
para desobstruir imediatamente os canais do crédito, bloqueados
pela desconfiança e pelo medo.
Ainda assim, um mínimo
de sensatez recomendaria aprovar o pacote de estabilização,
com suas deficiências e limitações. Os devaneios
ideológicos que negaram sua aprovação podem levar
a economia global não mais à recessão, já contratada,
mas à beira de uma depressão, com as funestas conseqüências
para os que estão na base da pirâmide social.
Então, será tarde
para descobrir que não se trata de punir os culpados, mas de poupar
os inocentes.
(*) Professor titular de Economia
da Unicamp. Artigo publicado originalmente na Folha de S.Paulo (30).
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Congresso em Foco, 1º de outubro de 2008
Suplência no mandato
Apenas dois dos oito suplentes que assumiram
na Câmara no período eleitoral apresentaram propostas.
Três faltaram à metade das sessões
Rodolfo Torres e Edson Sardinha
Dos oito suplentes que assumiram vaga na Câmara durante o período
eleitoral este ano, apenas dois propuseram projetos até agora. Um terceiro
apresentou requerimento, pedindo celeridade na votação de determinada
proposta e outro relatou uma proposição. A metade do grupo, porém,
não relatou nem propôs qualquer iniciativa até o momento.
Entre os quatro que estão passando em branco pela Casa, estão
três deputados que faltaram a praticamente metade das sessões
deliberativas de que deveriam ter participado.
As curiosidades sobre a atuação desses parlamentares temporários
não param por aí. Dois suplentes são candidatos a vice
nas eleições deste domingo (5) e um concorre à prefeitura
de Criciúma (SC). Apenas três assumiram a vaga de colegas que
disputam, de fato, um mandato. Os demais substituem parlamentares que estão
apenas envolvidos na campanha de aliados em seus estados. Os dados fazem parte
de pesquisa feita pelo Congresso em Foco na página da Câmara na
internet.
Desde que assumiram uma cadeira na Câmara, os deputados Márcio
Marinho (PR-BA), Alessandro Sabino (PMDB-AP), Rogério Silva (PP-MT)
e Ronaldo Leite (PHS-AM) pouco produziram. Com exceção de Marinho,
candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada pelo também deputado
Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA) em Salvador, os demais faltaram
a cerca de metade das sessões.
Faltosos
Sabino esteve presente em apenas sete das 14 sessões deliberativas realizadas
desde que foi empossado. Ronaldo faltou a duas das quatro sessões convocadas
após sua posse. Já Rogério não compareceu a sete
das 16 reuniões do plenário em que deveria estar presente. Além
da baixa assiduidade, eles têm em comum o fato de terem justificado praticamente
todas as ausências e evitado, assim, eventuais descontos em seus vencimentos.
Como mostrou o Congresso em Foco em agosto, os deputados estão menos
assíduos neste ano eleitoral. No primeiro semestre, um em cada cinco
parlamentares faltou a mais de 25% das sessões plenárias deliberativas
da Câmara (leia mais). Mas o parlamentar só tem seu salário
de R$ 16,51 mil descontado se não justificar sua ausência.
De volta à Câmara desde o dia 20 de junho, quando assumiu a vaga
aberta temporariamente por Pedro Henry (PP-MT), Rogério Silva é um
velho conhecido da Casa. Em janeiro de 2004, quando ia para o segundo ano de
seu terceiro mandato, foi cassado por compra de votos. Mesmo com a punição
imposta pela Justiça eleitoral, ele permaneceu mais dois anos num apartamento
funcional da Câmara (leia mais).
A assessoria de Rogério informou ao Congresso em Foco que o deputado
tem se dedicado a analisar a tramitação das propostas formuladas
por ele em outras ocasiões e que ainda tramitam na Casa.
Uma delas, apresentada em 2003, está na Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) da Câmara. O projeto tipifica o crime de não
comparecimento de testemunha perante uma CPI. A pena é de um a dois
anos de detenção, além do pagamento de multa, para quem
não atender aos chamados do colegiado. "Apresentar por apresentar,
tem muita gente que faz. O interessante é aprovar", argumenta a
assessoria do deputado.
Alessandro Sabino, que é suplente da deputada Fátima Pelaes (PMDB-AP),
candidata a prefeita em Macapá, tomou posse no dia 30 de junho. Ele
concorre como vice, no município de Santana (AP), na chapa encabeçada
pelo suplente de senador Geovani Borges (PMDB-AP). A assessoria de Sabino afirmou
que o deputado está dedicado à sua campanha. "Ele está há mais
de um mês sem aparecer", afirmou a assessoria. O último registro
de presença do deputado nas sessões plenárias ocorreu
em seis de agosto.
Candidato a vice-prefeito de Salvador na chapa liderada pelo deputado ACM Neto,
Márcio Marinho tomou posse na Câmara no dia 11 de junho. Com 100%
de presença nas 21 sessões realizadas no período, ele é suplente
do deputado Luiz Carreira (DEM-BA). "Na próxima semana ele sai",
alegou a assessoria de Marinho ao justificar o fato de ele não ter apresentado
nem relatado qualquer proposição enquanto esteve exercendo o
mandato.
O Congresso em Foco também procurou o deputado Ronaldo Leite, suplente
de Sabino Castelo Branco (PTB-AM), mas não obteve retorno de seu gabinete.
Requerimento e relatoria
Apesar de não terem apresentado propostas até o momento, os deputados
Eduardo Moura (PPS-MT) e Pedro Valadares (DEM-SE) atuaram de alguma forma durante
o chamado "recesso branco" na Câmara, período em que
as votações ficam restritas para que os parlamentares participem
da campanha eleitoral.
Suplente do deputado Homero Pereira (PR-MT), Eduardo Moura, que está no
cargo desde 8 de julho, é autor de um requerimento que solicita a instalação
de uma comissão especial para analisar a Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) 495/2006. No texto, ele pede pressa na análise da proposição
que trata da criação de novos municípios.
Conforme explica o parlamentar, 28 municípios brasileiros criados ainda
antes do ano 2000 precisam ser regulamentados. Caso contrário, argumenta,
voltarão a ser distritos. Ele cita o exemplo de Luiz Eduardo Magalhães,
município baiano com aproximadamente 100 mil habitantes. "Caso
não seja regulamentada, a cidade voltará a ser distrito de Barreiras."
O deputado afirmou ao Congresso em Foco que pretende apresentar um projeto
para criar o estado do Araguaia. A nova unidade federativa se situaria entre
Goiás e Tocantins e acompanharia de norte a sul as margens do rio Araguaia. "O
Brasil tem muitos poucos estados", argumenta o deputado, citando o caso
dos Estados Unidos, com 50 estados e um distrito federal. Já o Brasil
conta com 26 estados e o Distrito Federal.
Por sua vez, Pedro Valadares, que está na condição de
parlamentar desde o dia 15 de julho, relatou uma proposta do governo que acrescenta
emendas a uma convenção que visa a facilitar o tráfego
marítimo internacional. O parlamentar sergipano, que é suplente
de Jerônimo Reis (DEM-SE), deu voto favorável ao projeto.
Questionado se pretendia apresentar alguma proposta nesse período em
que está como deputado, Valadares destacou que apenas 10% dos projetos
analisados na Câmara são de iniciativa dos parlamentares. "Quem
legisla é o governo federal por meio de medidas provisórias",
critica.
Valadares, que já foi deputado em outras três legislaturas, ressaltou
que, em 2001, apresentou à Câmara um projeto que pune a pedofilia
na internet. "Vou continuar plantando as minhas idéias", explica.
Proposições
Os únicos suplentes que apresentaram propostas até agora foram
Laercio Oliveira (PSDB-SE) e Acélio Casagrande (PMDB-SC). O tucano,
que assumiu a vaga no dia 12 de agosto, apresentou quatro propostas no período.
Suplente do deputado Mendonça Prado (DEM-SE), candidato à prefeitura
de Aracaju, Laercio Oliveira é presidente da Federação
Nacional das Empresas de Serviços e Limpeza Ambiental (Febrac).
O deputado, que permanecerá na Câmara até a primeira quinzena
de dezembro, diz que devido à sua atuação no setor de
serviços já conhecia o funcionamento da Casa. "Cheguei sabendo
o que tinha que fazer", explicou ao Congresso em Foco, complementando
que apenas teve que se aprimorar no regimento interno da Câmara. De acordo
com ele, os suplentes que não têm noção do funcionamento
do Legislativo enfrentam "extrema dificuldade" para apresentar propostas.
Entre os projetos apresentados por Laecio, está o que proíbe
que os contratos de prestação de serviço para a administração
pública sejam feitos por meio de pregão eletrônico (uma
espécie de leilão virtual). "Não podemos aceitar
que, já que mais de 90% dos custos de empresário do setor de
prestação de serviços é destinado exclusivamente
ao pagamento dos salários de seus funcionários, esse contrato
seja objeto de 'leilão'", justifica o congressista sergipano na
sua proposta.
Outras duas propostas do tucano exigem que editais da administração
pública que tratam da contratação de prestadores de serviço
contenham expressamente a exigência legal de preenchimento de cotas de
mão-de-obra reabilitada ou portadora de deficiência.
Laercio também propõe que a Lei Complementar 110/2001 seja revogada.
Essa lei instituiu a contribuição social devida pelos empregadores
em caso de despedida de empregado sem justa causa. A alíquota dessa
contribuição é de 10% sobre o total dos depósitos
devidos referentes ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) durante
a vigência do contrato de trabalho.
" Segundo dados apresentados pelo Ministério do Trabalho, as contas
vinculadas ao FGTS já apresentam um saldo positivo superior a R$20 bilhões.
Ou seja, não é mais necessário que seja cobrado dos empregadores
multa no montante de 10% (dez por cento) em caso de dispensa do empregado sem
justa causa", argumenta.
Sem adiantar o teor de futuras propostas, Laercio afirma que até dezembro
deve apresentar "três ou quatro" projetos. "Atuei nas
questões ligadas ao emprego e à qualificação profissional.
São quatro anos em quatro meses", destaca.
Suplente e candidato
Já o deputado Acélio Casagrande, que concorre à prefeitura
de Criciúma, é responsável por três projetos. Acélio
assumiu a vaga no dia 25 de junho. O titular, Djalma Berger (PSB-SC), também é candidato.
Berger disputa a prefeitura de São José.
Entre os projetos apresentados por Acélio, está o que determina
a diminuição do preço do óleo diesel para os produtores
agrícolas que fazem parte do Programa Nacional da Agricultura Familiar
(Pronaf).
Em outro projeto, o parlamentar catarinense propõe que as famílias
de portadores de necessidades especiais sejam isentas do pagamento das tarifas
de energia elétrica, água e esgoto. "O custo que as famílias
das pessoas portadoras de necessidades especiais têm com seus dependentes é altíssimo
e exige cada vez maiores investimentos para sua manutenção e
sobrevivência", justifica o projeto do peemedebista.
O terceiro projeto de lei apresentado por Acélio possibilita o retorno
ao serviço público dos funcionários que foram exonerados,
demitidos, dispensados ou despedidos de órgãos extintos da administração
pública durante o governo Collor. Em sua avaliação, não
foi dado a esses servidores "o direito de pleitear a concessão
de anistia e defender junto ao governo federal, eventual retorno".
Ao Congresso em Foco, Acélio afirmou que pretende apresentar mais uma
proposta na Câmara, que trata da regulamentação da divulgação
de pesquisas de intenção de voto em período eleitoral.
O deputado afirma que a proposta ainda está em fase embrionária,
mas adianta que esse instrumento de análise pode "induzir" o
comportamento do eleitorado.
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Congresso em Foco, 1º de outubro de 2008
2008: eleições sem
opções
Celso Lungaretti*
O Brasil tem 5.563 municípios.
O PT marcha para as eleições de domingo coligado ao PSDB em 1.095
deles (19,7%).
Ao DEM, em 957 cidades (17,2%).
E ao PPS, em 1.129 (20,3%).
Ou seja, em 3.181 municípios brasileiros (57,2%), o PT selou alianças
com um dos principais partidos de oposição: os tucanos, os democratas
ou o satélite de ambos.
Mais da metade das cidades do país já vive a era dos partidos
indiferenciados: são todos farinha do mesmo saco.
Esta é outra explicação para a popularidade-recorde de
Lula. Quando os partidos nada mais significam, os cidadãos apostam todas
as suas esperanças em pessoas.
Seria interessante fazerem outra pesquisa de opinião, que aferisse a
popularidade do PT. Com certeza, não atingiria nem a metade da lulesca.
Mas, homens providenciais morrem ou desabam do pedestal. E, quando isso acontece,
nada deixam atrás de si, além de um povo órfão.
Partidos têm vida longa. Cabe-lhes manter a continuidade da luta por
bandeiras históricas.
Quando se tornam gelatinosos, como os brasileiros, implodem as pontes entre
passado, presente e futuro.
Aqui não há partidos no sentido tradicional do termo, com posturas
ideológicas definidas e diferenciadas.
Há apenas o partido dos que estão no poder e tudo fazem para
não deixarem entrar os que estão fora do poder, pois querem conservar
as benesses do poder apenas para si.
E o partido dos que estão fora do poder e tudo fazem para terem acesso
ao poder e suas benesses.
Hoje, a única referência que ainda imanta o povo brasileiro é um
sexagenário.
Adiante, uma incógnita.
E os justificados temores de que estejamos decaindo sem nunca termos atingido
o apogeu.
*Celso Lungaretti, 57 anos, é jornalista
e escritor. Mantém os blogs O Rebate, em que publica textos
destinados a público mais amplo; e Náufrago da
Utopia, no qual comenta os últimos acontecimentos.
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Gazeta do Povo, 1º de outubro de 2008
Plano de resgate
Senado dos EUA propõe votar
pacote anticrise ainda hoje
Barack Obama e John McCain deram suporte à proposta
da Casa Branca e pediram que seus colegas se antecipem aos deputados
na votação da ajuda aos bancos
Após o susto da segunda-feira, em que a rejeição do pacote
da Casa Branca pela Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara
dos Deputados) dos Estados Unidos espalhou o pânico nos mercados globais,
líderes do Congresso resolveram levar a medida, com algumas revisões,
para votação no Senado ainda hoje. O aparente avanço animou
os mercados, que recuperaram parte das perdas.
Representantes do governo de George W. Bush passaram o dia reunidos com líderes
democratas e republicanos de ambas as Casas do Legislativo, em um dia que começou
com nova declaração pública do presidente sobre a crise – o
quinto pronunciamento em cinco dias. “Estou desapontado com o resultado”,
repetiu Bush, ao citar a maior derrota política de seu mandato, “mas
garanto aos nossos cidadãos e aos cidadãos do mundo que não é o
fim do processo legislativo.”
Na seqüência, líderes da oposição democrata
e do partido governista vieram a público reafirmar a disposição
de voltar à mesa de negociações e aprovar o pacote até o
fim da semana. A medida daria liberdade para o Tesouro gastar até US$
700 bilhões em ajuda a instituições com problemas, na
maior intervenção financeira da história do país. “Essa
continua sendo nossa meta número 1”, disse o democrata Harry Reid,
líder da maioria no Senado, que disse ter passado o dia em conversas
com Josh Bolten, chefe de gabinete de Bush.
Candidatos
O presidente falou ao telefone também com os dois candidatos majoritários
a sua sucessão, o democrata Barack Obama e o republicano John McCain. “Estamos
todos trabalhando juntos para resolver essa questão importante”,
disse Reid. Segundo seu colega Christopher Dodd, presidente do comitê de
bancos do Senado, os que votaram contra o plano “estão pensando
melhor e querem dar mais uma chance ao pacote.”
De acordo com relatos vindos do Congresso, os gabinetes de muitos republicanos
que disseram “não” à medida do governo foram inundados
de e-mails e telefonemas de eleitores pedindo que mudassem o voto. “Acho
que a mensagem dos mercados de ontem [segunda-feira] foi clara”, disse
o líder republicano do Senado, Mitch McConnell.
Além disso, o governo acenou com a possibilidade de fazer pequenos ajustes
na proposta para acomodar pedidos da base governista. O jogo de cena político
daria a justificativa necessária para os congressistas mudarem de idéia
sem alienar seus eleitores. Dos 11 deputados republicanos que estão
empatados nas disputas eleitorais de seus distritos, nove votaram contra o
pacote.
Em 4 de novembro, além do presidente, serão escolhidos também
todos os integrantes da Câmara e um terço do Senado. Segundo duas
pesquisas recentes, o plano proposto por Bush é impopular para a maioria
da população norte-americana.
Ajustes
Entre os pequenos ajustes ao plano da Casa Branca, o mais bem-recebido ganhou
força ao longo do dia: a possibilidade de o valor máximo de os
depósitos bancários garantidos pelo governo federal passarem
dos atuais US$ 100 mil para US$ 250 mil, como maneira de acalmar os correntistas.
O pedido de aumento partiu do FDIC, sigla para Federal Deposit Insurance Corporation, órgão
que garante operações do setor bancário, e recebeu apoio
dos dois candidatos presidenciais. O FDIC calcula que 37% de todos os depósitos
individuais em posse dos bancos estejam acima do limite atual.
Os sinais foram suficientes para animar os mercados. Depois de bater seu recorde
histórico de perda de pontos, o índice industrial Dow Jones recuperou
485 pontos dos 777 perdidos na segunda-feira.
Perguntas que permanecem sem resposta
Duas grandes perguntas pairam no ar sobre o pacote do governo dos Estados Unidos
para salvar bancos e financeiras. E a julgar pelas negociações,
reiniciadas em busca de alterações que propiciem a aprovação
do documento no Congresso, elas continuarão sem uma resposta concreta.
Os US$ 700 bilhões serão, de fato, suficientes para resolver
o problema? Mais: o pacote vai funcionar de forma a garantir que os contribuintes,
que deverão pagar por ele, receberão o seu dinheiro de volta?
As incertezas crescem. Elas são alimentadas por dois fatos notórios.
Um deles é o de que bancos e financeiras ainda não revelaram
o valor total, real, dos papéis podres – calotes, em geral – que
têm em mãos. O outro diz respeito ao silêncio do próprio
governo sobre um detalhe crucial da operação de resgate: qual
o valor que o Departamento do Tesouro pretende pagar por tais papéis.
Essas duas questões são essenciais para determinar o verdadeiro
valor do pacote. Especialistas do setor suspeitam que ele, na verdade, acabaria
custando o dobro do que o governo está propondo. Para o contribuinte é importante
saber quanto o governo pagará e por quanto venderá os papéis,
daqui a alguns anos.
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Agência Câmara,
1º de outubro de 2008
Multa por imposto sindical em atraso
poderá ser reduzida
Laycer Tomaz
O Projeto de Lei 3791/08, do deputado
Waldir Neves (PSDB-MS), acaba com a multa de 10%, nos 30 primeiros
dias, pelo pagamento com atraso da contribuição sindical.
A proposta define que a nova multa será de 2% por mês
de atraso.
A regra atual, prevista na Consolidação
das Leis do Trabalho (Decreto-Lei 5452/43), determina multa de 10% nos
30 primeiros dias, com adicional de 2% por mês subseqüente.
A proposta também reduz
de 1% para 0,5% os juros de mora ao mês devidos pelo atraso no
pagamento da contribuição sindical e retira a referência à correção
monetária, que não existe mais.
Desaparecimento
O autor reconhece que a sua proposta é uma regra destinada ao desaparecimento,
devido à Lei 11648/08, que regulamentou as centrais sindicais. Essa
norma prevê o fim do imposto sindical e a criação da "contribuição
negocial", vinculada à negociação coletiva e sujeita
a aprovação em assembléia de trabalhadores. Essa contribuição
ainda não está em vigor porque precisa ser criada por outra lei.
Enquanto a contribuição
sindical ainda estiver vigente, o deputado considera que será inadmissível
permitir a cobrança de multa de 10%. "É mais que razoável
diminuir o encargo para 2% ao mês, além de reduzir à metade
a cobrança de juros moratórios", defende Waldir Neves.
Ele observa que a cobrança
das contribuições sindicais, multas e juros moratórios
por atrasos é matéria que deve ser reservada à negociação
coletiva das partes interessadas, "atendendo, inclusive, ao sistema
constitucional vigente, que veda qualquer interferência nas tratativas
sindicais".
Tramitação
O projeto será analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões
de Trabalho, de Administração e Serviço Público;
de Finanças e Tributação; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania (CCJ).
Íntegra
da proposta:
- PL-3791/2008
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Agência Câmara,
1º de outubro de 2008
Projeto determina que e-mail corporativo
não é sigiloso
Em análise na Câmara, o
Projeto de Lei 3893/08, do deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT), estabelece
que não são sigilosos os e-mails corporativos usados
no trabalho por empregados, terceirizados, estagiários, bolsistas
e outros funcionários.
A proposta muda a Lei dos Serviços
Postais (Lei 6.538/78), que considera como inviolável o sigilo
da correspondência e proíbe qualquer intervenção
nos serviços postais e de telegramas, salvo nos casos e na forma
previstos em lei. O texto de Carlos Bezerra inclui na lei dispositivo
explicitando que o sigilo não se aplica às mensagens encaminhadas
ou recebidas por meio de correio eletrônico corporativo.
O deputado destaca que há muitas
lacunas legais e institucionais sobre o uso do correio eletrônico,
o que cria, em alguns casos, disputas judiciais. Bezerra observa que
o entendimento da Justiça sobre o assunto é o de que as
mensagens trocadas por meio de correio eletrônico corporativo não
têm sigilo absoluto, pelo fato de serem um instrumento de trabalho
oferecido aos funcionários para uso no interesse exclusivo do
serviço.
"É clara a necessidade
de uma lei que explicite esse entendimento, para que o assunto seja pacificado
e se evite o acúmulo de processos judiciais", defende o deputado.
Tramitação
O projeto será analisado pelas comissões de Trabalho, de Administração
e Serviço Público; e de Constituição e Justiça
e de Cidadania (CCJ), antes de ser votado em Plenário.
Íntegra da proposta:
- PL-3893/2008
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CONSULTOR JURÍDICO,
01 de outubro de 2008
Trabalhador rural
Tamanho da terra não diferencia
trabalhador de empresário
O tamanho da propriedade não é relevante para diferenciar trabalhador
rural de empresário rural. De acordo com a decisão da 4ª Turma
do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (Rio Grande do Sul),
o enquadramento sindical deve observar critérios como interesse, semelhança
de atividade e solidariedade.
A Confederação
da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) entrou na Justiça
para cobrar a contribuição sindical de um dono de terra.
Para a entidade, o réu deveria ser enquadrado na categoria de
empresário rural, com base no Decreto-Lei 1.116/71.
O parágrafo 1° do
artigo 4° do decreto diz que “a contribuição é calculada
com base no Valor da Terra Nua Tributável (VTNt) da propriedade,
constante no cadastro da Secretaria da Receita Federal, utilizado para
lançamento do Imposto sobre a propriedade Territorial Rural (ITR)”.
O pedido não foi aceito
tanto na primeira quanto na segunda instâncias. Para o juiz Ricardo
Tavares Gehling, relator do caso, ao usar o critério do tamanho
da propriedade, o decreto afronta o conceito jurídico de categoria
econômica e profissional para enquadramento sindical. Gehling diz
que a norma foi superada por leis posteriores e pela Constituição
de 1988.
Processo 00925-2007-404-04-00-1
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CONSULTOR JURÍDICO,
01 de outubro de 2008
Falta de intervalo
Multa pode ser aplicada duas
vezes, decide STJ
Empresa pode ser multada duas vezes por não conceder intervalo na jornada
de trabalho. O entendimento é da 2ª Turma do Superior Tribunal
de Justiça, para acolher recurso da Fazenda Nacional sobre aplicação
multa trabalhista contra a Cima Engenharia e Empreendimentos. A Turma seguiu
integralmente o voto do relator, ministro Castro Meira.
A Fazenda entrou com recurso
no STJ contra a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região
que decidiu haver punição bis in idem (duas vezes sobre
o mesmo fato) em multas aplicadas contra a Cima Engenharia. Em 1997,
a empresa desrespeitou o artigo 71 da CLT. Foi autuada duas vezes.
O artigo determina que haja intervalo mínimo de uma hora se
a jornada de trabalho se estende por mais de seis horas diárias.
O fiscal do trabalho considerou
que a empresa não concedia o intervalo mínimo de uma
hora e sequer o próprio intervalo, aplicando uma multa para
cada situação. O TRF entendeu que a CLT não faz
essa distinção e que a aplicação das duas
multas seria bis in idem. Por isso, ordenou a aplicação
de apenas uma delas.
No recurso ao STJ, a Fazenda
alegou que o parágrafo 4º do artigo 71 da CLT previa punições
diferentes para os fatos e que, se aplicados conjuntamente, deveriam
juntar duas autuações distintas. Também apontou
que o fiscal do trabalho fez uma análise dos cartões
de ponto e constatou que vários trabalhadores teriam um intervalo
reduzido e outros simplesmente não tinham o benefício.
Castro Meira considerou que
as multas tiveram fatos geradores diferentes. Para o ministro, se a
CLT fez a previsão de delitos diferenciados para questão,
haveria a possibilidade de aplicação de duas multas.
Além disso, o fiscal constatou as duas situações
(intervalo reduzido e ausência de intervalo) na empresa. Com
essa fundamentação, o ministro decidiu que a Fazenda
poderia aplicar as duas multas.
REsp 1.063.210
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
01/10/2008
Incapacitada após cinco meses de
trabalho, operária ganha indenização
Uma operária que adquiriu
lesão por esforço repetitivo após trabalhar cinco
meses em uma empresa produtora de frangos, em Goiás, conseguiu
obter o reconhecimento ao direito de indenização por danos
morais e materiais. A questão foi julgada, em grau de recurso,
pela Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, em voto do ministro
Vieira de Mello Filho.
O caso é de uma ex-empregada
da Gale Agroindustrial S/A, de Goiânia. Ela foi contratada pela
empresa em dois períodos, sempre na mesma função:
numa espécie de “linha de montagem”, acondicionava,
diariamente, cerca de 1.800 frangos abatidos, exercendo atividade mecanicamente
repetitiva. No quinto mês do segundo contrato, durante o trabalho,
ela começou a sentir inchaço e fortes dores na mão
direita. No dia seguinte, apresentou atestado recomendando seu afastamento
por 16 dias, mas o médico da empresa recusou a licença
e concedeu apenas dois dias para que ela procurasse um especialista.
O ortopedista consultado diagnosticou inflamação nos tendões
do punho, prescreveu medicação, recomendou que ela fizesse
fisioterapia e lhe deu dez dias de licença e, depois, mais seis.
Alegando que sua ausência
causaria prejuízos, a empresa negou-se a liberá-la durante
o expediente para as sessões de fisioterapia. Diante do agravamento
do quadro, o gerente apresentou-lhe uma papelada para ela assinar, dizendo
que esta seria a forma de “ajudá-la”. Tratava-se,
na realidade, de um pedido de demissão.
Meses depois, ela entrou com a ação trabalhista. Alegou ter sido
enganada e induzida a assinar “pedido” de demissão. Requereu
o pagamento de verbas rescisórias, além de indenização
por lucros cessantes, danos materiais e morais. A partir daí, travou-se
longa contenda judicial, que incluiu várias contestações
de ambas as partes. Além de provas testemunhais, a operária obteve
laudos periciais comprovando sua incapacitação permanente para
o trabalho.
A sentença do juiz da
Vara do Trabalho de Jataí (GO) condenou a empresa ao pagamento
de 65% do salário mínimo, retroativo à data de sua
demissão, até que a trabalhadora complete 70 anos de idade,
e indenização por danos morais, no valor de R$ 50 mil.
A sentença foi reformada posteriormente pelo Tribunal Regional
do Trabalho da 18ª Região (GO), que deu provimento a recurso
ordinário da empresa. Entre os fundamentos para afastar a responsabilidade
do empregador, o TRT considerou o pouco tempo de contrato, o atendimento às
normas de saúde e segurança e a ausência de melhora
da empregada, após o seu afastamento.
Inconformada, a autora da ação
apelou ao TST, mediante recurso de revista. O ministro Vieira de Mello
posicionou-se pela reforma da decisão e a conseqüente revalidação
da sentença inicial. Para ele, os próprios elementos constantes
do acórdão regional levam a uma conclusão exatamente
oposta ao que decidiu o TRT, o que a torna contraditória.
Entre esses elementos, Vieira
de Mello citou o fato de a empregada não haver se submetido ao
exame de saúde quando de sua admissão, além da prova
oral que evidenciou a prática de atividade repetitiva por dez
horas diárias e, também, o fato de o laudo pericial haver
atestado que as medidas de segurança adotadas pela empresa, ao
contrário do que entendera o TRT, afiguravam-se insuficientes.
Referindo-se ao argumento de “fragilidade
do laudo pericial”, utilizado para fundamentar a decisão
que reformou a sentença de primeiro grau, o ministro Vieira de
Mello indaga, em seu voto: “Como poderia a Corte Regional retirar
tais conclusões das provas trazidas ao processo, se todas elas
apontam que a moléstia adquirida pela reclamante decorreu da atividade
por ela desenvolvida no âmbito da empresa?” Em sua avaliação,
o TRT decidiu com base na sua livre convicção, sem, entretanto,
fundamentá-la na prova dos autos. Nessa linha, o ministro assevera
que, “embora o juiz não esteja adstrito ao laudo pericial, é imperioso
que, ao divergir das suas conclusões, lastreie sua convicção
nos elementos técnicos trazidos à análise, não
em ilações acerca de possibilidades fáticas”.
Com a aprovação
unânime do voto, a Primeira Turma determinou o restabelecimento
da sentença que reconheceu o direito à indenização
da trabalhadora, como havia decidido a Vara do Trabalho de Jataí.
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