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O ESTADO DO PARANÁ,
03 de outubro de 2008 | Economia
Salário mínimo deveria
ser de R$ 1.971,55
Agência Estado
O salário mínimo do trabalhador brasileiro deveria ter sido de
R$ 1.971,55 em setembro para suprir as necessidades básicas e da família,
de acordo com estudo divulgado nesta quinta-feira (2) pelo Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A constatação
foi feita por meio da utilização da Pesquisa Nacional da Cesta
Básica do mês passado, realizada pela instituição
em 16 capitais do País.
Com base no maior valor apurado
para a cesta no período, de R$ 234,68, em São Paulo, e
levando em consideração o preceito constitucional que estabelece
que o salário mínimo deve ser suficiente para garantir
as despesas familiares com alimentação, moradia, saúde,
transportes, educação, vestuário, higiene, lazer
e previdência, o Dieese calculou que o mínimo deveria ser
4,75 vezes maior que o piso vigente, de R$ 415,00. Em agosto, o valor
do salário mínimo necessário era maior, de R$ 2.025,99,
e correspondia a 4,88 vezes o mínimo em vigor. Em setembro de
2007 o mínimo necessário foi estimado em R$ 1.737,16 e
correspondia a 4,57 vezes o mínimo oficial (R$ 380,00).
Segundo o Dieese, a retração
verificada nos preços dos produtos básicos na maioria
das capitais pesquisadas permitiu que o tempo de trabalho necessário
para a aquisição da cesta diminuísse. Na média
das 16 localidades que fizeram parte do levantamento, o trabalhador
que ganha salário mínimo necessitou cumprir uma jornada
de 106 horas e 21 minutos, contra 110 horas e 12 minutos exigido para
a mesma compra, em agosto. Em setembro de 2007, o trabalhador remunerado
pelo salário mínimo precisava cumprir uma jornada de
98 horas e 41 minutos, para adquirir os mesmos bens.
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GAZETA DO POVO, 03 de outubro
de 2008 | Economia
IBGE
Produção industrial
cai 1,3% em agosto ante julho
Com o resultado, até agosto, a
produção industrial acumula alta de 6% no ano e
de 6,5% nos últimos 12 meses
A produção industrial
brasileira caiu 1,3% em agosto ante julho, na série com ajuste
sazonal, informou nesta quinta-feira (02) o IBGE. Na comparação
com agosto do ano passado, a produção cresceu 2%.
Com o resultado, até agosto,
a produção industrial acumula alta de 6% no ano e de 6,5%
nos últimos 12 meses.
Segundo o IBGE, os dados de
agosto foram afetados pelo efeito calendário. Além disso,
o instituto revisou a produção de julho, que subiu 1,4%
na comparação com junho, ante informação
anterior de alta de 1%. Na comparação com julho de 2007,
o dado foi revisado para 8,8%, de 8,5%.
Tendência
O índice de média
móvel trimestral da indústria, que é considerado
o principal indicador de tendência, mostrou aumento de 1% no
trimestre encerrado em agosto, ante o terminado em julho, segundo o
IBGE.
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AGÊNCIA DIAP, 03 de
outubro de 2008
MOVIMENTO SINDICAL
5ª marcha vai denunciar a política
de juros altos
As centrais sindicais irão
combater a política de juros altos durante a 5ª Marcha à Brasília,
a ser realizada na primeira semana de dezembro deste ano. A elevação
dos juros, no entendimento das centrais sindicais, é o principal
entrave para o desenvolvimento econômico e a geração
de empregos e renda no País.
Além deste tema, as centrais
pretendem debater a ratificação das convenções
da OIT que tratam do direito à negociação coletiva
no serviço público (151), a que coíbe a dispensa
imotivada (158).
A redução da jornada
de trabalho, a luta pelo fim do fator previdenciário e pela reforma
agrária, salário igual entre homens e mulheres para trabalho
igual, defesa do piso nacional do magistério, contra as fundações
de direito privado, correção da tabela do imposto de renda
e defesa das reservas do pré-sal, são bandeiras que também
estarão na agenda da marcha deste ano.
As marchas das entidades
sindicais vêm se tornando tradicional na agenda política
da Capital Federal. Nas edições anteriores, o movimento
sindical conquistou importantes avanços na agenda do mundo do
trabalho, tais como a política de recuperação
e valorização do salário mínimo, atualização
da tabela do IR, aprovação da lei que regulamenta o funcionamento
das centrais sindicais, entre outros.
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AGÊNCIA DIAP, 03 de outubro de 2008
EMPREGO DE JOVENS
Governo monta agenda de trabalho decente
para juventude
O anúncio foi feito durante
reunião do Conselho Nacional da Juventude (Conjuve) realizada
no Palácio do Planalto, no dia 19 de agosto, que contou com a
presença da diretora do escritório da Organização
Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, Laís Abramo, e da Coordenadora
Nacional do projeto da OIT de Promoção do Emprego de Jovens
na América Latina (Prejal), Karina Andrade.
Os ministros Luiz Dulci, da Secretaria-Geral
da Presidência, e Carlos Lupi, do Trabalho e Emprego, informaram
que a comissão terá como objetivo principal definir as
prioridades para o desenvolvimento de políticas, programas e projetos
voltados para o tema, com consulta a organizações de trabalhadores
e empregadores.
A OIT, representada por seu projeto
Prejal, deverá prestar assistência técnica ao grupo,
cumprindo o estabelecido no Memorando de Entendimento assinado com o
governo brasileiro em junho de 2003. “Este é um passo muito
importante no objetivo de avançarmos em uma política de
inclusão social e garantir direitos para todos os jovens”,
disse Laís Abramo.
A Diretora da OIT/Brasil lembrou
que a iniciativa poderá se tornar a primeira agenda nacional de
trabalho decente para a juventude entre todos os países-membros
da OIT que participaram da 16ª Reunião Regional Latino-Americana,
realizada em Brasília, em maio de 2006, quando o tema do emprego
para jovens constou da agenda da reunião. Naquela ocasião,
os participantes da Reunião Regional Latino-Americana concordaram
com a meta de reduzir pela metade o número de jovens que não
estudam e trabalham até 2015.
“A OIT contribui com os
atores nacionais para a construção política dessa
agenda. Não é uma tarefa fácil, mas um passo muito
importante neste sentido”, declarou Laís Abramo.
A Comissão será composta
por representantes da Secretaria-Geral da Presidência da República,
do Conselho Nacional de Juventude; dos Ministérios do Trabalho
e Emprego (MTE); Educação (MEC); Desenvolvimento Social
e Combate à Fome (MDS); Desenvolvimento Agrário (MDA);
do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente
(Conanda); da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres;
da Secretaria Especial de Políticas de Promoção
da Igualdade Racial e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(Ipea). Também organizará consultas às organizações
de trabalhadores e empregadores sobre as propostas elaboradas.
Segundo o ministro Luiz
Dulci, o grupo deve apresentar propostas concretas que serão
executadas pelo governo federal e serão disponibilizadas aos
governos estaduais e municipais. O ministro lembrou que essa é uma
proposta anterior à realização da Conferência
Nacional de Juventude, mas que vem atender às demandas apresentadas
no encontro pelos jovens, que apontaram o trabalho decente como uma
das prioridades da juventude brasileira. (Fonte: OIT)
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AGÊNCIA DIAP, 03 de outubro de 2008
LUTA UNITÁRIA
Centrais irão às ruas
em jornada pelo trabalho decente
Em reunião realizada na
sede nacional da CUT, na última quarta-feira (1º), todas
as centrais sindicais brasileiras decidiram voltar às ruas unidas
no próximo dia 10, na Jornada Mundial pelo Trabalho Decente, convocada
pela Confederação Sindical Internacional (CSI) e pela Confederação
Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA).
Além de unificar o movimento
sindical brasileiro, os atos que ocorrerão nas principais capitais
do País em defesa deste princípio básico da Organização
Internacional do Trabalho (OIT), que significa “trabalho produtivo
para homens e mulheres em condições de liberdade, igualdade,
segurança e dignidade”, também irão somar
as duas centrais sindicais internacionais, a CSI e a Federação
Sindical Mundial (FSM). No Brasil, CUT, Força Sindical e UGT são
filiadas à CSI, enquanto CGTB e CTB são filiadas à FSM.
“A manifestação
resgatará um princípio fundamental da OIT que, em nosso
país, se traduz na defesa da redução da jornada
de trabalho sem redução de salário, ampliação
da oferta do primeiro emprego e de qualificação ao jovem,
garantia de emprego digno com carteira assinada, respeito à organização
sindical - com liberdade e autonomia, combate ao trabalho infantil e
escravo, defesa da Previência pública e universal, igualdade
de direitos para as mulheres e contra todo e qualquer tipo de discriminação”,
declarou João Antonio Felício, secretário de Relações
Internacionais da CUT e vice-presidente regional da CSA.
Segundo João Felício, “a
pressão que estará sendo produzida nas ruas, somando mulheres,
juventudes, negros e todos os segmentos, é para que o crescimento
da economia brasileira se materialize em desenvolvimento social, com
ampliação de conquistas que representem melhor qualidade
de trabalho e de vida para quem gera a riqueza e a pujança da
nação”.
Para Denise Motta Dau, secretária
nacional de Organização da CUT, entre as bandeiras principais
da Jornada encontram-se a ratificação das Convenções
da OIT, a 151 – que garante o direito à negociação
coletiva no seviço público – e a 158 – que
coíbe a demissão imotivada.
“São medidas que
apesar do governo brasileiro ter enviado ao Congresso Nacional no mês
de fevereiro, ainda não foram ratificadas e é fundamental
que o movimento sindical amplie apoios na sociedade para torná-las
realidade”, acrescentou.
Terceirização
Denise sublinhou também
a importância da luta contra a terceirização e a
precarização, por respeito à organização
sindical, contra o trabalho infantil e escravo, por igualdade de direitos
para as mulheres e pela valorização dos serviços
e dos servidores como reivindicações que dialogam com o
dia-a-dia dos trabalhadores e trabalhadoras.
Para o representante da Força
Sindical na reunião, Ortelio Palacio, “o momento é de
unidade e mobilização das centrais brasileiras e internacionais,
pois a implementação da agenda nacional do trabalho decente
necessitará de muita pressão”. Ortelio enfatizou
o empenho dos forcistas nesta reta final, “para termos uma manifestação
pujante”.
União
O representante da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Wagner José de
Souza, destacou a importância de envolver o conjunto das centrais em
todos os estados, para que a Jornada cumpra com o seu papel de levar aos mais
distantes rincões do País o clamor da classe. “Precisamos
envolver a todos, sem exceção, fazendo com que o trabalhador
seja ouvido em suas reivindicações”, frisou.
A secretária de Relações
Internacionais da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Maria
Pimentel, defendeu que é preciso resgatar os inúmeros avanços
conquistados no último período e a necessidade de pressionar
para que a legislação seja cumprida, “garantindo
a ampliação das carteiras assinadas e o fortalecimento
da Seguridade Social e da Previdência Pública”. “Ao
somar também as centrais sindicais internacionais, a mobilização
aponta para novas lutas e vitórias em nosso continente, que precisa
desta unidade”, ressaltou.
Em nome da executiva nacional
da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Gilda Almeida
declarou que a luta unitária contribuirá de forma decisiva
para garantir que seja cumprida a atual legislação e penalizados
os que a desrespeitam. “Os empresários têm que obedecer
a lei e o Estado tem o dever de fiscalizar, para acabarmos de vez com
mazelas como o trabalho infantil e escravo”, disse Gilda, sublinhando
que a unidade FSM e CSI “descortina um horizonte de vitórias
para a classe operária internacional”.
Na capital paulista, o
ato foi convocado para as 10 horas do dia 10, na Praça Ramos,
de onde os manifestantes sairão em passeata até a Delegacia
Regional do Trabalho. (Fonte: CUT)
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AGÊNCIA DIAP, 03 de outubro de 2008
ALIMENTAÇÃO
Custo da cesta básica cai em
14 capitais, informa Dieese
O valor médio do conjunto
de produtos que compõem a cesta básica caiu em setembro
em 14 das 16 capitais onde é realizada a pesquisa mensal do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Houve aumento apenas em Florianópolis (2,04%), que apresentou
o terceiro valor (R$ 223,47), e no Rio de Janeiro (0,42%), com a cesta
passando para R$ 215,58.
De acordo com o Dieese, embora
tenha ocorrido redução, o ritmo foi menor do que o do mês
anterior, quando as quedas ultrapassaram a 10%.
Em Porto Alegre, o valor ficou
em R$ 232,16, 3,73% abaixo do de agosto, revertendo a condição
da capital gaúcha de registrar a cesta mais cara. O valor mais
elevado passou a ser o apurado na capital paulista (R$ 234,68), onde
houve diminuição de 2,68%. Desde janeiro, no entanto, a
cesta do paulistano aumentou 9,34%.
As cestas com menor custo foram
as de Recife, que ficou em R$ 167,76, com queda de 4,73%, e Fortaleza,
que foi de R$ 169,67, com recuo de 4,88%. Na variação acumulada
desde janeiro, correções superiores a 10% só ocorreram
em cinco capitais: Florianópolis (17,10%), Rio de Janeiro (10,86%),
João Pessoa (14,66%), Brasília (14,39%) e Curitiba (16,49%).
Nos últimos 12 meses,
as variações permanecem elevadas em todas as capitais.
As maiores variações apuradas são de Brasília
(25,18%), Goiânia (24,49%), Curitiba (23,49%), João Pessoa
(22,94%) e Belo Horizonte (22,37%). As menores taxas foram encontradas
em Aracaju (12,03%), Porto Alegre (12,27%) e Natal (12,60%).
O comprometimento do salário
na compra da cesta básica foi reduzido de 54,45% para 52,54%,
mas ainda supera o de setembro do ano passado, que foi de 48,41%.
Houve queda de preço na
maioria dos produtos pesquisados, com exceção da manteiga
e da carne, que subiram em nove capitais. Em Florianópolis, a
carne estava sendo encontrada com reajuste de 8,85%; em Aracaju, de 6,87%;
e no Rio de Janeiro, de 6,41%. Houve recuo em sete capitais, com destaques
para Belém (-5,08%), Salvador (-2,99%) e Goiânia (-2,66%).
Segundo o Dieese, com a entrada
do período chuvoso, a oferta de carne deve aumentar, permitindo
maiores chances de uma redução no preço. Já a
manteiga subiu em 10 capitais – a maior elevação
foi em Vitória (10,61%), bem acima da segunda maior alta, detectada
em Natal (3,67%).
A queda mais acentuada
entre todos os produtos foi do óleo de soja, cujo preço
caiu em todas as capitais. As maiores quedas foram em Aracaju (-12,66%),
Curitiba (-12,50%) e Salvador (-11,18%). Sobre setembro do ano passado,
no entanto, o valor subiu em todas as capitais. Já o preço
do pão recuou em 14 capitais; o do tomate em 13; o do arroz
em 13; o do feijão em 11; e o da batata em nove. (Fonte: Agência
Brasil)
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GAZETA DO POVO, 03 de outubro
de 2008 | Economia
Trabalho
Desemprego no mundo deve aumentar, prevê OIT
A Organização Internacional
do Trabalho (OIT) alerta que o desemprego no mundo deve sofrer uma "alta
considerável" em 2008 em decorrência da crise financeira
que já está se traduzindo em uma desaceleração
da economia. Antes mesmo das turbulências de setembro, a entidade
já previa que 5 milhões de novos desempregados seriam somados à população
que não tem emprego no mundo.
" Precisamos estar preocupado
com impacto nas pessoas pobres e pequenas empresas. A crise mostra que
estamos vivendo em uma sociedade que não é sustentável.
Temos de agir de forma preventiva. Mas o certo é que o desemprego
vai certamente subir este ano no mundo", afirmou Juan Somavia, diretor
da OIT.
"Não podemos apenas
salvar grandes bancos. Precisamos ter linhas de crédito para pequenas
empresas que vão sofrer e já estão sem acesso a
empréstimos", defendeu Somavia, que irá reforçar
esses pontos no encontro do Fundo Monetário Internacional (FMI)
e Banco Mundial em duas semanas, em Washington.
"Temos de nos perguntar
porque tudo isso ocorreu. A economia global está fora de lugar
e vamos precisar de uma nova arquitetura internacional, com um novo
papel para FMI e bancos centrais", disse. "O pior é que
já dissemos tudo isso antes, nos anos 90 quando houve a crise
na Ásia. E ninguém fez nada", completou Somavia.
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CONGRESSO EM FOCO, 03 de
outubro de 2008
Maioria fora do segundo turno
De acordo com as últimas pesquisas,
só 14 dos 37 deputados ou senadores candidatos a prefeito
nas capitais têm percentual para avançar neste domingo
Renata Camargo
Na reta final da campanha para
o primeiro turno das eleições municipais deste ano,
as últimas pesquisas indicam que menos da metade dos parlamentares
que concorrem a prefeito chegará ao segundo turno. Dos 37
que estão na disputa, 23 (62% deles) não têm
hoje percentuais de intenção de voto suficientes para
avançar. Apenas 14 congressistas despontam entre os dois primeiros
colocados, segundo as projeções mais recentes.
Isso é o que revela levantamento
feito pelo Congresso em Foco a partir das últimas pesquisas realizadas
pelos institutos Ibope e Datafolha nas 26 capitais brasileiras. Nas 19
capitais em que há parlamentares candidatos a prefeito, dez caminham
para um segundo turno com presença de deputado ou senador: Aracaju
(SE), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Natal (RN), Porto Alegre (RS),
Porto Velho (RO), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA)
e São Luis (MA).
Já em Boa Vista (RR),
Cuiabá (MT), Goiânia (GO), Macapá (AP), Manaus (AM),
Palmas (TO), Recife (PE), São Paulo (SP) e Teresina (PI) os parlamentares
aparecem com baixos índices de intenção de voto.
Confira
as pesquisas Ibope e Datafolha nas capitais
Turno único
Nas capitais onde há deputado
ou senador na disputa, quatro devem ter o resultado conhecido já no
domingo, a julgar pelas pesquisas. Todas com vitória dos atuais
prefeitos. Em duas delas, Palmas e Boa Vista, não haverá segundo
turno porque a legislação eleitoral só admite nova
rodada de votação nos municípios com mais de 200
mil eleitores. É o caso de 24 capitais e outras 53 cidades brasileiras,
onde a eleição somente será decidida em primeiro
turno se algum dos candidatos obtiver mais de 50% dos votos válidos.
Em Goiânia, o atual prefeito Íris
Rezende (PMDB), de acordo com o Ibope, tem percentuais suficientes para
se reeleger neste domingo. Ainda segundo as projeções,
o prefeito de Teresina, Silvio Mendes (PSDB), também tem grandes
chances de renovar o mandato em primeiro turno.
A maioria dos 20 prefeitos que
tentam a reeleição, aliás, despontam nas pesquisas
do Ibope e do Datafolha. Apenas Gilberto Kassab (DEM), em São
Paulo, e Serafim Correa (PSB), em Manaus, não lideram a disputa.
Ao contrário do paulistano, Serafim aparece fora, inclusive, das
projeções para o segundo turno.
Governistas na frente
Dos parlamentares favoritos para
prosseguir na disputa nas capitais, 11 fazem parte da base aliada do
governo Lula e apenas três são da oposição.
Dos partidos governistas, PT e PCdoB são, em princípio,
os que podem emplacar mais nomes no segundo turno. Às vésperas
da votação, o partido do presidente Lula aposta suas fichas
nas deputadas Fátima Bezerra, em Natal (RN), e Maria do Rosário,
em Porto Alegre (RS), e no deputado Walter Pinheiro, em Salvador (BA).
Rosário disputa com a
deputada Manuela D’Ávila (PCdoB) uma vaga no segundo turno
contra o prefeito José Fogaça (PMDB), que tenta renovar
seu mandato à frente da capital gaúcha e aparece na dianteira
das pesquisas.
Outro comunista com chances de
avançar para o segundo turno é o deputado Flávio
Dino, que concorre à prefeitura de São Luís.
A oposição tem
dois representantes do DEM – ACM Neto, em Salvador (BA), e Mendonça
Prado, em Aracaju (SE) – e o deputado Fernando Gabeira (PV), que,
apesar de ser filiado a um partido da base aliada, se posiciona sistematicamente
contra o governo Lula.
Disputa embolada
Segundo o Datafolha, Gabeira
está empatado tecnicamente com o senador Marcelo Crivella (PRB).
Os dois disputam a vaga com o ex-deputado Eduardo Paes (PMDB) para chegar
ao segundo turno no Rio. Pelo Ibope, porém, a corrida final será entre
Crivella e Paes.
A discrepância de dados
não se restringe à capital fluminense. Em Salvador, as
projeções variam conforme o instituto de pesquisa. O Ibope
traz o deputado ACM Neto (DEM) na liderança, com 28% das intenções
de voto, seguido do atual prefeito, João Henrique (PMDB), e do
deputado petista Walter Pinheiro, ambos com 20% das intenções.
Já na análise do Datafolha, João Henrique lidera
(25%), seguido de ACM (24%) e Pinheiro (22%). Em ambos os casos, há segundo
turno, com empate técnico.
De carona, também podem
chegar ao segundo turno nas capitais três deputados, que concorrem
a vice-prefeito. São eles: Aldo Rebelo (PCdoB-SP), vice de Marta
Suplicy (PT), em São Paulo, Carlos Souza (PP-AM), vice de Amazonino
Mendes (PTB), em Manaus, e Márcio Marinho (PR-BA), vice de ACM
Neto, em Salvador.
Ao todo, 89 parlamentares
concorrem a prefeito ou vice nestas eleições municipais.
Levantamento divulgado em setembro pelo Congresso em Foco revelou que
54 deles têm problemas na Justiça (leia
mais). Outra pesquisa publicada ontem (2) pelo site apontou a situação
judicial de todos os 178 candidatos a prefeito nas 26 capitais brasileiras.
Há pendências judiciais contra 86 deles (confira).
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FOLHA DE SÃO SAULO,
03 de outubro de 2008 | Brasil
ELEIÇÕES 2008 / SÃO BERNARDO
DO CAMPO
Marinho troca PT municipal por
sindicato
Para evitar que divergências do
partido atrapalhassem sua candidatura, petista colocou sindicalistas
no comando da campanha | Em sua decisão, ex-ministro considerou
organização dos dirigentes sindicais; PT de São
Bernardo sempre foi caracterizado pela desunião
ADRIANO CEOLIN
EM SÃO BERNARDO DO CAMPO (SP)
O candidato a prefeito de
São Bernardo do Campo pelo PT, Luiz Marinho, apostou em companheiros
do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para comandar sua campanha,
em vez de integrantes do diretório municipal do partido. Símbolo
do sindicalismo de resultados, Marinho quis evitar que as divergências
internas petistas atrapalhassem os rumos pragmáticos que traçou.
Para o cargo de coordenador-geral, Marinho escalou Tarcísio Secoli,
sindicalista formado em economia que nunca comandara uma campanha. Ele não
faz parte do diretório do PT, mas sempre ocupou postos de destaque no
sindicato. O último foi o de diretor-administrativo da entidade, presidida
por Marinho por dois mandatos.
Na campanha, Secoli centraliza as decisões. Reserva tempo para atender
desde candidatos a vereador a empresários. Além disso, tem linha
direta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foi Secoli que ajudou
a convencer Lula a visitar cidades como Mauá e São José dos
Campos, que, antes, não estavam na agenda do presidente.
Outro homem forte é Carlos Alberto Grana. Dirigente da CUT (Central Única
dos Trabalhadores), tem origem no sindicato. Apesar de atuar na campanha, é do
PT de Santo André.
Um dos problemas do PT em São Bernardo foi nunca ter conseguido se unir.
Neste aspecto, o poder de organização dos dirigentes sindicais
acabou sendo decisivo. "[Secoli] se destacou como organizador no sindicato",
diz Grana.
O diretório do PT de São Bernardo sempre foi marcado pela desunião.
Quando esteve no poder em 1988, diferentes grupos se digladiaram. O então
prefeito Maurício Soares e o vice Djalma Bom tinham péssima relação.
Em 1992, Djalma perdeu a eleição, Soares deixou o partido e o
PT não foi mais o mesmo. Nas últimas três eleições,
nem sequer chegou ao segundo turno. Em 2000 e 2004, o candidato foi o deputado
federal Vicentinho (PT).
Ex-deputado estadual e com participação em todas as campanhas
do PT em São Bernardo, o advogado Estevam Soares diz que a vantagem
de Marinho é não pertencer a corrente alguma. "É essencialmente
ligado ao sindicato. E, em São Bernardo, o sindicato é mais forte
que o partido", afirma.
Dividido internamente, o PT nunca conseguiu formar um leque grande de alianças.
Em 2004, Vicentinho contou com quatro partidos. Marinho conta com 11.
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FOLHA DE SÃO SAULO, 03 de outubro
de 2008 | Brasil
ABC
Crescimento da economia
nos últimos anos fortaleceu sindicatos
O bom momento das entidades se refletiu no desempenho dos candidatos apoiados
pelo movimento sindical nestas eleições. Marinho, candidato a
prefeito de São Bernardo, é um dos maiores beneficiados. De 2003
para cá, o número de metalúrgicos empregados no ABC subiu
de 70 mil para 99,7 mil, de acordo com pesquisa do Dieese divulgada neste ano.
O nível de escolaridade da classe também aumentou.
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GAZETA DO POVO, 03 de outubro
de 2008 | Economia
Previdência
Total de contribuintes ao INSS alcançou
40 milhões em 2007
O aumento do número de contribuintes
foi de 11,7% se comparado ao de 2005, que era de 35,9 milhões
O número de contribuintes
para a Previdência Social subiu para 40,1 milhões em 2007,
contra 37,4 milhões no ano anterior. Os dados dizem respeito aos
trabalhadores com carteira assinada e fazem parte do Anuário Estatístico
da Previdência Social de 2007 divulgado hoje pelo ministro da Previdência
Social, José Pimentel. O aumento do número de contribuintes
foi de 11,7% se comparado ao de 2005, que era de 35,9 milhões.
O universo de contribuintes sobe
para 51,2 milhões se forem consideradas as pessoas que pagam individualmente
o INSS, como os profissionais liberais.
O estudo mostrou que a maioria
dos empregados (67,6%) que contribuem ao INSS está na faixa de
renda entre um e dois salários mínimos (de R$ 415,00 a
R$ 830,00). O ministro destacou que apesar de a participação
das mulheres ter aumentado nos últimos anos, elas ainda são
minoria entre os contribuintes. Em 2007, as mulheres representavam 36%
do total e os homens, cerca de 60%.
O alto índice de informalidade
entre os trabalhadores domésticos cuja grande maioria é formada
por mulheres, tem contribuído para esse quadro. O ministro citou
números da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
(PNAD), que revelam que dos 7 milhões de empregados domésticos,
5,3 milhões não têm direito à Previdência.
Pimentel destacou ainda o aumento
do número de trabalhadores que pagam as 12 parcelas anuais do
INSS. Esse crescimento foi de 19 4% em 2007, chegando a 17,35 milhões
de pessoas. "Isso mostra uma maior regularidade na contribuição",
afirmou o secretário de Previdência Social, Helmut Schwarzer.
Mas ainda há cerca de 23 milhões que deixam de contribuir
em algum mês.
Jovens e experientes
O Anuário Estatístico
da Previdência Social de 2007 registrou um aumento de 20% do grupo
mais jovem (até 19 anos) e de cerca de 10% do segmento entre 50
anos e 59 anos no total de contribuintes empregados. "Quando a economia
está crescendo, o primeiro emprego vem junto", disse o ministro.
Segundo Pimentel, as micro e
pequenas empresas são as que mais contratam jovens, enquanto as
maiores companhias precisam de mão-de-obra especializada. Apesar
do avanço desses dois segmentos, o grupo de 20 a 40 anos ainda é o
mais numeroso, com 30 milhões de contribuintes
Os novos benefícios
concedidos pela Previdência Social, em 2007, se mantiveram no
mesmo patamar dos dois anos anteriores, em cerca de 4 milhões.
A predominância dos novos benefícios permanece na área
urbana, com aproximadamente 75% do total. O anuário revela que
mais da metade (51,8%) dos benefícios concedidos em 2007 são
auxílios, principalmente no caso de doenças; 25,35% são
aposentados; e 10,11% pensão por morte. Esses novos benefícios
também se concentram na faixa de um e dois salários mínimos.
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AGÊNCIA DIAP, 03 de outubro de 2008
HORA DE DESCANSO
Intervalo de motorista não pode
ser reduzido, diz TST
Intervalo intrajornada de motorista
de transporte coletivo não pode ser reduzido. O entendimento é da
2ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho. A Turma manteve a decisão
do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (Minas Gerais),
que condenou a Empresa Valadarense de Transportes Coletivos por fracionar
o intervalo intrajornada de um motorista.
A empresa alegou ter sido condenada
indevidamente porque a decisão regional desconsiderou a existência
de cláusulas válidas de um acordo coletivo firmado com
a categoria dos motoristas, dentre elas a que permitiu o fracionamento
do intervalo intrajornada. O TRT mineiro considerou que nenhuma norma
coletiva pode determinar o fracionamento do referido intervalo, uma vez
que fere "norma que visa à preservação da saúde
do trabalhador".
O relator do recurso da empresa
na 2ª Turma do TST, ministro Renato de Lacerda Paiva, considerou
correta a decisão e esclareceu que não se justifica o argumento
da empresa, de não haver prova de que a saúde do motorista
tenha sido comprometida em virtude da redução no seu intervalo
intrajornada. "Nas hipóteses de desrespeito às normas
de higiene e segurança do trabalhador, o prejuízo é presumido,
dispensando a efetiva comprovação do dano" afirmou
o relator.
Admitido em julho de 2002, o
motorista foi dispensado por justa causa dois anos depois sob a alegação
de não ter desempenhado adequadamente as suas funções.
De acordo com as justificativas da empresa, só no último
ano de trabalho ele recebeu dez advertências e suspensões
por motivos diversos. No entanto, o TRT de Minas Gerais afirmou que a
empresa não conseguiu comprovar que o empregado tenha cometido
as faltas que ensejaram sua dispensa por justa causa, com fundamento
em 'desídia' e 'ato de indisciplina ou de insubordinação'.
O relator no TST afirmou
que, de qualquer modo, não caberia a dispensa motivada com fundamento
em faltas anteriores, sequer comprovadas no presente caso, em razão
do princípio da imediaticidade e da impossibilidade de dupla
punição. Concluiu que o Tribunal Regional decidiu em
conformidade com os dispositivos que disciplinam a distribuição
do ônus da prova — os artigos 818 da CLT e 333 do Código
de Processo Civil.
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AGÊNCIA DIAP, 03 de
outubro de 2008
FALTA DE INTERVALO
Multa pode ser aplicada duas vezes,
decide STJ
Empresa pode ser multada duas
vezes por não conceder intervalo na jornada de trabalho. O
entendimento é da 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça,
para acolher recurso da Fazenda Nacional sobre aplicação
multa trabalhista contra a Cima Engenharia e Empreendimentos. A Turma
seguiu integralmente o voto do relator, ministro Castro Meira.
A Fazenda entrou com recurso
no STJ contra a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região
que decidiu haver punição bis in idem (duas vezes sobre
o mesmo fato) em multas aplicadas contra a Cima Engenharia. Em 1997,
a empresa desrespeitou o artigo 71 da CLT. Foi autuada duas vezes. O
artigo determina que haja intervalo mínimo de uma hora se a jornada
de trabalho se estende por mais de seis horas diárias.
O fiscal do trabalho considerou
que a empresa não concedia o intervalo mínimo de uma hora
e sequer o próprio intervalo, aplicando uma multa para cada situação.
O TRF entendeu que a CLT não faz essa distinção
e que a aplicação das duas multas seria bis in idem. Por
isso, ordenou a aplicação de apenas uma delas.
No recurso ao STJ, a Fazenda
alegou que o parágrafo 4º do artigo 71 da CLT previa punições
diferentes para os fatos e que, se aplicados conjuntamente, deveriam
juntar duas autuações distintas. Também apontou
que o fiscal do trabalho fez uma análise dos cartões de
ponto e constatou que vários trabalhadores teriam um intervalo
reduzido e outros simplesmente não tinham o benefício.
Castro Meira considerou
que as multas tiveram fatos geradores diferentes. Para o ministro,
se a CLT fez a previsão de delitos diferenciados para questão,
haveria a possibilidade de aplicação de duas multas.
Além disso, o fiscal constatou as duas situações
(intervalo reduzido e ausência de intervalo) na empresa. Com
essa fundamentação, o ministro decidiu que a Fazenda
poderia aplicar as duas multas. (Fonte: Conjur)
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AGÊNCIA DIAP, 03 de outubro de 2008
SAÚDE PÚBLICA
Dentista receberá intervalos
não descansados como extras
O intervalo de 10 minutos a cada
90 minutos trabalhados de um dentista não preserva só a
sua integridade física e mental, mas sim a saúde pública,
que repercute de forma direta na população que precisa
de atendimento consciente e cauteloso desse profissional.
O entendimento foi aplicado pela
2ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho. Os ministros mantiveram
decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região
(RS) e condenaram o Hospital Nossa Senhora da Conceição,
de Porto Alegre, a pagar os períodos não descansados de
uma dentista como se fossem horas extras.
O hospital alegava que a falta
de observação do período de descanso era apenas
uma irregularidade administrativa, mas a 2ª Turma entendeu que era
devido, sim, o pagamento como se fosse hora extra, com acréscimo
de 100% e natureza salarial.
Contratada como odontóloga,
a autora tinha direito assegurado pela Lei 3.999/1961, que rege a jornada
de trabalho de médicos e dentistas, ao intervalo de 10 minutos
a cada 90 minutos trabalhados. No pedido, porém, a dentista informou
que em diversas oportunidades trabalhou das 20h às 8h do dia seguinte
sem usufruir desses intervalos nem os de uma hora, descanso previsto
para jornadas superiores a seis horas. O hospital se defendeu dizendo
que os intervalos foram concedidos, mas a dentista e testemunhas afirmaram
o contrário.
Na primeira instância,
a 8ª Vara do Trabalho de Porto Alegre (RS) acolheu o pedido. Julgou
justo o pedido de horas extraordinárias, com 50% a mais, porém
sem repercussões, por entender que o pagamento tinha caráter
apenas sancionatório, sem natureza salarial. A dentista recorreu
ao Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS), que condenou
o hospital a pagar os 100% adicionais, mais as repercussões.
O TRT-4 considerou que, apesar
de não haver necessidade de registrar os intervalos no cartão
de ponto, nos termos da Portaria 3.082/84, não havia nos registros
eletrônicos a pré-assinalação, cabendo, então,
ao hospital o ônus de comprovar que a autora gozava dos intervalos,
tarefa da qual, entretanto, não se desincumbiu. Além do
mais, duas testemunhas confirmaram a versão da odontóloga.
No Recurso de Revista ajuizado
no TST, o hospital insistiu na argumentação de que se
tratava apenas de irregularidade administrativa, sem qualquer penalidade.
Os argumentos não foram aceitos. O relator, ministro José Simpliciano
Fernandes, negou o recurso. Ele foi seguido pelos demais ministros
da 2ª Turma.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
03/10/2008
TRT/MG deve reexaminar licitude de terceirização
de motoboys de drogaria
A repercussão na realidade
social da decisão a respeito da terceirização do
serviço de entrega domiciliar de uma farmácia mineira.
Com essa preocupação, a Terceira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho anulou acórdão regional para que o Tribunal
Regional do Trabalho da 3ª Região faça um exame pormenorizado
de fatos e provas a respeito da contratação de uma cooperativa
de motoboys pela Drogaria Araújo S.A., de Belo Horizonte.
Cooperados ou empregados? No
julgamento de ação civil pública movida pelo Ministério
Público do Trabalho, a Justiça do Trabalho de Minas Gerais
decidiu que a terceirização da entrega domiciliar da Drogaria
Araújo era lícita, pois, embora previstos no estatuto social
da empresa, na prática esses serviços não poderiam
ser considerados parte de sua atividade-fim. De acordo com o Regional,
a atividade de entrega 24 horas não é um serviço
específico da finalidade comercial da empresa, mas algo a mais
oferecido ao cliente.
No entanto, para a Terceira Turma
do TST a situação não é tão clara.
Segundo o ministro Carlos Alberto Reis de Paula, presidente da Turma,
por se tratar de ação civil pública, “direcionada,
pois, à defesa de interesses transindividuais, com ampla repercussão
na realidade social, afigura-se imprescindível à exata
compreensão da controvérsia e à formação
do convencimento do julgador que sejam delineadas todas as circunstâncias
fáticas envolvendo o litígio”.
Na ação, o MPT
relata que a Delegacia Regional do Trabalho em Minas Gerais, em inspeção
realizada na drogaria em maio de 2001, identificou 48 motoqueiros contratados
por intermédio da Cooperativa Brasileira de Trabalhos Autônomos
(CBTA). Após entrevistas com empregados da farmácia, cooperados
da CBTA e verificação das condições da prestação
de serviço, a autoridade fiscal, segundo o MPT, constatou que
os cooperados trabalhavam com os pressupostos da relação
de emprego fixados na CLT.
Segundo o relatório, os
serviços são determinados pela drogaria; os cooperados
são obrigados a cumprir seu manual de procedimentos operacionais;
a empresa fornece uniforme com a sua logomarca, treinamento prévio
e de reciclagem; e os cooperados não podem prestar serviços
a outras empresas do mesmo ramo. Diante disso, o MPT acredita que os
motociclistas prestam serviços à drogaria de maneira pessoal,
não eventual, com subordinação e mediante salário,
nos termos dos artigos 2º e 3º da CLT. Por essas razões,
argumenta que os motoboys devem ter suas carteiras de trabalho assinadas
e os direitos sociais consagrados na Constituição garantidos.
Após a decisão
que julgou lícita a terceirização, o Ministério
Público recorreu ao TST, alegando omissão do Tribunal Regional,
que teria deixado de examinar aspectos essenciais ao desfecho da questão.
Para a ministra Rosa Maria Weber, relatora do recurso de revista, os
argumentos do MPT são convincentes, especialmente em relação à omissão
do TRT a respeito do relatório de inspeção da Delegacia
Regional do Trabalho. Segundo a relatora, o documento, procedente “de
agentes públicos competentes para exercer a fiscalização
das relações de trabalho - auditores fiscais do trabalho
- , goza de presunção de veracidade quanto aos fatos nele
descritos”, e podem, inclusive, conduzir ao reconhecimento de que
os motoboys, formalmente cooperados da CBTA, são, na realidade,
empregados da drogaria. Seguindo a relatora, a Terceira Turma determinou
o retorno dos autos ao TRT/MG, a fim de que sane a omissão. (RR
-1528/2001-019-03-00.3)
(Lourdes Tavares)
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03/10/2008
Quarta Turma determina dedução
irrestrita de horas extras já pagas
A dedução de horas
extras pagas a menor do total de horas extras reconhecidas judicialmente
não deve ser limitada pelo critério da competência
mensal, a fim de evitar o enriquecimento sem causa do trabalhador. Com
base neste fundamento – “moralmente indeclinável”,
nas palavras do relator, ministro Barros Levenhagen -, a Quarta Turma
do Tribunal Superior do Trabalho deu provimento a recurso de revista
da Autovesa Veículos Ltda., do Paraná, e determinou a dedução
de todas as horas extras efetivamente pagas a uma ex-empregada da condenação
que lhe foi imposta, relativa à redução pela empresa
do intervalo mínimo intrajornada para repouso e alimentação.
O pedido da empresa de abatimento
total das horas já pagas havia sido rejeitado pelo Tribunal Regional
do Trabalho da 9ª Região (PR), cujo entendimento foi o de
que a dedução deveria ser feita mês a mês.
Para o TRT, eventuais pagamentos excedentes àqueles efetivamente
devidos dentro do mesmo mês seriam “mera liberalidade” do
empregador. “Se em um mês o empregador pagou horas extras
a mais daquelas realizadas, não é porque previu o trabalho
extraordinário nos meses seguintes”, afirmou o acórdão
do TRT/PR. Ao recorrer ao TST, a Autovesa sustentou a tese de que o abatimento
mês a mês favoreceria o enriquecimento ilícito da
trabalhadora, tendo em vista que, se determinadas horas extras não
foram pagas em alguns meses, o pagamento ocorreu nos meses subseqüentes.
Direito e Moral
O ministro Barros Levenhagen
fundamentou seu voto na relação entre o Direito e a Moral – que,
embora possuam características próprias e uma disciplina
não se confunda com a outra, a separação entre as
duas não é absoluta. “Como escreveria Vicente Ráo,
em O Direito e a Vida dos Direitos , a distinção entre
ambas não significa isolamento, nem separação total”,
assinalou, lembrando que o civilista francês Georges Ripert, ao
tratar da influência moral no Direito Francês, ressaltou
que “este problema jurídico é predominante na elaboração
das leis pelo legislador, em sua aplicação pelo juiz e
em sua interpretação pelos doutores”. Por este motivo,
destacou o relator, Ripert acreditava que a regra moral poderia ser igualmente
estudada em sua função normativa, para impedir o emprego
de formas jurídicas para fins moralmente condenáveis – entre
eles “o dever de não acrescer o patrimônio próprio à custa
alheia, dever que é fonte da ação de enriquecimento
sem causa”.
O voto do relator esclareceu
a distinção entre a compensação (prevista
no artigo 368 do Código Civil de 2002) e a mera dedução
de valores. A compensação pressupõe que duas pessoas
sejam, ao mesmo tempo, credor e devedor uma da outra. A dedução é simplesmente
a subtração, do valor integral da dívida, daquilo
que o credor já tenha recebido a menor pelo mesmo título. “Tendo
por norte essa singularidade da dedução, impõe-se
não confundi-la com a compensação, a fim de se sustentar
a tese de que ela o deva ser pelo critério do mês de competência”,
afirmou, ao votar no sentido de que a dedução não
deveria ser feita mês a mês, e sim com base no total de horas
quitadas. “Isso porque pode ocorrer de as horas prestadas num determinado
mês terem sido pagas conjuntamente com outras no mês subseqüente,
de sorte que, a prevalecer o critério da dedução
mês a mês, essas horas não seriam deduzidas da sanção
jurídica”, concluiu. Por unanimidade, a Quarta Turma seguiu
o voto do relator e deu provimento ao recurso. (RR 4710/2005-004-09-00.8).
(Carmem Feijó)
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GABINETE
DO MINISTRO
INSTRUÇÃO NORMATIVA
No- 1, DE 30 DE SETEMBRO DE 2008
Dispõe
sobre a cobrança da contribuição sindical
dos servidores e empregados públicos.
O
MINISTRO DE ESTADO DO TRABALHO E EMPREGO, no uso
das atribuições que lhe confere o art. 87,
II, da Constituição Federal; e
CONSIDERANDO a
competência estabelecida no artigo 610da Consolidação
das Leis do Trabalho - CLT, que permite a este Ministério
a expedição de instruções referentes
ao recolhimento e à forma de distribuição
da contribuição sindical;
CONSIDERANDO a
necessidade de uniformizar o procedimento de recolhimento da
contribuição sindical, prevista nos artigos 578
e seguintes da Consolidação das Leis do Trabalho
- CLT, pela administração pública federal,
estadual e municipal;
CONSIDERANDO que
a exclusão dos servidores estatutários do recolhimento
da contribuição sindical viola o princípio
da isonomia tributária, previsto no art. 150, II da
Constituição Federal de
1988;
CONSIDERANDO que
os acórdãos proferidos nos RMS 217.851, RE 146.733
e RE 180.745 do Supremo Tribunal Federal determinam que "facultada
a formação de sindicatos de servidores públicos
(CF, art. 37, VI), não cabe excluí-los do regime
da contribuição legal compulsória exigível
dos membros da categoria";
CONSIDERANDO que
o Superior Tribunal de Justiça, no mesmo sentido do
Supremo Tribunal Federal, vem dispondo que "A lei que
disciplina a contribuição sindical compulsória
('imposto sindical') é a CLT, nos arts. 578 e seguintes,
a qual é aplicável a todos os trabalhadores de
determinada categoria, inclusive aos servidores públicos",
conforme os acórdãos dos Resp 612.842 e Resp
442.509; e
CONSIDERANDO que
os Tribunais Regionais Federais também vêm aplicando
as normas dos art. 578 e seguintes da CLT aos servidores e
empregados públicos, resolve:
Art.
1º Os órgãos da administração
pública federal, estadual e municipal, direta e indireta,
deverão recolher a contribuição sindical
prevista no art. 578, da CLT, de todos os servidores e empregado
públicos, observado o disposto nos artigos 580 e seguintes
da Consolidação das Leis do Trabalho.
Art.
2º Esta Instrução Normativa entra em vigor
na data de sua publicação.
CARLOS
LUPI
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