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Agência Senado, 4 de outubro de 2008
Constituição que devolveu
democracia ao país completa 20 anos em dia de eleição
"Declaro promulgada. O documento da liberdade, da dignidade,
da democracia, da justiça social do Brasil. Que Deus nos ajude
para que isso se cumpra!". Com essa frase, proferida às
15h50 do dia 5 de outubro de 1988, o deputado Ulysses Guimarães,
presidente da Assembléia Nacional Constituinte, promulgou a
Constituição da República Federativa do Brasil,
concluindo um trabalho de vinte meses iniciado em fevereiro de 1987,
que demandou 9 mil horas de discussão apenas nas sessões
plenárias - um total de 320. Ao todo, foram analisadas 61.020
emendas apresentadas ao texto. Um exaustivo e fundamental trabalho
que tinha como objetivo recolocar o Brasil no caminho democrático.
Por uma feliz coincidência, no mesmo dia em que o país
celebra os 20 anos desse evento histórico, a população
brasileira estará exercendo um dos mais importantes direitos
garantidos pela Constituição de 1988: o de escolher
livremente seus governantes. Neste domingo, dia 5 de outubro de 2008,
em todos os municípios do país, quase 130 milhões
de eleitores estarão elegendo 5.564 prefeitos e 51.748 vereadores.
Há 20 anos, com a nova Carta Magna, as forças políticas
brasileiras procuraram iniciar um novo período na história
republicana do país, rompendo com a legislação
autoritária herdada da ditadura militar e regida até
então pela Constituição de 1967.
- Sem a nova Constituição, o Brasil hoje não
estaria respirando o ar saudável das liberdades públicas
e civis, enfim restauradas, já que a longa era de autoritarismo
e a prolongada fase de transição que lhe sucedeu receberam,
então, o selo que as qualifica como etapas históricas
superadas, para a formação de nossa cidadania - disse
à Agência Senado o ex-deputado Bernardo Cabral, relator-geral
na Constituinte de 1988.
Uma república federativa constituída pela união
indissolúvel dos estados, dos municípios e do Distrito
Federal, sob a égide de um estado democrático de direito
e tendo como fundamentos a soberania, a cidadania, a dignidade humana,
os valores do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político:
este é o país que a Constituição de 1988
procura delinear logo em seu primeiro artigo.
Os direitos do cidadão figuram com destaque no texto constitucional.
No discurso que pronunciou no dia da promulgação, Ulysses
Guimarães lembrou que esses direitos estão expressos
logo no "umbral da Constituição" (artigos
5º e 6º), o que demonstra "a precedência e a
preeminência" do homem na Carta Magna.
Constam do artigo 5º os direitos à vida, à liberdade,
à igualdade, à segurança, à propriedade.
Lá estão também as garantias de igualdade entre
homens e mulheres, de liberdade de expressão, de liberdade
religiosa e a direito de não ser torturado e de não
ser preso injustamente, entre outras garantias. Logo na seqüência,
no artigo 6º, a Constituição assegura a todos os
direitos à educação, à saúde, ao
trabalho, ao lazer, à segurança e à proteção
às mães e às crianças.
Esses direitos orientam as políticas públicas e a elaboração
de novas leis. Além disso, se for necessário, o cidadão
pode recorrer à Justiça para que tais direitos sejam
respeitados.
Diferentemente do que ocorreu em outros momentos importantes da história
brasileira, o processo de elaboração da Constituição
de 1988 contou com grande participação popular. Os parlamentares
constituintes, eleitos por voto direto, receberam 122 emendas populares,
das quais algumas foram apresentadas com mais de um milhão
de assinaturas de apoio. Representantes dos subscritores dessas emendas
puderam defendê-las na tribuna do Plenário da Câmara.
De acordo com Ulysses Guimarães, todos os dias, durante os
trabalhos da Constituinte, cerca de dez mil pessoas, representando
os mais diversos tipos de interesses, procuraram os gabinetes, salões
e comissões do Congresso Nacional para defender seus pontos
de vista.
- Há, portanto, representativo e oxigenado sopro de gente,
de rua, de praça, de favela, de fábrica, de trabalhadores,
de cozinheiros, de menores carentes, de índios, de posseiros,
de empresários, de estudantes, de aposentados, de servidores
civis e militares, atestando a contemporaneidade e autenticidade social
do texto que ora passa a vigorar - disse Ulysses, no discurso de promulgação
da Carta Magna.
Imperfeição
Os próprios constituintes reconheceram, já em 1988,
que a Constituição que entrou em vigor há 20
anos não é perfeita. Tanto é que, no Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias, estava
prevista a realização de uma Revisão Constitucional
no prazo de cinco anos, com o intuito de modificar o que não
tivesse dado certo e melhorar outros pontos. A revisão ocorreu
em 1994 e aprovou apenas seis modificações. Isso não
significa que a Constituição não demandava modificações:
em 20 anos, outras 56 emendas ao texto foram aprovadas. Ao todo, 117
dos 250 artigos da Constituição foram alterados depois
de 1988. Curiosamente, a primeira proposta de emenda à Constituição
(PEC) foi apresentada em 6 de outubro, um dia depois da promulgação,
pelo deputado Amaral Netto, para instituir a pena de morte.
Muitos dos constituintes daquela época ainda hoje entendem
que são necessárias novas mudanças. O ex-senador
Mauro Benevides, que em 1988, como hoje, era deputado e foi vice-presidente
da Assembléia Nacional Constituinte, disse recentemente, em
entrevista à Agência Senado, que o texto constitucional
tinha um "calcanhar-de-aquiles": o instituto da medida provisória
- mecanismo legislativo que já foi modificado por uma Emenda
Constitucional (EC 32/01) e que ainda gera acalorados debates no Congresso
Nacional, sendo tema de propostas de emenda à Constituição
em tramitação. Já o senador Marco Maciel (DEM-PE),
outro constituinte de 1988, disse, em palestra proferida no dia 11
de setembro, no 2º Seminário Internacional Estudos sobre
o Legislativo - 20 anos da Constituição Brasileira,
que é necessário fazer a reforma, mudando o sistema
eleitoral e fortalecendo os partidos políticos.
O senador José Sarney (PMDB-AP), presidente da República
em 1988 e responsável pela convocação da Assembléia
Nacional Constituinte em 1985, é um dos críticos da
Constituição - tanto na época como hoje. Sarney
disse à Agência Senado que o atendimento de várias
reivindicações corporativas tornaram o país ingovernável,
"com um desbalanço entre seu poder e seu dever".
No dia 4 de outubro de 1988, apenas um dia antes da promulgação
da Carta, Sarney ocupou cadeia nacional de rádio e TV para
saudar a conclusão dos trabalhos da Constituinte e assegurar
sua lealdade ao novo texto.
- Eu a critiquei, mas sempre com espírito público,
na fase de elaboração. Amanhã, ela será
lei. Serei o seu maior servidor. Eu a convoquei. Serei o primeiro
a jurá-la. Lutarei pelo seu êxito... E desejo que a nova
Constituição assegure ao Brasil anos de paz, de avanços,
de prosperidade, de compreensão e de senso do dever - disse
o então presidente da República.
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Agência Diap, 4 de
outubro de 2008
Planalto pressiona BC para interromper
alta da Taxa Selic
Lula quer Copom mais ousado frente ao
desaquecimento da economia
Com os reflexos no Brasil da crise financeira americana, o Palácio
do Planalto iniciou, nos últimos dias, uma pressão ao
Banco Central (BC) para que seja interrompida a trajetória
de alta dos juros na próxima reunião do Comitê
de Política Monetária (Copom), que acontecerá
no fim deste mês. Segundo interlocutores, o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva está convencido que o Copom precisa
ser mais ousado na sua decisão quanto à Taxa Selic,
tendo em vista o cenário de desaquecimento da economia brasileira
em 2009.
Na avaliação de um ministro ligado ao presidente da
República, a turbulência econômica mundial pode
trazer uma espécie de "benefício indireto".
Isto porque a possibilidade cada vez maior de redução
no ritmo de crescimento influencia diretamente a diminuição
da pressão inflacionária. O presidente Lula já
deixou claro em conversas reservadas que deseja que o Copom leve em
consideração esse novo cenário internacional
na sua próxima reunião.
Encontro reservado
Ontem, o presidente do BC, Henrique Meirelles, esteve no Palácio
do Planalto para um encontro reservado com Lula e o ministro da Fazenda,
Guido Mantega. Oficialmente, o BC evitou falar sobre a reunião.
Mas um auxiliar direto de Lula chegou a afirmar que o presidente está
convencido que, diferentemente da tendência original de se reduzir
o nível de expansão dos juros, de 0,75 ponto percentual
nas duas últimas reuniões para 0,5 ponto, já
há condições de o BC ser mais radical.
A última decisão do Copom de elevação
dos juros em 0,75 ponto percentual, em 10 de setembro, foi avaliada
pelo Planalto como extremamente conservadora, o que se refletiu no
próprio comitê, com uma clara divisão. Para o
próprio Meirelles, Lula chegou a demonstrar contrariedade.
No núcleo do governo, a avaliação é que
o Copom ficou refém da divulgação da sua ata
anterior, sem levar em consideração os fatos recentes
da economia, como os sinais de deflação. O grande temor
é que, agora, aconteça o mesmo. Por isso, o Planalto
começa a fazer uma ação preventiva.
Inverter política monetária
Dentro do governo, integrantes da própria equipe econômica
concordam com essa impressão do Palácio do Planalto.
De acordo com uma fonte de alto escalão, "a política
monetária estava trabalhando para fazer o efeito de contrair
a economia. Se a economia começar a se contrair, provavelmente
a política monetária tem de ser invertida".
Sempre que possível, o presidente Lula tem reconhecido o que
classifica de "visão cautelosa" do presidente do
BC, principalmente para conter a inflação. Segundo esse
ministro palaciano, Meirelles teve uma decisão acertada, ainda
em abril, ao começar a elevar a taxa de juros.
Meirelles e exportadores debatem hoje crédito
A preocupação com uma possível redução
dos créditos no país como reflexo da crise internacional
será o tema da reunião de empresários brasileiros
com Meirelles hoje, na sede da embaixada do Brasil, em Buenos Aires.
O pedido do encontro foi feito pelo presidente da Federação
das Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo
Skaf.
Ele está à frente de um grupo de 12 empresários
brasileiros que viajaram à cidade argentina para assistir ao
lançamento do convênio entre os dois países, que
permitirá a importadores e exportadores em suas respectivas
moedas. O convênio foi assinado ontem e Meirelles encontrou-se
com o presidente do BC argentino, Martin Redabro, e a presidente Cristina
Kirchner.
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Agência Diap, 4 de
outubro de 2008
TRANSFERÊNCIA DE RENDA
Codefat propõe mudanças
no abono salarial e PIS/Pasep para evitar rombo
O presidente do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador
(Codefat), Luiz Fernando Emediato, levou ao presidente Luiz Inácio
Lula da Silva proposta de duas reformas constitucionais e dois projetos
de lei que poderão, na opinião dele, ajudar a evitar rombo
de R$ 3,7 bilhões em 2011, decorrente do maior ritmo de crescimento
das despesas em relação ao aumento das receitas.
Emediato calcula que as mudanças propostas por ele podem preservar
R$ 8,7 bilhões por ano no FAT. Ele apóia o fim da incidência
da Desvinculação das Receitas da União (DRU) na
arrecadação das contribuições do PIS/Pasep,
principal fonte de recursos do FAT. Também sugere que o pagamento
do abono salarial - espécie de décimo-quarto salário
- seja restrito aos trabalhadores que ganham até um salário
mínimo. Atualmente, recebem os que ganham até dois salários
mínimos.
Além da reforma constitucional, o presidente do Codefat quer
que o governo se empenhe no Congresso para a aprovação
de dois projetos de lei. O primeiro deles regulamenta uma norma da
Constituição (parágrafo 4º do artigo 239)
ao elevar a contribuição ao programa do seguro-desemprego
das empresas que tiverem rotatividade de empregados acima da média.
O outro projeto obriga o beneficiário do salário-desemprego
a frequentar curso de qualificação profissional.
Emediato também relacionou no ofício enviado ao presidente
da República sete iniciativas administrativas que estão
em andamento ou em fase de regulamentação. Além
do presidente Lula, o ofício também teve como destinatários
os ministros Guido Mantega (Fazenda), Paulo Bernardo (Planejamento)
e Carlos Lupi (Trabalho). O presidente do Tribunal de Contas da União
(TCU), Walton Alencar Rodrigues, foi notificado.
Segundo a assessoria de Lupi, o documento enviado por Emediato foi
preparado no período de férias do ministro. Por não
conhecer ainda seu conteúdo, não foram feitos comentários,
mas é pública a perspectiva otimista do ministro do
Trabalho quando o assunto é o FAT, o que contrasta com as análises
do TCU e do presidente do Codefat. Em entrevista publicada ontem pelo
jornal "Folha de S.Paulo", Lupi afirmou que "não
faltarão recursos para o financiamento das empresas".
A principal fonte do BNDES é o FAT. Lupi disse ainda que o
FAT ampliou em 10,5% o repasse de recursos para o BNDES neste ano,
elevando para R$ 84,8 bilhões o total do patrimônio do
fundo gerido pela instituição financeira.
Recentemente, o TCU publicou relatório, no qual alertou o
Executivo para a escalada anual de déficits do FAT. A projeção
é de resultado negativo a partir de 2010 e de um pequeno resultado
positivo (R$ 354 milhões, 87% inferior ao estimado para 2008)
em 2009. O ministro André Luís de Carvalho advertiu
o governo para o fato de que, em 2010, vai haver déficit efetivo
e, em 2011, o rombo será de R$ 3,7 bilhões, se nada
for feito. A elevação do salário mínimo
acima da inflação e o aumento do emprego formal e da
rotatividade levaram ao crescimento das despesas do seguro-desemprego.
O TCU verificou que, entre 2003 e 2007, as despesas do FAT cresceram
16,7% ao ano, contra uma velocidade de 13,6% na expansão das
receitas. Em 2003, as despesas com seguro-desemprego foram de R$ 6,6
bilhões, mas no ano passado chegaram a R$ 12,7 bilhões.
A expectativa é de custos de R$ 19,1 bilhões em 2010,
e R$ R$ 21,4 bilhões em 2011. As despesas com abono salarial
também aumentaram bastante. Foram de R$ 1,8 bilhão em
2003, e alcançaram R$ 5 bilhões em 2007. Segundo a projeção
feita pelo tribunal, essas despesas deverão ser de R$ 6,1 bilhões
no fim deste ano e saltarão para R$ 8 bilhões, em 2010,
e R$ 9,2 bilhões, em 2011.
O BNDES consome aproximadamente 32% dos recursos do fundo. No ano
passado, a instituição usou R$ 7,6 bilhões, mas
espera-se que, em 2011, esse valor salte para R$ 12,3 bilhões.
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Agência Diap, 4 de outubro de 2008
IMPONDO REGRAS
Projeto do Governo vai restringir
contrato de terceirizado
Proposta do Ministério do Trabalho
cria prazo de 5 anos para prestação de serviços
Se depender do Ministério do Trabalho, a contratação
de serviços terceirizados por empresas privadas será
dificultada ao máximo - ninguém poderá manter,
por exemplo, contratos do mesmo serviço terceirizado por mais
de cinco anos. Para o governo, se a empresa precisa dessa mão-de-obra
por mais tempo, isso significa que a demanda não é por
um serviço temporário, mas sim efetivo e continuado,
que deve ser feito por um trabalhador fixo.
A figura do profissional liberal que abre e registra uma empresa
para prestar serviços, a conhecida “empresa de um funcionário
só”, também não será admitida. As
duas decisões norteiam o anteprojeto de lei que foi encaminhado,
nesta quinta-feira (2), ao Planalto e, em data ainda a definir, será
enviado ao Congresso para regulamentar “a contratação
de serviços terceirizados por pessoas de natureza jurídica
de direito privado”.
“O objetivo é não permitir a precarização
do trabalho. Enquanto eu estiver no comando do ministério,
a ordem é incentivar as contratações diretas
pelas empresas, pelas regras da CLT (Consolidação das
Leis do Trabalho), sem intermediação de nenhuma natureza,
e muito menos pelas empresas-gatos que arregimentam trabalhadores
e não pagam seus direitos”, disse o ministro Carlos Lupi.
Batalha parlamentar
O anteprojeto vai ser analisado pela Advocacia Geral da União
(AGU) e pela Casa Civil do Planalto. Do jeito que a proposta saiu
do Ministério do Trabalho, a tendência é que o
debate no Congresso se transforme numa batalha parlamentar.
Mesmo reconhecendo que muitas empresas precisam contratar serviços
terceirizados para as atividades-meio, esse tipo de contratação
vai se tornar cada vez mais rara porque a proposta chega a estender
os benefícios dos trabalhadores efetivos aos temporários.
“Quem trabalha no mesmo ambiente, não importa se efetivo
ou temporário, deve ter os mesmos benefícios”,
disse Lupi.
Pela proposta do ministério, se no contrato estiver escrito
que os serviços terceirizados serão prestados na sede
da empresa contratante, os trabalhadores temporários deverão
ter “acesso à estrutura disponível a seus empregados,
no que se refere a (benefícios de) saúde, alimentação
e transporte”.
Se os empregados temporários trabalharem na sede da empresa
prestadora dos serviços terceirizados ou qualquer outro local
fora da empresa contratante dessa mão-de-obra, isso também
cria responsabilidades adicionais. A proposta diz que a empresa contratante,
nesses casos, terá de manter o ambiente de trabalho, maquinário
e instalações da empresa terceirizada em condições
adequadas, inclusive quanto às normas de segurança e
saúde no trabalho.
Direitos trabalhistas
O anteprojeto é explícito quanto à responsabilidade
das empresas que contratam serviços terceirizados no pagamento
dos direitos trabalhistas desses empregados. Deixa claro que essas
empresas, inclusive as subsidiárias, serão solidárias
com os direitos trabalhistas, tenham ou não participação
na contratação dessa mão-de-obra. A empresa será
“solidariamente responsável” pelo eventual não-pagamento
dos direitos trabalhistas dos terceirizados, “inclusive se houver
subcontratação”, diz o projeto.
Os terceirizados não podem ser proibidos de negociar a admissão
efetiva pela empresa que contratou os serviços. O contrato
que tiver essa cláusula será considerado nulo. As empresas
de serviços reclamam algum tipo de “carência”
para essa cláusula nos contratos porque temem ter seus funcionários
“abocanhados” pelas empresas depois de terem investido
no treinamento de mão-de-obra especializada.
A lei só regula contratos no setor “privado”,
e nas áreas urbanas. Outra cláusula, que também
incomoda as empresas, diz que “a natureza e o caráter
eventual ou permanente do serviço terceirizado serão
definidos em negociação coletiva”. Se uma negociação
determinar que a empresa não pode ter terceirizados, esse tipo
de contratação será vetada.
O que muda nas regras
Privados e urbanos: A lei só regula contratos
no setor “privado” - pessoas físicas ou jurídicas
- e nas áreas urbanas;
Específico e qualificado: O prestador de
serviço terceirizado é uma pessoa jurídica ou
física que detém um “conhecimento específico”
e executa o trabalho por meio de “mão-de-obra qualificada”;
Contrato detalhado: O contrato de serviço
terceirizado deve pelo menos especificar os serviços a executar;
prazo de vigência de, no máximo, cinco anos; comprovação
de que a empresa contratada para fazer o serviço terceirizado
cumpre todas as obrigações trabalhistas para com os
seus empregados;
Anulação: Os funcionários terceirizados
não podem ser proibidos de negociar a contratação
efetiva pela empresa que emprega a mão-de-obra temporária.
Se nas regras de admissão houver uma cláusula com essa
proibição, a fiscalização do Trabalho
pode considerar o contrato automaticamente nulo. O ministério
adotará regras próprias para orientar a fiscalização
dos contratos terceirizados;
Solidários: Uma empresa - e até suas
subsidiárias - que contratar um serviço terceirizado
fica “solidariamente responsável” pelo eventual
não-pagamento dos direitos trabalhistas dos funcionários
terceirizados, “inclusive se houver subcontratação”;
Documentos: A empresa terceirizada só pode
fechar o contrato se anexar os seguintes documentos: registro com
pessoa jurídica (inscrição no CNPJ, do Ministério
da Fazenda); alvará de localização e funcionamento;
comprovante de entrega da última Relação Anual
de Informações Sociais (Rais); Certidão Negativa
de Débito (CND) ou Certidão Positiva de Débito
com efeito Negativo (CPD-EN), da Previdência Social; certidão
de regularidade de recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS); contrato social atualizado e “com capital considerado,
pela contratante, compatível com a execução do
serviço”;
Responsabilidades extras: O local de prestação
de serviços terceirizados deve ser especificado no contrato.
Quando o serviço for executado fora, a empresa contratante
terá as seguintes responsabilidades: manter o ambiente de trabalho,
maquinário e instalações da empresa terceirizada
em condições adequadas, inclusive quanto a normas de
segurança e saúde no trabalho; assegurar aos empregados
da empresa prestadora de serviços terceirizados “acesso
à estrutura disponível a seus empregados, no que se
refere à saúde, alimentação e transporte”;
Negociação coletiva: A natureza e
o caráter eventual ou permanente do serviço terceirizado
serão definidos em negociação coletiva.
“Relação de emprego”:
A contratação de prestação de serviços
terceirizados junto a empresas não especializadas configura
locação e fornecimento de mão-de-obra, o que
será considerado “existência de relação
de emprego”.
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Congresso em Foco, 4 de
outubro de 2008
Guia do voto: documentos, justificativa
e proibições
Fábio Góis
Amanhã (5), dia de eleições municipais, o cidadão
brasileiro terá a oportunidade de exercer um dos mais importantes
instrumentos democráticos: o voto. Em todo o país, as
3.105 zonas eleitorais estarão a postos desde as 8h para o início
das eleições. Elas estarão disponíveis até
as 17h aos que deixam tudo para a última hora.
Ao lançar mão do direito de escolher seus representantes,
porém, os 128 milhões de eleitores aptos para ir às
462 mil urnas devem observar uma série de normas.
O alistamento eleitoral e o voto são obrigatórios para
pessoas com mais de 18 anos, segundo a Constituição. Ir
às urnas é opcional para quem tem mais de 70 anos, bem
como para os jovens entre 16 e 18 anos. É necessário levar
o título eleitoral ou um documento de identidade com foto.
Caso o eleitor esteja fora de seu local de votação no
domingo, deve justificar sua ausência em qualquer junta eleitoral.
O cidadão deve levar seu título eleitoral, um documento
de identificação com foto (R.G., passaporte ou carteira
de motorista, por exemplo) e este
formulário preenchido.
A justificativa deve ser feita no dia da eleição ou até
60 dias depois. A ausência a cada turno da eleição
deve ser justificada separadamente.
Se a pessoa não se justificar perante a Justiça Eleitoral,
fica impedida de obter passaporte ou identidade, inscrever-se em concursos
e tomar posse em cargos públicos, entre outras proibições
( conheça
todas aqui).
Tropas nos currais
Há casos em que grupos criminosos forçam eleitores a votar
em candidatos alinhados à criminalidade. Ou, em casos extremos,
intimidam candidatos “indesejados” com ameaças e
cerceamento da liberdade de campanha em comunidades carentes –
como é o caso das favelas do Rio de Janeiro, dominadas pelo narcotráfico.
São os chamados currais eleitorais.
Para tentar acabar com eles, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ministério
da Defesa e as autoridades de segurança estaduais, articularam
o envio de tropas federais para garantir a segurança durante
a votação. Até sexta-feira (3), 341 municípios
foram autorizados a receberem a ajuda do Exército, número
certamente aumentará até o dia da eleição.
Qualquer tipo de pressão ou tentativa de compra de voto devem
ser denunciados à Justiça Eleitoral, que recorrerá
às forças de segurança em casos extremos. A vítima
de coação eleitoral deve reunir provas (fotos, gravações,
testemunhas, mensagens de e-mail etc) e entregar ao juiz eleitoral.
As pressões feitas pelo candidato podem levá-lo a ser
afastado da disputa e a responder a processo criminal. Quem vender o
voto também incorre em crime.
Eleitor-militante
Os cidadãos filiados a partido político ou que defendam
informalmente alguma bandeira partidária devem tomar cuidado
com certas restrições em épocas eleitorais.
De acordo com o Guia
do Eleitor Cidadão, produzido pelo TSE e pelo Senado, é
proibido afixar material de campanha em na infra-estrutura urbana, como
postes, viadutos, pontes, paradas de ônibus, passarelas, prédios
públicos. Também não é permitida a propaganda
eleitoral em árvores e jardins de áreas públicas.
Publicidade política em painéis e outdoors também
estão proibidas.
Quem violar as regras será notificado e, no prazo de 48 horas,
obrigado a retirar a propaganda e restaurar o bem público, na
hipótese de danos causados. No caso de outdoors, multas serão
aplicadas.
No dia da eleição, é proibido que as pessoas e
veículos se aglomerem com material de propaganda. Isso configura,
segundo o Guia do Eleitor Cidadão, “manifestação
coletiva de preferência eleitoral”. Auto-falantes, comícios
e carreatas, bem como transporte de eleitores e trabalho de boca-de-urna,
camisetas, broches, bonés e outros símbolos alusivos,
nem pensar.
A pena para as infrações é de detenção
de seis meses a um ano, ou punição alternativa, além
de aplicação de multa.
Segunda via
Quem perdeu o título deveria ter solicitado uma segunda via até
o dia 25 de setembro. O documento deve ser entregue até este
sábado, 4 de outubro.
Até 7 de outubro, nenhum eleitor pode ser preso ou detido. A
exceção são detenções em flagrante
delito, condenações por crime inafiançável
ou desrespeito ao salvo-conduto (garantia de voto concedida pela Justiça
Eleitoral àqueles que estiverem sofrendo violência em seu
direito de votar).
Na hipótese de segundo turno, o prazo para restrições
às prisões é de 21 a 28 de outubro.
Em 77 cidades que pode haver segundo turno em 26 de outubro. Isso acontece
quando o candidato a prefeito mais votado não consegue superar
a soma dos demais concorrentes e dos votos em branco.
Urna eletrônica
Instituído no Brasil em 2000, o sistema de votação
eletrônica é considerado referência até para
países desenvolvidos – como os Estados Unidos, que contou
com apoio da Justiça Eleitoral brasileira nas últimas
eleições presidenciais. Tal método garante que
os resultados cheguem com rapidez à sociedade, de maneira quase
imediata, uma vez que a apuração é facilitada pela
contagem automática.
A urna eletrônica, além do simples manuseio, é considerada
inviolável e com baixíssimo índice de defeitos,
como comprovaram as eleições anteriores. O presidente
do TSE, ministro Carlos Ayres Britto, um dos maiores entusiastas do
modelo brasileiro, costuma enfatizar o caráter de confiabilidade,
inviolabilidade e sigilo do voto por meio eletrônico.
É fácil votar na urna eletrônica ( simule
aqui). Um teclado similar ao de telefones fixos apresenta números
de zero a nove e mais três teclas: uma verde, para a confirmação
do voto (número digitado); uma na cor laranja, que serve para
a correção do número digitado; e uma branca, para
o voto em branco. Para anular, é necessário digitar um
número inexistente – como uma seqüência de zeros,
por exemplo – e apertar “confirma”.
O eleitor deve se certificar de que votou corretamente, por meio da
foto do candidato que aparecerá após a digitação
do respectivo número.
Todas as informações armazenadas nas urnas são
identificadas pela respectivas “assinaturas digitais”, que
são a “identidade” de cada uma delas. Após
a votação, cada urna recebe um lacre físico, para
garantir a inviolabilidade das informações.
Segundo o TSE, as urnas são à prova de “piratas
virtuais”, uma vez que não estão conectadas a rede
de computadores ou a linhas telefônicas. Os computadores usados
nas transferências dos boletins de urna são propriedade
exclusiva da Justiça Eleitoral.
E não esqueça: o voto é secreto, inviolável
e independente. Ou seja, ninguém pode determinar como será
seu voto, ou obrigá-lo a revelar em quem votou. Da mesma forma,
ninguém tem autoridade para ver seu voto. Caso alguém
tente violar uma dessas prerrogativas, denuncie-o à autoridade
eleitoral de seu município.
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Gazeta do Povo, 4 de outubro
de 2008
Carta Constitucional
20 anos, 1.441 propostas de mudança
Reforma tributária é uma
das emendas para alterar a Constituição esperando por
votação no Congresso
A Constituição brasileira comemora amanhã seus
20 anos de existência, em meio a 1.441 propostas de emendas tramitando
na Câmara dos Deputados e no Senado. Entre as propostas de mudanças
está a reforma tributária que, segundo a assessoria da
presidência da Câmara, deve entrar na pauta legislativa
logo após as eleições.
O substitutivo do relator da matéria, deputado Sandro Mabel
(PR-GO), deve ser posto em votação na comissão
especial em novembro, para, em seguida, ser analisado no plenário
da Câmara. Parece haver consenso entre os parlamentares sobre
o texto que vai ser apreciado na comissão. “O projeto
de reforma tributária já está virtualmente aprovado
na comissão especial nos termos do parecer do deputado Sandro
Mabel.”, afirmou o deputado Mauro Benevides. Segundo ele, a
grande preocupação é de acabar com a guerra fiscal
nos estados.
Procurada pela reportagem, a assessoria de Mabel informou que o deputado
não vai adiantar o texto do substitutivo. Especialistas observam
alguns problemas que constavam no texto original da proposta. São
duas as preocupações: a distribuição da
carga tributária e a violação do pacto federativo,
uma vez que deve retirar dos poderes legislativos estaduais a competência
de estabelecer de forma independente a alíquota de ICMS.
“Não há como aprovar essa proposta quem vem sendo
discutida. É muito ruim”, diz o ex-secretário
da receita Federal Osiris Lopes Filho. Na avaliação
de Lopes, ao invés de mudanças constitucionais tributárias,
seriam mais importante fazer alterações em leis, como
a do Imposto de Renda. Ele explica que é preciso corrigir a
tabela do Imposto de Renda para pessoa física, que está
defasada e não é alterada desde 1996. “O objetivo
dessa reforma é aumentar a arrecadação, ainda
que se diga que vá simplificar o sistema e corrigir distorções.”
Lopes chama a atenção também para a alteração
que se pretende fazer na alíquota do ICMS, imposto de competência
estadual. Atualmente cada estado tem autonomia para aumentar ou diminuir
esse imposto, mas a proposta da reforma pretende impor aos estados
uma alíquota uniforme. “Se os governos dos estados forem
solidários a essa proposta, a solidariedade deles será
a mesma que o pára-quedas diz ao paraquedista, na hora em que
salta do avião. Estou contigo e não abro. Ou seja, seria
o suicídio da autonomia dos estados em alterar os seus impostos.”
O professor de Direito Constitucional Clèmerson Merlin Clève,
da UFPR, afirma que o fim da autonomia tributária dos estados
é inconstitucional, por limitar a competência de tributar
dos estados. Para Clève, o foco da reforma deveria ser o de
buscar uma distribuição de impostos mais justa. “
Nosso sistema tributário, a começar pelo constitucional,
peca pela falta de racionalidade, por sua excessiva complexidade,
pela distribuição injusta de sua incidência. A
famosa guerra fiscal constitui mal menor quando comparada a tudo isso.”
Reforma política
O deputado Mauro Benevides (PMDB-CE) afirmou haver um desejo das
lideranças políticas no Congresso Nacional de colocar
a reforma política na pauta de discussões no primeiro
semestre do próximo ano. Segundo ele, a intenção
é não deixar que o tema precise ser discutido em 2010,
ano eleitoral, “a fim de não se prevalecer interesses
imediatistas”.
Porém, o tema deverá enfrentar dificuldades em ser
aprovado. Clèmerson Clève considera que as mudanças
não terão a extensão que o país precisa.
“A agenda política nem sempre reflete os anseios do país.
Além disso, há o problema da fidelidade partidária
(parcialmente resolvido pelo Judiciário, TSE e STF), as dificuldades
do sistema proporcional, a hiper-representação de alguns
estados, o abuso das medidas provisórias a trancar a pauta
do Congresso, entre tantos outros”, explica o constitucionalista.
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Gazeta do Povo, 4 de outubro
de 2008
Plano de resgate
Câmara muda de opinião e
aprova pacote anticrise da Casa Branca
Texto recebeu 263 votos a favor e 171 contra.
Departamento do Tesouro tem agora 45 dias para regulamentar o projeto.
Nesse período, já se espera muita movimentação
entre os lobistas do sistema financeiro norte-americano
A Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara
dos Deputados brasileira) dos Estados Unidos aprovou ontem o plano
de ajuda bilionária ao setor financeiro proposto pela Casa
Branca, endossando assim a decisão do Senado tomada na noite
de quarta-feira. O pacote recebeu 263 votos a favor (sendo 91 republicanos
e 172 democratas) e 171 votos contra (108 republicanos e 63 democratas).
Logo após a votação dos deputados, o presidente
George W. Bush sancionou o texto, transformando o projeto em lei.
Mais cedo, os deputados haviam decidido que o pacote iria à
votação sem sofrer emendas, o que evitou a necessidade
de novas discussões nas duas casas legislativas.
Em discurso na Casa Branca, porém, Bush afirmou que os “americanos
devem também esperar que leve algum tempo para que a legislação
tenha seu total impacto sentido” na economia. O presidente aplaudiu
a aprovação do pacote de resgate pela Câmara dos
Representantes, “essencial para ajudar a economia a enfrentar
a crise financeira” e reconheceu a ampla preocupação
em usar de maneira correta o dinheiro do contribuinte para salvar
bancos. Bush ressaltou, no entanto, que o custo final será
“bem menor”, uma vez que o plano é vender os ativos
problemáticos de volta para o mercado assim que este se recuperar.
Os deputados mudaram de opinião – a proposta tinha sido
rejeitada por eles, na segunda-feira, por 228 votos contra e 205 a
favor – depois que alguns itens que “adoçaram”
o remédio foram acrescentados. Antes das mudanças, os
deputados argumentavam que o plano parecia destinado a salvar apenas
o setor financeiro. Entre os pontos incluídos pelo Senado estão
isenções e benefícios fiscais para a classe média,
pequenos empresários e famílias atingidas por acidentes
naturais que devem custar US$ 150 bilhões nos próximos
dez anos.
Títulos podres
O secretário do Tesouro, Henry Paulson, agora tem a anuência
do Congresso para comprar um artigo conhecido por um nome pouco atraente:
títulos “podres”, ou papéis cujo resgate
é muito improvável – conseqüentemente, cujo
risco de calote é alto. A maioria desses ativos são
ligados às hipotecas “subprime” (de alto risco).
Ainda que muito aguardado, o pacote aparentemente não bastou
para convencer o mercado financeiro. Um dia depois do “sim”
do Senado, a maior parte das bolsas asiáticas fechou em queda;
as européias subiram ao longo do dia, mas fecharam em baixa.
Em Wall Street, o dia de ontem foi de forte retração,
influenciada por dados sobre o setor industrial e pedidos de seguro-desemprego.
O temor é que o pacote não tenha chegado a tempo para
evitar a “R-word” (o eufemismo com o qual o mercado financeiro
se refere à recessão).
“É particularmente crucial que os poderes públicos
adotem medidas enérgicas para favorecer o restabelecimento
dos fundos próprios no sistema financeiro”, diz o documento
de aprovação, que teve trechos divulgados ontem. “A
reviravolta da conjuntura dos EUA pode ser mais violenta e pode evoluir
para uma recessão.”
Fim de um ciclo
O ciclo que se fechou hoje foi iniciado pelo próprio secretário
Paulson no dia 19 do mês passado, ao dizer que seriam precisos
“centenas de bilhões de dólares” para impedir
que fosse adiante uma seqüência que, até então,
incluía a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers,
a venda do Merrill Lynch a preço de ocasião (US$ 50
bilhões) ao Bank of America e ajudas bilionárias à
seguradora AIG (US$ 85 bilhões) e às gigantes hipotecárias
Fannie Mae e Freddie Mac (US$ 200 bilhões).
Lobistas
O Departamento do Tesouro tem agora 45 dias para elaborar a regulamentação
do pacote. Lobistas do setor já tentam influenciar esse processo.
“A lei é muito vaga e, por isso, uma de nossas preocupações
é que agora é que o trabalho vai começar”,
disse o presidente da associação Independent Community
Bankers of America, Camden Fine. Para ele, a maneira como os funcionários
do Tesouro vão interpretar a lei “determinará
em grande parte como o sistema inteiro vai funcionar”.
Entre as dúvidas a serem resolvidas pelo Tesouro estarão
a definição dos tipos de ativos “podres”
que o governo vai comprar, o mecanismo de definição
de preços, como as operações de compra serão
estruturadas e se empresas que não sejam norte-americanas poderão
participar do programa.
A diretora executiva de operações da American Bankers
Association, Diane Casey-Landry, disse que sua organização
já conversou com funcionários do Tesouro e com autoridades
reguladoras e que espera que as normas sejam elaboradas “muito
rapidamente”.
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Gazeta do Povo, 4 de outubro de 2008
Pacote em 9 pontos
O pacote de socorro financeiro de
US$ 850 bilhões, foi aprovado pela Câmara dos Representantes
(deputados) dos EUA. Trata-se da maior intervenção do
Estado na economia americana desde o “New Deal”, da década
de 30.
1 - US$ 700 bilhões serão liberados
em parcelas para a compra de papéis podres em poder de bancos
e outras empresas em dificuldades financeiras. Liberação
imediata de US$ 250 bilhões, seguida por outra de US$ 100 bilhões.
Os outros US$ 350 bilhões poderão ser retidos se o Congresso
não estiver satisfeito com o desempenho do programa.
2 - A principal alteração no projeto
aprovado em relação à proposta inicial trata
do aumento do limite de depósitos bancários que passam
a ser garantidos pelo governo, de US$ 100 mil para US$ 250 mil. A
medida tenta evitar uma crise de desconfiança entre correntistas,
o que poderia gerar uma corrida aos bancos para saques.
3 - Será determinado um limite de compensação
para os executivos-chefes de empresas participantes do programa, para
evitar que alguém se aproveite da ajuda do governo e depois
deixe o cargo.
4 - Outros US$ 150 bilhões em corte corte
de impostos para classe média e incentivo a pequenos empresários
foram incluídos no Senado, na quarta-feira, para tornar o plano
mais popular.
5 - O secretário do Tesouro, Henry Paulson,
poderá renegociar contratos de hipotecas para ajudar proprietários
com problemas para pagar dívidas a fim de evitar despejos de
mutuários.
6 - O governo poderá cancelar deduções
de impostos para empresas que paguem mais de US$ 500 mil por ano a
seus executivos.
7 - Washington assumirá participação
nas empresas que receberem ajuda para que os contribuuintes possam
compartilhar lucros das companhias, quando – e se – elas
se recuperarem.
8 - Cláusula exigida pelos republicanos da
Câmara dá ao secretário do Tesouro a opção
de requerer que os bancos comprem seguros para cobrir sua carteira
de títulos vinculados a hipotecas.
9 - Um comitê ficará encarregado de
supervisionar a aplicação do dinheiro do pacote. Entre
as autoridades que farão parte desse comitê estão
os presidentes do Fed (o banco central americano) e da Comissão
de Mercado de Valores (órgão que regulamenta o mercado
de ações, semelhante à Comissão de Valores
Mobiliários brasileira).
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Gazeta do Povo, 4 de outubro
de 2008
Montadoras
GM anuncia férias coletivas em
fábricas de São Paulo
A General Motors do Brasil vai parar a produção
de algumas linhas e conceder férias coletivas para quase 13 mil
funcionários nas três unidades de São Paulo, segundo
estimativa do Sindicato dos Metalúrgicos. A empresa confirmou
a paralisação de 20 de outubro a 2 de novembro para cerca
de 2 mil funcionários da unidade de São José dos
Campos e para todos os 10 mil em São Caetano do Sul. Em Mogi
das Cruzes, a medida vai atender parte dos cerca de 800 funcionários.
Para o sindicato, as férias coletivas são efeito da
desaceleração do mercado e reflexo da crise financeira
dos Estados Unidos. A empresa encerrou nesta semana um PDV (plano
de demissão voluntária) em São José dos
Campos, mas não informou o número de adesões.
Embora tenha confirmado as férias coletivas, a empresa preferiu
não se manifestar sobre a medida. Em São José
dos Campos, serão paralisadas as linhas de produção
do Corsa, Zafira e Montana. Em São Caetano do Sul param a produção
de Corsa, Vectra e Astra. A unidade de Gravataí (RS), por enquanto,
mantém a produção. Lá são feitos
Prisma e Celta, por exemplo.
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Folha de Londrina, 4 de
outubro de 2008
Indústria
CNI revisa para cima crescimento
em 2008
Entidade, que antes previa expansão
de 4,7% para a economia, aumentou expectativa para 5,3%
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) elevou
de 4,7% para 5,3% a projeção de crescimento do Produto
Interno Bruto (PIB) em 2008. Segundo o documento Informe de Conjuntura,
a revisão se deve ao fato de o resultado do PIB no segundo
trimestre – com alta de 6,1% ante igual período de 2007
– ter ficado acima dos 5,5% esperados pela entidade. A CNI destaca
que os efeitos da crise externa sobre a economia real até agora
são “tênues”.
A confederação elevou também a projeção
de crescimento da indústria de 5% para 5,5% neste ano. A estimativa
da CNI para o consumo das famílias, que deve explicar cerca
de 70% da elevação do PIB neste ano, é de expansão
de 6%, ante 5,5% na previsão anterior, divulgada em junho.
Para a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), medida
da taxa de investimento na economia, a entidade espera um aumento
de 13,5%, ante 10,5% na estimativa anterior. A projeção
para o desemprego caiu de 8,04% para 7,9% e para a relação
dívida/PIB caiu de 40,6% para 40,4%.
Segundo a CNI, o setor externo deve dar uma contribuição
negativa de 2,6 pontos porcentuais para o PIB, por conta da alta mais
forte das importações em comparação com
as exportações. Por conta da redução nos
preços das commodities, a previsão para a inflação
medida pelo IPCA neste ano caiu de 6,4% para 6,2%, segundo a CNI.
Apesar disso, a entidade ainda vê mais altas na taxa de juros,
embora entenda que o BC deva reavaliar a política monetária.
A expectativa é que o BC promova uma alta de 0,50 ponto porcentual
e outra de 0,25 ponto porcentual, com a Selic fechando o ano em 14,5%
ao ano. A previsão anterior da entidade era de Selic encerrando
o ano em 14,25%.
Para 2009, a CNI avalia que a crise internacional vai levar a uma
moderação do ritmo de crescimento da economia brasileira
e requer, por parte do Banco Central, uma reavaliação
da intensidade da política monetária. “O desafio
para a economia brasileira será manter as condições
de crescimento em 2009, enquanto a economia mundial irá crescer
de forma mais lenta”, diz a entidade.
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O Estado do Paraná,
4 de outubro de 2008
Brasil e Argentina iniciam comércio
sem dólares
Buenos Aires - O Brasil e a Argentina começarão
na segunda-feira o comércio bilateral sem o uso dos dólares,
o denominado ‘‘Sistema de Pagamentos em Moeda Local’’
(SML), ou, o denominado ‘‘comércio desdolarizado’’.
Desta forma, o comércio entre empresários de ambos países
poderá ser realizado em pesos e reais, deixando de lado a moeda
americana, utilizada há décadas nas operações
de exportações e importações.
A idéia do comércio desdolarizado é um velho
projeto na região. Mas, somente ao longo do último ano
as equipes econômicas dos dois países – e os integrantes
dos Bancos Centrais – começaram a detalhar o esquema.
No dia 7 de setembro passado, durante a visita da presidente Cristina
Kirchner a Brasília, foi assinado um acordo que marcou o lançamento
do SML para o dia 6 de outubro. O SML – que será voluntário
– será regido pela taxa cambial de referência do
Brasil e da Argentina, a ser fixada diariamente.
O sistema não será regido pelo câmbio do mercado.
Além disso, o sistema elimina as comissões que os bancos
nos EUA cobravam para realizar as operações entre o
Brasil e a Argentina. Desta forma, permitirá uma grande redução
dos custos para as operações comerciais, principalmente
para as pequenas e médias empresas.
Segundo as autoridades argentinas, o sistema consiste na realização
diária de um clearing entre os dois Bancos Centrais, junto
com uma compensação monetária que terá
um custo menor do que tem passar de pesos a dólares e dali
para reais (e vice-versa). O sistema começará a ser
usado por bancos que estejam instalados em ambos lados da fronteira.
O Banco de la Provincia de Buenos Aires, o segundo maior banco público
do país, anunciou que desde esta semana já está
pronto para operar com o SML. Entre as outras entidades bancárias
que já comunicaram que poderão realizar o novo sistema
de operações estão o ABN Amro, o Banco de la
Nación Argentina, o Banco Ciudad de Buenos Aires, o Macro,
Santander, Banco Hipotecário, Banco de Córdoba, Itaú,
Credicoop, Credinstalt, Banco del Buen Ayre, BNP Paribas, Bradesco
e Banco do Brasil.
A implantação do sistema será acompanhado,
nos próximos dias, em diversas cidades do interior do país,
com seminários para explicar aos exportadores e importadores
o novo sistema de comércio desdolarizado.
Ariel Palacios
Agência Estado
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O Estado do Paraná,
4 de outubro de 2008
NTEP regula doenças de origem
ocupacionais
Redação
O NTEP faz a relação entre determinadas doenças
e as atividades laborais nas quais ocorrem com maior freqüência.
Para criá-lo, tomou-se como base a tabulação
feita a partir dos dados de todas as perícias médicas,
de benefícios acidentários ou previdenciários,
realizadas pelo INSS, de maio de 2004 a dezembro de 2006.
A partir daí, no momento da perícia no INSS, o sistema
alimentado pelo médico perito com as informações
sobre a doença e a profissão do segurado pode classificar
a moléstia como acidente de trabalho.
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O Estado do Paraná,
4 de outubro de 2008
Rússia vê o fim de
domínio econômico dos EUA
Agência Estado
O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, afirmou que a era
do domínio financeiro dos Estados Unidos acabou, e pediu um
sistema econômico "mais justo", no que foi apoiado
pela chanceler alemã, Angela Merkel. Medvedev e Merkel pediram
novas medidas para responder à crise do crédito, que
gera temores de uma profunda recessão mundial desde que se
espalhou dos Estados Unidos para os mercados internacionais.
"O período de domínio por uma economia e uma moeda
agora faz parte do passado", declarou o presidente em um fórum
do qual também participou a chanceler alemã. "Devemos
trabalhar juntos para construir um sistema financeiro-econômico
no mundo que seja baseado nos princípios da multipolaridade
e da supremacia da lei e que leve em consideração interesses
mútuos", disse Medvedev.
Nesta quarta-feira (1º) à noite o Senado norte-americano
aprovou o pacote de resgate financeiro de US$ 700 bilhões proposto
pelo governo, que é visto como a melhor chance de arrefecer
a crise. O pacote ainda precisa da aprovação da Câmara
norte-americana, e pode ir à votação amanhã.
Segundo Medvedev, a crise mostrou que os EUA não são
poderosos o suficiente para controlar os mercados mundiais sozinhos.
"Eventos recentes confirmaram que apenas um país, mesmo
o mais poderoso, não consegue ser uma espécie de mega
regulador", ressaltou. Os comentários ocorrem um dia depois
de o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, criticar a "irresponsabilidade"
econômica dos EUA pela crise global financeira.
O mercado de ações da Rússia, que mesmo em tempos
normais é raramente previsível, tem registrado variações
brutas nas últimas semanas devido ao impacto da crise financeira.
"Precisamos de novos mecanismos para a arquitetura financeira
internacional. Há muito tempo estou convencida disso, não
apenas durante essa crise", afirmou Merkel.
A Alemanha é considerada a aliada mais próxima da Rússia
na Europa Ocidental, mas Merkel tem repreendido a Rússia sobre
sua breve guerra com a Geórgia em agosto. Nesta quinta-feira
ela reiterou suas críticas a Moscou sobre suas intervenções
militares na ex-república soviética. "A reação
da Rússia nesse conflito não tem sido apropriada",
disse ela.
"Ainda precisamos discutir o papel de observadores da Organização
para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE,
na sigla em inglês), e ver como isso se desenvolve", afirmou
ele, referindo-se à organização de monitores
em duas regiões separatistas da Geórgia que são
apoiadas pela Rússia. A Rússia se nega a discutir sobre
a organização, afirmando que a decisão pertence
a duas repúblicas separadas, cujas independências foram
reconhecidas em agosto.
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Folha de S.Paulo, 4 de outubro
de 2008
FERNANDO RODRIGUES
Sobram PSDB e PT
BRASÍLIA - PMDB e DEM sempre atuaram como coadjuvantes do
poder no período pós-ditadura militar. Acentuaram seus
papéis secundários com a consolidação
de PT e PSDB. Passadas as eleições de amanhã,
não há sinal de mudança significativa nesse cenário.
Gilberto Kassab (DEM) em São Paulo e Eduardo Paes (PMDB) no
Rio têm chances de prosperar no segundo turno. Mas ninguém
se arriscaria hoje a apontar esses políticos ou algum líder
de suas agremiações em condições de competir
na disputa pelo Planalto em 2010.
Quando se olha a parte de baixo da tabela, para emprestar uma terminologia
do futebol, enxergam-se apenas interessados em vicejar localmente
ou, no máximo, indicar um candidato a vice-presidente na chapa
do PT ou do PSDB. Para citar o caso mais óbvio, o PSB só
pensa naquilo: encaixar Ciro Gomes ou Eduardo Campos na boléia
de algum petista em 2010.
Na sopa de letras sem sentido da política brasileira, PP, PDT,
PTB, PR e outros resignaram-se ao segundo plano. Nunca chegarão
ao Planalto. Só prosperam nessa zona da pasmaceira por causa
da legislação benevolente e patrimonialista. Vivem sem
povo, mamando no fundo partidário e traficando seus horários
de rádio e TV.
Os ideológicos estacionaram numa dobra do tempo entre a Revolução
Industrial e a queda do Muro de Berlim. PC do B, PSOL, PSTU são
nanicos eleitorais. O PPS (ex-partidão) nem ideológico
é mais. O PV poderia ser uma novidade, mas a sigla optou por
se transformar parcialmente numa exótica sublegenda da família
Sarney.
Tudo somado, sobram PSDB e PT. Muito vai se falar na semana que vem
sobre como petistas ou tucanos perderam ou ganharam em algumas grandes
cidades. Mas, na essência, a largada para 2010 continuará
igualzinha. De um lado, José Serra. Do outro, Dilma Rousseff.
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Folha de S.Paulo, 4 de outubro
de 2008
PMDB, PSDB e PT projetam eleger
mais prefeitos; DEM deve perder municípios
PP, que aderiu ao governo Lula, espera
vencer em dezenas de cidades pequenas do interior e pode ultrapassar
o Democratas
Petistas prevêem eleger 70% mais prefeitos
que em 2004; tucanos projetam crescimento de 14,8% em nº de eleitos,
e PMDB, 13,5%
FERNANDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Projeções dos partidos para as eleições
de amanhã indicam uma alteração no grupo dos
quatro maiores partidos em número de prefeitos. O G4 perde
o DEM (ex-PFL) e pode assistir à entrada do PP -partido de
Paulo Maluf, que aderiu ao governo Lula no plano federal e espera
ter sucesso em dezenas de cidades pequenas no interior. PMDB, PSDB
e PT, pela ordem, ficam nas três primeiras colocações.
As projeções obtidas pela Folha nem sempre são
expressas em público pelos dirigentes partidários, mas
são esses os números que orientam os políticos.
O PT é o mais otimista ao estimar o avanço percentual
que pretende eleger.
A avaliação do partido de Lula é sair dos 411
eleitos em 2004 para algo próximo de 700, uma alta de 70%.
A imensa maioria dessas possíveis novas cidades petistas está
localizada no Nordeste e em regiões onde o partido nunca se
firmou eleitoralmente no passado.
Os petistas sabem, entretanto, que é limitado o efeito político
de conquistar muitas cidades nos "grotões do país",
como Tancredo Neves (1910-1985) costumava se referir às localidades
muito afastadas. Há um certo temor de que o eventual fracasso
em capitais como São Paulo, Salvador e Porto Alegre tire todo
o brilho do aumento nominal de prefeitos da sigla.
Já o DEM passa por cenário inverso ao do PT. Oposição
ao governo federal, a sigla está em franca decadência
em cidades pequenas. Elegeu 790 prefeitos em 2004 e hoje já
caiu para 670.
Nas previsões dos seus dirigentes, deve sair das urnas ainda
pior, com algo em torno de 430 prefeitos -uma queda não desprezível
de 45,6%. Apesar dessa razia nos seus domínios municipais,
o clima entre os democratas é de euforia pelo ineditismo da
candidatura de Gilberto Kassab na disputa paulistana. Se ele tiver
sucesso passando ao segundo turno amanhã, o DEM acredita que
o feito compensará com folga a quase expulsão de seus
políticos dos grotões -para onde estaria caminhando
o PT, em parte por causa da alta popularidade presidencial e de programas
de distribuição de renda como o Bolsa Família.
O PSDB pela primeira vez em muitos anos poderá assistir a um
segundo turno sem nenhum candidato próprio com chance de vitória
nas capitais do chamado "Triângulo das Bermudas" da
política brasileira: São Paulo, Rio e Belo Horizonte.
O cenário menos dramático é o de Minas Gerais,
onde os tucanos apóiam Márcio Lacerda (PSB), o favorito.
Mas essa é apenas uma parte do cenário tucano. O partido
projeta sair da eleição maior do que entrou em número
de cidades governadas. Em 2004, elegeu 871 prefeitos. Pelas contas
da sigla, pode chegar agora a 1.000 -alta de 14,8% sobre o obtido
quatro anos atrás.
Líder absoluto em número de cidades, o PMDB espera ampliar
a vantagem. Na base da infidelidade partidária, a legenda já
inflou seus 1.057 prefeitos eleitos em 2004 para 1.212 agora. A expectativa
dos dirigentes é manter 1.200 -aumento de 13,5% sobre quatro
anos atrás.
Surpresa
A possível surpresa na parte de cima do quadro de prefeitos
pode ser o PP -um partido derivado diretamente da Arena, legenda de
sustentação da ditadura militar (1964-1985).
Os pepistas vinham perdendo posições de maneira constante
desde 1996. Em 2004, conquistaram 552 prefeitos. Agora, aliados a
Lula, esperam subir para 700. O comando do Ministério das Cidades
nas mãos da agremiação é apontado como
o fator principal do sucesso projetado para amanhã.
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Folha de S.Paulo, 4 de outubro
de 2008
Justiça
777 candidatos a prefeito vão
às urnas amanhã sub judice
Postulantes tiveram candidaturas barradas
pela Justiça, mas estão recorrendo
Se depois de eleito político tiver registro
cassado, votos dados a ele são anulados e segundo colocado
assume; Bahia tem 93 contestações
ALAN GRIPP
LETÍCIA SANDER
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Pelo menos 777 candidatos a prefeito irão às urnas
no domingo sem a garantia de que, se eleitos, tomarão posse.
Eles tiveram suas candidaturas barradas pela Justiça Eleitoral
nos Estados e, por isso, disputarão as eleições
sub judice.
Mais de 700 deles recorreram a instâncias judiciais superiores
e aguardam julgamento. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) já
julgou parte desses casos, mas não tem o balanço final
de quantos postulantes estão definitivamente fora da disputa.
A expectativa é que, até o final de outubro, todos os
recursos sejam analisados.
Esse número pode ser maior, já que há casos ainda
não informados ao TSE. Um exemplo é o do candidato petista
à Prefeitura de Recife, João da Costa, que lidera as
pesquisas e teve a candidatura cassada por uso da máquina da
prefeitura, administrada pelo PT.
Os dados até agora disponíveis indicam que a polêmica
sobre a divulgação da lista dos candidatos com "ficha
suja" aumentou o rigor da Justiça na hora de conceder
os registros. O TSE estima que o número total de candidatos
barrados seja recorde -em 2000, foram 18; e em 2004, 42.
No caso de um candidato eleito ter o seu registro cassado, seus votos
são automaticamente anulados, e o segundo colocado assume o
cargo. Neste ano, a Bahia é líder no número de
candidaturas indeferidas -foram 93 casos, parte deles ainda em fase
de recurso. Em segundo vem o Estado de São Paulo (84), seguido
de Minas Gerais (59) e Paraná (59).
O PMDB é o partido com maior número de problemas desse
tipo com a Justiça Eleitoral. No total, 158 candidatos da legenda
tiveram o registro negado em uma das instâncias. Tradicionalmente,
o PMDB é o partido com o maior número de candidatos
-neste ano, tem 2.525 disputando prefeituras.
Os tucanos aparecem em segundo no ranking, com 99 casos, seguidos
de democratas (76) e petebistas (61).
As ações de impugnação de registros foram
movidas, em sua maioria, pelo Ministério Público e por
adversários. O principal motivo é rejeição
de contas em disputas passadas ou no exercício do cargo. Além
disso, há candidatos com problemas de parentesco (pela lei,
parente e cônjuge de até segundo grau do prefeito não
podem se candidatar no mesmo município) e analfabetos que postulam
um cargo. Pela Constituição, analfabetos são
inelegíveis, assim como candidatos com condenação
criminal transitada em julgado, ou seja, sem possibilidade de recursos.
Para que um candidato possa ser eleito e assumir o cargo, precisa
ter nacionalidade brasileira, pleno exercício de direitos políticos,
título de eleitor, domicílio eleitoral na cidade onde
é candidato, filiação a um partido e pelo menos
21 anos, se for candidato a prefeito.
"Ficha suja
Os candidatos que possuem "ficha suja" não estão
entre os que tiveram registro negado porque a Justiça entendeu
que a candidatura só pode ser barrada no caso de quem foi condenado
em última instância.
A divulgação do nome de candidatos com problemas na
Justiça gerou polêmica no início do processo eleitoral.
O presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, defendeu que quem respondesse
a processos criminais fosse barrado da eleição, mas
foi voto vencido no julgamento do Supremo Tribunal Federal.
A AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) decidiu
divulgar uma lista de postulantes com problemas na Justiça.
Ontem, havia 126 nomes na relação da entidade.
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Revista Consultor Jurídico,
4 de outubro de 2008
Idade dos brasileiros
Projetos de lei buscam mudar regras da
previdência
por Rafaela Domingos Lirôa
O Senado aprovou projeto de lei para dar fim ao fator previdenciário.
A proposta está sendo votada na Câmara e, se for aprovada,
deverá elevar o valor dos benefícios previdenciários.
Isto porque o temido fator previdenciário é, em suma,
uma fórmula utilizada pelo INSS para proceder ao cálculo
inicial das aposentadorias, levando em conta vários itens,
dentre eles, a expectativa de vida do segurado, o que acaba por reduzir
o benefício do trabalhador no momento da concessão.
Desde a Emenda Constitucional 20/98, foi alterada a forma de cálculo
dos benefícios previdenciários, devendo a previdência
social utilizar 80% dos maiores repasses feitos em nome do segurado
para calcular a renda mensal inicial, sendo que esta, no entanto,
passou a sofrer a redução por conta do famigerado fator
previdenciário.
Sendo aprovado o projeto de lei para afastar a aplicação
do fator previdenciário, o trabalhador certamente terá
uma renda mensal maior do que a calculada nos termos da lei vigente,
já que não sofrerá a redução dos
valores. Entretanto, para compensar a saída do fator previdenciário,
que vai gerar um acréscimo ao governo no pagamento das aposentadorias,
está em votação, concomitantemente, um projeto
para majorar a idade do segurado. O intuito é cumular requisitos
para a concessão dos benefícios: além de comprovar
o tempo de serviço, o segurado deverá comprovar a idade
exigida.
Atualmente, se houver a comprovação de que foi cumprido
o tempo de serviço exigido para a concessão de aposentadoria,
que no regime geral da previdência social é de 30 anos
para mulheres e 35 para homens, há de ser implantado o benefício
a partir do requerimento, aplicando-se no cálculo o fator previdenciário,
independentemente da idade do trabalhador.
São milhares os segurados que começaram a contribuir
muito cedo com a previdência social, fazendo jus à concessão
de aposentadorias, muitas vezes, antes mesmo de sequer completar 50
anos de idade. Com a aprovação dos projetos, isso não
mais poderá ocorrer, pois o trabalhador terá que comprovar
além das contribuições exigidas, a idade imposta.
A nova proposta levada ao Senado pelo senador Paulo Paim, o mesmo
que propôs o fim do fator, deve estabelecer uma idade mínima
para quem se aposenta por tempo de contribuição, e que
aumentará gradativamente até atingir, em 2035, 55 anos
para mulheres e 60 para homens. Em 2008, seria de 46 anos para a mulher
e 51 para o homem, permanecendo a mesma idade em 2009 e 2010. Já
em 2011, 2012, 2013, subiria para 47 e 52 (mulher e homem, respectivamente).
E assim por diante até 2035, ou seja, a cada três anos
a idade mínima seria elevada em um ano.
Isso quer dizer que quem já está próximo de
completar o tempo de contribuição exigido pela previdência,
mas não tiver a idade exigida, terá que continuar na
ativa até cumular os requisitos. Aqueles que contribuem por
meio de carnês terão que continuar recolhendo as contribuições
mensais até atingir os pressupostos exigidos pelo INSS.
Observa-se a cada proposta de reforma previdenciária colocada,
que a população idosa tem crescido e a população
jovem, diminuído. Segundo a Síntese de Indicadores Sociais
de 2008, divulgada pelo IBGE, houve um crescimento de 47,8% da população
idosa nos últimos dez anos, atingindo 20 milhões de
pessoas com mais 60 anos. No mesmo período, a população
jovem, com menos de 14 anos, caiu de 30,8% para 25,4%.
Isso significa, num futuro próximo, um número menor
de contribuintes e maior de beneficiados. Mesmo porque, em alguns
casos especiais, os benefícios são concedidos sem que
haja a devida contraprestação de contribuições.
E como todas as reformas são lentas, é preciso que sejam
bem formuladas, para que o governo possa, efetivamente, cumprir com
o seu dever de pagar todos os benefícios em manutenção.
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Valor
Econômico, 20 de junho de 2008
A crença na transferência de
votos
por Alberto Carlos Almeida
Há no Brasil o mito da transferência de votos. Por exemplo,
muitos acham que Lula, com sua enorme popularidade, elegerá os
prefeitos que quiser em 2008. Isso não é verdade. A maior
prova de que transferência de votos não existe ocorreu
na eleição de 1989, quando Brizola apoiou Lula. Naquela
ocasião, a grande massa dos eleitores que votou em Brizola no
primeiro turno, principalmente nos Estados do Rio e Rio Grande do Sul,
votou em Lula no segundo turno. A prova da transferência, para
a maioria dos analistas, está aí: Brizola declarou apoio
a Lula e os seus eleitores votaram em Lula. Uma pergunta: se Brizola
tivesse pedido que seus eleitores de primeiro turno votassem em Collor
no segundo turno isso teria acontecido? Não, claro que não.
Portanto, não há transferência de votos.
O que Brizola fez foi muito simples. Ele já sabia que seus eleitores
votariam em Lula de qualquer maneira. Assim, antes que isso ocorresse,
antecipou-se e declarou apoio ao candidato do PT. No fim, Brizola posou
de grande líder. Muitos até hoje afirmam: "Viu o
carisma de Brizola? Ele apoiou Lula e seus eleitores o seguiram."
Se fosse líder mesmo, ele teria conseguido fazer que seus eleitores
votassem em Collor. Não foi isso que aconteceu.
A idéia de que existe transferência de votos está
baseada em um pressuposto elitista e hierárquico. Pressupõe-se
que o eleitor de classe baixa, dotado de pouca ou nenhuma escolaridade,
fique esperando a indicação de seu líder, no caso
o popular Lula, para votar no candidato indicado. O eleitor não
teria motivos melhores para votar em alguém do que a indicação
do líder.
Os dados que mostram a fraqueza desse pressuposto são muitos.
Na eleição de prefeito de 2000 no Estado do Rio ocorreu
a mesma coisa. Naquele ano Garotinho era muito popular. Nas pesquisas
estaduais a soma de ótimo e bom do então governador alcançava
a incrível marca de 75%. Para os pseudo-especialistas em transferência
de votos isso teria sido suficiente para que Garotinho elegesse muitos
prefeitos. Pois bem, dos 19 municípios que formam a região
metropolitana, incluindo a capital, os candidatos apoiados por Garotinho
perderam em 16. Venceram apenas em Itaboraí, Maricá e
Japeri.
Para ficar com apenas alguns exemplos de candidatos apoiados por Garotinho
que foram derrotados temos: Conde na capital, Sérgio Zveiter
em Niterói, Sheila Gama em Nova Iguaçu, Geraldo Moreira
em Caxias e Ezequiel em São Gonçalo. Alguns podem acreditar
que esse fenômeno só ocorreu na região metropolitana.
Não é verdade. Israel de Souza, candidato de Garotinho
em Barra Mansa, no interior do Estado, perdeu para Roosvelt Brasil;
em Barra do Piraí, Márcia Mariotini foi derrotada por
Carlos Baltazar; e em Arraial do Cabo, Renato Viana perdeu para Henrique
Melman. Os exemplos podem ser multiplicados.
Passemos a Lula. Na eleição de 2002, Lula só foi
derrotado em três Estados no primeiro turno. Ficou atrás
de Garotinho no Rio, perdeu para Serra em Alagoas e para Ciro no Ceará.
Por outro lado, os governadores do PT só foram eleitos no Acre,
em Mato Grosso do Sul e no Piauí. Para governador, naquele ano,
o PSDB ganhou em sete Estados, o PFL venceu em quatro e o PMDB em cinco.
Esses três partidos somaram 16 governadores eleitos. Eles eram
a base de sustentação do governo Fernando Henrique, que
tinha sido derrotado por Lula. Ora, se Lula tivesse capacidade de transferir
votos, não teria eleito tão poucos governadores do PT
em face dos numerosos governadores eleitos pela trinca PSDB-PFL-PMDB.
A inexistência de transferência de votos não discrimina
quanto à coloração partidária. Seja PT,
seja o PDT do então governador Garotinho ou qualquer partido,
o fato de um governante ser popular não assegura que os eleitores
vão seguir o seu conselho quando se trata de votar. Em 1996,
em Pernambuco, o popular Miguel Arraes viu seu desafeto e então
principal adversário político, Roberto Magalhães,
ser eleito prefeito do Recife. O mesmo fenômeno aconteceu durante
o governo do superpopular Jarbas Vasconcelos. O então governador
viu o PT conquistar a prefeitura da capital mesmo sem o seu apoio. Na
Belo Horizonte de 1996, o candidato a prefeito apoiado pelo popular
governador Eduardo Azeredo foi Amílcar Martins. Ele perdeu para
Célio de Castro.
São muitos os exemplos e vêm de todos os recantos do país
e de todas as eleições.
Alguns analistas vão mostrar o caso oposto - aquele no qual
o governante popular elegeu alguém que indicava. É preciso,
para entender esse fenômeno, separar alhos de bugalhos.
César Maia elegeu Conde em 1996, mesmo ano em que Maluf elegeu
Pitta. Isso não nega o argumento deste artigo, o que de não
existe transferência de voto. O que acontece, e é muito
comum, é que o eleitor dê continuidade a governos bem avaliados.
Há duas semanas, neste espaço, mostrei que um governante
bem avaliado tem 75% de chances de eleger o seu sucessor. Isso ocorre
não porque haja transferência de votos, mas porque é
utilizado o seguinte argumento na campanha eleitoral: "Se você
está satisfeito com o meu governo (e eu sei que está),
então vote neste candidato, pois ele fez parte do meu governo
e é ele quem vai dar continuidade ao governo que você aprova."
Tomemos um exemplo deste ano. Se Lula apoiar o candidato Alcides Rolim
do PT em Belford Roxo, município da região metropolitana
do Rio, provavelmente alguns analistas vão dizer que Lula transfere
votos. Com ou sem o apoio do presidente o candidato Rolim tem 80% de
chances de vencer a eleição naquele município.
Isso é estimado considerando-se a avaliação do
governo. Assim, haveria uma superposição entre o apoio
de Lula, um governo mal avaliado e a provável vitória
do candidato petista, que é de oposição. Isso significa
que há transferência de votos. Mais uma vez a resposta
é clara: não, jamais.
O que acontece quando um político de quem o eleitor gosta indica
um candidato de quem o eleitor não gosta? Primeiro, ele não
vota no candidato indicado. Segundo, explica o porquê disso ao
político que indica (que é de quem ele gosta). O eleitor
diz mais ou menos o seguinte: "Olha, eu gosto muito de você,
até mesmo (quando é o caso) votei em você na última
eleição, mas desse candidato em quem você pede que
eu vote eu não gosto. Portanto, eu lhe peço desculpas.
Se fosse em você eu votava, mas sendo ele, eu não voto.
Peço desculpas, deixa para a próxima." Depois disso,
o eleitor crava o voto naquele candidato para o qual ele tem realmente
um motivo para votar.
Indicação não é motivo de voto. Avaliação
de governo é, e muito importante. Vamos a um último exemplo
com o qual estive envolvido diretamente em 2004. Goiânia: Pedro
Wilson versus Íris Rezende. Pedro Wilson era o prefeito mal avaliado
do PT. Foi derrotado por Íris Rezende. Os dois foram para o segundo
turno contra a preferência do então popular governador
Marconi Perillo, que queria ver no segundo turno o candidato Sandes
Júnior. Pedro Wilson teve todo tipo de apoio no segundo turno:
Lula, marketing de Duda Mendonça, a cidade coalhada de bandeiras
do PT, etc. Íris venceu. Ganhou por quê? Porque o governo
de Pedro Wilson estava muito mal avaliado. E porque não há
transferência de votos.
Alberto Carlos Almeida, sociólogo e professor
universitário, é autor de "A Cabeça do Brasileiro"
(Record).
E-mail: Alberto.almeida@institutoanalise.com
Artigo publicado na edição do dia 20 de junho de 2008
do jornal Valor Econômico
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