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GAZETA DO POVO, 07 de outubro
de 2008 | Economia
Financiamento
BNDES não faltará no
apoio à construção civil
O presidente do Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho,
afirmou nesta segunda-feira que o BNDES dará todo o apoio necessário
para a continuidade da expansão do setor de construção
civil do País. "A cadeia da construção civil
deve ser firmemente apoiada. Chegou o momento de dar passos à frente
na sua estruturação de processos produtivos, avanços
de seus padrões e processo de trabalho", declarou. "O
BNDES não faltará em apoio tanto a financiamentos com recursos
quanto ao apoio a pequenas empresas inovadoras para desenvolvimento de
produtos, de sistemas e de padrões com seus recursos. Estamos
abertos a aprofundar esta agenda", disse.
Em evento realizado na Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) voltado ao
lançamento de propostas para a modernização do setor
de construção civil, Coutinho fez um breve comentário
sobre a crise financeira internacional. "Estamos vivendo dias de
grande incerteza vinda do sistema de crédito global, que atravessa
grande dificuldade", comentou. "Mas é exatamente nesses
momentos que nós temos que ter sangue-frio, discernimento e capacidade
de percepção de nossos potenciais. E um dos potenciais
da economia brasileira, que certamente permitirá que a economia
continue crescendo apesar da dificuldade do sistema internacional, é a
cadeia da construção. O futuro da economia brasileira passa
pelo seu desempenho", afirmou.
Coutinho afirmou que os
investimentos do setor de construção civil devem ter
atingido um montante total próximo a R$ 120 bilhões entre
janeiro e setembro deste ano. Ele disse que há uma previsão
de que os investimentos totais no setor cheguem à soma de R$
535 bilhões de 2008 a 2011, patamar bem superior aos R$ 357
bilhões registrados de 2004 a 2007. Segundo ele, os financiamentos
do sistema financeiro da habitação cresceram 47% em 12
meses até agosto.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
07 de outubro de 2008
Marco histórico na vida do país,
Constituição Federal completa 20 anos
Eduardo Ribeiro de Moraes
Sempre criticada, mas por vezes
menosprezada em sua importância, a Constituição Federal
outorgada em 5 de outubro de 1988 pode ser apontada como a principal
responsável pela consolidação das conquistas democráticas
nos 20 últimos anos da história do Brasil.
As agruras do caminho, a luta
para crescer como país, a acomodação de novos poderes,
são partes integrantes e inexpugnáveis do processo de amadurecimento
de um novo Estado, nascido há exatos 20 anos sob a égide
de uma a Constituição chamada “Cidadã”.
Após duas décadas
de ditadura (1964-1985), onde os anseios por mudança não
eram atendidos, o Brasil enxergou na Assembléia Constituinte (que
durou de fevereiro de 1987 a outubro de 1988) a viabilização
das já inevitáveis transformações pelas quais
o país deveria passar.
1988
Segundo o cientista político e professor da UFRGS (Universidade Federal
do Rio Grande do Sul) Maurício Assumpção Moya, na época
da elaboração do texto, eram “tamanhas as vontades a serem
atendidas que os parlamentares não tiveram a coragem de frear os desejos
de vários setores da sociedade”.
Moya ressalta que o fato de não
ter sido criada uma Assembléia Constituinte exclusiva para a elaboração
da Constituição provocou conseqüências no resultado
final do texto. Naquele momento, o congresso exerceu a função
de redigir a Carta Magna em conjunto com a de legislar de maneira ordinária.
Para ele, a junção das duas tarefas fez com que qualquer
demanda que poderia, numa situação normal, ser resolvida
por lei, acabasse sendo incluída na Constituição.
“Após um período
de ditadura, surgiram muitas reivindicações, como as garantias
da magistratura, que não estavam existindo. Depois passou-se a
exigir o restabelecimento do Estado de Direito”, diz o jurista,
professor e uma das referências no direito constitucional brasileiro
José Afonso da Silva.
Segundo ele, nesse contexto é que
o Congresso Nacional iniciou os trabalhos que resultaram no texto final
da Lei Maior. José Afonso relembra o surgimento das “Diretas
Já”, seguido por vários outros movimentos dos mais
distantes setores da sociedade, que acabaram por exigir a elaboração
de uma nova Constituição. “No fundo, foi no bojo
da ditadura que se começou a organizar a sociedade em certos tipos
de associações”, relembra.
Profundo conhecedor da matéria,
o jurista Dalmo de Abreu Dallari, também diz que a Constituição
Federal de 1988 nasceu das lutas contra a ditadura militar. “Iniciou-se
uma reação por parte das pessoas contra as violências
do período, que passaram a exigir um novo tipo de sociedade para
viver, agora sem injustiça. Além de se discutir o que seria
uma sociedade justa, nasceu a necessidade de colocar a definição
dessa sociedade numa Constituição verdadeiramente democrática”,
ressalta Dallari.
José Afonso revela que,
a fim de materializar a demanda por direitos, a Carta Magna foi bastante
inspirada nos regimentos de Portugal e da Espanha e, em menor escala,
no italiano e no alemão. “Também se usou como base
as Constituições brasileiras anteriores, mas, apesar dos
modelos seguidos, a Lei Maior nacional não pode ser considerada
uma cópia de nenhuma outra, pois ela possui uma identidade própria”,
avalia.
Como resultado desse contexto
histórico, José Afonso disse enxergar muitas qualidades
na Lei Maior brasileira. “Ela é preocupada em garantir
os direitos do cidadão. E quando estabelece a organização
do Estado e dos Poderes, ela o faz em função dos direitos
fundamentais da pessoa humana”, diz. “Foi de longe a Constituição
brasileira com maior participação popular. Foi também
a mais democrática da nossa história”, completa
Dallari.
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AGÊNCIA DIAP, 07 de outubro de 2008
ELEIÇÕES 2008
Lula subirá em palanque só contra
DEM e PSDB no 2º turno
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva informou aos ministros Franklin Martins (Comunicação
Social), Dilma Rousseff (Casa Civil) e José Múcio (Relações
Institucionais) que manterá no segundo turno das eleições
municipais a regra de acordo com a qual ele só subirá em
palanques nos municípios em que o candidato da base aliada enfrente
adversários de partidos de oposição, como DEM e
PSDB.
"Eu sou daqueles que acha
que o presidente deve ir sim aos municípios onde ele se sentir à vontade
para participar, defendendo candidaturas da base aliada. O importante é que
o presidente apóie os partidos da base aliada", comentou
o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci.
A se manter essa regra, discutida
nesta manhã no primeiro balanço do Palácio do Planalto
após o pleito, Lula não deve comparecer às campanhas
de Maria do Rosário (PT) em Porto Alegre (RS), que enfrentará o
peemedebista José Fogaça, ou ao Rio de Janeiro, onde concorrem
Eduardo Paes (PMDB) e o deputado Fernando Gabeira (PV).
Segundo um ministro próximo
ao presidente, no entanto, em casos emblemáticos, como na capital
gaúcha, onde o PMDB tem forte caráter oposicionista, ainda
há uma possibilidade de Lula marcar presença.
Em uma análise preliminar,
o presidente Lula estuda comparecer às campanhas dos petistas
Marta Suplicy, em São Paulo (SP), Luiz Marinho, em São
Bernardo do Campo (SP), Carlito Merss, em Joinville (SC), além
dos palanques de Flávio Dino (PCdoB), em São Luís
(MA), de Mauro Mendes (PR), em Cuiabá (MT), e de Sebastião
Almeida (PT), em Guarulhos (SP). (Fonte: Terra)
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CONGRESSO EM FOCO, 07 de
outubro de 2008
2008: eleições sem
esperanças
Celso Lungaretti *
Houve eleições
municipais no domingo. Sabemos disso porque fomos obrigados a ir votar,
ficamos sem o futebol dominical e não pudemos tomar umas eoutras
nos botecos.
Mas, faltava algo nas ruas: esperança.
Ninguém dava mostras de acreditar que algo mudaria, fosse quem
fosse eleito.
Menos, é claro, os feios,
sujos e malvados que disputaram vagas na Câmara Municipal, movidos
quase todos por ambições mesquinhas. Estes se atiraram à luta
com a sofreguidão de quem vê uma chance única de
subir na vida ou (os que buscavam a reeleição) manter-se
num patamar muito acima do facultado por seus reais talentos.
O desfile dessas figuras grotescas
no horário eleitoral gratuito parecia show de aberrações
em mafuás da periferia. Pouquíssimos
sugeriam a mais remota possibilidade de servirem ao povo, já que saltava
aos olhos sua escassa competência e a escassez ainda maior de caráter.
Mal conseguiam dissimular que queriam mesmo é servir-se do povo, dos
cofres públicos e das inesgotáveis benesses do poder.
A principal conclusão
a tirar-se dessas eleições já se sabia na véspera:
a fisiologia impera, não existindo mais nenhum grande partido
movido por ideologia. O PT, última tentativa nessa direção,
hoje não vê pecado nenhum em coligar-se com o PPS em 20,3% dos
municípios brasileiros, com o PSDB em 19,7% e com o DEM em 17,2%.
Se associar-se aos dois primeiros
já embaça as distinções que deveria haver
entre situação e oposição, as alianças
com o DEM constituíram verdadeira ignomínia: o PT, que
nasceu da resistência à ditadura de 1964/85, irmanando-se
ao partido herdeiro da Arena, criada pelos militares para dar aparência
de legalidade ao jugo da força bruta.
De resto, ficou comprovado que
o patrimônio político de Lula é pessoal e intransferível.
Sua popularidade sobe aos píncaros, mas não se transmite
ao PT e seus aliados, que tiveram desempenho apenas razoável em
grandes capitais como São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre,
além de amargarem derrotas sofridas em Curitiba e no Rio de Janeiro
(onde o prejuízo foi total, pois perdeu ao lado do pior dos candidatos,
depois que uma tentativa espúria de beneficiá-lo terminou
em tragédia) .
As freqüentes comparações
entre Lula e Getúlio Vargas omitem um dado importante: o segundo
inspirava verdadeira devoção nos trabalhadores, tanto que
foi capaz de eleger até um poste (Eurico Gaspar Dutra), quando
impedido de disputar a eleição presidencial.
Já Marta Suplicy, peça-chave
no tabuleiro de Lula, ficou exatamente no seu índice habitual
de trinta e pouco por cento, apesar de todo apoio presidencial.
Pior: a arrancada de Gilberto
Kassab em setembro indica que, quando o eleitorado paulistano passou
a interessar-se pelo pleito, inclinou-se na direção do
atual prefeito.
Será dificílimo,
quase impossível, reverter essa tendência. Não é à toa
que dirigentes petistas já aconselham Lula a evitar um
comprometimento excessivo com a campanha de Marta no 2º turno.
Finalmente, evidenciou-se que
está bloqueado o caminho para outro partido repetir a trajetória
do PT -- seja porque o otimismo da década de 1980 cedeu lugar
ao conformismo atual, seja por conta da decepção causada
pelo próprio PT, ao frustrar as esperanças que despertou.
A classe média, capaz
de mobilizar-se por ideais, mostra-se amarga e descrente. Por enquanto,
o assistencialismo e o clientelismo estão sendo suficientes para
garantir apoios que contrabalançam o êxodo dos melhores
seres humanos.
Mas, já sem apelo para
corações e mentes, Lula e o PT dependerão do que
puderem oferecer para as barrigas. Enquanto proporcionarem melhoras materiais,
mesmo que ínfimas, têm chance de perpetuarem-se no poder.
Se a crise cíclica do
capitalismo atingir um estágio mais agudo, entretanto, já não
haverá como manter essa sustentação, em última
análise, comprada. Aí vai lhes fazer muita falta a ardorosa militância
que sustentava o partido nos tempos difíceis e foi trocada pelos interesseiros
sempre em busca de partidos que os sustentem.
* Celso Lungaretti, 58 anos, é jornalista
e escritor. Mantém os blogs O Rebate, em que disponibiliza textos
destinados a público mais amplo; e Náufrago da Utopia,
no qual comenta os últimos acontecimentos.
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CONGRESSO EM FOCO, 07 de
outubro de 2008
Eleições fazem 13 novos
deputados
Passado o primeiro turno das eleições municipais, contabiliza-se
a vitória de 13 deputados para prefeituras. Outros dez deputados tentarão
se eleger no segundo turno (além de quatro candidatos à vice-prefeito).
Na dança de cadeiras no Congresso provocada por esse primeiro turno,
o PTB acabou ganhando mais três vagas na Câmara. A legenda passará a
contar com 22 deputados.
Apesar das 13 cadeiras de prefeito
conquistadas, os parlamentares tiveram um desempenho pífio, como
antecipou o Congresso em Foco. Nas eleições de ontem,
68 deputados e senadores perderam a disputa municipal. No Senado, ninguém
conseguiu tornar-se prefeito. Marcelo Crivella (PRB-RJ), Patrícia
Saboya (PDT-CE) e Almeida Lima (PMDB-SE) fracassaram logo no primeiro
turno. Há 14
deputados que disputarão o segundo turno.
Com o resultado desse domingo
(5), o PMDB da Câmara ganhou mais uma vaga e permanece como a maior
bancada: passando de 95 para 96 cadeiras. O PR acabou perdendo duas vagas,
passando de 44 para 42 vagas, Isso ocorre porque dois deputados da legenda
foram eleitos, mas nenhum suplente do partido será empossado.
Já o PT acabou perdendo
uma vaga, passando de 79 para 78 vagas. Na mesma linha, o PCdoB também
elegeu um deputado e não emplacou nenhuma suplência. Atualmente,
13 parlamentares do partido fazem parte dos quadros da Câmara.
O DEM ganhou uma vaga, e passará a
contar com 54 parlamentares.
Até agora, a situação
do PSDB e do PDT permanece inalterada, uma vez que ambos elegeram um
prefeito e emplacaram uma suplência. Dessa forma, a Câmara
continua contando com 59 tucanos e 25 pedetistas.
A eleição desses
13 deputados representa uma mudança tímida dentro da composição
de forças na Câmara. A oposição acabou ganhando
apenas mais uma cadeira, o que tende a não interferir no processo
político da Casa, que conta com ampla maioria governista.
OS NOVOS
DEPUTADOS
Acélio Casagrande (PMDB-SC), segundo suplente
de Djalma Berger (PSB), eleito em São José (SC). O primeiro
suplente é Paulo Roberto Bauer (PSDB), que atualmente é Secretario
de Educação em SC.
Antonio Carlos Ramos
(PTB-AL), que assume a vaga de Cristiano Matheus (PMDB), eleito
em Marechal Deodoro (AL).
Elizeu Morais de Aguiar
(PTB-PI), que assume o lugar de B. Sá (PSB), eleito
em Oeiras (PI).
Fernando Antônio
do Nascimento (PT-PE), que assume a vaga de Renildo Calheiros
(PCdoB), eleito em Olinda (PE).
Fernando Stephan Marroni
(PT-RS), que assume a vaga de Tarcísio Zimmermann (PT),
eleito em Novo Hamburgo (RS).
Geraldo Tenuta Filho
(DEM-SP), que assume a vaga de Silvinho Peccioli (DEM), eleito
em Santana de Parnaíba (SP).
Jairo Alfredo Oliveira
Carneiro (DEM-BA), que assume a vaga de Jusmari Oliveira (PR),
eleita em Barreiras (BA).
João Herrmann
Neto (PDT-SP), que assume a vaga de Reinaldo Nogueira (PDT),
eleito prefeito de Indaiatuba (SP).
Joseph Wallace Faria
Bandeira (PT-BA), que assume a vaga de Guilherme Menezes (PT),
eleito em Vitória da Conquista (BA).
José Vieira Lins
(PSDB-MA), que assume a vaga de Sebastião Madeira (PSDB),
eleito em Imperatriz (MA).
Marcos Guimarães
de Cerqueira Lima (PMDB-MG), que assume a vaga de Maria do
Carmo Lara (PT), eleita em Betim (MG).
Osvaldo Anicetto Biolchi (PMDB-RS), suplente de Cezar Schirmer (PMDB),
eleito prefeito em Santa Maria (RS). Por sua vez, Schirmer é suplente
de Osmar Terra (PMDB), atual Secretário de Saúde do Rio Grande
do Sul.
Paulo César
da Guia Almeida (PTB-RJ), que assume a vaga de Sandro Matos
(PR), eleito em São João de Meriti (RJ). (Rodolfo Torres).
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CONGRESSO EM FOCO, 07 de
outubro de 2008
Candidatos do barulho
Dos 22 candidatos ao segundo turno, 15 respondem,
ao todo, a 102 processos na Justiça. Também há ações
contra 14 dos 15 prefeitos eleitos
Edson Sardinha e Bruno Arruda
Das 11 capitais onde os eleitores
voltarão às urnas no próximo dia 26 para a escolha
do prefeito, dez têm candidatos que respondem a processo na Justiça.
Em cinco delas, os dois concorrentes têm pendências judiciais.
Ao todo, 15 dos 22 postulantes que seguem vivos na corrida eleitoral
enfrentam 102 ações no Judiciário (saiba
quem são eles).
A situação judicial
também não é das mais confortáveis para 14
dos 15 prefeitos eleitos ou reeleitos anteontem (5). Com exceção
da novata Micarla de Sousa (PV), em Natal (RN), todos os demais têm
seus nomes envolvidos, no total, em 39 questionamentos na Justiça
(veja
a lista).
Os dados fazem parte do cruzamento
de informações entre os resultados das urnas e o levantamento
divulgado pelo Congresso em Foco na última quinta-feira (2), feito
a partir de consulta às páginas do Supremo Tribunal Federal
(STF), da Justiça Federal e dos tribunais de Justiça de
cada estado na internet (leia
mais).
Macapá é a única
capital onde não foi encontrado registro contra nenhum dos candidatos
que disputarão o segundo turno, Camilo Capiberibe (PSB) e Roberto
Góes (PDT). Já em Belém, Cuiabá, Florianópolis,
Manaus e São Paulo, os dois concorrentes são alvo de processos.
De todos os 178 candidatos que
disputaram a eleição no último domingo nas capitais,
86 (veja
a lista, por cidade) respondiam a algum tipo de ação
judicial. Dos dez com maior número de pendências, cinco
passaram para o segundo turno.
São eles: João
Castelo (PSDB-MA, 20 processos), em São Luís (MA); Duciomar
Costa (PTB-PA, 19 processos), candidato à reeleição
em Belém (PA); Marta Suplicy (PT-SP, 15 processos), em São
Paulo (SP); Dário Berger (PMDB-SC, 12 processos) candidato à reeleição
em Florianópolis (SC), e Esperidião Amin (PP-SC, 11 processos),
que também concorre na capital catarinense.
Dos 13 prefeitos reeleitos, Íris
Rezende (PMDB), de Goiânia (GO), com sete processos, e Sílvio
Mendes (PSDB), de Teresina (PI), são os que acumulam mais questionamentos
na Justiça. O prefeito eleito de Recife, João da Costa
(PT), também é alvo de uma ação civil pública.
Há duas semanas, o juiz eleitoral Nilson Nery cassou o registro
de candidatura do petista por considerar que havia provas de uso da máquina
pública da prefeitura, administrada por João Paulo Lima
e Silva (PT), em favor de Costa. A chapa entrou com recurso no Tribunal
Regional Eleitoral. O caso deve ser analisado pela corte apenas esta
semana.
Falta de transparência
Na maioria das 26 páginas
de tribunais de Justiça consultadas, a pesquisa por nome de uma
das partes envolvidas no processo esbarra em mecanismos de busca pouco
eficientes. Em várias delas, não há informações
claras a respeito da movimentação dos processos. Ao contrário
do que ocorre no site do STF, em quase nenhuma se pode conhecer o assunto
a que determinada ação se refere (entenda
o levantamento).
Na semana passada, ainda antes
do primeiro turno, o Congresso em Foco procurou todos os 86 candidatos
a prefeito nas capitais que tinham seus nomes em processos ativos na
Justiça para que apresentassem suas explicações.
Poucos, porém, se manifestaram.
Inelegíveis
Tramitam no Congresso projetos
de lei que pretendem endurecer a regra, tornando inelegíveis os
condenados em primeira ou única instância por determinados
tipos de crime (leia
mais).
Hoje, para que algum candidato
seja impedido de concorrer a cargos eletivos, é necessária
condenação em sentença transitada em julgado – ou
seja, contra a qual não cabem mais recursos – por abuso
do poder econômico ou político, por crimes contra a economia
popular, a fé pública, a administração
pública, o patrimônio público e o mercado financeiro.
Ou, ainda, por tráfico de entorpecentes e por crimes eleitorais,
os que tiverem as contas relativas ao exercício dos cargos públicos
rejeitadas por irregularidade insanável e por decisão
irrecorrível do órgão competente, salvo se a questão
houver sido ou estiver sendo submetida à apreciação
do Poder Judiciário.
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G1, 07 dee outubro de 2008
| Economia e negócios / Seu bolso
Saiba quem tem direito a sacar o
Pis-Pasep e o FGTS
Falta de informação faz trabalhador
esquecer dinheiro nos bancos.| No ano passado, 430 mil trabalhadores
deixaram de receber abono.
Do G1, com informações
do Bom Dia Brasil
PIS-Pasep são duas siglas que causam confusão e fazem o trabalhador
esquecer até os seus direitos. Tem dinheiro sobrando nos bancos e que
se não for resgatado vai parar de novo nos cofres do governo.
Ao todo, 15,2 milhões
de pessoas podem receber o abono salarial. Quem for trabalhador da iniciativa
privada (PIS), deve se informar na Caixa Econômica Federal. Servidores
públicos, que são beneficiados pelo Pasep, podem procurar
o Banco do Brasil.
Muita gente esquece que tem esse
direito e perde o prazo e também o dinheiro extra que entra na
conta só uma vez por ano: R$ 415.
“É uma ajuda boa.
Sempre aplico na minha casa, nos meus custos e na minha família.
Assim, dou reforço em casa”, afirma o cobrador Jaime Ferreira
Filho.
O benefício de um salário mínimo é pago a trabalhadores
da iniciativa privada e do serviço público. Ele é financiado
pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). São contribuições
pagas, principalmente, pelas empresas.
Nem todos têm direito ao
benefício. Pode sacar o abono salarial quem trabalhou, pelo menos,
30 dias no ano passado, com carteira assinada e recebeu, em média,
até dois salários mínimos por mês. O trabalhador
tem que estar cadastrado no PIS-Pasep, há no mínimo cinco
anos.
“Eu tenho que ir lá procurar
saber se eu tenho direito. Às vezes, até está lá e
eu não fui ver”, reconhece a copeira Marluce Rocha.
Quem tem direito ao abono mas
não vai atrás dentro do prazo perde o dinheiro. Só no
ano passado, 430 mil trabalhadores deixaram de receber o benefício.
Ao todo, R$ 190 milhões não foram sacados. Isso só na
iniciativa privada. No serviço público, outros 222 mil
servidores não apareceram para receber. O dinheiro que sobra volta
para o Fundo de Amparo ao Trabalhador e é aplicado em programas
do governo.
O gerente de Benefícios
Sociais da Caixa Econômica Federal, Ricardo Endo, lembra que o
trabalhador precisa manter o endereço atualizado junto ao banco.
Se ele tiver direito ao abono e não for buscar, receberá uma
carta no fim do ano. “Isso é uma maneira da Caixa e do Ministério
do Trabalho notificarem a esse trabalhador que ele ainda tem direito
a um salário mínimo esperando por esse trabalhador”,
explica.
A confusão é enorme
quando o assunto é o Fundo de Garantia. Uma pesquisa mostrou que,
entre cem trabalhadores, 99 desconhecem o benefício do FGTS.
O FGTS foi criado em 1967 e é uma
conta-poupança aberta pela empresa, em nome do trabalhador. O
empregador deve depositar na Caixa Econômica Federal, todo mês,
8% do salário recebido pelo funcionário.
“ O Fundo de Garantia não é um
dinheiro que entra mês a mês no bolso do trabalhador. O que
ele olha no contracheque é o líquido. O trabalhador, futuramente,
quando sair da empresa ou quando se aposentar, ele vai poder usar. Só que
nunca ninguém ensinou para ele o que é o Fundo de Garantia”,
explica Mário Avelino, presidente da ONG FGTS Fácil.
O Fundo de Garantia foi criado
pelo governo federal para proteger o trabalhador demitido sem justa causa.
Outras situações que permitem o saque são: doença
grave, aposentadoria e para a compra da casa própria.
Mais de três milhões
de empresas têm que depositar o Fundo para seus empregados todo
mês. Ao todo, 250 mil empresas não depositam, segundo a
Caixa Econômica Federal.
A bolada que pertence aos cidadãos,
em contas ativas do FGTS, é uma soma considerável. São
mais de R$ 143 bilhões.
O faxineiro Antonio de
Souza Bello só tem uma idéia do que é o FGTS. “Eu
já ouvi falar. Assim, é para comprar casa e fazer construção.
Eu já podia retirar o fundo, mas até hoje não
procurei saber”, diz.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
07 de outubro de 2008
Empresa consegue impedir no STF contratação
de empregado público aposentado
O STF (Supremo Tribunal Federal) deferiu liminar da Cidasc (Companhia Integrada
de Desenvolvimento Agrário de Santa Catarina), que recorreu ao tribunal
para fazer valer a decisão da Corte, no que se refere a proibição
de empregados de empresas públicas e de economia mista de acumular o
valor recebido por aposentadoria (se ela for voluntária) e o salário
de um novo vínculo empregatício com a mesma empresa. A decisão é do
ministro Cezar Peluso, que atendeu à reclamação da empresa.
Segundo o tribunal, ao julgar
as Adins (Ações Diretas de Inconstitucionalidades)
1770 e 1721, o Supremo decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo
1º do artigo 453 da CLT (Consolidação das Leis
do Trabalho. O texto, suspenso desde 1998 pelo STF, permitia a readmissão
do funcionário aposentado voluntariamente, desde que não
acumulasse dois empregos públicos - na mesma linha de decisão
da vara trabalhista.
A 4ª Vara de Trabalho
de Criciúma (SC) determinou o retorno de um funcionário
aposentado, garantindo função, posto, salário
e demais vantagens obtidas pelo trabalhador, o que gerou a ação
da Cidasc.
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CONSULTOR JURÍDICO,
07 de outubro de 2008
Socos e pontapés
Pais respondem por agressões
cometidas pelos filhos
Um casal de trabalhadores foi responsabilizado por agressão, praticada
por seus dois filhos de 15 e 16 anos, contra o superior hierárquico.
Segundo a 9ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do
Rio Grande do Sul, os réus são responsáveis pelos atos
ilícitos cometidos pelos menores.
Na época dos fatos, estava
em vigência o Código Civil de 1916, segundo o qual a menoridade
terminava aos 21 anos. A vítima deve receber do casal R$ 10 mil
por danos morais.
O autor da ação
contou que era gerente regional da Companhia Estadual de Energia Elétrica
e que os dois rapazes invadiram a sua sala, agredindo-o com socos, pontapés
e palavras de baixo calão. Eles estavam revoltados porque achavam
que seus pais eram perseguidos pelo chefe.
A desembargadora Iris Helena
Medeiros Nogueira, relatora no TJ gaúcho, ressaltou que o contexto
dos fatos demonstra as rusgas entre o autor e os réus. “As
várias ações, civis e trabalhistas, envolvendo as
partes ou interesses delas, já é suficiente para tal conclusão”,
afirma.
Para Iris Helena, mesmo que houvesse
a perseguição política, “não justifica
a conduta agressiva de seus filhos, não afastando, de modo algum,
a responsabilidade civil”. A desembargadora salientou que é evidente
a conduta omissiva dos pais em relação aos seus filhos, “pois
deixaram que adentrassem seu local de trabalho e agredissem seu superior
hierárquico.”
Iris Helena reconheceu a ocorrência
de dano moral. Para arbitrar a indenização, afirmou que
devem ser consideradas várias circunstâncias. “De
regra, venho expondo que o valor da indenização deve atentar
para a pessoa do ofendido e do ofensor; a medida do padrão sócio-cultural
da vítima; a extensão da lesão ao direito; a intensidade
do sofrimento e sua duração; e as condições
econômicas do ofendido e as do devedor”, anotou.
Processo: 700.252.75.082
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