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FOLHA DE LONDRINA, 08 de
outubro de 2008 | Economia
Queda das ações aumenta
medo do desemprego
Empresas já freiam investimentos e
precisam de crédito para giro dos negócios
Curitiba - Caso a crise econômica dos Estados Unidos se estenda por mais
dois ou três meses vai trazer redução de produção
para as empresas, de investimentos e corte de empregos. Uma fonte de captação
de recursos para as companhias é ter o capital aberto com ações
negociadas na bolsa de valores. Com a queda geral dos papéis que vem
ocorrendo na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) as ações
das principais companhias do Paraná caíram até 58%.
''Fechada a torneira da capitalização
(bolsa) e a do crédito internacional por conta da crise, as empresas
vão ter que recorrer ao mercado interno'', disse o coordenador
do curso de Economia da FAE Business School, Gilmar Mendes Lourenço.
Com isso, para capital de giro, as empresas terão que recorrer
a linhas de bancos comerciais e, para investimento, linhas de bancos
comerciais e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social). ''O crédito está minguando no mundo e no Brasil.
No curto prazo, a capacidade das empresas crescerem é bastante
reduzida'', destacou.
Ele lembrou que o cenário
mundial é de apreensão e de expectativa. ''Por enquanto,
as medidas dos EUA preservam as contas correntes, a poupança e
as aplicações em geral'', disse. Lourenço destacou
que ''as empresas já colocaram o pé no freio dos investimentos
e precisam de crédito para giro dos negócios.
''O grande problema de uma crise
como essa dos EUA é que gera outra crise - a de credibilidade
das análises econômicas que são feitas'', alertou.
Segundo ele, a crise com essa
magnitude e profundidade não pode virar o ano de 2008. Lourenço
prevê que o problema dificilmente vai ser resolvido enquanto o
governo Bush estiver no comando porque ele não tem credibilidade
política.
A empresa de telefonia GVT informou
que não poderia comentar a queda das ações (de -32%)
porque está em período de silêncio até a divulgação
do balanço do terceiro trimestre que acontece no dia 15 de outubro.
Essa restrição é imposta pela Comissão de
Valores Mobiliários (CVM). A empresa esclareceu apenas que não
há possibilidade de demissões. A companhia emprega 4.100
funcionários, atua em 80 cidades de 14 Estados e cresce cerca
de 35% ao ano.
O superintendente de relações
com investidores da América Latina Logística (ALL), Rodrigo
Campos, disse que a empresa tem um ''colchão de caixa para crescer
nos bons e maus momentos''. Segundo levantamento da FOLHA, a queda nas
ações da ALL foi de 47%. Hoje a companhia dispõe
de um caixa de R$ 2,5 bilhões e, de acordo com Campos, pode crescer
sem utilizar o mercado de crédito nos próximos dois anos.
Campos disse que a ALL não prevê revisão de investimentos
para baixo. ''Estamos preparados para crescer e não precisamos
de capital a médio prazo'', disse. A empresa emprega 5.300 funcionários
e também não cogita demissões.
A Sanepar não tem procedimento
de aumento de capital através de bolsa como meio de financiar
as atividades. A afirmação é do diretor de relações
com investidores da empresa, Germinal Pocá. Segundo ele, a queda
das ações, de 29,13%, não tem efeito na parte econômica
e financeira da empresa. Os investimentos são realizados com financiamentos
da Caixa Econômica Federal, do BNDES e recursos próprios.
A Copel e a Positivo Informática
foram procuradas pela reportagem, mas não deram retorno até o
fechamento desta edição.
Andréa Bertoldi
Equipe da Folha
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FETRACONSPAR, 8 de
outubro de 2008
Brasília/DF
Centrais se reúnem com
Secretário do Trabalho para discutir a Terceirização
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As Centrais Sindicais,
se reuniram hoje (08/10), às 10:00 horas na sede do Ministério
do Trabalho em Brasília/DF, com o Secretário de
Relações do Trabalho, LUIZ ANTONIO DE MEDEIROS,
para darem andamento as discussões sobre o pré-projeto
que trata da terceirização de serviços no
Brasil.
Ficou agendada nova reunião
entre as centrais para o dia 21/10 às 10:00 horas, na
sede da CUT em São Paulo/SP.
Representando a
NCST – Nova Central Sindical de Trabalhadores, participaram
os diretores GERALDO RAMTHUN e JAIRO
JOSÉ DA SILVA, assessorados pela representante
técnica KARLA CRISTINA DA COSTA BRAZ da Sub-Seção
do Dieese na CNTI.
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Geraldo
Ramthun
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Jairo
José da Silva
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O ESTADO DO PARANÁ,
08 de outubro de 2008 | Economia
Comércio de materiais de construção
cresce no País
Redação
Dados da Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material
de Construção) apontam que o comércio de materiais de
construção no País cresceu 9,5% em volume de vendas entre
os meses de janeiro e agosto, na comparação com o mesmo período
de 2007.
Num momento em que o varejo comemora
os bons resultados, a Expocon - 11.ª Feira de Fornecedores da Construção
Civil mostra que está se consolidando como o segundo maior evento
do setor no Brasil.
O número de expositores
confirmados para a feira já é de 150 indústrias.
A Expocon acontece entre os dias 15 a 18 de outubro, no Expotrade Convention
Center, em Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba (RMC).
Informações: (41) 3075-1100 ou www.feiraexpocon.com.br.
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Gazeta do Povo, 8 de outubro
de 2008
Demografia
População começará a
diminuir
Estudo prevê que Brasil terá 204
milhões de habitantes em 2030. Depois, passará a perder
população
Já há data marcada para o fim do crescimento da população
brasileira. Em 2030, o Brasil deve chegar ao número máximo de
habitante: 204,3 milhões. A partir dessa data, a taxa de crescimento
chega a zero e, em seguida, torna-se negativa. A tendência, então, é que
a população comece a encolher. Em 2035, seremos 200,1 milhões
de brasileiros. A projeção, divulgada ontem, faz parte da terceira
etapa do estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea),
feitos com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad)
2008, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo
estimativa do IBGE, hoje o Brasil tem 190 milhões de habitantes.
“ Já sabíamos que isso iria acontecer em algum momento, mas
não tínhamos o cálculo de quando. Agora sabemos de forma
mais concreta: é em 2030. E 2030 não está longe”,
afirma a coordenadora de pesquisa da área de população e
cidadania do Ipea, Ana Amélia Camarano. Segundo a professora do Departamento
de Geografia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Olga Firkowski,
a tendência, em seguida, é que a população se estabilize. “Os
países europeus foram os primeiros a passar por isso, depois a América.
No futuro, será a vez da África. É uma tendência que
veio para ficar”, afirma.
Para a professora de Geografia
da População da UFPR Gislene Santos, os dados apresentados
pelo Ipea quebram o mito em voga a partir dos anos 70 de que os países
do terceiro mundo sofreriam uma explosão demográfica. “A
previsão que se tinha, na época, é que chegaríamos
em 2000 com 205 milhões de habitantes. Isso não aconteceu.
De acordo com estudo, em 2030 teremos menos que isso: 204,3 milhões
de habitantes”, diz. A derrubada do mito não causa surpresa,
segundo Gislene. “A queda do crescimento da população
vem sendo verificada pelas Pnads e censos desde a década de
70”, explica.
O estudo do Ipea mostra também que a população, além
de diminuir, deve se tornar mais envelhecida. A previsão apresentada
pelo instituto está intensamente ligada à queda na taxa de fecundidade
(número de filhos por mulher), à taxa de natalidade e ao aumento
da expectativa de vida.
Segundo Gislene, porém, o fato de o Brasil atingir essas metas não
significa a solução de problemas sociais. “Nos anos 70,
a receita dada era a da diminuição da taxa de fecundidade. Nós
atingimos a meta. E daí? O Brasil continua desigual”, observa. “Temos,
ainda, alta concentração da população em alguns
pontos do país, principalmente nas capitais, municípios ligados à metrópole
e alguns pólos regionais”, exemplifica Gislene.
Para Ana Amélia, a questão, agora, é verificar as conseqüências
desse fenômeno e como a sociedade vai se comportar. “Com uma população
envelhecida e a pirâmide etária (veja no gráfico) de cabeça
para baixo, precisamos que as condições de saúde continuem
melhorando; que acabe a aposentadoria compulsória; que se adie a idade
para se aposentar; que tenhamos mais cuidado com a saúde ocupacional;
treinamento para essa população mais idosa trabalhar; e acabar
com o preconceito em relação ao trabalho do idoso”, diz
Ana Amélia.
Nesse ponto, a diferença de cultura, estrutura e assistência entre
o Brasil e os países europeus podem fazer toda a diferença. Embora
o estudo do Ipea mostre uma redução da pobreza entre os idosos
brasileiros, os encargos sobre eles também aumentaram, observa Olga. “Os
idosos estão assumindo financeiramente as suas famílias e estão
tendo que continuar trabalhando. Nosso idoso é muito diferente do idoso
europeu. Lá, as pessoas estão mais amparadas”, diz.

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Folha
de S.Paulo, 8 de outubro de 2008
ELEIÇÕES 2008 / MINAS GERAIS
Aécio sofre perda de terreno
para PT e PMDB
Além de o PSDB diminuir, governador
assiste ao aumento da força dos ministros Patrus Ananias e Hélio
Costa no Estado | Contrário à aliança PT-PSDB em
Belo Horizonte, Patrus é tido como o responsável pelo salto
petista de 85, em 2004, para 107 prefeituras
FERNANDA ODILLA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
PAULO PEIXOTO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE
O governador Aécio Neves (PSDB) colecionou contratempos nas eleições
em Minas Gerais. Além do revés em Belo Horizonte, com a presença
inesperada de Leonardo Quintão (PMDB) no segundo turno contra seu "afilhado" Marcio
Lacerda (PSB), ele viu cair o número de prefeituras comandadas por tucanos
no Estado (de 170 para 159) e se fortalecerem justamente seus dois principais
adversários políticos.
Os ministros Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), do PT, e Hélio
Costa (Comunicações), do PMDB, começam com vantagem a
corrida de 2010.
Líder da ala do PT avessa à aproximação com Aécio
e os tucanos, Patrus é apontado como o principal responsável
pelo salto de 85 para 107 no número de prefeituras do partido em Minas.
Ele percorreu 34 cidades em cinco finais de semana.
O PT foi o partido que mais avançou no Estado. Ampliou suas bases sobretudo
no Vale do Aço e no sul. Já conta com sete das 28 maiores cidades
mineiras e tem boas chances de vencer em outras duas (Contagem e Juiz de Fora,
ambas em confronto com o PSDB). Também recuperou o comando de prefeituras
importantes, como a de Betim -segunda maior arrecadação do Estado
e hoje comandada por um tucano.
Quanto à Costa, o próprio PSDB mineiro acredita que os peemedebistas
saem das votações motivados a lançá-lo como candidato
ao governo em 2010 devido ao fato de Aécio e o prefeito Fernando Pimentel
(PT) não terem conseguido liquidar a eleição em BH com
Lacerda.
O PMDB ainda venceu em cinco (pode chegar a sete) cidades com mais de 100 mil
habitantes -em algumas derrotou ex-secretários de Aécio.
Tucanos e assessores do governador se apegam aos números da eleição
anterior (150 prefeituras) para anunciar o crescimento do partido. Só que,
em 2007, antes da proibição do troca-troca partidário,
o PSDB havia feito uma filiação em massa e cresceu para 170 municípios.
Aécio perdeu até mesmo na terra natal de seu avô Tancredo
Neves. Em São João Del Rey, o PSDB ficou em terceiro lugar.
O xadrez de 2010, de todo modo, depende do segundo turno em Belo Horizonte.
E caciques peemedebistas estão dispostos a reforçar o interesse
de contar com Aécio nos quadros do PMDB para 2010.
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Vermelho, 8 de outubro de
2008
'Cadê o FMI?', ironiza Lula ao
criticar EUA e Europa
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva fez ironia com a postura recuada do FMI (Fundo Monetário
Internacional) diante da crise de Wall Street. ''Quando era o Brasil
ou a Argentina que apresentava uma crise, o FMI sempre dava palpite e
ditava o que fazer ou não fazer. Agora, cadê o FMI?'', indagou.
Lula ressaltou que se a crise chegar ao Brasil, ''chega mais leve'',
ao lançar em Angra dos Reis um programa de R$ 10 bilhões
para investimento na indústria naval.

Lula com os operários: crítica aos que 'não gostam de
pobre'
Lula acusou os EUA de terem feito a ''farra do boi'' com o dinheiro público.
''O trabalhador sabe que se fizer a farra do boi com seu salário, quem
vai pagar é o seu filho. E a gente não deve governar um país,
mas cuidar de um país, como se cuida de uma família, sabendo
que quem vai sofrer as conseqüências são os nossos filhos'',
disse.
Conforme o presidente, tanto
os EUA quanto a Europa ''fingiram que não têm crise''. ''Eles
são iguais àquelas pessoas que não gostam de pobre.
Vão para a reunião do G8, querem falar da Amazônia,
mas não falam de crise''.
''Se chegar, chega mais leve''
O presidente disse esperar que
o ''pacote americano ajude a resolver o problema deles''. ''Mas pelo
amor de Deus, agora que deixamos de comer o pão que o diabo amassou
e começamos a comer um pãozinho com mortadela, eles que
não venham querer se socializar com a gente. Este tipo de socialismo
não queremos. Queremos socializar a bonança e não
a miséria'', comentou.
''Esta é a primeira vez
que um governo não precisa explicar ao povo que a crise é internacional
e não local. Todos estão cansados de ouvir isso. Mas muitos
acham que é prepotência minha dizer que esta crise não
chega ao Brasil. Digo e insisto: se chegar, chega mais leve, mesmo que
haja quem esteja torcendo para ela chegar logo e causar estragos'', considerou
o presidente.
EUA são ''cigarra'' e Brasil
''formiga''
Lula falou de um palanque montado
em meio ao estaleiro Brasfels, onde foi batizada a plataforma P-51 da
Petrobras. A platéia de 3 mil pessoas tinha uma maciça
maioria de operários metalúrgicos – antiga base de
apoio do presidente. Foi no mesmo estaleiro de Angra que Lula gravou
o seu primeiro programa de TV para a campanha que o elegeu em 2002; na
ocasião, prometeu que a Petrobras passaria a encomendar aqui e
não no exterior as suas plataformas petrolíferas.
''Todo mundo sabe que o que está acontecendo
se deve à especulação financeira que começou
nos Estados Unidos. Eles brincaram com a economia mundial e, na hora
que a porca entorta o rabo, sobra pra nós'', disse Lula, para
lembrar em seguida que ''desta vez será diferente'', porque o
país fez como ''na história da cigarra e da formiga: enquanto
eles cantavam, a gente trabalhava''. A citação foi feita
com relação ao fato de o Brasil ter se transformado em
credor externo (com reservas superiores a sua dívida internacional),
enquanto os EUA se tornaram o país mais endividado do planeta.
''Até agora estamos em pé''
''A crise americana é muito
profunda. talvez seja a maior crise nos últimos 50 anos. Só teve
igual a esta em 1929. E ela está chegando na Europa, porque os
bancos europeus participaram do cassino imobiliário dos EUA'',
disse o presidente Para Lula, os ''rombos'' atuais na economia sao bem
maiores que os das crises do México, Ásia e Rússia,
na década passada, que ficaram em torno de US$ 50 bilhões;
mesmo assim o Brasil ''quase quebra'', lembrou ele. ''Mas nesta, nos
EUA, o rombo já é de US$ 1 trilhão, só lá.
A mágoa deles e de alguns aqui dentro é de que o Brasil
não quebrou. Eu não estou dizendo que não teremos
dificuldades, mas que até agora estamos em pé'', disse
o presidente, em uma comparação implícita com seu
antecessor, Fernando Henrique Vardoso, que culpa fatores externos pelo
mau desempenho da economia brasileira durante seus oito anos de governo
(1995-2002).
''Não haverá nenhum
pacote''
Lula foi enfático ao afirmar
que a atual crise econômica mundial não levará o
governo a lançar um pacote econômico. ''Não haverá nenhum
pacote econômico'', disse. ''Todas as vezes em que houve um pacote
econômico no Brasil, o trabalhador é que foi prejudicado'',
agregou.
O presidente ressaltou porém
que foram tomadas medidas de apoio aos bancos pequenos e aos exportadores.
''Cada medida será tomada conforme ela for exigida no dia-a-dia'',
disse.
Lula defendeu que ''ninguém
se abale com a crise''. ''''Durante muitas semanas vai se falar em
crise no mundo. A bolsa vai subir e vai descer... Não se abalem,
porque esse país se encontrou com seu destino e não há nada
no mundo que vai fazer com que reapareçam o desemprego, a miséria
e o abandono. A crise gera especulação, gera desconfiança
e depois cidadão fala que não vai gastar seu dinheiro
e vai guardar. Peço a vocês que não façam
isso, e continuem fazendo a mesma coisa que estavam fazendo.''
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Folha
de S.Paulo, 8 de outubro de 2008
Governos elevam intervenção,
mas mercados caem mais
Estados Unidos, Europa e Ásia lançam
medidas bilionárias para estimular crédito | Apesar da
ação oficial, Bolsas voltam a cair pelo mundo, com Nova
York recuando 5,1% mesmo após queda de 3,58% na véspera
CLÓVIS ROSSI
ENVIADO ESPECIAL A MADRI
As autoridades americanas e
européias -ministros e bancos centrais- abriram ontem todo um
novo pacote de bondades para tentar domar o pânico que assola
os mercados financeiros, mas o resultado foi de novo pífio:
a principal Bolsa do mundo, a de Nova York, caiu muito de novo (mais
de 5%) e, na Europa, microganhos nem de longe compensaram o desastre
de segunda-feira.
Na maior economia européia, a Alemanha, nem isso: caiu de novo, agora
1,12%. Paris subiu 0,55%; Londres, 0,35%; Madri, 1,2%. No Brasil, quase 5%
de queda.
O pacote inclui de novo recursos em grande escala, garantias igualmente suculentas
e palavras eloqüentes, como a da ministra francesa de Finanças,
Christine Lagarde: "Não toleraremos um Lehman Brothers europeu",
disse, ao término da reunião com seus colegas de Economia dos
27 países europeus, em Luxemburgo.
É uma alusão ao banco americano de investimentos cuja quebra é tida,
pelos europeus, como o ponto de partida para a viagem da crise financeira ao
outro lado do Atlântico.
Os ministros decidiram elevar de 20 mil para 50 mil a garantia para os depósitos
bancários no bloco, mas sem criar um fundo conjunto para tanto. Cada
país agirá conforme suas próprias necessidades.
A Espanha já agiu ontem mesmo: elevou a garantia de 20 mil para 100
mil, coerente com a sua própria proposta, com apoio da França,
para que a Europa adotasse esse patamar em conjunto.
Os mercados e muitos acadêmicos vinham demandando há semanas uma
resposta coordenada, mas tudo o que os ministros conseguiram foi uma "moldura
coordenada" para "ações públicas que têm
que ser decididas no nível nacional", conforme comunicado do governo
alemão.
Decidiram também dar apoio à instituições financeiras
que representem um risco sistêmico -ou seja, cuja quebra poderia pôr
em risco todo o sistema financeiro. É a versão técnica
de não tolerar "um Lehman Brothers europeu".
O governo espanhol ontem mesmo anunciou a criação de um fundo
de 30 bilhões, ampliável a 50 bilhões, para comprar ativos
sadios de entidades financeiras, com o objetivo de "sustentar a atividade
produtiva e o crédito", como disse o presidente do governo, José Luis
Rodríguez Zapatero.
O premiê britânico, Gordon Brown, fez o mesmo: anunciou esquema,
a ser detalhado hoje, de usar até 50 bilhões de libras (US$ 88
bilhões) para comprar ações preferenciais de bancos relevantes.
Nos EUA, Ben Bernanke, presidente do Fed, anunciou o BC americano comprará "commercial
papers", títulos de curto prazo de grandes empresas. Com isso,
espera lubrificar os congelados mecanismos de crédito.
Já o BCE (Banco Central Europeu) anunciou a duplicação
dos recursos a emprestar a bancos comerciais por períodos de até seis
meses, elevando-os para 50 bilhões. Além disso, em operação
conjunta, o Fed e os BCs de Canadá, Reino Unido, Japão e Suíça
decidiram despejar mais US$ 450 bilhões para os bancos destravarem os
créditos.
Crédito
congelado
Muito mais que a queda nas Bolsas é o congelamento do crédito
que assusta as autoridades porque a economia não funciona sem ele. Os
bancos temem até emprestar dinheiro uns aos outros, quanto mais a pessoas
físicas ou jurídicas, o que trava a economia.
O resultado do pacote de bondades de ontem ainda não pode ser devidamente
avaliado porque as medidas foram pingando ao longo do dia. De todo modo, um
dado é relevante: a Libor (a taxa com a qual os bancos emprestam uns
aos outros) está no mais alto nível em quase oito anos. Subiu
a 3,94%, "taxa de parar o coração", segundo a revista
britânica "The Economist".
Sinal claro de que as instituições financeiras preferem entesourar
recursos em vez de emprestá-los ao mercado, embora essa seja sua razão
de viver.
Mas pânico é pânico, e se revela em outra taxa, a Euribor,
usada na maioria das hipotecas na Espanha: subiu ontem de novo, até chegar
aos 5,49%, o ponto mais alto de sua história.
Nesse cenário, é razoável supor que as autoridades acabarão
por seguir a decisão de ontem da Austrália de reduzir sua taxa
de juros de 7% para 6%, um corte que duplica o que o mercado esperava.
Já há um pequeno coro se formando a favor do corte de juros,
começando pelo diretor da Câmara Britânica de Comércio,
David Frost, para quem "o Banco da Inglaterra [o BC britânico] precisa
reduzir as taxas de juros imediatamente".
É uma idéia que tem o apoio do novo guru da economia, Nouriel Roubini,
da Universidade de Nova York, chamado de "Mr. Doom" (sr. catástrofe),
porque vivia prevendo uma baita crise.
Em entrevista ao "site" do Council on Foreign Relations, Roubini
disse que "a Europa, os Estados Unidos e outras economias líderes
deveriam coordenar grandes reduções de juros, para mostrar que
estão levando a sério o combate à crise e aos problemas
econômicos mais abrangentes que ela poderia gerar".
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Agência Diap, 8 de
outubro de 2008
TRIPLA JORNADA
Mulheres chefiam mais famílias
e concentram tarefas domésticas, mostra Pnad
Cada vez mais as mulheres brasileiras
são chefes de família, participam do mercado de trabalho
e continuam acumulando a maioria das tarefas domésticas. É o
que mostra a série Pnad 2007: Primeiras Análises que, desta
vez, aborda os temas população, família e gênero.
De acordo com a pesquisa, os resultados indicam “exaustivas” jornadas
de trabalho – remunerado e não-remunerado – para as
mulheres, além de um aumento das desigualdades de gênero
no País.
De acordo com o Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), responsável pelo estudo,
a proporção de famílias chefiadas por mulheres passou
de 24,9%, em 1997, para 33%, em 2007, o que representa um total de 19,5
milhões de famílias brasileiras que identificam a mulher
como principal responsável.
Durante o mesmo período,
famílias formadas por casais com filhos e chefiadas por mulheres
também representam um “fenômeno em ascensão”.
Entre 1997 e 2007, os números passaram de 600 mil para quase 3,3
milhões. Em 1997, entre as famílias formadas por casais
com filhos, apenas 2,4% eram chefiadas por mulheres. Em 2007, a proporção
subiu para 11,2%.
A Pnad indica que o aumento de
quase 8% pode estar relacionado à maior longevidade das mulheres,
aliada a um envelhecimento geral da população. Em quase
27% dessas famílias, a mulher considerada chefe tem 60 anos ou
mais e, em muitos casos, mora sozinha. O aumento da participação
feminina no mercado de trabalho também é um dos fatores
responsáveis pelos índices, pois permite que as mulheres
assumam, sozinhas ou com a presença de um companheiro, o sustento
de um lar.
O Ipea alerta, entretanto, que
embora uma maior presença no mercado de trabalho indique maiores
possibilidades de autonomia e emancipação, o aumento do
número de famílias chefiadas por mulheres nas quais somente
elas são as responsáveis pelo sustento da casa e dos filhos “deve
ser lido com cuidado”, uma vez que o aumento pode estar relacionado
tanto ao aumento da precariedade da vida quanto do trabalho dessas mulheres.
Dados sobre o cuidado com os
afazeres domésticos mostram, de acordo com a Pnad, “uma
importante e persistente assimetria de gênero”. A pesquisa
indica que o tempo que as mulheres dedicam ao trabalho doméstico é maior
do que o dos homens, independentemente da condição na família
(chefe ou cônjuge), da escolaridade, da renda ou da condição
de ocupação (ocupado, desocupado ou inativo).
Em famílias formadas por
casais com filhos, os homens na posição de chefe dedicam
10,05 horas semanais aos afazeres domésticos e, na posição
de cônjuges, não ultrapassam 10,44 horas semanais. Já as
mulheres consideradas chefes de famílias e que trabalham fora
de casa, quando comparadas a homens cônjuges desocupados, dedicam
nove horas a mais por semana ao trabalho doméstico.
Dados do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em 2007, 50,5%
dos homens ocupados afirmaram cuidar dos afazeres domésticos,
contra 89,6% das mulheres ocupadas.
Os dados, segundo o Ipea, confirmam
que as mulheres ainda são as principais responsáveis por
tarefas como cuidar da casa, dos filhos, dos idosos, da manutenção
da família e de todas as atividades relacionadas ao âmbito
doméstico. (Fonte: Agência Brasil)
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Vermelho,
8 de outubro de 2008
EUA: de ''terra das oportunidades'' à desigualdade
crescente
Os EUA já foram a terra
das oportunidades. Isto faz muito tempo. No último meio século,
a concentração de renda cresceu no país, agravada
pelo predomínio neoliberal. Hoje, o índice de Gini,
que já foi igual ao dos países da Europa, ficou próximo
ao dos chamados emergentes, como o Brasil, a China ou o México
Por José Carlos Ruy
O predomínio neoliberal
trouxe prejuízos e desigualdades para o povo e os trabalhadores
em todos os países. Inclusive nos Estados Unidos, como mostram
dados divulgados na edição de junho do Le Monde Diplomatique
por Walter Benn Michaels, professor na Universidade de Illinois, Chicago
(EUA), e autor do livro The Trouble with Diversity. How we Learned
to Love Identity and Ignore Inequality (Os problemas com a diversidade:
como aprender a gostar da identidade e ignorar a desigualdade), de
2006, onde destaca a ênfase neoliberal nas diferenças
identitárias (culturais, étnicas e até religiosas,
que caracterizam o chamado multiculturalismo) e, junto com ela, a maior
tolerância em relação à desigualdade e à disparidade
de riqueza e renda.
Ele chama a atenção para o retrocesso que a igualdade sofreu
nos EUA nos últimos 60 anos. Em 1947, quando as leis segregacionistas
(chamadas Jim Crow, e que separavam radicalmente negros e brancos) estavam
no auge no sul do país, o índice de Gini era de 0,376; sessenta
anos depois, em 2006, a desigualdade piorou, e o índice chegou a 0,464.
O índice de Gini é uma medida de concentração:
próximo de zero significa uma distribuição mais igualitária;
quanto maior, isto é, mais distante de zero, a concentração é maior.
''É um aumento significativo'', diz Michaels.Em 1947, os EUA estavam
em patamar semelhante (embora um pouco mais desigual) que os países
da Europa Ocidental; em 2006, ombreava com países emergentes como o
México e a China.
Só para comparar: hoje, na França, o índice é de
0,383; na Alemanha, 0,283; na Suécia, 0,250. Na China, em 2004, era
de 0,470 (igual ao dos EUA em 2006); no México, no mesmo ano, era de
0,510. No Brasil, quando a marca chegou a 0,503, o fato foi comemorado como
uma melhoria histórica na distribuição de renda.
Vista a questão por outro lado, nos EUA, em 1947, os 20% mais ricos
da população dos EUA ficavam com 43% da renda anual; em 2006,
sua fatia aumentou, e passaram a ficar com 50,5% da renda. Em 2006, após
anos de lutas (muitas vezes vitoriosas) contra o racismo, o sexismo e o heterosexismo,
diz ele, os ricos ficaram mais ricos.
Lá, apenas 7% das famílias tem renda anual superior a 150.000
dólares; 18% recebem mais de 100.000 ano ano, e o grosso das famílias
(mais de 50% do total) ganha menos de 50.000 dólares por ano - cerca
de 4.160 por mês (em torno de 8.300 reais), um salário apertado
para as condições estadunidenses (*).
No último meio século, a economia dos EUA cresceu muito e a melhoria
geral ocultou a desigualdade crescente que, na crise, volta a aparecer com
muita clareza. E amplifica o escândalo das indenizações
e demais benefícios pagos aos executivos de Wall Street, autores da
atual crise. A disparidade foi registrado inclusive em um editorial recente
do The New York Times: há três décadas, o salário
de um CEO (isto é, dos grandes executivos) era 30 a 40 vezes maior que
o de um trabalhador médio. Agora, chega a ser 344 maior! Isto é,
um chefão ganha em um dia de especulação quase o que um
trabalhador ganha num ano de trabalho! Dá para entender a resistência
dos estadunidenses comuns contra a salvação dos banqueiros com
dinheiro do governo!
(*) São dados
do censo americano, podem ser consultados no endereço eletrônico
http://factfinder.census.gov/servlet/STTable?_bm=y&-geo_id=01000US&-qr_n...
G00_S1901&-ds_name=ACS_2006_EST_G00_
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Agência
Diap, 8 de outubro de 2008
CAMPANHA SALARIAL
Bancários fazem greve nacional
a partir de hoje; adesão é maciça
Em Brasília paralisação
chega ao 9º dia com disposição e força total

Mais de 3.500 bancários participaram da assembléia do início
da noite desta terça-feira (7)
“Agora somos 450 mil, juntos, para
arrochar os banqueiros”, comemora o Sindicato dos Bancários
de Brasília, pois a partir de hoje (8), os bancários
dos estados que optaram pela greve de 24h na semana passada somam-se
aos grevistas de Brasília e das demais bases sindicais que
cruzaram os braços desde o último dia 30. No DF, a
categoria realiza nova assembléia hoje, às 18h, no
Setor Bancário Sul (SBS).
A intransigência dos bancos na mesa
de negociação terá que dar lugar a propostas
que contemplem as expectativas dos trabalhadores. A organização
e a disposição de luta demonstradas pela categoria
bancária não dá margem à continuidade
do descaso patronal.
Os bancários exigem aumento real de
5% (a proposta da Fenaban é de apenas 0,35% acima da inflação),
valorização dos pisos salariais, participação
nos lucros e resultados (PLR) maior e simplificada, fim das metas
abusivas e do assédio moral.
Atividades da greve
Depois de oito dias parados, os bancários do Distrito Federal já assimilaram
as atividades de sustentação do movimento, numa dinâmica
que se consolida e se fortalece a cada novo dia de greve. A disposição
de luta é visível. As assembléias maciças têm
demonstrado esta assertiva.
Os grevistas se reúnem diariamente
para café matinal e organização dos piquetes,
no Setor Bancários Sul (Praça do Cebolão e Matriz
da Caixa) e em vários outros pontos do DF. No decorrer do
dia, participam das atividades culturais e dialogam com clientes
e usuários que se dirigem às agências bancárias.
“Estas ações impulsionam
nossa mobilização e envolvem um número cada
vez maior de bancários no dia-a-dia da luta. É importante
que cada um dê sua contribuição ao movimento,
até a conquista de nossos objetivos”, frisa Rodrigo
Britto, presidente do Sindicato. (Com Sindicato dos Bancários
de Brasília)
Veja o resultados das assembléias
realizadas, nesta terça-feira (7) por todo País, com
atualização da Contraf-CUT até as 22h.
Greve por tempo indeterminado:
São Paulo - SP
Rio de Janeiro - RJ
Brasília (iniciada em 30/9)
Belo Horizonte - MG
Curitiba - PR
Porto Alegre - RS (exceto Banco do Brasil e Banrisul, que aprovou greve de
24h no dia 10)
Bahia - Salvador (iniciada em 30/9)
Pernambuco (iniciada em 3/10)
Ceará
Florianópolis - SC
Mato Grosso
Alagoas
Piauí
Acre
Rondônia
Espírito Santo
Paraíba
Sergipe (iniciada em 1/10)
Pará e Amapá (iniciada em 7/10)
Maranhão (iniciada em 30/9)
Rio Grande do Norte (iniciada em 30/9)
Sul Fluminense - RJ
Campina Grande - PB
Criciúma - SC
Campo Grande - MS
Campo Mourão - PR
Itabuna - BA
Santo Ângelo - RS
Teresópolis - RJ
Vitória da Conquista - BA
Bauru (iniciada em 30/9)
Santa Cruz - RS
Teófilo Otoni - MG
Mogi das Cruzes - SP
Chapecó - SC
Ipatinga - MG
Feira de Santana - BA
Jacobina - BA
Concórdia - SC (apenas Caixa)
Joaçaba - SC
Araranguá - SC
Região do ABC - SP
Araraquara - SP
Assis - SP
Barretos - SP
Catanduva - SP
Guarulhos - SP
Jundiaí - SP
Limeira - SP
Presidente Prudente - SP
Taubaté - SP
Anradina - SP
Campinas - SP
Cornélio Procópio - PR
Dourados - MS
Franca - SP
Jaú - SP
Jequié - BA
Londrina - PR
Marília - SP
Oeste Catarinense - SC
Paranavaí - PR
Ribeirão Preto - SP
Rondonópolis - MT
Santa Maria - RS
São Borja e Itaqui - RS
São José dos campos - SP
Umuarama - PR
Vale do Araranguá - PR
Vale do Paranhana - PR
Zona da Mata e Sul de Minas - MG
Rejeitaram a greve:
Blumenau - SC
Videira - SC
São Carlos - SP
Estado de greve:
Vale do Ribeira - SP
Bragança Paulista - SP
Guarapuava - PR
Toledo - PR
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Agência
Diap, 8 de outubro de 2008
SERVIDOR PÚBLICO
Contribuição sindical para
funcionalismo divide movimento sindical
CUT, CTB e Condsef são contrárias à taxação
dos empregados e servidores públicos. Nova Central, UGT e CSPB
defendem a contribuição
A Central Única dos
Trabalhadores (CUT) e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras
do Brasil (CTB), em notas, se manifestaram contrárias à cobrança
da contribuição sindical dos empregados e servidores
públicos federais, estaduais e municipais. A cobrança
foi instituída por meio da instrução normativa
(IN) 1, de 30 de setembro de 2008, que “dispõe sobre
a cobrança da contribuição sindical dos servidores
e empregados públicos”.
O presidente da CUT, Artur
Henrique, afirmou que é contrário a instrução
normativa. “A central, que tem a maior representatividade no
setor público do País, não foi consultada”,
destaca a nota. “‘Temos o acúmulo das discussões
realizadas no Fórum Nacional do Trabalho (FNT), onde já se
propunha à câmara setorial a contribuição
negocial para o serviço público. Vamos entrar em contato
com as nossas entidades e com o Governo para traçar estratégias
e para acelerar o debate de regulamentação da contribuição
negocial’”, enfatizou.
“Tendo em vista que
se trata de um assunto polêmico, a CTB entende que o MTE (Ministério
do Trabalho e Emprego) não deve impor a cobrança da
contribuição sindical compulsória sem antes
promover uma ampla consulta aos trabalhadores e trabalhadores do
setor público e às entidades que os representam”,
chama a atenção Wagner Gomes, presidente da central.
Decisão
unilateral
A Condsef (Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público
Federal) também criticou a decisão do MTE de editar a instrução
normativa. A entidade reclamou que a decisão foi tomada de forma unilateral.
A Condsef considera a cobrança
de imposto sindical uma intromissão do Estado na forma de
organização dos trabalhadores. A entidade defende a
organização livre e quer uma audiência com o
ministro Carlos Luppi para reverter esse quadro. A entidade solicitou
também intervenção do Planejamento que também
não participou de qualquer discussão para determinar
a cobrança compulsória de imposto sindical aos servidores
públicos.
“Quem deve manter entidades
sindicais são filiados que contribuem voluntariamente”,
disse Josemilton Costa, secretário-geral da Condsef. “Nossos
sindicatos gerais são dos trabalhadores, construídos
pelos trabalhadores e conduzimos essa luta há quase duas décadas”,
reforça. “Portanto, não concordamos com a cobrança
de imposto sindical uma vez que os servidores devem escolher a forma
como querem se organizar”, defende.
Ciclo
completo
A Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), em sua página na internet,
exulta a decisão do ministro do Trabalho Carlos Lupi, e destaca em conjunto
com a CSPB (Confederação dos Servidores Públicos do Brasil),
que “A decisão do ministro Carlos Lupi, (...) completa o ciclo
da contribuição sindical, que inicialmente vigorou só para
os trabalhadores do setor privado, depois para os empregados públicos
e, mais recentemente, para as centrais sindicais”.
Em nota, a UGT (União
Geral dos Trabalhadores) defende a decisão do Ministério
do Trabalho e Emprego: “A instrução, de autoria
do ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, considera que a
exclusão dos servidores estatutários do recolhimento
da contribuição, por vezes arbitrariamente praticada
pelas administrações públicas, viola o princípio
da isonomia tributária, previsto no artigo 150, inciso II
da Constituição Federal de 1988”. (Marcos Verlaine)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
08/10/2008
Portuários avulsos de Paranaguá não
conseguem adicional de risco
O Órgão de Gestão
de Mão-de-Obra do Serviço Portuário Avulso do Porto
de Paranaguá e Antonina – OGMO/PR e a Multitrans Transportes
e Armazéns Gerais conseguiram reverter no Tribunal Superior do
Trabalho decisão do Tribunal Regional da 9ª Região
(PR) que concedeu o adicional de risco a um grupo de portuários
avulsos. A Quarta Turma do TST considerou correto o pedido, reformou
a decisão e esclareceu que somente mediante negociação
entre as entidades representativas dos trabalhadores avulsos e dos operadores
portuários seria possível deferir o referido adicional.
A ação começou
em 2003, quando os trabalhadores ajuizaram reclamação trabalhista
pedindo, entre outros, o adicional de risco percebido pelos portuários
com vínculo empregatício, alegando que trabalhavam em idêntico
ambiente de risco, perigoso e insalubre. O Tribunal Regional concedeu
o adicional por reconhecer a igualdade entre os trabalhadores. No recurso
julgado pelo TST, o relator, ministro Barros Levenhagen, afirmou que
a igualdade de direitos prevista no texto constitucional entre trabalhadores
com vínculo e avulsos (artigo 7º, inciso XXXIX) “qualifica-se
como igualdade ficta, por conta da manifesta distinção
da relação jurídica de ambos com o tomador do serviço,
na medida em que, no caso do trabalhador avulso, há mera relação
de trabalho, ao passo que, no caso do empregado propriamente dito, vínculo
de trabalho subordinado”.
O relator explicou que o adicional
de risco foi instituído pela Lei nº 4.860/65 e, de acordo
com o seu artigo 19, é aplicado somente “ao regime de trabalho
nos portos organizados, alcançando especificamente os servidores
ou empregados pertencentes às administrações dos
portos organizados sujeitos a qualquer regime de exploração”.
O artigo 29 da Lei nº 8.630/93, que trata do regime jurídico
da exploração dos portos organizados e das instalações
portuárias, estabelece que “a remuneração,
a definição das funções, a composição
dos termos e as demais condições de trabalho avulso serão
objeto de negociação entre as entidades representativas
dos trabalhadores portuários avulsos e dos operadores portuários”.
Com base nesses dispositivos
legais, o relator concluiu que a norma do artigo 29 da Lei nº 8.630,
por ser disposição especial, não se choca com o
princípio constitucional da igualdade ficta, “estando, ao
contrário em consonância com o princípio maior da
igualdade do artigo 5º, caput, da Constituição, pois
trata desigualmente os desiguais, na medida da respectiva desigualdade,
extraída da diversidade de relação jurídica
subjacente à relação de trabalho avulso e à relação
de trabalho subordinado”. O ministro Levenhagen transcreveu precedentes
do TST e lembrou o ensinamento de Rui Barbosa a respeito de que “tratar
como desiguais a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade
flagrante, e não igualdade real”. ( RR-1874-2003-322-09-00.8)
(Mário Correia)
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08/10/2008
ECT: administrador postal não consegue
benefícios da “curva da maturidade”
A Sétima Turma do Tribunal
Superior do Trabalho rejeitou recurso em que um funcionário da
Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) no Ceará que
pedia a aplicação, para sua promoção, do
conjunto de procedimentos definidos como “curva de maturidade” aplicado
a todos os servidores de nível superior da administração
central em Brasília em março de 2001. O pedido já havia
sido negado pela Justiça do Trabalho da 7ª Região
(CE), sob o entendimento de que a avaliação de critérios
para progressão ou promoção é ato discricionário
da empregadora, atendendo-se à conveniência e oportunidade,
inclusive, a supressão.
Com o cargo de administrador
postal júnior, o empregado ajuizou reclamatória em que
questionava o princípio da isonomia na implantação,
em março de 2001, da curva da maturidade, forma de promoção
estabelecida por regulamento da ECT, mas que só os empregados
de nível superior lotados em Brasília receberam naquele
ano. Para os demais, a implantação ocorreu somente em junho
de 2002. Segundo o trabalhador, a extensão se deu com critérios
distintos dos do Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS),
em vigor desde 1995: o PCCS estabelecia um modelo de avaliação
da maturidade profissional dos empregados de nível técnico
e superior. O objetivo era atribuir posição funcional e
salarial compatível com a qualidade e a maturidade de cada funcionário,
a partir de um conjunto de fatores, como formação acadêmica,
capacitação funcional, aperfeiçoamento e experiência
profissional, tempo de serviço, comissões de serviço/grupo
de trabalho, docência, consultorias e atividades gerenciais.
Na prática, de acordo
com o funcionário, a empresa alterou, em 2002, os critérios
do PCCS e adotou como fator de avaliação exclusivamente
o tempo do empregado no cargo, o que lhe causou prejuízos. Assim,
ao submetê-lo a critério diverso do anteriormente adotado
em 2001, em Brasília, a empresa não o beneficiou na progressão
da referência salarial. Disse, ainda, que a alteração
do PCCS foi unilateral, o que contraria a CLT, e que o tratamento desigual
entre funcionários não encontra respaldo legal.
Ao apreciar a ação,
a 4ª Vara do Trabalho de Fortaleza julgou improcedente o pedido,
com o fundamento de que o empregado não indicou um só elemento
de progressão que teria preenchido e que teria sido esquecido
pela ECT, ou que, na aplicação de critérios especificamente
delineados no PCCS, premiaram-se funcionários na sua mesma situação.
Diante desse resultado, o trabalhador recorreu ao Tribunal Regional do
Trabalho da 7ª Região (CE), que manteve a sentença.
O Regional informou que não
seria possível aplicar a isonomia, porque ela só cabe quando
decorre de lei. Além disso, indeferiu a pretensão por entender
que a aplicação do regulamento da empresa quanto à progressão/promoção
leva em consideração vários critérios subjetivos,
sob o rótulo de “curva da maturidade”, cuja avaliação é privativa
da empresa, inserindo-se dentro de seu poder potestativo.
Ao recorrer ao TST, o empregado
não conseguiu apresentar condições para alterar
o acórdão regional. O relator, ministro Pedro Paulo Manus,
então, decidiu negar provimento ao agravo de instrumento, seguido
pela Sétima Turma. Ele avaliou que a reforma do julgamento do
TRT implicaria, inevitavelmente, “o revolvimento dos elementos
fático-probatórios dos autos, providência vedada
de forma expressa pela Súmula nº 126 do TST”. ( AIRR
-1235/2004-004-07-40.2)
(Lourdes Tavares)
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