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FOLHA DE SÃO PAULO,
09 de outubro de 2008
Mercado de trabalho deve ser afetado
já em 2009
Para analistas, crise atingirá primeiro
o setor exportador
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
O mercado de trabalho deve sentir
a partir do primeiro trimestre de 2009 os efeitos da crise financeira
que atinge os Estados Unidos e se espalha pelos demais países.
O primeiro desses reflexos deve ser uma "freada" no ritmo de criação
de vagas, especialmente nos segmentos exportadores e no comércio, segundo
avaliam economistas e sindicalistas. O comércio paulista já prevê a
criação de menos vagas temporárias neste ano do que as
inicialmente esperadas.
" A crise vai alterar o rumo do que vinha ocorrendo com o emprego, com uma
diminuição na criação de postos de trabalho no próximo
ano", diz Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese.
Neste ano, 2 milhões de vagas com carteira assinada devem ser criadas,
segundo estima o governo federal a partir do Caged (Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados).
Para 2009, deve haver redução em torno de 300 mil a 500 mil postos,
de acordo com o diretor técnico do Dieese. Dessa forma, a criação
de vagas no próximo ano seria de 1,5 milhão a 1,7 milhão,
já que a economia deve crescer menos do que neste ano. Ao longo do ano
passado, os novos empregos somaram 1,617 milhão.
" Segmentos exportadores podem ser os primeiros a assimilar os resultados
da crise porque a demanda por seus produtos está vinculada à taxa
de crescimento de outros países, como a da China, e de países asiáticos",
diz Ganz Lúcio.
Diante de um cenário de incertezas, o impacto no mercado de trabalho
ainda depende das medidas que o governo irá adotar para amenizar os
efeitos da crise na na economia brasileira.
" Se o governo continuar liberando recursos para que as empresas possam
enfrentar a escassez de crédito, se o BNDES mantiver sua capacidade de
atuação, se o Banco Central continuar flexibilizando o compulsório,
o Brasil pode minimizar as conseqüências dessa crise", afirma
Ganz Lúcio.
Fábio Romão, economista da LCA, também acredita que a
ocupação vá crescer em um ritmo "menos robusto" em
2009 do que o verificado em 2007 e neste ano. Diz ainda que a tendência é de
crescimento da taxa de desemprego no primeiro trimestre de 2009.
" Dois fatores contribuem para esse cenário: a desaceleração
mundial da economia e a elevação dos juros. O aumento nos juros
começou em abril e, como há uma defasagem para ser absorvido, deve
ter reflexo [no mercado de trabalho] no final de 2008 e início de 2009",
diz.
Para a ocupação, a LCA projeta crescimento de 3,4% e 2,4%, respectivamente
neste ano e em 2009. Para a renda, aumento de 2,6% neste ano e de 2,5% em 2009.
" O impacto não será maior na renda porque o salário
mínimo [parâmetro para reajustar salários de categorias menos
organizadas] deve ter ganho real maior em 2009. Isso porque o governo adotou
uma fórmula de reajuste que combina o resultado do PIB de dois anos com
o da inflação", diz Romão.
A crise pode trazer reflexos ao bolso dos trabalhadores de categorias mais
organizadas já no primeiro semestre de 2009. Entre os químicos,
o temor é que a alta do dólar afete a importação
de insumos, com aumento de custos, e atrapalhe as negociações. "Um
setor como o farmacêutico, cuja data-base é em abril, pode sentir
essa pressão nos custos e resistir à concessão de ganho
real. Até lá esperamos que a situação melhore",
diz Sérgio Leite, da Fequimfar (ligada à Força).
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Agência Diap, 9 de outubro
de 2008
O mito do colapso americano
Por: José Luis Fiori*
“Como é meu intento
escrever coisa útil para os que se interessarem, pareceu-me mais
conveniente procurar a verdade pelo efeito das coisas, do que pelo que
delas se possa imaginar”. Nicolau Maquiavel, em O Príncipe,
1513
Na segunda feira, 6 de outubro
de 2008, a crise financeira americana desembarcou na Europa e repercutiu
em todo mundo de forma violenta. As principais Bolsas de Valores do mundo
tiveram quedas expressivas, e governos e bancos centrais tiveram que
intervir para manter a liquidez e o crédito de seus sistemas bancários.
Neste momento, não cabem
mais dúvidas: a crise financeira que começou pelo mercado
imobiliário de alto risco dos EUA já se transformou numa
crise profunda e global, destruiu uma quantidade fabulosa de riqueza
e deverá atingir de forma mais ou menos extensa, desigual e prolongada,
a economia real dos EUA e de todos os países do mundo.
Muitos bancos e empresas seguirão
quebrando, nascerão rapidamente novas regras e instituições,
e haverá nos próximos meses uma gigantesca centralização
do capital financeiro, sobretudo nos EUA e na Europa. Os bancos e organismos
multinacionais seguem paralisados e impotentes e se aprofunda, por todo
lado, a tendência à estatização de empresas, à regulação
dos mercados e ao aumento do protecionismo e do nacionalismo econômico.
De todos os pontos de vista,
acabou a "era Tatcher/Reagan" e foi para o balaio da história
o "modelo neoliberal" anglo-americano, junto com as idéias
econômicas hegemônicas nos últimos 30 anos. Como contrapartida,
mesmo sem fazer proselitismo explícito, deverá ganhar pontos,
nos próximos meses e anos, em todas as latitudes, o "modelo
chinês" nacional-estatista, centralizante e planejador.
No meio do tiroteio, é difícil
de pensar. Talvez por isto, multiplicam-se, na imprensa e na academia,
os adjetivos, as exclamações e as profecias apocalípticas,
anunciando o fim da supremacia mundial do dólar e do poder global
dos EUA, ou do próprio capitalismo americano.
Na mesma hora em que os governos
e investidores de todo mundo estão se refugiando no próprio
dólar e nos títulos do Tesouro americano, apesar de sua
baixíssima rentabilidade e apesar de que o epicentro da crise
esteja nos EUA. E, o que é mais interessante, são os governos
dos Estados que estariam ameaçando a supremacia americana os primeiros
a se refugiarem na moeda e nos títulos americanos.
Para explicar este comportamento
aparentemente paradoxal, é preciso deixar de lado as teorias econômicas
convencionais sobre o "padrão-ouro" e o "padrão-dólar",
e também as teorias políticas convencionais sobre as crises
e "sucessões hegemônicas" dentro do sistema mundial.
Comecemos pelo paradoxo da "fuga
para o dólar", em resposta à crise do próprio
dólar. Aqui é preciso entender algumas características
específicas e fundamentais do sistema "dólar-flexível".
Desde a década de 1970, os EUA se transformaram no "mercado
financeiro do mundo", e o seu Banco Central (Fed), passou a emitir
uma moeda nacional de circulação internacional, sem base
metálica, administrada através das taxas de juros do próprio
Fed e dos títulos emitidos pelo Tesouro americano, que atuam em
todo mundo como lastro do sistema "dólar-flexível".
Por isto, a quase totalidade
dos passivos externos americanos é denominada em dólares
e praticamente todas as importações de bens e serviços
dos EUA são pagas exclusivamente em dólar. Uma situação única
que gera enorme assimetria entre o ajuste externo dos EUA e dos demais
países.
Por isto, também, a remuneração
em dólares dos passivos externos financeiros americanos que são
todos denominados em dólar seguem de perto a trajetória
das taxas de juros determinadas pela própria política monetária
americana, configurando um caso único em que um país devedor
determina a taxa de juros de sua própria "dívida externa".
Uma mágica poderosa e
uma circularidade imbatível, porque se sustenta de forma exclusiva
no poder político e econômico americano. Agora mesmo, por
exemplo, para enfrentar a crise, o Tesouro americano emitirá novos
títulos que serão comprados pelos governos e investidores
de todo mundo, como justifica o influente economista chinês, Yuan
Gangming, ao garantir que "é bom para a China investir muito
nos EUA; porque não há muitas outras opções
para suas reservas internacionais de quase US$ 2 trilhões, e as
economias da China e dos EUA são interdependentes". (FSP,
24/11).
Mas, além disto, do ponto
de vista da hierarquia mundial, se esta crise for administrada de forma
estratégica pelo governo americano, ela poderá reforçar,
ao invés de enfraquecer, a posição futura dos EUA
dentro do sistema mundial. Para entender este segundo paradoxo, entretanto, é necessário
ir um pouco além da economia e das finanças, e analisar
com cuidado a origem e os desdobramentos das crises e da competição
entre os Estados nacionais.
Em primeiro lugar, quase todas
as grandes crises do sistema mundial foram provocadas, até hoje,
pela própria potência hegemônica.
Em segundo lugar, estas crises
são provocadas quase sempre pela expansão vitoriosa (e
não pelo declínio) das potências capazes de atropelar
as regras e instituições que eles mesmos criaram num momento
anterior, e que depois se transformam num obstáculo no caminho
da sua própria expansão.
Em terceiro lugar, o sucesso
econômico e a expansão do poder da potência-líder é um
elemento fundamental para o fortalecimento de todos os demais Estados
e economias que se proponham concorrer ou "substituir" a potência
hegemônica. Por isto, finalmente, as crises provocadas pela "exuberância
expansiva" da potência-líder afetam em geral de forma
mais perversa e destrutiva aos "concorrentes" do que ao próprio
líder, que costuma se recuperar de forma mais rápida e
poderosa do que os demais.
Resumindo: "apesar da violência
desta crise financeira, não deverá haver um vácuo
nem uma 'sucessão' na liderança política e militar
do sistema mundial. E, do ponto de vista econômico, o mais provável é que
ocorra uma fusão financeira cada maior entre a China e os Estados
Unidos".
(*) Professor titular do Instituto
de Economia da UFRJ. Artigo publicado no Valor Econômico (8)
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O ESTADO DO PARANÁ,
09 de outubro de 2008 | Economia
FMI baixa previsão do PIB mundial
em 2009 para 3%
Agência Estado
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a projeção
do Produto Interno Bruto (PIB) mundial para 3% em 2009, em comparação
com 3,9% projetados em julho, de acordo com o documento Perspectiva Econômica
Mundial (WEO, na sigla em inglês), divulgado na quarta-feira (8). Para
2008, o crescimento projetado para a economia mundial foi reduzido para 3,9%,
ante projeção de 4,1% do Fundo feita em julho, e em comparação
ao nível de 5% registrado em 2007.
De acordo com o diretor do Departamento
de Pesquisa e conselheiro econômico do FMI, Olivier Blanchard,
a projeção de 3% em 2009 marca "o ritmo mais lento
desde 2002". O economista atribui a desaceleração
mundial a dois choques "extremamente grandes": a escalada dos
preços das matérias-primas (commodities) e a crise financeira.
Para ele, a dificuldade relacionada ao mercado de crédito ainda
vai pesar para um crescimento mais lento da economia. "Infelizmente,
os efeitos (da crise financeira) sobre a economia real ainda estão
por vir".
Blanchard destaca o que classifica
como "importantes diferenças" entre as economias avançadas,
de um lado, e as emergentes e em desenvolvimento, de outro. "O crescimento
nas economias avançadas será muito perto de zero até pelo
menos meados de 2009, e com recuperação muito lenta durante
o restante do ano. O crescimento global será conduzido pelo crescimento
nas economias emergentes e em desenvolvimento", acrescenta.
Brasil
Em meio à maior crise
financeira mundial desde a década de 1930, o FMI revisou em baixa
a previsão para o crescimento do Brasil em 2009, mas, ainda assim,
a expansão brasileira deve superar o ritmo da economia mundial.
Para 2009, o FMI prevê desaceleração do crescimento
do PIB do Brasil para 3,5%, em comparação com a projeção
anterior de 4%, feita em julho. Ainda assim, o Brasil deve seguir crescendo
mais que a economia mundial, uma vez que o Fundo projeta PIB global em
3% em 2009.
Em relação a 2008,
o FMI elevou a projeção de crescimento da economia brasileira
para 5,2% em 2008, ante 4,9% projetados na revisão divulgada pelo
FMI em julho. O número, no entanto, permanece abaixo de 5,4% registrado
pelo País em 2007. Segundo dados do relatório WEO, o nível
do PIB brasileiro ficará bem acima do crescimento projetado pelo
FMI para a economia mundial este ano 2008, de 3,9%.
A revisão para cima do
PIB brasileiro em 2008 vai na contramão do rebaixamento das projeções
de crescimento de grande parte das economias mundiais nesta divulgação
do WEO, durante o Encontro Anual do FMI, em Washington.
EUA
O FMI reduziu a previsão
para a economia dos Estados Unidos em 2009, embora, mesmo com o país
sendo o centro da tempestade financeira mundial, elevou a projeção
do PIB americano para 2008.
Segundo o documento WEO, o Fundo
reduziu a previsão do PIB do país para 0,1% em 2009, ante
a estimativa de 0,8% feita em julho. Para 2008, o organismo elevou a
projeção de 1,3% para 1,6%, na comparação à projeção
feita em julho, mas o número permanece abaixo dos 2% registrados
em 2007.
Apesar da elevação
da projeção para os EUA este ano, o diretor adjunto do
Departamento de Pesquisa do Fundo, Charles Collyns, afirma que "os
Estados Unidos e outras economias avançadas já se encontram
em recessão ou estão perto dela".
Zona do euro
O FMI revisou drasticamente
sua previsão para o ritmo da economia da zona do euro no próximo
ano. A projeção de crescimento do PIB para os 15 países
europeus que compartilham a moeda foi reduzida para 0,2% em 2009, ante
o prognóstico feito em julho de que a região cresceria
1,2%. Para 2008, o prognóstico foi cortado de 1,7% para 1,3%.
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Gazeta do Povo, 9 de outubro
de 2008
Mercado financeiro
Quedas “além da imaginação” levam
9 BCs a reduzir os juros
Turbulência financeira atinge nova
fase com decisão sem precedentes na América, Europa e Ásia
A crise ganhou ontem proporções
incendiárias no mercado financeiro global, com a Bolsa de Tóquio
perdendo 9,38% – a maior queda dos últimos 21 anos –,
o que, nas palavras do primeiro-ministro japonês, Taro Aso, foi
algo “além da imaginação”. A declaração
do chefe de governo poderia também ser aplicada ao que ocorreu
depois. Nove bancos centrais decidiram cortar os juros básicos
para conter a crise. Além disso, novos planos de ajuda ao sistema
financeiro e de garantia aos depósitos vão sendo anunciados,
como no Reino Unido, Itália e Hungria. Mas, à medida que
governos e instituições agem, em conjunto ou isoladamente,
mais focos de incêndio aparecem.
O corte coordenado na taxa de
juros pelos bancos centrais dos Estados Unidos, China, da Zona do Euro
(que engloba 15 países), Reino Unido, Canadá, Suíça,
Hong Kong, Emirados Árabes e Suécia, embora tenha sido
visto como um passo na direção certa, não foi suficiente
para acalmar os investidores nas principais praças financeiras,
com as bolsas de valores despencando em todo o mundo.
O Índice da Bolsa de Valores
de São Paulo (Ibovespa) fechou em queda de 3,85%, aos 38.593 pontos,
após ter operado entre uma baixa de 6,33%, verificada durante
a manhã, e alta de 0,75%, no meio da tarde. A cotação
de ontem é a menor desde 11 de outubro de 2006.
Nos Estados Unidos, o Dow Jones
caiu 2%, o S&P-500 recuou 1,14% e o Nasdaq Composite perdeu 0,83%.
Nas máximas, o Dow chegou a subir 1,92% e o S&P-500, 2,49%,
mostrando o dia de montanha russa do mercado acionário. Na Europa,
após a ação dos BCs, o londrino FTSE 100 caiu 5,18%.
O CAC-40, de Paris, perdeu 6,31%. Em Frankfurt, o DAX cedeu 5,88%.
A redução dos juros
comandada pelos BCs, conforme chamou a atenção o economista
de um banco estrangeiro, em e-mail a clientes, “pode contribuir,
em parte, para restabelecer a confiança (que é a questão
fundamental). Mas, como disse o Banco da Inglaterra, não resolverá o
problema de fundo, que continua a ser a necessária recapitalização
dos bancos”.
“Parece ser um cabo-de-guerra
entre os touros (aqueles apostam na alta dos preços) e os ursos
(aqueles que apostam na queda das cotações)”, disse
Robert Olman, presidente da Alpha Search Advisory Partners, sobre a oscilação
em Wall Street. “O que estamos assistindo é uma completa
falta de convicção de todos sobre para onde mercado está indo.”
Ações isoladas
Os governos da Europa continuam
anunciando ações isoladas contra a crise. Pela manhã o
ministro de Finanças britânico, Alistair Darling, disse
que o Tesouro gastará até 50 bilhões de libras esterlinas
(US$ 87,69 bilhões) para reforçar o capital das instituições
locais por meio da compra de ações preferenciais.
O ministro de Finanças
da Hungria, Janos Veres, anunciou a garantia ilimitada dos depósitos
bancários, como já haviam feito países como Áustria
e Alemanha. Na França, os bancos Caisse d’Épargne
e Banco Popular anunciaram negociações oficiais para uma
fusão. E na Itália, o governo aprovou uma lei de emergência
que cria um fundo de estabilização que pode ser acessada
por bancos italianos, caso eles enfrentem problemas de liquidez. O governo
também elevará as garantias totais a depósitos de
20 mil euros para até 103 mil euros.
Uma só tacada
Seis dos principais bancos centrais do mundo decidiram reduzir as taxas de
juros, em 0,5 ponto porcentual. Taxas de juros, em % ao ano
EUA
De 2,00% para 1,50%
Europa
De 4,25% para 3,75%
Inglaterra
De 5,00% para 4,50%
Suíça
De 3,00% para 2,50%
Suécia
De 4,75% para 4,25%
Canadá
De 3,00% para 2,50%
Fontes: bancos centrais
Petrobras
e BB caíram com força
As ações do setor bancário chamaram a atenção
por fechar no vermelho, mesmo com o leilão de dólares promovido
pelo Banco Central (leia mais na página 23). Entre esses papéis,
Bradesco PN (0,39%), Itaú PN (-2,72%), Banco do Brasil ON (-4,22%) e
Unibanco units (-1,28%). No caso das “blue chips” (ações
de maior liquidez no mercado) Petrobras e Vale, as ações PN da
estatal do petróleo caíram 5,65% e as ON recuaram 4,69%, enquanto
os papéis PNA da mineradora cederam 0,77% e os ON tiveram decréscimo
de 0,07%.
Entre as ações
que compõem o Ibovespa, Cesp PNB liderou as perdas, com baixa
de 17,27%, seguida por Net PN (-13,67%) e VCP PN (13,65%). No outro extremo:
Perdigão S.A. subiu 6,73%, Brasil Telecom Participações
ON aumentou 5,99% e BM&FBovespa ON valorizou-se 5,97%.
Renda fixa
A melhora vista nas bolsas
americanas também permitiu que os DIs devolvessem parte dos
prêmios acumulados ao longo da sessão. O DI janeiro de
2010 (448.760 contratos) avançou de 14,86% para 14,91%, o DI
janeiro de 2009 (111.735 contratos) fechou em 14,035%, de 14,045% ontem,
e o DI janeiro de 2012 (99.375 contratos) terminou em 15,50%, de 15,25%.
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Congresso em Foco, 9 de outubro de 2008
Eleições 2009
Disputa por cargos e possibilidade de
rompimento de acordo com o PT no Senado ameaçam candidatura de
Temer à presidência da Câmara
Renata Camargo e Eduardo Militão
Menos de uma semana após
o primeiro turno das eleições municipais e ainda sob a
agitação do segundo turno, a disputa pela presidência
da Câmara e do Senado já sinaliza para um racha entre partidos
da base aliada. E para embolar ainda mais as articulações,
oposição e base reivindicam cargos em troca de apoio à candidatura
do presidente do PMDB, Michel Temer (SP), que precisa da maioria para
conquistar, pela terceira vez, a presidência da Câmara.
De olho no apoio da bancada mais
numerosa da oposição – o PSDB, que conta com 59 deputados –,
Temer já ofereceu o cargo de primeiro vice-presidente aos tucanos.
Entre troca, o líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal
(SP), que confirmou ao Congresso em Foco a articulação,
garante apoio do partido à candidatura do presidente peemedebista. “Evidente
que apoiando uma candidatura, um partido pleiteia o melhor lugar. E esse
lugar, no que se vê, seria uma primeira vice-presidência”,
diz Aníbal.
A busca de Temer por apoio, entretanto,
esbarra no interesse da segunda bancada mais numerosa da Casa, o PT,
com 79 representantes. Nos bastidores, os petistas também pleiteiam
a primeira vice-presidência. Mas querem, ainda, comandar a poderosa
primeira-secretaria. Temer já teria acordado com o PT a indicação
para esse segundo cargo. “Estão gulosos demais os petistas.
Eles que se contentem com o que têm”, disse Aníbal.
O líder do PT, Maurício
Rands (PE), entretanto, não confirma que o partido pretende abocanhar
a primeira-secretaria, cargo importante, espécie de "prefeitura
da Câmara", responsável pela administração
dos contratos da Casa. No entanto, admite que os petistas reivindicam
dois cargos na Mesa.
"Como não teremos
presidência, teremos dois cargos. Esse é o acordo",
declarou Rands, que descarta qualquer arranjo sem o aval dos senadores
do PMDB e do PT. "Tem que ser em conjugado Câmara e Senado."
No início do ano passado,
os peemedebistas abriram mão de indicar candidato à presidência
da Câmara em troca do apoio dos petistas à reeleição
de Renan Calheiros (PMDB-AL). Pelo entendimento feito na época,
o PT se comprometeria a apoiar o nome lançado pelo PMDB para suceder
Chinaglia.
Os petistas, por sua vez, teriam
o aval da maior bancada do Senado para comandar a Casa no início
de 2009. Hoje, o candidato do partido seria Tião Viana (AC). Mas,
como revelou ontem (8) o Congresso em Foco, essa costura começa
a ser desfeita, com o aval de Renan e José Sarney (PMDB-AP), que
articulam a candidatura do ministro das Comunicações, o
senador licenciado Hélio Costa (PMDB-MG) (leia mais).
Pequenos famintos
Mas o apoio em troca de cargo
não tem sido moeda de troca exclusiva dos grandes partidos. O
PSC, que hoje ocupa o cargo de 4º suplente de secretário,
com o deputado Deley (RJ), também aspira uma vaga no comando da
Mesa Diretora. Segundo o líder Hugo Leal (RJ), o partido “pode
acompanhar” Temer na busca pela presidência, mas “vai
depender de alguns fatores”.
“Já tive a oportunidade
de conversar com o Temer. O caminho natural seria apoiar o PMDB. O partido
ainda não se reuniu e, como você sabe, hoje temos a 4ª suplência.
Então tudo vai depender de como o PMDB vai se comportar”,
avisa Leal.
A pretensão de Temer à presidência
da Câmara esbarra também na falta de unidade dentro do próprio
PMDB e na fragilidade do acordo com o PT sobre a alternância para
presidir as duas Casas.
Unidos, mas nem tanto
Na tarde de ontem (8), a cúpula
do partido oficializou a candidatura de Temer com presença em
peso dos grandes caciques do PMDB, os ministros José Gomes Temporão
(Saúde), Edison Lobão (Minas e Energia) e Reinhold Stephanes
(Agricultura) e os senadores José Sarney (AP), Renan Calheiros
(AL), o líder peemedebista Valdir Raupp (RO) e o líder
do governo no Senado, Romero Jucá (RR).
“A prioridade do PMDB é a
candidatura de Michel. Quero cumprir tarefas para que você [Temer]
volte à presidência da Câmara dos Deputados”,
discursou Renan Calheiros. “Estamos aqui dando mais um passo na
materialização da unidade do partido. A presidência
da Câmara é um projeto do partido. O Senado não será obstáculo
para que isso ocorra”, sinalizou Jucá.
Aclamada pelos 82 deputados peemedebistas
presentes na reunião, a candidatura de Temer, no entanto, contou
com a voz contrária da deputada Rita Camata (PMDB-ES), que ameaçou
disputar a indicação com o presidente, mas retirou a candidatura
na última hora. “Não me sinto pior do que nenhum
outro companheiro de bancada. Mas não concordo com estas decisões
tomadas pela elite do PMDB”, disse Camata.
O grande racha do PMDB, entretanto,
virá com a candidatura do deputado Osmar Serraglio (PR) à presidência
da Casa. O parlamentar, que não participou da reunião de
oficialização da candidatura de Temer, por estar “resolvendo
problemas mais importantes”, segundo informações
de seu gabinete, já declarou que concorrerá com a candidatura
em avulso e pode ter o apoio de Rita Camata. Por meio de sua assessoria,
Serraglio confirmou que será candidato de qualquer forma e afirmou
que tem o apoio dos parlamentares paranaenses do PMDB.
Correndo por fora
Os planos do PMDB também
terão problemas no chamado baixo clero da Câmara. Com o
nome do atual 2º secretário da Mesa, deputado Ciro Nogueira
(PP-PI), despontando no cenário como um possível candidato à presidência
da Câmara, partidos menores tendem a se unir para apoiá-lo
e acabar com acordo entre PT e PMDB.
Considerando “prematura” a
oficialização da candidatura de Temer, Ciro Nogueira desconversa
sobre sua entrada na disputa, mas avisa que “ninguém vai
resolver a presidência da Câmara com acordo”.
“De forma nenhuma vai resolver
quem será o presidente, com acordo no Senado, com distribuição
de ministérios. Michel [Temer] quer resolver isso de fora para
dentro. Mas prevalece na Casa esse sentimento que tem que ter eleição
e disputa”, avisou Nogueira. “Esse acordo foi feito para
não acontecer. Temer não vai ser eleito, a não ser
que tenha disputa. Mas essa discussão só quero trazer em
dezembro. Ainda é cedo”, disse.
Ainda que Ciro evite comentar
sobre suas pretensões, o vice-líder do PP Benedito Lira
(AL) afirma que o partido vai trabalhar para angariar apoio à candidatura
do colega de bancada. “Vamos buscar apoio de cada deputado. Vamos
acabar com essa história de que o partido A, B ou C tem que indicar
o presidente. A regra é disputa voto a voto e não acordo
de partido A ou B”, avisou Lira.
Concentração de poder
O bloco partidário encabeçado
por PSB, PCdoB, PDT, PMN e PRB, composto por 76 deputados, também
se mostra "simpático" à candidatura de Ciro.
O vice-líder do chamado Bloquinho, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF),
diz que Michel Temer é "um grande quadro", mas que PT
e PMDB concentram muito poder na Casa. "A concentração
muito grande de poder nas mãos de uns partidos tem de ser analisada",
ressaltou.
Rollemberg diz que, nos próximos
dias, o PSB deve reunir-se para debater as eleições e o
segundo turno, ocasião em que também vai tratar da sucessão
na Câmara. A opinião do governador de Pernambuco, Eduardo
Campos, deve ser preponderante na decisão da sigla sobre o apoio
a Temer ou a Ciro Nogueira.
O PSC também deve decidir
sua posição nos próximos dias. Mesmo pleiteando
cargo junto ao PMDB, os 11 deputados da legenda não têm
consenso sobre o nome de Temer. “O Ciro tem apoio interno no nosso
partido. Tem aqueles deputados que manifestam a favor dele. Por isso
que digo que tudo caminha para o entendimento com o PMDB, mas não
tem como dizer que isso está decidido”, diz Leal.
O nome de Ciro também
está sob avaliação da bancada do PTB, que conta
com 19 deputados. O líder do partido, deputado Jovair Arantes
(GO), adianta que a bancada já se reuniu para debater o tema,
mas ainda não chegou a um acordo. “O Ciro tem um trabalho
muito forte dentro da Câmara e a vontade política de Temer
tem história. O PTB se resguarda o direito de decidir com calma.
Não nos incluímos em nenhum acordo entre PT e PMDB”,
adverte Jovair.
Uma eventual vitória de
Ciro Nogueira, na avaliação de Jovair, não deve
ser comparada com a eleição do deputado Severino Cavalcanti
(PP-PE), que, em 2005, alcançou o comando da Câmara ao vencer
dois petistas – Luiz Eduardo Greenhalgh (SP), candidato oficial
do partido, e Virgílio Guimarães (MG), que concorreu mesmo
sem o apoio da bancada.
“O fenômeno Severino
não se repete. Ciro tem perfil para a presidência, ele tem
aceitabilidade. Não é um candidato de desgosto, que seria
eleito para do contra”, avalia Jovair.
Lançamento prematuro
O líder do PPS, deputado
Fernando Coruja (SC), avalia que Michel Temer fez uma boa gestão à frente
da Câmara, mas diz que a bancada ainda vai discutir o assunto,
tendo em vista que os deputados estão focados na solução
para a crise econômica internacional.
"Fui a um café da
manhã com o Temer, uma coisa institucional. Ele fez um bom trabalho.
Eu estive dois anos com ele na presidência e o achei firme",
disse o parlamentar.
A liderança do DEM
também prefere abafar as discussões sobre a eleição à presidência. “Não
vamos discutir isso agora. Está muito cedo. As eleições
só acontecerão em fevereiro. Não vou falar em
possibilidades. Mas é certo que vamos discutir Câmara
e Senado juntos”, disse o vice-líder do DEM, José Carlos
Aleluia (BA), que não descartou o apoio do partido para que
o PMDB presida as duas Casas.
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FOLHA DE SÃO PAULO., 9 de outubro de
2008
ELEIÇÕES 2008 / SÃO
PAULO
Kassab larga com 17 pontos de vantagem
sobre Marta
Prefeito tem 54% dos votos, contra 37% de
sua adversária | Dos eleitores de Alckmin, 74% dizem preferir democrata
| "A maioria absoluta dos eleitores de todos os outros candidatos
migrou para Kassab", diz Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
O prefeito Gilberto Kassab
(DEM) inicia o segundo turno com 17 pontos de vantagem sobre a ex-prefeita
Marta Suplicy, revela o Datafolha. Segundo a primeira pesquisa realizada
no segundo turno -e a 18 dias da decisão-, Kassab conta com
54% das intenções de voto contra 37% de Marta, e estaria
reeleito se as eleições fossem hoje.
Os números mostram o quanto hoje é pequena a margem de manobra
de Marta: somados, votos nulos e em branco (5%) e de indecisos (3%) chegam
a 8%.
" Marta não tem outra alternativa a não ser conquistar os
eleitores de Kassab", avalia do diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino.
Pela pesquisa, Kassab tem hoje 25 pontos percentuais a mais do que a votação
obtida no primeiro turno. O prefeito, que domingo teve 33,61%, atinge hoje
59% dos votos válidos. Marta, por sua vez, subiu apenas oito pontos:
dos 32,79% saídos das urnas para os 41% registrados na pesquisa.
Para o resultado oficial da eleição, a Justiça leva em
conta os votos válidos: excluídos brancos, nulos e abstenções.
Para o cálculo, o Datafolha excluiu também os indecisos.
Paulino explica que o desempenho de Kassab se deve à expressiva migração
de votos dos candidatos derrotados.
" A maioria absoluta dos eleitores de todos os outros candidatos migrou
para Kassab."
Segundo o Datafolha, Kassab é hoje herdeiro de 74% dos eleitores do
tucano Geraldo Alckmin, enquanto 13% migrariam para Marta. Na eleição,
Alckmin teve 22,48% dos votos.
Ainda que sem apoio formal do PP, Kassab aparece como destinatário de
64% dos eleitores do ex-prefeito Paulo Maluf contra 21% de Marta. Maluf obteve
5,91% dos votos.
À espera do anúncio oficial de adesão do PPS, Kassab tem
hoje 61% dos eleitores de Soninha Francine. Marta, 21%. Soninha teve 4,19% dos
votos.
O Datafolha ouviu 1.906 eleitores ontem e anteontem. A margem de erro é de
dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
A pesquisa acontece em um momento em que Kassab promove uma arrastão
partidário, tendo alinhavado o apoio do PSDB e do PTB, além de
avançada costura com o PPS.
Sem o início do horário eleitoral -cujo início ainda está indefinido-
Kassab aparece como beneficiário desses acordos e ao lado do governador
José Serra (PSDB). A pedido do comando de campanha de Kassab, comitês
eleitorais desses novos aliados permanecerão ativados. Já Marta
contra-ataca com a ocupação das ruas, tanto por cabos eleitorais
como por placas espalhadas pela cidade.
A disputa promete se acirrar na periferia das zonas sul e leste, únicas
regiões onde Marta supera Kassab. No extremo Sul, Marta tem 51% contra
42% de Kassab. Marta registra 50% de preferência no extremo leste contra
42% do prefeito.
Kassab alcança 73% das intenções -51 pontos à frente
de Marta (22%)- entre os eleitores com renda familiar superior a dez salários
mínimos mensais. Marta lidera entre os eleitores com renda inferior
a dois mínimos por mês: 49% a 40%. Kassab tem 55% da preferência
entre aqueles com renda familiar de dois a cinco mínimos. Marta tem
37% no segmento.
A pesquisa aponta ainda para a consolidação dos votos. Dos que
declaram voto em Kassab, nulo ou em branco, 74% afirmam que não votariam
em Marta de jeito nenhum. Kassab sofre rejeição de 71% dos que
não declaram voto nele.
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FETRACONSPAR, 09 de outubro
de 2008
Artigo
Porque governante progressista nomeia
filhote da ditadura
GeraldoSerathiuk
Leio inúmeras mensagens
de decepção e frustração no e-group dos amigos
que lutaram contra o arbítrio aqui no Paraná, indignados
com o fato de ver o presidente, governadores e prefeitos progressistas
nomearem em suas equipes pessoas que serviram a ditadura. Pessoas que
eram da Arena, PDS, lambe-botas e muitos que eram até dedos-duros
que conhecemos. Em razão disso, possuído por um profundo
sentimento de generosidade e de compreensão humana, resolvi mostrar
a causa principal deste fato acontecer. Na verdade isto é a realização
de um projeto dos estrategistas do regime de exceção. Ora
vejam porque.
O governo federal acaba de encaminhar
uma proposta de reforma política ao Congresso Nacional propondo
lista fechada, financiamento público exclusivo, fidelidade partidária,
inelegibilidade, fim das coligações proporcionais e cláusula
de barreira. Tal proposta partiu do diagnóstico do atual sistema
que rege o processo político brasileiro, é “balizado
por um presidencialismo de coalizão incrustado em um quadro partidário
multifragmentado e volátil, que condiciona os governos à montagem
de composições partidárias amplas, com vistas à garantia
mínima de governabilidade”. E que num quadro desses, os
sucessivos mandatários, desde o fim da ditadura de 64, tiveram
dificuldades para governar, pois a montagem do governo e de sua sustentação
no parlamento nunca se deu em bases programáticas. Pelo contrário.
As coligações são apenas para atender às
demandas do pleito, há exacerbação de personalismo,
prevalência do poder econômico e fragilização
dos partidos. Com reflexos nos demais poderes e nas esferas estadual
e municipal.
Afinal, o sistema mantido pela
nossa Constituição Federal foi o estruturado na ditadura,
que vendo o seu modelo de desenvolvimento elitista e para poucos ruir
com desemprego, carestia e miséria. Trouxe o avanço das
oposições nos Estados mais populosos, com a inevitável
perda da presidência, os governos e prefeituras, resolveram montar
um sistema parlamentar para a elite econômico, a quem representava,
continuar dando as cartas. Principalmente porque este sistema político
elege inevitavelmente gente muito, muitíssima desqualificada.
O que é bom para o poder econômico e para as oligarquias
regionais continuarem mandando nos governos.
Diagnóstico correto colocado
na mensagem da proposta de reforma política, porém, não
se fala num dos temas mais importantes para a reforma política,
que é a distorção do sistema representativo pela
falta da adoção do coeficiente eleitoral nacional, para
a eleição dos deputados federais e a necessidade de tirar
o papel do Senado Federal de segunda Câmara revisora, que agride
o Estado de direito democrático.
No caso da Câmara dos Deputados,
casa de representação do povo, determinou que poderão
eleger-se um mínimo de oito e um máximo de setenta deputados
federais por Estado-membro. Não adotando a forma de coeficiente
eleitoral nacional o que acabou produzindo uma distorção,
pois aproximadamente 40% dos eleitores elegem 263 deputados federais
e 60% dos eleitores elegem apenas 250 deputados federais.
O Senado Federal - casa de representação
dos Estados-membros - que foi ampliado com a transformação
de territórios pouco populosos e com pequenas economias, que deveria
ter como atribuição discutir matérias de interesse
da União e de conflitos entre as unidades federativas, mantendo
o equilíbrio para o desenvolvimento das regiões. Mas, por
distorção do sistema representativo, os senadores têm
um dos campos de atribuições e competências dos mais
amplos do mundo, podendo votar e vetar tudo, como se fosse uma segunda
Câmara revisora.
A forma de impor um mínimo
de três senadores por Estado-membro, gera uma distorção
em que, aproximadamente, 40% dos eleitores elegem 59 senadores e 60%
dos eleitores elegem apenas 22. Simbolizado na figura do senador eleito
com 10 milhões de votos, tendo o mesmo peso de um senador que
se elegeu com 300 mil votos. Isso é tão grave, pois o campo
de atribuição e competência tão amplo acaba
barrando a modernização das legislações brasileiras,
pois representantes de Estados-membros poucos populosos e com economia
pequena acabam impondo projetos locais, às vezes pessoais, em
detrimento aos interesses estratégicos da sociedade brasileira.
Diante desse dilema, a reforma
política - que seria realmente necessária - vai sendo protelada
e o eleitor brasileiro em alguns Estados-membros vale 0,5 voto, enquanto
em outros vale 15,4 votos. Não é por acaso o desinteresse
pelas eleições, pois a distorção do sistema
representativo distancia o representante do representado, comprometendo
o sistema democrático. Distanciamento que não será resolvido
só com a reforma proposta.
Em função dessa
distorção, qualquer Presidente da República, Governador
e Prefeito eleito pelo voto direto, por mais progressista que seja, teve,
tem e terá problema de governabilidade. Resultando naquilo que
a ditadura queria um presidencialismo de coalização, ou
seja, você pensa que esta votando num presidente, governador e
prefeito com um programa de governo progressista, mas nas eleições
do parlamento, em razão da deformação do sistema
político, a sociedade não percebe que elege um governo
de coalização, às vezes conservador, desqualificado
e retrógrado. E por isso, é difícil governar e implantar
políticas públicas voltadas para o povo por culpa desta
engenharia política deixada pela ditadura e que o poder econômico
e as oligarquias regionais resistem em mudar. Pois ganharam e ganham
muito com ela.
Há de se considerar também
que a distorção do sistema representativo, estruturado
no período de arbítrio, para evitar o avanço das
oposições progressistas, acabou gerando um custo muito
alto para o país manter a governabilidade, pois para garantir
a maioria no parlamento, foi usado como moeda de troca à criação
e a manutenção de inúmeras estruturas públicas
desnecessárias no âmbito federal, estadual e municipal.
Incluindo as indicações para o poder judiciário
e nos tribunais de contas, colocando em dúvida o princípio
da independência dos poderes. Além do mais, acabamos por
ter um sistema representativo deformado que ajudou muito na construção
de uma divida interna e externa e um sistema previdenciário que
beneficiou poucos. E, por conseqüência, a manutenção
de um sistema tributário questionável e uma política
de juros que onera o setor produtivo nacional e a sociedade, que são
forçados a pagar a conta desta distorção.
Por isso, temos que continuar
mobilizando a sociedade brasileira para debater a reforma política
em profundidade sob a ótica de um novo pacto federativo, para
que se redefinam as atribuições dos senadores, o critério
de composição do Senado Federal e inclua a mudança
na eleição da Câmara dos Deputados. Não só sob
o enfoque da reforma do sistema partidário e eleitoral. Devendo-se
exigir a implantação do coeficiente eleitoral nacional,
de acordo com o fundamento do princípio "um cidadão,
um voto". Esse princípio desaguará na reforma do Estado
com o objetivo de se construir, verdadeiramente, um Estado de direito
democrático e, por decorrência, um novo modelo de desenvolvimento
democrático para todos os brasileiros.
Geraldo Serathiuk, advogado especializado
em direito tributário pelo IBEJ/PR e estudante de MBA de Marketing
e Estratégia da UFPR.
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Agência Câmara,
9 de outubro de 2008
CCJ aprova criação
do Fundo Soberano por 33 votos a 2
A Comissão de Constituição
e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou hoje o Projeto de Lei 3674/08,
do Poder Executivo, que cria o Fundo Soberano do Brasil (FSB). A oposição
se manifestou contra o projeto e, para evitar a aprovação,
pediu votação nominal e entrou em obstrução.
Mesmo assim, o projeto foi aprovado com 33 votos a favor e 2 contra.
O projeto do Fundo Soberano tramita
em regime de urgência e tranca a pauta do Plenário.
O FSB será vinculado ao
Ministério da Fazenda e, segundo o governo, vai funcionar como
um fundo de estabilização. De acordo com o projeto, os
recursos do fundo serão aplicados em ativos, como moedas estrangeiras
e títulos (ações e debêntures) de empresas
brasileiras com atuação no exterior. O patrimônio
do FSB será composto, em princípio, por duas fontes, uma
fiscal (que inclui recursos oriundos do excesso de superávit primário)
e outra financeira (ações de estatais que ultrapassarem
o percentual necessário para a manutenção do controle
público).
A CCJ aprovou o parecer favorável
do relator, deputado Tadeu Filippelli (PMDB-DF). A comissão rejeitou
um destaque para votação em separado (DVS) apresentado
pelo PPS.
Críticas
ao projeto
No início da reunião, os deputados José Carlos Aleluia
(DEM-BA) e Felipe Maia (DEM-RN) tentaram retirar do projeto de pauta, por entenderem
que o fundo não é oportuno, principalmente após a crise
nos mercados mundiais. Aleluia afirmou que o Brasil não tem os pré-requisitos
necessários para a criação do fundo, como saldo de superávit
nominal nas contas externas e um resultado positivo dessas contas. Ele afirmou
também que o projeto é inconstitucional, já que delega
ao ministro da Fazenda as decisões sobre o fundo.
O deputado José Genoíno
(PT-SP) afirmou, no entanto, que a aprovação do fundo é necessária
e avaliou que a oposição tenta tirar proveito da crise
dos mercados mundiais para fazer uma disputa política.
A reunião da CCJ
foi encerrada após a votação. A comissão
volta a se reunir amanhã, às 10 horas, no plenário
1.
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FOLHA DE LONDRINA, 09 de
outubro de 2008 | Cidades
Construção com mais economia
e limpeza
Separadas corretamente, as sobras podem ser
reutilizadas e transformadas em outros materiais
Curitiba - Cinco anos depois do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama)
editar uma resolução disciplinando a gestão de resíduos
na construção civil, a redução e destinação
adequada desse material começa a virar realidade. Em Curitiba, o gerenciamento
correto das sobras de obras civis tornou-se parte fundamental do processo de
emissão do alvará de construção desde 1º de
junho. ''Quem gera o resíduo é o responsável pela correta
destinação dele'', informa Mário Sergio Rasera, superintendente
de Controle Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
Uma construção
de mil metros quadrados como, por exemplo, um prédio residencial,
gera cerca de 42 metros cúbicos de resíduo, segundo o engenheiro
sanitarista Carlos Edson Waltrick, do Senai CIC Cetsam. São restos
de caliça (resíduos de reboco), madeira, metais, plástico,
papel, vidro, que não podem ser encaminhados para os aterros tradicionais.
''A empresa que se compromete com a gestão de resíduos
tem que não só destinar corretamente as sobras, mas também
investir na redução do que é gerado'', explica Waltrick.
No entanto, diz o engenheiro,
gerenciar os resíduos não significa aumentar custos. ''Tratar
o que sobra da obra com cuidado pode até significar economia para
a empresa'', diz. Isso porque parte do trabalho de gestão é composto
pela separação dos materiais por tipo. ''Por exemplo, uma
das ações do programa é separar os restos de madeira
por tamanho. Isso permite que quando for necessário um pedaço
de madeira, os trabalhadores da obra podem recorrer ao material que foi
separado ao invés de utilizar uma tábua nova'', explica.
Para o administrador Eliseu Marques,
da Bora Construções, a novidade não traz ganhos
financeiros, mas faz diferença. ''O lucro disso é deixar
de gastar, deixar de desperdiçar material'', diz. Na Bora, com
a implantação do plano de gestão dos resíduos
o volume de restos produzidos na obra já caiu 20%. ''A perspectiva é chegar
de 60 a 70% de redução. ''Estamos no começo ainda,
mas já dá para ver a diferença no dia-a-dia da obra.
O número de caçambas que circulam pelo local, por exemplo,
diminuiu'', explica.
A Bora implantou o plano de gestão
de resíduos pela primeira vez em uma obra de cinco mil metros
quadrados que está em execução. ''No futuro vamos
expandir para todos os nossos canteiros de obras'', adianta Marques.
A apresentação de projetos de gerenciamento de resíduos
só é obrigatória em empreendimentos com área
superior a 600 metros quadrados ou superior a 100 metros quadrados em
caso de demolição. ''Mas mesmo em obras que estejam dispensadas
dessa exigências vamos implantar o programa'', diz.
Rosiane Correia de Freitas
Equipe da Folha
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FOLHA DE LONDRINA, 09 de
outubro de 2008 | Cidades
Empresas ainda ganham certificados
Na Hestia Construções e Empreendimentos a gestão dos resíduos
representa uma economia de R$ 10 mil numa obra de cinco mil metros quadrados.
Os restos de tijolo e blocos cerâmicos são transformados em argamassa,
que é utilizada na própria obra. A empresa, segundo o diretor
Gustavo Selig, adquiriu um moinho que transforma a caliça em pó,
para uso em argamassa, com a adição de água e areia. O
produto é utilizado no assentamento da alvenaria, reboco e contrapiso.
''Esse trabalho é realizado no canteiro e exige acompanhamento técnico
rigoroso'', diz Selig.
Para conseguir aproveitar o restante
dos materiais que sobram no canteiro de obras, a empresa faz uma separação
criteriosa de todo o resíduo produzido. Plástico, ferro
e papel são separados em baias. Parte dos materiais são
vendidos para usinas de reciclagem. Já o excesso de argamassa é encaminhado
a outras obras.
A empresa que não quiser
investir em maquinário, como a Hestia, pode recorrer a empresas
de reciclagem, como a Soliforte Reciclagem de Resíduos da Construção
Civil, sediada em Colombo, que transforma caliça em areia e pedrisco.
O material final é vendido pela recicladora para o mercado por
um preço 30% inferior ao do material virgem e pode ser aplicado
em obras residenciais que não exigem argamassa de alto desempenho.
A vantagem para os clientes é a
obtenção do certificado de destinação.
Segundo Marco Losi Guenbarovski, um dos sócios da empresa, o
documento é fundamental para que a construtora possa comprovar
junto à prefeitura que o plano de gestão de resíduos
apresentado para obter o alvará de construção
foi realmente executado. ''Para receber Certificado de Vistoria de
Conclusão de Obras (CVCO) a empresa tem que comprovar que os
resíduos foram corretamente destinados'', explica Mario Sergio
Rasera, superintendente de Controle Ambiental da Secretaria Municipal
de Meio Ambiente.
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Gazeta do Povo, 9 de outubro
de 2008
Energia
Horário de verão
começa no dia 19
São Paulo - O horário de verão deste ano começará no
próximo dia 19 nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país. À meia-noite,
os relógios terão que ser adiantados em uma hora. Segundo o Ministério
de Minas e Energia, a medida ficará em vigor até a meia-noite
do dia 15 de fevereiro de 2009.
A expectativa do governo é de
que haja uma redução de 4% a 5% no horário de pico,
o que equivale a uma economia de 2 mil MW, o suficiente para abastecer
uma cidade com 6 milhões de habitantes.
Neste ano, o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva fixou datas fixas para o início e
para o término do horário de verão. Com isso, a
medida entra em vigor à zero hora do terceiro domingo de outubro
e vai até o terceiro domingo de fevereiro seguinte.
O governo, no entanto, fez uma
ressalva: caso o terceiro domingo de fevereiro seja o de carnaval, o
encerramento do horário de verão fica para o próximo
domingo. A mudança de horário será feita sempre
nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São
Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás,
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal.
O horário de verão é adotado
sempre nesta época do ano por causa do aumento na demanda, resultado
do calor e do crescimento da produção industrial às
vésperas do Natal. Nesse período, os dias têm maior
duração por causa da posição da terra em
relação ao sol, e a luminosidade natural pode ser melhor
aproveitada.
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FOLHA DE LONDRINA, 09 de
outubro de 2008 | Economia
Mais de 500 mil trabalhadores receberão
o PIS
Os trabalhadores da iniciativa privada e servidores com direito ao abono do
PIS, nascidos em janeiro, começam a receber hoje o abono no valor de
um salário mínimo (R$ 415). O benefício será pago
aos trabalhadores cadastrados no PIS-Pasep há pelo menos cinco anos
(desde 2003), que trabalharam com carteira assinada durante pelo menos 30 dias
(consecutivos ou não) no ano-base (2007) e recebeu, em média,
até dois salários-mínimos mensais no período.
Nesta etapa, 552,5 mil pessoas
receberão os benefícios, que somam mais de R$ 229,2 milhões.
Se o beneficiário não for sacado, o dinheiro volta ao FAT
(Fundo de Amparo ao Trabalhador). O prazo final para o saque é 30
de junho de 2009.
Os saques do abono salarial
podem ser feitos em qualquer agência da Caixa. Quem tem o Cartão
Cidadão com senha cadastrada pode sacar o dinheiro nos caixas
eletrônicos, casas lotéricas e terminais Caixa Aqui.
Os trabalhadores de empresas
conveniadas ao PIS/Empresa terão os créditos na folha de
pagamento. Quem ainda não tem o cartão, pode solicitar
gratuitamente nas agências da Caixa ou pelo serviço 0800-726-0101.
Agência
Graffo
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FOLHA
DE SÃO PAULO, 09 de outubro de 2008
Greve dos bancários afeta 3.000
agências, diz sindicato
Paralisação é por
tempo indeterminado; federação dos bancos não informa
nível de adesão | Sem acordo salarial, bancários
decidem em assembléias realizadas ontem à noite manter
movimento grevista
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
A greve por tempo indeterminado dos bancários
atingiu 3.000 agências e centros administrativos localizados
em 89 cidades e regiões em 23 Estados e no Distrito Federal,
segundo o Comando Nacional dos Bancários e a Contraf-CUT (Confederação
Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro). A paralisação
deve continuar hoje. A decisão foi aprovada em assembléias
realizadas ontem à noite em todo o país.
Se considerado o número divulgado pelos sindicalistas, a adesão
corresponde a 16,4% do total de agências do país, que, segundo
a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), é de 18.308
-número do ano passado, de acordo com a entidade.
A federação dos bancos não fez estimativas de quantos
funcionários cruzaram os braços em protesto ao impasse na negociações
salariais. Mas informa que os números dos sindicatos são "superestimados".
Em São Paulo, a adesão à greve chegou a 22% -26 mil funcionários
dos 120 mil bancários que trabalham na capital, Osasco e região
participaram da paralisação de ontem, que atingiu 682 locais
(entre agências e prédios administrativos), de acordo com o sindicato
da categoria. Apenas na capital paulista são 2.298 agências, segundo
a federação dos bancos.
A mobilização foi maior no centro da cidade, com 134 agências
paradas, e na região da avenida Paulista, com 105 atingidas pela greve.
No Bradesco de Alphaville, local em que funciona a área de sistemas
do banco, a paralisação durou cerca de três horas e envolveu
cerca de 1.500 pessoas, segundo informa o Sindicato dos Bancários de
São Paulo.
Na zona leste pararam 174 agências -em média são 25 funcionários
por local.
O sindicato de São Paulo informou ainda que também pararam 218
agências da Caixa Econômica Federal, 95 do Unibanco, 84 do Santander
e 50 do Banco do Brasil.
O BB informou que o nível de adesão à greve é "parcial" no
país. A Caixa Econômica Federal não informou se o movimento
atingia suas agências.
"Hora errada"
Sem comentar o nível de adesão à greve dos bancários,
Magnus Apostólico, coordenador de relações trabalhistas
da Febraban, diz que "a greve é inadequada" e "ocorre
em um momento errado, em que as preocupações são outras
[crise financeira internacional]".
Ele afirma ainda que "as negociações não estão
bloqueadas" e que "os bancários têm de dizer o que querem,
já que o reajuste de 7,5% não serve", ao se referir à proposta
dos bancos já rejeitada pela categoria.
Os bancários pedem 5% de aumento real (além da inflação
de 7,15%), PLR (Participação nos Lucros e Resultados) no valor
de três salários mais R$ 3.500 fixos, além de outros benefícios.
Os bancos ofereceram PLR no valor de 80% do salário, mais R$ 943,85
fixos (que já inclui os 7,5% de reajuste) -e uma parcela variável
sobre o crescimento do lucro do ano passado para 2008.
" Enquanto não houver proposta digna aos trabalhadores, a greve continuará",
disse Luiz Cláudio Marcolino, presidente do sindicato. "Esse foi
só o primeiro dia. Estamos preparados para ampliar a paralisação."
Outras regiões
No Rio, balanço divulgado ontem à noite pelo sindicato dos bancários
da cidade informa que a adesão à greve na cidade foi de "quase
100%". Não foi informado o número de agências que
ficaram fechadas ou de funcionários que deixaram de trabalhar.
No início da tarde, 350 agências do centro da cidade estavam paradas,
somando um total de 4.000 bancários paralisados, segundo o sindicato.
Nos outros bairros do município, a paralisação atingiu "quase
100%" das agências da Caixa e do BB. Sobre os efeitos da greve em
outros bancos, o sindicato não soube informar.
Vera Luiza Xavier, diretora do sindicato, diz que as reivindicações
da categoria foram encaminhadas aos bancos ainda no mês de agosto. Ela
também diz que a segurança das agências é motivo
de preocupação para a categoria -embora não explique que
medidas poderiam ser adotadas para proteger funcionários e clientes.
Além de São Paulo e Rio, também estão em greve
funcionários em Brasília, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande
do Sul, Bahia, Pernambuco, Ceará, Santa Catarina, Mato Grosso, Mato
Grosso do Sul, Alagoas, Piauí, Acre, Rondônia, Espírito
Santo, Paraíba, Sergipe, Pará, Amapá, Maranhão,
Rio Grande do Norte e Roraima.
Orientação
Com a greve, os bancos orientam os clientes a procurarem serviços de
auto-atendimento ou fazer transações pelo telefone, pela internet
ou nos correspondentes bancários espalhados pelo país -como casas
lotéricas e supermercados. Mais informações nos sites
(www.caixa.gov.br) e (www.bb.com.br) ou pelos telefones 0800 726 0101 (Caixa)
e 0800 729 0001 (BB).
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Agência Senado, 9 de outubro de 2008
CAS aprova mudança na correção
das contas vinculadas do FGTS
A Comissão de Assuntos
Sociais (CAS) aprovou nesta quarta-feira (8) parecer favorável
a projeto de autoria do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) para alterar
a fórmula de correção dos depósitos efetuados
nas contas vinculadas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS), substituindo a taxa referencial de juros (TR) pelo Índice
de Preços ao Consumidor (IPCA) apurado pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE).
Ao encaminhar a votação
do projeto (PLS 193/08), o relator, senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG),
argumentou que a correção dos montantes das contas vinculadas
do FGTS tem causado graves prejuízos aos contistas. Lembrou que
a correção pela TR é baixa, às vezes, até negativa
em relação à inflação, por isso, alertou,
trata-se de um índice em extinção na economia brasileira.
- No país que pode ser
considerado campeão dos juros reais, é verdadeiramente
impiedoso obrigar o trabalhador a aceitar juros reais negativos, ou seja,
aceitar uma perda no valor real de sua poupança. O trabalhador
vinculado ao FGTS não tem escolha, trata-se de uma relação
compulsória, por isso, pode-se dizer que ele está pagando
para guardar dinheiro e não tendo algum lucro com a operação
- protestou o senador.
Para Eduardo Azeredo, a escolha
do IPCA como índice de correção, mais 3% de juros
anuais, representará uma fórmula justa que incentivará o
trabalhador a querer um trabalho formal, com benefícios para toda
a economia do país.
O projeto segue agora para
votação na Comissão de Assuntos Econômicos
(CAE).
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O ESTADO DO PARANÁ,
09 de outubro de 2008 | Política
Comissão aprova projeto que
elimina fator previdenciário
Agência Estado
A Comissão de Seguridade Social da Câmara aprovou nesta quarta-feira
(8) o projeto que acaba com o fator previdenciário no cálculo
das aposentadorias concedidas pelo Instituo Nacional do Seguro Social (INSS).
O projeto já foi aprovado pelo Senado e agora seguirá para análise
da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara.
O fator previdenciário é o
mecanismo usado para calcular o valor das aposentadorias levando em
conta o tempo de contribuição do trabalhador ao INSS,
a idade e a expectativa de vida do contribuinte.
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Agência Diap, 9 de outubro de 2008
Fator previdenciário, 10
anos depois: o vilão das aposentadorias
Por: Meire Lúcia Monteiro*
O fator previdenciário
foi adotado pelo sistema previdenciário brasileiro por meio da
Lei 9.876 de 26 de novembro de 1999 – aplaudida por introduzir
critérios atuariais do sistema de previdência privada como
o tempo de contribuição, a idade e a expectativa de sobrevida.
Na realidade introduziu a idade mínima que fora rejeitada pelo
Congresso Nacional na Reforma Previdenciária de 1998.
Antes do fator previdenciário,
a fórmula da aposentadoria calculava o salário de benefício
pela média das últimas 36 (trinta e seis) contribuições,
variando de 70% a 100% a média dos salários. Assim, desde
o momento de sua concepção até hoje o fator previdenciário
reúne muitos questionamentos, sobretudo quanto aos impactos concretos
de sua aplicação aos longos dos anos que se seguiram à sua
criação.
O debate que antecedeu a implantação
do fator previdenciário foi pautado pela visão oficial
e simplista do déficit previdenciário – através
de trabalhos publicados pelo Ministério da Previdência (Informe
de Previdência Social) no período de encaminhamento da proposta
ao Congresso Nacional e até a promulgação da Lei.
A visão do Governo Federal sobre a questão déficit
do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) sempre se embasou
na dissociação da Previdência do sistema de Seguridade
Social.
Posteriormente e, mais recentemente,
avaliações e estudos publicados por órgãos
como o Ipea - Instituto de Pesquisa e Estudos Aplicados (textos para
discussão números 1121/2005 e 1161/2006) e Dieese - Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (notas
técnicas números 45/2007 e 65/2008) aprofundaram o tema
do Fator Previdenciário apresentando suas conseqüências
sobre a redução dos benefícios previdenciários.
A literatura foi ilustrada pela discussão do tema nos tribunais,
destacando-se no STF – Supremo Tribunal Federal a Adin 2110-9 (apresentada
por partidos políticos) e Adin 2111-7 (apresentada por uma confederação
de trabalhadores).
O principal vetor do fator previdenciário
foi, sem dúvida, a promulgação da Emenda Constitucional
20, de 1998 - verdadeiro marco no campo previdenciário – e
a nova regra do cálculo do benefício previdenciário
permitindo também a sua disciplina por lei ordinária, introduzindo
o caráter contributivo e o critério de equilíbrio
financeiro e atuarial (art. 201 da CF).
Na defesa da constitucionalidade
do Fator Previdenciário quando da apresentação do
Projeto de Lei (PL 1.527, de 1999, do Poder Executivo), o Secretário
de Previdência Social Vinicius Carvalho Pinheiro e o Diretor do
Departamento do Regime Geral da Previdência Social Geraldo Almir
Arruda (in “Aspectos Constitucionais do Fator Previdenciário”,
Informe de Previdência Social, Brasília, 10, out. 1999),
afirmam que a apresentação da proposta “somente foi
possível em face da promulgação da Emenda Constitucional
20, de 1998, que desconstitucionalizou a regra do cálculo do valor
dos benefícios. [...] o Congresso Nacional expressou a vontade
de que essa matéria devesse ser regulamentada pelo legislador
infraconstitucional, [...] sendo suprimida do texto constitucional a
referência à “média dos trinta e seis últimos
salários - de – contribuição”. [...]
a proposição do fator previdenciário é perfeitamente
coerente com as modificações constitucionais aprovadas
no passado.”
Naquele momento, o debate dividiu,
de um lado, aqueles que defendiam a constitucionalidade do Projeto e
sua imposição para a sanidade e sustentabilidade do sistema
(sob risco do crescente déficit das contas previdenciárias),
de outro, os que apontavam que a nova regra afrontava o direito social
previdenciário.
Os defensores do Projeto, ao
lado do governo, conseguiram desviar o caloroso debate do campo sócio-econômico
para discutir, quase que tão-somente, sua constitucionalidade.
A arena do Fator Previdenciário passa a ser o poder judiciário
e fica bem distante do mundo político, social e acadêmico.
Naquele momento, o tema ocupa a mídia escrita, falada e televisionada,
verdadeira protagonista. De um lado, capitaneada pelo governo, a classe
empresarial e suas entidades e no outro, sem lideranças, atores
como as entidades sindicais dos trabalhadores (em especial dos servidores
públicos) e os partidos políticos.
Logo após a promulgação
da Lei 9.876/99, CARVALHO (in “A nova regra de cálculo dos
benefícios”, Informe de Previdência Social, Brasília,
11, out. 1999.) sai em defesa e para rebater as críticas, logo
anunciando: “Trata-se de um marco histórico na reorganização
da previdência brasileira que elimina injustiças distributivas
e contribui significativamente para a melhoria dos resultados financeiros”.
Prosseguindo reafirma a inspiração: “A nova regra
de cálculo é o resultado de um longo processo de esforço
técnico e político que envolveu diversas áreas do
governo. Do lado político, cabe destacar o papel fundamental da
aprovação da Reforma Constitucional (Emenda Constitucional
20), sem a qual não seria possível mudar a regra de cálculo
que, anteriormente, estava expressa no texto constitucional”.
A partir daí, o tema ingressa
no campo do Poder Judiciário, destacando-se a iniciativa dos partidos
políticos. É o caso da Adin 2110-9 proposta pelos partidos
PCdoB - Partido Comunista do Brasil; PT - Partido dos Trabalhadores,
PDT - Partido Democrático Trabalhista e PSB - Partido Socialista
Brasileiro logo em dezembro de 1999, portanto, no calor da promulgação,
novembro do mesmo ano.
Na mesma esteira, a Confederação
Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos - CNTM propôs a
Ação Direta de Constitucionalidade Adin 2111-7, em dezembro
daquele ano de 1999. O Supremo Tribunal Federal julgou constitucional
o fator previdenciário que vem sendo aplicado há quase
dez anos às aposentadorias dos trabalhadores, de homens e mulheres,
do Brasil.
De lá para cá,
cresceu a discussão e os estudos sobre o fator, não só pelo
interesse cada vez maior dos especialistas no assunto como pela apreciação
da matéria no campo acadêmico através da divulgação
de pesquisas e teses.
O Ipea publicou em 2005 o tema
de discussão 1121 que apresentam importantes temas sobre a: “a)
a evolução do sistema previdenciário e suas estruturas
políticas; b) a distinção por gênero de benefícios
concedidos; c) a discussão entre previdência, bem-estar
social e distribuição de renda; e d) a distinção
entre benefícios de contribuição compulsória
e não compulsória e as reformas atuais de previdência
social. Outro tema relevante é a relação entre distribuição
de renda e bem-estar social, utilizando as diferentes medidas de desigualdade
e pobreza”.
Recentemente, fevereiro de 2006,
o Ipea publicou o texto para discussão N.1161 (DELGADO et al - “Avaliação
de resultados da lei do Fator Previdenciário” (1999 -2004),
Brasília, fevereiro de 2006). O estudo demonstra a repercussão
do fator previdenciário na redução das aposentadorias
e os prejuízos impostos aos trabalhadores mais pobres e as mulheres,
desmistificando o seu propalado vetor - remédio para combater
o déficit das contas da previdência social.
Segundo o Dieese (Departamento
Intersindical de Estatísticas e Assuntos Socioeconômicos)
(Nota Técnica 45 de junho de 2007), o fator previdenciário “prejudica
os trabalhadores mais pobres e menos especializados que, por força
das circunstâncias, são levados a ingressar mais cedo no
mercado de trabalho e que, para garantir o beneficio integral, devem
permanecer mais tempo trabalhando”. Neste contexto, recomenda que
na avaliação do déficit devem-se levar em conta
duas particularidades do sistema previdenciário: “1ª)
a previdência faz parte da seguridade social, conforme estabelecem
os artigos 194 e 195 da Constituição de 1988, e 2ª)
os efeitos da Desvinculação de Recursos da União
(DRU) sobre o orçamento da seguridade social”.
A expectativa de vida é divulgada
anualmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro Geografia e Estatística).
Para se ter uma idéia, em 1999, ano da implementação
do fator previdenciário, a expectativa de vida do brasileiro ao
nascer era 68,4 anos. Cinco anos depois, em 2005, a expectativa de vida
passou a ser 71,9 anos. Como a tabela de expectativa de vida varia ano
a ano e é fundamental para o cálculo do Fator, o impacto
na redução do valor das aposentadorias é cada vez
maior.
O Dieese retomou o tema, através
da Nota Técnica nº 65, abril de 2008, mostrando que no período
de 1999 a 2005 houve uma redução significativa no valor
das aposentadorias: “a introdução do Fator Previdenciário
em 1999 teve impacto direto no valor das aposentadorias por tempo de
contribuição, rebaixando a média dos valores das
aposentadorias por contribuição em pelo menos 23% para
os homens e em mais de 30% para as mulheres”.
Os gráficos
1 e 2 ilustram o comparativo dos benefícios de aposentadoria
por tempo de contribuição (homens e mulheres) com o fator
previdenciário e sem o fator previdenciário para verificarmos
a queda resultante nos valores.
Por iniciativa do Senador Paulo
Paim (PT/RS) o PLS 296/03, que extingue o fator previdenciário
no cálculo para recebimento do benefício, foi aprovado
no Senado. Na Câmara, O relator do Projeto de Lei 3.299/08, que “revoga
o fator e a regra do cálculo do benefício da aposentadoria
passa a ter como base a média aritmética simples de todos
os últimos salários de contribuição, até o
limite máximo de 36, apuradas em período não superior
a 48 meses” na Câmara, Deputado Germano Bonow (DEM/RS), vai
recomendar a sua aprovação.
O projeto está atualmente
na Comissão de Seguridade Social e Família na Câmara
dos Deputados. Houve audiência pública no dia 10 de julho.
Na oportunidade, pelo governo, o diretor do Departamento de Previdência
do Ministério da Previdência, João Donadon, disse
que não há recursos para cobrir as despesas que serão
geradas com o fim do Fator Previdenciário. Por outro lado, o relator,
deputado Germano Bonow, quer que o governo leve em conta que está cada
vez mais comum o fato de os aposentados voltarem a trabalhar e a contribuir
com a previdência. Essas pessoas, no entanto, segundo ele, não
têm expectativa de nova aposentadoria e não poderão
se beneficiar com as novas contribuições, deixando esses
recursos nos cofres do INSS.
Para chegar à votação
final pelo Plenário da Câmara, o projeto de extinção
do Fator Previdenciário tramitará também nas comissões
de Finanças e Tributação e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
Assim, se num primeiro momento
a criação do Fator Previdenciário aparenta certa
racionalidade, também é possível verificar um conjunto
de contradições do próprio Fator e certamente muitos
questionamentos sobre os impactos concretos de sua aplicação
ao longo dos anos que se seguiram à sua criação.
Atualmente, as conseqüências
da aplicação do Fator Previdenciário no valor das
aposentadorias dos trabalhadores, onde está provado que ele reduziu
os valores dos benefícios previdenciários, enfraquecem
qualquer debate sobre a sua correlação na redução
do déficit previdenciário que justificou a sua concepção
e proposição. Em verdade, o déficit só pode
ser entendido e equacionado dentro do orçamento da seguridade
Social e através do crescimento do emprego.
(*) Presidente da Anprrev (Associação
Nacional dos Procuradores Federais da Previdência Social)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
09/10/2008
Dano moral: valor da indenização
limita-se ao que foi pedido pela parte
Em caso de ações
pleiteando indenização por danos morais, não cabe
aos órgãos da Justiça do Trabalho alterar o valor
determinado no pedido inicial, se não houver questionamento neste
sentido formulado pela parte interessada. Este é o teor de decisão
da Quinta Turma do Tribunal Superior do Trabalho, em voto do ministro
Emmanoel Pereira.
Trata-se de um recurso de revista
em que a Viação União Ltda., do Rio de Janeiro,
contesta decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região
em processo trabalhista movido por um ex-empregado. Entre outros itens,
ele alegou que sua honra foi denegrida com a divulgação,
pela empresa, de que sua dispensa se dera porque ele deixava os passageiros
entrarem sem acionar a roleta e ficava com o dinheiro das passagens.
Por esse motivo, reclamou o pagamento de indenização por
danos morais no valor de 400 salários mínimos. O pedido
foi negado em primeira instância. Em recurso ordinário,
o cobrador obteve a reforma da sentença com o conseqüente
reconhecimento do direito à indenização por danos
morais. Em sua decisão, o TRT resolveu converter o valor em 360 “dias-multa”,
com base no Código Penal, correspondendo ao valor exato de R$
217.440,00.
A empresa contestou a decisão
do TRT, mediante recurso de revista ao TST. Em seu voto, o ministro Emmanoel
Pereira rejeitou as alegações de que a condenação
por danos morais seria injustificada, na medida em que ficou claro que
o Regional decidiu com base em provas, cuja reanálise é impedida
pela Súmula nº 126 do TST. No entanto, o relator considerou
que o TRT extrapolou de sua competência ao condenar a empresa em
valor superior ao que foi pedido na ação trabalhista. Ele
ressaltou que não há, na petição inicial,
denúncia de crime que pudesse levar o juiz a evocar o artigo 139
do Código Penal, cominado com o agravante de abuso de poder, como
consta do acórdão questionado pelo empregador. “O
julgador não poderia, dissociado do pedido, incursionar na norma
de direito penal para alçar a reparação a valor
superior ao pretendido pelo empregado”, destacou o ministro.
Para fundamentar seu voto nesse
aspecto, Emmanoel Pereira mencionou a jurisprudência do TST, que
repudia o julgamento extra petita (decisão sobre matéria
que não foi pedida) e ultra petita (decisão além
do pedido), citando precedentes dos ministros Aloysio Corrêa da
Veiga, Dora Maria da Costa, Maria de Assis Calsing e Maurício
Godinho Delgado.
Com a decisão, a Quinta
Turma, por unanimidade, determinou que a indenização se
limite ao valor expressamente requerido pelo autor da ação,
no pedido inicial, correspondente a 400 salários mínimos.
( RR 800/2003-205-01-00.4 )
(Ribamar Teixeira)
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09/10/2008
TST confirma estabilidade de dirigente de
sindicato em fase de registro
A Seção Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1)
do Tribunal Superior do Trabalho ratificou decisão anterior, da Terceira
Turma, que concluíra pelo direito à estabilidade provisória
e à reintegração de empregado da Sociedade Cooperativa
de Serviços Médicos de Curitiba e Região Metropolitana – Unimed
Curitiba, eleito para o cargo de secretário-geral do Sindicato dos Empregados
em Cooperativas de Serviços Médicos do Estado do Paraná – Secoomed/PR.
O empregado foi demitido quando o sindicato ainda estava em fase de registro.
A Unimed contestou a decisão
da Justiça do Trabalho da 9ª Região (PR), que julgara
procedentes os A pedido de liminar, a reclamação trabalhista
foi proposta pelo empregado em maio de 2006, após sua demissão
sem justa causa.
Ao proferir seu voto na SDI-1,
o relator, ministro Aloysio Corrêa da Veiga, lembrou que o procedimento
para registrar um sindicato “é complexo, lento, sujeito
aos trâmites que não permitem a intervenção
das partes interessadas”. Por isso, a estabilidade provisória
deve ser garantida a partir do pedido de registro. O ministro destacou
precedentes do Supremo Tribunal Federal no mesmo sentido e afirmou que
o TST “vem trilhando o entendimento de que a estabilidade do empregado
eleito dirigente sindical não é vinculada à data
de concessão do registro sindical, bastando haver o pedido”.
( RR-81063/2006-028-09-00.9 ).
(Lourdes Côrtes)
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