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Agência Diap, 13 de
outubro de 2008
O 2º turno, o Congresso e a “despolitização” da
imprensa
Por: Marcos Verlaine*
A semana passada se encerrou
com a imprensa fazendo aquelas críticas ao Congresso que pouco
ou nada contribuem para desenvolver massa crítica na população
brasileira, porque deputados e senadores resolveram dar continuidade
ao “recesso branco”, em razão de que vários
municípios de capitais só decidirão as eleições
em segundo turno.
Para justificar suas críticas
lançam mão de números, pois os manuais da imprensa
dizem que números são sempre relevantes e dão valor
de grandeza às informações ou notícias. Isto é verdade,
em parte. Mas quando se trata de política é preciso ter
cuidado com esses números – no caso, os números são
o salário dos deputados e senadores, que receberão, segundo
a imprensa, “sem trabalhar”.
A informação não é verdadeira,
e pior, contribui mais ainda para lançar o Poder Legislativo no
descrédito e, por conseguinte, a política, única
alternativa capaz de resolver os problemas coletivos de uma sociedade.
A informação de
paralisia do Legislativo é incompleta e preconceituosa. Vamos
aos fatos para comprovar que a decisão de manter o “recesso
branco” é coerente. Primeiro é preciso que se diga
que as eleições municipais seguem uma tradição
política baseada no entendimento tácito que deputados e
senadores ajudam a eleição de prefeitos e vereadores, e
estes, nas próximas eleições, ajudam a eleger aqueles.
As eleições no
Brasil não são “casadas”, por isso, as municipais
são a ante-sala das eleições gerais. Desse modo,
o resultado do pleito municipal define a correlação de
forças para as eleições gerais de presidente, governadores,
senadores e de deputados – federais, estaduais e distritais, no
caso do Distrito Federal.
Decisão
coerente
O Congresso não precisa parar por completo, mas votar matérias
relevantes não é possível, tendo em vista que mais da
metade dos deputados estão envolvidos no segundo turno do pleito municipal.
Nada mais, nada menos que 305
deputados estão em seus municípios disputando ou participando
da fase final do pleito municipal – as bancadas estaduais de São
Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Porto Alegre, Santa Catarina,
Maranhão, Pará, Amazonas e Mato Grosso – pois em
suas capitais a eleição será definida em segundo
turno.
Desinformação ou
má fé
Na política, a desinformação prejudica, pois pode levar
a decisões equivocadas. Já a má fé é ainda
pior, pois os problemas sociais, as desigualdades e os problemas estruturais
de um país só podem ser resolvidos por meio da política.
Desse modo, o seu descrédito pela população em nada ajuda
a avançar na solução das mazelas nacionais.
A má fé, o preconceito
com a atividade política, ao contrário do que imaginam
aqueles que produzem a má informação apenas criam
um estado de inação, que faz perpetuar os graves problemas
estruturais do País.
Esse posicionamento da imprensa é baseado
na visão moralista de pauteiros, repórteres e editores,
pois se quisessem fazer críticas contundentes ao Poder Legislativo
assunto não faltaria – agenda irrelevante, nepotismo, demora
para votar assuntos de relevante interesse da sociedade, e tantos outros
cuja lista seria infindável.
Mas o Poder Legislativo é assim,
em grande medida, porque a expressa maioria do povo se mantém
distante da política, alheio, pois a imprensa com suas posições “despolitizadas” estimula
essa distância e alheamento.
(*) Analista político
e assessor parlamentar do Diap
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Agência Diap, 13 de
outubro de 2008
RELAÇÕES DE TRABALHO
Terceirização: projeto
continua na pauta da Comissão de Trabalho
Continua na pauta da Comissão
de Trabalho da Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 4.302/98,
que dispõe sobre as relações de trabalho na empresa
de trabalho temporário e na empresa de prestação
de serviços a terceiros. A proposta de FHC constava na pauta do
colegiado na semana passada, onde se iniciou a discussão da matéria.
O projeto não atende aos trabalhadores, pois precariza e vulnera as
relações trabalhistas. Se aprovado a matéria irá ao
plenário da Casa e em seguida para sanção presidencial.
A proposta em análise é o substitutivo aprovado no Senado Federal.
O colegiado se reúne, nesta quarta-feira (15), às 10h, no plenário
12.
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Congresso em Foco, 13 de
outubro de 2008
O perfil dos melhores do ano
Confira um resumo da atuação
de cada um dos 42 parlamentares finalistas do Prêmio Congresso
em Foco 2008
Edson Sardinha e Bruno Arruda
Os 42 finalistas do Prêmio Congresso em Foco 2008 têm mais em comum
do que o fato de terem sido apontados por jornalistas que cobrem a Câmara
e o Senado como os parlamentares que mais se destacaram no exercício
do mandato este ano. A maioria dos deputados e senadores que disputa o voto
do internauta até o dia 20 de novembro acumula mais de dois mandatos,
representa eleitores e estados do Centro-Sul do país e está filiada
a partidos de centro-esquerda.
Com exceção de três parlamentares, todos os demais têm
curso superior. O leque de profissões exercidas pelos finalistas antes
de ocupar cargo eletivo é amplo. Há representantes de 18 áreas
distintas: do direito (juiz, promotor e advogado) – a mais numerosa,
com uma dezena de parlamentares – a outras que têm apenas um representante,
como a metalurgia e a pedagogia.
Para facilitar a escolha do internauta que ainda não decidiu quais são
os congressistas que merecem receber, no dia 1º de dezembro, em Brasília,
o Prêmio Congresso em Foco, este site publica hoje (13) um perfil atualizado
dos 26 deputados e 16 senadores selecionados por 204 jornalistas que cobrem
o Legislativo.
Acessando os links abaixo, o leitor pode verificar diversas informações
relacionadas aos parlamentares, como o patrimônio declarado, as áreas
de atuação no Congresso e os gastos de campanha.
Deputados
Aldo Rebelo (PCdoB-SP)
Antônio Carlos Biscaia
(PT-RJ)
Arlindo Chinaglia (PT-SP)
Chico Alencar (Psol-RJ)
Ciro Gomes (PSB-CE)
Fernando Coruja (PPS-SC)
Dr. Rosinha (PT-PR)
Fernando Gabeira (PV-RJ)
Flávio Dino (PCdoB-MA)
Gustavo Fruet (PSDB-PR)
Henrique Fontana (PT-RS)
Ibsen Pinheiro (PMDB-RS)
Ivan Valente (Psol-SP)
José Eduardo Cardozo (PT-SP)
Luciana Genro (Psol-RS)
Luiza Erundina (PSB-SP)
Maria do Rosário (PT-RS)
Maurício Rands (PT-PE)
José Carlos Aleluia (DEM-BA)
Miro Teixeira (PDT-RJ)
Osmar Serraglio (PMDB-PR)
Raul Jungmann (PPS-PE)
Rita Camata (PMDB-ES)
Rodrigo Rollemberg (PSB-DF)
Walter Pinheiro (PT-BA)
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)
Senadores
Aloizio Mercadante (PT-SP)
Alvaro Dias (PSDB-PR)
Arthur Virgílio (PSDB-AM)
Cristovam Buarque (PDT-DF)
Demóstenes Torres (DEM-GO)
Eduardo Suplicy (PT-SP)
Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN)
Ideli Salvatti (PT-SC)
Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE)
Jefferson Péres (PDT-AM)
(In memorian)
Marina Silva (PT-AC)
Patrícia Saboya (PDT-CE)
Paulo Paim (PT-RS)
Pedro Simon (PMDB-RS)
Renato Casagrande (PSB-ES)
Tião Viana (PT-AC)
Clique AQUI para
votar
Acompanhe o resultado
parcial da apuração
Distribuição dos candidatos
Embora representem cerca de 12% da atual composição do Congresso,
as mulheres respondem por quase 20% dos 42 nomes apontados por jornalistas
que cobrem as duas casas legislativas como os mais destacados do ano.
Há cinco deputadas e três senadoras na disputa, um aumento relativamente
significativo em comparação com as cinco parlamentares classificadas
no ano passado. As deputadas Maria do Rosário (PT-RS), Luciana Genro
(Psol-RS), Luiza Erundina (PSB-SP), Rita Camata (PMDB-ES) e Vanessa Grazziotin
(PCdoB-AM), e as senadoras Marina Silva (PT-AC), Patrícia Saboya (PDT-CE)
e Ideli Salvatti (PT-SC) compõem a bancada feminina.
Das 27 unidades da Federação, 15 têm ao menos um deputado
ou senador na lista. Dono da maior bancada no Congresso, São Paulo tem
também o maior número de finalistas: sete, ao todo. Rio Grande
do Sul (6); Paraná (4); Rio de Janeiro (4); Amazonas (3); Pernambuco
(3); Acre (2); Bahia (2); Ceará (2); Distrito Federal (2); Espírito
Santo (2); Santa Catarina (2); Goiás (1); Maranhão (1); e Rio
Grande do Norte (1) aparecem na seqüência.
Ao todo, 31 finalistas exercem o mandato por legendas de centro-esquerda. O
partido do presidente Lula é o que reúne o maior número
de representantes. Entre deputados e senadores, são 14 petistas. Os
demais selecionados estão distribuídos entre as seguintes siglas:
PMDB (6); PSB (4); PDT (4); Psol (3); PCdoB (3); PSDB (3); PPS (2); DEM (2);
e PV (1).
Outra curiosidade: os cinco parlamentares que disputam o prêmio por terem
se destacado no combate à corrupção também estão
entre os classificados na categoria dos que mais bem exerceram o mandato ao
longo do ano. Todos têm formação em direito, área
na qual atuaram antes de exercer o mandato, quer como procurador de Justiça,
quer como advogado ou juiz.
Saiba
mais sobre o prêmio
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Vermelho, 13 de outubro de
2008
Crise dos EUA já atingiu o Brasil
"Vamos ter um Natal extraordinário",
afimou Lula nesta semana, num tom otimista característico de qualquer
governante. Ao mesmo tempo em que adota medidas, embora tímidas,
para conter os efeitos da grave crise nos EUA, o governo tenta acalmar
o "deus-mercado". No extremo oposto, o irresponsável
FHC, que desmontou o estado nacional e degradou o trabalho, posa de Cassandra
e aposta no quanto pior, melhor. Suas recentes declarações à imprensa,
sempre em tom alarmista, revelam cinismo e rancor típicos de um
presidente escorraçado nas urnas e detestado pelo povo.
Como lembra o sociólogo
Emir Sader, "FHC, apóstolo do caos, aposta na crise, na recessão.
Ele conhece bem isso. Afinal, nos seus oito anos de governo, quebrou
o Brasil três vezes e teve de ir ao FMI três vezes para assinar
novas cartas-compromisso. Escondeu a crise durante a campanha eleitoral
de 1998 e fez de tudo – ajudado amplamente pela mesma imprensa
privada que agora aposta no caos – para ganhar no primeiro turno,
porque o país estava de novo quebrado e Pedro Malan negociava
novo acordo de capitulação com o FMI. Não deu outra,
veio a crise, os juros foram elevados para 49% (sic) e a economia entrou
em prolongada recessão".
Rede Globo perde o sono
Tirando esta guerra retórica,
a crise nos EUA já chegou ao Brasil. Não se sabe ainda
o tamanho e a duração dos estragos, mas alguns sinais preocupantes
já se manifestam. As unidades da GM de São José dos
Campos e São Caetano anunciaram férias coletivas para os
metalúrgicos, alegando retração dos investimentos
da matriz nos EUA. Na Zona Franca de Manaus, a Moto Honda e a Elgin comunicaram
ao sindicato da categoria que também darão férias
coletivas. Ainda segundo a entidade, a Sony demitiu 100 trabalhadores.
O clima nesta base operária já é de insegurança.
Empresas que especularam no cassino
financeiro também mostram fragilidades. A Votorantim já perdeu
R$ 2,2 bilhões no mercado de cambio; os acionistas da Sadia abrirão "processo
contra os administradores desta empresa para ressarcimento das operações
que levaram à perda de R$ 760 milhões"; e a Aracruz
admitiu prejuízos de R$ 1,95 bilhão. A incerteza abala
a Bolsa de Valores de São Paulo, que despencou nos últimos
dias. Até a poderosa Rede Globo, que sempre defendeu a orgia financeira,
está estressada. Ela acumula dívida de US$ 665 milhões
e a disparada do dólar tira o sono da sua diretoria e de alguns
astros globais, que temem por seus contratos milionários.
Qual o grau de vulnerabilidade?
Ninguém sabe qual será o
impacto da crise no Brasil. Até críticos menos rancorosos
do que FHC acham que a economia está mais blindada, com reservas
em divisas, superávit comercial e dívida externa sob controle.
Lembram que o mercado interno teve certo aquecido, devido à elevação
do salário mínimo e aos programas sociais do governo, que
retiraram milhoes de famílias da miséria absoluta e injetaram
dinheiro na economia. Citam ainda a diversificação das
relações comerciais do país, que hoje não
depende tanto dos EUA, como no período do "alinhamento automático" de
FHC. Apesar destes avanços, há dúvidas sobre o verdadeiro
grau de vulnerabilidade do Brasil.
Para Marcio Pochmann, presidente
do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a nova dinâmica
do mercado interno ajudará a minimizar os efeitos destrutivos
da crise nos EUA. "Parte significativa da expansão da nossa
economia depende do mercado interno e relativamente pouco do mercado
externo. Isto nos ajuda a entender como o Brasil, frente à grave
crise internacional, não foi afetado de forma tão decisiva".
Ele também valoriza os avanços nas relações
comerciais mais diversificadas. Mesmo assim, ele alerta: "Isto não
significa que não seremos afetados pela crise internacional",
que deverá ter um "efeito dominó" sobre a economia
de todos os países.
"O pior ainda está por
vir"
O Prêmio Nobel de Economia,
Joseph Stiglitz, também avalia que "o Brasil hoje está bem
mais preparado que há alguns anos". Mas, para ele, "o
pior ainda está por vir" e "ninguém está imune à crise.
O Brasil, por mais preparado, também não". Ele ainda
aponta um risco pouco citado por outros analistas, o da grave crise na
agricultura. "Muitos investidores estrangeiros colocaram seu dinheiro
nas commodities nos últimos meses, fugindo do dólar. Com
a crise, o primeiro impacto é o fim dos créditos e as dívidas
contraídas podem ser um problema no campo. Além disso,
tudo indica que os preços das commodities vão cair. A bolha
no Brasil pode estar no campo".
Mais pessimista, o ex-presidente
do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES),
Carlos Lessa, afirma convicto que a crise causará enormes estragos
ao país. "O Brasil já foi atingido. A bolsa de valores
caiu violentamente, o real se desvalorizou, a taxa de câmbio subiu
e as empresas brasileiras que têm empréstimos no exterior
estão com muitas dificuldades de renová-los. Assim, a reserva
internacional começou a diminuir". Ele lembra que, apesar
da retórica, o governo já reconheceu a gravidade da situação
ao reduzir o compulsório dos bancos e ao injetar dinheiro na economia.
Mas o economista acha que estas medidas ainda são tímidas.
Medidas de defesa da economia
"O Brasil deveria adotar
políticas de controle de câmbio e de regulação
das exportações", sugere Lessa. Mesmo com nuances
no diagnóstico, Pochmann também defende medidas mais incisivas
para defender a economia. Ele lembra que a crise colocou em xeque a hegemonia
dos EUA e os dogmas neoliberais, em especial a flexibilização
financeira. "É necessário o Estado para garantir maior
regulação e condição saudável para
a existência da economia. Acredito que estamos diante de um novo
movimento de pêndulo para a ampliação da regulação
sobre a economia capitalista". Para ele, é urgente aumentar
os mecanismos de controle sobre o sistema financeiro.
Até o ex-ministro Delfim
Netto, tsar da economia durante a ditadura militar, propõe endurecer
a relação com os bancos. Defensor da economia de mercado,
ela avalia que a desregulamentação saiu de controle e defende
maior intervenção estatal. "Diante de uma crise sistêmica,
não adianta querer discutir. Não estamos tratanto de questões
filosóficas, mas de problemas práticos". Para garantir
liquidez, ele propõe que o Banco Central e o Ministério
da Fazenda firmem um acordo com os bancos para enfrentar a crise. "Eles
terão de cooptar os banqueiros. É dizer: olhem aqui, vocês
podem até empoçar o dinheiro que têm, mas só que
vocês vão pagar um preço caro".
Em síntese: a crise mundial,
deflagrada nos EUA, é das mais graves da história do capitalismo.
Ela foi agravada pela desregulamentação imposta pela dogmática
neoliberal, sob hegemonia do capital financeiro. Nenhum país ficará imune
aos seus efeitos destrutivos. No caso brasileiro, a vulneralibilidade
conjuntural hoje é menor. Mesmo assim, o país já foi
atingido. O Brasil ainda é muito dependente da liquidez externa
e da exportação de produtos de baixo valor agregado, das
commodities. Para evitar que a gripe vire uma tuberculose, o governo
precisará adotar medidas mais incisivas de controle do fluxo de
capitais e de regulamentação do sistema financeiro, entre
outras.
Da redação
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Agência Brasil, 13 de outubro de 2008
G7 não é adequado para
conter crise, diz Mantega
O ministro da Fazenda, Guido Mantega,
disse que o G7 não é um fórum ''adequado'' para
sanar os efeitos da atual crise econômica mundial ''porque
deixa de fora os países emergentes''.
Os comentários do ministro
foram feitos durante uma entrevista coletiva realizada na sede do FMI,
após ele ter participado de uma reunião do G20, no sábado à noite,
que contou com a participação, de surpresa, do presidente
americano George W. Bush.
A presença inesperada
e sem precedentes de um presidente dos EUA no encontro que reuniu no
FMI apenas ministros das Finanças e presidentes de Bancos Centrais
foi um sinal da gravidade da crise e um recado de que os Estados Unidos
buscam coordenar a ação para salvar da falência as
financeiras.
No sábado pela manhã,
Bush já havia recebido na Casa Branca os ministros das Finanças
dos países que integram o G7 e que participam em Washington do
evento semestral do FMI e do Banco Mundial.
Interesse de Bush
''A presença do presidente
Bush numa reunião do G20 realizada no FMI demonstra o interesse
dele em que essas instituições tenham uma posição
mais ativa para a solução da crise. Ele está prestigiando
instituições que ele considera importantes para a resolução
da crise'', afirmou Mantega.
Mas mesmo com a deferência
do líder americano, o ministro procurou deixar claro que o risco
de o caos financeiro se alastrar por outros países torna necessária
a ampliação de organismos capazes de lidar com crises como
a atual.
''Um problema importante é o
contágio de uma economia pela outra. Há vários modos
de contágio, como a retirada de recursos que estão nos
países emergentes, saída de ativos de bolsas, de investimentos
de aplicações financeiras'', afirmou.
O G7 é formado pelos países
mais ricos do mundo, Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália,
Japão, Alemanha e Canadá.
O G20 reúne as nações
mais ricas e as principais economias emergentes. Seus participantes são África
do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália,
Brasil, Canadá, China, Coréia do Sul, Estados Unidos, França,
Reino Unido Índia, Indonésia, Itália, Japão,
México, Rússia e União Européia.
De acordo com o ministro, o G7
dispõe de uma estrutura mais capaz de combater os efeitos da crise
do que a do G20.
''O G7 está se movimentando
para equacionar os problemas europeus, à semelhança do
que fizeram os Estados Unidos. O G20 avançou hoje para uma ação
coordenada.''
G20 inadequado
Porém, de acordo com Mantega,
o problema que atinge o G20 é que ele ''não foi talhado
para enfrentar esse tipo de situação''.
''Seu objetivo era mais ser um
fórum de discussão de problemas de fundo dos vários
países. Ele tem uma conformação que impede uma atuação
mais decidida em problemas econômicos. Os ministros se reúnem
apenas uma vez ao ano e ao longo do ano são os vices que fazem
os encontros.''
A fim de obter o que chamou de
uma estrutura mais ágil e capaz de combater crises emergenciais,
Mantega acredita que o órgão deveria passar a travar quatro
encontros ao ano, como faz o Mercosul.
Ele disse também que espera
que o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, com quem
manteve um encontro bilateral neste sábado e o presidente do Fed,
Ben Bernancke, participem da próxima reunião do órgão.
O G20 irá se encontrar
em novembro deste ano em São Paulo.
FMI
Ainda neste sábado, o
FMI disse apoiar o plano dos países que integram o G7 para combater
a crise internacional de crédito.
Em um comunicado divulgado no
sábado à noite, o órgão endossou o plano
de ação lançado ontem pelas principais economias
mundiais.
No documento, o FMI afirmou que
a turbulência financeira é tão grave e espalhada
que será preciso uma excelente coordenação entre
os diferentes países, bem como de boa vontade para adotar medidas
ousadas e necessárias.
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Folha de S.Paulo, 13 de outubro
de 2008
Europa começa hoje a estatizar
bancos
Pacote prevê crédito para empresas,
garantias para depósitos e estímulo para retomada dos
empréstimos entre bancos | Estatização parcial
de bancos se dará por meio de refinanciamento e compra de
ações, mas governos não devem interferir na
gestão
CLÓVIS ROSSI
ENVIADO ESPECIAL A MADRI
Era domingo, os mercados estavam
fechados, e governos da Oceania à Europa lançaram-se a
uma frenética escalada de medidas para tentar evitar que, quando
as Bolsas de Valores abrirem nesta manhã, haja um banho de sangue
similar ao da sexta-feira. Em entrevista ao jornal "Bild am Sonntag",
a chanceler alemã Angela Merkel definiu a situação
com uma certeira frase: "Só a ação dos Estados
pode agora restaurar a necessária confiança", disse.
A "ação do Estado" irá ao inimaginável,
a ponto de o Reino Unido, país moldado pela hiper-liberal Margaret Thatcher,
estar na iminência de tomar o controle majoritário de dois dos
principais bancos do país, o RBS (Royal Bank of Scotland) e o HBOS (Halifax
Bank of Scotland), além de assumir posição importante
em outros dois (Lloyds TSB e Banco Barclays).
A iniciativa britânica será seguida pelos 15 países da
eurozona, mas cada um adotará o seu pacote, de acordo com "a flexibilidade
que se necessite em função da diversidade de nossos sistemas
financeiros e de nossas regras nacionais", segundo o presidente francês
Nicolas Sarkozy.
A partir de agora, haverá "uma avalanche de planos de salvamento" nos
países da Europa, antecipa Didier Reynders, ministro belga de Finanças.
A estatização, parcial, se dará por meio de "refinanciamento" aos
bancos, via compra de ações, mas sem que os governos adquiram
direito a voto nas instituições beneficiadas.
Caminho
britânico
Como se esperava, o pacote adotado ontem pelos 15 países da eurozona
(os que adotam o euro como moeda), na cúpula de emergência em
Paris, segue as linhas gerais do plano editado quarta pelo Reino Unido.
O plano europeu prevê, como o britânico, garantias governamentais
para empréstimos entre bancos, que é o ponto mais urgente a atacar
para permitir, se tudo der certo, destravar o crédito primeiro entre
os próprios bancos e, depois, para os demais setores da economia.
Além da recapitalização dos bancos em dificuldades, o
pacote põe no papel a garantia já antecipada, na semana passada,
pela ministra francesa da Economia, Christine Lagarde: "Não permitiremos
um Lehman Brothers na Europa".
A quebra do Lehman Brothers nos Estados Unidos é apontada quase unanimemente
como o ponto de ignição do incêndio que consumiu os mercados
a partir de setembro.
Crédito
para empresas
O esboço do documento discutido em Paris previa um passo adicional,
afinal não explicitado: autorizava o Banco Central Europeu a fazer empréstimos
diretos às empresas, no que seria claramente a subversão das
regras atuais do BCE.
Ao contrário do Fed (o banco central norte-americano), cuja missão
não é apenas a de controlar a inflação mas, na
hora do aperto, também a de estimular a economia, o estatuto do BCE
restringe sua atuação ao controle da inflação.
Liberar dinheiro para empresas é estimular a atividade econômica,
o que, no limite, pode levar a aumento de preços. Se adotada, a medida
visaria evitar o sufoco de empresas que precisam emitir promissórias
para pagar salários e fornecedores.
A desconfiança dos bancos levou à estratosfera as taxas de juros
para esse tipo de operação. Há casos de empresas que são
obrigadas a tomar empréstimos por um só dia, para cobrir pagamentos
indispensáveis.
Os Estados Unidos já haviam anunciado que o Fed comprará promissórias
a um juro inferior ao de mercado, para evitar que empresas sadias e rentáveis
sejam asfixiadas pelo bloqueio do crédito, causado pela desconfiança
generalizada e não pela ficha creditícia da companhia.
Na Alemanha também, sempre segundo vazamentos da mídia, sai hoje
um pacote que segue as linhas gerais do plano adotado pela eurozona.
O plano também prevê garantias para que um banco empreste ao outro
e copia o pacote norte-americano de investir recursos do Tesouro para limpar
os chamados "ativos tóxicos" dos bancos.
Um terceiro ponto seria recapitalizar os bancos, mas o jornal popular "Bild" e
o semanário "Welt am Sonntag" coincidem em informar que o
problema maior não é com os bancos privados mas com os chamados "Landebanks",
uma coleção de caixas econômicas que são usinas
de financiamento em todos os 16 Estados ("lander").
A desconfiança nos bancos é tanta que até Portugal, cujo
governo reafirma, dia após dia, que o seu sistema é sólido,
anunciou ontem que disponibilizará até 20 bilhões para
garantir os depósitos, quantia "aberta a todas as instituições
de crédito sediadas em Portugal", segundo o ministro das Finanças,
Teixeira dos Santos.
Na Oceania, renderam-se Austrália e Nova Zelândia, dois dos raros
países do mundo desenvolvido, que não tinham nenhuma garantia
para depósitos. Adotaram um pacote coordenado com esse objetivo.
Na Ásia, a Bolsa de Seul chegou a subir mais de 4% hoje. A Bolsa de
Sydney teve alta de quase 5%. Os futuros do índice S&P 500 da Bolsa
de Nova York, negociados na Ásia, tinham alta de 4% até o fechamento
desta edição. Os mercados não abrem hoje no Japão.
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Agência Diap, 13 de
outubro de 2008
PROGRAMAS DE GOVERNO
Enem e ProUni são temas de
debate na Comissão de Educação
Comissão de Educação
e Cultura da Câmara dos Deputados realiza, nesta terça-feira
(14), audiência pública para debater sobre o Programa Universidade
para Todos (ProUni) e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Foram convidados a vice-presidente
da Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior,
Carmem Luíza da Silva; o presidente do Instituto Nacional de Estudos
e Pesquisas Educacionais (Inep), Reynaldo Fernando; e o presidente do
Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos do Ensino Superior
no Estado de São Paulo (Semesp), Hermes Ferreira Figueiredo.
A sessão de audiência
será no plenário 10, às 14h.
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Agência Diap, 13 de
outubro de 2008
DIREITOS TRABALHISTAS
Vigilantes: periculosidade para categoria
continua na pauta
A proposta que continua na pauta
do colegiado sem ser apreciada pelos pares da comissão é o
PL 1.033/03, da deputada Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM), que institui
o salário adicional de periculosidade para os vigilantes e empregados
em transporte de valores.
O relator, deputado Geraldo Pudim (PMDB/RJ), apresentou parecer pela aprovação
da matéria na Comissão e também do substitutivo aprovado
na Comissão de Trabalho. Ao que parece, a base do Governa na Casa apresenta
resistência ao projeto, o que têm atrasado sua apreciação.
A categoria busca um entendimento e o apoio dos parlamentares para a aprovação
da matéria.
A Comissão se reúne, nesta terça-feira (14), às
14h30 no plenário 1.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
13/10/2008
Empresa perde prazo por encaminhamento incorreto
de petição eletrônica
Os sistemas eletrônicos
da Justiça do Trabalho facilitam a vida de advogados, partes,
servidores e magistrados. É o caso do Sistema Integrado de Protocolização
e Fluxo de Documentos Eletrônicos, o e-Doc. No entanto, é dever
de quem peticiona observar se o local ao qual se destina o recurso foi
lançado corretamente no sistema. Por falta de atenção
a esse aspecto, a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica
Paulista – CTEEP teve seu agravo de instrumento rejeitado pela
Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho.
A CTEEP opôs recurso de
revista contra decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
(Campinas/SP) por meio do e-Doc, mas dirigiu o recurso à Vara
do Trabalho de Aparecida (SP), e não ao TRT. Apesar de a petição
da revista ter sido enviada eletronicamente dentro do prazo de oito dias,
a empresa encaminhou-a para juízo diverso do competente para a
apreciação do apelo. A Vara de Aparecida, ao perceber o
engano do recorrente, repassou a petição para o TRT da
15ª Região, mas o documento somente foi recebido pelo Regional
após o decurso do prazo legal.
O acórdão regional
foi publicado em 22/02/08, uma sexta-feira. O início do prazo
recursal se deu em 25/02/08, segunda-feira, e o término em 03/03/08,
segunda-feira. Assim, ainda que a petição tenha sido encaminhada à Vara
do Trabalho em 03/03/08, o recurso somente foi recebido pelo Regional
em 05/03/08, quando já ultrapassado o prazo legal para a devida
apresentação.
Ao apreciar a questão,
o vice-presidente do TRT, através de despacho, julgou o recurso
intempestivo, ou seja, fora do prazo, e, por essa razão, bloqueou
a subida do recurso para o TST. Segundo o TRT, a tempestividade do recurso
de revista somente pode ser verificada pela data da regular apresentação
na sede do Tribunal recorrido, nos termos do artigo 896, parágrafo
1º, da CLT.
A CTEEP interpôs agravo
de instrumento ao TST, para destrancar o recurso de revista. Alegou,
para isso, que o recurso foi protocolado dentro do prazo, sendo secundário
o fato de ter sido dirigido à Vara do Trabalho. Entendimento diferente
teve a Sétima Turma, que considerou ser o recurso, de fato, “manifestamente
intempestivo” e negou provimento ao agravo.
Para o ministro Ives Gandra
Martins Filho, relator do agravo de instrumento, “é ônus
processual da parte recorrente apresentar o apelo perante o juízo
competente, sendo que, para a verificação da tempestividade,
considera-se o momento do seu protocolo perante a autoridade competente
para analisá-lo”. O ministro cita, inclusive, o artigo
9º, parágrafo 1º, item II, da Instrução
Normativa 30/07 do TST, segundo o qual compete ao remetente a correta “alimentação” do
sistema e-Doc. ( AIRR 468/2006-147-15-40.2)
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13/10/2008
Vale indenizará empregado aposentado
por invalidez com hérnia de disco
Um ex-soldador da Companhia Vale
do Rio Doce que desenvolveu hérnia de discal cervical devido às
condições inadequadas de trabalho receberá indenização
por danos morais no valor de R$ 30 mil, mais pensão vitalícia.
A condenação à empresa, imposta pela Justiça
do Trabalho da 3ª Região (MG), foi confirmada pela Sexta
Turma do Tribunal Superior do Trabalho, que rejeitou agravo de instrumento
da Vale.
Contratado em dezembro de 1988,
o soldador, após vários anos exercendo a mesma função,
foi diagnosticado com hérnia discal cervical, cervicalgia e lombalgia.
Esse quadro o impossibilitou de continuar trabalhando, e, a partir daí passou
a conviver com a rotina de exames médicos regulares, fisioterapia
e dores físicas insuportáveis. Em reclamação
trabalhista ajuizada na Vara do Trabalho de Ouro Preto, atribuiu à empresa
a culpa pelo problema. Afirmou que a cadeira na qual trabalhava era incompatível
com a atividade de soldador, obrigando-o a uma postura prejudicial à saúde,
fato agravado pela imposição de serviços extraordinários.
Pediu indenização por danos materiais e morais, devido à perda
de sua capacidade de trabalho no auge da maturidade, que lhe teria causado
abalo psíquico e moral. Não sendo possível a indenização,
pediu a condenação da Vale ao pagamento de pensão
mensal vitalícia, equivalente ao salário que recebia quando
em atividade.
O juiz de primeiro grau foi favorável
aos pedidos do empregado, e determinou à Vale o pagamento de pensão
correspondente a 25% de sua remuneração mensal, incluindo
o 13º salário, desde a aposentadoria até que ele completasse
72 anos de idade, a ser paga de uma só vez, e indenização
por dano moral, no valor de R$ 30 mil. O Tribunal Regional do Trabalho
da 3ª Região (MG) manteve a decisão e negou seguimento
a recurso de revista da Vale. Para o Regional, configurou-se o ato ilícito
da empresa, que conhecia os riscos presentes no ambiente de trabalho
do empregado, e não adotou as medidas preventivas.
No agravo ao TST, a Vale alegou
a inexistência do dano, pois a perícia teria constatado
que o soldador não estava incapacitado para o trabalho e poderia
desenvolver outras atividades. Negou também a relação
entre a doença e as atividades desempenhadas com base em laudo
que concluiu tratar-se de doença degenerativa progressiva, além
do fato de o trabalhador ter sofrido dois acidentes com veículos
que teriam causado as dores lombares.
No TST, a Sexta Turma negou provimento
ao agravo. O relator, ministro Aloysio Corrêa da Veiga, observou
que o TRT/MG fundamentou as razões pelas quais manteve a condenação
e abordou, entre outros aspectos, a data do diagnóstico, a incapacidade
para o trabalho, o nexo de causalidade entre o trabalho e a doença,
a culpa da empresa, a natureza degenerativa da doença e a alegada
presunção de dano. “Enfim, todos os pontos considerados
relevantes para o desfecho da controvérsia foram ressaltados”,
observou. “Cabe ressaltar, ainda, que é inviável
o exame, pelo TST, do conteúdo dos depoimentos das testemunhas
ou do próprio autor para aferir a consistência do que afirmaram
ou para verificar conflitos entre eles”, concluiu, com base na
Súmula nº 126 do TST. (AIRR 516/2006-069-03-40.7)
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