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Agência Diap, 14 de
outubro de 2008
LUTA SINDICAL
Trabalhadores saem às ruas
e promovem mais greves em 2008

Não é mera impressão. O número de paralisações
e greves neste ano está maior do que o total registrado no ano passado,
quando foram registradas 316 greves, totalizando 28.519 horas paradas, de acordo
com Clemente Ganz Lucio, diretor-técnico do Departamento Intersindical
de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
"De 2004 a 2007 o número
de greves manteve-se mais ou menos o mesmo, na faixa de 300 por ano.
Ainda não temos o balanço fechado, mas neste ano o número
cresceu consideravelmente, principalmente as paralisações
de um dia".
O fortalecimento das mobilizações
decorre em parte do cenário econômico, observa Lucio. Antes
do agravamento da crise externa, em setembro, os indicadores sinalizavam
uma economia brasileira robusta, com um Produto Interno Bruto (PIB) crescendo
5,2% até junho, demanda interna expandindo-se 6,81% e a produção
industrial crescendo 6,3%. "O cenário econômico ainda é favorável
e os sindicatos aproveitam para pedir reajustes compatíveis com
os ganhos que as indústrias obtiveram ao longo do ano", afirma
Lucio.
Um fator emocional também
foi decisivo para estimular os movimentos grevistas, avalia Ricardo Antunes,
sociólogo e professor da Unicamp. "Sindicatos ligados ao
PT e à CUT, como são muito lulistas, estão cumprindo
o chamamento do presidente Lula, quando disse que esse era o momento
de os trabalhadores se mobilizarem", afirma.
Antunes se refere ao discurso
que Lula fez em maio, durante cerimônia de celebração
dos 30 anos da greve na Scania, em São Bernardo do Campo (SP),
a primeira desde a publicação do Ato Institucional nº 5.
A mobilização liderada pelo então sindicalista Lula
deu origem a uma série de greves no setor automotivo naquela época.
A evolução do cenário
econômico também é levado em consideração
pelos sindicatos, de acordo com Antunes. Olhando para trás, os
sindicalistas vêem quase cinco anos de crescimento econômico
e um movimento de recuperação de perdas salariais registradas
entre a década de 1990 e os primeiros anos da atual década
ainda com espaço para novos ganhos acima da inflação
em 2008, afirma Antunes.
"Nunca um governante remunerou
tão bem os capitais — e isso vale para bancos, capital produtivo,
setor de serviços, comércio, todos. E os sindicatos também
têm consciência disso", acrescenta.
Olhando para frente, pondera,
a certeza de que a crise financeira internacional impactará a
economia doméstica em 2009, podendo inclusive provocar elevação
do desemprego, gera entre os sindicalistas a sensação de
que as chances de obter ganhos salariais acima da inflação
vão se reduzir drasticamente no próximo ano. "Criou-se
uma sensação de que é agora ou nunca".
Na avaliação do
consultor João Guilherme Vargas Neto, não há nada
mais desmoralizante para a campanha salarial do que o desemprego. "O
desemprego desmobiliza, desmonta o movimento. Quando o cenário
piora, a luta fica mais defensiva. Mas num cenário em que ainda
ocorre o aumento do emprego formal, os trabalhadores ainda encontram
um instrumento de pressão para negociar ganhos reais", diz.
O balanço entre esses
fatores tem sido considerado pelos sindicatos, segundo Vargas. E por
isso as negociações no segundo semestre apresentaram maior
número de paralisações (de horas ou turnos) e greves.
"A marca dos metalúrgicos
deixou uma mensagem bem clara ao patronato: 'eu quero o meu'. E eles
tinham condições de fazer exigências, não
só pelos ganhos que as empresas apresentaram ao longo do ano,
mas também pelo crescimento da categoria, que com o emprego formal
voltou a somar 2 milhões de trabalhadores no Brasil", observa
Vargas.
Mesma avaliação
faz Lucio, do Dieese, para quem as negociações entre empregados
e empregadores ficou mais difícil no segundo semestre. Ele inclui
em sua avaliação um fator macroeconômico que dificultou
as negociações salariais antes mesmo da crise financeira
externa: o repique inflacionário.
"À medida que a taxa
da inflação acumulada em 12 meses começou a crescer
acima do centro da meta estabelecido pelo governo federal, as negociações
foram se tornando mais difíceis e, paralelamente, as greves e
horas paradas aumentaram", afirma ele.
A dificuldade para a conclusão
de acordos tornou-se maior nos últimos meses. Até julho,
as greves de maior repercussão foram a dos funcionários
dos Correios, categoria que reúne 108 mil trabalhadores, que durou
21 dias, e a dos auditores-fiscais da Receita Federal, de 52 dias.
No segundo semestre, houve mais
casos. Em setembro, os trabalhadores das montadoras de São Paulo
e do Paraná destacaram-se no cenário sindical. Segundo
o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região, 40 mil
trabalhadores de 27 empresas pararam as atividades por pelo menos uma
hora, para forçar o acordo salarial. Já a greve dos 30
mil oficiais da Polícia Civil de São Paulo, iniciada em
16 de setembro, prossegue sem acordo.
Os 900 funcionários da
Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), que fizeram greve
de uma semana em setembro, também sofreram uma derrota. A juíza
Cátia Lungov julgou legítima a paralisação,
mas indeferiu, no dia 7, os pedidos de ganho real (de 5,41%) e garantia
de emprego de três anos. Nesta semana, trabalhadores e empresa
discutirão os termos do acordo coletivo. Também na semana
passada, mais de 300 empresas das áreas de máquinas e equipamentos
e eletroeletrônicos pararam por 2 horas, também sem acordo.
A greve geral por tempo indeterminado
dos bancários, categoria que reúne 434 mil trabalhadores,
chegou ao seu terceiro dia na sexta-feira, com 4.300 agências fechadas,
conforme o sindicato que os representa. "As negociações
estão duras com os bancos. Não houve avanço em nenhuma
das cláusulas negociadas", diz Vagner Freitas, presidente
do Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro
(Contraf-CUT).
Na sexta, a Justiça
do Trabalho determinou que 70% dos serviços sejam mantidos nas
agências bancárias de São Paulo. A audiência
de conciliação para analisar o dissídio da categoria
está marcada para esta terça-feira (14) no Tribunal Regional
do Trabalho da 2ª Região (TRT/SP). (Fonte:
Valor Econômico)
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Agência
Diap, 14 de outubro de 2008
CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS
CLT: parecer apresentado no GT será analisado
por especialistas
Especialistas irão apresentar contribuições
ao parecer do deputado Arnaldo Jardim (PPS/SP), que trata do Projeto
de Lei 1.987/07, do deputado Cândido Vaccarezza (PT/SP),
que consolida a CLT. O relator apresentou seu parecer no dia 20
de agosto, fato noticiado pela Agência DIAP.
Após a apresentação
de seu parecer, o deputado enviou ao Grupo de Assessoramento Técnico,
que se reúne na sede a Associação Nacional
dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), e conta
com a participação de várias entidades, entre
outras, a própria Anamatra e Sindicato dos Auditores Fiscais
do Trabalho (Sinait), para que o GAT possa contribuir com o parecer
apresentado pelo relator.
A Abrat (Associação Brasileira dos Advogados Trabalhistas) sob
a presidência do advogado Luiz Salvador, que também é membro
do corpo técnico do DIAP, estudo o parecer e irá apresentar considerações
acerca do texto do deputado Arnaldo Jardim. Luiz Salvador informou à assessoria
parlamentar do DIAP que pretende escrever uma análise acerca do parecer,
de modo a contribuir para o debate.
O presidente do Grupo de Trabalho na Câmara,
que é autor da proposta de consolidação, deputado
Cândido Vaccarezza, previu que o colegiado deverá votar
o substitutivo ainda neste mês, permitindo que a Comissão
de Constituição e Justiça e de Cidadania possa
analisá-lo em novembro, e o plenário da Casa já em
dezembro, antes do fim da atual sessão legislativa, previsto
para o dia 22 de dezembro.
Clique
aqui e veja o parecer do deputado Arnaldo Jardim.
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FOLHA DE LONDRINA, 14 de
outubro de 2008 | Economia
Em 2015, País terá uma
empresa para cada 24 habitantes
O Brasil pode chegar a 2015 com uma empresa para cada 24 habitantes. Isso representa
um universo de quase 9 milhões de pequenos negócios em 2015,
para uma população em torno de 210 milhões de pessoas.
Este é um dos dados apontados por uma pesquisa do Sebrae que trata sobre
os cenários para as Micro e Pequenas Empresas (MPE).
O estudo, que mapeou as principais
tendências econômicas nacionais e mundiais, faz um recorte
do impacto do desenvolvimento econômico brasileiro no cenário
global e aponta as oportunidades e caminhos para os pequenos negócios
em 2015.
Outro dado identificado pela
pesquisa foi o aumento expressivo na relação empresas x
habitantes, evoluindo de uma empresa a cada 42 habitantes, em 2000, para
uma a cada 24, em 2015, aproximando o Brasil dos índices europeus
registrados em 2000, quando Alemanha, França, Reino Unido e Itália
apresentavam, respectivamente, 23, 24, 23 e 14 habitantes por empresa.
A projeção é que,
em 2015, o universo de MPE passe dos atuais 5 milhões para 8,8
milhões, e que mais da metade destes negócios (4,8 milhões)
esteja concentrada no setor de comércio (55%), em todo o País,
seguido pelos serviços (34%) e indústria (11%).
Para o superintendente do Sebrae/SP,
Ricardo Tortorella, o crescimento da relação empresas por
habitantes no País pode ser atribuído em sua maior parte à estabilidade
econômica originária do Plano Real, ao aumento da confiabilidade
institucional, ao crescimento econômico e à consolidação
do ambiente democrático. Tortorella destaca ainda a sanção
da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa no final de 2006 (Lei Complementar
123/06), como um dos marcos que contribuem para a melhora do ambiente
institucional e de investimentos no País.
Reportagem Local
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O ESTADO DO PARANÁ,
14 de outubro de 2008 | Política
Eleitor só reelege prefeito
bem avaliado, indica estudo
Agência Estado
A cada eleição, os eleitores examinam com mais cuidado a gestão
de um prefeito candidato à reeleição. Por isso, a chance
de um prefeito se reeleger é proporcional à aprovação
de sua gestão na prefeitura, mostra estudo que cruzou avaliações
dos prefeitos de 76 grandes municípios brasileiros com os resultados
eleitorais do dia 5. A reeleição tem sido estritamente fiscalizada
pelo povo, mostra o trabalho: "Só se reelege quem tem méritos",
afirma o autor do estudo, o cientista político Alberto Almeida, do Instituto
Análise.
O cruzamento de dados estipulou
os limites de uma "taxa de êxito" para medir a chance
da reeleição: os que chegam às vésperas do
pleito com aprovação de 50% têm 59% de chances de
serem reeleitos, mas uma avaliação positiva de 40% reduz
essas chances para 36%; se a aprovação for de 30%, a chance
de reeleição desaba para 16%. Com base no estudo, Almeida
fixou uma curva de possibilidades para os prefeitos que tentam a reeleição, à luz
da taxa de aprovação de seu primeiro mandato.
O estudo recomenda: prefeitos
com aprovação abaixo dos 50% devem pensar duas vezes
antes de buscar a reeleição. A votação
da semana passada deu exemplos. Flávio Kayatt (PSDB) foi à reeleição
em Ponta Porã (MS) com a melhor aprovação do País
(85%): ganhou sem sustos, com 76% dos votos válidos. Com 82%
de aprovação, Ruiter Oliveira (PT) foi à reeleição
em Corumbá (MS) e cravou 81% dos votos. Em Piracicaba, o tucano
Barjas Negri, com aprovação de 81%, alcançou consagradores
88% dos votos. Outro exemplo foi Beto Richa (PSDB), aprovado por 81%,
se reelegeu em Curitiba no primeiro turno com 77% dos votos. As informações
são do jornal O Estado de S. Paulo.
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Congresso em Foco, 14 de outubro de 2008
Deixem em paz quem está por
cima
Márcia Denser*
Eu ia continuar com “A morte da alma nacional” (algo que adiarei
para a próxima, perdoem leitores) mas que terei que abrir a USIS e detonar
minha ira contra o PIG (Partido da Imprensa Golpista), que anda precisando
dum corretivo pontual. Lá vai:
O Sr. José Roberto Guzzo (nome de chefão da máfia!) cumpre
bem seu papel de “escriba” do anacrônico e amoral turbocapitalismo
superconsumista. Um exemplo notável é o artigo escrito por ele
na Veja, intitulado Pró-Vida. Com seu estilo de falsa polêmica,
o jornalista lança uma cortina de fumaça sobre a responsabilidade
dos agentes que sustentam a sociedade de consumo e coloca as elites como vítimas
de uma terrível conspiração fomentada pelos que têm
menos. É cômodo escrever tais absurdos do alto de sua posição
de joker beletróide do baronato Civita. O salário do cavalheiro
está garantido todo mês, assim como suas mordomias, que com certeza
não deseja perder porque não é estúpido, afinal,
não custa nada suicidar a alma e ainda achar ótimo.
O escriboso refere-se com suposta sapiência a assuntos complexos do Brasil
contemporâneo, como a integração dos índios macuxis
na reserva Raposa Serra do Sol e o desmatamento da Amazônia e de outros
biomas, isso sem nunca talvez ter botado o pé por lá (imagine!). “O
brasileiro é culpado por destruir o bioma da Amazônia sem saber
ao menos o que é um bioma”, cita em certo trecho do artigo. Sim,
e aí está certo! Perfeito! O brasileiro não sabe de nada
mesmo e cada vez vai saber menos se depender de você, pois a grande mídia, à qual
pertence o escribalha Guzzo, o engana descaradamente.
A revista Veja, a qual representa, defende e se direciona aos grupos financeiros
que produzem bens de consumo, e aos leitores das classes AA, AB e B. A eles
tudo, ao restante dos mortais basta engrupi-los (se bem que as classes AA,
AB e B também são engrupidas só que em outro sentido).
Vamos deixar em paz os banqueiros – anunciantes da Veja –, enquanto
eles lucram bilhões de reais à custa de manobras financeiras
suspeitas e da cobrança de tarifas escorchantes dos clientes - a maioria
deles sem condição, nem tempo para se defender.
Vamos deixar em paz as grandes incorporadoras – anunciantes da Veja – que
estão arruinando o que resta do espaço urbano decente das cidades
e arrancando sem dó o que sobrou de mata nativa nas periferias metropolitanas.
Vamos deixar em paz os grandes latifundiários – anunciantes da
Veja – que corrompem o meio ambiente, sem qualquer escrúpulo para
produzir mais soja, gado e outros insumos. Vamos deixar em paz a indústria
petrolífera e mineradora – anunciantes da Veja – e seus
capatazes tão afeitos a desastres ecológicos impunes.
Vamos deixar em paz todos esses talentosos agentes do capitalismo, pois eles
têm o mérito sem igual de destruir os recursos naturais do planeta
e concentrar todos os resultados obtidos nas mãos de uma minoria, sem
se importar com o que será do resto! Vamos deixá-los em paz.
E se um dia, por acaso, eles precisarem de salvação financeira à custa
do dinheiro público, sempre se pode taxar mais impostos, aumentar mais
tarifas, arrochar mais salários e poluir um pouco mais. Sim, pois para
que alguns poucos bem-sucedidos possam continuar enchendo seus cofres de bilhões
de dólares é preciso que os outros bilhões de seres humanos
continuem sendo sacrificados como gado, descartados, condenados ao fracasso,
humilhados sem trégua nas vitrines do consumo vazio. Afinal, a culpa é deles
mesmos, não é Sr. Guzzo?
Quem mandou não ter dinheiro para anunciar na Veja AA? Que culpa tem
um esperto cidadão de fugir de todas as responsabilidades sociais e
ambientais em busca somente do lucro a qualquer custo? Que culpa tem os CEOS
das grandes empresas ao ganharem milhões de dólares para gerenciar
um sistema tecnocrático e mercantilista desumano, que vive enxugando
gente e estimulando cada vez mais a competição desmedida e o
consumo insustentável?
Quer saber, Sr. Guzzo, o senhor já foi suicidado, de forma que “Resquiecat
in Pace”.
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Congresso em Foco, 14 de
outubro de 2008
Possibilidade de terceiro mandato causa
polêmica
Aquina Brose, a servidora da
liderança do governo na Câmara que encomendou um estudo
sobre uma Assembléia Nacional Constituinte (ANC) para fazer a
reforma política, é casada com um alto funcionário
do Palácio do Planalto. A notícia, que circulou hoje (13)
no Congresso, causou polêmica entre os deputados, por sugerir a
intenção do governo de mudar a Constituição
e permitir um terceiro mandato ao presidente Lula.
O marido de Aquina, Luiz Alberto dos Santos, é subchefe de Análise
e Acompanhamento de Políticas Governamentais da Casa Civil e coordenador
do Comitê Gestor do Programa de Fortalecimento da Capacidade Institucional
para Gestão em Regulação (Proreg).
Na quinta-feira passada (9), Aquina fez o pedido de estudo sobre o tema à Biblioteca
da Câmara. A assessoria da liderança do governo nega que o Planalto
ou o líder, Henrique Fontana (PT-RS), tenham interesse no tema.
Em 2006, o presidente Lula defendeu a criação de uma ANC para
fazer as mudanças. No ano passado, o deputado da base aliada Flávio
Dino (PCdoB-MA) propôs uma revisão constitucional para fazer reformas
no sistema político e tributário.
Todas as propostas foram encaradas como tentativas de se conseguir validar
a tese da reeleição para um terceiro mandato, já que Lula
desfruta de alta popularidade. O presidente e a base aliada – à exceção
do deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) – fazem questão de negar.
A assessoria de Fontana negou que a relação de Aquina com o Planalto
fosse um indício de que a Presidência da República está interessada
no tema. Segundo a versão oficial, a servidora é estudante de
direito da faculdade UniDF, em Brasília, e solicitou um estudo para
subsidiar um trabalho universitário de direito constitucional.
“ Não foi a pedido do Fontana ou do esposo”, garantiu a assessoria
hoje (13). “É uma coincidência a mulher dele ter pedido.”
A assessoria de Fontana disse que Aquina tinha ido à Biblioteca solicitar
cópia de seu pedido para comprovar que tudo foi motivado por um trabalho
da faculdade.
A assessoria da Câmara disse que a Biblioteca entendeu o pedido como
pessoal. Se a solicitação tivesse partido de um parlamentar,
deveria ser dirigida à Consultoria Legislativa. Mas a assessoria informou
que a própria Consultoria poderia se valer de alguns serviços
da biblioteca.
Desinteresse
Em entrevista à rádio CBN, o líder do governo diz que
o governo tem interesse em fazer a reforma política. “Isso é algo
totalmente em aberto. Nós podemos fazer de diversas maneiras”,
afirmou Henrique Fontana.
De acordo com a reportagem, foi assim que ele respondeu quando perguntado se
o pedido de estudo à biblioteca partiu dele: “Não, eu não
confirmo, nem desconfirmo”.
A assessoria de Fontana disse que o líder se referia ao fato de não
poder confirmar se um deputado ou um servidor da liderança teria encomendado
as informações sobre a ANC para a reforma política.
O deputado foi procurado em seu celular, mas, segundo seus auxiliares, estava
numa entrevista e não deu retorno até o fechamento deste texto.
Governo analisa
Procurado na tarde desta segunda-feira, Luiz Alberto não retornou o
recado da reportagem deixado na Presidência da República. Após
a publicação desta notícia, ele afirmou ao Congresso em
Foco que não procede a vinculação dele com o tema. Assim
como o gabinete de Fontana, o servidor da Casa Civil diz que é uma “total
coincidência” o fato de ser marido de Aquina.
Segundo ele, o Ministério da Justiça e a Secretaria de Relações
Institucionais da Presidência já estudam a reforma política. “É um
assunto que está sendo conduzido com bastante cuidado, mas a Casa Civil
não participa disso.”
Ele afirmou que o governo não precisaria solicitar um estudo à liderança
do governo na Câmara. “Se o governo quiser, ele mesmo faz o estudo.
O governo tem um caminhão de advogados. Não haveria necessidade.”
Luiz Alberto disse que sua mulher, Aquina, trabalha na área de meio
ambiente e seguridade social na liderança do governo na Câmara.
(Eduardo Militão e Lúcio Lambranho)
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Folha
de S.Paulo, 14 de outubro de 2008
Líder de Lula prepara pedido de
uma nova Constituinte
Fontana diz que prioridade para 2009 é reforma
política
ANDREZA MATAIS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A assessoria da liderança
do governo federal na Câmara pediu o levantamento de informações
sobre a possibilidade jurídica de convocação de
uma Assembléia Nacional Constituinte exclusiva e uma nova revisão
constitucional. O pedido foi encaminhado à biblioteca da Casa
na última quinta-feira.
O líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (RS),
afirmou que a prioridade do governo no próximo ano será a reforma
política e que formas de conduzir mudanças na legislação
estão sendo estudadas. "Temos que buscar as condições
de alterar o maior número de coisas possíveis visando construir
um novo sistema político no país", disse.
Procurado na sexta pela Folha para falar sobre o documento, Fontana disse: "Não
confirmo [o pedido de informação] nem desconfirmo". Ontem,
ele disse que "nenhum assessor pediu consulta alguma", e depois afirmou
que "se alguém fez isso foi de maneira individual, sem orientação
do líder" e negou que as duas hipóteses estejam em estudo.
A pedido da liderança do governo, a direção da biblioteca
da Câmara divulgou nota negando que tenha recebido pedido "institucional" da
liderança do governo sobre o assunto.
O fato gerou críticas da oposição após ser noticiado
pela rádio CBN. "Isso é reação ao resultado
eleitoral. Perceberam que não vão conseguir eleger um poste",
disse o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). "Acho que
o governo está tão irresponsável que tenta qualquer coisa",
disse Rodrigo Maia (RJ), líder do DEM.
A convocação de uma constituinte exclusiva para discutir a reforma
política é defendida pelo ministro Tarso Genro (Justiça).
A diferença da constituinte para a revisão constitucional é que
no primeiro caso é preciso eleger um novo Congresso para tratar exclusivamente
do tema. Na segunda hipótese, a discussão é feita pelos
atuais deputados e senadores.
O deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), defensor de um terceiro mandato para Lula,
disse que ficou surpreso com a informação: "Numa constituinte
pode-se tudo". Para ele, isso demonstra que agora o governo encampou a
tese da revisão.
" O PT quer destravar a reforma política e essa é uma das
formas", disse o líder do PT na Câmara, Maurício Rands
(PE).
Fontana disse que a prioridade do governo para 2009 será a reforma política,
mas ele e Rands negam que haja interesse em aprovar o terceiro mandato ou fazê-la
sem consenso.
Hoje, para alterar a Constituição é necessário
apresentar uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que precisa ser votada
em dois turnos na Câmara e depois no Senado.
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Folha de S.Paulo, 14 de outubro
de 2008
"Recessão nos EUA é inevitável",
afirma "pai" do Consenso de Washington
DO ENVIADO A WASHINGTON
O economista britânico John Williamson, 71, criador do termo Consenso
de Washington, diz ser inevitável uma recessão nos Estados Unidos.
Ele afirma que ficará "surpreso" se o nível de desemprego
nacional (de 6,1%) não superar os 7,7% registrados na Califórnia,
Estado onde os efeitos do estouro da bolha imobiliária foram sentidos
bem antes do que no resto do país.
" O que estamos vendo são as conseqüências do modo como
os Estados Unidos vem se comportando há vários anos", afirma
Williamson ao se referir ao forte endividamento das famílias e dos bancos,
e que agora atingirá o governo para resgatar o sistema.
O Consenso de Washington designava uma série de recomendações
liberais dos principais órgãos financeiros dos Estados Unidos
para os países latino-americanos. Foi criado por Williamson em novembro
de 1989, durante um seminário na capital norte-americana. Leia a entrevista à Folha.
(FERNANDO CANZIAN)
FOLHA - O sr. acredita que os Estados Unidos estejam mesmo
a caminho de uma recessão? A expectativa é que o consumo
caia fortemente em função do grande endividamento das
famílias e dos bancos, não?
JOHN WILLIAMSON - Creio que seja absolutamente inevitável uma recessão.
O que não sabemos ainda é se será uma forte e rápida
recessão, ou alguma coisa bem mais prolongada. Eu ainda estou otimista
em acreditar que ela será forte e curta.
Mas o fato é que ninguém consegue prever isso direito agora.
Espero que as medidas que vêm sendo tomadas neste momento pelos bancos
centrais de todo o mundo confirmem minha previsão.
FOLHA - A Califórnia foi o primeiro Estado dos Estados
Unidos a passar pela bolha imobiliária e onde ela também
explodiu primeiro. A taxa de desemprego lá hoje é de
7,7%, bem acima da média nacional, de 6,6%. Essa pode ser a
realidade para todo o país daqui a algum tempo?
WILLIAMSON - Sim, acredito nisso. Ficarei até muito surpreso se o nível
de desemprego geral não ficar ainda acima de 7,7%.
Creio que muitos Estados já estão seguindo o mesmo caminho da
Califórnia em vários aspectos, não apenas no que se refere
ao desemprego (assim como o Estado da Costa Oeste norte-americana, vários
outros têm anunciado dificuldades no Orçamento e para refinanciar
suas dívidas).
FOLHA - Como o sr. avalia as medidas que o Fed [o banco central norte-americano]
e o Tesouro estão tomando? Na prática, vão acabar aumentando
a dívida pública e o déficit do país. Além
das famílias e dos bancos, é o governo quem se endivida agora.
Quais as conseqüências?
WILLIAMSON - O que estamos vendo são as conseqüências do
modo como os Estados Unidos vem se comportando há anos. E acho que isso
vai mudar. Nunca o país viu uma mudança e uma alteração
tão grande na situação financeira das famílias
como nos últimos dois meses, e isso já está impactando
no consumo e na economia como um todo. É o início de uma tendência
que vai se aprofundar mais para frente. O governo, por seu lado, agora vai
mais fundo ainda no endividamento. Mas isso é para salvar as coisas
no curto prazo, pois tem de haver uma determinação de que o endividamento
não se torne algo permanente. As pessoas que vão pagar essa conta
serão as pessoas que têm o dinheiro. Assumindo que [Barack] Obama
seja eleito em novembro, e esse parece ser o cenário mais provável
hoje, creio que ele irá promover um forte aumento de impostos sobre
os mais ricos e pessoas que ganham muito, e o número deles e seus rendimentos
aumentaram rapidamente nos últimos anos.
FOLHA - O sr. vê o risco de os Estados Unidos serem obrigados
a elevar os juros para atrair o dinheiro que financiará todo
esse resgate, piorando a recessão?
WILLIAMSON - No curto prazo as taxas de juros tendem a cair, pois há uma
fuga de capitais em direção à segurança (o que
acaba empurrando para baixo a remuneração dos títulos
do Tesouro). Depois, o Fed terá de avaliar melhor a situação.
Mas creio que o maior incentivo para colocar ou não dinheiro nos Estados
Unidos virá da taxa de câmbio, e ele não será grande,
pois o dólar tende a continuar muito fraco.
FOLHA - O presidente George W. Bush foi sábado à reunião
do G20, no FMI, pela primeira vez. O sr. diria que ele foi atrás das
reservas de US$ 9 trilhões dos emergentes?
WILLIAMSON - Foi um reconhecimento do governo americano de que o país
precisa de uma resposta global a esse problema. Mas... sim.
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Gazeta do Povo, 14 de outubro
de 2008
Mercado financeiro
Planos europeus resultam em euforia
na bolsa de valores
Com o anúncio dos pacotes de resgate
financeiro na Europa, Bovespa sobe 14% e dólar cai 7%, mas
analistas alertam para a forte volatilidade que continuará dominando
as cotações
A criação de fundos
de resgate financeiro em oito países europeus, que juntos
somam mais de 1,5 trilhão de euros, impulsionou o mercado
financeiro. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa)
teve a alta mais forte dos últimos nove anos e recuperou boa
parte das perdas registradas na semana passada.
O Ibovespa, termômetro da bolsa brasileira, avançou 14,66% no
fechamento e atingiu os 40.829 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,24 bilhões.
As ações líderes, Petrobras e Vale, também tiveram
ganhos na casa dos dois dígitos: 12,08% e 13%, respectivamente. Após
o Banco Central (BC) anunciar medidas de R$ 100 bilhões para devolver
liquidez ao mercado (leia mais na página ao lado), os papéis
dos bancos subiram bastante: Bradesco PN teve alta de 22,13%, Itaú PN
valorizou-se 23,37%, Banco do Brasil ON aumentou 20,71% e Unibanco units ganhou
22,77%. O dólar no balcão despencou 7,76%, a R$ 2,14, na maior
variação diária desde 1º de agosto de 2002. A cotação,
no entanto, recuou apenas para o mesmo nível do último dia 3.
As bolsas na Europa fecharam em alta, com os principais índices da França,
Alemanha, Itália e Espanha subindo acima de 10%, levando otimismo para
as bolsas americanas, cujos investidores esperam novas medidas do governo para
combater a crise. No epicentro da crise, a Bolsa de Nova Iorque valorizou-se
11,08%, na maior elevação diária desde 1933. O Nasdaq
subiu 11,81%.
Parte da solução
Profissionais do mercado financeiro não falam em “fim da crise”,
mas que “boa parte da solução” começou a ser
equacionada. A aprovação do pacote de US$ 700 bilhões
nos EUA trouxe parcos efeitos para acalmar os mercados porque investidores
e analistas sentiam que, para problemas de dimensão global, era preciso
uma ação coordenada das economias centrais. Durante o último
fim de semana, os governos europeus atenderam às expectativas do mercado
e anunciaram uma série de medidas para enfrentar os desdobramentos da
pior crise econômica dos últimos 80 anos, na visão de muitos
economistas.
“ O mercado ainda está muito volátil. Passou aquele pânico
da semana passada, mas hoje [ontem] foi um dia muito eufórico, totalmente
fora dos parâmetros”, comenta o operador da corretora Diferencial,
Marco Aurélio Etchegoyen. “O que nós podemos dizer é que
a reunião deu uma sinalização positiva no sentido de tentar
restabelecer a confiança aos mercados”, sintetiza.
Razões do otimismo
O principal motivo para a onda de otimismo teve início no domingo, em
Paris, quando os líderes dos 15 países que integram a Zona do
Euro afirmaram que garantiriam os empréstimos interbancários
até 2009 e permitiriam que os governos comprem ações de
instituições financeiras em dificuldades. Ontem, planos de ajuda
foram anunciados pela Alemanha, Holanda, Noruega, França, Espanha, Itália
e Portugal na esteira do anúncio de medidas no Reino Unido para estatizar
partes de seu sistema bancário. A previsão é de que, até quarta-feira,
outras nações européias anunciem medidas regionais para
estancar a crise no Velho Continente.
“ Nós estamos muito satisfeitos ou, melhor, imensamente aliviados
com o fato de que a Zona do Euro chegou a um plano para combater o atual estresse
financeiro”, informou o BNP Paribas, em relatório divulgado a clientes. “Nós
saudamos sinceramente o fato de que alguma coisa foi feita, finalmente.” “Ninguém
deve esperar que essas medidas evitem a recessão. As forças da
contração econômica já estão em movimento há muito
tempo devido à crise de crédito”, disse o estrategista-chefe
da Brewin Dolphin Securities em Londres, Mike Lenhoff. “Mas a resposta
uniforme têm como objetivo restaurar a confiança e prevenir que
a recessão se transforme em algo muito pior”, acrescentou o especialista.
As autoridades britânicas confirmaram ainda o investimento de 37 bilhões
de euros (US$ 64 bilhões) no Royal Bank of Scotland (RBS), no Lloyds
TSB e no HBOS para elevar o capital dessas instituições. E o
Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) anunciou que proverá a
Europa daquilo que for necessário de recursos em dólar, por meio
de suas linhas de swap com o Banco Central Europeu (BCE), o Banco da Inglaterra
(BoE) e o Banco da Suíça.

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Agência
Diap, 14 de outubro de 2008
DIREITOS DO CONSUMIDOR
Espera em call center não pode
passar de um minuto, estabelece Governo

Um minuto. Esse será o prazo máximo de espera nos serviços
de atendimento ao consumidor, os chamados call centers. A partir de 1º de
dezembro, entra em vigor a norma que estabelece o prazo máximo para
que o consumidor seja atendido. A portaria foi assinada, nesta segunda-feira
(13), pelo ministro da Justiça, Tarso Genro.
A regra vale para serviços regulados
pelo governo – caso dos setores de telecomunicações,
aviação civil, energia elétrica e água.
As exceções são para o setor financeiro (bancos
e financeiras), que deverá atender o consumidor em até 45
segundos, e de energia elétrica, contanto que haja uma pane
generalizada do sistema de fornecimento. Às segundas-feiras,
no quinto dia útil de cada mês e nos dias que antecedem
e sucedem feriados, os call centers bancários poderão
demorar até 90 segundos para atender o cliente.
“Esta regulamentação
faz uma inversão: a partir de hoje, quem deve sempre é o
prestador do serviço e não o tomador. É uma
conquista revolucionária do consumidor brasileiro”,
avaliou Tarso Genro, que disse já ter sido vítima da
demora dos serviços de call center diversas vezes antes de
se tornar ministro. Agora, segundo ele, “quem acaba sofrendo é minha
secretária”, brincou.
De acordo com a portaria assinada hoje (que
regulamenta o Decreto 6.523/08, assinado no fim de julho), o consumidor
que se sentir lesado – seja pelo atendimento que ultrapasse
o período previsto, seja por uma postura da empresa de não
atender ao telefone – deverá procurar os Procons estaduais
e registrar uma reclamação. Não será preciso
levar provas: quem deverá provar inocência é a
empresa.
“O consumidor deve exigir o número
do protocolo de atendimento. Ele pode reclamar na própria
empresa ou nos Procons, Ministério Público e Defensorias
Públicas. Toda vez que esse direito é descumprido,
a empresa fica sujeita a sanções. São multas
que vão de R$ 200 a R$ 3 milhões, que os órgãos
podem aplicar”, detalhou o diretor do Departamento de Proteção
e Defesa do Consumidor, Ricardo Morishita.
O valor da multa poderá variar de
acordo com alguns critérios: a gravidade da infração,
da vantagem aferida e da condição econômica da
empresa. “O consumidor quer deixar de ser usuário de
uma empresa de telefonia, mas não conseguiu. É uma
infração grave, porque compromete a liberdade do consumidor
de usar ou não o serviço”, exemplificou Morishita.
A regra vale para todos os setores em que
não havia regulamentação específica,
ou seja, internet banda-larga, transporte aéreo de passageiros,
planos de saúde, transporte terrestre de passageiros, bancos,
cooperativas, financeiras, seguros e transportes aquaviários
de passageiros. Para telefonia, já existe regulamentação
específica: o prazo é de até 10 segundos para
o atendimento.
Outra novidade imposta pela portaria é que
os serviços de atendimento ao consumidor devem estar disponíveis
24 horas, sete dias por semana, quando o serviço fica disponível
24 horas (como a internet banda-larga), ou quando o consumidor pode
usufruí-lo a qualquer momento, como os planos de saúde
e seguros. (Fonte: Agência Brasil)
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Agência Diap, 14 de
outubro de 2008
CAPACITAÇÃO
Unicamp realiza curso de pós-graduação
na área sindical
Estão abertas as inscrições
para o Curso de Especialização em Economia do Trabalho
e Sindicalismo no Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho
do Instituto de Economia da Unicamp (Cesit). As inscrições
vão até 11 de novembro e o curso terá inciso em
março de 2009 e terminará em dezembro do mesmo ano.
O curso é gratuito, incluindo
o material didático. As bolsas são extremamente limitadas
e dependem da obtenção de recursos junto aos agentes financiadores
institucionais. Por isso, recomenda-se aos candidatos pleitearem liberação
com vencimento nas suas instituições de origem.
O objetivo do curso e a formação
de profissionais para ocupar posições de assessoramento
ou direção de órgãos públicos e privados
no campo da economia e relações de trabalho. O aluno aprovado
obterá o Certificado de Especialização em “Economia
do Trabalho e Sindicalismo”.
Mais informações
na Secretaria Acadêmica do Instituto de Economia da Unicamp pelos
telefones: (19) 3521.5713/3521.5737/3521.5736 ou e-mails: posgrad@eco.unicamp.br
ou cesit@eco.unicamp.br.
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Agência Diap, 14 de outubro de 2008
DIREITOS TRABALHISTAS
Comunicado sobre acidente de trabalho é obrigação
da empresa
Se a empregadora é cientificada
do acidente ocorrido com seu empregado, mas não emite a Comunicação
de Acidente de Trabalho (CAT), comete ato ilícito e causa prejuízos
ao trabalhador, porque impede o seu encaminhamento ao INSS para recebimento
do benefício previdenciário correspondente.
Por esse fundamento, a 5ª Turma
do TRT/MG deu provimento a recurso interposto por um reclamante contra
sentença que, apesar de reconhecer a ocorrência do acidente,
havia indeferido o seu pedido de reintegração ou indenização
do período estabilitário, ao fundamento de que não
houve recebimento de auxílio-doença acidentário,
requisito essencial para o direito à estabilidade acidentária.
Para o relator do recurso, desembargador
José Roberto Freire Pimenta, os fatos demonstrados no processo
deixam claro que o reclamante não recebeu o auxílio-doença
acidentário por omissão da reclamada, que não emitiu
a CAT.
A ilicitude, no caso, estaria, justamente, na conduta obstativa do direito
que poderia ser constatado a partir do encaminhamento do empregado ao INSS,
o que só seria possível com a emissão da CAT.
Bóia
fria
O reclamante, que trabalhava no corte de cana, tinha uma produção
de cinco toneladas por dia, rendimento considerado baixo pelo preposto do réu.
Ficou afastado do trabalho, recebendo auxílio-doença, no período
de março de 2005 a março de 2006, em razão da lombalgia
por torção da coluna, ao pisar em falso no chão irregular
quando carregava um feixe de cana.
A defesa negou a doença
ocupacional, dizendo que o reclamante sempre trabalhou no meio rural
e que a dor lombar que apresentou pode ter sido desencadeada por alterações
degenerativas ou questões genéticas.
Mas, segundo esclarece o relator,
as conclusões do laudo pericial conduzem ao entendimento de que
a lombalgia decorreu não só da torção da
coluna, mas de ritmo lombopélvico incorreto a que estava exposto
o reclamante no exercício diário de suas funções,
que incluíam a remoção da cana cortada. Diante desse
quadro, a conclusão da Turma foi de que o reclamante teria direito à estabilidade
provisória de 01/04/06 a 30/03/07.
"De se notar que, no quadro
fático ora constatado, nada importa que o autor não preencha
os requisitos objetivos da estabilidade provisória acidentária
assegurada no artigo 118 da Lei 8.213/91, não induzindo isso a
inexistência do direito, na medida em que se reputa verificada
a condição cujo implemento foi maliciosamente obstado pela
reclamada, na forma que dispõe o artigo 129 do Código Civil",
pontua o relator.
Como não era mais
possível a reintegração, já que a rescisão
contratual data de 29/12/2006, a Turma deu provimento parcial ao recurso
para condenar a reclamada ao pagamento de indenização
substitutiva equivalente à estabilidade provisória (nos
termos da Súmula 396, intem I, do TST), além do FGTS
com 40% dos períodos de afastamento e estabilitário.
Foram ainda invertidos os ônus de sucumbência, devendo
a ré arcar com o pagamento dos honorários periciais.
(Fonte:TRT 3ª Região M/G)
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