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CTB, 15 de Outubro de 2008
Juntas, centrais fazem grande protesto
por trabalho decente
A manifestação
em defesa do trabalho decente reuniu cerca de 500 pessoas na capital
paulista na última sexta-feira (10). O ato reuniu lideranças
de seis centrais sindicais e inicou com uma concentração
na Praça Ramos, Centro de São Paulo, às 10h30. Em
seguida, os trabalhadores seguiram em passeata até a sede da Delegacia
Regional do Trabalho, na rua Martins Fontes.
Passeata tomou o Centro de SP
na ultima sexta
Em discurso realizado durante
a manifestação, o secretário de Comunicação
da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Rogério
Nunes, criticou "a especulação imoral que tomou conta
dos mercados financeiros e desencadeou a crise internacional que agora
ameaça o desenvolvimento nacional e emprego dos trabalhadores
e trabalhadoras brasileiras".
“A solução
para a crise só virá quando o país adotar um novo
projeto de desenvolvimento nacional, fundado na soberania e na valorização
do trabalho”, disse Rogério, "neste caminho precisamos
de trabalho decente e salários decentes".
Além da CTB, também
mobilizaram a CUT, Força Sindical, UGT (União Geral dos
Trabalhadores), CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil) e Nova
Central.
Em mensagem encaminhada ao ministro
do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, as entidades que convocaram e promoveram
(as seis centrais, mais a FSM e a CIS) enaltecem a união de todo
o movimento sindical brasileiro na jornada em defesa do trabalho decente,
originalmente sugerida pela Organização Internacional do
Trabalho (OIT) e reclama uma atuação mais enérgica
do ministério e do governo para coibir a crescente precarização
das relações trabalhistas, enfatizando a necessidade de
combater a terceirização.
Unidade amplia conquistas
"Com a ação
unitária das centrais sindicais, garantimos uma política
de valorização do salário mínimo e a retomada
do crescimento econômico, com 67,7% dos acordos salariais acima
da inflação em 2007 e a geração de mais de
2 milhões de novos empregos formais nos últimos 12 meses”,
diz a nota das centrais endereçada ao ministro Carlos Lupi.
“Apesar da melhora das
massas de rendimentos reais de ocupados e assalariados, respectivamente
em 9,1% e 9,6%, continuamos tendo mais de 20 milhões de trabalhadores
sem carteira assinada e mais de 44 milhões sem a proteção
da Previdência, o que reforça a necessidade de uma maior
integração entre a fiscalização governamental
e a ação sindical”, segue o texto.
"Nosso compromisso é com
o desenvolvimento social, com melhor qualidade de trabalho e de vida
para quem gera a riqueza e constrói o país. Por isto,
sublinhamos a necessidade do governo brasileiro, que já se pronunciou
em defesa da ratificação das Convenções
da OIT, a 151 – que garante o direito à negociação
coletiva no serviço público – e a 158 – que
coíbe a demissão imotivada, ampliar o diálogo
com a sua base parlamentar a fim de assegurar a sua aprovação
o mais rapidamente possível. Do contrário, infelizmente,
tal gesto ficaria limitado a uma declaração de intenções",
concluía a nota ao ministro.
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Agência Diap, 15 de Outubro de 2008
CUSTEIO SINDICAL
Comissão de Trabalho rejeita
contribuição sindical opcional
A Comissão de Trabalho
da Câmara rejeitou, na última quarta-feira (8), o Projeto
de Lei 2.424/07, do deputado licenciado Augusto Carvalho (PPS/DF), que
altera dez artigos da Consolidação das leis do Trabalho
para tornar facultativa a contribuição sindical (leia mais).
A Comissão acolheu parecer
do relator, deputado Nelson Marquezelli (PTB/SP), que considerou a proposta
inadequada por enfraquecer as entidades sindicais patronais e de trabalhadores.
A contribuição
sindical é uma taxa compulsória paga por trabalhadores,
profissionais liberais e empresas para a manutenção das
entidades. É recolhida uma vez por ano, sendo equivalente ao valor
de um dia de trabalho, para os empregados, e a um percentual do capital
social, no caso das empresas.
Marquezelli salientou que os
sindicados atuam no interesse de uma categoria, e o trabalho gera benefícios
para todos, independentemente de estarem filiados ou não. É o
caso, por exemplo, da convenção coletiva de trabalho. Por
isso, segundo ele, a contribuição deve permanecer obrigatória.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado
pelas comissões de Finanças e Tributação; e de
Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de ser votada
no plenário da Casa.
A tendência é que
a matéria seja rejeitada, pois a Casa ao aprovar o projeto de
lei (PL 1.990/07), que regulamentou o funcionamento das centrais sindicais,
derrotou emenda semelhante ao texto do PL 1.990, apresentada por Augusto
Carvalho.
Agente
de saúde bucal
No mesmo dia, o colegiado também rejeitou o Projeto de Lei 1.274/03,
que cria a profissão de agente comunitário de saúde bucal
no Sistema Único de Saúde (SUS). De autoria do deputado Eduardo
Barbosa (PSDB/MG), a proposta prevê a atuação desse novo
profissional na prevenção de doenças bucais em comunidades
atendidas pelo Programa Saúde da Família, do Ministério
da Saúde.
A relatora da proposta, deputada
Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM), argumentou que, embora a preocupação
com a saúde bucal no âmbito do Programa Saúde da
Família seja importante, não cabe à Câmara "criar" uma
profissão para esse fim. Ela explicou que uma lei não pode
criar profissões, mas sim regulamentá-las, impondo limites
para seu exercício.
"As possibilidades de atuação
do agente comunitário de saúde já são perfeitamente
compatíveis com os objetivos do autor em relação à saúde
bucal", disse Grazziotin. Para ela, basta que o ministro da Saúde
edite uma portaria para incluir as ações de prevenção
de saúde bucal entre as atribuições dos agentes
comunitários de saúde.
Tramitação
A proposta, aprovada pela Comissão de Seguridade Social e Família
em 2004, será analisada ainda pela Comissão de Constituição
e Justiça e de Cidadania, antes de ser votada pelo plenário.
(Com Agência Câmara)
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UOL
Notícias, 15 de outubro de 2008
Jovens representam 63% do total de desempregados,
afirma estudo do Ipea
Em São Paulo
As pessoas que têm entre
15 e 29 anos de idade representam apenas 26,4% da população,
mas são 63% do total de desempregados do país. Estes
números fazem parte de um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada) que utilizou números da Pnad 2007
(Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, feita pelo IBGE)
e foi divulgado nesta terça-feira (14).
O desemprego juvenil é 2,9
vezes maior do que o de adultos: entre os jovens o percentual de desempregados é 14%
e entre os adultos esse número cai para 4,8%. Segundo Jorge
Abraão, diretor de estudos sociais do Ipea, dois fatores contribuem
para isso. "A rotatividade do jovem é maior, os custos
para demiti-lo são baixos para a empresa. E ele é um
ser mutante, que está experimentando e ainda não sabe
bem o que fazer", afirma Abraão.
O estudo mostra que quanto
maior a faixa etária, maior o percentual dos que deixam de estudar
para trabalhar: 45,3% dos jovens entre 16 e 17 anos têm uma ocupação,
número que sobe para 62,2% no grupo de 18 a 24 anos. Da mesma
forma, o número dos que dividem estudo e trabalho é menor
entre os mais velhos: 21,8% entre os de 15 a 17 anos e 16,2% no grupo
de 18 a 24 anos.

Apesar dos jovens entre 18
e 24 anos estudarem 9,1 anos - um aumento de 2,3 anos em relação
a 1997 -, a escolaridade começa a diminuir a partir dos 25 anos.
Segundo o Ipea, "os jovens desta faixa etária estão
conseguindo ingressar no ensino médio, mas logo o abandona,
sendo premidos a escolher entre o estudo ou o trabalho".
Embora as mulheres estudem
mais que os homens, elas ainda apresentam um menor nível de
ocupação. A participação delas é principalmente
maior nos ensinos médio (53,8% das mulheres contra 42,4% dos
homens) e superior (14,8% delas e 11,2% deles).
Apesar dos baixos índices,
a escolaridade dos jovens está acima da média nacional.
O estudo afirma que isto se deve à política de universalização
do ensino dos últimos anos, e ao acesso ao ensino superior através
de programas do governo federal, como o Prouni (Programa Universidade
para Todos).
Mas a zona rural segue longe
da média urbana: o nível de escolaridade dos jovens é 30%
inferior ao dos jovens da zona urbana. E 9% dos jovens do campo continuam
analfabetos contra 2% dos jovens da cidade.
Da mesma forma, seguem as diferenças
entre brancos e negros. Apesar de a desigualdade ter reduzido entre
os dois grupos nos últimos dez anos, o analfabetismo entre os
jovens negros ainda é quase duas vezes maior do que entre os
brancos. Quanto à freqüência escolar, os negros continuam
em desvantagem, mas em 2007 existiam três vezes mais negros no
ensino médio do que em 1997.
O Ipea ressalta que a vulnerabilidade
do jovem no mercado de trabalho continua, mas alguns aspectos já melhoraram
entre 1992 e 2007, entre eles, o aumento do emprego formal. O número
de jovens de 18 a 24 anos com carteira assinada subiu de 40,7% em 2006
para 43,9% no ano seguinte.
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O ESTADO DO PARANÁ,
15 de outubro de 2008 | Economia
Reforma tributária estadual
vai gerar perda de receita
Elizabete Castro
Se aprovada, a proposta de reforma tributária do governo do Estado irá aumentar
em R$ 409,6 milhões a receita do Estado, com o aumento da alíquota
de Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
(ICMS) de cinco produtos, mas irá reduzir em R$ 412,5 milhões
a arrecadação, com o corte na alíquota do imposto de 95
mil produtos. O saldo será de uma perda de receita de R$ 2,9 milhões.
A conta foi apresentada ontem,
14, pelo líder do governo na Assembléia Legislativa, Luiz
Claudio Romanelli (PMDB), em resposta aos questionamentos da bancada
de oposição, que ainda não definiu como irá se
comportar na votação.
Romanelli disse que os números
são o resultado de um estudo realizado pela Coordenação
da Receita do Estado. O deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB) questionou
a confiabilidade dos números e desafiou Romanelli.
“Se houver aumento de receita,
o senhor se compromete a votar contra o projeto?”, provocou. Romanelli
concordou, depois que Rossoni também prometeu votar a favor do
projeto se não conseguir contestar o estudo da Secretaria. “Não
sei como classificar o projeto, se como reforma tributária ou
aumento de impostos. O projeto foi vendido para a população
como sendo uma maravilha. Eu tenho as minhas dúvidas”, disse
o deputado tucano.
Requerimento
Na sessão de ontem, a
bancada de oposição apresentou um requerimento contendo
várias perguntas dirigidas ao secretário da Fazenda, Heron
Arzua, sobre a receita de ICMS do Estado, principalmente sobre o impacto
nos vários setores do reajuste das alíquotas sobre energia,
gasolina, telefonia, cigarro e bebidas alcoólicas.
O líder da oposição,
deputado Élio Rusch (DEM), disse que as respostas são necessárias
para que a oposição possa entender o que o governo pretende
com a proposta: se arrecadar mais ou reduzir o preço final para
o consumidor dos produtos beneficiados com a diminuição
das alíquotas. “Essas informações são
imprescindíveis para se ter um raio-X do que realmente deseja
o governador com a proposta”, justificou.
Audiência
Ontem, o presidente da Comissão
de Constituição e Justiça, Durval Amaral (DEM),
confirmou a realização da primeira audiência pública
para debater a proposta do governo, encaminhada à Assembléia
Legislativa, na semana passada. A primeira audiência será em
Cascavel, no dia 31 deste mês. Estão programadas ainda audiências
em Maringá, Londrina e Curitiba.
A intenção é fazer
uma rodada de discussões em cada região do Estado, disse
Amaral. Inicialmente, estava prevista uma reunião em Foz do
Iguaçu, mas ainda não está confirmada.
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O ESTADO DO PARANÁ,
15 de outubro de 2008 | Economia
Crise afeta vendas de materiais de
construção
Lyrian Saiki
O comércio de materiais de construção já está sentindo
os reflexos da crise financeira internacional. Segundo o presidente da Associação
dos Comerciantes de Material de Construção de Curitiba (Acomac
Curitiba), Rogério Martini, as vendas caíram cerca de 30% nos últimos
dez a quinze dias. O motivo é o aumento da exigência na hora de
conceder crédito, principalmente para as classes C, D e E.
“Antes, sobrava crédito.
Os bancos e as financeiras procuravam as lojas e as entidades de classe
oferecendo dinheiro, dia e noite, para repassar às classes mais
baixas. Com a ‘convulsão’ mundial de crédito,
eles desapareceram”, apontou Martini.
Desde que a crise financeira
atingiu o estopim, há pouco mais de duas semanas, tanto os bancos
como as financeiras se tornaram mais exigentes e rigorosos na hora de
conceder o crédito.Os mais afetados, lembrou Martini, foram as
pessoas de classe mais baixa, que não trabalham com carteira assinada
e têm mais dificuldade de comprovar renda.
“Era comum ver as famílias
se cotizarem e efetuarem compra de R$ 2,5 mil, R$ 3 mil, com pagamento
em 12, 24 ou 36 vezes. Isso já não é mais possível”,
comentou. Segundo Martini, as classes C, D e E representam entre 15%
e 20% das vendas do setor. Para elas, o valor médio de compras é de
R$ 800 a R$ 1 mil, divididos em 12 parcelas de, aproximadamente, R$ 150,00.
“Não há mágica
para atrair esse povo. A maioria das empresas do setor (95%) são
de pequeno e médio porte e não são capitalizadas
o bastante para ter linha própria de crédito”, explicou
Martini.
A crise financeira também
mexeu com as projeções de crescimento do setor da construção
- para este ano, a estimativa era crescer 10%; o índice foi revisto
para 8%. “A cadeia produtiva da construção civil
estava num ritmo muito bom”, lembrou.
Preços
A boa notícia é que
a redução do ritmo do setor pode levar à redução
dos preços de alguns insumos como tijolos e areia, que ficaram
cerca de 30% mais caros este ano.
“A procura era bem maior
que a oferta”, apontou. No caso do tijolo, era comum ver construtoras
aguardando até 20 dias para receber o produto das olarias. No
comércio varejista, o tempo de espera era menor, cerca de uma
semana.
Por outro lado, se o dólar
se estabilizar no patamar de R$ 2,10 (valor fechado ontem) ou subir ainda
mais, insumos que utilizam material importado devem pesar no orçamento
na hora de construir ou reformar - é o caso de materiais de PVC,
como tubos e conexões, além de tintas, que têm como
componente o titânio.
“Algumas indústrias
acenaram que haveria aumento, mas até agora não houve.
Todos estão esperando o que vai acontecer.” No Paraná,
há cerca de 5 mil lojas de materiais de construção,
que empregam aproximadamente 60 mil pessoas.
Feira
Acontece de hoje até sábado
a Expocon 2008 - 11.ª Feira de Fornecedores da Construção
Civil, no Expotrade, em Pinhais. A feira apresenta as principais novidades
em produtos e serviços de 150 indústrias brasileiras.
O evento é voltado para
profissionais da construção civil, mas é aberto
também para o público interessado em construção
ou reforma. Informações: (41) 3075-1100 ou www.diretriz.com.br.

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Agência Brasil, 15 de Outubro de 2008
País vê leve queda na
desigualdade entre brancos e negros
Estudo divulgado nesta terça-feira
(14) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com
base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad)
2007, revela que a diferença de renda entre negros e brancos vem
caindo nos últimos anos e, se o ritmo for mantido, deve ser zerada
em 2029.
De acordo com o Ipea, a renda
per capita dos negros representa menos da metade da renda domiciliar
per capita dos brancos. “Trata-se de uma desigualdade particularmente
detestável, na medida em que não é atribuível
a nenhuma medida de mérito ou esforço, sendo puramente
resultado de discriminações passadas ou presentes”,
informa o documento.
Essa desigualdade, no entanto,
começou a cair a partir de 2001. Até 2007, um quarto da
diferença foi retirada. “Isto quer dizer que ainda faltam
outros três quartos. Se o ritmo continuar o mesmo, haverá igualdade
na renda domiciliar per capita apenas em 2029”.
A redução da desigualdade
até agora não pode ser atribuída à redução
da discriminação racial necessariamente, segundo o Ipea.
Por causa do grande percentual de negros nas camadas mais pobres da população,
a melhoria na distribuição geral da renda teve reflexos
diretos na redução de desigualdades por raça.
“É possível
que a redução da razão de rendas não seja
conseqüência de uma redução nas práticas
discriminatórias e sim do fato de negros serem maioria entre os
beneficiários do Programa Bolsa Família, dos benefícios
previdenciários indexados ao salário mínimo, do
Benefício de Prestação Continuada e dos outros mecanismos
de redução da desigualdade geral”, avalia o Ipea.
Segundo a análise,
72% da queda da desigualdade de renda entre negros e brancos se deve à redução
generalizada da desigualdade na sociedade brasileira e apenas 28% aconteceu
em razão da mobilidade social dos negros, com migração
para para classes mais altas. A ausência de políticas
de ação afirmativa “de grande envergadura” é apontada
pelo Ipea como causa principal desse desequilíbrio. “A
pobreza é predominantemente negra e a riqueza é predominantemente
branca”, ressalta o estudo.
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O ESTADO DO PARANÁ,
15 de outubro de 2008 | Política
Municípios ameaçados
de extinção
Redação
Entre os mais de 5,5 mil municípios brasileiros que elegeram prefeitos
e vereadores nas eleições deste ano, 58 podem ser extintos do
mapa caso o Congresso Nacional não aprove uma lei federal complementar
que reconhece a criação dessas cidades.
O presidente da Confederação
Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, classificou
a situação como bastante complicada e lembrou que, se
não forem oficialmente reconhecidas, as localidades voltarão
a ser apenas distritos.
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Gazeta
do Povo, 15 de Outubro de 2008
Crédito
Prazos encurtam e juro sobe, mostra
pesquisa
Taxas para pessoa física atingiram
em setembro o maior patamar desde novembro de 2006: 7,46% ao mês, ou
137,12% ao ano. Financiamentos ficaram12 meses mais curtos, em média
O consumidor brasileiro já está pagando
juros mais salgados nas operações de crédito. Pesquisa
da Associação Nacional de Executivos de Finanças,
Administração e Contabilidade (Anefac) divulgada ontem mostra
que a taxa média cobrada da pessoa física atingiu o maior
nível desde novembro de 2006. Por conta da crise global, os bancos
e as financeiras também reduziram os prazos de financiamento e estão
mais seletivos na concessão de crédito. “Alguns bancos
chegaram a suspender totalmente as operações de crédito,
mas de modo geral, as instituições reduziram os limites e
aumentaram as taxas”, diz Miguel José Ribeiro de Oliveira,
vice-presidente da entidade.
Segundo a pesquisa, a taxa de juros
média das operações de crédito de pessoas físicas
passou de 7,39% ao mês (135,27% ao ano) em agosto para 7,46% ao mês
(137,12% ao ano) em setembro. O avanço, segundo Oliveira, reflete
também o aumento da taxa básica de juros (Selic) – hoje
em 13,75% ao ano – aplicado pelo Banco Central. Para a pessoa jurídica,
a taxa média de juros passou de 4,27% ao mês (65,16% ao ano)
para 4,36% ao mês (66,88% ao ano), a maior desde maio de 2006.
Além de mais caro, o financiamento
também encurtou, em média, em 12 meses. Na venda de veículos,
o prazo máximo caiu de 72 para 60 meses, mas a maioria dos anúncios
do setor prevê entre 36 e 48 meses. As montadoras também estão
exigindo uma entrada de 10% a 20% do valor do veículo. “Nos últimos
15 dias, a venda sem entrada praticamente desapareceu do mercado”,
diz Oliveira. No financiamento de eletrodomésticos e eletroeletrônicos,
o prazo caiu de 36 para 24 meses.
O levantamento da Anefac revela
ainda que os bancos e as financeiras estão mais seletivos na concessão
de crédito, com maior atenção ao grau de endividamento
dos consumidores e ao seu comportamento de renda nas novas contratações
de empréstimos. “Em muitos casos, além de uma maior
seletividade, já se observam maiores restrições aos
financiamentos”, diz o vice-presidente da associação.
O banco Panamericano, por exemplo, anunciou, na semana passada, o aumento
das taxas e redução dos prazos. O Paraná Banco não
fala sobre o assunto, mas confirma que seguiu a tendência do mercado.
Crediário
A pesquisa da Anefac também
mostra que o Paraná tem a segunda maior taxa de juros do comércio
entre os estados. A taxa cobrada no crediário é hoje de
6,39% – igual à do Rio de Janeiro – e está atrás
apenas do Rio Grande do Sul, com 6,61%. A média do setor no Brasil é de
6,26%, com alta de 1,46% sobre agosto. De acordo com a entidade, os setores
com as maiores taxas de juros ao ano no país são artigos
de ginástica (182,82%), artigos do lar (160,05%) ao ano, pequenas
redes de varejo (129,29%) e importados (126,99%).

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FOLHA DE LOONDRINA, 15 de
outubro de 2008 | Política
Lula é o mais popular entre
latino-americanos
Bogotá - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva possui a melhor
imagem internacional na região latino-americana, enquanto que o colombiano
Alvaro Uribe é o chefe de Estado mais popular dentro de seu próprio
país, segundo uma pesquisa realizada em 22 países pelo Barômetro
Ibero-americano de Governabilidade 2008 e publicada ontem na imprensa local.
De acordo com a pesquisa divulgada
pelo jornal El Tiempo, o presidente brasileiro gera a maior simpatia
entre os cidadãos ibero-americanos, com 53,8%, seguido por Michelle
Bachelet, do Chile (45,9%), e o mexicano Felipe Calderón (45,6).
O mais impopular na região, segundo a mesma pesquisa, é o
presidente venezuelano Hugo Chávez, com 26%.
Francepress
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Congresso em Foco, 15 de
Outubro de 2008
Pesquisas eleitorais e urnas eletrônicas:
quais são mais confiáveis?
José Rodrigues Filho*
No dia seguinte ao das eleições
municipais do corrente ano, os institutos de pesquisa já comentavam
sobre o sucesso das pesquisas eleitorais em todo o país. Observa-se,
contudo, que no tocante às pesquisas de boca de urna, o sucesso
não foi tanto assim. Ademais, surge uma grande preocupação
que precisa ser discutida em relação à pesquisa
de boca de urna e a contagem final de votos pelas urnas eletrônicas.
A relação entre a pesquisa de boca de urna e a contagem de votos
nestas eleições municipais apresenta algumas características
que não parecem ser diferentes do que aconteceu nas eleições
americanas de 2004. Naquele ano, as pesquisas de boca de urnas, em vários
estados americanos, apontavam a vitória do candidato John Kerry, porém
quando os votos foram contados, naqueles estados, a vitória foi do Presidente
Bush.
Para matemáticos e estatísticos americanos, a pesquisa de boca
de urna representa uma realidade confirmada, visto que o eleitor já votou
ou está na fila para votar. Portanto, não deve haver diferença
entre a pesquisa de boca de urna e a contagem final de votos. Face ao exposto,
o bom senso nos mostra que a probabilidade de uma pesquisa realizada dias antes
das eleições, nos dá uma previsão do comportamento
do eleitor, enquanto que a pesquisa de boca de urna retrata uma realidade confirmada – o
eleitor já votou. Mas não foi isso que aconteceu tanto nos Estados
Unidos como nestas eleições municipais no Brasil.
Por outro lado, não há como negar o rigor científico das
pesquisas, baseadas em modelos estatísticos e matemáticos. Contudo,
no caso das pesquisas eleitorais, antes das eleições, é preciso
compreender que muitas vezes elas são utilizadas como instrumentos de
manipulação pelos grupos dominantes. Embora se trate de previsões
antecipadas, a própria mídia muitas vezes delas se utiliza para
menosprezar candidatos sem expressão eleitoral, que podem ter desempenho
afetado por tais pesquisas.
No caso dos Estados Unidos, a imprensa burguesa que antes tinha considerado
as pesquisas de boca de urna, com a vitória do presidente Bush, começou
a criticá-las e defender os resultados das urnas. Contudo, a blogesfera
americana considerou a eleição de 2004 como sendo uma eleição
roubada, através das urnas eletrônicas. Alguns analíticos
e cientistas políticos são da mesma opinião. Por conta
disto, a urna eletrônica americana, similar a que é utilizada
no Brasil, foi proibida na maioria dos estados americanos, assim como foi banida
recentemente na Holanda. Comenta-se que nem o Paraguai quer mais utilizar a
nossa urna eletrônica, diante da falta de segurança.
Mas, o que foi que aconteceu no último 5 de outubro? Para a nossa surpresa,
as pesquisas de boca de urna não batem com os resultados apurados nos
principais centros urbanos, situando-se, em alguns casos, até fora das
margens de erros. De acordo com o quadro abaixo, ou as pesquisas estão
erradas, o que parece improvável, ou a contagem de votos parece ter
beneficiado alguns candidatos e prejudicado outros.
Com estes resultados, a pesquisa de boca de urna deve ser utilizada de forma
abrangente no segundo turno, pois os candidatos com disputas acirradas devem
ser convencidos, no final das eleições, de que perderam ou ganharam
as eleições, sem erros. Os candidatos Marta Suplicy e Marcio
Lacerda devem exigir mais de uma pesquisa de boca de urna, pois irão
para uma disputa bastante acirrada. João da Costa, em Recife, já ganhou
as eleições, mas tem uma pesquisa de boca de urna bastante diferente
da apuração de seus votos. Outro caso que nos chama a atenção é o
de Fortaleza, onde Luizianne Lins do PT liderava as pesquisas de boca de urnas
com 53%, mas ganhou a eleição no primeiro turno de forma apertada,
com apenas 50,16%.
O nosso sistema eleitoral, desenhado pelas elites políticas dominantes, é dotado
de uma série de perversidades e rituais, a exemplo das pesquisas eleitorais
antecipadas, muitas vezes utilizadas pela mídia para influenciar os
resultados de eleições. Diante da inexistência de uma tecnologia
segura não se sabe por que no Brasil a classe política adotou
as urnas eletrônicas, que têm servido para reforçar o poder
da Justiça eleitoral em detrimento de uma redução da cidadania,
uma vez que não há mais um controle do ato de votar pelo próprio
eleitor. Ademais, a venda de votos parece ser um ato mais importante do que
o ato de votar.
Na cidade de João Pessoa, por exemplo, dois dias depois das eleições
multidões foram às ruas exigir o pagamento pela venda de votos,
visto que lhes foi informado de que a tecnologia permitia identificar que o
voto tinha sido dado ao candidato comprador de votos. O protesto foi feito
pela falta de pagamento do voto. O momento é chegado para que a classe
política repense a questão da tecnologia, democracia e a cidadania.
O controle do voto no Brasil pela Justiça eleitoral e pelas empresas
de tecnologia de informação é uma questão que precisa
ser discutida amplamente pela sociedade. Tornando-se um alienado, parece não
haver diferença para o eleitor entre vender o voto ou votar sem seu
controle. O controle do voto deve ser feito única e exclusivamente pelo
eleitor.
Os candidatos que vão para o segundo turno devem exigir a proibição
de pesquisas antecipadas, mas a pesquisa de boca de urna deve ser realizada
por mais de um instituto. Além disso, medidas mais simples devem ser
tomadas para testar a confiabilidade ou não das urnas eletrônicas.
Isto será discutido no próximo texto.
Quadro 1: Resultados de Pesquisa de Boca de Urna e a Apuração
de Votos
|
Cidade/Candidato
|
Partido
|
Boca de Urna
|
%
|
Apuração %
|
|
Porto Alegre
|
|
Ibope
|
|
|
|
José Fogaça
|
PMDB
|
|
39
|
(
+ ) 43
|
|
Maria
do Rosário
|
PT
|
|
23
|
(
- ) 22
|
|
Belo Horizonte
|
|
Ibope
|
|
|
|
Márcio
Lacerda
|
PSB
|
|
45
|
(
- ) 43
|
|
Leonardo
Quintão
|
PMDB
|
|
38
|
(
+ ) 41
|
|
Recife
|
|
Ibope
|
|
|
|
João
da Costa
|
PT
|
|
54
|
(
- ) 51
|
|
Mendonça
Filho
|
DEM
|
|
24
|
( )
24
|
|
São Paulo
|
|
Ibope
|
|
|
|
Marta
Suplicy
|
PT
|
|
36
|
(
- ) 32
|
|
Gilberto
Kassab
|
DEM
|
|
32
|
(
+ ) 33
|
|
Geraldo
Alckmin
|
PSDB
|
|
21
|
(
+ ) 22
|
Fonte: Dados divulgados
pela imprensa.
* José Rodrigues Filho foi pesquisador nas Universidades de Harvard
e Johns Hopkins. Atualmente é professor da Universidade Federal da Paraíba.
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Gazeta do Povo, 15 de Outubro
de 2008
Pnad
Mais 20 anos para erradicar o analfabetismo
Apesar dos avanços, Brasil mantém
desigualdades e oferece poucas oportunidades aos jovens
Se as políticas educacionais
continuarem no ritmo atual, o analfabetismo só será erradicado
daqui a duas décadas, já que desde 1992 a queda foi de
apenas 7 pontos porcentuais. As diferenças regionais ainda são
marcantes: no Nordeste o índice chega a 20%, enquanto no Sul não
passa de 5,4%. Os dados foram divulgados ontem e fazem parte do estudo
realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea),
com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad)
2007, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os dados também são
alarmantes em relação à juventude. Há 14
milhões de jovens considerados pobres e apenas 15% deles vivem
em famílias com renda superior a dois salários mínimos.
Eles também representam 61% dos desempregados. Metade daqueles
que têm entre 15 e 17 anos não estão no ensino médio
e parcela significativa não trabalha nem estuda, índice
que chega a 20% entre as garotas.
A socióloga Ana Luísa
Fayet Sallas, professora da Universidade Federal do Paraná, afirma
que o quadro não é novidade. “Faz tempo que o jovem
encontra dificuldade em permanecer na escola. Quando eles não
estão na série correta há uma desmotivação
em função de serem os mais velhos da turma. Eles se sentem
desajustados.”
A diminuição da
desigualdade também caminha a passos curtos. Quando se compara
negros e brancos e população rural e urbana as diferenças
são significativas. O índice de analfabetismo entre os
negros é quase o dobro e entre quem vive no meio rural é 23%,
enquanto nas cidades não passa de 4,4%. Mozart Neves Ramos, presidente-executivo
do Todos Pela Educação, diz que o Brasil avançou,
mas um filho com pais analfabetos tem menos chance de chegar à faculdade,
o que ocasiona um círculo vicioso.
O estudante de Direito
Renato de Almeida Freitas Júnior é um retrato das dificuldades
que um jovem negro da periferia tem quando os assuntos são trabalho
e educação. Assim como milhares de outros brasileiros,
ele vem de uma família nordestina migrante, cresceu sem o pai
e a mãe não concluiu o ensino fundamental. “É muito
difícil fazer planos a longo prazo quando se tem contas para
pagar no fim do mês. Fico chateado por ver que meus colegas não
tiveram a mesma sorte que eu. A desigualdade é uma herança
estrutural de pobreza e renda difícil de mudar.”

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Folha
de S.Paulo, 15 de Outubro de 2008
Sinais de recessão esfriam euforia
nos EUA
Após alta recorde na segunda, Bolsa
de NY fecha em queda de 0,8% com dados ruins de empresas como Pepsi e Microsoft
| Apesar de socorro a bancos, crédito segue represado; Paulson diz
que deixar empresas e consumidor sem crédito é "inaceitável"
FERNANDO CANZIAN
ENVIADO ESPECIAL A WASHINGTON
A euforia de segunda-feira
em Wall Street foi substituída ontem pelo realismo de números
que mostram queda nos ganhos de empresas, anúncios de demissões
e expectativa de uma recessão cada vez maior nos Estados Unidos.
Depois da maior alta desde os anos 1930 anteontem, de 11%, o mercado teve um
dia de forte volatilidade ontem, com investidores olhando para além
das medidas de cerca de US$ 2 trilhões para socorrer bancos.
Os três principais índices da Bolsa de Nova York abriram em alta,
subiram e caíram com força, mas acabaram fechando em queda. O
Dow Jones perdeu 0,82%, e o Nasdaq, 3,54%. A Bovespa acompanhou o ritmo, mas,
no fim do dia, se recuperou e fechou em alta de 1,81%.
Embora o Tesouro dos EUA já tenha detalhado boa parte do plano de US$
250 bilhões de compra de participações em nove grandes
bancos e de um grupo de pequenas instituições, o mercado de crédito
nos EUA continua travado.
Há cada vez mais relatos de clientes de bancos tendo limites de cartões
de crédito cortados ou sendo obrigados a ampliar os pagamentos mínimos
mensais no crédito rotativo.
Além dos bancos, as famílias americanas carregam hoje um endividamento
recorde, de quase US$ 20 trilhões, o equivalente a cerca de 140% do
PIB.
O mercado de "commercial papers", em que são negociados títulos
que financiam o dia-a-dia das empresas, também continua operando, em
alguns dias, com ofertas até 20% menores de dinheiro e cobrando juros
ainda muito elevados.
A ponto de o secretário do Tesouro, Henry Paulson, ter exortado, em
um discurso duro, os bancos beneficiados pela injeção de dinheiro
a ampliar a oferta de crédito no mercado.
" Nossa economia não precisa que os bancos peguem esse novo capital
para acumular, mas para colocar imediatamente no mercado. A idéia de deixar
empresas e consumidores sem crédito é totalmente inaceitável.
Quando o crédito não está acessível, empresas e consumidores
cortam seus gastos, o que leva ao corte de empregos e fechamento de empresas."
É exatamente isso o que está acontecendo com cada vez mais freqüência
nos EUA. As ações de algumas empresas diretamente ligadas ao consumo
caíram ontem diante do temor cada vez maior de uma recessão
A Pepsico, fabricante da Pepsi-Cola, anunciou a demissão de 3.300 funcionários
como parte de um plano para economizar US$ 1,2 bilhão em três
anos. Suas ações caíram 12% e foram acompanhadas das da
Coca-Cola (-7,5%) e por outras empresas do ramo. A General Motors anunciou
o fechamento de uma fábrica de picapes e a dispensa de 1.200 funcionários.
Também lideraram as baixas empresas como a Microsoft. Outras, de varejo,
como Target, Eagle Outffiters, GAP e Saks já anunciaram queda nas vendas.
O varejo já prevê contratações menores para o final
do ano.
As quedas na Bolsa afetaram ontem a maioria das empresas do setor não-financeiro.
Já as ações de bancos voltaram a subir, ainda com os reflexos
do pacote de ajuda.
Ecoando os comentários de Paulson, o presidente do Fed (o BC dos EUA),
Ben Bernanke, disse acreditar "fortemente" que as medidas adotadas, "mais
a resistência da economia americana", serão suficientes "para
restaurar a confiança".
Até agora, pesquisas mostram o contrário. Levantamento do "USA
Today"/Gallup feito entre sexta e domingo revelou que 73% dos americanos
consideram "pobre" o atual estado da economia e que dois terços
já foram afetados pela crise.
O economista Nouriel Roubini, que previu a crise financeira de 2006, afirmou
ontem à Bloomberg que os EUA passarão pela pior recessão
em 40 anos, com uma duração de 24 meses. "As pessoas ficaram
surpresas com a severidade das perdas", disse.
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O ESTADO DO PARANÁ,
15 de outubro de 2008
Greve dos bancários pode ser
definida amanhã
Mara Andrich
A greve dos bancários poderá ter uma definição
amanhã. Está marcada para as 10h uma rodada de negociação
entre o Comando Nacional de Greve e a Federação Nacional dos
Bancos (Fenaban), em São Paulo.
Ontem, durante uma audiência
de conciliação na Justiça do Trabalho, também
em São Paulo, chegou-se a considerar a hipótese de suspender
a paralisação até amanhã, mas isso não
se concretizou. Em Curitiba, uma nova assembléia será realizada
amanhã, às 17h30, depois das negociações
em São Paulo.
Ontem, das 329 agências
de Curitiba, 233 estavam fechadas, segundo balanço do Sindicato
dos Bancários de Curitiba e Região. Entre elas, 46 são
da Caixa Econômica, 54 do Banco do Brasil e 133 de bancos privados.
Outros 12 centros administrativos (quatro do HSBC, quatro do Banco do
Brasil, um do Real e três da Caixa) também estão
parados.
O sindicato estima que 14,6 mil
trabalhadores estejam em greve. Somente as agências do Bradesco
estão funcionando, pois o banco conseguiu uma autorização
da Justiça para operar durante a greve.
Os bancários reivindicam
13,23% de reajuste salarial - 5% de aumento real e o restante de correção
inflacionária -, aumento no vale-refeição de R$
14,72 para R$ 17,50, e no piso salarial, de R$ 1.287,73 para R$ 2.074.
Entretanto, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban)
já ofereceu 7,5% de reajuste salarial, o que significaria apenas
0,3% de aumento real.
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FOLHA DE LONDRINA, 15 de
outubro de 2008 | Cidades
Artigo - Dano moral coletivo e indenização
Os direitos coletivos não se
enquadram em modelos teóricos dos ramos tradicionais do ordenamento
jurídico
A indenização
por danos morais tem aparecido em diversos processos e decisões
da Justiça brasileira. Já o chamado dano moral coletivo
ainda é um termo desconhecido de muitas pessoas, mas que está presente
no cotidiano de nossa sociedade. As primeiras grandes condenações
indenizatórias levaram as ações movidas pelo
Ministério Público a um novo patamar. Essas condenações
geraram não somente a restituição do dano coletivo
causado, mas também o desestímulo a recorrências
das infrações cometidas. Amparado pela Constituição
Federal de 1988, o dano moral coletivo passou a ganhar maior destaque
nos últimos anos através da edição de
legislações esparsas.
A Lei nº 7.347/85 assegura
a responsabilização por danos morais e patrimoniais causados
ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem urbanística, aos
bens e direitos de valor artístico, estético, histórico,
turístico e paisagístico e a qualquer outro interesse difuso
ou coletivo. Também há previsão no Código
de Defesa do Consumidor, Lei 8.078/90, que garante a prevenção
e a reparação de danos patrimoniais e morais, individuais,
coletivos e difusos e o acesso aos órgãos judiciais e administrativos,
além de trazer o avanço das definições cabíveis
dentro de direito coletivo.
O conceito de dano moral coletivo
extrapola a noção de dor e sofrimento - incisos V e X do
artigo 5º da Constituição Federal -, abrindo espaço
para outros fatores que afetam negativamente a um grupo, como a lesão
imaterial ambiental e os direitos e interesses individuais da coletividade,
previstos na Lei nº 7.347/85 - ação civil pública
- e no Código de Defesa do Consumidor.
O direito coletivo ganhou novo
relevo e importância, sempre com o objetivo de amparar a coletividade.
Os direitos coletivos não se enquadram em modelos teóricos
dos ramos tradicionais do ordenamento jurídico, mas sim constituem
uma nova categoria, mais ampla.
No nosso ordenamento jurídico,
as primeiras condenações indenizatórias a título
de danos morais coletivos surgiram, em ações civis públicas,
ajuizadas pelo Ministério Público do Trabalho, relacionadas
ao ambiente do trabalho, ao trabalho escravo, ao trabalho infantil, à discriminação
de toda ordem (sexo, idade, raça, deficiência física), à revista íntima
e à terceirização ilícita por meio de cooperativa
de trabalho. Mas não somente essas matérias são
capazes de gerar dano moral coletivo. Também podem acontecer no
direito do consumidor, meio ambiente englobando o meio ambiente do trabalho,
questões indígenas, relações de consumo,
entre inúmeras outras.
Segundo o procurador Raimundo
Simão de Melo, não há qualquer restrição
do direito à pretensão de indenização por
dano moral coletivo, pois tais dispositivos são abrangentes e
englobam quaisquer ofensas ao nome, à imagem, à honra, à pessoa,
entre outras garantias às pessoas naturais, jurídicas e
coletividades. Isso porque o dano extrapatrimonial coletivo atinge o
direito de personalidade de caráter difuso, predominante na união
de determinadas pessoas, na comunhão de interesses difusos e na
indivisibilidade de garantias e interesses violados, envolvendo a coletividade
indiscriminadamente.
(*) Elaine Cristina Reis é advogada
trabalhista do escritório Peixoto e Cury Advogados
Seleção de artigos
a cargo do professor Zulmar Fachin.
Interessados em participar, devem
escrever para:
constitucional@sercomtel.com.br
Elaine Cristina Reis
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Agência Senado, 15
de Outubro de 2008
Aprovado projeto que obriga empresa
a fornecer bloqueador solar a quem trabalha ao sol
O Plenário do Senado
aprovou nesta terça-feira (14) projeto que inclui o protetor,
o bloqueador ou o filtro solar entre os equipamentos e produtos
de proteção dos trabalhadores, desde que eles exerçam
suas atividades ao sol (PLC 111/05). O Ministério do Trabalho
terá de incluir tais produtos na legislação
de proteção aos trabalhadores.
O projeto obriga ainda o Sistema Único
de Saúde (SUS) a distribuir gratuitamente protetor solar aos pacientes
acometidos de doenças causadas ou agravadas pelo sol, como câncer
de pele. Os senadores aprovaram um substitutivo que o senador Papaléo
Paes (PSDB-AP) apresentou a um projeto oriundo da Câmara dos Deputados,
proposto pela ex-deputada Laura Carneiro. A proposta ainda será submetida
a uma votação suplementar e depois seguirá para
exame dos deputados, pois o projeto original recebeu alterações.
O projeto substitutivo institui
a Campanha Nacional de Prevenção da Exposição
Indevida ao Sol, obrigando o governo a veicular todo ano, nos meios de
comunicação, uma campanha durante as férias escolares
abordando o assunto. Determina ainda que os fabricantes de "embalagens
ou etiquetas de produtos associados à exposição
ao sol" coloquem advertências sobre a exposição
indevida ao sol. Mais: nas campanhas publicitárias desses produtos,
as empresas incluirão advertências sobre os malefícios
da exposição indevida ao sol.
O projeto original previa
que o SUS teria de distribuir protetores solares a quem trabalha ao
sol, mas o senador Papaléo Paes concluiu durante a discussão
da matéria que isso seria praticamente inviável. Assim,
a exigência do protetor será limitada a quem teve ou enfrenta
doença causada ou agravada pelo sol. Já as empresas terão
de fornecer o produto aos seus empregados junto com os equipamentos
de proteção dos trabalhadores.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
15/10/2008
Conluio entre patrão e empregados
leva a anulação de ações trabalhistas
A Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho
manteve decisão que extinguiu três processos envolvendo
uma mesma empresa, por considerar que houve conluio entre as partes,
ou seja, a simulação de ações trabalhistas
com o fim de obter vantagens ilícitas.
O caso teve início quando
o Ministério Público do Trabalho ajuizou ações
rescisórias no Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região
(MS), questionando a validade de sentenças da 1ª Vara do
Trabalho de Campo Grande, que havia homologado acordos trabalhistas entre
a empresa JV Comércio e Representações Ltda. e alguns
de seus ex-empregados.
O MPT defendeu a rescisão
das sentenças, sustentando não ter havido, nestes casos,
uma lide que justificasse a intervenção judicial, mas apenas
um processo forjado, com o intuito de obter vantagens ilícitas
para ambas as partes: a empresa, que se livraria de passivos trabalhistas,
sob ameaça velada de desemprego, e os empregados, que teriam liberado
o saldo do FGTS, o que resultaria em prejuízos a terceiros – incluindo
a Caixa Econômica Federal, operadora do Fundo de Garantia, a Previdência
Social e o Fundo de Amparo ao Trabalhador. Acrescentou que o Judiciário
foi utilizado como mero homologador da rescisão contratual.
Nas três ações
rescisórias, o TRT/MS decidiu extinguir o processo originário,
sem exame do mérito, e condenou a empresa ao pagamento de multa
por litigância de má-fé, além de determinar
a notificação do caso à OAB/MS, à CEF e ao
FAT. A decisão fundamentou-se, principalmente, em depoimentos
de testemunhas que confirmaram a tese de que a empresa realmente pretendia
se livrar de passivos trabalhistas e estruturar uma nova empresa para
readmitir os antigos empregados e, para isso, lançou mão
do processo judiciário forjado.
Irresignada, a JV Comércio
contestou a decisão, mediante recurso ordinário em ação
rescisória no TST. Argumentou que, além de não ter
sido demonstrada a existência do conluio, ela não obteve
qualquer fim ilícito com o acordo. Acrescentou que sua atitude
não gerou prejuízo a nenhum dos trabalhadores e que, enfim,
seria injusta a imputação de multa e indenização
por litigância de má-fé pelo TRT.
O relator do processo, ministro
Renato de Lacerda Paiva, considerou que, ao contrário do que sustentava
a autora do recurso, todas as provas que basearam a decisão do
TRT apontam para a configuração das hipóteses de
transação inválida e de colusão, com o claro
propósito de fraudar a lei. O ministro destacou que a própria
empresa afirmou se encontrar em dificuldades financeiras e que, para
reduzir despesas, demitiu vários empregados. “Entretanto,
restou comprovado nos autos o fato de o reclamante ter ajuizado reclamação
trabalhista, que resultou na homologação de acordo, não
obstante ter continuado a trabalhar na empresa”. Além da
readmissão dos empregados após a homologação
dos acordos, o ministro ressaltou que os trabalhadores concordaram em
fechar acordo por valores muito inferiores aos propostos nas ações
trabalhistas, sendo este um dos fatores que levaram o TRT a concluir
pela existência de conluio.
Em sua análise sobre os
três processos, Renato de Lacerda Paiva assinalou que “o
Judiciário foi desnecessariamente movimentado e, mais do que isso,
induzido em erro ao ter de conhecer de falso litígio, executando
tarefa própria de sindicato, delegacia regional do trabalho ou
comissão de conciliação prévia, notadamente
a homologação de rescisão contratual.” Após
concluir que os fatos ostentam gravidade suficiente para caracterizar
as hipóteses de invalidade de transação e de conluio
entre as partes, “em nítido desvirtuamento do processo trabalhista”,
o ministro negou provimento ao apelo e manteve a decisão do TRT
quanto à extinção dos processos.
Em relação aos
demais pedidos da empresa, o relator manifestou-se por manter a condenação
ao pagamento das custas processuais e excluir a multa de 5% do valor
da causa, por litigância de má-fé. Nesse aspecto,
Renato Paiva fundamentou seu voto no posicionamento que vem sendo reiteradamente
adotado pela SDI-2, no sentido de que o reconhecimento da nulidade do
acordo homologado já constitui sanção suficiente,
em casos de colusão entre as partes. ( ROAR 204/2005-000-24-00.2
/ ROAR 206/2005-000-24-00.1 / ROAR 198/2005-000-24-00.3)
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14/10/2008
Sindicato não consegue reverter mudanças
em plano de saúde
A manutenção das condições
do plano de saúde vigentes até 2003 para os funcionários
da Companhia de Processamento de Dados do Município de Porto Alegre – Procempa.
Era esta a pretensão do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento
de Dados do Estado do Rio Grande do Sul – SINDPPD/RS, cujo agravo
de instrumento foi rejeitado pela Sexta Turma do Tribunal Superior do
Trabalho.
Os empregados da Procempa têm direito,
decorrente de norma coletiva, de usufruir de plano de saúde com
participação da empresa no custeio. A partir de dezembro
de 2003, após licitação por pregão eletrônico,
houve mudança da empresa prestadora de serviços de saúde.
Alegando drástica redução no padrão de qualidade
e na quantidade de exames e atendimentos médicos e ambulatoriais,
o sindicato ingressou com ação trabalhista com o objetivo
de alterar o plano, afirmando que as novas condições eram
prejudiciais aos trabalhadores. Por esse motivo, pretendia que fosse
restabelecido o plano anterior.
A entidade profissional responsabiliza a empregadora
por alteração lesiva do contrato de trabalho. Um dos pontos é que,
ao realizar a nova licitação, a empresa - sociedade de
economia mista -, abriu mão da modalidade de avaliação
técnica e de preço dos licitantes para realizar a escolha
somente pelo critério de preço. Cita como exemplo que,
no contrato anterior, era oferecida internação com quarto
privativo e, no novo plano, apenas quarto coletivo.
A 12ª Vara do Trabalho de Porto Alegre julgou
improcedentes os pedidos. Para o juiz, não houve irregularidade
que possibilitasse a nulidade da alteração, pois a contratação
da nova empresa ocorreu mediante processo regular de licitação,
sem qualquer infringência às normas coletivas asseguradoras
do direito de concessão de assistência médica. Acrescentou
que os descumprimentos do contrato de prestação de serviços
devem ser sanados nas esferas apropriadas, administrativa ou judicialmente,
pela aplicação das normas de proteção aos
direitos do consumidor e dos planos de saúde, podendo ainda a
Procempa aplicar as sanções previstas em contrato ou até mesmo
rescindi-lo.
O sindicato recorreu ao Tribunal Regional do
Trabalho da 4ª Região (RS), que manteve a sentença.
Segundo o Regional, aberta a licitação, foi dada oportunidade
de consulta prévia do edital à Comissão de Trabalhadores
da Procempa, com o objetivo de cumprir a norma coletiva. No entanto,
não houve, por parte da comissão, qualquer objeção
quanto à modalidade da licitação ou quanto aos critérios
de avaliação. Ressaltou também que a empresa não
pode responder por execução precária do plano de
saúde oferecido pela prestadora de serviços, ou por seu
procedimento irregular, porque fez o contrato de boa-fé, nos termos
exigidos pela norma coletiva.
O TRT da 4ª Região registra, ainda,
que a pretensão de manutenção das condições
do plano de saúde anterior é inviável, pois o contrato
anterior já foi rescindido e seria impossível restabelecê-lo,
especialmente por se tratar de sociedade de economia mista, sujeita aos
trâmites de licitação pública. O sindicato
interpôs recurso de revista, mas despacho da presidência
do TRT negou-lhe admissibilidade.
Em agravo de instrumento ao TST, a entidade profissional
novamente não obteve sucesso. Para o ministro Horácio Senna
Pires, relator, a decisão regional não contraria a jurisprudência
do TST nem os dispositivos de lei e da Constituição Federal
apontados pelo sindicato a fim de dar condições ao processamento
do recurso de revista. Diante disso, a Sexta Turma negou provimento ao
agravo. ( AIRR - 589/2004-012-04-40.0)
(Lourdes Tavares)
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14/10/2008
Ação anterior só interrompe
prescrição se houver pedido idêntico
Pedidos idênticos: questão
essencial para que uma ação trabalhista arquivada interrompa
a prescrição em relação a uma ação
posterior. Com esse entendimento, a Sétima Turma do Tribunal Superior
do Trabalho manteve decisão da Justiça do Trabalho de Minas
Gerais que julgou prescrita a ação de indenização
por danos morais de um empregado da Companhia de Saneamento Municipal – Cesama,
de Juiz de Fora, acusado de furtar quatro sacos de cimento. Na primeira
ação, o trabalhador não fez o pedido de indenização
por danos morais. Agora, perde na Justiça por ter ajuizado o pedido
fora do prazo legal.
O ajudante de serviços
foi demitido em outubro de 2004. Foi, então, que ajuizou a primeira
ação e obteve, por meio de acordo celebrado com a Cesama,
em junho de 2005, a reversão da demissão para dispensa
sem justa causa. Recebeu, assim, verbas rescisórias, indenização
por período da estabilidade provisória a que tinha direito,
multa de 40% do FGTS e a liberação das guias para saque
de seguro desemprego e do FGTS.
Posteriormente, em abril de 2007
- mais de dois anos após a rescisão contratual -, o ex-empregado
decidiu pleitear diferenças de horas extras e indenização
por danos morais, alegando a falsa acusação de improbidade
e que a empresa teria agido de má-fé, por questões
de perseguição política, causando-lhe humilhações
e constrangimentos. No entanto, ao analisar a segunda ação,
a 4ª Vara do Trabalho de Juiz de Fora concluiu ter ocorrido prescrição,
pois a ação foi proposta após o prazo de dois anos
e não havia identidade de pedidos com a ação anterior
(se houvesse, interromperia a prescrição).
O trabalhador recorreu, mas o
Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG) negou provimento
ao recurso, julgando correta a sentença, e inexistente a interrupção
da prescrição. O Regional confirmou que, na reclamatória
anterior, o autor pleiteou apenas a anulação da dispensa
por justa causa e a reintegração ao emprego. A indenização
por danos morais e as diferenças de horas extras não foram
objeto do pedido.
Inconformado, o autor interpôs
recurso ao TST. Na petição, afirma que a ação
ajuizada anteriormente, “envolvendo a mesma causa de pedir”,
interrompeu a prescrição, “não havendo necessidade
que haja identidade de pedidos” entre a ação anterior
e a atual. O ministro Guilherme Caputo Bastos, relator do recurso de
revista, considerou, no entanto, que “é pacífico
o entendimento no TST de que a ação trabalhista arquivada
interrompe a prescrição somente em relação
aos pedidos idênticos”, de acordo com a diretriz da Súmula
nº 268, com nova redação.
No recurso de revista, buscando
ainda alegar não ter ocorrido a prescrição, o trabalhador
argumentou que o pedido de indenização por danos morais,
decorrente de falsa acusação de improbidade, está sujeito
ao prazo prescricional de dez anos previsto no Código Civil, não
se aplicando a prescrição bienal prevista no artigo 7º,
inciso XXIX, da Constituição Federal, conforme foi o posicionamento
do Tribunal Regional. Também esse argumento foi rejeitado pela
Sétima Turma.
Para o ministro Caputo
Bastos, não há a violação legal apontada
pelo autor no acórdão regional, porque o prazo prescricional
para reclamar indenização decorrente de dano moral sofrido
no curso da relação de emprego é o bienal, previsto
na Constituição. “O direito material em questão
não é civil, mas sim trabalhista. Assim”, concluiu
o relator, “a prescrição a ele agregada também
o é”. (RR -418/2007-038-03-00.8)
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14/10/2008
Empregada de hospital psiquiátrico
consegue insalubridade em grau máximo
Por ter trabalhado em permanente
contato direto com pacientes portadores de doenças infecto-contagiosas
e agentes químicos usados no serviço de limpeza, uma empregada
que trabalhou no Hospital Psiquiátrico São Pedro, do Estado
do Rio Grande do Sul, contratada pela empresa terceirizada Brasiwork,
ganhou na Justiça Trabalhista o direito de receber adicional de
insalubridade em grau máximo. A Sexta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho rejeitou recurso do Estado contra decisão da Justiça
do Trabalho da Quarta Região (RS).
Durante o tempo em que trabalhou
no hospital, de maio a outubro de 2005, a luva de látex era o único
equipamento de proteção que a empregada usava para realizar
a limpeza e a higienização dos banheiros e manter contato
com os pacientes. A prova pericial afirmou ainda que a trabalhadora tinha
direito ao adicional de insalubridade em grau médio com relação
ao contato com os produtos químicos e em grau máximo em
razão da exposição aos agentes biológicos,
notadamente pelas atividades relacionadas à limpeza de sanitários
e contato com esgotos e coleta de lixo urbano. O Juízo concedeu-lhe
o adicional em grau máximo.
O Estado recorreu, mas o Tribunal
Regional manteve a sentença. Inconformado, interpôs recurso
de revista ao TST. O relator do processo na Sexta Turma, ministro Aloysio
Corrêa da Veiga, observou que o contato direto com pacientes portadores
de moléstias infecciosas e contagiosas assegura o pagamento do
adicional de insalubridade em grau máximo, nos termos do Anexo
nº 14 da NR-15 do Ministério do Trabalho e Emprego. “A
atividade não se confunde com a de limpeza e higienização
de banheiros, que é equiparada à coleta de lixo doméstico”,
assinalou.
“Correto o entendimento
regional que concedeu o referido adicional,”, afirmou o relator,
ressaltando que decisão contrária “importaria no
reexame de todo conjunto fático-probatório dos autos,
o que é incabível nesta fase recursal”. (RR-2190-2005-018-04-40.3)
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