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Agência Diap, 17 de
outubro de 2008
SISTEMA CONFEDERATIVO
Confederações aprovam
agenda e ações para o FST Nacional
As confederações
que integram o Fórum Sindical dos Trabalhadores, em reunião
no último dia 14, aprovaram a agenda e atividades para os próximos
meses. A pauta inclui a coleta de assinaturas das lideranças da
base do governo para o arquivamento do Projeto de Lei 4.302/98, que dispõe
sobre a terceirização; produzir um projeto alternativo,
restringindo a terceirização conforme proposto no PL 4.554/04,
do FST e assinado pelo ex-deputado federal Sérgio Miranda; realização
do Encontro Regional do FST do Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, no
dia 14 de novembro; fundação do FST-AL em Maceió com
a efetiva participação, já confirmada, de 13 categorias
profissionais, previsto para o início de dezembro de 2008.
Segundo o vice-presidente da CNTS, João Rodrigues Filho, membros da
comissão do FST Nacional responsável pela realização
dos encontros regionais do FST , a exemplo dos eventos realizados nos estados
do Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo, o encontro
em Campo Grande deverá discutir propostas em relação à estrutura
sindical, redução da jornada de trabalho, fim do fator previdenciário
e a defesa do aposentado; geração do emprego e renda, formas
de trabalhos precários e degradantes, exploração da mão-de-obra
infantil, terceirizações; melhoria das condições
de trabalho e da segurança e saúde no trabalho; Convenções
151 e 158 da OIT; e Portaria 186.
Congresso nacional
O coordenador nacional do FST, José Augusto da Silva Filho, voltou a
defender a importância da realização do Congresso Nacional
Unificado da Classe Trabalhadora, previsto para março de 2009. “Seria
oportuno para definirmos os rumos das lutas unitárias, embasados nas
nossas necessidades atuais, dentro dos princípios e bandeiras de lutas
já definidas coletivamente pelo FST, dentro da atual realidade em que
o movimento sindical assume papel ativo e pró-ativo através das
ações já desenvolvidas pelo FST e as entidades que o integram,
vindo agir com uma agenda positiva, como hoje demonstramos através de
nossas principais bandeiras unitárias, que o FST defende comprovadamente”,
argumentou.
Segundo ele, são lutas que, por meio da Coordenação Nacional
do FST e das entidades sindicais que o integram, traduzem uma agenda positiva
em uma agenda de conquistas, onde temos a oportunidade de avançarmos
cada vez mais. “Hoje, a unidade dos trabalhadores no Brasil passa pela
unidade na ação. A experiência da mobilização
em torno da campanha pela redução da jornada de trabalho sem
redução de salário e pela ratificação das
convenções 151 e 158 da OIT foi uma sinalização
concreta e importante neste sentido”, afirmou.
O Congresso Nacional Unificado da Classe Trabalhadora tem como objetivo a defesa
das bandeiras de lutas e princípios, podendo ser o caminho mais seguro
para ampliar a unidade e fortalecer o movimento sindical. O FST considera que
o Congresso, reunindo milhares de sindicalistas das mais variadas tendências
ideológicas, sem exclusões ou exclusivismos, é um passo
fundamental para elevar o protagonismo da classe trabalhadora na luta política,
tendo em vista um novo projeto de desenvolvimento nacional, antineoliberal
e fundado na soberania e na valorização do trabalho.
Registro sindical
A coordenação do FST Nacional decidiu orientar os sindicatos
e federações, no sentido de realizar as alterações
necessárias provocadas pelo Sistema de Recadastramento de Registro Sindical
do Portal do Ministério do Trabalho, atualizando e corrigindo os respectivos
registros e as possíveis filiações indevidas junto a centrais
sindicais. As correções deverão ser comunicadas por escrito
ao FST Nacional e aos fóruns regionais
As confederações vão defender a aprovação
de uma PEC no sentido de regulamentar as contribuições assistencial
e confederativa, conforme foi feito na Assembléia Nacional Constituinte
de 1988, regulamentando e tornando compulsório tais contribuições. “O
FST Nacional defende a necessidade de sustentação financeira
plena aos sindicatos do Brasil, que não sobreviverão apenas com
uma fonte de arrecadação, ou seja, com a contribuição
sindical apenas”.
Os dirigentes das confederações discutiram, ainda, sobre o anteprojeto
de lei que dispõe sobre a contratação de serviços
de terceirizados por pessoas de natureza jurídica de direito privado,
produzido pelo Ministério do Trabalho e Emprego e encaminhado para a
Advocacia Geral da União para parecer e posterior envio à Casa
Civil da Presidência da República, com destino ao Congresso Nacional.
Segundo interpretação dos presentes à reunião,
a proposta não serve tampouco para a apresentação de emendas,
por tratar-se de “um texto ameaçador que muda radicalmente as
relações de trabalho no Brasil, de forma a precarizar, flexibilizar
e até mesmo extinguir direitos sociais, trabalhistas e previdenciários
dos trabalhadores, retornando aos áureos tempos da ‘escravidão’”.
As entidades reunidas no FST convidam os sindicalistas de diversas categorias
profissionais para participarem de uma reunião no próximo dia
21 de outubro, às 10 horas, na Fecomerciários, na Liberdade,
São paulo, para tratar das diversas fundações de sindicatos,
federações e confederações de trabalhadores dos
setores do comércio, alimentação, turismo, serviços,
hotelaria, rodoviários, agricultura, etc. Fone: (11) 3208-6833. (Fonte:
Agência CNTS)
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UOL Notícias, 17 de
outubro de 2008
Desigualdade de renda aumentou no mundo
e pode piorar com a crise, diz relatório
Em São Paulo
Apesar do emprego em todo o mundo
ter crescido 30% entre 1990 e 2007, a desigualdade de renda aumentou
e pode piorar com a atual crise financeira. A informação é de
relatório da OIT (Organização Internacional do Trabalho),
sediada em Genebra, na Suíça.
Dois terços dos 85 países
estudados tiveram aumento na desigualdade entre 1990 e 2000, segundo
o relatório. Até 2005, o período viu uma disparidade
de 70% entre os rendimentos de 10% dos assalariados mais ricos e os 10%
mais pobres.
Para a OIT, o dado representa
um aumento na distância entre os altos executivos e o empregado
médio. Em 2007, por exemplo, os diretores executivos das 15 maiores
empresas americanas receberam salários 520 vezes maiores do que
o do trabalhador médio. Em 2003, eles eram 360 vezes maior.
Os salários também
diminuiram sua participação no total da renda da população
em 51 dos 73 países que foram avaliados neste critério.
A América Latina e o Caribe tiveram a maior queda porcentual,
de 13%. A região foi seguida pela Ásia e Pacífico,
com recuo de 10%, e das chamadas Economias Avançadas, com 9%.
A entidade afirma ainda que os
trabalhadores foram menos beneficiados pelo ciclo de crescimento econômico
das últimas duas décadas do que em períodos de expansão
anteriores. Assim, a atual desaceleração da economia mundial
deverá afetar "de maneira desproporcional os grupos de baixa
renda" e intensificar as desigualdades.
Sálarios
x Produtividade
China teve os maiores aumentos
porcentuais tanto nos salários quanto na produtividade entre 1990
e 2004, seguida da África do Sul. No Brasil, a produtividade evoluiu
mais que os salários, que chegaram a sofrer uma queda de mais
de 2% entre 1995 e 2004.
Desigualdade
Menos de um terço dos
países conseguiu diminuir a desigualdade de renda. Entre eles,
o Brasil e o México.
Dispersão
Os maiores índices
de dispersão salarial foram vistos no Brasil, na Índia,
na China e nos Estados Unidos. Os menores, na Bélgica e nos
países nórdicos.
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Agência Diap, 17 de
outubro de 2008
CRESCIMENTO ECONÔMICO
Mantega mantém previsão
de alta de 4% a 4,5% para o PIB em 2009
O Brasil crescerá entre
4 e 4,5% em 2009 apesar da crise financeira global, disse nesta quinta-feira
(16), o ministro da Fazenda, Guido Mantega. A economia brasileira cresceu
vigorosamente nos últimos anos, mas os mercados financeiros do
País sofreram um duro golpe desde que a crise se agravou após
o colapso do Lehman Brothers, nos EUA, em setembro.
"Eu ainda acredito que nós
podemos manter um crescimento entre 4 e 4,5% no ano que vem", disse
Mantega a jornalistas. Em setembro, ele havia previsto uma expansão
de 5% para o PIB neste ano e de 4%, em 2009.
O Banco Central já adotou
uma série de medidas nas últimas semanas destinadas a dar
liquidez aos mercados, questão que Mantega havia classificado
como fundamental ao longo do dia de ontem.
Antes
da crise
Nas primeiras duas semanas de setembro, portanto, antes da crise financeira,
o ministro da Fazenda afirmara que o resultado do Produto Interno Bruto (PIB)
no segundo trimestre de 2008 indicava que a economia brasileira devia fechar
este ano com um crescimento entre 5% e 5,5%.
A previsão inicial do
Governo era em torno de 5%. "O resultado do PIB no segundo trimestre
está um pouco mais forte, talvez tenhamos um crescimento em 2008
parecido com o do ano passado, que foi de 5,4%", disse à época.
(Com agências)
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Vermelho, 17 de outubro de
2008
Brasil, Índia e África
do Sul dizem "não" ao ônus da crise
Brasil, Índia e África
do Sul acusaram os países ricos de ter provocado uma crise mundial
que afetará seu crescimento e rechaçaram a idéia
de que serão os países do pobres do planeta quem pagará essa
conta. As três nações desconfiaram dos planos de
resgate da banca dos EUA e Europa e denunciaram a "irresponsabilidade" dos
especuladores que transformaram o mundo em um gigantesco cassino, enquanto
nos davam lições de como governar nossos países".
Os governos dos oito países
mais ricos do planeta, o G8, decidiram convocar uma reunião de
emergência, em "um futuro próximo", para abordar
a grave crise em que vivem os mercados financeiros.
A Casa Branca foi encarregada
de anunciar que os líderes do Canadá, da França,
da Alemanha, Itália, Japão, Rússia, Grã-Bretanha
e Estados Unidos, junto ao presidente da Comissão Européia,
José Manuel Barroso, querem "resolver junto a crise e restaurar
a confiança nos sistemas financeiros". Enquanto os ricos
se põem de acordo, a maior parte do planeta segue à margem
das cúpulas para abordar uma crise que também lhe afeta.
Índia, Brasil e África
do Sul chamaram a atenção dos países ricos por haver
provocado a crise mundial que ameaça seu crescimento como economias
emergentes e pediram uma "nova iniciativa internacional para acometer
reformar estruturais" no sistema financeiro mundial, com a inclusão
dos países em desenvolvimento na tomada de decisões. Em
um comunicado conjunto, as delegações do três países,
reunidas em Nova Déli, as três potências emergentes
se constituíram em acusados do capitalismo financeiro.
"Em caso de recessão
na Europa e nos Estados Unidos, os países do Sul se verão
afetados porque somos os vendedores e eles os compradores", advertiu
o presidente Lula, que pediu para que os países emergentes mantenham
entre si um maior fluxo comercial, para fazer com que seus mercados internos
cresçam.
O chefe de governo indiano, Manmohan
Singh, expressou seu desejo de estabelecer uma estratégia coordenada
entre esses países. Ele destacou a importância de assegurar
a segurança alimentar dessas nações e opinou que
a crise financeira pode lhes ajudar a explorar seus mercados.
O presidente da África
do Sul, Kgalema Motlanthe, também criticou as "decisões
de uma minoria que colocou o sistema financeiro internacional à beira
de afundar".
Na declaração final
da reunião, os três países sugeriram que a crise
financeira "não deve ser superada com medidas paliativas.
A reforma deve ser levada a cabo para incorporar sistemas mais fortes
de consulta multinacional e vigilância. A ética também
deve ser aplicada à economia".
Marginalizada até agora
no processo de globalização, a África poderia aproveitar
como uma oportunidade a crise financeira, ao dirigir menos seus investimentos
aos mercados dos EUA, da Europa e Ásia, reduzindo as fugas de
capitais e aumentados os investimentos locais.
Por outro lado, há também
muitos países que dependem da ajuda dos países ricos, que
será reduzida. Esse fato, inclusive, pode fomentar a "marcha
até o Leste" da África, impulsionando o comércio
com os gigantes asiáticos. O FMI crê que a África
subsaariana será afetada pela crise financeira, mas que conservará um
crescimento de 6,2% em 2009, após os 5,8% que deve crescer em
2008.
Fonte: Gara.net
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Folha
de S.Paulo, 17 de outubro de 2008
Klabin perde R$ 253 mi e setor reduz produção
Alta do dólar derruba resultado da empresa
no 3º tri; Suzano interrompe produção | Votorantim
deve detalhar hoje, em reunião com analistas, revisão de
um projeto no Rio Grande do Sul orçado em R$ 1,5 bilhão
AGNALDO BRITO
DA REPORTAGEM LOCAL
Depois do anúncio de
uma malsucedida operação financeira que gerou prejuízo
bilionário para a Aracruz, a indústria papeleira mantém
a safra de más notícias.
A Klabin anunciou ontem prejuízo líquido de R$ 253,14 milhões
no terceiro trimestre, ante lucro de R$ 177,52 milhões no mesmo período
de 2007. No segundo trimestre, o lucro havia sido de R$ 175 milhões.
Segundo comunicado à CVM, houve piora no desempenho operacional e financeiro,
sendo que a alta do dólar afetou o endividamento da empresa. A valorização
do dólar também pesou nos custos, levando a perdas de R$ 381
milhões. O endividamento bruto da Klabin no final de setembro era de
R$ 4,9 bilhões -no comunicado, a empresa diz que tem 50% da sua dívida
atrelada ao dólar.
A Suzano informou ao mercado, no final da noite de quarta-feira, que terá de
interromper a produção de uma linha da unidade de Mucuri (BA).
Deixarão de ser produzidas 30 mil toneladas de celulose. Motivo: o mercado
asiático está parando, principalmente a China.
Na semana passada, durante o auge da crise financeira, a Votorantim Celulose
e Papel -depois de informar que estava adiando o fechamento da operação
com o grupo Safra para reestruturação societária da Aracruz-
confirmou que vai redefinir o cronograma do projeto Losango, no Rio Grande
do Sul, estimado em R$ 1,5 bilhão.
A companhia deve dar mais detalhes hoje, em conferência com analistas,
sobre os impactos da crise na operação industrial e nos projetos
futuros.
A Klabin, maior fabricante de papel para embalagem do país, também
informou ontem, durante a apresentação do balanço financeiro
do terceiro trimestre, que tomou a decisão de cortar R$ 200 milhões
em investimentos já aprovados pelo conselho, de um total de R$ 800 milhões
previstos para este ano. A razão? O "tsunami" financeiro.
A companhia também informou que estão paralisados todos os investimentos
programados para 2009.
" Vamos garantir os investimentos para a operação e para a
manutenção do patrimônio. De resto, a Klabin vai sentar no
caixa e vai jogar a chave fora", disse o diretor-geral, Reinoldo Poernbacher.
A papeleira anunciou ontem que dispõe de R$ 2,3 bilhões em caixa,
mas decidiu que vai guardá-los para períodos eventualmente mais
críticos que o atual. Parte dessas "reservas" será usada
pela Klabin para o autofinanciamento das exportações.
A companhia afirmou que deixou os financiamentos de exportação
ofertados no mercado. "Os prazos e os juros estão incompatíveis.
Vamos, por enquanto, usar esses recursos que temos para financiar nossas exportações
neste período de crédito mais escasso", afirmou Sérgio
Alfano, diretor financeiro e de relações com investidores. O
crédito com prazos de 90 dias é incompatível em relação às
operações de dez anos disponíveis antes da crise. Além
disso, a taxa de juros de 1% além da taxa interbancária internacional
(a Libor) agora está em 5% a 6% ao ano.
Para Poernbacher, há uma tendência de redução da
demanda mundial e conseqüente recuo do preço internacional da celulose.
A Klabin acha que linhas de papéis exportados pela empresa podem ser
menos atingidas.
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O ESTADO DO PARAJNÁ,
17 de outubro de 2008 | Economia
Produção industrial
dos EUA tem maior queda desde 1974
Agência Estado
A produção industrial dos Estados Unidos caiu 2,8% em setembro,
a queda mais acentuada em 34 anos, em conseqüência dos dois furacões
que atingiram a costa americana no mês passado e de problemas trabalhistas.
Economistas esperavam queda de 0,8%. A retração registrada em
setembro é a maior desde a queda de 3,5% apurada em dezembro de 1974,
segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (16) pelo Federal
Reserve (Fed, o banco central dos EUA). Nos últimos 12 meses até setembro,
a produção industrial dos EUA caiu 4,5%.
" O furacão Gustav
e o furacão Ike e a greve em uma grande companhia de aviação
reduziram severamente a produção", disse o Fed. Os
funcionários da Boeing entraram em greve no mês passado.
Em agosto, a produção
da indústria foi revisada para queda de 1%, de retração
de 1,1% calculada anteriormente.
A utilização
da capacidade instalada cedeu para 76,4% em setembro, de 78,7% em agosto
- dado não revisado. A média entre 1972 a 2007 é 81%.
A previsão para a capacidade instalada era de 78%. As informações
são da Dow Jones.
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Congresso em Foco, 17 de outubro de 2008
Supersimples no Supremo
Relator rejeita ação que
contesta isenção da contribuição
patronal para micro e pequenas empresas. Mas julgamento só deve
ser concluído em 2009
Erich Decat
A polêmica criada em torno da isenção do pagamento da contribuição
patronal por parte das micro e pequenas empresas deve permanecer até o
início do próximo ano. Alvo de uma ação direta
de inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF), a Lei Complementar
123/06, que criou o chamado Supersimples, livrou as empresas de menor faturamento
da obrigatoriedade de repassar uma contribuição anual às
entidades sindicais patronais.
A iniciativa do governo Lula deflagrou uma intensa disputa no Judiciário.
De um lado, a Confederação Nacional do Comércio (CNC),
autora da ADI, e representante de mais de 700 sindicatos ligados ao setor de
comércio, turismo, bens e serviços, não abre mão
da taxa. Entre as alegações da entidade está a possibilidade
de perda de autonomia e liberdade dos sindicatos. Do outro, o próprio
governo, por meio do advogado-geral da União, José Antônio
Dias Toffoli, e o procurador-geral da República, Antonio Fernando de
Souza, defendem a manutenção da isenção para as
micro e pequenas empresas.
Em meio ao cabo-de-guerra, o ministro Marco Aurélio Mello pediu anteontem
(15) vista do processo (maior tempo para análise), após o relator
do caso, ministro Joaquim Barbosa, considerá-la “totalmente improcedente”.
Diante do acúmulo de processos na mesa de Marco Aurélio, assessores
do ministro adiantaram ao Congresso em Foco que a ação só deve
voltar à pauta no início de 2009.
O ministro, no entanto, tem um histórico de decisão favorável
ao fim da isenção, ou seja, à retomada da cobrança.
Em 2007, Marco Aurélio votou a favor de outra ADI impetrada contra a
Lei 9317/96, que previa o mesmo benefício às pequenas empresas.
A ação perdeu objeto após a edição da atual
Lei Complementar 123/2006, que instituiu o Simples Nacional.
Em vigor desde o segundo semestre do ano passado, o Supersimples unificou a
cobrança de seis tributos federais (IR, IPI, CSLL, PIS, Cofins e contribuição
previdenciária), um estadual (ICMS) e outro municipal (ISS), com o objetivo
de desburocratizar a tributação, reduzir a carga tributária
e aumentar a formalidade das micro e pequenas empresas.
Antes da nova regra, as empresas enquadradas nessas categorias eram obrigadas
a destinar o equivalente a 2,5% de sua folha de pagamento ao chamado Sistema
S, composto pelo Sesc e Senac (ligadas ao comércio), Sesi e Senai (indústria),
Sest e Senat (transporte), Senar (agricultura), Sebrae (micro e pequenas empresas)
e Sescoop (cooperativas). Estimativas feitas antes da aprovação
da lei, ainda em 2006, previam a perda de R$ 600 milhões anuais de receita
apenas para o Sesc, o Senac, o Sesi, Senai e o Sebrae.
A contribuição patronal está prevista na Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT). Segundo a CLT, a taxa deve ser paga por todos aqueles
que participarem de uma determinada categoria econômica ou profissional,
ou de uma profissão liberal, em favor do sindicato representativo da
mesma categoria ou profissão.
O valor da contribuição varia de acordo com o capital social
de cada empresa. O mínimo estabelecido hoje é de R$ 68,13 e o
máximo, de R$ 32.068,27. O repasse, feito sempre em janeiro, é anual.
Grandes x pequenos
“Existe uma interferência do Estado porque ele retira da força
sindical o que estava assegurado na Constituição. Com a isenção
está se enxugando a fonte de financiamento dessas entidades que é a
base de atuação”, ressalta Dorival Pimentel, chefe da divisão
sindical da CNC. Segundo ele, mais de 100 entidades deverão ter os cofres
impactados.
“Sendo que em alguns casos algumas delas perderão cerca de 80% das
receitas”, avaliou Pimentel, sem precisar qual seria o impacto da isenção
das micro e pequenas empresas para o Sistema S.
O presidente da Confederação Nacional das Microempresas e Empresas
de Pequeno Porte (Comicro), José Tarcísio da Silva, rebate o
argumento de Pimentel.
“A CNC representa uma grande parcela do comércio, já recebe
muito recurso por meio do Senai e do Senac. Além disso, também
recebe a contribuição das empresas que não fazem parte do
Simples”, reagiu Silva.
“Todo o nosso trabalho é direcionado para a redução
dos custos e manutenção das micro e pequenas empresas. Nós
não somos contra a contribuição, mas ela deve ser espontânea. É descabido
que a contribuição seja obrigatória, porque muitas vezes
não traz retorno para quem contribui. Mas o empresário é livre
para contribuir. Não vejo problema que ele pague para o sindicato que
ele acredite que preste serviço à categoria”, acrescentou.
Para o tributarista da Universidade de Brasília (UnB), Roberto Piscitelli,
a ação da CNC contraria o histórico de reivindicações
da entidade.
“Acho até surpreendente porque essas entidades lutaram para reduzir
os encargos na Constituinte. Elas também sempre pedem para reduzir impostos,
os juros, mas não querem abrir mão desses recursos que, de certa
forma, sustentam essas estruturas e, muitas vezes, são usadas em benefício
próprio ou até para se promoverem”, disse Piscitelli.
Lei específica
Na ação impetrada no STF, a Confederação Nacional
do Comércio também alega que a isenção só poderia
ter sido concedida por meio de uma lei específica. Já o procurador-geral
da República, Antonio Fernando de Souza, rebate a argumentação
da entidade em documento encaminhado à Suprema Corte.
“Ao dispor sobre o estatuto das pequenas empresas e empresas de pequeno
porte, a lei complementar disciplinaria o tratamento diferenciado a ser conferido às
empresas optantes pelo Simples Nacional, inclusive no tocante ao tema das isenções”,
diz trecho da defesa.
“Nossa expectativa é que os ministros tenham sensibilidade a partir
dos argumentos postos e reconheça a inconstitucionalidade”, defendeu
Pimentel.
De acordo com as regras atuais são consideradas microempresas os estabelecimentos
que tiverem uma receita anual de no máximo R$ 240 mil. Já as
empresas de pequeno porte são aquelas com receita anual superior a R$
240 mil e igual ou inferior a R$ 2,4 milhões. Atualmente, existem cerca
de cinco milhões de micro e pequenas empresas. Dessas, 3 milhões
estão enquadradas no Simples, segundo estimativas da Comicro.
Embora desenvolva um intenso trabalho de assistência social, o sistema
S também já foi alvo de diversas críticas do Tribunal
de Contas da União (TCU) por falta de transparência na aplicação
de seus recursos. Em casos já analisados pelo TCU, foram constatadas
irregularidades como ausência de licitação para execução
de obras, contratação de pessoal sem concurso público
e concessão irregular de bolsas de estudo, por exemplo.
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Vermelho, 17 de outubro de
2008
PT intensifica articulações
para presidir Senado
As articulações
para a sucessão nas presidências das duas Casas no Congresso
estão movimentadas nos bastidores políticos. Depois do
lançamento pelo PMDB do nome de Michel Temer (SP) para suceder
Arlindo Chinaglia (PT-SP) na Câmara em 2009 e 2010, os petistas
resolveram partir para ofensiva no Senado e decidiram que após
o segundo turno farão um jantar na residência do senador
Eduardo Suplicy (SP) para lançar o nome de Tião Viana (AC)
para presidir o Senado na sucessão de Garibaldi Alves (PMDB-RN).
O movimento do PT no Senado
vai na direção do cumprimento do acordo com o PMDB que
culminou na eleição de Chinaglia. Em troca do apoio ao
petista na época, os peemedebista tiveram como promessa o amparo
para presidir a Câmara. O atual presidente da Casa já confirmou
que a sigla fechará com Temer.
Em contrapartida, o PMDB, que tem a maior bancada no Senado, terá que
apoiar o candidato do PT, no caso Tião Viana. Ocorre que naquela Casa
o grupo peemedebista liderado por Renan Calheiros (AL) e José Sarney
(AP) não estariam disposto a dar o aval ao acordo.
Renan estaria ressentido pelo fato de Viana, que presidiu o Senado após
o seu afastamento, não ter agido para livrá-lo do processo de
cassação movido em decorrência da acusação
do uso de recursos da empreiteira Mendes Júnior para pagar pensão à jornalista
Mônica Veloso, com quem o senador alagoano admitiu ter um filha fora
do casamento.
O senador acreano diz com freqüência que cumpriu o regimento da
Casa e em nenhum momento agiu para prejudicar Calheiros, que para se livrar
da cassação renunciou à presidência do Senado.
Em entrevista ao Vermelho, Michel Temer evitou comentar o caso. “Prefiro
não responder essas questões porque na realidade nós temos
muito pela frente ainda. É difícil prevê o que vai acontecer
nos próximos três meses”, disse o candidato.
Com relação ao acordo, Temer acredita que o seu partido dará o
apoio a Tião Viana. “Tudo indica que sim. Nós estamos no
começo dessa caminhada e temos muito pela frente, mas tudo está acertado
nessa direção.”
Sobre a movimentação do PMDB em torno da candidatura do ministro
Edison Lobão (Minas e Energia) à Presidência do Senado,
Temer foi taxativo: “Não há essa especulação.
O ministro está fazendo um excelente trabalho de modo que a idéia é que
continue no ministério.”
De olho nessas movimentações, os partidos de oposição
no Senado já anunciaram que a tendência é dar o apoio ao
candidato da maior bancada. Caso contrário, haverá lançamento
de outra candidatura. Os principais caciques do DEM e PSDB falam que a candidatura
petista seria uma desmoralização aos demais partidos. O PT é a
quarta bancada em número de senadores.
Líder aposta no cumprimento do acordo
Por meio de sua assessoria de imprensa, a líder do PT no Senado, Ideli
Salvatti (SC), disse que o partido iniciou as conversas no bloco de apoio ao
governo para consolidar a candidatura de Tião Viana, que será lançada
no jantar pós segundo turno na residência de Suplicy.
Segundo ela, as articulações estão em sintonia com o presidente
da sigla, Ricardo Berzoini (SP), o líder do partido na Câmara,
Maurício Rands (PE) e a bancada no Senado. “O processo se antecipou
com a decisão do PMDB na Câmara, pois pretendíamos concluir
o processo eleitoral nos municípios para então iniciar essas
articulações. Diante disso, vamos começar a conversar,
inicialmente dentro do bloco de apoio, para, então, ampliarmos essas
tratativas”, disse a senadora.
A senadora também aposta na consolidação do acordo. “Não
discutimos a importância do PMDB como a maior força partidária
no Senado, mas acredito que o PT na Câmara terá seu peso na eleição
de Temer e que irá, com certeza, prevalecer o acordo. Até porque
o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, já anunciou seu apoio; é o
PT cumprindo sua parte”, concluiu.
Os problemas de Temer
Além do problema no Senado e da disposição de Rita Camata
(PMDB-ES) em disputar a indicação do partido, Michel Temer acompanha
com olhar clínico as movimentações do deputado Ciro Nogueira
(PP-PI), outro que também que almeja o cargo de presidente da Câmara.
O deputado piauinse foi uma dos principais apoiadores de Aldo Rebelo (PCdoB-SP)
que perdeu a disputa em segundo turno para Chinaglia por 261 votos a 243.
Ciro Nogueira, que já anunciou que vai pedir apoio de Aldo, é visto
como o preferido dos deputados com pouco expressão na Casa, o chamado
baixo clero. Segundo ele, a sua candidatura tem recebido apoio de parlamentares
de diversos partidos.
O deputado também aposta na votação secreta e na divisão
interna do PMDB. “Nossa candidatura tem um perfil diferente. A minha
candidatura nasceu dentro da Câmara, conversando com os deputados. Se
o voto não fosse secreto, fosse aberto, minhas chances diminuiriam em
muito, porque teria o uso da máquina”, declarou Ciro a um sítio
de notícias do seu estado.
De Brasília,
Iram Alfaia
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Congresso em Foco, 17 de
outubro de 2008
Eleições 2010
Cautela e caldo de galinha...
Rudolfo Lago *
É inegável que
o cenário projetado a partir da eleição municipal
deixa hoje José Serra na condição de favorito para
2010. Mas daí a já colocá-lo sentado atrás
da mesa do principal gabinete do terceiro andar do Palácio do
Planalto vai uma distância imensa.
Já há apressados
no mundo da análise política colocando o governador de
São Paulo, José Serra, sentado em 2010 na cadeira que
fica atrás da mesa do gabinete principal do Palácio do
Planalto. A esses apressados, recomenda-se um pouco de calma. Vale
lembrar que, no final do ano passado, na convenção nacional
do PSDB que elegeu o senador Sérgio Guerra o presidente do partido,
o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, deu um banho em Serra.
Na ocasião, entrou com claque no meio do discurso de Serra,
interrompendo-o. Depois, a mesma claque interrompeu o discurso do ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso. Depois que Aécio rasgou a fantasia
e explicitou seus planos naquela convenção, por muitas
vezes imaginou-se que era ele quem começava a ficar por cima
da carne seca.
Se não bastar, lembro também que, no início da campanha
em São Paulo, muita gente apostava que Gilberto Kassab, que tinha então
uns 10% de intenção de voto nas pesquisas, não iria até o
fim. Mesmo mais perto do final, apostava-se ainda que a disputa entre Kassab
e Alckmin seria apertadíssima, o que geraria um tremendo racha no PSDB
de São Paulo, com conseqüências irreversíveis, sendo
que a maior delas seria uma provável vitória de Marta Suplicy.
Enquanto isso, em Belo Horizonte, o candidato de Aécio e do prefeito
petista Fernando Pimentel, Márcio Lacerda, depois de uma patinada no
início, disparava na frente. Fácil seria naquele momento apostar
no fim da aliança oposicionista entre o PSDB e o DEM e no início
da tese de Aécio do pós-Lula, a partir de um entendimento tucano-petista.
Agora, o DEM agarra-se a Kassab como bóia de salvação
para sacramentar a continuação da aliança oposicionista
com o PSDB, Serra surfa com a vitória da sua tese, e Aécio amarga
as conseqüências da sua aposta furada em Márcio Lacerda.
Até quando? Até a próxima mexida das nuvens. Era o ex-governador
mineiro Magalhães Pinto que dizia: “Política é igual
nuvem; você olha, está de um jeito, olha de novo já está de
um jeito diferente”. É claro que as eleições municipais
deste ano projetam para 2010 um cenário favorável a José Serra.
Ele é hoje líder nas pesquisas. Sua tese venceu no principal
colégio eleitoral do país. No cenário político
brasileiro, apesar de toda a popularidade de Lula, o PT continua com os mesmos
problemas no Sul e no Sudeste que puderam levar o picolé de chuchu Geraldo
Alckmin ao segundo turno em 2006. Na próxima disputa presidencial, o
candidato da oposição tem bem maior consistência política
que Alckmin. E o governo aposta num nome nunca testado nas urnas, com fama
de durona e antipática, a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef. Como,
porém, a eleição presidencial não é amanhã...
Já se detecta um primeiro sinal de mexida de nuvem. Embora ela possa
reforçar ainda mais a posição de Serra, é só um
exemplo de como o quadro político nunca é estanque. A imensa
força com a qual o PMDB saiu dessas urnas municipais coloca o PT completamente à mercê do
velho partido dos caciques regionais. E o PT está apavorado com isso.
Não apenas porque sabe que os peemedebistas, como sempre fazem, vão
cobrar cara a fatura. Mas porque temem que o PMDB, como também gosta
de fazer, volte a praticar seu esporte preferido de navegar com um pé em
cada canoa. Em São Paulo, o PMDB optou pela candidatura de Kassab. Pode
vir a fechar um acordo em 2010 com a chapa oposicionista para reservar uma
vaga de senador para Orestes Quércia. Se fizer assim, vai caminhar em
São Paulo no sentido oposto do propalado projeto nacional peemedebista
de se associar à candidatura presidencial do governo. Primeiro passo
para que, como aconteceu na eleição passada e em outras, o PMDB
não consiga estar oficialmente em chapa nenhuma. Para poder de alguma
forma estar em todas.
Se não tiver oficialmente o apoio peemedebista, o PT vai ter de procurar
outros parceiros oficiais. A situação pode ressuscitar atores
políticos que não se saíram tão bem nas eleições
municipais. Não custa lembrar que o deputado Ciro Gomes é o nome
da base governista que sempre aparece melhor nas pesquisas. Seu problema é que,
diante do PMDB, seu fraquinho PSB não tem a menor chance de reivindicar
nada... Mas, se o PMDB ficar de fora...
Ciro até pode vir a lembrar que é nome já testado e melhor
colocado nas pesquisas, diante da aposta incerta em Dilma. Ou o PSB pode vir
a compor dando um vice de menor visibilidade e maior confiabilidade, como o
governador de Pernambuco Eduardo Campos.
Aécio Neves também não estará morto. Deve ter outras
cartas na manga. Assim como Alckmin, que pode ir para o PSB e reforçar
o partido de Ciro num estado em que ele não é forte. Em dois
anos, ainda vai ventar um bocado para mexer com as nuvens no céu.
*Jornalista há 22 anos, Rudolfo Lago, Prêmio Esso de Reportagem
em 2000, foi repórter político de algumas das principais redações
de Brasília. Hoje, é editor especial da revista IstoÉ.
Também mantém o blog http://www.rudolfolago.blogspot.com/.
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Folha de S.Paulo, 17 de outubro de 2008
Trabalhador vai sofrer por ajuda
a bancos, diz OIT
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Com previsões sombrias, um relatório da OIT (Organização
Internacional do Trabalho) divulgado ontem afirma que a crise intensificará as
desigualdades na distribuição de renda e deve causar perda de
empregos.
O relatório avalia que os trabalhadores terão de arcar com o
preço das medidas dos governos dos países para resgatar o sistema
financeiro.
Segundo a OIT, benefícios produzidos antes da crise não eram
distribuídos. Em 51 dos 73 países avaliados, caiu a participação
dos salários nos rendimentos da economia em duas décadas.
" O Brasil está no um terço dos países que reduziram
a desigualdade. O relatório alerta para que governos não se preocupem
só em salvar os bancos. É preciso garantir proteção
aos trabalhadores", disse a representante da OIT no Brasil, Laís
Abramo.
(JULIANNA SOFIA)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
17/10/2008
SDI-1 rejeita adicional de horas extras
em jornada de 12X36
A Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho
acolheu embargos da Maternidade Curitiba Ltda. e isentou-a do pagamento
do adicional de horas extraordinárias referentes à 11ª e à 12ª horas
de auxiliar de enfermagem que trabalhava no regime de 12 horas de trabalho
por 36 horas de descanso. A decisão levou em conta a existência
de acordo de compensação de jornada para a adoção
do regime 12 X 36, com a participação do sindicato da categoria.
O pagamento do adicional de hora
extra sobre as duas últimas horas da jornada, inicialmente negado
pela Justiça do Trabalho da 9ª Região, foi concedido
pela Segunda Turma do TST, ao julgar recurso de revista da auxiliar de
enfermagem. Na ocasião, a Turma considerou que a Constituição
Federal garante a duração da jornada normal do trabalho
não superior a oito horas diárias, e a CLT permite a compensação
de horários desde que não se ultrapasse o limite de dez
horas diárias.
Ao interpor embargos contra a
condenação, a Maternidade Curitiba argumentou que a jornada
de 12 X 36 horas “é amplamente favorável” ao
empregado. Além disso, foi implantada por meio de acordo coletivo,
cuja validade é garantida pela Constituição Federal.
O relator dos embargos, ministro Aloysio Corrêa da Veiga, acolheu
a argumentação e observou que a limitação
da jornada em dez horas diárias (artigo 59, parágrafo 2º da
CLT) é anterior à atual Constituição, “que
deu novos contornos para o acordo de compensação de horários,
sem a restrição imposta pela CLT”. Para o relator,
esse tipo de flexibilização tem respaldo no tratamento
especial dispensado pela Constituição à organização
sindical, “em que as entidades conquistaram autonomia e independência,
mas, em contrapartida, ganharam maiores responsabilidades perante a categoria
que representam.”
Aloysio Veiga afirmou que
a validade das negociações só é limitada
para resguardar a dignidade da pessoa humana, os valores sociais e
a segurança dos trabalhadores. “O fato é que a
escala 12 X 36 é extremamente benéfica ao trabalhador,
especialmente em determinadas atividades, como a dos vigilantes”,
explicou. “Nesse regime, a jornada excedente de 12 horas é compensada
com um período maior de descanso e, principalmente, com a redução
das horas trabalhadas ao final de cada mês.” Enquanto o
trabalhador que cumpre 44 horas semanais trabalha 220 horas por mês,
o do regime de 12 X 36 trabalha, no máximo, 192 horas. “Assim,
deve ser declarada a validade do acordo, baseado na livre negociação
havida entre as partes. Entendimento diverso não traz benefício
aos trabalhadores, pois interfere negativamente em atividades que por
anos a fio adotam o regime de trabalho ora examinado, com o aval da
própria Constituição”, concluiu. ( E-RR-804453/2001.0)
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17/10/2008
Danos morais: Itabuna Têxtil é condenada
por efetuar revista íntima
A Primeira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho rejeitou recurso da Itabuna Têxtil S/A contra
condenação imposta pela Justiça do Trabalho da 5ª Região
(BA) ao pagamento de indenização por danos morais a uma
empregada submetida ao transtorno das revistas íntimas. A prática é proibida
pelo artigo 373-A, inciso VI, da CLT.
Contratada como função
de auxiliar de produção em maio de 2004, a empregada alegou,
na inicial da reclamação trabalhista, que as revistas íntimas
eram de praxe na Itabuna, todas as vezes que eles deixavam suas dependências.
As trabalhadoras eram diariamente obrigadas a baixar as calças
e suspender a blusa, sob os olhares de terceiros. De segunda a sexta-feira,
a revista era aleatória; aos sábados, todas as empregadas
eram submetidas ao constrangimento. A empregada requereu indenização
por danos morais no valor de 1.500 salários, e obteve. O pedido
foi julgado procedente, mas o valor fixado pela 4ª Vara do Trabalho
de Itabuna foi de R$ 5 mil. A empresa interpôs recurso ao TRT/BA,
mas este manteve a condenação.
No TST, a Itabuna buscou mais
uma vez a reforma da decisão regional, alegando não terem
sido configurados, para o deferimento da indenização, os
elementos da ação ilícita, do dano e do nexo de
causalidade entre eles. Porém, o relator, ministro Vieira de Mello
Filho, ressaltou que a decisão do TRT/BA, com base nas provas
colhidas, foi taxativa ao registrar que o art. 373-A, inciso VI, da CLT
proíbe a revista íntima da empregada, e a empresa não
conseguiu demonstrar a divergência jurisprudencial, condição
necessária para o acolhimento do recurso. ( RR-1124/2006-464-05-00.7)
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