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Agência Seando, 18
de outubro de 2008
Proposta permite a ex-detento
sacar recursos de sua conta junto ao PIS/Pasep
Está na Comissão de Constituição, Justiça
e Cidadania (CCJ) projeto de lei do senador Sergio Zambiasi (PTB-RS)
que permite ao participante do Fundo de Participação do
Programa de Integração Social (PIS) e do Programa de Formação
do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) que tiver cumprido
pena de reclusão sacar o saldo de sua conta individual, desde
que este seja efetuado nos primeiros 180 dias posteriores ao fim da pena.
Em seu projeto (PLS 360/08), Zambiasi lembra que o ex-detento
não participa da relação daqueles
que podem realizar o saque de quotas, atualmente permitido
nos casos de aposentadoria, transferência de militar
para a reserva remunerada ou reforma, invalidez, Aids,
câncer, beneficio assistencial a idoso ou deficiente,
idade igual ou superior a 70 anos e morte do trabalhador.
"Tal impedimento é sobremaneira prejudicial à ressocialização
dos trabalhadores que cumprem pena de reclusão.
Afinal, são notórias as imensas dificuldades
enfrentadas por esses cidadãos ao deixarem o cárcere.
Dificuldades estas que muitas vezes os conduzem a uma vida
marginal, com conseqüências prejudiciais para
toda a sociedade", completa o parlamentar.
Segundo o autor do projeto, não há justificativa
para que o participante do Fundo PIS/Pasep, encontrando-se
na situação de ex-detento, em especial quando é mais
velho, de baixa renda e sem fonte financeira, não
possa utilizar os recursos que lhe pertencem. Zambiasi
acredita que sua proposta irá corrigir "essa
injustiça".
"Destaque-se que a restrição temporal
parte do pressuposto de que os primeiros meses após
o cumprimento da pena sejam, para o ex-detento, o período
em que ele mais necessita de apoio financeiro para retomar
sua vida produtiva", conclui.
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Agência Diap, 18
de outubro de 2008
DIÁRIO OFICIAL
Resumo das principais
decisões dos três poderes da República
Novas normas determinam tempo máximo de atendimento
e horário de funcionamento dos Serviços de
Atendimento ao Consumidor (SAC)
Entre as principais decisões publicadas no Diário
Oficial da União (DOU) desta semana, destacamos
a Portaria 2.014, de 13/10, do Ministério da Justiça,
que estabelece o tempo máximo para o contato direto
com o atendente e o horário de funcionamento no
Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC).
Outra publicação importante foi a Orientação
Normativa nº 4, de 9 de julho de 2008, do Ministério
do Planejamento, que estabelece os procedimentos para retorno
dos anistiados ao serviço público.
Leia o resumo do DOU de 13 a 17/10/08: Seção
I e Seção
II
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Congresso em Foco, 18 de
outubro de 2008
O futuro é hoje
Mais do que apontar tendências
para 2010, eleições municipais definirão
como nossas cidades vão responder aos desafios contemporâneos
Marcos Magalhães*
Muita gente gosta de ver nas eleições – especialmente
as municipais – as pistas para futuras eleições.
Que partidos se posicionam melhor para montar novas alianças,
que candidatos saem fortalecidos (para as próximas
eleições) de urnas que acabam de ser abertas.
Que políticos tiveram os sonhos adiados e quais
novos eleitos têm pela frente um grande futuro. Faz
parte do jogo político. Nada vai substituir, pelo
menos não tão cedo, essa emoção
de torcedor, de ativista, simpatizante ou militante. E é bom
que seja assim.
Mas as eleições municipais são mais
do que sinais do futuro. Elas são o retrato de um
presente político em cada cidade do país.
O resultado de uma espécie diferente de luta política,
uma luta muitas vezes menosprezada pelo que conteria de
local, provinciana. Daí porque as grandes análises
políticas entre os dois turnos das eleições
deste ano quase sempre resvalam para os reflexos de 2008
em 2010.
É verdade, uma vitória de Gilberto Kassab
em São Paulo pode ajudar a candidatura do governador
paulista José Serra (PSDB) à Presidência
da República. Assim como a ausência de uma
vitória acachapante em Belo Horizonte, no primeiro
turno, pode ter adiado o plano de vôo do governador
de Minas Gerais, Aécio Neves, em direção
a Brasília. Também se pode dizer que o PT
fez de tudo, em 2008, para garantir o PMDB em sua chapa
nas eleições presidenciais de 2010.
Mas, e as cidades? Aqui neste modesto presente, ainda
longe das ambições presidenciais, aqui onde
se escolheram os prefeitos de pequenos municípios
e de grandes metrópoles, aqui estiveram ou estão
em jogo as condições de vida de milhões
de brasileiros. Esses prefeitos que estão saindo
das urnas vão cuidar de temas nada triviais, como
a educação de nossos filhos, a saúde
de nossos velhos, o transporte do dia-a-dia de nossos trabalhadores.
É nas cidades que começa a se desenhar o
que vai ser o mundo neste novo século. As maiores
metrópoles do mundo, ao longo das próximas
décadas, estarão quase todas em países
chamados emergentes, ou de Terceiro Mundo, se preferirem.
Cidades de países como China, Índia, México
e Brasil, que ainda têm pela frente um longo caminho
de desenvolvimento social, precisam encontrar alternativas.
As condições de vida em cada uma delas dependem,
naturalmente, da realidade global e das escolhas nacionais
dos países onde se encontram. Mas dependem também – e
não em pequena escala – das opções
de seus próprios governantes.
O futuro de nossas duas grandes metrópoles, por
exemplo, está em jogo nesse segundo turno. São
Paulo, a maior delas, se posiciona como candidata a cidade
global, com todas as vantagens e os desafios que o título
representa. O seu sucesso nessa trajetória vai depender,
em grande escala, de como vai gerir a cidade, nos próximos
quatro anos, a pessoa que vier a se sentar na principal
cadeira da prefeitura. O que pensam disso Marta Suplicy
e Gilberto Kassab?
O Rio tem pela frente problemas mais graves. Tem que superar
de uma vez por todas o ciclo de decadência que se
abriu com a transferência da capital para Brasília.
Precisa voltar a ser o lugar acolhedor que sempre atraiu
gente de todo o mundo. Deve conter a violência e
a favelização, reduzir a ilegalidade no transporte,
recuperar o sistema de saúde pública e modernizar
a educação. Mas necessita sobretudo projetar
para si mesma um novo futuro, um novo lugar no Brasil e
no mundo. Eduardo Paes se apresenta como candidato a síndico.
Fernando Gabeira pretende fazer do Rio um grande centro
de produção de conhecimento. Os eleitores
dirão que futuro preferem para a cidade.
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Vermelho, 18 de outubro
de 2008
Lécio Morais:
'Esta é a crise terminal do neoliberalismo'
Analisando a crise mundial que derrubou mercados e forçou
uma estatização parcial do sistema financeiro
na Europa e nos EUA, o economista Lécio Morais,
assessor da Liderança do PCdoB, afirmou que esta é a “crise
terminal do neoliberalismo”. Morais participou de
um debate promovido pela Base dos comunistas no Congresso
nacional. O debate faz parte do processo do Encontro Regional
do PCdoB-DF.
Segundo Lécio “a crise sistêmica grave
que atravessamos é apenas o esperado”.
“ Desde o fim do padrão ouro na década de 1970 e livre das
amarras dos países, o capital especulativo criou uma bolha que depois
de estourada, está destruindo capital a afetando violentamente o sistema
produtivo, o capital que extrai mais valia. Pode-se entrar num círculo
vicioso e depressivo” destacou Morais.
Outro aspecto levantado pelo economista foi a reação
dos governos europeus à crise.
“ Neste momento, existe o dilema entre manter o capital como organizador
da sociedade, ou apostar no Estado como organizador, os governos europeus fizeram
sua opção em socorrer o capital de sua crise. Um fator importante é que
esta crise contestou o neoliberalismo na sua premissa básica, de que os
mercados são mais eficientes e capazes de estabilizar a economia e a sociedade”.
“
Esta é a crise terminal do neoliberalismo” completou.
Para Morais “os EUA e a Europa estatizaram parcialmente
seu sistema financeiro para evitar o colapso total do capitalismo,
e isso é apenas o começo”.
“ Não sabemos o que virá depois desta crise, mas certamente
será muito diferente do quadro econômico que temos hoje. O que não
quer dizer que sera melhor, com o aumento dos atritos entre estados, pode-se
aumentar a beligerância e os conflitos'' destacou.
Sobre o Brasil, Lécio Morais foi enfático, “sentiremos
os efeitos da crise através da queda nas exportações,
no corte de crédito internacional às exportações
brasileiras e na queda dos investimentos diretos. Pode
se prever que 2009 terá uma forte queda no crescimento
e nos investimentos, não há como escapar''.
De Brasília
Gustavo Alves
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Valor Econômico,
18 de outubro de 2008
Dani Rodrik: Quem matou
Wall Street?
Atualmente, não é preciso
fazer força para ser cético diante do mundo
financeiro. Mas recordemos quão persuasiva era,
há não muito tempo, a lógica das inovações
financeiras que nos levaram às nossas atuais dificuldades.
Por Dani Rodrik*
Quem não desejaria que os mercados de crédito
ajudassem as pessoas a terem suas casas próprias?
Assim, começamos a introduzir alguma competição
genuína no mercado de financiamento de crédito
imobiliário, permitindo que instituições
não-bancárias concedessem empréstimos
para compra de casas próprias e oferecessem financiamentos
criativos e mais baratos a interessados não bem
atendidos por financeiras convencionais.
Depois, permitimos que esses empréstimos fossem
reunidos e reempacotados na forma de títulos passíveis
de ser vendidos a investidores, reduzindo os riscos, mediante
essa operação. Dividimos o fluxo de pagamentos
desses empréstimos ainda mais em prestações
de risco variado, compensando os detentores dos tipos de
títulos mais arriscados com juros mais altos. Então
convidamos as firmas de classificação de
crédito para certificarem que esses títulos
lastreados em hipotecas imobiliárias menos arriscados
eram suficientemente seguros para que neles investissem
fundos de pensão e companhias seguradoras. Para
o caso de alguém ainda demonstrar preocupação,
criamos derivativos que permitem investidores adquirir
seguro contra inadimplência dos emissores desses
títulos.
Se o leitor quisesse demonstrar as vantagens das inovações
financeiras, não poderia apresentar esquemas melhores.
Graças a eles, milhões de famílias
mais pobres e até então excluídas
tornaram-se proprietárias de casas, investidores
obtiveram elevados retornos e intermediários financeiros
embolsaram as taxas e comissões. Tudo isso poderia
ter funcionado maravilhosamente - e até cerca de
um ano e meio antes muitos financistas, economistas e autoridades
econômico-financeiras acreditavam que sim.
Então, tudo desabou. A crise que tomou conta dos
mercados financeiros nos últimos meses enterrou
Wall Street e humilhou os EUA. Em comparação
com a operação de ajuda de quase US$ 1 trilhão
a instituições financeiras em dificuldades
que o Tesouro americano teve de montar, os derretimentos
de mercados emergentes - como a crise do peso mexicano
em 1994 ou a crise financeira asiática de 1997-1998
- parecem meras notas de rodapé.
Mas o que foi que deu errado? Se nossas medidas não
atacarem as verdadeiras causas subjacentes à crise,
nosso recém-descoberto fervor regulamentador poderá acabar
dizimando os tipos proveitosos de inovação
financeira, juntamente com os de tipo tóxico.
O problema é que não há escassez
de suspeitos. Terá sido o problema criado por financeiras
imobiliárias inescrupulosas que inventaram termos
creditícios - como juros "sedutores" e
penalidades por pré-pagamento - o que levou tomadores
de empréstimos desavisados a uma armadilha de endividamento?
Talvez, mas essas estratégias não fariam
sentido para os emprestadores, a menos que eles acreditassem
que os preços das casas continuariam a subir.
Então, quem sabe o culpado é a bolha no
mercado habitacional que se formou no fim da década
de 90 e a relutância do Fed de Alan Greenspan de
desinflá-la. Mesmo assim, a explosão na quantidade
de Collateralized Debt Obligations (CDOs) e títulos
similares foi muito além do que era necessário
para sustentar os empréstimos hipotecários.
Isso foi também verdade no que diz respeito aos "swaps
de risco de crédito" (Credit Default Swaps
- CDS), que se tornaram um instrumento de especulação
em vez de um seguro, e atingiram um espantoso volume de
US$ 62 trilhões.
Portanto, a crise poderia não ter atingido a escala
a que chegou sem que as instituições financeiras
de todos os tipos se alavancassem ao máximo na busca
de retornos mais altos. Mas o que estavam fazendo as firmas
de classificação de crédito? Tivessem
elas feito seu trabalho adequadamente e emitido em tempo
hábil advertências sobre os riscos, esses
mercados não teriam atraído tantos investidores
com terminaram fazendo. Não estará aqui o "x" da
questão?
Ou talvez os verdadeiros culpados estejam do outro lado
do mundo. Famílias asiáticas fortemente poupadoras
e bancos centrais entesourados de dólares produziram
excessiva poupança mundial que levou as taxas de
juros reais a território negativo, o que por sua
vez atiçou a bolha no mercado habitacional americano,
ao mesmo tempo em que levou os financistas a iniciativas
cada vez mais arriscadas com dinheiro emprestado. Autoridades
econômico-financeiras macroeconômicas poderiam
ter agido apropriadamente e a tempo para desfazer esses
grandes e insustentáveis desequilíbrios em
conta corrente. Nessa hipótese não teria
havido tanta liqüidez vagando por aí, à espreita
de um acidente.
Mas talvez o que efetivamente tenha nos colocado nessa
confusão tenha sido o mau papel desempenhado pelo
Tesouro dos EUA à medida que a crise foi evoluindo.
Por piores que estivessem as coisas, o que fez os mercados
de crédito surtar foi a recusa do secretário
do Tesouro, Henry Paulson, de ir em socorro ao Lehman Brothers.
Imediatamente após essa decisão, os recursos
de curto prazo - até mesmo para as empresas mais
bem capitalizadas - praticamente despencaram e o sistema
financeiro inteiro simplesmente tornou-se disfuncional.
Em vista do que estava prestes a ocorrer, poderia ter
sido melhor que Paulson tampasse seu nariz e fizesse com
o Lehman o que já fizera com o Bear Stearns e teria
de fazer poucos dias depois com a AIG: salvá-la
com dinheiro do contribuinte. Wall Street poderia ter sobrevivido
e os contribuintes americanos teriam sido poupados de pagar
faturas ainda maiores.
Talvez seja fútil buscar uma causa individual
sem a qual o sistema financeiro não teria explodido
em nossas caras. Um pensamento reconfortante - se o leitor
ainda quer acreditar em sanidade financeira - é que
esse foi um caso de "tempestade perfeita", uma
rara falha que exigiu que um grande número de estrelas
estivesse em alinhamento simultâneo.
O que, então, revelará a "autópsia" de
Wall Street? Que se tratou de um caso de suicídio?
Assassinato? Morte acidental? Ou foi uma rara instância
de falência generalizada de órgãos?
Provavelmente jamais saberemos. As regulamentações
e precauções que os legisladores porão
em vigência para coibir sua recorrência permanecerão,
portanto, necessariamente imprecisas e de eficácia
incerta.
É por isso que o leitor pode estar certo de que
teremos outra crise financeira importante em algum momento
futuro, depois que esta tenha desaparecido dos recessos
de nossa lembrança. O leitor pode apostar as economias
de sua vida nisso. Na realidade, o leitor provavelmente
fará isso.
* Dani Rodrik é professor de
economia política na Escola de Governo John F. Kennedy,
na Universidade Harvard.
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Gazeta do Povo, 18 de outubro
de 2008
Acerte os ponteiros
Horário de verão
começa à meia-noite
Medida gera economia quase
insignificante no consumo geral de energia, mas proporciona
uma folga no sistema elétrico, pois alivia os picos
de demanda
Começa à meia-noite de hoje (zero hora de
amanhã) o horário de verão. Os moradores
das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do País
deverão adiantar seus relógios em uma hora.
A medida valerá até a zero hora do dia 15
de fevereiro do ano que vem. A mudança nos relógios
faz com que a luz natural, que nessa época do ano
já é mais intensa, seja aproveitada por mais
tempo.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão
responsável pela gestão do sistema elétrico
do país, estima que a edição 2008/2009
do horário de verão vai proporcionar uma
redução no consumo de energia de 4% a 5%
no chamado horário de pico, que, em geral, vai das
19 às 22 horas. Isso equivale a uma economia de
2 mil megawatts (MW).
Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste (que, do ponto
de vista do setor elétrico, são uma só)
a diminuição do consumo no horário
de maior carga deverá ser de 1.790 MW, o equivalente à demanda
de uma cidade de 5 milhões de habitantes. Na região
Sul, a expectativa do governo é de que o consumo
no horário de pico caia em 528 MW, o bastante para
suprir uma cidade de 1,5 milhão de habitantes.
No Paraná, de acordo com a Companhia Paranaense
de Energia (Copel), a alteração no relógio
deve permitir uma redução de 5,5% na demanda
máxima simultânea por energia, o que significa
dispensar o uso de 220 MW de potência no horário
de pico, entre 18 e 21 horas.
Segundo a Copel, diferentemente do entendimento de boa
parte da população, a principal finalidade
do horário de verão não é o
de proporcionar redução no consumo geral
de energia elétrica, pois essa queda não
passa de 0,5%. O principal objetivo da medida é desobstruir
o sistema elétrico nos horários de maior
consumo, entre o fim da tarde e o início da noite.
O horário de verão gera folga para as instalações
do sistema elétrico, já que os picos máximos
de demanda por energia nas diferentes categorias de consumo
deixam de coincidir. “Com o horário de verão,
o pico de de-manda nas residências passa a ocorrer
ainda com o dia claro, sem coincidir com o acionamento
dos sistemas de iluminação pública,
cujas lâmpadas são acionadas automaticamente
por dispositivos sensíveis à redução
da luminosidade ambiente”, explicou a gerente do
Centro de Operação do Sistema Elétrico
da Copel, Ana Rita Xavier Haj Mussi à Agência
Estadual de Notícias.
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Gazeta do Povo, 18 de outubro
de 2008
Diplomacia
EUA retiram exigência
de vistos para sete países
Washington - O presidente dos Estados Unidos, George W.
Bush, anunciou ontem que os EUA irão retirar a exigência
de vistos para cidadãos de seis países europeus
e a Coréia do Sul.
Dentro de um mês, cidadãos da Lituânia,
Letônia, Estônia, Hungria, República
Checa e Eslováquia, além da Coréia
do Sul, não precisarão mais de vistos para
visitar os EUA. Todos esses países não exigem
vistos de entrada para cidadãos norte-americanos.
Alguns congressistas temem que o fim da exigência
de vistos de entrada tornaria mais fácil para os
terroristas se infiltrarem nos EUA. Todos os países
cujos cidadãos não serão mais importunados
com a exigência de vistos tomaram passos específicos
para aumentar a segurança, ou seja, passaportes
biométricos, mais difíceis de serem falsificados.
“Durante anos, os líderes dessas nações
me explicaram como era frustrante para seus cidadãos
esperar nas filas, pagar taxas pelos vistos, apenas para
tirar férias nos EUA ou fazer uma viagem de negócios
ou visitar parentes que vivem na América”,
disse Bush, nos jardins da Casa Branca.
Sucesso
Em Praga, o primeiro-ministro da República Checa
comentou a notícia. “É de verdade o
maior sucesso que poderíamos obter”, disse
Mirek Topolanek. “Foi removida a última relíquia
do comunismo e da Guerra Fria, então estou muito
feliz”, completou.
Atualmente, os EUA não exigem vistos de entrada
para cidadãos de 27 países, grande parte
dos quais da Europa Ocidental. Segundo Bush, os sete países
cujos cidadãos terão isenção
de vistos para visitar os EUA concordaram em compartilhar
informações de segurança com Washington.
Brasil
Em 2004, durante a Cúpula Extraordinária
das Américas, no México, o presidente Lula
aproveitou a presença de Bush no encontro para propor
um acordo de livre trânsito entre brasileiros e norte-americanos,
com o fim da exigência de vistos de ambos os lados.
A proposta foi entregue num documento.
À época, Lula disse: “Se já são
27 países, por que não 28?”. Em resposta
ao brasileiro, Bush apenas sorriu.
No mês passado, o governo americano e o Ministério
das Relações Exteriores brasileiro anunciaram
que estão negociando um prazo maior da validade
dos vistos de turismo e negócios para os EUA. Hoje
o visto vale por 5 anos, e a proposta é que mude
para 10 anos.
Caso seja aprovada, a medida passa a valer a partir do
próximo ano. A negociação faz parte
de um mutirão feito pela embaixada dos EUA no Brasil
que busca facilitar o acesso a vistos. Desde agosto, o
número de processos para vistos aumentou de 3.500
para 5 mil por dia.
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Gazeta do Povo, 18 de outubro
de 2008
Comércio
Brasil quer ser parceiro
número 1 de Cuba
Havana - O governo do Brasil promoverá mais investimentos
das suas empresas em Cuba na tentativa de se tornar o maior
sócio comercial da ilha, disse ontem o secretário-executivo
do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães, em visita
a Havana. O Brasil já é o segundo maior sócio
comercial de Cuba na América Latina, atrás
da Venezuela, com um intercâmbio que em 2007 superou
US$ 450 milhões.
“Queremos ser o sócio número um de
Cuba no seu processo de desenvolvimento econômico,
social e das suas relações políticas
também”, disse Guimarães, que desembarcou
na noite de quinta-feira em Havana e na manhã de
ontem se reuniu com o vice-chanceler Bruno Rodríguez,
na abertura da sétima reunião de consultas
políticas bilaterais.
“O presidente Lula dá uma atenção
muito especial, muito pessoal às relações
com Cuba, a todos os projetos de cooperação
ou estímulos às empresas brasileiras que
venham para cá e aproveitem as oportunidades que
existem”, disse o vice-chanceler brasileiro.
Brasil e Cuba reforçaram nos últimos meses
a sua cooperação em vários campos
econômicos importantes. Em janeiro, na visita do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os dois países
subscreveram acordos de colaboração em agricultura,
produtos farmacêuticos e energia, entre outros.
“A visita do companheiro Lula ao nosso país
foi um marco importante em nossas relações,
estabelecemos muitos acordos cuja execução
avança bem”, disse Rodríguez. O diplomata
brasileiro regressa no sábado a Brasília,
mas antes se encontrará com o ministro cubano de
Relações Exteriores, Felipe Pérez
Roque.
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Folha de S.Paulo, 18 de
outubro de 2008
ELEIÇÕES 2008
/ JUSTIÇA ELEITORAL
TSE autoriza sites
de jornais a publicarem opinião sobre eleição
Tribunal muda, por 5 votos a 2, texto
de resolução que trata de propaganda eleitoral
e também de condutas de agentes públicos
Ayres Britto propôs que artigo fosse
reavaliado por considerar que o direito de expressão
de jornal e revista também vale para seus sites
FELIPE SELIGMAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O TSE decidiu mudar, por 5 votos a 2, a resolução
que trata de propaganda eleitoral e condutas de agentes públicos,
liberando a manifestação partidária
de órgãos de comunicação impressa
inclusive na internet.
A Corte alterou um parágrafo do artigo 20 da resolução
22.718. O texto afirmava que "não caracterizará propaganda
eleitoral a divulgação de opinião favorável
a candidato, a partido político ou a coligação
pela imprensa escrita, desde que não seja matéria paga,
mas os abusos e os excessos, assim como as demais formas de uso indevido
do meio de comunicação, serão apurados e punidos".
Os ministros incluíram, após a referência à imprensa
escrita, a citação: "inclusive nos respectivos sítios
na internet". O TSE também mudou o parágrafo 5º do
artigo 21, que trata da programação de rádio e
TV. Diferentemente de jornais e revistas, essas empresas não
podem fazer propaganda ou emitir opinião sobre candidato, pois
são concessões públicas.
Agora, o texto diz que as restrições "aplicam-se às
paginas na internet mantidas pelas empresas de rádio e TV e às
demais redes destinadas a prestação de serviços
de valor adicionado". O antigo texto desse parágrafo dava
a entender que as empresas de comunicação que têm
página na internet, inclusive as da imprensa escrita, estavam
sujeitas às mesmas vedações de rádio e
TV.
Com a dúvida, o Grupo Estado, proprietário do jornal "O
Estado de S. Paulo" e da "Agência Estado", entrou
com um mandado de segurança questionando o parágrafo.
O tribunal resolveu não julgar a ação, mas o presidente
Carlos Ayres Britto propôs, nesta semana, uma questão
de ordem administrativa para reavaliar o artigo, afirmando que o direito
de expressão que jornais e revistas possuem também vale
para seus sites.
A questão começou a ser discutida na quinta, mas foi
interrompida por um pedido de vista do ministro Marcelo Ribeiro. Durante
o julgamento, ele alegou que, pelo princípio da isonomia, todos
os sites deveriam ter a mesma liberdade que jornais e revistas. Arnaldo
Versiani também foi contra a mudança. Ele alegou que
o TSE, em junho, recusou-se a responder consulta sobre campanha na
internet. "Entendo que, quando nos recusamos a responder a consulta,
deixamos claro que a propaganda eleitoral estava liberada na internet",
afirmou.
As restrições a páginas de rádio e TV na
internet foram mantidas a sites de provedores. Votaram pelas modificações
Ayres Britto, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa, Eliana Calmon e
Aldir Passarinho.
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Folha de S.Paulo, 18 de
outubro de 2008
Caixa estuda criar linhas
para manter crédito a construtoras
JULIANA ROCHA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Caixa Econômica Federal poderá criar novas
linhas de crédito para construtoras que enfrentam
dificuldades de obter recursos no mercado financeiro. O
banco estuda condições especiais - com juros
e prazos melhores que os de mercado- para a construção
civil, como uma das medidas para impedir que o setor sofra
desaceleração em 2009.
A construção civil é a nova preocupação
do governo. Os negócios poderão se desaquecer por causa
da crise financeira internacional, da escassez de crédito e
da desaceleração da economia. Por isso, o Ministério
da Fazenda prepara medidas que devem ser anunciadas na semana que vem.
O consultor técnico da vice-presidência de governo da
Caixa, Teotônio Rezende, explica que até o primeiro semestre
deste ano as construtoras buscavam financiamento na Bolsa de Valores,
lançando ações. Com a queda generalizada do mercado
de ações, este canal barato de financiamento se fechou,
o que coloca em risco novos projetos na área.
" As medidas ainda estão em estudo. O que se busca é como
estruturar uma linha de crédito para socorrer essas empresas antes que
o problema esteja caracterizado", afirmou Rezende.
Juros e prazos seguem
A Caixa reiterou ontem que as taxas de juros e prazos do financiamento
imobiliário serão mantidos. A alta dos juros básicos
e a falta de liquidez no sistema financeiro levaram bancos privados
a aumentar juros e reduzir prazos dos empréstimos.
Desde 2007 a Caixa mantém os juros e prazos para financiar imóveis.
Os juros para quem usar recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo
de Serviço) são de 8,16% ao ano. Os juros cobrados dos
mutuários da casa própria com recursos da poupança
variam entre 8% e 14%. Os valores têm o acréscimo da TR
(Taxa Referencial).
O impulso ao financiamento da casa própria é outra contribuição
que poderá vir da Caixa para impedir prejuízos na construção.
O banco tem a meta de emprestar R$ 28,7 bilhões para o financiamento
habitacional em 2009.
Rezende diz que a instituição tem recursos para oferecer
até R$ 50 bilhões para o crédito habitacional.
Mas o aumento da oferta de crédito depende da demanda em alta.
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Folha de S.Paulo, 18 de
outubro de 2008
10 questões para
entender o tremor na economia
GUSTAVO PATU
EM SÃO PAULO
O que era uma onda de calotes no mercado imobiliário
dos Estados Unidos se transformou em uma crise nos mercados
de ações, de crédito e de câmbio
do planeta -e os efeitos já começam a chegar
ao comércio, aos empregos e ao cotidiano de todos.
As próximas páginas procuram trazer à linguagem
comum as origens da crise, a dinâmica do mundo financeiro
e os desafios a serem enfrentados pelo Brasil.
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Folha de S.Paulo, 18 de
outubro de 2008
Como um momento de euforia
econômica se transforma em pânico financeiro?
Crises especulativas como a atual -documentadas desde o século
17, com dimensões variadas- são sempre gestadas em momentos
de juros baixos e crédito farto, mais comuns em fases de prosperidade.
E a economia mundial vivia o melhor momento desde a década de
70.
O acesso mais fácil ao dinheiro reduz a noção geral
de risco. Tanto profissionais do mercado quanto cidadãos comuns
se tornam mais propensos a investimentos ousados, em busca de lucros
mais altos e rápidos.
Nesse cenário, surgem as "bolhas": um tipo de investimento
-sejam ações, moedas, imóveis, empréstimos
ou, em tempos mais remotos, canais, ferrovias e até tulipas- se
torna uma mania e se valoriza muito além das reais possibilidades
de retorno. Cria-se um círculo vicioso: quanto mais gente entra
no mercado, mais ele se valoriza; quanto mais se valoriza, mais gente
entra.
No caso atual, a bolha foi criada no mercado imobiliário americano,
antes de se disseminar por outros mercados e países. Casas e apartamentos
com preços em alta serviam de garantia para financiamentos imobiliários
que ajudavam a elevar os preços. A espiral culminou em financiamentos
de altíssimo risco para clientes sem capacidade de pagamento.
Os participantes do mercado sabem que a festa não vai durar para
sempre. Paradoxalmente, isso estimula a corrida à especulação:
os investidores querem aproveitar a oportunidade antes do estouro da
bolha.
Como se sabe que a situação é insustentável,
o primeiro sinal -quebra de banco, disparada de uma moeda, moratória-
causa pânico geral, e todos querem fugir ao mesmo tempo e multiplicam
as perdas. Decisões individuais racionais, portanto, podem levar
a comportamentos coletivos irracionais.
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Folha de S.Paulo, 18 de
outubro de 2008
Se as autoridades culpam
os especuladores, por que a especulação não é coibida?
Os especuladores, tratados no coletivo e no anonimato, são bodes
expiatórios convenientes quando as crises explodem. Evoca-se a
antipatia dedicada aos gananciosos que desejam enriquecer sem produzir,
deixando em segundo plano os questionamentos à política
econômica ou à atuação dos órgãos
reguladores.
Propostas para restringir a especulação são antigas
e periodicamente lembradas. A mais famosa, do economista americano James
Tobin, é a de criar um imposto sobre todas as transações
financeiras, uma espécie de CPMF global, para tornar mais lentos
e mais caros os movimentos do mercado. Nas palavras de seu idealizador,
jogar "um pouco de areia" nas engrenagens do sistema.
Passadas as crises, no entanto, as ameaças e limites impostos
aos especuladores são esquecidos ou contornados. Em parte porque
o setor financeiro é influente no mundo das idéias e da
política, mas, principalmente, porque a especulação é um
dos motores da economia de mercado.
Os especuladores -aqueles unicamente interessados em comprar e vender
com lucro- viabilizam e expandem os mercados de ações,
de moedas e de títulos. Se não fosse a especulação,
só compraria ações, por exemplo, uma meia dúzia
de fato interessada em se tornar sócia de uma empresa.
A riqueza financeira se distancia cada vez mais dos valores que enxergamos
diariamente. Em 1980, o volume de dinheiro aplicado no mercado financeiro
era 20% superior à riqueza produzida no mundo. Em 2006, mais de
200%.
O Produto Interno Bruto global, no período, quase quintuplicou,
de US$ 10 trilhões para US$ 48 trilhões. Mais espantoso
foi o salto do volume de dinheiro aplicado nos bancos, em títulos
e ações, que foi de US$ 12 trilhões para US$ 167
trilhões. Mais dinheiro no mercado significa mais possibilidades
de investimento e crescimento -e mais riscos também.
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Folha de S.Paulo, 18 de
outubro de 2008
Por que os bancos quebram?
Por que são socorridos?
Uma pessoa ou uma empresa quebrada é a que não consegue
pagar suas dívidas. Um banco quebrado é o que emprestou
dinheiro a quem não conseguiu pagar as dívidas, como mutuários
do subprime americano.
O papel do sistema financeiro é intermediar o encontro entre os
que desejam poupar e os que desejam investir. Sua tarefa é selecionar
pessoas e empresas mais aptas a progredir e a conseguir pagar com juros
o dinheiro recebido. Os menos aptos pagam juros maiores para compensar
o risco.
Nos financiamentos imobiliários tradicionais, o banco empresta
recursos da poupança. Para os mutuários sem emprego, sem
documentos e sem garantias dos EUA, a operação foi muito
mais sofisticada.
Os empréstimos serviram de base para títulos que proporcionavam
a seus compradores os superjuros cobrados nos financiamentos imobiliários.
De pequeno valor unitário e livremente negociáveis, títulos
permitem que os credores se tornem múltiplos e anônimos.
Os títulos, por sua vez, serviram de base para derivativos, ou
seja, contratos em que as partes perdem ou ganham a partir da variação
de um ativo financeiro, muito semelhante a uma aposta num cassino. A
sofisticação não removeu o obstáculo mais
prosaico e previsível: os pobres-coitados que habitam a economia
real não puderam mais pagar as dívidas.
Administradores de poupança pública, os bancos podem provocar
perdas generalizadas ao quebrar. E, quanto maior o erro, maior a chance
de socorro por governos que querem evitar ou atenuar uma onda de falências
e desemprego.
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Folha de S.Paulo, 18 de
outubro de 2008
De onde os bancos centrais
tiram dinheiro para injetar nos bancos?
Os bancos centrais, mesmo os que estão formalmente subordinados
a governos, como o brasileiro, têm poder de decisão para
movimentar diariamente enormes quantias, necessárias para a execução
da política monetária, ou seja, de controle do volume de
dinheiro e crédito na economia.
Dos seus superpoderes, o mais usual e importante são as operações
de mercado aberto, em que se negociam títulos com bancos. Quando
querem elevar a oferta de moeda e reduzir juros, os bancos centrais compram
títulos -como fizeram na semana passada os seis principais BCs
do mundo.
Quando se deseja um aperto monetário, como o BC brasileiro vem
fazendo para conter a inflação, vendem-se títulos,
e há menos dinheiro na praça. Os juros dessas operações
servem de base para as demais operações da economia e,
por isso, são chamados de "taxa básica".
Para regular a oferta de crédito, os bancos centrais recolhem
parte dos depósitos em contas correntes e aplicações
financeiras. Nos últimos dias, o BC brasileiro liberou mais de
R$ 100 bilhões desse recolhimento compulsório para tentar
conter queda do volume de empréstimos e financiamentos.
Por fim, os bancos centrais têm o papel de atender, a seu critério,
bancos que não conseguem obter no mercado recursos para operações
diárias. Por maiores que sejam, esses empréstimos à base
de emissão de moeda só resolvem problemas momentâneos
de liquidez.
Se o banco tem problemas patrimoniais, ou seja, se o dinheiro dos devedores
for insuficiente para saldar compromissos, seus donos têm de entrar
com mais capital. Se não têm dinheiro, a solução
do momento é achar um sócio -o governo, ou, mais exatamente,
dinheiro dos contribuintes.
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Folha de S.Paulo, 18 de
outubro de 2008
Se as ações
não estão diretamente envolvidas na crise,
por que as Bolsas desabam?
Quem compra ações se torna sócio de uma empresa
e, portanto, espera lucros com a expectativa de crescimento futuro da
economia. Se as expectativas para os próximos meses e anos se
tornam sombrias, os investidores se desfazem das ações,
e o movimento de venda em massa derruba os preços.
Ainda que a maior parte dos participantes do mercado não queira
relações duradouras com as empresas, mas apenas comprar
e vender com vantagem suas participações, a valorização
das ações depende das perspectivas para a empresa em particular
e para o mercado em geral.
Ações de empresas diretamente envolvidas na crise, como
as de bancos que se aventuraram no crédito arriscado ou nos derivativos
a ele atrelados, tendem a cair mais, mas as demais tampouco estão
a salvo.
Os mercados financeiros são interligados em todo o mundo. Um investidor
que teve prejuízo com derivativos no Japão, por exemplo,
pode ser obrigado a vender ações no Brasil para cobrir
as perdas.
Ações são o que se chama de investimento de renda
variável. Diferentemente de quem aplica na poupança ou
em um CDB, os compradores de ações não sabem quanto
nem quando vão ganhar. Sabem apenas que pretendem ganhar mais
do que oferecem as opções conservadoras de renda fixa.
Não por acaso, há uma sucessão frenética
de compras e vendas nas Bolsas, o que faz o índice geral das ações
alternar altas e baixas em questão de minutos. O mercado brasileiro,
com grande presença de capital estrangeiro e concentrado nas ações
de poucas empresas grandes, como a Petrobras e a Vale do Rio Doce, tende
a ser ainda mais volátil -ou seja, apresentar percentuais mais
elevados de alta ou de baixa- do que a média das Bolsas de Valores
do mundo.
Emoções à parte, quando se observa o comportamento
do mercado em períodos mais longos, medidos em décadas,
a tendência geral é sempre de alta -porque, afinal, também
assim funciona, aos trancos e barrancos, o capitalismo.
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Folha de S.Paulo, 18 de
outubro de 2008
Por que o governo não
consegue controlar a cotação do dólar?
O câmbio é o preço mais importante da economia, mais
ainda em países, como o Brasil, cujas moedas não são
aceitas como pagamento de importações ou pagamento de dívidas
com o exterior.
O preço do dólar afeta o comércio, a inflação,
as contas do governo, o crescimento econômico e a popularidade
dos governantes. Ainda assim, o governo passou os últimos anos
tentando, sem sucesso, segurar a valorização do real -e
as últimas semanas tentando, também inutilmente, deter
a disparada do dólar. Devido a essa incapacidade, proclama-se
oficialmente, desde 1999, que o câmbio é livre no Brasil.
Não é difícil entender: o mercado de câmbio é o
maior dos mercados financeiros, com movimento diário de US$ 3
trilhões a US$ 4 trilhões que podem ir de um extremo a
outro do planeta em alguns segundos. Mesmo as nada desprezíveis
reservas de US$ 200 bilhões acumuladas pelo Banco Central poderiam
virar farelo se o governo tentasse, como no passado, administrar sua
taxa de câmbio em um cenário de livre fluxo de capitais.
Para manter o câmbio, o governo precisa atender aos movimentos
de compra e venda do mercado: se falta dólar, precisa vender suas
reservas para ampliar a oferta e evitar uma disparada das cotações;
se sobra, compra o excesso para manter o preço estável.
Nos últimos meses de câmbio administrado, o país
precisava paralisar sua economia com juros de 40% ao ano na tentativa
de atrair os dólares necessários.
Mas esse não é um caso de incompetência nacional.
Os Estados Unidos e o Japão adotaram o câmbio flutuante
na década de 70, e a Europa, nos 90.
Onde houve liberdade, o fluxo de capitais derrubou o sistema de cotações
que havia sido acertado entre os países na conferência de
Bretton Woods, em 1944 -a última iniciativa de controle das finanças
globais, sempre lembrada em tempos de crise e esquecida logo depois.
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Folha de S.Paulo, 18 de
outubro de 2008
O que acontece em uma
recessão?
Uma recessão começa quando investidores acreditam que a
hora não é boa para investir e consumidores crêem
que a hora não é boa para consumir. E, na tentativa de
protegerem sua riqueza, todos empobrecem.
O desalento não é um mero estado de espírito. Empresas
e famílias afetadas pela crise perderam efetivamente condições
de investir e consumir, como os donos de ações e imóveis
que perderam valor. Não se trata de um caso em que uns perdem
e outros ganham, num jogo de soma zero: essa riqueza simplesmente desapareceu.
Quando não se confia no futuro, o medo toma o lugar da ganância.
Evita-se emprestar dinheiro e procura-se poupar para dias difíceis.
Mas, com a retração de investimento e consumo, empresas
vendem menos; com a queda nos lucros, há mais demissões;
com menos renda, as famílias cortam o consumo, e o ciclo recomeça.
Tecnicamente, os economistas consideram que há uma recessão
quando o PIB (Produto Interno Bruto) cai por dois ou três trimestres
consecutivos. Quando se imagina uma queda profunda e prolongada do PIB,
fala-se, mais dramaticamente, em depressão -mas, após a
década de 30, nenhum período da história econômica
mundial chegou a merecer o termo.
Recessões mundiais são raras: na história recente,
não há casos de anos em que o PIB global tenha terminado
menor do que começou. Em 1982, em meio à crise da onda
de calotes do Terceiro Mundo, a economia mundial cresceu 0,9%, e desde
então não houve resultado pior. No Brasil, a pior recessão
ocorreu em 1990, quando o Plano Collor confiscou depósitos bancários
e o PIB caiu 4,4%.
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Folha de S.Paulo, 18 de
outubro de 2008
Por que o Brasil tende
a crescer menos?
Depois de dois anos seguidos de expansão econômica na casa
dos 5%, o governo já decretava que fazia parte do passado a comparação
entre o crescimento brasileiro e um vôo de galinha. Agora, a galinha
está prestes a pousar mais uma vez.
Não há, até o momento, previsões de recessão,
mas é consensual que os percentuais de crescimento serão
mais modestos em 2009. Andar mais devagar não é tão
ruim quanto andar para trás, mas os efeitos econômicos e
políticos são da mesma natureza.
O Brasil já sofre com a retração mundial do crédito.
Boa parte do dinheiro emprestado aqui dentro é obtida lá fora.
Com recessão nos Estados Unidos e na Europa, encolhe o mercado
para as exportações brasileiras, que também cairão
de preço. Multinacionais tendem a cancelar ou adiar planos de
expansão no país.
Outra ameaça é a recente disparada do dólar, que
não se sabe onde ou quando vai parar. Se o dólar se mantiver
alto, importações ficarão mais caras e a inflação
tenderá a subir. Nesse caso, o Banco Central, na contramão
do resto do mundo, poderá optar por subir ainda mais os juros
e conter o consumo, o investimento, o crescimento e os preços.
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Folha de S.Paulo, 18 de
outubro de 2008
Por que as empresas
brasileiras que nada têm a ver com as origens da crise
tiveram prejuízos milionários?
Empresas entram no mercado de derivativos para se protegerem de perdas,
enquanto os especuladores assumem os riscos para ganhar. Sadia, Aracruz
e Votorantim -entre muitas outras, teme-se- acabaram participando de
uma tentativa de fazer as duas coisas.
Embora o nome cause estranheza, derivativos fazem parte do cotidiano
de quem faz, por exemplo, o seguro de um automóvel. O dono do
carro não quer sair mais rico do negócio; quer simplesmente
uma operação que, se for preciso, renderá dinheiro
suficiente para cobrir possíveis prejuízos de sua atividade
de motorista. É o que se chama de hedge.
Na outra ponta da operação, está um especulador
apostando que o carro não será batido nem roubado, a seguradora.
Se a aposta estiver correta, ela ficará com o prêmio pago
pelo dono do carro.
Os demais derivativos podem ser mais complexos, mas seguem os mesmos
princípios. Empresas exportadoras, com receita em dólar,
buscam se proteger de uma desvalorização vendendo a moeda
americana no mercado futuro por uma cotação considerada
razoável. Se o dólar mudar de patamar, a perda em receita
será compensada pelo derivativo.
Como o dólar caía sem parar, os bancos passaram a oferecer às
empresas operações que prometiam ganhos superiores ao necessário
para cobrir riscos de perdas. O que era hedge virou especulação.
E dava lucro, até a crise provocar uma alta inesperada do dólar
-que, se não for revertida, poderá revelar mais empresas
no jogo e perdas maiores.
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Folha de S.Paulo, 18 de
outubro de 2008
Quais são as
opções do governo brasileiro para lidar com
os efeitos da crise?
A primeira reação do governo tem sido tentar evitar ou
atenuar a secura de crédito, cuja expansão foi um dos motores
da economia brasileira nos últimos anos, embora retórica
oficial prefira dar mérito ao PAC.
Mas, como aconteceu em todas as crises recentes, o país pode ser
obrigado a escolher entre crescimento e inflação -sacrificar
o primeiro para evitar a segunda ou, na alternativa menos conservadora,
tentar acelerar um correndo o risco de impulsionar a outra.
No primeiro caso, a receita é conhecida: os juros são mantidos
ou até elevados, e o mesmo é feito com a meta de superávit
primário (a parcela da arrecadação tributária
destinada ao abatimento da dívida pública). As medidas
reduzem o consumo público e privado, esfriam a economia e ajudam
a impedir que a alta do dólar se transforme em aumento da inflação.
Esse era o cenário traçado antes do agravamento da crise,
quando as atenções do governo se voltavam para a rápida
piora da balança comercial, efeito colateral do consumo em alta.
O projeto de Orçamento de 2009 já contempla a possibilidade
de aumentar superávit primário.
Mas a perspectiva de contração econômica acima do
esperado levou setores menos ortodoxos da equipe econômica a falar,
até aqui no anonimato, em medidas pró-crescimento, de mais
gastos públicos, menos impostos e menos juros. É o que
os economistas chamam de política anticíclica: quando a
economia vai bem, o governo faz mais economia; quando vai mal, gasta-se.
No caso brasileiro, já não há mais tempo para a
primeira parte do plano.
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Folha de Londrina, 18 de
outubro de 2008
SEU DIREITO
DIREITOS TRABALHISTAS
Trabalhei cerca de dez anos em um supermercado, dos
quais cinco no setor de frios. Nunca usava proteção
para entrar na câmara fria e não recebia adicional
pelas condições insalubres. No setor de padaria
acumulei funções e logo depois fui promovida
como encarregada, mas o salário não mudou.
Há um ano fui demitida. O gerente alegou que a equipe
que eu coordenava teria ameaçado sair se eu não
fosse desligada. Como devo proceder?
Entende-se pelo descrito que a demissão foi sem
justa causa, enfim, foi recebido aviso-prévio, multa
de 40% do depósito fundiário e liberação
das guias de seguro-desemprego e FGTS.
Se a demissão foi sem justa causa, não há nada
do que reclamar quanto à demissão. Entretanto,
se a empresa usou o argumento exposto para demitir por
justa causa, deve-se recorrer à Justiça do
Trabalho para reverter a demissão para sem justa
causa, pois o argumento de reclamação por
outros funcionários não se enquadra nos dispositivos
do art. 482 da CLT para justificar demissão por
justa causa.
Quanto ao trabalho insalubre sem proteção,
deve-se ingressar com reclamatória trabalhista e
requerer o pagamento do respectivo adicional, sendo que
haverá perícia no local de trabalho.
No tocante ao acúmulo de funções,
não há possibilidade do pagamento de dois
salários, porque as duas funções são
semelhantes e advêm do mesmo setor. O que deve ocorrer é o
pagamento do maior salário entre as duas funções.
Se não foi o caso, deve-se recorrer à Justiça
do Trabalho e requerer a diferença, sendo o mesmo
caso para a promoção, em que se deve pleitear
a diferença entre o salário recebido e o
da função de encarregada.
O recomendável é procurar o seu advogado
de confiança para que este pleiteie perante à Justiça
do Trabalho seus respectivos direitos.
João Felipe Barros de
Albuquerque, advogado
servico@folhadelondrina.com.br
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O Estado do Paraná,
18 de outubro de 2008
Caixa não aumentou
taxa de juro para casa própria
Agência Estado
A Caixa Econômica Federal (CEF) não alterou as taxas de
juros nos financiamentos da casa própria, de acordo com a presidente
da instituição, Maria Fernanda Ramos Coelho. Ela informou
que as fontes de recursos da instituição para o crédito
habitacional são a poupança, que já captou R$ 8,5
bilhões este ano, e o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
(FGTS), cujo orçamento é alocado no início do ano. "Assim,
a Caixa não enfrenta dificuldade de obtenção de
recursos para o financiamento imobiliário. Não aumentamos
as taxas de juros", disse.
A Caixa poderá criar uma linha nova para a construção
civil ou modificar as linhas que já opera para o
setor, segundo Maria Fernanda. De acordo com ela, o governo
quer apoiar o setor da construção civil como "uma
ação preventiva". Ela declarou, sobre
os financiamentos da Caixa para a construção
civil, que a instituição "continua operando
de vento em popa". A executiva informou que de janeiro
a setembro a Caixa já financiou R$ 17,4 bilhões,
o que representa 55% acima do crédito concedido
no mesmo período do ano passado. "Estamos fazendo
uma média de mais de R$ 100 milhões por dia",
disse Maria Fernanda. "Não sentimos nenhuma
redução de demanda. O setor está operando
muito bem", declarou. Ela comentou que no Brasil o
déficit habitacional é muito grande e a massa
salarial está crescendo. Também argumentou
que as obras do Plano de Aceleração do Crescimento
(PAC) do governo federal ajudam o setor.
A executiva participou nesta sexta-feira (17) de cerimônia
de entrega das chaves de 140 habitações de
baixa renda subsidiadas pelos governos federal, estadual
e municipal na Cidade de Deus, na zona oeste do Rio.
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Revista Consultor Jurídico,
18 de outubro de 2008
Mão rápida
Empresa deve indenizar
funcionário assediado por chefe
A Associação de Formação de Trabalhadores
em Informática (EFTI) está obrigada a pagar R$ 20 mil de
indenização por danos morais para um empregado que foi
vítima de assédio sexual. De acordo com o processo, o supervisor
obrigou o funcionário a usar crachá com sua foto alterada — o
empregado aparecia com o cabelo estilo black power — e, no final
de uma reunião com clientes, passou a mão na bunda do funcionário.
“O princípio da dignidade da pessoa humana é notoriamente
incompatível com qualquer atitude que reduza o trabalhador
a um mero vendedor da mão-de-obra, sem amor-próprio
e sujeito a contrair doenças laborais (psíquicas,
emocionais e físicas). É por essa razão
que qualquer iniciativa patronal tendente a comprometer
a saúde do empregado e o seu bem-estar, viola o
preceito fundamental antes indicado”, afirmou Grijalbo
Fernandes Coutinho, juiz da 19ª Vara do Trabalho do
Distrito Federal, responsável pela sentença.
O empregado entrou com ação na Justiça
do Trabalho afirmando que foi transferido para o departamento
administrativo e precisou fazer um novo crachá.
Seus supervisores pegaram sua foto dizendo que iam arrumar
imperfeições e acabaram fazendo uma montagem:
o funcionário aparecia com o cabelo black power,
quando, na verdade, usava o cabelo bem cortado, conta.
Ele afirmou que ficou oito meses com o crachá, período
em que ouviu brincadeira, piadas e gozações
dos colegas de trabalho e de pessoas estranhas, como os
clientes da empresa.
Na saída de uma reunião, conta o funcionário,
o gerente de vendas, que o assediava sexualmente com cantadas
e brincadeiras, passou a mãe em sua bunda. Perplexo,
o empregado reagiu dando um soco na parede para não
bater no patrão, dizendo que não o agrediria
fisicamente para não perder o emprego, conta.
“Tudo isso causou grande constrangimento, dor e
humilhação no reclamante, que nada podia
fazer dada a relação de subordinação
e do fato de ser seu agressor amigo íntimo dos proprietários
da empresa, o que ameaçava seu emprego e o sustento
de sua família. Tudo isso calou mais fundo na alma
do reclamante que, por necessidade, teve que suportar tais
atrocidades contra sua honra e dignidade”, afirmou
a defesa do trabalhador.
A empresa, para se defender, disse que só caberia
indenização se ficasse clara a intenção
em prejudicar o empregado, o que não ficou comprovado.
Ainda disse que o supervisor era heterossexual e que, se
houve adulteração na foto do crachá,
ela tinha sido feita sem autorização dos
supervisores.
Testemunhas ouvidas no processo confirmaram a versão
do empregado. Por conta disso, o juiz Grijalbo Fernandes
Coutinho acolheu o pedido de indenização. “Quadro
como esse, com todo respeito aos que pensam de modo contrário,
configura dano contra a dignidade do trabalhador, a ser
reparado mediante o estabelecimento da correspondente indenização
em caráter pecuniário”, considerou.
O juiz ressaltou que não é necessária
a intenção em prejudicar, com a sua atitude,
o empregado, para justificar a indenização
por danos morais. O Código Civil adotou a teoria
da responsabilidade civil. Ou seja, seja qual for a forma,
o empregador assume o risco pelo tratamento dado aos empregados.
“Some-se à discussão que o próprio
descumprimento das normas de respeito, do direito à conduta
civilizada nas relações de trabalho, já se
mostra capaz de atrair culpa, dentro de responsabilidade
subjetiva, ainda que presumida, por parte do empregador
que não as observa a contento”, observou.
O juiz acolheu parte do pedido do trabalhador para condenar
a empresa a pagar horas extras, indenização
pela ausência de intervalo intrajornada, devolução
de descontos e indenização por dano moral.
Grijalbo Fernandes Coutinho ainda decretou o fim do segredo
de Justiça ao caso.
Clique aqui para
ler a decisão.
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