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Agência Brasil, 19 de outubro de
2008
Sociedade civil pede lei
mais dura contra o trabalho escravo
Só em 2008, mais de três trabalhadores
em situação degradante foram resgatados
por equipes do grupo móvel de fiscalização
do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Desde
que o grupo foi criado, em 1995, mais de 30 mil trabalhadores
foram retirados de situações irregulares.
Para impedir que a prática do trabalho escravo
continue existindo no Brasil, entidades da sociedade
civil organizaram na última sexta-feira (17) um
ato nacional pela aprovação da Proposta
de Emenda à Constituição (PEC 438/2001)
que prevê penas mais rígidas para os exploradores.
Entre elas, a expropriação de imóveis
(rurais e urbanos) de quem cometer o crime.
A proposta está pronta para ir ao plenário na Câmara
e depois precisa ser votada no Senado. A matéria tramita há sete
anos e, segundo as entidades que representam os trabalhadores, sofre
forte pressão da bancada ruralista para não ser aprovada.
Segundo o diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores
em Agricultura (Contag), Antônio Lucas, a idéia do abaixo-assinado é mostrar
aos parlamentares que a sociedade é contra o trabalho escravo.
“ O Brasil hoje é um país que está exportando
soja, milho, um monte de produtos agrícolas. Eles [ruralistas]
precisam tirar de dentro dessa produção o trabalho
escravo, isso é bom para eles também. Eles precisam
ter essa consciência. Nós vamos para dentro do Congresso
brigar para que ela seja aprovada”, afirma.
A meta é recolher dois milhões de assinaturas até fevereiro.
Na sexta-feira, os pontos para coleta de assinaturas estão
espalhados em várias cidades. Em Brasília, foram escolhidos
dez locais de grande circulação como a Rodoviária
do Plano Piloto, os shoppings Pátio Brasil e Conjunto Nacional,
e as estações do metrô em Taguatinga e Ceilândia.
Há ainda a versão eletrônica do abaixo-assinado,
disponível na internet.
Para Maria Isabel Silva, conselheira da Associação
dos Magistrados do Brasil (AMB), parte da população
desconhece que o problema persiste no Brasil, 120 anos após
a assinatura da Lei Áurea. “A população é muito
mal informada. As pessoas que têm nos procurado nem sabe que
isso ainda existe, quem está na fazenda acha que vive lá por
uma concessão do patrão. O povo precisa ser conscientizado
que essa exploração do homem pelo homem não
pode mais existir. É uma segunda abolição da
escravatura”, defende.
A auxiliar de administração Dalvirene Cavalcante
passava pela Rodoviária do Plano Piloto e decidiu parar para
assinar a lista. “É uma situação deprimente
[o trabalho escravo] que infelizmente ainda existe. Eu fico comovida
porque meu pai já foi trabalhador escravo, há 30 anos
ele fugiu de uma fazenda no Alto do Xingu (MT), ajudado pelos índios”,
contou.
Segundo a Associação Nacional dos Procurados do Trabalho
(ANPT), os estados que mais apresentam denúncias desse tipo
de exploração são Pará, Mato Grosso,
Tocantins e Maranhão.
Jônatas Andrade, representante da Associação
Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamtra),
explica que as denúncias de trabalho escravo aparecem “de
forma renovada”. “Elas têm aparecido inclusive
em áreas em que não se apresentavam, como o Sul e o
Sudeste, em especial no setor sucroalcoleiro.”
Andrade aposta na “pressão do povo” para acelerar
a aprovação da PEC. Segundo ele, estão sendo
feitas parcerias com supermercados para instalar pontos de coleta
de assinaturas. O primeiro a aderir foi a rede Wall-Mart.
Quem quiser denunciar algum caso de trabalho escravo pode procurar
a ouvidoria do Ministério do Trabalho pelos telefones 0800
610101 (para as regiões Sul e Centro-Oeste e os estados do
Acre, Rondônia e Tocantins) e 0800 2850101 (demais localidades).
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Gazeta do Povo, 19 de outubro de 2008
Ensino superior
Paraná ganha 3.ª federal
em 2009
Universidade de Integração
Latino-Americana deve abrir 700 vagas em 10 cursos em agosto
do ano que vem
A Universidade Federal de Integração Latino-Americana
(Unila) será a terceira universidade federal no Paraná.
Atualmente as duas existentes são a Universidade Federal do
Paraná (UFPR) e a Universidade Tecnológica Federal
do Paraná (UTFPR). Embora o projeto de lei de criação
da nova universidade ainda não tenha sido aprovado pelo Congresso
Nacional, a previsão é de que as aulas sejam iniciadas
já em agosto de 2009, com admissão de 700 alunos – 350
brasileiros e 350 de outros países latino-americanos. A UFPR
e a Itaipu Binacional assinaram, no último dia 6 de outubro,
um termo de cooperação para viabilizar a criação
da Unila, que terá sede em Foz do Iguaçu, Oeste do
estado.
De acordo com o professor Hélgio Trindade, ex-reitor da UFRGS
(Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e presidente da Comissão
de Implantação da Unila, designada pelo Ministério
da Educação, dez cursos serão ofertados nesse
primeiro momento, mas eles ainda não foram definidos. O que
sabe é que serão quatro cursos na área de Ciências
Humanas, quatro engenharias e dois na área de Letras e Artes.
Segundo Trindade, os cursos ainda não foram escolhidos porque
precisam estar inseridos dentro do projeto político-pedagógico
da Unila. A prioridade é para graduações novas
e que tenham pequena oferta em outras instituições.
“Não teremos cursos que estão bem (representados)
em outras universidades. Queremos uma proposta que contribua com
a inovação e não com a repetição”,
afirmou Trindade.
Enquanto o projeto de lei que tramita no Congresso Nacional não
for devidamente aprovado, todos os recursos financeiros, humanos
e materiais destinados pelo MEC para a infra-estrutura inicial da
Unila serão encaminhados por meio da UFPR, tutora da nova
universidade. Inclui-se aí a compra de móveis, computadores
e a reforma de dois blocos cedidos por Itaipu, onde a instituição
vai funcionar provisoriamente. Segundo Trindade, o projeto de lei
já passou por uma comissão de avaliação
na Câmara dos Deputados, onde o relator é o deputado
Angelo Vanhoni (PT-PR). Depois de aprovado, o projeto seguirá para
votação no Senado, onde o presidente da comissão
será o senador Cristovam Buarque (PDT-DF). “Houve um
grande apoio dos parlamentares, o que nos dá a convicção
de que haja uma aprovação rápida no Senado”,
disse Trindade.
Infra-estrutura
A participação da Itaipu Binacional na implantação
da Unila é na formação da infra-estrutura. Em
julho deste ano, foi aprovada a doação de um terreno
de 40 hectares onde o câmpus da universidade será construído,
explicou Paulino Motier, membro da Comissão de Implantação
da Unila. Provisoriamente, a Unila vai funcionar em dois blocos que
eram utilizados como alojamentos dos funcionários da usina.
Os prédios, que também são de propriedade da
Itaipu, fazem parte do chamado Parque Tecnológico de Itaipu
(PTI), onde já funcionam alguns cursos de engenharia da Universidade
Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste).
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Gazeta do Povo, 19 de outubro de 2008
Saúde
Para classes C e D, plano de saúde
ainda é uma opção cara
A razão de tanta procura pelas empresas de encaminhamento
médico, para a consultora em saúde Andrea Mente, da
Assistants, é o ainda elevado preço dos planos de saúde – que
se tornam inatingíveis para a população das
classes C e D. “Ainda por cima, há uma tendência
de elitização dos planos de saúde, porque os
custos da assistência médica crescem a taxas maiores
do que a inflação”, comenta Andrea.
Segundo ela, as novas tecnologias e equipamentos da medicina acabam
encarecendo as mensalidades a taxas maiores do que um cliente de
baixa renda conseguiria suportar. “Apesar de a Agência
Nacional de Saúde (ANS) controlar os aumentos, existe uma
tendência de crescimento acima da inflação. O
usuário de baixa renda fica mesmo no colo do Estado, e quem
tem um pouco mais de condição acaba indo para essas
empresas de encaminhamento.”
O ortopedista Gustavo Magalhães, de Belo Horizonte, é um
defensor da atividade. Para ele, a saúde suplementar no Brasil
hoje, restrita aos planos e seguros de saúde, é excludente. “É preciso
que se tenha consciência do nível econômico dos
brasileiros. A população hoje não tem condições
de pagar os planos de saúde. E se acabarem com essas empresas,
o que é que se faz com essa população? Exclui?”,
questiona Magalhães.
Andrea Mente, da Assistants, lembra que muitas operadoras estão
lançando planos voltados às classes C e D, baseados
principalmente em mecanismos de co-participação, em
que o cliente paga uma porcentagem das consultas e exames, mas ainda
assim atingem uma pequena parcela dessa população. “Existem,
sim, opções para um público mais humilde, mas
as empresas de encaminhamento acabam sendo mais emergenciais.”
O advogado da Associação Brasileira de Medicina de
Grupo do Paraná (Abramge-PR), Alexandre Loper, lembra que
a obrigatoriedade de uma garantia mínima de cobertura pelos
planos de saúde faz com que o preço cobrado seja necessariamente
mais alto. “Não conseguimos chegar a um preço
tão baixo que atinja o consumidor das classes C e D”,
diz.
Loper destaca que, justamente para alcançar esses consumidores,
a Abramge-PR defende a segmentação das coberturas. “Poderíamos
ter um plano ambulatorial mais limitado, por exemplo, só para
consultas e exames; ou um plano hospitalar para situações
mais simples. Mas isso depende de lei, e a ANS é contra.” (EHC)
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Folha de Londrina, 19 de outubro de 2008
ELEIÇÕES 2008 / PROJEÇÃO
PT e PMDB têm vantagem
na maioria das grandes cidades
Se as pesquisas se confirmarem,
o PT poderá vencer em 20 grandes municípios
Considerando os dois turnos, PMDB tem chances
de ficar à frente de 15 cidades com mais de 200 mil eleitores,
segundo levantamentos
LETÍCIA SANDER
ALAN GRIPP
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
PT e PMDB devem confirmar no próximo domingo o favoritismo
adquirido no primeiro turno das eleições e protagonizar
uma disputa acirrada pela hegemonia do chamado G79, grupo formado
pelas 26 capitais e 53 municípios com mais de 200 mil eleitores.
O segundo turno será realizado em 30 cidades. De acordo com
as pesquisas eleitorais disponíveis até ontem, petistas
e peemedebistas lideram as intenções de voto (fora da
margem de erro) em sete grandes municípios cada partido.
Se os resultados das pesquisas se confirmarem, o PT sairá da
eleição vitorioso em 20 cidades (incluídas as
13 vitórias no primeiro turno) e governará 8,6 milhões
de eleitores. Pelo mesmo critério, considerando os dois turnos,
o PMDB ficaria à frente de 15, com quase 7 milhões de
eleitores governados.
O PMDB tem candidatos tecnicamente empatados em quatro cidades, entre
elas o Rio (Eduardo Paes), onde estão em jogo 4,8 milhões
de votos. O PT tem três candidatos em empate técnico,
em Juiz de Fora, Canoas e Pelotas. Nesses casos, disputa 849 mil eleitores.
Em Salvador, os dois partidos se enfrentam. O prefeito João
Henrique (PMDB) leva a melhor sobre o petista Walter Pinheiro (48%
contra 41%), segundo pesquisa Datafolha. O jogo de forças no
G79 é importante porque ali se concentram 46,8 milhões
de eleitores, o equivalente a 36,4% do total do país. No primeiro
turno, a disputa no G79 foi definida em 15 capitais e em outras 34
cidades. Resta, portanto, a definição em 30 municípios.
Segundo dados disponíveis, no segundo turno o PMDB está à frente
em Belo Horizonte (MG), Salvador (BA), Porto Alegre (RS), Campos (RJ),
Florianópolis (SC), Bauru (SP) e Montes Claros (MG). Já os
petistas lideram em Guarulhos (SP), São Bernardo (SP), Santo
André (SP), São José do Rio Preto (SP), Mauá (SP),
Joinville (SC) e Anápolis (GO).
No cenário mais otimista (se ganhar em todas as cidades em que
disputa), o PT pode terminar a eleição vitorioso em 28
grandes cidades onde vivem ao todo 21,2 milhões de eleitores.
Os peemedebistas podem governar 21 grandes cidades -9 já conquistadas
e 12 em disputa. Se isso acontecer, o PMDB terá 15 milhões
de eleitores.
Das 30 cidades em que haverá disputa de segundo turno, só não
existiam pesquisas disponíveis até ontem em duas delas
-Contagem (MG) e Petrópolis (RJ). Em quatro municípios,
a Folha levou em conta pesquisas com a projeção do segundo
turno feita antes de 5 de outubro porque não havia levantamentos
mais recentes. Só foram consideradas pesquisas registradas na
Justiça Eleitoral.
Se os prognósticos feitos até agora se confirmarem, o
quadro geral do G79 poderá sofrer algumas mudanças em
relação às eleições anteriores.
Em 1996, no auge do Plano Real, o PSDB foi o líder do grupo
em número de prefeituras conquistadas, seguido do PMDB. Em 2000,
com a vitória de Marta Suplicy (PT) em São Paulo, o PT
assumiu a liderança das maiores cidades, seguido do PSDB. Em
2004, o quadro se repetiu. Neste ano, pesquisas apontam para PT ou
PMDB na liderança, e PSDB mais fraco.
Os tucanos ainda disputam dez cidades, mas apenas Wilson Santos e João
Castelo aparecem como líderes isolados, em Cuiabá (MT)
e São Luís (MA), respectivamente. Portanto, se as projeções
se confirmarem, o PSDB sairá da eleição com 11
prefeituras do G79 (nove no primeiro turno). Somados, esses municípios
possuem 5,1 milhões de eleitores. Em 2004, o partido saiu das
urnas com 17 prefeituras e cerca de 14 milhões de eleitores.
Já o DEM aposta todas as fichas em São Paulo para compensar
o mau desempenho no primeiro turno, quando ganhou em quatro cidades
(Ribeirão Preto, Feira de Santana, Mogi das Cruzes e Blumenau)
no G79. O partido já sabe que governará 1,2 milhão
de eleitores. Se vencer em São Paulo, o total saltará para
9,4 milhões. Gilberto Kassab (DEM) é o favorito, segundo
o Datafolha.
O PV pode alcançar um resultado surpreendente caso Fernando
Gabeira (PV) vença no Rio, alcançando um eleitorado governado
de 4,8 milhões. O partido já venceu em Natal.
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Folha de Londrina, 19 de outubro de 2008
SUCESSÃO NOS EUA / À FLOR
DA PELE
Racismo é o inimigo à espreita
de Obama
Vantagem de 6,9 pontos do democrata
pode estar inflada por "racistas enrustidos"
Campanhas evitam falar, mas tema permeia disputa
presidencial americana; para alguns analistas, peso será menor
que no passado
SÉRGIO DÁVILA
ENVIADO ESPECIAL A NOVA YORK
Na Virgínia, um folheto que começou a ser enviado
na última semana pelo Partido Republicano traz uma foto que é um
close nos olhos de um homem e a frase: "Os EUA têm de
olhar o mal nos olhos e não piscar jamais". A pessoa
na foto é negra. Na Califórnia, um grupo do partido
distribui notas falsas de dez dólares com a foto do democrata
Barack Obama adornada por uma melancia, costelas de porco e frango
frito, alimentos que o estereótipo racista associa aos negros
nos EUA.
Na quinta, em Ohio, Samuel Wurzelbacher, que ganhou 15 minutos de fama
como Joe, o encanador, disse que Obama "sapateava como Sammy Davis
Jr." -a gíria "sapatear", em inglês, quer
dizer evitar ir direto ao assunto. A comparação com o
cantor negro (1925-90) levou a blogosfera progressista a passar a acusá-lo
de racista.
Por mais que ambas as campanhas tenham evitado o assunto e, se confrontadas,
diminuído seu peso, o racismo permeia esta corrida presidencial
americana. Qual o tamanho dele, o quanto mudou nos últimos anos
nos EUA e que peso terá no dia 4 de novembro são perguntas
que pesquisadores e acadêmicos tentam responder conforme o pleito
se aproxima.
" O racismo pode ter o peso nesse ciclo eleitoral presidencial que o aborto
teve em 2000 e 2004", disse à Folha David Epstein, professor de ciência
política da Universidade Columbia, de Nova York. "Deve mobilizar
grupos de pessoas que normalmente não votariam [o voto nos EUA não é obrigatório]
a ir às urnas votar contra Barack Obama."
No passado, plebiscitos sobre o aborto levaram grupos conservadores
a sair de casa e votar, o que ajudou George W. Bush. A diferença,
crê o acadêmico, autor de dois estudos sobre racismo e
eleições, é que desta vez os grupos não
terão força para mudar o resultado.
Não há consenso sobre quão marginais seriam. Fala-se
do "efeito Bradley" -cálculo feito a partir de um
caso real por cientistas políticos como Paul Sniderman, de Stanford,
segundo o qual negros que disputam cargos executivos nos EUA devem
ter entre cinco a sete pontos descontados das pesquisas de intenção
de voto.
Esse seria o total de "racistas enrustidos", que declaram
um voto ao pesquisador e agem de outra maneira nas urnas. Em 1982,
o democrata negro Tom Bradley liderava com folga as pesquisas para
o governo da Califórnia, que disputava com o republicano branco
George Deukmejian. No dia da votação, perdeu. Obama lidera
os levantamentos nacionais hoje com média de 6,9 pontos.
Os tempos mudaram, defende Epstein e outros. Para eles, o fato de Obama
se vender como um candidato "pós-racial" e ter uma
grande base de eleitores jovens para quem raça não é fator
determinante faz com que o "efeito Bradley" tire apenas entre
1 e 2 pontos das pesquisas. Sniderman é cético: "Ainda
há muitos racistas neste país".
Embranquecendo
Outro motivo seria a crise econômica, que "embranqueceria" Obama
-o eleitor conecta McCain a Bush, a quem culpa pela situação. "A
certa altura, a preocupação com a economia supera o desconforto
de alguns em relação a Obama", disse Camille Zubinski
Charles, especialista em questões raciais da Universidade da
Pensilvânia.
Como ninguém responderia à pergunta "você é racista?",
levantamentos tentam medir a questão com questões indiretas,
como colocar o item "raça" na lista de "fatores
que o levaram a se decidir".
Na Virgínia Ocidental, um dos Estados com menor índice
de renda e escolaridade e a maior porcentagem de brancos (96%) dos
EUA, Obama obteve seu pior resultado nas prévias partidárias,
25% ante 67% de Hillary Clinton. Indagados em pesquisa qual fator levaram
mais em conta na hora de votar, 35% responderam: "raça".
É um exemplo extremo, mas não o único. Na quarta, o veterano
senador democrata John Murtha, da Pensilvânia, veio a público dizer
que o racismo faria com que a vitória de Obama em seu Estado fosse por
uma margem mais apertada do que mostram as pesquisas.
Outra forma de aferir o grau de preconceito é analisar as respostas
espontâneas de eleitores democratas ou independentes como motivo
para não votar em Obama. A persistência de itens como "não é igual
a mim" ou "tem idéias diferentes" acende a luz
vermelha. Esse tipo de medo do "diferente" foi detectado
cedo pela campanha republicana e serviu de base para a onda recente
de ataques negativos ao democrata. Um dos anúncios pergunta: "Quem é o
verdadeiro Barack Obama?" Num dos comícios, alguém
gritou: "Matem-no!"
Por conta disso, o congressista John Lewis, líder histórico
dos direitos civis dos negros, comparou McCain ao governador sulista
George Wallace (1919-1998), que defendia o segregacionismo. A comparação
fez com que McCain pedisse retratação a Lewis e Obama.
O democrata se recusou. Na única vez que tocou mais diretamente
no assunto racismo, no semestre passado, Obama afirmou: "Eles
vão dizer que eu não sou parecido com os presidentes
nas notas de dólar".
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Folha de Londrina, 19 de outubro de 2008
Siderúrgica quer reajustar
preço do aço em 20%, diz construção
DA REPORTAGEM LOCAL
A pressão nos custos na construção civil chegou
a tal ponto que o SindusCon-SP (indústria da construção
paulista) pediu uma reunião com fabricantes de aço
do país -ArcelorMittal, Gerdau e Votorantim Siderurgia- para
discutir eventuais reajustes de 15% a 20% nos preços dos produtos.
Procuradas pela Folha, a Votorantim não quis comentar o pedido
do SindusCon-SP; a ArcelorMittal informou que não recebeu solicitação
para o encontro e a Gerdau não respondeu ao pedido de entrevista.
De janeiro a setembro deste ano, o aço subiu 20,6% para a construção,
segundo pesquisa mensal do setor. O novo reajuste do aço foi
informado ao SindusCon-SP por 15 associadas que receberam aviso verbal
na semana passada.
" Não há alternativa para substituirmos os fornecedores e
importarmos o produto. A alta do dólar inviabiliza isso", afirma
Sérgio Watanabe, presidente do SindusCon-SP. "Se esse aumento de
fato se consumar, poderá afetar o equilíbrio das empresas." (CR
e FF)
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Folha de Londrina, 19 de outubro de 2008
Brasileiro fica nos EUA
e quer dólar a R$ 4
Desvalorização
do real faz com que imigrantes refaçam planos
e prolonguem temporada nos EUA para poupar mais
Na sexta-feira, moeda norte-americana fechou em
R$ 2,12, com alta de 10% em relação ao valor de há um
mês; pico chegou a R$ 2,31
DANIEL BERGAMASCO
ENVIADO ESPECIAL A NEWARK
A balconista mineira Giselaine de Matos, 28, há quatro nos
Estados Unidos, estava cansada de ver seu salário em dólares
valer pouco em reais quando mandava dinheiro para casa. Planejava,
então, voltar ao país -até que a reviravolta
no câmbio nas últimas semanas a fez mudar de idéia.
" Não gosto muito daqui e não estava compensando economizar
com o dólar a R$ 1,60. Agora me animei de novo", diz ela, que retomou
então o plano de só voltar para Minas Gerais quando tiver reais
suficientes para comprar por lá a casa própria. "Vou mandando
dinheiro aos poucos. Acho que vai levar mais uns cinco anos para eu conseguir
comprar uma casa, mas vai compensar, desde que o dólar esteja alto."
A decisão de adiar o plano de volta -esfriando o fenômeno
de debandada de brasileiros que explodiu com o início da crise
imobiliária, no ano passado- é comum nas rodas de conversa
de Newark (Nova Jersey), uma das principais colônias brasileiras
nos Estados Unidos, onde as padarias vendem pão francês
e pastéis e se ouvem as músicas de Ivete Sangalo por
todos os cantos.
Entre as coxinhas e empadas da lanchonete brasileira onde trabalha,
Iole Coelho, 51, se diz "aliviada" com a valorização
da moeda norte-americana. " Quero ver o dólar a R$ 4! Assim,
menos brasileiros voltam e as minhas "tips" [gorjetas, que
são comuns em lanchonetes nos EUA] aumentam", diz.
" Tem dia que aqui parece uma Bolsa de Valores: o pessoal já entra
perguntando quanto está o dólar, é a maior euforia",
conta Coelho, que vive há uma década nos EUA e envia dinheiro para
pagar o INSS no Brasil. " Quando estiver velhinha, pode ser que queira morar
lá, então é bom ter uma aposentadoria. Com o dólar
alto, tenho de enviar menos dinheiro, sobra mais para eu gastar aqui."
Na casa de pão de queijo em frente, na sexta-feira, a funcionária
Leda Santos olhava atenta para a TV de 29 polegadas ligada na TV Globo
Internacional. A notícia: o dólar fechara em queda, a
R$ 2,11. Todos se entreolham e bufam, como no gol adversário
em uma partida de futebol. "É uma tristeza ver o dólar
cair. Porque as pessoas aqui trabalham duro, e desanima juntar dólar
se ele não vale muito no Brasil. Se for para ganhar a mesma
coisa, é melhor ficar lá", explica a baiana de Teixeira
de Freiras, que decidiu há meses voltar para o Brasil com o
marido, mas repensou a decisão após o revés cambial.
Por enquanto, a estimativa é que, com a crise, o volume de dinheiro
que os latino-americanos enviam a seus países de origem também
diminui. Segundo o Banco Mundial, as remessas em dólar para
a região caíram pela primeira vez desde que a instituição
iniciou sua medição anual, em 2000, se considerada a
inflação. Em valores nominais, o aumento sutil foi de
US$ 66,5 bilhões para US$ 67,5 bilhões. Em 2009, a projeção é de
queda também em valores absolutos.
Ao lado do desemprego crescente e outros efeitos negativos na economia
americana, o retorno de hispânicos a seus países influencia
esses números. Nos EUA, quatro em cada cinco imigrantes ilegais
têm origem hispânica. De acordo com o Pew Hispanic Center,
o total de imigrantes ilegais no país caiu em 2008 pela primeira
vez em muitos anos. Eram 12,4 milhões em 2007 e são 11,9
milhões atualmente, segundo a estimativa, que tem margem de
erro de 500 mil pessoas para mais ou para menos.
O fenômeno de volta de estrangeiros está ligado à raiz
da crise imobiliária, e mistura parte de suas causas e conseqüências.
Atraídos pelo sonho da casa própria sem necessidade de
comprovação de bom crédito ou de cidadania, muitos
latinos aceitaram hipotecas chamadas de "subprime" que, em
troca da facilidade de obtenção, tinham juros bem mais
altos do que a média do mercado.
Grande parte desses clientes logo sinalizou que não conseguiria
honrar os pagamentos, e a projeção de calote generalizado
detonou o efeito dominó que agora se traduz em efeitos drásticos
para o resto da economia americana e global. A situação
difícil do país, é claro, faz com que mesmo o
dólar valorizado não anime todos os imigrantes. " De
que adianta o dólar subir se a gente não tem dólares
para mandar? Arranjar emprego aqui está difícil",
diz a depiladora Beatriz Dutra, 40, também na cidade de Newark.
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Consultor Jurídico, 19 de outubro
de 2008
Estabilidade democrática
Supremo é a própria
representação da constitucionalidade
por Gilmar Mendes
Para cidadãos de países regidos por vetustas Constituições,
podem até parecer estranhas tantas comemorações
pelos 20 anos da nossa Carta. Mas quem conhece a história
pátria há de bem dimensionar a significância
dessas duas décadas de estabilidade, mormente se confrontada
com o acidentado trajeto percorrido pelo país até o
Estado democrático de Direito.
A Constituição de 1988, mais do que assinalar o término
de um regime de exceção, simbolizou o afã da
mudança em favor de mais equilíbrio em todas as vertentes
-sociais, políticas, econômicas, institucionais. A Constituição
Federal fez-se, assim, eivada da força simbólica do
recomeço. O gigante parecia despertar com vontade de compor
a galeria dos grandes — e não só em potência
econômica.
Daí o extenso catálogo de direitos fundamentais — um
dos mais amplos do mundo-, cuja efetividade é garantida por
mecanismos judiciais consistentes, previstos no texto constitucional.
As criticas quanto a certa propensão para o dirigismo econômico
foram superadas com as mudanças aprovadas pelo Congresso Nacional.
De fato, a normalidade democrática assegurada pela Constituição
de 1988 demonstrou ser à prova de choques tão perturbadores
quanto um confisco radical da poupança, tão graves
quanto o impeachment do presidente eleito pelo povo, isso sem mencionar
crises agudas de hiperinflação e corrupção.
Não houve turbulência interna ou externa que não
tenha sido resolvida dentro dos parâmetros fixados pela Carta.
A partir dessa solidez constitucional, na qual o Supremo figura
como órgão-chave moderador nos embates democráticos,
o país pôde crescer de forma organizada. A segurança
institucional traduziu-se em dividendos econômicos e políticos,
além de elevar a auto-estima do brasileiro. É da legitimidade
que advém a força dessa Constituição,
doravante não mais associada a outorgas ou tutelas de qualquer
ordem, não mais compatível com degolas ou golpes.
De 1988 até hoje, o país passou por transformações
visíveis: o atraso institucional cedeu lugar a um aprendizado
da cidadania corroborado por eleições seguras. A renovação
do processo eleitoral a cada biênio funciona como força
realimentadora do regime. E o melhor: todos os atores políticos
comungam das regras do jogo democrático. A democracia tornou-se
um valor em si mesmo. E isso é alvissareiro, pois garante
que, por estas plagas, diferentemente do viés de retrocesso
político que teima em reaparecer em certas nações
sul-americanas, haveremos de vivenciar o privilégio de sermos
uma forte e soberana democracia.
Isso não significa estar a tarefa completa. Lançando
mão de usual metáfora, preparamos o terreno para a
colheita -que já começou, a julgar pela melhoria nos
indicadores sociais da última década. E a experiência
dos últimos anos indica que as mudanças necessárias
podem ser realizadas dentro dos marcos existentes, dispensada a aventura
de processos constituintes especiais, parciais ou totais.
No Judiciário, a antiga estrutura processual e administrativa
consubstancia desafio a ser enfrentado a partir da perspectiva do
planejamento estratégico de todos os tribunais, coordenado
pelo Conselho Nacional de Justiça, dirimindo o renitente problema
de lentidão processual, bem como aumentando a transparência
e o acesso dos cidadãos -sobretudo dos mais carentes — à prestação
de justiça.
Tal racionalização está em andamento com a
informatização de todos os órgãos. Não
se trata de mera opção técnica, mas de escolha
inspirada nos direitos humanos. No caso das varas de execução
criminal, a informatização permitirá o controle
adequado da situação dos presos e evitará a
manutenção da prisão além do tempo determinado
e fora das condições impostas pela condenação
judicial.
A Justiça brasileira realmente tornou-se mais forte com a
autonomia administrativa e financeira obtida a partir da Carta de
1988, cujos 20 anos coincidem com os 200 anos da criação
do primeiro órgão de cúpula da Justiça
nacional, hoje personificado no Supremo Tribunal Federal, corte que
vem a ser a própria representação da constitucionalidade,
da ordem institucional.
Dia após dia, o Supremo Tribunal Federal vem assumindo a
responsabilidade política de aplicar a Carta de modo a tornar
concretos os inúmeros direitos e garantias fundamentais constitucionalizados
em 1988. E a corte tem respondido — o fará sempre — demonstrando
profundo compromisso com o desenvolvimento desses direitos e corroborando,
assim, a opção do constituinte pelo renovador princípio
da esperança.
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Consultor Jurídico, 19 de outubro
de 2008
Prevenção de câncer
Contestada lei que dá folga
para empregada fazer exame
A Confederação Nacional da Indústria entrou com
Ação Direta de Inconstitucionalidade, no Supremo Tribunal
Federal, contra lei do Rio de Janeiro que obriga a iniciativa privada
a fazer, anualmente, exame preventivo de câncer em suas funcionárias.
E ainda: dar um dia de folga para fazer o exame.
De acordo com a CNI, o artigo 4º da Lei 5.245/08 resulta em
reflexos diretos sobre as relações de emprego porque,
com a interrupção do contrato de trabalho, o empregador
está obrigado a pagar salários e a integrar o tempo
de serviço do dia não trabalhado ao contrato.
A Confederação alega ainda que, por vigorar apenas
no Rio de Janeiro, as indústrias localizadas no estado “certamente
serão prejudicadas com esse dia de folga”. Por não
valer para outro estado, a Confederação sustenta que
a regra pode gerar quebra de isonomia de mercado.
A CNI ressalta que é louvável o propósito do
dispositivo legal no sentido de incentivar o exame preventivo de
câncer de mama e do colo do útero, mas que isso não
atenua a inconstitucionalidade e lembra que a própria CLT,
no artigo 372, protege a mulher em seu ambiente de trabalho em um
capítulo específico.
Afirma, por fim, que o dispositivo agride a Constituição
Federal ao invadir competência privativa da União para
legislar sobre direito do trabalho. Com isso, pede liminar para suspender
a regra e, no mérito, pede que ela seja declarada inconstitucional.
O ministro Celso de Mello é o relator da ação.
ADI 4.157
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Folha de Londrina, 19 de outubro de 2008
Desaceleração deve
afetar políticas de Lula
Queda do crescimento econômico para níveis em torno de
3% em 2009 pode atingir receita, importações e bens duráveis
Rio de Janeiro - A desaceleração do crescimento econômico
em 2009 para níveis em torno de 3%, prevista por diversos analistas,
deve afetar algumas das políticas e conquistas que mais contribuíram
para a popularidade do governo no Lula nos últimos anos: a expansão
do emprego e do crédito, a recomposição salarial
do funcionalismo, o forte aumento do valor real do salário mínimo
e a retomada dos investimentos públicos, por meio do Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC).
Na área fiscal, uma das principais preocupações
dos especialistas são os grandes aumentos salariais concedidos
pelo governo nos últimos anos, na suposição
de que a economia e a arrecadação continuariam a crescer
no mesmo ritmo exibido desde 2007.
''Foi o maior ciclo de aumentos para o funcionalismo de que se tem
notícia'', diz o economista Alexandre Marinis, da Mosaico
Economia Política. Nas medidas provisórias 441, 440
e 431 (esta já transformada em lei), o governo dá aumento
para 1,27 milhão de funcionários públicos (ativos
e inativos) e pensionistas, o que significará custos adicionais
de R$ 21,5 bilhões em 2009, R$ 29,4 bilhões em 2010,
e R$ 35,1 bilhões em 2011.
Segundo os cálculos de Marinis, os gastos do governo federal
com pessoal na ativa vão saltar de 4,6% do PIB em 2008 para
4,9% em 2009, caso o País cresça 4,5% no próximo
ano, ou 5%, caso haja uma desaceleração para 3%. Em
2005, estas despesas foram de 4,3% do PIB.
As contas de outro especialista em assuntos fiscais, o economista
Raul Velloso, mostram que o crescimento das despesas de pessoal está se
acelerando de 10,3% em 2007 para 14,6% em 2008 e 16,5% em 2009. Já os
gastos previdenciários do INSS (do setor privado), cujo crescimento
deve cair de 11,9% em 2007 para 8,9% em 2008, estão projetados
para reacelerar para 14,2% em 2009, segundo a estimativa de Velloso.
O problema principal é a regra de reajuste do salário
mínimo. Apesar de ainda não aprovada pelo Congresso,
ela é a diretriz do governo, e estabelece que o mínimo
seja reajustado pelo PIB de dois anos antes (2007) mais o INPC, o
que hoje corresponderia a um aumento de 14,5%, de R$ 415 (valor atual)
para aproximadamente R$ 475. Como cerca de 35% dos benefícios
do INSS correspondem ao salário mínimo, o grande aumento
tem um forte impacto sobre as contas da Previdência.
Com a economia apresentando desde 2006 um crescimento robusto, o
governo partiu para uma estratégia de aumentar simultaneamente
os gastos salariais, previdenciários, os investimentos e as
transferências sociais. Segundo dados organizados pelo economista
Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(Ipea), os investimentos do governo federal dobraram desde 2006,
e devem atingir R$ 17 bilhões em 2008. Já os gastos
sociais cresceram 40% no mesmo período, para R$ 35,2 bilhões.
Velloso explica, porém, que todo este ímpeto de expansão
da despesa pública , sem comprometer as metas fiscais de superávit
primário, está baseado na ampliação da
arrecadação acima do PIB. Entre 2003 e 2007, as receitas
cresceram 77,1%, comparado a 50,5% do PIB (incluindo inflação).
Agora, ele teme que um efeito oposto possa ocorrer, e a arrecadação
desacelere mais do que o PIB. Velloso lembra que muitos fatores que
puxaram a receita, como os lucros da empresas, as importações
e os bens duráveis e dependentes de créditos (como
automóveis) tendem a ser particularmente atingidos pelo tipo
de desaceleração que a economia brasileira deve enfrentar
.
Neste cenário, o governo terá de fazer duras escolhas
entre manter os aumentos salariais do funcionalismo (há até a
possibilidade de segurar alguns deles e cancelar o preenchimento
de vagas, segundo o ministro Paulo Bernardo), preservar o crescimento
do valor real do salário mínimo, e continuar a expansão
das políticas sociais e do investimento público. É provável
que algo tenha de ser sacrificado, para se manter intacta a política
de superávit primário de 3,8% do PIB.
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Folha de Londrina, 19 de outubro de 2008
SEU DIREITO: PLANO VERÃO
Ouvi dizer que posso receber
um valor referente ao plano de poupança de 1989.
Gostaria de saber o que aconteceu naquela época
e o que devo fazer a respeito.
Em suma, o Plano Verão foi um pacote econômico criado
em 1989 por meio de Medida Provisória, que tinha como objetivo
conter a altíssima inflação da época.
Esta Medida Provisória determinou que o índice utilizado
para atualizar as poupanças seria o LFT (Letra Financeira
do Tesouro) para as correções a partir de janeiro de
1989.
Porém, o LFT não poderia alcançar todas as
poupanças, pois as que faziam aniversário até o
dia 15 de cada mês já haviam iniciado seu período
aquisitivo de atualização (ciclo mensal - desde o dia
15 do mês anterior), sendo que para estas, o LFT deveria valer
só a partir do mês seguinte.
Tendo em vista que o índice trazido pelo LFT era menor do
que o índice em vigor anterior a ele, o OTN (Obrigações
do Tesouro Nacional), acabou-se por lesionar o direito adquirido
daqueles que tinham poupança com aniversário anterior
ao 15º dia de cada mês. Tais pessoas tiveram suas poupanças
corrigidas de forma errada, por um valor muito abaixo do devido.
Passados 19 anos, os bancos não regularizaram tal situação,
sendo direito destas pessoas o recebimento de tal diferença
corrigida por juros de mora e correção monetária.
Sendo assim, aqueles que possuíam qualquer poupança
bancária na época de janeiro e fevereiro de 1989, devem
procurar seus direitos e solicitar com os bancos seus extratos de
poupança daquela época. É importante lembrar
de que o prazo para reclamar tais direitos termina no dia 31 de dezembro
de 2008, sendo estes prescritos depois de tal data.
Fernando Sasaki, advogado
servico@folhadelondrina.com.br
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Folha de Londrina, 19 de outubro de 2008
Construção
civil necessita de socorro de até R$ 4 bi
Brasília - Preocupado com o risco de interrupção
do crescimento do setor de construção civil, o governo
prepara medidas para socorrer as construtoras que fizeram lançamentos
no mercado imobiliário e, com a crise internacional, ficaram
sem dinheiro em caixa e sem crédito para terminar os empreendimentos.
O setor de construção civil estima que necessitará de
um socorro da ordem de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões. Esse
montante será suficiente para que não haja uma queda
brusca no número de empreendimentos em 2009, segundo explicou
o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção
(CBIC), Paulo Safady Simão.
A Caixa Econômica Federal poderá dar garantias aos
financiamentos concedidos por outras instituições financeiras às
empresas. O banco estatal - líder no financiamento imobiliário
- também vai lançar uma linha especial de crédito
para as construtoras que tenham bons projetos.
As medidas em estudo visam a preservar o clima de confiança
no setor da construção civil, que nos últimos
anos teve forte expansão e agora está enfrentando a
restrição de liquidez no Brasil e no mundo.
Segundo o consultor de habitação da Caixa, Teotônio
Rezende, o governo quer garantir a continuidade dos empreendimentos
e evitar uma crise de confiança no mercado imobiliário.
''Estamos estudando a construção de um instrumento
de garantia para dar segurança ao banco que financiar a empresa.
Pode ser um seguro'', disse Rezende à Agência Estado.
De acordo com ele, o governo já tem a radiografia do problema
e vai buscar uma forma de evitar a paralisação dos
empreendimentos. ''A preocupação é justamente
essa, é estratégico evitar uma crise de confiança
que teria um efeito de contaminação muito grande'',
disse.
O consultor da Caixa explicou que essas construtoras foram surpreendidas
descapitalizadas no ''contrapé da crise''. Muitas delas, empresas
de capital aberto, fizeram operações de oferta pública
inicial de ações (IPO, na sigla em inglês, como é conhecida),
alavancaram um volume muito grande de recursos e aplicaram na compra
de terrenos e no lançamento dos projetos. Com a crise, ficaram
sem os recursos para viabilizar a construção do empreendimento.
O diagnóstico do governo é que boa parte dessas empresas
acreditou que essa porta de entrada de dinheiro continuaria aberta
e investiram tudo na compra de terrenos. Fizeram uma aposta arrojada
no lançamento de empreendimentos imobiliários e, agora,
com a volatilidade da Bolsa de Valores e queda do preço dos
ativos, enfrentam uma situação financeira muito difícil,
na avaliação dos técnicos.
''Esse é o grande imbróglio a ser resolvido: elas
não têm os recursos para viabilizar a construção
do empreendimento'', acrescentou o consultor, com a ressalva de que
esse quadro não representa uma situação generalizada
no sistema. Ele não descarta nem a proposta de que as empresas
que se mantém capitalizadas e com acesso ao crédito
possam comprar outras empreendedoras. Teotônio Rezende comentou,
ainda, que, neste momento, não basta simplesmente ampliar
a oferta de dinheiro. ''É preciso fazer algo diferente do
convencional'', sugeriu. ''Uma coisa é ter dinheiro, outra é bancar
o risco do mercado'', disse o consultor da Caixa.
Para ele, como as empresas podem estar fragilizadas financeiramente,
os bancos poderão passar a exigir garantias adicionais para
a concessão do empréstimo. Por isso, a necessidade
de definir instrumentos que permitam a construção de
um modelo de garantia.
''O que os Estados Unidos e a Inglaterra estão fazendo é colocar
bilhões inimagináveis para socorrer o sistema. Estamos
a anos luz do tamanho dos problemas deles, mas temos problemas aqui.
Alguma coisa diferente do convencional tem que ser feito'', enfatizou.
A linha especial em estudo será aplicada no financiamento
de ''bons projetos de empresas sérias'' que, eventualmente,
por conta da mudança do cenário, ficaram sem liquidez.
''O que se está buscando é uma linha de crédito
que permita que essas empresas continuem operando'', explicou ele.
Adriana Fernandes
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Última Instância, 19 de outubro
de 2008
Síndico receberá mais
de R$ 30 mil de indenização após
receber soco de morador
O juiz da 4ª Vara Cível de Brasília determinou que
o síndico de um prédio receberá indenização
no valor de R$ 36.317,00, por danos morais e materiais, em virtude
de um soco desferido contra ele por um condômino do edifício.
Segundo o TJ-DF (Tribunal de Justiça do Distrito Federal),
tudo começou quando o filho de um morador do edifício
estourou bombas no condomínio que quase atingiram um condômino.
O fato teria provocado diversas reclamações por parte
dos demais moradores. O síndico alega que conversou com o
pai do garoto, mas que não teve à solicitação
atendida, além de ter sofrido ameaças verbais e empurrões
deste. Afirma ainda que ao invés de reprimir a atitude perigosa
do filho, o morador agrediu-lhe de maneira imotivada.
Sendo assim, o síndico ingressou com ação requerendo
o ressarcimento dos gastos médicos tidos com o incidente e
o pagamento dos pró-labores que deixou de receber por se ver
obrigado a se mudar do prédio e, com isso, não chegar
ao término do seu mandato, em face da situação
vexatória.
No entendimento do juiz, o valor do pró-labore não
recebido pelo cargo de síndico é definido legalmente
como lucros cessantes, consistindo não nos valores que eventualmente
seriam recebidos, mas sim naqueles que efetivamente seriam recebidos
pelo síndico, caso continuasse no cargo até o final
do mandato.
O TJ-DF informou ainda que o magistrado compreendeu ser razoável
que o síndico se retirasse do cargo,uma vez que além
de ter de conviver com o agressor morando no mesmo prédio,
ainda teria de administrar uma situação que lhe causou
lesão física e moral. “Sua conduta de afastamento
era praticamente exigível”, afirmou o juiz, para quem
uma vez comprovada a agressão física por laudo médico
e admitida pelo próprio condômino, o dano moral torna-se,
pois, incontestável.
Com este entendimento, o magistrado julgou procedente a ação,
condenando o agressor ao pagamento de indenização a
título de dano material no valor de R$ 117,72, referente a
despesas médicas, e R$ 11.200,00 pela perda dos pró-labores
que o síndico deixou de receber, devido ao afastamento do
cargo, totalizando R$ 11.317,72. No que se refere ao dano moral,
foi determinado o pagamento no valor de R$25.000,00, quantia que,
segundo o juiz, cumpre adequadamente o caráter punitivo-pedagógico
da sentença judicial, em virtude da humilhação
sofrida e da alteração estética temporária
vivida pelo síndico. O morador ainda pode recorrer da decisão.
Em sua defesa, o condômino contesta os fatos ocorridos, sustentando
que a renúncia ao cargo de síndico foi voluntária.
Afirma ainda que o desentendimento se deu em virtude de o filho ter
soltado algumas bombinhas no prédio , mas que o síndico,
aos berros, determinou-lhe que parasse com aquilo. O morador afirma
que sua esposa queria pedir desculpas, mas que passou mal diante
da falta de educação do síndico, o que teria
elevado a sua pressão arterial. O pai do garoto alega que
diante do ocorrido, desferiu um tapa contra o síndico, nada
mais.
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