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Agência Diap, 20 de
outubro de 2008
Educação de qualidade
só com trabalho decente
Por: Roberto Franklin de Leão*
Quando as pesquisas nacionais
mostram que mais de 58 mil adolescentes brasileiros com 14 anos, não
sabem ler e escrever, essa realidade mostra que a educação
tem que ser prioridade no país. Quando os números identificam
que cerca de 29 mil jovens são analfabetos, mesmo freqüentando
a escola, nossa luta pela implementação do piso salarial
nacional profissional (PSPN) se faz ainda mais legítima.
A Confederação
Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) defende a
educação como direito por isso se mobiliza pela implantação
do piso, que vai beneficiar professores, alunos e suas famílias,
uma vez que proporcionará melhores índices de desenvolvimento,
com distribuição de renda e valorização dos
trabalhadores e, em conseqüência, uma educação
de qualidade.
No momento em que a educação
está na pauta do dia, precisamos mostrar para a sociedade que é injusta
a tentativa de desqualificar o piso salarial nacional e que ele não
pode ser ameaçado por governadores que alegam não ter como
implementá-lo.
O PSPN representa um passo importante
para a categoria e para a melhoria da qualidade do ensino em nosso país.
Nossas crianças precisam de educação de qualidade
e isso só será possível quando o ensino público
tiver profissionais bem remunerados e satisfeitos, trabalhando em escolas
bem aparelhadas.
Por isso, no dia último
dia 10 de outubro, os educadores de todo País participaram da
Jornada Mundial pelo Trabalho Decente promovida pela Central Única
dos Trabalhadores (CUT).
Descontentes com a profissão,
insatisfeitos com os baixos salários e com as jornadas estafantes
de trabalho, consideram as salas de aulas ruins e admitem, infelizmente,
que os alunos são os maiores prejudicados. Ir às ruas por
um trabalho decente é também é nossa luta.
(*) Presidente da Confederação
Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), entidade
filiada ao Diap
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FOLHA DE SÃO PAULO (ON
LINE), 20 de outubro de 2008 | Dinheiro
OIT prevê 20 milhões
a mais de desempregados devido à crise financeira
com Folha Online
A crise financeira pode
colocar na rua 20 milhões de pessoas
em todo o mundo até o final de 2009, afirmou o diretor geral da
OIT (Organização Internacional do Trabalho), Juan Somavía,
em uma entrevista coletiva à imprensa.
Segundo as estimativas da OIT apresentadas
por Somavía, "o
número de desempregados poderá subir de 190 milhões
em 2007 para 210 milhões no final de 2009", e inclusive ser
maior se a crise se agravar.
"Precisamos de uma ação rápida e coordenada
dos governos para evitar uma crise social que poderá ser grave,
prolongada e mundial", acrescentou o chileno.
Os cálculos do desemprego foram feitos a partir dos dados de
crescimento econômico divulgados pelo FMI (Fundo Monetário
Internacional). "Para 2009 teremos um crescimento de 0,1% nos Estados
Unidos, 0,2% na Europa e 0,5% no Japão, o que, na verdade, seria
um crescimento zero nas maiores economias do mundo", afirmou.
Segundo o relatório anual da OIT, divulgado na semana passada,
a globalização não apenas "falhou em contribuir
no desenvolvimento da produtividade global e na criação
de empregos" como também "intensificou a instabilidade
econômica".
"Globalmente, crises no setor bancário foram 10 vezes mais
freqüentes nos anos 90 do que no final dos anos 70", diz o
documento. "O desemprego deve aumentar em conseqüência
da queda no investimento e isso pode intensificar ainda mais as desigualdades
de renda", afirmou a OIT.
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O GLOBO, 20 de outubro de 2008 | Economia
Estímulo
Pacote para construção civil prevê ajuda de até R$
3 bilhões
RIO - O pacote que o governo prepara
para a construção
civil deve dar uma ajuda entre R$ 2,5 bilhõese R$ 3 bilhões,
segundo estimam fontes envolvidas nas negociações para
ajudar as construtoras a enfrentar o aperto de crédito provocado
pela crise financeira. Como mostra reportagem publicada pelo Globo
neste sábado, a principal medida será a criação
de uma linha de financiamento específica para pemitir que uma
empresa possa comprar ativos (empreendimentos) de outra com dificuldades
de caixa. O objetivo é evitar que lançamentos sejam adiados
e obras, paralisadas.
Ainda de acordo com a reportagem, esses
recursos também poderão
ser usados em eventuais fusões, aquisições e incorporações
no setor. Para isso, o governo deverá mexer novamente no recolhimento
compulsório. Só que, desta vez, a idéia não é mexer
simplesmente no percentual dos depósitos que os bancos são
obrigados a recolher ao Banco Central, mas forçar as instituições
a emprestarem para ser beneficiadas.
A previsão é que as medidas sejam anunciadas na próxima
semana.
Ajuda é bem-vinda Representantes do setor de construção
civil dizem que toda ajuda do governo para garantir crédito
será bem-vinda. Mas, para Rogério Chor, presidente da
Associação Brasileira dos Dirigentes das Empresas do
Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), o governo deveria aproveitar
o momento para reduzir a burocracia e incentivar a compra de imóveis
como investimento. Chor acredita que em 2009 o setor tende a ter menos
lançamentos do que em 2008, como resultado da crise.
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IMIRANTE,
20 de outubro de 2008 | Plantão I
Encontro
Setor da construção se reunirá em São Luís
SÃO LUÍS - Com a expectativa de reunir entre 800 e 1.000
empresários da construção civil de todo o país,
será realizado em São Luís, de 22 a 24 deste mês,
no Centro de Convenções “Pedro Neiva de Santana”,
o 80º Encontro Nacional da Indústria da Construção
(Enic), considerado o maior evento do setor na América Latina.
Durante três dias, serão debatidos, em fóruns e
painéis, temas de interesse do setor, tais como indústria
imobiliária, qualidade e produtividade, obras públicas,
meio ambiente, relações trabalhistas, inovação
tecnológica e sustentabilidade, lei de licitações,
além da crise financeira, que deverá ser a tônica
do encontro.
O 80º Enic, além de se caracterizar como um importante fórum
de discussões e troca de informações, é uma
oportunidade de se conhecer a força da construção
civil, setor que responde por 4,7% do Produto Interno Bruto (PIB) do
Brasil (dados de 2007), e cujos canteiros de obras geraram, no período
de janeiro a setembro deste ano, 300.882 postos de trabalho com carteira
assinada no país.
Para ilustrar mais ainda o poder de fogo
do setor, no primeiro semestre deste ano, o PIB do país cresceu 6%, sendo a construção
civil um dos maiores responsáveis por esse resultado, ao registrar
alta de 9,9%, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE).
O bom desempenho da construção civil nos primeiros seis
meses do ano foi puxado por obras públicas, como as do Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC) e pelo incremento nominal
de 26,7% de operações de crédito para habitação.
Antes do agravamento da crise imobiliária americana que está abalando
o mundo, com repercussões na economia só sentidas na depressão
de 1929, as projeções eram de que a construção
civil cresceria 10,2% em 2008. E na formação do PIB do
país, a participação do setor saltaria para 5,5%.
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AGÊNCIA AFP, 20 de outubro
de 2008
Mercado da construção
civil atinge seu nível mais baixo em 17 anos nos EUA
WASHINGTON (AFP) — O mercado da construção de imóveis
prossegue em queda nos Estados Unidos, e, com a queda de 6,3% em setembro,
registrou seu nível mais baixo desde janeiro de 1991, segundo
cifras oficiais publicadas nesta sexta-feira pelo departamento do Comércio.
As permissões de construção igualmente caíram
em setembro, 8,3%, com apenas 786.000 unidades (em ritmo anual), ou seja,
seu nível mais baixo desde novembro de 1981. A cifra do mês
anterior foi revisada em leve alta, a 857.000 permissões (ao invés
de 854.000).
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GAZETA ON LINE, 20 de outubro
de 2008
Trabalhadores da construção
civil protestam em canteiros de obras da Grande Vitória
(Melina Mantovani - Redação Gazeta Rádios
e Internet)
Os trabalhadores da construção civil paralisaram
as atividades em alguns canteiros de obras da Grande Vitória, nesta
segunda-feira (20). De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores da Construção
Civil (Sintraconst), a mobilização é devido ao não
pagamento ou pagamento incorreto referente à participação
nos resultados (PR) por algumas empresas.
Nesta manhã, em frente ao Tribunal de Justiça, na Enseada
do Suá, Vitória, duas obras da construtora Galwan estavam
paralisadas. Os operários realizaram uma manifestação
próximo ao local e depois foram liberados. As paralisações
acontecem de forma isolada de acordo com a situação do
pagamento da PR em cada empresa. Dessa forma, não se trata de
uma greve generalizada da categoria.
A PR corresponde a um salário base, sem descontos e acréscimos,
pago anualmente. De acordo com o diretor do Sintracont, Flávio
Pinheiro Barros, a construtora Galwan está descontando da PR faltas
com apresentação de atestado médico e até mesmo
com atestado de licença maternidade. O diretor do Sindicato deve
percorrer mais canteiros de obras, nesta terça-feira (21), e caso
constate irregularidade no pagamento da PR, os trabalhadores serão
aconselhados a paralisarem as obras.
Segundo o presidente do Sintraconst, Paulo
César, cerca de 50
obras estão paradas desde a semana passada na Grande Vitória,
quando o protesto começou. De acordo com o sindicato, os trabalhadores
voltam às atividades após o pagamento da PR pelas empresas
responsáveis pelas obras.
O Sindicato da Indústria da Construção Civil do
Estado do Espírito Santo (Sindicon) não quis comentar as
paralisações, mas afirmou que a situação
deve ser resolvida entre o Sintraconst e cada empresa envolvida. Caso
uma greve geral seja deflagrada, a entidade informou que vai agir de
acordo com a lei em nome de seus associados.
A diretoria da construtora Galwan foi procurada
para se posicionar sobre a paralisação dos trabalhadores, mas não
houve retorno.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
20 de outubro de 2008 | Brasil
ENTREVISTA
FRANCISCO DE OLIVEIRA
Desindustrialização expulsa
esquerda de SP, diz sociólogo
Francisco de Oliveira diz que trabalhadores
do setor informal em geral votam na direita
A desindustrialização
de São Paulo empurrou a esquerda para fora da cidade, sustenta
o sociólogo Francisco de Oliveira, 74, professor titular aposentado
do Departamento de Sociologia da USP. Segundo ele, a fuga das indústrias
da capital paulista converteu a cidade num pólo de serviços
com um setor informal muito extenso, cujos integrantes não se
identificam com o PT: "Em geral eles votam na direita devido ao
imediatismo. É gente que quer receber benefícios imediatos,
sem esperar por transformações estruturais". Segundo
Oliveira, o Bolsa Família é uma "política conformista" que
reflete o predomínio desse "exército informal que
representa mais de 50% da força de trabalho".
MAURICIO PULS
DA REDAÇÃO
Na entrevista a seguir, concedida
na última terça-feira, o sociólogo sustenta ainda
que, ao chegar ao poder, "o PT foi engolido pelo atraso", pois
trocou uma política de classe por uma política de combate à pobreza.
FOLHA - Em novembro
de 2004, o sr. publicou um artigo na Folha em que dizia que Marta Suplicy
foi derrotada pelo governo Lula, pois sua política econômica
era indefensável. Hoje Lula tem mais de 50% de aprovação
na cidade de São Paulo. Como o sr. explica a rejeição
a Marta? A criação das taxas? As políticas sociais
do PT? Críticas moralistas?
FRANCISCO DE OLIVEIRA - Um pouco de tudo isso. Em primeiro lugar, naquela época
o ataque da mídia ao governo Lula era muito intenso, e Lula não
transferiu votos para Marta, transferiu a carga negativa. Agora a situação é a
seguinte: a administração de Kassab está muito fresca
na memória, enquanto a de Marta já tem quase quatro anos de distância.
Isso hoje é muito importante devido à imediaticidade da mídia. É ela
que faz a nossa consciência: é uma presentificação
absoluta. A distância da administração da Marta esbarra
na imediaticidade das avaliações positivas de Kassab. O fato
de a avaliação do governo federal ser positiva na cidade de São
Paulo não dissolve essa distância da Marta. E São Paulo é uma
cidade bastante conservadora. Bastante conservadora. Se você retoma a
história brasileira, o populismo paulista sempre foi de direita: Adhemar
de Barros, Jânio Quadros, Paulo Maluf.
FOLHA - Ignácio
Rangel dizia que o latifúndio gaúcho -Getúlio
Vargas, João Goulart- conseguiu representar politicamente a
indústria nacional, o que deu origem a um populismo de esquerda,
progressista. Mas isso não aconteceu em São Paulo.
OLIVEIRA - Isso nunca aconteceu. Mas não é só isso. Na
verdade o que é importante no Rio Grande do Sul é a pequena propriedade,
não é o latifúndio: o latifúndio enche nossas mentes,
mas não forma... As ideologias populistas nascem no Rio Grande do Sul,
mas é importante não esquecer que o Estado conheceu um positivismo
muito especial, que é o que influi na legislação trabalhista.
Vargas era positivista, a moçada formada nas escolas militares era positivista.
Não é a toa que a divisa da bandeira brasileira é "Ordem
e Progresso". E São Paulo não teve essa formação.
FOLHA - Mas por que a
direita é especialmente forte em São Paulo? Devido à centralidade
econômica da cidade, sede de grandes empresas, bancos, associações
empresariais?
OLIVEIRA - De fato, a centralidade econômica de São Paulo leva
a cidade para a direita. Não é tautológico, mas é um
fato.
FOLHA - Mas o PT continua
sendo muito votado na periferia da cidade e nos demais municípios
da região metropolitana. O sr. acha que a esquerda foi expulsa
para fora da cidade -para a região metropolitana?
OLIVEIRA - Foi, é verdade. Esse é um fenômeno político
da maior importância. As indústrias saíram de São
Paulo. São Paulo não é mais uma cidade proletária: é uma
cidade de serviços e de um setor informal imenso, cuja identificação
de classe é muito ambígua, muito perpassada pelo fenômeno
da sobrevivência. É uma situação de classe muito
difícil. São Paulo não é mais do proletariado clássico.
Moro num bairro, a Vila Romana, que antigamente tinha várias indústrias.
Hoje não tem mais nenhuma, todas foram para outros municípios.
FOLHA - Inclusive é uma área
de forte investimento imobiliário.
OLIVEIRA - Forte, muito forte. Não é uma zona rica, comparada
a Higienópolis, mas é uma zona de investimentos imobiliários
muito altos. E aqui você tinha a Matarazzo, a Saturnia, a Melhoramentos
-hoje aqui só ficou o escritório-, a Parmalat... Era uma zona
de fábricas, e hoje não tem mais nenhuma. Isso aconteceu com
a cidade como um todo. A cidade se desproletarizou na forma clássica
e ganhou um enorme exército de trabalhadores informais....
FOLHA - Que em geral
não votam na esquerda...
OLIVEIRA - Em geral eles votam na direita devido ao imediatismo. É gente
que quer benefícios imediatos, sem esperar por transformações
estruturais.
FOLHA - Apesar de sua
provável derrota em São Paulo, o PT continua sendo o
partido que mais cresceu no país. Em 2004 o sr. escreveu que
isso mostrava o envelhecimento de um partido nascido para reformar
o país. O sr. ainda mantém essa opinião: o PT
foi engolido pelo atraso ou foi o atraso que se modernizou?
OLIVEIRA - Eu acho que o PT, como força transformadora, foi engolido
pelo atraso. Qual é a modernização que existe aí? É uma
modernização de políticas sociais que são políticas
de ajustamento, não são políticas sociais transformadoras
-elas se ajustam à realidade. O Bolsa Família é uma política
de ajuste, uma política conformista. E isso reflete essa situação
um tanto ambígua de uma classe que não é classe, desse
enorme exército informal que representa mais de 50% da força
de trabalho. Então, o PT foi engolido pelo atraso. A modernização
das políticas sociais é uma regressão da classe para a
pobreza, enquanto o movimento histórico vai da pobreza para a classe.
A extensão das políticas sociais focais é uma regressão
da classe para a pobreza: elas são políticas para os pobres.
FOLHA - Os partidos social-democratas
de tipo clássico se baseavam em seções territoriais,
os núcleos de base. Hoje os núcleos do PT praticamente
desapareceram. Essa transformação reflete a conversão
de um "partido dos trabalhadores" em um "partido dos
pobres"? O PT não é mais um partido social-democrata?
FOLHA - Não, não é. Isso reflete em parte essa mudança
e, em parte, é um reflexo da chegada ao poder. Você se profissionaliza
porque a gestão do Estado exige a profissionalização.
Não é um Estado qualquer: é um Estado capitalista, todo
permeado por relações patrimonialistas, mas na maior parte dos
casos você tem que gerir dinheiro. E dinheiro não se gere passando
a mão na cabeça. O partido profissionalizou-se e burocratizou-se
no sentido weberiano -ele tem de tornar a gestão previsível,
e por isso se profissionaliza. Isso é em parte o efeito da chegada ao
poder, e em parte o efeito da regressão da classe para a pobreza.
FOLHA - Mas o PT ainda
tem um vínculo razoavelmente estreito com os sindicatos. O sr.
acha que ele se parece hoje mais com o Partido Democrata norte-americano,
que ainda está ligado a uma central como a AFL-CIO, do que com
os social-democratas europeus, que antes eram estruturados a partir
dos sindicatos?
OLIVEIRA - Não, não é mais o modelo europeu. É mais
próximo realmente do modelo norte-americano, com algumas particularidades
que a legislação brasileira conferiu, devido ao fato de que a
influência do Estado na formação da economia levou à formação
desses fundos estatais, que eram mecanismos de acumulação, e
que estão na maior parte dos casos sob o controle de sindicalistas. É uma
transformação da classe.
FOLHA - É aquilo
que o sr. tinha descrito no "Ornitorrinco". O sr. acha que
o partido hoje é controlado por uma nova classe social?
OLIVEIRA - Eu acho. É uma expressão forte, porque os sociólogos
têm muito medo de falar em classe social. Mas é uma nova fração
de classe que tem um papel muito importante hoje.
FOLHA - O sr. fala de
uma aproximação entre PT e PSDB. Mas o que opõe
os dois partidos nas eleições? Qual é a fratura
que divide os dois?
OLIVEIRA - A fratura é parecida com a que existe nos Estados Unidos:
embora democratas possam ser tão ricos quanto republicanos, essa fratura
permanece nos EUA devido a origens históricas diferentes. Isso tem peso.
Quem fez a paz no Vietnã foi um conservador. Os democratas não
ousavam dar nenhum passo no Vietnã porque apareceriam como traidores.
Origens históricas diferentes continuam a pesar, e o fato de que, a
partir dessas origens diferentes, eles se inscreveram junto ao eleitorado como
alternativas. Mas a aproximação entre eles é tão
grande que em Minas tentou-se essa façanha, de eleger um tertius que
representasse os dois partidos, PT e PSDB. Essa é a tendência.
Mas não ocorrerá de forma absoluta devido a essas raízes
históricas diferentes. Mas as diferenças reais são muito
pequenas.
FOLHA - Mas, se há uma
identidade absoluta, não haveria nenhum fundamento para uma
escolha do eleitor. Existiria alguma coisa substantiva além
das raízes históricas?
OLIVEIRA - Existe. Ainda há diferenças. Mas do ponto de vista
das políticas decisivas elas são quase irreais -as diferenças
reais quanto ao rumo da política nacional são quase irrelevantes.
Mas eles jamais vão se unir, porque em política a soma não é maior
do que as partes, como o caso de Minas revelou: juntaram duas forças
que aparentemente iam aplastar qualquer outra. E não resultou.
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O ESTADO DO PARANÁ,
19 de outubro de 2008 | Opinião / Colunistas / Opinião
Pessoal
Tribunal Superior do Trabalho e assalariados
Hélio Duque
O Direito do Trabalho é área
especializada no campo das ciências jurídicas em que se
fundamentam as garantias básicas do trabalhador. A Justiça
Especializada do Trabalho tem a sua competência definida pela Constituição,
devendo julgar e processar as ações oriundas de demandas
trabalhistas, envolvendo os agentes produtivos públicos e privados.
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) é a sua instância
máxima na resolução das controvérsias envolvendo
as relações entre capital e trabalho. Infelizmente, nos últimos
anos aquela corte vem sendo entupida com processos já julgados
e prolatados nas instâncias estaduais. Estima-se que chegue ao
TST, por ano, 130 mil processos para julgamento de recursos oriundos
de decisões já sacramentadas com sólidos fundamentos
jurídicos pelos tribunais regionais do Trabalho (TRTs). Da totalidade
dos recorrentes, 80% são constituídos por empresas de médio
e grande porte.
Para uma melhor compreensão,
vamos didaticamente explicitar a sua importância democrática
assegurada pelo artigo 114 da Constituição acrescida da
Emenda Constitucional 45/04, que estabeleceu nova redação
garantindo os direitos do trabalhador. Proporcionando uma nova dinâmica
nas relações capital e trabalho. Facultando ao trabalhador
acionar a Justiça do Trabalho, mesmo sem a assistência de
um advogado que o represente, em casos extremos.
Os Tribunais Regionais do Trabalho
atuam nas diferentes regiões brasileiras. A instância inicial é a
Vara do Trabalho com a titularidade de juízes que recebem as iniciais
ações reclamatórias. As sentenças nascidas
nessas instâncias, em grande número são acatadas
pelas partes e o processo torna-se terminativo. Confere agilidade e solução
rápida para o conflito envolvendo empregador e empregado. Ao ato
discordante das sentenças emanadas das Varas trabalhistas, a instância
recorrida é o Tribunal Regional do Trabalho. Ocorrendo a ratificação
da sentença pelo TRT, a parte que se considera prejudicada, majoritariamente
pessoa jurídica, apela ao TST. Com isso retardam dolosamente os
legítimos direitos do trabalhador. Calcula-se a existência
de 250 mil trabalhadores. Calcula-se a existência de 250 mil processos
naquela instância máxima aguardando solução.
Torna-se impossível a
celeridade processual. A expectativa média é de 5 ou mais
anos para um recurso que chegue ao TST possa ser julgado. A sobrecarga
de trabalho dos ilustres ministros que o integram chega a ser desumana.
Para se ter uma idéia mais clara: hoje um ministro para colocar
em dia o volume de recursos teria de analisar 160 processos por semana.
Respeitáveis juristas consideram que a carga exorbitante de recursos
recebidos pelo TST compromete a sua missão institucional de conformador
do ordenamento jurídico-trabalhista brasileiro. Algumas das maiores
empresas brasileiras, principalmente estatais, para estatais e fundações,
são alimentadoras desse abarrotamento de recursos e agravos junto àquele
tribunal.
Simplificar a ação
jurisdicional, imprimindo dinamismo à Justiça do Trabalho é um
desejo e preocupação de juristas e ministros que integram
o TST. Medidas como aumentar o depósito recursal e as multas não
surtiram o efeito pretendido. A adoção do critério
da transcendência para a admissão do recurso de revista
seria fundamental para a agilidade processual. O Supremo Tribunal Federal,
em agosto de 2007, considerou o princípio da transcendência
constitucional. Se adotada pelo Tribunal Superior do Trabalho, vários
dos seus ministros acreditam que reduziriam em até 70% o volume
de recursos encaminhados àquela corte. O que representará uma
grande conquista para a dinamização da Justiça do
Trabalho no Brasil.
A transcendência atingiria
objetivos claros: acesso, segurança, celeridade, qualidade e baixo
custo para processo trabalhista. Representaria uma conquista para os
trabalhadores brasileiros que hoje vêem os seus direitos retardados,
pelas ações recorrentes daqueles que tentam negar os seus
legítimos direitos. Infelizmente a mudança de paradigma
com a adoção do princípio da transcendência,
encontra resistências em determinados círculos. Mas os seus
defensores argumentam com fatos. Em entrevista a revista "Consultor
Jurídico" (11-11-2007), o ministro do TST, Ives Gandra da
Silva Martins Filho, rebate as críticas formulando original e
grave constatação: "Com o volume atual de trabalho,
quem acaba julgando os processos? O processo começa nas mãos
de um jovem juiz, recém-formado, decidindo sobre a vida, a liberdade
e propriedade do cidadão. E como é que termina num Tribunal
Superior?" A resposta dada pelo próprio ministro Ives Gandra
Filho é muito grave: "As vezes na mão de outro jovenzinho,
estagiário, que repassa assessor, que às vezes não
tem tempo de revisar e passa para o ministro, que também não
tem tempo de analisar. Assim termina a história do nosso processo.
Estou abrindo aqui uma realidade que é vivenciada por nós,
porque alguém tem de dizer que o rei este nu".
Certamente por conhecer essa
realidade surrealista, as grandes empresas usam e abusam da tática
protelatória nas reclamações trabalhistas à exaustão.
Por exemplo, no Rio de Janeiro, empresas como a Petrobras não
acatam as sólidas decisões jurídico-trabalhistas
emanadas do Tribunal Regional do Trabalho. Recorre ao TST, em caso em
que teve as suas razões vencidas, por unanimidade, em até três
vezes. O desembargador Alexandre Agra Belmonte, no TRT-Rio foi relator
de um processo onde aquela empresa foi derrotada no mérito. Impetrou
embargos de declaração, igualmente derrotada. Peticionou
recurso de revista, igualmente indeferido. O que fez a Petrobras? Recorreu
ao TST através de agravo de instrumento. Sobrecarregando a instância
suprema de garantia e segurança dos legítimos direitos
dos assalariados brasileiros. Os milhares de processos que abarrotam
aquele tribunal têm origem semelhante.
Hélio Duque é doutor
em Ciências, área econômica, pela Universidade Estadual
Paulista (Unesp). Foi deputado federal (1978-1991). É autor
de vários livros sobre a economia brasileira.
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FOLHA DE LONDRINA, 20 de
outubro de 2008 | Economia
Crédito imobiliário
do Brasil é mais seguro
Os recursos para habitação
são provenientes basicamente do FGTS e da poupança: ‘Duas
fontes seguras’, garante a Caixa
A crise imobiliária que abalou os alicerces da economia americana e
provocou a turbulência no mercado financeiro mundial teria pouca probabilidade
de ocorrer no Brasil, segundo especialistas. E a razão é simples:
diferentemente dos Estados Unidos, o sistema para liberação de
crédito imobiliário no País está pautado em regras
mais conservadoras e seguras. O resultado disso é um índice de
menos de 2% de inadimplência, na região de Londrina, e pouca instabilidade
do mercado.
‘‘O sistema financeiro
da habitação no Brasil é avesso a riscos. As regras
são mais conservadoras’’, pontua Roberto Luiz Bachmann,
superintendente regional da Caixa Econômica Federal, um dos principais
agentes financiadores do segmento no Brasil. Aqui, a avaliação
para se liberar crédito é muito mais criteriosa. Leva-se
em conta todos os riscos que o tomador do empréstimo oferece,
renda, estabilidade financeira, entre outros fatores.
A Caixa, por exemplo, tem procurado
melhorar a qualidade da carteira para diminuir a possibilidade de inadimplência. ‘‘E
estamos conseguindo’’, frisa Bachmann. Às vezes, segundo
ele, é mais interessante liberar o financiamento para um cliente
que tem uma renda baixa, mas está empregado com carteira assinada
há mais de dois anos, do que para um autônomo com renda
alta, porém sujeita à volatilidade.
Por outro lado, nos Estados
Unidos, o que desencadeou a crise do setor foi exatamente a negligência
na concessão de crédito imobiliário. Lá,
explica o superintendente da Caixa, várias instituições
financeiras flexibilizaram a liberação de recursos, sem
analisar concretamente a capacidade de pagamento dos clientes. Muitas
pessoas que tomaram dinheiro emprestado dos bancos não estavam
empregadas ou não estavam com o nome limpo na praça. Resultado:
inadimplência. ‘‘É a chamada crise do subprime’’,
lembra o superintendente da Caixa, frisando que esse processo de liberação
de crédito começou há cerca de dois anos.
Fora o fato das hipotecas terem
risco maior devido ao perfil dos tomadores de crédito, os bancos
também passaram a fazer empréstimos não-tradicionais,
com juros mais baixos nos primeiros anos do contrato – e que depois
eram reajustados para taxas mais altas – e prestações
iniciais só com o pagamento dos juros.
Um agravante dentro do processo
de concessão de crédito imobiliário americano é o
fato dos recursos serem oriundos basicamente de investidores, acrescenta
Sidney Pereira do Nascimento, economista e professor da Universidade
Estadual de Londrina.
Segundo ele, as pessoas aplicam
no banco, comprando títulos ou ações, por exemplo,
e é esse o dinheiro liberado para empréstimo. ‘‘O
sistema americano funciona basicamente em credibilidade: se o mercado
está bom, o investidor permanece com o investimento, se não
está bom ele quer de volta o dinheiro que aplicou’’,
explica Nascimento. Como a inadimplência hipotecária ficou
alta, os bancos não tinham dinheiro para devolver aos investidores
ou o fizeram bem abaixo do que havia sido contratado.
No Brasil, o recurso para financiamento
habitacional é proveniente basicamente do Fundo de Garantia (FGTS)
e da poupança. ‘‘Duas fontes seguras’’,
afirma o superintendente da Caixa. Segundo ele, só para se ter
uma idéia, há 28 meses consecutivos a captação
da poupança tem sido positiva. De janeiro até outubro,
o volume chegou a R$ 579 milhões.
Roberto Luiz Bachmann comentou
que a crise que se instalou no mundo pode até diminuir o ritmo
de crescimento da captação, mas não vai prejudicar
o setor. ‘‘O investidor brasileiro tem um perfil conservador.
Então, em momentos de crise prefere tirar as aplicações
de rendas variáveis e colocar na poupança que é um
porto seguro. Ganha menos, mas ganha’’, pontua.
Em relação ao
FGTS, Bachmann destaca que nos últimos anos tem crescido o número
de trabalhadores com carteira assinada e isso fortalece o sistema. É um
recurso que não pode ser retirado aleatoriamente do banco, em
momentos de crise, por exemplo, destaca Nascimento. Por isso, é uma
forma mais segura.
Erika Zanon
Reportagem Local
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Vermelho, 20 de outubro de
2008
Emir Sader: A crise e o poder global
depois dela
Vamos ao que realmente conta:
em que medida a crise atual afeta as relações de poder
no mundo atual? Para isso é preciso resumir em que momento da
trajetória recente do capitalismo ela se situa e qual a configuração
de poder que ela encontra e altera. Vivemos um período histórico
marcado por duas grandes viradas – ambas de caráter regressivo:
a passagem de um mundo bipolar a outro, unipolar, sob hegemonia imperial
estadunidense; a transição de um modelo regulador a outro,
de caráter neoliberal, de desregulação.
Por Emir Sader
A transição foi
igualmente a de um período longo de caráter expansivo,
iniciado no segundo pós-guerra e concluído em 1973, a um
período longo de caráter recessivo – porque a desregulação
levou à transferência maciça de capitais do setor
produtivo ao setor especulativo e, como conseqüência, a um
período de baixos índices de crescimento.
Nesse marco, a década
passada foi a lua-de-mel do novo período histórico, com
o fim da URSS e os EUA, à cabeça do bloco imperialista,
com capacidade de impor a “pax americana”, com apoio da ONU
e/ou da Otan, desenvolvendo as chamadas “guerras humanitárias” – no
Iraque, na Bósnia. Ao mesmo tempo, os EUA lideraram um ciclo curto
expansivo, coincidente com o governo Clinton, onde reinou a euforia de
uma suposta “nova economia”, que superaria o caráter
ciclo da economia capitalista. Foi o auge da hegemonia norte-americana
e do modelo neoliberal.
O esgotamento desse ciclo estadunidense
- acompanhado das crises nas economias brasileira e argentina, na região
onde mais reinava o neoliberalismo – e a reação do
governo Bush aos atentados de 2002, vieram alterar esse quadro idílico,
da primeira década do novo período histórico. O
segundo foi marcado pelas guerras do Iraque e do Afeganistão,
pelo surgimento e coordenação de cada vez mais governos
do continente em projetos autônomos de integração,
assim como pela consolidação do ritmo de crescimento da
China.
A crise, iniciada nos EUA e estendida à Europa,
ao Japão e ao resto do mundo, se acrescenta a esses elementos
para configurar a conjuntura atual. Ela acentua elementos já presentes
anteriormente: o declínio econômico dos EUA, a fragilidade
de um modelo centrado na acumulação financeira, o avanço
de uma multipolaridade econômica no mundo, o fracasso dos EUA de
resolver militarmente as guerras do Iraque e do Afeganistão. A
crise que se instaura, mais forte e prolongada que em outros lugares,
nos EUA, enfraquecerá ainda mais essa economia. Porém os
EUA utilizam sua capacidade de iniciativa política e de liderança
sobre outras potencias centrais, para tentar impor sua solução à crise,
exportar seus danos mais graves e buscar se recompor como potência
econômica.
Apesar dessas realidades, a nova
relação de forças vai depender das disputas sobre
quem pagará os pratos quebrados e que tipo de discurso triunfará,
como interpretação da crise. Apelar ao Estado, depois de
1929, foi sempre um instrumento inclusive do liberalismo, para recompor
as condições de funcionamento do mercado.
Hoje existe uma derrota ideológica
forte das ideologias de mercado, quaisquer que sejam as justificativas
que se trate de dar. Porém, podem predominar soluções
conservadores, mesmo com utilização do Estado, possibilidade
mais provável hoje, pela composição de direita do
quadro político europeu e japonês. Para as grandes potências
capitalistas se trata de salvar, a qualquer preço, as estruturas
econômico-financeira existentes, com intervenções
estatais e maciças injeções de dinheiro.
O quadro pós-crise e suas
novas configurações de poder estão abertas. Pode
se dar um refortalecimento dos EUA como potência hegemônica,
conforme ele consiga exportar uma parte dos efeitos negativos da crise,
compartilhando com as outras economias centrais, mas principalmente,
impondo duras soluções internas para a massa da população
norte-americana e, principalmente, para os países da periferia,
a começar pelos emergentes.
Esta alternativa será possível
será a principal variante da crise não se colocar em funcionamento,
isto é, se as maiores economias emergentes e, em particular, os
projetos de integração da América Latina, não
criarem suas próprias políticas diante da crise e compartilharem – ativa
ou passivamente – as políticas das potências centrais
do capitalismo. A alternativa, que pode efetivamente mexer no quadro
de poder mundial sob os efeitos da crise atual, deve vir, antes de tudo,
do aprofundamento dos processos de integração latino-americanos,
a começar pelo Banco do Sul – com o avanço decisivo
para a criação de uma moeda única regional, de um
Banco Central único, de políticas econômicas cada
vez mais articuladas, de processos de regulação da circulação
de capital, entre outras medidas. O que, por sua vez, implica no aceleramento
da implantação e da assunção de responsabilidades
por parte do Parlamento do Mercosul, da Unasul, do Conselho de Sul-americano
de Defesa.
Ao mesmo tempo, requer o aprofundamento
da coordenação dos países do Sul do mundo, para
evitar que se exporte para essa região a crise forjada no Norte.
E, paralelamente, que se desenhe e se coloque em prática uma visão
e uma política de superação da crise desde os interesses
do Sul do mundo, que necessariamente aponte para a superação
do modelo neoliberal e dos organismos internacionais responsáveis
por ela.
O mundo não será o
mesmo, passada a crise atual. Abre-se, com ela, uma gigantesca disputa – de
interesses e de interpretações – sobre o seu significado
e sobre as lições a tirar dela. O Norte busca rearticular-se
para defender-se das suas evidentes responsabilidades e tratar de impor
suas soluções, exportando grande parte das suas conseqüências
negativas. Resta ao Sul do mundo – e à América
Latina em particular – saber defender nossos interesses, projetar
nossa visão sobre o sentido dessa crise e colocar em prática
políticas de superação do neoliberalismo e de
criação de um mundo multipolar e pós-neoliberal.
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Gazeta do Povo, 20 de outubro de 2008
Finanças
Cara a cara com a crise, consumidor
não quer saber de juros
Segundo levantamento da Paraná Pesquisas,
curitibano crê que o momento é ruim para comprar carro,
casa ou eletrodoméstico a prazo
Há cerca de três semanas, quando a crise financeira já provocava
colapsos em bolsas e bancos internacionais, o técnico em telecomunicações
Gílson José do Amaral assinou um contrato de financiamento para
pagar seu novo apartamento pelos próximos 20 anos, após dar 20%
do valor do imóvel como entrada. Ele e a esposa, Rose, farão
a mudança ainda neste mês, e logo o apartamento do bairro Jardim
Botânico receberá dois novos moradores – os gêmeos
Pedro e Lucas, que nascem em janeiro. Mas histórias como a de Gílson
e Rose, que não hesitaram em comprometer parte de sua renda em meio
aos tremores do sistema financeiro, devem se tornar cada vez mais raras.
Cerca de 70% dos curitibanos consideram que as turbulências já afetam
o Brasil e quase 40% dizem já sentir diretamente algum tipo de reflexo,
principalmente o aumento dos juros e a redução dos prazos de
empréstimos. Por isso, a maioria considera que o momento não é bom
para comprar imóveis, veículos ou eletrodomésticos, e
pretende reduzir os gastos no Natal. A constatação é de
um levantamento preparado pela Paraná Pesquisas, a pedido da Gazeta
do Povo.
Hedeson Alves/Gazeta do Povo
Gílson do Amaral, que assinou financiamento imobiliário no auge
da crise: ousadia que vai ficar mais rara.
A pesquisa ouviu 464 habitantes da capital paranaense com mais de 16 anos entre
os dias 15 e 16 de outubro. Cerca de 90% afirmaram ter conhecimento da crise,
dos quais 78% a consideram “grave”. Entre os 28% que acreditam
que a tormenta ainda não afeta o Brasil, 77% pensam que, cedo ou tarde,
ela vai desembarcar por aqui. “A cobertura da mídia tem sido muito
intensa, e a população se mostra bastante antenada. E receosa
em relação ao que está por vir, se observarmos as respostas
relacionadas a decisões de consumo que envolvam pagamentos parcelados”,
avalia Murilo Hidalgo, diretor da Paraná Pesquisas.
Para 74% dos entrevistados, a hora não é boa para comprar carro
ou casa própria – investimento que, apesar de ter juros mais baixos
que o de outras modalidades, costuma ser pago em prestações a
perder de vista. O contador Michel Antônio Gabardo se mostra aliviado
por ter fechado o contrato com a Caixa Econômica Federal no fim de julho,
quando o Brasil ainda atravessava uma fase de euforia de crédito. “Demos
uma entrada de 45% e parcelamos o resto em 20 anos, com taxa de 9,1% ao ano”,
conta Michel, que já está morando no apartamento recém-comprado
no Água Verde com a esposa, Priscila.
Se há alguns meses muita gente não tinha receio de assumir prestações
tão longas, agora o consumidor parece balançar frente a decisões
de compra bem mais simples. De acordo com o levantamento da Paraná Pesquisas,
apenas 38% dos curitibanos disseram que o momento é bom para comprar
móveis, eletrodomésticos e outros bens duráveis – que
têm preços relativamente mais baixos e são pagos em menor
número de prestações.
Noel magro
O temor em relação aos problemas do setor financeiro deve ter
impacto sobre as vendas de fim de ano do comércio. Apenas 22% dos entrevistados
disseram que pretendem gastar mais neste Natal. Outros 30% afirmaram que vão
gastar o mesmo que no Natal de 2007, enquanto a maioria (43%) admite um desembolso
menor. Além disso, deve crescer a proporção de compras à vista.
Se no ano passado 64% dos entrevistados pagaram no ato a maioria dos presentes,
no próximo Natal esse índice deve chegar a 73%, ao passo que
o porcentual de compras a prazo deve cair de 32% para 21%.
Navalha
Um dado curioso da pesquisa é que, entre os que pretendem parcelar o
pagamento da maioria dos presentes, 72% apontaram o cartão de crédito
como opção preferida (a questão permitia respostas múltiplas).
Trata-se da modalidade de financiamento mais cara: segundo a Associação
Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade
(Anefac), o juro médio do cartão é de 10,46% ao mês.
A taxa é bem superior à de 6,26% cobrada pelo crediário
do comércio, opção que 37% dos entrevistados que vão
parcelar a maioria de suas compras pretendem usar.
Mercado publicitário já demite
Os reflexos da crise financeira já são sentidos no meio publicitário.
Ainda não se sabe a extensão do estrago, mas as demissões
já deram as caras. Agências como DM9DDB, McCann-Erickson e Eugênio
já oficializaram cortes.
A razão para isso é queda que se prevê para o crescimento
do PIB brasileiro, como explica Fabian Barros, especializado em análise
de mídia e sócio da consultoria McKinsey & Company. “Com
o PIB crescendo menos, o sinal de alerta é disparado entre os anunciantes
e o corte dos investimentos em publicidade fica inevitável”, diz.
Historicamente, a retração costuma ser de pelo menos 5% em relação
ao ano anterior.
O cenário que se desenha não chega a surpreender os profissionais
mais experientes. “Quem sofre em empresas de prestação
de serviços são os funcionários, porque a folha de pagamento é o
que mais pesa”, lamenta Roberto Duailibi, sócio da agência
DPZ. “Com a redução de pessoal, a agência sobrevive
mal, mas pode até obter lucro e se manter. Passado o pico de ajustes
do mercado, o setor tende a se reconfigurar.”
A maneira como se isso ocorre é uma incógnita. “Nas crises
de 1999 e de 2002, várias agências que estavam iniciando atividades
desapareceram, e outras menores foram compradas por maiores”, lembra
Eduardo Fischer, presidente do Grupo Totalcom.
Agência Estado
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Folha
de S.Paulo, 20 de outubro de 2008
Retração nos EUA e na Europa
abala setor exportador chinês
Federação de indústrias
prevê o fechamento de ao menos 15 mil empresas e demissão
de 2,5 milhões de trabalhadores em 3 meses | Redução
nas vendas já provoca quebra de milhares de fábricas no
sul da China; em Xangai, produção industrial teve queda
de 6%
RAUL JUSTE LORES
DE PEQUIM
Cerca de 2,5 milhões de trabalhadores podem perder seu emprego nos próximos
três meses no setor chinês mais dependente da economia mundial:
o exportador.
O cálculo é da Federação de Indústrias de
Hong Kong. Em entrevista ao jornal "South China Morning Post", o
diretor da federação, Clement Chen Cheng-jen, disse que os efeitos
da crise econômica afetarão também bancos e serviços.
Empresários de Hong Kong são donos de 60 mil fábricas
no sul da China. Elas empregam 11 milhões de pessoas e produzem de computadores
a têxteis. EUA e União Européia já estão
comprando menos da China, mas os efeitos da recessão global devem afetar
mais ainda o pólo manufatureiro mundial.
" Estamos muito, muito preocupados", disse Chen. "Nossa percepção é grave,
até médio prazo, e a recessão vai durar um bom tempo." Ele
prevê que pelo menos 15 mil fábricas fecharão até o
fim de janeiro.
Os 1.500 funcionários da fábrica BEP, de eletrodomésticos,
foram avisados ontem de que a empresa fecharia hoje. Ela fica em Shenzhen,
cidade de 8 milhões de habitantes que concentra milhares dessas fábricas.
A fábrica de roupas U-Right International fechou na semana passada e
demitiu 500.
O governo de Hong Kong anunciou ontem que oferecerá linhas de crédito
a pequenas e médias empresas. "O setor das fábricas para
exportação já estava sofrendo há alguns anos, com
o aumento dos custos de matérias-primas e dos salários e com
a apreciação do yuan diante do dólar", disse à Folha
a chefe do Escritório de Análise Econômica do governo de
Hong Kong, Helen Chan.
" O governo chinês deu estímulo por muito tempo e retirou incentivos
nos últimos anos, deixando que o mercado resolvesse quem sobreviveria,
mas acho que, diante dessa situação, o suporte para essas empresas é necessário."
Para Chan, por duas décadas o casamento entre a China continental e
Hong Kong foi perfeito. A ex-colônia britânica, hoje com administração
autônoma, ficava com a logística, as marcas, o controle de qualidade
e o porto avançado. Já a vizinha região do delta do rio
Pérola, com 40 milhões de habitantes, oferecia mão-de-obra
abundante para as fábricas.
A competitividade não é mais a mesma e a desaceleração
dos mercados mundiais já atinge a região, onde 20 milhões
de pessoas trabalham na indústria exportadora.
Protestos
O caso que provocou maiores protestos até agora foi a falência
da fábrica de brinquedos Smart Union, que deixou 6.500 funcionários
na rua.
Cerca de mil funcionários protestaram na semana passada por salários
não recebidos em Dongguan, no sul da China.
O setor de brinquedos para exportação é um dos mais afetados
pela desaceleração econômica na União Européia
e nos Estados Unidos, os dois maiores compradores dos produtos chineses: 3.361
fábricas fecharam apenas neste ano.
A Smart Union era fornecedora de empresas como Mattel e Disney e não
pagava salários havia semanas para os seus 6.500 funcionários. "A
maior razão para o fechamento é que somos muito dependentes do
mercado dos EUA, que ficou ocioso", afirmou Xu Xiaofeng, executivo da
empresa.
No início deste mês, o governo de Dongguan estabeleceu um fundo
de 1 bilhão de yuans (R$ 300 milhões) para ajudar pequenas e
médias empresas afetadas pela crise nas exportações. Críticos
dizem que ele chegou tarde demais.
A crise ainda afeta outras regiões. Em Xangai, a produção
industrial caiu 6% em setembro na comparação com o mesmo mês
do ano anterior. Em Jiangsu, a queda foi de 4% no comércio, nos raros
números de desaceleração divulgados pela imprensa estatal.
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FOLHA DE LONDRINA, 20 de
outubro de 2008 | Opinião
Empregados gastam 11 dias administrando
conflitos
Fracasso de projetos, briga de egos entre funcionários, queda de produtividade
e motivação da equipe, além da perda de clientes, negócios
e talentos. Essas são algumas das consequências enfrentadas por
empresas que não preparam os seus colaboradores para lidar com situações
de conflito.
Segundo pesquisa desenvolvida
pela Fellipelli, em parceria com a OPP, os brasileiros gastam em média
1,9 hora por semana na solução de conflitos, o equivalente
a 91,2 horas por ano e 11,4 dias de trabalho. As empresas nacionais ficam
atrás das alemãs e irlandesas, ambas com perdas de 3,3
horas semanais, e das norte-americanas (2,8 horas). O estudo foi realizado
na Inglaterra, Bélgica, Brasil, Dinamarca, França, Alemanha,
Irlanda, Holanda e EUA), com a participação de 5 mil.
''Evitar essa situação é ineficaz'',
explica Adriana Fellipelli, sócio-diretora da Fellipelli Instrumentos
de Diagnóstico e Desenvolvimento Organizacional.
Utilizar o conflito para
gerar novas idéias e crescimento profissional é a melhor
saída. A maioria (76%) viu o desentendimento gerar resultados
positivos, como melhor compreensão dos colegas (41%), soluções
mais adequadas para uma atividade (29%). No Brasil, o número
de funcionários que usufrui bem de situações conflituosas
sobe para 84%, à frente dos EUA (81%).
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BEM PARANÁ, 20 de
outubro de 2008 | Economia
Parados
Consumidor não pode pagar pela
greve de bancos
Orientação é para manter
contas em dia e procurar o gerente de agências
Da Redação
Jonas Oliveira
Bancários entraram em greve por tempo indeterminado no dia 8 de outubro:
reajuste salarialOs bancários entram hoje no 13º dia de greve.
Como as negociações entre o Comando Nacional de Greve e a Federação
Nacional dos Bancos (Fenaban) não têm avançados, não
há uma previsão de quando as agências deverão voltar
a funcionar normalmente. Com isso, os correntistas dos bancos públicos,
nos quais o movimento têm maior força, como Banco do Brasil e
Caixa Econômica Federal, os correntistas começa a enfrentar problemas
para pagar contas vencidas e fazer depósitos nos caixas de auto-atendimento.
A orientação da
advogada da Pro Teste - Associação de Defesa dos Consumidores,
Vanessa Vieira, é de que no caso dos depósitos para cobrir
eventuais despesas com cheque especial, por exemplo, é de guardar
o comprovante do depósito para ser posteriormente comparado com
a data de compensação do valor. “O consumidor não
pode ser cobrado indevidamente”, conta.
O Instituto de Defesa do Consumidor
(Idec), por sua vez, recomenda que aos correntistas e consumidores em
geral tentem efetuar o pagamento por outros meios (caixa eletrônico,
internet ou telefone, por exemplo) ou que procure o fornecedor de serviços
para viabilizar outra forma de pagamento ou ainda negociar a postergação
da data de vencimento da dívida.
É importante lembrar que
a greve não é uma situação gerada pelo consumidor
e nem pelo fornecedor, de modo que não podem ser impostas penalidades
em caso de atraso de pagamento. Entretanto, tendo em vista o respeito
ao princípio da boa-fé e em um caso excepcional como este, é recomendável
procurar meios para o cumprimento das obrigações.
Caso não seja possível outra forma de pagamento, inclusive após
contato com o fornecedor, a dívida não poderá ser cobrada
com juros e multa de mora.
Verifique as questões
antes do vencimento da conta
Procure saber se a agência na qual costuma fazer os pagamentos está funcionando.
Caso não esteja, entre em contato com o Banco e se informe qual a agência
mais próxima que está em atividade;
Lembre-se, ainda, que há alguns
bancos e contratos de prestação de serviço com eles
que permitem o pagamento de contas, transferências e demais transações
por telefone ou pela internet. Neste caso, anote o número de protocolo
(telefone) ou imprima o comprovante de pagamento (internet);
Contas de serviços públicos,
como água, luz, energia elétrica podem ser pagas em outros
lugares, como as casas lotéricas e alguns supermercados;
Por fim, caso não consiga
se utilizar nenhuma das formas anteriores, procure o fornecedor para
negociar, por exemplo, outro lugar ou data de vencimento para o pagamento.
Se houver pagamento em outro lugar, como na sede do credor, não
se esqueça de pedir um recibo de pagamento, pois não haverá a
autenticação do Banco na conta a ser paga.
Para os outros serviços
do banco, como aquisição de talonários e saque de
dinheiro, por exemplo, vale procurar saber se sua agência tem funcionários
trabalhando e, dependendo do caso, o gerente.
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BEM PARANÁ, 20 de
outubro de 2008 | Economia
Trabalho escravo
PEC prevê mudança de legislação
A proposta está pronta para ir ao
plenário na votada no Senado
Só em 2008, mais de 3 mil trabalhadores em situação degradante
foram resgatados por equipes do grupo móvel de fiscalização
do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Desde que o grupo foi criado,
em 1995, mais de 30 mil trabalhadores foram retirados de situações
irregulares. Para impedir que a prática do trabalho escravo continue
existindo no Brasil, entidades da sociedade civil organizaram um ato nacional
pela aprovação da Proposta de Emenda à Constituição
(PEC 438/2001) que prevê penas mais rígidas para os exploradores.
Entre elas, a expropriação de imóveis (rurais e urbanos)
de quem cometer o crime.
A proposta está pronta
para ir ao plenário na votada no Senado. A matéria tramita
há sete anos e, segundo as entidades que representam os trabalhadores,
sofre forte pressão da bancada ruralista para não ser aprovada.
Segundo o diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores
em Agricultura (Contag), Antônio Lucas, a idéia do abaixo-assinado é mostrar
aos parlamentares que a sociedade é contra o trabalho escravo.
Quem quiser denunciar algum caso de trabalho escravo pode procurar a ouvidoria
do Ministério do Trabalho pelos telefones 0800 610101.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
20/10/2008
Decisão de juiz arbitral é validada
pela Justiça do Trabalho
A Sétima Turma do Tribunal
Superior do Trabalho manteve decisão que reconhece como válida
e eficaz, para todos os fins de direito, sentença proferida por
juiz arbitral em ação trabalhista.
A questão refere-se a
um processo movido por uma ex-empregada das Lojas Brasileiras S/A, de
Feira de Santana (BA), demitida, junto com outros funcionários,
em função do fechamento da filial na cidade. Em assembléia,
as partes – empresa e trabalhadores – escolheram como árbitro
a pessoa indicada pelos trabalhadores – “o presidente da
categoria profissional”, conforme registra o Tribunal Regional
do Trabalho da 5ª Região (BA) – e submeteram à apreciação
do juízo arbitral a questão do fechamento da loja. A rescisão
do contrato foi homologada pelo juiz arbitral, que fez constar na sentença
que a trabalhadora deu “ampla e irrevogável quitação à presente
arbitragem, bem como ao extinto contrato de trabalho para nada mais reclamar
contra a empresa, seja a que título for”.
Apesar disso, ela entrou com
ação trabalhista contra a empresa, visando obter o reconhecimento
de direito a diferenças salariais. Sustentou que a decisão
do juiz arbitral seria inválida. Essa alegação foi
rejeitada, e o processo acabou extinto sem julgamento do mérito
pelo Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (BA), sob
o entendimento de que, tendo a sentença arbitral sido proferida
nos termos da lei, “há de ser declarada válida e
eficaz, produzindo efeito de coisa julgada entre as partes”.
A trabalhadora contestou essa
decisão mediante recurso de revista, cujo seguimento foi negado
pelo TRT, o que a levou a apelar ao TST. Em agravo de instrumento, sustentou
que, ao contrário do que afirmara o Tribunal Regional, foram satisfeitos
os requisitos legais para a aceitação do recurso. Alegou
que a Lei nº 9307/96, que instituiu a utilização do
juízo arbitral no Brasil, seria inconstitucional e defendeu a
tese de invalidade do termo de arbitragem que homologou sua rescisão
contratual,pois não foram juntadas cópias da ata de formação,
de votação e de publicações em jornais e
editais do comprovante de registro de cartório e do Ministério
do Trabalho, além do que houve ressalva, no termo de quitação,
pelo sindicado que a assistiu.
Para o relator da matéria,
ministro Pedro Paulo Manus, o dispositivo constitucional que estabelece
que nenhuma lesão ou ameaça a direito pode ser excluída
da apreciação do Poder Judiciário não é incompatível
com o compromisso arbitral e os efeitos de coisa julgada de que trata
a Lei nº 9307/96. Em sua análise, ele afirma que a arbitragem
se caracteriza como forma alternativa de prevenção ou solução
de conflito à qual as partes aderem “por força de
suas próprias vontades” –, e a Constituição “não
impõe o direito à ação como um dever, no
sentido de que todo e qualquer litígio deve ser submetido ao Poder
Judiciário”. E conclui pela rejeição das alegações
sobre a afronta à norma constitucional e a alegada inconstitucionalidade
da Lei nº 9307/96, destacando que o TRT reconheceu não haver
vício na sentença proferida pelo juiz arbitral no caso
em questão.
Durante o julgamento, o
voto do relator foi destacado por outro membro da Sétima Turma,
o ministro Guilherme Caputo Bastos, pelo ineditismo da matéria
no TST. O presidente da Turma, ministro Ives Gandra Martins Filho,
também considerou tratar-se de decisão importante, na
medida em que prestigia o papel do juízo arbitral no processo
trabalhista brasileiro. (AIRR 1640/2003-051-01-40.0)
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20/10/2008
TST rejeita inquérito para
apurar falta grave ajuizado fora do prazo legal
O fato de o empregado continuar
recebendo salários durante afastamento para apuração
de falta grave não descaracteriza a suspensão nem interfere
no prazo de 30 dias para o ajuizamento de inquérito judicial,
no caso de trabalhadores estáveis. Com este entendimento, a Seção
Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior
do Trabalho manteve decisão que extinguiu ação ajuizada
pelo Banco do Brasil a fim de apurar faltas supostamente cometidas por
um caixa executivo da agência de Severiano de Almeida, no Rio Grande
do Sul.
O pedido de instauração
de inquérito judicial foi feito em outubro de 1997. Nele, o Banco
do Brasil informava que o serviço de auditoria havia constatado “inúmeras
irregularidades” supostamente praticadas pelo empregado, entre
elas operações em desacordo com as normas do banco e a
utilização de dinheiro liberado em contas fictícias,
transferido ou apropriado em contas cuja movimentação era
controlada pelo caixa. Considerando que o funcionário, como delegado
sindical, era detentor de estabilidade provisória, o inquérito
judicial era necessário para sua demissão. Na primeira
suspensão, aplicada em maio de 1997, o empregado continuou recebendo
salários normalmente. Na segunda, em setembro, os pagamentos foram
suspensos.
A Vara do Trabalho de Erechim
(RS) pronunciou a decadência do direito de ação e
extinguiu o processo com julgamento do mérito, por entender que
o inquérito deveria ter sido ajuizado até 30 dias após
a primeira suspensão, ainda que os salários continuassem
a ser pagos. Tal entendimento foi mantido por todas as instâncias
seguintes, até o processo chegar à SDI-1 por meio de embargos
em recurso de revista interpostos pelo banco.
Nas razões de embargo,
o BB alegou que, na primeira ocasião, o empregado foi apenas afastado
para que fosse instaurado inquérito administrativo, e não
suspenso. Neste período, continuou assinando a folha de presença
e recebendo normalmente. Na interpretação do banco, a suspensão
de fato ocorreu apenas no dia 22 de setembro, e só a partir daí correria
o prazo para a instauração do inquérito judicial.
“É justamente neste
particular que reside a pedra de toque da questão em análise”,
observou o relator dos embargos, ministro Lelio Bentes Corrêa. “O
prazo de 30 dias visa resguardar interesses de ambas as partes: do empregador,
garantindo-lhe prazo razoável para a apuração, e
do trabalhador, estabelecendo limite para a situação constrangedora
para a suspensão”. Para o relator, o constrangimento não
ocorre apenas quando o trabalhador deixa de receber sua remuneração,
mas pelo fato de estar impedido de exercer sua atividade, o que repercute
em sua imagem profissional e social perante os colegas, a comunidade
em que vive e sua família.
No caso em questão, a
SDI-1 considerou que o primeiro afastamento, ainda que com a manutenção
do pagamento, teve exatamente a mesma natureza preventiva da suspensão
prevista no artigo 853 da CLT. “É óbvio que, em se
tratando de suspensão, as obrigações cessam de parte
a parte, e o empregador estaria, portanto, desobrigado de pagar os salários
correspondentes”, explicou. “Mas, se o fez, por sua própria
vontade, nem por isso a suspensão resulta descaracterizada, uma
vez que o empregado ficou impedido de prestar serviços”,
afirmou o relator. “Isso significa que, por meio de manobra perpetrada
pelo banco, tentou-se frustrar a proteção encerrada no
prazo de 30 dias citado no mesmo artigo da CLT, atitude que merece pronto
rechaço do operador do Direito Trabalhista”, concluiu. (
E-RR 634900/2001.1)
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20/10/2008
Apesar do extravio de cartões,
bancária não obtém horas extras
A declaração de
uma funcionária do Unibanco sobre horas extras prestadas não
prevaleceu, no caso de extravio de cartões de ponto de uma parte
do período pretendido. A Seção Especializada em
Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho,
por maioria, rejeitou embargos da bancária e considerou que não
há como aplicar a presunção de veracidade às
horas extras informadas pela trabalhadora. A razão é que,
no período relativo aos cartões entregues à Justiça,
os horários indicados pela autora na petição inicial
não se confirmaram.
Com os embargos à SDI-1,
a bancária recorreu de decisão da Quinta Turma que lhe
foi desfavorável. A trabalhadora pretendia que fosse aplicada
ao seu caso a Súmula nº 338 do TST, que entende ser ônus
do empregador o registro da jornada de trabalho. Segundo esta súmula,
a não-apresentação injustificada dos controles de
freqüência gera presunção relativa de veracidade
da jornada de trabalho, a qual pode ser eliminada por prova em contrário.
A ministra Maria de Assis Calsing,
relatora dos embargos, entendeu ser improcedente a pretensão da
bancária. Para a ministra, não se trata de não-apresentação
injustificada de controle de ponto por parte do Unibanco, mas de não-apresentação
de apenas parte do período, com a justificativa de extravio. Além
disso, ressaltou que os cartões de ponto apresentados invalidaram
a jornada alegada pela trabalhadora, o que afastou a presunção
de veracidade. A SDI-1 não conheceu dos embargos, por maioria.
Por terem entendimento diverso, ficaram vencidos os ministros Guilherme
Caputo Bastos, Lelio Bentes Corrêa e Rider Nogueira de Brito.
A bancária vem tentando
reformar decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região
(MG), que alterou a sentença. O Regional julgou que a apuração
deve ser feita com base na média dos horários dos cartões
apresentados, e não de acordo com o que foi comunicado pela empregada.
No recurso de revista, a Quinta Turma do TST considerou o julgamento
de acordo com a Orientação Jurisprudencial nº 233
da SDI-1, que indica que o deferimento de horas extras com base em prova
oral ou documental não se limita ao tempo por ela abrangido. A
decisão da SDI-1, ao não conhecer dos embargos, mantém
a decisão da Turma e, conseqüentemente, do Regional.
Mais detalhes
A trabalhadora, admitida em junho
de 1985 pelo Cartão Nacional S.A., foi transferida para o Banco
Nacional S.A., posteriormente incorporado à União de Bancos
Brasileiros S.A. - Unibanco, a quem passou a prestar seus serviços.
Na inicial, contou que sempre exerceu funções específicas
de escriturária, caixa e digitadora. A partir de fevereiro de
1992, alegou ter direito a, em média, três horas extras
por dia, “conforme registro em cartões ou folhas de ponto”.
A 6ª Vara do Trabalho de
Belo Horizonte concluiu que, na falta de apresentação,
pelo banco, do controle de jornada de todo o período - documento
que tinha por obrigação legal manter sob sua guarda -,
prevaleceria a informação prestada na inicial, de trabalho
de nove horas diárias. O Unibanco recorreu da sentença,
alegando que, nos meses em que não foram apresentados controles
de jornada, não poderiam valer os horários mencionados
na petição inicial, por falta de provas. O TRT/MG deu razão
ao banco e utilizou, no período sem comprovação,
a média dos horários existentes nos controles juntados
ao processo. ( E-RR – 806106/2001.4)
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CONSELHO NACIONAL
DE ECONOMIA SOLIDÁRIA
RECOMENDAÇÃO Nº 1, DE 24 DE OUTUBRO DE 2007
O Conselho Nacional de
Economia Solidária, reunido em Brasília, nos dias
23 e 24 de outubro de 2007, em sua IV Reunião Ordinária,
recomenda:
Considerando que há necessidade
que a Lei n° 5.764/71 (que regula atualmente a Política
Nacional do Cooperativismo e é conhecida como Lei Geral
do Cooperativismo) seja substituída por uma nova lei que
não apenas atenda aos anseios sociais, mas também
se submeta aos princípios do fortalecimento da democracia
e ditames constitucionais;
Considerando que, para
a Economia Solidária, a forma jurídica de cooperativa,
pelo seu caráter associativo e democrático no exercício
da atividade econômica, é hoje a forma mais adequada
para a formalização de empreendimentos solidários
e sua incorporação no mercado formal;
Considerando que o mapeamento
da Economia Solidária 2005/2006 aponta que os maiores
desafios dos empreendimentos solidários, tais como acesso
a crédito e a mercado, são causados em grande medida
por não conseguirem se formalizar enquanto cooperativas
devido à atua/legislação que não
corresponde à sua realidade, diversidade e especificidades,
já que este mapeamento aponta que, dos 22.000 empreendimentos
solidários mapeados, apenas 10% estão formalizados
como cooperativas, e portanto aptos a exercer a sua atividade
econômica;
Considerando que a I
Conferência Nacional de Economia Solidária, ao afirmar
explicitamente a necessidade de um marco jurídico adequado
aos empreendimentos solidários, impõe a necessidade
de modificação da Lei n° 5.764/71;
Considerando que o artigo
5° da Constituição Federal, em seu inciso XX,
afirma que "ninguém poderá ser compelido a
associarse ou a permanecer associado";
Considerando que existem
dois Projetos de Lei tramitando no Senado (PL 153/07 e a PL003/07)
e uma terceira proposta em elaboração por um GT
interministerial do Poder Executivo Federal com o objetivo de
apresentar uma terceira proposta para substituir a atual Lei
Geral do Cooperativismo;
O Conselho Nacional de
Economia Solidária recomenda que a Presidência da
República dê maior celeridade ao acompanhamento
e às providências necessárias para incentivar
a elaboração, negociação e aprovação
de uma nova Lei do Cooperativismo ainda este ano, que respeite,
pelo menos, as seguintes condições, essenciais
para responder às necessidades e exigências da realidade
brasileira e da Economia Solidária:
a) Liberdade de representação.
A cooperativa deve poder decidir a que sistema de representação
de cooperativas deseja se filiar, garantindo-se também
o direito a que não se filie a nenhuma. A liberdade de
representação é condição básica
de um Estado de Direito Democrático, e é garantida
pela Constituição Federal em seu artigo 5°;
b) Simplificação
da criação e registro de cooperativas. A cooperativa
deve poder se registrar em cartório, sem necessidade de
autorização de nenhuma espécie por parte
de entes privados de representação;
c) Diferenciação
de cooperativas economicamente vulneráveis. Deve-se criar
classes especiais de cooperativas, a exemplo do simples e do
supersimples para as microempresas, que tenham benefícios
tributários e fiscais, e sejam alvo de políticas
de fomento e de benefícios tributários por parte
do governo federal.
d) Redução do número mínimo de sócios
para 7. O número mínimo de sócios deve ser reduzido
do atual número de 20 associados para 7, conforme deliberação
da I Conferência Nacional de Economia Solidária;
e) Regulamentação
restritiva à associação de pessoas jurídicas
numa cooperativa. A entrada de pessoas jurídicas indiscriminadamente
poria em risco a democracia interna das cooperativas, podendo
retirar efetivamente tanto o poder da Assembléia como
as suas possibilidades futuras de autonomia;
f) Regulamentação
do ato cooperativo. Consolidar um tratamento adequado às
transações comerciais entre sócios da cooperativa
e entre cooperativas associadas, de modo a regulamentar o ato
cooperativo, na forma da legislação pertinente
CARLOS
LUPI
Presidente do Conselho
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RECOMENDAÇÃO
Nº 2, DE 24 DE OUTUBRO DE 2007
O Conselho Nacional de
Economia Solidária, reunido em Brasília, nos dias
23 e 24 de outubro de 2007, em sua IV Reunião Ordinária,
em discussão com relação ao marco legal
sobre os repasses de recursos públicos às entidades
civis sem fins lucrativos, recomenda:
O fortalecimento das
ações e propostas emanadas da sociedade civil organizada é condição
síne qua non de um Estado de Direito Democrático.
O êxito das políticas sociais de combate à exclusão
social e pela inclusão econômica tem como elemento
fundamental a relação do estado com a sociedade
civil na execução das mesmas.
O atual marco legal que
regula os repasses de recursos públicos a entidades civis
sem fins lucrativos é insuficiente, e portanto não
responde às necessidades e especificidades destes atores.
Dentre os elementos de estrangulamento principais, podemos destacar,
entre outros:
- As atuais exigências
de contrapartida financeira, não aceitando contrapartida
em bens e serviços mensuráveis;
- Confusão crescente,
por parte dos órgãos concedentes e fiscalizadores,
ao conceberem convênios como se fossem instrumentos para
prestação de serviços ou terceirização,
o que não corresponde à realidade;
- Avaliação
de prestação de contas com regras que não
são claras o suficiente, que variam dependendo do órgão
concedente, e baseada excessivamente na parte financeira, secundarizando
a avaliação dos resultados com base no objeto conveniado;
- Morosidade do Poder
Público na tramitação dos processos de avaliação
e aprovação de prestação de contas
e instabilidade no cumprimento dos prazos de repasse acordados
nos convênios;
- Impossibilidade, em
muitos casos, de inclusão de encargos trabalhistas, custos
operacionais, taxas e outros custos financeiros nos convênios;
Neste sentido, o Conselho Nacional de Economia Solidária,
preocupado com a situação exposta acima, recomenda à Presidência
da República a tomada de providências em duas frentes:
1. Faz-se necessário
que a Presidência da República crie imediatamente
um GT Interministerial com participação de representações
da Sociedade Civil Organizada, Órgãos de Fiscalização
e Controle (CGU, TCU e MP) e Poder Executivo com o objetivo de
construir uma proposta normativa de regulamentação
do acesso a recursos públicos por entidades civis sem
fins lucrativos e otimização dos procedimentos
de execução dos respectivos trâmites para
aprovação, acompanhamento e avaliação
dos convênios celebrados.
2. Com relação à atual
situação de quase congelamento e estagnação
da celebração de convênios para a execução
de políticas públicas, em especial na execução
de políticas na área social e de exercício
da cidadania, toma-se urgente uma ação objetiva
por parte do governo federal no sentido de retomar o encaminhamento
dos processos que regulamentam as suas parcerias com a sociedade
civil, sob pena de comprometer de forma irreparável as
políticas que vêm beneficiando significativa parcela
da população brasileira.
Neste momento, é muito
importante o governo afirmar publicamente e objetivamente a
importância do fortalecimento da sociedade civil para
o desenvolvimento social brasileiro, contra o discurso de criminalização
dos movimentos sociais, organizações não
governamentais e demais entidades da sociedade civil organizada.
CARLOS LUPI
Presidente do Conselho
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