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FETICOM
SÃO PAULO, 23 de outubro de 2008
Serrarias da região
de Itapeva recebem notificação coletiva
do Ministério do Trabalho
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As cerca de 170 serrarias da região de Itapeva, composta pelas
cidades de Apiaí, Bonsucesso de Itararé, Buri, Capão
Bonito, Guapiara, Itaberá, Itararé, Nova Campina, Ribeirão
Branco, Ribeirão Grande, São Miguel Arcanjo e Taquarivaí,
foram notificadas pelo Ministério do Trabalho, para que cumpram
as normas de segurança e saúde no trabalho, assim como
respeite os direitos trabalhistas. A notificação foi feita
a partir de uma denúncia realizada, em 2007, pelo Sindicato dos
Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do
Mobiliário de Itapeva e Região e a Feticom-SP (Federação
dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e
do Mobiliário do Estado de São Paulo), junto à Superintendência
Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo. A notificação
coletiva foi feita no último dia 15 de outubro, durante encontro
promovido pelo Ministério do Trabalho, na cidade de Itapeva, coordenado
pela Superintendente Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo,
Dra. Lucíola Rodrigues Jaime, que mobilizou os auditores-fiscais
das Gerências Regionais de Bauru, Itapeva, Marília e Sorocaba.
De acordo com o diretor
de Educação e Saúde da Feticom-SP, Robinson
Leme, essas serrarias da região de Itapeva empregam 50%
da mão-de-obra do setor no Estado de São Paulo,
sendo que no ano de 2006, o setor foi responsável por
309 acidentes de trabalho, sendo dois fatais, segundo dados da
Previdência Social, com uma taxa de mortalidade de 32,82
contra 14,21 da Indústria da Construção
no mesmo período. “Além das questões voltadas à falta
de segurança e saúde dos trabalhadores, a informalidade
na região é preocupante, sendo que em 5 empresas
que foram visitadas na cidade de Capão Bonito foram encontrados
21 trabalhadores sem registro, segundo relatório da Gerência
Regional do Trabalho e Emprego de Sorocaba”, conta o diretor
da Feticom-SP.
A
partir desta notificação, as empresas terão
o prazo de 60 dias para o cumprimento de 36 itens, entre eles
estão a adequação dos sanitários,
vestiários, chuveiros, refeitórios, instalações
elétricas, proteção de máquinas,
melhorias na iluminação, assim como nos equipamentos
de prevenção e combate a incêndios e realização
dos exames médicos dos trabalhadores. De acordo com
Marion Camargo Costa, presidente do Sindicato de Itapeva, a
Notificação Coletiva realizada pelo Ministério
do Trabalho beneficiara aproximadamente 3.200 trabalhadores
com melhores condições de trabalho e qualidade
de vida, sendo que poucas empresas têm banheiros e refeitórios,
e menos de 5% fornecem vestimenta para os trabalhadores da
produção, que ficam expostos diariamente à poeira
e produtos químicos.
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A abertura da convocação
foi feita pelo Gerente Regional do Trabalho e Emprego de Itapeva,
Flávio Renato Bloes Bartolomeu, que também mobilizou
toda a sua estrutura para que as notificações fossem
distribuídas rapidamente após as palestras. Estiveram
presentes e fizeram parte da abertura da convocação,
além de Marion Camargo, Presidente do Sindicato dos Trabalhadores
da Construção e do Mobiliário de Itapeva e
Região: José Antônio Luciano, Presidente do
Sindicato Intermunicipal de Itapeva da Indústria Beneficiadora
da Madeira, Erineu Santos da Silva, Presidente da Associação
das Indústrias de Madeira Reflorestada de Itapeva e Região.
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Dr. Flávio Renato
Bloes Bartolomeu - Gerente Regional do Trabalho e Emprego
de Itapeva
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Mesa de abertura: Marion
Camargo Costa (Presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Itapeva
e Região), José Antônio Luciano (Presidente
do Sindicato das Indústrias Madeireiras de Itapeva e Região),
Erineu Santos da Silva (Presidente da Associação
das Indústrias de Madeira de Itapeva e Região), Dr.
João Batista Martins César (Procurador do Trabalho),
Dra. Eliane Teixeira (Gerente Regional do Trabalho e Emprego de
Marília), Dra. Lucíola Rodrigues Jaime (Superintendente
Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo), Dr. Vitório
José Catai (Superintendente Regional do Trabalho e Emprego
de Sorocaba), José Eduardo Rubo (Gerente Regional do Trabalho
e Emprego de Bauru), Dra. Ana Palmira de Arruda Camargo (Chefe
da Fiscalização) e o Dr. Celso de Almeida Haddad
(Chefe do Setor de Segurança e Saúde do Trabalho)
da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São
Paulo.
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Eng.º.
Antônio Pereira do Nascimento, Auditor-Fiscal da SRTE/SP
explicando o Termo de Notificação.
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O Ministério Público do Trabalho foi representado pelo
Dr. João Batista Martins César, Procurador do Ofício
de Sorocaba, que também contou com a presença dos Gerentes
Regionais: Eliane Teixeira de Marília, Vitório José Catai
de Sorocaba e José Eduardo Rubo de Bauru, além da Dra.
Ana Palmira de Arruda Camargo, Chefe da Fiscalização, e
do Dr. Celso de Almeida Haddad, Chefe do Setor de Segurança e
Saúde do Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho
e Emprego de São Paulo. O engenheiro José Celso, auditor-fiscal
da Gerência Regional de Sorocaba, apresentou as principais irregularidades
de segurança e saúde do trabalho encontradas nas serrarias
da região, sendo que na seqüência, o engenheiro Antônio
Pereira do Nascimento, auditor-fiscal da SRTE/SP explicou o Termo de
Notificação.
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Eng.º.
José Celso, Auditor-Fiscal da Gerência Regional de
Sorocaba apresentando as principais irregularidades de segurança
e saúde do trabalho encontradas nas serrarias.
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Ao encerrar o encontro,
a Dra. Lucíola pediu que as empresas iniciassem as melhorias
nos ambientes de trabalho, sendo que a partir de 60 dias as fiscalizações
nas serrarias seriam iniciadas. As empresas que não participaram
do encontro já serão autuadas pelo Ministério
do Trabalho pela ausência.
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O ESTADO DO PARANÁ,
23 de outubro de 2008 | Economia
Construção deve receber
até R$ 4 bilhões do FGTS
Agência Estado
O governo deve liberar entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões do Fundo
de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para garantir capital de giro
para o setor da construção civil, informou na noite de terça-feira
(21) o ministro da Fazenda, Guido Mantega, durante audiência pública
no plenário da Câmara dos Deputados.
Segundo o ministro, as empresas
iniciaram empreendimentos e, agora, com a crise financeira, estão
sofrendo com a restrição do crédito no sistema bancário.
Mantega contou que tem conversado com representantes do setor, os quais
têm mostrado ao governo a necessidade de recursos para dar continuidade
a seus empreendimentos. "Não se trata de dar subsídio,
mas capital de giro. O governo tem a obrigação de dar liquidez
para que os setores continuem crescendo", afirmou o ministro da
Fazenda.
Ele disse que o setor da construção
civil é muito importante para o País, porque absorve muita
mão-de-obra, entre outras razões. Disse também que
os produtos e serviços utilizados pelo setor são todos
gerados no Brasil. "Então, é tudo de bom." Segundo
o ministro, o setor de habitação consome apenas de 3% a
4% de todo o crédito no País.
Câmbio
Mantega afirmou também
que o governo não tem avaliação de quanto foi o
prejuízo das empresas que apostaram na continuidade da valorização
do real. Segundo ele, o governo conhece os prejuízos apenas das
empresas que já declararam, como a Sadia e a Aracruz, mas afirmou
que "haverá outras, com problemas menores." Mantega
disse que esse é um problema privado e será tratado pelo
governo como um problema privado: "O governo está apenas
dando liquidez para que essas empresas possam superar este momento. Aqueles
que apostaram vão pagar o preço, mas acredito que vão
conseguir sair dessa."
Agricultura
Em relação às
medidas que estão sendo estudadas para a agricultura, o ministro
da Fazenda reiterou que o governo deve aumentar de 65% para 70% a parcela
dos depósitos da caderneta de poupança rural que deve
ser dirigida para o crédito agrícola. Informou também
que o governo já está pensando em como garantir a comercialização
da safra do próximo ano.
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Folha de S.Paulo, 23 de outubro de 2008
Medida facilita socorro do governo a
construtoras
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Caixa Econômica Federal já tem R$ 2,5 bilhões para compra
de participação acionária em empresas do setor imobiliário
em dificuldade financeira para fazer novos projetos de habitação.
A diretoria da Caixa informou que vai usar o dinheiro para comprar apenas participações
em empresas do setor de construção civil por meio do seu novo
banco de investimentos, embora a MP publicada ontem permita à instituição
adquirir ações de qualquer setor.
Até o ano passado, as construtoras usaram o mercado de ações
para se capitalizar.
A queda da Bovespa e a desvalorização do setor imobiliário
na Bolsa fecharam essa possibilidade e pode colocar em dificuldades empresas
que ainda precisam de dinheiro para concluir obras já iniciadas. A Inpar,
por exemplo, lançou ações em fevereiro do ano passado
a R$ 17,5, mas na semana passada, o papel da empresa estava cotado a R$ 1,43
na Bolsa.
O banco de investimento será uma subsidiária da Caixa e controlará o
que o ministro Guido Mantega (Fazenda) chamou de CaixaPar (Caixa Participações).
Com esse novo braço, que será criado em cerca de 30 dias, o banco
também poderá atuar em outros mercados de que hoje a Caixa não
participa.
Pela MP, o novo braço da Caixa poderá "explorar atividades
de banco de investimento", como, por exemplo, câmbio e derivativos,
esse último na Bolsa Mercantil & Futuros.
O vice-presidente de Finanças da Caixa, Márcio Percival, disse
que o banco não tem interesse de adquirir outras instituições
financeiras, como autorizou o governo ontem. Segundo ele, a Caixa tampouco
pensa em fazer aquisições nos outros ramos financeiros, como
companhias de seguro, previdência privada e capitalização.
O executivo assegurou que a Caixa não vai usar a CaixaPar para comprar
participação acionária em empresas de outros setores que
não seja o imobiliário. "As áreas prioritárias
da Caixa são construção e saneamento. A MP cria segurança
de que os investimentos não vão parar", afirmou Percival.
Ao explicar a MP, Mantega disse que a CaixaPar foi criada para ajudar o setor
de habitação. O ministro acrescentou que os bancos públicos
não precisarão de uma capitalização do governo
porque têm liquidez suficiente para arcar com as novas aquisições.
Percival reafirmou que a Caixa tem recursos para ajudar as empresas de construção
civil. "O balanço da Caixa foi arrumado. Não vamos fazer
da Caixa um outro BNH [Banco Nacional de Habitação]", disse.
Extinto em 1986 sob acusações de corrupção e problemas
de solvência, o BNH foi criado no primeiro ano da ditadura militar para
fazer operações de crédito imobiliário e gerir
o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).
Percival apontou que a Caixa não foi procurada por nenhum banco que
tivesse a intenção de ser comprado. Para ele, o banco estatal
já está fazendo a sua parte com a compra de carteiras de crédito
de instituições com problemas pontuais de caixa. "Tem bancos
pequenos com problema de liquidez. Para isso já compramos algumas carteiras
e avaliamos a compra de outras. A compra de bancos não existe",
afirmou Percival.
(SHEILA D'AMORIM E JULIANA ROCHA)
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Folha
de S.Paulo, 23 de outubro de 2008
Governo faz MP para estatizar empresas
Fazenda afirma que medida é preventiva
e nega que haja bancos quebrando
no país | Banco do Brasil poderá comprar bancos sem licitação,
e Caixa,
adquirir empresas | egundo medida provisória, o Banco Central poderá ainda
recorrer ao Fed para elevar capitalização e trocar reais por dólares
SHEILA D'AMORIM
JULIANA ROCHA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Enterrando de vez o discurso de que a crise mundial não passaria de
uma "marola", como disse o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, o governo editou ontem medida provisória que permite que Banco
do Brasil e Caixa Econômica Federal comprem bancos e empresas com problemas.
O texto dá ao governo poderes para deslanchar, na prática, uma
onda estatizante.
Editada horas após o ministro Guido Mantega (Fazenda) e o presidente
do Banco Central, Henrique Meirelles, reafirmarem no Congresso que o sistema
financeiro brasileiro era mais seguro do que o dos países desenvolvidos
e enfatizarem que novas medidas seriam tomadas quando surgissem os problemas,
a MP 443, vai além do sistema financeiro.
Pelo texto publicado no "Diário Oficial" da União,
BB e Caixa podem comprar, sem licitação, bancos e todas as empresas
financeiras ligadas a eles, como seguradoras e companhias de previdência
privada e de capitalização, além de corretoras e administradora
de cartões.
As operações da Caixa poderão envolver ainda outros setores
sem relação com finanças.
Para isso, a empresa criará uma nova estatal, um banco de investimento
que atuará no segmento empresarial e terá uma área específica
para comprar participações acionárias, batizada por Mantega
de CaixaPar (Caixa Participações).
Apesar de ainda precisar ser aprovada no Congresso e ter validade de 120 dias,
a medida provisória já permite que sejam fechadas as operações
com base nessas regras. Com essa decisão, o governo brasileiro cria
instrumentos semelhantes aos de países onde a crise financeira mundial
tem sido bem mais devastadora, como os Estados Unidos e o Reino Unido.
Ao anunciarem a medida, Mantega e Meirelles insistiram que o sistema bancário "está sólido" e
que as ações "são preventivas". "Não
tem banco quebrando", afirmou Mantega.
O ministro afirmou ainda que as aquisições da Caixa fora do sistema
bancário ficarão restritas à construção
civil, mas não há nada na lei que impeça a compra em outro
setor.
Tanto é assim que ele mesmo admitiu que a nova empresa terá atuação
semelhante à do BNDESPar, braço do BNDES que atua no mercado
de ações e tem participação estratégica
em várias operações. Assim, o BNDES pode atuar como acionista
diretamente ou com financiador de negócios.
O foco inicial da Caixa será a área de construção,
com estimativa de injeção de R$ 2,5 bilhões, em que empreendimentos
já são cancelados e há expectativa de retração
em 2009.
O setor gera muitos empregos e é um dos motores do crescimento, o que
preocupa Lula em véspera de ano eleitoral.
Como é um banco controlado 100% pelo Tesouro Nacional, a Caixa não é obrigada
a seguir as regras de mercado impostas pela CVM (Comissão de Valores
Mobiliários) para quem negocia suas ações na Bolsa. Com
isso, todas as compras e as ações desse novo banco não
precisarão ter a transparência exigida, por exemplo, do BB, que
tem que comunicar os acionistas sobre qualquer operação que esteja
negociando.
Além disso, bancos com ações negociadas em Bolsa prestam
uma série de informações financeiras ao mercado. Para
Mantega, essa "é uma medida que responde à necessidade do
momento por causa da crise de liquidez". "Não é uma
medida permanente. Essas instituições poderão ser revendidas
no mercado a preços de mercado", afirmou o ministro.
A medida prevê ainda que o BC poderá trocar reais por dólares
com o Fed (o BC dos EUA) dando como garantia títulos do governo americano
que o governo brasileiro detém. A medida eleva o poder de intervenção
do BC para conter a disparada do dólar sem queimar as reservas internacionais.
A MP também permite que o BC possa recorrer ao Fed. Depois da quebra
do Lehman Brothers, por exemplo, o Fed ofereceu US$ 180 bilhões a várias
instituições estrangeiras para, segundo um comunicado, "estabilizar
o sistema financeiro".
Já em relação às outras medidas, uma das diferenças
entre os pacotes para o setor financeiro nos EUA e na Europa está no
agente que operará o socorro. No exterior, a ajuda virá diretamente
dos cofres do Tesouro, enquanto no Brasil as operações de resgate
serão intermediadas por bancos públicos.
Embora o dono do BB e da Caixa seja o governo, as instituições
têm contas separadas do Tesouro Nacional e não estão sujeitas
a restrições do Orçamento da União -que precisa
ser aprovado no Congresso. Com isso, no caso brasileiro, os bancos terão
mais autonomia para fazer suas operações no mercado, pois estarão
limitados só ao dinheiro que possuem para adquirir instituições.
Colaborou NEY HAYASHI DA CRUZ, da Sucursal
de Brasília
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Agência Diap, 23 de
outubro de 2008
MEDIDAS ANTICRISE
'Conselhão' pede freio nos
juros e força ao PAC
O Conselho de Desenvolvimento
Econômico e Social (CDES), chamado de "Conselhão",
pretende entregar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma
moção pedindo a interrupção da alta dos juros
e destacando a necessidade de manutenção de investimentos
públicos. Eles defendem a preservação de programas
sociais e planos de infra-estrutura, com ênfase no Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC).
Os conselheiros recomendam a
ação intensiva do Banco Central para estabilizar o câmbio
e restabelecer o crédito – que na opinião deles,
manifesta no documento – são os remédios para que
a crise afete o menos possível o País.
“Com o Governo fazendo
sua parte, é possível manter investimentos e empregos”,
disse José Lopes Feijóo, conselheiro e presidente do Sindicato
dos Metalúrgicos de São Bernardo.
Em nota divulgada no site,
a Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústria
de Base (Abdib) defendeu o restabelecimento do fluxo de crédito
para o setor produtivo. (Com O Globo)
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O Globo, 23 de outubro de
2008
Bush convida Lula para reunião
ampliada do G-8 em novembro
O presidente dos Estados Unidos,
George W. Bush, telefonou nesta terça-feira (21) para o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva e o convidou a participar de um reunião
ampliada do G-8 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, França,
Itália, Reino Unido, Canadá e Rússia) no mês
que vem, em local e data a serem definidos. Lula aceitou o convite. O
telefonema ocorreu por volta de 17h e durou cerca de 15 minutos.
Bush disse a Lula que está interessado
em discutir com líderes das maiores economias do mundo formas
de evitar novas crises financeiras no futuro. O presidente americano
não revelou quantos países serão convidados para
o encontro. Também nesta terça-feira, Lula convocou uma
reunião de emergência do Mercosul para discutir os efeitos
da crise nos países do bloco. O encontro será na próxima
segunda-feira, em Brasília.
Bush também quis informações
a respeito da visita que Lula fez a Índia na semana passada. Ele
estava interessado em saber se o mandatário brasileiro sentiu
que havia um clima favorável, por parte da Índia, da retomada
das discussões da Rodada de Doha. Em agosto, um impasse entre
a Índia e os Estados Unidos enterrou a discussão sobre
a flexibilização internacional do comércio.
Lula fez um relato otimista a
Bush e lhe disse que sentiu um clima favorável por parte da Índia.
O presidente brasileiro é um dos maiores defensores para a conclusão
da Rodada de Doha. O Brasil tem interesse que países europeus
e os estados unidos eliminem ou reduzam os subsídios para os produtos
agrícolas.
Mais cedo, o presidente Sarkozy
disse que a reunião de cúpula deverá incluir o grupo
dos oito países mais industrializados, formado por Estados Unidos,
Japão, Alemanha, França, Grã-Bretanha, Itália,
Canadá e Rússia, junto com a China, India, Brasil, África
do Sul e México.
Fonte: O Globo
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Agência Diap, 23 de outubro de 2008
CONSTITUIÇÃO
DIAP resgata votações
da Constituinte com livro 'Quem foi Quem'

Em comemoração aos 20 anos da Constituição, completados
no último dia 5 de outubro, a assessoria do DIAP faz um resgate histórico
dos trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte, período que
culminou com a promulgação da Carta Cidadã, quando o Departamento
produziu a publicação "Quem foi Quem na Constituinte".
A obra é referência
para o Parlamento e para a sociedade por avaliar e dar nota aos 573
constituinte - deputados e senadores - pela atuação em
favor dos trabalhadores, em particular, e da sociedade, em geral.
Os arquivos do livro
com a avaliação dos constituintes ainda estão
em fase final de inclusão. A publicação estará disponível
na íntegra até esta sexta-feira (24).
Para consultar o "Quem foi Quem", clique
aqui.
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Agência Carta Maior,
23 de outubro de 2008
Emir Sader: Brasil teria aguentado
mais oito anos de FHC?
O que seria do Brasil se Serra
tivesse sido eleito, para dar continuidade ao governo FHC? Como
o Brasil teria sofrido a crise atual, caso as orientações
do bloco tucano-pefelista tivessem prevalecido?
Por Emir Sader, no Blog do Emir*
A aliança tucano-pefelista
assumiu o governo em 1994, com FHC, prometendo que a estabilização
monetária resolveria todos os grandes problemas do Brasil:
inflação, divida pública, estagnação
econômica, atraso na modernização do país,
desemprego, poder aquisitivo dos salários, etc. etc. Era
um bloco novo no Brasil, em que um partido que se dizia social-democrata,
formava uma coalizão com um partido originário da
ditadura (cuja mudança, novamente, de nome, não permite
disfarçar sua origem, de que seus caciques são testemunhas:
Borhnausen, ACM, Marco Maciel, Garibaldi Alves e outros que o dirigem
atualmente), para aplicar o programa do FMI, do Banco Mundial e
da OMC, que já estava sendo aplicado por Menem na Argentina,
pelo PRI no México, por Carlos Andrés Perez na Venezuela,
entre outros.
FHC reelegeu-se, quatro anos
depois, com toda a urgência, porque o Brasil estava de novo quebrado
nas mãos de sua equipe econômica, Pedro Malan negociava
uma nova Carta de Intenções com o FMI – a terceira,
em menos de quatro anos, na terceira quebra do país -, pelo que
era necessário ganhar no primeiro turno, para impedir que o povo
soubesse o que saberia poucas semanas depois: a nova falência,
a nova Carta, as falcatruas do Banco Central – no caso Marka-Fonte
Sindam, pelo qual vários dos diretores daquele Banco estão
condenados – e a elevação da taxa de juros a 49%
(sic). Tudo feito com todo o apoio da grande imprensa privada – FSP,
Veja, Estadão, O Globo. O Brasil foi jogado numa recessão,
da qual só saiu recentemente, com profundas feridas daquela política
regressiva e anti-popular.
A quebra por três vezes
do país foi conseqüência da política econômica
de FHC, apoiada por todos os organismos internacionais, por 3/5 do Congresso – incluído
o PMDB, o PPS, o PV, o PP, o PTB – e da grande mídia. O
candidato que dizia que “o Estado brasileiro gasta muito e gasta
mal”, fez a mágica de transformar a inflação
em dívida pública, multiplicando-a por mais de 10 vezes,
levando o Estado brasileiro à falência.
Privatizou todo o patrimônio
público que conseguiu – da Vale do Rio Doce, empresa líder
do seu setor no mundo, vendida a preço que permitiu pagar dois
meses da dívida pública, a preço de banana, às
telecomunicações, entre tantas empresas -, chegou a fazer
com que a Petrobras mudasse de nome para Petrobrax – por 24 horas,
teve que retroceder diante da indignação pública
-, para tirar-lhe a referência a Brasil, torna-la “empresa
global” e favorecer sua privatização, iniciada com
a venda de ações da empresa nas Bolsas de São Paulo
e de Nova York, depois da quebra do monopólio estatal do petróleo.
O governo tucano-pefelista de
FHC promoveu o mais acelerado processo de concentração
de renda que o Brasil conheceu em um breve espaço de tempo – de
que a transferência de patrimônio publico a mãos privadas
foi uma parte essencial – e FHC saiu do governo com a mais baixa
avaliação que um presidente havia tido (quando Lula têm
80% de apoio, no seu sexto ano de governo, FHC tinha apenas 18%, quase
cinco vezes menos), considerado o “candidato dos ricos”,
a quem favoreceu como nunca havia acontecido no Brasil.
O que seria do Brasil se Serra
tivesse sido eleito, para dar continuidade ao governo FHC? Como o Brasil
teria sofrido a crise atual, caso as orientações do bloco
tucano-pefelista tivessem prevalecido?
A essas perguntas responderemos
no próximo artigo da série O Brazil dos tucano-pefelistas.
Fonte: Carta Maior (http://www.cartamaior.com.br)
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Congresso em Foco, 23 de outubro de 2008
Disputa acirrada nas urnas e nos
tribunais
Entre os 60 concorrentes ao 2º turno,
43 têm pendência na Justiça. Só em três
dos 30 municípios em disputa não há processado
Daniela Lima e Rodolfo Torres
Dos 60 candidatos que vão disputar votos neste segundo turno das eleições
municipais, 43 enfrentam processos na Justiça.Isso significa que 71,6%
deles se apresentam ao eleitorado tendo pendências judiciais. Os dados
fazem parte de levantamento exclusivo feito pelo Congresso em Foco nos sites
do Supremo Tribunal Federal (STF), dos tribunais de Justiça e da Justiça
Federal dos estados onde haverá disputa. Os 44 candidatos chegam à reta
final das eleições somando, no total, pelo menos 249 ações.
Em 16 das 30 cidades onde haverá segundo turno, os dois candidatos que
disputam a prefeitura respondem a processo em alguma instância do Judiciário.
São elas: Belém (PA), Campina Grande (PB), Campos (RJ), Contagem
(MG), Cuiabá (MT), Florianópolis (SC), Guarulhos (SP), Juiz de
Fora (MG), Pelotas (RS), Petrópolis (RJ), Manaus (AM), Montes Claros
(MG), Santo André (SP), São José do Rio Preto (SP), São
Paulo (SP) e Vila Velha (ES).
Nos demais municípios – Anápolis (GO), Bauru (SP), Joinville
(SC), Londrina (PR), Ponta Grossa (PR), Mauá (SP), Porto Alegre (RS),
Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), São Luís (MA) e São
Bernardo do Campo (SP) –, um dos candidatos é citado como réu
em, pelo menos, um processo.
Veja
a relação dos candidatos e suas pendências
judiciais
Não foi encontrado processo ativo contra nenhum dos candidatos em somente
três municípios, ou seja, 10% do total das localidades que elegerão
prefeito no próximo domingo, dia 26: Belo Horizonte (MG), Canoas (RS)
e Macapá (AP).
Por conta dos mecanismos de busca dos tribunais, na maioria dos processos não é possível
identificar o objeto da ação. Lacuna que a reportagem tentou
superar ao procurar os próprios candidatos. Poucos, porém, responderam
até o fechamento desta edição.
Processos mais comuns
Dentre os 249 processos encontrados pelo levantamento, os casos mais comuns
referem-se a execuções fiscais, ações populares
e processos por improbidade administrativa. Mas o Congresso em Foco também
identificou processos contra os candidatos às prefeituras que tratam
desde cobranças por dívidas de Imposto Predial Territorial Urbano
(IPTU) – principal fonte de arrecadação dos municípios – até inquéritos
por corrupção eleitoral e compra de votos, em tramitação
no Supremo Tribunal Federal.
Como já revelou este site em levantamento
restrito às capitais, entre os candidatos identificados como réus
em processos ativos, destaca-se o ex-governador do Maranhão João
Castelo (PSDB), que tenta se eleger prefeito em São Luís. Ele é alvo
de 20 ações judiciais. Fora das capitais, outros candidatos também
acumulam pendências judiciais. Entre eles, estão Ademir Lucas
Gomes (PSDB-MG), que disputa a prefeitura de Contagem com 15 processos em andamento;
e Ronaldo de Medeiros Júnior (PSB-RJ), que concorre em Petrópolis,
com 14 ações.
Em Montes Claros, a disputa entre Luís Tadeu Leite (PMDB-MG) e Athos
Avelino (PPS-MG), acirrada nas urnas, também é apertada nos tribunais.
O primeiro concorre ao Executivo municipal respondendo a 11 processos. Já Avelino,
o atual prefeito, tem dez pendências judiciais. Carlos Roberto Campos
(PSDB-SP), que luta pela prefeitura de Guarulhos, e Oswaldo Dias (PT-SP), que
tenta eleição em Mauá, também são alvos
de 11 ações cada.
Dificuldades
A consulta de dados referentes à situação judicial dos
candidatos a cargos eletivos é dificultada pelas limitações
das páginas eletrônicas dos tribunais estaduais de Justiça.
Além de fornecerem poucos dados sobre a circunstância dos processos,
algumas delas não permitem pesquisa mais ampla sobre ações
que foram alvo de agravos, apelações ou outros tipos de recursos.
O Tribunal de Justiça do Paraná, por exemplo, só permite
consulta mediante número de processo.
Na maioria das páginas de tribunais, não é possível
visualizar o arquivo originário de apelações em 2ª instância.
Por isso, neste levantamento foram considerados apenas os processos de origem.
Além da pouca eficiência dos mecanismos de busca, não existe,
na maioria dos tribunais pesquisados, informações claras sobre
a movimentação dos autos. Outro problema é a identificação
do objeto da ação. Diferentemente do Supremo Tribunal Federal,
poucas são as cortes estaduais em que se pode conhecer o assunto a que
se referem os processos.
Leia ainda:
Entenda
o levantamento
|
O ESTADO DO PARANÁ,
23 de outubro de 2008 | Economia
Bancários aprovam fim da greve
e voltam ao trabalho
Mara Andrich
A greve dos bancários terminou e hoje todas as agências -tanto
as dos bancos privados como as dos bancos públicos -devem abrir as portas.
Ontem, em assembléia em Curitiba, os trabalhadores decidiram aceitar
a proposta feita na noite da última terça-feira pela Federação
Nacional dos Bancários (Fenaban).
A votação foi disputada,
pois 155 bancários presentes na assembléia de Curitiba
votaram por aceitar a proposta, e outros 132 não queriam suspender
o movimento.
Os bancários da Caixa
Econômica e do Banco do Brasil de Curitiba e região que,
de início, cogitavam continuar com o movimento, também
acabaram aceitando as propostas específicas dos dois bancos e
suspenderam a paralisação. Os bancários mantiveram
o movimento durante duas semanas.
Em todo o Brasil, assembléias
também decidiram pelo fim da greve. A proposta da Fenaban prevê reajuste
salarial de 10% para quem ganha até R$ 2.500, e 8,15% para as
demais faixas salariais e para todos os benefícios.
Com relação à Participação
nos Lucros ou Resultados (PLR), a proposta dos bancos é de 90%
do salário mais parcela fixa de R$ 966, com teto de R$ 6.301.
Porém, se a PLR ficar abaixo de 5% do lucro líquido, a
participação no lucro será de 2,2 salários,
com teto de R$ 13.862. Também ficou acertado que o total da PLR
não poderá ultrapassar 15% do lucro líquido do banco,
e o banco que teve prejuízo em 2008 não fará este
pagamento.
Ontem, décimo quinto
dia de greve, 150 agências bancárias de Curitiba e região
metropolitana ficaram de portas fechadas. Além das agências,
12 centros administrativos - um do Bradesco, três da Caixa, quatro
do Banco do Brasil e quatro do HSBC - também não abriram.
Desde o início da greve,
três propostas foram feitas pela Fenaban. A primeira previa reajuste
salarial de 7,5%, o que significaria 0,3% de aumento real. Já os
bancários reivindicavam 13,23%, sendo 5% de aumento real.
A greve trouxe muitos transtornos
aos usuários, que tiveram que realizar vários procedimentos
bancários nas casas lotéricas e agências dos Correios
e, para quem era correntista de determinado banco, os procedimentos poderiam
ser feitos nos caixas-eletrônicos.
Algumas agências
bancárias que não aderiram à greve, como a do
Banco do Brasil do Detran, em Curitiba, por exemplo, ficavam cheias
e tumultuadas todos os dias, em função das outras agências
que não abriam.
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Agência Câmara,
23 de outubro de 2008
Projeto aprova convenção
sobre liberdade sindical no serviço público
A Câmara analisa o Projeto de Decreto Legislativo 795/08, que aprova
a Convenção 151, da Organização Internacional do
Trabalho (OIT), e o seu complemento, a Recomendação 159, ambas
de 1978. Nesses textos, a OIT estabelece normas para a negociação
coletiva e garante a liberdade sindical no serviço público, além
de reconhecer como instrumentos válidos para a solução
de conflitos a mediação, a conciliação ou a arbitragem.
A convenção da
OIT estende aos trabalhadores do serviço público as mesmas
garantias e condições de associação e de
liberdade sindicais asseguradas para os trabalhadores da iniciativa privada.
Ressalvas
O projeto, da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa
Nacional, aprova os textos com ressalvas. Ele especifica que a expressão "pessoas
empregadas pela autoridade pública", contida na Convenção
151, abrange os empregados públicos regidos pela Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT); os servidores públicos federais regidos
pelo Regime Jurídico Único (Lei 8.112/90); e os servidores públicos,
nos níveis estadual e municipal, regidos por leis específicas
de cada um desses entes federativos.
O deputado Vieira da Cunha (PDT-RS),
que relatou a mensagem do Executivo da qual se originou o projeto, havia
sugerido que a proposta deixasse mais claro o alcance da expressão,
porque, no caso brasileiro, ela se refere a diferentes categorias - como
servidores, empregados públicos e terceirizados.
Outra alteração
determina que as organizações de trabalhadores abrangidas
pela convenção serão apenas aquelas constituídas
nos termos do artigo 8º da Constituição, que estabelece
as normas para a associação profissional ou sindical.
Tramitação
O projeto será analisado em regime de urgência pelas comissões
de Trabalho, de Administração e Serviço Público;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania e pelo Plenário.
Íntegra
da proposta:
- PDC-795/2008
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Agência Câmara,
23 de outubro de 2008
Projeto permite trocar aposentadoria
por outra mais vantajosa
Diógenis Santos
A Câmara analisa o Projeto de
Lei Complementar 396/08, do deputado Cleber Verde (PRB-MA), que permite
aos aposentados do Regime Geral de Previdência Social renunciar
ao benefício e manter a contagem do tempo de contribuição
para receber outra aposentadoria, mais vantajosa.
A proposta altera a Lei 8213/91
e prevê que o novo benefício poderia ser obtido tanto no
Regime Geral, dos trabalhadores da iniciativa privada, quanto no Regime
Próprio, dos servidores públicos. O texto também
determina que o aposentado não terá de devolver os valores
já recebidos.
O Instituto Nacional do Seguro
Social (INSS), ressalta o parlamentar, insiste em rejeitar os pedidos
de renúncia, mas reiteradas decisões judiciais, inclusive
do Superior Tribunal de Justiça (STJ), têm sido favoráveis
aos aposentados que tentam conseguir esse direito.
Tem sido assim porque a Constituição
não veda a renúncia para obtenção de uma
situação mais favorável, apesar de um decreto tentar
proibi-la. É o caso do Decreto 3.048/99, que regulamenta a Previdência
Social, o qual considera irreversíveis e irrenunciáveis
as aposentadorias por idade, tempo de contribuição e especial.
Entendimento
do TCU
" O objetivo da renúncia não é a acumulação
de benefícios, mas a troca de uma aposentadoria por outra", ressalta
Cleber Verde. Na seu entender, o aposentado não deve ser obrigado a devolver
o que já recebeu, em caso de renúncia, "pois trata-se de pagamentos
de natureza alimentícia e caráter alimentar efetuados porque o
trabalhador preencheu os requisitos para recebê-los".
O parlamentar destaca ainda que,
no serviço público, em que vigora o regime próprio
de Previdência Social, o Tribunal de Contas da União (TCU)
tem proclamado o direito de o funcionário renunciar à aposentadoria
já concedida para obter outra mais proveitosa em outro cargo público.
Por isso, ele considera que os trabalhadores da iniciativa privada, contemplados
pelo Regime Geral, têm direito a tratamento igual da Previdência
Social.
Veto
Projeto semelhante (PL 7154/02) havia sido aprovado pela Câmara em maio
de 2006, e posteriormente pelo Senado, mas acabou vetado integralmente pelo
presidente Luiz Inácio Lula da Silva em janeiro deste ano.
O governo argumentou que, como
a proposta tem implicações diretas sobre a aposentadoria
dos servidores públicos da União, o Congresso não
poderia legislar sobre o assunto, pois são de iniciativa privativa
do Presidente da República as leis que disponham sobre esse assunto,
como determina a Constituição.
O veto do Executivo também
se deve à ausência, no projeto, de estimativa do impacto
orçamentário-financeiro, da previsão orçamentária
e da demonstração dos recursos para custear os gastos resultantes
da mudança na legislação, o que contraria a Lei
de Responsabilidade Fiscal.
Tramitação
O projeto, que tramita em regime de prioridade, será analisado pelas
comissões de Seguridade Social e Família; de Finanças
e Tributação; e Constituição e Justiça e
de Cidadania. Depois, seguirá para o Plenário.
Íntegra da proposta:
- PLP-396/2008
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
23/10/2008
Vendedor externo da AMBEV consegue reconhecimento
de horas extras
A Companhia de Bebidas das Américas – Ambev – foi
condenada a pagar horas extras a vendedor, ante a evidência de
que ele possuía lista de clientes a serem visitados e comparecia à empresa
diariamente, com hora marcada para chegar, e participava de reuniões
no início e no fim do expediente. A Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho rejeitou recurso da empresa contra a condenação,
imposta pela Justiça do Trabalho da 1ª Região (RJ):
o relator do processo, ministro Alberto Bresciani, observou estar claro,
na decisão do TRT, que a empresa controlava e fiscalizava a jornada
do empregado.
O vendedor foi contratado em
maio de 2001 e recebia salário fixo e comissão variável.
Em setembro de 2003, pediu demissão e ajuizou a reclamação
trabalhista na qual pedia o pagamento de horas extras e seus reflexos
nas demais verbas, entre outros itens. Informou que o acordo coletivo
celebrado entre a Ambev e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias
da Cerveja e Bebidas em Geral e de Águas Minerais do Município
do Rio de Janeiro previa que as horas extras deveriam ser remuneradas
com um percentual de 80% sobre o valor da hora normal. Para comprovar
a jornada diária a que era submetido, valeu-se do testemunho de
colegas de trabalho.
A sentença, favorável
ao empregado, foi mantida pelo TRT/RJ, em parte, e a empresa foi condenada
ao pagamento das horas extras. Ao recorrer ao TST, a AMBEV alegou que
o vendedor não estava sujeito a controle de horário porque
exercia atividade externa, como prevê o artigo 62, inciso I, da
CLT. Mas o relator destacou que atualmente os vendedores estão
sujeitos a rotas previamente determinadas por meio de listas de visitas
que acabam informando ao empregador todos os procedimentos adotados junto
a cada cliente: horário de chegada, saída, tempo gasto
no atendimento e outras informações. “Admitir que
tais empregados não possuem controle de horário, mais ainda
quando existem reuniões tanto no início quanto no final
do expediente, seria dar interpretação equivocada ao preceito
da CLT em comento”, concluiu o ministro Bresciani. ( RR-399/2005-049-01-00.2)
(Lourdes Côrtes)
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22/10/2008
Artigo - Terceirização: Anomia
inadmissível
Ministro Vantuil Abdala
Todos sofrem as conseqüências
da total ausência de normatização no campo dos serviços
terceirizados: os trabalhadores, porque vítimas das fraudes por
parte de prestadoras de serviço inidôneas; as prestadoras
de serviços idôneas, pelas conseqüências à imagem
negativa da sua atividade e ainda pela concorrência predatória;
as tomadoras de serviços de boa fé, pela indefinição
e insegurança jurídicas; e, por fim, o próprio Estado,
vítima não só como tomador de serviços, mas
também como arrecadador do que lhe é devido por contribuições
fiscais e previdenciárias. Some-se a isto a questão grave
relativa à saúde e à segurança na prestação
de serviços terceirizados.
Não se trata mais de ser
contra ou a favor da terceirização. Está-se diante
de uma realidade inexorável: a terceirização não
vai acabar. Ninguém razoavelmente imagina uma economia saudável
no Brasil se a contratação de empresas especializadas na
execução de serviços determinados fosse impossibilitada.
Estamos, pois, diante da advertência de George Ripert: “quando
o direito ignora a realidade, a realidade se vinga, ignorando o direito”.
E, de fato, a realidade tem se
vingado por esta anomia. Basta verificar que no Tribunal Superior do
Trabalho (TST) existem 9.259 processos em que o trabalhador cobra do
tomador de serviços os direitos que não conseguiu receber
da prestadora.
Se consideramos que chegam à Corte
Superior trabalhista menos de dez por cento de todas as ações
ajuizadas por empregados no País, podemos ter uma idéia
da dimensão da insegurança jurídica e da litigiosidade
que tem gerado a ausência de regulamentação desse
tipo de contratação.
É necessário que
se estabeleçam requisitos para a criação e o funcionamento
de empresas de prestação de serviços a terceiros,
a delimitação do objeto do contrato e a forma de fiscalização
do cumprimento das obrigações trabalhistas e previdenciárias
por parte destas.
Precisam ser definidos a extensão e o grau da responsabilidade do tomador
de serviços, quanto ao direito dos empregados da empresa prestadora,
quando ela não tem idoneidade econômico-financeira para suportar
os respectivos encargos.
As questões relativas às
condições de segurança, higiene e salubridade no
ambiente de trabalho merece especial atenção, até por
respeito à dignidade do trabalhador. Atento a esse princípio
fundamental e, ainda, ao princípio da isonomia, preocupa a situação
em que o trabalhador terceirizado executa os mesmos serviços que
o empregado da empresa tomadora, mas em condições inferiores.
Igualmente, na área estatal,
impõe-se a regulamentação desse tipo de contratação,
cada vez mais utilizada e deturpada, até como fraude ao mandamento
constitucional da admissão no serviço público mediante
concurso.
Não é demais considerar, ainda, a hipótese da utilização
do contrato com empresa de prestação de serviços na área
pública para interesses outros, nem sempre confessáveis, como
o nepotismo e até para sub-reptícia fonte de arrecadação
de fundos de campanha eleitoral.
Juntem-se a isso as questões
atinentes a dano moral, discriminação, assédio sexual
e pontificação da responsabilidade, tudo a justificar a
urgente normatização do instituto.
O Direito do Trabalho, nas palavras de Rafael Caldera, “não pode
ser inimigo do progresso, porque é fonte e instrumento do progresso.
Não pode ser inimigo da riqueza, porque sua aspiração é que
ela alcance um número cada vez maior de pessoas. Não pode ser
hostil aos avanços tecnológicos, pois eles são efeitos
do trabalho. Sua grande responsabilidade atual é conciliar este veloz
processo de invenções que, a cada instante, nos apresenta novas
maravilhas com o destino próprio de seus resultados, que deve ser não
o de enriquecer unicamente uma minoria de inventores, mas o de gerar empregos
que possam atender os demais e oferecer a todos a possibilidade de uma vida
melhor”.
Não se pode marchar indiferente
na contra-mão da história. A normatização,
como expressão do direito, deve se adequar aos novos fatos da
vida social, sob o imperativo do resguardo da dignidade do trabalhador, é verdade,
mas compatibilizando-se com o econômico legítimo, pois ambos
desaguam no mesmo estuário do bem comum.
Ministro
Vantuil Abdala, ex-presidente do Tribunal Superior do Trabalho, presidente
da Comissão de Jurisprudência e Precedentes Normativos
do TST e professor do Instituto de Educação Superior
de Brasília - IESB
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