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Agência Câmara,
25 de outubro de 2008
Projeto permite pedir aposentadoria
após um ano de auxílio-doença
Diógenes Santos
O Projeto de Lei 3928/08, do deputado Júlio Delgado (PSB-MG),
em tramitação na Câmara, permite que o trabalhador
que recebe auxílio-doença, há mais de um ano, devido
a doença grave incapacitante, solicite aposentadoria por invalidez.
A proposta altera a Lei 8.213/91, que regula os planos de benefício
da Previdência Social.
De acordo com essa norma, são graves e incapacitantes
as seguintes doenças: tuberculose ativa, hanseníase,
alienação mental, câncer, cegueira, paralisia
irreversível e incapacitante, doença cardíaca
grave, Mal de Parkinson, espondiloartrose anquilosante (enfermidade
que afeta as articulação e pode impedir a movimentação
da coluna), doença renal grave, doença de Paget
(osteíte deformante) em estágio avançado,
Aids ou contaminação por radiação
(comprovada em laudo médico).
Segundo o projeto de Delgado, para conseguir a aposentadoria
por invalidez, será necessário apresentar um
requerimento ao Instituto Nacional do Seguro Social.
Perícias constantes
Atualmente, o trabalhador que recebe auxílio-doença é obrigado
a realizar exame médico periódico e participar do programa
de reabilitação profissional prescrito e custeado pela
Previdência Social, sob pena de ter o benefício suspenso.
Para Júlio Delgado, em alguns casos, essas constantes revisões
médicas são nocivas ao paciente com doenças mais
graves. "Algumas dessas doenças provocam intensa e progressiva
debilidade física. Um portador de câncer, por exemplo,
sofre ao ter de sair de casa para comparecer à perícia",
avalia Delgado.
O objetivo da proposta, explica o parlamentar, é possibilitar
aos portadores dessas doenças o direito de decidir
se estão em condições de tentar voltar
ao trabalho ou se aposentar definitivamente, sem o desgaste
dos constantes exames periciais.
Além disso, ele ressalta que há casos em que
o trabalhador é liberado para trabalhar, mesmo com
seqüelas da enfermidade. "Por não ter condições
de exercer suas atividades normais, o trabalhador nessas
condições acaba sendo relegado a um canto,
constrangido à compaixão de colegas, o que
piora ainda mais seu estado psicológico."
Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado
pelas comissões de Seguridade Social e Família; e de
Constituição e Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta:
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PL-3928/2008
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Agência Senado, 25
de outubro de 2008
CAS debate atualização
de aposentadorias e pensões do INSS
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) realiza audiência pública,
na próxima quarta-feira (29), às 10h, para debater o Projeto
de Lei do Senado (PLS) 58/03, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS),
que atualiza aposentadorias e pensões pagas pelo Instituto Nacional
do Seguro Social (INSS) aos seus segurados e pela União aos seus
inativos e pensionistas.
Para falar sobre o assunto deverão comparecer à CAS
representantes dos Ministérios da Fazenda, do Planejamento,
Orçamento e Gestão e da Previdência Social,
além do representante da Confederação
Brasileira dos Aposentados (Cobap), Hermélio Soares
Campos.
De acordo Paulo Paim, o objetivo de seu projeto, em análise
na CAS, é reajustar os salários dos segurados
de modo que voltem a receber o mesmo número de salários
mínimos que tinham na época em que se aposentaram.
"A medida reveste-se da maior importância, visto
que tanto os benefícios contemplados com a revisão
prevista no artigo 58, do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias, da Constituição
federal, quanto os concedidos após 1988 já sofreram
tamanha deterioração em seus valores reais
que urge sejam tomadas providências no sentido de recuperar
seu poder de compra", diz o senador, na justificativa
da matéria.
Dois outros projetos que concedem reajustes a aposentados
já foram aprovados no Senado e se encontram em análise
na Câmara dos Deputados. O Projeto de Lei da Câmara
(PLC) 42/07, de autoria do Executivo, que institui uma política
de reajuste do salário mínimo, foi alterado
no Senado por emenda de Paim, estendendo às aposentadorias
e pensões o mesmo percentual de reajuste do salário
mínimo. O PLS 296/03, de autoria de Paim, extingue
o fator previdenciário no cálculo das aposentadorias.
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Agência Diap, 25
de outubro de 2008
REGISTRO SINDICAL
Relator do PDC 857/08 propõe
suspensão da Portaria 186
A Portaria 186/08 “inova no ordenamento jurídico trabalhista,
indo de encontro com as disposições legais e, principalmente,
constitucionais que regem a organização sindical”.
Com este entendimento, o deputado Laercio Oliveira (PSDB/SE), deu parecer
favorável ao Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 857/08, na Comissão
de Trabalho da Câmara dos Deputados, pela suspensão dos
efeitos da Portaria 186. O projeto, do deputado Nelson Marquezelli (PTB/SP),
destaca que o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, exorbitou de suas atribuições,
contraria dispositivos constitucionais e deixa de observar regramentos
jurídicos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
“Também alertamos que, em face de tamanho
afronte ao correto procedimento legislativo, inúmeras
entidades que representam tanto a classe de trabalhadores
quanto a classe dos empresários manifestaram-se.
Apresentaram ações diretas de inconstitucionalidade
ao Supremo Tribunal Federal, clamando pela suspensão
imediata da eficácia da Portaria”, observa
o deputado em seu relatório.
A apresentação do PDC 857 e o parecer favorável
são frutos da mobilização das confederações
e centrais que integram o Fórum Sindical dos Trabalhadores
nas denúncias dos prejuízos que a portaria
representa para a organização sindical brasileira.
Na Adin 4120 e em documentos entregues a deputados e senadores,
o FST ressalta que a norma priva, obstaculariza, no nascedouro,
a fundação de entidades e desestabelece as
entidades de grau superior já existentes.
“A portaria cria obstáculos para a sindicalização
e implica prejuízo irreversível para as entidades
e para o direito sindical, ao instituir o pluralismo sindical,
prática condenada pela Constituição”,
argumenta o vice-presidente da CNTS, João Rodrigues
Filho.
Os dirigentes sindicais estiveram em audiências
com os deputados Nelson Marquezeli e Laércio Oliveira
e levaram estatísticas de editais de convocação
para criação de sindicatos e federações
paralelas a entidades já existentes, que comprovam
que a Portaria 186 levará à destruição
da organização sindical no Brasil, ao desobedecer
o princípio constitucional da unicidade sindica.
De acordo com as estatísticas, desde a publicação
da Portaria 186, em 10 de abril de 2008, até do
dia 14 último, foram mais de 130 publicações
de editais de comissões pró-fundação
de sindicatos, federações e confederações
de trabalhadores e patronais.
Em reunião realizada dia 21 em São Paulo,
coordenada pelo FST Nacional e FST São Paulo, os
dirigentes sindicais avaliaram o caos provocado pela Portaria
e definiram estratégias de ações junto
ao Congresso Nacional, onde vão buscar a aprovação
imediata do projeto nas comissões e no plenário,
e também no Supremo Tribunal Federal, onde cinco
Adins, sendo uma do FST, aguardam julgamento.
O DIAP reuniu quatro pareceres de advogados e juristas
renomados relativos à Portaria 186 como forma de
subsidiar os debates e ações das entidades
sindicais. Os textos são de Amauri Mascaro Nascimento,
Edésio Passos, Hélio Gherardi e José Carlos
Arouca e estão disponíveis aqui.
(Com Agência CNTS)
Clique aqui e
veja o parecer do relator, deputado Laercio Oliveira (PSDB/SE),
ao projeto que susta a Portaria 186.
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Vermelho, 25 de outubro
de 2008
Crise: sexta-feira de cão,
numa semana, mês e ano de cão
Por acaso, esta sexta-feira foi o dia do aniversário da "Quinta-feira
Negra" de 24 de outubro de 1929, marco do início da Grande
Depressão dos anos 30. O capitalismo, 79 anos depois e apesar
dos fortíssimos remédios estatizantes aplicados no último
mês acha-se de novo assombrado pelo mesmo fantasma, ou pior. "Esta é uma
crise que acontece uma vez na vida, e possivelmente a maior crise financeira
deste tipo na história da humanidade", disse o vice-presidente
do Banco da Inglaterra, Charles Bean.
A sexta-feira teve início sob presságios
tão funestos que a Bolsa de Nova York teve de assegurar
aos investidores que iria realmente abrir o pregão.
Cinco minutos depois da abertura, a queda já era
de 5%. No Brasil o Ibovespa despencou 8% em 20 minutos.
Em Moscou o pregão foi interrompido – mais
uma vez – para evitar quedas ainda maiores.
Metástese para a "economia
real"
A crise, que se instalou primeiramente no mercado imobiliário
e de hipotecas dos Estados Unidos para depois avançar
sobre o sistema financeiro americano e europeu, está agora
em processo de metástese para a chamada economia
real. Também aí as notícias da sexta-feira
foram más. A metástese já é um
fato.
A Grã-Bretanha anunciou que seu PIB (Produto Interno
Bruto) caiu 0,5% no terceiro trimestre do ano - o primeiro
recuo em 16 anos. A Islândia, antes vista como uma
vitrine da ortodoxia liberal, pediu socorro ao FMI. Em
Viena, a Opep (Organização dos Países
Exportadores de Petróleo) anunciou um corte de 1,5
milhão de barris em sua produção diária,
na tentativa de segurar a queda livre dos preços.
Na área dos eletrônicos, a Sony cortou sua previsão
de dividendos e a Samsung teve uma séria queda no seu lucro.
Na indústria automotiva, a Crysler anunciou a demissão
de um em cada quatro trabalhadores. A montadora francesa PSA Peugeot
Citroën, por exemplo, anunciou que prevê "imensos" cortes
de produção em outubro-dezembro. Foi anunciada uma redução
de 2,9% no tráfico aéreo mundial em setembro.
Da redação, com
agências
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UOL, 25 de outubro de 2008
Em um mês, preço
internacional do petróleo cai pela metade
O preço do petróleo caiu pela metade
em um mês, indo de US$ 120 para US$ 66,75 na Bolsa
de Nova York. Diante da queda, os ministros da Organização
dos Países Exportadores de Petróleo (Opep)
decidiram reduzir nesta sexta-feira (24) a produção
em 1,5 milhão de barris diários, informou o
ministro do Petróleo da Arábia Saudita, Ali
al-Nuaimi. A produção passará a ser
de 27,3 milhões de barris por dia.
O corte entrará em vigor em 1ºde novembro e foi decidido
para tentar conter a queda de preços do combustível. Em
junho, o barril havia chegado à casa dos US$ 140, e agora está em
torno de US$ 63. Apenas no último mês, o preço caiu
pela metade, desabando de US$ 120 para a atual casa dos US$ 60.
Os países exportadores quiseram reduzir a oferta
para tentar tornar o produto mais raro e, assim, aumentar
seu preço. A reunião desta sexta-feira da
Opep foi extraordinária e antecipada em três
semanas m relação ao seu prazo nomal.
Especulação e recessão
O motivo que levou à queda brusca do preço
do preço do petróleo nas últimas semanas
divide a opinião de especialistas.
Hà quem defenda que havia especulação
muito forte, o que causou a alta exagerada do barril para
os US$ 140. Outros defendem que a crise financeira global
e o medo de recessão já influenciam diretamente
o preço da commodity.
A demanda por petróleo é muito sensível
ao desempenho da economia. Como houve uma deterioração
no quadro de crescimento mundial, com a escassez de crédito
e queda da intenção de consumo, algumas indústrias
já reduziram seus investimentos e cortaram parte
da demanda por petróleo, pressionando os preços
para baixo.
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Congresso em Foco, 25 de
outubro de 2008
Só vitória de
Marta revigora Aécio Neves
Mesmo que Lacerda vença em BH,
provável triunfo de Kassab põe José Serra
um passo à frente do governador de Minas na disputa
entre tucanos
Erich Decat
O resultado das urnas de amanhã (26) em São Paulo, Rio
de Janeiro e Belo Horizonte definirá não apenas os nomes
dos políticos que irão governar as três capitais
com maior número de eleitores do país, mas servirá como
um verdadeiro esboço para a próxima corrida presidencial
de 2010.
Para o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), não
basta a vitória de seu aliado em BH, Márcio Lacerda (PSB). É necessária
também uma improvável derrota do candidato do governador
José Serra em São Paulo, Gilberto Kassab (DEM). Isso
inverteria a tendência natural destas eleições
de fortalecer o governador paulista na disputa entre os dois tucanos
por uma vaga nas eleições presidenciais.
É o que dizem especialistas ouvidos pelo Congresso em Foco. Eles analisam
os possíveis quadros pós-eleição municipal e indicam
os reflexos de cada resultado para Serra, Aécio Neves e a ministra-chefe
da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT). Os três são considerados, até o
momento, os “protagonistas” da próxima corrida à Presidência
da República.
Independentemente do resultado de São Paulo e Belo Horizonte,
para o cientista político Rogério Schmitt, Serra, o governador
de São Paulo, será o principal vencedor na disputa interna
do partido contra o governador mineiro, Aécio. Para tentarem
suceder Lula, os dois tucanos travam um cabo-de-guerra político
por espaço dentro do PSDB.
As últimas pesquisas divulgadas mostram ampla vantagem do atual
prefeito de São Paulo, Kassab, sobre a ex-ministra do Turismo
Marta Suplicy (PT). O instituto Datafolha mostrou, na quarta-feira
(22), que o candidato à reeleição tem 54% das
intenções de votos contra 36% da oponente petista.
Na capital mineira, Lacerda (PSB) enfrenta Leonardo Quintão
(PMDB). A pesquisa Datafolha de quarta-feira apontou o candidato de
Aécio com 53% dos votos válidos, contra 47% de Quintão.
“ A vitória do Kassab, independentemente da vitória do Lacerda
em Belo Horizonte, sacramenta o Serra como candidato do PSDB”, atesta Schmitt,
da Tendências Consultoria.
“ Se Lacerda vencer, não terá feito mais do que obrigação.
Já o Kassab, caso seja eleito, se olharmos para o quadro de seis meses
atrás e compararmos com o atual, ele aparece como um azarão vencendo
uma ex-prefeita e um ex-governador. Claro que, se o Leonardo Quintão vencer,
o Aécio fica ainda mais fraco.”
Schmitt lembra que a derrota de Marta para Kassab também fortalece
o nome da ministra Dilma Rousseff, candidata do presidente Lula. “A
ministra eliminaria um dos principais nomes dentro do PT na disputa”,
ressalta.
Lição mineira
A cientista política Maria Cristina Seixas Vilani aposta no
fortalecimento de Serra, apesar de acreditar na vitória de Lacerda,
que, além de contar com o apoio de Aécio, tem no palanque
o atual prefeito de BH, Fernando Pimentel (PT).
“ O Aécio e o Pimentel têm uma aceitação altíssima
em Minas Gerais. Lançaram o Lacerda, mas não conseguiram o resultado
que esperavam, que era a vitória no primeiro turno. Isso foi muito inesperado.
Com uma possível vitória do Kassab, o Serra sai fortalecido”,
sinaliza a professora da Pontifícia Universidade Católica de Minas
Gerais (PUC-MG).
Segundo ela, Lula poderá tirar lições para 2010. “Esse
episódio vai servir para o Lula observar que não vai
poder lançar qualquer candidato. Belo Horizonte é um
exemplo de que não há toda essa transferência de
voto”, ponderou.
Efeito crise
O cientista político Alexandre Barros acredita que, mesmo com
uma vitória de Kassab, o sucesso da possível candidatura
de José Serra está sujeito à crise econômica
internacional. Para ele, também vai pesar na disputa ao Planalto
a postura do governo Lula em relação ao colapso financeiro
global, que levou o governo a publicar, nos últimos dias, duas
medidas provisórias (MP 442/08 e MP 443/08) anticrise.
“ Acho que as pretensões do Serra vão depender muito da resposta
do governo em face da crise, até 2010. Se for um fracasso, o Serra pode
vir forte. O problema é que ele já foi candidato muitas vezes e,
apesar de termos o exemplo do Lula, ele não é um mestre em campanhas”,
considerou Barros, da consultoria Early Warning. “Além disso, carrega
uma imagem de ser arrogante, uma arrogância típica do PSDB paulista.”
Vitória aos 45 minutos
Os especialistas ouvidos pela reportagem disseram ainda que uma reviravolta
de Marta em São Paulo, nas atuais circunstâncias, seria
pouco provável. Mas na possibilidade dela ocorrer, traria benefícios
principalmente para Aécio e para o presidente Lula.
“ Seria como uma vitória de virada aos 45 minutos do segundo tempo.
Nessa hipótese, o Serra ficaria enfraquecido e a própria Marta
se fortalece como candidata à presidência. Já para o Aécio,
o ideal é a combinação da vitória da Marta com a
vitória de Lacerda”, considera Rogério Schmitt.
Alexandre Barros lembra que um trunfo da ex-ministra do Turismo não
garante a vaga para a disputa em 2010. “O PT ainda está dividido
quanto a isso. Se ela conseguir ser candidata, vai tomar muita paulada
porque a quantidade de garfes que ela comete é muito intensa”,
lembra.
Sem crescimento
A cientista política Maria Cristina Seixas Vilani não
acredita, no entanto, em um aumento do número de votos por parte
da petista nesta reta final.
“ A Marta tem um número de eleitores fixo. A tendência é ela
ficar nos atuais 36%. Acredito que ela ainda enfrenta alguns preconceitos por
parte dos eleitores e da mídia, principalmente, por ser da elite, branca
e mulher”, disse Vilani.
Para a especialista, Marta cometeu erros consideráveis na reta
final das eleições.
“ O mais visível foi o episódio sobre a tendência sexual
do adversário. Isso foi contra a própria biografia política
dela. Acho difícil que ela não tenha sabido antes de divulgado.
E ainda tem um outro fator: em nenhum momento ela pediu desculpa. O episódio
não foi determinante, mas com certeza contribuiu”, ressaltou. “Acho
que em São Paulo já está definido”, concluiu Vilani.
Coringa do Rio
Alexandre Barros entende que a corrida à prefeitura do Rio de
Janeiro pode revelar um “coringa” para as futuras alianças
na corrida presidencial.
O candidato e deputado federal Fernando Gabeira (PV) é da base
governista, mas adota uma postura mais independente no Congresso. “Um
sujeito que, na prática, não apóia nem o PT nem
o PSDB. Por isso, ele pode ser um coringa nesse jogo. Já o [Eduardo]
Paes [PMDB] é carimbado”, disse.
Rogério Schmitt enxerga, numa eventual vitória de Paes,
um fortalecimento do governador Sérgio Cabral (PMDB) para disputar
um lugar chapa presidencial com os petistas.
“ Apesar de o Gabeira ser mais independente, o PV é da base. No
entanto, uma possível vitória do Paes fortalece o governador Sérgio
Cabral, que pode até pleitear, futuramente, uma participação
como vice na chapa para presidente. Acho que essa hipótese seria o maior
impacto do resultado do Rio”, concluiu.
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Gazeta do Povo, 25 de outubro
de 2008
Reta final em Londrina
TSE pode julgar hoje recurso
contra Belinati
Candidatura do ex-prefeito é questionada
pelo Ministério Público, que alega que o concorrente
do PP estaria inelegível porque teve contas rejeitadas
pelo TC
A poucas horas da votação do segundo turno,
os eleitores de Londrina ainda não sabem se seus
votos vão ter validade. Isso porque o Tribunal Superior
Eleitoral ainda não julgou o recurso referente ao
registro de candidatura do candidato Antonio Belinati (PP),
que tramita no órgão desde o dia 17 de setembro.
Hoje é a última chance de o recurso ser apreciado,
já que o TSE realizará, às 15 horas,
uma última sessão extraordinária antes
do pleito.
Segundo a assessoria do tribunal, há possibilidades
de haver decisão, o que não ocorreu nas sessões
desta semana em razão da ausência do relator,
o ministro Marcelo Ribeiro. Caso seja julgado e deferido
o registro de candidatura, a eleição ocorrerá normalmente.
No entanto, havendo indeferimento, o TSE decidirá que
medidas serão tomadas apenas após o julgamento,
conforme sinalizou a assessoria.
Embora não haja previsão oficial, por parte
do TSE, do que possa acontecer, o professor de processo
civil Manoel Caetano Ferreira Filho, da Universidade Federal
do Paraná (UFPR) , afirmou que mesmo Belinati tendo
a candidatura impugnada – caso o processo seja julgado
hoje – a eleição deve ocorrer normalmente
amanhã. “Os votos dele serão considerados
nulos e Hauly terá de ter 50% dos votos mais um
para ser eleito.”
Pós-eleição
Existe ainda a possibilidade de o caso ser definido somente
após a votação. Nesse caso, segundo
o TSE, outras duas hipóteses podem ser cogitadas:
a de deferimento e a de indeferimento. Na primeira delas,
o resultado final da eleição não seria
alterado. Já na segunda, caso Belinati fosse eleito,
novo segundo turno deveria ser convocado, já que
a anulação de seus votos faria com que o
requisito de validade de um pleito – o de ter necessariamente
50% mais um dos votos válidos – não
fosse cumprido. Desta forma, haveria novo embate, entre
Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Barbosa Neto (PDT), terceiro
colocado no primeiro turno, em data estabelecida pelo órgão
máximo da Justiça Eleitoral.
Manoel Caetano confirmou essa possibilidade, de um novo
pleito. “Se isso ocorrer, resta saber se haverá uma
nova eleição de primeiro ou de segundo turno”,
avalia o professor. “A mim parece que uma eleição
de segundo turno seria a mais adequada, entre Hauly e o
terceiro colocado, Barbosa Neto (PDT)”, reforça.
Ele diz, entretanto, que esse entendimento não é pacífico
e que alguns especialistas em Direito Eleitoral defendem
a necessidade de realização de novo primeiro
turno.
A necessidade de nova eleição só não
se confirmaria caso Hauly fosse o vencedor, de acordo com
o TSE.
Demora
Para o ex-juiz eleitoral Alcides Munhoz da Cunha, professor
de processo civil e direito eleitoral da UFPR, a demora
no julgamento do recurso é uma afronta ao processo
democrático. “Acho que o que está acontecendo é inexplicável,
o tribunal está levando os eleitores ao segundo
turno sem saber se ele valerá ou não. É um
desgaste para todos: eleitores e candidatos. Caso seja
indeferido depois, mesmo que Hauly vença, o processo
democrático será ferido, pois impediu que
o outro candidato (Barbosa Neto) fosse ao segundo turno”,
condena, dizendo ainda que considera que houve um “abuso” por
parte da Justiça Eleitoral. “Isso é reflexo
das contingências, de um calendário apertado
e do fato de ter o relator ausente nas duas últimas
sessões”, opina.
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Gazeta do Povo, 25 de outubro
de 2008
Emprego
Vagas aparecem mesmo com crise
Mercado de trabalho de Curitiba ainda
apresenta bons números, com criação
de mais de 4 mil vagas, mas desaceleração é esperada
por economista do Dieese
O impacto da crise financeira sobre o mercado trabalho
de Curitiba deve demorar até o começo de
2009 para ser sentido. Em setembro, mesmo com a falta de
liquidez no sistema de crédito norte-americano provocando
estragos em outros países, os números do
emprego na capital foram positivos. Foram criadas 4.699
novas vagas no mês passado, alta de 0,8% em relação
ao mês anterior. É o maior valor desde setembro
de 2007 (5.841 empregos), o que aponta para uma pequena
desaceleração na comparação
anual. Nos últimos 12 meses, o saldo de admissões
e demissões totaliza 38.363 vagas criadas, um pouco
menos do que o registrado nos 12 meses anteriores a agosto
deste ano, quando foram abertos 39.495 postos de trabalho.
Os dados foram apresentados pela Secretaria Municipal
de Trabalho e Emprego e pelo Departamento Intersindical
de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos
(Dieese). Considerando o período janeiro-setembro,
a alta foi de 6,2% no número de vagas, a maior variação
desde o início da série histórica
, em 1999. Esse porcentual colocou Curitiba em quinto lugar
na geração de emprego, entre 12 capitais
pesquisadas pelo Dieese. Em setembro, a capital paranaense
ficou com a nona colocação. As ocupações
com mais ofertas de vagas foram servente de obras (3.301),
alimentador de linha de produção (2.483)
e auxiliar de escritório (2.480).
De acordo com economista Cid Cordeiro, do Dieese, a turbulência
econômica, que em uma primeira fase atingiu o mercado
acionário e em seguida o crédito, vai agir
sobre a economia real em um terceiro momento. “A
produção, o consumo e o emprego sentirão
um pouco dos reflexos no Natal, mas o grande impacto virá mesmo
em 2009.”
O nível de emprego em Curitiba, que desde o início
da série histórica vem apresentando índices
positivos – com exceção dos meses de
dezembro –, deve ter uma diminuição
no ritmo do crescimento, mas não deve sofrer quedas. “Pelo
menos de acordo com o quadro atual”, acrescenta.
A desaceleração da economia, e, em conseqüência,
a diminuição no número de empregos
formais na comparação anual, já era
esperada pelo Dieese. “Desde abril o Banco Central
vem aumentando a taxa de juros, o que leva de seis a nove
meses para gerar impacto na atividade econômica.
Portanto, no início do ano que vem, serão
dois fatores que estarão pesando contra o crescimento.” Com
o resultado de setembro, Curitiba acumula 585.724 trabalhadores
com carteira assinada.
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Folha de S.Paulo, 25 de
outubro de 2008
ELEIÇÕES 2008 / PROJEÇÕES
Oposição
deve amargar perda de 10 mi de eleitores pelo país
Mesmo se Kassab vencer, DEM, PSDB
e PPS governarão menos eleitores que em 2004
Levantamento da Folha revela que PMDB
deve se tornar grande vencedor da eleição,
podendo conquistar 30 milhões de eleitores
ALAN GRIPP
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Mesmo se confirmar a vitória em São Paulo,
maior colégio eleitoral do país, a oposição
deverá acordar segunda-feira com um patrimônio
perdido de cerca de 10 milhões de eleitores. O número é maior
do que o eleitorado de toda a região Norte (9,4
milhões), ou próximo da votação
recebida por Geraldo Alckmin (PSDB), em 2006, no Estado
de São Paulo (11,6 milhões de votos), onde
o tucano teve o seu melhor desempenho.
Hoje, desconsiderando o resultado das eleições, PSDB,
DEM e PPS governam juntos 1.760 cidades onde vivem 44,6 milhões
de eleitores. No primeiro turno, os três partidos elegeram 1.410
prefeitos, que representam 25,7 milhões de eleitores. Se confirmado
o que dizem as pesquisas disponíveis até ontem, sairão
do segundo turno com apenas mais três vitórias (em São
Paulo, São Luís e Cuiabá) e passarão a
governar 34,9 milhões de eleitores.
Comparado ao resultado das eleições de 2004, o desempenho
da oposição é ainda pior- e evidencia uma tendência
de queda. Naquele ano, mesmo depois de perder a disputa presidencial,
as três siglas conquistaram quase 2.000 cidades e 48 milhões
de eleitores.
A Folha mapeou a cobertura real dos partidos no país e calculou
o patrimônio eleitoral com que eles darão a largada rumo
a 2010. Para calcular o eleitorado conquistado em 2004 e neste primeiro
turno, foram usados dados do Tribunal Superior Eleitoral. O mapeamento
do poder de cada sigla hoje foi feito a partir do cruzamento do número
de eleitores nos 5.563 municípios com o partido que governa
cada um deles, segundo a Confederação Nacional de Municípios.
O levantamento revela que o PMDB pode se tornar amanhã o grande
vencedor das eleições. Já conquistou 19,9 milhões
de eleitores no primeiro turno e ainda disputa em 12 cidades. Em cinco,
aparece em primeiro em pesquisas recentes. Se confirmar essas vitórias,
o PMDB comandará 23,5 milhões de eleitores a partir de
2009. A sigla ainda concorre no Rio, com Eduardo Paes tecnicamente
empatado com Fernando Gabeira (PV). Se vencer lá, vai ultrapassar
30 milhões.
O desempenho aumentará o poder de barganha da legenda nas negociações
daqui para frente. Nos bastidores, o resultado nas urnas já alimenta
o discurso de peemedebistas por uma vaga na chapa do PT para a sucessão
presidencial. O mesmo argumento poderá ser usado nas eleições
para a presidência de Câmara e Senado, em fevereiro; e
na cobrança por mais espaço no governo.
O PT chega à reta final das eleições com razões
para comemorar e lamentar. Ganhou terreno, aumentando no primeiro turno
o número de prefeituras de 411 (conquistadas em 2004) para 548.
Amanhã, tem chances reais em 12 cidades de grande e médio
porte. Pode assim ultrapassar a faixa de 20 milhões de eleitores.
A má notícia para o PT é que a sigla está diante
de prováveis derrotas em algumas das cidades mais importantes
do país, como São Paulo, Porto Alegre e Salvador, segundo
as pesquisas. Nas palavras de um petista influente, "uma vitória
eleitoral, mas uma derrota política".
O mapa do eleitorado revela ainda que os partidos apontados como beneficiários
do mensalão não perderam terreno. Juntos, PTB, PP e PR
(antigo PL) conquistaram 18,3 milhões de eleitores em 2004.
Hoje, depois do troca-troca partidário, governam 20 milhões
de eleitores. No primeiro turno, já conquistaram 18,3 milhões
de eleitores e podem chegar a 20 milhões amanhã.
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Folha de S.Paulo, 25 de
outubro de 2008
ELEIÇÕES 2008
Virada deve acontecer
em três cidades
Pesquisas mostram que os líderes
do 1º turno vencerão em 27 municípios
Na eleição de 2004, em
13 das 43 cidades do país onde houve a disputa do
2º turno, o candidato que ficou em segundo na 1º fase
foi eleito
FELIPE BÄCHTOLD
THIAGO REIS
DA AGÊNCIA FOLHA
Briga por apoio dos candidatos derrotados, debates polarizados
e tempo de TV igual. Nada disso deverá ser suficiente
para que o segundo colocado nas cidades onde haverá segundo
turno amanhã vire a disputa e saia vitorioso das
urnas. Apenas em três cidades das 30 onde haverá segundo
turno, candidatos que terminaram o primeiro turno na segunda
posição devem se eleger.
É o que mostram as pesquisas de opinião mais recentes. Em 25 municípios,
quem ganhou o primeiro turno aparece numericamente à frente nos levantamentos.
As viradas devem ocorrer apenas em São José do Rio Preto, Bauru
(SP) e Ponta Grossa (PR).
Em Campina Grande (PB), os candidatos estão rigorosamente empatados.
Apenas em Contagem (MG) não há pesquisa para o segundo
turno. Há casos de segundos colocados que estão com pontuação
menor no segundo turno em relação ao primeiro, como em
São Bernardo do Campo (SP).
No Rio e em Belo Horizonte, Fernando Gabeira (PV) e Leonardo Quintão
(PMDB), que ficaram em segundo na primeira fase do pleito, chegaram
a estar na frente em pesquisas, mas foram ultrapassados na reta final
da campanha -ainda dentro da margem do empate técnico.
Em 2004, houve mais viradas nas cidades onde o segundo turno foi realizado.
Nas 43 cidades em que essa fase foi promovida, 13 candidatos que não
terminaram o primeiro turno na frente foram eleitos.
Para o cientista político Vitor Ferraz, da PUC-SP, "muitos
[eleitores] viram que o candidato de preferência já não
tinha chance no primeiro turno. Então, houve o voto útil.
Ele abriu mão e antecipou a preferência, pulando etapas." Quem
precisa reverter desvantagem maior é Aidan Ravin (PTB), de Santo
André (SP). No primeiro turno, ele ficou 27 pontos percentuais
atrás de Vanderlei Siraque (PT).
Apesar de o segundo turno quase chancelar o primeiro em 2008, Ferraz
diz que é essencial haver essa etapa "porque garante a
legitimidade do eleito."
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Folha de S.Paulo, 25 de
outubro de 2008
BNDES anuncia ajuda para exportadoras
Coutinho diz que atuará ao
lado de bancos privados para socorrer empresas com perdas
cambiais em operações financeiras
Para presidente do banco de fomento,
crise é uma "bênção" para
reduzir custos de projetos de investimento na área
de infra-estrutura
JANAINA LAGE
DA SUCURSAL DO RIO
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social) disse que ajudará empresas exportadoras
que enfrentam dificuldades após registrarem perdas
com operações de derivativos de câmbio.
O presidente do banco de fomento, Luciano Coutinho, disse
que a forma de auxílio será discutida caso
a caso.
A decisão contraria declarações prévias
do governo de que não haveria ajuda direta a empresas. O presidente
Lula chegou a chamar essas empresas de "especuladoras" e "gananciosas".
Nesta semana, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, descartou em depoimento
no Congresso a possibilidade de socorro. "As empresas podem acertar
sua situação com os bancos e levar sua vida adiante.
O governo não vai cobrir prejuízo, nem um tostão."
Nas últimas semanas, grandes empresas, como Sadia, Aracruz e
Votorantim, anunciaram perdas substanciais com a aposta na queda do
dólar. Em palestra na Câmara Britânica, Coutinho
afirmou que o banco já está mantendo conversas com empresas
e que estuda formas de viabilizar o apoio. O governo já estimou
em 200 as empresas com perdas cambiais.
" São empresas robustas, de grande qualidade. Elas têm meios
de equacionar isso junto com o sistema bancário privado e terão,
se necessário, o suporte do BNDES para que nenhum problema de liquidez
inviabilize empresas de grande qualidade e potencial. Não são problemas
solucionáveis no atacado, não existe uma medida provisória
para solucionar esses problemas. Vai exigir trabalho muito intensivo", disse.
A situação dessas empresas têm se agravado com
a alta contínua do dólar, que ontem chegou a R$ 2,327,
alta de 0,95%. No mês, já subiu 22,2%. " Muitas empresas
têm programas de investimento no banco, portanto têm investimentos
já realizados, e você pode acertar desembolsos. Em outros
casos pode utilizar instrumentos de debêntures, nós vamos
ajudar", disse. Segundo ele, a ação do banco será complementar à do
setor privado.
Para Coutinho, a renegociação das empresas com a rede
bancária vai contribuir para acabar com a incerteza que tem
travado o processo de concessão de crédito. "Se
a gente complementarmente ajudar, facilita que as empresas refinanciem
suas perdas com o setor bancário privado, e depois a gente ajuda
a reforçar a estrutura de capital para que elas possam ter capacidade
de investimento."
Apesar da deterioração do cenário econômico,
Coutinho diz que o PIB crescerá ao menos 5,5% no ano. Sua estimativa
para o período de 2009 a 2012 é de 4,8%. O apoio a empresas
em dificuldade poderá ocorrer em um cenário em que o
banco ainda procura estruturar recursos para os próximos anos.
" Captar a mercado lá fora vai sair muito caro, mas nas instituições
multilaterais de crédito é excelente opção, e já fiz
esse tour na semana passada. Esperamos que no ano que vem a gente tenha aporte
de captações externas muito bom." Ele acertou com o BID (Banco
Interamericano de Desenvolvimento) mais US$ 3 bilhões, teve conversas
com o Banco Mundial, com o japonês JBIC e com o alemão KFW. Inicialmente,
o banco previa desembolsos da ordem de R$ 80 bilhões neste ano. Com o
aumento da demanda, diante da secura do mercado, foi a R$ 85 bilhões.
Coutinho disse estar confiante em que o sistema bancário privado voltará a
funcionar de modo a reduzir a sobrecarga sobre o BNDES.
Segundo Coutinho, a crise poderá funcionar como uma "bênção" para
projetos de infra-estrutura. Ele destaca que, no primeiro semestre,
com a alta nos preços de commodities, todos os grandes projetos
de investimento sofreram com o estouro de orçamento. "Essa
recessão mundial é uma bênção neste
aspecto porque vai derrubar todos os preços dos insumos fundamentais",
disse.
Para Coutinho, o país tem oportunidades de investimentos rentáveis
em infra-estrutura, depois de ter passado mais de duas décadas
investindo abaixo do necessário. Ele vê demanda forte
em setores como logística, rodovias e energia.
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Revista Consultor Jurídico,
25 de outubro de 2008
Evolução constitucional
Constituição
deu início à nova experiência democrática
A Carta de 1988 é um marco entre o fim de um ciclo autoritário
e o início de uma nova experiência democrática. A
constatação é do presidente do Supremo Tribunal,
ministro Gilmar Mendes. Ele falou sobre os 20 anos da Constituição
e a jurisdição constitucional no século XXI, na
quinta-feira (23/10), em palestras promovidas em Washington (EUA).
Durante a palestra, o ministro ressaltou também o
papel do Supremo Tribunal Federal de “atuar na necessária
evolução constitucional, por meio da interpretação
do texto da Constituição”. Segundo ele,
a Corte tem respondido à demanda cada vez maior da
sociedade demonstrando profundo compromisso com a realização
dos direitos fundamentais.
Nesse contexto, ele citou casos históricos, discutidos
pelo Supremo, como questões relacionadas ao racismo
e ao anti-semitismo, à progressão de regime
prisional, à fidelidade partidária, às
pesquisas com células-tronco e o início do
julgamento de temas relevantes sobre aborto e a demarcação
de terras indígenas.
Já no Woodrow Wilson Center for Scholars – centro
de estudos que reúne acadêmicos e pesquisadores
das áreas de relações internacionais
e de políticas públicas de todo o mundo –,
o ministro apresentou a palestra “Novos Desafios para
Jurisdição Constitucional no Século
XXI: Perspectiva Brasileiras”.
O presidente do STF explicou que “a jurisdição
constitucional brasileira foi construída num ambiente
constitucional democrático e republicano, apesar das
interrupções causadas pelos regimes autoritários”.
Gilmar Mendes falou das influências do modelo norte-americano
no sistema brasileiro como decisivas para a adoção
inicial de um sistema de fiscalização judicial
da constitucionalidade das leis e dos atos normativos.
Hoje, no entanto, o ministro definiu o controle de constitucionalidade
como sendo caracterizado pela originalidade e diversidade
de instrumentos processuais destinados à fiscalização
dos atos do poder público e à proteção
dos direitos fundamentais.
Ao fazer um panorama geral sobre o tema, o ministro destacou
ainda a ampla publicidade dos julgamentos no Brasil. Ele
concluiu a apresentação afirmando que “não
há Estado de Direito, nem democracia, onde não
haja proteção efetiva de direitos e garantias
fundamentais”, ressaltando as atribuições
do STF como guardião da Constituição.
Ainda em Washington, na quinta-feira Gilmar Mendes reuniu-se
também com o presidente da Suprema Corte dos Estados
Unidos, John Roberts, e com o magistrado Antonin Scalia.
Na segunda-feira (27/10), o ministro cumpre agenda em Boston.
Ele apresenta palestra sobre “O Controle de Constitucionalidade
no Brasil” na Harvard Law School
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Revista Consultor Jurídico,
25 de outubro de 2008
Solução de conflitos
Direito trabalhista autoriza
uso da arbitragem
por Eliana Tenório
A opção pela via arbitral constitui faculdade
assegurada às partes pela própria Constituição,
inexiste ofensa ao artigo 5º, inciso XXXV, da CF.
A Arbitragem não exclui o acesso ao judiciário,
a norma constitucional não “obriga” as
partes a se socorrerem da justiça oficial, apenas “assegura-lhes” essa
possibilidade.
Quando as partes manifestam sua vontade pela via arbitral,
o fazem por ato consensual, exercendo um dos maiores direitos
previstos em nossa Constituição, a liberdade.
Como afirma Maria Inês Moura Santos Alves da Cunha, “quem
ajusta a derrogação da justiça estatal
o faz calcado em sua capacidade, liberdade e autonomia”.
A lei de Arbitragem brasileira está sendo considerada “modelo” para
vários países que ainda estão implantando
a arbitragem. O Brasil está ganhando terreno no
comércio exterior por causa da Lei de Arbitragem
instituída em 96.
Há verdadeiro consenso, inclusive entre os mais
altos escalões do Poder Judiciário nacional,
sobre a importância da utilização e
ampliação da arbitragem — Lei 9.307,
de 23 de setembro de 1996 — como forma eficaz de
solução de conflitos e de desobstrução
da Justiça.
A arbitragem, mediação, conciliação
são meios pacíficos de solução
de controvérsias que chegaram para ficar, ou seja, é o
futuro das soluções para os litígios.
Não podemos mais pensar em litigar, não temos
mais esse tempo, temos que aprender a negociar, transacionar,
conciliar, é o ganha-ganha em contrapartida com
o perde-perde.
A Arbitragem para resolver questões trabalhistas é hoje
uma realidade incontestável, os tempos mudaram,
uma nova etapa nas relações humanas começou.
Não mais se discute a disponibilidade ou indisponibilidade
dos direitos trabalhistas, o artigo 9º da CLT não
declara indisponíveis os direitos do trabalhador,
apenas não valida o ato do empregador que priva
os direitos assegurados por lei ao trabalhador. Se o empregado
decide dispor de um direito não coberto pela proteção
da indisponibilidade absoluta, a lei não veda o
acesso à via arbitral, cabendo perfeitamente a arbitragem
para dirimir dissídios individuais trabalhistas.
A Justiça do trabalho está cada vez mais
atuante, apesar da grande massa de serviço sobreposta
com a emenda 45, estão conseguindo atualizar seus
cartórios, novos empreendimentos, novas varas, reformas,
porém tudo isso não estaria surtindo efeito
se não fosse o grande número de casos resolvidos
por Arbitragem.
Baseado em apontamentos do Conselho Nacional das Instituições
de Mediação e Arbitragem (Conima), mais de
60 mil casos já passaram pela arbitragem nas diversas
câmaras brasileiras, número que poderia chegar
ao triplo se as câmaras pudessem divulgar seus casos.
Isto significa que grande parte dos litígios que
ingressariam na justiça do trabalho foram tranquilamente
resolvidos através de meios simples de solução
de conflitos, que englobam a conciliação
a mediação e a arbitragem.
Muitas decisões judiciais já foram prolatadas
apontando a Arbitragem como meio seguro de solução
e prevenção em litígios trabalhistas,
como a proferida em 18 de março de 2008, pelo Tribunal
Regional do Trabalho da 2ª Região, que extinguiu
o processo julgando o mérito da ação:
“Compromisso Arbitral. Conciliação
vantajosa para ambas as partes. Ausente prova de vício
de consentimento obreiro. Tratando-se o reclamante de agente
plenamente capaz, não se pode cogitar em qualquer
vício de consentimento quando o acordo formulado, à época, é vantajoso
para as ambas as partes: o reclamante, com o recebimento
de quantia, além dos haveres rescisórios,
e a reclamada, com a quitação quanto ao objeto
do extinto contrato de trabalho” (TRT/SP, Acórdão:
20080190698).
Um país desenvolvido se faz grande também
em relação ao seu judiciário, se ele
funciona ou não e se existe uma segurança
jurídica. Não podemos negar o quanto a arbitragem
colabora para que o judiciário trabalhe com as questões
mais relevantes, tendo tempo de realmente promover a justiça.
A Arbitragem não tem o condão de suprimir
a ida de quem quer que seja, ao judiciário, não
concorre com a justiça estatal, não substitui
a atividade desenvolvida pela Justiça do Trabalho,
mas complementa sua atuação. Juízes
e árbitros caminham juntos para obter a mesma finalidade:
alcançar a paz social.
Referência bibliográfica
1 - CUNHA, Maria Inês Moura Santos
Alves da. A equidade e os meios alternativos de solução
de conflitos, São Paulo: LTr, 2001, p.47.
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Revista Consultor Jurídico,
25 de outubro de 2008
Efeitos da súmula
Salário mínimo
serve como base de cálculo de adicional
por Ovídio Collesi
O Supremo Tribunal Federal, ao editar a Súmula
Vinculante 4, estabeleceu que o salário mínimo
não pode ser usado como indexador de base de cálculo
para qualquer vantagem salarial, seja de servidor público,
seja de empregado.
Ao mesmo tempo, estabeleceu diversos critérios,
cujos procedimentos deverão ser adotados e seguidos
a partir de então, tanto pelos órgãos
do Poder Judiciário, quanto pela administração
pública direta e indireta, nas esferas federal,
estadual e municipal.
Ao julgar o Recurso Extraordinário 565.714 (que
deu origem à Súmula Vinculante 4 em questão),
os ministros entenderam, em decisão unânime,
que o Supremo Tribunal Federal – entenda-se o Judiciário – não
tem poderes para legislar. Assim sendo, estabeleceram,
ao julgarem inconstitucional a indexação
do salário mínimo para o cálculo do
adicional de insalubridade contido no artigo 192 da CLT,
que o mesmo deve continuar a ser utilizado como base de
cálculo, até que nova lei ou convenção
coletiva venha a substituí-lo. (Reclamação
STF 6.266 MC/DF – DJ 5/8/2008).
Tal poder de declarar a inconstitucionalidade da norma,
bem como o momento de sua eficácia, é conferido
ao Supremo Tribunal Federal pelo artigo 103-A, inserido
na Constituição Federal pela EC 45/2004,
regulamentado pela Lei 11.417/2006 (artigo 4º).
Isto significa, na prática, que os dispositivos
de leis que estabeleçam vantagens ou fixações
salariais indexadas ao salário mínimo são
inconstitucionais, mas enquanto não for substituído
este indexador por lei ou convenção coletiva, é o
salário mínimo que deverá ser aplicado
para estabelecer o valor da remuneração.
O Tribunal Superior do Trabalho deu cumprimento ao efeito
vinculante da Súmula 4 do STF ao julgar o AIRR 1310.2006.009.04-40,
deixando claro que, não apenas para o adicional
de insalubridade, como também para o salário
profissional de categoria, é o salário mínimo
que continuará a ser aplicado no cálculo
da remuneração (DJ – 3/10/2008).
Na verdade, o Tribunal Superior do Trabalho está apenas
cumprindo o estabelecido em lei e o mesmo devem fazê-lo
os órgãos da administração
pública em geral, sob pena de responsabilização
pessoal, nas esferas cível, administrativa e penal
(artigo 9º, Lei 11.417/2006).
Concluindo, chamamos a atenção dos sindicatos
de classe, bem como do Congresso Nacional para, nos casos
em que se apliquem, adequarem a substituição
do salário mínimo por outro indexador sanando
a inconstitucionalidade da lei.
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