Informativo Eletrônico n.º 1.081   -   Ano 05   -   Curitiba (PR), 26 de outubro de 2008.



Agência Diap, 26 de outubro de 2008

DIREITOS DO CONSUMIDOR
CCJ do Senado aprova projeto que pune prática de overbooking

Empresas aéreas que forem flagradas praticando o overbooking - venda de passagens acima da capacidade dos assentos constantes nas aeronaves - serão obrigadas a indenizar o passageiro que ficar impedido de embarcar.

A multa terá o valor correspondente ao da passagem comprada, além da devolução do valor pago pelo consumidor, se ele preferir não viajar. A indenização, a ser paga pela companhia aérea em dinheiro ou em crédito aberto, também é válida em caso de cancelamento de vôo ou atraso superior a duas horas.

A decisão foi tomada, na última quarta-feira (15), pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado, ao aprovar substitutivo do senador Expedito Júnior (PR/RO) o PLS 114/04, da senadora Serys Slhessarenko (PT/MT). A proposta tramita em conjunto com outros três projetos que versam sobre o mesmo tema.

Tramitação

O projeto segue agora para a Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo, onde será votado em decisão terminativa. Na prática, o projeto tem por meta preservar o passageiro de constrangimentos que sofrem nos aeroportos.

A indenização não exime, entretanto, a empresa de garantir ao passageiro prejudicado o direito contratual ao transporte previsto no bilhete, o qual poderá ser usufruído, a critério do passageiro, na forma de uma das seguintes alternativas:

1) acomodação em vôo que ofereça serviço equivalente para o mesmo destino, no prazo de quatro horas a contar do horário previsto para o embarque; e

2) reembolso do valor do bilhete. Todas as despesas decorrentes da interrupção ou atraso da viagem, inclusive transporte de qualquer espécie, alimentação e hospedagem, correrão por conta da empresa.



Vermelho, 26 de outubro de 2008
Metalúrgicos fecham acordos, mas pode haver greve

Os metalúrgicos de São Paulo e Mogi aprovaram sexta-feira (24) à noite, em assembléia, proposta de acordo salarial com cinco grupos patronais e decretaram estado de greve nas empresas do chamado Grupo 10 da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

De acordo com nota à imprensa do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, o grupo 10 não apresentou contraproposta. Os metalúrgicos estipularam a próxima segunda-feira, dia 27, como prazo final para que o grupo se manifeste.

"Se isto não acontecer, vamos começar a parar as fábricas do setor a partir de terça-feira e buscar acordos direto com as empresas", afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, Miguel Torres.

O Grupo 10 inclui Sifumesp (funilaria e móveis de metal), Sindilux (lâmpadas e aparelhos elétricos de iluminação), Siemesp (estamparia de metais) Sinaemo (artigos e equipamentos odontológicos, médicos e hospitalares), Sindirepa (reparação de veículos e acessórios), Sindimec (mecânica), Sindisuper (proteção, tratamento e transformação de superfícies), Sinarme (rolhas metálicas), Simbe (material bélico).

No caso dos cinco acordos aprovados, as contrapropostas garantem a reposição salarial da inflação dos últimos 12 meses a serem encerrados neste mês de outubro.

No Grupo 3 (autopeças), o acerto inclui reajuste salarial estimado de 10,99%, dos quais, 3,6% de aumento real. No Grupo 2, (máquinas e equipamentos e eletroeletrônicos), foi acordado uma elevação estimada de 10,34%, sendo 3% de real. No Grupo 19-3 (laminação de metais, esquadrias e construções metálicas, equipamentos ferroviários, metais não-ferrosos, e outros), o acréscimo deve somar 10,34%, com 3% de real. No caso da Fundição, o reajuste previsto alcança 10,51%, dos quais, 3,15% de real. E nas empresas do Sindisider (produtos para siderurgia), o acorde prevê reajuste estimado de 10,34%, sendo 3% de real.

A assembléia no auditório do Sindicato, na Liberdade, contou com a participação de 1.500 trabalhadores, de acordo com o Sindicato.




Vermelho, 26 de outubro de 2008
Robert Fisk: crise e ranger de ossos mundiais; não no Líbano
Mustafa, proprietário da sala que alugo, está sentando em seu barzinho (só refrigerantes), no térreo, com o dedo na orelha. Trabalho no escritório do The Independent, janelas bem fechadas, o que não impede que uma fina camada de poeira entre pelas frestas e cubra tudo, arquivos e livros, laptop e impressora (e Fisk), com uma pátina castanha oleosa. Sim, há uma construção aqui bem ao lado, e as escavadeiras rugem no esforço de construir mais duas chamativas torres de apartamentos.

Por Robert Fisk*

Em toda Beirute é a mesma coisa, a paisagem sempre em transformação, todos os dias brota um novo prédio de escritórios ou de apartamentos. Sim senhor! No Líbano, país cujo nome ainda é sinônimo de guerra – e em mundo no qual o capitalismo enfrenta colapso de proporções bíblicas – os negócios vão de vento em popa.

Mas, atenção, leitores, não aconselho – não, não, de modo algum – não estou aconselhando ninguém a investir nesse para-Estado, de governo sectário e covas para sepultamentos em massa e campos de esquálidos refugiados palestinos. Não sou economista. No ginásio, não passei em Matemática em três tentativas, motivo pelo qual me ofereceram uma vaga na Liverpool University. Alguém, pois, terá de me explicar como esse paisinho do Oriente Médio dá-se tão bem e atravessa tão alegremente a temporada de ciclones que detona a economia mundial.

O Blombank de Beirute comemora aumento recorde de 34% nos lucros nos ¾ do ano já decorridos. O presidente do Banco Audi Saradar, o qual, coincidentemente, é também ministro da habitação do governo libanês, diz que se espera que o Líbano, em pouco tempo, alcance o mais alto índice de crescimento em muitos anos. Os preços das casas continuam a subir. E o país padece sob uma dívida pública de 45,5 bilhões de dólares. Assim sendo, entra em ação a cadernetinha Fisk de anotações, em capa de couro, para recolher as palavras da sabedoria libanesa (homens, na maioria; poucas mulheres) na qual se escondem os segredos do milagre financeiro local. OK.

O Banco Audi perdeu cerca de 20 milhões de dólares na quebra do Lehman Brothers, mas escapou por um triz do colapso do Wachovia Personal Finance and Business Financial Services, porque sua aplicação de 200 milhões de dólares venceu dia 3/10. Somados, os 58 bancos libaneses acumularam lucros de 750 milhões de dólares em 2008. E por que esse dinheiro parece tão bem salvo e preservado? Porque há três anos, o Banco Central do Líbano proibiu os bancos comerciais de operar com derivativos. Nenhum banco libanês investiu, nem um centavo, nas hipotecas subprime nos EUA. De fato, os bancos comerciais libaneses, todos eles, são proibidos de investir em imóveis fora do Líbano.

Não há, é claro, petróleo, no Líbano – ou há? Nos idos de 1976, quando Ghassan Tueni foi ministro do petróleo, quase todos os grandes conglomerados mundiais de petróleo mostraram interesse em prospectar em áreas da costa libanesa entre Batroun e Tripoli, ao norte. Mas no dia previsto para a abertura da concorrência, em Tripoli, estourou a guerra entre sírios e palestinos, que conflagrou a região a ser prospectada. Depois, em 1980, o economista libanês Marwan Iskander sugeriu ao então presidente Elias Sarkis que seria hora de voltar a pensar na concorrência para prospectar petróleo. Iskander ofereceu-me magnífico charuto cubano, enquanto me contava a história de Sarkis. Por alguma insondável razão, todos os libaneses fumam charutos quando discorrem sobre a loucura financeira.

"Quando apresentei minha sugestão, Sarkis virou-se para mim e disse: 'Escute aqui, Marwan, os libaneses já somos doidos, sem petróleo. Se acharmos petróleo, enlouqueceremos completamente! Além do mais, mesmo que encontremos petróleo, os sírios não permitirão a exportação.'" Hoje, os sírios já voltaram – politicamente – ao Líbano, e o governo de Siniora não tem pressa para descobrir reservas de petróleo sob as águas do Mediterrâneo.

Mas os libaneses talvez contem com uma commodity tão valiosa quanto o petróleo: o Líbano é o único país do mundo que tem 35-40% da população empregada em terra estrangeira; e esses libaneses mandam para casa, anualmente, cerca de 7,5 bilhões de dólares. Além disso, o Líbano já recebeu 1,3 bilhão, dos 7,6 bilhões a que faz jus, nos termos da Declaração de Paris, da OCDE, de 2005; o que falta virá, com as reformas que o governo prometeu fazer. Isso, sem falar, aliás, do quase 1 bilhão de dólares que o Hezbolá recebe anualmente do Irã. Indício da eficácia com que os EUA "estancaram o fluxo de dinheiro para organizações terroristas".

Quanto à dívida pública, situação sob controle. Pelo menos 24 bilhões, dos 45,4 bilhões devidos são dívida em moeda estrangeira; 21 bilhões, em dinheiro libanês. Mas 80% da dívida externa é dívida de bancos ou de empresas libanesas, que jamais terão interesse em quebrar o país; todos pagam pontualmente os juros que devem pagar. E no que tenha a ver com a dívida interna, Siniora pode imprimir mais dinheiro, sendo necessário.

Uau! Foi a primeira vez que me meti nos assuntos de lucros e perdas desse estranho país. No hell-disaster (esse "desastre dos infernos", como disse Churchill) que é o Oriente Médio, é quase engraçado constatar que o Líbano – em termos políticos, é um Rolls-Royce sem leme – sabe fazer contas e o balanço 'fecha'. O mundo terá o que aprender, do Líbano? No nosso próximo encontro – pedi a Iskander na 5ª-feira passada –, sugira-me um ‘derivativo’. “Nada disso”, respondeu ele. “Se você já tiver entendido, explique p’ra mim!”

Como os libaneses conseguem fazer o que fazem? Sendo otimistas. Surpreendentemente, raros libaneses conhecem a sombria advertência que T.S.Eliot dirigiu aos ancestrais dos libaneses, os fenícios. Em “Death by Water”**, Eliot escreveu: “Flebas, o Fenício, morto há quinze dias, / Esqueceu o grito das gaivotas e o marulho das vagas / E os lucros e perdas. / Uma corrente submarina / Roeu-lhe os ossos em surdina. (…) / Gentio ou judeu, / Ó tu que o leme giras e avistas onde o vento se origina, / Considera Flebas, que foi um dia alto e belo como tu.”

Mas quem, em Beirute pensa em Flebas, sepultado no Mediterrâneo? Pois pode acontecer de, um dia, os libaneses encontrarem tesouros mais ricos, mas escuros, por baixo daqueles ossos.

*ROBERT FISK, 25/10/2008, ” Financial doom and gloom is everywhere – except Lebanon” © 2008 The Independent, UK.

Na Internet em:

http://www.independent.co.uk/opinion/commentators/fisk/robert-fisks-world-financial-doom-and-gloom-is-everywhere-ndash-except-lebanon-972797.html.

Tradução de trabalho, de Caia Fittipaldi, para finalidades didáticas, sem valor comercial.

**“Death by Water” [Morto pela água] é o quarto dos cinco poemas de T.S. Eliot que formam The Waste Land, de 1922. A tradução que aí vai é de Ivan Junqueira, em T.S. Eliot, Poesia, editora Nova Fronteira, 1981.

Congresso em Foco, 26 de outubro de 2008
Segundo turno leva 27 milhões de eleitores às urnas
Eleitores escolhem prefeitos de 31 cidades. Disputas mais interessantes acontecem em SP, Rio e BH

Rodolfo Torres

Neste domingo (26), exatos 27.166.643 eleitores (21,09% do eleitorado) estão aptos para escolher os prefeitos de 11 capitais e de 19 municípios do interior do país. Nessas cidades, o pleito não foi decidido no último dia 5 porque nenhum dos candidatos dessas localidades atingiu o percentual de metade mais um dos votos válidos.

Levantamento exclusivo do Congresso em Foco revela que, dos 60 candidatos que vão disputar votos neste segundo turno das eleições municipais, mais de 70% têm problemas com a Justiça. São 43 políticos com enfrentam processos no Supremo Tribunal Federal, nos tribunais regionais federais e nos tribunais estaduais.

Entre as 30 cidades que serão palco do segundo turno, uma das disputas mais interessantes é em São Paulo, maior metrópole do país, com 8,1 milhões de eleitores.

Lá, as últimas pesquisas apontam uma generosa vantagem do atual prefeito, Gilberto Kassab (DEM), sobre a ex-ministra Marta Suplicy (PT), que entrou no primeiro turno como favorita. De acordo com pesquisas Datafolha e Ibope divulgadas ontem (25), ambas com apenas os votos válidos, Kassab conta com 20 pontos de vantagem em relação à Marta: 60% contra 40%.

No Rio de Janeiro, com 4,5 milhões de eleitores, a disputa esta acirrada entre Eduardo Paes (PMDB), candidato do governado estadual e federal, e o deputado Fernando Gabeira (PV), apoiado pelo atual prefeito, Cesar Maia (DEM). Nas pesquisas do Datafolha e do Ibope desse sábado, o peemedebista aparecia com 51% das intenções de voto, contra 49% de Gabeira.

A disputa mais instável ocorre em Belo Horizonte, que conta com 1,7 milhão de eleitores. Márcio Lacerda (PSB), candidato apoiado pelo governador mineiro e pelo prefeito de BH, Fernando Pimentel (PT), liderou a disputa durante todo o primeiro turno. No início do segundo turno, o adversário Leonardo Quintão (PMDB) assumiu a liderança. Contudo, de acordo com o Ibope, Lacerda tem 52% dos votos válidos, contra 48% de Quintão. Já o Datafolha diz que Lacerda conta com 59% das intenções de voto, contra 41% de Quintão.

Os cenários advindos das urnas em Belo Horizonte e São Paulo vão colaborar para definir os candidatos à Presidência da República em 2010.

Mais disputas

Outras cidades terão segundo turno hoje: Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Cuiabá (MT), Florianópolis (SC), Macapá (AP), Manaus (AM), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), São Luís (MA) e São Paulo (SP).

Além das capitais, haverá eleição em Anápolis (GO), Bauru (SP), Campina Grande (PB), Campos (RJ), Canoas (RS), Contagem (MG), Guarulhos (SP), Joinville (SC), Juiz de Fora (MG), Londrina (PR), Pelotas (RS), Petrópolis (RJ), Ponta Grossa (PR), Mauá (SP), Montes Claros (MG), Santo André (SP), São Bernardo do Campo (SP), São José do Rio Preto (SP) e Vila Velha (ES).

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) prontificou cerca de 77 mil urnas eletrônicas, distribuídas em 67.740 seções eleitorais, para o segundo turno do pleito municipal.

Pleito retomado

Além dessas 30 localidades, também haverá eleição em Benedito Leite (MA), cujo pleito do dia 5 de outubro foi cancelado pela Justiça Eleitoral depois que diversas urnas foram queimadas. Nesse município, 4.271 eleitores são esperados em 17 seções para escolher prefeito, vice-prefeito e nove vereadores.



Gazeta do Povo, 26 de outubro de 2008
Corrida eleitoral
Aliados de Lula são os grandes favoritos do 2.º turno
Base aliada vai vencer em 18 das 30 cidades onde hoje haverá votação e tem boas chances em mais 6

Brasília - Os partidos de sustentação do governo do presidente Lula – PT , PMDB, PP, PSB, PTB, PDT, PR, PCdoB e PV – são os grandes favoritos do segundo turno. Das 30 cidades em que hoje haverá votação, a base de Lula vai ganhar em 18 cidades, pois apenas candidatos de legendas aliadas concorrem. Nessa conta está incluído o Rio de Janeiro, que tem o peemedebista Eduardo Paes disputando com Fernando Gabeira, que é do PV, embora o candidato verde seja crítico de Lula.

A base de Lula também tem grande chances, segundo as pesquisas, de vencer em outras seis cidades. Dentre os partidos aliados, O PT é quem tem possibilidade de fazer o prefeito em mais municípios neste segundo turno (11), seguido do PMDB, com 9.

O segundo turno também deve consolidar o PMDB como principal vencedor das eleições de 2008. Nas capitais, os peemedebistas inclusive são favoritos em três cidades: o PMDB lidera as pesquisas em Salvador (BA), Porto Alegre (RS) e Florianópolis (SC). Além disso, está tecnicamente empatado em outras três: Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ) e Belém (PA).

As pesquisas indicam o crescimento peemedebista após 20 anos de recuo. No primeiro turno, o partido elegeu 1.194 prefeitos, 140 a mais do que em 2004. Duas dessas vitórias foram em capitais, Goiânia (GO), com Íris Resende, e Nelson Trad, em Campo Grande (MS).

O PMDB também se transformou no maior “dono” de estados. Há quatro anos, o partido elegeu a maioria dos prefeitos em apenas cinco unidades da federação. Em 2008, o domínio cresceu para 14 estados, contra quatro do PSDB, dois de PT, PDT, PSB e PP e 1 de PR e PTB.

O PSDB, segunda maior legenda em número total de prefeituras, caiu de 871 para 780. Entre as capitais, os tucanos já venceram em Curitiba, com Beto Richa, e em Teresina (PI), com Silvio Mendes. Hoje, as pesquisas indicam que devem ganhar duas capitais: Cuiabá (MT) e São Luís (MA).

Em terceiro lugar com maior número de municípios conquistados aparece o PT, que aumentou o número de prefeituras em 33% no primeiro turno, saltando de 411 que administra hoje para 548 que serão dirigidas por petistas a partir do ano que vem. Os candidatos do PT já venceram em seis capitais – Fortaleza (CE), Palmas (TO), Recife (PE), Vitória (ES), Porto Velho (RO) e Rio Branco (AC). Por outro lado, o PT deve perder em seis das sete capitais do eixo Sul-Sudeste, que concentra os maiores colégios eleitorais do país.

Importância

Os confrontos mais importantes de hoje para o PMDB são em Belo Horizonte e Rio. Em Minas Gerais, Leonardo Quintão chegou a virar as intenções de voto contra Márcio Lacerda (PSB) há duas semanas, mas as últimas pesquisas indicam empate técnico, com leve vantagem para Lacerda. Na capital fluminense houve o contrário: o peemedebista Eduardo Paes largou atrás e agora está um pouco à frente de Fernando Gabeira (PV).

Os resultados ampliam a força do PMDB nas negociações para a sucessão presidencial em 2010. “Mais uma vez o PMDB será a noiva mais cobiçada”, diz o cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília. Ele lembra dos esforços de tucanos e petistas para atrair os peemedebistas a uma aliança nas últimas três disputas presidenciais.

A última vez que o partido teve candidato próprio a presidente foi em 1994, com o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia. Para acabar com a fama de colcha de retalhos, o partido tenta utilizar o fortalecimento das urnas como motivo de união. “Vivíamos uma situação constrangedora, de divisão nos estados e de correntes dentro do Congresso Nacional. De 2006 para cá, estamos colando todos os pedaços e o resultado foi visto nas eleições”, diz o líder da legenda na Câmara dos Deputados, Henrique Alves (RN).

O poder do PMDB também está levando a legenda a discutir romper o acordo com o PT para tentar eleger novamente o presidente do Senado. “Somos o maior partido nas duas Casas e, pela lógica, poderíamos sim presidir ambas. Só que politicamente talvez essa não seja a melhor escolha”, afirma Alves.

Passada a disputa pelo comando do Congresso, a legenda também faz planos para 2010. O líder da bancada anunciou a intenção de transformar lideranças locais em nomes conhecidos no Brasil. Alves não esconde, porém, que um nome sai na frente nessa disputa – o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. Em conversas reservadas, Lula já teria dito que Cabral é o nome ideal para ser vice da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, em 2010.



Folha de S.Paulo, 26 de outubro de 2008
País
Resultado deixa PT mais dependente de Lula
Dirigentes admitem que eleição não revelou liderança capaz de dividir com o presidente a influência sobre os rumos da sigla

Assuntos como a eleição para o novo presidente do partido e como a sucessão de 2010 dependerão das decisões tomadas por Lula

KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Os resultados das eleições municipais deste ano deixam o PT ainda mais dependente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O lulismo se consolida como força maior do que o petismo -tendência em curso desde a chega do partido ao poder federal, na eleição de 2002.

Apesar do crescimento orgânico do PT, estas eleições não revelaram uma nova liderança nem permitiram que caciques estaduais ganhassem força para ousar dividir com Lula a influência sobre os rumos do PT. Reservadamente, dirigentes do partido reconhecem que caberá ao presidente da República decidir os movimentos mais importantes da legenda nos próximos dois anos. Lula escolherá o candidato à sua própria sucessão, em 2010. O presidente já disse a auxiliares próximos que deseja que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) seja a candidata.

Lula também terá influência decisiva na eleição do novo presidente do PT, no ano que vem. O atual, o deputado federal Ricardo Berzoini (SP), não poderá ser reeleito. O presidente quer escalar o seu chefe-de-gabinete, Gilberto Carvalho, para a missão. Se convocado, Carvalho sinalizou que aceitará.

Os efeitos da crise internacional sobre o Brasil também deverão sufocar eventuais críticas do partido a Lula. Numa conjuntura adversa, o papel do PT será defender uma política econômica com a qual conviveu mal e que agora enfrenta o seu grande teste.
Uma queda na popularidade de Lula, única estrela de primeira grandeza do PT, só desidrataria ainda mais o desempenho do partido nas eleições de 2010, quando haverá disputa pela Presidência, por governos estaduais (e o Distrito Federal), por vagas na Câmara dos Deputados e para dois terços do Senado, além das Assembléias Legislativas (inclusive a Câmara Distrital de Brasília).

Antes das eleições, setores do petismo, sobretudo de São Paulo, alimentavam a idéia de dividir com Lula a decisão sobre a candidatura presidencial de 2010. Com a iminente derrota da ex-ministra Marta Suplicy para o prefeito Gilberto Kassab (DEM) essa articulação ruiu. Segundo pesquisa Datafolha realizada anteontem e ontem, Kassab tem 60% dos votos válidos, contra 40% de Marta (no quadro ao lado foram destacados os índices de votos totais, e não os válidos).

Na campanha, Marta disse que, se fosse eleita prefeita, não disputaria a candidatura presidencial com Dilma. Mas integrantes de seu grupo político faziam questão de dizer que não seria bem assim. Argumentavam que uma Marta vitoriosa em São Paulo teria mais apoio da máquina petista do que Dilma, que teve passagem pelo PDT brizolista antes de ingressar no PT.

Aconteceu o pior cenário para os martistas. A derrota para Kassab terá peso maior do que imaginavam. Auxiliares de Marta chegaram a admitir, logo após o resultado do primeiro turno, que poderiam perder por um ou dois pontos percentuais para Kassab. O resultado, porém, tende a ser uma lavada política, agravada pelo erro de recorrer a ataques pessoais contra o prefeito, o que custará a Marta, no mínimo, uma mancha na biografia.

Amigo de Lula, o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), poderia ser uma espécie de "plano B" em caso de naufrágio da articulação presidencial de Dilma. Mas a eventual derrota em Salvador hoje tende a fazer com que Wagner priorize a luta pela manutenção do terreno conquistado na Bahia em 2006 e se candidate à reeleição.

Pesquisa Datafolha mostra que o prefeito João Henrique (PMDB) tem vantagem de 10 pontos percentuais sobre o deputado federal Walter Pinheiro (PT). Placar de 55% a 45%, em votos válidos.

O PMDB baiano, sob a liderança do ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), sai fortalecido das eleições municipais. O próprio Geddel é alternativa de candidato a governador em 2010. E o desejo de Lula de fechar uma aliança nacional com o PMDB para apoiar Dilma reforça o cenário no qual o presidente fará concessões para agradar a Geddel em detrimento de Wagner.

A decadência do petismo no Rio Grande do Sul também contribui para o fortalecimento nacional do lulismo. O Datafolha mostra que o prefeito José Fogaça (PMDB) deverá se reeleger hoje. Na pesquisa, ele tem 57% dos votos válidos, contra 43% da deputada federal Maria do Rosário (PT).

Das oito capitais que governa hoje, o PT manteve seis delas no primeiro turno: Fortaleza, Recife, Vitória, Porto Velho, Rio Branco e Palmas. Em Belo Horizonte e Macapá, hoje administradas pelo petismo, o partido não tem um representante no segundo turno. Nas capitais em que disputa, o cenário é de derrota.


Folha de S.Paulo, 26 de outubro de 2008
Preços dos imóveis não param de cair
DO ENVIADO ESPECIAL À CALIFÓRNIA

O estrago causado pelo setor imobiliário ainda está longe do fim na Califórnia. Em setembro, mais de 40% de todas as residências comercializadas na região da baía de São Francisco pertenciam a ex-mutuários que ficaram inadimplentes. O comportamento do mercado local também é um indicativo de que os preços das residências no resto dos EUA ainda têm espaço para cair ainda mais, o que só piora a dimensão da atual crise.

Nas três principais cidades da Califórnia, Los Angeles, São Francisco e San Diego, os preços das casas caíram 30% em relação à média de 2006. Na média nacional, a queda ainda não chegou a 20%, segundo o índice S&P Case-Shiller, que acompanha duas dezenas de grandes cidades nos EUA. Nas menores, as quedas de preço são significativamente maiores.

" Tem sido um desafio e tanto viver nesse mercado", diz Katina Umpierre, corretora de imóveis há quase uma década na região de São Francisco. Umpierre afirma que o seu próprio imóvel, adquirido em 1998, vale hoje os mesmos US$ 189 mil pagos à época. "Há dois anos, valia quase US$ 500 mil."

A corretora Lloiden Gaza, baseada em Stockton, diz que começa a enxergar alguma luz no fim do túnel desse mercado. Segundo ela, Stockton tem hoje 2.482 imóveis à venda (um recorde) e a maioria de ex-mutuários inadimplentes. " Mas, com os preços tão baixos, os compradores começam a aparecer", diz.

Segundo ela, só há dois tipos de cliente, os que pagam à vista e os que não têm dinheiro algum e se valem de uma linha federal de crédito que permite uma entrada de só 3% do valor do imóvel. Outro problema em várias cidades com muitos imóveis retomados é que a maioria dos que perderam suas casas está indo para residências alugadas, criando bairros inteiros só de locatários, o que acaba desvalorizando ainda mais essas regiões.

Entre as medidas de resgate ao setor financeiro, começa a amadurecer a idéia de um plano para salvar mutuários inadimplentes. O candidato republicano John McCain, por exemplo, propôs linha de crédito de US$ 300 bilhões para eles, mas está em estudo algo mais modesto, de US$ 40 bilhões.

O grande problema não resolvido até agora é quem resgatar, pois a linha vai acabar ajudando não apenas pessoas que perderam seus empregos e que estavam financiando imóveis compatíveis com seus orçamentos, mas principalmente pessoas que não tinham a menor condição de comprar os imóveis que adquiriram. Nessa categoria está cerca de 1,5 milhão de norte-americanos.

Em muitos casos, a estratégia das imobiliárias é colocar os preços dos imóveis no mercado em níveis muito baixos, verdadeiras pechinchas, para atrair muitos compradores e, com isso, colocá-los em competição para subir os valores. (FCZ)