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Agência Diap, 26
de outubro de 2008
DIREITOS DO CONSUMIDOR
CCJ do Senado aprova projeto
que pune prática de overbooking
Empresas aéreas que forem flagradas praticando
o overbooking - venda de passagens acima da capacidade
dos assentos constantes nas aeronaves - serão obrigadas
a indenizar o passageiro que ficar impedido de embarcar.
A multa terá o valor correspondente ao da passagem
comprada, além da devolução do valor
pago pelo consumidor, se ele preferir não viajar.
A indenização, a ser paga pela companhia
aérea em dinheiro ou em crédito aberto, também é válida
em caso de cancelamento de vôo ou atraso superior
a duas horas.
A decisão foi tomada, na última quarta-feira
(15), pela Comissão de Constituição,
Justiça e Cidadania do Senado, ao aprovar substitutivo
do senador Expedito Júnior (PR/RO) o PLS 114/04,
da senadora Serys Slhessarenko (PT/MT). A proposta tramita
em conjunto com outros três projetos que versam sobre
o mesmo tema.
Tramitação
O projeto segue agora para a Comissão de Desenvolvimento
Regional e Turismo, onde será votado em decisão
terminativa. Na prática, o projeto tem por meta
preservar o passageiro de constrangimentos que sofrem nos
aeroportos.
A indenização não exime, entretanto,
a empresa de garantir ao passageiro prejudicado o direito
contratual ao transporte previsto no bilhete, o qual poderá ser
usufruído, a critério do passageiro, na forma
de uma das seguintes alternativas:
1) acomodação em vôo
que ofereça serviço equivalente para o mesmo
destino, no prazo de quatro horas a contar do horário
previsto para o embarque; e
2) reembolso do valor do bilhete. Todas
as despesas decorrentes da interrupção ou
atraso da viagem, inclusive transporte de qualquer espécie,
alimentação e hospedagem, correrão
por conta da empresa.
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Vermelho, 26 de outubro
de 2008
Metalúrgicos fecham
acordos, mas pode haver greve
Os metalúrgicos de São Paulo e Mogi aprovaram
sexta-feira (24) à noite, em assembléia,
proposta de acordo salarial com cinco grupos patronais
e decretaram estado de greve nas empresas do chamado Grupo
10 da Federação das Indústrias do
Estado de São Paulo (Fiesp).
De acordo com nota à imprensa do Sindicato dos
Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes,
o grupo 10 não apresentou contraproposta. Os metalúrgicos
estipularam a próxima segunda-feira, dia 27, como
prazo final para que o grupo se manifeste.
"Se isto não acontecer, vamos começar
a parar as fábricas do setor a partir de terça-feira
e buscar acordos direto com as empresas", afirmou
o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São
Paulo e Mogi das Cruzes, Miguel Torres.
O Grupo 10 inclui Sifumesp (funilaria e móveis
de metal), Sindilux (lâmpadas e aparelhos elétricos
de iluminação), Siemesp (estamparia de metais)
Sinaemo (artigos e equipamentos odontológicos, médicos
e hospitalares), Sindirepa (reparação de
veículos e acessórios), Sindimec (mecânica),
Sindisuper (proteção, tratamento e transformação
de superfícies), Sinarme (rolhas metálicas),
Simbe (material bélico).
No caso dos cinco acordos aprovados, as contrapropostas
garantem a reposição salarial da inflação
dos últimos 12 meses a serem encerrados neste mês
de outubro.
No Grupo 3 (autopeças), o acerto inclui reajuste
salarial estimado de 10,99%, dos quais, 3,6% de aumento
real. No Grupo 2, (máquinas e equipamentos e eletroeletrônicos),
foi acordado uma elevação estimada de 10,34%,
sendo 3% de real. No Grupo 19-3 (laminação
de metais, esquadrias e construções metálicas,
equipamentos ferroviários, metais não-ferrosos,
e outros), o acréscimo deve somar 10,34%, com 3%
de real. No caso da Fundição, o reajuste
previsto alcança 10,51%, dos quais, 3,15% de real.
E nas empresas do Sindisider (produtos para siderurgia),
o acorde prevê reajuste estimado de 10,34%, sendo
3% de real.
A assembléia no auditório do Sindicato,
na Liberdade, contou com a participação de
1.500 trabalhadores, de acordo com o Sindicato.
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Vermelho, 26 de outubro
de 2008
Robert Fisk: crise e ranger
de ossos mundiais; não no Líbano
Mustafa, proprietário da sala
que alugo, está sentando em seu barzinho (só refrigerantes),
no térreo, com o dedo na orelha. Trabalho no escritório
do The Independent, janelas bem fechadas, o que não
impede que uma fina camada de poeira entre pelas frestas e
cubra tudo, arquivos e livros, laptop e impressora (e Fisk),
com uma pátina castanha oleosa. Sim, há uma construção
aqui bem ao lado, e as escavadeiras rugem no esforço
de construir mais duas chamativas torres de apartamentos.
Por Robert Fisk*
Em toda Beirute é a mesma coisa, a paisagem sempre em transformação,
todos os dias brota um novo prédio de escritórios ou de
apartamentos. Sim senhor! No Líbano, país cujo nome ainda é sinônimo
de guerra – e em mundo no qual o capitalismo enfrenta colapso de
proporções bíblicas – os negócios vão
de vento em popa.
Mas, atenção, leitores, não aconselho – não,
não, de modo algum – não estou aconselhando ninguém
a investir nesse para-Estado, de governo sectário e covas para
sepultamentos em massa e campos de esquálidos refugiados palestinos.
Não sou economista. No ginásio, não passei em Matemática
em três tentativas, motivo pelo qual me ofereceram uma vaga na
Liverpool University. Alguém, pois, terá de me explicar
como esse paisinho do Oriente Médio dá-se tão bem
e atravessa tão alegremente a temporada de ciclones que detona
a economia mundial.
O Blombank de Beirute comemora aumento recorde de 34%
nos lucros nos ¾ do ano já decorridos. O
presidente do Banco Audi Saradar, o qual, coincidentemente, é também
ministro da habitação do governo libanês,
diz que se espera que o Líbano, em pouco tempo,
alcance o mais alto índice de crescimento em muitos
anos. Os preços das casas continuam a subir. E o
país padece sob uma dívida pública
de 45,5 bilhões de dólares. Assim sendo,
entra em ação a cadernetinha Fisk de anotações,
em capa de couro, para recolher as palavras da sabedoria
libanesa (homens, na maioria; poucas mulheres) na qual
se escondem os segredos do milagre financeiro local. OK.
O Banco Audi perdeu cerca de 20 milhões de dólares
na quebra do Lehman Brothers, mas escapou por um triz do
colapso do Wachovia Personal Finance and Business Financial
Services, porque sua aplicação de 200 milhões
de dólares venceu dia 3/10. Somados, os 58 bancos
libaneses acumularam lucros de 750 milhões de dólares
em 2008. E por que esse dinheiro parece tão bem
salvo e preservado? Porque há três anos, o
Banco Central do Líbano proibiu os bancos comerciais
de operar com derivativos. Nenhum banco libanês investiu,
nem um centavo, nas hipotecas subprime nos EUA. De fato,
os bancos comerciais libaneses, todos eles, são
proibidos de investir em imóveis fora do Líbano.
Não há, é claro, petróleo,
no Líbano – ou há? Nos idos de 1976,
quando Ghassan Tueni foi ministro do petróleo, quase
todos os grandes conglomerados mundiais de petróleo
mostraram interesse em prospectar em áreas da costa
libanesa entre Batroun e Tripoli, ao norte. Mas no dia
previsto para a abertura da concorrência, em Tripoli,
estourou a guerra entre sírios e palestinos, que
conflagrou a região a ser prospectada. Depois, em
1980, o economista libanês Marwan Iskander sugeriu
ao então presidente Elias Sarkis que seria hora
de voltar a pensar na concorrência para prospectar
petróleo. Iskander ofereceu-me magnífico
charuto cubano, enquanto me contava a história de
Sarkis. Por alguma insondável razão, todos
os libaneses fumam charutos quando discorrem sobre a loucura
financeira.
"Quando apresentei minha sugestão, Sarkis
virou-se para mim e disse: 'Escute aqui, Marwan, os libaneses
já somos doidos, sem petróleo. Se acharmos
petróleo, enlouqueceremos completamente! Além
do mais, mesmo que encontremos petróleo, os sírios
não permitirão a exportação.'" Hoje,
os sírios já voltaram – politicamente – ao
Líbano, e o governo de Siniora não tem pressa
para descobrir reservas de petróleo sob as águas
do Mediterrâneo.
Mas os libaneses talvez contem com uma commodity tão
valiosa quanto o petróleo: o Líbano é o único
país do mundo que tem 35-40% da população
empregada em terra estrangeira; e esses libaneses mandam
para casa, anualmente, cerca de 7,5 bilhões de dólares.
Além disso, o Líbano já recebeu 1,3
bilhão, dos 7,6 bilhões a que faz jus, nos
termos da Declaração de Paris, da OCDE, de
2005; o que falta virá, com as reformas que o governo
prometeu fazer. Isso, sem falar, aliás, do quase
1 bilhão de dólares que o Hezbolá recebe
anualmente do Irã. Indício da eficácia
com que os EUA "estancaram o fluxo de dinheiro para
organizações terroristas".
Quanto à dívida pública, situação
sob controle. Pelo menos 24 bilhões, dos 45,4 bilhões
devidos são dívida em moeda estrangeira;
21 bilhões, em dinheiro libanês. Mas 80% da
dívida externa é dívida de bancos
ou de empresas libanesas, que jamais terão interesse
em quebrar o país; todos pagam pontualmente os juros
que devem pagar. E no que tenha a ver com a dívida
interna, Siniora pode imprimir mais dinheiro, sendo necessário.
Uau! Foi a primeira vez que me meti nos assuntos de lucros
e perdas desse estranho país. No hell-disaster (esse "desastre
dos infernos", como disse Churchill) que é o
Oriente Médio, é quase engraçado constatar
que o Líbano – em termos políticos, é um
Rolls-Royce sem leme – sabe fazer contas e o balanço
'fecha'. O mundo terá o que aprender, do Líbano?
No nosso próximo encontro – pedi a Iskander
na 5ª-feira passada –, sugira-me um ‘derivativo’. “Nada
disso”, respondeu ele. “Se você já tiver
entendido, explique p’ra mim!”
Como os libaneses conseguem fazer o que fazem? Sendo otimistas.
Surpreendentemente, raros libaneses conhecem a sombria
advertência que T.S.Eliot dirigiu aos ancestrais
dos libaneses, os fenícios. Em “Death by Water”**,
Eliot escreveu: “Flebas, o Fenício, morto
há quinze dias, / Esqueceu o grito das gaivotas
e o marulho das vagas / E os lucros e perdas. / Uma corrente
submarina / Roeu-lhe os ossos em surdina. (…) / Gentio
ou judeu, / Ó tu que o leme giras e avistas onde
o vento se origina, / Considera Flebas, que foi um dia
alto e belo como tu.”
Mas quem, em Beirute pensa em Flebas, sepultado no Mediterrâneo?
Pois pode acontecer de, um dia, os libaneses encontrarem
tesouros mais ricos, mas escuros, por baixo daqueles ossos.
*ROBERT FISK, 25/10/2008, ” Financial
doom and gloom is everywhere – except Lebanon” © 2008
The Independent, UK.
Na Internet em:
http://www.independent.co.uk/opinion/commentators/fisk/robert-fisks-world-financial-doom-and-gloom-is-everywhere-ndash-except-lebanon-972797.html.
Tradução de trabalho, de Caia Fittipaldi, para finalidades
didáticas, sem valor comercial.
**“Death by Water” [Morto
pela água] é o quarto dos cinco poemas de
T.S. Eliot que formam The Waste Land, de 1922. A tradução
que aí vai é de Ivan Junqueira, em T.S. Eliot,
Poesia, editora Nova Fronteira, 1981.
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Congresso em Foco, 26 de
outubro de 2008
Segundo turno leva 27 milhões
de eleitores às urnas
Eleitores escolhem prefeitos de 31
cidades. Disputas mais interessantes acontecem em SP, Rio e
BH
Rodolfo Torres
Neste domingo (26), exatos 27.166.643 eleitores (21,09% do eleitorado)
estão aptos para escolher os prefeitos de 11 capitais e de 19
municípios do interior do país. Nessas cidades, o pleito
não foi decidido no último dia 5 porque nenhum dos candidatos
dessas localidades atingiu o percentual de metade mais um dos votos
válidos.
Levantamento exclusivo do Congresso em Foco revela que, dos 60 candidatos
que vão disputar votos neste segundo turno das eleições
municipais, mais de 70% têm problemas com a Justiça. São
43 políticos com enfrentam processos no Supremo Tribunal Federal,
nos tribunais regionais federais e nos tribunais estaduais.
Entre as 30 cidades que serão palco do segundo turno, uma das
disputas mais interessantes é em São Paulo, maior metrópole
do país, com 8,1 milhões de eleitores.
Lá, as últimas pesquisas apontam uma generosa vantagem
do atual prefeito, Gilberto Kassab (DEM), sobre a ex-ministra Marta
Suplicy (PT), que entrou no primeiro turno como favorita. De acordo
com pesquisas Datafolha e Ibope divulgadas ontem (25), ambas com apenas
os votos válidos, Kassab conta com 20 pontos de vantagem em
relação à Marta: 60% contra 40%.
No Rio de Janeiro, com 4,5 milhões de eleitores, a disputa esta
acirrada entre Eduardo Paes (PMDB), candidato do governado estadual
e federal, e o deputado Fernando Gabeira (PV), apoiado pelo atual prefeito,
Cesar Maia (DEM). Nas pesquisas do Datafolha e do Ibope desse sábado,
o peemedebista aparecia com 51% das intenções de voto,
contra 49% de Gabeira.
A disputa mais instável ocorre em Belo Horizonte,
que conta com 1,7 milhão de eleitores. Márcio
Lacerda (PSB), candidato apoiado pelo governador mineiro
e pelo prefeito de BH, Fernando Pimentel (PT), liderou a
disputa durante todo o primeiro turno. No início do
segundo turno, o adversário Leonardo Quintão
(PMDB) assumiu a liderança. Contudo, de acordo com
o Ibope, Lacerda tem 52% dos votos válidos, contra
48% de Quintão. Já o Datafolha diz que Lacerda
conta com 59% das intenções de voto, contra
41% de Quintão.
Os cenários advindos das urnas em Belo Horizonte e São
Paulo vão colaborar para definir os candidatos à Presidência
da República em 2010.
Mais disputas
Outras cidades terão segundo turno hoje: Belém (PA),
Belo Horizonte (MG), Cuiabá (MT), Florianópolis (SC),
Macapá (AP), Manaus (AM), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro
(RJ), Salvador (BA), São Luís (MA) e São Paulo
(SP).
Além das capitais, haverá eleição em Anápolis
(GO), Bauru (SP), Campina Grande (PB), Campos (RJ), Canoas (RS), Contagem
(MG), Guarulhos (SP), Joinville (SC), Juiz de Fora (MG), Londrina (PR),
Pelotas (RS), Petrópolis (RJ), Ponta Grossa (PR), Mauá (SP),
Montes Claros (MG), Santo André (SP), São Bernardo do
Campo (SP), São José do Rio Preto (SP) e Vila Velha (ES).
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) prontificou cerca de 77 mil urnas
eletrônicas, distribuídas em 67.740 seções
eleitorais, para o segundo turno do pleito municipal.
Pleito retomado
Além dessas 30 localidades, também haverá eleição
em Benedito Leite (MA), cujo pleito do dia 5 de outubro foi
cancelado pela Justiça Eleitoral depois que diversas
urnas foram queimadas. Nesse município, 4.271 eleitores
são esperados em 17 seções para escolher
prefeito, vice-prefeito e nove vereadores.
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Gazeta do Povo, 26 de outubro
de 2008
Corrida eleitoral
Aliados de Lula são
os grandes favoritos do 2.º turno
Base aliada vai vencer em 18 das
30 cidades onde hoje haverá votação
e tem boas chances em mais 6
Brasília - Os partidos de sustentação
do governo do presidente Lula – PT , PMDB, PP, PSB,
PTB, PDT, PR, PCdoB e PV – são os grandes
favoritos do segundo turno. Das 30 cidades em que hoje
haverá votação, a base de Lula vai
ganhar em 18 cidades, pois apenas candidatos de legendas
aliadas concorrem. Nessa conta está incluído
o Rio de Janeiro, que tem o peemedebista Eduardo Paes disputando
com Fernando Gabeira, que é do PV, embora o candidato
verde seja crítico de Lula.
A base de Lula também tem grande chances, segundo
as pesquisas, de vencer em outras seis cidades. Dentre
os partidos aliados, O PT é quem tem possibilidade
de fazer o prefeito em mais municípios neste segundo
turno (11), seguido do PMDB, com 9.
O segundo turno também deve consolidar o PMDB como
principal vencedor das eleições de 2008.
Nas capitais, os peemedebistas inclusive são favoritos
em três cidades: o PMDB lidera as pesquisas em Salvador
(BA), Porto Alegre (RS) e Florianópolis (SC). Além
disso, está tecnicamente empatado em outras três:
Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ) e Belém
(PA).
As pesquisas indicam o crescimento peemedebista após
20 anos de recuo. No primeiro turno, o partido elegeu 1.194
prefeitos, 140 a mais do que em 2004. Duas dessas vitórias
foram em capitais, Goiânia (GO), com Íris
Resende, e Nelson Trad, em Campo Grande (MS).
O PMDB também se transformou no maior “dono” de
estados. Há quatro anos, o partido elegeu a maioria
dos prefeitos em apenas cinco unidades da federação.
Em 2008, o domínio cresceu para 14 estados, contra
quatro do PSDB, dois de PT, PDT, PSB e PP e 1 de PR e PTB.
O PSDB, segunda maior legenda em número total de
prefeituras, caiu de 871 para 780. Entre as capitais, os
tucanos já venceram em Curitiba, com Beto Richa,
e em Teresina (PI), com Silvio Mendes. Hoje, as pesquisas
indicam que devem ganhar duas capitais: Cuiabá (MT)
e São Luís (MA).
Em terceiro lugar com maior número de municípios
conquistados aparece o PT, que aumentou o número
de prefeituras em 33% no primeiro turno, saltando de 411
que administra hoje para 548 que serão dirigidas
por petistas a partir do ano que vem. Os candidatos do
PT já venceram em seis capitais – Fortaleza
(CE), Palmas (TO), Recife (PE), Vitória (ES), Porto
Velho (RO) e Rio Branco (AC). Por outro lado, o PT deve
perder em seis das sete capitais do eixo Sul-Sudeste, que
concentra os maiores colégios eleitorais do país.
Importância
Os confrontos mais importantes de hoje para o PMDB são
em Belo Horizonte e Rio. Em Minas Gerais, Leonardo Quintão
chegou a virar as intenções de voto contra
Márcio Lacerda (PSB) há duas semanas, mas
as últimas pesquisas indicam empate técnico,
com leve vantagem para Lacerda. Na capital fluminense houve
o contrário: o peemedebista Eduardo Paes largou
atrás e agora está um pouco à frente
de Fernando Gabeira (PV).
Os resultados ampliam a força do PMDB nas negociações
para a sucessão presidencial em 2010. “Mais
uma vez o PMDB será a noiva mais cobiçada”,
diz o cientista político David Fleischer, da Universidade
de Brasília. Ele lembra dos esforços de tucanos
e petistas para atrair os peemedebistas a uma aliança
nas últimas três disputas presidenciais.
A última vez que o partido teve candidato próprio
a presidente foi em 1994, com o ex-governador de São
Paulo Orestes Quércia. Para acabar com a fama de
colcha de retalhos, o partido tenta utilizar o fortalecimento
das urnas como motivo de união. “Vivíamos
uma situação constrangedora, de divisão
nos estados e de correntes dentro do Congresso Nacional.
De 2006 para cá, estamos colando todos os pedaços
e o resultado foi visto nas eleições”,
diz o líder da legenda na Câmara dos Deputados,
Henrique Alves (RN).
O poder do PMDB também está levando a legenda
a discutir romper o acordo com o PT para tentar eleger
novamente o presidente do Senado. “Somos o maior
partido nas duas Casas e, pela lógica, poderíamos
sim presidir ambas. Só que politicamente talvez
essa não seja a melhor escolha”, afirma Alves.
Passada a disputa pelo comando do Congresso, a legenda
também faz planos para 2010. O líder da bancada
anunciou a intenção de transformar lideranças
locais em nomes conhecidos no Brasil. Alves não
esconde, porém, que um nome sai na frente nessa
disputa – o governador do Rio de Janeiro, Sérgio
Cabral. Em conversas reservadas, Lula já teria dito
que Cabral é o nome ideal para ser vice da ministra
da Casa Civil, Dilma Rousseff, em 2010.
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Folha de S.Paulo, 26 de
outubro de 2008
País
Resultado deixa PT mais
dependente de Lula
Dirigentes admitem que eleição
não revelou liderança capaz de dividir com
o presidente a influência sobre os rumos da sigla
Assuntos como a eleição
para o novo presidente do partido e como a sucessão
de 2010 dependerão das decisões tomadas por
Lula
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Os resultados das eleições municipais deste
ano deixam o PT ainda mais dependente do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva. O lulismo se consolida como
força maior do que o petismo -tendência em
curso desde a chega do partido ao poder federal, na eleição
de 2002.
Apesar do crescimento orgânico do PT, estas eleições
não revelaram uma nova liderança nem permitiram que caciques
estaduais ganhassem força para ousar dividir com Lula a influência
sobre os rumos do PT. Reservadamente, dirigentes do partido reconhecem
que caberá ao presidente da República decidir os movimentos
mais importantes da legenda nos próximos dois anos. Lula escolherá o
candidato à sua própria sucessão, em 2010. O presidente
já disse a auxiliares próximos que deseja que a ministra
Dilma Rousseff (Casa Civil) seja a candidata.
Lula também terá influência decisiva na eleição
do novo presidente do PT, no ano que vem. O atual, o deputado federal
Ricardo Berzoini (SP), não poderá ser reeleito. O presidente
quer escalar o seu chefe-de-gabinete, Gilberto Carvalho, para a missão.
Se convocado, Carvalho sinalizou que aceitará.
Os efeitos da crise internacional sobre o Brasil também deverão
sufocar eventuais críticas do partido a Lula. Numa conjuntura
adversa, o papel do PT será defender uma política econômica
com a qual conviveu mal e que agora enfrenta o seu grande teste.
Uma queda na popularidade de Lula, única estrela de primeira
grandeza do PT, só desidrataria ainda mais o desempenho do partido
nas eleições de 2010, quando haverá disputa pela
Presidência, por governos estaduais (e o Distrito Federal), por
vagas na Câmara dos Deputados e para dois terços do Senado,
além das Assembléias Legislativas (inclusive a Câmara
Distrital de Brasília).
Antes das eleições, setores do petismo, sobretudo de
São Paulo, alimentavam a idéia de dividir com Lula a
decisão sobre a candidatura presidencial de 2010. Com a iminente
derrota da ex-ministra Marta Suplicy para o prefeito Gilberto Kassab
(DEM) essa articulação ruiu. Segundo pesquisa Datafolha
realizada anteontem e ontem, Kassab tem 60% dos votos válidos,
contra 40% de Marta (no quadro ao lado foram destacados os índices
de votos totais, e não os válidos).
Na campanha, Marta disse que, se fosse eleita prefeita, não
disputaria a candidatura presidencial com Dilma. Mas integrantes de
seu grupo político faziam questão de dizer que não
seria bem assim. Argumentavam que uma Marta vitoriosa em São
Paulo teria mais apoio da máquina petista do que Dilma, que
teve passagem pelo PDT brizolista antes de ingressar no PT.
Aconteceu o pior cenário para os martistas. A derrota para Kassab
terá peso maior do que imaginavam. Auxiliares de Marta chegaram
a admitir, logo após o resultado do primeiro turno, que poderiam
perder por um ou dois pontos percentuais para Kassab. O resultado,
porém, tende a ser uma lavada política, agravada pelo
erro de recorrer a ataques pessoais contra o prefeito, o que custará a
Marta, no mínimo, uma mancha na biografia.
Amigo de Lula, o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), poderia ser
uma espécie de "plano B" em caso de naufrágio
da articulação presidencial de Dilma. Mas a eventual
derrota em Salvador hoje tende a fazer com que Wagner priorize a luta
pela manutenção do terreno conquistado na Bahia em 2006
e se candidate à reeleição.
Pesquisa Datafolha mostra que o prefeito João Henrique (PMDB)
tem vantagem de 10 pontos percentuais sobre o deputado federal Walter
Pinheiro (PT). Placar de 55% a 45%, em votos válidos.
O PMDB baiano, sob a liderança do ministro Geddel Vieira Lima
(Integração Nacional), sai fortalecido das eleições
municipais. O próprio Geddel é alternativa de candidato
a governador em 2010. E o desejo de Lula de fechar uma aliança
nacional com o PMDB para apoiar Dilma reforça o cenário
no qual o presidente fará concessões para agradar a Geddel
em detrimento de Wagner.
A decadência do petismo no Rio Grande do Sul também contribui
para o fortalecimento nacional do lulismo. O Datafolha mostra que o
prefeito José Fogaça (PMDB) deverá se reeleger
hoje. Na pesquisa, ele tem 57% dos votos válidos, contra 43%
da deputada federal Maria do Rosário (PT).
Das oito capitais que governa hoje, o PT manteve seis delas no primeiro
turno: Fortaleza, Recife, Vitória, Porto Velho, Rio Branco e
Palmas. Em Belo Horizonte e Macapá, hoje administradas pelo
petismo, o partido não tem um representante no segundo turno.
Nas capitais em que disputa, o cenário é de derrota.
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Folha de S.Paulo, 26 de
outubro de 2008
Preços dos imóveis
não param de cair
DO ENVIADO ESPECIAL À CALIFÓRNIA
O estrago causado pelo setor imobiliário ainda
está longe do fim na Califórnia. Em setembro,
mais de 40% de todas as residências comercializadas
na região da baía de São Francisco
pertenciam a ex-mutuários que ficaram inadimplentes.
O comportamento do mercado local também é um
indicativo de que os preços das residências
no resto dos EUA ainda têm espaço para cair
ainda mais, o que só piora a dimensão da
atual crise.
Nas três principais cidades da Califórnia, Los Angeles,
São Francisco e San Diego, os preços das casas caíram
30% em relação à média de 2006. Na média
nacional, a queda ainda não chegou a 20%, segundo o índice
S&P Case-Shiller, que acompanha duas dezenas de grandes cidades
nos EUA. Nas menores, as quedas de preço são significativamente
maiores.
" Tem sido um desafio e tanto viver nesse mercado", diz Katina Umpierre,
corretora de imóveis há quase uma década na região
de São Francisco. Umpierre afirma que o seu próprio imóvel,
adquirido em 1998, vale hoje os mesmos US$ 189 mil pagos à época. "Há dois
anos, valia quase US$ 500 mil."
A corretora Lloiden Gaza, baseada em Stockton, diz que começa
a enxergar alguma luz no fim do túnel desse mercado. Segundo
ela, Stockton tem hoje 2.482 imóveis à venda (um recorde)
e a maioria de ex-mutuários inadimplentes. " Mas, com os
preços tão baixos, os compradores começam a aparecer",
diz.
Segundo ela, só há dois tipos de cliente, os que pagam à vista
e os que não têm dinheiro algum e se valem de uma linha
federal de crédito que permite uma entrada de só 3% do
valor do imóvel. Outro problema em várias cidades com
muitos imóveis retomados é que a maioria dos que perderam
suas casas está indo para residências alugadas, criando
bairros inteiros só de locatários, o que acaba desvalorizando
ainda mais essas regiões.
Entre as medidas de resgate ao setor financeiro, começa a amadurecer
a idéia de um plano para salvar mutuários inadimplentes.
O candidato republicano John McCain, por exemplo, propôs linha
de crédito de US$ 300 bilhões para eles, mas está em
estudo algo mais modesto, de US$ 40 bilhões.
O grande problema não resolvido até agora é quem
resgatar, pois a linha vai acabar ajudando não apenas pessoas
que perderam seus empregos e que estavam financiando imóveis
compatíveis com seus orçamentos, mas principalmente pessoas
que não tinham a menor condição de comprar os
imóveis que adquiriram. Nessa categoria está cerca de
1,5 milhão de norte-americanos.
Em muitos casos, a estratégia das imobiliárias é colocar
os preços dos imóveis no mercado em níveis muito
baixos, verdadeiras pechinchas, para atrair muitos compradores e, com
isso, colocá-los em competição para subir os valores.
(FCZ)
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